Efeito Cepticismo

590 visualizações

Publicada em

Podemos dizer que a credulidade do passado nos trouxe ao cepticismo do presente... E, a partir disso, aonde chegaremos?...

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
590
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
132
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
5
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Efeito Cepticismo

  1. 4. Henri Bergson “ O presente não contém nada mais que o passado, e o que encontramos no efeito já estava na causa.”
  2. 5. Assim, no caso, “ como efeito do passado”, de um modo que podemos generalizar, a humanidade passa da credulidade ao cepticismo. E o que ocorrerá a partir de agora, então, como efeito do próprio cepticismo? Com ele ou através dele aonde chegaremos ...?
  3. 7. Recentemente, por coincidência talvez, enquanto eu estudava a história da Grécia antiga (lugar de onde em teoria surgiu a civilização ocidental), ao folhear um livro encontrei esta sentença filosófica com um tipo de profecia ou vaticínio que me inquietou: “ No futuro pelo cepticismo chegaremos à suspensão do juízo e à liberdade do distúrbio.”
  4. 8. Recentemente, por coincidência talvez, enquanto eu estudava a história da Grécia antiga (lugar de onde em teoria surgiu a civilização ocidental), ao folhear um livro encontrei esta sentença filosófica com um tipo de profecia ou vaticínio que me inquietou: “ No futuro pelo cepticismo chegaremos à suspensão do juízo e à liberdade do distúrbio.” Nesta sentença, onde “o futuro” parece estar relacionado ao tempo de hoje, insinua-se algo de gravidade merecedora de estudos.
  5. 9. ... Pelo quadro abaixo e pelo que já estudei posso assegurar que a FÉ pressupõe a dúvida, enquanto a CRENÇA exclui tanto a dúvida quanto a fé. Por sua vez o CEPTICISMO “tem a dúvida como o centro de toda atividade do pensamento”, o que, de início, não apresenta qualquer anormalidade...,
  6. 10. a não ser que se refira a um contínuo estado de dúvida que, assim, leva o nosso cérebro ou a nossa mente à suspensão do juízo e à liberdade do distúrbio — considerando que sem o juízo tudo se mostra permitido... (?) ... Pelo quadro abaixo e pelo que já estudei posso assegurar que a FÉ pressupõe a dúvida, enquanto a CRENÇA exclui tanto a dúvida quanto a fé. Por sua vez o CEPTICISMO “tem a dúvida como o centro de toda atividade do pensamento”, o que, de início, não apresenta qualquer anormalidade...,
  7. 11. ... Lembro-me do fenomenal estado de dúvida que passou a reinar sobre o nosso mundo, quando Darwin publicou sua teoria sobre A Origem das Espécies: que atestava a originalidade animal do homem, ao contrário do que nos diziam os livros religiosos sobre a originalidade divina deste mesmo homem...
  8. 12. ... E mesmo a genial mente do próprio filósofo Nietzsche foi arrebatada por aquelas revelações — que até então eram desconhecidas pelos nossos próprios deuses... E assim, com aquele seu jeito provocador, inquestionavelmente inteligente, perguntou: “ E agora, o que fazer? Procurar pelo sobre-homem (‘ubermensch’) ou voltar a ser macaco?...”
  9. 13. Sem dúvida ele encontrou o argumento correto. ... Mas, infelizmente, Nietzsche não foi além, e não conseguiu nos pôr “sobre o homem”, pois, de início, a comprovação da nossa origem animal, nos deixou confusos, desconfiados a respeito de Deus, e desconfiados também da nossa real posição sobre os próprios animais... Chocante, não é, leitores? Precisamos de coragem para nos analisar.
  10. 14. “ O estado de dúvida” quando se instala dificilmente é superado, porque não é um estado de ciência ou de conhecimento. De fato, o cepticismo pressupõe o desconhecimento...; e ainda estabelece, de maneira primariamente apropriada, que o estado de conhecimento é inalcançável..., pelo seu ângulo absoluto, decisivo e terminante.
  11. 15. (/) O assunto é polêmico e devemos abrir um parêntese aqui. Reconhecemos que a dúvida é “sintomática” e, então, como sintoma pode ser importante..., se ela ainda tiver como “efeito” a busca pelo conhecimento, mesmo que este não se mostre decisivo ou terminante.
  12. 16. Mas a nossa mente de um jeito ou de outro, presa ao estado de dúvida ou mesmo se sua busca pelo conhecimento não tiver bom efeito..., ficará em um estado de grande desconforto, estresse ou irritabilidade contínua, distúrbio enfim. E eu imagino que isto se dá não só porque nossa mente não suporta a dúvida, mas também porque ainda nos é muito difícil viver sem a fé..., do modo como tentaremos demonstrar em seguida, através de um estudo realizado por nós no livro Teoria da Vida.
  13. 17. Exatamente pela ausência de conhecimento pleno e pelo nosso estado de dúvida quase que ininterrupto, precisamos da fé..., que não elimina a dúvida, apenas a alivia e a torna suportável. Do mesmo modo que nos sentimos confortados quando temos em que ou em quem confiar, nos sentimos extremamente inquietos e até perturbados quando descobrimos que não existe nada e ninguém que mereça a nossa confiança, ou fé.
  14. 18. E se refletirmos veremos que a fé sempre foi a mesma para nós, até nos dias de hoje. É uma percepção ou, de fato, um sentimento universal — que se subdivide em confiança e esperança: expectativa por situações novas ou futuras mais seguras e... melhores. Melhores, é claro, pois não precisaríamos de fé na expectativa por situações piores. (Por isto, aliás, como estímulo à nossa fé, os religiosos nos prometem um mundo melhor, paradisíaco..., de delícias e prazeres eternos... . ) Pena que isto não possa ser usado pela fé dos que lutam para o êxito humano... neste mundo.
  15. 19. E a fé na realidade é originalmente humana. Sem ela, em seu sentido de confiança ou confiar, não faríamos ou teríamos dificuldades para fazer até mesmo as coisas mais simples — comer ou beber — pela suspeita de que a comida ou a bebida esteja envenenada. Sem a confiança como nos deixaríamos medicar?, e como entraríamos em um táxi, ônibus ou avião para viajar?
  16. 20. E como então, simplesmente, dormir? Só descansamos após nos entregar ao sono, este que nos obriga a despir nossos corpos e mentes, desarmando-os de suas defesas. O sono, tirano, ainda determina a obrigação de renunciarmos à vigília da consciência, embora não exista neste mundo nenhum poder capaz de nos garantir que iremos acordar para rever a luz do sol e dar continuidade às nossas vidas...
  17. 21. (!) A partir do momento que surgiu consciência no cérebro humano, junto surgiram as necessidades de confiar ou ter fé e ainda esperança por alguma coisa, pela calmaria ou bonança após a tempestade, pelo simples acordar ― após a noite ― no nascer da luz do sol de um novo dia...
  18. 22. (!!) Sei que o sol nasce pela manhã independentemente da nossa fé. Esta questão é ligada somente a nós e à nossa consciência. E o que a fé faz por nós, além de nos confortar, é animar — termo relativo ao ânimo, ao anímico, à alma. Quanto ao cepticismo, se não corresponder à fé (confiança e esperança), não sei o que ele pode fazer por nós..., além do que foi proposto pelo vaticínio dos gregos: nos levar à suspensão do juízo e à liberdade do distúrbio !!!
  19. 23. E assim a palavra que nos resta para analisar aqui é esta que aparece logo antes do distúrbio: liberdade. Terei que me desviar um pouco para tratar deste assunto, recorrendo-me à “ciência” ― considerando que os cépticos também se recorrem a ela, para nela se estabelecerem. Acho-me no pleno direito de fazer isso, numa liberdade de reação que me dei após ouvir um renomado cientista proclamar, de maneira pública e muito clara, que “ a ciência não tem a ética como premissa”.
  20. 24. Neste mundo de hoje onde se tenta colocar a liberdade nos centros de todas as rodas, os próprios cientistas buscam por ela, em plenitude, para que possam, então, agir livremente, sem obstáculos ou sem qualquer tipo de limitação..., muito menos de natureza ética. O problema é que eles ainda hoje se sentem obstados pela hipótese da existência de um Deus ou Ser Criador, recentemente fortalecido por este argumento filosófico que conseguiu enxergar o que havia por detrás da nossa origem animal: “ O homem foi o único animal de natureza ética criado na Terra”.
  21. 25. Mesmo assim ou por isto mesmo, seduzidos pelas facilidades que poderiam obter do estado de liberdade, eles ainda trabalham duramente para desenvolver a “ teoria do acaso”..., esta que em síntese elimina qualquer hipótese de ter havido “um Criador”... E afinal, “considerando que tudo no Universo surgiu por puro acaso, será assim que o nosso próprio futuro se dará”..., sem planos, sem projetos, sem pré-definições de regras a serem seguidas ou, senão apenas, obedecidas.
  22. 26. De fato os cientistas ― linearmente cépticos em maioria ― procuram se libertar ou se livrar de todas as percepções limitantes, apesar de nos serem inerentes, pelo exemplo da nossa natureza ética, esta que para mim tem como função, exatamente, ajudar na construção da estrutura mental do que chamamos de “juízo”.
  23. 27. E a meu ver é “perigoso” os cientistas se recusarem a tratar seriamente do assunto, considerando que as nossas percepções limitantes estão legitimamente relacionadas a este sentido de “ inibidoras”, de acordo com o nosso primário sistema de defesa ou “protetor”, especialmente ligado à percepção de “medo”, este que sempre leva em conta aquelas situações de risco que devem ser contornadas ou evitadas.
  24. 28. Para nós a ética é imprescindível, junto à percepção de medo, porque, a despeito do enorme valor simbólico que damos à coragem, só respeitamos o que tememos!... Foi assim do princípio até hoje... Hoje?... O que tememos?, neste nosso mundo onde advogamos para misturar verdade e mentira de tal modo que o certo e o errado ou o bem e o mal não se mostrem detectáveis?...
  25. 29. Mas o que então a filosofia moderna fala a respeito da liberdade? “ Há um elemento de contradição envolvido na liberdade, pois se nós todos fôssemos livres para fazer o que quiser, estaríamos fadados a terminar num grande emaranhado de situações diferentes e conflitantes”, e assim, por certo, chegaríamos aos distúrbios, de maneira decisiva ou terminante.
  26. 30. Enfim, para concluir, devo falar de minha fé. Acredito que não precisamos eliminar nossa fé na existência de Deus. Para mim, aliás, o que precisamos é consertar algumas distorções provocadas por Nietzsche ou desde Nietzsche com a sua famosa sentença de que “Deus estava morto!” Ele se enganou ao achar que, assim, estaria declarando a morte de todo possível ser de natureza não-humana que se achasse acima do homem. Não percebeu que ao seu redor se criava o ambiente de plena liberdade propício ao surgimento de um demônio: Hitler.
  27. 31. Parece difícil, mas tenho fé que, se continuarmos estudando, em breve encontraremos o modo adequado de nos relacionar com a hipótese da existência de um Ser Universal Criador. Aliás, a título de ilustração, eu deixo aqui este registro. Em um de meus livros tem um personagem já velho que, diante da morte, ouviu ou julgou ouvir a voz de Deus lhe dizendo: “Fique calmo, é capaz de lidar comigo; acredite, eu não dou valor final ao medo e dispenso a ajuda de demônios.”
  28. 32. E assim podemos sustentar a idéia da existência de Deus ( como representante de tudo o que existe) sem necessariamente nos recorrermos à idéia da existência de demônios como exclusivos representantes do mal... Para me explicar vou me recorrer à “Unidade dos Opostos” defendida como teoria ou tese por Heráclito, um dos maiores filósofos gregos.
  29. 33. Para Heráclito era como se Deus, o Logos, tivesse criado tudo neste mundo com a intenção de reunir opostos em pares..., o que então os tornava complementares, no feitio do homem e da mulher, macho e fêmea: vida e morte, dia e noite ou luz e escuridão, trabalho e repouso, novo e velho, saúde e doença, reto e torto, prazer e dor...; e seguindo ― de maneira separada por opção ― bom ou mau, honestidade ou desonestidade, equilíbrio ou distúrbio, enfim, paz ou guerra, fácil ou...
  30. 34. E ainda há uma questão ética a ser tratada ou lembrada por nós aqui, pois as nossas atitudes e as nossas escolhas de hoje não se refletirão diretamente sobre nós, mas sobre um provável futuro onde não estaremos, considerando que lá só estarão (ou poderão estar) os nossos filhos ...
  31. 35. Esta, aliás, parece-me um tipo mesmo severo de prova capaz no entanto de determinar a real natureza do caráter humano, e se terá ou não grandeza para merecer um futuro ... Lanier Wcr

×