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JORNAL DO CREMERJJaneiro de 2016 15
COLUNA DO RESIDENTE
O médico de família e comunidade
✁
Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-
co se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidade
da Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidade
(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do
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É UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUE
“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?
O médico de família e comunidade cuida
das pessoas e dos seus problemas de saúde,
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tário, não de forma pontual, mas ao longo da
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possui um corpo de conhecimentos que lhe é pró-
prio, dispondo de instrumentos, habilidades e ati-
tudes que lhe permitem ser altamente resolutiva.
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dos durante a residência médica, considerada pa-
drão-ouro na formação desse profissional (recen-
temente tivemos a publicação do Currículo Basea-
do em Competências, pela Sociedade Brasileira de
MFC, que norteia os nossos programas). Logo,
diante do exposto, o médico de família e comuni-
dade é um médico generalista e tem conhecimen-
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ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-
LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?
A Atenção Primária à Saúde (APS) é o terre-
no de atuação fundamental do médico de fa-
mília e comunidade, enquanto esse é ferramenta
chave para o desenvolvimento pleno da APS,
responsável por um grupo de famílias geogra-
ficamente adscritas ou por conveniência do
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profissional médico, junto com sua equipe
multidisciplinar, com melhores capacidades
para liderar esse nível de atenção à saúde. Isso
inclui a capacidade de lidar com funções de
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toda a prática clínica. Existem também médi-
cos de família e comunidade trabalhando na
saúde suplementar, em serviços de urgência/
emergência, e em seus consultórios privados.
POR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIA
E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?
Cuidamos de pessoas e de suas famílias de
forma contínua e permanente. Em alguns paí-
ses somos chamados de “médicos de cabecei-
ra” ou “gatekeepers”, pois somos aqueles mé-
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E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?
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Como é uma especialidade que por defini-
ção está vinculada às necessidades da popula-
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lia e comunidade com características únicas,
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cessidades estruturais, epidemiológicas, cultu-
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Desta maneira, podemos ver médicos de famí-
lia que na República Dominicana realizam apen-
dicectomia, enquanto que em outros países isto
não é permitido; realizando ultrassonografias
ou vasectomia, como no México; e acupuntu-
ra e outras alternativas em Cuba.
QUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA E
COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?
No Brasil, apesar de existir desde 1976, e ter
sido uma das primeiras especialidades oficializa-
das pela Comissão Nacional de Residência Médi-
ca em 1981 e pelo Conselho Federal de Medici-
na em 1986, ela ficou muito tempo sem grande
evidência, só ganhando maior visibilidade após a
expansão do Programa Saúde da Família, atual-
mente Estratégia Saúde da Família. Hoje conta-
mos com cerca de cinco mil médicos de família e
comunidade atuando no Brasil.
Ser médico de família, portanto, é ser “es-
pecialista em pessoas” e dominar bem o ma-
nejo dos problemas de saúde mais frequentes,
utilizando-se de técnicas baseadas nas melho-
res evidências e no método clínico centrado
na pessoa. Não é optar por uma especialidade
nova ou estar desprovido de tecnologia espe-
cífica ou mesmo dos avanços modernos da ci-
ência. Não é uma especialidade onisciente e
também não lida com problemas banais ou de
fácil resolução.
Precisamos que os outros níveis de atenção
à saúde e as especialidades focais estejam tra-
balhando em harmonia para o melhor benefício
do paciente. Estou ciente de que, em breve, ao
sair da residência médica, preciso ser um agen-
te de mudança na saúde do nosso país, recu-
sando-me a assumir o papel de mero prestador
de serviços ou subserviente aos interesses do
mercado. A saúde é um bem fundamental da
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LAÍS IZABEL CRISANTO
Médica residente do Programa de Residência de
Medicina de Família e Comunidade, da Secretaria
Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, na Clínica
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O que é Medicina de Família e Comunidade

  • 1. JORNAL DO CREMERJJaneiro de 2016 15 COLUNA DO RESIDENTE O médico de família e comunidade ✁ Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou-Durante a graduação em medicina, pou- co se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidadeco se ouve falar sobre a especialidade da Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidadeda Medicina de Família e Comunidade (MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do(MFC). São frequentes afirmações do tipo: “o médico de família e comunida-tipo: “o médico de família e comunida-tipo: “o médico de família e comunida-tipo: “o médico de família e comunida-tipo: “o médico de família e comunida- de é aquele clínico geral antigo que iade é aquele clínico geral antigo que iade é aquele clínico geral antigo que iade é aquele clínico geral antigo que iade é aquele clínico geral antigo que ia na casa das pessoas”; ou “o médico dena casa das pessoas”; ou “o médico dena casa das pessoas”; ou “o médico dena casa das pessoas”; ou “o médico dena casa das pessoas”; ou “o médico de família e comunidade é aquele que nãofamília e comunidade é aquele que nãofamília e comunidade é aquele que nãofamília e comunidade é aquele que nãofamília e comunidade é aquele que não se especializou em nada”; ou ainda “ése especializou em nada”; ou ainda “ése especializou em nada”; ou ainda “ése especializou em nada”; ou ainda “ése especializou em nada”; ou ainda “é uma nova especialidade no Brasil”. Emuma nova especialidade no Brasil”. Emuma nova especialidade no Brasil”. Emuma nova especialidade no Brasil”. Emuma nova especialidade no Brasil”. Em entrevista ao CREMERJ, Laís Crisantoentrevista ao CREMERJ, Laís Crisantoentrevista ao CREMERJ, Laís Crisantoentrevista ao CREMERJ, Laís Crisantoentrevista ao CREMERJ, Laís Crisanto tenta responder alguns questionamen-tenta responder alguns questionamen-tenta responder alguns questionamen-tenta responder alguns questionamen-tenta responder alguns questionamen- tos comuns entre colegas da área datos comuns entre colegas da área datos comuns entre colegas da área datos comuns entre colegas da área datos comuns entre colegas da área da saúde e da sociedade em geral.saúde e da sociedade em geral.saúde e da sociedade em geral.saúde e da sociedade em geral.saúde e da sociedade em geral. O MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADEO MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADEO MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADEO MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADEO MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADE É UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUEÉ UM CLÍNICO GERAL OU O MESMO QUE “MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”?“MÉDICO GENERALISTA”? O médico de família e comunidade cuida das pessoas e dos seus problemas de saúde, considerando seu contexto familiar e comuni- tário, não de forma pontual, mas ao longo da sua vida, independente das suas faixas etárias, gêneros, órgãos ou sistemas afetados. É uma especialidade eminentemente clínica, com al- gumas práticas cirúrgicas, atuando de forma longitudinal, integral e coordenada. Como todas as especialidades médicas, a MFC possui um corpo de conhecimentos que lhe é pró- prio, dispondo de instrumentos, habilidades e ati- tudes que lhe permitem ser altamente resolutiva. Esses conhecimentos são intensamente trabalha- dos durante a residência médica, considerada pa- drão-ouro na formação desse profissional (recen- temente tivemos a publicação do Currículo Basea- do em Competências, pela Sociedade Brasileira de MFC, que norteia os nossos programas). Logo, diante do exposto, o médico de família e comuni- dade é um médico generalista e tem conhecimen- tos/habilidades de um clínico geral, porém um generalista ou clínico geral nem sempre será um médico de família e comunidade. ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ-ONDE TRABALHA O MÉDICO DE FAMÍ- LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE?LIA E COMUNIDADE? A Atenção Primária à Saúde (APS) é o terre- no de atuação fundamental do médico de fa- mília e comunidade, enquanto esse é ferramenta chave para o desenvolvimento pleno da APS, responsável por um grupo de famílias geogra- ficamente adscritas ou por conveniência do sistema de saúde, a depender do país. Esse é o profissional médico, junto com sua equipe multidisciplinar, com melhores capacidades para liderar esse nível de atenção à saúde. Isso inclui a capacidade de lidar com funções de administração, educação, investigação, além de toda a prática clínica. Existem também médi- cos de família e comunidade trabalhando na saúde suplementar, em serviços de urgência/ emergência, e em seus consultórios privados. POR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIAPOR QUE TER UM MÉDICO DE FAMÍLIA E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE?E COMUNIDADE? Cuidamos de pessoas e de suas famílias de forma contínua e permanente. Em alguns paí- ses somos chamados de “médicos de cabecei- ra” ou “gatekeepers”, pois somos aqueles mé- dicos de referência que podem ajudar em mo- mentos de dúvida sobre o que fazer ou qual profissional procurar caso não possamos ab- sorver todas as demandas daquele paciente. Como conhecemos bem nossos pacientes, sa- bemos distinguir a gravidade do problema, e se isso vai requerer exames ou a opinião de um especialista focal. Diversos estudos asseguram que o manejo adequado de 50 diagnósticos resolve a maio- ria dos problemas de saúde apresentados pela população de uma determinada região, cada um com sua devida complexidade, e em sua maioria possíveis de serem solucionados com baixa densidade tecnológica. Mas, sem os ou- tros níveis do sistema funcionando de forma adequada, a MFC não se sustenta e vice-versa. Nesse caso, gera-se uma relação caótica que produz a desorganização dos serviços de saú- de, encarecimento dos mesmos, iniquidade e falta de acessibilidade. E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO?E A MFC NO MUNDO? Sua inserção nos sistemas de saúde se dá de forma universal, seja em países desenvolvidos como os Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Canadá, até países em desenvolvimento como Cuba, Costa Rica, Venezuela e México. Em todos os países onde é adotada tem contribuído forte- mente para a melhoria dos indicadores de saúde. A Organização Mundial de Saúde e a Won- ca (a organização internacional que represen- ta os médico de família e comunidade) reco- mendam que: “o médico de família deve de- sempenhar um papel central na obtenção de qualidade, equidade e custo-efetividade nos sistemas de saúde. A maior parte dos médicos de um país deverá ser médicos de família, é necessário estabelecer políticas nacionais no sentido de atingir este objetivo tão cedo quanto possível”. Na Inglaterra, 51% de todos os mé- dicos do país são “General Practitioners”, no Canadá, representam 55%, em Cuba, cerca de 65% e na Holanda eles já somam 33%. Como é uma especialidade que por defini- ção está vinculada às necessidades da popula- ção que serve, não existe um médico de famí- lia e comunidade com características únicas, mas elas devem se adaptar em função das ne- cessidades estruturais, epidemiológicas, cultu- rais, assistenciais ou econômicas existentes. Desta maneira, podemos ver médicos de famí- lia que na República Dominicana realizam apen- dicectomia, enquanto que em outros países isto não é permitido; realizando ultrassonografias ou vasectomia, como no México; e acupuntu- ra e outras alternativas em Cuba. QUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA EQUEM SÃO OS MÉDICOS DE FAMÍLIA E COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL?COMUNIDADE NO BRASIL? No Brasil, apesar de existir desde 1976, e ter sido uma das primeiras especialidades oficializa- das pela Comissão Nacional de Residência Médi- ca em 1981 e pelo Conselho Federal de Medici- na em 1986, ela ficou muito tempo sem grande evidência, só ganhando maior visibilidade após a expansão do Programa Saúde da Família, atual- mente Estratégia Saúde da Família. Hoje conta- mos com cerca de cinco mil médicos de família e comunidade atuando no Brasil. Ser médico de família, portanto, é ser “es- pecialista em pessoas” e dominar bem o ma- nejo dos problemas de saúde mais frequentes, utilizando-se de técnicas baseadas nas melho- res evidências e no método clínico centrado na pessoa. Não é optar por uma especialidade nova ou estar desprovido de tecnologia espe- cífica ou mesmo dos avanços modernos da ci- ência. Não é uma especialidade onisciente e também não lida com problemas banais ou de fácil resolução. Precisamos que os outros níveis de atenção à saúde e as especialidades focais estejam tra- balhando em harmonia para o melhor benefício do paciente. Estou ciente de que, em breve, ao sair da residência médica, preciso ser um agen- te de mudança na saúde do nosso país, recu- sando-me a assumir o papel de mero prestador de serviços ou subserviente aos interesses do mercado. A saúde é um bem fundamental da sociedade, não podemos perder esse foco. LAÍS IZABEL CRISANTO Médica residente do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, na Clínica da Família Assis Valente