O Farol de Diógenes

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Diógenes iluminando o passado (para fazer ressurgir à luz da nossa realidade os importantes valores contidos nesta palavra: honestidade.)

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O Farol de Diógenes

  1. 1. Diógenes foi considerado o mais folclórico dos antigos filósofos gregos. Em certo momento da história de sua vida ele foi para Atenas e, do lado de fora da entrada da cidade, fez de um barril a sua casa, deixando claro que negava a imprescindibilidade das cidades.
  2. 2. Já nesta época, sabendo que Sócrates havia se proclamado um “cidadão do mundo” e “um homem irmão de todos os homens”..., Diógenes se proclamou um “cidadão do cosmo” e “um homem irmão de todas as coisas e de todas as criaturas”...
  3. 3. Lá, então, na entrada de Atenas, Diógenes vivia com os cães, como um cão, “assumindo a temática do cão para si...”, o que lhe rendeu o termo gerador do sentido original de cínico: desavergonhado, pelos modos escandalosos. Por isso, este termo “cínico” foi derivado da palavra grega “kynikos”: forma adjetiva de “kynon”, que significa “cão”.
  4. 4. Mas de um modo ainda sigiloso a história revela que Diógenes não entendia por que era chamado de “cínico” por aqueles seres humanos que se recusavam a reconhecer suas heranças traçadas na origem animal... Ele defendia a importância de estudar os cães: “Não são constrangidos, comem qualquer coisa e não fazem estardalhaços sobre em que lugar dormir...”.
  5. 5. “... Os cães vivem o presente sem ansiedade e não são perturbados por nenhuma pretensão abstrata. “Eles logo aprendem a distinguir instintivamente quem é amigo e quem é inimigo, diferentemente dos humanos que enganam e são enganados uns pelos outros. “Os cães não sabem enganar e, então, eles sempre reagem com honestidade frente à verdade.”...
  6. 6. Diógenes usava esses artifícios escandalosos para chamar atenção ao criticar os valores de uma sociedade vista por ele como corrupta..., imaginem, já naquele tempo antigo. E assim o filósofo usou a temática dos cães para destacar o valor de “ser honesto”. Por fim, ele se pôs a desenvolver o conhecido simbolismo a respeito da lanterna que ele carregava como se fosse um farol...
  7. 7. É famosa a história de que ele, já velho, ainda às vezes saía de sua “casa” levando na mão aquele tipo simbólico de farol aceso, dizendo-se à procura do “homem honesto”!..., que seria um tipo de homem verdadeiro que jamais se deixava aprisionar por convenções sociais; um homem que, então, seria incorruptível e livre o bastante para sempre reagir com honestidade frente à verdade.
  8. 8. Não se sabe se ele encontrou algum tipo de homem honesto. Mas todos sabem que ele teve um memorável encontro com Alexandre ― o Grande ―, o Senhor de toda a Terra...
  9. 9. A história nos conta que certo dia Alexandre Magno ― o conquistador do mundo ― foi visitar Diógenes em sua “casa”. Parou na frente do barril dele e perguntou, consternado diante de toda aquela aparente pobreza: “O que posso eu fazer para ajudá-lo?”
  10. 10. Não obstante, outra vez com detalhe, a história nos revela que Alexandre, ao parar na frente do barril, fez sombra em Diógenes... Este, então, moveu o seu braço para em seguida dizer o que mais claramente deve ser traduzido sem medo assim: “Dono de todo este mundo, o que pode fazer por mim é sair da frente do meu sol.” A resposta de Diógenes gerou muita controvérsia entre os historiadores.
  11. 11. Desse modo, Diógenes estabeleceu a sua concepção cósmica (aliada ao “seu” SOL que estava no céu sobre toda a Terra). E assim ele pôs a sua grandeza acima da grandeza de um homem que imperava sobre todas as terras conhecidas. O velho Diógenes, então, pertencia ao âmbito das coisas cósmicas, de aspectos ilimitados e aparências infinitas, enquanto o Imperador regia “apenas” sobre as coisas perecíveis e passageiras deste pequeno mundo...
  12. 12. Ainda, pelo que nos conta a história, Alexandre não se ofendeu, pois, quando já se retirava, disse a um dos seus comandados: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser... Diógenes.”
  13. 13. E me deixem retornar à caminhada do velho filósofo...
  14. 14. Ao imaginá-lo assim, andando com uma lanterna acesa à luz do dia e, também, possivelmente, às vezes através da escuridão da noite (do modo ilustrado aqui), percebi que o filósofo esteve a procurar por um homem impossível de ser visto ali... Então, por suposto, o homem honesto estaria em outra dimensão da realidade, certamente no passado, porque o farol de Diógenes parecia “iluminar para trás”...
  15. 15. Isto me pareceu muito claro, porque o homem honesto seria um tipo original, nascido num mundo exuberante, por inteiro provido de vida, em perfeito equilíbrio, sem qualquer privação, por completo gratuito e, portanto, ainda sem razões para o surgimento da desonestidade.
  16. 16. E, francamente, leitores, penso que na etimologia do nome deste grego ― Diógenes ―, encerra-se o símbolo da história: “gerado por Deus” ou pelos “genes de Deus”... Por este ângulo, Diógenes esteve a procurar pelo que estava em seu próprio nome: genes de Deus!, formadores do primeiro homem ― do autêntico ou autenticamente honesto!
  17. 17. Enfim, lembrando-me de como a busca de Diógenes era direcionada ao passado ― “com aquele seu farol iluminando para trás” ―, soam-me na mente palavras de um escritor conterrâneo, e contemporâneo, apesar de já estar falecido, Pedro Nava.
  18. 18. Para ele a essência do ser humano está no conhecimento adquirido ou, apropriadamente, na experiência vivida...
  19. 19. Em razão disso eu imagino que ele formulou este dizer: “A experiência é como um farol iluminando para trás...”.
  20. 20. (!!!) Pois que então tenhamos pelo menos a coragem de acender este farol capaz de iluminar para trás, o passado...,
  21. 21. para que, assim, estejamos pisando em algo sólido no momento de alçarmos voo em direção a um futuro que, sem dúvida, está no alto, no cosmo, no Céu...
  22. 22. Um Céu que, como o nosso próprio passado, é também escuro...,
  23. 23. mas perfeitamente sinalizado com os encantadores brilhos de sóis ou... faróis.
  24. 24. Lanier Wcr

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