Uma vida voltada para Deus

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Autor: John Piper
Primeira edição em português: 2007
Editora: Fiel
ISBN: 85-99145-27-2

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Uma vida voltada para Deus

  1. 1. UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSTraduzido do original em inglês:A GODWARD LIFECopyright © 1997 by Desiring God FoundationPublished by Multnomah Booksa division of Random House, Inc.12265 Oracle Boulevard, Suite 200Colorado Springs, Colorado 80921 USATodos os direitos para tradução em outros idiomasdevem ser contratados através deGospel Literature InternationalP. O. Box 4060, Ontario, California 91761-1003 USAISBN N o. 85-99145-27-2Primeira edição em português © 2007 Editora FielTodos os direitos reservados. É proibida areprodução deste livro, no todo ou em parte,sem a permissão escrita dos editores.Editor: Pr. Richard DenhamTradução: Francisco Wellington FerreiraRevisão: Marilene Paschoal Ana Paula Eusébio PereiraDiagramação: Marilene PaschoalCapa: Edvanio SilvaDireção de Arte: Rick DenhamEDITORA FIEL da MISSÃO EVANGÉLICA LITERÁRIA Caixa Postal 81 12201-970 - São José dos Campos, SP
  2. 2. Dedicado à David e Karin Livingston David e Sally Michael Brad e Cindy NelsonPreciosos companheiros em uma vida voltada para Deus, que têm amado e trabalhado por mais de dez anos comigo na Igreja Batista Bethlehem.
  3. 3. ÍNDICE PREFÁCIO ................................................................................. 11 AGRADECIMENTOS .................................................................... 13 I NTRODUÇÃO ............................................................................ 15 O Mestre, a Bíblia e uma vida voltada para Deus1 AMANDO A DEUS POR AQUILO QUE ELE É .................................. 21 Uma perspectiva de pastor2 AS MISERICÓRDIAS DE HOJE PARA OS PROBLEMAS DE HOJE ...... 24 Meditação sobre Mateus 6.343 QUANDO PALAVRAS SÃO VENTO ............................................... 27 Meditação sobre Jó 6.264 GRAÇA FUTURA ....................................................................... 29 Considerando o poder que precisamos para a obediência5 DOM E DETERMINAÇÃO (NESSA ORDEM) ................................. 32 Reflexão sobre o esforço humano e a capacitação divina6 O ZELO PELO BEM É LOUVADO OU PERSEGUIDO? ...................... 35 Meditação sobre 1 Pedro 3.13-167 VOCÊ TAMBÉM TERÁ OS SEUS ADUFES ..................................... 38 Meditação sobre todo o conselho de Deus: Uma defesa hedonista da doutrina8 MORRER É GRANDE LUCRO / CINCO RAZÕES PARA ISTO .......... 41 Meditação sobre Filipenses 1.219 O GOZO DE SABER QUE DEUS É DEUS ..................................... 44 Deus pode ser impressionado pelo homem?
  4. 4. 6 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUS10 O EFEITO CASCATA DA PALAVRA .............................................. 47 Reflexão sobre ler e escrever11 O QUE É UM CRISTÃO? ............................................................. 50 Meditação sobre 2 Coríntios 5.14-1512 TOLERANDO O ATEÍSMO ........................................................... 53 Pensamentos sobre a supremacia de Deus em um mundo pluralista13 GRAÇA PARA AJUDAR EM TEMPO APROPRIADO .......................... 56 Meditação sobre Hebreus 4.1614 O LUGAR DO ESPÍRITO SANTO NA TRINDADE ............................ 59 Fundamento para a adoração15 FONTES TRANSCENDENTES DE TERNURA .................................. 62 Meditação sobre Deuteronômio 10.17-1916 DIGA, COM CALMA: “SUAS OPINIÕES ULTRAJANTES NÃO SE BASEIAM NA VERDADE”. ........................................................... 65 Meditação sobre Efésios 5.1117 O TOQUE DO SENHOR .............................................................. 68 Meditação sobre 1 Samuel 10.2618 UMA RAZÃO CONSTRANGEDORA PARA O TREINAMENTO RIGOROSO DA MENTE .............................................................. 70 Pensamentos sobre a importância da leitura19 MEDITAÇÃO SOBRE A SEDE NA MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA ....... 73 Ouvindo a Jesus em João 4.1420 JURANDO PARA SEU PRÓPRIO DANO .......................................... 76 O que fazer quando se comete um erro caríssimo21 SOBRE ANÚNCIOS DE FILMES PORNOGRÁFICOS .......................... 79 Uma carta aberta a um anunciante22 VIVENDO SOBRENATURALMENTE COMO IGREJA DE CRISTO ........ 82 A necessidade de viver em Deus23 POR QUE É TÃO CRUCIAL SER DIRECIONADO PELA VERDADE ..... 85 Amando a Deus por amar a Verdade
  5. 5. ÍNDICE 724 A DOLOROSA LIÇÃO DE APRENDER A TER GOZO ....................... 88 Não existe servir como este25 ORANDO POR AQUILO QUE NÃO PODE FALHAR .......................... 90 Ponderando as promessas que fundamentam as orações26 QUANDO A NUDEZ É INCONVENIENTE ........................................ 92 Pensamentos sobre o negociar o uso do sexo27 UMA PAIXÃO POR SANTIDADE ................................................... 96 O segredo da eficácia duradoura na vida de John Owen28 O AMOR DE DEUS PASSADO E PRESENTE ................................. 99 Meditação sobre Romanos 5.829 BUSCANDO PESSOAS INTERESSADAS POR DEUS ......................... 102 Reflexão sobre o sermos cooperadores com Deus30 RESOLUÇÕES SOBRE O ENVELHECER COM DEUS ........................ 105 Desfrutando da fé exercida por um salmista velho Reflexões sobre Salmos 7131 ORAÇÃO E PREDESTINAÇÃO ...................................................... 108 Um diálogo entre aquele que ora e aquele que não ora32 NÃO IMPORTA O QUE ME ACONTEÇA ......................................... 111 Meditação sobre João 12.24-2533 A CRUZ DE CRISTO, MINHA LIBERDADE E PODER! .................... 114 Meditação sobre a corrupção remanescente34 SLOGANS MOTIVADORES DO CAMPO DE BATALHA ..................... 116 Recordações de Lausane II35 NASCIDO PARA MORRER POR NOSSA LIBERDADE ....................... 118 Meditação sobre Hebreus 2.14-1536 MANUMISSÃO MAGNIFICENTE ................................................... 122 Meditação sobre Romanos 6.17-1837 O QUE OS ANÚNCIOS DE PRESERVATIVOS PRODUZIRAM .............. 125 Uma troca de correspondências38 NENHUMA ORAÇÃO, NENHUM PODER! ..................................... 128 Reflexão sobre a ofensiva e a defesa da vida espiritual
  6. 6. 8 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUS39 POR QUEVOCÊ CRÊ QUE JESUS RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS? ............................................................... 131 Meditação sobre ter uma resposta da esperança que está em nós40 IMAGINE JESUS JOGANDO NA LOTERIA ...................................... 134 Brincando com o suicídio da alma41 DEUS MANDOU O HOMEM FAZER OBRAS PARA GANHAR A VIDA? ..................................................................... 137 Meditação sobre o suposto Pacto de Obras42 A GRAÇA IMERECIDA E CONDICIONAL DE DEUS ......................... 140 Reflexões sobre Salmos 2543 PASSOS PRÁTICOS PARA MORTIFICAR O PECADO ...................... 143 Pensamentos sobre a mortificação44 INSTITUIÇÕES: PERIGOSAS E PROVEITOSAS ............................... 147 O perigo de confiar em seu cavalo45 TREMENDO COM ALEGRIA POR MEU LIVRAMENTO ...................... 150 Meditação sobre o inferno na época de Natal46 UM DERRAMAMENTO DE PODER EXTRAORDINÁRIO ................... 152 O que é um avivamento?47 FAZEI TODAS AS COISAS SEM MURMURAÇÃO ........................... 155 Meditação sobre Filipenses 2.14-1548 SALVANDO BEBÊS E SALVANDO PECADORES .............................. 158 Pensamentos sobre os horrores do aborto e do inferno49 O PODER DO CÉU E DO INFERNO NA VIDA DIÁRIA ..................... 160 Aprendendo com Jesus a ter esperança e temor50 COMO NÃO COMETER IDOLATRIA AO DAR GRAÇAS ................... 164 Jonathan Edwards e a verdadeira ação de graças51 QUATRO MANEIRAS PELAS QUAIS DEUS GUIA SEU POVO ........... 167 Pensamentos sobre como conhecer a vontade de Deus52 QUANDO OS DIREITOS ENTRAM EM CONFLITO .......................... 170 Por que o direito de aborto é injusto
  7. 7. ÍNDICE 953 UM MEIO ADMIRÁVEL DE MUDANÇA ........................................ 173 Considerações sobre o poder da meditação54 CARNE FORTE PARA OS MÚSCULOS DE MISSÕES ....................... 176 Pensamentos sobre o ministério de Adoniran Judson55 Ó SENHOR, DÁ-NOS FILHOS DA PROMESSA E NÃO FILHOS DA CARNE! ................................................................... 179 Meditação sobre Romanos 9.856 CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO PERDOADO ................................... 181 Quando o sofrimento não é uma penalidade57 POR QUE DEUS CRIOU AS FAMÍLIAS? ........................................ 184 Considerando a revelação de Deus58 VOCÊ SE DELEITA EM SENTIR MEDO? ....................................... 187 Meditação sobre algumas maravilhosas palavras de temor59 COMO VOCÊ OBEDECE A ORDEM DE NASCER DE NOVO? ........... 190 Reflexões sobre o levantar-se dentre os mortos60 INSPIRADOS PELA INCRÍVEL IGREJA PRIMITIVA ........................... 193 Senhor, dá-nos uma imitação santa!61 OS ADMIRÁVEIS AVISOS DE MATEUS PARA NÃO SERMOS DISCÍPULOS FALSOS ................................................... 196 Pensamentos sobre a necessidade de justiça prática62 COMO OS FORASTEIROS SERVEM À CIDADE .............................. 199 Vivendo bem quando Deus e Satanás agem na Terra63 MONTANHAS NÃO DEVEM SER INVEJADAS ................................. 202 Pensamentos notáveis sobre Charles Spurgeon64 VOCÊ ACEITARIA A CONDENAÇÃO À MORTE POR SER CRENTE? .. 205 O martírio também é moderno65 RESOLUÇÕES DE ADOLESCENTES EM HONRA DO PAI E DA MÃE .. 207 O que peço a Deus que nossos adolescentes digam66 APRENDENDO COM UM GRANDE HOMEM A DESFRUTAR DA COMUNHÃO COM DEUS ....................................................... 210 Pensamentos sobre como relacionar-se pessoalmente com a Trindade
  8. 8. 10 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUS67 O PODER DE UM PAI DISCIPLINADO .......................................... 213 Memórias do pai de John G. Paton68 COMECE APAGANDO TODAS AS SUAS LÂMPADAS ....................... 216 A luz na prisão de Samuel Rutherford69 FELICIDADE EM SER AMADO E AMAR POR SER FELIZ ................ 219 Pensamentos sobre liderar com alegria e orar pela alegria dos líderes70 CRIANDO FILHOS PARA IREM AO FIM DO MUNDO ...................... 222 Como Amy Carmichael seguiu esse caminho71 PALAVRAS DE ESPERANÇA SOBRE UM BEBÊ QUE NASCEU CEGO ......................................................................... 225 Uma carta aos pais72 INSPIRADOS POR ARISTIDES ...................................................... 228 O modo de amar dos cristãos primitivos73 O PODER DE DEUS E A ARGUMENTAÇÃO EM FAVOR DA ESCOLHA PESSOAL ................................................................... 231 Pensamentos sobre uma conversa na prisão74 O PODER DOS LIVROS E COMO USÁ-LOS ................................... 234 Pensamentos sobre ler uns para os outros em voz alta75 O GRANDE “PORTANTO” DA RESSURREIÇÃO ............................. 237 Considerando as conseqüências das idéias76 TODOS OS ANJOS VIRÃO COM ELE ............................................ 240 Meditação sobre Mateus 25.31-4677 “NENHUM MAL TE SOBREVIRÁ.” É VERDADE? ......................... 243 Acautele-se da maneira como Satanás usa os Salmos78 LUTERO, BUNYAN, A BÍBLIA E O SOFRIMENTO ........................... 246 Meditação sobre Salmos 119.7179 AGOSTINHO E O QUE SIGNIFICA AMAR A DEUS ........................... 249 Pensamentos sobre o amor como um deleite, e não apenas como uma ação e um desejo80 COMO SER FORTE NO SENHOR ................................................. 253 Considerando o poder da alegria no Senhor
  9. 9. PREFÁCIOL ivros não mudam pessoas; parágrafos, sim. Às vezes, até sentenças. Ainda recordo uma tarde, no outono de 1968, quando estive em uma livraria na Avenida Colorado, emPasadena, e li a primeira página de The Weight of Glory (O Peso deGória), escrito por C. S. Lewis. Ainda que eu não tivesse lido outrapágina, minha vida teria sido mudada para sempre. Talvez possaresumir o que li em duas sentenças: “Somos criaturas indiferentes,que brincam com bebidas, sexo e ambição, enquanto o gozo infinito é-nos oferecido; como uma criança ignorante que deseja continuarbrincando na lama em uma favela, porque não imagina o que significao oferecimento de um feriado na praia. Satisfazemo-nos com coisaspequenas demais”.1 Quase trinta anos depois, ainda sinto o arrepiodaquela descoberta e o ímpeto de luz que me atingiu. Nada jamaisseria o mesmo. Apenas um parágrafo, e a obra decisiva foi realizada. Isto não é algo novo. Dezesseis séculos atrás, em agosto de 386,Agostinho estava em aflição espiritual. Em um jardim de Milão (Itália),ele se lançou ao chão, debaixo de uma figueira, e deu lugar às lágrimas,que jorravam de seus olhos: “Arranquei cabelos e bati na cabeça comos punhos. Fechei os dedos e abracei os joelhos”. Em seguida, ele
  10. 10. 12 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSouviu “a voz melódica de um menino ou uma menina, não tenho certeza,que repetia em refrão: ‘Pega-o e lê; pega-o e lê’”. Agostinho aceitouisso como “uma ordem divina para abrir meu livro das Escrituras e lera primeira passagem em que caísse o meu olhar”. Ele abriu e leu:“Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices,não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; masrevesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne notocante às suas concupiscências”. Com duas sentenças, toda a afliçãofoi desfeita. “Não tive qualquer desejo de ler mais, nem precisavafazê-lo. Pois, em um instante, quando cheguei ao final da sentença,aconteceu como se a luz da confiança inundasse meu coração, etodas as trevas de dúvidas foram removidas”.2 Quanto a Lutero, sua vida foi tocada por intermédio de outra dasgrandes sentenças do apóstolo Paulo — Romanos 1.16-17. Na vidade Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1.17. Para John Wesley foi oprefácio do comentário livro A Epístola aos Romanos, escrito porLutero. E poderíamos acrescentar outros nomes à lista. A verdade éque a leitura de muitos livros pode ser semelhante a ajuntar pedaçosde madeira, mas as chamas brilham de uma única sentença. A marcaé deixada na mente não pela queima de muitas páginas, e sim pelocalor de uma sentença aquecida por Deus. Minha oração é que Deus se agrade em tomar as breves leiturasdeste livro e queimar uma sentença ou um parágrafo em sua mente.As meditações têm apenas duas ou três páginas de extensão. Nãoestão arranjadas em ordem de assuntos. O que as mantém unidas éuma busca por experimentarmos a supremacia de Deus em toda avida. O meu alvo é despertar e nutrir essa fome.1 1. LEWIS, C. S. The weight of Glory. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1965. p. 1-2.2 Augustine’s Confessions, Book VIII. In: BROWN, Peter. Augustine of Hippo: a biography. Berkeley, Calif.: University of California Press, 1967. p. 108-109.
  11. 11. AGRADECIMENTOSA gradeço a Noël, minha esposa, pelas repetidas leituras destas páginas. Amo estar associado a uma editora que vê a imper- feição, mas aprecia a visão. Agradeço a Steve Halliday poralimentar uma idéia de dez anos e por ajudar na concretização dessaidéia. Agradeço a Carol Steinbach por elaborar, conforme penso, osíndices em sua hora de repouso e ficar acordada até tarde paracumprir o impiedoso prazo de entrega. Quando terminava este livro, David e Karin Livingstone, Brad eCindy Nelson completavam, comigo, dez anos de ministério pastoralna equipe da Igreja Batista Bethlehem. No ano passado, David eSally Michael atingiram essa marca. Com abundante gratidão a Deus,dedico este livro a esses pacientes companheiros na Grande Obra. David e Karin, obrigado pelos vinte e três anos de amizade ina-balável, os incontáveis atos de hospitalidade, centrada em Deus, oincansável amor pelos perdidos e os dez anos de espontânea flexibili-dade no amor sacrificial por todos os santos. David e Sally, obrigadopor se dedicarem ao interior da cidade antes que algum de nós tivés-semos esse sonho e por viverem a Palavra, mesmo quando aflitos, epor conhecerem a diferença entre a moralização centralizada no ho-
  12. 12. 14 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSmem e o significado da vida voltada para Deus, no ministério da Pa-lavra aos nossos filhos. Brad e Cindy, obrigado por um dos raros triunfos — dez anos deministério fiel que exalta a Deus entre os adolescentes; por permane-cerem fortes quando os agradecimentos eram poucos; por entretece-rem missões mundiais em todos os seus sonhos; por edificarem a vidade nossos jovens com o ensino bíblico, adoração e testemunho e porpastorearem meus quatro filhos em direção a uma paixão pela supre-macia de Deus. Amo todos vocês e a igreja à qual servimos com alegria.
  13. 13. INTRODUÇÃO O Mestre, a Bíblia e uma vida voltada para DeusA dmito que isso parece uma contradição. Estou procurando fazer com que você leia algo mais além da Bíblia, ou seja, este livro em suas mãos. Contudo, o principal argumentodeste livro é que a leitura da Bíblia, por si mesma, é o que realmenteimporta. Aprecio muito estas palavras de John Wesley: “Sou umacriatura de um dia. Sou um espírito que veio de Deus e retorna paraDeus. Quero conhecer apenas uma coisa: o caminho para o céu.Deus mesmo condescendeu em ensinar-me esse caminho. Ele odescreveu em um Livro. Oh! dêem-me esse livro! A qualquer preço,dêem-me o Livro de Deus. Quero ser o homem de um único Livro”.1Esse livro é a Bíblia — a preciosa Palavra de Deus. Somente nelaencontramos o caminho para o céu. Somente na Bíblia aprendemossobre uma vida voltada para Deus. Isto é uma contradição? Seria apenas por uma razão: a Bíblianos diz que Deus chama professores humanos para explicarem eaplicarem seu Livro. Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúciode Cirene, Manaém e Saulo foram chamados de “mestres” na igreja
  14. 14. 16 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSde Antioquia (At 13.1). Em 1 Coríntios 12.28, Paulo disse que “a unsestabeleceu Deus na igreja... mestres”. Em Efésios 4.11, Paulo disseque Cristo “concedeu uns para... mestres”. Também sabemos, combase em 1 Timóteo 3.2, que os presbíteros da igreja têm de ser aptospara ensinar. Portanto, mestres humanos são o desígnio de Deus parao seu povo. A tarefa deles consiste em explicar e aplicar a Bíblia demodo que as pessoas entendam-na, creiam nela e vivam-na. Alguns desses mestres escrevem. Não posso falar pelos outros.Contudo, quanto a mim mesmo, é uma questão de necessidade. Nãoentendo com clareza um assunto enquanto não tento escrever sobreele. É uma fraqueza proveitosa. Não sou João Calvino ou Agostinho,mas, como eles, digo que “me considero um daqueles que escrevemenquanto aprendem e aprendem enquanto escrevem”.2 Não importa o quanto aprendamos, os mestres não equivalem àBíblia. Todos, “agora, vemos como em espelho, obscuramente” (1 Co13.12). “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres... Por-que todos tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3.1-2). É triste masverdadeiro o fato de que muitos crentes podem dizer como o salmista:“Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nosteus testemunhos” (Sl 119.99). É o testemunho do Senhor, e não oensino de homens, que “dá sabedoria aos símplices” (Sl 19.7). Muitosmestres ensinam pouco sobre a Bíblia, e as palavras deles são comoa erva. “Seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém,permanece eternamente” (1 Pe 1.24-25). O ensino que permanece — e os livros que permanecem — é oensino que “jorra a Bíblia”. C. H. Spurgeon disse a respeito de JohnBunyan: “Fure-o em qualquer parte, e você descobrirá que a Bíbliaestá em seu sangue; a própria essência da Bíblia flui de Bunyan. Elenão pode falar sem citar um texto bíblico, pois sua alma está repletada Palavra de Deus”.3 Deus quer que haja mestres humanos de suadivina Palavra, mas Ele quer que esses mestres sejam repletos daPalavra de Deus. A Bíblia deve jorrar deles. A Bíblia tem de fluir nosangue — e nos livros — deles. O ensino não é o único dom na igreja. Os lábios que ensinamnão podem dizer às mãos que tocam ou aos pés que correm: “Não
  15. 15. INTRODUÇÃO 17preciso de vós” (1 Co 12.21). Existe reciprocidade. “Aquele que estásendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boasaquele que o instrui” (Gl 6.6). Não significa apenas “paguem a quemprega”. Também significa que estes precisam de “todas as coisasboas” que aqueles que recebem os ensinamentos são e fazem. Nãosobreviveria sem o eco da verdade no amor de meu povo. Este livro é um transbordamento de minha chamada para ensinarna igreja. Por mais de dezessete anos, prego ao rebanho da IgrejaBatista Bethlehem. Todavia, há muito mais a dizer do que um pregadorpoderia fazê-lo aos domingos e às quartas-feiras. A Bíblia é uma fonteinesgotável de discernimento a respeito de Deus e seus caminhos.Por isso, neste tempo, tenho escrito semanalmente uma carta ao meurebanho naquilo que chamamos afetuosamente de Star. O que vocêtem em mãos é uma coletânea de algumas dessas meditações. Elas são, por desígnio e quase na totalidade, meditações sobreas Escrituras. Algumas focalizam em aplicação pessoal ou social.Outras, em explanação bíblica. Em ambos os casos, o alvo é ser bíbli-co, implícita e explicitamente. Essa é a única exigência para a utilidadepermanente na vida. Várias dessas cartas semanais desapareceramno misericordioso esquecimento da História. Outras são bem limita-das no assunto que enfocam e podem não ser interessante para outrasigrejas. Creio que algumas delas têm relevância duradoura e funda-mento bíblico suficientes para magnificar a Cristo, além de uma igrejae de uma década. Se isso é verdade, o tempo dirá. Um das grandes coisas a respeito de estar em uma igreja pordezessete anos é que a missão da igreja e a missão do pregador tendema se tornar uma. Isto é verdade na Igreja Batista Bethlehem. Existimospara difundir uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas,para regozijo de todas as pessoas. Essa é a missão de nossa igreja;também, a de minha vida. Procuro avaliar tudo o que falo, escrevo evivo por meio deste padrão: isto propaga uma paixão pela supremaciade Deus? Portanto, se existe uma linha que une estas meditações, é o meuincansável alvo de experimentar a supremacia de Deus em todas ascoisas. Essa é a razão. “Experimentar” é a palavra correta. A supre-
  16. 16. 18 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSmacia de Deus não é uma mera idéia. Nem mesmo um fato apenasmagnificente. É uma agradável realidade. Deus não pretende tão-somente ser visto como supremo; Ele quer ser provado. “Oh! Provaie vede que o SENHOR é bom” (Sl 34.8). A supremacia da bondade,santidade, poder, conhecimento, justiça e sabedoria de Deus são melpara a língua do coração e ouro para o tesouro de nossa alma. Deusalmeja que conheçamos estas qualidades em nossa mente e as expe-rimentemos com prazer em nosso coração. Penso a respeito da supremacia de Deus o mesmo que JonathanEdwards pensava sobre a soberania de Deus: “A soberania absolutade Deus... é aquilo em que a minha mente parece descansar segura,mais do que em qualquer coisa que eu possa ver com os olhos... Combastante freqüência, esta doutrina tem parecido muitíssimo agradável,brilhante e doce. A soberania absoluta é aquilo que eu gosto muito deatribuir a Deus... A soberania de Deus sempre me pareceu grandeparte da glória dEle. Freqüentemente tenho encontrado prazer emaproximar-me de Deus e adorá-Lo como Deus soberano”.4 Este experimentar é um dever profundo e prazeroso. A Bíbliadiz: “Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os queamam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado!” (Sl70.4.) De fato, estas duas coisas — rejubilar-se em Deus e magnificá-Lo — não são coisas separadas. A bandeira que drapeja sobre cadameditação deste livro é a convicção de que Deus é mais magnificadoem nós, quando estamos mais satisfeitos nEle. Quando o salmista afirmou: “Então, irei ao altar de Deus, deDeus, que é a minha grande alegria; ao som da harpa eu te louvarei,ó Deus, Deus meu” (Sl 43.4), ele pretendia dizer que a extensão desua alegria era parte do que tornava autêntico o seu louvor. A supre-macia da beleza e do valor todo-satisfatório de Deus é o alimentocrucial para o saborear de nossa alma, e não os dons dEle. Não háoutra maneira de explicar palavras como estas: Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado,
  17. 17. INTRODUÇÃO 19 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação (Hc 3.17-18). Somente uma coisa explica estas palavras de Paulo: “Sim,deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade doconhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (Fp 3.8). — Cristo, aessência e imagem de Deus, tem de ser mais desejado do que todosos seus dons. Ele é o fim do saborear de nossa alma, e não o meio. Os dons de Deus são bons. Precisam ser recebidos com gratidãoe alegria, mas não são Deus, nem o alimento final de nossa alma.Apontam para longe de si mesmos — para Deus. “Os céus proclamama glória de Deus” (Sl 19.1). Todos os outros dons que gozamos tambémfazem isso. Muitas vezes, retorno à oração de Agostinho para levarmeus fardos: “Muito pouco Te ama aquele que ama qualquer coisajuntamente contigo, e que não Te ama por quem és”. 5 Nestasmeditações, eu me regozijo em muitos dons, mas terei errado meualvo, se o impacto geral deste livro não nos levar a parar de buscar osdons e a experimentarmos o próprio Deus. Uma vida voltada para Deus é vivida para a finalidade de ver,experimentar e mostrar a Deus em todas as coisas. “Quer comais,quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória deDeus” (1 Co 10.31). E a glória de Deus é mais plenamente manifestaquando sua amabilidade todo-satisfatória nos liberta para sofrermos— até com alegria — por amor do seu nome. “E eles se retiraram doSinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrerafrontas por esse Nome” (At 5.41). Uma vida voltada para Deus é vivida com um olhar constantepara a recompensa da eterna comunhão com Deus. Esta esperançacentralizada em Deus é o poder que desencadeia o amor sacrifical(Cl 1.4-5) em um mundo impaciente que quer tudo agora. “Ao daresum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; eserás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recom-pensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreiçãodos justos”. Os justos olham para a recompensa da comunhão comDeus e amam. Isto é uma vida voltada para Deus. “Não somente vos
  18. 18. 20 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUScompadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com ale-gria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmospatrimônio superior e durável” (Hb 10.34). Eles olharam para a re-compensa da comunhão com Deus e amaram. Isto é uma vida voltadapara Deus. A única esperança de que tal recompensa poderia ser herdadapor pecadores como nós é a morte de Cristo em nosso lugar. “Cristomorreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, paraconduzir-vos a Deus” (1 Pe 3.18). Cristo morreu em nosso lugar paraque pecadores se regozijem na santidade de Deus e não sejamdestruídos. Esta é a nossa única esperança. O Justo morreu pelosinjustos. Sem isso, uma vida voltada para Deus seria impossível esuicida, se tal coisa existisse. Enquanto a ira de Deus não é desviadade minha alma pecaminosa, pela morte de Cristo, Deus é um fogoconsumidor. Subseqüentemente, pela fé, Ele é a luz da vida e o alvode todos os meus desejos. Este é o testemunho final de uma vidacentralizada em Deus: Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. Salmos 73.25-261 Citado em FULLER, Daniel. “I Was Just Thinking”. Today’s christian, September 1977.2 CALVINO disse isto (citando Augustine’s letters 143.2) na introdução de Institutes of the christian religion, v. 1. Philadelphia: Westminster Press, 1960. p. 5.3 Citado de SPURGEON, C. H. Autobiography. In: MURRAY, Iain. The forgotten Spurgeon. Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1973. p. 34.4 EDWARDS, Jonathan. Personal Narrative. In: Jonathan Edwards Selections. New York: Hill and Wang, 1962. p. 59, 67.5 AGOSTINHO, citado de Confessions. In: BETTENSON, Henry (Ed.). Documents of the christian church. London: Oxford University Press, 1967. p. 54.
  19. 19. 1 AMANDO A DEUS POR AQUILO QUE ELE É Uma perspectiva de pastorU ma das mais admiráveis verdades que descobri foi esta: Deus é mais glorificado em mim quando sou mais satisfeito nEle. Este é o lema que direciona meu ministério como pastor.Afeta tudo o que eu faço. Se eu como, bebo, prego, aconselho ou faço — em tudo isso, omeu alvo é glorificar a Deus pela maneira como o faço (1 Co 10.31).Isto significa que meu alvo é fazer tudo de modo que revele como aglória de Deus tem satisfeito os anelos de meu coração. Se a minhapregação denunciasse que Deus não tem satisfeito minhas necessi-dades, ela seria fraudulenta. Se Cristo não fosse a satisfação de meucoração, será que as pessoas creriam, quando eu proclamasse a men-sagem dEle: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais teráfome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35)? A glória do pão consiste em que ele satisfaz. A glória da águaviva está no fato de que ela sacia a sede. Não honramos a águarefrescante, auto-renovadora e pura que desce da fonte na montanha,quando lhe damos nossa contribuição por trazermos baldes de água
  20. 20. 22 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSde poços do vale. Honramos a fonte por sentirmos sede, ajoelharmo-nos e bebermos com gozo. Em seguida, dizemos: “Ahhhh!” (isto éadoração!) e prosseguimos nossa jornada com a força provenienteda fonte (isto é serviço). A fonte da montanha é mais glorificadaquando mais nos satisfazemos com a sua água. Tragicamente, muitos de nós fomos ensinados que o dever, enão o deleite, é a maneira de glorificarmos a Deus. Não aprendemosque o deleite em Deus é nosso dever! Satisfazer-se em Deus não éum acréscimo opcional ao verdadeiro dever cristão. É a exigênciamais elementar de todas. “Agrada-te do SENHOR” (Sl 37.4). Não éuma sugestão, é uma ordem, assim como o são: “Servi ao SENHORcom alegria” (Sl 100.2) e: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4). A responsabilidade de um pastor é mostrar com clareza aosoutros que o amor de Deus “é melhor do que a vida” (Sl 63.3). Se oamor de Deus é melhor do que a vida, é também melhor do que tudoo que a vida neste mundo oferece. Isto significa que a satisfação nãoestá nos dons, e sim na glória de Deus — a glória do amor, do poder,da sabedoria, da santidade, da justiça, da bondade e da verdade deDeus. Esta é a razão por que o salmista clamou: “Quem mais tenho euno céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda quea minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza domeu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.25-26). Nadana terra, nenhum dos dons de Deus, na criação — podia satisfazer ocoração de Asafe. Somente Deus podia. Davi queria expressar issoquando disse ao Senhor: “Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo,senão a ti somente” (Sl 16.2). Davi e Asafe nos ensinam, por seu anelo centralizado em Deus,que os dons de Deus — como saúde, riqueza e prosperidade — nãosatisfazem. Somente Deus satisfaz. Seria presunção não agradecer aDeus pelos seus dons (“Não te esqueças de nem um só de seusbenefícios” — Sl 103.2), mas seria uma atitude idólatra chamar deamor a Deus a alegria que obtemos de tais dons. Quando Davi disseao Senhor: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra,delícias perpetuamente” (Sl 16.11), ele estava afirmando que estar
  21. 21. AMANDO A DEUS POR AQUILO QUE ELE É 23próximo de Deus é a única experiência todo-satisfatória do universo. Não era pelos dons de Deus que Davi anelava como um amanteprofundamente apaixonado. “Como suspira a corça pelas correntesdas águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha almatem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1-2). Davi queria experi-mentar uma revelação da glória e do poder de Deus: “Ó Deus, tu éso meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sedede ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. As-sim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória”(Sl 63.1-2). Somente Deus satisfará um coração como o de Davi, queera um homem segundo o coração de Deus. Fomos criados parasermos assim. Isto é a essência do que significa amar a Deus — satisfazer-senEle. NEle! Amar a Deus pode incluir obedecer a todos os seusmandamentos, pode incluir crer em toda a sua Palavra e agradecer-Lhe por todos os seus dons. Mas a essência de amar a Deus édesfrutar de tudo o que Ele é. Este desfrutar de Deus glorifica maisplenamente a dignidade dEle, em especial quando tudo ao redor denossa alma está desmoronando. Todos sabemos disso por intuito, bem como por meio dasEscrituras. Sentimo-nos mais honrados pelo amor daqueles que nosservem por obrigação ou pelo deleite da comunhão? Minha esposa émais honrada quando eu lhe digo: “Gastar tempo com você me tornafeliz”. Minha felicidade é o eco da excelência dela. O mesmo éverdade em relação a Deus. Ele é mais glorificado quando nossatisfazemos mais nEle. Nenhum de nós tem chegado à completa satisfação em Deus.Freqüentemente, sinto-me triste com o murmurar de meu coraçãosobre a perda de confortos mundanos, mas tenho provado que o Senhoré bom. Pela graça de Deus, conheço agora a fonte de gozo eterno;por isso, gosto muito de passar os dias atraindo as pessoas a estegozo, até que possam dizer comigo: “Uma coisa peço ao SENHOR, e abuscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias daminha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seutemplo” (Sl 27.4).
  22. 22. 2 AS MISERICÓRDIAS DE HOJE PARA OS PROBLEMAS DE HOJE Meditação sobre Mateus 6.34 Não fiquem ansiosos a respeito do amanhã, porque o amanhã trará suas próprias ansiedades. Para hoje, é suficiente o seu próprio problema. (Tradução do autor.)U ma parte da fé salvadora é a segurança de que amanhã tere- mos fé. Confiar em Cristo hoje inclui o crer que Ele lhe dará a confiança de amanhã, quando o amanhã chegar. Comfreqüência, sentimos que nossa reserva de forças não será suficientepara mais um dia. E, de fato, não será. Os recursos de hoje são parahoje; e uma parte desses recursos é a confiança de que novos recursosnos serão dados amanhã. O alicerce desta segurança é o maravilhoso ensino bíblico deque Deus determina para cada dia apenas a quantidade de problemasque este dia é capaz de suportar. Em nenhum dia, Deus permitirá queseus filhos sejam provados além do que a sua misericórdia para aqueledia suportará. Isso foi o que Paulo quis dizer em 1 Coríntios 10.13:
  23. 23. AS MISERICÓRDIAS DE HOJE PARA OS PROBLEMAS DE HOJE 25“Nenhuma prova lhes tem sobrevindo, que não seja comum ao homem.Deus é fiel, e não permitirá que sejam provados além do que sãocapazes de agüentar, mas, com a prova, Ele também dará o meio deescape, para que possam suportá-la” (tradução do autor). O antigo hino sueco “Dia a Dia” é baseado em Deuteronômio33.25: “A tua força será como os teus dias” (ARC). O hino nos dá amesma segurança: Dia a dia e a cada momento que passa, Acho forças para enfrentar minha provação; Confiando na sábia outorga de meu Pai, Não tenho motivo para temor ou inquietação. A “sábia outorga de meu Pai” é equivalente à quantidade deproblemas que podemos suportar a cada dia — e nenhum problema amais: Ele, cujo coração é imensuravelmente bom, Com amor, dá a sua parte de prazer e dor, E, a cada dia, o que julga o melhor dom Mesclando com paz e descanso o intenso labor Juntamente com a medida de dor para cada dia, Ele nos dá novasmisericórdias. Este é o argumento de Lamentações 3.22-23: “Asmisericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos,porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.Grande é a tua fidelidade”. As misericórdias de Deus são novas cada manhã, porque existemmisericórdias suficientes para cada dia. É por isso que tendemos aentrar em desespero, quando pensamos que talvez possamos outenhamos de levar os fardos de amanhã com os recursos de hoje.Deus deseja que estejamos cientes de que não podemos. Asmisericórdias de hoje são para os problemas de hoje; as de amanhã,para os problemas de amanhã. Às vezes, nos perguntamos se teremos misericórdia para
  24. 24. 26 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSpermanecermos firmes em provas terríveis. Sim, teremos. Pedro disse:“Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porquesobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pe 4.14). Quandoa injúria nos sobrevém, o Espírito da glória se manifesta. Aconteceucom Estêvão, quando ele estava sendo apedrejado (At 7.55-60).Acontecerá com você. Quando o Espírito e a glória são necessários,eles surgem. O maná no deserto foi dado uma vez por dia. Não haviaarmazenagem de maná. Essa é a maneira como temos de dependerda misericórdia de Deus. Você não recebe hoje a força para levar osfardos de amanhã. Recebe misericórdias hoje para os problemas dehoje. Amanhã, as misericórdias serão renovadas. “Fiel é Deus, peloqual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nossoSenhor” (1 Co 1.9). “Fiel é o que vos chama, e Ele também agirá!” (1Ts 5.24 — tradução do autor.)
  25. 25. 3 QUANDO PALAVRAS SÃO VENTO Meditação sobre Jó 6.26 Acaso, pensais em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?Q uando estão em tristeza, dor e desespero, as pessoas dizem coisas que não diriam em outras circunstâncias. Elas pintam a realidade com tons mais escuros do que a pintarão amanhã,quando o sol despontar. Tais pessoas cantam em notas menores efalam como se aquela fosse a única melodia. Elas vêem apenas nuvense falam como se não houvesse céu. Tais pessoas dizem: “Onde está Deus?” Ou: “Não há provei-to em continuar vivendo”. Ou: “Nada faz sentido”. Ou: “Não háesperança para mim”. Ou: “Se Deus fosse bom, isto não teria acon-tecido”. O que faremos com estas palavras? Jó disse que não precisamos reprovar tais palavras. Elas sãovento ou, literalmente, para o vento. Tais palavras desaparecerão ra-pidamente. Haverá uma mudança nas circunstâncias, e a pessoa
  26. 26. 28 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSdesesperada acordará das trevas noturnas e se arrependerá das pa-lavras precipitadas. Portanto, não desperdicemos nosso tempo e energia reprovandotais palavras. Elas desaparecerão por si mesmas, ao vento. Uma pessoanão precisa podar folhas no outono; é um esforço inútil. Elas logo seespalharão aos quatros ventos. Quão rapidamente nos dispomos a defender a Deus — ou, àsvezes, a verdade — contra palavras que são ditas apenas ao vento.Existem muitas palavras, premeditadas e ponderadas, que precisamde nossa reprovação, mas nem toda heresia desesperadora, ditairrefletidamente em horas de agonia, precisa ser respondida. Setivéssemos discernimento, poderíamos ver a diferença entre palavrasprofundas e palavras ditas ao vento. Existem palavras que têm raízes em erros e males profundos.Mas nem todas as palavras cinzentas obtêm sua cor de coraçõespretos. Algumas são coloridas principalmente pela dor, pelo desespero.O que você ouve não são as coisas mais profundas do coração. Existealgo real em nosso íntimo, de onde procedem as palavras, mas étemporário — como uma infecção passageira — real, doloroso; masnão é a verdadeira pessoa. Aprendamos a discernir se as palavras faladas contra nós, contraDeus e contra a verdade são apenas ditas ao vento — proferidas nãoda alma, mas do sofrimento. Se são palavras ditas ao vento, esperemosem silêncio e não reprovemos. Restaurar a alma, e não reprovar osofrimento, é o alvo de nosso amor.
  27. 27. 4 GRAÇA FUTURA Considerando o poder que precisamos para a obediênciaA gratidão é uma emoção saudável para a adoração, mas é um motivo perigoso para a obediência. Somos ordenados em termos explícitos a sermos agradecidos: “Seja a paz deCristo o árbitro em vosso coração... e sede agradecidos” (Cl 3.15).“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em CristoJesus para convosco” (1 Ts 5.18). Como podemos não ser agradecidosquando devemos tudo a Deus? Mas, no que concerne à obediência, a gratidão é um motivoperigoso. Tende a se expressar em termos de dívida — ou no que àsvezes chamo de ética de devedor. Por exemplo: “Veja o quanto Deustem feito por você. Motivado por gratidão, você não deveria fazermuito por Ele?” Ou: “Devemos a Deus tudo o que temos e somos. Oque temos feito por Ele, em retribuição?” Encontro, pelo menos, três problemas nesse tipo de motivação.Primeiro, é impossível pagarmos a Deus por toda a graça que Ele nostem dado. Não podemos nem mesmo começar a pagar-Lhe, vistoque Romanos 11.35-36 afirma: “Quem primeiro deu a ele para que
  28. 28. 30 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSlhe venha a ser restituído? [Resposta: ninguém.] Porque dele, e pormeio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eterna-mente”. Não podemos restituir a Deus porque Ele já possui tudo oque temos para lhe dar. Segundo, ainda que fôssemos bem-sucedidos em compensar aDeus por todas as suas graças para conosco, seríamos bem-sucedidosapenas em tornar a graça uma transação comercial. Se pudéssemospagar-Lhe, a graça não seria graça. “Ao que trabalha, o salário não éconsiderado como favor, e sim como dívida” (Rm 4.4). Se tentássemosnegociar com Deus, anularíamos a graça. Se os amigos tentammostrar-lhe um favor especial, de amor, convidando-o para jantar, e,ao fim da noite você diz que os recompensará, recebendo-os na próximasemana, você anula a graça de seus amigos e a transforma emcomércio. Deus não gosta de ter sua graça anulada. Ele gosta de tê-la glorificada (Ef 1.6, 12, 14). Terceiro, focalizar a gratidão como um elemento que capacita aobediência tende a menosprezar a importância crucial da graça futura.A gratidão olha para trás, contempla a graça recebida e sente-segrata. A fé olha adiante, vê a graça prometida para o futuro e senteesperança. “A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicçãode fatos que se não vêem” (Hb 11.1). A fé na graça futura é o poder para a obediência que preserva aagradável qualidade da obediência humana. A obediência não consisteem recompensar a Deus e, assim, tornar a graça em comércio. Aobediência resulta da confiança de que Deus nos dará mais graça —graça futura — e esta confiança magnifica os infinitos recursos doamor e do poder de Deus. “Trabalhei muito mais do que todos eles;todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15.10). A graçaque capacitou Paulo a trabalhar muito, em uma vida de obediência,consistia na chegada diária de novos suprimentos de graça. É nistoque a fé confia — a contínua chegada de graça. A fé contemplapromessas como: “O SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer queandares” (Js 1.9) e, nessa confiança, a fé se aventura, em obediência,a tomar a promessa. O papel bíblico da graça passada — especialmente a cruz — é
  29. 29. GRAÇA FUTURA 31garantir a certeza de graça futura: “Aquele que não poupou o seupróprio Filho, antes, por todos nós o entregou [graça passada],porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas [graçafutura]?” (Rm 8.32) Confiar na graça futura é a força que capacita aobediência. Quanto mais confiamos na graça futura, tanto mais damosa Deus a oportunidade de mostrar, em nossa vida, a glória de suainesgotável graça. Portanto, aproprie-se da promessa de graça futurae, com base nessa promessa, pratique um ato de obediência radical.Deus será poderosamente honrado.11 Quanto a um desenvolvimento do conceito de graça futura, ver PIPER, John. In: The purifying power of living by faith in future grace. Sisters, Ore.: Multnomah Press, 1995.
  30. 30. 5 DOM E DETERMINAÇÃO (NESSA ORDEM) Reflexão sobre o esforço humano e a capacitação divinaP ergunta: Se Deus é Aquele que nos outorga diversas medidas de fé, devemos buscar uma fé maior? Resposta: Sim! Com toda a nossa força! Por meio da oração,da Palavra, da comunhão e da obediência. A fé é um dom de Deus. Romanos 12.3 diz: “Pense commoderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.Deus outorga a cada crente uma medida de fé. Efésios 2.8 afirma:“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é domde Deus”. A palavra “isto” se refere a todo o ato de Deus, incluindoa realização da obra de salvação na cruz e a sua aplicação por meioda fé. Filipenses 1.29 diz: “Porque vos foi concedida a graça depadecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele”. Crer e padecersão dons de Deus. De modo semelhante, o arrependimento (o outrolado da fé) é chamado um dom de Deus (2 Tm 2.25; At 11.18). Arevelação de Cristo ao coração torna possível a fé e também é umdom (Mt 16.17; 2 Co 4.4, 6). Isto não significa que a fé é estática ou que não devemos buscá-
  31. 31. DOM E DETERMINAÇÃO (NESSA ORDEM) 33la mais e mais. Em 2 Tessalonicenses 1.3, Paulo diz: “A vossa fécresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com osoutros vai aumentando”. Em 2 Coríntios 10.15, Paulo declara quetinha esperança de que fé daqueles crentes cresceria. Portanto, é claro que a fé precisa crescer e não permanecerestática. O fato de que Deus lhe deu um nível de fé ontem não significaque a vontade dEle para hoje é que você tenha a mesma medida defé. O propósito dEle para você hoje pode incluir uma fé muito maior.O seu mandamento é que confiemos nEle “em todo tempo” (Sl 62.8)e cresçamos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e SalvadorJesus Cristo” (2 Pe 3.18). Deus ordena o que quer e concede em medida aquilo que ordena.Mas devemos sempre buscar aquilo que Deus nos ordena. Ele manda:“Desenvolvei a vossa salvação... porque Deus é quem efetua em vóstanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13). Deus não disse: “Visto que eu efetuo, vocês não devem agir”.Ele disse: “Porque eu efetuo, vocês realizam”. O dom de Deus nãosubstitui o nosso esforço, mas capacita-o e sustenta-o. Afirmamos, juntamente com Paulo: “A sua graça [de Deus],que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei...” (1 Co15.10). O dom da graça produziu o trabalho árduo. Não acontece demaneira contrária. Paulo disse mais: “Trabalhei muito mais do quetodos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”. O própriotrabalho de Paulo foi um dom da graça. Sim, isto se parece com onosso esforço. É um esforço! Mas isto não é tudo. O esforço não é araiz. Se é virtuoso, é Deus “quem efetua em vós tanto o querer comoo realizar, segundo a sua boa vontade”. Ele cumpre “com poder todopropósito de bondade e obra de fé” (2 Ts 1.11). Deus equipa com“todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o queé agradável diante dele” (Hb 13.21). Por conseguinte, busquemos a maior fé possível, com todos osmeios que a graça de Deus nos tem dado. Sejamos como Paulo eesforcemo-nos “o mais possível, segundo a sua eficácia que operaeficientemente” em nós (Cl 1.29). E, quando trabalharmos arduamente,não pensemos de nós mesmos mais do que é necessário, mas, como
  32. 32. 34 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSPaulo, digamos: “Não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senãosobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio... pelo poder doEspírito Santo” (Rm 15.18-19). Existe um lugar para a determinaçãona vida cristã (“trabalhei muito mais”), porém, ela é precedida ecapacitada pelo dom (“a graça de Deus comigo”). Portanto, todadeterminação é vivificada pela fé na graça futura.
  33. 33. 6 O ZELO PELO BEM É LOUVADO OU PERSEGUIDO? Meditação sobre 1 Pedro 3.13-16 Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelo- sos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre prepara- dos para responder a todo aquele que vos pedir ra- zão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom proce- dimento em Cristo.O ra, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? (verso 13) Os crentes devem ser “zelosos do que é bom”. Você podefazer alguma coisa boa por alguém? Pode ajudá-lo? Pode mudar
  34. 34. 36 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSalguma coisa ruim e torná-la boa? Então, faça-o — e faça-o comzelo! Você será prejudicado? Não, em última instância. “Se Deus épor nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31) “O Senhor é o meu auxílio,não temerei; que me poderá fazer o homem? (Hb 13.6) “Não temaisos que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer... Nãose vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum delesestá em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeçaestão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitospardais” (Lc 12.4, 6-7). Verso 14a: “Mas, ainda que venhais a sofrer por causa dajustiça, bem-aventurados sois.” Sim, haverá oposição, se você for zeloso do que é bom e justo,mas nunca esqueça a bem-aventurança: “Bem-aventurados osperseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”(Mt 5.10). Versos 14b-15a:“Não vos amedronteis, portanto, com as suasameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, comoSenhor.” Você reverencia aquilo que teme. Por isso, acovardar-se emtemor diante dos homens é o oposto de prostrar-se diante do Senhorda glória. Versos 15b-16a: “Estando sempre preparados para respon-der a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há emvós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor.” Por que eles perguntam sobre a nossa esperança? Porque afome de felicidade no coração humano é tão intensa, que a únicaexplicação para a nossa prontidão em sofrer por causa da justiça temde ser uma esperança. Foi exatamente isso que Jesus disse: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mt 5.12).A esperança sustenta o zelo pelo bem, quando somos perseguidos.
  35. 35. O ZELO PELO BEM É LOUVADO OU PERSEGUIDO? 37As pessoas sabem disso intuitivamente. Por isso, elas perguntam arespeito de nossa esperança. Verso 16b: “Com boa consciência, de modo que, naquilo emque falam contra vós outros, fiquem envergonhados os quedifamam o vosso bom procedimento em Cristo.” Existe um espaço de tempo entre a ocasião em que uma boaatitude é praticada e o momento em que é reconhecida como boa pornossos oponentes. Primeiro, eles “difamam” nossa atitude. Então, maistarde, eles ficam “envergonhados”. Quanto tempo depois? Talvez,somente no Juízo Final algumas pessoas verão as coisas comorealmente são. Para alguns, este reconhecimento pode vir mais cedo.Pedro descreveu a mudança do injuriar para o glorificar a Deus:“Mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, paraque, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores,observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia davisitação” (1 Pe 2.12). Assim, por enquanto, eles nos difamam comomalfeitores, porém, mais tarde, glorificarão a Deus pelas próprias boasobras que antes injuriavam. Isto pode significar que eles foramconvertidos aqui, ou que foram compelidos a render glória no dia doJulgamento. Não temos o direito de fazer a determinação final. Nosso deverconsiste em falar com uma consciência pura e dar uma respostaamável e reverente. Você tem zelo por uma causa digna? Existe alguma coisa boapela qual você está sendo difamado? Ou a sua rotina é tão inofensivaneste mundo perverso, que se enquadra adequadamente com as coisasque estão se passando, e, por isso, ninguém lhe pergunta coisa alguma?
  36. 36. 7 VOCÊ TAMBÉM TERÁ OS SEUS ADUFES Meditação sobre todo o Conselho de Deus: Uma defesa hedonista da doutrina Com amor eterno eu te amei; por isso, com benigni- dade te atraí... Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam. Jeremias 31.3-4E m minha pregação, enfatizo a doutrina. Uma das razões para eu fazer isso é que o apóstolo Paulo também a enfatizava. Era uma estratégia missionária dele. Quando terminou seutrabalho de implantar a igreja em Éfeso, ele disse: “Eu vos protesto,no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamaisdeixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.26-27). Porisso, aos domingos eu prego doutrina. Hoje é segunda. O sol está brilhando. O céu está azul como ooceano. A temperatura está na casa dos 20o. O vento sopra suave. Oar está limpo e claro como o cristal. A tulipas estão crescendo. Em
  37. 37. VOCÊ TAMBÉM TERÁ OS SEUS ADUFES 39tempos como este, você quer pular de alegria e não estudar doutrina. Eu também não. Não estou interessado em uma religião que ofereça qualquercoisa que não seja a plenitude de alegria e delícias perpetuamente (Sl16.11). Não estou me referindo somente a deleites profundos quesurgem nos momentos em que o coração descobre a fidelidade deDeus em uma tragédia. Existem muitas enfermidades cruéis e morteno mundo, para que eu não me refira a elas — até que a maldiçãoseja removida — mas agora não estou falando a respeito dessas coisas. Também estou me referindo àquilo que os bezerros fazem:“Saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria” (Ml 4.2). Eugosto muito do sol de abril, do calor em minha pele e da brisa em meurosto. Aprecio os gritos de alegria de meus pequeninos, quando elesvoltam da escola, testando seus pulmões. Gosto muito da afeiçãodesinibida e inconstante dos pré-adolescentes. Amo a exuberância dealguns jovens de minha igreja, demonstrada em dramatizações, poramor a Jesus. Exuberância! Esta é uma palavra rara, não é? Penso que aos onze anos játemos perdido tal característica. Tentamos reencontrá-la de muitasmaneiras artificiais, mas ela acabou. Crescemos e agora sabemosdemais. Ou será que sabemos pouco? Será que crescemos apenas par-cialmente? Saímos da ingênua exuberância da infância para o realismosombrio da maturidade. Voltando à doutrina: todo o Conselho de Deus. O que é todo oConselho de Deus? É o novo fundamento da exuberância, quando a ingenuidade dainfância não é mais oportuna; é um fundamento diferente. O velhofundamento não pode lidar com a realidade, o novo, porém, vê todasas coisas — câncer, armas nucleares, crises ambientais, terrorismo,aborto, cidades arrasadas, casamentos desfeitos, crianças abandona-das, depressão — vê e sente todas elas. Contudo, este fundamentonão se destrói, nem desaparece — quer no hospital, quer na cadeia. Este é todo o conselho de Deus. Se você pretende pular de
  38. 38. 40 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSalegria em um dia da primavera, lembre-se: ou o fará com os olhosfechados, ou o fará no grande planalto de granito de todo o conselhode Deus, também conhecido como doutrina. “Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quandovos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vossonome como indigno, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vosnaquele dia e exultai, porque ______________” (Lc 6.22-23). Sim,o espaço foi preenchido com as palavras “grande é o vosso galardãono céu”. Mas, como você chegou a esperar este galardão; como foiele comprado para você por Cristo; que parte da natureza da fé seapropria deste galardão; qual o conteúdo deste galardão e como vocêmantém confiança diária na garantia do galardão — tudo isso édoutrina. Sem ela, não pularemos de alegria por muito tempo. E, comcerteza, não na cadeia.
  39. 39. 8 MORRER É GRANDE LUCRO CINCO RAZÕES PARA ISTO Meditação sobre Filipenses 1.21 Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.P ara toda pessoa melancólica, que pensa de maneira patológica sobre a morte, existem provavelmente milhões de pessoas que não pensam muito a respeito dela. Quando Moiséscontemplou a brevidade da vida, ele orou: “Ensina-nos a contar osnossos dias” (Sl 90.12). É bom pensarmos na morte. Devemos viverbem para que morramos bem. Parte do viver bem inclui o aprendermospor que a morte é lucro. Nesta meditação, oferecemos cinco razões, mas elas represen-tam apenas um pouco das glórias. Por exemplo, elas não contemplama grande glória da ressurreição; mas, embora fiquem aquém daquelegrande Dia, existe o suficiente para nos deixar sem fôlego e dizer,como Paulo: Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
  40. 40. 42 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUS 1. No momento da morte, os crentes serão aperfeiçoados. Não haverá mais pecado em nós. Acabaremos com a luta interiore com os desapontamentos de ofender o Senhor, que nos amou e a Simesmo se entregou por nós. “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, aJerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universalassembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, oJuiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.22-23). 2. No momento da morte, seremos libertos do sofrimento deste mundo. Ainda não desfrutaremos da alegria da ressurreição, mas teremoso gozo de ser livres do sofrimento. Jesus contou a história de Lázaroe o rico para mostrar a grande reversão que ocorre na morte: “Então,[o rico] clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! Emanda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresquea língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém,Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, eLázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado;tu, em tormentos” (Lc 16.24-25). 3. No momento da morte, ganharemos profundo descanso em nossa alma. Haverá uma serenidade sob o olhar e o cuidado de Deus queultrapassa qualquer coisa que já conhecemos neste mundo, no maisbrando entardecer de verão, ao lado do mais pacífico lago, em nossosmomentos mais felizes. “Vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortospor causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que susten-tavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó SoberanoSenhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sanguedos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma
  41. 41. MORRER É GRANDE LUCRO / CINCO RAZÕES PARA ISTO 43vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por poucotempo” (Ap 6.9-11). 4. No momento da morte, experimentaremos um profundo senso de estar em casa. Toda a raça humana, mesmo sem perceber, sente muita falta deDeus. Quando formos ao lar, para viver com Cristo, haverá umcontentamento que excede qualquer senso de segurança e paz queconhecemos. “Estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpoe habitar com o Senhor” (2 Co 5.8). 5. No momento da morte, estaremos com Cristo. Cristo é a pessoa mais maravilhosa que qualquer outra na terra.Ele é mais sábio, mais forte e mais amável do que qualquer pessoacom quem nos alegramos em passar tempo. Cristo é sempreinteressante. Ele sabe exatamente o que fazer e o que dizer, em cadamomento, para tornar os seus amigos tão felizes quanto puderem ser.Cristo transborda amor e infinita percepção a respeito de como usarseu amor para fazer que os seus sintam-se amados. Por isso, Paulodisse: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já nãosei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido,tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmentemelhor” (Fp 1.21-23). Com estas cinco razões para considerarmos a morte como lucro,vimos apenas a superfície da maravilha. Existe mais — muito mais.
  42. 42. 9 O GOZO DE SABER QUE DEUS É DEUS Deus pode ser impressionado pelo homem?O esforço humano nunca pode impressionar um Deus onipo- tente, e a grandeza dos homens jamais pode impressionar um Deus de grandeza infinita. Isto é má notícia para aquelesque competem com Deus, mas boa notícia para aqueles que queremviver pela fé. O Salmo 147 é uma emocionante declaração de esperança paraum povo que desfruta do gozo e certeza de que Deus é Deus. Osalmista afirma: “Conta o número das estrelas, chamando-as todaspelo seu nome” (v. 4). Ora, isto é mais do que podemos apreender!“Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodoelevado, não o posso atingir” (Sl 139.6). A Terra, onde vivemos, é um pequeno planeta que gira em tornode uma estrela chamada Sol, que tem o volume um milhão e trezentasvezes maior do que o da Terra. Existem estrelas milhões de vezesmais luminosas do que o Sol. Existem aproximadamente cem bilhõesde estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea, que tem cem mil anos-luzde extensão. (Um ano-luz equivale a 299.792.458 km/s.) O Sol viaja
  43. 43. O GOZO DE SABER QUE DEUS É DEUS 45a 249 km/s, e, por isso, seriam necessários, duzentos milhões de anospara que o sol cumprisse apenas uma órbita em volta da Via Láctea.Existem milhões de outras galáxias além da nossa. Agora, ouça novamente: o Salmo 147 afirma que Deus conta onúmero de todas as estrelas. Não somente isso, afirma também queEle as chama pelo nome que lhes deu, tal como se faz a animais deestimação. Você os olha, observa suas características e chama-ospor algum nome que se enquadre nas diferenças. Quando cantamoso hino “Let All Things Now Living”, de Katherine Davis, eu sorriocom grande satisfação quando chego às palavras: Ele estabelece a sua lei: As estrelas, em seus cursos, O Sol, em sua órbita, Resplandecem obedientemente. Sim, eu penso, “obedientemente” é a palavra correta! O sol temum nome na mente de Deus. Ele chama o sol por seu nome, diz a eleo que fazer e ele obedece. E assim o fazem trilhões de estrelas. (Assimcomo todos os elétrons, em todas as moléculas dos elementos dasestrelas e dos planetas, incluindo os elementos que se encontram nasguelras de um tubarão que vive embaixo das rochas, na costa da ilhade Rhode.) Ora, o que impressionaria um Deus como este? Salmo 147.10-11 nos mostra com clareza: Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz nos músculos do guerreiro. Agrada-se o SENHOR dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia. Imagine um levantador de peso, nas Olimpíadas, que se orgulhade haver levantado duzentos e vinte e cinco quilos. Ou imagine algumcientista se orgulhando de que descobriu como uma molécula é afetadapor outra. Não precisamos ser gênios para saber que Deus não sedeixa impressionar por essas coisas.
  44. 44. 46 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUS As boas-novas para aqueles que desfrutam do gozo de saberque Deus é Deus é que Ele tem prazer nessas pessoas. Deus seagrada daqueles que esperam no imensurável poder dEle. Não é umacoincidência literária o fato de que os versículos referentes a outroaspecto da grandeza de Deus (nos versículos 4 e 5), mostram-Nocuidando do fraco (vv. 3 e 6): 3 sara os de coração quebrantado e lhes pensa as feridas. 4 Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome. 5 Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir. 6 O SENHOR ampara os humildes e dá com os ímpios em terra. Oh! que prenda a nossa atenção a verdade de que Deus é Deuse trabalha onipotentemente em favor daqueles que esperam nEle (Is64.4), bem como na sua misericórdia (Sl 147.11) e O amam (Rm8.28). Ele ama ser Deus para os fracos e desamparados, que O buscampara tudo o que necessitam.
  45. 45. 10 O EFEITO CASCATA DA PALAVRA Reflexão sobre ler e escreverT enho pensado sobre a importância de ler e escrever. Há várias razões por que eu escrevo. O fato de que eu leio é uma das razões que mais me compelem a escrever. Digo-lhes que meuprincipal sustento espiritual vem do Espírito Santo por meio da leitura.Por conseguinte, ler é mais importante para mim do que comer. Se euficasse cego, pagaria a alguém a fim de que lesse para mim. Tentariaaprender braile. Compraria livros gravados em fitas cassetes. Prefeririaviver sem comida a viver sem livros. Por isso, escrever parece algoque me dá vida, visto que alimento a minha vida com muito do queleio. Combine isto com as palavras de Paulo em Efésios 3.3-4:“Segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conformeescrevi há pouco, resumidamente; pelo que, quando ledes, podeiscompreender o meu discernimento do mistério de Cristo”. A igrejaprimitiva foi estabelecida pelos escritos dos apóstolos, bem como pelapregação deles. Deus resolveu enviar sua palavra viva ao mundo portrinta anos, e sua Palavra escrita, por dois mil anos. Pense sobre a
  46. 46. 48 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSintenção que estava por trás desta resolução divina. As pessoas, emcada geração, seriam dependentes daqueles que lêem. Algumaspessoas, se não todas, teriam de aprender a ler — e ler bem — paraserem fiéis a Deus. Assim tem sido por milhares de anos. Geração após geraçãotem lido as percepções de seus escritores. Esta é a razão por quenovas afirmações de antigas verdades são continuamente necessárias.Sem elas, as pessoas lerão o erro. Daniel Webster disse: Se livros religiosos não circularem amplamente entre as massas, neste país, não sei o que nos torna- remos como nação. Se a verdade não for difundida, o erro o será. Se Deus e sua Palavra não forem co- nhecidos e recebidos, o diabo e suas obras ganharão ascendência. Se os livros evangélicos não alcança- rem cada vilarejo, as páginas de literatura corrupta e licenciosa alcançarão.1 Milhões de pessoas se envolverão em leitura. Se não lerem li-vros cristãos contemporâneos, lerão livros seculares contemporâneos.Elas lerão. É admirável observar as pessoas em aeroportos. Somentenos aeroportos, em qualquer momento, existem centenas de pessoaslendo. Uma das coisas com a qual nós, crentes, precisamos estarcomprometidos, além da leitura, é a atitude de dar livros espirituaisàqueles que podem lê-los, mas não os compram. O efeito cascata é incalculável. Considere esta ilustração: Um livro escrito por Richard Sibbes, um dos mais seletos escritores puritanos, foi lido por Richard Bax- ter, que foi muito abençoado pelo livro. Depois, Bax- ter escreveu Um Apelo ao Não-Convertido, que influenciou profundamente Philip Doddridge, o qual, por sua vez, escreveu O Surgimento e o Progresso do Cristianismo na Alma. Este livro trouxe William Wil- berforce, um político e inimigo da escravatura, a re-
  47. 47. O EFEITO CASCATA DA PALAVRA 49 flexões sérias sobre a eternidade. Wilberforce escre- veu o seu Guia Prático do Cristianismo, que incendiou a alma de Leigh Richmond. Este, por sua vez, escre- veu A Filha do Leiteiro, que trouxe milhares ao Se- nhor, ajudando, entre outros, Thomas Chalmers, o grande pregador. 2 Parece-me que, em uma cultura literária como a nossa, na qualmuitos sabem como ler e livros se encontram disponíveis, o mandatobíblico é que você continue a ler aquilo que lhe abrirá, mais e mais, asEscrituras e que continue a orar por escritores saturados com a Bíblia.Existem importantes livros antigos para lermos, mas cada nova geraçãonecessita de seus próprios escritores para tornar a mensagem nova.Leia e ore. Depois, obedeça.1 REISINGER, Ernest. “Every christian a publisher”. In: Free grace broadcaster, no. 51 (winter 1995), p. 17.2 Ibid., p. 18.
  48. 48. 11 O QUE É UM CRISTÃO? Meditação sobre 2 Coríntios 5.14-15 Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.O que significa ser um cristão? Charles Hodge, um dos grandes teólogos reformados do século XIX, achou a resposta neste texto: “É ser constrangido por um senso do amor de nossodivino Senhor, de tal modo que Lhe consagramos nossa vida”.1 Ser um cristão não significa apenas crer, de coração, que Cristomorreu por nós. Significa “ser constrangido” pelo amor demonstradonesse ato. A verdade nos pressiona. Ela força e se apropria; impele econtrola. A verdade nos cerca, não nos deixando fugir. Ela nos prendeem gozo. Como a verdade faz isso? Paulo disse que o amor de Cristo oconstrangia por causa de um julgamento que ele fazia a respeito da
  49. 49. O QUE É UM CRISTÃO? 51morte: “Julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram”.Paulo se tornou cristão não somente por meio da decisão com baseno fato de que Cristo morreu pelos pecadores, mas também por meiodo sábio discernimento de que a morte de Cristo foi também a mortede todos aqueles em favor dos quais Ele morreu. Em outras palavras, tornar-se um cristão é chegar a crer nãosomente que Cristo morreu por seu povo, mas também que todo o seupovo morreu quando Ele morreu. Tornar-se um cristão é, primeira-mente, fazer esta pergunta: estou convencido de que Cristo morreupor mim e de que eu morri nEle? Estou pronto a morrer, a fim de viverno poder do amor dEle e para a demonstração da sua glória. Emsegundo lugar, tornar-se um cristão significa responder sim, de cora-ção. O amor de Cristo nos constrange a responder sim. Sentimostanto amor fluindo da morte de Cristo para nós, que descobrimosnossa morte na morte dEle — nossa morte para todas as lealdadesrivais. Somos tão dominados (“constrangidos”) pelo amor de Cristo,que o mundo desaparece, como que diante de olhos mortos. O futuroabre um amplo campo de amor. Um cristão é uma pessoa que vive sob o constrangimento doamor de Cristo. O cristianismo não é meramente crer num conjuntode doutrinas a respeito do amor de Cristo. É uma experiência de serconstrangido por esse amor — passado, presente, futuro. Entretanto, esse constrangimento surge de um juízo que fazemossobre a morte de Cristo: “Quando Ele morreu, eu morri”. É umjulgamento profundo. “Assim como o pecado de Adão foi, legal eeficazmente, o pecado de toda a raça, assim também a morte deCristo foi, legal e eficazmente, a morte de seu povo.”2 Visto que nossamorte já aconteceu, não temos mais condenação (Rm 8.1-3). Isto é aessência do amor de Cristo por nós. Por meio de sua morte imerecida,Cristo morreu nossa morte bem merecida e abriu o seu futuro como onosso futuro. Portanto, o juízo que fazemos sobre a sua morte resulta emsermos constrangidos pelo amor dEle. Veja como Charles Hodgeexpressou isso: “Um cristão é alguém que reconhece a Jesus como o
  50. 50. 52 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSCristo, o Filho do Deus vivo, como Deus manifestado em carne, quenos amou e morreu por nossa redenção. É também uma pessoaafetada por um senso do amor deste Deus encarnado, a ponto de serconstrangida a fazer da vontade de Cristo a norma de sua obediênciae da glória de Cristo o grande alvo em favor do qual ela vive”.3 Como não viver por Aquele que morreu nossa morte, para quevivamos por sua vida? Ser um cristão é ser constrangido pelo amorde Cristo.1 Charles Hodge, Commentary on the Second Epistle to the Corinthians (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., n.d.), p. 133.2 Idem, p. 136.3 Idem, p. 133.
  51. 51. 12 TOLERANDO O ATEÍSMO Pensamentos sobre a supremacia de Deus em um mundo pluralistaA igreja existe para “propagar a paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas, para alegria das pessoas”. Esta é nossa missão. “Todas as coisas” significa negócio, trabalho,educação, meios de comunicação, esportes, artes, lazer, governo etodos os detalhes de nossa vida. Isto significa que Deus deveria serreconhecido e crido como supremo por todas as pessoas que Elecriou. A Bíblia, porém, nos ensina que nunca haverá um tempo, antesda volta de Jesus, em que todas as pessoas honrarão a Deus comosupremo (2 Ts 1.6-10). Então, de que maneira expressamos uma paixão pela supremaciade Deus em um mundo pluralista, no qual a maioria das pessoas nãoreconhece a Deus como parte importante de suas vidas e menosainda como parte importante do governo, educação, negócios, trabalho,artes, recreação ou entretenimento? Em seguida, apresentamos cincomaneiras: 1. Em todas as ocasiões, mantenha uma convicção de que
  52. 52. 54 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSDeus está sempre presente e dá a todas as coisas o seu significadomais importante. Ele é o Criador, Sustentador e Governador detodas as coisas. Temos de conservar em mente a verdade de quetodas as coisas existem para revelar algo das infinitas perfeiçõesde Deus. O pleno significado de tudo, desde cadarços de sapatosa naves espaciais, é a maneira como essas coisas se relacionamcom Deus. 2. Em cada circunstância, confie que Deus usará sua sabe-doria administrativa, criativa, sustentadora e seu poder parafazer todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que Oamam. Isto é fé na graça futura de que Deus será para nós tudoo que promete ser, em Cristo Jesus. 3. Tome decisões que revelam o supremo valor de Deus acimadaquilo que o mundo valoriza supremamente. A graça de Deus émelhor do que a vida (Sl 63.3). Portanto, preferimos a morte àperder a doce comunhão com Deus. Isso mostrará a supremaciadEle acima de tudo o que a vida oferece. 4. Fale às pessoas sobre a suprema dignidade de Deus, demaneiras criativas e persuasivas. Conte às pessoas como podemser reconciliadas com Deus, por meio de Cristo, para que des-frutem da supremacia de Deus, como proteção e ajuda, em vezde temê-la como juízo. 5. Mostre com clareza que Deus mesmo é o fundamento deseu compromisso com uma ordem democrática pluralista — nãoporque o pluralismo é o ideal de Deus, e sim porque, em um mun-do caído, a coerção legal não produzirá o reino de Deus. Oscrentes concordam em tolerar crenças não-cristãs (incluindo cren-ças naturalistas e materialistas), não porque o comprometimentocom a supremacia de Deus é irrelevante, e sim porque tal com-prometimento tem de ser espontâneo, pois, do contrário, seráindigno. Temos um fundamento teocêntrico para tolerarmos o
  53. 53. TOLERANDO O ATEÍSMO 55ateísmo. “Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros seempenhariam por mim” (Jo 18.36). O fato de que Deus estabele-ce seu reino por meio do milagre da fé, e não por força de armasde fogo, significa que os crentes não endossarão, nesta época,governos coercivos — cristãos ou seculares. Esta é a razão por que resistimos à secularização coerciva implícitaem leis que reprimem atividades cristãs em lugares públicos. Nãoresistimos porque almejamos estabelecer o cristianismo como a lei dopaís. Isto é intrinsecamente impossível, por causa da natureza espiritualdo reino. Pelo contrário, resistimos porque a repressão do livre exercícioda religião e da persuasão é tão errado contra os crentes quanto contraos secularistas. Cremos que esta tolerância está arraigada na próprianatureza do evangelho de Cristo. Em certo sentido, a tolerância épragmática: liberdade e democracia parecem ser a melhor ordempolítica que os homens inventaram. Mas, para os crentes, a tolerâncianão é puramente pragmática. A natureza relacional e espiritual doreino de Deus é o alicerce de nossa aprovação do pluralismo — atéque Cristo venha com direitos e autoridade que não temos. Disseminemos uma paixão pela supremacia de Deus em todasas coisas, não por coerção, e sim por uma convicção constrangedora.Preservemos a forma de governo em que a fé pode falar livremente,não forçada, nem silenciada pela mira de uma arma.
  54. 54. 13 GRAÇA PARA AJUDAR EM TEMPO APROPRIADO Meditação sobre Hebreus 4.16 Aproximemo-nos, com ousadia, do trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça para ajudar em tempo apropriado. (Tradução do autor)V ocê observou que esta tradução é um pouco diferente de ou- tras? A tradução habitual da última sentença é: “Acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. E, “graça paraajudar em tempo apropriado” é também uma tradução literal e exata.Não existe contradição entre essas duas traduções. Porém, algumastraduções chamam a atenção à nossa necessidade; nesta, literal, aotempo de Deus. Acho que precisamos focalizar na graça do tempo de Deus.Quando temos uma necessidade, nos sentimos bastante inquietos arespeito de quando Deus satisfará tal necessidade. Queremos queEle o faça agora! Não é natural pensarmos que a graça de Deus serámostrada tanto em seu tempo como em sua forma. Mas Hebreus
  55. 55. GRAÇA PARA AJUDAR EM TEMPO APROPRIADO 574.16 lembra-nos a buscarmos a Deus não somente quanto ao tipo degraça de que necessitamos, mas também quanto ao tempo dessa graça. Isto pode mudar nossa atitude na oração. O tempo de Deus éfreqüentemente estranho, e isso não deveria surpreender-nos, vistoque, “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como umdia” (2 Pe 3.8). Deus pode compactar mil anos de impacto em um diae levar mil anos para fazer a obra de um dia. No primeiro caso, Elenão fica sobrecarregado, e, no segundo, não se mostra apressado.Como disse o apóstolo Pedro: “Não retarda o Senhor a sua promessa,como alguns a julgam demorada” (2 Pe 3.9). Portanto, não nos surpreendamos com o fato de que “ajudar emtempo apropriado” seja na perspectiva de Deus algo diferente do queo é na nossa perspectiva, mas a dEle é sempre melhor. É sempregraça para nós. É uma graça que deve sempre receber nossaconfiança pelo que ela é e pelo tempo em que nos será dada. Eu preciso de ajuda. Sempre. Em tudo. Estou simplesmenteenganando a mim mesmo, se penso que posso mover-me por algunscentímetros sem a ajuda de Deus. “Pois ele mesmo é quem a todosdá vida, respiração e tudo mais” (At 17.25). Preciso da ajuda deDeus para o bem de minha fé, a qual é fraca. Preciso dela paraestimular o meu zelo e para dar-me poder para evangelizar. Precisodesta ajuda para a adoração autêntica. Preciso dela para ter coragemno viver santo. Preciso da ajuda de Deus para a transformação demeus filhos adolescentes em jovens humildes, respeitáveis ecentralizados em Deus. Preciso dela para que eu possa ministraresperança, gozo e ousadia aos nossos missionários e para receberorientação quanto a planejar o futuro. Preciso da ajuda de Deus paramilhares de outras exigências, ênfases e agradáveis possibilidades. Gosto muito de pensar na soberania de Deus em administrar seutempo. Por exemplo, Daniel afirmou que o Senhor “muda o tempo eas estações” (Dn 2.21). Isto significa que as épocas de bênçãosmodestas ou imensas em nossa vida, nosso lar e nossa igreja estãonas mãos de Deus. Ele geralmente determina o tempo de nossasbênçãos, de modo que a sua sabedoria, e não a nossa, seja ressaltada.Deus está mais interessado na paciência da fé do que em nossa
  56. 56. 58 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSsatisfação instantânea. O tempo de Deus pagará os seus dividendos,além do que podemos imaginar. Sempre é “graça para ajudar emtempo apropriado”. O tempo e o conteúdo da bênção são graciosos.A fé descansa nos aspectos e no momento da graça de Deus. Por isso, este convite de Hebreus 4.16 é muito precioso paramim. Preciso de ajuda, mas, não a mereço. No entanto, Deus provêajuda, porque seu trono é um trono de graça e ajuda imerecida. Emtodas estas necessidades, o Senhor tem “graça para ajudar em tempoapropriado”. Nosso dever consiste em aproximar-nos dEle comousadia, achar e receber essa ajuda do trono da graça. Temos razãopara crer que Ele nos ouvirá e nos ajudará no tempo apropriado. Portanto, cheguemos confiantemente junto ao trono da graça erecebamos o que Deus tem para nós — uma graça soberanamentedesignada e controlada quanto ao tempo para o nosso maior bem.
  57. 57. 14 O LUGAR DO ESPÍRITO SANTO NA TRINDADE Fundamento para a adoraçãoD urante uma série de mensagens com base no livro de Hebreus, alguém perguntou a respeito de meu ponto de vista sobre o Espírito Santo. A razão para isso é que o EspíritoSanto não recebe tanta atenção quanto o Pai e o Filho. Este é umassunto difícil, mas tentei esclarecê-lo. Eis o que escrevi em resposta. Tenho enfatizado (a partir de textos como Hebreus 1.3;Colossenses 1.15; 2.9; Filipenses 2.6; 2 Coríntios 4.4 e João 1.1) queo Filho de Deus é o reflexo do próprio Deus Pai, em sua auto-consciência. Deus tem uma idéia perfeitamente clara e total de suasperfeições. Esta imagem de Deus é tão perfeita e completa, que é, narealidade, a manifestação de Deus, o Filho, uma pessoa com seuspróprios direitos. Portanto, Deus Filho não é criado, nem formado. Ele é co-eternocom o Pai, porque o Pai sempre teve essa perfeita imagem de Simesmo. O Filho é dependente do Pai, como uma imagem depende dooriginal, mas não é inferior em qualquer atributo divino, porque é umacópia viva e plena das perfeições do Pai. De fato, isto é um grande
  58. 58. 60 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSmistério — como uma idéia, um reflexo ou imagem do Pai poderealmente ser uma pessoa, com seus próprios direitos? — e não imaginoque sou capaz de tornar o infinito completamente controlável. Ora, o que dizer sobre o Espírito Santo? Acho proveitoso observarque a mente de Deus, refletida em nossa própria mente, tem duasfaculdades: entendimento e vontade (tendo as emoções como os atosmais vívidos da vontade). Em outras palavras, antes da Criação, Deuspodia relacionar-se consigo mesmo de duas maneiras: podia conhecere amar a Si mesmo. Em conhecer a Si mesmo, Deus gerou o Filho, aperfeita, completa e total imagem pessoal dEle mesmo. Em amar a Simesmo, o Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho. Portanto, o Filho é a eterna imagem que o Pai tem de suaspróprias perfeições, e o Espírito Santo é o eterno amor que flui entreo Pai e o Filho, visto que se deleitam Um no Outro. Como pode este amor ser uma pessoa em seus próprios méritos?As palavras falham, mas não podemos dizer que o amor entre o Pai eo Filho é tão perfeito, tão constante e envolve tão completamente oque o Pai e o Filho são em Si mesmos, que este amor se manifestacomo uma Pessoa em seus próprios méritos? C. S. Lewis tentou apresentar isso usando uma analogia — masé somente uma analogia: Você sabe que entre os seres humanos, quando se reúnem em família, ou num clube, ou numa socieda- de comercial, as pessoas falam sobre o “espírito” daquela família, daquele clube ou daquela socieda- de comercial. Elas falam sobre “espírito” porque os membros individuais, quando se reúnem, desenvol- vem maneiras particulares de conversarem e se comportarem, maneiras que não teriam, se estives- sem sozinhos. É como se uma personalidade coletiva viesse à existência. Na verdade, não é uma pessoa real: é apenas semelhante a uma pessoa. Mas essa é somente uma das diferenças entre Deus e nós. O que resulta da vida conjunta de Deus Pai e Deus Filho é
  59. 59. O LUGAR DO ESPÍRITO SANTO NA TRINDADE 61 uma Pessoa real; é, de fato, a Terceira das três Pes- soas que são Deus.1 Estes são mistérios profundos. Todavia, para amar e conhecera Deus, considero proveitoso ter em mente, pelo menos, algumaconcepção quando afirmo que existe somente um Deus e de que Eleexiste em três Pessoas. É nosso dever e deleite adorar o nosso grandeDeus, mas Ele não é honrado mediante adoração ignorante, pois istoseria uma charada. A adoração tem de se fundamentar em algumconhecimento. Do contrário, não é o verdadeiro Deus a quemadoramos.1 LEWIS, C. S. Beyond personality. New York: Macmillan Co., 1948. p. 21-22.
  60. 60. 15 FONTES TRANSCENDENTES DE TERNURA Meditação sobre Deuteronômio 10.17-19 Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes. Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.A ternura de Deus para com os humildes está arraigada em sua auto-suficiência transcendente. Isto significa que aque- les que amam enaltecer a grandeza de Deus (o que todosdeveriam fazer, de acordo com Salmos 40.16) precisam deleitar-sena ternura para com os humildes. Deus exalta a sua auto-suficiênciatranscendente por amar o órfão, a viúva e o estrangeiro. Deus é Deus sobre todos os outros deuses. Ele é o Senhor sobretodos os senhores. Ele é “grande”. É “poderoso”. É “temível”. Combase nesta grandeza, Moisés disse que Deus “não faz acepção de
  61. 61. FONTES TRANSCENDENTES DE TERNURA 63pessoas, nem aceita suborno”. Tudo isso enfatiza a auto-suficiênciatranscendente de Deus. Ele não aceita suborno, porque não tem motivopara aceitá-lo. Deus já possui todo o dinheiro do universo, e controlao subornador. Ele está acima dos subornos como o sol está acima dasvelas ou como a beleza está acima dos espelhos. Moisés também disse que Deus não faz acepção de pessoas.Ou seja, Ele não tenta conquistar o favor de alguém por meio detratamento especial. Fazer acepção de pessoas é outro tipo de suborno,não com dinheiro, mas com tratamento privilegiado. Deus está acimadisso, porque não precisa do favor dos outros. Se Ele quer que algoseja feito, não fica preso a estratégias coercivas. Ele simplesmente orealiza. Fazer acepção de pessoas é o que você faz, quando não podeenfrentar as conseqüências da justiça. Mas Deus não é somente capazde enfrentar essas conseqüências, Ele é a fonte de toda capacidadede enfrentá-las. Deus não depende de ninguém, além dEle mesmo.Ele é transcendentemente auto-suficiente. Agora, temos a parte mais preciosa. Com base nessa auto-suficiência transcendente, Moisés disse que Deus “faz justiça ao órfãoe à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes”. Visto queDeus não pode ser subornado pelo rico e não tem deficiências a seremremediadas por meio do favoritismo, Ele trabalha em favor daquelesque não se podem dar ao luxo de pagar subornos e que nada têm paraatrair a parcialidade dEle — o órfão, a viúva e o estrangeiro. Esta é arazão por que eu disse que a ternura de Deus para com o humildeestá arraigada em sua auto-suficiência transcendente. Em seguida, temos a aplicação no versículo 19: “Amai, pois, oestrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito”. Isto nãodeve ser feito por sermos transcendentemente auto-suficientes. Deveser feito por sermos os beneficiários da abundante plenitude trans-cendente de Deus. Visto que o nosso Deus transcendente age pornós e nos satisfaz consigo mesmo, podemos nos unir a Ele em con-descendência. Esta é a razão para crermos que continuaremos a serbeneficiários, se não tentarmos suborná-Lo com nossas obras ou exi-bir-nos para conquistar a predileção dEle. Se nos reconhecermos comopessoas em condição de desamparo, semelhante à de uma viúva, de
  62. 62. 64 UMA VIDA VOL†ADA PARA DEUSum órfão ou de um estrangeiro, e dependermos da espontânea graçafutura de um Salvador auto-suficiente, seremos amados para sem-pre. E, sendo amados dessa maneira, teremos poder e prazer emamar como somos amados. Isto é o que está subentendido em Tiago 1.27: “A religião pura esem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos eas viúvas nas suas tribulações”. Esta é a verdadeira religião, porqueflui da auto-suficiência transcendente de Deus, é sustentada pela suagraça e ecoa para a sua glória. Isto não corresponde a fazer o bemsocialmente. É uma evidência da abundante provisão de Deus. QueDeus nos torne um povo cheio de ternura, para a glória de sua trans-cendente auto-suficiência!
  63. 63. 16 DIGA COM CALMA: “SUAS OPINIÕES ULTRAJANTES NÃO SE BASEIAM NA VERDADE”. Meditação sobre Efésios 5.11 E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.N ossa tarefa, como crentes, não é controlar o governo e a educação. Nossa tarefa é falar a verdade de Deus em cada nível. Se mudamos ou não as pessoas ou as leis, esta não éa nossa responsabilidade. Nossa responsabilidade é falarmos comousadia e clareza o que Deus falaria. Não emudeça devido ao comentário de que você não pode imporsua religião ou moralidade aos outros. Você não está impondo; estárecomendando-as à consideração séria. Declarar e persuadir não éimpor. Recomendar não é coerção. O fato é este: as idéias que aspessoas têm a respeito do que deve ser feito é norteada por algumtipo de compromisso prévio. Os secularistas, assim como os crentes,

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