O uso de anticoncepcionais revisão bibliográfica

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O uso de anticoncepcionais revisão bibliográfica

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS FABIO SILVA SANTOS.O USO DE ANTICONCEPCIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2011
  2. 2. FABIO SILVA SANTOSO USO DE ANTICONCEPCIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Trabalho de Conclusão de Curso de Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como parte das exigências para conclusão do curso de graduação em Farmácia Bioquímica. Orientador: Prof. Esp.MSc. Roney Eduardo Zaparoli FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS - SP 2011
  3. 3. FABIO SILVA SANTOS O USO DE ANTICONCEPCIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Trabalho de Conclusão de Curso de Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como parte das exigências para conclusão do curso de graduação em Farmácia Bioquímica. Examinadores Assinatura ConceitoProf. Esp.MSc. Roney EduardoZaparoli.Prof. Esp. Rosana MatsumiKagesawa Motta.Prof. Esp. Gilson Bertoni Queiroz. Aprovada em .......... de ................. de 2011 Prof. Esp.MSc. Roney Eduardo Zaparoli Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. DEDICATÓRIAS Dedico este trabalho a todos os meus familiares, aos meus pais que sempreme apoiaram e me incentivaram ao longo desta caminhada. A minha esposa, pelo carinho, amor e compreensão durante todos essesanos de curso. Aos meus amigos pó sempre torcerem por mim. A Deus, por proporcionar mais esta vitória em minha vida.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Aos meus pais e familiares, agradeço de todo o coração, a compreensão quetiveram por mim, pois por muitas vezes estive ausente da companhia dos mesmos. A minha esposa, pelas orações e por estar sempre junto comigo, nestacaminhada. Aos meus amigos pelo carinho. Ao meu orientador, por estar sempre à disposição para me auxiliar naconstrução deste trabalho. A banca examinadora pela atenção para com este.
  6. 6. Faça o que for necessário para ser feliz. Masnão se esqueça que a felicidade é um sentimentosimples, você pode encontrá-la e deixá-la ir emborapor não perceber sua simplicidade. (Mário Quintana)
  7. 7. RESUMOAtualmente os anticoncepcionais não têm apenas a função de proteger a mulher deuma gravidez indesejada, mas também trás alguns benefícios para a saúde damulher. Por causa da redução dos níveis hormonais na composição destemedicamento ele tem trazido mais benefícios do que efeitos colaterais negativos. Aspílulas anticoncepcionais podem ser de três tipos: pílulas monofásicas, multifásicasou de baixa dosagem. As pílulas monofásicas são aquelas onde se tomam a mesmadosagem todos os dias durante vinte e um dias parando apenas por sete dias paramenstruação, os comprimidos possuem a mesma quantidade de hormônios, sendoestas as mais prescritas. Os anticoncepcionais hormonais constituem um métodocontraceptivo muito eficaz, que vem sendo utilizado por milhões de mulheres emtodo o mundo. Porém, podem causar uma série de efeitos adversos, havendonecessidade de fornecer informações adequadas e corretas sobre contraceptivos, afim de se prevenir, o agravamento destes efeitos, possíveis interaçõesmedicamentosas, aumentar a adesão ao tratamento e promover o sucessocontraceptivo desejado.Palavras chaves: Anticoncepcionais. Efeitos colaterais. Efeitos terapêuticos
  8. 8. ABSTRACTCurrently contraceptives are not only intended to protect women from unwantedpregnancies, but also brings some benefits to womens health. Because of thereduced hormone levels in the composition of the drug he has brought more benefitsthan negative side effects. Birth control pills may be of three types: monophasic,multiphasic or low dosage. Monophasic pills are those where you take the samedose every day for twenty-one days stopping only for seven days to menstruation,the pills have the same amount of hormones, which are the most prescribed.Hormonal contraceptives are a very effective method of contraception, which hasbeen used by millions of women around the world. However, they can cause avariety of adverse effects, no need to provide adequate and accurate informationabout contraception in order to prevent the worsening of these effects, possible druginteractions, increase adherence to treatment and promote the success ofcontraception desired.Key- words: Contraceptive. Side effects. therapeutic effects
  9. 9. LISTA DE ABREVIAÇÕESDIU: Dispositivo IntrauterinoFDA: Food And Drug AdminstrationDST: Doença Sexualmente TransmissívelFSH: Hormônio Folículo EstimulanteLH: Hormônio LuteinizanteHIV: Vírus da Imunodeficiência HumanaAMPc: Adenosina Monofosfato Cíclico
  10. 10. SUMÁRIOINTRODUÇÃO...................................................................................................... 111 HISTÓRICO DOS CONTRACEPTIVOS.............................................................. 132 TIPOS DE ANTICONCEPCIONAIS E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS.............. 162.1 Anticoncepcionais Injetáveis................................................................................ 162.1.1 Anticoncepcional Hormonal (injetável combinado)......................................... 162.1.2 Anticoncepcional Injetável só de Progesterona............................................ 162.2 Implantes Hormonais (anticoncepção de longa duração)................................ 162.3 Diafragma............................................................................................................. 172.4 Esponjas e Espermicidas.................................................................................... 172.5 Dispositivo Intra-Uterino (DIU)............................................................................ 182.6 Barreira................................................................................................................ 192.7 Contraceptivo oral com estrogênio natural................................................... 212.7.1 Contraceptivos Orais..........................................................................................222.7.1.1 Farmacocinética dos Anticoncepcionais........................................................ 222.7.1.2 Farmacodinâmica dos Anticoncepcionais..................................................... 242.7.1.3 Seleção dos Contraceptivos Orais................................................................. 243 ESQUEMATIZAÇÃO PARA O USO DOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS... 263.1 Indicações............................................................................................................ 273.2 Eficácias dos Anticoncepcionais.......................................................................... 273.3 Principais Riscos do uso dos Anticoncepcionais................................................. 274 EFEITOS ADVERSOS DOS ANTICONCEPCIONAIS............................................295 INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA ENTRE OS ANTICONCEPCIONAIS E ANTIBI-ÓTICOS...................................................................................................................... 316 OBJETIVOS.......................................................................................................... 33
  11. 11. 6.1 Objetivo Geral..................................................................................................... 336.2 Objetivos Específicos......................................................................................... 337 MATERIAIS E MÉTODOS..................................................................................... 348 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 359 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 36
  12. 12. 11 INTRODUÇÃO A maturidade sexual da mulher caracteriza- se pela atividade cíclica dosórgãos específicos da reprodução. A ovulação depende da oportunidade ecoordenação de uma série de fenômenos biológicos que se sucedem no cicloreprodutivo. O controle eficaz da concepção trouxe à sociedade um avançoincontestável, na medida em que facilitou a emancipação da mulher e suaparticipação no mercado de trabalho e ainda permitiu às famílias, medianteplanejamento, a adequação entre número de filhos e suas condições econômicas,dentre outras (SILVA, 2006). O controle da reprodução humana reside no hipotálamo e a sua regulação, nahipófise. A maturidade não tem limites precisos e se estende da adolescência aoclimatério (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Também carreou mudanças de mentalidade e costumes como a maiorliberdade para a prática sexual, sobretudo nos mais jovens, o que se traduziu,parodoxalmente, não por maior controle da natalidade, mas sim por aumento degravidez indesejadas e abortos entre adolescentes (SANTOS; LOYOLA; MORAES,2011). Essa diversificação de resultados, acrescida da confusão gerada porpreconceitos religiosos e outros hábitos e culturas diferentes, interesses político-econômicos, multiplicidade de dados científicos; redunda em ampla divergência deopinião e conduta no que concerne ao planejamento familiar. Apesar disso,contracepção é prática amplamente realizada no mundo inteiro (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA, 2006). A mulher, ou o casal, que procura aconselhamento com relação àanticoncepção deseja saber o melhor método a escolher, sua eficácia e os riscosdecorrentes. A eficácia da contracepção e sua efetividade podem ser expressas pormeio do índice de Pearl, corresponde ao número de gestações, ou seja, a falha,ocorridas em cem mulheres que utilizam sistematicamente o método durante umano. O primeiro passo para a escolha da medida contraceptiva é o conhecimentodos diferentes métodos, comparando seus resultados e a continuidade do emprego(SANTOS; LOYOLA; MORAES, 2011). Anticoncepcionais orais constituem o mais efetivo dos métodos reversíveis. Aeficácia e a continuidade de uso verificadas em ensaios clínicos controlados
  13. 13. 12costumam ser maiores que as observadas na prática diária. Isso se deve a que osprimeiros se processam em locais escolhidos, com pacientes selecionados e emcondições de vigilância rigorosas (RIBEIRO, 2011). Contemporaneamente não mais se discute a eficácia desses fármacos, masainda se polemiza a respeito de efeitos adversos e sobre as novas gerações decontraceptivos orais (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Os contraceptivos orais combinados também são amplamente utilizados pordiminuir a incidência de amenorréia, ciclos irregulares, sangramentosintermenstruais, anemia ferropriva, tensão pré-menstrual, doenças benignas damama, fibróides uterinos e cistos funcionais dos ovários. A aplicação maisimportante dos estrogênios e progestógenos em combinação é a contracepção(RIBEIRO, 2011). Em geral, mostram-se muito eficazes e, quando administrados corretamente,o risco de concepção é extremamente pequeno. A taxa de gravidez é estimada emcerca de 0,5 a 1,0 por 100 mulheres/ano de risco. Não adianta ter conhecimento daexistência dos diversos métodos, é fundamental a informação de seufuncionamento, sua eficácia, benefícios e desvantagens. A falta de conhecimentodesses fatores leva ao seu uso impróprio, com o risco de uma gravidez indesejada(SANTOS; LOYOLA; MORAES, 2011). É necessário que se tenha em mente que antes de escolher por um métodocontraceptivo específico, é aconselhável que se procure um ginecologista, que seráapto de analisar cada caso, já que nem todas as mulheres podem usar todos osmétodos disponíveis. Ou seja, existem algumas contra-indicações (SILVA, 2006). Os métodos contraceptivos são classificados em cinco grupos: métodoscomportamentais; métodos de barreira; dispositivos intra-uterinos; contracepçãohormonal; contracepção cirúrgica. Veremos cada um dos métodos no decorrer doscapítulos deste trabalho (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006).
  14. 14. 131 HISTÓRICO DOS CONTRACEPTIVOS Até o século XX, a contracepção (ou anticoncepção) praticava-se,principalmente pela interrupção do coito antes da ejaculação, método encanecido devários séculos, logo, mais tarde, pelo uso do preservativo masculino (BAYER,2011). A anticoncepção masculina também era praticada na antiguidade. No século IA.C. Dioscórides afirmou que tomar extractos de uma planta considerada variaçãoda madressilva (Lonicera periclymenum) durante 36 dias, podia causar a esterilidademasculina. Assim que foi estabelecida a relação do sémen com a gravidez; ométodo anticoncepcional masculino mais conhecido era o coito interrompido, métodocitado na Génesis relacionando Onan, que provocou a ira de Deus ao derramar suassementes no chão (RIBEIRO, 2011). Referências a respeito de tentativas para evitar gravidez na mulher foramencontradas no Papiro médico de Petrie, manuscrito egípcio de três grandespáginas, de 96 cm x 30 cm, de 1950 a.C. ou talvez até mais antigo. É conhecido,também, como Papiro de Kahoun, local onde foi descoberto em 1889. O Papiro deEbers, de 1550 a.C., contém uma receita de um supositório, para uso intra-vaginal,composto de uma mistura de mel e pedaços de acácia. Sabe-se hoje que a acáciafermenta e produz o ácido láctico, que é um espermicida, isto é, mata oespermatozóide e por isso funcionava como anticoncepcional (BAYER, 2011). Muitas sociedades descobriram que a retirada do pênis da vagina antes daejaculação poderia evitar a gravidez. Provavelmente os métodos mais antigos decontracepção (com excepção da abstinência sexual) são o coito interrompido, algunsmétodos de barreira, a lavagem vaginal e métodos com o uso de ervas (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA, 2006). O coito interrompido provavelmente antecedeu todos os outros métodos decontrole de natalidade. A história da anticoncepção medicamentosa começou hámais de dois mil anos. A excelente revisão de Himes relata que os primeirosremédios continham arsênico, estricnina e mercúrio, causando complicações tóxicase, eventualmente fatais (RIBEIRO, 2011). O interesse pela fisiologia da reprodução humana foi iniciado nos fins doséculo XVII por de Graaf, com a demonstração da existência dos folículos ovarianos,
  15. 15. 14tendo Knauer sugerido a produlção hormonal a partir dos referidos folículos(FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). O corpo ativo do corpo lúteo foi identificado em 1928 por Corner e Allen, quecomprovaram o prolongamento da gestação em coelhas ovariectomizadas pelainjeção de corpo lúteo. Esse hormônio, que se mostrou eficaz para proteger agestação, foi denominado de progesterona (SILVA, 2006). A partir de 1957 e, sobretudo, em 1963, as observações clínicas de Rock,Garcia e Pincus, injetando em mulheres inférteis os hormônios recém- isolados, paradatar a cronologia do ciclo menstrual, constatram freqüentes inibições da ovulação;estava assim desvendando um amplo horizonte, que culminou com o emprego dosesteróides para o controle da fertilidade humana. O alto custo desses hormôniosextraídos de fonte animal suscitou aobtenção de produtos absorvíveis pelo tubodigestivo, estimulando a pesquisa para a síntese de outros esteróides, a partir devegetais (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). A noretisterona, um hormônio sintético parecido à progesterona (daí serchamado de progestógeno) foi sintetizada em 1950 por Djerassi, a partir dadiosgenina, planta proveniente da batata-doce mexicana com característicasesteroidais (BAYER, 2011). A novidade contraceptiva subseqüente foi pequeno implante que continha ohormônio levonorgestrel. Esse implante foi colocado sob a pele da face interna doantebraço, tendo sido tencionado para ser eficaz por cinco anos. Porém, suainclusão e saída solicitam profissional médico treinado, o que limita seu uso. Ohormônio é liberado na musculatura e então atravessa a corrente sanguínea,podendo circular por todo o organismo e gerar determinados efeitos adversos(RIBEIRO, 2011). A procura de um contraceptivo oral remonta, antes de Pincus, a ensaios comum hormônio feminino chamado progesterona e aos métodos sobre sua obtenção. Um dos progressos biológicos do século tinha levado precisamente a ummelhor entendimento do processo de fecundação, de seu mecanismo bioquímico(FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Dito meramente, uma mulher grávida não pode fertilizar de novo porque oóvulo fecundado se circula de hormônios inibidores que evitam uma nova ovulação.
  16. 16. 15 Conseqüentemente, se fosse provável produzir algum tipo de gravidez falsada mulher, perante a ingestão de hormônios e inibidores, por exemplo, se impediriaa fecundação (JUTTE, 2011). A progesterona continuava sendo empregado para confusões menstruais e aprecaução de certas formas de aborto, no entanto sua obtenção era muitotrabalhosa e cara. Um professor de química do Instituto Rockefeller da Pensilvânia,Russel E. Marker, examinando um grupo de esteróides, desvendou um processo deobtenção da progesterona. Marker analisou também que esses esteróides existiamem grande quantidade em algumas variantes dos yams, fruta de uma árvoresilvestre mexicana. Derrotando muitos impedimentos financeiros, Marker coletouumas dez toneladas de yams e sintetizou 2.000 g de progesterona, que entãocustava US$80 o grama (BAYER, 2011). Com os doutores Chang e Rock na Fundação Worcester, Pincus descobriu osestrógenos e progestágenos , derivados da progesterona que mais inibiam aovulação, e deles saiu a pílula anticoncepcional. Os primeiros ensaios, realizadosem Porto Rico e Haiti, demonstraram sua eficácia. Uma larga série de modificaçõesocorreu desde então com sucessivos aperfeiçoamentos e correções dos efeitossecundários. O século XX havia reencontrado sua pílula reguladora da maternidadecomo uma de suas mais transcendentais invenções (RIBEIRO, 2011). Desde 1960, a análise de contraceptivos orais tem se centralizado em somara segurança da pílula, enquanto diminui seus efeitos colaterais. Os pesquisadoresalcançaram estes objetivos por meio da diminuição da quantidade de estrogêniocontido na pílula, bem como ampliar distintas variante da progesterona sintética(VILELA, 2011). À primeira vista, a história da contracepção parece ser um progresso, desdeos antigos métodos, para o preservativo moderno e pílula anticoncepcional. Umolhar mais atento, no entanto, mostra um padrão de continuidades notáveis nocomportamento reprodutivo de homens e mulheres ao longo dos últimos dois milanos (JUTTE, 2011).
  17. 17. 162 TIPOS DE ANTICONCEPCIONAIS E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS2.1 Anticoncepcionais Injetáveis2.1.1 Anticoncepcional Hormonal (injetável combinado) Estes são usados todo mês e ajustam estrogênio e progestágeno. Possuiuma eficácia parecida aos anticoncepcionais orais combinantes. São empregadosnaquelas pacientes que não conseguem se lembrar de utilizar a pílula de formadiária ou têm intransigência gastrointestinal aos hormônios. Para determinadaspacientes existem a vantagem de ser empregado somente uma vez por mês (OMS,2011).2.1.2 Anticoncepcional Injetável só de Progesterona O mais habitual é o acetato de medroxiprogesterona, 150 mg a cada trêsmeses. Seu resultado anticoncepcional é por inibição da ovulação e atrofiaendometrial. Este é um dos processos reversíveis mais eficaz. O efeito adverso maiscorriqueiro é o sangramento irregular e a amenorréia (ausência de menstruação). Écontra-indicado em pacientes que almejam engravidar a curto prazo, pois após o usopode haver falha de ovulação por prazos longos (de até 12 meses). É ainda muitousado por pacientes que estão a amamentar (OMS, 2011).2.2 Implantes Hormonais (anticoncepção de longa duração) O implante subdérmico de levonorgestrel, um progestágeno, chamadoNorplant; é um método de contracepção hormonal que apenas contém progestágeno(BAYER, 2011). Desde 1990 este método foi permitido para uso nos Estados Unidos, noentanto já era empregado há mais tempo em outros países. O Norplant é um
  18. 18. 17sistema que consiste em seis cápsulas que contém levonorgestrel. Esteprogestágeno é liberado lentamente das cápsulas tendo permanência de 5 anos,desde a introdução (VILELA, 2011). O implante de levonorgestrel inibe a ovulação, tem ação sobre o mucocervical e provoca atrofia de endométrio (OMS, 2011). Fig. 1 Cápsulas de norplant e Cápsulas subdérmicas de levonorgestrel. Fonte: http://www.abcdasaude.com.br2.3 Diafragma É um anel maleável, agasalhado por uma membrana de látex fina, que amulher precisa colocar na vagina, para cobrir o colo do útero. Como um obstáculo,ele evita a entrada dos espermatozóides, necessitando ser empregado junto com umespermicida, no máximo 6 horas antes da relação sexual. A aderência da pacientedepende do uso apropriado do dispositivo. A higienização e o armazenamentoapropriados do diafragma são fatores importantes na precaução de contaminaçõesgenitais e na extensão da vida útil do dispositivo. Por proporcionar diversostamanhos (de acordo com o tamanho do colo uterino), deve ser recomendado porum médico para uma adaptação perfeita ao colo uterino. Aconselha- se inserir navagina de 15 a 30 minutos antes da relação sexual e só remover 6 a 8 horas depoisa última relação sexual de penetração (VILELA, 2011). O diafragma é um método anticoncepcional de uso feminino que incide numanel flexível, coberto no centro com uma delgada membrana de látex ou silicone emforma de cúpula que se coloca na vagina cobrindo totalmente o colo uterino e a
  19. 19. 18parte superior da vagina, impedindo a penetração dos espermatozóides no útero etrompas (BRASIL, 2002). Segundo Monzu (1992), o diafragma deve ser assentado duas horas do atosexual e só deve ser retirado no mínimo oito horas após, sendo que uma constânciaprolongada pode causar irritação no colo do útero e na vagina.2.4 Esponjas e Espermicidas As esponjas são feitas de poliuretano, são ajustadas ao colo uterino com alçapara sua retirada e são descartáveis, estão conexas a espermicidas que sãosubstâncias químicas que imobilizam e extinguem os espermatozóides, podendo serusados em combinação também com o diafragma ou preservativos. Existemmúltiplas apresentações de espermicidas, como por exemplo, os cremes, geléias,supositórios, tabletes e espumas (OMS, 2011). Os espermaticidas são um conjugado de substâncias químicas quedesenvolvem uma película que recobre a vagina e o colo uterino, impedindo apenetração dos espermatozóides, além de prejudicar a membrana celular dosespermatozóides e inativá-los. Por não proporcionar proteção contraceptiva ajustadaquando utilizado isoladamente, deve ser freqüente de forma combinada com odiafragma ou preservativo, a fim de aumentar a eficácia isolada de cada um. Oagente espermaticida recomendado pelo Ministério da Saúde é à base de nonoxinol-9. Espermaticidas que dominem acetato de fenil-mercúrio não devem serempregados, pois há probabilidade de absorção do mercúrio e teratogenicidade(VILELA, 2011).2.5 Dispositivo Intra-Uterino (DIU) Os DIUs são elementos de polietileno, aos quais podem ser acrescentadoscobre ou hormônios, que são introduzidos na cavidade uterina desempenhando suafunção contraceptiva. Operam evitando a fecundação, tornando complexo apassagem do espermatozóide pelo trato reprodutivo feminino (VILELA, 2011). As dificuldades mais comuns durante o uso do DIU são a expulsão dodispositivo, dor pélvica, dismenorréia e aumento do risco de infecção (infecção
  20. 20. 19aguda sem melhora ou infecções persistentes implicam na remoção do DIU). Precisaser depositado pelo médico e é indispensável um controle semestral e sempre quesurgirem leucorréias (JUTTE, 2011). Mulheres que têm hemorragias muito profusos ou cólicas fortes namenstruação, ou que tenham alguma irregularidade intra-uterina, como miomas oucâncer ginecológico, infecções nas trompas, sangramentos vaginais ou alergia aocobre não podem usar o DIU. Não é aconselhado para nulíparas (VILELA, 2011). A gravidez raramente ocorre (eficácia alta, variando de 95 a 99,7%) com riscode abortamento no 1° e 2° trimestres. A remoção do DIU pode ser realizada apósestimativa ultra-sonográfica, analisando os riscos para o embrião. Se a retirada nãofor possível por riscos de abortamento, a paciente deve ser acompanhada aintermitência de curtos tempos e orientada em relação a sangramentos vaginais eleucorréias (NETO, 2000). Disseminado atualmente no Brasil, o Mirena é um novo método endoceptivo,como o DIU. Trata-se de um dispositivo de plástico ou de metal depositado dentrodo útero. É um DIU conjugado com hormônios. Tem forma de T, com umreservatório que contém 52 mg de um hormônio chamado levonogestrel que atua naeliminação dos receptores de estriol endometrial, provocando a atrofia doendométrio e inibição da abertura do espermatozóide por meio da cavidade uterina(VILELA, 2011). O Mirena age liberando uma pequena quantidade de hormônio diretamenteda parede interna do útero, ininterruptamente por cinco anos. Ele também torna omuco do cérvix (colo do útero) mais denso, prevenindo a entrada do esperma. Adosagem é paralelo a tomar duas a três mini-pílulas por semana. A diferença doMirena em semelhança aos outros dispositivos intra-uterinos é que ele impedeabundantemente os efeitos colaterais (VILELA, 2011). Os dispositivos intra-uterinos são elementos que desempenham resultadoanticonceptivo quando colocados na cavidade uterina. Geram uma reaçãoinflamatória uterina, desencadeando alterações bioquímicas que intervêm notransporte dos espermatozóides no aparelho genital feminino e alteram os óvulos eespermatozóides, evitando a fecundação (CURITIBA, 2002).
  21. 21. 202.6 Barreira Os métodos de barreira são aqueles que impedem a gravidez por meio dabarreira do acesso dos espermatozóides ao útero. Esse bloqueio pode sermecânico, químico ou misto (BRASIL, 2006). O preservativo masculino consiste em um envoltório de látex que recobre opênis durante o ato sexual e detém o esperma por momento da ejaculaçãoimpedindo relação com a vagina, assim como impede que os microorganismos davagina ingressem em contato com o pênis ou vice-versa. É um método que, além depoupar a gravidez, diminui o risco de transmissão do HIV e de outros agentessexualmente transmissíveis (BRASIL, 2002). O preservativo feminino é um tubo de poliuretano com uma extremidadefechada e a outra aberta, conectado a dois anéis flexíveis também de poliuretano. Oprimeiro, que fica solto dentro do tubo, convém para ajudar na introdução e nafixação de preservativo no interior da vagina. O segundo anel compõe o reforçoexterno do preservativo que, quando perfeitamente colocado, cobre parte da vulva(BRASIL, 2002). A camisinha feminina é eficaz para proteger da gravidez e de DST/HIV/AIDS,quando usada em todas as relações sexuais, antes de qualquer contato do pêniscom a vagina, também dá ampla autonomia à mulher sobre seu corpo e sua vidasexual a camisinha trabalha como uma barreira, recebendo o esperma ejaculadopelo homem na relação sexual, evitando a entrada dos espermatozóides no corpoda mulher, e evitando fecundação (BRASIL, 2006).2.7 Contraceptivo oral com estrogênio natural As pílulas contraceptivas quando lançadas na década de sessenta,originaram grande impacto, influenciando e transformando o comportamento sexualaté então vigorante (NETO, 2000). Seu uso admitiu a desvinculação do sexo com a procriação e o estágio maislivre da sexualidade. Inúmeras mudanças sucederam nas formulações dosanticonceptivos orais desde seu lançamento, compreendendo a diminuição gradativa
  22. 22. 21do estrogênio e a utilização de distintos agentes progestacionais (HOY, SCOTT;2009). As primeiras pílulas disponíveis, analisadas de elevada dosagem, tinham150mcg de etinil estradiol (estrogênio sintético), estando coligadas a uma fila deefeitos indesejáveis. Em seguida foram introduzidas as pílulas de média dosagem,aquelas com 50 mcg de estrogênio. Nas últimas décadas vêm se dando preferênciaao emprego das chamadas pílulas de baixa dosagem, aquelas com 35, 30, 20 ou 15mcg de etinil estradiol na sua formulação (NETO, 2000). Atualmente estão disponíveis diversos agentes progestacionais, uns maisandrogênicos, outros menos e alguns com ação anti-androgênica. Deste modo tem-se os derivados da 19 nor- testosterona: o levonorgestrel (maior ação androgênica),a noretisterona, o gestodeno, o desogestrel e o norgestimato. Os derivados da 17hidroxiprogesterona: acetato de medroxiprogesterona, acetato de ciproterona(marcada açãoantiandrogênica), acetato de clormadinona e mais recentemente umderivado da espironolactona, a drospirenona (ação anti-mineralocorticóide) (SOUZA,2010). Sabe-se que o grande abjeto dos contraceptivos orais, é principalmente, oestrogênio, sendo a ele conferidos os principais riscos cardiovasculares, comoinfarto agudo do miocárdio, elevação da pressão arterial, tromboembolismo,acidente vascular cerebral, entre outros (HOY, SCOTT; 2009). Tendo em vista tornar mínimos os efeitos indesejáveis, principalmentecardiovasculares, além de adequar maior segurança às usuárias, há tempos vêm-seprocurando preparar um anticonceptivo oral a base de estrogênio natural (VILELA,2011). O grande problema era obter uma associação estroprogestativa queconsentisse um bom domínio do ciclo e avalizasse eficácia contraceptiva às usuárias(NETO, 2000). Atualmente foi lançado na Europa, pelo laboratório Bayer Schering Pharma, oprimeiro contraceptivo oral combinante contendo estrogênio natural, o valerato deestradiol. O valerato de estradiol não é um estrogênio novo, vem sendo utilizado háalguns anos na contracepção hormonal injetável mensal, a inovação é a suautilização na contracepção oral (SOUZA, 2010). A nova pílula anticoncepcional, lançada na Europa com o nome comercial deQlaira, é combinada pela associação do valerato de estradiol (estrogênio natural) a
  23. 23. 22um progestágeno derivado da 19-nortestosterona, porém carente de efeitoandrogênico, o dienogest (VILELA, 2011). A novidade da formulação está disponível em regime quadrifásico, mescladode 28 comprimidos, com acréscimo gradativo da progesterona e diminuiçãoprogressiva do estradiol. As exposições mais atuais a respeito deste contraceptivoconfirmam menor intensidade e menor número de dias do sangramento menstrual,índice de Pearl em torno de 0,4 e adequada concordância entre as usuárias(SOUZA, 2010).2.7.1 Contraceptivos Orais2.7.1.1 Farmacocinética dos Anticoncepcionais No organismo feminino, os esteróides são regularmente produzidos nosovários, no córtex das supra- renais e, durante a gestação, na placenta. As célulasovarianas sintetizam o colesterol a partir do acetato. Ainda não se conhece alocalização intracelular das enzimas responsáveis pela biossíntese dos esteróides(SILVA, 2006). A estimulação dos folículos ovarianos e a produção crescente dos estrógenossão reguladas pelo FSH e consubstanciadas pela síntese e ação do AMP cíclico. A histoquímica tem evidenciado que as células da teca interna secretam o 17-beta- estradiol, detectando- se, no plasma e/ou na urina, os produtos do seumetabolismo (ROWLANDS, 2003). O estradiol é normalmente absorvido pelo trato intestinal. A concentraçãomáxima alcançada no plasma se dá entre uma a duas horas, e a eliminação évariável entre nove e vinte e sete horas (NETO, 2000). Ao nível do tubo intestinal e no fígado, é conjugado com os ácidos sulfúrico eglucurônico e sofre a chamada primeira passagem hepática. As bactérias intestinaisatravés das enzimas podem hidrolisar o sulfato de etinil- estradiol. O mestranol temmetabolismo similar ao do etinil- estradiol porque a sua ação mais demorada se dáapós a conversão em etinil- estradiol (SILVA, 2006). A progesterona é produzida no corpo lúteo à custa das células da granulosa,pouco antes do início da segunda fase do ciclo menstrual. O hormônio folículo-
  24. 24. 23luteinizante (LH) estimula a secreção da progesterona, e essa é também mediadapelo aumento do AMPc (NETO, 2000). A progesterona pode, no entanto se convertida em estradiol tendo comointermediária a androstenediona. De acordo com observações clássicas, osprogestínicos formam o endométrio previamente estrogenizado em secretor eoferece suporte para o desenvolvimento e manutenção da gravidez. Os estudosbiomoleculares reconheceram os progestágenos como compostos que se ligam aosreceptores da progesterona, embora não se possa entender que outros receptorespodem ser ocupados por outros gestínicos (ROWLANDS, 2003). Noretindrona, sob certas circunstâncias, pode estimular a proliferação doendométrio atrófico, e o acetato de ciproterona, sendo que, o progestágeno éreconhecido como antiandrogênico tanto no homem como na mulher. Os esteróides são absorvíveis através da pele e das membranas mucosas. Assoluções se prestam para administração subcutânea e intramuscular. Os estrógenossemi- sintéticos e os novos progestínicos são também absorvíveis e isolados ouassociados aos primeiros, são eficazes como regulamentadores do ciclo menstrual eda fertilidade (NETO, 2000).2.7.2 Farmacodinâmica dos Anticoncepcionais Os contraceptivos são esteróides semi- sintéticos ou sintéticos isolados ouassociados, com efeitos potentes sobre a regulação endócrina dos órgãos quecontrolam a reprodução humana (NETO, 2000). É fato amplamente conhecido que peqeunas doses de estrógeno eprogesterona estimulam a secreção de LH. No entanto, a administração com dosesregulares de estrógeno e/ ou progestínico inibe a ovulação, o efeito éaparentemente, mediado ao nível do hipotálamo ou dos centros nervosossuperiores, embora outros mecanismos secundários estejam envolvidos paraprevinir a gravidez, se houver o fenômeno da ovulação também pode ocorrer porsupressão dos fatores de liberação das gonadorrelinas e, consequentemente,impedindo o crescimentos dos folículos ovarianos. A administração associada de umestrógeno com um progestínico suprme a liberação de ambas as partes (SILVA,2006).
  25. 25. 242.7.3 Seleção dos Contraceptivos Orais Contraceptivos orais combinados estão indicados em mulheres sadias,preferencialmente não- fumantes, com menos de 35 anos de idade, que realmentedesejam evitar a gravidez. Essa assertiva se justifica pelo fato de muitos dos efeitosadversos desse fármacos se expressarem predominantemente quando há condiçõesadicionais de risco, como fumo, idade além de 35 anos, obesidade e hipertensão,também por se constituírem na medida reversível de maior eficácia e efetividade,grande praticidade e fácil acesso; além de apresentarem efeitos benéficos sobre asaúde (ROWLANDS, 2003). A comissão sobre fertilidade e saúde materna da FDA recomendou quemulheres sadias com mais de quarenta anos podem continuar usandocontraceptivos orais, preferencialmente com baixas concentrações de estrógenos eprogestógenos com perfil de risco conhecido (SILVA, 2006). Essa medida visa encorajar o emprego de métodos reversíveis nos estadosUnidos e em outros países onde se verificam números crescentes de esterilizaçãovoluntária. Esse medicamentos apresentam vantagens adicionais como alívio dedismenorréia, mastodinia e tensão pré- menstrual, diminuição de incidência dehiperplasia e neoplasia endometriais, doença inflamatória, pélvica, gravidezectópica, endometriose, doença fibrocística benigna da mama, cistos funcionais ecâncer ovarianos; melhora de acne e hirsutismo (ROWLANDS, 2003). Protegem contra câncer de endométrio e ovários dentro de seis meses deuso. A incidência desses tumores decai em 50% após dois anos de emprego, e oefeito protetor perdura por quinze anos depois da suspensão dos anticoncepcionais(NETO, 2000). Para mulheres com acne, hirsutismo ou outra manifestação de intolerância, oanticoncepcional considerado como referência é estinilestradiol associado a acetatode ciproterona, progestógeno que sabidamente possui perfil menos androgênico(VILELA, 2011). Outros progestógenos também apresentam tal característica, porémassociam- se a maior risco de tromboembolismo (SILVA, 2006).
  26. 26. 25 Minipílulas, com maior índice de falha, estão indicadas quando há intolerânciaou contra- indicação formal ao uso de estrógenos e durante a amamentação, poisnão inibem a produção de leite. Nessa circunstância, também se admitem osanticoncepcionais combinados de baixas concentrações estrogênicas, desde que semantenha alta a freqüência das mamadas (NETO, 2000).
  27. 27. 263 ESQUEMATIZAÇÃO PARA O USO DOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS A terapêutica anticoncepcional vem evoluindo à medida que aparece novoscomponentes de síntese e mais se aprofundam os conhecimentos sobre os efeitosno organismo feminino (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). O esquema seqüencial, inicialmente rotulado de segunda geração, foidesaconselhado a partir de 1976 por ser comprovadamente menos eficaz e depossível relação com o adenocarcinoma de endométrio. A indicação, atualmente, éexcepcional (SILVA, 2006). A terapêutica anticoncepcional monofásica, também chamada de combinada,consiste na combinação de um estrógeno e um progestínico, em cada drágea, aquichamada de pílula, administrada no primeiro dia da menstruação (VILELA, 2011). O comprimido deve ser tomado diariamente, no mesmo horário, seminterrupção, durante doze dias, seguindo- se uma pausa de sete dias. Para cada trêssemanas da terapêutica combinada, faz- se uma semana de repouso. Essaterapêutica, além de ser anovulatória, oferece proteção adicional pela interferênciaperiférica e marcante sobre os órgãos da reprodução. Cada cartela seguinte seráiniciada após o término dessa pausa de sete dias (FUCHS; WANNMACHER;FERREIRA, 2006). Recomenda- se o início da contracepção a partir do primeiro dia do ciclo como propósito de assegurar a anovulação e rastrear a possibilidade de gestaçãoincipiente ou tornar possível diagnosticar a possibilidade de amenorréia pós- pílula(VILELA, 2011). Define- se como bifásico o método cuja dose de progestínico varia emconcentração, ao longo do ciclo artificial e conserva imutável a dose do componenteestrogênico (SILVA, 2006). No método trifásico, varia- se a dose do progestínico em três períodos daadministração e o estrogênio tem a dose modificada, isto é, elevada apenas umavez ao correr do ciclo, tentando, dessa maneira imitar o ciclo menstrual fisiológico(SILVA, 2006). Anticoncepcional transdérmico ou adesivo contraceptivo fundamenta-se naliberação transdérmica contínua dos seus componentes com a vantagem de não ter
  28. 28. 27oscilações dos níveis sanguíneos e evitar a metabolização da primeira passagemhepática (VILELA, 2011).3.1 Indicações A principal indicação dos anticoncepcionais é para a mulher adulta que desejacontrolar a natalidade. A indicação do contraceptivo deve ser precedida de históriaclínica geral e dirigida e exame físico minudente. No exame ginecológico, éobrigatória a prevenção anual para se identificar e corrigir a patologia cervical erejeitar a prática contraceptiva nas neoplasias incipientes. Sempre que possível, aultra- sonografia pélvica transvaginal deve ser realizada (FUCHS; WANNMACHER;FERREIRA, 2006).3.2 Eficácias dos Anticoncepcionais A incidência de gestações em casais em plena fase reprodutiva é de zero porcento ao final do primeiro ano. Isso significa que, em cem casais desprovidos dequalquer método anticoncepcional, a eficácia é de vinte por cento (SILVA, 2006). Chama- se de eficácia teórica a capacidade de prevenir a gestação dedeterminado método, quando em condições ideais de uso do anticoncepcional.Reserva- se a denominação eficácia de prática ou de uso aquela que resulta daaplicação do método pelo casal, com as eventualidades correntes do empregoincorreto da metodologia recomendada (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA,2006). A eficácia teórica dos anticoncepcionais combinados é de 99,9%, issosignifica que se pode esperar o máximo de uma gravidez em mil mulheres por anode uso metódico do contraceptivo (VILELA, 2011).3.3 Principais Riscos do uso dos Anticoncepcionais Não são recomendados para lactantes pois afetam a qualidade e quantidadedo leite; muito raramente, podem causar acidentes vasculares, tromboses venosasprofundas ou infarto, sendo que o risco é maior entre fumantes (mais de 20
  29. 29. 28cigarros/dia) com 35 anos ou mais. Podem aumentar o risco para tumores de fígado,sendo extremamente raros os tumores malignos; de acordo com a informaçãoatualmente disponível, a pílula não aumenta o risco para câncer de colo uterino emama; porém, novos estudos são necessários para obterem-se conclusões maisprecisas. Além disso, existem ainda dúvidas sobre a possível aceleração daevolução de cânceres pré-existentes com o uso da pílula (FEBRASGO, 2011).
  30. 30. 294 EFEITOS ADVERSOS DOS ANTICONCEPCIONAIS Um estudo que analisou os resultados dos contraceptivos orais sobremortalidade divulgou, em usuárias correntes, redução de mortalidade por câncerovariano e avanço de mortalidade por doença cerebrovascular e câncer de colouterino. Em mulheres que interromperam o uso há mais de 10 anos, as taxas demortalidade foram parecidas às das que nunca consumiram contraceptivos,mostrando não haver efeito imutável (LUBIANCA, 2002). O uso demorado de anticoncepcionais orais causa aumento pequeno, entretanto expressivo, nas pressões sistólicas e diastólicas. Os níveis pressóricos revertem ao normal com a cessação dos hormônios. Em pacientes hipertensas, mesmo baixo aumento de pressão arterial pode ser maléfico, aconselhando- se modificação para método contraceptivo não-hormonal (WANNMACHER, 2004, pag. 2). Em estudo de casos e controles não se confirmou associação entre uso decontraceptivos orais e infarto do miocárdio, bem como não houve diferença entrerepresentantes de segunda e terceira geração. Mulheres que toleraram infartotinham outros fatores de risco cardiovasculares (em 88% dos casos). Das mulherescom menos de 45 anos que apresentaram um episódio de infarto, 87% nãoutilizavam contraceptivos. O tabagismo associou-se intensamente à ocorrência dadoença, de modo que usuárias púberes que querem manter sua saúdecardiovascular precisam reduzir o fumo (FEBRASGO, 2011). Em mulheres com diabetes melito gestacional precedente, avaliou-se o riscode desenvolver diabetes tipo 2. O acompanhamento contínuo por sete anos aceitouexpor que a incidência cumulativa da doença foi similar entre usuárias decontraceptivos orais combinados e usuárias de métodos não-hormonais. Aocontrário, usuárias de progestógeno separado desenvolveram diabetes maisligeiramente durante os primeiros dois anos de uso (LUBIANCA, 2002). O uso contínuo de progestógeno isolado durante a amamentação associou-secom risco aproximadamente três vezes maior de desenvolver diabetes melito tipo 2. Em numerosos estudos têm-se pesquisado a associação entreanticoncepcionais orais e o surgimento de câncer em mulheres, o que não foi
  31. 31. 30demonstrado em relação a câncer de mama, colo uterino, ovário e endométrio(WANNMACHER, 2004). Em relação aos anticoncepcionais orais, mantém-se ainda a polêmica sobre aassociação de tromboembolismo venoso ao uso dos chamados representantes daterceira geração. Em outubro de 1995, o British Committee on Safety of Medicinesnoticiou os resultados preliminares de um estudo da Organização Mundial da Saúde(OMS) acerca do risco de tromboembolismo venoso (casos hospitalares detrombose venosa profunda e embolia pulmonar) em usuárias de anticoncepcionaisorais, o qual se expôs quatro vezes maior em comparação às não-usuárias.Usuárias de anticoncepcionais orais de terceira geração proporcionaram o dobro dorisco de tromboembolismo quando comparadas às usuárias de anticoncepcionaisorais de segunda geração (BRASIL, 2011). Perante essa comprovação, outra publicação do mesmo grupo avaliousecundariamente o risco de trombose venosa intensa associada a anticoncepcionaisorais com 35 microgramas ou menos de estrógeno conjugado com levonorgestrel ougestodeno/desogestrel (LUBIANCA, 2002). Em 2001, uma pesquisa avaliou de maneira quantitativa os estudos quechecaram anticoncepcionais de segunda e terceira geração quanto ao risco detromboembolismo venoso. Os anticoncepcionais orais de terceira geraçãoevidenciaram estar associados a risco bem maior de tromboembolismo venoso,quando comparados a contraceptivos de segunda geração. Deste modo, perante aeficácia semelhante dos anticoncepcionais orais de segunda e terceira geração e àsevidências de maior risco de tromboembolismo venoso com os últimos, parece nãopossuir motivos para troca indiscriminada desses compostos mais novos, exceto emepisódios de hiperandrogenismo. Mesmo nessas situações, há a opção peloetinilestradiol associado ao acetato de ciproterona, progestógeno que discretamentetem perfil menos androgênico, tornando mínimos os efeitos como acne, hirsutismo ealterações do metabolismo lipídico (WANNMACHER, 2004). De fato, é importante avaliar que a taxa de mortalidade por trombose venosaé baixa (cerca de 3%), mas episódios não-fatais podem ser responsáveis pormorbidade significativa. Embora o risco total for pequeno, esse precisa ser analisadoquando se resolve pelo tipo de contraceptivo a ser usado (LUBIANCA, 2002).
  32. 32. 315 INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA ENTRE OS ANTICONCEPCIONAIS EANTIBIÓTICOS Os contraceptivos orais, tradicionalmente formados por uma associação doshormônios estrogênio e progesterona, atuam inibindo a ovulação, atrofiando orevestimento do útero e dificultando a passagem dos espermatozóides devido aoaumento da viscosidade do muco cervical. Para minimizar os riscos cardiovascularese outros efeitos colaterais associados às pílulas, as dosagens hormonais dessesremédios foram reduzidas (ANDRADE, 1999). Sob circunstâncias normais, estas concentrações mais baixas são bastanteefetivas. Porém, na presença de antimicrobianos, os níveis hormonais, já reduzidos,podem cair ainda mais, comprometendo a eficácia dos contraceptivos orais. Oshormônios da pílula são absorvidos pelo trato gastrintestinal, caem na correntesangüínea e vão parar no fígado, onde 50% do estrogênio são transformados emoutros compostos sem atividade anticoncepcional (UNIFESP, 2011). Esses compostos se misturam à bile e, portanto, são lançados novamente notrato gastrintestinal. Uma parte deles é eliminada nas fezes e a outra sofre a ação deenzimas produzidas pelas bactérias que vivem no intestino. O produto dessa reaçãoenzimática é o estrogênio ativo, que pode então ser reabsorvido, aumentando onível do hormônio circulante no sangue e garantindo o efeito contraceptivo. Osantibióticos (também chamados de antimicrobianos) destroem as bactériasintestinais e, conseqüentemente, não mais ocorrem reações enzimáticas queliberam estrogênio ativo, cujo nível diminui no sangue (SOUSA, 1997). Essa seria uma explicação para o fracasso dos contraceptivos orais quandotomados junto com antibióticos. No entanto, isso não explica porque as pílulas quecontêm apenas progesterona perdem sua eficácia quando usadas simultaneamentecom antimicrobianos. A aceleração do metabolismo hepático é outro mecanismopelo qual os antibióticos podem reduzir as concentrações hormonais e, portanto,levar ao fracasso das pílulas anticoncepcionais (UNIFESP, 2011). O grande abjeto da associação é a Rifampicina, um antibiótico empregadocontra tuberculose, hanseníase e na profilaxia da meningite. É o antibiótico quecomprovadamente restringe a eficácia dos anticoncepcionais (ANDRADE, 1999).
  33. 33. 32 Outras classes como as tetraciclinas, metronidazol e derivados da penicilinacomo amoxicilina e cefalosporinas também podem enfraquecer a concentração deestradiol (SOUSA, 1997). Esse efeito parece suceder somente em um número restringido de mulheres,mas como não há como saber de antemão quem será mais afetado, deve-se usarmétodos contraceptivos não hormonais durante o seu período de uso (ANDRADE,1999). Em analogia aos outros antibióticos não existe qualquer proeminência deinteração com repercussão clínica. A imprecisão mais comum parece ser a interaçãoda pílula com a azitromicina (SOUSA, 1997).
  34. 34. 336 OBJETIVOS6.1 OBJETIVO GERAL Entender a eficácia dos contraceptivos sobre o organismo feminino, assimcomo as possíveis reações adversas e interações medicamentosas dos mesmos.6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1- Verificar o mecanismo de ação dos anticoncepcionais. 2- Observar os efeitos dos mesmos sobre o organismo da mulher. 3- Analisar seu uso juntamente com antibióticos.
  35. 35. 347 MATERIAL E MÉTODO Para revisão de literatura sobre o tema escolhido foi realizado umlevantamento bibliográfico (livros), sobre o tema através de pesquisa de dados nasbases digitais (Bireme, Pubmed, Scielo), utilizando-se as palavras-chaveanticoncepcionais, hormônios, métodos.
  36. 36. 358 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta pesquisa bibliográfica, foi possível verificar que, a pílulaanticoncepcional é um dos métodos usados para o controle da natalidade eessencialmente utilizadas para o planejamento familiar. Considerado um dos melhores métodos de prevenção, o anticoncepcional éum dos mais procurados para esse fim, e sua eficácia está relacionada ao modopelo qual a mulher o utiliza, não deixando de tomar nenhum dia. Antes de adotar a pílula como método contraceptivo é indispensável procurarum médico, pois existem diversos tipos e somente este poderá identificar a pílulaque tenha menos efeitos colaterais para o organismo de cada mulher. A pílula pode ser usada também no tratamento da síndrome de ováriospolicísticos, endometriose, acne, cólicas e distúrbios da menstruação, tais comotensão pré-menstrual e cólica menstrual. As diferenças por faixa etária parecem refletir uma mudança em atitudes dasdiversas mulheres frente à contracepção, ou seja, mulheres mais jovens fazemmaiores uso de contraceptivos orais. Por fim, pode- se observar que, a escolha do método contraceptivo deve sersempre personalizada levando-se em conta fatores como idade, números de filhos,compreensão e tolerância ao método, desejo de procriação futura e a presença dedoenças crônicas que possam agravar-se com o uso de determinado método. Comotodos os métodos têm suas limitações, é importante que se entenda quais são elas,para que eventualmente se possa optar por um dos métodos.
  37. 37. 36 REFERÊNCIASANDRADE, E. D. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. São Paulo, ArtesMédicas, 1999.BAYER. Breve história da Anticoncepção. 2011. Disponível em<http://www.bayerpharma.com.br>. Acesso em 25 set. 2011.FEBRASGO, Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia.Manual de Anticoncepção. 2001. Disponível em <http://www.anticoncepcao.org.br>.Acesso em 24 out 2011.FUCHS, F. D., WANNMACHER, L., FERREIRA, M. B. C. Farmacologia Clínica:Fundamentos da Terapêutica Racional. 3° ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2006.HOY, S. M.; SCOTT, L. J. Estradiol Valerate/Dienogest. In Oral Contraception. AdisDrugs Profile, 2009.JUTTE, R. A longue durée de métodos contraceptivos. Hist Philos Vida Sci.2005. Disponível em <www.pubmed.gov>. Acesso em 02 out. 2011.LUBIANCA, J. N. Contraceptivos Orais. In: Fundamentos farmacológico-clínicosdos medicamentos de uso corrente. Rio de Janeiro: ANVISA, ENSP, NAF, 2002.NETO, A. A. Contracepção hormonal. Belo Horizonte: Coopmed, 2000OMS. Saúde. Métodos Hormonais. Disponível em<http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?474>. Acesso em 16 out. 2011.RIBEIRO, C. L. A História dos Contraceptivos. Hist Philos Vida Sci. 2009.Disponível em <www.pubmed.gov>. Acesso em 02 out. 2011.ROWLANDS, S. Newer progestogens. J. Farm Plann Reprod Health Care, n°29,2003; pág. 13-16.SILVA, Penildo. Farmacologia. 7° ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
  38. 38. 37SOUSA, D. S. C. (Org.) Medicamentos: manual para agentes de saúde.Fortaleza: GPUIM/UFC, 1997.SOUZA, I. F. Novidade: Contraceptivo oral com estrogênio natural. Jornal daSOGISC. Dezembro de 2010.UNIFESP. Anticoncepção Hormonal. Disponível em <http://www.unifesp.br>. Acessoem 30 out 2011.VILELA, A. L. M. Métodos anticoncepcionais (contraceptivos). Disponível em<http://www.afh.bio.br/reprod/reprod8.asp>. Acesso em 16 out. 2011.WANNMACHER, L. Anticoncepcionais Orais: O que há de novo. Brasília:MS/CGDI/SAA/SE. 2004.

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