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  1. 1. Jackson Cícero França Barbosa
  2. 2. Considerações Iniciais É importante levar em consideração alguns elementos como o curso da história, inserções, influências e transformações dentro das culturas que tornam-se corpus em estudos que vislumbram um estabelecimento horizontal dos sujeitos nos momentos de fala-interação, como em outras situações que promulgam constituição igualitária entre indivíduos de gêneros diversos. Nesse ínterim, os estudos sobre linguagem e gênero têm procurado analisar a fala-em-interação tanto de grupos do mesmo sexo quanto de mistos, “na perspectiva de que gênero não é algo com que se nasce, nem algo que se possui, mas algo que se faz, ou, conforme Burtlet (1990), algo que se desempenha por meio da linguagem” (cf. OSTERMANN e FONTANA, 2010, p. 11).
  3. 3.  Este trabalho, de acordo com as perspectivas elucidadas, pretende refletir a constituição dialetal da comunidade linguística homossexual, trazendo como amostragem realizações dialógicas oriundas do âmbito midiático (vídeos da internet) para ilustrar a compreensão de determinados comportamentos constantes, eleitos pelos que falam, como ideais para comunicar-se e transmitir as informações necessárias à vida em comum (LABOV, 1975). Trata-se de uma proposição de pesquisa. Aqui, submetemos uma pesquisa indiciária que exporá os aportes teóricos que serão trabalhados, em outro momento, em larga escala, quando serão apresentados os resultados que finalizarão as análises. Esse estudo visa, ainda, entender o processo de constituição, significação e adequação ao contexto de uso do discurso homossexual por meio de obras que relatam a vivência através da utilização da linguagem (FISHER, 2008; MOTT, 2003), e ainda, considerar reminiscências africanas nos processos de composição
  4. 4. Fundamentos Teóricos O conceito de Performatividade será introduzido às analises quando o constituinte verbal oral não for suficiente para categorizar as realizações de parâmetro dialógico-dialetal. O dialeto gay, ou linguagem dos homossexuais, ou homolinguagem nasce da necessidade de codificação de uma linguagem libertária, isenta de padrões linguísticos impostos por uma sociedade heteronormativa, cuja finalidade tácita é o reconhecimento do semelhante através de um diálogo sem erros e com aceitabilidade de quem o utiliza. Assim, nesse trabalho explicaremos o termo Homolinguagem, abordaremos questões da performatividade de gênero, atos de fala em interação e expressividade linguística.
  5. 5.  J.L. Austin em seu póstumo How to do things with words - o autor nos apresenta a distinção entre enunciados constativos, que constatam uma realidade, e os performativos, que a criam no uso da linguagem. Nessa mesma linha, refletimos que “os atos de um enunciado ocorrem simultaneamente, são relativos ao contexto de fala e às pessoas que falam, e são interpretáveis com uma amplitude muitas vezes difícil de ser descrita nos limites de uma análise linguística” (PINTO, 2001, p. 59) Em outro viés, as teorias que associam aspectos relacionados da teria da performatividade às novas teorias de gêneros, qualificam a retomada dos preceitos outrora descritos como uma certa “volta à performatividade”. Essa volta estabelece diálogo e inter-relações das teorias primariamente promulgadas por Austin, num diálogo pertinente às questões de gêneros. Nesse contexto, Judith Butler é uma das maiores expoentes quando das menções de tais associações. Seus estudos, com enfoques em questões feministas, apresentam um novo sentido ao ramo da “volta da performatividade”. Seu livro Gender trouble: feminism and the subversion of identity, publicado pela primeira vez em 1990, segundo Spargo (2000, p. 52) consolida- se como o texto mais influenciador em teoria queer.
  6. 6.  A Teoria Queer, ou como outros preferem, A volta da performatividade, constitui um corpus grande e variado de apontamentos dispersos por áreas como os Estudos Culturais, Sociologia da Sexualidade, Antropologia Social, Educação, Filosofia, Artes, entre outras. Em alguns aspectos a teoria queer, com seu interesse pelas forças sociais hegemônicas em vez de falantes individuais – uma oposição que herdou do pós-modernismo -, pode ser vista como uma reação à política de identidades do feminismo (cf. LIVIA e HALL, 1997, p. 05).
  7. 7. HOMOLINGUAGEM: UMA LÍNGUAGEM IGUAL? A comunidade linguística em foco, nesse artigo, diz respeito a falantes homossexuais, numa análise inicial sobre as nuances linguísticas produzidas e reproduzidas em ações de comunicação e interação. Da Homolinguagem diz-se o aparato linguístico utilizado por maioria dos homossexuais nos dias de hoje e esta compreende também aspectos não verbais, que segundo Epstein (1985), constituem-se como sinais paralinguísticos de cada cultura humana e estão dentro desse processo, os gestos das mãos e a postura do corpo, por exemplo, também são específicos deste grupo e também fazem parte das características constituintes das suas referências identitárias.
  8. 8. Qual o lugar da expressão? A linguagem, na nossa abordagem, ultrapassa os limites da fala fática quando restringe-se a esvazies de conteúdo no plano, por exemplo, de cumprimentar os indivíduos. Muitas vezes, no caso dos falantes homossexuais, termos são lançados e, se respondidos positivamente, abrem o precedente de comunicação entre os indivíduos semelhantes em direcionamento sexual. A marca da expressão não está totalmente ligada à fala, mas outros elementos que, dentro da pragmática, se constituem como apêndices dialetais contribuintes para a veiculação das mensagens em situações dialógicas. Existe uma famosa máxima, que é título dos estudos de Pierre Weil (1986), conhecida e muito utilizada: “o corpo fala”. Nessa obra, o autor postula, entre outras defesas, que o corpo expressa emoções internas, exteriorizando ações nos movimentos, posturas, gestos e sons, alguns desses automáticos, espontâneos, outros resultantes do pensamento.
  9. 9. O corpus
  10. 10. ReferênciasAUSTIN, J. L. How to do things with words. Cambridge: Harvard UniversityPress, 1975.BARBOSA, Jackson C. F. As interfaces da homolinguagem e sua construçãosêmio-lexical. In Anais do I Simpósio Internacional do Núcleo Interdisciplinar deEstudos da Linguagem da Universidade Federal Rural do Pernambuco. Recife:UFRPE, 2010.BUTLER, J. Gender trouble: feminism and the subversion of identity. 2.ed. New Yorkand London: Routledge, 1999.BOSI, Alfredo. A expressão e os seus graus: efusão, símbolo, alegoria. In: Reflexõessobre a arte. São Paulo: Ática, 2002.EPSTEIN, Isaac. O signo. São Paulo: Ática, 1985.FISCHER, André. Como o mundo virou gay: crônicas sobre a nova ordem sexual.São Paulo: Ediouro, 2008.LABOV, William. Padrões Sociolinguísticos. Trad. Marcos Bagno, Maria MartaPereira Scherre e Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo : Parábola, 2008.
  11. 11. LIVIA, Anna. HALL, Kira. It’s a girl: bringing performativity back tolinguistics. In: ______ (orgs.) Queerly phrased: Language, genderand sexuality. New York; Oxford University Press, 1997.OSTERMANN, Ana Cristina. FONTANA, Beatriz (orgs.).Linguagem, gênero, sexualidade: clássicos traduzidos. São Paulo:Parábola, 2010.PINTO, J. P. Pragmática. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (Orgs.).Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. v. 2, São Paulo:Cortez, 2001, p. 47-68.POVOAS, Ruy do Carmo. A linguagem do candomblé: níveissociolinguísticos de interação afro-portuguesa. Rio de Janeiro: JoséOlympio, 1984.SPARGO, T. Foucault and queer theory. New York: TotemBooks, 2000.WEIL, Pierre. TOMPAKOW, Roland. O corpo fala. 23.ed. Petrópolis:Vozes, 1986.
  12. 12.  Nessa pesquisa indiciária, de cunho descritivo- exploratório, utilizaremos três vídeos disponibilizados no site de compartilhamento denominado youtube. O primeiro, sob o título de “GLOSSário” trata de termos utilizados por homossexuais na cidade de fortaleza; o segundo, uma continuação do primeiro vídeo, com mesmo título e nesse, recebe o subtítulo de “2ª lição”. Justificando, a internet é uma das ferramentas importantíssimas para a disseminação de algumas culturas, gostos e nesse caso, dialetos. Os dois vídeos tratam de termos que já foram ouvidos em algumas realizações dialógicas por muitas pessoas que já se perguntaram obviamente o que queriam dizer aquele amontoado de palavras. Esclarecemos que os vídeos não tratam somente das realizações orais, e como sugerimos na proposta desse trabalho, são apresentadas expressões, também não orais, que se constituem como mensagens e passíveis de entendimento.

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