Todos os Mundos. Um só Mundo.
Arquitetura 21
João Pessoa
28/03/2015
Pedro da Luz Moreira
Arquiteto e Urbanista Professor A...
Objetivos:
Todos os Mundos. Um só Mundo.
O que queremos com esse tema?
Como a arquitetura e o urbanismo se inserem na soci...
As cidades no mundo:
Em 2030, seis entre dez pessoas viverão em cidades.
Hoje em dia 1 bilhão de pessoas vivem em favelas ...
Cidade Industrial - salubridade
Na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX,
a cidade de Manchester tinha no ano de
1760 do...
Contexto histórico - modernismo
O modernismo é fruto da grande cidade industrial.
A cidade de Chicago na passagem do sécul...
Contexto histórico - modernismo
As vanguardas centro-européias seguindo preceitos da Escola de Chicago, fundaram o
moderni...
Contexto histórico - modernismo
A casa do operário ou da classe média, que se constituia na grande massa edificada da
cida...
Contexto histórico - modernismo
Não há como negar que o modernismo conquistou corações e mentes em todas as partes
do mund...
Contexto histórico – modernismo
brasileiro
Conjunto da Pampulha
Niemyer – 1940 –
Belo Horizonte
Contexto histórico - modernismo
Ser moderno no Brasil era romper com um arcaismo agrário, com o patriarcado e adotar
um co...
Contexto histórico - modernismo
Num cenário natural generoso pontuado de ícones geológicos como o Pão de Açúcar,
Corcovado...
Crítica ao Movimento Moderno
No final da Segunda Guerra Mundial, as bombas de Hiroshima e Nagasaki demonstram uma
imensa c...
Crítica ao Movimento Moderno
Emerge uma hegemonia da diversidade entre os seres humanos, que passam a
ser vistos como espe...
Crítica ao Movimento Moderno
Nos anos 1950 o arquiteto Loui I. Khan retoma o tema da monumentalidade e
quebra a unidirecio...
Crítica ao Movimento Moderno
No começo da década de 60, Jane Jacobs decreta a perda da vitalidade das
cidades americanas e...
Crítica ao Movimento Moderno
As intervenções de Robert Moses em Nova York elegem o rodoviarismo e
destroem relações de viz...
Crítica ao Movimento Moderno
A década de 60, explode com a emergência de um mundo que decreta o fim das
vanguardas e a pre...
Crítica ao Movimento Moderno
Filósofos como Lyotard e Fukuyama decretam o fim dos discursos explicadores da
modernidade co...
Crítica ao Movimento Moderno
Em 1979 Margareth Thatcher assume como primeira ministra britânica.
Em 1980 Ronald Reagan ass...
Crítica ao Movimento Moderno
Em meados dos anos 1990 o advento da Internet e das Tecnologias de Informação
e Comunicação l...
Incompletude do Projeto Moderno
Também em meados dos anos 1990 o filósofo Habermas decreta num texto no qual ironiza
a ten...
Incompletude do Projeto Moderno
No campo específico da arquitetura e do urbanismo, nos anos 60, Kevin Linch e Aldo Rossi
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Incompletude do Projeto Moderno
Nos mesmos anos, Christopher Alexander se propõe a mapear a gênese da evolução da
forma no...
Incompletude do Projeto Moderno
No Brasil, Carlos Nelson dos Santos lança o livro A cidade como jogo de cartas, no qual ce...
Incompletude do Projeto Moderno
Em 2002, Kenneth Frampton lança o livro Studies on Tectonic Culture, no qual identifica a
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Incompletude do Projeto Moderno
O arquiteto Rafael Moneo lança em 2008 Inquietação Teórica e Estratégias Projetuais, no
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Projeto Concurso da Obra do Berço - 1982
A creche de longa permanência das crianças demanda um espaço da diversidade.
O pr...
TFG Favela de Araticum - 1983
Metodologia participativa de urbanização de favelas.
A partir da apresentação do diagnóstico...
Residências Unifamiliares – 1984/90
Residência em Caeté MG - hierarquia de espaços
Residência em Laranjeiras, Rua Alice – ...
Hospital Jacarepaguá – 1990
Unidades de paciente externos (UPE). Utilização de peças pré moldadas. Processo de
projeto com...
Concurso Público Anexo da Pref. RJ – 1991
Resolução da plataforma elevada onde se insere o edifício do Marcos Konder Neto ...
Rio Cidade Vila Isabel – 1993
Valorização dos eixos de comércio de rua da cidade (CBD) em contraposição ao comércio
de sho...
Favela Bairro – Favela Parque Royal - 1994
Valorização das pré-existência e da auto estima das comunidades. Hegemonia do l...
Favela Bairro – 1998
Em 1998 o programa Favela Bairro recebe a visita do Presidente da República Fernando
Henrique Cardoso...
Favela Bairro – Complexo do Sapê - 1998
Em 1998, a Secretaria de Habitação adota a estratégia de enfrentar os aglomerados ...
Favela Bairro – Complexo do Sapê - 1998
Edifício Multi Familiar e Creche Edifício Profissionalizante e Creche
Habitações no Morro da Conceição - 2000
Em 2000, a Secretaria de Habitação e a Secretaria de Urbanismo adotam estratégia d...
Centro de Pesquisas Jardim Botânico - 2001
Centro de Pesquisas Jardim Botânico -2001
Herbário, Sala Pesquisadores, Bibliot...
Parque da Cidade - 2004
Atuar na parte antrópica do Parque requalificando equipamentos, como:
quiosques, churrasquiras, pé...
Programa Penso Cidade–Ilha do Fundão RJ– 2007
Em 2008, o Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro convoca algun...
Horto e Vale dos Contos – Ouro Preto - 2008
Melhorias habitacionais no Santo Amaro - 2011
Todos os Mundos. Um só mundo...
Há um valor imaterial na cultura brasileira, que nós não damos conta;
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Planejamento e Projeto - Pariticpação, Transparência e Democracia

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Apresentação do arquiteto Pedro da Luz Moreira, presidente do IAB-RJ, feita no painel "Projeto - Todos os Mundos", realizado no dia 28 de março, no Instituto de Ensino Superior da Paraíba (IESP). Evento, promovido pelo IAB-PB, contou ainda com as participações de Tiago Holzmann, presidente do IAB-RS, e José Armênio de Brito Cruz, presidente do IAB-SP.

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Planejamento e Projeto - Pariticpação, Transparência e Democracia

  1. 1. Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21 João Pessoa 28/03/2015 Pedro da Luz Moreira Arquiteto e Urbanista Professor Adjunto da Eau-Uff Presidente do IAB-RJ Planejamento e Projeto - Participação e Transparência Democracia
  2. 2. Objetivos: Todos os Mundos. Um só Mundo. O que queremos com esse tema? Como a arquitetura e o urbanismo se inserem na sociedade contemporânea e na brasileira? Como esses ofícios estão inseridos na cultura do nosso tempo? Qual a relevância do plano e do projeto na sociedade contemporânea e brasileira? O enfrentamento da moderna cidade industrial, cenário da vida da maioria da humanidade nos últimos 150 anos. Parque Olímpico e Favela Vila Autódromo Barra RJ
  3. 3. As cidades no mundo: Em 2030, seis entre dez pessoas viverão em cidades. Hoje em dia 1 bilhão de pessoas vivem em favelas ou em loteamentos irregulares. Em 2030 serão 2 bilhões de pessoas na informalidade. E, em 2050 3 bilhões de pessoas estarão na informalidade. Há um desenvolvimento explosivo da população urbana no mundo, um processo que se acelera de forma definitiva com a industrialização.
  4. 4. Cidade Industrial - salubridade Na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX, a cidade de Manchester tinha no ano de 1760 doze mil habitantes, em 1850 ela atinge quatrocentos mil habitantes. No Brasil a cidade de São Paulo tinha em 1930 novecentos mil habitantes, chegando em 2011 a vinte milhões de habitantes. Nos próximos dez anos está previsto um êxodo rural da ordem de 200 milhões de pessoas na China Cidade Industrial - pluralidade Cidade Pré-Industrial - unidade
  5. 5. Contexto histórico - modernismo O modernismo é fruto da grande cidade industrial. A cidade de Chicago na passagem do século XIX para o século XX assiste um debate entre o Movimento do City Beatiful de Burnham - academicista e eclético - e as tendências organicistas e modernistas de Sullivan e de Wright que se antecipam em vários anos aos debates das vanguardas centro-européias. A Escola de Chicago anuncia a hegemonia americana, que se materializará de forma definitiva no segundo pós-guerra. Flatiron Building Burnham Nova York 1903 Robbie House Wright Chicago 1908
  6. 6. Contexto histórico - modernismo As vanguardas centro-européias seguindo preceitos da Escola de Chicago, fundaram o modernismo com a pretensão de instituir uma nova objetividade, na qual os monumentos eram a morte da arquitetura, onde se buscava uma nova essência que estava na grande cidade industrial. Basta lermos Loos ou Wagner, arquitetos da Secessão Vienense que afirmavam a emergência de uma nova ética do construir, onde o que lhes interessava não era mais; os organismos governamentais, o teatro de ópera ou o parlamento, a arquitetura da exceção, mas a habitação extensiva das periferias intermináveis da cidade industrial européia. Metrô de Viena Oto Wagner 1901
  7. 7. Contexto histórico - modernismo A casa do operário ou da classe média, que se constituia na grande massa edificada da cidade industrial, as periferias desse fenômeno inusitado que também explodia na Europa na sua escala e tamanho, determinando um contínuo construído rápido, feio e inadequado. As infraestruturas urbanas e a habitação produzida em massa são os temas eleitos pelas vanguardas centro-européias. Karl Liegen Stadt – Bruno Taut – 1.148 unidades – 1929/30 - Berlim
  8. 8. Contexto histórico - modernismo Não há como negar que o modernismo conquistou corações e mentes em todas as partes do mundo, com diferentes nuances e formulações ele encarnou um desejo na sociedade de ampliação da autonomia dos povos na definição de seu futuro, de seu vir a ser. Karl Marx Hof – Karl Ehn – 1.382 unidades – 1930 - Viena
  9. 9. Contexto histórico – modernismo brasileiro Conjunto da Pampulha Niemyer – 1940 – Belo Horizonte
  10. 10. Contexto histórico - modernismo Ser moderno no Brasil era romper com um arcaismo agrário, com o patriarcado e adotar um comportamento urbano. O modernismo carioca explode a caixa da arquitetura se expandindo em direção a natureza e ao meio natural. Conjunto Pedregulho Reidy– 328 unidades 1947 – Rio de Janeiro
  11. 11. Contexto histórico - modernismo Num cenário natural generoso pontuado de ícones geológicos como o Pão de Açúcar, Corcovado, Morro Dois Irmãos, Pedra da Gávea, a arquitetura modernista valoriza a fluidez entre exterior e interior e se dedica a criação de espaços públicos notáveis. Aterro do Flamengo – Reidy e Burle Marx – 1,2 milhão M2 1965 – Rio de Janeiro
  12. 12. Crítica ao Movimento Moderno No final da Segunda Guerra Mundial, as bombas de Hiroshima e Nagasaki demonstram uma imensa capacidade destrutiva e acabam vinculando fortemente tecnologia e destruição. O poderio industrial e militar americano e soviético ganham uma lógica particular, que se torna independente das aspirações comuns, se envolvendo numa espiral competitiva interminável. A crença na industrialização, padronização e repetição intermináveis como uma promessa de redenção das misérias da humanidade sofre um abalo definitivo, passando a ser encarada com desconfiança. 1945 - Bombas de Hiroshima e Nagasaki
  13. 13. Crítica ao Movimento Moderno Emerge uma hegemonia da diversidade entre os seres humanos, que passam a ser vistos como especificidades culturais, raciais, de gênero, ou de qualquer outra natureza.
  14. 14. Crítica ao Movimento Moderno Nos anos 1950 o arquiteto Loui I. Khan retoma o tema da monumentalidade e quebra a unidirecionalidade tecnológica dos materiais, retomando o tijolo como elemento pré-moldado mais potente. Em 1947 Khan assume a cadeira de arquitetura em Yale, fazendo reflexões fundamentais: “O que o lugar quer ser?” “ Programa morto e vivo” “Espaços que servem e os que são servidos” 1951 - Yale Art Galery – New Heaven Khan - Neutralidade do espaço do abrigo da arte 1973 - Performing Arts Theater - Indiana Khan – O tijolo e o concreto 1974 - Indian Institute of Management – Khan
  15. 15. Crítica ao Movimento Moderno No começo da década de 60, Jane Jacobs decreta a perda da vitalidade das cidades americanas em função de um rodoviarismo exacerbado, presente no modernismo nos projetos de Le Corbusier como o Plano Voisin para Paris. "As cidades tem a capacidade de prover algo para alguém, somente porque, e apenas quando, são criadas por todos... Não existe melhor expert na cidade do que aqueles que vivem e experimentam seu dia a dia." 1961 – Publicação de Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas
  16. 16. Crítica ao Movimento Moderno As intervenções de Robert Moses em Nova York elegem o rodoviarismo e destroem relações de vizinhança e de comunidades, a hegemonia do automóvel determina um certo isolamento do indivíduo na grande metrópole, reduzindo o espírito de participação na cidadania. Los Angeles emerge como paradigma do bem viver, onde o automóvel se articula com a baixa densidade, surgindo um modelo de baixa interação social e isolamento do ser humano na cidade. Los Angeles – paradigma do rodoviarismo e da baixa densidade
  17. 17. Crítica ao Movimento Moderno A década de 60, explode com a emergência de um mundo que decreta o fim das vanguardas e a presença de uma grande massificação. O mundo elitizado da primeira modernidade dá lugar a uma imensa massificação, que está espelhada nos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, que começam em La Sarraz no ano de 1928 com vinte e oito arquitetos e terminam em Dubrovnick no ano de 1956 com uma multidão de estudantes. 1928 – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (CIAM) La Sarraz 1968 – Protesto pelo fim da Guerra do Vietnã Washington
  18. 18. Crítica ao Movimento Moderno Filósofos como Lyotard e Fukuyama decretam o fim dos discursos explicadores da modernidade como o marxismo e o iluminismo, que construiam uma ética do agir e do pensar. Emerge uma lógica localista, que se rebela contra o pensamento sistêmico e estruturador do modernismo. Desenvolve-se a consciência de que a utopia modernista era autoritária e congelava as aspirações de realização das futuras gerações. 1992 – Fukuyama Fim da História Local e Global 1979 – Lyotard Fim das Grandes Narrativas
  19. 19. Crítica ao Movimento Moderno Em 1979 Margareth Thatcher assume como primeira ministra britânica. Em 1980 Ronald Reagan assume a presidência dos EUA, desenvolvendo-se uma enorme desregulamentação do capital. O wellfare state ou estado de bem estar social desmorona. Uma transformação que esvaziou o uso industrial e fez emergir um contínuo de serviços financeiros principalmente. As empresas de serviços financeiros e seguros passaram a representar no mundo anglo saxão, um terço do emprego disponível. Inicia-se uma forte hegemonia do capital financeiro no mundo. Ronald Reagan 1980Margareth Thatcher 1979
  20. 20. Crítica ao Movimento Moderno Em meados dos anos 1990 o advento da Internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação lançam para a humanidade a possibilidade de acessar um amplo acervo de informações, que determinam uma imensa dispersão de energias, parecendo inviabilizar a possibilidade de construção de prioridades e consensos. A política se fragmenta numa infinidade de interesses que parecem irreconciliáveis, apontando para a impossibilidade da construção de consensos. 1990 – TICs e a incapacidade de síntese Fragmentação Política
  21. 21. Incompletude do Projeto Moderno Também em meados dos anos 1990 o filósofo Habermas decreta num texto no qual ironiza a tendência contemporânea de se utilizar do prefixo pós para caracterização do nosso tempo. O texto de Habermas distingue a modernidade do modernismo, dizendo que a pretensão humana de desígnio do seu futuro, que as revoluções americana e francesa tinham expressado permanecia inalcançado. Habermas constroe sua teoria da racionalidade comunicativa, que se contrapõe a racionalidade meramente instrumental, determinando que a razão não deve estar carregada de personalismos, mas construída a partir de consensos. Abre-se uma nova perspectiva utópica, que não mais condena as gerações futuras a uma construção congelada e fixa, mas que celebra o processo de auto-construção e de auto- determinação. 1990 – Texto Arquitetura Moderna e Pós moderna e a Incompletude da Modernidade
  22. 22. Incompletude do Projeto Moderno No campo específico da arquitetura e do urbanismo, nos anos 60, Kevin Linch e Aldo Rossi apontam para a processualidade da construção da cidade, reforçando conceitos como o da Legibilidade, e o da História. Nos anos 70, Manfredo Tafuri elabora a idéia do arquiteto como ideólogo do habitar, um formulador de conceitos e proposições que propõe o Bem viver e possuem a capacidade de contaminar a sociedade para suas formas de operação e de prática. 1979 – Teatro del Mondo – Aldo Rossi 1960 – A Imagem da Cidade – Kevin Lynch
  23. 23. Incompletude do Projeto Moderno Nos mesmos anos, Christopher Alexander se propõe a mapear a gênese da evolução da forma no processo de desenvolvimento do projeto, com o claro interesse de impulsionar a participação do usuário na elaboração do seu ambiente construído. Desenvolve-se nos EUA o advocacy planning ou projeto participativo, no qual o processo de construção do vir a ser de comunidades específicas é celebrado como a verdadeira pulverização da democracia. 1977 – Uma Linguagem de padrões Christopher Alexander 1964 – Ensaio sobre a Síntese da Forma Christopher Alexander 1993 – Planejamento Participativo Postdamer Platz Berlim
  24. 24. Incompletude do Projeto Moderno No Brasil, Carlos Nelson dos Santos lança o livro A cidade como jogo de cartas, no qual celebra uma certa neutralidade do desenho da grelha, que impulsiona sua apropriação por diferentes agentes no longo prazo da cidade. O Plano de NY de 1811 decreta uma imensa homogenização do território baseado na malha xadrez. Os elementos celebrados são a rua, a quadra e o lote como unidades em torno dos quais o jogo da cidade é jogado. Num paradoxo, Carlos Nelsom dos Santos aponta que apesar desse inicio homogenizador a ilha de Manhattan apresenta hoje grande diversidade de tipologias, usos e contínuos diferenciados. Se restabelece a possibilidade da construção utópica, que deixa de ser um objetivo fixo e congelado, mas a celebração de uma processualidade que restabelece a necessidade da presença contínua da criatividade das futuras gerações. O jogo pressupõe agentes e atores igualmente empoderados, que declaram suas intenções e negociam objetivos, a racionalidade abandona a subjetividade isolada e se aproxima da inter- subjetividade. Plano 1811 de Nova York – Estrutura quadra, lote e rua – Desenho aberto 1988 – A Cidade como jogo de cartas – Carlos Nelson
  25. 25. Incompletude do Projeto Moderno Em 2002, Kenneth Frampton lança o livro Studies on Tectonic Culture, no qual identifica a saturação do problema do símbolo e da representação no campo da arquitetura, apontando como saída o desenvolvimento da tectônica. O compromisso com o construído. As obras de grandes arquitetos são analisadas a partir da escolha de diferenciados modos de construção, que recolocam a complexa relação entre custo e benefício no projeto. Avaliação do sistema de decisões que o projeto opera: Custo e Benefício 2002 – Studies in Tectonic Culture – Kenneth Frampton
  26. 26. Incompletude do Projeto Moderno O arquiteto Rafael Moneo lança em 2008 Inquietação Teórica e Estratégias Projetuais, no qual rejeita a adoção de um personalismo de linguagem por parte dos arquitetos, celebrando a idéia da reinvenção do arquiteto a cada novo projeto. Cada novo projeto representa uma oportunidade, que demanda do arquiteto uma leitura específica de cada lugar. 1999 – Kursaal San Sebastian Rafael Moneo 1985 – Museu de Arte Romana de Mérida – Rafael Moneo
  27. 27. Projeto Concurso da Obra do Berço - 1982 A creche de longa permanência das crianças demanda um espaço da diversidade. O programa é fragmentado numa série de edifícios, que reproduzem a estrutura de uma minicidade. Os ambientes habitação, os monumentos, a continuidade e a exceção. 1982 – Concurso IAB-RJ Creche Obra do Berço – Barra da Tijuca – Archi 5 arquitetos associados
  28. 28. TFG Favela de Araticum - 1983 Metodologia participativa de urbanização de favelas. A partir da apresentação do diagnóstico se elegem um conjunto de princípios estruturantes(partners), que são consensuados, e que também norteam a elaboração do desenho. Celebra-se a idéia de que o planejamento e o projeto são ações sofisticadas, que demandam tempo e investimento pensado. 1983 – Trabalho Final de Graduação – Metodologia de Urbanização de Favelas
  29. 29. Residências Unifamiliares – 1984/90 Residência em Caeté MG - hierarquia de espaços Residência em Laranjeiras, Rua Alice – desenvolvimento em altura Horizontalidade e Verticalidade. 1987 – Residência em Caeté MG 1992 – Residência em Laranjeiras Rua Alice
  30. 30. Hospital Jacarepaguá – 1990 Unidades de paciente externos (UPE). Utilização de peças pré moldadas. Processo de projeto com ampla discussão com especialidades médicas. Estrutura racional e livre para expansões e retrações dos serviços médicos 1990 – UPE de atendimento ambulatorial – 8.100 M2
  31. 31. Concurso Público Anexo da Pref. RJ – 1991 Resolução da plataforma elevada onde se insere o edifício do Marcos Konder Neto da prefeitura do Rio de Janeiro. Maior articulação entre cidade e edificação. Hierarquia das edificações. Fachadas amigáveis para a cidade 1991 – Concurso Público de Projetos do lAB-RJ – 6.500 M2
  32. 32. Rio Cidade Vila Isabel – 1993 Valorização dos eixos de comércio de rua da cidade (CBD) em contraposição ao comércio de shopping centers. Hegemonia do local, frente ao sistêmico na cidade. Estratégia de contaminação. Inauguração e Manutenção 1993 – Concurso Público de Metodologias de Projetos Urbanos do lAB-RJ – 6,7 Ha
  33. 33. Favela Bairro – Favela Parque Royal - 1994 Valorização das pré-existência e da auto estima das comunidades. Hegemonia do local, frente ao sistêmico na cidade. Estratégia local, acaba abordando um problema sistêmico da cidade. Inauguração e Manutenção. A frente marítima como logradouro público para gestão do auto- controle 1994 – Concurso Público de Metodologias de Projetos de Urbanização de Favelas dolAB-RJ – Parque Royal 7,1 Ha Parque Royal – Ilha do Governador 1.400 habitações 4.150 habitantes
  34. 34. Favela Bairro – 1998 Em 1998 o programa Favela Bairro recebe a visita do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso na Favela de Parque Royal. O programa é reconhecido internacionalmente e ganha abrangência na cidade. Favela Parque Royal: Creche – 100 crianças Edifício Multifamiliar
  35. 35. Favela Bairro – Complexo do Sapê - 1998 Em 1998, a Secretaria de Habitação adota a estratégia de enfrentar os aglomerados de favelas. No Complexo do Sapê pretendia-se gerar um parque de grande qualidade, que tivesse um impacto positivo no bairro de Madureira. Complexo do Sapê: 5 Favelas; Sossego, Buriti Congonhas, Moisés Santana, Faz quem quer, E Sapê 2.985 habitações 8.000 habitantes 21,7 Ha
  36. 36. Favela Bairro – Complexo do Sapê - 1998 Edifício Multi Familiar e Creche Edifício Profissionalizante e Creche
  37. 37. Habitações no Morro da Conceição - 2000 Em 2000, a Secretaria de Habitação e a Secretaria de Urbanismo adotam estratégia de ocupar os vazios do Morro da Conceição com unidades habitacionais. Habitação no centro em área preservada para preenchimento de vazios.
  38. 38. Centro de Pesquisas Jardim Botânico - 2001 Centro de Pesquisas Jardim Botânico -2001 Herbário, Sala Pesquisadores, Biblioteca e Administração – 5mil M2
  39. 39. Parque da Cidade - 2004 Atuar na parte antrópica do Parque requalificando equipamentos, como: quiosques, churrasquiras, pérgulas, sanitários, etc... 1.ACESSO GUARITA 2.ESTACIONAMENTO EXISTENTE 3.EXPANSÃO DO ESTACIONAMENTO 4.QUIOSQUE DE INFORMAÇÕES 5.QUIOSQUE DE VENDAS 6.BICA D´ÁGUA 7.SANITÁRIOS 8.PONTES 9.ILHA 10.PÉRGOLA 11.ANFITEATRO 12.PISCINA 13.CHURRASQUEIRA I 14.CHURRASQUEIRA II 15. CONTENÇÃO 16. RUÍNA 17. CACHOEIRA
  40. 40. Programa Penso Cidade–Ilha do Fundão RJ– 2007 Em 2008, o Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro convoca alguns arquitetos para explicitar projetos para a cidade do Rio de Janeiro. A Archi 5 escolhe a Ilha do Fundão, onde está a cidade universitária projetada por Jorge Machado Moreira. Proposição de malha a 45º preservando o desenho modernista, mas densificando com 8 andares de altura. No entrocamento de um intermodal de transportes públicos é proposto uma torre.
  41. 41. Horto e Vale dos Contos – Ouro Preto - 2008
  42. 42. Melhorias habitacionais no Santo Amaro - 2011
  43. 43. Todos os Mundos. Um só mundo... Há um valor imaterial na cultura brasileira, que nós não damos conta; Não existe um Brasil puro sangue. Não existe um povo brasileiro, mas existe uma idéia de Brasil. Desde cedo somos acostumados à diversidade, somos na verdade mineiros, paulistas, cariocas, paraibanos, baianos, pernambucanos, paraenses, etc.. Somos localistas e, muitas vezes como em Minas Gerais somos na verdade da Zona da Mata, do Triângulo, do Sul, do Centro ou do Jequitinhonha. Há um dito, que define o Brasil; “Perco o amigo mas não perco a piada” Talvez a nossa constante auto ironia, o nosso complexo de vira latas seja o valor imaterial maior da cultura brasileira. Uma cultura cosmopolita, pois está sempre interessada em ouvir o outro. O Brasil está cansado da verticalização de suas instituições, quer se transformar numa diversidade horizontal, igualmente empoderada. O Plano e o Projeto desempenham papel fundamental nesse novo Brasil. Obrigado

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