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O calendário escolar, os dias de aula e a escala de quadra também foram 
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ao fato dos jovens se importarem tanto com a aparência, com roupas de marca, em 
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bem como da anorexia e da bulimia despertou grande interesse dos alunos em geral, 
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Posteriormente, cada grupo organizou cartazes acerca do seu tema de discussão e 
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A influência da mídia no processo de construção corporal

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A influência da mídia no processo de construção corporal

  1. 1. A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO CORPORAL DE ALUNOS(AS) DO ENSINO MÉDIO 1 Rosane de Cássia Capilé Resumo: Esse trabalho visa relatar minha experiência, sob a condição de professora da rede estadual de ensino do Paraná, na elaboração e implementação de um recurso didático-pedagógico voltado a alunos do ensino médio, com o intuito de promover a análise da influência dos veículos midiáticos na construção corporal. Ao entender que a noção de corpo é construída no seio da cultura e que, entre seus vários determinantes, destacam-se a mídia e seus múltiplos artefatos, percebi que, muitas vezes, esses sujeitos atrelam a sua auto-imagem àquelas veiculadas e reproduzidas pelos personagens de minisséries, novelas, revistas de moda e beleza, filmes e propagandas. Para isso elaborei um Caderno Pedagógico que contém textos, recortes de artigos e questões para reflexão dirigidas ao professor, bem como sugestões de atividades a serem desenvolvidas com os alunos; o qual objetiva promover reflexões sobre as contradições que envolvem o discursos midiáticos em relação à beleza. Nessa pesquisa utilizei o método da pesquisa-ação, que foi realizada no ano de 2009, no Colégio Estadual Campos Sales, situado em Campina Grande do Sul/ PR, com um grupo de 50 alunos. O bombardeio de informações veiculadas pela mídia invade a rotina dos adolescentes sugestionando-os seja na busca pelo corpo perfeito, seja disseminando a cultura de consumo voltadas ao embelezamento, o que reforça a necessidade de se demonstrar ao aluno o sentido das informações oferecidas pela mídia,de tal forma que o mesmo se torne crítico em relação ao conteúdo midiático, reconstruindo seu significado. Palavras-chave: Adolescência; Corpo; Mídia; Ensino Médio; Material Didático- Pedagógico. Abstract: This work takes aim at relate my experience, as a teacher of the state system of education of Paraná, in the elaboration and implementation of a didactic-pedagogic resource directed to high school students, with the intention of promote the analyses about influence of the media in the body construction. Understanding that the body conception is build y the culture and between your many determinants, detaching the media and your multiple artifacts, I notice that, many times, this fellows put to you own image that one transmitted and reproduced by the characters of miniseries, soap operas, fashion and beauty magazines, movies and advertisements. For this I elaborate a Pedagogic Book that contains texts, detaches of articles and questions to reflection directed for the teacher, as how suggestions of activities to be developed with the student; with the objective to promote reflections about the contradictions that involve the media speeches related to beauty. In this research I used the research-action method, which was done in the year of 2009, at the Colégio Estadual Campos Sales, placed in Campina Grande do Sul/PR, with a 50 students group. The bombardment of information transmitted by media invade the teenagers routine, suggesting
  2. 2. 2 them, being in he perfect body inquire, or diffusing the consume culture directed to embellishment, that strengthens the necessity of showing the student the point of the information given by the media, in way that the student become critic to the media cotent, rebuilding your point. Introdução Ao longo de meu trabalho com a disciplina de Educação Física pude notar que meninos e meninas vêm-se envoltos com as mudanças que ocorrem na fase da adolescência, demonstrando certa insatisfação em relação a si e almejando a conquista por “corpos perfeitos”. É crescente o número de jovens que desenvolvem doenças de transtorno alimentar como a anorexia e a bulimia, assim como, aumenta vertiginosamente a busca pelo “corpo perfeito” e a performance atlética entre os adolescentes ampliando a procura por anabolizantes. Esse fenômeno pode ser explicado pela valorização do culto ao corpo, juntamente com a urgência que os adolescentes têm de obter resultados imediatos, sem no entanto atentarem-se para o fato de que, aquilo que é belo hoje, amanhã poderá estar impresso ou noticiado como uma prática inadequada. Ao entender que a noção de corpo é construída no seio da cultura e que, entre seus vários determinantes, destacam-se a mídia e seus múltiplos artefatos, percebi que, muitas vezes, esses sujeitos atrelam a sua auto-imagem àquelas veiculadas e reproduzidas pelos personagens de minisséries, novelas, revistas de moda e beleza, filmes e propagandas. Desse modo, os alunos acabam desenvolvendo um ideal que segue os padrões de beleza ditados pela indústria cultural. Nesse sentido, preocupei-me em elaborar um material que pudesse abordar questões importantes tais como: as mudanças que envolveram a noção de beleza ao longo da história; os interesses comerciais que se escondem em torno dessa supervalorização do corpo; os valores humanos que estão sendo esquecidos em detrimento da ditadura da beleza; os reflexos dessa busca desenfreada pelo “corpo perfeito” e que se traduzem em efeitos nocivos à própria saúde, entre eles distúrbios alimentares como a anorexia, a bulimia e a vigorexia, bem como o uso indiscriminado de anabolizantes, diuréticos e outras drogas; etc.
  3. 3. 3 Para isso elaborei um Caderno Pedagógico que contém textos, recortes de artigos e questões para reflexão dirigidas ao professor, bem como sugestões de atividades a serem desenvolvidas com os alunos; o qual objetiva promover reflexões sobre as contradições que envolvem o discursos midiáticos em relação à beleza. Nessa pesquisa utilizei o método da pesquisa-ação, que foi realizada no ano de 2009, no Colégio Estadual Campos Sales, situado em Campina Grande do Sul/ PR, com um grupo de 50 alunos. No decorrer do projeto tornou-se visível o grande interesse dos alunos pelos temas abordados e nas atividades desenvolvidas, ainda que em determinados momentos tenha ficado claro que a maioria deles sente-se atraído e sugestionado por alguns programas e propagandas, mesmo afirmando o contrário, evidenciando o fato, que o bombardeio de informações veiculadas pela mídia invade a rotina dos adolescentes sugestionando-os seja na busca pelo corpo perfeito, seja disseminando a cultura de consumo voltadas ao embelezamento, o que reforça a necessidade de se demonstrar ao aluno o sentido das informações oferecidas pela mídia,de tal forma que o mesmo se torne crítico em relação ao conteúdo midiático, reconstruindo seu significado. 1. Dialogando com a literatura Em uma sociedade onde a aparência corporal é valorizada, o “fictício” mundo da mídia cumpre o papel de levar as pessoas a adotarem algumas atitudes arriscadas e impensadas na busca pelo corpo saudável, magro e malhado, escravizando-as na ditadura da magreza ou do músculo bem definido, interpelando-as com seu discurso persuasivo. De mãos dadas com a indústria da beleza, a qual lança mão de muitas estratégias para convencer as pessoas de que elas podem e devem buscar uma solução para os seus problemas estéticos, ainda que não tenham condições para isso, apresentam ao público um ideal de beleza que se associa ao sucesso, que garante a “felicidade” e é capaz de mudar a vida do indivíduo. Desse modo, a idéia de belo e perfeito surge de diversas formas, por intermédio das propagandas de fitness, de cosméticos, adereços, acessórios, clínicas, spas, etc. No outdoor da “beleza”, não há censura, a única ditadura que impera é a do
  4. 4. 4 corpo sarado, “bonito” e desejado. Isso colabora para que a mídia veicule os produtos da complexa indústria da beleza que cresce a cada dia persuadindo novos adeptos na busca incessante por um estereótipo de beleza que nem sempre corresponde à realidade. Por todas essas razões seria pertinente, antes de tudo, indagar sobre os significados que, neste momento e nesta cultura, estão sendo atribuídos a uma dada aparência corporal; seria importante indagar sobre os processos históricos e culturais que possibilitaram que determinadas características se tornassem tão especiais; sobre os processos que permitiram, finalmente, que certas características passassem a “valer mais” do que outras. (Louro, 2000,p.62) Ao longo da história do corpo, algumas coisas se tornaram ultrapassadas, outras irão somar-se a este processo, inovando-o ou modificando-o. Stenzel, citado por Simões, faz a seguinte abordagem: “Os padrões estéticos foram, e ainda são, ditados por valores socioculturais – cada época respondeu social e culturalmente aos padrões de beleza desejados. Os padrões ditam norma do que é certo ou errado, do que é feio ou belo, do que deve ser aceito ou rejeitado pela sociedade. (2004, p. 90) Sob esta ótica é possível dizer que o corpo está sempre sofrendo mudanças por conta das transformações culturais, influenciadas por interesses econômicos, políticos e sociais. Daí verificamos que o conceito de beleza muda com o tempo e não é igual ou permanece estagnado em todas as sociedades. “Por essa razão, podemos pensar no corpo como algo que se produz historicamente, o que equivale dizer que o nosso corpo só pode ser produto do nosso tempo, seja do que dele conhecemos, seja do que ainda está por vir”. (Louro, 2003,p.38). A idéia de humanidade está se perdendo através de coisas fúteis. Os conteúdos expostos diariamente nas revistas de moda e beleza, nas novelas, nos programas de TV, etc valorizam um certo padrão de beleza, onde se projeta a ilusão que para ser belo ou ser feliz, precisa-se estar exatamente nesse padrão, reforçando o desejo das pessoas em se sentirem atraentes e lançarem-se na busca de uma aparência física idealizada. Desta maneira, a aparência física tem se tornado um fator cada vez mais prioritário na vida das pessoas uma vez que existe uma pressão social para que os indivíduos sejam “bonitos” e “fortes”. O exagero da vaidade, muitas vezes é levado ao extremo para responder as exigências da moda. As pessoas querem ser magras a qualquer custo, sem se importar com a saúde. As academias estão lotadas
  5. 5. 5 de homens musculosos, mulheres que passam o dia todo sem comer, pessoas se expondo a riscos desnecessários e, por vezes, morrendo ao submeterem-se a cirurgias plásticas, assim como é crescente o número de jovens que desenvolvem doenças de distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia. Diante dessa constante vigilância que corrobora para que projetemos um único padrão de imagem corporal, devemos nos questionar sobre uma série de mitos que não condizem com a realidade, assim como faz-se necessário atentar para o fato de que existe uma disparidade quando se toma a magreza como exemplo de saúde e, na contra mão disso, a gordura como sinônimo de doença. Uma pessoa pode ser magra mas no entanto, não gozar de uma saúde perfeita,assim como uma pessoa que está acima do peso, não significa necessariamente estar doente; até porque pessoas magras também estão sujeitas a desenvolverem quadros clínicos associados à doenças que teoricamente teriam relação direta com o excesso de peso. Entre algumas indagações poderíamos avaliar: Até que ponto um corpo magro é sinônimo de saúde? Só é gordo realmente quem quer? Qual o papel da mídia nessa ditadura do “corpo perfeito”? De acordo com Pires, Numa sociedade que se funda fortemente no valor da imagem, esse apelo à estética constitui objetivo muito buscado e, logicamente, pouco conseguido, o que acaba por revelar-se outra grande contradição, pois a frustração decorrente das dificuldades em adequar-se ao padrão corporal social gera insatisfação e falta de aderência a programas de atividade física, enfim, um resultado bastante diverso daquele preconizado pela anunciada relação exercício físico/beleza/saúde. (2002, p. 38) Nesse sentido, a mídia reforça a imagem de que saúde e beleza estão interligadas, independente de o sujeito ser realmente saudável ou não, reforçando o desejo das pessoas em se sentirem atraentes e lançarem-se na busca de uma aparência física idealizada, de onde é possível observar que a cultura de consumo exerce uma forte influência nessa construção de corpos belos. Na colocação de André (in GUACIRA), Mídia e educação fazem parte do universo da cultura, produzindo modelos de vida, modos de ser, de viver, de ver o mundo, produzindo, reforçando e veiculando uma gama de ensinamentos às pessoas. Esses ensinamentos colocam em ação estratégias pedagógicas de interpelação dos sujeitos. Essas
  6. 6. 6 estratégias são chamadas, dentro da perspectiva teórica dos estudos culturais, de pedagogias culturais, e atuam diretamente sobre os corpos dos sujeitos, educando-os, moldando-os, governando-os. (2003, p.109) Assim, avaliar criticamente os veículos midiáticos torna-se necessário e seria importante não ignorar o grande potencial de abstração que a mídia oferece quando distribui imagens e linguagens que contribuem para a construção deformada do imaginário de muitos jovens. O bombardeio de informações por intermédio da veiculação de imagens, palavras e sons midiáticos e a influência que isso exerce sobre os saberes dos jovens, leva-nos a questionar se a escola não deveria buscar novas estratégias e lançar novos olhares para essa manifestação que faz parte da formação dos alunos. Nesse sentido, Guacira indica que “a escola é um espaço de relações sociais e não somente um espaço cognitivo”. As relações sociais referem-se ao fato de a escola ser tanto um local de encontro entre jovens, quanto um local que tem relações com a mídia e outros espaços culturais. (2003, p. 90) Ainda sobre a indagação acima, como a disciplina de Educação Física pode se tornar esclarecedora a respeito de determinados aparatos midiáticos, auxiliando o adolescente a entender como eles influenciam o processo de construção corporal. De acordo com Darido, No trato com o próprio corpo, devemos buscar uma visão ampla de que o mesmo é autônomo, mas também dependente dos outros. Essa relação entre autonomia e dependência deve significar para o aluno que ele É um corpo, e não que apenas TEM um corpo. E deve significar também que esse corpo está integrado ao meio, que é relacional, pois diz respeito às pessoas, e ambiental, pois diz respeito ao meio físico, social e cultural. Traçamos, assim, um novo mapa do corpo, que é indissociado e integrado, ao contrário do que se observa na mídia, que trata de fragmentar tudo aquilo que expõe, inclusive o próprio corpo. (2005, p.151) Nesse cenário, demonstrar ao aluno o sentido das informações oferecidas pela mídia faz-se necessário, de tal forma que o mesmo se torne crítico em relação ao conteúdo midiático, reconstruindo seu significado. Caberia assim, na disciplina de Educação Física a discussão acerca das verdades e dos mitos que permeiam o caráter de exclusão e preconceito transmitidos pelos padrões corporais, os modismos, o narcisismo exacerbado,o uso indiscriminado de anabolizantes, bem como a questão do consumismo que exerce uma forte influência nessa construção de corpos “belos” se atentarmos para o fato que o corpo hoje está diretamente relacionado ao crescimento
  7. 7. 7 do mercado de bens e serviços voltados ao embelezamento. Enfim, usar os artefatos midiáticos para promover a crítica acerca destes valores, buscando na própria mídia que difunde, propaga e influencia, os aparatos para reflexão sobre as informações nela contidas. Desta maneira, ao mesmo tempo em que se faz essa análise critica da mídia, dinamizar os conteúdos com a riqueza de informações que ela oferece na medida em que desperta o interesse dos alunos, de modo a contribuir para que ele seja capaz de construir sua opiniões sobre o mundo que o cerca. Metodologia 1. Elaboração do Caderno Pedagógico O projeto tanto quanto o caderno pedagógico foram produzidos no ano de 2008,após trabalho de pesquisa com fundamentação bibliográfica e como parte do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE1, tendo como objetivo geral problematizar o modo como determinados veículos midiáticos influenciam o processo de construção corporal de alunos do ensino médio. É na fase da adolescência que os jovens afirmam suas crenças e valores. E é nessa fase também que os sonhos se transportam para o imaginário mundo da TV e das revistas de moda e beleza. As roupas, os acessórios, o charme, a elegância dos artistas, enfim, refletem o que os jovens anseiam para sentirem-se realizados, ainda que realizar esse sonho nunca venha a acontecer para a maioria deles. Por considerar isso como um reflexo da valorização excessiva da aparência e da padronização da beleza que afeta diretamente a adolescência, optei pela produção didática, que resultou num Caderno Pedagógico, material que foi utilizado no decorrer do projeto, e teve como objetivo promover a reflexão sobre questões tais como: as mudanças históricas em torno da beleza, a origem com a preocupação com o corpo, os valores humanos negligenciados em detrimento da ditadura da beleza, os distúrbios alimentares tais como a anorexia e a bulimia, o crescente aumento dos casos de vigorexia e do narcisismo exacerbado acerca do corpo. 1 Programa de Formação Continuada que visa ofertar ao Professor PDE, através do retorno às atividades acadêmicas de sua área de formação inicial, condições de atualização e aprofundamento de seus conhecimentos teórico-práticos, permitindo a reflexão teórica sobre a prática, possibilitando mudanças na prática escolar. (Programa de Desenvolvimento Educacional PDE – versão preliminar 3)
  8. 8. Num primeiro momento foi aplicado um questionário aos alunos, cuja finalidade foi a de investigar o sexo, a faixa etária, os artefatos midiáticos os quais esse público tem acesso entre outras questões. Os dados demonstraram um equilíbrio nas opiniões a respeito da interferência dos artefatos midiáticos em torno da sua noção de beleza masculina/feminina. Dos 65 alunos entrevistados, 32 responderam sim, referindo-se principalmente à escolha de roupas, maquiagem, acessórios e destacando aspectos tais como visual e aparência. Para elucidar essa constatação, seguem abaixo alguns trechos das respostas obtidas: “Sempre ficamos impressionados com o modo que os artistas se portam, se vestem, e sempre estamos querendo nos igualar a eles na tentativa de nos sentir melhor”. (Belinha, 15 anos) “As pessoas querem ficar iguais os artistas, sempre em forma, bem vestidas e bonitas”. (Cris,14 anos) Também podemos verificar a existência de opiniões contrárias, com 33 respostas negativas em torno do mesmo questionamento. Por exemplo: “Não sigo os padrões de beleza que a mídia tenta nos impor, tenho um estilo mais alternativo”. (Xisto,15)2 “Gosto de ser do jeito que eu sou, não quero imitar ninguém”. (Julie,15) A intenção do Caderno Pedagógico “A influência da mídia no processo de construção corporal de alunos do ensino médio” é levantar alguns questionamentos acerca da imagem corporal, tendo em vista que muitas vezes o ideal de beleza é imposto pelos artefatos midiáticos, de modo que a aparência exterior passa a ser padronizada e, em nome dela excluem-se alguns e outros se auto-excluem. No entanto, sabendo que o padrão de beleza não é imutável, sendo representado de diversas maneiras em diferentes épocas, seria pertinente refletir sobre demasiados modismos que estão sendo veiculados na mídia, ou seja, o que são verdades e o que são mitos. Desta forma, o caderno traz no seu conteúdo recortes de artigos, letras de músicas, poesias, questões para reflexões e sugestões de atividades a serem desenvolvidas com os alunos nas aulas. 2 Os nomes dos alunos são fictícios a fim de preservar a identidade dos mesmos. 8
  9. 9. “Imagem é tudo sua cabeça não tem nada” Pitty 9 “Não use fantasia pra ser diferente Seu figurino não condiz com sua mente Debaixo da carcaça há uma idéia ultrapassada Tudo tem limite, senão vira palhaçada Você é uma barbie disfarçada e não se enxerga Por fora é uma beleza, mas o recheio é uma merda” (2x) No primeiro capítulo “Imagem é tudo?” a indagação é proposital, de forma que não é uma afirmação e tampouco uma negação, é uma provocação. Em uma sociedade onde a aparência corporal é valorizada, o “fictício” mundo da mídia cumpre o papel de levar as pessoas a adotarem algumas atitudes arriscadas e impensadas na busca pelo corpo saudável, magro e malhado, escravizando-as na ditadura da magreza ou do músculo bem definido, interpelando-as com seu discurso persuasivo. Até que ponto a imagem corporal é tudo? Faz-se preciso e possível reflexões a fim de se inverter esse fascínio pela aparência física. “Ah beleza efêmera que não põe a mesa, que reina absoluta em seu reinado sem rei... que atravessa a história e nunca é igual.” Rosane Capilé O padrão corporal está sempre sofrendo mudanças por conta das transformações culturais e nesse sentido acaba sendo influenciado por interesses econômicos e sociais. No capítulo “E o vento levou” faço uma consideração sobre como
  10. 10. 10 os diferentes períodos históricos projetam uma forma de representação social em torno do significado do que é beleza, e também sobre o que teria levado as sociedades contemporâneas a intensificar a preocupação com o corpo. Com o passar do tempo, o corpo cada vez mais a mostra, e os indivíduos sentem a necessidade de serem vistos e notados. Para isso buscam-se alternativas e técnicas capazes de tornar o corpo uma “máquina” cada vez mais eficiente e bela. “Imagem... Daquilo que vejo... daquilo que vês... Se não me reconheço reflexo de mim mesmo Então... sou o que? Um sonho... uma miragem... Um recorte apenas Não mais que isso... A imagem Daquilo que sonho... daquilo que queria ser!” Rosane Capilé No capítulo “A imagem refletida”, enfatizo a questão da beleza exterior em detrimento da beleza interior, dos valores que estão sendo deixados de lado em nome de uma dada aparência corporal. As pessoas passam a valorizar um padrão de beleza que cria uma série de ilusões, entre elas, a de que para ser belo ou para ser feliz é preciso estar exatamente dentro dos padrões estabelecidos pela mídia. A questão do Bullying é tratada neste capítulo como fator de exclusão social, uma vez que ele é aplicado a todo momento pela sociedade, quando rotula as pessoas e promove, mesmo que veladamente, o preconceito, criando padrões de beleza. Estrelar Marcos Valle “Tem que correr, tem que suar, tem que malhar (vamos lá!) Musculação, respiração, ar no pulmão (vamos lá!) Tem que esticar, tem que dobrar, tem que encaixar (vamos lá!) Um, dois e três; é sem parar, mais uma vez”
  11. 11. 11 As academias, poderíamos dizer, são os verdadeiros shoppings do corpo, não basta estar lá com o intuito de entrar em forma e exibir o corpo, há que se exibir também os diversos acessórios utilizados durante essa prática corporal, como tênis, joggers, amarradores de cabelo, squizes, entre outros objetos estéticos voláteis, típicos desse espaço que vem sendo transformado por apelos midiáticos de consumo de toda ordem. O capítulo “Tem que malhar... tem que suar...” traz uma reflexão acerca do que são mitos e verdades em relação a cultura de consumo vastamente difundida pela indústria da beleza e propagada pela mídia, os quais são os principais responsáveis por transformarem o corpo e a auto-imagem num recurso mercadológico quando enfatizam que beleza e qualidade de vida estão diretamente relacionados, daí a proliferação das academias, centros estéticos, spas, vendas de aparelhos de ginástica e produtos destinados às melhorarias da aparência corporal. “Ah, meninas da moda, de rosto exangues, de pernas finas, com ar triste de pássaros engaiolados, o que o mundo da moda fez com vocês? ... tristes meninas” Luiz Nacif O capítulo “Semeando vento... colhendo tempestade...” discorre acerca da ditadura estética a qual uma parcela significativa de jovens, na sua maioria, do sexo feminino, parecem estar submetidos, dos efeitos para a saúde e para a própria vida do indivíduo, bem como os riscos pela busca desenfreada por um ideal de beleza, onde a malhação excessiva, o uso indiscriminado de anabolizantes e diuréticos, as dietas e regimes tornaram-se práticas já disseminadas na rotina de muitos indivíduos escravizando-as na ditadura da magreza ou do músculo exacerbado. Ao final do caderno, em anexo, seguem algumas sugestões de filmes, artigos e sites para enriquecer o trabalho dos professores, bem como para promover um aprofundamento dos assuntos abordados.
  12. 12. 2. A aplicação do projeto e os resultados obtidos 12 Tendo como público alvo alunos da 1º série do ensino médio do Colégio Estadual Campos Sales, no município de Campina Grande do Sul, PR, o projeto “A interferência da mídia no processo de construção corporal de alunos(as) do ensino médio” foi construído após trabalho de pesquisa com fundamentação bibliográfica e como parte integrante do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), tendo como objetivo geral problematizar o modo como determinados veículos midiáticos influenciam o processo de construção corporal de alunos do ensino médio. O projeto foi apresentado aos professores, à equipe pedagógica e aos funcionários na semana pedagógica que antecede o início das aulas em fevereiro, por meio de uma conversa informal na qual foram repassadas as informações principais , tais como a problemática e a opção por se trabalhar com alunos do ensino médio, haja vista ser um grupo composto por indivíduos que passam por transformações físicas e emocionais, o que de certa forma gera ansiedade e certas contrariedades acerca da imagem corporal, o que os torna susceptíveis ao turbilhão de informações lançadas diariamente na mídia, entre eles, a falsa idéia de que “imagem corporal é tudo”. Em conseqüência disso, o que se vê é o aumento abusivo no número de cirurgias plásticas que vem se tornando uma prática comum entre o público adolescente, principalmente o feminino, além dos casos de distúrbios alimentares gerados pelo medo da obesidade e do aumento significativo do uso de anabolizantes. O desenvolvimento das atividades transcorria seu rumo esperado. Com os alunos participando das discussões e demonstrando interesse nas atividades propostas, mas havia uma pedra no meio do caminho! Diga-se de passagem... algumas. A freqüência no ensino médio era de duas aulas semanais e a expectativa do aluno em torno da aula de educação física se tornava quase sempre sinônimo de “quadra e bola”. Portanto, conciliar o conteúdo programático do trimestre e inserir as atividades do projeto sem ferir o planejamento e tão pouco transformar “aliados” em inimigos não foi tarefa fácil.
  13. 13. O calendário escolar, os dias de aula e a escala de quadra também foram fatores que interferiram no andamento do projeto. A solução encontrada foi agendar atividades com os alunos no contraturno. Mas de repente o que parecia uma luz no fim do túnel, não se mostrou tão viável e efetivo assim, pois a maioria dos alunos dependia de transporte escolar. Ou seja, ir para casa e voltar para o colégio estavam fora de cogitação para alguns tendo em vista a distância. Por outro lado, ficar em tempo integral no colégio trazia, além do transtorno de não ter uma alimentação por falta de pessoal disponível para fazer merenda para esses alunos, também a restrição espacial que envolvia a questão de ensalamento, pois não havia sala disponível para trabalhar com os alunos no contraturno. Mesmo assim foi possível agendar uma ou outra atividade no período da tarde, ainda que nem todos os alunos pudessem estar presentes por outros motivos, que não o da distância, tendo em vista o trabalho ou outros cursos. No entanto, o fator que nos favoreceu no contraturno foi o fato de que as atividades rendiam com mais tranquilidade pois não se trabalhava contra o relógio, ou seja, não havia o fator “50minutos/aula”, o que, por vezes, se mostrou impraticável a partir do planejamento inicial na aplicação de todas as atividades sugeridas no Caderno Pedagógico e no cronograma estabelecido. Afora as pedras no caminho, uma boa surpresa se deu no início do projeto. Os professores de Inglês e Sociologia estavam desenvolvendo a questão do Bullying com os alunos e houve uma troca significativa de experiências com ambos, o que me possibilitou abordar esse tema com mais segurança, e, ainda, um retorno significativo dos alunos nas questões propostas à respeito desse assunto. Nesse sentido, além das atividades propostas no Caderno Pedagógico foi possível enriquecer as discussões com o filme “Bang bang você morreu” 3 que me foi sugerido e emprestado pelo professor da disciplina de inglês. O Caderno Pedagógico traz no seu primeiro capítulo um recorte da música da cantora Pity, “Imagem é tudo sua cabeça não tem nada”. Por ter uma linguagem mais despojada com a qual os adolescentes se identificam eu a utilizei como uma forma mais descontraída de dar início ao projeto. A letra da música na íntegra faz uma crítica 3 Direção: Guy Ferland, 2003 13
  14. 14. 14 ao fato dos jovens se importarem tanto com a aparência, com roupas de marca, em serem aceitos no grupo e isso inclui ter que beber, usar droga, fazer tatuagens, usar piercings, enfim, se quiser entrar pra tribo tem que aderir aos rituais. Dentre as atividades sugeridas para essa unidade, há um questionamento acerca da letra da música, além da análise de revistas e vídeos do You Tube acerca de propagandas a fim de se avaliar o conteúdo, se a imagem condizia com o produto, o que era real, o que era fictício. Nesta unidade deu-se início ao “Memorial”, um caderno onde os alunos iriam anotar no decorrer do projeto suas impressões e opiniões acerca das atividades desenvolvidas e discussões propostas. Uma viagem no tempo e o assunto do capítulo “E o vento levou...” traçou um panorama dos fatores que influenciaram as sociedades contemporâneas na intensa preocupação com o corpo, desde a década de 20 até a atualidade, evidenciando o fato de que cada padrão de beleza respondeu aos valores impostos em cada sociedade e sempre atendendo às exigências dos valores econômicos, políticos e sociais vigentes na época. Propus aos alunos a construção de um mural retratando os padrões de beleza de outras épocas, de forma que fosse possível levantar questões acerca do vestuário, maneira de se portar e linguagem, a fim de que os mesmo pudessem avaliar a beleza de outros tempos fazendo uma contraposição com a beleza atual, a partir daí iniciamos uma discussão acerca dos estereótipos de beleza midiáticos exibidos em novelas, filmes e seriados e propagandas. O capítulo “A imagem refletida...”traz uma reflexão sobre a beleza exterior em detrimento da beleza interior e também sobre a não aceitação da sua imagem corporal de muitas pessoas e principalmente dos adolescentes, por estarem num momento de mudanças internas e externas. A dinâmica onde os alunos desenhariam seu corpo e o que não gostavam nele não correspondeu ao esperado. A maioria dos alunos não sentiu-se a vontade e houve até recusa em participar. Ainda que essa recusa fosse atribuída ao pouco tempo de convívio com os colegas de sala e até comigo, a atividade evidenciou o fato de como é difícil falar de si mesmo e mais ainda expor as angústias referentes à imagem corporal em público. Um recorte do filme Shrek e A bela e fera foi exibido com a intenção de se discutir acerca da dor da feiúra e em contrapartida gerar uma reflexão sobre a docilidade e gentileza dos personagens
  15. 15. 15 principais. Ao isolar-se no pântano, Shrek adota a postura que muitas pessoas vítimas do Bullying adotam para fugir do preconceito. Assim, esse tema é abordado e discutido como fator de exclusão social. Muitos alunos após a exibição do filme “Bang bang você morreu” e posteriores discussões acerca do assunto, espantaram-se ao perceber que “brincadeiras inocentes” expõem as pessoas tornando-as vítimas de apelidos vexatórios e brincadeiras de mal gosto, pois não estabeleciam uma relação entre esse fenômeno e tais práticas. Compensando o mal estar da atividade proposta no capítulo anterior, os assuntos abordados no capítulo “Tem que malhar... tem que suar...”, fizeram brilhar os olhos dos alunos, do sexo masculino em especial, com a exibição dos vídeos envolvendo propagandas sobre produtos de artigos esportivos nos quais os craques do futebol ou outro esporte mais popular anunciavam o produto. Como proposta de atividade os alunos “criaram” um produto com fins estéticos, tais como: chá emagrecedor, suplemento alimentar para aumentar a massa muscular, esmalte para crescimento rápido das unhas, prancha com íons especiais para facilitar o alisamento dos cabelos, etc. Após, os grupos exibiram o produto para os demais gerando uma discussão sobre o que são verdades e mitos em relação às propagandas exibidas em revistas e na tv. A tão famigerada cultura de consumo ganhou uma nova roupagem com as informações e discussões sobre os mitos e verdades que são veiculados pela mídia em parceria com a indústria publicitária quando exploram a imagem do artista muitas vezes numa exposição desnecessária do corpo para vender o produto, onde a idéia de “belo” e “perfeito” surge de diversas formas por intermédio das propagandas de fitness, de cosméticos, adereços, clínicas de estética, etc, impulsionando o mercado de produtos destinados às melhorias da aparência corporal, como aparelhos de ginástica, alimentos ligths, suplementos alimentares, esteróides anabolizantes, artigos esportivos entre outros. A busca pelo corpo perfeito e a performance atlética juntamente com a urgência e o imediatismo em querer ganhar massa muscular ou “entrar em forma” num curto espaço de tempo refletem a urgência dos adolescentes em conseguir o que desejam, foram motivo de discussões no capítulo “E o vento levou...”. Da mesma forma que no capítulo anterior, a exibição de vídeos sobre o uso de anabolizantes e vigorexia
  16. 16. 16 bem como da anorexia e da bulimia despertou grande interesse dos alunos em geral, promovendo reflexões e o esclarecimento acerca dos efeitos para a saúde e para a própria vida do indivíduo, bem como os riscos na busca desenfreada por um ideal de beleza, onde a malhação excessiva, o uso indiscriminado de anabolizantes e diuréticos, as dietas e regimes tornaram-se práticas já disseminadas na rotina de muitos indivíduos escravizando-as na ditadura da magreza e do músculo “bem definido” Assim como chamou a atenção das meninas vídeos exibindo o “antes” e o “depois” de sessão de fotos de modelos famosas e o uso do aplicativo do photoshop, que gerou uma discussão acerca da “beleza produzida”. Entre outras atividades sugeri a leitura da Lenda de Narciso com o intuito de chamar a atenção dos alunos sobre o narcisismo exacerbado. Uma atividade que chamou a atenção dos alunos foi a análise de revistas de moda e beleza. Os alunos foram separados em quatro grupos que procederam da seguinte maneira: Grupo 1 fez uma análise das capas das revistas, observando e procurando descrever o biotipo das(os) modelos, as roupas que geralmente usam nas fotos, o que estaria mais em evidência nas capas, e se as modelos das capas eram conhecidas ou desconhecidas. O grupo 2 analisou a capa das revistas observando as “frases de chamadas” mais comuns, se as informações contidas atrelavam as prescrições anunciadas nas frases com os corpos de artistas em evidência na atualidade e das palavras que mais aparecem bem como das matérias anunciadas com mais ênfase; o grupo 3 analisou as matérias mais comuns, o que geralmente se discute nessas matérias e as atividades físicas mais indicadas, as dietas, as dicas de beleza, etc e por fim, o grupo 4 fez a análise sobre as propagandas mais veiculadas e se havia mais matérias ou mais propagandas nessas revistas. Os alunos observaram que a maioria das modelos das capas de revistas dessa natureza são magras, de cor branca mas bronzeadas, ainda que não fosse verão na época da tiragem; as frases de chamadas na sua maioria atrelam o conteúdo à imagem/opinião de artistas famosos, como por exemplo: “Siga a dieta recomendada pela atriz ...e entre em forma rapidamente” ou ainda “ A atriz ... seguiu e aprovou a série de exercícios para ficar com tudo em cima para o verão”. No conteúdo matérias destinadas a melhorar a aparência corporal sem, no entanto orientar que deve-se observar alguns cuidados na execução de determinadas práticas e propagandas ocupando muito mais espaços que matérias.
  17. 17. 17 Posteriormente, cada grupo organizou cartazes acerca do seu tema de discussão e expôs para os demais grupos da classe. Finalizando a atividade, propus uma discussão acerca desse veículo midiático promovendo uma reflexão sobre como essas revistas interpelam as pessoas na ditadura do “corpo perfeito”. Apesar das dificuldades já citadas durante a aplicação do projeto, tornou-se visível o grande interesse dos alunos pelos temas abordados e pelas atividades desenvolvidas. Em determinados momentos ficou clara a confusão que alguns alunos faziam a respeito da opinião que afirmavam ter e tornava-se evidente que mesmo dizendo que não se deixavam influenciar pela mídia, de certa forma eles sentiam-se atraídos e até sugestionados por algumas propagandas. Durante a exibição dos vídeos ou nas atividades em que se trabalhava com revistas de moda e beleza ou, ainda aquelas que traziam fatos ligados à rotina de ídolos de novelas, cinema e minisséries, era comum nos comentários dos alunos expressões tais como “gatinha(o)”, “lindo(a)”, “sarado”, “gostoso(a)”, usadas espontaneamente e transparecendo a intenção dos(as) mesmos(as) de querer ser ou parecer igual, seja em relação a imagem corporal,seja em torno da propriedade de roupas e acessórios dos sujeitos de referência. Quanto ao Memorial, no início do projeto, deixei a critério dos alunos a forma como fariam os registros, apenas propus que fossem criativos e críticos. O resultado foi superior ao esperado tanto na elaboração quanto nas opiniões registradas. A maioria deles indicou a tv e a Internet como sendo os veículos midiáticos que mais levam as pessoas a valorizar demasiadamente a imagem corporal, assim como também sugestionam as pessoas a querer tudo aquilo que é veiculado. Alguns utilizaram trechos de músicas, recortes de revistas e gravuras para ilustrar as discussões, a maioria deles foi crítico em relação à maneira como os veículos midiáticos influenciam as pessoas nos padrões de beleza e comportamentais, outros acreditam que as pessoas não se deixam influenciar tão facilmente, e alguns adotaram uma postura neutra. Finalizando o projeto, propus aos alunos uma exposição das atividades desenvolvidas, de forma que eles elaboraram cartazes e murais relativos aos temas discutidos lançando questões de reflexões e alertando sobre os riscos os quais as
  18. 18. 18 pessoas podem ser submetidas como reflexo ao exagero da vaidade para responder as exigências da mídia quando apregoa um ideal de beleza estereotipada. Do ponto de vista das equipes gestora e pedagógica ao final do projeto, foi emitido um parecer favorável ao projeto no que se refere a relevância do mesmo, bem como na articulação do professor com os segmentos envolvidos na execução das ações de implementação da proposta. Assim como houve uma confirmação do cumprimento das etapas o que levou ao cumprimento do cronograma e culminou numa excelente análise dos resultados alcançados com a implementação do projeto na escola. Tal como ficou expressado pela pedagoga que acompanhou os trabalhos: “Se percebeu que houve uma pesquisa e critério na seleção e na distribuição dos temas abordados, bem como uma ótima utilização dos recursos, os quais instigaram os alunos a posicionar-se de forma lúdica, crítica e interativa nas atividades propostas abordando temas tão presentes no cotidiano dos alunos. É notável a tônica reflexiva que permeia todas as ações do projeto, no qual a “prática pela prática” (fenômeno recorrente nas aulas de Educação Física) é substituída por uma prática reflexiva em torno da educação do corpo.” 2.1 O trabalho com o GTR Paralelamente à implementação do projeto, fui tutora do curso GTR, como requisito do Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE. A princípio tornar-se tutora me pareceu assustador e trabalhoso, mas no decorrer do curso foi se transformando num valioso aliado. A participação dos cursistas nos fóruns e a troca de experiências que foi se estabelecendo a cada nova unidade favoreceu a todos, alicerçando e enriquecendo as discussões nas atividades propostas. O Grupo de Trabalho em Rede – GTR foi desenvolvido através da utilização da plataforma MOODLE, um ambiente virtual destinado a promover uma interação dos professores PDE com os demais professores da rede Estadual de Ensino que não haviam ainda ingressado no programa, possibilitando a inclusão dos mesmos nas reflexões, discussões e elaborações realizadas pelo professor PDE. O curso foi composto de 6 unidades e a interação aconteceu através dos fóruns, onde os alunos postavam suas opiniões, argumentavam, faziam interações entre eles e relatavam experiências.
  19. 19. 19 Por considerar relevante a experiência e o resultado, mencionei o curso e sinto-me a vontade para transcrever os comentários de alguns cursistas em relação à produção didático-pedagógica e também da avaliação do curso: “A Proposta de Implementação Pedagógica da prof Rosane é bastante pertinente, tal proposta não fica delimitada a considerações referente a realidade de cada região, pois todos podem desenvolver essa discussão acerca do corpo em qualquer realidade escolar. O Tema não somente abrange a realidade escolar do nosso Estado, como é uma questão mundial. Com relação ao título "A influência da mídia no processo de construção corporal de alunos do ensino Médio, é um título bastante coerente, com o que a autora pretende expor ao longo do seu trabalho. Sua justificativa é clara e objetiva, pois por várias vezes ela deixa claro suas intenções, aponta o porque da necessidade de se efetuar esse tipo de estudo, e consequentemente a importância que o mesmo dará a ponto de contribuir, até em questões materiais para o trabalho prático e teórico do professor em sala.” (Ana Paula Silvestre dos Santos - Sarandi - PR) “Após leitura da proposta e da produção apresentada, vejo que a produção está sim coerente com a proposta, está embasada, clara, objetiva. A leitura é acessível e muito atraente, tem recursos diferenciados o que é muito prazeroso trabalhar tanto para alunos como para os professores. Além disso, tem ótimo resultado na apredizagem. Há uma sequência lógica e didática sim na minha opinião, facilitando o entendimento e conseguentemente a aprendizagem”. (Luciane Souza Martins – Palmital - PR) “Achei que o encaminhamento metodológico adotado por ti sensacional. No primeiro momento você leva os teus alunos a pensarem uma determinada situação num determinado contexto. Num segundo momento traz a reflexão, onde todos podem falar e mais importante ouvem os seus colegas. E finalmente considerando o que foi discutido vocês no coletivo elaboram estratégias que implicam novos posicionamentos”. (Lílian Luciane Lerner – Laranjeiras do Sul - PR) “Neste GTR tive a oportunidade de obter leituras sobre este assunto que sempre me interessou, mas nunca tive a oportunidade de colocá-lo em prática, tive a oportunidade de obter resultados com as atividades propostas no caderno pedagógico, e também criar atividades com subsídio do caderno pedagógico. O tema foi envolvente nos colocando a par de assuntos do presente como bulling, modismo, beleza. Parabenizo a tutora pela dedicação e preocupação durante as unidades, foi a primeira vez que participei do GTR e foi uma experiência muito construtiva ( pessoal e profissionalmente)”. (Michelle do Nascimento – Londrina - PR) “Foi um curso bem produtivo, ocorreu vários debates, discussões a respeito da influência da mídia na construção dos valores dos adolescentes, o que propiciou um momento para refletir sobre a nossa prática pedagógica e novas formas de conceber a Educação Física que vai além dos esportes. Quero parabenizar a professora Rosane pelo trabalho desenvolvido que é muito relevante para a nossa área, que carece de produções pedagógicas. O caderno pedagógico foi muito bem elaborado, destacando a linguagem bem acessível a todos não deixando a fundamentação teórica e científica a desejar. Outro aspecto positivo foi o uso de imagens, figuras tornando-o também atrativo.” (Márcia Shiratsu – Maringá – PR)
  20. 20. 20 Considero que fui muito feliz enquanto tutora, e poder contribuir para o trabalho e a prática pedagógica dos professores da rede foi muito gratificante, apesar da constante vigilância que havia de ser feita sobre a participação efetiva dos cursistas, e o esforço contínuo para que eles não desistissem da empreitada. Fato este que considero relevante pois obtive um retorno muito positivo dos mesmos quando sentiam-se encorajados a não desistirem do curso o que veio a se tornar uma via de mão dupla, pois o retorno que obtinha dos mesmos refletia-se como um estímulo pra que eu também não desanimasse diante das dificuldades que surgiam durante a aplicação do projeto. Ao término do curso eu me senti com a sensação de missão cumprida e muito gratificada por essa experiência que enriqueceu minha prática pedagógica, tanto como tutora como quanto aprendiz, pois o GTR é uma troca constante, aprende-se e ensina-se de uma forma valiosa e inovadora. Considerações finais As informações através das novas tecnologias se propagam numa rapidez incontrolável e inevitável nos diversos segmentos da sociedade, de forma que muitas escolas estão lançando novos olhares e buscando maneiras de promover a integração dos processos educativos com o uso das tecnologias de informação e comunicação . Os alunos de hoje não são os mesmos e são significativamente influenciados por essas informações haja visto terem crescidos envoltos numa cultura midiática. Nesse sentido, meninos e meninas que vêm-se envoltos com as mudanças que ocorrem na fase da adolescência, num momento em que regras e conceitos são questionados ou valorizados ao extremo, muitas vezes acabam atrelando sua imagem àquelas reproduzidas pelos personagens de programas de TV e modelos de revistas. Meninos e meninas que vêm-se envoltos com as mudanças que ocorrem na fase da adolescência, num momento em que regras e conceitos são questionados ou valorizados ao extremo, muitas vezes acabam atrelando sua imagem àquelas reproduzidas pelos personagens de programas de TV e modelos de revistas. Nesse sentido, a reflexão e o esclarecimento acerca dos efeitos para a saúde, e para a própria vida do indivíduo, a respeito dessa perseguição em torno de um ideal de beleza,
  21. 21. sobretudo para o público adolescente, vai de encontro à necessidade da escola e mais especificamente da disciplina de Educação Fìsica, em promover a integração dos processos educativos com o uso das tecnologias de informação e comunicação, de forma que não é mais possível ignorar a forte influencia que a mídia exerce sobre os saberes do educando por meio de contínuos e variados modismos. Ao fazer parte do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, tive a oportunidade de lançar mão de alguns elementos que me possibilitaram colocar em prática ações pedagógicas no sentido de problematizar como os alunos do ensino médio deixam-se influenciar pela mídia no seu processo de construção corporal. Como já citado na metodologia aplicada na implementação pedagógica algumas dificuldades surgiram, de forma que me refiro a elas como pontos negativos, quais foram: o fator hora/aula; a inserção do projeto sem ferir o planejamento, devido ao fato de serem duas aulas semanais na grade curricular da disciplina de Educação Fisica no ensino. Eu considero a experiência da implementação do projeto, bem como da produção didático-pedagógica gratificante. É prazeroso ter a oportunidade de colocar em prática um projeto, as estratégias de ações, ver os objetivos atingidos, superar as dificuldades de adequação tempo/espaço, utilizando um recurso que você mesmo produziu, certificando-se da sua utilidade e versatilidade. Assim, atribuo como pontos positivos à essa experiência, o programa PDE como estímulo aos professores com a inserção acadêmica; o GTR propiciando a articulação dos professores PDE com os professores da rede possibilitando uma troca de experiências enriquecendo a prática pedagógica dos envolvidos; o fato de tornar a disciplina de Educação Física esclarecedora acerca das verdades e mitos que permeiam as informações veiculadas pela mídia; a elaboração de um material didático-pedagógico que tem a intenção de colaborar no trabalho dos professores da rede nas aulas com a finalidade de orientar os alunos sobre as influências que a mídia exerce sobre o processo de construção corporal; a receptividade dos alunos e equipe gestora e pedagógica na implementação e desenvolvimento das atividades do projeto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 21
  22. 22. 22 DARIDO, Suraya Cristina; RANGEL, Irene Conceição Andrade. Educação Física na Escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Doogan, 2005 FRAGA, Alex Branco. Anatomias de Consumo: investimento na musculatura masculina. In: Educação & Realidade. Julho/Dez, 2000 LOURO, Guacira Lopes. CORPO, ESCOLA E IDENTIDADE. In: Educação & Realidade, Julho/Dez, 2000 LOURO, Guacira Lopes; NECKEL, Jane Felipe; GOELNER, Silvana Vilodre (organizadoras). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003 PIRES, Giovane De Lorenzi. Educação Física e o discurso midiático: abordagem crítico-emancipatória. Ijui: Unijui, 2002 SIMÕES, Antonio Carlos; KNIJNIK, Jorge Dorfman (organizadores). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho. São Paulo: Aleph 2004 VAZ, Alexandre Fernandez. Corpo, educação e indústria cultural na sociedade contemporânea: notas para reflexão. In: Pro-posições, v. 1 n.2 – maio/agosto, 2003

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