CARACTERÍSTICAS DA MINHOCA EPÍGEA Eisenia foetida -
     BENEFÍCIOS, CARACTERÍSTICAS E MAIS-VALIAS AMBIENTAIS
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Na generalidade, a maturidade sexual é atingida entre os sessenta e os noventa dias
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Características da minhoca Epígea Eisenia foetida - Benefícios, características e mais-valias ambientais decorrentes da sua utilização

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As minhocas são uma das espécies animais mais antigas no planeta, facto que por si é revelador da sua importância, estimando-se que existam cerca de 8 700 espécies. Uma das espécies mais comumente utilizadas em vermicompostagem, vermicultura e vermirremediação é a Eisenia foetida (Fig. 1). Tal como todas as minhocas Epígeas, Anesicas e Endogénicas esta espécie pertence ao filo Annelida. Contudo, é erradamente denominada de “Minhoca Vermelha da Califórnia” sendo frequentemente causa de erro comum popular. De facto, o seu verdadeiro termo é “Minhoca dos Resíduos Orgânicos” ou “Minhoca do Estrume”.

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Características da minhoca Epígea Eisenia foetida - Benefícios, características e mais-valias ambientais decorrentes da sua utilização

  1. 1. CARACTERÍSTICAS DA MINHOCA EPÍGEA Eisenia foetida - BENEFÍCIOS, CARACTERÍSTICAS E MAIS-VALIAS AMBIENTAIS DECORRENTES DA SUA UTILIZAÇÃO Nelson Miguel Guerreiro Lourenço1 1 BSc em Engenharia do Ambiente (ULHT), MSc em Gestão Sustentável dos Espaços Rurais (UALG/FCT), Formador (n.º 523366/2010). Futuramb – Gestão Sustentável de Recursos – DCEA / CPIV, Messines de Cima, caixa- postal 5-S, 8375-047 S. B. Messines, Portugal. Palavras-chave: Eisenia foetida, minhoca, vermicompostagem. As minhocas são uma das espécies animais mais antigas no planeta, facto que por si é revelador da sua importância, estimando-se que existam cerca de 8 700 espécies. Uma das espécies mais comumente utilizadas em vermicompostagem, vermicultura e vermirremediação é a Eisenia foetida (Fig. 1). Tal como todas as minhocas Epígeas, Anesicas e Endogénicas esta espécie pertence ao filo Annelida. Contudo, é erradamente denominada de “Minhoca Vermelha da Califórnia” sendo frequentemente causa de erro comum popular. De facto, o seu verdadeiro termo é “Minhoca dos Resíduos Orgânicos” ou “Minhoca do Estrume”. O filo Annelida é constituído aproximadamente de 8 700 espécies, sendo estas agrupadas em 3 classes: Polychaeta, Oligochaeta e Hirundinea. Na sua generalidade, as minhocas podem ser geófagas – quando se alimentam de matéria mineral, ou detritívoras – quando se alimentam de matéria orgânica morta, encontrando-se nesta tipologia as espécies e sub-espécies Epígeas Eisenia foetida foetida e Eisenia foetida andrei. Fig. 1 – Populações da minhoca dos resíduos orgânicos da Eisenia foetida (Unidade-Piloto de Vermicompostagem da Futuramb). 1
  2. 2. As minhocas utilizadas em vermicompostagem são unicamente Epígeas. Estas minhocas são saprófagas, ou seja, alimentam-se unicamente de substratos decompostos ou em decomposição, quer de origem animal quer de origem vegetal. São animais caracterizados por apresentarem uma nítida segmentação ou metamerização externa e interna, incluindo músculos, nervos e órgãos circulatórios, quer excretores quer reprodutores, possuindo cinco pares de corações e um par de rins, sendo que o sangue percorre todo o corpo através da existência de vasos sanguíneos e capilares. A sua respiração é feita através da pele por ramificações capilares (respiração cutânea), daí a necessidade imperiosa de humidade suficiente na massa de resíduos de qualquer sistema de vermicompostagem. São animais fotofóbicos, tendo portanto necessidade de se afastar da luz solar, seja natural ou artificial. Expostos ao sol durante alguns minutos, morrerão com naturalidade. Quando o ambiente e a temperatura são favoráveis, a reprodução das minhocas dura durante quase todo o ano, principalmente nos períodos quentes e húmidos e, preferencialmente, à noite. Cada minhoca, em condições ideais, pode originar mais de 500 descendentes durante um ano. Sendo hermafroditas incompletos é necessário que dois indivíduos se acasalem para que os ovos de ambos sejam fecundados, visto não existir auto-fecundação. A cada sete ou dez dias cada minhoca produz um casulo com o formato de um pequeno grão e do formato de uma cabeça de alfinete (da qual saem posteriormente as suas crias) (Fig. 2). Fig. 2 – Casulos de minhoca. O período de incubação de uma minhoca pode variar entre os dez e os vinte e um dias, se as condições do meio forem favoráveis. Caso contrário, os casulos não eclodirão, o que só ocorrerá quando naturalmente, as condições forem propícias para o seu desenvolvimento. Aquando do seu nascimento, as minhocas são brancas, passando a ter a cor pela qual são conhecidas à medida que o seu crescimento se vai intensificando. O que caracteriza a sua puberdade é a existência do clítelo (clitellum), uma espécie de cinta saliente, de cor clara, em torno do seu corpo, localizando-se a 1/3 do seu comprimento. 2
  3. 3. Na generalidade, a maturidade sexual é atingida entre os sessenta e os noventa dias de idade aproximadamente. Nesta fase reproduzem-se durante grande parte do ano, sendo o período de acasalamento normalmente durante a noite e durante duas a três horas, na superfície do solo ou do substrato. A minhoca não possui olhos, embora as suas células foto-receptoras sejam sensíveis à luminosidade, particularmente à luz solar. A epiderme que protege estas células possibilita á minhoca a distinção entre a luz diurna e nocturna, a percepção de pequenas vibrações e seleccionar alimento e parceiros para a reprodução. Quando uma minhoca morre, o seu corpo rapidamente é degradado, visto o seu corpo ser constituído maioritariamente por água. A existência de condições desfavoráveis em cada um dos seguintes parâmetros pode conduzir à fuga (realizada geralmente durante a noite), perda de actividade reprodutora ou morte das minhocas. a) Humidade As minhocas respiram através da sua pele e, deste modo, deverão existir teores adequados de humidade com vista à sua sobrevivência. A morte de uma minhoca ocorre quando a pele desta seca. O seu habitat deverá proporcionar que a água seja absorvida e retida adequadamente. Com excepção do factor temperatura, nenhum outro factor determinará a morte das minhocas tão rapidamente como a escassez de humidade devendo o seu valor situar-se entre 70 e 90% sendo o valor ideal entre 80 e 85%. b) Porosidade Se o substrato apresentar elevada densidade e compactação acabará por existir escassez ou baixa percentagem em oxigénio. Materiais possuindo diferentes texturas irão afectar a porosidade dos substratos. c) Natureza dos resíduos/substratos Teores elevados em azoto aceleram demasiado os processos de decomposição, acelerando a actividade de decomposição dos substratos e elevando ao mesmo tempo a temperatura, originando condições menos favoráveis à sobrevivência das minhocas. Resíduos domésticos, como hortícolas e frutícolas, misturados com materiais ricos em celulose fornecem um substrato adequado. d) Arejamento/oxigénio As minhocas necessitam de oxigénio para as suas reacções metabólicas, de modo que não conseguem sobreviver sob condições de anaerobiose. Quando ocorrem factores a nível de substrato, como excesso de resíduos contendo azoto (relva verde ou lamas de ETAR) ou excesso de humidade, os teores de oxigénio poderão baixar significativamente, afectando a actividade das minhocas. 3
  4. 4. e) Relação C/N Todos os resíduos possuem quantidades mais ou menos variáveis de carbono (C) e azoto (N). Neste aspecto os substratos deverão possuir relações C/N entre 20/1 e 25/1. f) pH Estudos indicam que as minhocas apresentam maior percentagem de sobrevivência em substratos de pH ligeiramente ácido (5 a 6). Contudo, as minhocas toleram valores de pH compreendidos entre 5 e 8 com o prejuízo na sua actividade fora deste intervalo. A espécie Eisenia foetida pode ser considerada ácido-tolerante pois a existência de glândulas calcíferas permite o controlo da acidez dos resíduos. g) Temperatura Para valores de temperatura acima de 40 ºC as minhocas morrem rapidamente baixando o seu metabolismo a valores inferiores a 15 ºC. Abaixo de 0 ºC a minhoca congela e morre, visto o seu corpo ser constituído maioritariamente por água. O intervalo de temperatura ideal para as espécies Epígeas situa-se no Quadro 1. Quadro 1 – Influência da temperatura no metabolismo geral das espécies Epígeas. Duração do Temperatura Período de incubação dos crescimento Fecundação (ºC) casulos (dias) (dias) 10 > 100 0,13 60 – 86 15 40 0,8 36 – 46 20 32 1,8 25 – 35 25 28 3,0 19 – 25 h) Salinidade Os teores de salinidade são medidos através da condutividade eléctrica. A presença de elevadas concentrações de matéria mineral em solução pode ser prejudiciais à actividade das minhocas, de que é exemplo o azoto amoniacal na forma de amónia. O Quadro 2 faz a síntese da maioria das condições anteriormente descritas. Quadro 2 – Síntese de alguns parâmetros importantes na minhoca Eisenia foetida. Parâmetro Nível Óptimo Nível Adequado Nível Crítico Temperatura (ºC) 20 15 – 24 < 5 / > 37 Humidade (%) 80 – 85 70 – 90 < 70 / > 90 pH 5–6 5–8 <5/>8 Amónia (ppm) < 500 500 – 1000 > 1000 Condutividade 2,5 dS m-1 3,0 dS m-1 8,0 dS m-1 eléctrica 2500 dS cm-1 3000 dS cm-1 8000 dS cm-1 4
  5. 5. Para além de serem um potencial input com vista ao tratamento e valorização de diversas tipologias de resíduos orgânicos através dos seus movimentos de contracção e distensão, as minhocas revolvem as partículas e arejam o solo, aumentando a sua disponibilidade em nutrientes e melhorando a sua estrutura, aumentando o arejamento e drenagem do solo. A título de exemplo, a Eisenia foetida consome diariamente, aproximadamente metade do seu peso em resíduos (500 mg no estado adulto), expelindo através do ânus 60% dos resíduos consumidos. O movimento constante da minhoca proporciona ao solo um aumento da sua porosidade e permeabilidade, ao mesmo tempo que o torna mais macio, arejado, solto e leve, melhorando fisicamente a sua estrutura e composição, tornando mais fácil e rentável o seu trabalho enquanto recurso necessário às práticas agronómicas. Para além destes aspectos, a minhoca funciona como um biofiltro e bioacumulador de metais pesados sendo utilizado em remediação de solos contaminados. 5

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