USIMINAS - Gestão Estratégica da Pesquisa e Inovação

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Confira pesquisa, desenvolvida por Carlos Arruda, Fabian Salum, Flavia Carvalho, sobre Gestão estratégica na empresa Usiminas.

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USIMINAS - Gestão Estratégica da Pesquisa e Inovação

  1. 1. CF1102USIMINAS - GeStão eStrAtéGIcA dA PeSqUISA e INovAçãoCarlos Arruda, Fabian Salum, Flavia CarvalhocoNtextoI nício de 2008 - A Usiminas está em processode profundas transformações e, após a mudança consolidou sua importância como produtora de aços planos, estendendo sua atuação para todano comando da empresa, uma das principais a sua cadeia produtiva: mineração e logística,intervenções do novo CEO na companhia é a siderurgia, transformação do aço e bens dereestruturação organizacional. Na visão dos capital.dirigentes da empresa, o futuro da Usiminasdeve passar por investimentos mais consistentes A inovação é uma corrida de longa duração nona área de Pesquisa e Inovação, naquilo que diz setor siderúrgico e está no DNA da Usiminas desderespeito ao alinhamento estratégico e à integração a sua criação. Os investimentos em pesquisa eentre as diversas unidades de negócio. desenvolvimento começaram com a inauguração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPD)Fim de 2008 – A primeira grande crise financeira localizado na cidade de Ipatinga (MG), em 1971,do mundo globalizado atinge fortemente o setor e vêm crescendo amplamente, em especial nossiderúrgico – com impacto que levaria os dois anos últimos anos.seguintes para ser amenizado. Os investimentosna Usiminas, em especial os destinados à P&D e à A parceria com investidores japoneses, iniciadaInovação, não são cortados. Ao contrário, a área já no final dos anos 50, selou na empresa a forçapassa a ser tratada como importante suporte para da pesquisa e do desenvolvimento tecnológicoque a empresa mantenha a sua visão estratégica como motores do avanço da empresa e de suade longo prazo e continue focando na criação de consolidação no mercado.valor e de diferencial competitivo que as atividades Fruto desses investimentos e da cultura pró-de Pesquisa e Inovação podem prover. inovação, a empresa é a maior detentora deO ano de 2010 mostra que a Usiminas obteve patentes no setor privado nacional, ficandosucesso nessa jornada. Ainda em fase de atrás apenas da Petrobras (EXAME, 2010a) esuperação da crise e em face de novos desafios, investe cerca de 0,6% de sua receita líquida ema pesquisa e a inovação não foram deixadas de P&D – números que impressionam em um setorlado. Os laboratórios receberam significativo maduro, em que o ciclo de vida dos produtos éaporte de novos equipamentos e novos projetos bastante longo. Tais investimentos cresceramde infraestrutura devem ampliar a abrangência significativamente: em 2008, correspondiam ados esforços de P&D. 0,2% da receita. Comparativamente, a Nippon Steel Corporation (NSC) – empresa que representa a tecnologia de ponta no setor de siderurgia – investiu em P&D 0,96 % de suas receitas emA eMPreSA 2008. As demais empresas que atuam no mercado brasileiro investiram em média 0,38% de suasA Usiminas comemorou em 2010 seus 48 anos receitas.de existência. Ao longo desse tempo, a empresa
  2. 2. Sempre que ocorre uma evolução relevante em resistência, estudos de matérias-primas, melhoriassiderurgia, ou a possibilidade de criação de um de processos e meio ambiente, por exemplo. Já onovo produto, a Usiminas se lança à frente de CTU-RJ – localizado no novo polo tecnológico daseus concorrentes no mercado nacional. A parceria Ilha do Fundão (PROTEC, 2010) -– deverá focar nocom a NSC vem garantindo à empresa esse desenvolvimento e na engenharia de aplicação deposicionamento na fronteira tecnológica do setor aços para a indústria naval, offshore, e soluçõescomo uma forte vantagem competitiva. para as cadeias de óleo e gás. Ainda em fase de construção, o CTU - RJ já conta com cinco projetosO setor automobilístico é, historicamente, o maior em andamento, realizados em parceria com acliente da siderurgia. A maioria das demandas COPPE/UFRJ e com os recursos laboratoriais dopara o setor de P&D da Usiminas é originada desse CTU-Ipatinga.setor. Mas os recentes descobrimentos de petróleoe os investimentos para exploração da camada do A proximidade do CTU-RJ com os clientes,pré-sal ampliaram as oportunidades da empresa pesquisadores e demais fornecedores para ano desenvolvimento de novos aços capazes de indústria envolvida na exploração da camadafazer frente às demandas bastante exigentes que do pré-sal proporciona à atividade de P&D nacaracterizam esse mercado. Usiminas os benefícios da inovação aberta, em que a cooperação e o intercâmbio de ideias entre os diversos “inquilinos” do polo do Fundão permitem enfrentar em bom termo os desafios tecnológicosFoco e exPANSão que se avizinham.dA PeSqUISA –AlINhAMeNto redIrecIoNAMeNtoeStrAtéGIco eStrAtéGIco dAO CTU – Centro de Tecnologia Usiminas(anteriormente denominado CPD) – de Ipatinga PeSqUISA e INovAçãoiniciou suas atividades em 1971 e ao longo do Em abril de 2008 teve início uma completatempo foi se transformando, expandindo suas reestruturação da Usiminas, que incluiu oáreas de atuação, até cobrir todo o processo alinhamento da inovação ao seu plano estratégico.siderúrgico, seus produtos e suas tecnologias de Até aquela data, as superintendências desuporte. Com isso, o CTU adquiriu o status de um Transferência de Tecnologia, Informações Técnicascentro de pesquisa de ponta – um dos maiores e e de P&D atuavam de forma independente, commais bem equipados do País. subordinações e clientes internos distintos. Com a criação da Diretoria de Pesquisa e Inovação, emNo CTU - Ipatinga há cerca de 210 colaboradores, novembro daquele ano, essas superintendênciasentre pesquisadores, técnicos e operadores de passaram a compor os esforços em atividadeslaboratório. Dentre os pesquisadores, 14% são relacionadas à criação, difusão e gestão dodoutores e 47% possuem mestrado. conhecimento na empresa.Em 2010, buscou-se ampliar a capacidadeinstalada de P&D da Usiminas. A forma idealizadapara se fazer isso foi especializar Centros deTecnologia Usiminas em função de necessidadesespecíficas da empresa, como desenvolvimentosno setor de óleo e gás, mineração etc. O objetivoé fazer com que cada CTU tenha uma vocaçãoespecífica e que esteja próximo tanto dos centrosde excelência quanto dos principais clientes, demodo que os projetos sejam diferenciados e queos esforços sejam empreendidos com o máximode sinergia.O CTU - Ipatinga é responsável pelos projetossiderúrgicos tradicionais da empresa: aços de alta Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF 1102 2
  3. 3. Figura 1 – Antes da reestruturação em 2008Fonte: Usiminas, 2010c.Ao longo de toda a sua existência, a P&D na Usiminas foi caracterizada principalmente como uma atividadede suporte operacional. Havendo necessidade de ajustes ou modificações em produtos ou processos, oantigo CPD buscava as soluções e as entregava à área produtiva.A grande mudança introduzida a partir de 2008 foi alinhar o tema Inovação à estratégia da empresa.Assim, as três superintendências preexistentes passaram a operar sob gestão da nova Diretoria dePesquisa e Inovação, por sua vez subordinada diretamente ao CEO (FIG. 2).Figura 2 – A criação da Diretoria de Pesquisa e InovaçãoFonte: Usiminas, 2010c. Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF1102 3
  4. 4. Em meados de 2010 outra importante mudança ocorreu e a Diretoria de Pesquisa e Inovação (DPI)passou à subordinação da Vice-Presidência Industrial (FIG. 3).Figura 3 – Mudanças na DPI - dezembro de 2010 - Fonte: Usiminas, 2010c.Uma vez realinhadas as superintendências, em P&D devem ser bem direcionados e justificados.e colocando-as para operar de forma mais Para trabalhar na superação desses desafios,orquestrada, restava o desafio de fazer da atividade a Diretoria de Pesquisa e Inovação iniciou ode P&D mais do que uma simples resposta a desenvolvimento de um Plano Tecnológico quedemandas operacionais, sem perder de vista a organiza temas, programas de P&D e gaps deimportância destas. Isso implicava desenvolver infraestrutura ou de conhecimento em torno deprojetos alinhados à estratégia da Usiminas, sem Mapas Tecnológicos.desamparar os processos produtivos que sempre Mapas Tecnológicos provêm efetivamentedirecionaram a atividade de P&D. o alinhamento entre objetivos estratégicos, demandas de mercado e de operações às iniciativas e investimentos de inovação tecnológicaPlANo tecNolóGIco da empresa. De forma geral, o processo de construção de um mapa tecnológico pode serA mudança de rumo das atividades de pesquisa orientado por quatro dimensões: (i) as demandase inovação na Usiminas constitui um desafio, (futuras) de mercado, (ii) os produtos ouespecialmente pelo impacto que provoca na soluções que atenderão a essas demandas, (iii)prioridade das demandas de P&D. Outro desafio as tecnologias de suporte ao desenvolvimentocolocado para a área de pesquisa é ampliar desses produtos e (iv) o plano tecnológico.a comunicação desta com as demais áreas Tal plano contempla os programas (e seusda empresa, de maneira a permitir que mais respectivos projetos) de pesquisa, bem como umsetores da Usiminas possam ser beneficiados levantamento de recursos técnicos, humanos epelo conhecimento gerado. Ainda, dado o cenário de infraestrutura para viabilizar a execução dosde alta competitividade esperado para o setor projetos. A figura 4 ilustra melhor no que consistesiderúrgico nos próximos anos, os investimentos um mapa tecnológico. Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF 1102 4
  5. 5. Um exemplo concreto de mapa tecnológico é orientado pelo mercado de aços para o pré-sal. Um dos produtos desenvolvidos para esse mercado é o aço Sincron (EXAME, 2010b). As tecnologias aplicadas para a produção são a CLC (Continuous on-line Control) e TMCP (Thermomechanical Control Process), além de um equipamento de simulação, no CTU-Ipatinga, para apoiar o desenvolvimento do novo produto em escala industrial (EXAME, 2011). Outros produtos e outras tecnologias também podem fazer parte do mesmo mapa, além daquelas que são prospectadas para novos produtos.Figura 4 – Mapa tecnológico (Technology Roadmap)Fonte: University of Cambridge, Institute forManufacturing (IFM).Figura 5: Mapa tecnológico do pré-sal - Fonte: Elaborado pela empresa.O plano tecnológico tem, assim, foco na PrIorIzAção edimensão estratégica, uma vez que determinaos melhores programas e projetos de P&D a bAlANceAMeNto doserem desenvolvidos, bem como os investimentosnecessários para fazê-lo. Nas dimensões tática e PortFólIo de PeSqUISAoperacional, por outro lado, busca-se executar osprogramas, projetos e investimentos da melhor e INovAçãoforma possível em termos de escopo, prazo e Anteriormente, os projetos de pesquisa, em suacusto, e de acordo com as melhores práticas de maioria, seguiam as demandas oriundas da plantagestão de portfólio e projetos, conforme discutido produtiva. Com a mudança e o alinhamento daa seguir. P&D à estratégia da empresa, e com um grande investimento em técnicas de gestão de portfólio, projetos e rotina, os projetos passam a ser mais Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF1102 5
  6. 6. estruturados e focados. Os resultados desse maior As demandas operacionais são geralmente defoco já são visíveis e melhoras foram obtidas dentro curto prazo, devendo responder a problemas queda nova gestão. Em maio de 2009, havia apenas surgem no dia a dia da produção, da assistência50% dos projetos no prazo estipulado; e apenas técnica a clientes e mesmo adaptações específicas20% deles estavam dentro do custo planejado. em produtos ou na sua aplicação. As demandasCom nova orientação da gestão da P&D, em 2010 o estratégicas trabalham com um horizonte maispercentual de projetos dentro do prazo saltou para longo – característico da dinâmica de mudanças80%, e o de projetos dentro do custo para 90%. da indústria siderúrgica. Um a três anos é o período médio para que essas soluções sejamCertamente as demandas operacionais não apresentadas.deixaram de existir. Dessa forma, a Diretoriaprecisa gerir a divisão de tarefas e balancear as O desafio, a partir da reestruturação, é encontraratividades de inovação operacional e estratégica. o equilíbrio entre as demandas operacionais e deAlém delas, há ainda que se levar em conta as estratégia corporativa na atuação dos CTUs, umademandas por inovações não tecnológicas – as vez que ambas são fundamentais para o avanço dainovações nos modelos de gestão e negócio da empresa e o alcance de seus objetivos (FIG. 6).Usiminas.Figura 6: A pesquisa/ inovação e as demandas tecnológicas na empresa - Fonte: Usiminas, 2010c. oS deSAFIoSAs inovações organizacionais, por sua vez, são O cenário atual é de desafios. O ano de 2010 foinovidade na atividade de inovação da Usiminas. recorde para o consumo do aço no Brasil, mas asDiversos programas foram implementados desde empresas nacionais operaram com capacidade2008, entre eles: Bolsa de Ideias, Células de ociosa. A causa disso é a forte penetração de açoBenchmarking, Comunidades de Práticas, além de importado no país, que cresceu 44% em relaçãooutros que estão em processo de implementação. a 2009. China e Suécia são os dois maioresEssas iniciativas são uma parte desafiadora do concorrentes, que colocam para a Usiminas otrabalho da Diretoria de Pesquisa e Inovação dentro desafio de equiparar-se a elas em termos deda empresa, já que inovações não tecnológicas, eficiência e custo operacionais. O aquecimentopor não serem facilmente mensuradas como do mercado siderúrgico, em especial o de chapasas tradicionais inovações na área produtiva, grossas utilizadas pela indústria do pré-sal,enfrentam maior resistência a serem aceitas e tem atraído investimentos por parte de outrasincorporadas ao dia a dia da empresa. empresas estabelecidas no mercado nacional e que antes não faziam concorrência à Usiminas. Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF 1102 6
  7. 7. Os resultados de 2008 foram extremamente exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/positivos, ainda sem refletir efeitos da crise. Mas usiminas-investe-em-produtos-de-maior-valor-o exercício de 2009 apresentou uma retração das agregado. Acesso em fevereiro de 2011.receitas da ordem de 30% (USIMINAS, 2009). Poroutro lado, a atividade de mineração, um dos mais EXAME (2011). Usiminas inicia operação denovos negócios do grupo, garantiu o resultado do simulador de aço para pré-sal. Disponível em:grupo em 2009, já que o setor se recuperou da http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/crise mais rapidamente. noticias/usiminas-inicia-operacao-de-simulador- de-aco-para-pre-sal. Acesso em fevereiro deÉ importante ressaltar que a gestão durante a 2011.crise, favorável à manutenção dos investimentose especialmente daqueles direcionados à pesquisa FINEP (2009). SELEÇÃO PÚBLICA MCT/FINEP/e inovação, garantiram a continuidade do processo FNDCT - Subvenção Econômica à Inovação,de fortalecimento da inovação na Usiminas, listagem de projetos aprovados.fator que determinará o sucesso no alcance dos PROTEC (2010). Parque tecnológico do Fundãoobjetivos estratégicos da companhia nos próximos vai receber mais um centro de P&D. Disponívelanos. no Portal Protec – Pró-Inovação na IndústriaOutras áreas estão em processo de expansão na Brasileira: http://www.protec.org.br/senai_Usiminas, com novas demandas para a pesquisa detalhe.php?cod=1254. Acesso em: fevereiroe a inovação tecnológica, como é o caso do setor 2011.de aços para construção civil. Impulsionados pela UNIVERSITY of Cambridge, Institutecrescente demanda trazida pelo aquecimento for Manufacturing – Center for Technologyda economia, a Usiminas submeteu à Finep um Management. Technological Roadmapping.projeto para o desenvolvimento de kits estruturais Disponível em: http://www.ifm.eng.cam.ac.uk/metálicos para edificações prediais habitacionais, ctm/publications/tplan/#roadmap. Acesso em:que têm como alvo as construções do programa fevereiro/2011.“Minha Casa, Minha Vida”. Outros projetossubvencionados incluem o desenvolvimento de USIMINAS (2009). Relatório Anual 2009.componentes para torres eólicas, mercado quevislumbra crescimento significativo nos próximos USIMINAS (2010a). Revista Universo Usiminas n.anos, e o estudo de aços balísticos. O valor total 492, ano 46, set/out 2010.dos projetos realizados pela Usiminas com verba USIMINAS (2010b). Revista Universo Usiminas n.de subvenção econômica da Finep totaliza R$ 3,2 493, ano 46, nov/dez 2010.milhões (FINEP, 2009). USIMINAS (2010c). Entrevistas com Sr. DarctonAumentar a competitividade e a presença no Damião – Diretor de Pesquisa e Inovação emercado são os grandes desafios atuais para a Sr. Bruno Pimentel, Especialista de InovaçãoUsiminas. A obtenção de melhores resultados e Tecnologia, realizadas em 17/12/2010 eé o motor do planejamento estratégico para os 18/01/2011.próximos anos. E é nos objetivos estratégicos queos esforços de pesquisa e inovação na Usiminasencontram sua mola propulsora e sua maior razãode ser.reFerêNcIASEXAME (2010a). As empresas brasileiras quesão campeãs de inovação. Dezembro de 2010.Disponível no site da revista: http://exame.abril.com.br/negocios/inovacao/noticias/as-empresas-brasileiras-que-sao-campeas-de-inovacaoEXAME (2010b). Usiminas investe em produtosde maior valor agregado. Disponível em: http:// Casos FDC - Nova Lima - 2011 - CF1102 7
  8. 8. Fundação Dom Cabral 55 3589-7300 www.fdc.org.br

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