Instrumentos para Pesquisa

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Instrumentos para Pesquisa

  1. 1. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 1 COMO CONSTRUIR QUESTIONÁRIOS PARA PESQUISA1 Hilma Tereza Tôrres Khoury2 O questionário é o instrumento de pesquisa que se utiliza quando se faz a opção porperguntar, ao invés de observar como meio para compreender o comportamento humano(Babbie, 1999). Em geral pergunta-se sobre um determinado tópico, visando medir interesses,preferências, opiniões, atitudes ou aspectos da personalidade (Günther, 1999). Qualquerempreendimento neste sentido deve estar fundamentado em uma “teoria sobre o construto ouobjeto psicológico para o qual se quer desenvolver um instrumento de medida” (Pasquali,1999, p.37). A medição é uma etapa muito importante da pesquisa científica, pois possibilita que secumpram com suas principais metas: a descrição e a explicação. Medem-se "as distribuiçõesempíricas de valores nas variáveis (descrição) e as associações entre as variáveis para explicaressas distribuições de valores" (Babbie, 1999, p. 179). O questionário possibilita a mediçãodescritiva. A medição visando explicação, ou seja, associação entre variáveis é realizada pormeio de procedimentos estatísticos. No entanto, ao escolher um tipo de medição para descrever o objeto a ser investigado,o pesquisador deve levar em conta o tipo de análise estatística que pretende. Isto porque,dados provenientes de medições nominais e ordinais permitem testes estatísticos não-paramétricos3, enquanto que dados oriundos de medidas intervalares e de razão permitemtambém testes paramétricos. Os testes paramétricos, sendo mais poderosos que os não-paramétricos, possibilitam inferências mais complexas (Günther, 1999). Mas antes de discorrer sobre os níveis de medida, algumas considerações sobre ostipos de variáveis se fazem necessárias. Há duas grandes classificações de variáveis:categóricas e quantitativas. As variáveis categóricas nomeiam e identificam categorias e sub-categorias devariáveis. Simplesmente dispõem os objetos (pessoas, animais ou coisas) provenientes de umconjunto de dados em categorias que descrevem suas características - p.ex. gênero, statusconjugal, ocupação profissional e grau de escolaridade. As variáveis quantitativas assumemvalores numéricos que representam quantidades reais; assim sendo, permitem operaçõesmatemáticas tais como soma ou média - p.ex. altura; idade; salário, anos de escolaridade(Moore, 2000). Atualmente, com os programas de computador, costumam-se atribuir valores1 Texto elaborado para subsidiar a disciplina Teoria e Prática de Pesquisa em Psicologia Social, ministrada pela autora para oCurso de Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).2 Psicóloga, Doutora em Psicologia, Professora Associada na Universidade Federal do Pará.3 As estatísticas paramétricas e não-paramétricas permitem que se façam inferências a partir dos dados, ou seja, permitem quese vá além da mera descrição. Porém, as estatísticas pararnétricas são mais exigentes que as nao-paramétricas quanto ànormalidade da distribuição da amostra e quanto à natureza das variáveis medidas. A distribuição normal é sensível aotamanho da amostra e testes paramétricos exigem, além disso, variáveis quantitativas.
  2. 2. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 2numéricos a variáveis categóricas, a fim de facilitar a organização e a análise dos dados (p.ex.1 = masculino; 2 = feminino). Contudo, estes números jamais representarão quantidades;nesses casos, não faria sentido calcular média, por exemplo. As variáveis quantitativas se dividem em discretas e contínuas. São discretas quandorepresentam quantidades que se apresentam em unidades não fracionáveis, ou seja, varia empassos discretos dentro de um determinado intervalo. Por exemplo, número de filhos; só sepode ter 1, 2 ou 3; ninguém tem 1,5 filhos. São contínuas quando representam quantidadesque podem se apresentar fracionadas em unidades e sub-unidades, ou seja, podem assumirqualquer valor em um intervalo dado. Por exemplo, idade, salário, altura, peso, hora. Umapessoa com 60 anos de idade pode ter 60 anos, 8 meses e 5 dias. A hora em que um alunochegou na sala de aula pode ter sido às 13 horas, 40 minutos e 15 segundos.1. Níveis de Medição l.1. Nominal: os números servem apenas para distinguir as categorias que compõemuma variável. Exemplo: Sexo Masculino (1), Feminino (2) 1.2. Ordinal: os números refletem uma ordenação entre as categorias componentes deuma variável. Há hierarquia, mas não se conhece a distância (o intervalo) entre os postos. Ex1: Classe Social Baixa (1), Média (2), Alta (3). Ex2: Preferências por atividades de lazer – sair para dançar, ir ao cinema, assistir àtelevisão, ir ao barzinho com amigos. Primeiro lugar (1), segundo lugar (2), terceiro lugar (3), quarto lugar (4). Ex3: Escalas tipo Likert. Concordo Fortemente (5), Concordo Moderadamente (4), Nem concordo, nemdiscordo (3), Discordo Moderadamente (2), Discordo Fortemente (1) 1.3. De Intervalo: A distância (intervalo) entre duas categorias é conhecida econstante, diferente da medição ordinal, onde os números indicam tão-somente umahierarquia. Assim, no exemplo acima, pode-se dizer que aquela pessoa gosta mais de sair paradançar do que de ir ao barzinho. Porém, a medida ordinal não permite determinar o quanto elagosta de dançar. Para saber o quanto alguém prefere alguma coisa ou o quanto concorda comuma afirmação, há que se utilizar a medição de intervalo. Na medida intervalar, "as distânciasentre os pontos têm significado real" (Babbie, 1999, p. 187), pois "os intervalos entre asalternativas têm tamanho conhecido e podem ser comparados" (Günther, 1999 p.249).
  3. 3. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 3 Ex.1: Medição por Índices - Em uma escala para medir atitudes com relação ao aborto,composta por 20 itens (10 favoráveis; 10 desfavoráveis), avaliados em uma escala de 5pontos, tipo Likert (1=discordo fortemente; 2=discordo moderadamente; 3=nem concordo,nem discordo; 4=concordo moderadamente; 5=concordo fortemente), às respostas dosparticipantes foram atribuídos pontos de 1 a 5. Os pontos obtidos em cada item foramsomados e compuseram um índice que varia de 20 a 100 pontos, de tal forma que, quantomais pontos alguém fizer, mais favorável será ao aborto. Uma pessoa com 60 pontos é maisfavorável ao aborto do que outra com 40 e, além disso é 20 pontos mais favorável do que esta. Ex.2: Um exemplo bem ilustrativo da medição de intervalo é a medida do coeficientede inteligência (QI). Se uma pessoa tem QI de 60 e outra de 120, além de poder dizer que asegunda é mais inteligente que a primeira, posso dizer que o QI da segunda é maior que o daprimeira em 60 pontos. Ex.3: No exemplo anterior sobre as preferências de lazer, o pesquisador poderiasolicitar a ordenação das preferências de lazer e, ao mesmo tempo, pedir aos respondentes queexpressassem em percentagens (0% a 100%) o grau de sua preferência para cada umadaquelas atividades de lazer. 1.4. De Razão: Assemelha-se a medição de intervalo, porém, tem um ingrediente amais. Conhece-se a razão, a proporção em que uma categoria é maior que a outra. Além disso,permite relação entre grandezas da mesma espécie. Ex1: A pessoa que tem 50 anos tem mais idade do que quem tem 25 anos; tem 25 anosa mais; e tem o dobro da idade da segunda (razão 2:1), portanto, é duas vezes mais velha. Ex2: Uma pessoa com renda mensal de R$6000,00 ganha mais que outra com renda deR$2000; ganha R$4000,00 a mais que esta; e seu salário é o triplo do salário desta (3:1),portanto, seu poder aquisitivo é três vezes maior. No exemplo do QI, não posso dizer que uma pessoa que tenha um QI de 120 tenha odobro da inteligência de outra com um QI de 60. De acordo com Günther (1999), a Escala tipo Liket, muito utilizada paralevantamentos de atitudes e opiniões, embora seja uma escala ordinal, pode ser tratada comomedição intervalar para efeito de análise estatística. Günther (1999) argumenta que, naprática, "a variabilidade nos intervalos não afeta o poder inferencial de uso de estatísticasparamétricas com dados da escala Likert" (p.252). No entanto, adverte que "esta flexibilidadenão se estende à interpretação de médias baseadas em intervalos variáveis" (p.252),recomendando a utilização da moda e da mediana ao invés da média para esses casos.
  4. 4. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 42. Apresentação das escalas de medida ao participante Ao apresentar o questionário aos participantes, o pesquisador não precisa mostrar-lhenúmeros ou pedir-lhe que escreva, ou escolha números. Números são muito abstratos e podemcausar dificuldade para certos participantes, tais como crianças e adultos com baixo grau deinstrução. Além disso, podem tornar o questionário cansativo para qualquer um. Assim, opesquisador poderá utilizar outros recursos e guardar os números apenas para quando foralimentar o banco de dados. Por exemplo, se o interesse do pesquisador é saber a ordem de preferência por certasatividades de lazer como ir ao cinema, sair para dançar, assistir à TV e ir ao barzinho comamigos, poderá pedir ao participante que escolha as atividades a partir de uma lista e escreva onome das atividades dentro de círculos de tamanhos diferentes, deixando claro para ele que ocírculo maior corresponde à atividade preferida em primeiro lugar e assim por diante, até ocírculo menor, que corresponde à atividade preferida em quarto lugar, dentre quatroapresentadas. Dançar Cinema BarzExemplo: TV No exemplo acima, o participante ordenará suas preferências conforme o tamanho docírculo. Para o pesquisador, no momento de alimentar o banco de dados, o círculo maiorpoderá corresponder ao número 1 e o menor, ao número 4, ou vice-versa. Esta maneira de trabalhar com medição ordinal, mas também com outras formas demedição, pode variar utilizando-se outros recursos tais como pirâmides invertidas, escadas,cones, quadrados de tamanhos diferentes, etc. No caso de a coleta de dados ser realizada por meio de entrevista, o pesquisador podeutilizar outras estratégias. Por exemplo, ao invés de pedir que o participante escreva suaspreferências dentro do círculo, o pesquisador pode apresentar-lhe quatro cartelas retangularesde igual tamanho, contendo os nomes das quatro atividades de lazer investigadas, e solicitarque ele as ordene, arrumando-as sobre a figura de uma escada ou de uma pirâmide. É só usara criatividade e muitas estratégias surgirão. No caso de escalas tipo Likert, como a do exemplo acima (discordo fortemente;discordo moderadamente; nem concordo, nem discordo; concordo moderadamente; concordofortemente), bastaria o participante marcar com um X a alternativa que corresponde à sua
  5. 5. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 5opinião com relação ao aborto. Ao alimentar o banco de dados, se o pesquisador pretenderidentificar atitude favorável ao aborto, pode atribuir o número 5 para a alternativa concordofortemente, o número 3 para a alternativa nem concordo nem discordo e o número 1 paraalternativa discordo fortemente. Assim, quanto mais pontos o sujeito fizer, mais favorável aoaborto ele será. Dependendo do objeto investigado, as alternativas de resposta podem seroutras que não os graus de concordância. Por exemplo, podem variar de não se aplica a seaplica totalmente, ou de excelente a péssimo, ou, ainda, de nunca a freqüentemente, onde oponto de não comprometimento seria, respectivamente, se aplica em parte, razoável ealgumas vezes.3. Tipos de Questões 3.1.Declarações: são uti1izadas para determinar o grau em que os respondentesapóiam determinada atitude ou perspectiva. É feito por meio de escalas de concordância, porexemplo, escalas tipo Likert. Ex: Praticar a eutanásia é o mesmo que matar.Concordo muito Concordo um pouco Tanto Faz Discordo um pouco Discordo muito 3.2. Perguntas Abertas: as respostas são livres. São escritas em espaço apropriado ousolicitadas verbalmente. As respostas a perguntas abertas devem ser codificadas oucategorizadas antes de se entrar com os dados em um banco. A desvantagem deste tipo depergunta é que dificultam a análise das respostas, demandam mais esforço e tempo paraalimentar o banco de dados e, além disso, podem ocorrer respostas irrelevantes para osobjetivos do pesquisador. A vantagem é que permite melhor percepção sobre atitudes epreferências do respondente, além de fornecer informações não previstas pelo pesquisador,porém úteis para o objetivo da pesquisa. Ex: O que pensa sobre a eutanásia? 3.3. Perguntas Fechadas: as respostas são induzidas. O respondente escolhe umaalternativa de resposta a partir de uma lista apresentada. Este tipo de pergunta tem a vantagemde permitir maior uniformidade de respostas, além de ser mais fácil de processar, facilitando aanálise estatística dos resultados. A principal desvantagem deste tipo de pergunta é que asalternativas de resposta correm sempre o risco de não abarcar todas as alternativas possíveis,por mais exaustivo que se tenha sido na escolha das categorias de respostas. Por isso, emgeral, há a alternativa Outros ________________ Especifique, por favor
  6. 6. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 6 Questões fechadas exigem que as categorias de respostas sejam mutuamenteexcludentes. Respostas múltiplas criarão dificuldade no processamento dos dados (Babbie,1999).4. Principais regras para a elaboração de questões ou itens 4.1. Clareza e Objetividade: o item deve ser compreensível, até para o extrato maisbaixo da população-alvo. O item ou questão deve ser-elaborado de tal forma que permita aorespondente lê-lo rapidamente, entender seu propósito, e dar uma resposta sem dificuldade(Pasquali, 1999). Portanto, dê preferência a frases curtas (menos de 25 palavras) e aexpressões simples e inequívocas, a fim de evitar má interpretação. Além disso, evite gírias, pois estas podem não ser inteligíveis para todos os membrosde uma população, ou "ofender o extrato mais sofisticado" (Pasquali, 1999, p.49). Além disso,pode causar má impressão, vindo a prejudicar a pesquisa, pois o participante pode ficardesmotivado ou se recusar a continuar respondendo. No entanto, a linguagem típica dapopulação-alvo deve ser utilizada, afinal, "a preocupação aqui é a compreensão das frases(que representam tarefas a serem entendidas e, se possível, resolvidas), não sua elegânciaartística” (Pasquali, 1999, p.49). 4.2 Evitar Duplicidade: evitar questões ou itens que contenham mais de uma idéia.Itens que trazem explicações de termos, razões ou justificativas, acabam por introduzir váriasidéias e normalmente geram confusão (Pasquali, 1999).Ex: Abomino a eutanásia porque é uma forma de assassinato. O respondente pode ficar confuso e não saber se concorda ou discorda do item, poispode abominar a eutanásia, mas não porque a considera uma forma de assassinato e sim poroutra razão. Nesse caso, seria melhor desdobrar este item em dois e dizer: Abomino a prática da eutanásia. A eutanásia é uma forma de assassinato. 4.3. Evitar itens Negativos: frases negativas em geral conduzem a má interpretação ea confusão. “É melhor afirmar a negatividade do que negar uma afirmação" (Pasquali, 1999,p.49).Ex: A prática da eutanásia não se deve aceitar.
  7. 7. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 7 Seria melhor dizer: Considero inaceitável a prática da eutanásia. 4.4. Relevância: evite fazer perguntas sobre temas pouco conhecidos ou que nãodigam respeito aos respondentes, pois se corre o risco de obter respostas inventadas e,conseqüentemente, ter a pesquisa invalidada (Babbie, 2001). Além disso, examinecuidadosamente o objetivo da pesquisa para construir itens ou questões pertinentes aoobjetivo proposto e úteis a ele. 4.5. Evite Direcionar respostas: "a maneira como os dados são procurados determinaa natureza dos dados recebidos" (Babbie, 1999, p. 193). - Evite questões do tipo: Você discorda da eutanásia? Este tipo de questão sugere a resposta desejada, desacreditando a objetividade dos resultados. - Evite identificar atitude ou posição com pessoas ou instituições de prestígio ou de má reputação. Podem ocasionar um viés, respectivamente, positivo ou negativo. Ex: Você acha que a CNBB está certa em repudiar a eutanásia? Em um país predominantemente católico como o Brasil, isso provavelmenteproduziria um apoio maior a essa questão do que se ela não tivesse sido identificada com aConferência Nacional dos Bispos do Brasil. - Evite adjetivos que rotulam, por exemplo, liberal ou ateu, pois podem produzir um viés não intencional em função da carga positiva ou negativa que carregam algumas culturas. - Evite palavras ou frases carregadas de emoção: Ex: A eutanásia deve ser banida do planeta. 4.6. Variedade: o uso repetido das mesmas palavras ou termos pode provocarconfusão, cansaço e aborrecimento. Por isso, varie a linguagem, adotando palavras sinônimas. No caso de escalas de preferência, formular metade dos itens favorável e a outrametade desfavorável ao objeto que está sendo medido, a fim de evitar o erro de respostaestereotipada à esquerda ou à direita da escala de resposta (Pasquali, 1999). 4.7. Prefira expressões de reação Modal: evite utilizar expressões extremadas, ou queindiquem a intensidade da resposta. Dê preferência a palavras onde a maioria possa se
  8. 8. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 8encaixar de alguma forma. "A intensidade da reação do sujeito é dada na escala de resposta.Se o próprio item já vem apresentado de forma extremada, a resposta na escala de respostas jáestá viciada" (Pasquali, 1999, p. 50).Ex: É extremamente cruel aprovar a eutanásia. Ou, Jamais aceitarei a eutanásia Dizer, simplesmente, É cruel aprovar a eutanásia teria mais chances de produzirvariabilidade nas respostas em uma escala de 5 pontos, por exemplo. 4.8. Credibilidade (validade aparente): formular o item de tal maneira que não pareça"ridículo, despropositado ou infantil" (Pasquali, 1999, p.50), pois pode conduzir a atitudedesfavorável para com o questionário, afetando negativamente as respostas. Por exemplo, umparticipante idoso pode se sentir desprestigiado com formulações infantis.Ex: Coitadinho do paciente terminal, pode ter sua vida tirada antes da hora. 4.9. Garantir que o participante seja capaz de responder às questões formuladas:evite pedir informações que as pessoas não têm como lembrar ou como calcular de formaprecisa, pois pode obter respostas não confiáveis.Ex: Quantas horas por mês você costuma passar diante da TV? Seria melhor elaborar pergunta fechada, de uma forma que o participante tenha comoavaliar e com alternativas de respostas passíveis de aproximação com a verdade. Por exemplo: Quantas horas por dia você costuma passar diante da TV? ( ) 0 a 1 hora ( ) 1 a 2 horas ( ) 2 a 3 horas ( ) 3 a 4 horas ( ) mais de 4 horas.5. Organização do questionário 5.1. Ordenamento das questões: “a ordem na qual são feitas as perguntas pode afetar aresposta, bem como toda a coleta de dados. Por exemplo, a presença de uma pergunta podeafetar as respostas a perguntas subseqüentes” (Babbie, 1999, p.205). Ex. perigo da poluição/perigo para o país (poluição será mais citada); avaliação dareligiosidade no geral/perguntas sobre aspectos específicos da religiosidade (respostasbuscarão consistência com avaliação anterior).
  9. 9. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 9 Contudo, a aleatorização da ordem das perguntas não resolve este problema, aocontrário, pode criar dificuldades devido à mudança constante do foco de atenção. A soluçãoé o pré-teste (Babbie, 1999). - As perguntas iniciais não devem ser ameaçadoras, nem colocar o participante em situação difícil ou constrangedora (ex. comportamento sexual, uso de drogas). - Em questionários auto-administrados é melhor começar com as perguntas mais interessantes. Os “dados demográficos mais insípidos” (Babbie, 1999, p.206) tais como idade, sexo, etc devem vir no final do questionário, a fim de não passar a impressão de um formulário rotineiro e conduzir a desmotivação. - Em entrevistas, onde a comunicação entre entrevistador e entrevistado deve ser estabelecida rapidamente ao primeiro contato, é o contrário. Após uma breve introdução à pesquisa, deve-se pedir os dados demográficos, pois são questões fáceis de responder e, em geral, pouco ameaçadoras. Depois, então, perguntam-se sobre atitudes e assuntos mais sensíveis. 5.2. Grupos Lógicos: facilite as respostas do participante agrupando questões similaresou que tratam do mesmo assunto ou sub-tema. 5.3. Evitar confrontos com os participantes: há uma tendência geral para a emissão derespostas socialmente aceitáveis. Assim, elabore a questão de tal forma que o participanteperceba que pode expressar sua resposta de maneira conveniente.Ex: Você praticaria a eutanásia? Seria melhor fazer um preâmbulo como, por exemplo: São muitas as razões quepodem levar alguém a praticar a eutanásia, desde o alívio do sofrimento do doente até avenda de órgãos para transplante (ou desde as mais nobres às mais condenáveis). Vocêpraticaria a eutanásia? 5.4. Questões abertas no fim do questionário: especialmente se o questionário éextenso, pois questões abertas exigem mais tempo do participante para respondê-las, podendoconduzir ao desinteresse. 5.5. Planeje as opções de resposta: - Por exemplo, nas escalas tipo Likert, decidir se inclui o ponto de não comprometimento. Se, por um lado, esta opção pode facilitar a resposta de quem tem uma posição realmente neutra sobre o assunto em questão, por outro lado pode favorecer certa tendência das pessoas a não assumir opiniões.
  10. 10. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 10 - O mesmo é válido para alternativas de resposta do tipo não sei ou não tenho opinião, ou não se aplica ou em dúvida. 5.6. Formatação do questionário: - Distinguir questões de respostas, por exemplo, fazendo as perguntas em letras normais e as opções de resposta em caixa alta e/ou negrito. - Utilizar caixas de resposta, ao invés de espaços em branco. Por exemplo, quadrados, círculos, parêntesis curvos ou retos. - Se pedir que os participantes façam comentários, deixe espaço suficiente para que escrevam. - No caso de perguntas abertas, não coloque linhas para escrever, deixe o espaço em branco. Linhas podem limitar a dimensão da resposta. - Questões contingentes: algumas vezes é melhor fazer perguntas contingentes do que obrigar todos os participantes a ler uma questão irrelevante para muitos deles. Se você quer saber algo específico de quem se aposentou por invalidez, por exemplo, você pode perguntar qual a forma de aposentadoria do participante e depois direcionar uma pergunta apenas para aqueles que se aposentaram por invalidez. Esta segunda pergunta é denominada de contingente. “O uso apropriado de perguntas contingentes pode facilitar a tarefa de responder um questionário e também melhorar a qualidade dos dados produzidos” (Babbie, 1999, p.201). Há várias formas de se fazer perguntas contingentes, mas o melhor formato é aquele em que são “postas em caixas conectadas à pergunta base por setas a partir das respostas apropriadas” (Babbie, 1999, p.201). Ex. Qual a sua forma de aposentadoria? ( ) por tempo de serviço ( ) por idade Se por invalidez, o que motivou a aposentadoria? ( ) por invalidez. - Sempre agradeça a colaboração do entrevistado ao final e, se possível, peça-lhe parafazer um comentário geral sobre o questionário. - Torne seu questionário atrativo.
  11. 11. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 11 • Se for auto-administrado não deve conter mais de quatro páginas; se for via telefone, não ultrapassar dez minutos; se for entrevista, não exceder muito mais que uma hora. • Inclua bastante espaço em branco; cor (porém, não mais que duas); dois tipos de caracteres, no máximo.6. Confiabilidade e Validade 6.1. Confiabilidade: diz-se que um instrumento é confiável quando produz os mesmosresultados ao ser aplicado repetidamente ao mesmo objeto ou à mesma população (ex. balançax estimativa para calcular o peso). Mas, a confiabilidade não garante exatidão (a balança podeestar adulterada). “Há diversas técnicas para medir a confiabilidade de itens de questionários, mas osmétodos para maximizar a confiabilidade são bastante diretos. Faça apenas as perguntas cujasrespostas as pessoas provavelmente sabem, pergunte coisas relevantes para elas, e seja clarono que está perguntando. O perigo é que as pessoas darão respostas – confiáveis ou não”(Babbie, 1999, p.196). 6.2. Validade: grau com que uma medida empírica (instrumento) refleteadequadamente o significado real do conceito considerado, ou seja, grau em que oinstrumento mede aquilo que se propõe medir (validade aparente). Daí a importância de sedefinir operacionalmente os conceitos a serem medidos. A análise fatorial é uma técnica estatística que mostra o que o instrumento estámedindo, ela determina quantos fatores o instrumento está, de fato, medindo e que itenscompõem cada fator (Pasquali, 1999). - Validade de critério ou preditiva: baseia-se em critério externo, por exemplo, “a validade de um teste escrito para motoristas é evidenciada pela relação entre as notas que as pessoas obtêm no teste e sua competência para dirigir” (Babbie, 1999, p.197). Em geral o comportamento pode servir como padrão da validade de critério para muitas medidas de atitude em pesquisa social. - Validade de conteúdo: grau com que uma medição cobre a amplitude de significados incluídos no conceito (ex. do teste de capacidade matemática). - Validade de construção: modo como uma medida se relaciona a outras variáveis num sistema de relações teóricas (ex. medida de autonomia entre idosos, comparada com medida de independência). Referências
  12. 12. Instrumentos – Profa. Dra. Hilma Khoury - UFPA/IFCH/FAPSI Produzido em Novembro/ 2006. 3ª. Revisão em Maio/2012 12Babbie, E. (1999). Métodos de pesquisas de survey. Belo Horizonte: UFMG.Günther, H. (1999). Como elaborar um questionário. Em, L. Pasquali (Org.), Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração (pp.231-258). Brasília/DF: LabPAMMoore, D. S. (2000). The basic practice of statistics. New York: W. H. Freeman and Company.Pasquali, L. (1999). Testes referentes a construto: Teoria e modelo de construção. Em, L. Pasquali (Org.), Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração (pp.37-71). Brasília/DF: LabPAM. Bibliografia ConsultadaBabbie, E. (1999). Métodos de pesquisas de survey. Belo Horizonte: UFMG.Günther, H. (1999). Como elaborar um questionário. Em, L. Pasquali (Org.), Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração (pp.231-258). Brasília/DF: LabPAMLevin, J. (1978). Estatística aplicada a ciências humanas. São Paulo: Harper & Row do Brasil.Moore, D. S. (2000). The basic practice of statistics. New York: W. H. Freeman and Company.Pasquali, L. (1999). Testes referentes a construto: Teoria e modelo de construção. Em, L. Pasquali (Org.), Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração (pp.37-71). Brasília/DF: LabPAM.SPSS Survey Tips (sem data). [traduzido para o português a partir do original em inglês, por PSE – Produtos e Serviços de Estatística Ltda]. Lisboa/Portugal.

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