Modos de lembrar e esquecer 2

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Modos de lembrar e esquecer 2

  1. 1. Modos de lembrar, esquecer e viver: oficina de memória e diversidade cultural <br />Observação e registro<br />Ouro Preto – Julho, 2011<br />
  2. 2. Equipe:<br />TatianePaludetti – Descalvado (SP)<br />Raimunda Evangelista – OuroPreto (MG)<br />Giselle Lucena – Rio Branco (AC)<br />Onde:<br />Barra – OuroPreto (MG)<br />
  3. 3. Maria Aparecida, Cida – 51 anos. Desenvolve trabalhos na área de Educação em Museus.<br />Cida não tem problemas com memória. Sua estratégia para não esquecer é manter suas atividades organizadas em seqüência, para garantir a memorização. <br />Flores e jardins lembram a sua infância. Naquela época, sua casa tinha um quintal com muitas plantas, onde, enquanto sua mãe estendia a roupa no varal, ela brincava e fazia as tarefas da escola. <br />
  4. 4. Sua tática para esquecer é ocupar o seu tempo e sua mente com atividades divertidas, como assistir a filmes (preferencialmente os “água-com-açucar”), conversar com amigos (normalmente pessoas mais velhas, com mais experiência e histórias para contar), fazer crochê... <br />
  5. 5. Glácio Roberto, 51 anos, é proprietário do “Bar do Glácio”, inaugurado em 1964. <br />Comerciante há muito tempo, Glácio já teve alguns prejuízos por não anotar as vendas e esquecer os pagamentos mensais. Por isso, ele utiliza dois “borradores” para registrar o que não pode esquecer: em um, ele anota as contas diárias; noutro, as contas dos fregueses que pagam mensalmente. Além dele, outros funcionários também utilizam o borrador. Por isso, Glácio confere as anotações com freqüência. <br />
  6. 6. De manhã, cedinho, quando o canário canta, Glácio lembra que é hora de acordar. <br />Para esquecer, o comerciante diz que a estratégia é fugir da rotina do dia-a-dia e fazer atividades como ir ao cinema. Se o filho quiser se esquecer de uma ex-namorada, ele diz: “arruma outra”! <br />Glácio tem dois filhos fãs de futebol. É o esporte que o faz lembrar de suas crianças. Ele também guarda uma lembrança gastronômica: quando faz frio, ele lembra que é dia de comer bambá de couve que o faz lembrar, inclusive, de sua mãe. <br />
  7. 7. Memória coletiva: um mural no “Bar do Glácio” presta serviço com lembretes diversos; uma decoração com “cinzeiros pendurados” serve para lembrar os clientes da lei anti-fumo. <br />
  8. 8. Diogo Alberto, 19 anos, estudante de Farmácia, morador da república “Cruz Vermelha”. <br /> Para não esquecer, Diogo utiliza blocos de anotações, quadro de tarefas, celular e, sem dúvida, os sites das redes sociais que não o lembra de tudo: datas de festas, aniversários, e os amigos (por meio dos álbuns eletrônicos de fotografia). <br />
  9. 9. Quando o almoço na república é strognoff, Diogo lembra de sua mãe, que fazia um strogonoff delicioso. A mochila que carrega o faz lembrar o irmão, o verdadeiro proprietário da bolsa. <br />É o pagode, em especial o grupo Exaltasamba, que o faz lembrar os seus amigos, que ficaram na cidade Silverânea, sudeste de MG. Passeando na rua, aqui-acolá, acontece de um rosto qualquer o fazer lembrar de algum conhecido da cidade natal. <br />Ouvir música, concentrar-se nos estudos, jogar bola e encontrar os amigos são as táticas que o estudante tem para esquecer. <br />
  10. 10. Memória coletiva: no canto da sala, um troféu e uma medalha lembram a vitória do time da república num torneio de futsal da cidade; um mural ao lado do telefone serve para lembretes e recados diversos. <br />
  11. 11. Maria da Conceição, 65 anos; Rogéria, 30 anos; ambas donas de casa.<br />O que Maria não quer esquecer, ela anota na agenda. No entanto, nem sempre sabe onde a agenda está. Rogéria não é muito diferente: toma notas de suas atividades, mas costuma perder as anotações. Na verdade, a estratégia principal das duas é mandar os filhos e esposo as lembrarem de suas tarefas. Sem muitos rituais, o que as ajuda mesmo, é a intuição: “nunca anotei receita nenhuma, aprendi e nunca mais esqueci”, conta Maria. <br />
  12. 12. Uma boa polenta faz Maria se lembrar de sua mãe; músicas do Roberto Carlos a fazem lembrar as coisas mais bonitas que viveu. A casa da avó de Rogéria, a faz lembrar as travessuras de infância. <br />Esquecer para Maria não é uma coisa difícil: passear e se divertir é uma boa saída. Já para Rogéria, esquecer é quase impossível, por isso, já fez inclusive tratamento médico. “Os filhos ajudam a pensar em outras coisas e a criar outras memórias”, diz. <br />
  13. 13. Rômulo Zadra, 21 anos, músico e estagiário do Trem da Vale. <br />Para lembrar, Rômulo utiliza uma agenda e as ferramentas disponíveis no seu notebook: calendário, post-it eletrônico, etc. No entanto, mesmo anotando tudo, sempre alguma coisa é esquecida. <br />Toda e qualquer música faz Rômulo lembrar algo ou alguém. As canções da dupla Chitãozinho e Xororó, por exemplo, por mais que ele não goste muito do estilo, o faz lembrar o pai; já a mãe é lembrada pela obra de título “Mãe”, de Agnaldo Timóteo; “Emoções” de Roberto Carlos, lembra toda família de modo geral. <br />
  14. 14. Segundo ele, se tivesse uma música para cada atividade, nunca esqueceria nada. E, se a música é seu principal dispositivo para lembrança, é o silêncio que o faz esquecer. <br />
  15. 15. Memória coletiva: na parede do Vagão Sonoro-Ambiental, do Trem da Vale, uma tabela lembra a escala dos funcionários. <br />
  16. 16. Paulo Henrique, 11 anos, estudante. <br /> O que Paulo não pode esquecer, ele anota em um caderno ou em sua mão. Quando caminha pela rua e vê alguém bem-vestido, Paulo se lembra de festas. Para esquecer algo, é simples: arrumar diversão – sair com amigos e jogar bola. <br />
  17. 17. FIM<br />www.observatoriodadiversidade.org.br/oficinadememoria<br />

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