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Discurso cerimónia de abertura do ano académico

  1. 1. Os Magníficos Reitores, Exmos. Presidentes e Membros dos Conselhos Gerais das Universidades Exmos. Membros dos Senados Senhores Administradores das Universidades Senhores Administradores dos Serviços de Acção Social Ilustríssimos Convidados Caros colegas, Hoje, nesta sala, faz-se história. Lado a lado, nos últimos meses, caminharam duas Universidades centenárias,rumo a um sonho: a criação da maior e melhor Universidade de Portugal. Os obstáculos não se fizeram esperar: num país onde impera a perniciosidadedas quintinhas privadas, são muitos os incomodados. E porque a progressão, aevolução, retira sempre espaço aos medíocres, restam estes, solitários, nas bancadasdo descontentamento. Porque a mudança só agrada a quem é livre. E asUniversidades de que fazemos parte provaram, com este processo, que apesar dasgrilhetas económicas que nos acorrentam, ainda somos um país de homens livres. E assim se fez o sonho. Vergílio Ferreira escreveu: “Há o desejo, que não temlimite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir osdois.” Hoje, estou profundamente feliz por poder assistir, de tão perto, ao maiorprojecto educativo português das últimas décadas. Graças aos que sonharam epersistiram, seremos orgulhosos estudantes da maior Universidade do País, querepresentará o passado brilhante das instituições que lhe deram origem e empunharáo Conhecimento e a Ciência como os verdadeiros fachos de luz na escuridão dos dias.
  2. 2. Aos que dividem para reinar, deixam as Universidades uma mensagem clarade que o Ensino, como a Democracia, não se faz uns contra os outros, mas todosjuntos, no respeito pelas diferenças. Foi essa a filosofia que presidiu à Fusão e seráessa a filosofia a prevalecer nas relações entre estudantes, professores e funcionários. A responsabilidade dos estudantes é, aqui, tremenda. Seremos nós a decidir sequeremos ter uma Universidade ou se preferimos ter 18 Escolas, 18 fragmentos, 18quintais. Eu, que odeio muros com o mesmo fervor com que odeio quintais, não acreditoque nos perderemos a construí-los. As vozes estudantis mais fortes do país nunca sãovozes singulares. Há que dar a esta Universidade uma identidade, uma filosofia, umamarca e lutarei com todas as forças para que essas sejam de União entre estudantes. Nem outra coisa poderia deixar de ser. Que sentido faz, sucedendo-seimpreterivelmente as gerações de estudantes, semear a fragilidade dos isolamentos edepois sair, legando aos vindouros uma Universidade partida. Somos contemporâneos de uma revolução no Ensino Superior PúblicoPortuguês. Deixemos a nossa marca nessa revolução, unindo onde outrora estivemosseparados. Vamos legar à nova Universidade um espírito estudantil comum. Nocontexto actual, estarmos separados é sermos fracos; é estarmos permeáveis; édesistirmos. E enfrentamos hoje enormes desafios. A nossa geração encontra-se no limbo deuma era cujo fim anunciado se vê agora iminente. Discutem-se as Reformas doEstado. Põe-se em causa a Constituição. Estão à porta remodelações profundas do Portugal que conhecemos. Nestas alturas determinantes, os estudantes estiveram sempre na linha dafrente. Pela força do protesto, pela bondade dos motivos, os estudantes escreverampáginas na história deste país. Quem nos governa acredita que os últimos anos nos tiraram a arrogância, arebeldia, a firmeza, os ideais. Acham-nos preguiçosos, mal preparados. Brindam-noscom paternalismos eloquentes e fingem que nos ouvem.
  3. 3. Não acreditam que os estudantes sejam já capazes de se mobilizar por grandescausas. Deixam que o desemprego jovem chegue aos 40 % porque acreditam que nãonos revoltaremos. Incentivam-nos a ir para fora porque, dizem, estamos acomodados. Estamosletárgicos. Cortam nos apoios sociais porque nos acham conformistas. Acham que nosformataram. Que nos corromperam. Que nos quebraram. Vivemos no poema de Sophia, “Esta é a noite/Densa de chacais/Pesada deamargura/ Este é o tempo em que os homens renunciam. “ Mas nós continuamos aqui. Os estudantes, enquanto consciência viva, terãosempre as características que os fizeram fortes. Não renunciam face aos chacais nemrenunciarão face aos orçamentos. “Porque há sempre uma candeia / dentro da própria desgraça / há sempre alguém que semeia / canções no vento que passa. Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não.” Unidos, seremos nós.

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