❉ Sexta - Estudo adicional
Discipulado; Lição 1012014 - Fazendo discípulos de todas as nações
Atos dos Apóstolos, p. 25-34...
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livremente. Aquele que vem a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. A vós, Meus discípulos, Eu entrego
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confins da Terra." Atos 1:5 e 8.
O Salvador sabia que nenhum argumento, embora lógico, enterneceria corações endurecidos o...
Os justos mortos ressurgirão de suas sepulturas, e os que estiverem vivos serão arrebatados com eles para
encontrar o Senh...
"E cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu
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miraculoso dos discípulos a alguma causa natural, declararam estarem eles embriagados por terem bebido
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"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão
dos pecados; e re...
aos confins da Terra, testificando do poder de Cristo. Foram cheios de um intenso desejo de levar avante a
obra que Ele ti...
o resultado de Sua morte.
Os que lavram o solo têm sempre diante de si essa ilustração. De ano para ano conservam seu
abas...
glorificado, e outra vez O glorificarei." João 12:28. Toda a vida de Cristo, da manjedoura ao tempo em que
estas palavras ...
O Desejado de Todas as Nações, p. 497-505: "O Bom Samaritano".
Na história do bom samaritano, ilustra Cristo a natureza da...
caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele
lugar, e vendo-o, ...
aumentando-se-lhe assim os sofrimentos. Conduziu-o a uma hospedaria, cuidou dele durante a noite,
velando-o carinhosamente...
Tudo isso não é senão um cumprimento do princípio da lei - o princípio ilustrado na história do bom
samaritano, e manifest...
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O Estudo adicional e para as pessoas terem acesso aos trechos dos livros pedido na parte de sexta, da lição da escola sabatina.

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Estudo adicional_Fazendo discípulos de todas as nações_1012014

  1. 1. ❉ Sexta - Estudo adicional Discipulado; Lição 1012014 - Fazendo discípulos de todas as nações Atos dos Apóstolos, p. 25-34: "A Grande Comissão". Após a morte de Cristo, os discípulos ficaram quase vencidos pelo desalento. Seu Mestre tinha sido rejeitado, condenado e crucificado. Os sacerdotes e príncipes haviam declarado zombeteiramente: "Salvou a outros, e a Si mesmo não pode salvar-Se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nEle." Mat. 27:42. O sol da esperança dos discípulos tinha declinado, e a noite havia descido sobre seus corações. Muitas vezes repetiram as palavras: "E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel." Luc. 24:21. Desolados e com o coração em dor, lembraram-se de Suas palavras: "Se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?" Luc. 23:31. Por várias vezes havia Jesus tentado abrir o futuro a Seus discípulos, mas eles não haviam querido refletir no que Ele dissera. Por causa disto, Sua morte veio-lhes como uma surpresa; e mais tarde, ao rememorarem o passado e verem o resultado de sua incredulidade, Pág. 26 encheram-se de tristeza. Quando Cristo foi crucificado, eles não creram que Ele ressurgisse. Ele havia afirmado claramente que haveria de ressurgir ao terceiro dia, mas eles ficaram perplexos sobre o que Ele queria dizer. Esta falta de compreensão deixou-os ao tempo da Sua morte em extremo desesperançados. Ficaram amargamente desapontados. Sua fé não penetrava além das sombras que Satanás tinha baixado em seu horizonte. Tudo lhes parecia vago e misterioso. Tivessem eles crido nas palavras do Salvador, e quanta tristeza teria sido evitada! Esmagados pelo desapontamento, angústia e desespero, os discípulos se reuniram no cenáculo e fecharam as portas, temendo que o destino de seu bem-amado Mestre pudesse tocar-lhes também. Foi nesse recinto que o Salvador, depois de Sua ressurreição, lhes apareceu. Por quarenta dias permaneceu Cristo na Terra, preparando os discípulos para a obra que deviam fazer, e explanando o que até então eles tinham sido incapazes de compreender. Falou-lhes das profecias concernentes a Seu advento, Sua rejeição pelos judeus e Sua morte, mostrando que cada especificação dessas profecias tinha sido cumprida. Falou-lhes também que deviam considerar o cumprimento dessas profecias como garantia do poder que haveria de assisti-los nos seus futuros labores. "Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos; e em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as Pág. 27 nações, começando por Jerusalém." E Ele acrescentou: "E destas coisas sois vós testemunhas." Luc. 24:4548. Durante esses dias que Cristo passou com os discípulos, eles adquiriram nova experiência. Ao ouvirem o querido Mestre explicar-lhes as Escrituras à luz de tudo quanto acontecera, sua fé foi inteiramente firmada nEle. Chegaram ao ponto em que podiam declarar: "Eu sei em quem tenho crido." II Tim. 1:12. Começaram a compreender a natureza e extensão de sua obra e a reconhecer que deviam proclamar ao mundo as verdades a eles confiadas. Os acontecimentos da vida de Cristo, Sua morte e ressurreição, as profecias que apontavam para esses acontecimentos, os mistérios do plano da salvação, o poder de Jesus para remissão de pecados - de todas estas coisas haviam eles sido testemunhas e deviam torná-las conhecidas ao mundo. Deviam proclamar o evangelho de paz e salvação mediante o arrependimento e o poder do Salvador. Antes de ascender ao Céu, Cristo deu aos discípulos uma comissão. Disse-lhes que eles deviam ser os executores do testamento no qual Ele legava ao mundo os tesouros da vida eterna. Tendes sido testemunhas de Minha vida de sacrifício em favor do mundo, disse. Tendes visto Meus labores por Israel: E embora Meu povo não quisesse vir a Mim para ter vida, embora sacerdotes e príncipes tenham feito comigo o que desejaram, conquanto Me tenham rejeitado, terão ainda outra oportunidade de aceitar o Filho de Deus. Vistes que todos os que vieram a Mim confessando seus pecados, Eu os recebi ramos@advir.com
  2. 2. Pág. 28 livremente. Aquele que vem a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. A vós, Meus discípulos, Eu entrego esta mensagem de misericórdia. Ela deve ser dada tanto a judeus como a gentios - primeiro a Israel, e então a todas as nações, línguas e povos. Todos os que crerem devem ser congregados numa única igreja. A comissão evangélica é a Carta Magna missionária do reino de Cristo. Os discípulos deviam trabalhar fervorosamente pelas almas, dando a todas o convite de misericórdia. Não deviam esperar que o povo viesse a eles; deviam eles ir ao povo com sua mensagem. Deviam os discípulos levar avante sua obra no nome de Cristo. Cada uma de suas palavras e atos devia atrair a atenção sobre Seu nome como possuindo esse poder vital pelo qual os pecadores podem ser salvos. Sua fé devia centralizar-se nAquele que é a fonte de misericórdia e poder. Em Seu nome deviam apresentar suas petições ao Pai, e receberiam resposta. Deviam batizar no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O nome de Cristo devia ser a senha, a insígnia, o laço de união, a autoridade para sua norma de prosseguimento e a fonte de seu sucesso. Nada devia ser reconhecido em Seu reino que não trouxesse Seu nome e inscrição. Quando Cristo disse aos discípulos: Ide em Meu nome ajuntar na igreja a todos quantos crerem, deixou claro perante eles a necessidade de manterem simplicidade. Quanto menor a ostentação e exibicionismo, maior seria sua influência para o bem. Os discípulos deviam falar com a mesma simplicidade com que Cristo havia falado. Deviam imprimir no coração dos ouvintes as mesmas lições que lhes havia ensinado. Pág. 29 Cristo não disse a Seus discípulos que sua obra seria fácil. Mostrou-lhes a vasta confederação do mal arregimentada contra eles. Teriam de lutar "contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". Efés. 6:12. Mas não seriam deixados a lutar sozinhos. Assegurou-lhes que estaria com eles; e se fossem avante com fé, seriam protegidos pelo Onipotente. Ordenou-lhes que fossem valorosos e fortes; pois Alguém mais poderoso que os anjos - o General das hostes celestiais - estaria em suas fileiras. Ele tomou completas providências para a prossecução de Sua obra, e assumiu a responsabilidade de seu êxito. Enquanto obedecessem Sua Palavra e trabalhassem em harmonia com Ele, não fracassariam. Ide por todas as nações, ordenou Ele. Ide às mais distantes partes do mundo habitado, e estai certos de que Minha presença estará convosco mesmo ali. Trabalhai com fé e confiança; pois em tempo algum vos deixarei. Estarei sempre convosco, ajudando-vos a executar vossas tarefas, guiando-vos, confortando-vos, santificando-vos e vos sustendo, dando-vos sucesso, quando falardes, de maneira que vossas palavras atrairão a atenção dos outros para o Céu. O sacrifício de Cristo em favor do homem foi amplo e completo. A condição da expiação tinha sido preenchida. A obra para que viera a este mundo tinha sido realizada. Ele conquistara o reino. Arrebatara-o de Satanás, e Se tornara herdeiro de todas as coisas. Estava a caminho do Pág. 30 trono de Deus, para ser honrado pela hoste celestial. Revestido de autoridade ilimitada, deu a Seus discípulos sua comissão: "Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." Mat. 28:19 e 20. Antes de deixar Seus discípulos, Cristo uma vez mais definiu a natureza de Seu reino. Trouxe-lhes à lembrança as coisas que lhes havia falado anteriormente com relação a esse reino. Declarou-lhes que não era Seu propósito estabelecer neste mundo um reino temporal. Ele não havia sido indicado para reinar como um rei terrestre sobre o trono de Davi. Quando os discípulos Lhe perguntaram: "Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?" Ele respondeu: "Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo Seu próprio poder." Atos 1:6 e 7. Não lhes era necessário ver mais distante no futuro do que as revelações que lhes havia feito os capacitavam a ver. Sua obra era proclamar a mensagem evangélica. A visível presença de Cristo estava prestes a ser retirada dos discípulos, mas uma nova dotação de poder lhes pertenceria. O Espírito Santo ser-lhes-ia dado em Sua plenitude, selando-os para a sua obra. Disse o Salvador: "Eis que sobre vós envio a promessa de Meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." Luc. 24:49. "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Pág. 31 Espírito Santo; não muito depois destes dias." "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os ramos@advir.com
  3. 3. confins da Terra." Atos 1:5 e 8. O Salvador sabia que nenhum argumento, embora lógico, enterneceria corações endurecidos ou atravessaria a crosta da mundanidade e do egoísmo. Sabia que os discípulos precisavam receber o dom celestial; que o evangelho só seria eficaz se proclamado por corações aquecidos e lábios tornados eloqüentes pelo vivo conhecimento dAquele que é o caminho, a verdade e a vida. A obra comissionada aos discípulos iria requerer grande eficiência, porque a onda do mal corria profunda e forte contra eles. Um vigilante e determinado líder estava no comando das forças das trevas, e os seguidores de Cristo somente poderiam batalhar pelo direito com o auxílio que Deus, pelo Seu Espírito, lhes daria. Cristo disse a Seus discípulos que começassem o trabalho em Jerusalém. Aquela cidade fora o cenário de Seu estupendo sacrifício pela raça humana. Lá, envolto nas vestes da humanidade, andara e falara com os homens, e poucos discerniram quão próximo da Terra estava o Céu. Lá fora condenado e crucificado. Em Jerusalém havia muitos que, secretamente, criam que Jesus de Nazaré era o Messias, e muitos que haviam sido enganados pelos sacerdotes e príncipes. A esses o evangelho devia ser proclamado. Deviam ser chamados ao arrependimento. Devia ser esclarecida a maravilhosa verdade de que Pág. 32 somente por meio de Cristo pode ser obtida a remissão dos pecados. E era enquanto toda a Jerusalém estava agitada pelos acontecimentos sensacionais das poucas semanas passadas, que a pregação dos discípulos faria a mais profunda impressão. Durante Seu ministério, Jesus tinha conservado constantemente perante os discípulos o fato de que eles deviam ser um com Ele em Sua obra de recuperação do mundo da escravidão do pecado. Quando Ele enviou os doze, e depois os setenta, para proclamarem o reino de Deus, estava-lhes ensinando o dever de repartir com outros o que lhes havia dado a conhecer. Em toda a Sua obra Ele os estava preparando para trabalho individual, que devia ser expandido à medida que seu número aumentasse, e finalmente alcançar os confins da Terra. A última lição que deu a Seus seguidores foi que lhes tinham sido confiadas as boas novas de salvação para o mundo. Ao chegar o tempo para Jesus ascender ao Pai, Ele levou os discípulos até Betânia. Ali parou, e eles se agruparam em torno dEle. Com as mãos estendidas para abençoar, como a assegurar-lhes Seu protetor cuidado, vagarosamente subiu dentre eles. "E aconteceu que, abençoando-os Ele, Se apartou deles e foi elevado ao Céu." Luc. 24:51. Enquanto os discípulos olhavam atônitos para o alto, procurando captar o último vislumbre da ascensão do Senhor, foi Ele recebido pela jubilosa hoste de anjos celestiais. Enquanto estes anjos O acompanhavam às cortes celestes, cantavam triunfalmente: "Reinos da Terra, Pág. 33 cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor. Aquele que vai montado sobre os céus dos céus." "Dai a Deus fortaleza: a Sua excelência, está sobre Israel e a Sua fortaleza nas mais altas nuvens." Sal. 68:32-34. Os discípulos ainda estavam com os olhos fitos no céu quando, "eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o Céu O vistes ir". Atos 1:10 e 11. A promessa da segunda vinda de Cristo devia conservar-se sempre viva na mente de Seus discípulos. O mesmo Jesus, a quem viram subir ao Céu, viria outra vez, para receber aos que na Terra se entregam a Seu serviço. A mesma voz que lhes disse: "Estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat. 28:20), dar-lhes-ia as boas-vindas a Sua presença no reino celestial. Como no cerimonial típico o sumo sacerdote despia suas vestes pontificais e oficiava vestido de linho branco dos sacerdotes comuns, assim Cristo abandonou Suas vestes reais e Se vestiu de humanidade, oferecendoSe em sacrifício, sendo Ele mesmo o sacerdote, Ele mesmo a vítima. Como o sumo sacerdote depois de realizar essa cerimônia no santo dos santos, deixava este lugar e se apresentava ante a expectante multidão, em suas roupas pontificais, assim Cristo virá a segunda vez, trajando os mais alvos vestidos, "como nenhum lavadeiro sobre a Terra os poderia branquear". Mar. 9:3. Ele virá na Sua própria glória, e na glória de Seu Pai, e toda a hoste angélica O escoltará em Seu caminho. Pág. 34 Assim se cumprirá a promessa de Cristo a Seus discípulos: "Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo." João 14:3. A todos os que O têm amado e esperado por Ele, Ele coroará com honra, glória e imortalidade. ramos@advir.com
  4. 4. Os justos mortos ressurgirão de suas sepulturas, e os que estiverem vivos serão arrebatados com eles para encontrar o Senhor nos ares. Eles ouvirão a voz de Jesus, mais suave que qualquer música jamais ouvida por ouvido mortal, dizendo-lhes: Vossas lutas estão terminadas. "Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Mat. 25:34. Bem podiam os discípulos rejubilar-se na esperança da volta do Senhor. Atos dos Apóstolos, p. 35-46: "O Pentecostes". Ao voltarem os discípulos do Olivete para Jerusalém, o povo fitava-os, esperando descobrir-lhes no rosto expressões de tristeza, confusão e derrota; mas viram a alegria e triunfo. Os discípulos não pranteavam desapontadas esperanças. Viram o Salvador ressurgido, e Sua promessa de despedida lhes ecoava constantemente aos ouvidos. Em obediência à ordem de Cristo, esperaram em Jerusalém o cumprimento da promessa do Pai - o derramamento do Espírito. Não esperaram ociosos. Diz o registro que "estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus". Luc. 24:53. Reuniram-se também para, em nome de Jesus, apresentar seus pedidos ao Pai. Sabiam que tinham um representante no Céu, um advogado junto ao trono de Deus. Em solene reverência, ajoelharam-se em oração, repetindo a promessa: "Tudo quanto pedirdes a Meu Pai, em Meu nome, Ele vo-lo Pág. 36 há de dar. Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra." João 16:23 e 24. Mais e mais alto eles estenderam a mão da fé, com o poderoso argumento: "É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." Rom. 8:34. Ao esperarem os discípulos pelo cumprimento da promessa, humilharam o coração em verdadeiro arrependimento e confessaram sua incredulidade. Ao trazerem à lembrança as palavras que Cristo lhes havia dito antes de Sua morte, entenderam mais amplamente seu significado. Verdades que lhes tinham escapado à lembrança lhes voltavam à mente, e eles as repetiam uns aos outros. Reprovavam-se a si mesmos por não haverem compreendido o Salvador. Como numa procissão, cena após cena de Sua maravilhosa vida passou perante eles. Meditando sobre Sua vida pura, santa, sentiram que nenhum trabalho seria árduo demais, nenhum sacrifício demasiado grande, contanto que pudessem testemunhar na própria vida, da amabilidade do caráter de Cristo. Oh! se pudessem viver de novo os passados três anos, pensavam, quão diferentemente agiriam! Se pudessem somente ver o Mestre outra vez, com que ardor procurariam mostrar quão profundamente O amavam, e quanto se haviam entristecido por terem-nO ferido com uma palavra ou um ato de incredulidade! Mas estavam confortados com o pensamento de que haviam sido perdoados. E determinaram que, tanto quanto possível, expiariam sua incredulidade confessando-O corajosamente perante o mundo. Pág. 37 Os discípulos oraram com intenso fervor para serem habilitados a se aproximar dos homens, e em seu trato diário, falar palavras que levassem os pecadores a Cristo. Pondo de parte todas as divergências, todo o desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão cristã. Aproximaram-se mais e mais de Deus, e fazendo isto sentiram que era um privilégio o ser-lhes dado associar-se tão intimamente com Cristo. A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, estivera buscando ensinar-lhes. Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar almas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação de almas. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera. Durante a era patriarcal a influência do Espírito Santo tinha sido muitas vezes revelada de maneira muito notável, mas nunca em Sua plenitude. Agora, em obediência à palavra do Salvador, os discípulos faziam suas súplicas por esse dom, e no Céu Cristo acrescentou Sua intercessão. Ele reclamou o dom do Espírito para que pudesse derramá-lo sobre Seu povo. ramos@advir.com
  5. 5. "E cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados." Atos 2:1 e 2. Pág. 38 O Espírito veio sobre os discípulos, que expectantes oravam, com uma plenitude que alcançou cada coração. O Ser infinito revelou-Se em poder a Sua igreja. Era como se por séculos esta influência estivesse sendo reprimida, e agora o Céu se regozijasse em poder derramar sobre a igreja as riquezas da graça do Espírito. E sob a influência do Espírito, palavras de penitência e confissão misturavam-se com cânticos de louvor por pecados perdoados. Eram ouvidas palavras de gratidão e de profecia. Todo o Céu se inclinou na contemplação da sabedoria do incomparável e incompreensível amor. Absortos em admiração, os apóstolos exclamaram: "Nisto está a caridade!" I João 4:10. Eles se apossaram do dom que lhes era repartido. E que se seguiu? A espada do Espírito, de novo afiada com poder e banhada nos relâmpagos do Céu, abriu caminho através da incredulidade. Milhares se converteram num dia. Disse Cristo a Seus discípulos: "Digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei." "Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir." João 16:7 e 13. A ascensão de Cristo ao Céu foi, para Seus seguidores, um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. Por ela deviam esperar antes de iniciarem a obra que lhes fora ordenada. Ao transpor as portas celestiais, foi Jesus entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi esta cerimônia concluída, o Espírito Santo desceu em ricas torrentes sobre os discípulos, e Cristo foi de fato glorificado com aquela glória que Pág. 39 tinha com o Pai desde toda a eternidade. O derramamento pentecostal foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. De conformidade com Sua promessa, Jesus enviara do Céu o Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo. "E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." Atos 2:3 e 4. O Espírito Santo, assumindo a forma de línguas de fogo, repousou sobre a assembléia. Isto era um emblema do dom então outorgado aos discípulos, o qual os capacitava a falar com fluência línguas com as quais não tinham nunca tomado contato. A aparência de fogo significava o zelo fervente com que os apóstolos trabalhariam, e o poder que assistiria sua obra. "E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu." Atos 2:5. Durante a dispersão os judeus tinham sido espalhados por quase todas as partes do mundo habitado, e em seu exílio tinham aprendido a falar várias línguas. Muitos desses judeus estavam nessa ocasião em Jerusalém assistindo às festas religiosas que então se realizavam. Cada língua conhecida estava por eles representada. Esta diversidade de línguas teria sido um grande embaraço à proclamação do evangelho; Deus, portanto, de maneira miraculosa, supriu a deficiência dos apóstolos. O Espírito Santo fez por eles o que não teriam podido Pág. 40 fazer por si mesmos em toda uma existência. Agora podiam proclamar as verdades do evangelho em toda parte, falando com perfeição a língua daqueles por quem trabalhavam. Este miraculoso dom era para o mundo uma forte evidência de que o trabalho deles levava o sinete do Céu. Daí por diante a linguagem dos discípulos era pura, simples e acurada, falassem eles no idioma materno ou numa língua estrangeira. "E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?" Atos 2:6-8. Os sacerdotes e príncipes estavam excessivamente enraivecidos ante essa manifestação extraordinária, mas não ousavam demonstrar sua má disposição, por temor de se exporem à violência do povo. Tinham assassinado o Nazareno; mas eis que ali estavam os Seus servos, indoutos da Galiléia, contando em todas as línguas então faladas, a história de Sua vida e ministério. Os sacerdotes, resolvidos a atribuir o poder ramos@advir.com
  6. 6. miraculoso dos discípulos a alguma causa natural, declararam estarem eles embriagados por terem bebido demais do vinho novo preparado para o banquete. Alguns dos mais ignorantes dentre o povo creram na acusação, mas os mais inteligentes sabiam ser isto falso; e os que compreendiam as diferentes línguas testificavam da correção com que eram usadas pelos discípulos. Pág. 41 Em resposta à acusação dos sacerdotes, Pedro mostrou que esta demonstração era um direto cumprimento da profecia de Joel, onde é predita a descida de tal poder sobre homens a fim de habilitá-los para uma obra especial. "Varões judeus, e todos os que habitais em Jerusalém," disse ele, "seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do Meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, e os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do Meu Espírito derramarei sobre os Meus servos e Minhas servas naqueles dias, e profetizarão." Atos 2:14-18. Com clareza e poder Pedro testificou da morte e ressurreição de Cristo: "Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por Ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a Este... crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela." Atos 2:22-24. Pedro não se referiu aos ensinos de Cristo a fim de justificar sua atitude, porque sabia que o preconceito de seus ouvintes era tal que suas palavras sobre o assunto seriam de nenhum efeito. Em vez disso falou de Davi, que era considerado pelos judeus como um dos patriarcas da nação. "Porque", declarou, "dEle disse Davi: Pág. 42 Sempre via diante de Mim o Senhor, porque está à Minha direita, para que Eu não seja comovido; por isso se alegrou o Meu coração, e a Minha língua exultou; e ainda a Minha carne há de repousar em esperança; pois não deixarás a Minha alma no Hades, nem permitirás que o Teu santo veja a corrupção. Atos 2:25-27. "Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura." Ele "disse da ressurreição de Cristo: que a Sua alma não foi deixada no Hades, nem a Sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas". Atos 2:29, 31-32. É uma cena cheia de interesse. Eis o povo afluindo de todas as direções para ouvir os discípulos testificarem da verdade como é em Jesus. Eles se acotovelam, lotando o templo. Sacerdotes e príncipes estão presentes, fisionomias carregadas de negra malignidade, o coração ainda cheio de permanente ódio contra Cristo, as mãos maculadas com o sangue do Redentor do mundo, sangue esse derramado quando O crucificaram. Pensavam encontrar os apóstolos acovardados e temerosos sob a mão forte da opressão e assassínio, mas encontraram-nos acima de todo o temor, cheios do Espírito, proclamando com poder a divindade de Jesus de Nazaré. Ouvem-nos declarando com ousadia que Aquele tão recentemente humilhado, escarnecido, ferido por mãos cruéis e crucificado é o Príncipe da vida, agora exaltado à mão direita de Deus. Alguns dos que ouviam os apóstolos tinham tomado parte ativa na condenação e morte de Cristo. Suas vozes tinham-se misturado com a da turba, pedindo Sua crucificação. Pág. 43 Quando Jesus e Barrabás foram colocados perante eles no tribunal, e Pilatos perguntou: "Qual quereis que vos solte?" (Mat. 27:17) eles clamaram: "Este não, mas Barrabás." João 18:40. Quando Pilatos lhes apresentou Cristo, dizendo: "Tomai-O vós, e crucificai-O; porque eu nenhum crime acho nEle" (João 19:6), "Estou inocente do sangue dEste justo", eles exclamaram: "O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos." Mat. 27:24 e 25. Agora eles ouviam os discípulos declararem que era o Filho de Deus que havia sido crucificado. Sacerdotes e príncipes tremeram. Um sentimento de convicção e angústia se apoderou do povo. "E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?" Atos 2:37. Entre os ouvintes dos discípulos havia judeus devotos, sinceros em sua fé. O poder que acompanhou as palavras de Pedro convenceu-os de que Jesus era de fato o Messias. ramos@advir.com
  7. 7. "E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar." Atos 2:38 e 39. Pedro deixou claro ao povo convicto o fato de que haviam rejeitado a Cristo por terem sido enganados pelos sacerdotes e príncipes; e que se eles continuassem a buscar conselho desses homens, e esperassem por eles para reconhecerem a Cristo em vez de ousar fazê-lo por si mesmos, jamais O aceitariam. Esses homens poderosos, Pág. 44 embora fazendo profissão de piedade, eram ambiciosos de riquezas e glórias terrestres. Não desejavam vir a Cristo para receber esclarecimento. Sob a influência desta celestial iluminação, as passagens da Escritura que Cristo tinha explanado aos discípulos apresentavam-se perante eles com o brilho da verdade perfeita. O véu que os impedia de ver o fim do que fora abolido estava agora removido, e eles compreendiam com perfeita clareza o objetivo da missão de Cristo e a natureza de Seu reino. Puderam falar com poder a respeito do Salvador; e ao desdobrarem perante seus ouvintes o plano da salvação, muitos ficavam convictos e vencidos. As tradições e superstições inculcadas pelos sacerdotes eram varridas de sua mente, e os ensinos do Salvador, aceitos. "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas." Atos 2:41. Os líderes judeus tinham imaginado que a obra de Cristo terminaria com Sua morte; mas em vez disto, testemunharam as maravilhosas cenas do dia do Pentecoste. Ouviam os discípulos dotados de poder e energia até então desconhecidos pregando a Cristo, suas palavras confirmadas por sinais e maravilhas. Em Jerusalém, o baluarte do judaísmo, milhares declararam abertamente sua fé em Jesus de Nazaré como o Messias. Os discípulos estavam assombrados e sobremodo jubilosos com a abundante colheita de almas. Eles não consideravam essa maravilhosa colheita como resultado de seus próprios esforços; sabiam que estavam entrando no trabalho de outros homens. Desde a queda de Adão, Cristo Pág. 45 estivera confiando a servos escolhidos a semente de Sua Palavra, para ser lançada nos corações humanos. Durante Sua vida na Terra Ele semeara a semente da verdade e regara-a com Seu sangue. As conversões havidas no dia do Pentecoste foram o resultado dessa semeadura, a colheita da obra de Cristo, revelando o poder de Seus ensinos. Os argumentos dos apóstolos somente, conquanto convincentes e claros, não haveriam removido o preconceito que resistira a tanta evidência. Mas o Espírito Santo com divino poder convenceu o coração pelos argumentos. As palavras dos apóstolos eram como afiadas setas do Todo-poderoso, convencendo os homens de sua terrível culpa em haverem rejeitado e crucificado o Senhor da glória. Sob a influência dos ensinos de Cristo, os discípulos tinham sido induzidos a sentir sua necessidade do Espírito. Mediante a instrução do Espírito receberam a habilitação final, saindo no desempenho de sua vocação. Não mais eram ignorantes e iletrados. Haviam deixado de ser um grupo de unidades independentes, ou elementos discordantes em conflito. Sua esperança não mais repousava sobre a grandeza terrestre. Todos eram "unânimes" (Atos 2:46) e "era um o coração e a alma da multidão dos que criam". Atos 4:32. Cristo lhes enchia os pensamentos; e visavam a avançamento de Seu reino. Na mente e no caráter haviam-se tornado semelhantes a seu Mestre, e os homens "tinham conhecimento que eles haviam estado com Jesus". Atos 4:13. O Pentecoste trouxe-lhes uma iluminação celestial. As verdades que não puderam compreender enquanto Cristo estava com eles, eram agora reveladas. Com uma Pág. 46 fé e certeza que nunca antes conheceram, aceitaram os ensinamentos da Sagrada Palavra. Não mais lhes era questão de fé, ser Cristo o Filho de Deus. Sabiam que, ainda que revestido da humanidade, Ele era de fato o Messias, e contaram sua experiência ao mundo com uma confiança que inspirava a convicção de que Deus estava com eles. Eles podiam falar no nome de Jesus com segurança; pois não era Ele seu Amigo e Irmão mais velho? Levados em íntima comunhão com Cristo, assentaram-se com Ele nos lugares celestiais. Com que abrasante linguagem vestiam suas idéias quando testificavam dEle! Seus corações estavam sobrecarregados com benevolência tão ampla, tão profunda, de tão vasto alcance que foram impelidos a ir ramos@advir.com
  8. 8. aos confins da Terra, testificando do poder de Cristo. Foram cheios de um intenso desejo de levar avante a obra que Ele tinha iniciado. Sentiram a enormidade de seu débito para com o Céu, e a responsabilidade de sua obra. Fortalecidos pela concessão do Espírito Santo, saíram com zelo para estender os triunfos da cruz. O Espírito animava-os, e falava por intermédio deles. A paz de Cristo brilhava em suas faces. Tinham-Lhe consagrado a vida para serviço, e seu próprio semblante evidenciava a entrega que haviam feito. O Desejado de Todas as Nações, p. 621-626: "No pátio". Ora havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa. Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: "Senhor, queríamos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus." João 12:20 e 21. Por esse tempo a obra de Jesus apresentava o aspecto de pungente derrota. Ele saíra vitorioso da contenda com os sacerdotes e fariseus, mas era evidente que nunca seria recebido por eles como o Messias. Chegara a separação final. Para Seus discípulos, o caso parecia desesperado. Mas Cristo aproximava-Se da consumação de Sua obra. O grande acontecimento, de interesse, não somente para a nação judaica, mas para o mundo inteiro, estava prestes a se realizar. Ao ouvir Cristo o ansioso pedido: "Queríamos ver a Jesus" ecoando o sequioso clamor do mundo, iluminou-se-Lhe o semblante, e disse: "É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado." João 12:23. Na súplica dos gregos viu Ele um penhor dos resultados de Seu grande sacrifício. Esses homens foram do Ocidente para encontrar o Salvador ao fim de Sua vida, como os magos tinham vindo do Oriente, ao começo. Ao tempo do nascimento de Cristo, os judeus estavam tão embebidos com as próprias ambições e planos, que não sabiam de Seu primeiro advento. Os magos de uma terra pagã foram Pág. 622 à manjedoura com suas dádivas, para adorar o Salvador. Assim esses gregos, representando as nações, tribos e povos do mundo, foram ter com Jesus. Assim o povo de todas as terras e de todos os séculos seria atraído pela cruz do Salvador. E assim "muitos virão do Oriente e do Ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos Céus". Mat. 8:11. Os gregos tinham ouvido falar da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. Alguns supuseram, e propalaram, que Ele expulsara do templo os sacerdotes e principais, e havia de tomar posse do trono de Davi, dominando como rei de Israel. Os gregos anelavam conhecer a verdade quanto a Sua missão. "Queríamos ver a Jesus", disseram eles. Seu desejo foi satisfeito. Ao receber a petição, achava-Se Jesus naquela parte interna do templo da qual eram excluídos todos os que não fossem judeus, mas saiu ao pátio para receber os gregos, e teve com eles uma entrevista em pessoa. Chegara a hora da glorificação de Cristo. Ele Se achava à sombra da cruz, e o pedido dos gregos mostrouLhe que o sacrifício que estava para fazer traria muitos filhos e filhas a Deus. Sabia que os gregos O haviam de ver em breve numa posição que mal sonhavam agora. Vê-Lo-iam colocado ao lado de Barrabás, ladrão e assassino, cuja liberdade seria preferida à do Filho de Deus. Ouviriam o povo, inspirado pelos sacerdotes e principais, fazer sua escolha. E à pergunta: "Que farei então de Jesus, chamado Cristo?" a resposta dada: "Seja crucificado." Mat. 27:22. Jesus sabia que, fazendo essa propiciação pelos pecados dos homens, Seu reino seria aperfeiçoado, e se estenderia pelo mundo. Ele operaria como Restaurador, e Seu Espírito havia de prevalecer. Olhou, por um momento, futuro adiante, e ouviu as vozes que proclamavam em toda parte da Terra: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." João 1:29. Viu nesses estrangeiros as primícias de uma grande colheita, quando a parede divisória entre judeus e gentios fosse derribada, e todas as nações, línguas e povos ouvissem a mensagem de salvação. A antecipação desse fato, a consumação de Suas esperanças, acham-se expressas nas palavras: "É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado." O caminho pelo qual essa glorificação se havia de operar, porém, não estava nunca ausente do espírito de Cristo. A reunião dos gentios devia seguir Sua morte próxima. Unicamente por Sua morte podia o mundo ser salvo. Como um grão de trigo, o Filho Pág. 623 do homem devia ser deitado no solo e morrer, e ser enterrado fora das vistas; mas havia de viver outra vez. Cristo apresentou Seu futuro, ilustrando-o com coisas da natureza, para que os discípulos compreendessem. O verdadeiro resultado de Sua missão havia de ser atingido por Sua morte. "Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." João 12:24. Quando o grão de trigo cai no solo e morre, germina, e dá fruto. Assim a morte de Cristo daria em resultado frutos para o reino de Deus. Em harmonia com a lei do reino vegetal, a vida havia de ser ramos@advir.com
  9. 9. o resultado de Sua morte. Os que lavram o solo têm sempre diante de si essa ilustração. De ano para ano conservam seu abastecimento de cereais, por assim dizer, atirando fora a melhor parte. Por algum tempo deve ela estar oculta na cova, sendo cuidada pelo Senhor. Então aparece a haste, depois a espiga, e depois o grão na mesma. Mas esse desenvolvimento não pode ter lugar a menos que o grão seja enterrado fora das vistas, oculto, e, segundo todas as aparências, perdido. A semente enterrada no solo produz frutos e esse é por sua vez plantado. Assim se multiplica a colheita. Da mesma maneira a morte de Cristo na cruz do Calvário produzirá fruto para a vida eterna. A contemplação desse sacrifício será a glória dos que, como fruto do mesmo, viverão através dos séculos eternos. O grão de trigo que conserva a própria vida não produz frutos. Permanece sozinho. Cristo poderia, se preferisse, salvar-Se da morte. Mas, fizesse-o, e permaneceria só. Não poderia levar filhos e filhas a Deus. Unicamente entregando a própria vida, podia Ele comunicar vida à humanidade. Só caindo no solo para morrer Se poderia tornar a semente daquela vasta colheita - a grande multidão redimida para Deus dentre toda nação, e tribo, e língua e povo. A esta verdade liga Cristo a lição de sacrifício que todos devem aprender: "Quem ama a sua vida, perdê-laá, e quem neste mundo aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna." João 12:25. Todos quantos desejam produzir frutos como coobreiros de Cristo, devem cair primeiro no solo e morrer. A vida deve ser lançada na cova da necessidade do mundo. O amor-próprio, o próprio interesse, devem perecer. E a lei do sacrifício é a lei da conservação da vida. O lavrador conserva seus cereais lançando-os fora, por assim dizer. O mesmo quanto à vida humana. Dar é viver. A vida que há de ser conservada, é a que se dá abundantemente Pág. 624 em serviço para Deus e o homem. Aqueles que sacrificam a existência por amor de Cristo neste mundo, conservá-la-ão para a vida eterna. A vida gasta para o próprio eu, é como o grão que se come. Desaparece, mas não há aumento. Junte o homem para si tudo quanto pode; viva, pense e faça planos para o próprio proveito; sua vida passará, no entanto, e ele nada terá. A lei do serviço do próprio eu, é a lei da destruição de si mesmo. "Se alguém Me serve", disse Jesus, "Siga-Me, e, onde Eu estiver, ali estará também o Meu servo. E, se alguém Me servir, Meu Pai o honrará." João 12:26. Todos quantos carregaram com Cristo a cruz do sacrifício, partilharão com Ele de Sua glória. A alegria de Cristo, em Sua humilhação e dor, era que Seus discípulos fossem glorificados com Ele. Eles são o fruto de Seu sacrifício. A formação, neles, de Seu próprio caráter e espírito, eis Sua recompensa, e será por toda a eternidade a Sua alegria. Esta alegria eles, os discípulos, partilharão com Ele, ao ser visto em outros corações e outras vidas o fruto de seus labores e sacrifícios. São coobreiros de Cristo, e o Pai os honrará como honra Seu Filho. A mensagem dos gregos, prenunciando, como fazia, a reunião dos gentios, trouxe à mente de Jesus Sua inteira missão. A obra da redenção passou por diante dEle, desde o tempo em que, no Céu, foi elaborado o plano, até à morte, tão próxima agora. Uma misteriosa nuvem pareceu envolver o Filho de Deus. Sua sombra foi sentida pelos que O rodeavam. Ele quedou absorto em Seus pensamentos. Rompeu por fim o silêncio com as dolorosas palavras: "Agora a Minha alma está perturbada; e que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora." João 12:27. Antecipadamente bebia Cristo o cálice da amargura. Sua humanidade recuava da hora do abandono, quando, segundo todas as aparências, seria desamparado pelo próprio Deus, quando todos O veriam castigado, ferido de Deus, e aflito. Recuava de ser exposto publicamente, de ser tratado como o pior dos criminosos, e da desonra e ignominiosa morte. Um pressentimento de Seu conflito com os poderes das trevas, um sentimento do horrível fardo da transgressão humana, e da ira do Pai por causa do pecado, fez com que o espírito de Jesus desfalecesse, estampando-se-Lhe no rosto a palidez da morte. Veio então a divina submissão à vontade do Pai. "Mas para isto vim a esta hora", disse. "Pai, glorifica o Teu nome." João 12:27 e 28. Unicamente mediante a morte de Cristo poderia ser vencido o reino de Satanás. Unicamente assim poderia ser o homem redimido, e Deus glorificado. Jesus consentiu na agonia, aceitou o sacrifício. A Majestade do Céu consentiu em sofrer como O que levou sobre Si o pecado. "Pai, glorifica o Teu nome", disse Ele. Ao Pág. 625 proferir Cristo estas palavras veio, da nuvem que Lhe pairava sobre a cabeça, a resposta: "Já O tenho ramos@advir.com
  10. 10. glorificado, e outra vez O glorificarei." João 12:28. Toda a vida de Cristo, da manjedoura ao tempo em que estas palavras foram proferidas, havia glorificado a Deus; e na provação que se avizinhava, Seus sofrimentos divino-humanos haviam de, na verdade, glorificar o nome de Seu Pai. Ao ser ouvida a voz, um clarão irrompeu da nuvem, circundando a Cristo, como se os braços do Poder Infinito se atirassem em torno dEle qual muralha de fogo. Com espanto e terror contemplou o povo esta cena. Ninguém ousou falar. Lábios cerrados e respiração suspensa, quedaram todos, olhos fixos em Jesus. Dado o testemunho do Pai, ergueu-se a nuvem dispersando-se no céu. Por então cessara a comunhão visível entre o Pai e o Filho. "Ora, a multidão que ali estava, e que a tinha ouvido, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo Lhe falou." João 12:29. Mas os indagadores gregos viram a nuvem, ouviram a voz, compreenderam-lhe o sentido, e discerniram na verdade a Cristo; foi-lhes revelado como o Enviado de Deus. A voz de Deus se fizera ouvir no batismo de Jesus, ao princípio de Seu ministério, e outra vez no monte da transfiguração. Agora, ao fim desse ministério, era ouvida pela terceira vez, por maior número de pessoas, e sob circunstâncias especiais. Jesus acabara de proferir as mais solenes verdades a respeito da condição dos judeus. Fizera Seu último apelo, e pronunciara-lhes a condenação. Então pôs Deus o selo na missão de Seu Filho. Reconheceu Aquele a quem Israel rejeitara. "Não veio esta voz por amor de Mim", disse Jesus, "mas por amor de vós." João 12:30. Era a prova suprema de Sua messianidade, o sinal, da parte do Pai, de que Jesus falara a verdade, e era o Filho de Deus. "Agora é o juiz deste mundo", continuou Cristo; "agora será expulso o príncipe deste mundo. E Eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a Mim. E dizia isto significando de que morte havia de morrer." João 12:31-33. Esta é a crise do mundo. Se Me torno a propiciação pelos pecados dos homens, o mundo será iluminado. O domínio de Satanás sobre as almas dos homens será despedaçado. A desfigurada imagem de Deus será restaurada na humanidade, e uma família de crentes santos herdará afinal o lar celestial. Este é o resultado da morte de Cristo. O Salvador perde-Se na contemplação da cena de triunfo ante Ele evocada. A cruz, a cruel, ignominiosa cruz, com todos os horrores que a cercam, Ele a vê resplendente de glória. Pág. 626 Mas a obra da redenção humana não resume tudo quanto é realizado pela cruz. O amor de Deus manifestase ao Universo. São refutadas as acusações que Satanás fez contra Deus. O príncipe deste mundo é expulso. É para sempre removida a mancha que ele atirou sobre o Céu. Os anjos, da mesma maneira que os homens, são atraídos para o Redentor. "E Eu, quando for levantado da Terra", disse, "todos atrairei a Mim."João 12:32. Muita gente estava aglomerada em volta de Cristo ao proferir Ele estas palavras, e um disse: "Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes Tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem? Disse-lhe pois Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz." João 12:3436. "E ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nEle." João 12:37. Eles perguntaram uma vez ao Salvador: "Que sinal pois fazes Tu, para que o vejamos, e creiamos em Ti?" João 6:30. Inúmeros sinais haviam sido dados; mas eles fecharam os olhos e endureceram o coração. Agora, que o próprio Pai falara, e não podiam mais pedir sinais, recusaram ainda crer. "Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nEle; mas não o confessaram por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga." João 12:42. Amavam mais o louvor dos homens do que a aprovação de Deus. Para se livrarem de censura e vergonha, negaram a Cristo, e rejeitaram a oferta da vida eterna. E quantos, através de todos os séculos, têm feito assim! A estes se aplicam todas as palavras de advertência dadas por Cristo: "Quem ama a sua vida perdê-la-á." "Quem Me rejeitar a Mim", disse Jesus, "e não receber as Minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia." João 12:48. Ai dos que não conheceram o tempo de sua visitação! Lenta e dolorosamente deixou Cristo para sempre os limites do templo. ramos@advir.com
  11. 11. O Desejado de Todas as Nações, p. 497-505: "O Bom Samaritano". Na história do bom samaritano, ilustra Cristo a natureza da verdadeira religião. Mostra que consiste, não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, no proporcionar aos outros o maior bem, na genuína bondade. Enquanto Cristo ensinava o povo, "eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-O, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Luc. 10:25. Respiração suspensa, esperou o vasto auditório a resposta. Os sacerdotes e rabis haviam pensado enredar Jesus com essa pergunta do doutor da lei. O Salvador, porém, não entrou em discussão. Fez com que o próprio doutor respondesse a si mesmo. "Que está escrito na lei?" disse Ele. "Como lês?" Luc. 10:26. Os judeus ainda acusavam Jesus de menosprezo para com a lei dada no Sinai; mas Ele fez sentir que a salvação depende da observância dos mandamentos divinos. Disse o doutor: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo." Disse Jesus: "Respondeste bem; faze isso, e viverás." Luc. 10:27 e 28. O doutor da lei não estava satisfeito com a atitude e as obras dos fariseus. Estivera estudando as Escrituras com o desejo de apreender-lhes a verdadeira significação. Tinha interesse vital no assunto, e, em sinceridade, indagara: "Que farei?" Em sua resposta quanto às reivindicações da lei, passara por sobre toda Pág. 498 a massa de preceitos cerimoniais e rituais. Não lhes atribuiu valor, mas apresentou os dois grandes princípios de que dependem toda a lei e os profetas. O merecer essa resposta o louvor de Cristo, colocou o Salvador em terreno vantajoso para com os rabis. Não O podiam condenar por sancionar o que fora afirmado por um expositor da lei. "Faze isso, e viverás", disse Jesus. Apresentou a lei como uma unidade divina, e ensinou nessa lição não ser possível guardar um preceito e transgredir outro; pois o mesmo princípio os liga a todos. O destino do homem será determinado por sua obediência a toda a lei. Amor supremo para com Deus e imparcial amor para com os homens, eis os princípios a serem desenvolvidos na vida. O doutor achou-se um transgressor da lei. Sentiu-se convicto, em face das penetrantes palavras de Cristo. A justiça da lei, que pretendia compreender, não a praticara. Não manifestara amor para com seus semelhantes. Era necessário haver arrependimento; em lugar disso, porém, procurou justificar-se. Em vez de reconhecer a verdade, procurou demonstrar quão difícil de ser cumprido é o mandamento. Esperava assim pôr-se em guarda contra a convicção e justificar-se perante o povo. As palavras do Salvador haviam mostrado a inutilidade de sua pergunta, visto ser ele capaz de a ela responder por si mesmo. Todavia, formulou ainda outra: "Quem é o meu próximo?" Luc. 10:29. Entre os judeus, essa questão dava lugar a infindáveis disputas. Não tinham dúvidas quanto aos gentios e samaritanos; esses eram estranhos e inimigos. Mas como fazer a distinção entre os de seu próprio povo e as várias classes sociais? A quem deveriam os sacerdotes, os rabis, os anciãos, considerar como seu próximo? Passavam a vida numa série de cerimônias para se purificarem a si mesmos. O contato com a multidão ignorante e descuidada, ensinavam eles, ocasionava contaminação. E o remover esta, exigiria esforço enfadonho. Deveriam considerar os "imundos" seu próximo? Uma vez mais Se eximiu Jesus à discussão. Não denunciou a hipocrisia dos que O estavam espreitando para O condenar. Mas, mediante uma singela história, apresentou aos ouvintes tal quadro do transbordamento do amor de origem celestial, que tocou os corações e arrancou do doutor da lei a confissão da verdade. O meio de dissipar as trevas, é admitir a luz. O melhor meio de tratar com o erro, é apresentar a verdade. É a manifestação do amor de Deus, que torna evidente a deformidade e o pecado do coração concentrado em si mesmo. Pág. 499 "Descia um homem de Jerusalém para Jericó", disse Jesus, "e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E ocasionalmente descia pelo mesmo ramos@advir.com
  12. 12. caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e vendo-o, passou de largo." Luc. 10:30-32. Isso não era uma cena imaginária, mas uma ocorrência verídica, que se sabia ser tal qual era apresentada. O sacerdote e o levita que tinham passado de largo, encontravam-se entre o grupo que escutava as palavras de Cristo. Jornadeando de Jerusalém para Jericó, o viajante tinha de passar por um trecho deserto da Judéia. O caminho descia por entre abruptos e pedregosos barrancos, e era infestado de ladrões, sendo freqüentemente cena de violências. Aí foi o viajante atacado, despojado de tudo quanto levava de valor, ferido e machucado, sendo deixado meio-morto à beira do caminho. Enquanto assim jazia, passou o sacerdote por aquele caminho; mas apenas deitou um rápido olhar ao pobre ferido. Apareceu em seguida o levita. Curioso de saber o que acontecera, deteve-se e contemplou a vítima. Sentiu a convicção do que devia fazer; não era, porém, um dever agradável. Desejaria não haver passado por aquele caminho, de modo a não ter visto o ferido. Persuadiu-se a si mesmo de que nada tinha com o caso. Ambos esses homens ocupavam postos sagrados, e professavam expor as Escrituras. Pertenciam à classe especialmente escolhida para servir de representantes de Deus perante o povo. Deviam "compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados" (Heb. 5:2), Pág. 500 para que pudessem levar os homens a compreender o grande amor de Deus para com a humanidade. A obra que haviam sido chamados a fazer, era a mesma que Jesus descrevera como Sua, quando dissera: "O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados de coração e apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos." Luc. 4:18. Os anjos de Deus contemplam a aflição de Sua família na Terra, estão preparados para cooperar com os homens em aliviar a opressão e o sofrimento. Em Sua providência, Deus levara o sacerdote e o levita a passarem pelo caminho onde jazia a vítima dos ladrões, a fim de verem a necessidade que tinha de misericórdia e auxílio. Todo o Céu observava, para ver se o coração desses homens seria tocado de piedade pela desgraça humana. O Salvador era Aquele que instruíra os hebreus no deserto; da coluna de nuvem e de fogo, ensinara uma lição bem diversa daquela que o povo ora recebia de seus sacerdotes e mestres. As misericordiosas providências da lei estendiam-se até aos animais inferiores, que não são capazes de exprimir em palavras suas necessidades e sofrimentos. Por intermédio de Moisés foram dadas aos filhos de Israel instruções nesse sentido: "Se encontrares o boi de teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, sem falta lho reconduzirás. Se vires o asno daquele que te aborrece deitado debaixo da sua carga, deixarás pois de ajudá-lo? Certamente o ajudarás juntamente com ele." Êxo. 23:4 e 5. Mas no homem ferido pelos ladrões apresentou Jesus o caso de um irmão em sofrimento. Quanto mais deveria o coração deles ter-se possuído de piedade por aquele do que por um animal de carga! Fora-lhes dada por meio de Moisés a mensagem de que o Senhor seu Deus, "o Deus grande, poderoso e terrível", "faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro". Portanto, ordenou: "Pelo que amareis o estrangeiro." Deut. 10:17-19. "Amá-lo-ás como a ti mesmo." Lev. 19:34. Jó dissera: "O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante." Jó 31:32. E quando os dois anjos, em aparência de homens, foram a Sodoma, Ló inclinou-se por terra e disse: "Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite." Gên. 19:2. Com todas essas lições estavam os sacerdotes e levitas familiarizados, mas não as introduziram na vida prática. Educados na escola do fanatismo social, haviam-se tornado egoístas, estreitos e exclusivistas. Ao olharem para o homem ferido, não podiam dizer se pertencia a sua nação. Pensaram que talvez fosse samaritano e desviaram-se. Pág. 503 Em sua ação, segundo descrita por Cristo, não viu o doutor da lei coisa alguma contrária ao que lhe fora ensinado quanto às reivindicações da lei. Outra cena, porém, foi então apresentada: Certo samaritano, indo de viagem, chegou onde se achava a vítima e, ao vê-la, moveu-se de compaixão por ela. Não indagou se o estranho era judeu ou gentio. Fosse ele judeu, bem sabia o samaritano que, invertidas as posições, o homem lhe cuspiria no rosto e passaria desdenhosamente. Mas nem por isso hesitou. Não considerou que ele próprio se achava em perigo de assalto, se se demorasse naquele local. Bastou-lhe o fato de estar ali uma criatura humana em necessidade e sofrimento. Tirou o próprio vestuário, para cobri-lo. O óleo e o vinho, provisão para sua viagem, empregou-os para curar e refrigerar o ferido. Colocou-o em sua cavalgadura, e pôs-se a caminho devagar, a passo brando, de modo que o estranho não fosse sacudido, ramos@advir.com
  13. 13. aumentando-se-lhe assim os sofrimentos. Conduziu-o a uma hospedaria, cuidou dele durante a noite, velando-o carinhosamente. Pela manhã, como o doente houvesse melhorado, o samaritano ousou seguir viagem. Antes de fazê-lo, porém, pô-lo sob os cuidados do hospedeiro, pagou as despesas e deixou um depósito em seu favor; não satisfeito com isso ainda, tomou providências para qualquer necessidade eventual, dizendo ao hospedeiro: "Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar." Luc. 10:35. Concluída a história, Jesus fixou o doutor da lei com um olhar que lhe parecia ler a alma, e disse: "Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?" Luc. 10:36. O doutor nem ainda então quis tomar nos lábios o nome samaritano, e respondeu: "O que usou de misericórdia para com ele." Jesus disse: "Vai, e faze da mesma maneira." Luc. 10:37. Assim a pergunta: "Quem é o meu próximo?" ficou para sempre respondida. Cristo mostrou que nosso próximo não quer dizer simplesmente alguém de nossa igreja ou da mesma fé. Não tem que ver com distinção de raça, cor, ou classe. Nosso próximo é todo aquele que necessita de nosso auxílio. Nosso próximo é toda alma que se acha ferida e quebrantada pelo adversário. Nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus. Na história do bom samaritano, Jesus ofereceu uma descrição de Si mesmo e de Sua missão. O homem fora enganado, ferido, despojado e arruinado por Satanás, sendo deixado a perecer; o Salvador, porém, teve compaixão de nosso estado de desamparo. Pág. 504 Deixou Sua glória, para vir em nosso socorro. Achou-nos quase a morrer, e tomou-nos ao Seu cuidado. Curou-nos as feridas. Cobriu-nos com Sua veste de justiça. Proveu-nos um seguro abrigo, e tomou, a Sua própria custa, plenas providências em nosso favor. Morreu para nos resgatar. Mostrando Seu próprio exemplo, diz a Seus seguidores: "Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros." João 15:17. "Como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis." João 13:34. A pergunta do doutor da lei a Jesus, fora: "Que farei?" E Jesus, reconhecendo o amor para com Deus e os homens como a súmula da justiça, respondera: "Faze isso, e viverás." O samaritano obedecera aos ditames de um coração bondoso e amorável, demonstrando-se assim um observador da lei. Cristo recomendou ao doutor: "Vai, e faze da mesma maneira." Fazer, e não meramente dizer, eis o que se espera dos filhos de Deus. "Aquele que diz que está nEle, também deve andar como Ele andou." I João 2:6. Essa lição não é menos necessária hoje no mundo, do que ao ser proferida pelos lábios de Jesus. Egoísmo e fria formalidade têm quase extinguido o fogo do amor, dissipando as graças que seriam por assim dizer a fragrância do caráter. Muitos dos que professam Seu nome, deixaram de considerar o fato de que os cristãos têm de representar a Cristo. A menos que haja sacrifício prático em bem de outros, no círculo da família, na vizinhança, na igreja e onde quer que estejamos, não seremos cristãos, seja qual for a nossa profissão. Cristo ligou Seus interesses aos da humanidade, e pede-nos que nos identifiquemos com Ele em prol da salvação dela. "De graça recebestes", diz Ele, "de graça dai." Mat. 10:8. O pecado é o maior de todos os males, e cumpre-nos apiedar-nos do pecador e ajudá-lo. Muitos há que erram, e sentem sua vergonha e loucura. Estão sedentos de palavras de animação. Pensam em suas faltas e erros a ponto de serem quase arrastados ao desespero. Não devemos negligenciar essas almas. Se somos cristãos, não passaremos de largo, mantendo-nos o mais distante possível daqueles mesmos que mais necessidade têm de nosso auxílio. Ao vermos criaturas humanas em aflição, seja devido a infortúnio, seja por causa de pecado, não digamos nunca: Não tenho nada com isso. "Vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão." Gál. 6:1. Fazei, pela fé e pela oração, recuar o poder do inimigo. Proferi palavras de fé e de ânimo, que serão como bálsamo eficaz para os quebrantados e feridos. Muitos, muitos têm desfalecido e perdido o ânimo na luta da vida, quando uma bondosa Pág. 505 palavra de estímulo os haveria revigorado. Nunca devemos passar por uma alma sofredora, sem buscar comunicar-lhe do conforto com que nós mesmos somos por Deus confortados. ramos@advir.com
  14. 14. Tudo isso não é senão um cumprimento do princípio da lei - o princípio ilustrado na história do bom samaritano, e manifesto na vida de Jesus. Seu caráter revela a verdadeira significação da lei, e mostra o que quer dizer amar a nosso semelhante como a nós mesmos. E quando os filhos de Deus manifestam misericórdia, bondade e amor para com todos os homens, também eles estão dando testemunho do caráter dos estatutos do Céu. Estão testificando que "A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma". Sal. 19:7. E quem quer que deixar de manifestar esse amor está transgredindo a lei que professa reverenciar. Pois o espírito que manifestamos para com nossos irmãos, declara qual nosso espírito para com Deus. O amor de Deus no coração é a única fonte de amor para com o nosso semelhante. "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" Amados, "se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeita a Sua caridade". I João 4:20 e 12. ramos@advir.com

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