Diáconos apostila

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Diáconos apostila

  1. 1. Diácono, eu, Senhor? “Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos” – 1 Timóteo 3:10 © Isaias Noelson Christal
  2. 2. I. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES Em Marcos 10:35-45 encontramos três princípios fundamentais para a formação de uma mentalidade correta acerca da liderança na Igreja. “35Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos. 36Ele, pois, lhes perguntou: Que quereis que eu vos faça? 37Responderam-lhe: Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda. 38Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? 39E lhe responderam: Podemos. Mas Jesus lhes disse: O cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados; 40mas o sentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado. 41E ouvindo isso os dez, começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade. 43Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva (diakonew)1; 44e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. 45Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir (diakonew), e para dar a sua vida em resgate de muitos”. 1. A posição de destaque não é proveniente de mero desejo pessoal (35-37,40). 2. A posição de destaque não é direito próprio de quem sofreu pela causa (38-40). 3. A posição de destaque é própria de quem serve humildemente os irmãos (41-45).2 Assim, o líder da igreja é chamado de forma ainda mais veemente a seguir a exortação e o exemplo dados por Paulo em Fl. 2:1-11. “1Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, 2completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa; 3nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; 4 não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros. 5Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, 7mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; 8e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; 10para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” A. A Origem dos Diáconos 1 Os significados do termo são: “aquele que serve a mesa”, “aquele que cuida das necessidades” e de modo geral “aquele que auxilia...”. 2 A palavra traduzida como “ministro” e “líder” na Bíblia vem da palavra grega, “huperetes”, que aplicava-se originalmente a um “remador inferior, isto é, um que remava no grupo de remos da parte debaixo de um grande navio”. O remo é a posição menos confortável do barco. Mas é a que faz o barco andar. Quatro expressões bíblicas descrevem uma liderança madura e fiel (leia 1Co 4. 1-21). 1) Liderar é remar no porão do navio (4.1); 2) Liderar é administrar os bens do melhor Patrão (4.1-8); 3) Liderar é sacrificar-se até tornar-se descartável (4.9-13); 4) Liderar é ser pai de uma multidão (4.14-21).
  3. 3. Apesar de não conter nenhuma vez a palavra “diácono”, o texto de Atos 6:1-6 é freqüentemente aceito como um trecho bíblico que narra as origens do ministério diaconal. Nesse texto os homens ali escolhidos tinham como função o atendimento as necessidades de pessoas carentes. Eles eram diáconos no sentido literal da palavra (diakonoj – servo, agente, auxiliar, pessoa que presta serviço como cristão). Mais tarde o termo passou a ser designado de uma classe de oficiais da igreja (Fl 1.1). Segundo João Calvino, na Igreja Primitiva havia duas classes de diáconos, uma voltada a Igreja em administração das cousas dos pobres, outro no cuidado dos próprios pobres. (João Calvino. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, p.51) É digno de nota que, no desempenho dessas funções sociais,os primeiros diáconos deveriam ser homens que preenchessem três requisitos básicos. “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço”. (At 6.3). 1. Ter boa reputação. 2. Ser cheio do Espírito Santo (Ef 5.18). 3. Ser cheio de sabedoria (At 6.9-10). Os últimos dois itens relacionam-se intimamente, ou seja, os diáconos deveriam ter uma sabedoria inspirada pelo Espírito Santo. Há aqui um paralelo com a nomeação de Josué (Nm.27.16-20). B. A Evolução do Conceito de Diácono Como já foi dito, os diáconos foram instituídos a princípio com o objetivo de aliviar o trabalho dos apóstolos. Quando isso ocorreu, em Atos 6, a função que aqueles homens exerceriam sequer tinha um nome formal. Como título designativo de um oficial da igreja, o termo “diácono” só surgiu mais tarde, sendo uma variação da palavra grega diakonia (serviço), ou do verbo diakonew (servir), ambos encontrados em Atos 6:3-4. É nas Epistolas que encontramos esse termo já evoluído, sendo usado com relação a um grupo restrito de homens que tinham o oficio de diáconos. É esclarecedora a explicação do Dr. Charles Ryrie em sua Bíblia Anotada: “A palavra significa ‘ministro’ ou ‘servo’. Os diáconos eram, a princípio, auxiliares dos presbíteros. Assim, suas qualificações eram praticamente as mesmas dos presbíteros. O ofício teve suas origens em Jerusalém (At 6.1-6). No entanto, a palavra ‘diácono’ é usada com sentido não técnico em todo o N.T. para designar uma pessoa que servia à igreja (Ef 6.21), bem como num sentido técnico, designando pessoas que ocupam cargo de diáconos (Fl 1.1)”. Pelo fato de serem responsáveis desde o princípio por facilitar o trabalho dos ministros da Palavra, as funções dos diáconos se ampliaram com o passar do tempo, à medida que as responsabilidades dos ministros se tornavam mais numerosas. Hoje, segundo Jayme M. Pendlenton, as funções dos diáconos se resumem nas atribuições das três mesas: 1. A mesa do Senhor: preparar e distribuir a ceia do Senhor, uma vez que deve haver ordem durante a celebração desse memorial (1Co 11.20-22).
  4. 4. 2. A mesa dos necessitados: cuidar da caridade e beneficência na Igreja (At 6:2-4)3 3. A mesa do pastor: zelar pelas necessidades materiais do ministro da Palavra (1Co 9.14; 1Tm 5.17-18). II. AS QUALIFICAÇÕES DOS DIÁCONOS As qualificações dos diáconos estão alistadas em 1 Timóteo 3.8-12. Observaremos cada uma delas. A lista apresenta (9) nove características importantes: 4 A. Ser respeitável: Trata-se de uma qualidade que deve estar presente nos cristãos em geral (1Tm 2:2). Porém, para os líderes a exigência é ainda mais forte. A palavra traduzida como respeitável é um adjetivo grego que abrange não só a postura exterior da pessoa, mas também seu temperamento interior. Alguém pode ter uma postura que inspire respeito no meio social e, contudo, demonstrar-se reprovável no modo como reage em face das contrariedades ou mesmo das situações comuns da vida. B. Ser de uma só palavra: A expressão grega pode significar “não difamador”, o que seria um requisito fundamental para quem, no exercício de suas funções, toma conhecimento constante dos problemas pessoais dos outros. Porém, parece mais correto dar a expressão o sentido de “não ser alguém de conversa dupla”. O diácono não pode ser uma pessoa que diz uma coisa enquanto tem outra em mente. Também não pode dizer uma coisa a um homem e outra coisa a outro. Suas palavras têm que ser expressão exata da verdade, sem duplos sentidos e revestidas de valor e peso notáveis. Essa qualidade deve receber maior destaque no relacionamento dos diáconos entre si. O grupo de líderes deve desfrutar de cumplicidade e fidelidade mútua. Não se 3 É digna de nota a observação de John Stott: A obra dos 12 e a obra dos 7 são igualmente chamadas de diakonia (vs. 1,4) “ministério” ou “serviço”; e isso certamente é deliberado. A primeira é o “ministério da palavra” (v.4) ou o trabalho pastoral; a segunda, o “ministério junto às mesas” (v.2) ou o trabalho social. Nenhum ministério é superior ao outro. Pelo contrário, ambos são ministérios cristãos, ou seja, meios de servir a Deus e ao povo de Deus. Ambos exigem pessoas espirituais, “cheias do Espírito”, para exercê-los. E ambos podem ser ministérios cristãos de tempo integral. A única diferença está na forma que cada ministério assume, exigindo dons e chamados diferentes”. (A Mensagem de Atos. John R. W. Stott; pg. 135). 4 Qualidade versus Habilidades – “... das 20 qualificações inerentes aos líderes, alistadas por Paulo em Timóteo e Tito, quase todas dizem respeito à reputação, à ética, à moralidade, ao temperamento, aos hábitos e à maturidade espiritual e psicológica do candidato. Precisamos reconsiderar o que pensamos sobre isso hoje. As pessoas são escolhidas mediante esses critérios? Infelizmente, com freqüência olhamos para as habilidades, os talentos, e os dons, que aparecem, e não para as qualificações bíblicas... é por isso que uma Igreja que ‘convida’ um pastor em função da pregação dele pode cometer sérios erros de julgamento (oratória induz). Além disso, freqüentemente nomeamos para a diretoria homens bem-sucedidos em seus negócios. Eles construíram grandes empresas no mundo secular. Nesses casos, muitas vezes baseamos nossos juízos no tino financeiro e nas habilidades administrativas. No processo de seleção, essas características não têm a primazia em relação às qualificações básicas arroladas por Paulo (Sucesso no mundo dos negócios versus péssimos administradores dos seus próprios lares)... A pergunta mais significativa é: Por que? Porque é fácil ocultar as fraquezas espirituais em nossas vidas, especialmente se somos aquinhoados com uma capacidade intelectual ou uma sociabilidade incomum”. (Igreja Forma e Essência. Gene A. Getz; pg.190-1)
  5. 5. pode conceber um bom relacionamento durante as reuniões, seguido de comentários maldoso feitos às escondidas. C. Não ser inclinado a muito vinho: Há aqui uma advertência contra a bebedice ou embriagues. O alerta era muito apropriado tendo em vista a sociedade desinibida em que a igreja de Éfeso estava inserida. Pode-se inferir daqui que o diácono deve ser alguém livre de qualquer forma de desequilíbrio ou falta de moderação, seja na bebida, merenda, etc. D. Não ser cobiçoso de sórdida ganância: Significa não ser avarento, não apegado ao dinheiro (amor). O diácono, via de regra, se envolve com as finanças da igreja, ficando exposto às tentações perigosas. Muitas vezes, para se desincumbir de uma tarefa, tem em mãos dinheiro ou cheques em branco assinados. Daí a necessidade de não ser alguém facilmente suscetível à queda. Além disso, muitas vezes o diácono tem que demonstrar desprendimento em face das diversas necessidades da igreja. Se for avarento, certamente vai se omitir diante de tais situações e desafios 5 . E. Conservar o ministério da fé com uma consciência limpa: Os diáconos devem ser homens de convicção cristã; homens que preservam o corpo doutrinário sadio e nele perseveram. A expressão “ministério da fé” significa “a totalidade das verdades ocultas, inacessíveis à razão e divulgadas somente pela revelação divina” (J.N.Kelly), ou seja, os ensinos contidos no Antigo e Novo Testamento; a guarda dessas doutrinas deve ser acompanhada de uma consciência limpa, uma consciência livre de mácula e de coisas vergonhosas, só adquiridas por quem vive retamente. F. Mostrar-se irrepreensível após ser experimentado: Antes de ser diácono, o candidato deve passar por uma triagem que leve em conta seu caráter, sua conduta até o presente e as demais qualificações alistadas. É possível estar presente aqui à idéia de um período de prova ou experiência. Também é aceitável a idéia de um exame formal. Os dois procedimentos podem ser aplicados conjuntamente no processo de escolha dos diáconos. G. Ser casado com mulher respeitável, não maldizente, temperante e fiel em tudo: O modo como o apóstolo Paulo fala no v.11 não deixa muito claro se ele tem em mente as esposas dos diáconos ou mulheres investidas no cargo de diaconisas. Os comentaristas bíblicos estão divididos e parece mais certo acreditar que as mulheres da Igreja Primitiva exerciam funções semelhantes às dos diáconos (e.g. ajuda a pobres doentes) como era o caso de Febe (Rm 16.1-2). Além disso, devemos lembrar que, a História Eclesiástica e a Bíblia mostram que a liderança deve ser masculina (1Co 14.34; 5 “...Uma outra idéia envolvida neste versículo deve confrontar também o cristão que age como dono da igreja, porque se esforçou mais para iniciá-la e sustentá-la financeiramente. É a sua palavra que pesa na reunião mensal para tratar dos negócios da igreja. É sua vontade que deve ser levada em conta antes que qualquer mudança se efetue no programa e projetos da igreja (3 Jo 9-11)”. (O Mundo, A Carne e O Diabo. Russel Shedd, pg.46)
  6. 6. 1Tm 2.9-15). Assim, é provável que Paulo esteja aqui a falar das esposas dos diáconos. Se for mesmo o caso, suas qualificações se assemelham aquelas exigidas de seus maridos, já que elas também estão envolvidas algumas atividades, tais como: visitação, atendimento aos necessitados, aconselhamento, oração, etc. H. Ser marido de uma só mulher: Significa que o diácono deve ser alguém casado apenas uma vez. Assim, homens divorciados e que entraram numa segunda relação conjugal não são qualificados para o diaconato. Numa cultura onde os homens freqüentemente possuíam mais de uma mulher em suas vidas, Paulo deixou claro que um diácono da igreja devia ser um “homem de uma só mulher” – leal a sua esposa e somente a ela. É claro que o casar-se novamente depois da morte da primeira esposa não se constitui em impedimento para o exercício do cargo, uma vez que a morte é o único fator que quebra o vínculo matrimonial (Rm 7.2-3). I. Governar bem os seus filhos e a própria casa: É no modo como governar o seu lar que o líder dará provas de competência para o exercício de um cargo de responsabilidade na igreja. O homem que encontra dificuldades para inspirar em sua amada esposa e filhos a sujeição e respeito que lhe são devidos também não será capaz de cumprir seu papel de líder na igreja. Assim, o diácono deve ser alguém que mantém seu lar sob disciplina e controle. Paulo acrescenta: “Pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da casa de Deus?” Além disso, na sua carta a Tito, Paulo especifica que um homem escolhido para a liderança espiritual na igreja deve ter filhos crentes, não acusados de “libertinagem” ou “insubmissão” (Tt 1.6). “Libertinagem” e “insubmissão” referem-se a uma vida devassa e imprópria, características de um filho moralmente responsável (Ex: Eli, Samuel, Davi... “não repreenderam seus filhos” cf. 1 Sm 3.13). Os filhos crentes dos líderes devem ser simplesmente cristãos. Paulo não está falando de uma família perfeita. Tal coisa não existe. Paulo considerava o lar bem orientado como um verdadeiro teste de maturidade espiritual e psicológica de um líder, dando-lhe capacidade de orientar outros cristãos. Uma outra observação importante vem do pastor Gene Getz: “Imagem do pai é um conceito importante nas Escrituras. E os estudos psicológicos nos ajudam a entender o por que. Freud percebeu as implicações, mas tirou conclusões falsas porque ele partiu de pressuposições naturalistas. Ele concluiu falsamente que a “imagem de Deus” que as pessoas tem é uma “projeção do pai”, devido a necessidade de tal pessoa. Ele viu como pura projeção; isto é, que “Deus só existia nas mentes das pessoas”. Mas a verdade é que o homem desenvolve certas idéias a respeito de Deus – o Deus que realmente existe – por causa de diversas experiências com os pais em particular. Afinal, dizemos aos nossos filhos que Deus é um Pai celestial e eles fazem rapidamente uma associação. Deus, que é espírito e é invisível a criança, automaticamente assume as mesmas características do seu pai terrestre. Muitas vezes, se o pai é bom e amoroso, Deus também o é, na mente da criança. Outras vezes, se o pai é frio e cruel, Deus também se torna assim em sua mente.” 6 Enfim, o lar do líder cristão não pode ser menos que o ideal. 6 A Estatura de um Homem (Espiritual). Getz, Gene A. Editora Vida. São Paulo. 1982, pg. 138-139.
  7. 7. 1 Timóteo 3:13 aponta dois resultados do bom desempenho do diaconato: “justa preeminência” e “muita intrepidez na fé”. O primeiro significa que o bom diácono se tornará um homem de influência e granjeara o respeito da comunidade onde ministra; o segundo significa que desenvolverá coragem e confiança tanto para anunciar o Evangelho (At 7.51-60), como para aproximar- se de Deus em profunda comunhão (Ef 3.12). Paulo também inclui, em 1 Timóteo 3, uma lista de qualidades do pastor. Repare na semelhança com as qualidades dos diáconos e vice-versa. Sem as qualificações aqui alistadas, não é possível alguém tornar-se diácono. Também é verdade que, se alguém for consagrado ao diaconato e, depois de algum tempo, perder qualquer uma das qualificações mencionadas, deverá ser afastado de seu cargo por tempo indeterminado, até que volte a satisfazer em sua vida os requisitos bíblicos. III. A IMPORTÂNCIA DOS DIÁCONOS Os diáconos desfrutam de uma autoridade que lhes é delegada pela igreja e pelos pastores, por meio da imposição de mãos (At 6.6). São os pastores também que indicam os candidatos ao diaconato sendo a investidura aprovada ou não, posteriormente, pela igreja7 . A investidura em uma função de tanta responsabilidade só pode ser feita após um período de experiência (1Tm 3.10) em que os candidatos serão observados pelo pastor e pela igreja. Somente após o término do tempo de prova é que os membros da igreja terão condições de votar sabiamente na aprovação daqueles que farão parte da liderança como diáconos. Uma vez investidos nessa função, os novos líderes deverão exercer as seguintes atividades: A. Cuidar dos necessitados: Como já dissemos, esta foi a primeira função dos diáconos, sendo para o exercício dela que eles foram constituídos. Um Conselho Diaconal que não exerce essa atividade dentro dos moldes bíblicos não merece o título que tem. O verdadeiro servo está sempre atento aos problemas que os outros estão enfrentando. Ainda dentro deste tópico, em muitas igrejas cristãs se formam “panelinhas” fechadas, que são consideradas muito agradáveis pelos participantes. No entanto, não percebem a dificuldade que pessoas de fora têm para conseguir acesso a essas “panelas”. Esses cristãos consideram-se “calorosos” e “abertos” em relação aos de fora, mas comunicam de forma não verbal, em geral involuntariamente, a seguinte mensagem: “Vocês não pertencem ao nosso grupo”. Contra está tendência o Conselho Diaconal da Igreja promove relacionamentos marcados pelo amor 7 Observação: A indicação dos diáconos, se feita pela igreja, pode colocar o pastor em situações delicadas. Pode ocorrer de o pastor ser contra uma determinada indicação por motivos que, em razão de sua função, só ele conhece. Se a igreja indicasse e o pastor, por motivos que merecessem sigilo, se opusesse à indicação, isso exporia o nome do membro indicado a comentários maldosos e exigiria do pastor explicações que nem sempre ele pode dar. Todavia, se não existe biblicamente um relacionamento de liberdade, autoridade e confiança na pessoa do pastor, a mesma ética neotestamentária afirma: Junte as provas e demita-o!
  8. 8. fraternal na medida em que conseguem envolver o máximo de cristãos neste processo de espiritualidade contagiante. B. Participar dos processos disciplinares: Toda a igreja deve participar dos processos disciplinares conforme o ensino de Jesus em Mateus 18 e de Paulo em 1 Coríntios 5. Contudo, a experiência mostra que muitas vezes a natureza do caso exige o acompanhamento e a participação prévia apenas de um grupo pequeno e qualificado para tratar do assunto. O Corpo Diaconal, geralmente, mantém e conduz a disciplina na Igreja, por ações preventivas (ensino), corretivas (visitação / admoestação) e através de cirurgias (desligamento aplicado aos membros rebeldes em Assembléia). C. Auxiliar o ministério pastoral: Os apóstolos sugeriram a eleição dos diáconos, afim de que pudessem se dedicar mais à oração e a Palavra. Hoje, os pastores, além destas atribuições, são ou estão envolvidos em outras atividades ministeriais que precisam de auxiliares. Deus dá os auxiliares, mas a igreja tem que identificá-los. Ex.: a péssima tradição de que, “quem trabalha é só o pastor, afinal ele é pago para isso!”. Isto mata o crescimento qualitativo do Corpo. A Igreja tem que descobrir os homens que Deus já escolheu para trabalhar diretamente auxiliando no ministério pastoral 8 . D. Reforçar a liderança: Uma equipe bíblica que trabalha unida com o propósito de conquistar novas fronteiras. Compartilha a carga! Deus nunca quis que os membros do corpo de Cristo dependessem de um líder para realizar “a obra do ministério” (Ef 4.11-16), Deus nem mesmo queria que alguns líderes realizassem a obra do ministério, pelo contrário, desejava que toda a igreja realizasse essa obra. É responsabilidade dos diáconos da igreja “equipar os santos” para que sirvam uns aos outros. Então, e só então, um corpo local de fiéis poderá crescer e desenvolver-se até se tornar uma igreja madura. Não há como escapar das implicações do que significa ser um verdadeiro diácono. Ele deve estar com o seu povo – não distante dele. Ele deve conhecer pessoalmente as pessoas – suas necessidades, suas preocupações, seus problemas! Deve estar disposto a deixar as 99 no aprisco e sair nas trevas da noite para encontrar a ovelha perdida (Mt 18.12,13). Para agirem biblicamente, não devem ser meros membros de uma junta que se reúne para tomar decisões administrativas. É verdade que isso faz parte do comando sobre o povo de Deus. Todavia, é fato que os líderes que são apenas “administradores” e simplesmente “tomam decisões”, geralmente não decidem acertadamente, pois não estão em contato com as necessidades diárias do rebanho. Na realidade, nem podem porque não “conhecem as ovelhas” e seus problemas (João 10.11). 8 Obviamente, o pastor de tempo integral terá um ministério mais público do que o diácono de tempo parcial. É ele quem está-se afadigando na pregação e no ensino (1Tm 5.17), mas as Escrituras ensinam que todos os diáconos devem estar envolvidos no processo total de ensino. Isso significa em conhecer a Palavra e ser leal a ela. Deve ser capaz também de compartilhar sua verdade dinâmica com os membros e os perdidos (discipulado e evangelismo).
  9. 9. E. Supervisionar o procedimento, o ensino e as necessidades do Pastor: Muitas vezes a igreja local fica à mercê de homens inescrupulosos que assumem o cargo de pastor e causam grandes prejuízos à causa do Mestre. Freqüentemente tais homens agem livremente. Se ocorrer de algum membro sábio e corajoso se insurgir contra o falso pastor, é logo excluído, não antes de sofrer os mais severos e injustos ataques. A Igreja que conta com um Conselho Diaconal maduro estará protegida dos ataques dos falsos pastores. Percebendo que o pastor da igreja tem mantido uma conduta escandalosa ou ensinando doutrinas estranhas ao Cristianismo, o Conselho se reunirá, independentemente do pastor convocar a reunião ou concordar com ela, e decidirá o que fazer diante de tão sério problema. “Por meio dos diáconos o pastor encontrará também um grupo que estará atento às suas necessidades físicas, emocionais, espirituais, sociais e profissionais. Percebendo, por exemplo, que o pastor tem enfrentado sérios problemas na família, os diáconos estudarão um modo de ajudá-lo viabilizando um tempo de licença para ele poder resolver tudo com maior tranqüilidade, oferecendo-lhe apoio e amizade ou assumindo a direção de algumas áreas que possam trazer-lhe maior alívio”. 9 F. Cuidar da Ceia do Senhor: Tradicionalmente são os diáconos que cuidam dos preparativos e da distribuição da Ceia do Senhor. Para um melhor funcionamento desse serviço é comum existirem escalas em que apareçam os nomes daqueles que deverão providenciar e distribuir os elementos. Quem geralmente faz essas escalas e as comunica aos líderes é o Decano do Conselho Diaconal. Nunca é demais frisar que, para a realização de tudo isso, os diáconos receberão autoridade dos ministros que lhes imporão as mãos após aprovação da igreja. Uma vez terminado esse processo, pastor e igreja serão, sem dúvida, extremamente beneficiados com o exercício das funções diaconais. Deve ficar claro, porém, que o diácono só poderá exercê-las na igreja que reconhecer e solicitar seu trabalho. É verdade que no meio Batista o cargo de diácono é relativamente vitalício (pois o diácono pode ser definitivamente afastado de seu cargo como já foi visto). Porém, isso não significa que alguém que foi consagrado ao diaconato exercerá necessariamente essa função em qualquer igreja em que se tornar membro. Se ocorrer de um diácono mudar de igreja, continuará sendo diácono pois foi consagrado a esse cargo e investido nele por quem legitimamente tinha poder para tanto. Todavia, será diácono de direito e não de fato. Para ser diácono de fato, exercendo suas funções, deverá ser convidado pelo pastor e ter sua indicação aprovada pela igreja. Nesse caso, não haverá necessidade de uma nova cerimônia de consagração. 9 As Qualificações dos Diáconos na Igreja. Pr. Marcos Mendes Granconato, pg.06.
  10. 10. IV. AVALIAÇÃO ESPIRITUAL DE UM LÍDER O questionário abaixo tem o propósito de ajudá-lo a avaliar o seu nível de maturidade cristã. Responda honestamente circulando ao redor do número que melhor represente sua auto-avaliação, partindo de insatisfatório (1) ao satisfatório (5). 10 1) Como você avalia seu testemunho de cristão? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 2) Como você avalia seu relacionamento com sua esposa? Comunicação, sexo, finanças... Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 3) O seu estilo de vida reflete temperança, em vez de tolerância para com os desejos próprios? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 4) Você é prudente, isto é, a imagem que você tem de si mesmo e dos outros é equilibrada? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 5) Você é respeitado? Você tem uma vida bem ajustada e ordenada? Vestuário, hábitos, etc.? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 6) Você é hospitaleiro? O seu lar está aberto para qualquer pessoa para ministração? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 7) Você é hábil para ensinar? Isto é, comunica a Verdade de uma maneira verbal e não-verbal? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 8) Você tem alguma coisa na sua vida que o domina (vícios)? Age para não fazer tropeçar um irmão mais fraco? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 9) Você é obstinado? Isto é, sempre quer do seu jeito e modo? Sua preferência é melhor? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 10) Você perde o controle com facilidade? Guarda sentimentos e mágoas por muito tempo? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 11) Você é contencioso? Isto é, você assume de propósito o ponto de vista oposto, dando lugar a discussões? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 12) Você é amistoso? Isto é, um pacificador que luta pela harmonia e pela unidade? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 13) O seu lar está em ordem? A esposa e os filhos o amam e o respeitam. Aceitam o seu Deus como Salvador e Senhor? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 14) Você está livre do amor ao dinheiro? Isto é, você busca em 1º lugar o reino de Deus e a Sua justiça? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 10 Reproduzido e adaptado da apostila de Teologia Sistemática. J.Scott Horrell. Seminário Bíblico Palavra da Vida. Atibaia. 4ª edição, 1990.
  11. 11. 15) Você está crescendo espiritualmente e moralmente? Tornando-se mais semelhante a Jesus? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 16) Você busca o que é bom e justo? Você deseja associar-se com a verdade, a honra e a integridade? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 17) Você tem uma boa reputação aos olhos dos ímpios? Isto é, eles o admiram embora discordem de sua fé? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 18) Você se submete aos outros líderes e presta conta a eles em relação a sua vida pessoal e ministerial? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 19) Você acata os conselhos e as sugestões dos outros líderes; em vez de evidenciar um espírito independente? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 20) Você exerce liderança para servir de modelo? Praticando pessoalmente as verdades que ensina aos outros? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória 21) Você ora pelos enfermos? Você vai para junto deles e ora pelo seu bem-estar espiritual? Insatisfatória 1 2 3 4 5 Satisfatória Agora volte e analise os itens que você marcou com números menores. Faça uma lista de prioridades para uma ação pessoal. BIBLIOGRAFIAS:  A Estatura de um Homem (Espiritual). Getz, Gene A. Editora Vida.  A Igreja Corpo Vivo de Cristo. Ray G. Stedman. Editora Mundo Cristão.  A Mensagem de Atos. John R. W. Stott. Editora ABU.  A Missão da Igreja no Mundo de Hoje. Palestras Apresentadas no Congresso Internacional de Evangelização Mundial realizado em Lausanne, Suíça. ABU e Visão Mundial.  A Pratica do Desenvolvimento Natural da Igreja. Christian A. Schwarz. Editora Esperança.  As Qualificações dos Diáconos na Igreja. Marcos Mendes Granconato, Material não publicado.  Bíblia Anotada. Charles C. Ryrie. Mundo Cristão.  Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. Série Documentos Batistas. JUERP.  Diáconos. Quem são? O que fazem? Erick Luiz Leidner. Material não publicado.  Diaconia. Steve Rudle. Material não publicado.  Dicionário de Teologia do Novo Testamento. Edições Vida Nova.  Eclesiologia I. Apostila do Seminário Bíblico Palavra da Vida. Atibaia/SP  Hellenistic Greek Texts. Allen Wikgren. Printed Universidade of Chicag Press.  Igreja Forma e Essência. Gene A. Getz. Editora Vida Nova.  Léxico do NT Grego/Português. F.Wilbur Gingrich, Frederick W.Danker. Edições Vida Nova.  Nossas Doutrinas. H.W. Tribbles. JUERP.  Ortodoxia Batista. Júlio Oliveira Sanches. JUERP.  Strong´s Exhaustive Concordance of the Bible. Hendrickson. Moody Express.  Teologia dos Princípios Batistas. John Landers. JUERP.  Teologia Sistemática. Wayne Grudem. Edições Vida Nova.  The Greek New Testament. Kurt Aland, Matthew Black, Carlo M.Martini, Bruce M.Metzger. Institute for New Testament Textual Research. Münster/Westphalia.  Uma Igreja com Propósito. Rick Warren. Editora Vida.  Uma Igreja como a Sua. Um Estudo Panorâmico de 1 Coríntios. Ed René Kivitz. Editora Sepal.  Um Por Todos, Todos Por Um. Gene A. Getz. Editora Textus.

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