Manual de crescimento da igreja

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Manual de crescimento da igreja

  1. 1. MMMAAANNNUUUAAALLL DDDEEE CCCRRREEESSSCCCIIIMMMEEENNNTTTOOO DDDAAA IIIGGGRRREEEJJJAAA Retirado de Ralph D. Winter e Steven C Hawthorne do livro “Missões transculturais: uma perspectiva estratégica” Instituto de Crescimento de Igreja SALT-IAENE Num certo sentido cada pessoa e cada organização possui uma ou várias estratégias, que são uma maneira de tratar um problema ou de atingir um objetivo. A maioria das organizações trata de problemas e procura atingir objetivos de modo bastante inconsciente, enquanto outras desenvolveram estratégias até o ponto de se tornarem quase abordagens padronizadas. O apóstolo Paulo possuía uma estratégia. Lemos em Atos 17:2 que, no sábado, Paulo foi à sinagoga segundo o seu costume. A estratégia de Paulo consistia em mudar-se para uma grande cidade, visitar a sinagoga, caso houvesse, proclamar Jesus e, então, deixar as coisas acontecerem normalmente. Uma estratégia é uma abordagem, um plano ou um método genéricos, que descreve como iremos alcançar nosso objetivo ou resolver nosso problema. O objetivo final de Paulo era que Cristo fosse pregado por todo o mundo. Seus planos do dia a dia poderiam variar, mas pelo menos no início de suas viagens missionárias, sua estratégia permanecia a mesma. Infelizmente, o termo estratégia tem diferentes sentidos para diferentes pessoas. Originalmente foi um vocábulo militar com o sentido de uma abordagem genérica, ao contrário da abordagem detalhada da “tática”. No contexto militar, tanto estratégia quanto tática significam “como enfrentar as circunstâncias”, e não possuem tanto a idéia de planos. Isso não nos causa surpresa, visto que o estrategista militar tem sempre de considerar que existe um outro estrategista militar do outro lado, que tenta descobnr a estratégia do seu inimigo. Em outras palavras, o estrategista militar tem de levar em conta os inúmeros movimentos possíveis do inimigo. De modo que sua estratégia tem de incluir muitas opções. Todavia, embora a estrategia possa incluir uma ampla gama de “meios e métodos”, “planos A Evangelização em Profundidade, movimento que teve início na América Latina, é um exemplo de uma estratégia padrão aplicada a um país inteiro e que foi usada em diferentes países da América Latina. Posterior- mente foi adaptada para uso na Africa, tendo recebido o nome de Nova Vida Para Todos. O problema da Estratégia da “Solução Padrão” é, primeiro, que existe uma tendência de não levar em conta o que os outros estão fazendo. Por esta estratégia possuir uma solução padrão presume que os problemas são padronizados. Em segundo lugar, uma estratégia padronizada presume que cada pessoa participará e compreenderá qual seja a estratégia. É óbvio que isto nem sempre funciona. Em terceiro lugar, uma estratégia padrão geralmente surge dentro de uma cultura e passa a ter dificuldades crescentes à medida que passa a atuar em novos contextos. www.salt.edu.br/ici 1
  2. 2. A primeira vista, a Estratégia do “Deixa Acontecer” parece que não é estratégia alguma. Aqueles que adotam esta estratégia acreditam que não é necessário planejar. Não possuem intenções específicas quanto ao futuro. Acreditam que Deus irá dirigir. As implicações desta estratégia são de que o planejamento de longo alcance deixa de ser importante porque é uma tarefa de Deus. Muitas vezes, esse tipo de planejamento rotula o que alcança como “conquistas”. Mas também enfrenta o problema do consenso: se duas ou mais pessoas ou organizações estão, cada uma delas, utilizando a Estratégia do “Deixa Acontecer”, poderão atrapalhar umas às outras. Esta estratégia geralmente é adotada quando se dá ênfase à necessidade básica de uma espiritualidade pessoal mais profunda. Presume-se que, quando houver esta espiritualidade mais profunda, a evangelização acontecerá por si mesma. Há muito a ser dito em favor desta estratégia. No livro de Atos podemos nos recordar de Filipe, o evangelista, que certamente foi guiado pelo Senhor a situações novas. Nos dias pioneiros das missões de fé, particular- mente no caso das missões que desbravaram para o evangelho, regiões nunca antes alcançadas, tais como a Missão para o Interior da China, a Missão para o Interior da Africa e a Missão para o Interior do Sudão, com muita coragem os missionários levaram o evangelho a continentes desconhecidos. Sabiam que tinham um objetivo. Fceqüentemente não sabiam o que iriam encontrar. Muitas vezes, encontrariam a doença e a morte. Precisamos honrar estes primeiros missionários, que estabeleceram as bases para o trabalho missionário contemporâneo. Uma terceira estratégia é a do “Planejamento Parcial”. Presume que nós planejaremos começar o trabalho e que Deus fará o resto. Esta estratégia não focaliza sua atenção nos resultados, mas nos passos iniciais. Presume que uma vez que tivermos começado, Deus fará o resto. Um exemplo deste tipo de estratégia é a entidade que, depois de negociações com um governo local, recebeu autorização para dar início a uma indústria artesanal naquele país. Todavia, a entidade não fez planos específicos sobre como iria relacionar-se com as igrejas cristãs já existentes no país, igrejas que no seu ponto de vista são uma mistura de cristianismo e animismo. A primeira impressão que se tem é de que a Estratégia do “Planejamento Parcial”, bem como a Estratégia do “Deixa Acontecer”, exigem uma maior dose de fé. Todavia, uma reflexão mais cuidadosa revelará que é necessário ter muito mais fé para se compreender aquilo que Deus quer que aconteça numa situação específica e para se consagrar ao trabalho de fazer acontecer aquilo que se crê que Deus deseja. A Estratégia da “Solução Específica” presume que cada situação que enfrentamos é diferente, que cada uma exige sua própria estratégia específica. Presume que podemos encontrar uma solução e que há uma resposta. Acredita que devemos fazer declarações de fé (isto é, estabelecer alvos) acerca do futuro. Presume que soluções padronizadas provavelmente não funcionarão. Cremos que existem algumas abordagens que podem ser empregadas de modo a descobrirmos a estratégia de Deus para cada situação específica. Como cristãos, dispomos de uma tremenda vantagem ao considerarmos esta questão de estratégias. Por termos a Palavra de Deus, que é uma fonte de valores últimos e de absolutos, temos condições de desenvolver adequadamente estratégias de grande valor. Deus determinou tanto os meios de salvação como aqueles que serão salvos. Podemos descansar na confiança de que a vontade de Deus será feita. Nossa responsabilidade é cooperar com Ele na concretização do reino. Perguntas Para Estudo www.salt.edu.br/ici 2
  3. 3. 1. Com qual das quatro estratégias mencionadas neste artigo você está mais familiarizado devido à sua experiência pessoal? Quais são as vantagens e as desvantagens dessa estratégia? 2. Qual seria a dificuldade que uma pessoa enfrentaria caso tivesse de mudar sua abordagem estratégica: (a) de “Solução Padrão” para “Solução Especifica”, (b) de “Deixa Acontecer” para “Solução Padrão”, (c) de “Planejamento Parcial” para “Solução Específica”, c (d) dc “Solução Específica” para “Planejamento Parcial”? As quartas dimensões nem sempre são as mais óbvias. Durante muitos anos os filósofos e físicos igualmente descreviam o mundo como sendo tridimensional: tendo altura, largura e profundidade. Então surgiu Einstein e desde então o fator indefinível do tempo foi reconhecido como sendo a quarta dimensão. As missões têm uma história semelhante. As três primeiras dimensões recebem muito mais destaque nos sermões, nos hinos e nos livros de texto que a quarta. A primeira dimensão de missões é a altura: o relacionamento do homem com Deus, a reconciliação, o novo nascimento. A segunda dimensão é a profundidade: a santidade pessoal, a espiritualidade, sendo “do alto... revestidos de poder” (Luc. 24:49). A terceira dimensão é a largura: o testemunho, o partilhar Cristo com aqueles que ainda não são cristãos. Todas as três dimensões são essenciais a missões. Mas há uma quarta dimensão igualmente essencial, a saber, a estratégia. Uma vez que a estratégia freqüentemente se inclina para o lado prático e funcional, para algumas pessoas parece que não é espiritual e eu tenho encontrado alguma forte resistência à idéia de tratar a respeito detalhadamente. Um número crescente de missiólogos, entretanto, está reconhecendo o fato óbvio de que o uso da mente humana nem sempre está em oposição ao Espírito Santo. Afinal, Jesus mandou que amássemos a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todo o nosso entendimento (veja Mat. 22:37). Por isso é que eu não me sinto mal de modo algum quanto a usar a minha mente o máximo possível no desenvolvimento de estratégia missionária. Naturalmente, a fim de evitar os perigos da carnalidade, as dimensões da altura e da profundidade acima descritas devem s devidamente consideradas como uma pré- condição indispensável. A Estratégia Não É Opcional Quando pensamos nisto, ao levar profundamente a sério Jesus e o Seu senhorio, somos forçados a desenvolver uma estratégia de algum tipo. Ele exige que os Seus despenseiros sejam encontrados fiéis (1 Cor. 4:1, 2). A fidelidade, pura e simples, é fazermos o que o Mestre nos manda fazer e alcançarmos os alvos que Ele estabelece para nós. A parábola em Mateus 25:14-30, conhecida como a Parábola dos Talentos, é uma parábola sobre despenseiros, ou mordomos. Dois dos três usaram uma boa estratégia e alcançaram os alvos do seu senhor (neste caso, fazendo sábios investimentos do capital) e foram chamados de “servos bons efiéis”. Um deles não agiu assim e foi chamado de “mau e negligente”. Qualquer um que não levar a a estratégia a sério corre o risco de perder a sua recompensa no juízo. A estratégia é o meio aceito para alcançar um determinado alvo. A estratégia missionária é o meio que o corpo de Cristo usa para obedecer ao Senhor e realizar os objetivos que Ele estipula. Eu afirmo que diariamente cada cristão usa um ou outro tipo de estratégia na tentativa de fazer a vontade de Deus. Também afirmo que se pode demonstrar www.salt.edu.br/ici 3
  4. 4. que algumas estratégias são superiores a outras, e que nós fazemos mal se não examinarmos todas elas para escolher a melhor. A estratégia melhor é, em primeiro lugar, bíblica, porque o trabalho de Deus deve ser feito do modo de Deus. Segundo, é eficaz. Considerando que os nossos recursos de pessoal, de dinheiro e de tempo são todos limitados, precisamos tomar decisões, mais cedo ou mais tarde, sobre a que prioridades dedicaremos esses recursos. Não temos condições de fazer tudo o que gostaríamos de fazer, por isso temos de decidir o que fazer e o que deixar de fazer. Devemos tomar esta decisão com base na eficácia — o que alcançará melhor o objetivo de Deus. Terceiro, a estratégia deve ser relevante. Missões é um campo de mudanças tão rápidas que uma estratégia útil há cinco anos é bem possível que esteja obsoleta atualmente. Precisa de constante atualização. As Quatro Estratégias de Missões A moderna estratégia missionária não é simplista. Na verdade, é útil olhar, não apenas para uma única estratégia, mas para quatro estratégias. Vou enumerá-las aqui para nossa conveniência e, então, explicarei cada uma detalhadamente: Estratégia I — os alvos certos; Estratégia II — o lugar certo na hora certa; Estratégia III — os métodos certos; Estratégia IV — as pessoas certas. Estratégia 1 — Os Alvos Certos Cada uma das ordens de Jesus ao Seu povo contém um alvo de alguma espécie. Há centenas delas no Novo Testamento e os servos fiéis vão desejar obedecer a todas elas de todas as formas possíveis. Mas uma ordem acima de todas as outras contém o alvo para as missões, e com base nesse alvo devemos avaliar toda a estratégia missionária. Este mandamento é conhecido como a “Grande Comissão”, e se encontra em Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos. Um entendimento adequado da Grande Comissão vai nos dar um quadro claro de quais são os alvos de Deus para missões. Nem é preciso dizer que os alvos de Deus são os alvos certos. O ponto de partida é Mateus 28:19, 20, o resumo mais detalhado e completo da Grande Comissão. Uma interpretação adequada destes versículos nos fornece a chave de que precisamos para entender os outros dentro do contexto. Aqui está o que diz o texto: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado...” Observe que a passagem contém quatro verbos de ação: ir, fazer disc(pulos, batizar e ensinar. No original grego, apenas um deles está no modo imperativo e os três outros são particípios presentes (equivalentes aproximados do gerúndio). O imperativo, fazer disc(pulos, é o âmago da ordem. Os participios presentes, indo, batizando e ensinando, são verbos que estão subordinados ao verbo principal. Fazer discípulos é, portanto, o objetivo, o fim. E o alvo certo da estratégia de missões. Ir, batizar e ensinar são meios a serem usados na consecução do fim. Também são componentes necessários da estratégia missionária, mas não são fins em si mesmos. www.salt.edu.br/ici 4
  5. 5. As outras quatro menções da Grande Comissão não tratam do alvo certo. Acrescentam à lista os meios disponíveis na sua consecução. Marcos 16:15, 16 repete batizar, mas acrescenta pregar. Lucas 24:47, 48 repete pregar, mas acrescenta testemunhar. João 20:21 menciona enviar. Atos 1:8, também escrito por Lucas, repete testemunhar e acrescenta o aspecto geográfico de Jerusalém, Judéia, Sarnaria e os confins da terra. Agora vou fazer uma declaração muito ousada. A meu ver, o erro maior na estratégia missionária contemporânea é a confusão dos meios com o fim na interpretação da Grande Comissão. Em outras palavras, algumas missões e missionários estabeleceram seus programas como se alguns dos meios fossem fins em si mesmos. Não expressaram adequadamente o que estão fazendo em termos de fazer discípulos. Alguns, por exemplo, estão satisfeitos em pregar o evangelho, quer sua pregação faça ou não discípulos. Alguns vão contando as “decisões” multo meticulosamente, mas não dispendem os esforços correspondentes para apresentar relatórios estatísticos sobre discípulos. Por isso alguns relatórios evangélicos parecem exagerados. Simplesmente saber quantos assistiram a uma cruzada evangelística ou quantos assinaram cartões de decisão é útil, mas inadequado. O Senhor da Grande Comissão, em última análise, está interessado em discípulos, não simplesmente em decisões. Não esqueça que, quando falamos sobre alvos certos, estamos falando sobre alvos para todo o Corpo, não apenas para os indivíduos. A doutrina dos dons espirituais ensina- nos que todos nós fazemos diferentes contribuições. Mas quando todos os membros do Corpo trabalham juntos, o resultado final deve ser novos discípulos. O sucesso ou o fracasso deve ser medido em última análise segundo aqueles termos. Toda uma organização missionária poderá se concentrar na tradução da Bíblia, por exemplo. A tradução da Bíblia é uma função essencial do Corpo, pois sem a Palavra de Deus na língua de cada povo, eles não serão capazes de ouvir a mensagem da salvação. Mas a devida estratégia irá coordenar este trabalho com o de outros membros do Corpo para que essas Bíblias traduzidas venham a ser, não apenas mais uma contribuição exótica para a literatura da humanidade, mas instrumentos eficazes para se fazer discípulos. A esta altura é preciso ser cuidadoso com a definição de discípulo. Se o alvo certo da estratégia missionária é fazer discípulos, é preciso ter certeza absoluta do que Jesus disse a respeito caso você planeje obedecer-Lhe. Você precisa saber como identificar quando tiver feito um discípulo. Idéias nebulosas daquilo que são os discípulos servem apenas para prejudicar uma boa estratégia. Uma pessoa não é discípulo só porque nasceu em um país cristão, ou, em muitos casos, só porque é membro de igreja. Já mencionamos que as decisões em si mesmas não levam necessariamente as pessoas a serem discípulos. Nem toda pessoa que ora para receber a Jesus acaba sendo um discípulo. O significado básico de discípulo no Novo Testamento é o de um cristão verdadeiro, regenerado. Toda pessoa cujo nome está escrito no Livro da Vida do Cordeiro é um discípulo. Aquelas cujos nomes não estão, não são discípulos no sentido que a Grande Comissão dá a essa palavra. A fim de fazer um discípulo, é preciso ir às pessoas que ainda não são verdadeiros cristãos. Pessoas que não são salvas são a matéria-prima, por assim dizer, para o cumprimento da Grande Comissão. No momento em que alguém se torna uma “nova criatura” em Cristo (2 Cor. 5:17), fizemos um discípulo. Há quem confunda “fazer discípulos” com “discipulado”. Fazer discípulos é o alvo certo da evangelização e de missões segundo a Grande Comissão. Uma vez feitos os www.salt.edu.br/ici 5
  6. 6. discípulos, eles começam então a trilhar a estrada do discipulado, que dura a vida inteira. Ajudar as pessoas ao longo dessa estrada é outro ministério cristão importante, uma função essencial do corpo, mas um passo além do alvo da Grande Comissão. Até mesmo o particípio presente do verbo “ensinar” na Grande Comissão por si mesmo não se refere aos detalhes da estrada do discipulado, como alguns poderiam pen sar. A coisa ensinada nesse versículo é “guardar”, não “todas as coisas que vos tenho ordenado”. Um aspecto de se tornar um discípulo é estar disposto a obedecer a Jesus. Os detalhes vêm mais tarde à medida que o novo discípulo prossegue pela estrada do discipulado. Com que um discípulo se parece? Como você consegue identificar um deles quando o vê? Atos 2 nos dá uma indicação útil. No dia de Pentecostes foram feitos três mil discípulos. O motivo pelo qual sabemos que eram discípulos e não simplesmente pessoas que tomaram “decisões” é que, quando Lucas fez uma retrospectiva do passado ao se preparar para escrever o livro de Atos, eles ainda “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At. 2:42). Os de fora conseguem reconhecer os discípulos porque têm “amor uns aos outros” (João 13:35). Se uma sociedade missionária começa um trabalho em uma vila pagã e sai de lá três anos depois deixando um grupo de 250 pessoas que declaram que Cristo é o seu Senhor, que se reúnem regularmente para prestar culto, que lêem a Bíblia e oram — essa sociedade fez 250 discípulos e nisso cumpriu a Grande Comissão. Estes discípulos podem necessitar de muito polimento. Talvez eles não ajam como os cristãos de uma comunidade que é fiel a Cristo há gerações. Talvez ainda tenham um longo caminho a percorrer pela estrada do discipulado cristão, mas, mesmo assim, são discípulos. Se essa sociedade apresenta relatórios de seus resultados em tais termos, ela entendeu adequadamente a Estratégia 1. Está voltada para os alvos certos. Estratégia II – O Lugar Certo na Hora Certa Entende-se melhor a Estratégia II em termos da agricultura. Ela fica mais clara em algumas das parábolas de Jesus baseadas em temas da vida rural. Sendo eu mesmo um agrônomo (na faculdade eu me formei em produção de laticínios!), geralmente sugiro por brincadeira que ser agricultor é mais útil para a interpretação das parábolas do que saber grego! A utilidade está em que cada fazendeiro, por natureza, tenha o que eu chamo de a visão dos frutos. Nenhum lavrador trabalha na sua terra só pelo prazer de fazê-lo — ele trabalha pela recompensa, que são os frutos. Um homem compra uma fazenda com a expectativa de que ela vá produzir frutos. Ele pode gostar de mecânica, mas trabalha com as suas máquinas apenas porque elas lhe ajudam a ter os frutos. Ele lança a semente e cultiva sua lavoura, não porque ache divertido dirigir um trator, mas porque, se não o fizer, não haverá fruto. “... se alegram, tanto o semeador como o ceifeiro” (João 4:36). Por quê? Porque eles colhem juntos o fruto. Uma estratégia missionária sadia jamais perde os frutos de vista. A estratégia 1 nos ensina que, na obra missionária, estes frutos são os discípulos. É preciso manter esta visão principalmente em semear, podar e colher. A visão de semear A parábola do semeador aparece em Mateus, Marcos e Lucas. A versão mais resumida está em Lucas 8:4-15. Fala-nos de um lavrador que lançou a semente em quatro www.salt.edu.br/ici 6
  7. 7. diferentes áreas de suas terras, mas que obteve frutos em apenas uma. Qualquer um com a visão dos frutos vai imediatamente perguntar: “Por quê?” Sem dúvida os discípulos de Jesus fizeram a mesma pergunta logo que ouviram a parábola. De acordo com a interpretação de Jesus, o fator variável não era o semeador, nem a semente (que é descrita como a “Palavra de Deus), nem o método. Era o solo. Por melhor que seja a semente, todo lavrador sabe que ela não dará fruto na estrada, no solo rochoso, ou entre espinhos. Para que produza fruto, a boa semente deve ser semeada em terreno fértil. A lição óbvia para a estratégia missionária é que a semente da Palavra deve concentrar-se no terreno fértil caso se esperem frutos. Alguns povos do mundo são receptivos ao evangelho enquanto outros são resistentes. Os terrenos do mundo devem ser testados. Concentrar-se, haja o que houver, em solo pedregoso, havendo ou não discípulos, é estratégia louca. Os lavradores que têm a visão dos frutos não cometem esse erro com muita freqüêna, mas alguns missiálogos infelizmente sim. Este é o aspecto do “lugar certo” da Estratégia. A visão de podar A parábola da figueira em Lucas 13:6-9 é vista como uma ameaça por alguns missionários. Mas se eles forem orientados pela visão dos frutos não será assim. O lavrador que caminhando visse a linda figueira, seria forçado a observá-la melhor. Ali o problema era comparável a muitos campos missionários. A figueira havia crescido bem, mas não havia figos! Há muita “obra” missionária que também se desenvolveu bastante, mas não há frutos nenhum discípulo. O lavrador da parábola é um bom estrategista. Quando depois de muito trabalho não há fruto, e decorre um tempo razoável, ele manda cortá-la é preciso mudar o programa. Ele age com base na visão dos frutos. Seu empregado não partilha dessa visão porque a sua renda depende não tanto da colheita como de um salário. Sua estratégia é continuar trabalhando enquanto puder. Ele, como muitos missionários, concentra-se no programa, não no alvo. Os missionários que estão confortavelmente instalados em determinado “programa” ou “obra missionária” fariam bem em examinar o que estão fazendo em termos de visão dos frutos. Não é fácil alterar um programa, especialmente quando se tem uma tênue esperança de que dentro de um ano mais ou menos estará produzindo fruto. Mas com demasiada freqüência aqueles anos se transformam em vidas inteiras. Os missionários que poderiam ter passado dez anos fazendo discípulos passam os mesmos dez anos simplesmente fazendo “trabalho missionário” porque lhes falta coragem de derrubar as figueiras estéreis e mudar o seu programa. A visão de colher Quando Jesus fala aos Seus discípulos sobre a colheita, menciona pela primeira vez a necessidade de orar para que o Senhor da seara “mande trabalhadores para sua seara” (Mat. 9:37, 38). Quando os “trabalhadores são poucos”, o lavrador corre o risco de perder parte da colheita. Neste caso o aspecto da Estratégia ii é a “hora certa”. Os trabalhadores não são necessários quando a colheita ainda está verde, nem quando já passou a época da colheita. A hora certa é de suma importância em qualquer colheita. Suponhamos, por exemplo, que você possua um pomar de maçãs. No campo A, um trabalhador poderia colher cinco caixas por hora. No campo B, ele levaria cinco horas para www.salt.edu.br/ici 7
  8. 8. colher apenas uma caixa. No campo C, ele não colheria nada porque as maçãs ainda estAo verdes. Se você tivesse trinta trabalhadores hoje, para onde os enviaria? Em meu caso eu mandaria 29 para o campo A, a fim de não perder nenhum fruto ali. Mandaria o outro para fazer o que pudesse no campo B e também para que ficasse de olho no campo C. O seu trabalho seria de me avisar quando aqueles campos estivessem prontos para a colheita para que eu pudesse redistribuir os trabalhadores. Situações paralelas surgem repetidas vezes na obra missionária. Alguns povos estão preparados para serem colhidos hoje, outros ainda não. Estes “povos indiferentes” não devem ser negligenciados — ali deve estar alguém capacitado a avisar quando estiverem se tornando maduros para o evangelho. Num certo sentido, é preciso colocar os melhores obreiros nos campos indiferentes. Mas ninguém que leva a estratégia a sério defenderia uma força de trabalho maciça nos campos ainda verdes. Jesus não o faria. Ele não nos ensinou a orar por mais trabalhadores para ir aos campos verdes ou aos campos sem cultivo. Os trabalhadores são necessários nos campos maduros para a colheita. Logo depois de dizer isso em Mateus 9, em Mateus 10 Jesus envia os Seus próprios ceifeiros. Havia três campos naquele tempo: os judeus, os gentios e os samaritanos. Apenas os judeus estavam maduros naquele tempo. Jesus disse especificamente aos Seus discípulos que não fossem aos gentios e nem aos samaritanos (Mat. 10:5) (os campos verdes) mas que fossem aos judeus (Mat. 10:6). Mais tarde, tanto os gentios como os samaritanos amadureceram e deram muito fruto, mas não naquela ocasião. E verdade que nem sempre o mais fácil é dizer qual é o solo mais fértil ou mesmo quando uma determinada colheita estará madura na obra missionária. Os métodos experimentais da agricultura estão muito mais avançados atualmente do que os métodos experimentais de missiologia. Mas os missiólogos estão melhorando os seus métodos o tempo todo e fazendo progressos encorajadores. Já se conhece muita coisa acerca de como testar os povos quanto ao seu grau de resistência ou receptividade ao evangelho. As missões que se mantêm atualizadas aproveitarão ao máximo esse conhecimento, aplicando assim a Estratégia II — o lugar certo na hora certa. Estratégia III – Os Métodos Certos Quando há muito trabalho e pouco ou nenhum fruto, alguma coisa está errada. Uma análise cuidadosa vai geralmente indicar que o problema é trabalho sendo feito em campos ainda não amadurecidos, ou trabalho em campos já amadurecidos mas usando métodos errados. Pode-se entrar em um trigal totalmente maduro e trabalhar até cair de cansado, mas se estiver usando uma colheitadeira de milho, não vai conseguir nada. Colheitadeiras de cana são inúteis em pomares de maçãs. Ao redor do mundo há povos que aceitariam o evangelho alegremente e se tornariam discípulos de Jesus mas os missionários entre essas pessoas não estão fazendo discípulos porque estão usando métodos inadequados. A linguagem errada é um dos erros metodológicos bem comuns. Em muitos casos registrados o missionário imaginou que pregar no idioma usado em transações comerciais seria adequado para fazer discípulos. Mas apenas quando ele passou a usar o dialeto local, a língua do coração, é que os frutos começaram a surgir. Se ele tivesse recusado mudar de método, quantidade alguma do trabalho árduo teria conseguido realizar a tarefa. Misturar os povos geralmente tem-se comprovado ser outro método errado. Durante muitos anos, por exemplo, a entidade missionária Amigos do Oregon esteve fazendo uma grande colheita entre os aimarás da Bolívia, enquanto que outras missões, empregando o www.salt.edu.br/ici 8
  9. 9. mesmo esforço, não conseguiram tanto. Descobriu-se então que os Amigos do Oregon insistiam em manter as suas igrejas puramente aimarás, enquanto outros achavam que seria bom misturar os crentes mestiços com os aimarás. Os missiólogos chamam isto de o princípio da unidade homogênea das igrejas. As igrejas de um só tipo de pessoas são mais eficazes em ganhar outras pessoas do mesmo povo. Na Bolívia, o método fez a diferença. A lista poderia ser multiplicada indefinidamente, mas vamos examinar um caso nos Estados Unidos. Em 1959, D. James Kennedy foi chamado para pastorear a Igreja Presbiteriana Coral Ridge, no estado da Flórida. Ele começou com uma igreja de quarenta e cinco membros, mas em um ano ela havia minguado para dezessete. Ficou tão desanimado que pensou em abandonar o ministério. Seria esse um campo para colheita? Kennedy bem poderia concluir que não havia campo algum. Mas ele mudou o seu método. De um lado, percebeu que se havia um campo bem ali fora, este não viria andando até ele. Ele tinha de sair ao campo e ali ceifar. Por outro lado, ele percebeu que o pastor não pode fazer tudo sozinho e que para haver uma evangelização eficaz, a igreja tem de começar a funcionar como um corpo. Ele então começou um programa sistemático de evangelização em lares e treinou um grupo de membros da igreja para ajudá-lo. A Estratégia III funcionou. A colheita começou a surgir e, em dez anos, a igreja cresceu de dezessete para dois mil e quinhentos membros! Kennedy descobriu um método que funcionou em seu ambiente naquele momento específico. Alguns colegas pastores tentaram o mesmo método com sucesso semelhante, enquanto outros o tentaram e tiveram resultados escassos. Sempre que um método tem sucesso, surge a tentação de pensar que vai funcionar em qualquer lugar e em qualquer época. A Estratégia III é mais complexa do que isto, entretanto. Cada nova situação requer uma nova avaliação e freqüentemente métodos novos, feitos sob medida. Os métodos devem ser selecionados, principalmente, com base em fatores pragmáticos, considerando que a Bíblia não reivindica apresentar instruções para o século XX. Portanto, é uma boa estratégia não apenas estabelecer alvos mensuráveis, mas também criar, desde o começo do esforço, instrumentos para medir o seu sucesso ou fracasso. Apenas fazendo isto será possível olhar para trás e saber quais métodos Deus tem abençoado e quais métodos Ele não tem abençoado. Um dos fatos mais curiosos nas missões modernas é que este simples procedimento é tão raramente executado. Estratégia IV – As Pessoas Certas Algumas coisas Deus faz por Si mesmo; algumas coisas Ele faz usando seres humanos. Parece, por exemplo, que a diferença entre o solo fértil e o estéril é basicamente uma questão de providência divina. O amadurecimento de certos campos em determinadas épocas pode ser atribuído somente à soberania de Deus. “Eu plantei, Apoio regou”, escreveu Paulo, “mas o crescimento veio de Deus” (1 Cor. 3:6). Deus produz o amadurecimento, mas Ele não faz a colheita. Ele usa os cristãos para realizar essa tarefa e Ele é glorificado quando o Seu povo produz “muito fruto” (João 15:8). Ele está particularmente interessado no fruto que permanece (João 15:16). Mas como surge este fruto? O servo de Deus só pode dar fruto se o ramo permanece na videira. Jesus 6 a videira, e os cristãos, os ramos. A Estratégia IV, então, destaca as pessoas certas. A pessoa certa é a pessoa totalmente cheia com o Espírito Santo. Ela permanece em Jesus. Ela está totalmente www.salt.edu.br/ici 9
  10. 10. comprometida. Ela leva a sua cruz diariamente e segue o seu Mestre. Sem a Estratégia IV, as três primeiras estratégias são letras mortas. Por isso que Jesus insistiu que os Seus discípulos não começassem o trabalho missionário até que “do alto” fossem “revestidos de poder” (Luc. 24:49). As quartas dimensões podem ser dificeis de compreender, mas quanto mais cedo uma estratégia confiável for devidamente apreciada e aplicada ao trabalho missionário, mais depressa o remo de Deus se expandirá pelo mundo. Perguntas Para Estudo 1. Se você fosse responsável por avaliar o trabalho desenvolvido por um grupo missionário em particular, que critério utilizaria, a partir do que foi apresentado neste capitulo, para avaliar se esse grupo está ou não cumprindo a Grande Comissão? 2. Alguns missionários têm sido enviados por suas juntas missionárias a campos onde pouquíssima resposta positiva tem sido vista nos últimos anos. O missionário vê o seu trabalho como o de lançar a semente em vez de aguardar a colheita. Qual seria o seu conselho a ele caso você fosse aplicar os princípios de estratégia missionária apresentados por Wagner? REFERÊNCIA WINTER, Ralph D.; HAWTHORNE, Steven C. Missões transculturais: uma perspectiva estratégica (São Paulo: Mundo Cristão, 1981), p. 684-704. www.salt.edu.br/ici 10

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