Atividade de Reposição: os elementos da morte

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Atividade de Reposição: os elementos da morte

  1. 1. OS ELEMENTOSDA MORTEOs venenos não são exclusividade das cobrasnem dos homicidas. Eles estão em todo canto:se ocultam nos brinquedos, nos objetos dacasa e nos remédiosProf Glaucia PerezTexto extraído da Revista Superinteressante Online. Marcos Nogueira. Outubro 2005
  2. 2. Diz o provérbio que os piores venenos, assimcomo os melhores perfumes, vêm nos menoresfrascos. Isso nem sempre é verdadeiro: algunsdos venenos mais mortais podem vir em umapilha, em um termômetro ou num brinquedoqualquer.
  3. 3. Substâncias potencialmente letais fazem partedo nosso cotidiano desde que a humanidadeaprendeu a usar e transformar os materiais queo ambiente lhe oferece – isso porque, além deserem tóxicos, tais produtos têm utilidadesprosaicas como armazenar água ou colorir asparedes da casa.
  4. 4. O uso (em geral imprudente) dos venenos pelohomem é o tema que o químico inglês JohnEmsley escolheu para escrever o livro TheElements of Murder – A History of Poison (“OsElementos do Assassinato – Uma História doVeneno”, inédito no Brasil).Nele, o cientista explora, segundo suaspróprias palavras, “um lado mais negro databela periódica” e elege os 5 elementosquímicos mais perversos: mercúrio, arsênio,chumbo, antimônio e tálio.
  5. 5. Por que esses 5? Porque, além de seremmortais, não fazem parte da seleta lista de 25elementos essenciais à manutenção da vida. Aúnica possível exceção é o arsênio: “o júriainda está indeciso quanto a ele”, escreveEmsley). “Também há elementos que sãotanto essenciais quanto altamentetóxicos, como o flúor, o selênio e o cromo.”
  6. 6. Embora as propriedades maléficas de algumassubstâncias sejam conhecidas há milênios, foisomente com o avanço da química que seestabeleceu uma distância segura de determinadosvenenos. Em alguns casos, isso só aconteceu nofinal do século 20.Até lá, todo mundo passava soluções de mercúrioem feridas abertas na pele. Um pouco antes, latasde alimentos em conserva eram soldadas comchumbo. E médicos receitavam loções de arsêniopara tratar dores lombares.
  7. 7. ELEMENTO n 1 - O antimônioO que é: O antimônio (Sb) pertence a umacategoria de elementos chamada metalóides ousemimetais. Ou seja: ele existe tanto na formade metal quanto na de não-metal.Apresentação: O composto de antimônio maisusado em envenenamentos é o tártaro emético– ou tartarato duplo de antimônio e potássio –que vem em forma de cristais hidrossolúveis.
  8. 8. Como mata: Dificilmente alguém morre portomar uma grande dose única de antimônio – oorganismo a expele antes de o efeito ser fatal.São mais comuns as mortes por muitas dosespequenas.Para que serve: O antimônio é usado emeletrodos de baterias de automóveis, compõeligas metálicas e ainda pode servir comomatéria-prima de determinados tipos de vidro.
  9. 9. Na medicina: Compostos de antimônio sempre foramusados na indústria farmacêutica. E ainda são: otratamento da leishmaniose (doença parasitária quecausa úlceras na pele) depende de remédiosantimoniais. Na Idade Média, era muito popular o usode uma certa “pílula eterna” de antimônio metálico paracombater a prisão de ventre. Uma bola de antimônioera engolida e irritava as paredes intestinais dapessoa, acabando com qualquer constipação. Emseguida era recolhida, lavada e guardada paraproblemas futuros – e passada para as geraçõesseguintes.
  10. 10. Dose letal: Uma pessoa pode morrer com 120mg, desde que tudo isso seja absorvido pelo corpo– algo muito improvável.Réquiem para Mozart: A morte do compositorWolfgang Amadeus Mozart, ocorrida em1791, nunca foi plenamente esclarecida. Há teoriasconspiratórias sobre um suposto envenenamentocriminoso – o também músico Antonio Salieri, seurival na corte de Viena, chegou a confessar oassassinato, mas sofria de demência senil epoucos acreditam nessa hipótese hoje.Réquiem:ofício que sefaz para osmortos
  11. 11. Segundo o farmacêutico Ian James, do hospitalRoyal Free de Londres, Mozart morreu porenvenenamento acidental. Culpa do pó deantimônio que lhe receitaram para tratar o que foradiagnosticado como “melancolia”. Ian diz quetodos os sintomas dos últimos dias de Mozartcondizem com essa teoria: febre alta, vômitosviolentos, inchaço dos membros, hálito pestilento eerupções cutâneas. Ironicamente, um quadrocomo esse era tratado na época com remédios àbase de antimônio.
  12. 12. ELEMENTO n 2 - O chumboO que é: O chumbo (Pb) é um dos metais maisúteis para a humanidade – émaleável, abundante, resistente à corrosão. Étambém um veneno poderoso.Apresentação: O envenenamento ocorre pelaágua transportada em canos de chumbo, portintas à base desse metal e outros compostosplúmbeos.
  13. 13. Como mata: O chumbo é um veneno que seacumula no organismo humano –especialmente nos ossos. Ele interfere naprodução de sangue, no sistema nervoso e nofuncionamento dos rins. Os sintomas daintoxicação inclueminsônia, alucinações, cegueira, obstruçãointestinal e coma.
  14. 14. Para que serve: Para uma infinidade de coisas: daprodução de baterias a soldas, de munição a pesospara pescaria.Na medicina: Loções contendo chumbo eramtratamento para males comotuberculose, sangramentos genitais e lesões na pele.Por serem de uso externo, não ofereciam grande risco.Até hoje, algumas tinturas capilares contêm chumbo –nada funciona tão bem contra cabelos grisalhos.
  15. 15. Dose letal: A tolerância ao chumbo varia de acordo com oindivíduo – e são raros os casos de morte por dose única.É consenso que uma pessoa com mais de 80 mg do metalpor 100 ml de sangue está gravemente envenenada.Embriaguez venenosa: O chumbo tem envenenado ahumanidade desde a invenção de duas coisascomplementares: a cerâmica e o vinho. Potes de cerâmicacostumavam ser envernizados com produtos à base dechumbo. Esse verniz reage com o vinho, resultando numasubstância chamada acetato de chumbo. Tambémchamado de “açúcar de chumbo”, esse produto é – comoseria de se esperar – doce.
  16. 16. Por isso e porque ajuda a conservar o vinho, oacetato de chumbo era adicionado de propósito àbebida no Império Romano. E a elite de Romatomava vinho como se fosse água. Isso, segundoJohn Emsley, provavelmente era a causa docomportamento alucinado de imperadores comoCalígula e Nero. Nos séculos posteriores, esse tipode envenenamento continuou a atacar osbebedores de vinho – porém de forma acidental.Ou pela má-fé de gente que usava o produto paradisfarçar vinho ruim.
  17. 17. ELEMENTO no 3 - O arsênioO que é: O arsênio (As) é um elemento químico dafamília do nitrogênio encontrado em minérios de cobree de chumbo. Apesar de ser obtido exclusivamentecomo subproduto na extração de outrassubstâncias, existe uma superprodução global dearsênio.Apresentação: Não confunda: o elemento químico sechama arsênio. Arsênico, talvez o mais famoso dosvenenos, é o nome popular de um de seuscompostos, o trióxido de arsênio – também conhecido
  18. 18. Como mata: A primeira reação do corpo à intoxicaçãopor arsênio é vomitar – mas geralmente a expulsão doveneno ocorre tarde demais para impedir o estrago.Tanto os vômitos quanto a diarreia são violentíssimose, ao fim de um ou dois dias, a vítima pode morrer defalência cardíaca.Para que serve: Os antigos chineses e indianos jáusavam arsênico como pesticida. Compostos dearsênio são ou já foram usados emarmamentos, tratamento de madeira, em componenteseletrônicos e na fabricação de tintas.
  19. 19. Dose letal: Varia muito de acordo com oindivíduo, já que o corpo pode desenvolvertolerância ao veneno.Na medicina: Em doses pequenas, oscompostos de arsênio não são fatais – e foramusados na preparação de medicamentos até oséculo passado (a medicina chinesa ainda osutiliza).
  20. 20. No século 19, causou sensação a descobertade uma aldeia de camponeses nos AlpesEstírios, entre a Áustria e a Hungria, em quea população tomava arsênico como se fossetônico. As doses ingeridas chegavam a quase1 grama – o suficiente para matar 4 pessoasou mais – e ainda assim não causavamnenhum efeito nocivo a quem as tomava.
  21. 21. A morte nas paredes: No século 19, a Inglaterradesenvolveu uma compulsão por decorar suas casas compapéis de parede. Esses papéis eram coloridos comarsênio – em especial os padrões florais, em que umpigmento chamado verde-de-scheele reinava onde querque se desenhassem folhas. Quando expostos àumidade, esses papéis de parede viravam culturas de umbolor que exalava trimetilarsina – um gás fatal. Emboranão haja números exatos sobre mortes e doenças, umanação inteira foi envenenada: estima-se que, por volta de1860, os lares britânicos somavam 250 km2 de papéis deparede com arsênio.
  22. 22. ELEMENTO no 4 - O tálioO que é: A descoberta do tálio (Tl) é relativamente recente: oquímico inglês William Crookes o batizou assim em 1861porque, ao ser queimado na chama do bico de Bunsen, oelemento produz uma chama de verde vivo como o de um brotoverde. Thallos em grego ou, em português vulgar, talo.Apresentação: O tálio geralmente é encontrado na forma desais. Os mais comuns são o sulfato de tálio – pesticida muitousado em outras épocas contra ratos e baratas – e o acetato detálio, que compunha alguns cremes e loções pra eliminar peloscorporais indesejados. Esse efeito colateral é um grandeproblema para os envenenadores que recorrem ao tálio: se avítima sobrevive, caem seus cabelos e a máscara do criminoso.
  23. 23. Como mata: Dentro do nosso corpo, os íons de tálio“se fazem passar” por potássio – elementoessencial para o organismo. Eles se instalam nascélulas, cujo funcionamento é prejudicado. Issoocorre principalmente no sistema nervoso: oresultado é insônia, depressão profunda e desejode morrer. O tálio também ataca os testículos e ocoração, e causa paralisia muscular.Para que serve: O uso dos compostos de tálio érestrito à produção de objetos muitoespecíficos, como lentes especiais e células
  24. 24. Na medicina: Como agente "descabelante", otálio fez muito sucesso no século 19 notratamento da tinea, um tipo de micose cutânea.Ainda hoje, isótopos radioativos de tálio sãoempregados no diagnóstico de doençascardíacas.Dose letal: 800 mg.
  25. 25. O livro da salvação: Como o envenenamento por tálio émuito raro e seus sintomas se confundem com os de outrasdoenças, é comum que os médicos façam "n" exames e nãoconsigam identificá-lo. Foi isso o que ocorreu com umamenina de 19 meses atendida, em 1977, no hospitalHammersmith de Londres. Por sorte, havia na equipe umaenfermeira que lera o romance O Cavalo Amarelo, de AgathaChristie. O livro menciona que o tálio causa queda decabelos e a enfermeira, ao notar esse sintoma na criança –que já havia tentado todos os recursos médicos disponíveisno seu Catar natal – chamou a atenção dos médicos. Nãodeu outra: a menina vinha atacando a ração de tálio que afamília usava para acabar com ratos e baratas da casa.
  26. 26. ELEMENTO no 5 - O mercúrioO que é: O mercúrio (Hg) é o único metal que é semprelíquido em temperatura ambiente – congela a 39 grausnegativos. A principal fonte da substância é um minériochamado cinabre.Apresentação: Mercúrio líquido, como o encontrado emtermômetros, é relativamente inofensivo, pois o sistemadigestivo não o absorve. O problema é que ele é um líquidovolátil e o seu vapor é altamente tóxico. Sais de mercúriooferecem ainda mais perigo, pois se dissolvem em água epodem ser misturados a alimentos e bebidas – o maisvenenoso de todos é o corrosivo sublimado (bicloreto demercúrio).
  27. 27. Como mata: Minutos depois da ingestão de umagrande dose, começam os vômitos e a diarreia. Emcasos de intoxicação aguda, surgem lesões nosintestinos, fígado e boca. O envenenamento podelevar à falência renal e tem efeitos perversos nosistema nervoso: a pessoa se tornairritada, paranoica, sofre de tremores e fala e agecomo louca. A imagem folclórica do “cientistalouco”, segundo John Emsley, teve origem emcasos reais de intoxicação por mercúrio:vazamentos do metal em laboratórios eram coisa
  28. 28. Na medicina: A partir do século 16, remédios àbase de mercúrio eram usados contra a sífilis –como o metal se acumula no cabelo dopaciente, até hoje é possível examinar os fios eespecular se o seu dono era ou não sifilítico (entreos suspeitos, estão Napoleão e o rei Henrique 8ºda Inglaterra). No Brasil, antissépticos commercúrio na fórmula só foram proibidos na décadade 1990.Dose letal: Em geral, 200 mg são suficientes para
  29. 29. Sashimi do mal: O caso mais famoso – e trágico – deenvenenamento em massa por mercúrio aconteceu noJapão nas décadas de 1950 e 1960. Uma indústriadespejou dezenas de toneladas de mercúrio na baíade Minamata. Ele foi incorporado à cadeia alimentaraté chegar aos peixes. Em 1952, o desastre semanifestou com uma quantidade anormal de peixesmortos boiando no mar. Gaivotas e gatos quecomeram esses peixes passaram a se comportar comoloucos. O mesmo efeito se deu nos humanos: estima-se que a chamada doença de Minamata tenha afetadocerca de 3 mil pessoas e matado mais de 900 delas.
  30. 30. EXERCÍCIOS(RESPONDA NOCADERNO)
  31. 31. 1. Para os elementos no citados no texto identifique operíodo e o grupo a que pertencem, em elementosrepresentativos ou de transição, o número atômicoe o estado de físico da substância simples emtemperatura ambiente.2. Qual a forma mais tóxica de intoxicação pormercúrio?3. Quais as principais utilizações do Antimônio naatualidade.4. Qual a maneira utilizada para matar com chumbo?5. Qual a diferença entre Arsênio e Arsênico?6. Quais os sais de tálio mas comumente encontrados.7. Pesquise qual a função no organismo dos elementosflúor, selênio e o cromo.
  32. 32. Para saber maisThe Elements of Murder - A History of Poison, John Emsley, OxfordUniversity Press, Inglaterra, 2005Bibliografiahttp://super.abril.com.br/ciencia/elementos-morte-446035.shtmle-farsas.combpxdesign.blogspot.comclubemontanhismodebraga.blogspot.com

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