Almagesto*ra

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(*) A Alma como gestora do inconsciente.

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Almagesto*ra

  1. 7. O título desta crônica tem suas raízes na história antiga. “ Almagesto” foi o nome que o astrônomo grego Ptolomeu deu ao conjunto de seus livros, através dos quais analisou e resumiu todas as teorias astronômicas existentes — em torno do ano 140 d.C.
  2. 8. Mesmo que se tenha equivocado, ao propor como base o sistema geocêntrico, sua obra foi bastante inspiradora..., tanto que o seu título ainda merece este destaque. “ Almagesto” originou-se do Árabe “magiste” (Maior) acrescentado do prefixo “al”..., que então se transformou em “Almagesto”, “ O Maior” .
  3. 9. Historicamente este título se referiu ao nosso planeta: O Maior, o centro do Universo. Figurativamente ele se modificou, aos poucos, em relação à figura central que na realidade representava ... . ...
  4. 10. Talvez por isso a fusão dessas duas palavras, fora do contexto dos livros de Ptolomeu, nos dias de hoje nos inspira de maneiras diferentes..., quando alguns entre nós a usam no sentido de “alma” e de “ gesto”, ou seja: Alma-gesto, então “o gesto da Alma”. Realmente muito inspirador, apropriado ao uso em grupos de dança.
  5. 11. E foi assim que esta palavra sempre me inspirou, aliada à “Alma” e à “gestora” — ou à “gestão”, no sentido de que esta entidade real, a Alma, é a gestora da nossa mente ou, ainda de maneira mais específica e profunda, ela é a gestora do nosso “ inconsciente”.
  6. 12. E o que a mágica palavra deste título propõe aqui (considerando como verdade que “a alma” habita nosso inconsciente), é nos aprofundar numa viagem até lá ...:
  7. 14. Vamos começar dando ao “inconsciente” uma dimensão geral (se por certo ele é mais autêntico nos outros animais). E assim vamos analisar as percepções do inconsciente a respeito da morte, esta que, sem nenhuma dúvida, transcende o consciente.
  8. 15. Na realidade, ou a meu ver, de um modo geral nós — humanos — e todos os animais temos percepção da ocorrência da morte, primeiramente relacionada aos outros e não a nós mesmos, naturalmente.
  9. 16. E mesmo os animais, além de perceberem a morte, reagem a ela — com satisfação ou alívio, se ocorrer num inimigo..., com surpresa, revolta, indignação ou tristeza se ocorrer num amigo e companheiro ou num membro familiar ...
  10. 18. Eles não têm consciência, mas têm percepção; são “inconscientemente racionais” ou são racionais inconscientemente .!.
  11. 19. (!) Espero que compreendam, leitores, o modo com que tento estruturar minhas idéias a respeito disto que chamamos de “ inconsciente” ..., de maneira filosófica, para me pôr sobre a proteção desta matéria que, aparentemente, tem direito de se meter em todos assuntos (direito que realmente se assemelha ao dos nossos religiosos).
  12. 20. A meu ver, partilhamos também com os outros animais a permanente percepção da nossa vulnerabilidade e a constante percepção da ameaça de morte (que poderá chegar para nós mesmos, a qualquer momento e em qualquer lugar...).
  13. 21. E só aqui então alcançamos este ponto em que nos distinguimos dos outros animais, claramente, através da nossa percepção de fatalidade — relacionada ao futuro e exclusivamente humana — de que um dia iremos morrer, inexoravelmente!
  14. 22. Isto, aliás, define nosso alto padrão de consciência: não há como escapar da morte! Uma consciência gravemente prejudicial pela sensação de “inutilidade”..., neste sentido de que qualquer esforço por vencer a morte é inútil, a não ser talvez indiretamente ou espiritualmente ... . Nossas melhores religiões surgiram para isto: nos ajudar a vencer a morte, mesmo indiretamente, por aquele ângulo espiritual — relacionado à hipotética existência da Alma Eterna.
  15. 23. Mas nos dias de hoje nos mostramos diferentes, mudados, e as crenças sem fundamentos racionais já não nos comovem, seduzem ou convencem. “ Pior para nós”, dizem aqueles religiosos, com razão.
  16. 24. E vamos ver quais opções nós temos. Se pudéssemos reestruturar nossas mentes, o que faríamos?... Eliminaríamos esta insuportável percepção antecipada da morte inevitável?... E na prática qual seria a conseqüência disso? Não seria perigoso, por nos deixar descuidados ou então, quem dirá, despreparados?
  17. 25. É claro que não podemos estimular ao horror o nosso medo pela morte. Mas, também, desconhecer sua presença e fechar nossos olhos para ela, não a elimina, pois é quando, de fato, ela se torna mais forte.
  18. 26. (!) As nossas razões e o nosso sentido de justiça valem muito pouco ou nada para uma morte que nos cobra um alto preço pela Vida ..., sem nos perguntar se está sendo justa ou não, mesmo sabendo que nenhum de nós pediu para entrar neste mundo!
  19. 27. Ela se estabelece como condição inexorável. Ou talvez seja assim que ela nos obriga a procurar soluções extraordinárias ou excepcionais, realmente difíceis, disponíveis unicamente para aqueles que conseguem alcançar algum tipo de transcendência ! .
  20. 28. Quanto a mim, para continuar a partir daqui, desenvolverei minha idéia a respeito do inconsciente. E faço isso lembrando-me do que nos dizem alguns dos nossos modernos psicólogos, ao alegarem que “o inconsciente desconhece a morte, pois — inconscientemente — ninguém acredita que um dia irá morrer!”
  21. 29. Para mim, entretanto, afirmar que “ o inconsciente não percebe a nossa natureza mortal”, é inseri-lo diretamente no âmbito de uma natureza divina e imortal..., ou dar a ele uma dimensão restrita e rigorosamente irracional !
  22. 30. No inconsciente fica o lugar onde certamente habita a Alma. Por isso, aprendi por hábito a chamá-lo de “Almagesto” — ou Almagesto*ra —, inspirado no título da obra (mesmo equivocada) do grego Ptolomeu. A Alma, sem dúvida, tem procedência e natureza universal. Por isso nos transmite ou nos dá, inconscientemente, a percepão de sua “universalidade” e a sensação de “unicidade” : de um ser único ou “uno”, “ o maior”, o centro de tudo ...!...
  23. 31. (<) Retomando o assunto anterior para desenvolvê-lo, eu até concordo em afirmar que “ o inconsciente não envelhece”. Acho, aliás, que esta é a grande frase que define a evolução da psicologia moderna.
  24. 32. Então, em resumo concordo que o inconsciente não envelhece..., o que não significa dizer que ele não tenha percepção do nosso ciclo corporal orgânico de ascensão à Vida e declínio à morte. Ele não envelhece..., quando tem a sua natureza aliada à natureza da Alma!
  25. 33. Assim podemos dizer que a Alma surge em nós junto ao nosso nascer ou se incorpora ao nosso cérebro junto ao seu nascer, alojando-se naquela parte onde fica o inconsciente. Mas a Alma não surge em nós como se fosse infantil ou um “bebê” de tamanho inicial reduzido. Ela é um todo linear em seu estado potencial, uma grandeza plena em si já totalmente madura. E certamente ela tem um estado potencial de abrangência cósmica ou universal .../
  26. 35. Assunto fragmentado este..., sem fim..., felizmente. Vamos recapitular.
  27. 39. Confesso que ultimamente reuni meus esforços na tentativa de destacar os grandes valores do poder da consciência que originariamente recebemos. Agora é hora de dizer: é da dimensão do inconsciente que podemos ou poderemos tirar valores realmente extraordinários ou excepcionais..., se um dia pudermos conhecer a sua natureza e origem..., que, então, talvez nos levem à eternidade ...
  28. 40. Nos dias de hoje, apesar de vivermos no mundo moderno e de sabermos que a Terra não é o centro do Universo, mesmo assim nos sentimos, íntima ou intrinsecamente, como se fôssemos — nós próprios, cada um — o centro de todo o Universo.
  29. 41. Isso se refere à estrutura universal que a Alma estabelece em nosso inconsciente, ou, num plano bem mais comum, e superficial, refere-se à estrutura individual da nossa consciência. Por isso, aliás, foi tão fácil nos induzir a acreditar que o nosso mundo estava no centro de tudo. Mas agora sabemos que não é verdade. Apenas a nossa mente parece estar no centro de tudo ...!...
  30. 43. (!) O CENTRO DE TUDO. Pensar assim é natural para a nossa mente. Corresponde à natureza inviolável da nossa Alma..., ou ainda, quem dirá?, corresponde à natureza de um poderoso Ser Criador Universal?... E não é o que parece? Não somos filhos de um Deus?, partes totalizadas do seu Todo?..., eus do seu Eu?...
  31. 45. A meu ver não foi à toa que nossas mentes se deixaram estruturar por uma cultura religiosa, esta que reconhece a existência de um Ser Universal nosso Criador.
  32. 46. E mesmo diante do mundo evoluído de hoje, eu ouso dizer que, sem esta cultura, o nosso inconsciente perderia sua base de inspiração e até a sustentação psicológica. Assim, dentro de nós, ele ficaria à deriva, sem laços de origem entre a Terra e o Cosmo, sem qualquer identidade íntima ou intrínseca, sem afinidade com coisa alguma, perdido em sua própria orfandade ...
  33. 47. Não há dúvida de que precisamos nos reexaminar. Embora ainda nos pareça mais seguro viver apenas na superfície de nossas mentes — no âmbito de um consciente que dimensiona conquistas exclusivamente nossas —, temos agora que nos aprofundar em nós mesmos para redescobrirmos as potencialidades do nosso inconsciente.
  34. 48. E aqui, para encerrar, eu me recorro às palavras do meu psiquiatra favorito: Carl Jung. Ele não partilhava da visão reducionista da psicanálise de Freud. Para Jung, o inconsciente não é apenas dinâmico, mas dotado de autonomia própria (como se fosse um agente exterior agindo em nosso ser...). E então, quando o nosso inconsciente consegue se ligar diretamente à fonte original do saber universal, nos proporciona verdades que em tempo oportuno se tornam conscientes.
  35. 49. Assim, enfim, com as mentes unificadas, integrando consciente e inconsciente, seremos, nos momentos oportunos — como nos ensinou Jung — nutridos pelo saber inconsciente universal ...!... Assim, só assim, alcançaremos o futuro !
  36. 50. Lanier Wcr

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