SEQUÊNCIA DIDÁTICA Professora: Jane Aparecida Santos da Silva Texto: Pausa Autor: Moacyr Scliar Gênero: Conto Público...
 Objetivos: Propiciar ao educando atividadesque desenvolva as habilidades de leitura eescrita. Cabe ressaltar a relevânci...
PAUSA Às sete horas o despertador tocou. Samuelsaltou da cama, correu para o banheiro. Fez abarba e lavou-se. Vestiu-se r...
 Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e ossapatos, afrouxou a gravat...
 Samuel saiu. Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando osguindastes recortados contra o cé...
ATIVIDADES Levantamento de hipóteses ouativação de conhecimentosprévios; O que o título sugere? Queassunto será abordado...
―_ Já te disse: muito trabalho. Não hátempo. Levo um lanche.‖
 b) A fala de Samuel retrata uma situação comum aos homens denegócios. Como você compreende esse trecho do texto comente...
LEIA A LETRA DA MÚSICA “COTIDIANO” DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA E ESTABELEÇARELAÇÃO COM A TEXTO “PAUSA Cotidiano Chico Bu...
 Seis da tarde, como era de se esperar,Ela pega e me espera no portãoDiz que está muito louca pra beijarE me beija com a ...
REDIJA UM ARTIGO DE OPINIÃO. DEIXE CLARO SEU POSICIONAMENTO, VOCÊACREDITA QUE HÁ MOMENTOS EM QUE É NECESSÁRIO UMA PAUSA?Pe...
CONHECENDO O AUTORMOACYR SCLIARAUTOR Nasceu em Porto Alegre em1937. Autor de mais de setentalivros em váriosgêneros, roma...
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Situação de aprendizagem feita e analisada pela Profª Jane Aparecida Santos da Silva

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Situação de aprendizagem feita e analisada pela Profª Jane Aparecida Santos da Silva

  1. 1. SEQUÊNCIA DIDÁTICA Professora: Jane Aparecida Santos da Silva Texto: Pausa Autor: Moacyr Scliar Gênero: Conto Público-alvo: 9°ano
  2. 2.  Objetivos: Propiciar ao educando atividadesque desenvolva as habilidades de leitura eescrita. Cabe ressaltar a relevância de setrabalhar as estratégias de leitura, pois asmesmas possibilitam ao indivíduo tornar-seum leitor proficiente.
  3. 3. PAUSA Às sete horas o despertador tocou. Samuelsaltou da cama, correu para o banheiro. Fez abarba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e semruído. Estava na cozinha, preparandosanduíches, quando a mulherapareceu, bocejando: —Vais sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinhaa fronte calva; mas as sobrancelhas eramespessas, a barba, embora recém-feita, deixavaainda no rosto uma sombra azulada. O conjuntoera uma máscara escura. —Todos os domingos tu sais cedo –observou a mulher com azedume na voz. —Temos muito trabalho no escritório –disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: —Por que não vens almoçar? —Já te disse: muito trabalho. Não hátempo. Levo um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes quevoltasse a carga, Samuel pegou o chapéu: —Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração.Samuel tirou o carro da garagem. Guiavavagarosamente, ao longo do cais, olhando osguindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Com opacote de sanduíches debaixo do braço, caminhouapressadamente duas quadras. Deteve-se aochegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para oslados e entrou furtivamente. Bateu com as chavesdo carro no balcão, acordando um homenzinho quedormia sentado numa poltrona rasgada. Era ogerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé: —Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje.Friozinho bom este, não é? A gente... —Estou com pressa, seu Raul – atalhouSamuel. — Está bem, não vou atrapalhar. O desempre - Estendeu a chave. Samuel subiu quatro lanços de uma escadavacilante. Ao chegar ao último andar, duasmulheres gordas, de chambre floreado, olharam-nocom curiosidade: —Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: umcacarejo curto. Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou aporta à chave. Era um aposento pequeno: umacama de casal, um guarda-roupa de pinho: a umcanto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé.Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou dobolso um despertador de viagem, deu corda ecolocou-o na mesinha de cabeceira.
  4. 4.  Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e ossapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos nopapel de embrulho, deitou-se fechou os olhos. Dormir. Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleirosgritando, os sons longínquos. Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. Noquarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre aspernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nascostas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor.Depois, silêncio. Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-serapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista. — Já vai, seu Isidoro? —Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio. —Até domingo que vem seu Isidoro – disse o gerente. —Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia. —O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo
  5. 5.  Samuel saiu. Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando osguindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Paracasa. (in: Alfredo Bosi, org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo:Cultrix, 1977. p. 275)
  6. 6. ATIVIDADES Levantamento de hipóteses ouativação de conhecimentosprévios; O que o título sugere? Queassunto será abordado notexto? Que tipo de texto é esse queiremos ler?Poema, conto, crônica?Justifique Como você imagina que serãoas personagens? Onde acontecerão os fatosnarrado? Relate a história imaginada porvocê. Localização de informações;comparação deinformações, generalizações. No início do texto, o narradorinforma características daspersonagens. Analisando ostrechos que se referem àpersonagem feminina ――...azedume na voz‖...‖, ― coçando aaxila esquerda...‖ Caracterize –aa partir das informaçõespresentes. A questão do tempo é bastantepontuada no conto; a) Observe a imagem surrealistade Salvador Dali e compare como trecho a seguir
  7. 7. ―_ Já te disse: muito trabalho. Não hátempo. Levo um lanche.‖
  8. 8.  b) A fala de Samuel retrata uma situação comum aos homens denegócios. Como você compreende esse trecho do texto comente. (Produção de inferências locais e globais) Recuperação do contexto de produção; definição de finalidades e metasda atividade da leitura. Ao longo da narrativa vamos construindo conceitos, observando pistas,comparando situações e percebemos que nada é por acaso. Nessesentido, comente qual é a relação do título com o texto. Percepção das relações de intertextualidade; percepção das relaçõesde interdiscursividade. Na era moderna o homem se vê envolvido em competições e buscasincansáveis por bens materiais. O ter sobrepõe o ser. Há umainsatisfação que gera uma fuga. Relacione o texto com os males quecercam a sociedade atual.
  9. 9. LEIA A LETRA DA MÚSICA “COTIDIANO” DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA E ESTABELEÇARELAÇÃO COM A TEXTO “PAUSA Cotidiano Chico Buarque Todo dia ela faz tudo sempre igual:Me sacode às seis horas da manhã,Me sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã. Todo dia ela diz que é preu me cuidarE essas coisas que diz toda mulher.Diz que está me esperando pro jantarE me beija com a boca de café. Todo dia eu só penso em poder parar;Meio-dia eu só penso em dizer não,Depois penso na vida pra levarE me calo com a boca de feijão. Seis da tarde, como era de se esperar,Ela pega e me espera no portãoDiz que está muito louca pra beijarE me beija com a boca de paixão. Toda noite ela diz preu não meafastar;Meia-noite ela jura eterno amorE me aperta preu quase sufocarE me morde com a boca de pavor. Todo dia ela faz tudo sempre igual:Me sacode às seis horas da manhã,Me sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã. Todo dia ela diz que é preu mecuidarE essas coisas que diz toda mulher.Diz que está me esperando projantarE me beija com a boca de café. Todo dia eu só penso em poderparar;Meio-dia eu só penso em dizer não,
  10. 10.  Seis da tarde, como era de se esperar,Ela pega e me espera no portãoDiz que está muito louca pra beijarE me beija com a boca de paixão. Toda noite ela diz preu não me afastar;Meia-noite ela jura eterno amorE me aperta preu quase sufocarE me morde com a boca de pavor. Todo dia ela faz tudo sempre igual:Me sacode às seis horas da manhã,Me sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã.
  11. 11. REDIJA UM ARTIGO DE OPINIÃO. DEIXE CLARO SEU POSICIONAMENTO, VOCÊACREDITA QUE HÁ MOMENTOS EM QUE É NECESSÁRIO UMA PAUSA?Percepção de outras linguagens; elaboração de apreciaçõesestéticas e/ ou afetivas; elaboração de apreciações relativas avalores éticos e/ou polítIcos
  12. 12. CONHECENDO O AUTORMOACYR SCLIARAUTOR Nasceu em Porto Alegre em1937. Autor de mais de setentalivros em váriosgêneros, romance, conto, ensaio,crônica, ficção infanto-juvenil, suas obras forampublicadas em mais de vintepaíses, com grande repercussãocrítica. Recebeu numerososprêmios, como o Jabuti(1988, 1993 e 2000), o APCA(1989) e o Casa de las Américas(1989). Foi colaborador em váriosórgãos da imprensa no país e noexterior. Teve seus textosadaptados paracinema, teatro, televisão erádio, inclusive no exterior. Foimédico e membro da AcademiaBrasileira de Letras. Morreu emmarço de 2011.

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