Biblio dos pioneiros

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Biblio dos pioneiros

  1. 1. DA MESMA AUTORA em etli~ao AGIR Supervisiio em Servifo Social Mode/os de Sllpervislio em Serviro .'-,'odal lIistOria do ServifO Socia/:Collfribuiriio para a C01lSfI1lriiode ma Teoria Metodologia do Sen1iro Social: Can [ribuiriio para .1'1I11 Elabora{Yj'() Serl'iro Social: Processos e Tecnicas Sen'i{:o Social: Politica e Admillistrariio Serl'iro Social: Visao Intemacional SERVI(:O SOCIAL 1••,libla SUI,eliof ,1., )c'Vi(O II S a 0 A BIOLIOllCA
  2. 2. Copyright ©de' Balbina Olloni Vieira Dildlos para cdi<;io em lingua portuguesa reservados a A!{TES GRAFICAS INDUSTRIAS REUNIDAS S. A. (AGIIO CIP-BrasiL Cataloga<;ao-na-fonle SiIHlicalo National dos Editores de LiVIOS, IU. llibliografia ISBN 85-220-D097-2 In tr()dll~ao 7 Capilul,) 1 UM PRFCUHSOR DO SERVI('O SOCIAL: JUAN LUIZ VIVI?S (1492-1540) IJ Juan Luiz Vives (1492-1540), Humanista c Filosafo - 0 Pcnsamento Social lie Juan Luiz Vives: "Da Assislcncia aos Pobrcs" - COIIIO Ler Juan Luiz Vives An:'lise de "Da Assislcncia aos I'obres". l'rillleira Parte: A Responsabilidade das Pc,soas .. Scgllnlla Parle: A Rcsponsabilidade dos Govallos -- Referendas Ilihhugraficas -- Ohras lk Juan Luiz Vives -- Bibliografia Consullada. Vieira, Ihdbina Olloni. V'll 35 Servi"o social: percursores e pioneiros I Balbina Olloni Vieira .... Hio de Janeiro: Agir, 19B4. I, Addams, Jane, 11l60-1935 2_ Barnelt, Call1lll E., 11153-1915 3, Follett, Mary I'arktor, 1868-1933 4. Vicenle d" Paulo,Santo, 1576-1660 5. Hichillond, MaryE,1861~192116.Sand,Htoue,llln-I}53 7. Vives, Juau LUIZ, 1492-1540 8. S"rvl'o ,,}clal -- Itisloria I. Ti lulo Capillilo II A CAIUDADF OI'EHAClONALlZADA: S. VICENTE DE PAU- I.A (1576-1660) J/ S. Vicellie de Paula (1576-1660) 0 Pensamento Social de Vicenle de Paula 110 ()"a",o de ."",, Reahla·iie., _. As Cunhalias -- Os Agenles da Caridade: 1 """;1 de ~lalillaL' (1591-1660) e as Filllas da C'ilfidade AssislCllcia as Criall<;as A""'''011:,,1:1, - A A"htcllL'~1 ao, Melldigos -- A Produ(,-ao Lilcniria >ohre S V,,'cllie de l'a"la 0 Q"e e COIllO Ese •."via S. Vleenle: a sua I:ilosofia -- Ret'crcllc'"'' Bihliogr,jfieas .. Bibhogralia Consultada. CDD 3619 923.61 Cilli 36(091) llH)033 92 :36 CaplLlilu III -- OS FUNDADOHE$ DOS CENTROS SOCIAlS: CANON SA- MUEL L. BARNETt 01l44-1(13) E JANE ADDAMS (lB60· 1935) 47 l~ PARTE: Canoll Samuel E. Barnetl: A I'rimeira Residcncia Social na Ingla- lerra: (oynbee lIall, 11184 -- Canon Samuel E. Balliett (1844-1913) -- Toynbee lIall: a primdra residcllcia social· 0 I'ensamellto Sodal de Calion Samuel E. B:lIl1dt 2~ PARTE: Jane Add,lIllS (1860-1935) Nos Estados Unidos. Hull Iionse (lliB9), nil' dus P,imciIos Centros de Vizillhan~a Jalle Addams tl!lbO-j935) 1I"lIl1ouse tlBH91 - 0 I'e",:"n<:nlo Sucial de Jane Addallls-- Dnas Concnles d~ Pellsamentos -- ({dercncias llihliognificas -- ObIas de Canon Salllucl L. llallldl .-- Ohras de Jane A,hlams ... Ilibliogralia Consultada. Rua Ur{lUlio Comes. 'll5 (ao lado lIa Bib. MUll) -- Idelolle: 259-4470 Caixa 1'0s1al6040. 5ao Paulo. 51', CI:I' lllW,l Rua Mexico, 98-B - Telefolle: 240-1978 Caixa 1'051313291, I{io de )alleilO, HI, eEl' 20001 Rua hplrito 5anlo, U45, (ojal6 - Ielelolle: 212- JOlll Caixa l'oSldl73J, Belo Ilol'JLollle, Me, ell' .lllO1l1l Alclldemos pelo 5ervio de Reelllboiso I'oslal lJ~IA PlONl-lllt DO SRVH:O 'SOCIAl.: MAHY E. RI- tllMlINIl (I 1l1>!·1'nil) 61
  3. 3. Mary E. Richmond (1861-1928) - A Prodll~o Uteniria de Mary E. Richmond - 0 Pensamento Sodal de Mary Richmond -- A No<;ao de "Diagnoslico SocIal" - A Nu~ao de ''Caso Social" e de "Casework" -- Ou tlas Formas de Servl~o So- cial - A Filosofia de Mary Richmond - Heferencias Bioliognillcas - Obras de Mary Richmond - Dlbllografia Comullada. Capitulo V - UMA NOVA CONCEPC;;.4.0 DE ADIIIINISTRM;AO: MARY PARKER FOLLETT (1868-1933) 85 Mary Pa.rker Follett (1868-1933) - A Produ~<lo Literaria de Mary Pa.rker Fullell - 0 PenSllmento Social de Mary Pa.rker Follell -- A l.ei da Sitlla~-ao e a Twria da Intcgra<;;fo - Os Processus de Coordena,-au e de Contrule - Ooras de Mary Parker Folleli - Dioliografia CUllSlIllada. Capitulo VI - UM ESPlluTO CIENTIFICO E SOCIAL: RENt SAND 0877- 1953) 97 A PlOdu~o Liteniria de Rene Sand - Rene Sand e a Medicilla Social - Rene Sand e a Confcrencia Intemacionul Lie Servi~'o Social - Hene Sand e 0 Servl<;o Socllil - Faunas e Metodos de Servl<;o Social -- 0 Papd Economico do Seni<;o Social -- 0 Pwgrarna de Servi<;o Social de Rene SanLi - l:libliografia COllSul- tada. "A lIist6ria e filosof1a ensinada, por exemplos" (Felix, Gilbert, Inte- leclual History: Its Aims and Me- thods, Daedalus, 1913) Capitulo Vll -- 01"10 CONDUTOR: DE OIHEM AT!? 1I0JE 113 Rderencias BiLliognlf1cas. "0 estudo da vida e dos trabalhos dos primeiros Hderes' de uma (lrol1ssao sao um exemplo de lISO que (lodemos l"azer da Ilist6ria: I) levar a fOHnaqao de lima identidade (lrofissional e 2) I'0ssibilitar a comparattao das tellsoes contemporaneas lIa pratica do Servi«o Social", 1 A formattao de uma identidade profissiollal - de uma cOllsciencia profissional - loma-se dificil quando os prol1ssionais sao divididos em campos de pratica, distinttoes rnetodol6gicas, portanto, em tarel"as diversas e l"aHa de clareza para distinguir 0 Servitto Social de outras rormas de ajuda. A Identidade prol1ssional 56 se constr6i atraves da continuidade de id<!ias, aspirulfOes e objetivos, embora expressos tie muneiras diferentes pelas varias geral(oes de profissionais. "0 interesse dos assistentes sociais nas pessoas ajuda esta idenli- dade Ii meilida que conhecem os alltepassados, que, no decorrer dos anos, expressaram.e discu tiram os ideais da protlssao,"l a medida. por- tallto, que the e possivel analisar 0 pensamcnto dos precursores e pio- neiros. Um precursor e aquele que precede, preve, prepara;ja um pianeiro e aqude que abrc caminho, que antecede a outros iguais e/ou semelhan- tcS. Na hist6ria das Giencias, lias letras, das artes, antes que se l"ormassem tecnicas, teses ou leorias, houve indiv (duos que as pressentham e tenta- ram ex perimenla-las. Asslln foi Galileu nas ciencias fisicas. Montesquieu e Maquiavelnas cicncias politic as, Rousseau na educattao. 0 Servitto Social tambem teve seils precursores e pioneiros: homens e mulhcres de grande inteligencia, de vis,io csclull.:cilla, que virum alem do seu tcmpo e illtroduziram ideias c
  4. 4. cOIlceitllS que lHientiHalU a aIUa:ao da "caridade", da "assislcucia'· dos "lrabalhos sociais" e cuin peusalllenio ale Iioje PCllllalll'Ce. o estudo da vida c das ohras de Uilla pcrsonalidade que vivell seculos ou anos atns nao e &11I interesse para a compreellSao do Ser- vitrO Social. lJlla personalidade que se deslaca de seu coule>; 10, que so. bressai sobre contem(loraneos, represenla slla epoca e lIllla reIlOVat;30 desta pela introduyao de 1I0VOSpensamen tos Oll llliHleira de agil. Ela mio vive apenas "no seu tempo", mas se plOjela sobre os anos seguintes, as vezes ate sobre seculos villlloulOs. o presente trabalho Sf compoe do estudo da vida e do pellsmnento social de s.:;Ie personagens que nos parecem ler iu Iroduzido, no campo dos Irabalhos sociais, novas ideias, novas concepyOes e que assilll intlu- enciaram 0 Serviyo Social ate hoje. ham de paises ltifercIltes, vivCIaIll em epocas tambe/ll difelt:ntes. pertcncimll a classes dislilltas. Quarro sao homeIlS e Ires, llIulheres. Naqueles tempos, sOlllcnle alguus homens freqiieulavall as Universidades. Todos, IlO en(anlo, 1Il1lllcns e llIulhcres liuham IUlla coisa enl COnlllln: "Aulavalll 0 pr(Jx illlu" e seu senso de hUlllallislllo os levoll a (rahalhar dt: diversas malleilUS para lllelhoJar a sociedade. Sao ell'S: JUAN LUIZ VIVl:S (1492-15·10), hUluanista espanhul que, alenl de varias obras de Iilosolia, eUuci.llYao e religiao, escreveu, em 1525, UIII pe'luello IralaJo, difelalllenle relacionado COlli a Assislcncia Social: "DE SUBVENCIONE PAlIPEH.lIM" IDa Asmlcncia aus Pobres). sAn VICENTE DE PAULA (1576·1660), que, no seculo seguinlc, siSlematizuu e operaciollalizou a caridadc e fUflllOU 0 jlrilllt:illl glllpo de agenles da caridade: as Danlas e as Filhas da Caridade. No rim do seculo XIX, dianle dos prublemas cilusauos pda Revo- IUt;ao Industrial, duas personalidades surgiram com lIllla ideia nova: CANON E IlA RI'iETT (I ti53 -1915), lIa iuglal ena, que organ izou a pri- mcira "rcsidcncia social": Toynbce lJall c a sell exemplo JANE AU- DAMS (1860-1935), em Chicago, nos [slados lInidos, que fundou Inn CcnllO da VizinhaJlp - HULL HOUSE. Aillbas organil.a.,:oes s.io consi- deradas COIiIOos primeilOs Ccntros Sociais. Aillda lIa Illesma epoca, duas jovclls amcricanas sc dJstillguiram IlO campo social: IIARY E. HIClIMOND (1861-1928) c 11AW'{ 1'AI<- KEH FOLLETT (lilt)l:l-I~lJJl; a 11Iulleir,t apClfei:uulI 11 '(lalJalho da caridade, aplicando-Ihe () m~loJo cienlil1co, e a segunda, (lreocllpadll cOIn os lIleios mccaJlicislas de admillislfat;iiu, dCCUHCn(cs da induslria- Iil.at;ao, desclll:adt.:ou unl InoviIllenlo, reconhecido 'linda lroje COIlIO a base de ulIIa nova visao gercllcial. Mary P. Follct I pOlk ser considerada a prillleira assblell le social do call1po do IrabaHlO, Finalmente,o Selvi'o Social emillildu e jllillicadu eln Jodus paises ociden tais eneoll (lOU em R ENI: SAN D ( urn Il 1S3l, lll~dico salli tarisla belga, quem reunisse os profissionais e inte~es~dos eril Ser:'il;~ Social e Ar;ao Social, em gran des rellni(ks in temaClonalS: a. Conferencla h~ter- nacional de Servit;o Socia.l, hoje 0 Conselho In ternactonal de Bem-Estar Social. l.,.lui!os outros nomes poderimn ser lembrados; escolhemos estes sete personagcns porque no campo dos trabalhos sociais introd~iram uma ideia nova, redefilliram conceitos ou testararn novas marlCtras de agir e, assim, incentivaram outros a seguir 0 cmninho aberto par eles. o que nos interessa e 0 que est as persona.gens pensavam e como traduziam seu pensamento em al(ao. 0 que faZlarn e 0 que pensavam nan pode see separado, pois como diz Paulo Ricoeur: ':A grandeza dos hOlllens esta na dialetica do lrabalho e da palavra; 0 drzer e 0 fazee, 0 signiflcar e 0 agi! esHio por demais misturados para que se possa es tabe- d t ~ <"3 lecer uma oposiyao dura oura entre a eon a c a praxIs . .. o melodo empregado nestc lrabalho e a biografia, (do latim blO. vida. e grapltia, descrit;ao), genero hist6rico que em todos os _tel~lpos JIluilo seuuzill os hisloriadores. LJma biografia "e lima alternaJlcla de contato e afas tamen 10", contato pelo que foi escrila e afastamento no tempo; "e iJlseparavel de um principio etico-polftico das relal(Oes I~u" manas; e uma maneira ftJos6fica de se eslar presente a uma epoca e VUl- culada a ulna reinterpeetlll;ao das intenr;Qes wllIotas e pressllpostos ra- dicais de ordem cultural subjacente." 04 Este enconlro COlli as personagens pode se dar sem quaJquer criterio concreto: e queslao de simpatia, de atlnidade, de semelllanr;a 011 de oposir;ao, produto de subjelividade, ao qual e laD diUcil de es- capar e que toma 0 bi6grafo 0 adlllirauor incondicional ou 0 inimigo irrecollciliavel de sua pcrsonagcm. Para contomar estc problema c pro- curar, laulo qumllo possivel, a objelividade, e preciso recolocar a .pe~- SOnagcm no con lex 10 de sua epllCa, sem compara-la com outras, prmcl- palmcnte com a- nossa, e aprecia-la atraves do que escreveu Oll do que fez. l~scolhe-se 0 biografado de acordo com crith:ios, em geral adotado pelo pr6prio escritor, e as vezes enfocaJldo apenas lIlII. aspect~. lIa pes- soas que simbolizam ou demonslram um aspecto especial de VIda: c~mo figulas centtals de acollkcilllelltos p~lfticos, lIIilitares. on econol~lIco.S de deterlllinado pcdodo. Uma hiogralta nao podl: ser linear ou epls6dl: ca, mas deve inserir a personagem na sua epoca'da qual e, .ao mesilla tempo, 0 representallie e sua slntcse: "0 IHOdulo de uIlIa sllualj:£o, de uma llist6ria". 5 Tollas as personalidades acillla lleix aram ullla cerIa produljao I.i- tedtia. Alguns escreveralll sobre suas iMias e ex pcriencias; Jua~l LUlz Viv{s, Canon lamell, Jane Addanls, Ivlaly J{iclllllond e Mary l'ollelt.
  5. 5. 0:; OlltroS, COIllO S. Vicente de Paula, forall1 seus a.llligos e illscfpulos que reuniraIll em volumes sua concspondellcia, entrevistas e pcnsa- mcnlos, c, I1nalmcnle, Hene Sand, pouco escrevcu, mas muilo falOll e suas palavras SaG conselvadas nos Anais das Cnnferencias Illtemacionais. No tlltlllltO, nao e f&;il cOlllpreender a maio ria dos preculsolcS; escre· venull em lalim, como Vives, frances arcaico, como S Vicenle de Paula eill ingles do seculo XIX, COillO Canon Barnett e Jane Addams corn wn~ tenuillologia hoje sllperada, como Mary Parker Follett, ou ;Ia simples Iillguagem do bOIll senso, COIllO Mary Hiclllllond. Para elltelllIe-los, e IJlecisn despir-nos da nossa "annadura do seculo XX", lalvez ate do seculo XXI. 0 esforr,;o, no enlanlo, e compellsador pelos novos horizontes que se abrem diante de nos, com semelhanle estudo. POI isso, lentamos reproduzir elll porlugues as express6es e 0 estilo das Ilossas persollagens, para ser, tanto quanta possfvel, fiel a seus pema· men to:>. Procuramos 1I0S apoiar soble foutes primarias -- os doclllllenlos produzidos pelos pr6prios. Tambem eOllsultamos fOil tes seeulld{uias isto e, alllores quc, em diversas epocas, cscrcveram sobre des, sua epoca: as olnas sociais quc organizaralll C sobrc 0 que des coloealam pof escrilo. Neill semplc foi fiicil cllconlrar as fonlcs dcsejadas. Muito foi cscrito sobre S. Viccnte de Paula, quc, apesar de umBo cscrever. nunca pcnsou em publicar qualquer de sellS escritos, euquaJllo Vives publicou varios livr~s, mas e PQUCO cilado, taJlto pelos SCIIS conlemporaJlcos, COIllO por aulorcs lIlodernos. Assilll scnoo, nossa pcsquisa tomou-se Ulll enlprecndimclllO lrabalhoso c lalvcz nelc cncontralll-sc as falhas que 0 habalho aprescnta c de quc SOIllOSplellamcllte conscienlcs. . Em cada capitulo, aprescutalclIlOs 0 conlexlo da epoca cm quc VIVCUa persollagclll, scus dados biograficos e IIl1la analise dc seu pell- samcnto social tirado do que cscrCVCll, e dos eomclltArios de outros alllOles, muitos dos quais fOiam seus conlclllpodincos. No Ullimo capilulo, procuramos rnostrar 0 que todos tinham CIll COIllIIIll, embelia em fOBllas difercntcs, 0 quc pCllnaneccu c chegou ate nossos ill as c 0 que mudou dc acordo com as eircu lIStancias. o trabalho pode parecer supcrllcial c pouen profundo, 110cnlanto, esperamos ter con triLu ido para rnelhor en tcndcr 0 descnvol vimclI to 'do Scrviyo Social, lIa era pre·cicntfl1ca e eSlimuliu nossos colegas para estudos mais uetalhatlos sobrc os nossos preelHsores c pionciros. I) -- Germain, Carol S. c lIarlman, Ann, People alld Ideas ill the History oj Social Work, Social Work Journal, June 1980. 2) - Felix, Gilbert, cit. por Germain Carol, op. cil. 3)- Kicocur, Paul, J/iH6fia e Verdade. Ed. ForclIsc, Rio, 1'.8 4) - Ibid, op. cit., p.9 5) -- Le Goff e Nora P., fJist6fia: Novas Problemas, Livr. Francisco Alves, Ed. S/ A, Rio) 976 - ApresentaIf30, p.12.
  6. 6. UM PRECURSOR DO SERVIl;O SOCIAL JUAN LUIZ vlvfs (1492-1540) Com importantes llludanl(as polfticas, econornicas e religiooas ter- minava 0 seculo XV. Na politica, despon tavam sinais de monarquias absolu tas funda- mentadas no direito divino dos governantes. Na Franlia. 0 rei linl!a conse- guido uluficar sob 0 seu controle a quase totalidade da nobreza; 0 pafs elnergia como nayao. Na Espanha, a Reconquista tcrrninava com a expul- sao ddlnitiva dos mouros e consolidayao do poder dos Reis de Castela. A Igreja linha se tornado um Estado polftico com ex tellsos tcrrit6rios na ltilia e em QlltroS paises, como na pr6pria FraJlya; 0 Papa, alem de chefe supremo da Cristandade, era tambelll uma grande personagem po- litica. Na econolllia, os pafses eur.opeus procuravam aumentar seu comer- cio com ou tros pafses distantes - 0 Orien te - para obler mercadorias inexistentes na Europa; para isso. a Republica de Veneza dominava o. Mediternilleo e Espanha e Portugal procuravam outros caminhoo. embora mais cOlllpridos, contomando a Africa pelo sui ou navegando para leste para encontrar as lildias. UIll genoves, a servilio dos Reis de Castela, Cristovao Colombo, encontrou, em 1492, uma nova terra - a America - e em 1500. um portugues, Pedro Alvares Cabral. descobria outra: 0 Brasil. Estas desco- bertas nao somente aumentavarn a extens:Io territorial de Espanha e Por- tugal, tornando-as grandes potencias coloniLadoras, mas tambCm Ihes tcalia riquclas: produtos da terra e principalmente ouro e prata. As diversas funyoes de lima sociedade eram perfeitarnente reparti- das ell lie Governo, Igreja e particulares. As funlioes do Estado eram de- fensivas: contra os inimigos de dentro 01 de fora; conquistadoras, para aumento do territ6rio ou dominaitllo de outros povos; e tributarias para arrecadait<lo dns fUlldos necessarios a manutenliao do Governo. As obms pli blicas. cOllstIulfao e niallUlelllfao de estradas, pontes e chafarizes para
  7. 7. distribui~ao da ,igua, cram rcspollsabilidade dos goveillos locais Ollnllillici- palidades. A educa~jo, a assisl~Jlcia aos pll!lJeS, vclhos, cliarl',:as aballdll- nat.las, lIIiseliivcis elll geral, assilll COIllO 0 cuidado aos dueliles e ellter- 1II0S cram funyi'ies Ja 19reja. A indllslria ailltla CIII cstado artesallal e 0 cOIlH~rcio,ja bastalltc descnvolvidos, cabiam allS particulales. Na religiao, 0 dOlllfliio espirilual III Iglcja cra lotal; lodas as na- yi5es cram crisliis e, pOI islo, ale aqucla epoca podia-se n:fcrir a ("rislall- dade COIIlO0 cOlljunlo de povos que prulessavalll a meSilla k calli1ca. No enlalllo, esta primazia ia ser abalada pur graves divelgcncias: CIIl 1483 nascia, na Alcmanha, Ilaninho LUkro, llIais larde conego de SIQ AgoSlillho, que se Icvalilou cOIll.ra a auturidade d'J Igreja de J(ollla; sua dou trina aprovada pda Dicta dc Worms, cnl 1517, c exposla lias "Conlhsoes dc AugsburgLl",em 1521, alasllou-sc rapidallleille na ,Iema- nil a, onde as reforlllas IIIteranas favorecialll os interesses dos prI-licipes. Os IItHliallistas do lempo, perplcxlls diallte das Illlvidades que abalavam a 1Il1it.ladc do pensamclIlo ClisUfo, achavaJII-sc divididus: alglllls aderiralll, ou tros, como ElaSHI), illclinavalll-s,: para algumas das IcfolJnas PIOPOS- tas; no elllanlo, perlllallecialll lIeis a doutIilla cal(l!ica. Os Papas, apesal dos aousos e enDs de JIluitos dus Illelllbros da hiClanl'lia, cOlldenalillll a lIova dOli trilla e. elll 1545, COIIVoeal aliI 0 COliCIii 0 ECUlllCllico de llell 10 que, vari<ls vezes illtenompido, s6 lerlllillou sellS Ilahalhlls CIII 1563. ' Apesal deSks acolltecinll:ntos, 0 eSlll·tilo ctisl,fo pCIIIH:ava a fill)- sofia, as cic/lcias, a educa~ao, a polltica e ate as conquistas econcllllieas. A {.losona c 0 direito, has Ian te dcsenvoJvidos desde os IOlIIallOS, scrvialll dc 1I0imas 1II0rais e soewis, illspiralldo lIao SOlllelllc as illslitllciollalil.adas COlllO as CO/lslleludill<irias. A filosofia e a literalura ocupavam 110IIlUllllo 0 espayo hoje usurpa- do pcla pol(uea; )lleocupavam (anlo os 1Il0uarcas quaulo us "omens de Estado; i/lvadiralll os saloes e as eseolas. A lI'ngua latina cia a gcrallllcnic clll(Jregada pelas pessoas insllu (das. Naquelc kJlljlo, pal a Cllcon tral su- eess(J, lIao na IIceess;!rio quc lima produyall litcuilia fosse ligeira ou h(- vl)la, ou que fosse Conlla os prilH;.·pios t.Ia moral; 1I1il Irabalho de has- Ino era esperado cOin a mesma iJllpacicllcia COJll que lInl anlor-vede Ie de IlOSSOS dias. rig.ida a scu amigo Honora Ius, expressando 0 desejo de mandar hosea-Ia de Valencia para mOlar com e1a ern Ilruges, nos Pafses-Ilaix?s_ Nao se sabe se realil.ou este intento, pois as viagens naquela epoca nao eram fli- ceis e, segundo 0 pr61>rio Vives, sua inn! teria que atravessar a Espanha a pe para tomar UIn navio que a levaria ate as Handres. NUJIl dos seus Iivros, os "Dialogos", conta que freqiientou a escola de Valencia, brillcava na Cale Nueva e CUI1IOUa Universidade reeem-ceia- da pdo Papa Alexandre VI e 0 Rei Ferdinando, 0 Cat6lico, Muito inu:U- genIe e vivo, tomava partido com seu meslre contra as novas tendl!nclas hwnanistas que, no elltanto, apoiaria mais larde. . . Em 1509, mudou-se para Paris para continuar na Umver'S1dade . seus estudos de ){ngua, filosofia, ciencias naturais e direito, assim como a "aIle", muito apreciada na epoca, de diseutir segundo a 16gica arislote- lica. Sua preferencia 0 inclinava para os autOIes da Antigl.lidade, 0 que re- sultou no emprego de umlatim pUlO, elegante e refinado_ l)csla epoca data a profunda amizade que uniu Vives a outro gran- de humanista: Erasmo (I469-1536). [)eve ter ~ido Erasmo que conseguiu p~la seu amigo 0 lugar de preceptor do jovem Cardea! de Cr.oy, Vma grillide amizade ligou os dois jovens; nao somente 0 Cardeal 0 aJlldou pe- cllniariamcntt:, como conseguiu-lhe v.hios alunos. Llfelizmente, 0 jovem Cardeal era de saudc frag.il e falecera em 1521. Depois da morle do illlligo, Vives transferill-se para llruges. nos Paises-llaixos, entifo provincia espanhola_ Ficou, assim, mais perto de ElaslIlo e leciOllou na Univcrsidade de Lou vain , Em Bruges, encontrou lIluitos compauiotas. Gostava da cidade "com 1011apopulaty:Io corajosa e sua administr:ll(80 ordenada". Tomou-se pala ele lIIla segunda piluia. Em Umgcs, viveu, casou-se e mOHeu, scndo ali entenado com sua esposa. Da epoca da estada em Paris e dos primeiros anos de Bruges, da- lam os primeiros lJabulhos: 0 "Recolhimento diante da Presen~a de Je- SIlS", os comentArios de "Dc Sencctute", de C{cero, e das "GeOigicas" de Virgilio, Ulll ovrratado de Filosofia", lllla tentativa de hist6ria da fila- s<:>liachissica e 0 opusculo "Fabula llollline", em que descreve os atribu- tos dislilltivos do lIomem_ Delltlo de UIlI espfrito humanista e nUIll lalim puro e elegante, com ba teu as dire trizes do en sino prevalecen tes na capital francesa. Foi cstc IHtilllO trabalho que ChillllOU a atclll;ao de 'l1lOlllas Moore, Primei- IO-Minislro do Rei da Inglatcua, llcmique VIII_ Sabendo das Jificulda- des I1nanceiras de Vives, conseguiu-Ihe um auxilio da Rainlla, Catarina de Aragao, espallhola como Vives . " , POllCO depois, Vives [JublicOll lma obra unportante, os Comenta- rios da Cidade de DeliS de StO Agostinho", no qual cciticava e condenava o ellsino e as atitudes de grande 1II1mero de eeligiosos e ordens monasti- cas, 0 que descncadeol ullla lelllpestade de crilicas e reproba~oes por Enquanlo Colombo lIavegava para as lildias ()cidenlais, no dia 6 de llIaryo de 1492, elll Valencia, nascia Jllan LuiL Vives, lam!lclll cha.lllado Juan l.uiz Vives Valcutil!lIS,Oll de Valencia, dc Ullla lalllllia uoure, po- rCIII com siluu<':<lo fiuullceira precaria. POllCO sc salle dos IHllllcilOS anos do nosso Iqllnallista: 1111Ide sellS av':]s UlaleiliOS cia AIIsJas Ilalch, 0 "Pe- tralca catalao"; tillha ullIa ilma, pois a csta fat. rcll:rcncia 1I11111acalla dl-
  8. 8. parte de membros da Igreja, impediu sua nOlne~ao como professor na Universidade de Louvain, mas a tOHlOU cOilhecido em tooo 0 llIunoo nto- s6fico da epoca. Aillda desta epoca, data uma carta solue as propostas refonnas da Igreja, ilndereyada por Vives ao Papa Adriano VI, 2 que tillha sido seu pcoteuor. As dlss1dencias protestantes ja cOHl~avam a se espalhar, pais os pIimdros pronunciamentos de Martinho Lutero sao de 1517 (Dieta de Worms), e de 1521 (Confissao de AugsbUlgo). Infelizmente, a morte pre- rnatura do Papa interrompeu esw interessante correspondencia. Em 1523, Vives escreveu "Da Educ~ao da Mulher Crista" que COlI- tinha suas itMias, bastante availl;;adas para 0 terupo, sabre educ<lyiio em geral e da llIulher em particular. A obra leve ullla boa acolhida e logo tIaduzida para 0 aklllil'o. Vives a dedicou a Rainha Catarina da Inglater- ra, que a fez LJaduzir para 0 ingles e contratou Vives COIllOpreceptor da sua filha, a Princesa Mary, mais larde a Rainlta Mary Tudor. Vives Ix;rma- neecu cinco anos na lllglaterra, villjando para lllllges de vel. em quando. Suu li¥Des A princesa aLJai'am tamb6n 0 H.ei, it Rainha e varioo mellllJIos dll I10b1CZa LdtaJlica. Vives instalou-se em Oxford e It:cionou IIll Christ College; foi logo .:onsiderado como UIII llI6sofo dc valor e suas aulas atnr{uJIl grandc nUlllero de ahulOs, 0 que renovou a vida dessa Univcrsi· dade. Como Erasmo, Vives pode ser cOl1sidcrado um precursor tla nova cullura, que s6 ilia t10rcsccr COIll 0 secuh) do lIumillisulO. Foi um educa- dOl conscieucioso, Ia!I to do Cardeal de Croy como da l)rincesa I"Jary. Scus pH:eeitos nl[o cnvelheceram c muila:; de suas ideias cncon trllill-se uos sistemas mais modemos de educ~ao. A apreseJlt~lfo pode pare- eer supelilda, mas 0 metodo, as atitudcs e 0 compmta.lllcnlo dos plOfes- sores podt:m ain da ser aeeitos. Para que OS IHofessores possam exercer conveuielltemellle sua pro- Hssll:o. deviaIl1, segundo Vives, ser retribuillos pelo Governo. "S() lUll pequeno nomao (ltl caIldidatos, colltilluava, escolhidos cutre os mclho, res, devem sel admiLidos nas cscolas, para ocupar as Ii.JlU;<k:smais cleva- das ou que exijam mais respoJlsabilidadc." lrouicaHll:ute constata Vives que muitos ignoraules comportaill-se lllelhor e sabclIl exercer urna li- deralH,;a mais eficiell te do que os mais ills 1111 {dos. l'ellsava e1e que so- mente lUlla elite de eSllldalltes dcvillill frcqllelltar esilldos superiOles. a fim tle HaO "usar a lorllla~ao cielllfl1ca para favor do Mal". Vives e de opilliao (lue lUna boa edllca~ao deve cllllle~ar cedo; 0 professor deve SC( UIll ami}(o de seus alunos e Illio pode se oCLJpar de UIll grande mlmero ao IlICSJllO tempo; as pUllj~6es devem ser poucas e 0 professor deve acci- tar que os alunOti atravessem perlol!()S elll que trabalhcm bem e ouLJos quando 0 rerlllimen to e deticien te; precouizava excn;{cios ao ac livre e pedodos de reClcio al ternalldo COlli 0" de estudos. EIlI op{)si~ao a muitos pedagogos de .'leu tempo, ':'ivesachava que s~ se po~.ia.~r bO~l o~ador n~ sua lfngua materna e por !.Sso, ao lado do laUm, entauza 0 esludo da J{n gua vemacula. . . '., d _ De vez em qUllildo. Vives ia a BI1Iges vrslwr o.s am~gos, numa es sas visitas. em 1532, casOl-se COIll lUla m~a da. famflia de Valdaura, lIIullrer de canHer, que foi uma cOIllP~heira. ~llIga e carh~IO.~a para 0 homem doente e amargurado que era Vives. DlZla que prefell~ 0 e~~o aO etemero" e, em seguida, publicou um pequeno folheto De officIO mariti" onde dava camelllos aos esposos. .' Na IngJaterra, desencadeou-se uma crise grave: os ~roJetos de drv6r- do do Hd que desejava se casar com lI.ma. IlIUUler mals m~a, que lh~ desse LUll herdeiro. Um legado do Papa J<1tll1ha Se pronuncl~~o sobre _a queslifo. mas °Rei quis a opiniao de Vives; ~atll~almente VIVes nlfo p~s ern dllvida a Vfllidade do cas amen to COlli Ca laona ~e.. Ara~o. 0 Rei, iui tado, 0 condenou a seis semanas de prisao donllcihar. A consellio tIa pr6pria Rainha, Vives dcixou deftnitivllillente a IngJa~rr~. De ll~g~s, acoIlSelhou a Rainha, lIlas csta 11[0 compreendell nem aceltoo suas su~ gestaes. Embora dominado par sentimentos elll.ociollais, ~ qu~ 0 ReI prllCllrava era Jm motivo para IOlllper com a Igre.JU de Roma e tkar com todos as poderlls sobre a Igreja da lnglaterra. Vives estava muito preocupado COlli 0 quase perrnanente eslado dc gucrra da Europa; procurou chamar a atcn~ao do In~perador Carlos Quinto para a necessidade de ullla paz tan,IO del~llo ?O Estado. com~ I~~ Iglcja. NlIln trabalho intcressaIltlssilllo, 'Dc Concordia e DIsc6rdla , sugere uma reuniao geral dus vJt·ios govemos para estu~ar as bases de uma polftica de paz. Como Er aSIll0 ja 0 pr~con~ava, vislum~rava ,uma "Sociedaoe das Na90es". MostJa, amda, a Ulutilidade de bogas entre religiosos e ordens Illonasticas, enquanto as heresias FJinhavam teneno. Dc fato, depois de 1517, data da Dieta de Wonns e em 1521, com a Confissllo de AugsLurgo, as ideias de Martinho L~tero ganhav.am adeptos, pdllcipalmente na Alelllanha, junto aoS prfnclpes que coblya- vam os bellS da Igreja. A 19reja tambem era vulIlcuhel pdos excessos de muilos de seus melllbros. Vives cdticava duralllente esse~ excessos". llIas COllsiderava as doutrinas proteslantes prejudiciais a socledade. D~ s6 lcr desprczo pell)s "pscudodial~ticos e sofistas", que nao. sa,~em dlscu- lie. ESlranhava lluC Lu teH) pudesse escrever sobre teologJa sem saber grego c pouqUfssimo latilll" (sic). Embora desapwvasse a profissao de fe plOteSlalltc, lIao enhOll em detalhes, poi~ talllWI~l achava que era a pr6- pria Igreja que dcvia soluc.ionar seils c0l1111tos rehglOS(~. ..,. . EIll rela~ao a "historia", Vives pensa que e mUlto llIalS Mil estudar a "pol{tica ill tcma", islo e, 0 comportamcnto dos govClllan te~ e govern~- lIos do que guerras, batalhas e llOlllcns ~lusl~es; prCIIUJlCla, asSllll, 0 mOVI- Illcillo para ullla hisl'lia social e nao eprs6drca.
  9. 9. Para Vives, u ciencia e a verdade nao sa'o privilegios de alguns. Dizia de: "lima vcrdade profunda e prudente nlIo t! apalulgio de um s6 hOIllCllI, nenltulll crllico pode pensur que e igual ou superior ao autO! que cri Hca", "Nell/Hun homcm de ciencia pode st: aLstel de cntl'!r uuma hjbrica e deixar de aprcllder a1guma coisa dos proprius upenhios." Foi till Umgcs, de 1525 a 1526, qucVives escreYeU sua obramals conhecida, "De' Sulwcncioll6 PaupenulJ" (Da Assis lellcia aos Pobres), em que apreselltOl.l a primcira teoria leiga soLre assistencia publica e que alla]isaremoo mais adian te, Seu grande amigo foi Erasmo, que vivia em Hotterdam e coniide- rado como 0 grande espfli to enciclopedico do seculo, Vives defendcu-o conlra os qile 0 atacavam e com de discutia amigavehllcnle suas itltlias quando essas lile pareciam su:,;peilas, Disse-lhe uma vel: "E melhor ter uma consciellcia limpa do llue lIm nome g1orioso", H pennitido sUpor que 0 renOliW de Erasmo teuha ofuscado alt! certo pOllIo a repulayao de Vives durallte a sua vida, No entaulo, .::sta ltpU taifao tem 0 seu valor. Sua inveslida COlli os falsos dia1eticos (ou 1JseudoJiahHicos) quando a laea pdncipalmellie os d(>lliores da Univeni- dade de Pads, da qual era Ulll ex ,a1Ullo, foi !JasIan h: para populilJizar seU nome. A refollUiI l1!os6Jiea c Iilentria (w qual foi UlI! dos principais au tores, ntfo foi obra isolada dt: a1gulls Itomt:ns adiaIi tados sobre 0 Seu tempo; geuuillava em lodos os esp{ritus e lomou-se uma llccessidade da cpoca, "A tcuJellcia pratica de Vives nao Ihe permitill, e vClllade, de ticar exclusivamcnte no papel de Jemolidof. H antes de Dacon, prcssenHu a ill)pOllanda da rcfonna dl)S mt!lodos cient(JIcOS e procurou illicia-la; cmLora as obras onde expOs sells preccilos estejalu cllcias de Irayoo acer- rauos e alaques vigOiosus coul..-a os eHOS domillaulcs 00 COliln os costu- Illes liteniri(JS da t!poca. Sua cdtica loma como mira os 1116<;01'00de Paris, "esses faladOlt:s cuja eabq;a es 1<1vazia e cuja cieucia IIca s6 lla pon- ta dd Iiugua", houizd suas foupas sUjas, usadas, rasgadas, que tOfnavalll esses prclensos peripatdicianoo parecidos COlli c{nicos coLillheiros e 110- p-eit 0:>. Vives observa que os flI6sofos de Louvuilf tlajaVilfl llluHo mais dteclllemen k, Sua c61eru, seu desprezo p"rseguia 'linda uma classe de es- critorcs, ainda cOlllum em nossos dias, ljlle sem Ie na sua luissAo, selll UllIor pala a eiencia, 56 II cultivam para provocar bandho e &-luhar dinhei- r0 ". 3 Vives faleeeu eIll 1540, COlli 47 auos, esgolado pelos ~la?al~IOS e I) "1-,0 lllivac(ies (Jois ern alguns momcnto.· s, ale mei(.)s de subSI~tellCla liIe " UJ y" . ' { 'I .r .'0 e seu faltaram; 0 que sempre penllaneeeu vivo 1'01sell esp n 0 re IglOO aIllor ao proximo, Sells reslos morlais, com os da sua esposa, foram coloc~dos ao pc da capela de Sao Jose, na lye ja de Sao Donato, hoje desapalectda. o PeflSamerltO Social de JWllI Llliz Vives: "Da Assistetlcia am Pobres" (1525-1526) De ludo 0 que expuscmos, conclui-se que Juall l.ujz Vives lall to no es IIIdo, COlllO lia aplicu.;ao de cOllhecimenlos, es lava muilo adianlado para seu tempo, e e pmvavd que 0 eslauo da ciencia e a fatla de lIIaturi- dade de seus conlempora,neos wIn pennitlssclII a compreemao de silas iJeias que, mais larde, fllfUIll lelomadas 1'01 <.AIIH}S. E- 1523 em Oxford Vives conheceu Louis de Flandres, st:nhor de Ill" '''II I'raels, a quelll se refere com 0 nome la lill~z,ado ,de "Plalensls : . ornem politico, muilo inleligen~e e cullo, Praets JOI virias, veze~.~~n~al~ador ~~ Espanha, nas corles da hanya e da lug/atena, e se llf,telessava parlt.cula~ menle pda adminislJayao pllblica. POI ou~ro lado, Vives :elll;~e _f~,~n~l- 10 sensivel aus males llue assolavam a soctedade: a IO/.ne em V~lencJa em 1522 em Aragao, em 1523, a taxa elevada de mortaltda~e devlda a fa] ta d I:· A daluzia as inunuad'ies do Ti bre e do literal Ilamengo, e IlglCne na 1 ., .' , .' "I f fl" "Tuuo foi auasado, deslwindo·se casas, detx'U1do centenas ue am ras L1esabdgadas e causando 0 aUlllenlo dos preyos "; "? po~o, esgol~do e selll reClJlSOS, esta desespcrado", escreveu Vives a I'rallclsco de Crane- vel L~ Todm estes acunlecimentos Iinhwn levado Vives ~ 1)c1~~r em el,abo- rar IlIll lrabalilo subre 0 assuntu. 0 apoio de Prae Is JOJ declslvo. 0 livro, inlilulado "De Subvencione Paupt:filln", foi escrito no decorrer ,de 15~.~. poi:,;, 110 prefacio, e data do de 6 de junho de 1526, e, dedlcado a MuntCI- lalida(je de UlUges, Foi pu blicado pOl' Hubert de Crook, em, l~la~yO de 526, Exemplares origillais desla ediao cxislem 110 MU~u Botantco, na lIiblioleca lteal de Bruxclas, e lias Universidades de (.~nd, Utrecht e I.ouvaill. COlli a (luulicaryao destc !rahalho, Vives foi sohcllado para cola- [HIrai IIUJII I'lauo de Assisleucid para a cidadc de Y~)[es, trahalho este cOllltccido COIIIO 0 "Reglliamenlo LIe Yprcs". Neill 0 hvro nem ~ Regula- "I d·' e a' /II'el'ar1Iuia da Igrei:l (Iue vlarn neleslIIelllo agrudaralll ans lIHlglS la os , ' _r,." . . . o prindpio da secularizayao da can dade, AI~csar dISSO, a I ~~~I~de de Tcologia da SoruollllC aprovou-QS elll 153 ~ ~ C~doo QUinto os ~~ICI~l.IOU, CUI llutubro do meslIIo arlO, para as Illumclpalidade.s de Louvarn,. (,and, !lalilles, Illuxelas e Amslerdam, lIIas 0 decreto ltcon scm detlo e 0 HcguLIIUClltO lIullca roi aplicad.o' , .. " .,._ No enlanlo, "Da Assislcncla aos PolJles leve lIn~a grande leper cussao lIa Europa, principalrllente na 11Ig/a1eHa c nos l'alses-I~lxOS,. p~la alidilCia de suas criticas c sugcsWes, C0ll10 0 aleslam as vanas edlyoes publicaddsnodecof(crdusecllloXVI.., ' , A olHa fni publicaJa enl LyOll, 1532, alllda elll lallll1, em Allvers, ':111 15.3.1, CJII holalldcs; CUI Vencza, CIII 1545, elll italiano, c novamcnte
  10. 10. em Anvers, em 1566, lamLem em holaudes; em 1583, saiu a prillleira tradll~iro francesa, em Lyon. Depois, a obra e 0 au tor [oram esquecidos; sOlllenIe em 1783 foi reedilada a Iraduvao espanhola; elll 184 J, uuma rcuuiao de hisloriadores, o Home reaparece: "Quem e Vives?", e 0 lema de um dos gmpos de estll- dos. Em 1915,0 Professor 1. Nolf publica lUll pequeno vohlllle "La Re- forme YplOise, suas Oligens c causas", ollde Vives oeupa ullllugar de des- laquc_ Vives e relembrado em 1929, pdo Professor BOJlillaY San Martin, Hum trabalho sobre 0 autor c suas obras, e em 1937, por Ilarcel Batail- 1011,110Boletin lIispihlico "Algo de 1I0VOsollie Vives"_ Fillalmente, elll 1940 0 Professor Ricardo AUlar Casanova inkressoll os eoitores belgas Valec'io e Filhos, na public~ao de uilla "Cole~ao Vives", onde tiguran~ todas as obras do humanisla espanhol, t.raduzidas diretamentc do laUm. o primeiro livro da Cole~ao IS juslamente "Da AssislilH.:ia aos Pobres", publicado em plenl! II Guerra MUlllial (1943), elll hOlllenagem a Vives 110quarto centewirio de seu falecimellto. COIllOja dissemos acuna, 0 livro "Da Assistencia aos Pobres" nao foi belli acolhido lIelll pcla Igreja, lIelll pelos magisl1ados de Ihuges, uem pela llolJreza da cpoea; as ordens mcuuicanlcs l1aD 0 acdlaram. vendo-o CO/110 lima secularizaiYao, Oil laiciza~ao ou flIullicipaliza:ao da assistCu- cia, 0 que contrariava a uoutIiua ao PolJrc tic Assis. A cslc rcspcilo. Vi- ves cscrcve a seu amigo Flal1cisco tic Craucvell: 5 "0 Bispo de Sarepta (Nicol au de Bureau) vig;irio-geral do bispo de Tournai. grande lalinista c especialisla ern Iiteratura crista, dcrramou quaIl udadcs de improplhios sobre meu pequeno tlabalho, dcerda-o heictico e de illSpira~ao lu teralla; chega a me ilmea9ar de pascglli~ao. Que fazer contra lanta lirallia'! Nao xi se lIlCU s olhol; me enganalll, JIIas nada vejo de enauo. pois pIneu- rei agir com prudencia, para nao prejuoicar os resultados '1ue esperava sercm dos lIlelhores ". Marcel Bataillon comenta que, ao esludar os escritos de Vives, nao devcmOi esquecer esta pmLleneia Ila expressi:o de seu pCllsamento. Vi- ves 11i10 ap6ia as iocias protcstantes, llIas retoma as leses ja expostas 110 scu "Tratado de filosolla", as quais ja tinham provocado llIuitas polemi- cas. Escrevendo em latim, a lingua eulla do tempo, expressava-se r~ulIl estilo peculiar ao !Aeulo, emprcga~a tennos .c expr~~s(jes dcsconh~cH!os ou que nao mais empregamos. Assul1, e preclso ler 0 que p:nsou ,des- eoudr a sua intcncionalidade para que a1guma eomparac;ao se tome passfvel. . . Segundo Hilton Japiassu, quando des.eJamo~ avaltar a evol~c;[o de uma cieneia ou disciplina, torna-se necessAnoconSlderar: 1) - 0 l111p~~to Jas ciencias na epoca e seu desenvolvimento;~) - a re'pe~cuss[o dessas ~Ien- cias soure as demais; 3) - a evolu~ao progresslva c obJellva p~a poder lden- tincar 0 lugar da disciplina elll pau ta no conjunto da.seitJnclas ~como e~la passoll de U1I1saber prc-cient(fico ao cientft1co (l~tos oeo.nJdos, eslo~- ~os ernpregados, estudos realizados, etc.). A1el~ dISSO,e awda neces~a- ria considerar as ideias e costumes do tempo, Is10 ~, 0 contexto SOCIO- economico-polftico, no qual se coloca a obra de qualquer autof.. ' Ora, no tempo de Vives, as ciencias sociais ainda nao se llnhal.n de- finido como disciplinas au t6nomas. As observa<;6es sobre a reall?ade cram, portanto, empfricas: observava-se e ?escrevia-se. 0 que exphcava os fenomenos da conduta hwnana e da socledade cram 0 confronto com lIorma5 oa leologia e do direito. Os processos melllais eraln os do mcHodo aristotelico ou 16gico; dedu tivo 01.1 indu tivo. As justifica<;i).es para 0 "agir" se encontravam nos princfpios religiosos e, por isso, ~I~es reeor- Ie cOllslantemente a Ilechos das Sagraoas Escrituras e, na malona das ve- zes, as nonnas ditadas pelo bom senso; cila numefOSOSexernplos tirados da Antiguidade, dos Evange1hos e das vidas dos santos: ~omo era costu- me na cpoea, Vives repete argumentos e os reforc;a c~m ~llac;('ieScad~ vez mais ineisivas, 0 que dA ao seu trabalho uma apar~~ela apocalfpuca e profdiea. Este meSIllO estilo, empregado para d~SerlyaO, torna-se de um realisl1lo impressionanle, digno dos melhores escntores modemos. Andlise de "DA ASSIST£NCIA ADS PDBRb--S" '" o livro se compl5e de uma dedicat6ria e de duas partes: na primeira, Vives allalisa a assistencia dada par palticulares e, ua segunda, a responsa- bilidade do govemo em relaya:o ao socorro aos necessitados. . Na Dedicatoria, Vives invoca scu alUOfa sua segunda pAt.na, Brug~s: onde viveu casou-se e pretendia moner. Diz ele dirigindo-se aos magIs- tradas da c,idude: "Dedico-vos este trabalho porque sei que voss.os esfor- ~os para fazer 0 bem e aliviar as infeLizes, visto a gJallde ~ua.ntldade de poures que aconern de todos os lados como para um refugIO aberto a to- dos os necessitados". . Segundo ele, todas as cidades sao urn lugar onde auxflios sao dados Nao eLicit ler e elltender lIm aUlor que viveu e escleveu Ita cinco seculos atras; e nccessario ter sempre presente qUl: Vives, vivendo a rcali- dade de sell tellljJo -- a Crista.llliade -- era esscnciallllen Ie UIlI espfrito cristao, conhecedor da dOllbina da Igreja e ClIuito linue quail to as suas convicl(Oes, Port;llllo, sell trabalho lellele esll: espl'li to, assim como a inl1uellcia das id<5iase dos C()stUIll'~Sda epoca, Os tr,:chosclIlre aspas. dcsta l)art~~!o capitulo sao tirados dlrelamwte da obra d~ VI'cs: "tla Assislenct<l aos lobres .
  11. 11. e recebidos por rueio de SOCarros /Ill! tll os aUIl ' ," de e aju.dando a desellyolver a solidaried~de el11ellltall~ol ' aSSIIll, a canda· . bil'd. rc O~ wmens Assi ~ responsa I adc dos gavenlOS "e .f' ," . ' In, c , , s OlyaWm-Se I1ara <jllC 1111'"< • oprllludo Hem jllJ'ustkado' 0' IJOO ' d ' 19Uclll 5eJil , . ~ e, osos evcm aJII I' -, ," para que a conc6rdia cre' 'a e ..', . l ar U~ malS traeos "A "J. , Sli .. a candade se mantellha sellllHe viva"( ) S;)1J1lCOmo os chefes de f' /1' ;< ...'. • •• ham pI·I'V' ,",,,. ' . am la llaO pC;;llIlllelll <.Jueos Seus mhos so- ~ v<o~, assllll tam Wrn as ma oj tr d ' " cidad<to padecer fame e llliseria", b'S a as nao podem deixar qualquer lodos os homells igu ais e a sua imagem c scmclhanya ". Par isso, os ho- mens tem 0 dever de se ajudarem mu tuamen te; "Qucm tem muito de lIluito; qucm tem POliCO de pOllCO; mas tados devem dar de acordo c{xu suas posses", Nesse "dar", Vives reconheee que algulls dao de boa vontade, porem a grande maioria da PO! ostentayao - para llIostrar que s<l'ovirtuosos; au teos dao para obter algllm proveito e au teos aillda para que as bene- ficiados Ihes sejam agradecidos, , Por oulro lado, em muitos casos os necessitados se aproveitam de slla miseria, seja para tornar-se depelldellt~s do benfeitor, seja para explo- r:do e por isso nao pwcllram mcios para sair da sua sjtuayao. Outros, ainda, tomam 0 caminho da melluiclllicia, do crime e dos vlcios. Vives cOJlsagra vfuias paginas a descri~ao da sociedade de seu tem- po, lIIosliando 0 lux 0 dcscnfreado dos graJlllcs e UIll quadro de um realis· 1110 digno dos nossos dias: a vida e a mentalidadc dos lIIendigos. A seguir, Vives mlXitra como "se dcve fazer 0 bem". Defino a po· ble como "aquele que e tri bu tario de ou Ira e, portaJl to, precisa de mise- ricordia, cu jo nome gIego e "eleemosyne", 0 que SigIlifica eSlnola "; nao cousiste apenas na dislribuiy30 de dinheiro, mas elll qualqucr meio pelo qual pode ser soconida a miseria hUlllana ". "Dar, ern si, nada significa; e Ullla satisfal{ao que n6s nos damos a nOs meslllos". Vives insiste sobre a ajuda aos outros; e uma tende'ncia natural, porque 0 Ilolllem e deslinado a passar slla vida "em sociedade e em co- llIunidalle": lell) necessidade dos delllais, unico llIeio de manter 0 equi- librio lla soeiedade, IJlsiste cOllstantemente numasociedade justae conch.li COlli 111I) preeeilo utilit<1Iio "ajulla os oulIOS, porque um dia lamWm preci- saui ser ajudado, Dando, os ou tros precisam de nOs, enquanto nao preci- salllOS ddes, mas ll"em recebe depressa se esqucce de qllem recebeu". Nll es[ilo prbprio da epoca, Vives esereve: "dcvcmos fazer 0 bem pIillleilO em relayao a alma: espcraJli;a, acollsclhamento, pmdencia, pre- ceilos de vida; depois, em relalf~rll ao COlpO: jlrese1lf;~a material, palayras dc silllpatia, assistineia e oporlunidade de trabalho e por f1m 0 que e ex 1e1ll0;' dignidade, austcridade, amiLade e dillheiw para que possam adqll uir 0 que Illecisam", Os varios tipos de socorro sao: I) colaborayao para qlle 0 pobre se tome Jill hOlllem de bem; "e 0 allxilio mais jlrecioso"; 2) cnsillo: quem [em inshlll{ao nao a tenha para sell pr6prio benef{cio, Illas para tirar os oulros tla ignOliincia; "quanlo mais os homens forem instrufdos, tanto Illelhor sera a sociedade "; 3) encorajamento e consolo para os "desespera- dus", tratando-os COlli consideray3o e simpatia: 4) cuidados com os duenles, os ellft:UJlOS, 0 que Vives chama "defender °corpo"; 5) socor· lei os prcsos, e, por filii, em liitimo lugar, Vives coloca os ailxilios elll natllleza au em espJcie, Rrimeira Pane -- A RespollSabiJidade das Pessoas . '. Esla yrimeira parte se comp6e de ollze call11Ulos sao os segulIlles; , cujos Hlulos I:--Origen~ das neeessitiades e miserias do honwlil, _.. Neccssldades das homens. III ,--Qual a razao de se fazer 0 be IV ' Ill. ---Com 0 e na tural que se faya 0 bem V .. P,or que alguns St: abstem de fuzer ~ bcin VI -- Como d~vem se com portal os pabres. VII - Do.s, YlclOS ~ue impedem os que 110deriam leaIJzar este Intento. fazer 0 belli e de VHI ....Como nada HOS deve impedir de f'·uzer 0 b IX C·· em, - OlllO 0 que Deus dell a ca I' I ele, (a IOmelll, nao 0 deu apenas para X - Com~ n~o pode Ita.ver verdadeira piedatle 01.1 erJ'SU'aIIJ'Sl110 as'slsle I·W b 1- - , sem, Ie' e tne leenCla reclproca, XI 1 ,,-: D10uem que develllOs fazer a cada Um e como deve ser feito '0 (eeOHer desses C" . III I' V' If' . de de seu leml1( D'" '.Ji1P 10:i, ,IVt:S ill IIlll dJagll{lStico da realida- I. c aeor 0 com as Idelas dil e ' .. etnle de sua nahueLa a 110m'· te I poca. Illostra Ijue, decOl'- nlelllar·se, vestir-se, m;Jrar, cOlls C t l /:lliJ J:lall~;I::IU~llladas. H~ce:;sidades; all- Ih".nlt:s e colaborar com I' d .. ". .' ,CO/lYIVcI COlli seus SClIle- 11ItiOSpalll sa tisfazcr es tas °n~sc~:~~:doe;l~~~l~ ol,V:!l1Cll~Odda .soci~dade. Os Lalho", Mas, advcrte Vives "nad' . ,. o~ l~tOS a Itrra' co "tra- tudo e de lodos e tUdo foi ~o/lfiaJ e, da.,llo a llinguenl cm particular; o ao Olllelll "em depOsil " que osalLllulis lrasse e as repar tisse en tIe lodos ~ 0 , para Ora, consta ta Vives "ahm . 'd' .. ' L U . . .'. '1:1 ns 1I 'Ill Hem grail t!t:s bellS pelo seu l:ra. il.. 10, por neg6c10s, pOl' herall'~a e Inuitas veZes' tailib 'I") 1 O' ' I ' . l' C 1 r lllelOS IIOU'0 . lUncstos, cnquanto QlItroS apesar de tlaball . fi.. . ' _ c 'a'j' . " ' .. '.. " lal, Icam em slIuai(ilo pre- l. I a. sCJ3 pOlque nao tCm chilo nos llc'6cios ou; " . . • Jl1alallabalhar ou s3'o preguiyosos e chei~s de ~{Ci(~,~o(~:~~l~:~~pal,raddos ()IllClll tanto sllo causado" . I 'II os 0 'Id d '. ~pOl.eeIl1eSmO,collloIlOroutlos E'sta, del' gua a e na sOCl'd d" .<,' ,s . cae C cOlltea.l!a a natureLa hUIllClna 1101'S"I). ' , ellS enou
  12. 12. S.e ha uma obrigac[o de fazer a bem cOIllOt'"z"-)o'/ J~ A t' ('CI"', . . ' U V • d os n tgos t;elO, AIIst6tdes, etc.) defmlam como se devia ajudar os autros' Cris- to ape~fei?ou estes meios: "Amar °proximo COmo a si mesIllo". Citan- do as ~scnturas, ~iv~s e.screve: "De a quem nij'(l pode; nao mande emLora quem llllpl(~~a,::sISle~~C.la.Fay~ 0. ben,l,a~ que te perseguem e reze pdos que. le ~dttaIll , e cllaudo loblas, De contouue tuas posses; se teIll mUlto, de multo; se telll pouco, de pouco, mas dc' sempre de boa vonta- JcJ:.~ divino". Dividia os govemos em tres categorias: "Quando 0 governo e a vOlllade de um s6, lemos uma monarquia; quando e Ulll pequeno numero que administra, loma-se uJlIa oligarquia e quando e 0 povo que detem 0 pOder supremo e a autoridade, constitui uma rcpllblica". Nas Flandres, provincia espanhola, as municipalidades eram admindradas par magis- Irados deilos pelo povo, e por isso Vives se rdere freqlientemente ao govelllo da muuicipalidade como "a rcpllhlica". Assim seudo, nao baslava, segundo Vives, 0 socorro dado por parti- culares aos necessitados, nem mesmo 0 dado pela Igreja a quem, atc aque- Ie momento, era eulregue a soluC;ao dos males da pobreza; era responsabi- lidade principahnente dos govern os. Os tllulos dos dez capflulos desla segunda parte refidem os con- ceitos neles exposlos: I Como e responsabilidade dos governos de tomar conta dos po- bres. II Do agru pamen to dos pohres e seu recenseamen to. 11l- Como devem ser procurados os recursos para a assistencia. IV 0 cuidado das crianyas. V Os pesqllisadores e a pesquisa (que Vives chama "os cd ticos") VI 0 dinheiro necessihio para as despesas. VII As pessoas que tem necessidades inesperadas ou escondidas, VIII Os que seraa can tnirios a essas novas constillljc;5es. IX-- Porqlle nada nos deve deler elll nossa prop6sito. X Van tagens 11lIIlIanase divinas que resultariio dessas proposi- 6es, Vives re 10111'4 os tcmas j4 abordados: a disparidade de bens entre as pcssoas, as docll,:as conlagiosas, a mcndicancia, 0 abandono Jus crialll;as, a prosliluiao e a ignorancia, e observa irollicamente qll~ "Os magistra- dos lIao SaD eleitos para pa-;sar 0 tempo falando e discutinda, mas para tomar mcdidas con tra os males que assolam ou podem assolar a cidade, pois Hem os nabres nem a 19reja possuem os meJOs para isso", Quais os meios a serem empregados para esta larefa? Vives advoga, em primeiro lugar, lIJlI levantamento das "casas" que abrigam necessitados: hospitais, haspfcios, asilos, prislks etc. e nes- tas illstituiC;Ocs, 0 llIimero de pessoas ali recalhidas, a razao de seu reco- Ihimenta e os reclIfsos que estas ou suas farnl1ias possufrem_ Em seguida, sugere UlIl recenseamen to dos pobres e mendigos que vivem em suas Ie- sidcncias ou que nao tellham IU!§Jf certo de mOladia. Aconselha que sejalll csludadas as razOes que os Icvaralll a est~ eslado. Urn relatbrio das infOlm<l()es colhidas deve sel redigido e cOlllunicado aos magislrados lesponsavcis para IOlllar as devidas plOvidellcias, Os mendigos devem ser Ch,II11<lllospclo magistrado c olvidos "CIII particular", e nilo diante '. l~;~elllos ~ar am; nec~ssitados, na'o 0 que desejam, mas 0 que pre- CISWII. b tudo ISSOsem delXaJ-se levar Ilelas paixoes" l'stO'< -I .'.. ' (0, pe os sen- Umentos e as enH~oes. Nao se deve fazer esmola com 0 qlle se ganholl desonestamente' d:vemos dar do nosso e n[o daquilo que lirarnos dos outros. No entwllo' nao se lI~til de se dcspojar, a si ou aosseus,mas repartir oexcessoentr~ o~ necessllados. "Quem nao 0 faz e IlJllladnlo ~ sera pUIlido senao pelas Itls humanas, mas, com certeza, pelas leis ilivinas". _ " ..l'ara~~~, l.preciso avaliar as .necessidad~s de calla lilli, porque uns p~eclsal~l.mal~ d~ I!ue oulIos e preclSwll de coisa-; difereutes. Nao se pode ulvdaI a aJIHla. Otve sel dado a cada um 0 que prccisa, no momenla em que 11Iccisa e de acorllo COIl1Silas forya.s e (;(lIldiyOts." TalJlIll~rlln[o se deve dar 0 que Ill.Jdeser prejlldicial a pessoa. "De CUlilategria e simpatia e lIao COIllabouCCllllento." r; tIna!rllt:nle, "dar WileSque 'lparec;a a necessi- d~de~_~~to~.,.~.desgr~ya". Ao ajudar lJ poble, wio Icprovar, flaO passar SvIJllOC~,pUIS Isto nao selve para nada~. Do acima, podemos re tirar os princfpios seguinlcs; I 0 pobre deve ser Ira lado como Ulll ser humauo' ; opobre te~n Jifeito ao nosso respeito c conSid~rayao; -- deve ser aJudado seguudo suas necessidades CliO 1Il01liento oporLU- 110; 4 ,-- dcve se dar os IIlcios para (Iue os pObres po~sam sair eles mesmos pelas suas PI(JIHias foras, de sua situayao dif(ci' 5 -- e melhor !J1evenir do qlle curar, portan 10, e' preferivel ensinar (educar) a tornecer esmolas constanlemente. Na seg.u.ndaparte de seu ualJalho, Vives (em cOIilO objetlvo mostrar a n:sponsabi1l.dade do ~ovelllo no dcsenvo(vimell to e manu leulfilo do beJll-est~r so,clal da socledade e nao apenas suas fllJlyoes defensivas au tnbutanas. Sustellta que lodos tem J1t:cessidade de ajudar os outros co- mo tall~WIII de scrcill ajudados. "MeSIllOIX;graudes leis, diz ele, cujo' )0- dtr se tundwllellta sabre os sellS slditos, cairiam illlcdialamellte se eses os abandona.sscm." CoulraIiava, assim, a dOlltrilla do poder de "direio I -----~------~.• ( ( 1",lilulo )llpC,id' ,)" Servio Soci.l l I ~ 8 0 A
  13. 13. de pessoas alheias. Do llIesllIO modo, os doellles devem ser illtcrrogados pcl~ sell IlH~tl.iGO.Para iss:}, () governo eSGolher:l pessnas idoneas a quem seraa ?ados podclcs p.ala Inlenogar, "obrigar e ate plcllJer 'Iuem nao pres- lar as Illforma,>,oes" (SIC). Desta luaJlt:ira, Vives acredi lava lJue se poderia saber lJuais os pro- blemas da cldade eo whnero dos que precisavam ser ajudados. Alimelllos e suslen 10 sao as principais necessidades "mas diz Vives, )'pOl comer (alimentar e suslell£ar-se), enlendo Mia ;penas ~ ali- mcntay3o, llIas ainda 0 vesluario, a lenha para 0 fogo, a luz, e ludo 0 lJlie ne.cessano para 0 coepo". NenhUJ~1 pobre, lJuallJuerlJue seja a sua idade e salide, capaz de tra- balllilr, (kve llcar sem ocupil<;aO, mas 0 lrabillJlU devc ser de ilcordo COlli as for<;as de cada um. Os mendigos que lIao sao lIillurais da cidade, devem ser reme lidos, pagando-x-Ihes as despesas da viagem, para sua (idaJe de origem, que lem a respollsablhdad" de cuidar del"s. Ja era, (;Olll an ((;cedclll:ia de H5 allos a Lei dus Pobles promulgadil na Illglalerra elll 160 I. ' Um prcparo pwlissiollal deve ser dado aos adok;cellles de aeorJo CUlIl_suas prefcrencias e habilidades. Nao se deve deixar Ilillgl;em moner de tome, llIas todos devem traLalhar pala gJllhar 0 sell sus[ellio. Vives ousclva que a legiao das Handres e rica em oporlullidade de lrabalho' l.eccla~ell~, cordouria, l~lar<.:ellaria Clc .. e .q.llC !lIllilos clllpresarios se qllei~ x.am da lalla de mao-de-obm, 0 que lacilUa assim a coloca<;ao dos lIeces- sltatlos, Aos ~ovelllan lCS! eabe a rcspollsabilidadc "de zelar para que Ilao fallem OperllllOSpara as labllcas, IlCII falJricas para os opcr,lIios", . . .Lemura, alnda, (Ille a eidade precisa de llluilas obras pllblicas nllde p(xJellla:!11 ser elllpregados Illendigos; ja advogava, porlalllo, a orgalliza- <yao(C rentes de lrabalho". ElIljuanlo agllardam sua coloca<;ilo, os candida los a cmprego dcvelll scr suslcnlados pclil IIlullicipalidade e, se tivelclll de viajar para assumir 1m elllprego cmlugar lllslanlc, a viagelll Ihes dcvc scr paga. , Os hospi lais ~lao dcvclll COllservaI os dlJellles que ja tiveram alta e e_s.l.eJ~1Ilem COII(~l~OCSde lraualhar. Se lIao ljve~em para ollde ir, os que fIC~Ieu.l .ll~ .1~USplt~.' uao dcv.e~Il perllianecer OCI050S, Illas lrabalhal pala pagar Sua cslada. Lslas Ilollllas, VIV~S as aplrca all! allS cegos 'IJois "t·) j , 'J 'I' J J ' l , os 1~f1l a JlOSSlJlI( al e de ocupur-sc elll alguma coisa ", c enUlIICla os viirios trabalhus em (jue cstes cnfelJnos podc!ll sel empregados: conlec<;[o de lalas, vassouras, ceslas, elc. Vives acha qlle 0 lllCSlIlO pode ser fcilo com eufel/uos C velhos puis a "odosidade tlnlJciva" e os levara ccrlallleule a pemar que sUo iure: dores {:u illLHeis. Desta Illancira, aliviados de cilcargos pesados, os hospi- lals terao malS rccursos para tIalar dns verdadeiros doclltes. Os docnles menlais devem ser tralados com carinho e cuidadosa- mcnle cxaminados para que Ihes seja aplicado 0 tlatamenlo convenien- Ie: "um doenle menial nao e lllll criminoso" e, pOrlanto, nao pode ser tratado COIlIO tal. Casas especiais Oll asilos oevem ser organizados para os mendigos euferllIos, os doenles crollieos sem recllrsos e os velha; sem animo, assim com 0 para os que sofrem de doel1l;as conlagiosas, como a lepra. Es las ca- sas deVClll ser umlar, lima familia e nao lima prisao. As pessoas encarregadas de vctillcar a silua<;ao dos necessilados de- velll faze·lo "com simpalia, sem severidade excessiva, mas lambem nao Se dcixar cllgJnar por falsas declara<;{)es"_ Essas pessoas podenfo apresen- tar a adminislra<;ao as rccomenda<;i'ics call1vcis em cada caso. Vives lambCm alerla os magislrados qUalltO a possihilidade de pes- soas Illenus eserupulosas quererclll os Ixnef{cios da assistencia pllblica para parenles ou scrvi<;ais, a 11m de se eximir de ajuda-Ios. As clianyas abandonadas ser30 colocadas elll asilos, mas os que ti· verem maes devem ser educadas pm elas; devem freqiienlar a escola pala sertlll inslm{das e aprtnder uma plOliss:Io e a pratica da religiao. Aquelas . que drill UlISlrilrem inlelig~ncia e ap lidOes "para as ciendas ", devem ter possibilidade de enllar para a univcrsidade ou para os selllinarios. Para adminislra<;ao da caridade, serao nomeados, cada ano, dois melllbros da magisllallira para pcsquisar e illfunnar sobre a vida e os cos- [limes da parte pobre da popula<;ao da cidade, 0 que precisam e 0 que de- ve ser feilo para ela. Vives chama a alen<;ao sobre a "atua<;ao das mulheres mais velhas", que podem reCllllar jovens para a pros Iiluir,:ao (ell treme teu ses), uu or- ganizar sessoes Oll conslllt6rios de magia. Os lugales jlliblicos de t1ivcrsllo devem ser fiscalizados para que os adolc~cenles Ilao fleqiielliem o~ quc nao Ihcs cOllvem. Todas eslas oUlas pedem leClirSOS linanccirus: donde lirar 0 dinhci- ro necessario'! Vives faz ullla pequena hislcllia da adminislIat;ao da caridade, des- de os Jiaconos dos lempos apost6licos, passando depois esta para a res- ponsauilidade dos bispos; no enlalllo, no momcnto, a Igleja nifo e mais a mesilla e os bispos, ricos e poderosos, tenl Olilras preocupat;i'les. Vives nao prclcmle liral da Igrcja a responsabilidade de ajudar os pobres, mas 'Illcr complcllcnla-la pela ajuda do govcfIlo. I'ortanto, sugere qlle sejam avaliadas, cada ano, as receitas dos hospitais, asilos e casas de caridade, aClcscidas do prodUlo do trabalho dos poures que nelas lraualham; se hCllI admillistradas eslas rendas, podenro, em geral, suprir as despcsas. lJllla obra social mais rica podera ajudar uma mais poure. 0 gover- no deve nomear urn "procurador" que, aIem de ajudar as obras a avaliar suas rendas, liscalizara a adminislIa<;:1o.
  14. 14. Se as obeas sociais precisarelll de allxilio, Vives slIgcrc varios meios: incelllivar pcssoas ricas a deixarclII Icgados em S~ll testamento como, ali;is, cia costume llaqudc tempo; colocar caixas de eSllulas elll varios pOlllos da cidadc; campanhas peri()(.Iicas de levalllallienlo de lundos elc_ No enlanlo, diz Vives, oobjetivo "nao e arrccadar 0 mais possl'vel, lIlas 0 necessaria para a boa aJministra(:ao: sc houver excedente, esle deve ser cnviado a comunidades mais pobres ou cOllservado em casos de crises ou calalllidades ptilJlicas. Sc os recursos forem insuflcielllcs, as pes- soas mais ricas devcm ser procuradas semIo para dar, ou pelo lIlenos para cmpreslar a quan tia necessaria". No entanto, nl10 devernos desanimar; toda obra IlllInana e djf{c.il. e governar uma cidade e obra de grande imporHinciaque p~de pr,Ude~lCI~, finneza e dedical,:ao; nao sc pode conlentar a todos, mas deve-se zelar pelo bem COIl1UJIl. . .' d. No ultimo capitulo, Vives enulIlera as vantagens advlfidas. ~s me didas propostas: a ausencia de mcndigos na cidade a tornar~ malS l~lP~, diminuindo os fOubos, os crimes e assallos, tomando-a m,ats segura, ha- vera mais entenuimenlo enlIe as pessoas, pois os que preclsa,rem saberao OIllle e quando screm ajudados; as pessoas na~ s~rao obrtga~as a ,Jar constantemente e a riqueza sera assim mais bem ?ISlIlbu(da, '.' fudo ISSO selll ralar das valltagens espirituais: paz de espfnto, concordia, amor mu- IUO etc. . As medidas praticas' sugeridas por Vives podem ser resunlldas co- mo segue: . f' d' I _ cOllcessao de aux(lio aos pobrcs deve ser rella com esp rlto e JUs- tiya e com preocupayao COlli0 hem verdadeilO _Jaa:ma; . 2 organizal,:ao racional dos pedidos e a centrahzaya~ .dos ~eeursos, uni/1cal,:ao da oire<;a-oe repar li<;ao do Irabalho adlllll.nstrallvo; 3 ex lensao dos socorroS a todas as calegOlias de necesst tados; 4 assislencia aos pobres envergonhados; S fornccimenlo de materias-primas c de malerial para incenlivar 0 traballio' 6 organiza~ao da previdellcia nllilua cnlle operarios; . 7 medidas prevelilivas contra 0 abuso de esmolas aos I,lendl.gas; 8 cooperavao en Ire as obras sociais para melhor asststencla aos po- bres. . . 1 l'lJS AI}I'N Vives teonina COIll uma palavra da Escritura: "L D ~ }.~ - COARA A CmADE E ESTENDERA A PAZ AT~ os LlMlTES DE SEll ·h~I{Rrr6RIO". IlEFER~NCIAS DlDLIOGRAFICAS A adminislray30 pllhlica ueve restJingir suas despcsas ostenlat6- rias, lais como banquetes, prescnles, festas, pampas e tudo 0 que hoje chamamos de "mordomias", Segundo Vives, uma Illunicipalidade devc ainoa :ic preocupar COIll os prisionciros de guerra, os pres os por dlYidas, ll:i que ludo penlcram eIII incenuios, inunday0es, epidcmias elc. Fillalmcnlt, Vives IIIoSI.ra que lIluitas famllias enlpobtecidas Will vergonha de pcdir c assim pas5am IIccessioade; e prcciso dcscobri-Ias para socone-las, sem hUlllilha-las, pois para esse lipo de IIcccssidadcs "0 cons- trangimcnlo em receber e maior do que asalisfa<;ao em set socollido". Esta plOcura deve ser reila pclas par6quias ou por pessoas discre tas que wIo 10filCIll conhecidos os nomes dos beneliciados, sellao ,10 IIlagislIado que devc decidu- sobre 0 aux i1io. Vives ja advogava, assilll, a lecnica que s6 agora 110 fim do nosso seculo os americano:> challlalil de "lIard-lo- reach" (c1iClltcs diHeds de alingil) 011 seja, "poIH"s envergol1hados", e que por vergonha Oll ignorancia n30 IJfOCUr,Ullas ulnas de assislencia continuando em dil1culdade e podemlo chegar a prejudicar a cOlllunida: de, Diz Vives que "nao podc haver limite a caridade c iIassistencia em- bora devemos desejar que ninguem precise ser ajlluado", ' Vives reconhece que 0 que prop6e nao pode scr posto logo em pra- lica: em primeiro lugar, por causa dos cos tumes do tempo; em segundo lugar, porque muitos nao cOlllpreenuera'o 0 objetivo de semclhaJltes me- djdas, Sugere, pOllan 10, que se comeee aos (loucos, pelas lIledidas mais faceis. Haved tallll~1Il OpOSilieS as illoV'I.(lies,illvocalldll-~ as Iradi(i'Jcs, OScostullIes, as Escrltllras, a palavra da Iglcja pala ohstruir a concretiza- vao <lasmedidas. As novas medidas nao impcdirifo a pohreza, lIlas pode- rao redun-Ia, "como a Medicina nao impede a docnya, mas cura na Illedi- da do possivel". Entre os proprios necessilados, mllilos rcagir30 contra as lIIedidas elll sell favor porque eslas os ohrigalll a lIIu<1arde vitia, a Ira- balhal, a esforyar-se. Naquela epoca, 0 tftulo de Canlcal era conce~ido ~cl~ Pa~a ~,pe.s- soas que, embora nilo fossem sacerdotes, po~ta.lll servlf v.'lHtaJosa- menle iI Igrcja; De Croy que tinha a lIlesma Idade que VIV~S,per- lenda ulima famma rica e (lodel'Dsa. Adriano, Uispo de Uttccht, da Ilolamla, 1'010 tHtimo Papa nllo Ita- liarlO anlcs de Joiro Paulo II. , . Casanova, Ricardo A" na ltttTmhlraO de "Da Assistencia aos Po- bres", Ed. Valero el Fils, Bruxclles, 11)43, , . Vives, JUliIlLuiz,SeSSeTJlO CarlOS de Vives, PUI', Pans 1943, Vives, op, cit. 4) -. S) -
  15. 15. Ol.lHAS DE JUAN LUll VIVES (1492 _ 1540) l~ecolhillleJl.to Di:~1Ie d.a Pess(~a de Jesus (J 515) ~olllenlilno::; de CIcero e das (,e6rgicas de Virgilio (527) -- hbulo Homine (1522) - - Tratado de Filosofia (1519) - COI~Jentarios da Goode de [leus de St9 Agostinhu (1522) - pa ~ducaya~ da f1ulher Crista (J 523) - Oa Cunc6Hha e Disc61dia (1525) -- Da Assi:;tencia aos Publes (1525) De Ort1eio Mariti (I532) Dia10goo (1535) ~essellta Ca~tas aDs seus Amigos (J515-153H) bl' ~~v~ os tres pnllleiH~S trabalhos aeima eitadns, os dcmais foram Illl- lea 0::; por Valere et hIs de Ilruxehs em I tJ4) . b. " _ I' f' ' , , _J, so a unentayao do r~ essor l{lcardo Aznar Casanova e por ele traduzidos d', t· - d Ia UIlJ. n e ameu te 0 A CARIDADE OPERACIONALIZADA S. VICENTE DE PAULA (1576-1660) No seculo seguinte ao de Juau Luiz Viv~s, encontramos UIll ou tro preclIIsor: S. Vicen1e de Paula. A situali<1o economico-polltico-social lIao linha mudado II1UitO; na Fraulia, 0 pals lu lava para estabclecer a hegemonia do poder real; a nobre- za, hostil, gastava suas ultimas foryas para combate-Io, 0 que ocasionou varios anos de guerra civil. A religHlo reforrnada, alasteando-se principal- llIell te uas zonas rurais, levava larnWm a sallgren tos COlliba tes en tre ca 16- Iieos e hugueuotes, envolvendo tau to a pequena nobreza C01l10 os campo- lIescs. 0 exodo rural causado por estes eombates aurnentava a popula<;:ao das cidadcs, onde l1luitos conlinuavam IIUllla vida precaria e outeas al- c<lnpvam Ulll ccrto sucesso financeiro. Surgiu, assim, uma nova categoria social: os "burgucscs", ou habitantes dos burgos (da palavra alema: ci- dade) e que iria ter nos s6culos seguintes um papel decisivo no comer- do e na politica. Estas diversas eircunstflJlcias nao impediam que a si- tuac;ao social piorasse: as colheitas destru{das pelos combates, a impossi- bilitlade dc arar e scmear as terras descncadearam a fome e 0 desemprego, levan do 0 povo da pobreza para a indib>cncia e a mis6ria. A situaao nao era nova, desde a Antiguidade, a sociedade enfren- tou per(odo de prosperidade alternando eom depressOes econ6mieas. A pobreza cra considerada Ulll "cstado": lIascia-se pohre e pohre vivia-se. A pohreza nao era vergonhosa, mas 0 estatlo daqueles que nlIo usufrufam liens superlluos, liuham 0 estrito necessario para viver, n[o gozavam de luxlI nL:JlI podialll cspcrar goza-Io UIl1 ilia. Distingui-se, portanto, a po. brcLa da indigcncia e da miseria. A illdig~ncia e a priva<;[o de bens su- perfluos e a insuliciCneia do necessario para subsistir. A miseria ~ nao SOJllcnte a aUsCncia de hens super/IuDS, mas a ausencia do neccssario a subsistcncia. A pobrcLa e urn conceito relaUvo: 0 indivfduo e pohre CO!ll- par<1do com ou teos que !em mais do tIue ele, enquanto a indigencia e a misc.ia silo conccitos absolulos: e falta total dc meios de subsisteneia. I Casanova, Ricardo Aznar ltltr,')('llra-() 1"1 "I)a A" t- . ., ' 1,.. S51S encla aos p' b " Valere et his, Ilnlxcllcs, 1943. 0 res - DanjJe l{ops, L 'E'g/lre de la Renaissance er de Iii H j', A t1 Fayard, Paris, 1tJ65. e orme, r ICme Ilayward, h::mand, LeI COllcils Eculllefliqllcl' Anhcme Fayal-d I) . 1961.' , am, Japiassu, Hilton, Illtrodllr(io ao ESl!ulo dl1 I~J)iSlemol()ginda 1" I . Omago blttores Rio, 1977. ~lcO ogla,
  16. 16. PolHe sempre IlOuve no mundo, em lodas as epocas e em todas as cil'iliza~Oes, COUlDbem 0 diLia 0 EVall/:,>elho,mas a mised" varia cOIlfOlrne as circunsla.llcias. Na Europa da Idade 11t~dia, houve pCJludos de iutcma llIiseria plOvocada pclas guenas continuas. Os llliSCIi.lVcis e indigclItes re- corrialll as par6quias e lIlostciros; (Iuanda estes nao Illui$ os podiam aju- dae, mudavallHie para Oll Iras par6quias, a qUt: ocasiouou. dUrall te v<hias seculas, UIll imenso IIIovimell to migrat6rio em toda a Europa. Neill todos os gove{nos imitaralll a Inglaterra. que procufOU fixar os rnendigos nas suas corllunidades, pela Poor's l<lw (a Lei dos Pobres) em 1601. No en- lallta. havia em alguns pa(ses. como na Fran'{a, um aClJrdo tacito: cada parOquia devia cuidar com prioridade de seus pobles e llIiseraveis, com 0 auxJlio dos mosleiros e cOllvelltos, que faziam 0 papel das obms sociais de hoje: recolhialll crian~as e velhos abamlollados ducHtes menlais egressos das prhoes. e ad.lllillislravalll hospitais, ollde 'as condi'{OeS higie: Ilicas eralll pessimas e os cuidados IH~dic(}~ ainda cmllIionarios. Estes elllpn:ellllimelltos socia is eram susteHtados pdo dfzimu recolhido pdas abailias e eOllvenlos e pelas eSlUolas em geml gcnerosas da classe abastada. S. VICENTE DE PAULA - J576-1660 Nao tencionamos deserever a vida de S. Vicente de Paula. Desde os anos seguintes a sua morte, em 1660. nUlllerosos bi()grafus escreveraln soble de: sua vid<l, sua oLra, sua doutlilla espirit.ual, sua illflueucJa so- cial e poli!ica, ctc_ Lcmbralllos apenas os pontos principais desta liro fecunda vida para cOlllprcendennos lllelhor Slla personalidade e a Iigayao que desejamos estaLdecer cutre clc c °Servi~o Social. Terceiro Iilho de Jean Depaul e de Bertrande Demoras, Vicenlc Depaul (como st: assinava) nasceu nU1l1a aldeia pertu de Dax, uo sui da Fran~a, cm ablil de 1576. duranle 0 reinado de Ilclllique iLl da Frall:a. l;uJlll!ia de pcquenos proprietarios mrais, trabalhadora e profundamenlc crislA. Viccnte pasSOll os primeiros anos de sua adolescellcia ajudando 0 pai nos trabalhos da lavoura. Como era lllUitO illteligenle, seu pai decidiu. em 1595, envhUo para csludar no coJegio de Dax, e mais tarde. porque sabia razoavclmente 0 latim, para a Faeuldade de Teologia de Toulousc, onde foi mdenado sacerdole. em sctemhw de I6lX}. Pouco se sabe sobre os anos seguintes a sua ordcna~ao: parece ter idoa Roma e na volta ter sido capturado por piratas lurcos. quc 0 te- liam levado para Timis, ollde ficoll Llois :UIOSem calivciro, cOllscguindo voltar a Frall~a depois de uilla fuga JOcambo.lcsca. Est..: perfodo tla vid<l de VieclI te Depaul lIUIICa foi bem esclarecido. lIelll lIleSlIlO pe10 prtJprio inleressado. Em Paris, cOllheceu Pierre de BeruBe, fUlldador da COIIgrcgayao do Orat(llio, conhecido como 0 Cardeal de Bewlle. c que procurava efctuar lima refllrllla radical do ciCiO frallces. Vicenk Depaul obleve a cura de C!ichy, pequena par6quia dos arredores de Paris. e logo depois, semple pOi intennedio do seu proletoe, 0 Cardeal de Bemlle, 0 posto de preceptor dos filhos do Principe de Goudi, dirdor LIasGaleras do Rei (0 que pode conespollder hoje a fUllyclO de 11m miniSlro da Marillha). 0 Prillcipe de Goudi era Ulll grallde seuhor, inrportrUlte, rico e Iigado a fa- i1fIia real. A Priucesa de GOlldi, mulher inteligente. cultivada e extrema- mente piedosa, ia ser IJlIla personagem importante 110 trabalho social de S. Vicell te de Paula. No en tall to, Vicente de Paula nao se sen tia feliz neste :un bien te luxuo- so, Irefinado e protegido. Achava que "se devia procurar a Deus em pri- nleiro lugar, procurar 0 Reino de Deus"; "se nos ocuparmos dos lIeg6cios de Deus, Ele se ocuparii dos nossos", dizia ele. Em 1617. resolveu deixar os Gondi e obteve a cum de Chatillon-Ies-Dombes. oude leve a sua pri- meira ex periellcia de organiza~ao de Caridade. Entretan to, a scnhora de Gon di nao se conformou com a pcrda de sell preceptor e wrdor de cOilSciencia, e lanto tez que obteve a volta de Vicen Ie a Paris. A Providencia sabia 0 que fazia. A volta a vida da capi tal, vida que tanto Vicente detestava. deu-Ilre um nuno detlnitivo. A partir do li10men to em que vOItOll jun 10 aos Con di. Vicen Ie dedicou-se de cor· po e alma a llma gigan tesca obra de apostolado religioso e social. L.elllhramos aqui apellas algumas rea!iza~oes religiosas e poH!icas de S. Vicenle de Paula, para nos dedicar depois ao esludo de seu trabalho social. Em 1617, organizou a Congregal(i'fo da Missao, depois conhecida COlllO a dos Padres Lazaristas. que linha como I1nalidade 0 apostolado nus meios rurais divididos cntre uma religiao cat6lica fraca c vacilante e os esfon;os do plOteslanlisll1o. As MissOes come'{aram pelas tenas do Principe de Gondi, al as traram-se rapidamen te pela FnUl~a in teira e. como sabellJos, nos seculos seguintes por lodo 0 mundo. Em 1619. ° Prfncipe de Gondi 0 nomeou capelao-mor clas Calcras Reais. Ali. Vicente nlio somenle exerceu um aposlolado junto aos gale- danos, mas lamWm usou de sua inllucncia para melhorar a sorte desscs miseraveis e inspilOu novos regulamen tos para 0 julgamen to, 0 cumpri- menlO das penas eo tratamento dos condenados. Em 1643. depois tla morlc do Rei Luis XIII, a Rainha Regente, Alia d'Austria, instituiu 0 Conselho de Consciencia. ou seja, urn conse· Iho dc legencia para ajuda-la a govcmar 0 pat's durante a rninoridade de Sell I1Iho, 0 lei Lu(s XIV. Ch,Huon Vicente para integrar este Conselho. Ale 1653, Vicente exerceu uma intluencia discrcta, mas decisiva e dura· doura, elll todos os assuntos quc ali se tralavam; ullla das rnais importan· teS foi a iIlStituil;au de critt!rios para a nomea;;:ao dos bispos que. ate 0 1l101llCllto, cram nOlllcados elll razao de sua no!Jreza de nascimento, sem Clllisidcrar ilS qUillidades nceess,hias para Ulll pa3tor de almas.
  17. 17. oPensamell £0 Social de Vicen fe de Paula no Qllae/ro de 511(15 Realiw(:oes 2 , .' As, realizai(oes de S, Vicenle que in tercssam do pon to de vista do SCIVH,:O Socwl silo: a fUllLlai(<I0 das ConfraIias; os cuidadus C011as cdan- yas e a orgallizayau dos SOCOflOSaos mellJigos. E nas instlllyoes e conse- Iho~ dados aos. que traballtaVaIll com ele, que veril1camos como ele con- ce~~~a, operacl~n~J.i~aya:odo~ preceitos acuna. 011, como dirfamos hoje, qualsps metodos <; as tecHlcas que de plOcurava empregar. eclesiastico au burgues da cidade, homeen criterioso e afei<;oado aos po- bres que nao seja par demais ocupaJo com as coisas temporais, para poder assislu' as assembl~ias e dar sua opiniao subre os neg6eios propos- los, ludo, IlO enlanto, sob 0 goverJ1o do Vigario, para que tudo seja feilo em proveito da par6quia". a nUlIlero de membros de cada Confraria nao devia ultrapassar de.vinle. ' A priora, competia visitar os pobres e cerlitlcar-se do que precisa- VaIn. Esereve S. Vicente a priOla: "Fui prex-LJradopor um senhor, que dizia tel sido assaltado, tiraram-lhe seu trabalho, seus m6veis e levaJam sua colheita (... ) Preciso saber se tudo isso e verdade, se nada Ihe ficou para subsistir, se tem mhos e quantos'?" Constalada a necessidade do auxflio, a priora disuibuiria as famllias ell tee as Damas, para que estas levassem os socorros necessarios. Conseienle que as DaIllas nao estavarn hallituadas a frequentar as choupanas doo miseraveis, S. Vicen le desce a minllcias de uena ¥isita domiciliar, ensillando como deviam servir os pollres, consola-Ios e confor- ta-Ios: "depois de se tel' assegurado que a1b'llcmpode ficar com 0 doente, devcm passar ao seguinte, tendo 0 cuidado de comeyar pelos que tern fa- mflia para cuidar deles e terrninar pelos que s[o sozinhos, a fim de pemla~ Heeer com eles 11Iaistempo". S. Vicen Ie qutria que as Damas visilasselll os doentes ern suas casas e nao csperas5cm que eles Ihes viessem hater ,s portas, afirmando que e "nas visilas dOllliciliares que COllleya 0 Serviyo dos Pobres, pois, primeiro, "dcve ser assegurado ao pohre doenle urn tratamento eselare- cido". A orienlayao do tratamento dos doenles deve ser dada porum me- dico que deve examina,lo e prcselever,Ulc 0 tralaIllento necessario, n[o so qllaBto aos remedios como tambem quan to a alilllen tayllo convenien- te. As Damas JeviaIll ter 0 cuidado de evitar "que os doentes se dirigis- sem a charlataes, cujas drogas s:lo sempre pemiciosas". Em segundo lugar, as Damas devianl orientar a familia, ';onsolan- do,a e inslJUindo". Sugeria S, Vicente que nao f'osse dado nenhulll di- nheiro. mas alimentayao: "Sera disteibuido por semana aqueles que nlfo podem trabalhar 0 que Ihes for necessalio para vivcr e aos que trabalhaIu, mas ganham somenle uma parte do necessario, a Associil9a:o fomecer1i o qllc bitar". (111,412) COlli 0 UlIX{lioda Princes a de Gondl, e de suas amigas, S. Vicente mganizoll, em Pads, vadas Confrarias, que rapidamente se alastraram n8S paroquias da capital. No entaIlto, S. Vicente percebeu diversas falhas, que viriam dcstruir sua obra, se providencias uq,oentcs nilo fossem tomadas. Dc falo, CIll algumas Associ3/.(oes em que as Damas pertenciarn a alta nobrcza. clas sc acanhavam de Icvar, pessoalmente, 0 socorro material aos pobrcs e se fazjam Sllbsliluir por Silas emprcgadas. Ora, estas mdes, grossciras, de Ill:'! vOlltade se prcstavam a esse scrvi~o e a cOJJseqiiencia '., As Confrarias nasceram quando Vicenle ainda era vig:'!rio dc Cha- ll~l~n-lt:s.-Dolllbcs. Um doml1lgo, antes da Illissa, lima das silas paroquia- nas pedlu-Ihe para recomendar aos Jleis, na hora do sennao, ullla fam(- lJa p~bre, ande lodos estavam uoenles e que [lrecisava IIrgentemente de auxlltos. Vtcente teve palavras Ufo persuasivas que, ao sair tia rnissa va- nas pessoas aprcssaralll,se elll levar os SOCOITOSnecessarios. A ta' I • V', cenIC t . t· .I ' .. . I' .. . l( e, I_ OJ alli)C1l VISllar a amfha e cOlIStalou que tanlos tinhaIlI sido 0' g:nero: lev~dos que a familia onha llIais do que 0 necessaria e mUilo: generos atHscavam a sc perder, e depois disso a famIlia conlinuaJia a L~a<,:osC(~Jl~.a.Jl~tse.',~a.COHstalou, porlanto, que era ncccssario por Of- ~C;ll~ ncs.ta as~l~tencru.,aos polnes: para quc, 110 fu luru, nail somente aquc- la fanlllla, mas oullas que !HeClSasselll losselll devidamellte socorridas d~lfanle 0 tempo da cnfennidade. l'ellSalldo no SCllprojeto Vicente rcu~ Hili al~unlas scnhoras e plOpOS que cada lima tivesse a sell ~uidad d I' Oil tres laI il' . . 0 l as• .' 11 las, que vlsltarialll periodicamen te pala ajuda,las aconse' Iha-las e conccde~ os socorros dllfante 0 tcmpo necessario. ' l~l~r~lte lr~: meses. sem regras escrilas, e Com a orienta<,:3o de Vi- cente: as scnhO/as desclllpcnhanull sllas larefascarilutivas com baslante resultado. Vtct;lIte 1I1111Cateve pressa para detclllliHar ou Ilxa'e' fO'se' ' . ,', . " '. .. . r~ Jaoque ,s . qllella p.l1mellll kslar a expeneHcJa. QuandO verificava 0 exito do !J abalhu, redlgla Ulll esboyo de regu!ameH to. _ .. ~s Co:~~",ariasde ~:andade, lIome.dado a lIova assocjat;ao, linham por Imahdade .. ~SSbl1r malenal ~ esplJ1luahlielite aos pobrcs; espiritual- lIle.lIte, ensmando·lhes a douteilla e as !lfaticas do (',·I·stl'aII" . I• , ,. . I slllo;l1Iatena· 1Il:Htc, vls~tando-()s enl s~as d()Clll;ase proporciollalldo-1I1<.:S0 tralalllen, to nccessarlo aO reslabeleclmcnlo de sua salldc" . . ' "Q~lal.qu~r llIulher cJista, casada, villva (~1Isolleila pode ingressar na Conf~,alla.lcolllalllo que tClIha 0 c01lSeHtilliClllo do scu Illari<lo Oil de ~,cupat., A Associa<,:;}olera ullla "priora" ekita pelos lIlembras lima adJllllta 'c uma ICsouci' .. - '11'·1 '• ...•.. ".~ ,,'a, ~sco uuaeHtreosmemolOsmaishumildes c dlSClClos da C.ollfralIa .' A hm de que possa gerir os lleg6cios cOllve- IIlclltcmente, os melllblOS <la Couflaria "escolllcUlO lalilbcll1 Ulll homcm,
  18. 18. Jo~ca foj que os_pobrcsnao eram tralados COlilO 0 deseJava S. Vicente. ~)eoJleu-lhe, entao, a Idela de substituir as Damas e suas clllpregadas por Jove_H.scaJ:lponesas (juc desejavam se cOllsagrar a DeLISe a uilla vida mais per~el.la. S. VIcente nao pensava uuma cOllgrega~a-o Icligiosa, lIem em dCslsur do aux 1110das Damas. ..NaqueJe tempo, para se ~cdicar ao servi~o de Deus, a IllUlher devia se recolher num conyento e Ylvcr enclauslIrada' nao St aceitav' , ·d.'·' d . I' . , " . ,,'. ' a a I cia e ,wna Ie IglOsa 1101ll11,ndo. Estas Jovells precisarialll ser seJeciolladas hemadas e orientadas nos trahalhos da caridadc. (211emajlldou S. Vicellt~ ueste novo empreendimen to foi Lu (sa de /tarillac. lecer 0 Teino de Deus em nOs mesmos e depois deutIo dos outros", (Il,97) . Nao se sabe se uma associaet[o de jovens camponeses SUIglU na mente de S. Vicente, antes de cOllhecer Lulsa 00 depois de ter visto seu trabalho junto as par6quias . Segundo seu costume, S. Vicente nAo tinha pressa, que ria COOl~yat devagar, ao contriuio de Lu{sa, qlle estava sempre com pressa. Em 1633, Vicente pediu a Luisa que selecionasse quatIo ou cinco jovens e as insta- lasse na sua casa da Rua Saint Victor. Fundadol e colaboradora IUlodese- jayam recrutar seus auxiliares nos meios urhanos e muito menos nos lIleins burgueses: preferiam jovcns do rneio rural. "As yerdadeiras filhas do campo, escreve S. Vicente, sao simples, nao usam palavras de duplo sentido. nao sllo aferradas lis suas opinioos. Nissa, deveis imita-Ias. Para seres verdadeiras filhas da Caridade, deveis ser simples, aceitares os sentimentos dos outros e sinceras nas suas pala- VIaS, sem dizer uma coisa e pensar outra," (IX, 245). S. Vicente Illostra 0 contraste entre e1as e as damas da alta socieda· de: "Sao humildes, 11:10 se g10lificam do que sJl"o,nlfo falam de seus pa· centes, ncm que slIo rneUlOres do que outras." Como, em geral, as jovens cram Illuito ignoraJl{es, logica.mente deviaJll sel instrufdas para a trabalho da caridade. "Como ensinar os pobres se nada sabeis?", diz S. Vicente. Portanto, a formal(30 das filhas da Caridade come<;ou com as primeiras letras: ler, escrever e con tar, depois a arte da alimentaylIo, da higiene e da costura e, principalmente, as verdades e as virtudes da religil1o. A forma- <;lforeligiosa parecia a S. Vicente e a Lu(sa a parte mais importante para o trabalho caritativo: ser boas crisUfs, que sabiam a catecismo e como po-lo em priitica. "11'preciso 1cvar ullla vida interior, e se n[o 0 fizennos, lIao podcrcillos agir:" (XII, 131) Assim, ao ullrapassar 0 vist've1, Uavaum real valor a al(lfo: "Devemos santificar IlOssas ocupat;Oes para nelas en-' contrar Deus; faze-Ias para encon tr.1·IO e mIo apenas para realiza-las." (XlI, 132) Esta fonna<;[o tinha dois aspectos: um te6rico, que se faria atraves de palestras de S. Vicente e de Luisa, seguido de perguntas e respostas. Nestas reuniOes, as tnu[s contavam 0 que fazialll, descrevendo as situa- !tOes encontradas e COmO tinhaln agido. Luisa fazia as observat;oes perti- nentes, dava conselhos, sugeria outras maneiras de agir. Havia, de vez ern quando, protestos e reclaJnayQes. COIll sua inesgotavel paciCncia, S. V!- eente respondia, acallllava e acol1selhava. Luisa tarnbem entIava corn VI- vacidade na discuSSilo: "Sera que 0 arnor as criaturas poe em perigo 0 te- SOtHO dc sua voc<J<;:Io'!Tomcm Illui!o cuidado, isto e nocivo aos BOSSOS Irahalhos. " Os Ag.clltes da Cal'idade: Luisa de Marillac (1591·1660) e as Filhas da Carldade Luisa de Malillae era Hlha natural de 1I1llIllcmbro de lIH1afamilia noble, .que f~rneceu vat-ius homens illlstres ao Govemo du Rei da Fran~a. Seu pal, LOUiS do: Manllac; a cducou com cuidados e car[llho de acordo C?1ll cx>"costumes da epoca. Aprendeu "humaJlidades, lalin:, nllisica e pllltula . 0 fato de sua mae Jlao ter sido conhecida, lIelll mencionada faz creI que era de condi<;a:o humilde talvez UIlla servil'al oa t', .. it'· 1>1'' rillac. 'Y alii la a· . Luba desejaYa ser religiosa, mas, depois da 11l0rte de seu pai seus t~~lSa casaram com Antonio Le Gras, fUlicionario dos serviyos da R;inha. lIveraJn Ulll filho, Michel, que muilas preocllllacOcs callSou a sua ae-' Lf d" Y m. u sa eseJ.av~que 0 ~ovem fosse sacerdote, mas ele nai) aceilou, casOtl- se e, C~)I~.stitullI.ta~nllla. (~Sr. Le G:3S foi sempre de smlde predria; Luisa cUldou dele COllidedlcwylfo e carmho ate sua mOlte ., Foi dcpois da lIl?rte, do llI.arido <jue Lu {sa iil/o1CSS;JlIna Confraria da .C.a~llla~led~ s~a yaf(~ulac all couheccll Vicente. Estc pcrcebcu logo q~e ~ Jovem vulva, Illtehgcnlc, cui tivada e ex lrcllIalllen te piedosa poderia aJuda-lo nos seus novos projetos, .. No inicio, jnteressou Luisa na fundayao de novas Confrarias paro- qu~~s ..DU~~I1te qualr~ me~es, Lu{sa pereorreu as par6quias dcx>arredores de Ial~s, vlsltando as fam(lias pobres, orientando as Darnas esubmetendo relat6flos clIcunstanclados a Vicente, relat6rios esses que f(ilIaJllconserva- dos ate hoje. Este trabalho transfonnou Lu(sa, (IUC!1eOlleOllhecendo de pert,o a Yerd~deira situ~ao dos pobres e as lliversas cundi~6es sobre as quais se devla eteiuar I1I1l trabalho de rcerguirnento do ser humallo: I~OpCIls.arncnto de S. Vieen te, para poder ensinar e olien tar era nccessa. no tel' trdo uma experillncia previa. ' Diz.ia S. Vit;en te: "l~ preciso saber a1ltes de agir e all t.es de eusinar e plcciso a£il c praticar", E continuando: "n prceiso ~olllc~ar por cstahe:
  19. 19. " Os assu/llos Ir~lados lias ",[{culliOes das te[~ili,jCilas", que se man, IIvelam JUIanle IllUllos [lllOS, IOlam COliselvados cuidadosLlmente 1I0S arquiYllS Ja Congcegar;uo. ..• (~UI.ro IUcio de r~}flllayaO era otrabalho pliilico; as Yisilas aos po. oles ~ aos lh~enles ::;egulam as IllSlru~Ocs dadas por S. Vicenle as Dam<ls. Depois Jas vlsllas, as Inuas davam conlas a Luisa c, mais IMdc as Irmas eneanegaJas da orieIllaya~o do:> trabalhos. ' ' .. ",exfe~jenci<l ~Ia.o c~a a.llllica vinude nece~saria; lIIuito imp or tall Ie e~a ,~. ~)J~~~~IlC~ no aglL S. Vlecnte Illostrava tIes COlllliy()CS para :1 pm- de IIl:.la. IIlIlH:lrO, IHcclsalllos comCC'ar pclas cnisas de [)C'IJS .) i' ." , r , (CIIpar-se (~ Seus ncgoclOs~ He, ell/ao, ocllpar-sc·a dos nossos". (Xli, 139) "Pre. CISa/lI(~Svc~ as COlsas Como s~o ." Clll Deus ,. c n:!o como sc aprcsenlam ; nossa IJ1laglnayao". (VII, 388) Em segundo, "0 alllOI de Deus se COllerc- tlZ~ I~Oalllor do pr6ximo. Niio basta alIaJ a Deus e dar,::;e a Ele, se 0 seu P~()?~I~O .1~lIlx:m wlo 0 iJlIlar (XII, 2(2). Finalmcnle, 0 ohjetivo da ayao d:vc Ser daro c prcClSo e levar em cOlda as IIllh.lallyas posslvcis da silua- yao; devemos ullhzar 0 tempo C os UCOltccilllClltoS". !liz S. Vicente: "Sel linne lIa Hllali.dadc, Jocc c sincero 110 el1lprego dos meios". (II 355) ~~ llilO segUlllle a fundayifo, porlalllo cm 1634, S. Vicclllc ~chou nccessano OIganizar HIli regulalllento para as IlIlIils, rcgnlamento este cal- cado soble 0 qne Ullha sido estabclccido pala as Damas. " ,.VleeHte 11[0, lillha idr!ia que Damas C Irmas plidessem formal asso- CIJioes dlsUutas. As Damas, pertcncia a dircy,fo das COllfrarias e a olltell- ~ao ~os lecursos Ilccessarios aos socorros; as Inllas, a visi tal{ao c a dislri. bUlyJlO dos socorros. .. " ~~: lJe JIInHas .a li~idades, as. Damas sc dedicaraUI principalmen te ~, vl,s.r~'IY~~~os. !I,ospllaltzal~o.s. A sllua.yao dos hospi tais da epoca era prc- ~al~~Slllal, ~aHava tudo:.luglcne c rcculsos. Vicenle hcsilou II1lJito no lil{UO. VICCIII~ I~a() qucna JIIcltndrar as Innas Auguslilliallas quc trabaiha- vam ~lOs !luspllpls da caplliJ!. ()ualldo COIll:cJcU a pCflniss30 para 0 traba- 1,'10,. ~s I.)alllas laliliaIaIIl uma verdadcira moda: a visita aos llOspilais e C(!nstllllHalll 11111vcrdadelro eslado·maior de caridade. Viccille estabele- CCli algumas regras para 0 bOI11fiJllcionamelllo desta ativi(J-r'e' as i')' .. '" d' 'u . alllas nao. !)~).lam entrar nas ellltllllarias scm 0 conscntilllcnto da dirciao do Il~spllal, n3.0 dcvlam lazcr os lJabalhos reselvados as ellfennciras' dcviam l~or.~)s:lIeu.lcos a pac. das diticnldadcs e IIccessidades dos d()e.IlIe~; prom- 1<11 saber sc () 1I0cnle tmlla lallHlJa e se CSla precisaviJ laIllbeJll de ajllda e ellcaJIIHllul-la a uma courraria paroquia!. .. , ()_abJw.loll.o de crial1l;as e problelll<l que ~e ellC(llllra em todas as clvlltZ<I,,;oes. Na I:ufopa dll ,ccllill XVII, clltl)()fa lL.:llll;lllcccsse t:lI dima de Crlstandadc, est.e probfeulil assuruia glandes propor'J5es de",ido a cau· sas econc.uicas e religiosas. Apesar do "Esllldo de pobreu" $Cr .~ito pela sociedade como natural, est.e feA. !Ie transfolTnalldo em miseria e indigencia em virtudc das guerras, destruiilao de colheitas e In(J(adias, falta de alimento etc. Farnilias jli numCrosas nilo podlam suslentar mais tWIllS, abandonavam os recem·nascidos nas portas das igrejas ou dos con- vcnlos, confiantes que alguma ahna generosa cuidarla deles. Par ootIo lado, um relaxamento dos costumes e 0 exemplo das classes abastadas aumentavam 0 mlmero de uniQes i1egHimas e lransit6rias; quando a mae nao Hnlla 0 apoio do pai ou da faml1ia, a crillil~a era abandonada e colo- cada a porta da igreja ou entreguc a trllilSeuntes. A discriminw;ao que atingia a m[e - tida C01ll0 "mulher perdida" .- sc eslendia tllinbem ao mho - dito "bastardo", que carregava, assim, parle da culpa da mae. Tolerado ate um cerlo ponto pela lIobreza, que tinha entre seus membros lUll certo Illimero de mhos ilegftimos, era repu- diada pela burguesia e pelo povo em gera!. Lu{sa de Marillac, ela rnesma tilila natural de um noble, sabia 0 que sofriam as pessoas nascidas fora do casarnen to. lIavia em Paris, des de 0 seculo an lerior, uma casa para recolher cslas criaIJ(;as: a "Couche" (0 lei/o), qlle tinha como Hnalidade recolher c abrigar as cria.lll{as abandonaJas e coloca·las para adoya-o junto a fand- . lias de bOilS costullles; mas Iudo faltava a esta casa: recursos humarlOs, alilllenla'tao, limpeza, Iligicne. Cenlenas de ceianvas moniam lodos as anos. As Cri311'tilS, que deviUlI1 scr colocadas, eram vendidas a qualquer pessoa par qualquer prec;o e principaimente a mendigos profissionais que dclas se scrviam para dcspcrtar a cornpalxao do pli bllco e angariar esmolas. Aos olhos lias pessoas da socicdade deste tempo, eslas crianci- Ilhas cram "cria[uras illdiguas"e, porlanlo, l1ao merecillill alen~ao. As Damas e as Innas encol1lIavam lIluitas dessilS siluac;l'ies nas suas visitas. Em 1638, Vicenle, tcndo eneontrado na ma um desses pequeni- liaS, 0 levou a reuuiao das l}.rmas c pcoemou COIll e1as UII meio de cuidar das clianl{as aoandonadas. As Damas ficaillill horrorizadas com a pers- pectiva dc !idar com "criaturas flUtos do pecado". Vicente nao desllili- mOle "Eslas criaturil1has, diz ele, pertenecl1I a Deus, ja que seus pais as <J ban donaram. Se as pessoas cousiderllill como uma homa cuidar dos fl- 11105da uobreza, quail to mais /lOs, que SOIIlOS destinados a seevir os fl- Ihos de Deus ... " COli tinua Vicente: "0 pccado da mae que abandona seu filho e resgatado aD IOlllares conta e llinares estes pequenil1os: screis, assi.lll, "maes adOtlvas"(Xl, 131)". Dial1te das dificuldadcs de reformas da "Couche ", Vieen te conlJou as criauyas a LUisa de Marillac, primeiro nurna casa modesta e depois 110 castelo de Bicdre. doado pcla Rainha.
  20. 20. S. Vicente procllrava, wiles de tUdo, culocar os recem.nascidos junto a uilla ama·de-Ieitc, na esperau<;a que cuidaria desta crianc;a depois de lellulilado,o per (odo de amamentar;au, quc, naqllele tempo, era bas. tantc longo. ~e as aUlaS cram pobres, as Damas as aju davam. As C! ianc;as que nao, podwllJ ser colocadas, er,till cuidadas UUlIla das casas org;.tniza- das pOl S. Vicente e Luisa de Marillac I~~ra estas casas, S. Vieen.te organizou urn gegulamcnto que pres- creve; dcsde que as cnanr;as afllljam a idade de 5 aOlls, devcm cOllle<;ar a aprendcr as pilmelras Ie Iras e 0 ca lecismo. " (", 4 50) o dia era divididu cnlre as aUlas, os recreios Cas horas de trabalho -- para os Illcninos, a aprcIllJizagem de of'-cillS faceis; as mcninas deviarn aprender a "liar", coslurar, bordar e fazer pequeuos IraballlOS caseiros . S. Vicenlc recomcndava grande cuidado COlli a fOIllI,u,:ao Inor,d rias cnaur;as. OS CXCII; kios de picdade cram de lenuinados pelos rcguLuncn- los, bcm COlilO os oulros IIH~todos de fOlIna<;ao e e interessante ver-se COIllO, naquela Cpoca Clll que 0 casligo corporal cslava um uso, S. Vicentc Il:!0.o admitia scnau elll casos ex tremos. ltecOl)lendava, antes, 1lI1iita vigi- lancw para prevellir as (al tas; cuidados especiais, por parte das educado- ras, para COllibaler , sempre COlli mansidao, os d"I""i los nascen tes lias cnanqas, 1I10stranllo-lhcs a· gravidade dos mesillos e ellcorajando-as COIll pCl)uenas recolllpcnSJs qnando houvesse progresso. _ Aos 12 anos, os mellillos deixavilm os Or ("ilUillos para serem con. lrados a patf()es que Ihes eusinavalll lIIn oficio, il 11m de que pudessell1 gauhar a vida. As Illellillas f]cavam lIIais tempo e, quando nlOps, eram coloca- lias, ao sair, em casas de fanlllias como serviyais, ou procuravam casa- las, se era conseguido um pequeno dole. ~lIlbolalo novo modo dt assislcncia as criaw;as ltuha se alastrado pela hanr;a inleira, S. Vicente nao conseguilf vencer completamenle o preconccllo coulra os fillllJs ilcgltilllos, prccollccilO csk que perdu- lOll ate 0 lim t!oseculo XIX. A assistellcia aos lIIelldigos era runyiio lias pallli)uias e dos conven. tos: 11_0 e.nlalllo, os govt:fIIos laml>ClIl se inleressavalll p'!ra lIIelhorar esta a~sl~l~nel:.l em grande parle pliramellle paliativa e 'Ille sc tOlllava IIIIIa ver- dadeira praga para a sociedade. Na Inglaterra, () govelllo tiuha proilluigado a Poor's l.aw elll 160 I respollsabi~izalldo as par6quias pela assistl'ncia aos IlIClllJigos ~esidcn les: Na j-ralJ(;a, desJe 0 seculo XIV, exiSlia, elll l.yOIl, 0 Crande BUI"all dos I'obres, que Ilfocluava fazcf Uill Iccenscallll::lI~U ,:", lli<'lHligos c esla- beleCCIl crilt!rils e regulalilclI tos par'l a CuIlCCSS;IOde aux dios. As Calego- rias de llIendigos cram em nurnero de trcs: 1) os pobres "impolentes", que lIao lillham meios de subsislcncia e, portanto, tinham direito a "es- lllolas" c podialll ser admilidos 110 "!lotd-Dieu", 0 unico hospital exis- ICllte 1l;J(!ucle (elllpo. Ale 1665, lodos os hospitais criados depois do HO- lel- Dieu eram encarrega dos da triagem dos pobres verdadeiros ou fal sos; para serelll reconhecidos, os pobres verdadeiros levavam uma cruz amarela pregada no ombro direilo; 2) os pobrcs "validos", que podiam trabalhar e que a llIunicipaJidade empregava em trabalhos publicos. A situa'iao Jesles era revista duas vezes par ano; 3) os "capaz.es" de trabalhar, que eram encalllinllados a empregos e, se conlilluassem a mendigar, eram pre- sos pOi vagabundagem. S. Vicenle pensava que a convivcncia com estas categorias de mise- rllVeis 11;'10convillha as Damas. Com seu espfrilo pratico e prudente, n1io podia esquecer que "0 homem ~ 0 chere da famflia e sua ("on;a, porlanto para alcaw;ar resultados duradouros. deveria mOlivar tamlx!m os homens a pralica das virludes, principalmenle da caridade, po is tendo mais au tori· da de, poderiam COlli maior facilid ade inl1ui r nas leis para as ref Ofmas de estru lu ra, dai haver certas miserias sociais (Iue s6 eles podiam curar". ('onvicto destas realidades, S. Vicente procurou cOJIstituir urn exer- cilO de "Servos dos Pohres", como denominavam-se os mernbros das Confrarias lIlascnlinas. Em 1617, quando Vigario de Chalillon, comeqou os seus primeiros ensaios, mas datam de HID os registros da primeila Confraria masculi- na eslahelecida lIa cidade de Macon, para auxllio dos pobres. Estando a cidade clleia de vCllladeiros C falsos mcndigos, Ilingucm se atrevia a tomar lima medida repressiva. lemendo lima rear;ao par parte deles. S. Vicente, de passagelll pcla cillade, propos-se remediar 0 mal. l'rocurou. pomeira- mellIe, as aUloridades civis e religiosas, para obter sell consentimento. Separoll, depois, os falsos luendigos, encaminhando-os a trabalhos para ganharem a vida e certificando-se de que nada receberiam da carida- de plHllica. Os rcalmente nccessitados foram divididos em dois gru p os: os lllelldigos, que recebialll, na Igreja, ap6s a missa dominical, socorros para a semana; e os pobres envergonhados que cram socorridos a domie{- Iio. A todos, foi feita a proibir;ao de mendigar. Para tratar destes pollres e que foi fundada a Conrraria dos'homens tillt: se dislillb'1.lia da COllfraria das Damas: "0 cuidado dos pobres vaJidos perlellcia aus homens e os dos docnles as Ilulhercs". (XIII, 435) Elllhora os homens tambem tivcssem COIIIO obriga<;3o ze1ar pelas al:nas, S. Vicenle rccolllenda, no Reglllamcilto das Coufrarias masculinas: "I:xaillillarao se os lIlellillOS frcqiienlalll a escola, se aplcndem ocatecis- 110, se os adllilos sabelll a religiao e recebclII os sacramen tos. Se encon- IrarclII hercges, 1130 uegligcnciarao os llleios de os esclarecer sobre aver· dade.'·

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