A Importância da Soja na Economia Brasileira e na Segurança Alimentar

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Apresentação do Engenheiro Agrônomo Avílio Antonio Franco no Seminário Ano Internacional das Leguminosas em 12 e 13 de maio de 2016 no Campus da UFRRJ em Campos dos Goytacazes, RJ
Rede Agronomia: www.agronomos.ning.com

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A Importância da Soja na Economia Brasileira e na Segurança Alimentar

  1. 1. A importância da soja na economia brasileira e na segurança alimentar Avílio A. Franco aviliofranco@gmail.com
  2. 2. Histórico Soja, planta originária da região nordeste da China (Manchúria). ♦ Trazida para o Ocidente no final do século XV.
  3. 3. Cultivada há mais de cinco mil anos pelos chineses, a soja é a espécie produtora de grãos alimentícios que mais proteína produz por unidade de área e unidade de tempo, sem necessidade de adubação nitrogenada. Além disso é um dos alimentos mais completos e versáteis que o homem conhece:  Composição química com alto valor nutricional;  Compostos funcionais importantes na manutenção da saúde e redução de riscos de doenças crônico-degenerativas não transmissíveis. Importância
  4. 4. 15% carboidratos solúveis: frutose, glicose, sacarose, estaquiose, rafinose + 15% de carboidratos insolúveis - fibras. 18-21% óleo (5% lecitina) 35-40% proteínas. 5 % de Minerais: K, Ca, Mg, P, Fe, Cu e Zn - baixo conteúdo de Na - indicada para hipertensos. Vitaminas: Complexo B (B1, B2 e niacina) e vitamina E. Composição dos grãos da soja
  5. 5. A saga da soja no Brasil  1882 – Testada em Cruz das Almas, Ba – 12° S com baixíssima produtividade  1902 – Introduzida no Rio Grande do Sul, 30° S - Até 1950 foi usada principalmente para alimentar suinos e como forrageira.  Decada de 1960 – produção concentrada no Sul com produção média em torno de1.000 kg/ha  Decada de 1970 - Produção expandiu para o Centroeste, nos solos sob cerrado.  Decada de 1980 – Nordeste.  Decada de 1990 – caminha para o Norte.
  6. 6. • Boa adaptação das variedades importadas do Sul dos EUA. • Incentivo a calagem dos solos ácidos no anos 60. • Possibilidlade de alternar soja no verão com trigo no inverno. • Excelente fonte de proteina para uso animal e humano com consequente valor de mercado. • Agro industrialização da região. • Relativa melhoria na infraestrutura viária, portos e comunicação. • Surgimento das cooperativas. • Leguminosa produtora de grãos sem adubação nitrogenada. • Poucas pragas e doenças – espécie introduzida. Porque o plantio da soja cresceu a partir do Sul do Brasil.
  7. 7. Porque a soja se expandiu no Brasil Central  Vantagens da região com a construção de Brasilia.  Incentivos para o desmatamento e ocupação da região  Topografia favorável a mecanização e possibilidade de rotação com outras culturas: algodão e milho safrinha.  Solos com características físicas favoráveis.  Boa distribuição de chuvas no verão, período de crescimento da cultura.  Migração de agricultures sulistas com experiência com a cultura para a região.  Adaptação de variedades a baixa latitude, a solos ácidos de baixa fertilidade com mínimo de correção e uso de inoculantes eficientes.
  8. 8. Sem correção de solo nenhuma produção
  9. 9. Resposta da soja a inoculação – primeiro ano de plantio Tratamentos kg/ha Sem inoculação 1650 TN (200 kg N/ha) 3249 Inoc. Com rizóbio 3562 Zilli et al., Pesq. Agropec. Bras., 2010 Inoc. Com rizóbio Sem inoculação
  10. 10. Adaptação da soja a realidade brasileira  Inicialmente a pesquisa se limitou em testar o germoplasma existente que era sensível ao fotoperiodo: .  A seleção para baixa sensibilidade ao fotoperíodo, capacidade de crescer e produzir em solos de baixa fertilidade com baixo uso de insumos e alta capacidade de nodular e fixar nitrogênio gerou a soja tropical. Obra do DNPEA (hoje Embrapa), IAC, IPEAS, UFRGS, UFV, entre outras Instituições.  Variedades iniciais: Bragg, Davis – Sta. Rosa  Atualmente os produtores estão demandando variedades com características tais como: folhas estreitas, internós curtos, ciclo curto, resistência ao acamamento e resistência as várias pragas e doenças.  Demanda de variedades mais adequadas para alimentação humana.
  11. 11. Principais e Estados produtores (1960/69 a 2014) RS PR MS MG MT GO 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 1960-69 1970-79 1980-89 1990-99 2000-09 2010/13 2014
  12. 12. Produtividade acima, igual ou abaixo da media nacional de 3 t/ha Acima Igual Abaixo Source: Kleffmann Produtividade da soja no Brasil
  13. 13. Produção mundial de soja (milhões t/ano de 1960/2015) Fonte: CONAB Brasil EUA Argentina China Índia Paraguai Milhõeston. Período 108 95 60 12 11 9 -10 10 30 50 70 90 110 1960/69 1970/79 1980/89 1990/99 2000/2010 2011/14 2015 EUA Brasil Argentina China India Paraguay EUA Brasil
  14. 14. 0.5 7.3 16.4 24,0 53.4 77.2 95,0 0.4 4.9 9.5 11.3 20.4 26.7 31,4 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 1960/69 1970/79 1980/89 1990/99 2000/10 2011/14 2015 Produção Área Evolução da área e da produção de soja no Brasil (1960/2015)
  15. 15. 940 1381 1089 1439 1717 2112 2582 2897 3034 0% 47% 16% 53% 66% 125% 175% 206% 222% 0% 50% 100% 150% 200% 250% 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Produtividade media (kg/ha) das décadas de 1940 a 2015 Produtividade Porcentagem
  16. 16. Produção de grãos, N exportado nos mesmos e estimativa da economia em adubos nitrogenados pela FBN na cultura da soja no Brasil. (Considerando 6% N nos grãos, 100% N absorvido do fertilizante e US$558.00/t de uréia) Período Produção total (x 106t) N exportado (106 kg) Economia em N (106 US$) 1960/69 0,5 30 36 1970/79 7,3 438 520 1980/89 16,4 984 1180 1990/99 24,0 1440 1730 2000/06 46,1 2766 3310 2007/12 64,3 3858 4620 2013 82,7 4962 5940
  17. 17. Evolução da área de plantio em relação as demais culturas no Brasil
  18. 18. 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 1991 1992/00 2001/05 2006/10 2011/12 2013 12,7 0,8 Milho: área da safra e da safrinha (1991 / 2013) Fonte: CONAB Safrinha 9,0 Safra 6,81 Milhõesha Período
  19. 19. Colhendo soja e semeando o milho safrinha
  20. 20. Evolução do índice de desenvolvimento humano (IDH), rumo ao Oeste
  21. 21. Produção total de grãos por cultura – 57,5 mi ha (2015)
  22. 22. Produção de carnes no Brasil – (1970/2014) Fonte: CONAB Frango Boi Porco Milhõeston Período 0.5 1.6 3.7 8.7 12.3 12.9 12.7 13,0 2.1 3.9 5.8 8.1 9.1 9.4 9.2 9.9 0.7 1 1.4 2.7 3.2 3.3 3.3 3.4 0 2 4 6 8 10 12 14 1970/791980/891990/992000/09 2010 2011 2012 2013/14 Frango Boi Porco 3,3 mi t para 26,3 mi t
  23. 23. PIB=30% O que o agronegócio representa para a economia do Brasil? EXPORTAÇÕESDO PAÍS=36% EMPREGADOSDO BRASIL=37% PIB = 20 a 25% Exportações totais: 37 – 42% Total de empregos 36-38%
  24. 24. Saldo comercial do agronegócio vs saldo do Brasil (US$ bilhões) Superávits do Agronegócio = 795,3 Déficit dos demais setores = 282,7 Superávit do Brasil = 396,7
  25. 25. 89.3 46.5 39.9 18.8 15.4 Soja Cana Milho Laranja Café O que a soja representa para o agronegócio brasileiro (valor bruto da produção agrícola)
  26. 26. 30 20 19 11 20 Source: AgroStar Brasil Complexo Soja Açúcar / etanol Outros A soja na exportação de produtos agrícolas pelo Brasil ($ Bilhões, 2012) Carne Café
  27. 27. Produção 74,1 Processado 36,2 Farelo 27,5 Uso interno 13,4 Exportado 14,2 Óleo 7,0 Uso interno 5,45 Exportado 1,55 Exportado 32,4 Aproximadamente 65% da produção exportada Biodiesel 1,9 Fonte: ABIOVE Obs.: valores em milhões de toneladas para o ano 2011/2012 Destino da soja produzida no Brasil
  28. 28. Soja como Alimento Entraves: • falta de hábito alimentar; • desconhecimento de técnicas adequadas para preparo da soja in natura; • restrições com relação ao sabor; • preconceitos.
  29. 29. Panorama Atual - Soja como alimento: aceitação crescente pelos consumidores. - Produtos à base de soja: aumentaram em quantidade e qualidade, com diversidade de marcas no mercado. - Segmento de alimentos de soja no Brasil tem crescido nas últimas décadas, com destaque para as bebidas à base de soja (BBS).
  30. 30. ALIMENTOS À BASE DE SOJA No varejo houve um crescimento recorde: aumento na participação em 900% desde 1999 (dados de uma grande empresa de alimentos). Houve crescimento muito grande no consumo de bebidas à base de soja (BBS) a partir de 2005, principalmente daquelas adicionadas de sucos de frutas.
  31. 31. Soja em grão: vendida em supermercados, feiras livres, mercados municipais e lojas de produtos naturais. Para fazer como feijão, salada, extrato (“leite”), tofu. Dica para obter bom sabor é fazer tratamento térmico adequado. PRODUTOS DISPONÍVEIS NO MERCADO
  32. 32. Farinha de soja Farinha industrial é usada pelas indústrias de alimentos e para consumo doméstico. Encontrada em lojas de produtos naturais ou nos supermercados (gôndolas de dietéticos). Para adicionar em bolos, tortas, biscoitos e pães. Farinha integral torrada (KINAKO) para: • substituir farinha de trigo (até 20%); • adicionar ao leite, iogurte ou granola; • preparar mingaus e vitaminas de frutas; • consumir na forma de farofa (temperada ou não).
  33. 33. Extrato ou “leite” de soja - Em pó ou na forma líquida. Processamento adequado e boas cultivares permitem obter sabor suave e agradável. - Bebidas à base de soja (BBS): - No sabor “original”, chocolate, banana, coco, morango, aveia com mel; versões convencional ou light, contendo 2,5% de proteína. - Com sucos de frutas, contendo cerca de 0,5% de proteína, em sabores variados: maçã, pêssego, laranja, abacaxi, uva, maracujá, goiaba, manga e outros sabores sazonais.
  34. 34. Extrato de soja Pode ser utilizado em receitas doces e salgadas, substituindo o leite de vaca. Composição similar ao leite, não contém: • colesterol (como todo produto vegetal) • ácidos graxos saturados Bom para pessoas com intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite. Derivados: tofu, chocolate, sorvete, “iogurtes”.
  35. 35. Derivados do extrato de soja
  36. 36. Concentrado/isolado proteico de soja Utilizados pela indústria de alimentos como ingredientes para elaboração de formulados e em uma grande diversidade de produtos.
  37. 37. Usada em substituição à carne moída, em molho tipo bolonhesa, recheios de tortas/salgados, hambúrguer, croquete e quibe; como salada temperado com vinagrete; adicionado em sopas. Proteína texturizada de soja (PTS)
  38. 38. Substitutos da carne
  39. 39. Aperitivo de soja (soynuts) • grãos fritos ou torrados • consumido como aperitivo ou na preparação de pratos em substituição ao amendoim (aparência e sabor semelhantes)
  40. 40. Temperos
  41. 41. Barras energéticas
  42. 42. Creme de soja e condensado de soja
  43. 43. cookies Cookies
  44. 44. Produtos de panificação
  45. 45. Brotos de soja Grãos de soja cozidos Conservas
  46. 46. RECEITAS COM SOJA Download pela Internet: http://www.cnpso.embrapa.br/receitas.php Venda de publicações: 43 3371-6119
  47. 47. Social Ambiental Econômica S Sustentabilidade (S)
  48. 48. Desafios  Maior participação da soja na alimentação da população do país (apesar dos avanços recentes);  Diminuir gorduras trans (menos ácido linoleico e mais ácido oleico);  Diminuir impacto socio-ambiental (sistema de produção, agrotóxicos, evitar bioma amazônica etc.);  Controle de pragas e doenças sem uso de agrotóxicos.
  49. 49. Amélio Dall’Agnol Amelio.dallagnol@embrapa.br José Marcos Gontijo Mandarino Josemarcos.gontijo@embrapa.br Mariangela Hungria Mariangela.hungria@embrapa.br Embrapa soja
  50. 50. Obrigado Avílio A. Franco aviliofranco@gmail.com

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