1.' edição:  Agôsto de 1952

2.' edição:  Janeiro de 1955

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

IN DI C E
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FILOSOFII1 E
COSMQUISÂQ
2.a EDIÇÃO
OBRAS DE MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS

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Pub licudas: 

Filosofia e Casmovisão.  - 2.' edição. 

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20 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS

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Mário ferreira dos santos   enciclopédia de ciências filosóficas e sociais, vol. 01 - filosofia e cosmovisão
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  1. 1. 1.' edição: Agôsto de 1952 2.' edição: Janeiro de 1955 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS IN DI C E Preíácío . . . . . . . . . . . . . Introdução à Filosofía Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. Um upólogu para introdução . . . . . . . . . . . .. As antinomías e o dualismo antínõmicu O pensar Ciência H Teoria do Conhecimento . . Clêncu a sua: possibilidades . . . , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Análise umtária da Filosofia Cosmovisão › . . . . . . . . . . , . . . . . . . . . . . . . .. A Ramo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. Análise dialéctzca das contradições Princípios da Razão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos da Razão . . . . Dualismo antinômico como visão científica e filosófica domundo. ... ... ... ... ... . . . . . . . . . . . . . . . . Pensamento matemático e elaboração científica da expe- riência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . J. . . . . A consciência . . A Afectívídnde . . . . 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Estética e a Etica . . . . . . . 219 234 249 257 250 cccccocoocaeoooaooaooooooeoeooaçç
  2. 2. FILOSOFII1 E COSMQUISÂQ 2.a EDIÇÃO
  3. 3. OBRAS DE MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS © @ © @ @ © © © © © © Pub licudas: Filosofia e Casmovisão. - 2.' edição. Curso de Oratória e Retórica ~- 3.* edição. O Homem que foi um Campo de Batalha. ›_ Prólogo, de “Vontade de Potência" de Nietzsche. - Esgotada. Se a Esfinge Falassem (Com o pseudônimo de Dan An- _dcrsonL _ Esgotnda. Realidade do Homem ~ Com o pseudônimo de Dan Anderson. Tratado de Economia - edição mimeogtafada. - Esgotada. Lógica e Dialéctica (Incluindo a Decadialéctica). _ Esgolada. Psicologia. 0 Homem que Nasceu Póstumo. _ Temas nietzscheanos. Técnica do Discurso Moderno. Análise Dialéctica do Marxismo. Curso de Integração Pessoal. Teoria da Conhecimento (Gnoseologia e Criterioiogia). Assim Falava Zaratustra - De Niezsche, com texto expli- cado e análise simbólica. Oniologia e Cnsmologia. No prelo: Assim Deus Falou aos Homens - Coletâneas dos trabalhos publicados com o pseudônimo de Mahdi Fezzan. Tratado de Simbóüca. Aristóteles e as Mutações - Reexposição analítico-didática do texto arístotélico, acompanhada da crítica dos seus mais famosos comentadores. Filosoiia da Crise. A publicar: Teologia e Teodicéia. Psicogónese e Noogênese. Noologiu Geral. Ética. Axiologia (A Ciência dos Valõres). Temática e Problemática Filosóiicas. Teoria Geral das Tensões. Dicionário de Filosofia. Filosofia e História da Cultura. Sociologia Fundamental. Psicologia Social. , Q I l I l l I Q C Í l O I Q O O O O O O I U C G O Ce . l C Í Q¡ O I C Í
  4. 4. il¡ M ll l¡ . H : KO P REF ÂCIO Um professor alemão, o primeiro a iniciar-me nos estudos da Filosofia, conhecedor do nosso povo, costumava manifestar- me a sun admiração pela inteligência de nossa gente. Para êle, que percorrer# tantos países, que ministram lições em tantas universidades e escolas do Ocidente e da Oriente, era o brasi- leiro o aluno mais vivo, mais inteligente, mais Sagaz no racio- cínio, e de mais profundas intuições que conbecera. No en- tanto, punha uma restrição. ]ulgava-nos demasiadamente in- quietos ( desequilibrados quanto no conhecimento. Afirmam- me ter encontrado grandes valôres, homens de capacidade extraordinária, mas, em muitos aspectos, falhas de certos cc- nhecimentos elementares, que eram como abismos por entre crimes de montanhas. Atribuia êssa desequilíbrio à natural pressa dos povos americanos e à falta de disciplina mais rígida no trabalho. Nessa época, considerava eu as suas palavras um tanto exageradas, Mas, com o decorrer do tempo, e atra- vés de aulas e inúmeras conferências, palestras e debates que cmpreendi, verifiquei assistir ao meu velho e venerando mes- tre uma grande soma de verdade. Atribui-se esse nosso defeito an autodidactismo que todos sem excepção, neste país, somos obrigados a seguir, Sempre fui um admirador dos antodidnctas, porque um estudo apurado da história e da biografia dos grandes homens, revela-nos que entre osvmaiores criadores, c número dus autodidactas é sem« pre maior do que daqueles presos a uma escolaridade rígida, quase sempre prejudicial à capacidade criadora. Não seria, porém, êsse apenas o factor decisivo, pois outros poderiam ainda ser propostos. Foi considerando tais aspectos reais de nosso povo que ao empreender os meus cursos, e depois decidir, a pedido de tan-
  5. 5. 12 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS tos alunos, transforma-los em livros, compreendi que não se deveria ministrar filosofia, no Brasil, seguindo os métodos de povos que têm uma disciplina de estudo muito diferente da nossa. Por essa razão, sempre julguei que, ao lado do tema mais profundo, havia sempre de considerar aquéles abismos de que ele me falava. Foi essa a razão que me levou, ao pu~ blicar éste primeiro livro da série de meus cursos de Filosofia, a usar uma linguagem dentro de certo rigor filosófico, mas considerando, na exposição, êsses abismos e nunca pressupor o conhecimento, por parte do leitor, de certJs aspectos elc~ mentaxes da filosofia, que devem a precisam* desde logo ser esclarecidos. E foi pensando assim que executei essa obra desde umn explanação mais simples até, na Cosmovisão, (segunda parte do lívm), tzulnr dos mais profundos temas da filosofia, embora ainda de forma sintética, com uma linguagem mais rigorosa. É possivel que muitos (loslcitores, que já manuscaram li- vros de filosofia, e já tiveram contacto com o pensamento filo- sófico, encontrem passagens demasiado simples. Mas êsses formarão apenas uma parte dos leitores, e não a maior, e deverão compreender que, se assim ptocedo, é por considera: uma das características de nosso povo, o que 'me leva a usar um método que corresponda à nossa índole e possa, por isso mesmo, ser de maior e mais geral proveito. Nos livros sucessivos, que formam a série de minhas obras de filosofia, os temas passarão a ser tratados, iá considerando o conhecimento do que é exposto neste volume, para poder avançar cada vez mais annliticamente no estudo das matérias, para encerra-las em uma concreção global, que é o terceiro es- tágio do método que escolhi para o estudo da filosofia, e que a experiência já me mostrou ser o mais eficaz. Após o estudo sintético, segue-se a análise dos temas abor- dados abstractamente, para devolve-los à concreçãn de que fazcm parte, evitando, assim, que o estudo da filosofia sc tor- nc, o que cm geral tem sido, campo de cloeubrações abstrac- tas para transformar-se numa ampla visão do mundo e numa metodolgia para a própria vida. FILOSOFIA E COSMOVZSÁO 13 E nada melhor atesta a conveniência do rtlét0d° GENE: : que o progresso verificado entre aquêles dedicados ai) es fa]- da filosofia, segundo as minhas 311185. ° ¡il-w! sem “Pe us a sas modéstias, não posso deixar de considerar a melhor paga aos meus esforços. Mfuuo FEBIIEIRA DOS SANTOS BCC'Ec6bcccàaoeñannaoaaosacü@aoseee,
  6. 6. í O '4“ . "'Ê INTIIÚDUÇÃÍI FILOSGFIA GERAL . Êííiãêêõãâãââôiââââââââââãâ
  7. 7. i i UM APÓLOGO PARA INTRODUÇÃO Que diríamos de quem quisesse dar valor apenas aos fac- tos sensíveis e prociamasse, por exemplo: "Basta a experiência dos meus sentidos". E ainda acrescentasse; “, ..o que os nwus olhos vêem é a única verdade, e êles são a medida de (ôdn o verdade", Ou então: “. . . só o que ouço é para mim rÍgurosnmentc exato". Seria o mesmo se os sentidos, ao volta- ¡emrse para o cérebro, dissessem: "Tiras generalizações, tuas Coordenações são punumente abstractas, meras elocubrações sem nenhuma realidade. Nós não precisamos de tuas reflexões sô- bre ¡rossos actos; basta-nus apenas sentir, e nada mais. O que tu fazes é obra morta, anquilosada, estática; um ¡Jobre fantosnm, criado por ti". Pois bom. As ciências especializadas são como os senti- dos; são prezlonzlnantemerxte empíricas, experimentais. Mas, a Itossa experiência não é Apenas esta. A inteligência regula nossas actividades, escolhe, selecciona, descobre relações que os sentidos não podem alcançar desde logo: mostra erros e ilusões qu: : êlcs cometeu¡ e dos quais sofrem; corrige-os, melho- ra-ns, adapta-os, ensina-os a procederem corn mais cuidado, mui; os a zilcançarcm bases nmis sólidas. Pois assim é a filosofia. o o o O que acima dissemos não esgota. o que se entende por Filosofia. Toca de leve a enas no seu sentido, ue é muito P 'i amplo, o qual iremos examinar aos poucos, à proporção que penctremos por êsses jardins maravilhosos que são as mais belas criações da inteligência humana. Mas, embora não es- goto o que se entende por Filosofía, serve para, de imediato, mostrar a utilidade do seu estudo, o que ora iniciamos. 99ooasâeoeõanoemsau. a-¡. -
  8. 8. 46| D O II O O O O O I O O O O O O n; MARIO FERREIRA Dos SANTOS Vamos estudar Filosofia, e éste livro é um convite, uma incitação a Íilosofar, porque não se aprende Filosofia sem ¡Ilo- sotar. * A Sempre se impôev em primeiro lugar, Sabe! 0 em (IM °°“' "' siste o que se pretende estudar. A primeira pergunta nos surge enlãm que é› P°l5› Filo' sofia? Ora, antes de respündermos "6m'q“°'°°“5l“°"v dlvagíle' mos um pouco e nos acompanhe o leitor nessas divagações. Se olhamos para uma noite de estrelas, l°§° “'15 Smgílá à mente quantos mistérios encerram essas luzinhas tremulas. Hoje, depois de milênios de estudos e inVCStigHÇÕVS- mbe' mos que esse mundo sidernl é composto de planetas, estréias, . - . . . ; Universo satélites, galáxias, nebulosast "wwe- Em 5mm "m de mundos_ (Considera-se universo, em linguagem¡ nnlutol- . r - tv n_ o mente filosófica. ° °°“l““*° de “ld” 0 Vl" e “c 'm 'mv no espaço) Nosso planeta faz parto dôstc univcrx0 (lc HUN' ' ' arto zlêslo mundo. dos, e naturalmente nos tam em. como p Mas, a Filosofía é também um universo, mms um umvcr- so de discurso". A expressão se (love ao logico Dt- Àiurguh A -~~ -- - , ms (Ingles 1806-1871) e significa o coniunto (115 rrlurs, ou ¡n! exactamente, das classes lógicos, que suo tomadas Lm Lonsit v. - ração num iulgñmento ou num raciocínio". Assim, por cx. , a nliirmiçño "nenhum cão fala" é verdndttiru no “Lunivvrstv d! ! *_ “ 'n _ ¡ . .W P5_ discurso da Zoologia, nao, pcrém; U0 da Fdbula- Pmqm '“ ta, um cão “pode" falar. Quanto à filosofia, ela tem um universo de discurso m: : . . ' ' - ' à * I sentido mais amplo que o da lógica, pois ela sc : ttoicssi pL ' - ' r ' o con- todo, eshzda tudo, e o seu universo de discurso a IWELH junto de todas as idéias. Ela tem suas palüvmiw Pml 'mms' ¡nterrogações verdadeiros astros, estréias, nebulusos, nome, i , . etc Há principios que brilham mais intensamente como sois, ' . ~ ~ - _. ll-Í cxmres» outros sao lobngados distantes, como nebulosa: 1 1 ; ões claras, outras hmidas e balbuciantcs, ooo , . FILOSOFIA E COSMOVISÃO 19 A Filosofia é um conjunto de idéias que formamos, que nós construímos através dos tempos. Ora, estamos observando que, para chegar à idéia da Filosofia, necessitamos previa- mente saber o que seja ôsse nós de quem falamos acima. Eis o primeiro problema que se nos depara: Que é nos? Quo idéia formamos de nós? Que pensamos que somos nós? Somos todos os sêres vivos ou somente os sêres humanos? Ou um número limitado destes? Quando o cientista fala em nós, não-quer referir-se apenas aos cientistas? E os cristãos quando ialam em nós, não querem referir-sc apenas aos cris- tãos? E o mesmo não sucede com outros grupos sociais que têm sempre uma consciência restrita do que seja nós? Com esta pergunta já estamos intcrroganzlo, o nessa inter- rogaçãn já começamos a fazer filosofia. Que queremos com essa interrogação? A que tendemos con¡ essa interrogação? Tontlcmos a uma resposta. A interrogação exige uma res- luosla. Mas uma resposta (rualquerí) Não; exige uma resposta que aclarc, que csclurcçn, uma rvsposta que responda, A ín- ltzrrogoçào revelar portanto, um qucror snher. Ela qua' saber. A Filosofía é assim um saber', um querer saber. Mas, continuarmos nas nossos explorações, que embora nos pareçam simples, são tão necnêssárias porque com o tempo vc- rcmos muita coisa se nos parecer complexa porque não se tcvc, previamente, o cuidado rlc dccompô-ln em suas portes simples. O homem é um ser que interroga constantemente. Assim ram e como se dará com os que nos sobrevirão. Que buscava se dá conosco, como se (lou com os homens que nos precede» o homem com essas perguntas senão respostas que fossem es- clarccedoras? Mos se perguntásscmos: respondeu o homem porque interrogou, ou interrogou porque respondeu? A pergunta não é descobida. Senão vejamos: imztginemos um homem primitivo que. pela¡ primeira vez, assisto o erupção
  9. 9. 20 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS de um vulcão. Ele se espanta; assusta-se. Aquêle facto no- vo, insólito, espicaça-o, incita-o. Est! , ante algo que nunca vira. Todas essas emoções que sente são um interrogar. Que é isto? Procura explicações. (Explicar, vem de ex-plícare, verbo latino que significa desembrulhar. Plicare, fazer pra 5m', rugas, explicar-e, desenrugar, desfazer, por exemplo, um pacote, eta). Assim êle quer saber o que é aquilo. Mas quer algo que esclareça. E dizer que é um dous qui'. se rebe- la, ou um inimi ro : tidcroso ue se manifesta, um cast¡ o do l seu deus pelos erros cometidos, pode ser para ele uma oxpli! ração que llie satisfaça ou irão. Do contrário procurará novas respostas, porque êle quer explicar aquilo tudo. Ora, para responder ou para perguntar, são exigir eis; 1) o homem; 2) uma provocação, uma incitação, 3) um pensar, um desejo, um anelo; 4) uma necessidade de saber, de responder, s» esta ím- plíczi: S) uma insatisfação ou uma satisfação. Nós enviamos agora 5 elementos que são os mais primiti- vos para conceber o que seja a filosofia. São 5 natas (palavra. muito usada em filosofia, que significa um componente coxilnz» cido de uma coisa. Por ex. , o ser racional, no homem; o ser quadrúpede, no cavalo; o "ter assento”, na cadeira, etc. ) 1a começamos a estabelecer, de maneira primária, o "em- que-consiste" a Filosofia. ovo A insatisfação da resposta gera novas perguntas. A insa~ tisfação só pararia na satisfação, e esta seria o alcançar de -um fim, de um limite. Enriquecemos o conceito da Filosofia -com alguma coisa mais: alcançar um limite, que é a 6." nota, E fácil já perceber-se que a Filosofia não é, portanto, es« tática, mas sim dinâmica, e se dirige para um fim; é um saber que se move, através de perguntas e de respostas. FILOSOFIA E COSMOVISÃO 21 A actividade da filosofia é a 7.” nota. Ao encontrarmos “É” 59m 'latas da FIÍOSOÍIH. ainda não esgotamos o seu coir Celio, mas Já estamos filosofando sôbre a filosofia. _ Que procuramos revelar com a filosofia? Onde pretende» inox › ; ' ' - v . s llicnetnr? A analise que Já fizemos logo nos revela. mw: ll 3 - ' , . m e unemo' ° dewmmemdíl¡ “III problema, uma dificuldade, 'UWW› Palavra que Significa essa dificuldade teorética, têrmn rnrc encontraremos muitas vêzes nas obras de filas ' ^ ofia, o que pqnüarinciitc si: ' "um : lixaclirzi-cabeças", Ei: r “ - « . . . N x 'I S: nota. Rcalmcxite, o desclo de saber já implica, J" “'31 em 51, a idéia do desconhecido, pois não procul-criamos sabe' 'y › . , 1 0 (WE J 1 Cmlhecemvs. Qual a impressao que nos da êsse desconhecido? Ele nos dá a impressão de um 11mm; da um¡ _ . r coisa ' ' . que nos limita, que so nos aparenta uma barreira que de. - _ , _ _àelamos gz-ilgar. Ha, portanto, o desejo de transpor a har~ ieira. Que instrumento usamos? O PENSAMENTO Nós mesmos nos encontramos agora em face de uma pei- gunta: Que e' a filosofia? E queremos responder_ Se buscamos transpor essa barreira, vencer o limite com o pensamento, estar, portanto, guiando o pensamento, dando- llie uma direção. Desta forma salientaremas logo mais um elemento na filosofia: é que ela necessita de uma direção do Pmsümenfo (9-3 nota), uma direção nu seu choque contra o limite, contra o obstáculo para supera-lo, vence-lo. Outro elemento logo se nos revela, que é a 10s* noln: uma . superação. 11K filosofia procura superar os obstáculos que são o desça. nhecido; quer revela-los, e ir além. eoe-c0aeeeoseoaoooaoaoopoooooooooo
  10. 10. ¡DCÕOÕÕÓOSOES O zz MARIO FERREIRA nos SANTOS Mas, para alcançar tal fim, é exigível uma concentração do pensamento, uma tensão do pensamento (113 nota); ne- cessitamos, ao dirigir o pensamento, dar-lhe uma tensão que o concenüe na luta contra essa barreira. O elemento dinâmico que descobrimos na filosofia, de- monstra que, para eomprendéla, precisamos fazer filosofia. Muitos poderão dizer: "Nada de novo nos dizeis; ;a sahiamns tudo quanto dissestes". E, realmente, éste é um dos aspectos mais interessantes quanto ao conceito du filosofia: é que êle nas revela o que já sabemos, porque todos nós. sem que o "saibamos", filosofnmos muitas vêzes. E isso porque, na filosofia, usamos o pensamen- to corno instrumento para embrenhar-nos no próprio pensa- mento; pensamos sôbre o próprio pensamento. Mas não pro- codemos apenas assim, porque para procedermos assim, pre- cisamos antes viver o que fazemos. Não é original dizer-se que nunca compreender-emos o que seja a filosofia antes dc havermos filosofado, isto (a, en- quanto não tenhamos vivido a filosofia. E estamos vivendo o. filosofia quando fazemos filosofia. ou¡ Ao lermos os filósofos, chegamos facilmente i1 conclusão de que não há um conceito único de filosofia, mas diversos. E por que? Porque êsscs filósofos reproduzem suas vivên- cias da filosofia. Esse têrmo vivência, muito usado moderna- mente indica-nos que, o que asslmílamos, aprccndemcs e o que vivemos de uma coisa formam um todo, uma experiência afcciiva. Há exemplos que ilustram bem o que seja vivência c da- remos um, parafmseundo o famoso de Bergson (filósofo fran- cês, 1859-1941). Digamos que alguém ouve falar da avenida Rio Branco. Pode, além disso, ter visto várias fotografias que reproduzam trechos dessa avenida. Pode ter dela uma noção, a mais ampla possivel. __ t: FILOSOFIA E COSMOVISAO 23 Mas (lixando estiver nessa avenida, percorre-ln, terá dela uma vivência, porque além do que tenhu aprendido. também viccrá, um momento, essa avenida. Assim, para filosufarmos, precisamos viver a Filosofia, ter dela uma vivência. Om tais vivências formam perspectivas diversas e, portanto, condicionam uma variabilidade de imer- pretações do que seja a filosofia. Por Êssn_ surgem diversos enunciados, os quais teremos oportunidade de estudar e analisar, girando penetrnrmos nas correntes gerais do pensamento filosófico, o que nos permitirá compreender por que nos vcfzm o filosofia (leste, c outros da» que-la maneira. Não esgotnmos, de forma alguma, o conceito de filosofia com a nossa explanação; apenas apontamos as natas que cons- tituem o aspecto mais geral do seu conceito. E não podemos penetrar mais a fundo, porque, para tanto. é necessário embre- nhormo-nos, mais e mais, vencer novos obstáculos, Superá-los, invadir ôsse mundo desconhecido de complicações, para poder- mos torna-lo claro ante a luz, que é o pensamento. E, para melhor comprczrnrlcrmos o conceito de filosofia, vamos estudar historicamente como éle se formou. Ill¡ na lingua grega um xicrho, philusaphein, formado dc ; Jhilcoa que significa amar, e de rapina, que significa sabedoria, o que qua: dizer: afonar-sc com amor na busca do saber. Assim, etimologicamcnte, a palavra Filosofia significa “amor à sabedoria". Philos significa o que uma: fffósofn, o que amam sabedoria, o saber. Atribui-se a palavra a Pitágo- ros (572-497 A. C. ) filósofo grego, e aos seus discípulos, os quais a usaram em primeiro lugar, como também a usaram Ilerodoto (historiador grego, 490424, A. C. ) e os socráticos, (Denomínam-se sociátlcos a todos os discípulos de Sócrates, (filósoio- grego, 410-399, A. C. , e àqnêles fundadores de es- colas que desenvolveram as suas idéiasl.
  11. 11. 24 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS O verbo philosophein significa em grega, esforçanse, afa- nnr-se por conhecer. Heráclito (536470 A. C. ), diz que o filósofo é o que co- nhece a razão (Logos), que governa tudo, e distingue quem ama verdadeiramente o saber, de quem é mero erudito. Na zlbepção que cxpuscmos : le inicio, a filosofia abrange todo o saber, mas já entre os gregos vamos encontrar; cada vez mais, um sentido mais especifico do seu conceito, sem que por isso deixe a filosofia de ter como objecto da suas investigações u Todo, ou seja, todas us coisas, todos os sêrcs. E issu porque o conceito de Filosofia não se encerra ape- nas nas 11 notas por nós assinnlarlrxs. Vejamo: : na 'fase mais antiga da humanidade, as grandes perguntas eram respondidas por lfCçÚCS poéticas da imaginação, por simbolos, por mitos, o que estudaremos mais adiante. Surgiu, então, outra fase: uma fase racional, em que sc procurou dar uma solução racio- nal, isto é, pela razão, pelo raciocínio. No início, o saber era empírico, prático, dado apenas pela experiência. Dêsse saber empírico, surgiu a especulação, que era chamada pelos gregos de teoria, a qual vai formar o saber teorclíco. Airalisernos: o pensamento não é somente_ um meio de ação tendcnte apenas à prática, mas sobretudo: : conhe- cer, a explicar (cxplicare). Teoria, para os gregos, era uma contemplação, uma visão, uma contemplação racional, uma visão inteligível. Desta forma, a conhecimento tornava-se especulativo, teorético (1). Esclareçamos: filósofo, entre os gregos, por amor ao sa- ber, aspira à verdade, ao último limite da explicação, à explb (l) chamavam os gregos thcoria ns filas dos habitantes das diversas cidades, que se aproximavam dos templos para as festas religiosas. Como se uniam por um nexo, a palavra teoria tomou o sentido, entre os filósofos, de visão que conexiuna um conjunto de factos e os explica. A 4a. ; .4_. FILOSOFIA E COSMOVISÃO 25 cação que por si mesma não exigirá mais respostas, porque es- clarecerío tudo, explicaria tudo, Procurava o grego explicar, e a filosofia era para ele um responder, um responder por amor ao saber e que, portanto, aspiravn à verdade. Essa a primeira fase da filosofia. Com o (locorrer (lc tempo, ela passa, desse amor ao saber, a ser o próprio saber, a própria sabedoria. Desta fuma, a filo- sofia, com os gregos toma-se especulativa, teorética, pois um pensamento especulativa, como vimos, tem por objecto conhe- ccr ou explicar; ao contrário do pensamento, como meio (lu ação, que tende à prática, à prática utilitário. Assim os gre- gos chamavam de vida teórica, aquela que se opunha à prá- tica, como também a que se opunlm à vida poética que, para êlr-s linha um sentido prático, de ainção prática. Mas é, todo saber, filosofia? Hi1 um sabcr comum e um saber eçeculativo, procurado, buscado. O primeiro, o vulgar, chamavam os gregos de doam, pala- vra que significa opinião, e o segundo chamavam de epístéme, que é o saber especulativa, oonfonne a divisão proposta por Platão (filósofo grego, 4284348, A. 0.). Desta forma, a filo- sofia não cr: : apenas o saber, nem um amor à sabedoria, mas um saber procurado, buscado, guiado, que tinha um método para ser alcançado, que era reflexivo. A filosofia, assim, perdia em extensão, pois, já não abran- gía todo o saber, mas ganhava em conteúdo, pois, delimitam¡- se, CODÍOIDELVE-SC, precisava-se mais, tornava-se um saber teó< rico, reflexivo, especulativa, um saber culto. Este saber culto quer conhecer o que a realidade é. Encontra-se muitas vêzes a expressão "saber de salvação". Este saber é superior ao saber técnico, utilitário, e ao saber culto, teórico. O fim deste saber é a divindade, a salvação do homem, na divindade. pnao9easão8636üôâaaaaaãoeoaeeaoaoae
  12. 12. il» t» Õàüüiãlbsnase Êaaesneaaüãiiññ¡ 26 MARIO FERREIRA DOS SANTOS Assim, entre os gregos, pois há religiosidade na sua coa' cepção do mundo, o saber prepara a perfeição : individual para a beat-itude e para a felicidade. Nos neoplatônicos, (escola filosófica que perdurou do II. ° séc. D. C. em diante) a salva- ção se efetua pela identificação da alma com o Um, participa~ ção extática (de êxtase) no. suprema unidade divina. No cris- tianismo, a salvação é a redenção da alma do pecado; no bu- dismo, a imersão no nirvana, a aniquilação da consciência in- dividual. Na época actual. para muitos, o saber é dc salvação pelo progresso. Em suma: a salvação é um transcender, um não limitar-se a “éste mundo', um ir além dele, fora dêle, ou néle. por sua superação. 0 sentido da filosofia, como saber racional, sabor reflexi- vo, saber adquirido, é o de Platão e, também. o de Aristóteles, (filósofo grego, 384-822, A. C. ) mas éste acrescentou maior volume de conhecimentos, graças às investigações que fêz e para as quais contou com muitos e valiosos auxiliares. Para Aristóteles, a filosofia era todo ôssc saber. c incluía também o que chamamos de ciência. Assim, a filosofia era a totalidade do conhecimento humano, do saber racional. Na chamada Idade Média, continua predominando êste sentido, mas a idéia central de Deus polariza a filosofia. Des- ta forma, é ela a totalidade dos conhecimentos adquiridos pela luz natural ou pela revlaçda divina. Os conhecimentos acerca de Deus e do divino separam-se dos outros, e vão formar a Teologia. Esta encerrar/ a a soma dos conhecimentos sôbre o divino, e a filosofia, os conhecimentos humanos acerca das coisas da natureza. Este conceito da Filosofia vai prcdomtnar por séculos e até hoje, em muitas faculdades, ela é apresenta- da assim. No século XVII, afastam-se dela as chamadas ciências particulares, com objectos e métodos próprios, que a pouco e pouco vão adquirindo uma especialização cada vez maior, para constituírem-se em novas disciplinas independentes. FILOSOFIA E COSMOVISÀO 27 Vas a filosofia permanece, no entanto, no corpo da ciéna cia, e forma uma síntese específica desta. Por exemplo, na matemática, há uma Filosofia da Matemá- tica, aquela que estuda as idéias de número, de extensão, de tempo e de espaço nmtematicos, como há uma Filosofia da Flsfcwqirin ica, que tem por objecto as idéias de força, subs- tância, energia, extensão, extensídarle e intensidade. E vivendo-a, que iremos compreender tôda sua extensão o também todo o seu significado para a vida, e compreendere- mos que o saber teórico, especulativa, embora se afaste do snbcr técnico prático, sofre Llêstc sua influência salutar e sôbre êste exerce grande influência, numa reciprocidade pro- dotivn. Mostramos, até aqui, a Filosofia como um saber em geral, sem rnostranlhe ainda tôda a peculiaridade, n que será revela- do no decorrer deste livro. O homem. quando começou a fílosofar, fê-lo ainda sem saber claramente o que em a filosofia. Só a posterior análise permitiria que êle compreendessc melhor a diferença entre os juizes que formulava em faco dos factos. Só quando distin- guiu um juízo de gôsto, meramente subjectiva, de um juizo de valor, e éste de um clc existencia e de um ético, poderia o filósofo penetrar na significação mais ampla. do que é “valor”, como, também, estar apto a fazer uma melhor análise de seu espirito, do funcionamento (lo mesmo em suas polarizações, intelectuais e Efectivos, (o que será amplamente examinado na obra "Noologia Geral") Alcançado éste ponto, a análise do conceito e de seus conteúdos, do conhecimento como resul- tado de um processo de cooperação entre o sujeito e o objecto, que em breve veremos, lcvrí-lo-ai a captar o que é a frónesis, e seus conte-tidos, os fronemas, como um "conhecer" afectivo, em que a relação sujeito x objecto é diferente da primeira. já al estará o estudioso da filosofia a compreender mais profundamente as diferenças freqüentemente apresentadas en- tre a chamada Filosofia Ocidental c a Oriental, que tantas con- trovérsias suscitaram. ¡
  13. 13. hÓ. ... ... ... ..ÓÓCÓOO 28 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS Poderíamos dizer por ora, muito singelamente, que, na chamada Filosofia Ocidental, que é especificamente especula- tiva, marcantemente autatélica (de autos, gr. , si mesmo, e telas', fim, isto é, que tem o fim em si mesma), a especulação é desinteressada, o que quer dizer, não tem ela um fim fora de si, não é realizada como meio para obter isto ou aquilo. Quando uma criança toma de argila, e com ela . Íaz bonecas ou vasos, ela brinca (c o brinquedo é lmtotélico). Quando o oleíro, com a argila, faz vasos e os destina à venda, com fina- lidade naturalmente econômica, sua atividade é heterotélica (de hvtcras, gn, outro, que tom o fim em outro). Sua ação é interessada, diz-se. Os sumérios, os habitantes da antiga Caldéin, vindos ou não do vale do Indus, ao construírem no delta rnesopotâmico sua civilização, viram-se a braços com problemas meteoroló- gicos, ecológicos, astrológicos importantes. já os teriam tido quando habitavam o vale : lo Indus, como também os tiveram os egípcios, em face (las inundações do Nilo, etc. 0 primitivo saber dêsses homens era hoterotélico, tinha um fim fora dêlo, servia para atender esta ou aquela necessidade. 'Esse saber, interessado, (como o é hoje, por exemplo, a ciência), predo- minou em tóda a região da Mesopotâmia e na jônia. Foi ali e dali que a especulação filosófica grega teve sua origem e obteve seu vigor. Os primeiros sophoí (sábios gregos) di giam sous estudos para a solução dos problemas que aflígian¡ nos jónios, povo marítimo, dependente, portanto, dos conheci- mentos meteorológicos. A . rophia, o saber, de então, era pre- dominantemente interessado. Dizemos predominantemente, porque uma separação nítida, estanqzic, seria impossivel. Tam- bém na Júnia, como nos paises (la Mcsopotdmiu . e, sobretudo, entre os Egipcios, e na India, havia um saber (lcsinleressado, já muito antes dos gregos, como o provam os exames arqueoló- gicos. Não era, porém, suficientemente desinteressado como o foívo saber grego. Na Grécia, graças a condições socio-históricas e ecológi- cas diferentes, que são examinadas amplamente em nossa obra "Filosofia e História da Cultura", a Sophia pode seguir um ru- FILOSOFIA E COSMOVISÃO 29 mo diferente. 0 . rophos não buscava saber para isto ou para aquilo, mas apenas por um amor ao saber, um saber para sa- tisfação de sí mesmo, um saber autotélico, desinteressado. Tal não quer dizer que não houvesse também um saber hetero» télico, mas indica esta afirmativa que, com os gregos, a. sophia torna-se ¡zrcdomiziantumentc uutotélica, tlcsinteressndu, E o amor à SKAlJlJÇIOIÍH pela sabedoria, ou seja, phílasophia. E tal tendência que permite a polarização posterior entre filosofia e ciencia. Foi considerando zussim, que muitos estudiosos da filosofia negaram a afirmativa de uma filosofia oriental, diferenciada da ocidental. Filosofia é apenas um saber especulativa e desinte- rcssudo_ Entretanto, é preciso que se esclareça: não está aí : xpunus xi diferença entre a filosofia ocidental e a oriental. Quando se fala numa filosofia do Ocidente e numa da Oriente, não se quer dizcr que se dêem duas filosofias. Na zualkladu, a filosofia, como um corpo de doutrina, com suas L-arzictrrislicas, é uma só, como o e a ciência. Mas. assim, eo- nio se fala numa lisíca árabe, numa fisica fáustica, cm mate~ rnátíca euclídiana ou não euclidínna, numa música européia e numa. música chinesa, a divisão da filosofia em Ocidental e Oriental tem a finalidade apenas em apontar certas acentua- ções de notas que se dão em ambas que, numa ou noutra, apresentam intensidades de graus diversos. Há um saber interessado tanto no Ocidente como no Oti- ente, como também o há desintefessado. Surge, porém, a di- ferença que, no Ocidente, éste sc marca mais nitidamente (en- tre os gregos, por exemplo), enquanto o é menos no Oriente. O ¡iensamento mágico, cujas caracteristicas ainda examinare- mos, é mais intenso no Oriente que no Ocidente, assim também o misticismo é mais intenso. Na magia, há a aceitação de poderes que os factos têm e que não revelam totalmente. Há poderes nos factos que ultrapassam as nossas previsões. São mágicos, Quando um oriental falava, antes de Leibnítz e das descobertas atômicas, no poder imenso oculto nas coi- sas, seu pensamento era mágico. A especulação cientifica
  14. 14. ooooõcoooccobibeiiea 3D MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS permitiu compreender e captar êsse poder, como também li- bertáJo. O misticismo que nos mostra toda a cultura egípcia, como as culturas orientais, é mais intenso e penetra até na filosofia. No entanto, no Ocidente, também surgem filósofos místicos. (Esclareçamos essa palavra: místico, mistério, são palavras que vêm do grego myó, ocultar, de mythis, o que se cala, o que não se diz. O mistério é o que não se revela, que não tem eloqüência' para dizer c que é. O místico e' o linmcm que penetra nesses mistérios, que vê nos factos mais do que o lio- mcm comum vê. Um pedaço de pão é apenas um : iliincnto para o homem objectivo, mas, para o mistico, ele quando di: que o pão é um alimento, ele cala o que e' mais, o divino que encerra, o poder que nos oferece, a origem divina, etc. A palavra mito vem dai e quer dizer o que só pode ser expressado por simbolos. 0 filósofo místico procura revelar o que se cala; c o guia, que leva o iniciado a saber o que é "calado" das coisas, é o 1nismgugo (gogia, gr. condução; assim, pedagogo, o que cone duz o pedes, gr. criança, daí pedagogia). Mas se a filosofia ocidental nos mostra tanta objectivida~ de, tende tanto para o objecto, também vemos filósofos objec- tivos entre os orientais. Permanece, assim, apenas uma distinção: entre a filosofia oriental e a ocidental, há apenas graus de intensidade diferen- tes, embora, ambas sejam, enquanto filosofia, iguais. Caberiam, aqui, ainda outras tlistinçõcs mais importantes, mas tal só poderia ser feito depois (lc lIiIVCFIIlOS cruuiprucvuliilo bem a distinção entre intelectualidade (Logos) c afcctívitlnrlc (Pathos), o que só poderemos fazer em outros trabalhos. Nesse caso, seria fácil compreender o que significa yoga (fu- são), brahma, aduaiia, maia, súnkara, e outros conceitos e ca- tegorias hindus. Também seria necessário um cstuilo (lo mir Leito, bem como a construção de Lima análise (lo nosso umlw- cimento. 'Tais estudos, que surgirão ciri nossas nliias postu- FILOSOFIA E COSMOVISÃON 31 riores, permitirão que se distinga, em traços firmes, a filosofia ocidental da oriental, e se compreenda que é muito mais am- pla do que se' pensa a contribuição dos outros povos ao pensar mento grego. Vimos que a filosofia é uma reflexão, que consiste num responder às perguntas que se formulam. Mas como se pro- cessa essa reflexão, que elementos usamos? Que pronuncia- mos aqui? Palavras. A reflexão filosófica emprega palavras. Dessas palavras algumas sao expressões técnicas quo têm um significado cou- vencionado nas obras de filosofia: são os târmas. Os têrmos são vozes que, como expressões técnicas, se empregam ccm significado convoricionado. Nós expressamos Lima reflexão filosófica por meio de termos. Muitos desses rocáhulos foram escolhidos da linguagem comum, com um sig- nificado esjecial, enquanto outros foram criados com acepção própria. São êles imprescindíveis auxiliares que facilitam a clareza, permitem a transferência, o intercâmbio das opiniões. Tôda reflexão filosófica exige um vocabulário preciso, a fim de evitar constantes equívocos. Os filósofos devem ater- se às excepções normais dos têrmos usados, para evitar incom- precnsões. Muitos são criadores (lc palavras novas, as quais, no fundo, são apenas novas ruupugcns para velhas idéias; ou» tros (lisputam apenas palavras, allicailos ao verdadeiro senti- do quc elos têm. Tudo isso gera ou constitui u tortura daqueles que se em- brenliam no estudo do filosofia e que, por não conhecerem a acepção aceita pelo autor, julgandorn pela acepção comum, co- metem confusões que tornam cada vez mais dificil a apreensão do pcnsaineno exposto, Os tônnos, cm geral, não têm umí cocídtldt? , isto é, uma acepção única, São mesmo raros os que a possuem. Malízcs variados, occpçõcs divvrsas, como conscu
  15. 15. Il¡ MARIO FERREIRA DOS SANTOS qüéncias de diversas vivências e de condições históricas, étni- cas, de classe, são observáveis em quase tôias a. ; palavras. Dois homens, pertencentes e classes diferentes, paderão ter um sentido também diferente quando empregam a mesma pa- lavra. Para manter a continuidade e a universaddadi do pensa- mento especulativa é necessário um elemento imprescindível: a definição. A definição, para falarmos uma linguagem altura, é a ros- posta a pergunta “que é isso? ” O estudo da definição pertence à lógica. A definição é uma tentativa de fixar, de delimitar o senti- do próprio de um têrmo. Autores há que usam os têrmos muitas vêzes descuidadamente, com sub-intenções muito pes- saais. Em síntese, a definição consiste em explicar uni termo des- conhecido por outro conhecido. Queremos formar com ela uma identidade. Seria o mesmo que dizer: o têrmn tal é igual à definição tal; ou seja A = A. ' Costumam subdividir as definições em nominais, reais, far- mais, "meridia. (Esta subdivisào não é importante e, na ló» gica, é melhor esclarecida). Muitos julgam-nas ficticias. Os que aceitam as definições reais qualificam despectivamente as nominais, chamando-as de fuutologms, isto é, repetições, Enquanto nos ocupnrmos de termos e definições, estamos apenas no dominio das palavras e, se ai purmanecermos, es- taríamos confundindo o veiculo de transmissão verbal com os factos. A FILOSOFIA E COSMOVISÀO 33 Quo é um facto? Um facto não se define, intuí-se. A palavra facto vem do latim juntam, que significa feito, acto, coisa ou ação feita, acontecimento. E uma palavra para nós familiar'. Embora todos saibam o que é um facto, não é fácil dizer o que é, em que consiste realmente um facto. Facto é o que se nos apresenta aqui e agora, num lugar, num momento de- terminado, quer dizer, condicionado pelas noções de espaço e (le tempo. Estar no tempo e no espaço é o que se chama de existir cronotópico (l). Nós não atribuimos, não emprcstnmos exis- tência : to facto', êle tem existência. Quando os factos existem no espaço, êles são chamados corpos. Há outros que existem no tempo c são, por exemplo, os factos psíquicos, os estados de alma, etc. Os factos actuais constituem a nossa própria exis- tência e o âmbito no qual vivemos e actuamos. Os factos transeorridos constituem os elementos _da biogra- fia ou da história. Convém que salientcmos agora o emprego de dois tênnos muitos usados, sobretudo na filosofia modema: eidétlco e fác- tica. E idátieo vem de eidus, palavra grega que significa idéia. O eidética é imutável e íntemporalmente válido, como o estabelece Husserl (1859-1938), enquanto o fáctico quer dizer algo mutável e contingente, isto e', não necessário. É fácil esclarecermos agora o sentido dessas duas palavras. A primeira refere-se à idéia, que e' imutável, como por Exemplo a idéia de cavalo, que se refere a todos os cavalos e não a um em particular. Esta idéia não sofre mutações no tempo: é válida iniemporalmente. (1) De chrónor, tempo e topós, lugar, espaço, palavras gre- gas. Cronctópico é equivalente no que se dá no tempo e no 9517390. 'I e e e e e o o o o e «e e e e e «e e n e e Ú e e a ñ t¡ a E G ü l Í R
  16. 16. óooàeàel o »e A «e eo »e e m¡ «e ea o o o o na vs eo o e¡ ao s: a a a a a › o 34 MARIO FERREIRA DOS SANTOS O táctica representa o que acontece, que é mutável no tempo e no espaço; uma idéia, contudo, nãu ocupa um lugar no espaço. Voltando ao nosso tema das factos, podemos dizer que quando êles são corpos, nós os intufmos por intermédio dos sentidas. Quando são estados de alma, nós os tomamos imediata- mente, isto é, diretamente. Denominamos intuição do intus me, ir para dentro, essa capacidade de darmos conta dos factos em geral. ' Há intuições sensíveis, intelectuais, efectivos, poéticas, místicos, etc. 0 conceito de intuição irá esclarecendo-se, cada vez mais, à proporção que nos embrenhamcs no estudo da filosofia. Ao examínarmos um facto, atríbuímos unidade e estabili- dade, e o separamos do contômo. Mas a unidade é relativa. Exemplo: um rebanho, que é formado de numerosos individuos. Nós buscamos a unidade dos factos, por exemplo: o átomo é a unidade para a matéria inorgânica; a célula, para a matéria orgânica; a sensação, como pensam alguns, para os actos psíquicos. A ciência hoje não dá a essa unidade um carácter de isolamento. Também a es- tabilidade do facto é uma. ficção, porque os factos surgem c desaparecem, num constante 'vira-ser' (devir), transformar- se, não havendo portanto estabilidade. O isolamento e a delimitação dos factos são, cm parte. ar- tificiosos, pois nâo há factos isolados, mas um entrosamento de factos. A unificação, a estabilização e a distinção são operações mentais que usamos para conhecermos o mundo real. Por que procede deste modo a razão humana? A razão, desta fuma, procura dar ordem ao que intuimos, por isso é que enumeyramos, separamos e denominamos, damos nomes nos factos particulares. FILOSOFIA E COSMOVISÁO B5 Agora perguntamos: como procede a razão para dominar êsse caos de acontecimentos? Como actua para ordenar êsse conjunto de factos? Qual o instrumento que usa para alcan- çar êssc dominio? O conceito, cis c instrumento. ecc
  17. 17. II Su observarmos bem as palavras, veremos que elas axprem . sam conceitos: casa, cadeira, livro. etc. Para distinguir os conceitos é nccessário nrm nota, ou mais, que os índividualize, Não devem-os confundir' o concei- to com n palavra que o expressa. Ó Cünceim é PTN-i'm) de uma opcmçüo mental; a palavra 'apenas o seu CIIKXIICÍZKlU; Um sinal Verbal. Por isso devemos evitar cair no verbalismü, que consiste m, emprego exagerado (le palavras, sem_ CUIIÍUÚLlO lvrccisn. Assim como não : invernos confundir o conceito com seu enunciado verbal, não se deve também Cünlllndtrlo corn o jacto. Não há dúvida que os conceitos decorrem dos factos, mas, na conceito. há uma abstração do facto. No conceito, já despcjamos alguns elementos do facto, fazemos uma abstração mental (de abs trailers, latim, trazcr para o ladg), O facto tem existência no tempo e no espaço; o conceito só existe quando lycnsamos. Intulmos o facto; pen' saimos o conceito. Tivemos ocasião, no que (lisscrraos acima, de penetrar em inúmeros pontos que, tratados síntêticamentrá, estão agora a exigir uma zurálise : nais completa. Não iremos esludar 0 conceito sob todos os seus aspectos, porque dizendo Ôle ! nais respeito à lógica e à psicologia, é lá que teremos oportunidade do examinárlo. O homem, para dominar os aicontecimentcs. necessitava dar-lhes uma ordem que permitisse vct claro por entre Os FILOSOFIA E COSMOVISÃO 37 factos. E c instrumento para alcançar essa ordenação foi o conccita. Anulisemos a sua gênese: Se a realidade do mundo que nos cerca fôsse uniforme e homogênea; se tudo nos parcccsse igual, sem qualquer nota de distinção, de diferenciação, não poderíamos nunca chegar a conhecer os factos, por que o acontecer seria apenas um grande laictn. Mas sucede que a realidade aparecenos licterogênea- mente diversa, diferente e diversificada. Se a côr dos factos (corpórcos) lôsse a mesma, impossivel scxia chegar a com- prendcr que há côres, (lc (lar um nome a uma côr que perce- bemos ("Hlltltál (lc (Intra. (Icrtns [nu-tes da realidade Iisivel dão aos ollios uma impressão de outro gênero do outras partes da realidade. Por isso, pcrcehcmoe cores rliterentes. Eis aqui, porque podermos comparar um objecto dc uma côr com a de oulm Luhjeclo, e verificar se sc parecem, e perceber também su lui (lilcrcnçus, pois nunca ¡ioderíamos chegar a lncrcelicr que alguma coisa sc parece, na côr pm' exemplo, a outra coisa, se irão cxixtisscrn objectos cle côrcs que se desassemelliam, quo (lift-rem Lago a compreensão do semelhante, do parecido, é crmicznprrrfrncu da do diferente, pois também não podemos compreender n diferente, o diverso, se não nos fôr possível, cm¡tcmporâneamcnte, comparar com o semelhante, o parecido. Uma¡ pergunta é possivel aqui: é a semelhança anterior 2'¡ diferença? Para zilguns filósofos, a percepção (lo semelhante é ante- rior, no homem e nos animais, à percepção das diferentes, co~ mo por exemplo o afirmam Maine de Biran (1766-1824, filó- sofo francês), e Bergscn. Nossa sensação ó acompanhada : le memória, e uma sensa- ção evoca outm, passada, que se lhe assemelha. A compara. ção uma associação. Hume (David: filósofo inglês) salien~ La que ns : issocinçõcs por semelhança são mais importantes e numcmsas que us outras, além de serem mais fáceis e mais de aeôrdo com a nosso natural preguiça mental. A criança, por exemplo, apreende em primeiro lugar as semelhanças. . -n. .-anne-oe-ueoooooooaoaoaos000onas,
  18. 18. 3K MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS E desta forma mais primitivo o sentimento das semelhan- ças do que o das diferenças. Não há comparação onde não há semelhança. (O verbo comparar vem do latino comparam, formado do adjectivo par, quer tlizcr pau-lim, ignnl. sonic- lhnntc, significando, portanto, pôr um ao lado (lo outro_ toi» nm- mrmtyllmntc). Além disso para comparar irão [irvcixuznos do (iii-cuanto, o qual é dispensável, poi. .só pmlvmos Lzolnpiirnl' (luas partes da realidade que são semelhantes, não pwrvnitíudzv nunca que comparemos partes da realidade absaltttzunvutc di- (atentos. Por muito sólidos que nos pnrcçmn tais argmnünlns, ítcllntt alinhados, pcnnancccmus, contudo, firmas na posição d: : couv tcmpnraneítlarlc, pelas razões seguintes: Em primeín) lugar, a percepção por um scr vim, ill' tlmd parto da realidade, já é um acto do rlcleretnêiaçím, poi» 4: . in-lo : lc perceber exige e implica uma diFc-, rcnça ('| |ll'(, ' n : piu cunho cc e o conhmcido, E como o campo que no. ¡ntcroixn C» n (ln filosofia, e Dortnnto o do homem) 5st: : eo pvrvc-lic n vmmdo L-xtorior porque êlc c' hetcrogô en, Ingo «líiurcnltn . .. r› pn- daria o homcm delinear a separar-fio the um (acto com' . n dt: uma parte da realidade do rmtn da reulídntlv, St' vssrn HÍm npn» FFHLI. e uma : lifcrcnça n qual lhe padaria 5m- [mt-unir xr' mas-z¡ rcnlitlndc pitrlossc pcrcclítttr qnt', cm nlgxi, 421:¡ sv flstl'llll'lll, l"rl É¡ outra parte. Nem o ncto de comparação Pütlüírsürlíl dar por exigir ôlv uma condição fundamental, que é a ocupação (lc lIItLHFPS thin» rentes dos corpos comparados. Para colocar um cm Fact: :ln outro, isto é, comparar, é necmsstirio que snhsistam, ctrmistami mn ao lado do outro, tendo ncccssftriamcntc do intrzrmiêtlizi algo que os diferencia, pois, (lo contrário, ;criam parar-Inclua* como irma unidade. Além disso, a idéia dc cnmparziçño não implica a de identidade, comparamos irma pnrlc LlJl rmlitlnr do com outra, embora percebendo que há intensidades diic- rentes. Ao compararmos uma íôllia de uma árvore a Outra, nós jlx cnconiramos nula alguma coisa (le semelhante c vanmç ici-iii- q» FILOSOFIA E COSMOVISÃO S9 car essa semelhança. O próprio acto de desejar e querer com- parar cxige um diferente implicado, pois só comparamos para vcr se existem svmclhanças, como também para verificar se existem tl Íercngns. Nunca poderia nascer rm liomrrm o íntcri-sse om comparar, st: já não conhecesse êle a diH-rcnça. pois. por quo cnmpnrarin óle o que não poderia ser Llilereirtc ou poderia ser scmclltmrtc? Dnstn forma há contemporaneidade entre a noção : lo ser mclliante t: a do diferente E a elaboração do conceito nos provam êssc nspcclt) dia- lrvctico, Qnmulo Qvic it c ll. Pcrvz. ao estudarem @ste [uma, con- cluvm quv, na criança, até os' três anos dc idade, as típicas: associações (lc déins são : is por semelhança, tal não implica rpm .1 crianç (Cilild .1 noção do scrnclhimtc. Ao contrário, nn cirançn u (lislinção entre chi u o main : imbivnrc aindn 115m sc pwclrssolz totalmente. Por um as HUÇÕGS do hctcrogen: ridade, como : ts de homogeneidade, ntndz¡ n50 se f(ll'l'l'tfll'kllllr So Ma- zninarzzios n vida : los aniznuis, vcriiicarnmox qm: êles : zeca - tam : lo conhucímcirto do semelhante, por tuna exigência do orrlrm vital. O conlmcimcnto do snmclhanlc é imprcscindivcl i¡ vida animal, snlirctutlo nos animais superiores. Há um [iroctessn do selva o. Escolhcn¡ isto o rtepclem aquilo. líscolhcm o (piu ll¡ (e assimilávcl, c rcpclem o que “nos é ¡Jmptdiciol ou julgatlz» ¡ire¡'v. ¡<li<: ¡'al. Esse trabalho de sclecwçño íuntln-sc na procuro do some; lliante c na rejeição do diferente. Este : dimento deve scr ll[)| '(l't'lÍ1t(lfJ, nquôlc não. Is 1 pode f , flqllllt) nãol Isto assemelha-se àquilo, logo dvro repelir. Os animais supcrio- ros, em sem actos, rcÍlclem ôssc proct to, pois é (iliservávcl o traballio de "educação" entre os animais que aconsclham a seus filhotes; "como, arpu. ..; aqui, não" no fazer o neto de comer c ao fazer o ; ic-to de repulsa, cio. , para convence-los da conveniência ou não da ingcstño de tal ou (pinl alimento, (ln rculimçzio de tal ou qual acto, CBC.
  19. 19. 40 MARIO FERREIRA DOS SANTOS A percepção é selectiva pürtltlt não capta tudo quanto lite é possivel captar do meiu amliicnte, mas apenas o que lhe convém. Há um: : . selecção das notas que oferecem as partes da realidade; capta umas c outras não. Há nesse acto um certo automatismo de selecção do cliferviite e do semelhante, como também uma preconstzienle, quando se trata de selecção condicionada pela ordena social, profissional, etc. Ora, n tlllerente é uma oiii-nt tica do individual_ A¡ em. sas individuais são distinguklas porque diferem, pois se tudo loss: : luuncgênezimcntc igual não lmveria o cuuliecizncnto dos corpus, Ora, 0 semelhante não é uma iralugarizl (ln idür tica (1). Pois dizemos que alguma coisa é iilêntic quando 5 igual a si mcmnzu. Analisa-mos éste ponto de magna importância c do intorôs- SB para a compreensão de futuros temns a scrtni üxlilllllllldüs. Diminui; que dois iuctos . são ¡iliêntícos quando irão há ui¡- tre êles nenlnnuu diferença, 0m, o conceito de identidade implica o do ditercnça, suu contrário, que o apoia, on int-linux, um eipoia o outro, um implica n outro. Por cssa razão, n idtinlico é considerado lndciinívcl. Alcgam alguns filósofos que não podemos compreender, que é impensável a (li/ ercnçzz pura. Também é impensável a identidade, dÍIemOS. E mostrarcmos mais adiante por que. Há assim uma _cintinomia entre o diferente e (z idêntico (anti- nomía, no sentido clássico, é a contradição entre dois 6511105 que Pdrcccm verdadeiros). Dusprezamns aqui outras anel» ções dadas ao termo idêntico, preferindo apenas a que demos acima por ser a que prevalece na filosofia. Leibnitz nega i1 identidade das substâncias, fundando-se no princípio dus índescemíccís, pois, segundo ôle, Liqis objec- (l) O conceito de idêntico (de idem, mesmo) in-lica uma perfeição absoluta e exclui da sua formalidade todo . tirei-ente, Já o semelhante, não. verdade que nem sempre éste têrmo e' empregado com tal rigor. FILOSOFIA E COSMOVISÃO 41 tos reais não podem ser indescerníveis, sem se conimldircm ri- gorosamcnte. Assim, metaiisicamente. só o Absoluto é idêntico a si mas- mo. 'Indo o mais, metuíisicamente também considerado, não conheco a identidade, ou seja, não há sêres idênticos uns nos outros. Desta forma, so' podemos concluir rigorosamente que ou há identidade ou irão há identidade. O próprio conceito de identidade não pode admitir uma maior ou menor identida- de, pois ôstc conceito não admite graus. Eis por que aiirmav mos que o Semci/ rante 11170 é uma categolia do idôntica. Duas coisas, por serem semelhantes, não quer dizer que sejam ¡nais ou IHHIUS idcnti Pmlvr›se-ili dizer que existe uma identidade quantitativa (' uma identidade quillitalivu? Não é uma gôta (Página idêntica a outra gôlu tlãigua? Não é um quilo disto ou daquilo idôn- tico a um quilo ilnqnilo ou disto? Anies de (Iarmcs 110553 opinião. ouçmmns o (lua diz Egger: “As “duas gútas dügua" (ln locução popular não são idênticas a não ser que se trxijzi apt-nas sorriu gôtas (Fiigun. 'fodas os objectos do : Inss-a cx- pcriânoin vstãu nc mesmo caso, às vêzes idênticos pm' uma uxpcriêvrcia rfipidn c superficial, isto c”, idênticos em aparência, idênticos 110 poderem receber a incsma denomina; o, mas sà- mcntes se forem considerados atentivamente. A identidade (pialitut-iva é pois uma concepção simplesmente sugerida pela experiencia . Lzilande define a identidade (pialitutiva com estas pala- VPHSÍ "Caráclcr de dois objectos de pensamento, distintos no tempo ou no espaço, mais que apresentariam totalmente as nicsmzis qualidades". Assim, quando alguém diz que um quilo de feijão é, em ; mm idêntico a um quilo dc açúcar, dando como exemplo de identidade quantitativa, está usando o têmio identidade no sentido da matemática, que considera como identidade uma igualdade entre quantidades conhecidas, como por exemplo: 2/4 e 1/2. Quando alguém diz que as vitaminas, de um de- terminado alimento são idênticas às vitaminas de outro, está !909950006FGGGGGSOBOOOSBÉEEOPfEEEQ
  20. 20. Cv H a . i u lb l) t? 42 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS apenas julgando que há uma identidade qualitativa, quando, na realidade, é uma igualdade como n anterior. Voltando ao pensamento de Leibnitz (filósofo alemão, 16454716): Vimos que õlc sustentava que duas coisas irão po- dem scr duas senão quando oferecem alguma dilcrcxiçn da qualidade; que devem diferir pur outra coisa do que apenas o numero, quer dizer, por “denominações intrínsecas', o qu: : cx- I)1.[CA iu a prodigiosa variedade da natureza. Rcstamos agora compreender a rnmclliunçzz, já que des- cartamos esta idéia da de identidade (principio da yqzfm, cujo rstudo (cremos ocasião de fazer). A semelhança, segundo Lalande, é o caráclei- de : luis ob- jectns de pensamento que, sem ser qunlítalivampnte jdônncog, apresentam, contudo, elementos ou aspectos que Ljodcm scr chnmzulos "os musmos". Um, cdmo conceber duas coíms como semelhantes sc entre Plus níin liouvvr aspectos iguais e outros (lilclíillllllxf Sim, lmrquc sc ruin lwuvirasie os camchêxcs (llfllfülllcS, l'lll. xuríazn ¡rlôntic-. is. N11 nulumza, na lL'L| lÍ(l: |(ll*, du lunnuul, nim ln¡ ulcxi- lidade pura, lui semelhança. Portanto n própria sumcllaanç-a, como faclo, ou suja, fíiclicanrcirht, implica o d fer-emu Por 0mm lado vimos que iodo existente é singular, inLli› vidual. Ésíc lívru é éste livro, e não ouLro livro; ziquelzi mesa (- nqlwlz¡ mesa, c não esta mesa. Neste Slínlltlo Õsie livm é idôn› tico a sí mesmo, porque não é uutro. Aquela meu¡ é [çlónucn a sí mcsma parque não ó outra, (O carácter de “sur outro' L'- Llenominadn cm filosofia pelo (êrmo alteridade, e sc opõe' na do Íililllllliulc), ' Só lui identificação cnusigu mesma quando se (mu. da m”. :na cnísa (1). (1) Veremos, em breve, que essa identidade consiste na carácter de um individuo ou de uma coisa, de ser a 7J10$N1II nos dilurcntes momentos de sua existência, pais essa mesa ou @sie livro não permanecem sempre ns mesmos. Cstàtlcamente cs mesmos, pais apresentam distinções, como veremos. . r FILOSOFIA E COSMOVISÃD 4'¡ Qualquer parte da realidade só pode ser considerada idên- tica a si mesma, na sentido de que nãu é outra. Só neste ser» tido. Noutro sentido, ela é (lifcrentc do curta cuisa, assim como éste livro é diferente du outro livro do mesmo título c cdi io Ígllnl. Singular-menu» considerados, ambos são difa- runtvs. No entanto, há algm que os zisscmcllra, pois tanta um como nutre, embora distintos no tempo ou no espaço, pois um ocupa um lugar diferente (lo oulrv, umbus apresentam as 17103- mns qualidades. Que nos sugere tudo issu? Está resolvido o problema? Absolutamente uãn. Examincmns mais: O hnmcnr cm face da rrulízlirde luz-melao qnt- esta não é lmmogôircnmcirtc igual. Ela . xprrsenla diferenças, como já rshulzunns. Ma: essas ¡lifcirnçzis são in vnmcntc maior-cs ou nmuuros, pois uma pedra e : mira pedra apresentam mono- ros diferenças que uma ¡at-dv-n u um rio. Êsrullurh m LESÍCÓlUgOS um: : lci que êles cluunum de "lei dz: semelhança" ou tumhém "lr-í du similaridade", nome que (lan à Llisposíção gzvral (lu espirito qua coxisísle em evocar um ílllãlTlll ¡wrcobizlo uu rvmcnu» . ln. anta a idéia dc um OlJJCCÍO smnulhan i0. Analfsuiirrw: n que lui na Iuuurczzi, o que se apresenta : m hnmcm, (qm curitclvrcs QIIC sc assvmcllizivn. Como porlcríxi vl- u-r n lNHnÍT" sv c-zuln oxpcrílwicizi fôssc sempre uma nnva cx- poriôizcíax' Ctznu ¡aoduria ôln manter a sua existência SL' ti- vuüsc que OXPUFHUFDÍJII' cmlu facto como algo novo? llergsün cxcnuplilicava iniugíiuzmxltm um lIUFHVIII que liouwssn perdido loralnnntc u IIIOIHÓTÍR, z: que irão Hvrssc qualquer' mamária. Quando (312 praticava um acto, csqueciavn totalmente logo após 4-, príiliczi, l! u aew : vguinlz: ora-lho inluiramcnlc nova, sem qualqurr ligação cum ns arms anteriores, Esse lwmcm não prulcrlu r ivcr. sc Phhrglll! a . ki mvsmn, pois não llm guiaria a mmnól'ia ncnlruvn de seus arms. PUder-: e-in queimar no ÍOgO luntas vêzes quuulas (lôlc se uproximasse; morreria (lc fome, pois irão guiar-daria a memória do alimento para satisfazer aqua* l: : UFCG : Idade imperiosa.
  21. 21. 44 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS Notcmos que na natureza os corpos ocupam um lugar r: têm uma dimensão. Que óssea corpos são mais brandas ou mais duros, isto ó, oferecem maior ou menor resistência nu facto. Uns, ao rccclierem a luz. , emitem côres. ou sejam: vi- brações luminüsns, mais ou menos intensas. A memoria tem graus diferentes, como veremos. Mas verificarmos (Luc ex te entre n côr verde de umn árvore e n côr verde de outra árvore, menor diferença que entre ela e : I côr cinzenta de um animal. Assim, verificou loga o homem que entre n côr (lc uma árvore, ou melhor, entre a árvore-esta c a árvore-aquela, havia um que que se assomclhava, isto é, 'ambas participavam de uma scmc- lhunça maior que a (ln árvore com n do animal. Os graus de diferença foram lnemiitintlo ao homem perceber as scmelho - ças. 0m, em um imperativo vitzxl para n homem, como o é para os animais superiores, simplificar a experiência, classificar t¡ experiência, isto é, reunir os semelhantes ou os menos dife- rentes entre si e excluir os mais (lift-rentes. Vejamos como so processou êsse traballio de dtfürcltclttçãth O homem comparou uma árvore n outra íirvore. Elas não eram totalmente iguais, qucr (li/ .cr, uma não ¡nulia inlcntffícnv se com a outra. No entanto, nossa comparação, verificou ôlc que a côr (lc uma se assemelham à da outra. Se as duas ár- vores eram difcrcntes, havia entre elas um ponto em que uma parecia à outra. O que em dudu pelo parecido, o homem rc- rircu, separou de uma e de outra, ou seja, abstralu, que Sigui- flca separar, do verbo latino ubstraheu'. Essa função de comparação, uwessária para a vida do lm~ mem, criou no seu espírito o que poderiamos chamar : lc "ór- gão", aproveitando o têrmo da fisiologia para a filosofia, “um sentido, porém, um tanto nulo. Esse órgão, essa função clc comparação do espirito, é que gera posteriormente, no homem, a razão. Essa comparação é imediata, intuitiva. A razão activa-se num trabalho de comparação, de pro* cura da identidade, como teremos ocasião de estudar mais adiante. A razão “soln-evém" PUSlETIUIDICIIÉC, no homem, 'como pn- dcmcs observar nas crianças. Em face da natureza, o homem FILOSOFIA E COSMOVISÃO 45 PTÍIIIÍÍÍVÚ ¡ntuía os factos. Mas tais factos mostravam conter algo que parecia idêntico. É n razão, já desenvolvida, que nbstraí êssc "idêntico" c lhe di¡ um name, uma denominação comum, que é o conceito. Em face do Ínclo verde da árvore tal e o do facto verde da árvore tnlnulm, e de muitas outras árvores, a razão abstrai o que 11;¡ (lc semelhante numa árvore e noutra zirvore, que é o ocrrlc. Essa nntn comum da côr da árvore, de outra c de ou- tra, pci-mile forum- o conceito verde. Na suu forma, esta ár- mru om semelhante àquela. outm e a mais uutraà'. Abstmiu de uma árvore, e de outras um facto comum nelas que con- sistiu um ser um corpo cnraizado na tcrrn, com tronco, galhos, folhas, etc. , e denominou-o de árvore. Eis surgido o conceito (ln ánore. E assim quanto nos galhos, quanto aos trímmi, quanto ? as folhas. ao é dificil verificarmos ainda hoje, entre 1165, que Onda «lia surgem novos conceitos (le factos especificos, que antes não tinhnixi um nome. Por exemplo: descobre-se um facto novo e logo sentimos n necessidade de lhe dar um nome. E que já tendo surgido o conceito, que é uma operação mental, precisa» mos uma PEIlílVXB que o anuncie. que é o termo correspondente. É fácil verificar-sc também que certos conceitos, que até então craun gerais, alargam-se cm novos conceitos especiais. E que a buaczr Cla semelhança é cada vez mais exigente. Por Exem- plo: no conceito de animal, encerramos todos os sêrcs vivos que a Zoologia considera animais; mas entre esses estão outros como os vertcbizitlos c os invertebrados. Êstcs dois conceitos já não são tão gerais como o dc animal; são : nais específicos. E da caracteristica de nosso espirito desdobrar-se em duas funções: a que procura o semelhante c a que ¡acrcebc o ¡life- rente, Enquanto a. primeira função, a de comparar para apreen- der n semelhante, é a que melhor corresponde à natureza do homem, por simplificar e 'assegurar uma economia eo traballio 'llÍdllllàlllllAAAqn_
  22. 22. (6 MARIO FERREIRA DOS SAJÇJTOS mental, a segunda. a dc zlprceníier n rlífcrexitc, n individual, érlhe mais cansativa. Por isso, a racionalização do homem é constante. Mas, por essa racionalização, pcnctrt¡ o liomnm no terreno das abstrações, pois, como veremos, u razão trnbnllm mm abstraçõos e tende para o parecido c, daí, para a identida- de. A razão¡ por sua exigência do scmulliante, cada vuz maior, chega à identidade, onde tAdas ns semelhanças seriam : lbSHlnÍa- tncutc iguais. O movimento, a fluidez, n krnnsfcrmrtção sons» trinta das coisas, que nas revela a intuição, chocam-se com a lcndência a cstatiiicar, a parar, a identificar, a liomngcncizrtr (ln razão. A razão funciona com o parecido c a intuição com o (liferente, por isso : zada uma forma, a ywxleriori, seus pró- prios conceitos. Em nossa obra "Psicogêncsc", estudamos ¡Jortncnu da* mcntc a formação dêssc proceso (lc polarização da in 'l : atuali- tlrzcle, cm intuição c razão, como também n nunlísntnnw na 'iNonlugia Coral", que é a ciência do espirito (1). (l) Surge aqui uma grande problemática que exigiria anár lisas mais vastas, o que é examinado nas obras especificas, que compõem a nossa "Enciclopédia das Ciências Filosó cas e So» ciais". Assim, a farmacia do conceito, como esquema abstracta- -naético e a sua fundamentação nos factas, bem como o pm- blcma das universais, são temas qu: exigem outras estudos que vii-ão a seu tempo. w III AS ANTINOMIAS E O DUALISMO ANTINÓ- MICO -- DUALISMO GNOSEOLÓGICO E ON- TOLÓGICO - CONCEITOS - ABSTRÀÇÀO - EXPERIÊNCIA Convém salientar que um conceito, :iu incluir um conjunto de factos singulares, exclui outros. Eis por que não podemos ponszn' num conceito sem seus opostos, Quando conceituamns vertebrados, excluimns os in- vertebrados; quattdo conucitunmns o itlônticn, excluímus 0 (li- lercnte; quando concciluamns homem, (axuluímns tudo quanto não o seja. ~Tal dualismo (e uma clecorrenciai do nem racional de cnnceímação, ou seja, (lr: (lar um conceito, uma rlnnominai- ÇÃO comum, a um carto número da factos que nus [Inreccln idênticos. Ao procedermos assim, já fazemos uma exclusão, quer dizer, separamos tudo quanto 11:10 é scmclhantc ao que conccituamcs. Por isso, todo o conceito inclui o que deseja denominar C exclui tudo quanto não possa enquadrar-se nessa denominação. Esse dualismo é, portanto, fundamental da estrutura lógica da nos: : mem-rx. que 6 obrigada a abstrair, polarízandu-sc em opostos. A0 criar um conceito, surge cspontâncamente o ccntrári : à afirmação surge sua negação. E isso mais evidente quanto às qualidades. Estas, quando conceituadas, excluem o C100 lhes é contrírio, e logo o conceito oposto, como também ans substantivos abstractos. Assim: Bem e Mal, Liberdade c Necessidade ~ Absolulo e Relativo, Abstracto e Concreto, etc.
  23. 23. 48 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS Tais dualismos têm sido um dos maiores e mais intriucaclos problemas da Filosofia, c têm provocado as divagações mais complexas e ambiguas. como ainda teremos ocasião de Ver. Entretanto nos parece que o problema é falso, país u que está unido de facto, é separado mentalmente, e pensamos ter reali- zado uma divisão real. Nós imginentamos a realidade em conceitos abstnctos, como aliás são todos os conceitos, c ¡lc- pois ficamos atônilos por não poder reuni-Ios numa_ unidade. E aqui que surge o problema das nntinmnitzs, que é o que vamos estudar. Na filosofia, em geral, o tôrmo untínumizi é empregado para denominar a reunião de duas proposições, uma chamada tese e a outra antítese; que, embora contraditó- rias, podem apoiar-se, tanto uma como outra, em argumentos de igual fôrça, como expressa Goblot. Kant (filósofo alemão, 1724-1804), por seu turno, chama antínomiais da razão, as que sc descobrem nas idéias da razão pura, ziplicadas à Cosmologia (ciência do Cosmos). Vejamos wrno as anuncia Kant: l) Taxa: o mundo tom um comêço no tempo e limites no espaço. Anlítcsü o mundo não tum ÚBHhUH) comêçr) nn lem- po nom limites no espaço. 2 Tese: 'Foda substância com iosta com õc-sc de ; zm l tes simples. Amin'. t: Nada, no mundo, ¡simpõcvse de partes sim- plcs. 3) Test: : Existe liberdade no sentido transcendental co- mo possibilidade. do um comêço absoluto e iir causado de uma sério do efeitos. Airtítcsc; Tudo LICUHÍCCB no mundo segundo leis uu* turais. 4) Tese: Existo no mundo, como sua parte ou como sua causa, um ser necessário. FILOSOFIA E COSMOVISÃO 49 Antitese: Não existe nem como parte nem como cau- sa, no mundo, nenhum ser necessário, As teses são provados pela refutação das antíteses e vice- wrsa. Essas quatro antínomias de Kant surgem¡ como ten-ia das mais uncnmiçzidzis disputas entre os filósofos. UM PONTO DE PARTIDA. Vamos apresentar, um ponto de partida e também (le apoio, um pnnlo de referência, digamos assim, que ofereça n ¡icrspectiva de cada. escola, permitindo-nos penetrar no intrin- cado emaranhado @as opiniõcs filosóficas. No século passado, viveu na França¡ um homem que as L-nntvmlais politicas o a mentira tornaram-no em grande parte tlcscoilliecido das gerações actuais. No entanto, sua obra, que estava por quase todos esquecida, ressurge agora, aos poucos, P317¡ n03 di" nova luz aos problemas du século XX, As pre- visões dôsse liomcm sc confirmaram nesta século, e sua critica e ns grandes pcrpectivas que lançou iniciam a dar seus frutos prodigiosos. Êsse homem chamas/ ass Pierre Joseph Proudlion (18091864). Em sua obra “La Révolutian sociais", lemos es- tas I)ili'| 'rí| SZ ” “A verdadeira filosofia é saber como e por que nós filoso~ fumos, dc quantas maneiras e sôbre quais matérias podemos filosofzir, a que tende lôda especulação filosófica. Quanto a sistemas, não há mais lugar para êles, e é uma Prova de mc- cliocridadc filosófica ; procurar liojc uma filosofia”. Proudlion verificou, ao lcr as antinomías de Kant, quo cias níin provuvnm n fraqueza da razão humana, nem mostra. vam um exemplo do subtileza dialéctiva, mas eram uma verda- deira lei da natureza e do pensamento. Para Kant, essas an- ünemias mostravam que o entendimento humano funciona fura de seu domínio e que, não cantando o real, funciona por meio
  24. 24. 3 i e u sor-. Làbaco 50 MARIO FERREIRA DOS SANTOS do processos e meios ilusóríos. Êsse em o seu grande. argu- mento para condenar a kíctafísica e fundar o agnnsticismo (l). Mas quamo às antinomias, Pwudhon difaria 11a Kant. P11- ra êle, elas estavam no espírito, porque estavam n11 scr, 11:1 natureza, no mundo fisico, e no 11111111111 social. E dizia C-lc: "O mundo moral comu o mundo físico, repousa sôbre uma ¡1111- rullzlatlr: da ulementos 111211112110611' a antagonistas, 1: é 1111 1'1111~ mulicfia dôsscs 121111711511103 que rcsullrun. (L 111111 1: o z11111:1'1111:11111 110 mtíversa". O 1111111111110 antagmísta, 1u1li11ô111ic11, n11 3111111111 11v 17r1111~ 11111111 tam I11n senlido mais lato 1111 1111 o 111: Kant. á 11111115 › L1 as duas 1e11c1ôncías antíuômicas 110 nosso cs 1111111: 11 1111' 10111111 l 1111111 o 111111141111111 c 1111111 o 11ilc1'1111t1:, 11111: ' i111111çí111, 211111111- 1110 directa 1111 facto individuail, 111211) simples 1111 1w11ir1111, c 11 procnsso 1111 1112510, 11111: tende 1111111 11 purnuido 11 para 11 1111211, que 1701111111111, acção mais cnmplüxn 1111 1111:* 11 1111113111111 A 1117 zün 1': puslcrior à íntuiçñü, dc fornnnção mais 11-11111 1- 111111111111111. M115 a razão e 21 intuição, 1111 1110111111', 11s 111m 111111- tclccmais de nosso cspínw, 10111111111111-511, 3111111111111113111 11100-650 1111111 e 1112116111100 (111 11111sn1n, 'sus 111~ 111-111 Vimos como 17 homem aprmsnde o 1111131121111', 111115 111-oc1_1 generalizar para pode: c111n111111-1111cr, 1111111111111', 1- 8011111111111) transmitir, pois o homem começa 11 crinr mincciiox, 111111111111 sncializado, c. precisa tmnsmitix o que sento. '1- 111111bé111, que u criação (le conceitos é pmporcíniial à 1111/11¡ 1- 1111 realidade. Para entendê-la e para lransmikir aos 11111111.: 11 11111: dela apreendeu_ vé-se o homem obrigado n uma criação constante 111: conceitos e de seus enunciados verbais, ns tôrmos. f i Cmhüs, Veri camas que, enquanto 11 íntui io é o cnnhec11111-ntu (111 individual, conhecimento imediato, 11 111 '10 1111511111' 1111 1'11- (1) A característica do ngnostlcismc consiste 11111 711101711' para a Incngnoscivel como meiu de explicar 21 natureza, que é, para êle, :1 manifestação de uma potência. 11 qual não 1111111111115 conhecer, e 11a qua! , contudo, temos necesgana» para cxphcar L1 natureza. -m- 1g»- FILOSOFIA E COSMOVISÃO 51 1111111111111 n luêles caracteres 111112 encontra geralmente em ou- tros factos individuais e dai-lhes, depois, 11n1 anunciada verbal, 11110 é 11 11* 'mo 101111111111111 (1). Resta agora sal , rmos o seguinte: êsse 1111111131110 que veri- ficamos no conhecimento enlrc o 1'111u1'(iv11 e O racional, (mile- xívo e discursiva), surge 11111111113 por 11m dualismo funcional 1111 nosso cspírito 1111 1151 1011111111111: 1111 11111111071: @me dualismo, qnt' 1'! por 13111 111110011111110? 011, em linguagem 1111151111111, l1á 11111 1111111 1111-11 (11111 (11111-1' dizer, 11111 1111111191110 n11 11111111111 1211111?) São 05555; 1111.1- lixmns, 111111111: 1111 0111111112111' 1111 1111 51 ? 11111 11111751111111- 151110 _Io conhvcunonlu) 1111 um 1111111111111 111111111111101; N50 ó 111011 agmu 11111111 › - 111x111: 111111111, 11111 11111 1111115 i111~ 11011111110.: 11a filosofia. já 11111115, 11111 exemplo, 11 10111113 1111:¡ 111: 1111111111 filnmfizu, 1,1111 311111171111111' :1 11111110211 c 011111 1:1 1x11: 11111 11111130 ser, 112111111111111, 111 1 111111111, 11 1111411191113 :1 11n1 111111 111511111, o explicando u 11111111111¡ 1111 111111111 1111r111nc1111: gnosmló- gi 11, ism (1, 11o c<111l1cci111c11111 [111- 1111111111, 11m g n, 11111111111- 111111111) Qua-oi rcduzir n 1117.5111, 11111 01111111111. i1 í11111iç-R11, Íazvr tluquulu apenas 1111151 1-12. 111117111 11:1 razão, 11o 1111111v1u. 1'- lcnm e 110111111211111. Cnmn 1311: 117111 1101111 conhecer o 1111111311111 111111 11 scmvllmnrv, 115111 1111111; C11- 11111101' o semelhante sem o diívruntc, Sim, 11111111111, como 111117 11:1 1-1-11111105, cnnlicccr 1': r1:c1)11Í11'1:1?1' (2). 111111110 111-1111, é errôneo. A cstm N11 intuição nào 11a¡ 11111 c01111eci111e11to pràpriuinciitc 11110, &Inburzi sc empregue muito ôssc 16111111; 11:1 intuiçuo, 1111. 11111211115 (1) Essa actividade da razão é estudada na “Psicolugizf (1 11:1 "Teoria do ifonhcaimontn", 11 sua prnblemâtica nus livros' 111: N1111111g1a. (2) Sô captamos sensivvWvicnie 11 (11111 õ ussimilávcl nos cs- qucmus da nossa sen 111111111111; (lcpois d: : "1 . actualizados, como se vê 11:1 criança. Para cunhvcci', é 111311155711111 nova assimilação, um Wconhecer. N11 “Nnolngi * cxaminnmas éste ponto sob no- vas bases.
  25. 25. 52 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS uma apreensão imediata do facto. No conhecimento há um reconhecimento, por isso exige a memória. Pois só se conhe- ce o que já sc conheceu. E um conhecer de nova, pois o que sc dá pela primeira vez não podumos ainda conhecer, para tal nocessittunos clnssilicar, dizer o qui'. é. O acta da comparação não é ainda um veriadeio conhe- cimento racional. A formação lenta. da razão nasce da aplicação constante e cspontâxien do nosso espirito ein dlruçãü ao semelhante. 'For (los us unimziix ! unir-m para n tnnlwcirln, u já percebido, É como um instinto de ziutodcfcsn. O homen¡ procede da me» ma 10mm. A mzía é uma scdimentziçáo posterior, sôbre os* dos conceitos. quemus, quando : i conceituação, n elabora *atinge tal grau, que o espirito jxl pode funcionar por entre Ulll mundo de discurso, um nruudu : lc conceitos, com seus enun- ciados vei-luis (1). A razão, por tender : m semvlliantc, ao parecido, no homo- gêneo, gera constzmtementc uma risão do munido dirigida para o idêntica, rrnqtranta a intuição tendo para: o individual, U dilorentc, o heterogêneo, o Variante, o plural; êsse (l-valisinx) antiuúmicu é constitucional do nosso espírita. Se é ele nfm apenas um resultado do ; node (le conhecer ou se o próprio ser e' (lunl, é penetrar em outro terreno. MuílJs Íil/ soíos dis- putam entre sí a subordinação de um pülo a outro dêsse : lun- lismo, ou, então, a redução de um a outro. Nesse vaso admi- tem o dualismo, mas liicrxirquíco, ou cirlãu TCdllZPlh um 210 outro, isto é, admitem que um (los polos é apenas uma mani- festação : lu outro. 'TIUJIlJÉJD cabo outra posição: n (pic ailmilo n llomogirnciflatlc de nosso espirito, u qual, ante a hcterugcr unidade: da realidade, actua (lunlisticzzmente para opreenLlô-ln. Esta é n ¡msiçãn ¡nl-urlomiiiriritr- nn filosofia. E temos as três [Kixiçõüs clássicos que clccurrcni nlziquí: (1) os' que ; iclinituni (l) Tal aiimiutiva nào implica que a razão (ralionalitus) seja criação da intuição. Sua actualização, no homem, e' condi- cionado pur aquela, quE actua : uma factor predisponmtc, mas MAH enrargêizcia é mais longínquo, e ainda não pode ser estudada. FILOSOFIA E COSMOVISÃO 53 que lni uma distinção entre natureza e espiritos, são os espíri- tuzilistas; (2) os que irão admitem essa distinção, que são os nzatrzrinllytas, etc. e (S) finalmente os que admitem a primazia du espírito, pois, no conhecimento, e pensamento só pode co- nlwcur o ¡yL-nsmncnto, não sendo as coisas mais do qu: : nmsns próprios ¡acnsamcutos - us idealísias, (Iuunto aus que admitem ; r existência da realidade ? los objectos de nosso conhecimento, muitos afirmam que esta é ganurtidai pela veracidade divina, como Descartes (filósofo tmn¡ '- 1596-1650) uu pel: : harmonia prcnstnbclcnirlai, como l, r~¡l›zlit7. (iunnto i¡ msi ão ue admite uma antinomia de nosso cs- i l 'r' 'l aii-im c da nnulrczn osso é de menor influência na filosofia. l 1 Pocluiuos salientar a figura dc Ilcrzíclito, em porte, as de Pmu- (llitm c lxiorkcgziztrd (Dinamarquês. 1813-1855), proximos . i nz». íinus que os conceitos ¡mrtem sempre (lc lucros. Por mais ubslraidos que sejam, sempre encontramos um rcsguicio de (actos, reais ou psíquicos. Quando o punto de partida é um izicto real, o conceito conserva mais cnrpureidadc, por Cxcmplo livro¡ quando de factos psíquicos, o facto real se cs- fuun. por exemplo, mirar. Mas lui conceitos aos quais a abstração ultrapassa o tum- po o o cspziço, ou seja. não têm o apoio destes, e apenas po- dom ser pensados, não intuitiva. São os chamados coxiceitns negativos. Excmplitiqucmos: a intuição nos mostra que na realidade há fluidez, variação, mensurabildade, finitude, condi- cicualídaide. A razão cria conceitos próprios, negando o que nos mostra a intuição, e assim temos: íneoinnnsurnbilíclnde, intinítude, incondicionado, ínvziriante, etc. , os quais não têm coiltvúdo positivo, tático (da palavra grega thetíkôs, que sign# fica ¡iasiç-ãa). Queremos salientar que os conceitos ala razão são. em regra geral, formados de conceitos negativos, como us que vzmos acima, mesmo quando lhes falta a partícula nega- a. --
  26. 26. 54 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS tiva. Por exemplo: absoluto, que sc define como incondicio- nado, nãarcondicicnado; átomo, (tamos que significa frag; mcntn, parte, e a, alia privativo, em grego), quer dizer não- fragmento, o que não-tcm-partes. Não se dcvc confundir com us conceitos nugativos, os que têm conteúdo empírico, como por exemplo: Nãoreu. l-lá ainda us conceitos neccssárivx, grand: : problmna da nwtafisica: são as categorias. Para Kant, que os estudou, são as: camgnrias convcilox fundamentais Lll) entendimento puro, são formas a prmri, quer dizer, que Estão presentes antes da cxpcriência do NOSSO Conhe- cimento, e representam tôdas as funções essenciais (lu prtnsaA ¡ncnto discursiva. Kant cstabclecc que todo juízo pode ser considerado de* ¡Jaixo de quatro pontos de vista: quantidade, qualidarlr', rala- ção e modalidade, e de cada um dêssos pontos de vista são possiveis três classes de juízos. Vamos enumcrarlcs: Quamidcde Qualidade Relação MUdalldGdC Unidade Afirmnção Substância Rzsalidartc 7 Não realidade Pluralidade x Negação Causulidude Possibilidadc r Imposslbildade Comunidade Necessidade ~ Contingência Totalidade Limitação Essa classificação de Kant é uma classificação modificada da aprosentatla por Aristóteles. Muitas outras foram apruscn- fadas posteriormente. O que nos parece fundamental para compreendermos qual a significação dessas categorias na lilo- sufia, consiste cm serem elas necessárias d razão para o conhe- címcnta, uu seja, não são conhecidas, são dadas no ttnnliccí- lncnto, mas ímrecedem a éste como meio dc classificar, com; prccndcr, ordenar o conhecimento racional, que é formado por conceitos e, 1nortanto, por abstraições. A tradição chnmaras (le conceitos universais, dos quais os mais importantes são os «lc substância c causa. É fácil COHHJICYItlGY porque sc clmmain _'_ N_ FILOSOFIA E COSMOVISÁO 55 univcrsa x'. Nada pudemos pensar sem referir a algo que é, ou a um antccedcnttr. Essa Liniversalidade é um traço do conhecimento humano, um traço da razão. t) procmso lógico exige uma razão suficicntl). Essa razão suficiente ú a relação necessária dc um ubjec- to ou acontecimento com os nutrns. Em virturlc llÔSÍC principio, (tnnsi «zramos quo nenhum ente, e nenhuma enunciação wicrdatleíra, sem uma razão suficiente (bastante) para que seja assim o não (lc outra forma. Essa a (lefiniçãn (lc Lcib- niu, facto pod( ser verdadeiro ou t-z. A raivão, mmo actua sôbre csqtlcnms da comparação do semelhante, tende, em seu rlcscnvolver, a elaborar o concvítn (lc idêntico. A razão suficiente liga, coordena um facto a outro, pm- cnra entre êles um homogêneo, nm parecido, uma “razão su- licimle". Sc mão o encontrar, cln não pode compreender. Dessa forma, a razão necessita das Categorías, quer dizer, Llc elementos homogêneos, que liguem um facto a outro. Ve- jamns po¡ ex. : o conceito (lc . YubSl/ ÍIICÍII, uma das categorias (lc relaçâr . A substância c' o que está sob as coisas, o que sub-está, o (WP csti atrás dos fcnômmms. Pci' exemplo, ôstc livro quo irmos à frente, pode ser de côr branca ou escura, ter tais ou quais dírvL-nsõcs. Mas substância é o que fica atrás da tudo isso, depois de separados os atributos que encontramos neste livro, Demos um outro exemplo: temos aqui um pouco de : :éra à nossa frente. Tircmns tôdas as rlualirlnrltts que apre- santa, imaginamos que a (rsqncntamos, a derrctcmos, a fundi~ mas, a eslrizlmos e vemos que se soliditicn dc novo. No en» tanto, permanece sempre algm que (e substância: a uôra, a
  27. 27. 58 MARIO FERREIRA DOS SANTOS mesmo côrn. As coisas mudam, transformam-se, rms há sem- pre algo de permanente, algo que é inuariante, é a substância, que permanece sempre a mesma (1), Dc onde decorrem êsscs conceitos? De factos singulares? Não; de relações constantes entre os próprios factos. Expres- sam êles coexistência e sucessão, nexos espaciais e temporais, que estabelecem uma interdependência entre a totalidade do existente. Vejamos, por exemplo, o que é o quantidade. Aris- tóteles dizia que a quantidade é o que responde à pergunto Quanto? Om, n razão concebe n quantidade como algo ho- mogênea, por isso divisível em partes. A quantidade é n ; ms- sihílídadc da mais Du de menos. Para termos o conceito de quantidade, despojamos as' coisas de tõdas as suas qualidades, que são helerogõncus. A : piznititlndc é sempre numogônen. s são tecundos quando apl clndns n um Esses conceitos univei caso concreto, por nos permitirem a classificação, que é a base do conhecimento. Quando tomados como factos reais, independentes do pro- cesso lógico, aparecemvnos vazios. Pois podemos pensar a substância, a quantidade, :nas não podemos intni-lus. Vejamos, por exemplo, a causalidade e o seu principio, que nos obriga a formar uma cadeia dc causas sem fim. O primeiro elo nos é impossivel alcançar. Para tal, ternos que admitir uma causa sem causa, uma causa sin', uma causa de si mesmo. Assim, quando tenlio um objecto e quero conhece-lu, pro» movo um conhecimento categoriol, observando o objecto, se- gundo cada categoría. Venw-lo como substância, como quan- tidade, como qualidade; sc forma uma unidade ou uma plura- lidade, etc. A5 categorias, por isso, presidem ao conhecimento. Mui- tos filósofos têm reduzido u. : cntegori a uma só, a de relação. (l) O conceito de substancia é VÀTÂO na filosofia u é exa- minado na “OnLologiaW Também, nessa obra, são discutidas as opiniões sobre as outras categorias. FILOSOFIA E COSMOVISÀO 57 Pensar é estabelecer relações. Para tal é eficiente o auxílio dos conceitos, os universais. E com êles que se ordena o co. nhecimento dos factos singulares em sistemas racionais. A intuição e' que dá o atributo da reztlldaclclporquc ela é a apreensão do individual, do concreto. Par isso Km¡ í; (ll-zm que lodo conceito, sem conteúdo intuitivo, é um canceím u. zin. O conhecimento organizado por meio de conceitos di¡ nm esquema da realidade, uma vi ão da própria ¡veal¡; lndc_ não, porém, uma visão exacta, Mas o instrumento para obter ¡m- çào adequada do sabor empírico é o conceito_ Di-sujumus abordar ; agora com alguns ulclnôñws impor. tantas, um têrmo que temas usado sobremaneira e que ostú n exigir melhor explicação. Trata~se do tôrmo: abstração. A abstração consiste na ação do espirito que considera à ¡iarte um elemento (ipialidade ou relação) de uma fepfpssn. tação nu de uma idéia, pondo especialmente a aggnçao sôbre ôle, e ncgligcnciando os outros elementos. Também 5o Chan” abstração ao resultado desta ação, o que Conseguimos abstruír. Por meio da abstração penszurws (l parte a que mio pode ser dado à parte. Assim, por exemplo, as figuras de geometria são zibstrações das figuras concretas, nas quais só temos em consideração a extensão. Falamos do círculo, mas não dra, um Circulo determinado, mas do círculo em geral, Abstrgímos do circulo lôda a concreção, tôda extensão dada concrctamen. tc, c pensamos no circulo como uma figura que está abstmfçla das qualidades ou relações que individualmente encontramos num circulo ou noutro. O conceito, como vimos, é o resultado de uma abstração. 'lemos um livro, éste, e temos aquele livro; éste é maior, aqua. lo é menor e verde; éste é de capa amarela. Aquele é gzosso, éste é fino. Vamos abstraindo essas cünereçñes e chegamos n «'›'F¡'FPFRFFI . › . v . v . vw . ›.v_, _, . › , . , . ; vt-a- , . -. -
  28. 28. 58 NIARIO FERREIRA DOS SANTOS uma abstração geral, que é o conceito livro, uma porção (lc carlcmos manuscritas ou impressas, cncadcmados ou bruclm- dns. O lium é um livro ideal, um livro que ¡iãn se cnlnca rm espaço, que não tem dimensñvs, que não tem [mapa, pnis não tem um ano, nem dois de existência, E algo que ahstrnímos de tôdas as suas qualidades, c: que pensamos à parte. Entretanto, embora nos pareça tudo ism muito simples, u abstração é terna de demon-atlas controvérsias na filosofia. E natural que não ironias aqui aborda apenas salientar os aspectos gel' e mais interv caules, ím- prnscinrlíveis [mm a boa cnmprceusão da matéria filosófica. 'i mas Algumas cuníusõcx surgem nn enxprêgu do tôrmo abslra- ção. Por ex. : é comum verrse emprega-lo para expressar a separação que se faz de um nbfectci. Vejamos: temos' um 1¡- vru em cima da mesa. Nós a separamns; isto e', pensamns nêle à parte, indepcndentctnente da mesa, como pudemos pensar í¡ parte sôbre a mesa, independentemente do livro, Na realidade não realizaram. : uma abstração, porque vcrdar cleiramcnte podemos separar êssc livro da mesa. Vimos que, no conceito do abstração, há uma. separação, mas como ação do espírita, que considera à parte um elemento, Podemos realmente separar o livro da mesa e luvá-lt) ? ara nutre lugar. Na abstração, a separação é da que não : e da' à parta'. As- sim, quando pensamos na quantidade, abstraimo-la da: qual# Llatles, mas, na. realidade, a ¡luantirlatlc da cêra de qm: lala- mos acima, não é separada das suas qualidades que também a constituem. Podemos também pensar na côr clara da côra, indepen- dentemente da sua qualidade. Podemos abstrai-la, ruas essa côr, na realidade, não se da à pai-tc da cêra, da quantidade de eéra. Este ponto é importantíssimo e merece a maior atenção. Assim, nbstraír é desassociur o que não permita' scr : Ie- rzrmmoiado. São Thomaz (1225-1274) frísava bem que, quando pcn~ samns numa qualidade à parte, não quer dizer que essa quali~ dude fíisse à parte, mas sim que ela era pensada 11 parte. FILOSOFIA E COSMOVISÂD 59 Vejamos outro aspecto íznportantn: N! ) momento um que nos propomos abstmir a côr branca¡ deste livro, temos, no es- pírilo, imzigvnx (lu supzvrlícics coloridas svmrlhantcs. S: : não tivéssemos (issue imagens, não poderiamos fazer a abstração. Nós só abxtraíizlns u que compammos. A comparação é anterior ii zibstraçan. Só podemos alas trair uma (Íualízlciclc quando a comparamos : :nm ouiras, cujas imagens estão presentes no espirito. A razão funciona com alrslrações, trabalha (rom abst içñcs, como ja vimos. A abs» tração é um usiágizr posterior' da comparação (1). (1) Tudns êsscs temas, sobretudo os que se referem às categorias e à abstração, são tratadas de forma genética em nossos livros “Psicogênesv e "Noogênese".
  29. 29. IV O PENSAR - A EXPERIÊNCIA - ESPAÇO E TEMPO - SUJEITO E OBJECTO Quo a experiência? SL' o leitor está sentado, tem éln uma experiência du cadeira. Mas : :ssa cadeira é um ¡rap- münlo Ja realidade, Um fragmento, comu Osso lino, :: Viu zucsn, essi¡ Iàmpzuln, aquclz¡ cadeira, uquôlzrs livro , todos são fragmentos da rculi? dado_ Mas o leitor item um cuulwcimcnto (loss-J cnrlcila, dessa mesa, (lêsso livro. Mas ôssc conhecimento é fmglnexitcírio. Não é um conhecimento de tóclns as coisas, mas apenas (lc fragmentos (la realidade. A experiência ó assim um conhe- cimento fragmentária de um fragmento da realidade. Mas essu experiência se «lá isolada? Independente, semi pre igual a si mesma? Não; ela sc amplia, se aprofunda, se rectííica. Vejamos; o livro é de capa azul, não é muito grossa, tem uma aprt-: scntagzão sóbrio. E colocado, ali, :naquele canto d: : mesa, parece mais bonito. Os conhecimentos aumentam. Vejamos outros elementos frcqüentemenic designados por experiência? O facto do sentir, ou o resultado de Sentir, de sofrer, dc receber alguma coisa. Mm permanece lurlü issu como algo à parte? Assim co- mo uma ficha, duas, três, quatro, cinco d: : Laapéis? Nãul Cada experiência se incorpora ao conjunto das experíêrlcíus an- teriores. Cadu experiência¡ vou¡ : :juntar-se às ah exitão C0-- FILOSOFIA E COSMOVISÃO 61 nhccíclas. E se perguntásscmos: é a experiência uma cópia da realidade? Sim, uma cópia, poderíamos responder. Mas completa? Não; deficiente, limitada. E assim também a ex- periência individual, como a experiência acumulada que uns comunicam um outros, e as gerações transmtiem às gerações. Curl: : nova experiência importa em um novo conhecimento e um novo prnblcma. Já sabemos o que é u experiência? Sim, sabemos alguma coisa, mas muito pouco ainda. Um ponuu (lu história do pensnuxcnto nos ajudará. Os antigos opuuliinir¡ a experiência sensível, (dos scuti~ dos), ao raciocínio, :no saber adquirido pela reflexão racional, nto ¡Jclu razão, AqnvI-. i, a n-nslvltl, ¡icrumuccia apenas xius RIPQIÕHCÍHS dus coisas, rliziam, enquanto a segunda chegava ao fundo dessas xuusmzu coisas. Um ; raptada IIKTUCO scr prévinincnte examinado. É uma simplus classificação da texperiôncín que nasce d-aquclu dicotur mia aplcsouLnLla lií pouco. Poderíamos acaso classificar' n cx- pcricxiciz¡ em: a) uiediala on b) imediata? No primeiro caso está claro, pois admítimos que a cxperir ôncía é feita por meio dos sentidas, da razão, ele. Mas, no sat-gundo, seria uma experiência directa, um contacto imcçliato com o objecto. Podor-se-iz¡ aplicar a intuição intelectual à experiência? Vaunns fazer uma pequena dgresão sôbre o conceito de intuição intelectual como o expõe Bergson. Estc dizia: "Cha- mznq- mtuzg. y um¡ ospócíre (lc simpatia intelectual pola qua] nos transpor-tamos ao interior do um objecto para coincidir com o que ôlc tem do único (t, por cnnsuguíntc, de íncxpresr V szivct". assim : ilgo Scmelhnnte uu comparável : u: instinto e : :o 5mm ¡irlislico que nos revela o que os sêres são em Sl 6 i t t t G t t I¡ E t O. V. l. Í. O. I. Q Q t Q Í: I. C. E Í. I I. l t Ir l O
  30. 30. -u 'M : :B5 nl| . «n . l 62 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS mesmos, em oposição ao muliecímcnto discursiva e analítico, que nos faz conhecê-los pelo exterior (l). Aceita essa experiência imediata, o adquirido por cxperi- ôncia seria diferente de o adquirido pelo raciocinio cliscilrsivü nu poi' dcrluçõc Aquela seria uma experiência direi. eo- mo por exemplo : i que sentimos, que expcrímentnnzns em face (le uma pessoa com a qual, cm certos momentos, sentiam-nos tão fundidas em sua alma, em seu mais intimo, como se lÍi dentro penetra¡ mos e vissemos o que realmente : i pessoa Vejamos ns diversas maneiras como se entende : i expe- riência: n) segundo seu conteúdo intencional: como experiência interna, dirige-se à consciência e proporciona ii realidade inte- g Ll. c imediata tlesta; b) como experiência externa: equivale ! i pcrtzepçüo, nu- ma significação muito ampla do tôrmo, cujo conceito ¡irvcisn só pode scr formulado pela psicologia. Assim se fala de uma experiência (lo 'nsiwl e dc uma experiencia do íntcligivel; (lc uma experiência psicológica e da uma experiência metafísica, r c. Desta forma se v6: que r› uso (lo tôrnio é vário, e o conceito (lc experiência (s demasia- do lato. Por isso, é muitas vêzes uimlo no Sentitlt) pnimnvnte empírico, numa oposição tenaz aos diversos sentidos quo lllc «mpr im os filósofos. É ôstc, por exemplo, o sentido empregado por Kant Para ele, n; nossos cnnliorzimentos começam com a expe- riô eia. Mas quer referiikse Kant : i todos os nossos Ctl| Il| G('l' mentos? Não. Do contrário como teriamos uni conhecimento uni- ivcrsalmcnte válido, isto é, válido para todos; em suma, como teriamos a ciência? Portanto, alguma coisa intervém. (t) Adiante, na “Cosmovisãrf, cstudnremcs mais ampla- mente zi intuição. v : - FILOSOFIA E COSMOVISÀO 63 Quer dizer, se a ciência começa com a experiência, não se fundamenta apenas nesta, ncm todos conhecimentos proce- (ls-, iri sómente da experiência. “os como se di¡ isso? Façamos mais algumas análises: o conhecimento por experiência é Lim conhecimento a POÀÍGHOH, Lim conhecimento empírico. Como passa êle ao conhecimento ltniVC-Yâílllll-JIIÍC iálitlo? Por mein (la conjunção da experiência com os principios (lo ttntvntliinciilo. ¡Éstos ¡irincípics (levem actuar como uma forma sobre n matéria rlii experiência, sem transcmidiê-lu nunca, enquanto ipi r nu pretenda limitar-se no teircno da ciência. Kai. usou o tôrmo trunrtretlunlt: com um sentido preciso. Para ôle, ora transcendente o que estava acima, além de tôda cxpijrizêiicia possivel, quer ipianilo se tratasse cle realidade, de sài s'. quer quando se tratasse : los princípios (lo conhecimento, 's pri prias palavras : lv Kant o muito claras e ju nos Fiuniliaiizarào com outm têrinn que teremos ocasião (ie cncou- trai' muitas vêzes nos livros rlc filosofia: “Chamamos imuumi» [ea os principios cuja aplicação se atôm inteiramente nos liini» tes da erpizriênciii possível, c tnmszrenzlcntes os : pie devem erguer o seu vôo acima (lim ' liinilcs". 'Perna-sc agora bem claro o que quPriamns dizer' acima, quando afirmávamos que quem pretenda limitar-sc no terreno (ln viôuca. tem qu¡- eonjzigni n» principios (ln culi-ncliiiiciitn vem a eipvriência, fazendo-os actuar como Lima forma, scm tmn. endei numa a Lnperiôiiciii. Por isso, o vcrnlaileiro cientista¡ permanece no tvrrciio (ln ciência, que é iinanente, (Ill . st-ja, nplicarsc . apenas aos limites (la ox-pvriôricia possivel. O resto peitencc à lilusoiín (l). O que se entendo pm' experiência nas (llVCYWS filosofias não é matéria pacífica, pois liil iuirias maneira. ; de compreen- (lê-la, (1) Inianente vem de manera e mmiar em, o que mana dentro de (le-terminado ser.

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