Cidades imaginárias - hit da cidade por suas utopias

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As UTOPIAS URBANAS surgiram como fuga e crítica em épocas de crise, quando os indivíduos percebiam que suas queixas eram impotentes e inúteis. Numa apresentação iconográfica e contextualizada, essas peças-de-arte oníricas são sempre lógicas e alertam para a riqueza de um período onde conflitos afloram pelas ruas das cidades, que confinam e oprimem seus habitantes. Como espelhos, essas criações delatam problemas, mas também ampliam possibilidades, apontando para sonhos de novos convívios.

Estudar a História das Cidades demonstra nossas próprias dificuldades e privilégios momentâneos. Se viver de forma coletiva tem sido uma opção cada vez mais global, tais organismos sociais vêm se ampliando à tamanhos e formas desumanos. Paulatinamente vão ganhando ritmos e funções de ‘máquinas de circulação de mercadorias’ causando uma desestruturação sutil sobre o convívio humano. De opção, as Megalópoles tornam-se deglutidoras de sonhos, de talentos, de devaneios, formando produtores de produtos para o consumo.

Conhecendo o fluxo histórico das Cidades, descobrimos quanto alguns de nossos dramas são seculares e persistentes, outros foram surgindo por razões contemporâneas e conhecidas e outras, dialogam com antigas Cidades Utópicas, criadas corajosamente por indivíduos visionários e críticos que nos legaram seus projetos mais ousados.

Cidades Utópicas jamais deixaram de surgir pelas mãos delirantes de artistas plásticos, artistas de rua, urbanistas, arquitetos, filósofos, bêbados e outros sonhadores que apontam problemas e soluções amorosos e criativos a todos nós – assustados e confinados cidadãos contemporâneos.

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Cidades imaginárias - hit da cidade por suas utopias

  1. 1. Cidades Imaginárias Sonhos de uma realidade em crise
  2. 2. A IDEIA DO PROJETO ‘CIDADE’ Para Norberto Bobbio Ki-Gompa tibetana Micenas do séc. XV a.C. Origem da Pólis - em torno de 1.000 a.C, durante a época monárquica (tempos homéricos), mas também crê que possa ter se organizado ao final da criação da Democracia, em torno do século 500 a.C. (era platônica) As Cidades se formam ao redor de santuários célebres, mas crescem com o comércio marítimo que, enriquecendo uma classe urbana, formará a Oligarquia – só ricos com acesso ao poder. A palavra política deriva de politikós, do grego, e diz respeito àquilo que é da cidade, da pólis – sua organização, avanços e problemas.
  3. 3. ORIGEM DA CIDADE ANTIGA segundo FUSTEL de COULANGE Varanasi no Ganges Persépolis – Cidade templo Macho Picchu crematório Persia (Irã) Peru
  4. 4. ATENAS – A CIDADE PADRÃO Acrópole religiosa Ágora das reuniões
  5. 5. CALÍPOLIS - a cidade ideal de PLATÃO • CALÍPOLIS (Cidade Bela) é uma organização que se apoia na ideia de JUSTIÇA. • A FELICIDADE é um bem COLETIVO construída pela RAZÃO, o domínio das PAIXÕES, a elevação do espírito pela EDUCAÇÃO e a MÚSICA, e um sentido de serenidade onde todos funcionam para o todo. • Um COLETIVO não aceita grandes diferenças de riqueza ou de privilégios, e para tanto, a EDUCAÇÃO começa cedo – nos primeiros 10 anos. Depois disso o contato com o mundo irá definir aptidões e CLASSES SOCIAIS: Agricultores e Artesãos na base, Guerreiros na defesa externa e interna, e os Filósofos como dirigentes (depois dos 50 anos). • AGATHON – é o espírito do Coletivo acima do individual, que determinará tanto a reprodução sexual quanto a produção pelo trabalho de sua classe. • Toda essa construção é garantida pela FILOSOFIA, que lembrará os cidadãos o bem maior como valor, e o risco da ilusão, pela ALEGORIA DA CAVERNA.
  6. 6. No Século V a.C., o declínio da cultura grega e a crítica de PLATÃO e o MITO da CAVERNA
  7. 7. Jerusalém: cidade idealizada pelos Hebreus Criada no Céu Tomada por Hebreus No século I dC Ocupação dos Cruzados
  8. 8. CIDADES MEDIEVAIS ataques, impostos, abandono, fome e peste
  9. 9. DELÍRIOS UTÓPICOS País da Cocanha Milenarismo: retomada de Jerusalem Mundo da abundância e da preguiça Crença na palavra sagrada
  10. 10. RENASCIMENTO sonhos racionais para cidades justas A Cidade do Sol Civitas Veri Cristianópolis (Tommaso Campanella) (Bartolomeo del Bene) (Valentinus Andrae)
  11. 11. CIDADES IMAGINÁRIAS no RENASCIMENTO • CIDADE DO SOL: Apoiada sobre três qualidades fundamentais: Potência-Sabedoria e Amor. Deveria ser conduzida por uma Príncipe- Sacerdote chamado SOL, auxiliado por 3 ajudantes: Pon (Potência: guerreiros); Sin (Sapiência: artes liberais, políticos e cientistas); e Mor (Amor: educação, alimentação, moradia, vestuário, reprodução). Cidade protegida com 7 muralhas como os planetas (da época); propõe avanços tecnológicos modernos como o uso de carros movidos a velas. • CIVITAS VERI :Cidade da Verdade (1609) – Com cinco portais, um para cada sentido: ver, sentir, cheirar, escutar, paladar – que conduzem aos Templos da Inteligência e da Sabedoria, no Centro. Inspirado na Ética a Nicômaco de Aristóteles, descreve a Sabedoria sendo provocada por Cupido, Baco, Gula e luxúria (influência dos pecados cristãos). •Christianópolis (1619) – Baseado em teorias da Rosacruz, Alquimia, Kabala e do Cristianismo exotérico. De cunho socialista, propõe a difusão da Educação com ênfase nas Ciências e nas Artes. Seus habitantes tinham de abandonar a inveja, a cobiça e a luxúria.
  12. 12. Cidades Modernas com o fim dos Feudos: Formação do Estado e Mercado único
  13. 13. IDADE MODERNA O Racionalismo e o Renascimento Ideias utópicas ganham contornos das ciências Ilha de Utopia de Morus Afresco em Urbino
  14. 14. IDADE MODERNA e a Rev. Francesa Teorias Políticas e o Socialismo Utópico Cooperativismo, disciplina solidária, sem pecado, todas as formas de realização pessoal, inclusive sexual. Charles Fourier Robert Owen Falanstérios Comunidades
  15. 15. UTOPIAS MODERNISTAS BRASILEIRAS MATRIARCADO DE PINDORAMA - Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago - Visão de uma Idade de ouro onde a posse coletiva dos Homens das Florestas substituiriam a usura, a centralização de poder e a negação do ócio (o neg-ócio), pelo ócio em comunhão com a natureza. Lançado em 1928, sob influência de PAGU, ataca estruturas religiosas e políticas, conclamando a Revolução Caraíba! DEMOCRACIA RACIAL - de Gilberto Freyre no estudo Casa Grande e Senzala de 1933, revoluciona os estudos da Formação da Sociedade Brasileira, combatendo a visão aristocrática, alegando que a grandeza da CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA estava, justamente, no fato de ser miscigenada e não mantida europeia ou ‘pura’. • Essa ideia convenceu e ganhou os textos oficiais do MEC desde a Era Getúlio Vargas, mas o convívio com maduro e sereno com a velha herança escravagista, é uma bela utopia que é ensinada, mas é negada pela discriminação existente até hoje.
  16. 16. RACISMO e Campanhas oficiais
  17. 17. GRANDES GUERRAS DO SÉCULO XX O PROJETO IGUALITÁRIO PARAMILITAR: Nazista, Comunista e Fascista Stazi Nazista Sede de KGB Praça Vermelha Palácio do Catete no RJ
  18. 18. O PROJETO SOCIALISTA IGUALDADE, FLUXO E TRABALHO BARCELONA VILLE-RADIEUSE PEDREGULHO RJ Projeto urbanístico Le Corbusier Le Corbusier Affonso Eduardo Reidy
  19. 19. A MONOTONIA DO PROJETO MODERNISTA Ordem - impessoalidade -hierarquia espacial – eficiência RECIFE LISBOA SÃO PAULO
  20. 20. DETERIORAÇÃO DA IDEIA DE CIDADE O COLETIVO SE DIVORCIA MOBILIDADE BARULHO AGRUPAMENTOS VIOLÊNCIA
  21. 21. CIDADES UTÓPICAS DO FUTURO Entre os Delírios e ideias Ecológicas

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