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TABELA 2: O Brasil e algumas nações latino-americanas no Global                     Competitiveness Report 2010-2011      ...
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TABELA 5: O Brasil e os propulsores de eficiência da competitividade no Global                     Competitiveness Report ...
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Gráfico 2: Real GDP Growth per                                  capita              6,00                                  ...
Nos dias de hoje, os investimentos de base estão em sua grande parte calcados nogoverno. Não isentando o Estado de suas re...
Ressaltamos que não estamos defendendo o descolamento dos agentes governamentaisdo processo de investimento e expansão do ...
Fundação Dom Cabral        55 3589-7300          www.fdc.org.br
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O Brasil no Global Competitiveness Report

  1. 1. O Brasil no Global Competitiveness Report 2010-2011 Carlos Arruda, Marina Araújo, Arthur Kux1 – Um pouco sobre o Global Competitiveness Report 2010-2011Com o intuito de oferecer ferramentas de benchmarking para gestores e formuladores depolíticas, o Global Competitiveness Report (GCR), produzido anualmente pelo ForumEconômico Mundial, analisa alguns dos fatores fundamentais para o crescimentoeconômico sustentável e a prosperidade no longo prazo (WEF, 2010).As análises de competitividade possuem como indicador básico o GlobalCompetitiveness Index (GCI). Esse indicador de competitividade considera tanto fatoresmacro como os microeconômicos, preservando, portanto, a importância da interaçãoentre os fatores sistêmicos, empresariais e estruturais da economia. De forma sintética,competitividade é para o WEF (2010) o conjunto de instituições, políticas e fatores quedeterminam o nível de produtividade do país. No que tange à produtividade, essa éconsiderada um fator primordial para a sustentabilidade da prosperidade econômica dasnações. Assim, para o WEF (2010), em linhas gerais, economias mais competitivastentem a gerar altos níveis de renda para a população. E a ponte desse processo está nosganhos de produtividade auferidos pela economia dadas as suas condições decompetitividade. Além disso, a sustentabilidade da prosperidade de uma nação somentepode ser garantida se a sua produtividade for adequadamente mantida.Num raciocínio mais retilíneo, países mais competitivos terão maiores níveis deprodutividade, que geram, no médio e no longo prazo, maiores níveis de renda (proxyde crescimento econômico). Recorrentemente formulado em bases macro, o WEFentende não ser esse suficiente para a definição do termo. A exploração dos conceitosmicroeconômicos e, principalmente, do conceito de produtividade no seu nível micro éde suma importância para as formulações do “Global Competitiveness Report”. Aprodutividade, anteriormente citada como componente de um contexto macro, éformulada a partir de componentes microeconômicos, como a sofisticação dascompanhias, a qualidade do ambiente de negócios e das externalidades que possibilitama formação de clusters e dão suporte às indústrias – e é nessas bases que o conceito deprodutividade será desenhado (WEF, 2010). Tendo esses três fatores microeconômicos
  2. 2. básicos, a quantidade de trabalho dessa nação aumentará e, a partir dele, o produtointerno gerado. Esse processo levará, também, a um aumento da renda nacional.Considerando que as condições microeconômicas traduzem as oportunidades geradaspelas condições macro, a produtividade é determinada a partir da atuação dos“geradores” de produtividade, que são, por exemplo, a exportação das empresas, asimportações, os investimentos diretos recebidos do exterior ou aqueles realizados pelasempresas nacionais nos exterior, a inovação, etc. Assim, um ambiente competitivo geracondições macroeconômicas, políticas e sociais adequadas, proporcionando para aempresa um ambiente micro favorável para o aumento de sua produtividade, e,conseqüentemente, a quantidade de trabalho empregada na economia e, por fim, o nívelde renda e produto.Com base nisso, o Relatório Global de Competitividade é composto por dois índicesdistintos de competitividade:• O Global Competitiveness Index (GCI), criado em 2004 pela equipe do WEFjuntamente com o Prof. Prof. Xavier Sala-i-Martin, da Columbia University, leva emconsideração o nível de desenvolvimento dos países e inclui variáveis – econômicas,institucionais, sociais e empresariais - que definem o ambiente competitivo de umanação.• O Business Competitiveness Index (BCI), sob a responsabilidade do Prof. MichaelPorter, preocupa-se com os fatores microeconômicos que moldam a produtividade dasfirmas.Os índices são formados por dois tipos de informações:• Hard data ou dados secundários provenientes de fontes públicas internacionais. Amaioria dos dados é referente ao ano anterior de publicação do relatório (2009) ou odado mais recente disponível.• Soft Data ou dados primários provenientes da pesquisa de opinião de executivosconduzidas nos países através das instituições parceiras locais, no caso do Brasil, aFundação Dom Cabral e o Movimento Brasil Competitivo. A competitividade envolvediversos aspectos de uma economia, muitos deles subjetivos ou de difícil mensuração.Por essa razão, o WEF realiza anualmente uma pesquisa de opinião de executivos(Executive Opinion Survey - EOS) para obter essas informações complementares, comoqualidade das instituições públicas, independência do poder judiciário e o grau dacorrupção em uma economia.Os executivos respondem a aproximadamente 150 questões sobre o ambiente no qualseus negócios estão inseridos, apontando sua percepção em uma escala entre 1 a 7, emque 1 geralmente corresponde à pior opção e 7 à melhor. O WEF e as instituiçõesparceiras selecionam a amostra dos executivos que participarão da EOS visandorepresentar da melhor forma possível o universo das empresas do país, ou seja,considerando a dispersão geográfica, estrutura setorial e o tamanho das empresas. Paraobter uma amostra com significativa participação no PIB, são consultados,
  3. 3. prioritariamente, executivos de grandes empresas. A amostra deve, obrigatoriamente,conter firmas com participação estatal, privada nacional e privada estrangeira, além defirmas domésticas que vendem em mercados internacionais.Os executivos selecionados para responder ao questionário são da alta gerência dasempresas, que possuam conhecimentos sobre o ambiente econômico nacional einternacional. A pesquisa pode ser respondida pelo questionário enviado para asempresas ou através da internet. O instituto Gallup International atua como consultor doWorld Economic Forum, garantindo a qualidade do processo de revisão metodológica etécnica da pesquisa. No mundo, a pesquisa em 2010 envolveu mais de 13.607participantes e 139 economias1. No Brasil, mais de 140 executivos responderam aoquestionário entre janeiro e maio. A metodologia adotada pelo World Economic Forumpara elaboração do relatório e respectivos rankings será apresentada em detalhes nestedocumento. As mais de 100 variáveis analisadas no estudo são agrupadas em 12"pilares", que correspondem a grupos diferentes de variáveis e que, por sua vez, sãoagrupados em três grupos de análise: “Requisitos Básicos”, “Propulsores de Eficiência”e “Inovação e Sofisticação Empresarial”.Para o relatório de 2010-2011, os 12 pilares analisados foram:Requisitos básicos1. Instituições: Referem-se a transparência, grau de corrupção e eficiência do setorpúblico, proteção a direitos de propriedade, qualidade da segurança pública, além daética das empresas, e eficácia das auditorias e padrões contábeis do setor privado.2. Infra-estrutura: Relacionado à qualidade da infra-estrutura de transportes,comunicação e de fornecimento de energia.3. Estabilidade Macroeconomia: Refere-se ao nível de endividamento, inflação,contas públicas e spread bancário.4. Saúde e Educação Primária: Refere-se à incidência de doenças e seus impactos naeconomia, à expectativa de vida e à abrangência do sistema educacional primário.Propulsores de eficiência5. Educação Superior e Treinamento: Refere-se à abrangência e qualidade do sistemaeducacional nos níveis secundário e terciário, além dos serviços de treinamento epesquisa especializados.1 Em relação a 2009, o estudo contou com um país a menos – Suriname.
  4. 4. 6. Eficiência do Mercado de Bens: Refere-se ao impacto das regulamentaçõesgovernamentais na atividade empresarial privada e às características competitivas doambiente empresarial.7. Eficiência do Mercado de Trabalho: Reflete o grau de flexibilidade das leis dotrabalho e as práticas de meritocracia adotadas nas empresas.8. Sofisticação do Mercado Financeiro: Avalia a qualidade do mercado bancário e adisponibilidade no país de marcos regulatórios, práticas e recursos que facilitem oacesso a capital por empresas do setor privado.9. Prontidão Tecnológica: Relacionada à difusão de novas tecnologias nas empresas ena sociedade.10. Tamanho do Mercado: te Refere-se ao tamanho do mercado pelo qual as empresasse orientam.Inovação e sofisticação empresarial11. Sofisticação dos Negócios: Relacionado à qualidade e quantidade de fornecedoreslocais, às práticas empresariais e à natureza da vantagem competitiva das firmas.12. Inovação: Refere-se à capacidade inovativa da economia.Após essa apresentação do estudo, segue uma análise detalhada das condiçõescompetitivas do Brasil para o ano de 2010, que se estrutura da seguinte forma. Na seção2 discuti-se a situação competitiva geral do Brasil com base no GCR de 2010. A seção 3dedica espaço ao seu detalhamento com destaque para a análise dos pilares e fatores quecompõem o indicador. Ao final da seção será apresentado alguns desafios do Brasil parao futuro. A seção 4 conclui a discussão empreendida.2 – O Brasil no GCR 2010-2011Apesar dos avanços nas áreas sociais e econômicas, o Brasil perdeu 2 posições noranking geral de competitividade do Global Competitiveness Report 2010-2011.Ocupando a 58ª posição o país ainda não conseguiu recuperar o posicionamento de2004 (49º lugar), mesmo considerando os seus avanços e estabilidade em áreas chavesda competitividade como a macroeconomia e o emprego. Como pode ser observado noGráfico 1, o país não conseguiu atingir um bom ritmo de recuperação competitiva. Avelocidade com que a nação perdeu 23 posições entre os anos de 2004 e 2007 (em 3anos) não pode ser percebida na recuperação de posições vivida entre 2007 e 2010 –anos estes que o país recuperou 14 das 23 posições perdidas.
  5. 5. Gráfico 1: Global Competitiveness Index 2010-2011 0 20 40 49 57 56 58 66 64 60 72 80 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.O ganho de 8 posições vivenciado no ano de 2009 esteve não somente relacionado aosganhos reais de competitividade do país mas, também, pela perda generalizada decompetitividade das demais nações como consequencia da crise. Já em 2010, a perda deduas posições no ranking geral parece relacionado a um ganho competitivo das demaisnações analisadas. Corrobora essa observação o fato de as posições do Brasil nosgrandes blocos de análise terem praticamente se mantido ao longo do estudo. Em umranking onde o posicionamento competitivo é relativo, não ganhar novas posições podeser um sinal de perda competitiva, principalmente quando as demais nações estão numaconstante corrida pela recuperação competitiva em um cenário de pós-crise. Esse pareceser o caso do Brasil. O importante ganho de 8 posições do país parece ser balizado noano de 2010 pela recuperação competitiva dos demais países do ranking, fazendo comque o país retomasse sua posição real através da perda de 2 posições. TABELA 1: O Brasil no Global Competitiveness Report 2010-2011 GCR 2009-2010 2006 2007 2008 2009 2010 Global Competitiveness Index 66 72 64 56 58 Requisitos Básicos 84 101 96 91 86 Propulsores de Eficiência 51 55 51 42 44 Inovação e sofisticação de fatores. 36 41 42 38 38FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.O GCR analisa a competitividade das nações em acordo com seu nível dedesenvolvimento econômico. Assim, o Brasil que pertence ao grupo 2 (Direcionadospara a Eficiência) no referido modelo deveria ter superado as suas necessidades edeficiências nos requisitos básicos da competitividade e buscar pelo desenvolvimentodos propulsores de eficiência e inovação. Como já apontado em relatórios anteriores, opaís apresenta uma inversão de prioridades tendo as suas bases competitivas em fatoresligados a inovação e a sua sofisticação de fatores. Na contra-mão, as suas maioresfragilidades e desafios estão justamente nos fatores que, por hipótese, deveriam ser asforças competitivas do país – os requisitos básicos. Como pode-se observar na TAB. 1,o país incrementou a sua posição competitivas nos fatores de Inovação e Sofisticação
  6. 6. de 2007, quando ocupava a 41ª posição, até 2010, quando ocupou a 38º lugar. Nessebloco o Brasil está à frente de nações como Índia (42ª posição), Chile (44ª) e Espanha(41ª).Já os requisitos básicos, fatores de pior desempenho do país, saíram do 101º lugar em2007 para o 86º lugar em 2010. Apesar da reconhecida deficiência, esse último temapresentado taxas de crescimento superiores aos demais blocos, com uma média deganhos de 5 posições por ano. Esse fato é consequencia das fortes intervenções dogoverno e das políticas de recuperação econômica e social. Por último, o bloco depropulsores de eficiência foi o único a apresentar uma pequena perda competitiva (duasposições), mesmo assim o país está a frente de países como Itália (45ª), México (61ª) eRússia (53ª).De uma forma geral o Brasil continua com forte participação competitiva e políticafrente aos dois grandes grupos econômicos à qual pertence. Com relação à AméricaLatina (AL), o Brasil apresenta o segundo melhor desempenho competitivo, perdendosomente para o Chile (30ª posição). Ainda vale comentar que, no que tange acompetitividade, a distância relativa entre as economias do Brasil e do México pareceaumentar. Em 2009 o Brasil ocupava a 56ª posição enquanto o México ocupou a 60ª –uma diferença de 4 posições. Já no ano de 2010, apesar de as duas nações apresentaremperdas, a distância entre os mesmos aumentou para 8 posições (TAB. 2).Nesse movimento, caberia ressaltar o mau posicionamento generalizado dos paíseslatino-americanos no ranking geral. Dentre as 30 nações mais competitivas do globo,somente o Chile representa a região. No segundo quadrante (com posicionamentos quevariam de 35 ao 70) localizam-se nações como Porto-Rico (41ª), Panamá (53ª), Brasil(58ª), Uruguai (64ª), México (66ª) e Colômbia (68ª). As demais nações localizaram-senos quadrantes de mais baixo desempenho competitivo, com um total de 13 naçõesparticipantes. Essa concentração de países latino-americanos nos quadrante de baixodesempenho coloca a região para trás na corrida pela competitividade, corrida essabastante acirrada quando se considera o potencial asiático em competir. No que tange àcompetitividade brasileira, em comparação com a citada região, a sua força pode estarna estabilidade macroeconômica e no tamanho do seu mercado, que atualmenteapresenta alto potencial de renda e compra.
  7. 7. TABELA 2: O Brasil e algumas nações latino-americanas no Global Competitiveness Report 2010-2011 FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.Em relação aos BRICs a situação competitiva do Brasil pode não ser tão favorável.Ocupando o 3º lugar (dentre as 4 nações consideradas), o Brasil perde para China eÍndia, estando à frente somente de Rússia. Ao longo dos últimos três anos, somenteBrasil e Rússia apresentaram variações competitivas consideráveis. Como jácomentado, o Brasil ganhou 8 posições em 2009 enquanto Rússia perdia 12 posições.As variações de China e Índia em 2009 sinalizaram para a estabilidade, dada a variaçãode somente 1 posição. Já no ano de 2010, todas as nações elencadas pelo grupoapresentaram certa estabilidade. Nesse cenário, Brasil e Índia perderam duas posições,enquanto China ganhou duas. Já Rússia manteve seu posicionamento de 2009.Relativamente, somente China pertence ao primeiro quadrante do ranking geral, estandoas 3 outras nações concentradas no segundo quadrante. TABELA 3: O Brasil e os BRICs no Global Competitiveness Report 2010-2011FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.Numa análise transversal, o posicionamento geral do Brasil está consideravelmenteaquém de suas potencialidades. Não somente por sua força política e econômica, oBrasil sub-utiliza a sua plataforma competitiva levando-o ao desempenho medianoapresentado acima. No ranking geral o país perde competitividade para nações comoQatar (17ª), Irlanda (29ª) e Mauritânia (55ª). Essa situação é respaldada por questões jáamplamente discutidas em análises anteriores como a falta de infraestrutura e educaçãoadequadas, ausência de um marco regulatório eficiente e de políticas de fomento parainvestimento empresarial. Esses e mais outros tantos fatores se reproduzem no histórico
  8. 8. competitivo brasileiro de forma inercial. Romper com esse ciclo é o maior desafio dopróximo governo.Porem, não somente velhos fantasmas rondam a competitividade nacional. O desafiodas continuidades (ARRUDA, ARAÚJO, KUX, 2010) ainda é presente. Darcontinuidade às boas políticas, às boas práticas governamentais, à estabilidademacroeconômica com desenvolvimento e ao investimento do governo são desafios tãocomplexos quanto o primeiro elenco de desafios apresentados. Mas afinal, o que foi oBrasil em 2010? Qual herança ficará para o próximo governo? E quais os principaisdesafios do Brasil? Essas são algumas das perguntas que essa análise tentará explanarnas páginas que se seguem.3 – Um retrato do Brasil:Para se entender a competitividade do Brasil na primeira década do século XXI éimportante ter em mente alguns fatores históricos de seu desenvolvimento. Até a décadade 80, considerando os governos de Getúlio, Juscelino e dos militares, tododesenvolvimento industrial e da base competitiva eram motivados por uma necessidadeintensa de recuperação de fatores defasados ou tardios. Assim foi a constituição daindústria de base no país, a construção de sua infraestrutura logística, a instalação deestruturas de telecomunicações e o desenvolvimento da educação básica com as salas doMobral. Sempre atrás de um desenvolvimento tardio, o país continua sendo a promessado futuro, condição essa que ainda não alcançamos.O Brasil de FHC era um país assolado pela crise econômica e inflacionária. Semcondições de investir em um desenvolvimento efetivo, os 8 anos de FHC deixaram deherança a estabilidade da moeda e as contas públicas ajustadas, além da privatização eda criação das agência reguladoras. Casa arrumada o governo Lula inicia-se comdemandas efetivas de desenvolvimento. Incrementar o investimento do país era algomais que necessário, era urgente. Somente via investimento (das empresas ou dosgovernos) é que o país poderia incrementar a renda e o emprego, além de colocar asempresas nacionais em condições de maior competitividade internacional.Sem qualquer posicionamento crítico a respeito, esse incremento do investimento foirealizado, principalmente pelas fontes governamentais. Muito investiu-se eminfraestrutura, em desenvolvimento social, em educação. E o país cresceu. Cresceu arenda média da população, cresceu o número de empregos ofertados, reduziu-se acapacidade ociosa das fábricas e aumentou-se o consumo. O país, enfim, parece viverum verdadeiro crescimento econômico, e não mais um milagre econômico semfundamentos sólidos como na década de 70.Frente a um novo patamar de desenvolvimento econômico, talvez o maior desafio estejana sustentabilidade desse movimento. Mais que dar continuidade é imprescindível que ociclo virtuoso da economia ganhe vida própria. Dado o impulso inicial fomentado pelas
  9. 9. diversas ações governamentais, cabe agora aos demais agentes econômicos continuarema fomentar esse ciclo seja via investimentos do setor privado, seja via investimento dasociedade em educação e treinamento, ou em outros tantos caminhos possíveis. Maisque cobrar do governo ações em prol da competitividade nacional, talvez seja omomento de se fomentar uma melhor interação público-privada, onde a participação detodos é imprescindível.Sem dúvidas as maiores deficiências competitivas do país estão no bloco Requisitosbásicos. Composto por 4 pilares básicos, à saber Instituições, Infraestrutura,Estabilidade Macroeconômica e Saúde e Educação básica, esse é o conjunto de fatoresque, historicamente, deprimem o resultado líquido da competitividade nacional.Ocupando o 86º lugar no ranking do referido bloco, o pilar de pior desempenho está naestabilidade macroeconômica (111ª posição) e o de melhor desempenho está na infra-estrutura (62ª posição). TABELA 4: O Brasil e os requisitos básicos da competitividade no Global Competitiveness Report 2010-2011 2007 2008 2009 2010 Global Competitiveness Index 72 64 56 58 Requisitos Básicos 101 96 91 86 Instituições 104 91 93 93 Infra-estrutura 78 78 74 62 Estabilidade Macroeconômica 126 122 109 111 Saúde e Educação Básica 84 79 79 87 FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.No pilar instituições, onde é avaliada a qualidade das instituições públicas e privada emfornecer condições favoráveis à competitividade internacional, o Brasil manteve estávela sua posição de 2009, 93º lugar. O baixo desempenho nesse pilar é histórico e estárelacionado ao baixo desempenho do país em fatores como Diversificação dos FundosPúblicos (121ª posição), confiança pública nos políticos (127ª), desperdício dos gastosgovernamentais (136ª) e os custos gerados pelo crime e violência (123ª). De uma formageral, o desempenho do referido pilar é bastante baixo, estando o seu melhordesempenho na posição 64 para as variáveis Força dos padrões de auditoria e Proteçãodos interesses dos acionistas minoritários. Vale ressaltar que os “melhores”desempenhos do pilar estão relacionados ao desempenho das instituições privadas.Infraestrutura, apesar das intensas criticas do setor privado é o pilar de melhordesempenho, 62º lugar. Apesar do ganho de 12 posições no pilar, as variáveis domesmo não apresentaram grandes alterações de posições entre os anos de 2009 e 2010.A qualidade geral da infraestrutura apresentou perdas competitivas de 3 posições emrelação ao ano anterior (ocupando a 84ª posição em 2010). Somente os fatores qualidadeda infraestrutura rodoviária e portuária apresentaram tímidas melhorias de 1 e 4posições, respectivamente (ocupando a 105ª e a 123 posição).
  10. 10. A estabilidade macroeconômica talvez seja o Tendão de Aquiles da competitividadeatual. Por quatro anos consecutivos, como pode-se observar na tabela 4, o país nãoconseguiu sair do último quadrante do ranking de competitividade, apresentandoposicionamentos inferiores ao 100º lugar. No ano de 2010, o país ocupou o 111º lugar,perdendo duas posições quando comparado com o seu desempenho do ano de 2009. Deuma forma geral, esse pilar sofre com a incongruência interna de suas variáveis, querefletem a incongruência dos agentes econômicos que o regem. Apesar do bomdesempenho macroeconômico em fatores como o balanço dos gastos governamentais(50ª posição e ganho de 19 posições) e o Country Credit Rating (46ª posição) o paísainda possui sérios problemas em variáveis chaves da macroeconomia nacional. Aexemplo, tem-se a taxa de poupança nacional em que o país ocupou a 101ª posição(perda de 15 posições) no ranking e o Spread Bancário onde o país ocupou a 136ªposição (perda de 8 posições).Para além, o estudo aponta uma maior pressão inflacionária contra a estabilidademacroeconômica tão defendida. O país saiu da 46ª posição no quesito Inflação em 2009para a 93ª posição. Porem, essa mudança negativa de posicionamento parece estarrelacionado muito mais a um processo de deflação das economias como um todo do quea perda de competitividade do Brasil no que tange seu controle da inflação. No ano de2008 o país apresentou uma inflação média de 5.7%. Já no ano de 2009 essa média caiupara 4.9%, padrão adequado frente as metas inflacionárias controladas pelo BACEN.Logo, na realidade, o Brasil não apresentou no ano de 2010 uma tendência crescente dainflação mas, sim, uma manutenção de seu controle.O pilar saúde e educação primária, último do bloco requisitos básicos, apresentou umperda de 8 posições entre os anos de 2009 e 2010, passando a ocupar a 87º lugar. Talposição, inferior ao desempenho competitivo do ano de 2007, coloca as condiçõeseducacionais e de saúde do Brasil inferiores a de países como Argentina (60ª), Equador(75ª), México (70ª) e Rússia (53ª). Nesse pilar a qualidade de educação primária (127ªposição com perda de 8 posições) e a incidência de malária (104ª posição com perdas de6 posições) foram os fatores de pior desempenho do país. No ano de 2010, o referidopilar sofreu consideráveis mudanças em sua estrutura com a diminuição do número deindicadores que expressam a qualidade da educação básica nos países estudados. Deuma forma geral, 80% dos indicadores desse pilar expressam a qualidade da saúdeofertada pelo país mas pouco discorre sobre a qualidade da educação básica (que érepresentado por apenas 20% das variáveis).
  11. 11. TABELA 5: O Brasil e os propulsores de eficiência da competitividade no Global Competitiveness Report 2010-2011 2007 2008 2009 2010 Global Competitiveness Index 72 64 56 58 Propulsores de Eficiência 55 51 42 44 Educação Superior e Treinamento 64 58 58 58 Eficiência do Mercado de Bens 97 101 99 114 Eficiência do Mercado de Trabalho 104 91 80 96 Sofisticação do Mercado Financeiro 73 64 51 50 Prontidão Tecnológica 55 56 46 54 Tamanho do Mercado 10 10 10 10 FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.O segundo bloco apresentado pelo WEF é destacado pelos fatores que movimentam aeficiência produtiva de uma determinada nação. Nessa lógica, para as empresasproduzirem com eficácia e eficiência elas deverão encontrar em sua plataformaprodutiva uma mão-de-obra com formação técnica e superior adequada à produção, ummercado de trabalho eficiente, um mercado financeiro que suporte as suas transaçõesfinanceiras, dentre outras tantas características que dão movimento e intensidade àatividade empresarial. Ressalva-se que, na lógica desenvolvimentista do WEF, aexistência de uma dessas bases não isenta a necessidade de que as demais coexistam. Naverdade, cabe esclarecer que o ideal competitivo perseguido pelo WEF demanda,justamente, a busca pela existência efetiva dos três blocos de analise aqui discutidos.Retomando a analise dos dados, como pode-se observar na tabela 5, os fatorespropulsores de eficiência no Brasil apresentam um comportamento diversificado.Enquanto variáveis como Tamanho de mercado (10ª posição), Sofisticação do mercadofinanceiro (50ª) e Prontidão tecnológica (54ª) vem a colaborar para a eficiência dasempresas, outros fatores historicamente deprimem as condições competitivas nacionais– como, por exemplo, Eficiência do mercado de bens (114ª) e Eficiência do mercado detrabalho (96ª).Dentro do referido bloco, o pilar de maior estabilidade tanto de posições quanto deposicionamento competitivo está no tamanho de mercado brasileiro. Ocupando a 10ªposição a mais de 5 anos, este pilar é um dos fatores chaves para o crescimento daeconomia vivenciados nos últimos anos. Como será tratado em detalhe mais à frente, otamanho do mercado é medido não somente por sua capacidade de geração de riqueza(PIB na paridade do poder de compra) mas, também, pela sua capacidade detransacionar com os mercados externos. Assim, o Brasil ocupa a 9ª posição no tamanhode sua geração de riqueza, com um PIB de US$ 2.013 bilhões de dólares, e a 24ªposição no indicador de tamanho de mercado estrangeiro. Cabe notar que o melhorposicionamento do país está justamente na sua capacidade doméstica. Com ganho de 1posição, o Brasil passa a ocupar a 8ª posição de maior econômica doméstica (medido
  12. 12. pelo indicador de tamanho de mercado doméstico). Fator esse gerado pelo intensomovimento de expansão da renda real vivido pelo país nos últimos anos.Outro fator que apresenta um comportamento competitivo bastante interessante está nopilar Sofisticação do mercado financeiro. Por três anos consecutivos o referido pilaralcançou melhores posicionamentos no ranking de forma bastante sustentável. De 2007a 2010, este pilar alcançou 23 novas posições que se sustentaram tanto na depressãopré-crise, durante e, principalmente, no pós-crise (quando teoricamente, os demaispaíses deveriam voltar ao nível de competitividade normal). Essa sustentabilidade estáancorada numa eficiente regulamentação da bolsa de valores (ganho de 5 posiçõespassando a ocupar o 5º lugar no ranking); na solidez do setor bancário (perda de 4posições ocupando o 14º lugar); na disponibilidade de bons serviços financeiros (27ºlugar); na melhoria dos fluxos de capitais no país (ganho de 18 posições passando aocupar o 73º lugar) e numa melhor disponibilidade de venture capital (ganho de 8posições passando a ocupar o 60º lugar).Os pilares que apresentaram maiores perdas de posições competitivas são Eficiência domercado de trabalho (perda de 16 posições) e Eficiência do Mercado de Bens (perda de15 posições). Com relação ao mercado de trabalho, os ganhos de 24 posições auferidosentre os anos de 2007 e 2009 parecem esmorecer. Estão relacionados a essa perda decompetitividade fatores como a perda de 17 posições na variável confiança na gestãoempresarial (52ª posição); o aumento da rigidez do emprego (gerando uma perda de 18posições e ocupando a 114ª posição); e diminuição da flexibilidade da determinaçãosalarial (perda de 6 posições ocupando a 116ª). Além desses fatores, colaboram paraesse cenário a falta de cooperação nas relações de trabalho (90ª), a redundância doscustos salariais (80ª) e o pouco relacionamento existente entre pagamento eprodutividade (80ª). Cabe a ressalva de que a maioria desses fatores estão relacionadosao marco regulatório brasileiro.O segundo pilar que apresentou maiores perdas competitivas também justifica seudesempenho pela ausência de competitividade do marco regulatório que o rege. Assimcomo no pilar anteriormente apresentado, o desempenho geral do Brasil no referidopilar é relativamente bem representado pelas variáveis de atuação direta das empresas,caso oposto às variáveis que expressam atuação do governo. Assim, a queda de 15posições é justificada pela perda de competitividade no que tange a concentração dosmercados (perda de 11 posições passando a ocupar a 46ª posição); ao grande impactoque os impostos tem para a eficiência da produção e para a formação de preços (variávelque ocupou em 2009 e 2010 o ultimo lugar no ranking); ao total de taxas e impostosdesembolsados pelas empresas (perda de 10 posições passando a ocupar a 127ªposição); ao excesso de procedimentos dedicados à abertura de novos negócios (perdade 6 posições passando a ocupar a 132ª posição), dentre outros fatores. Para esse mesmopilar, o desempenho do Brasil mostra-se mais adequado ao seu nível dedesenvolvimento nas variáveis grau de orientação da produção para os clientes
  13. 13. (ocupando o 50º lugar) e a sofisticação dos consumidores (ganho de 5 posiçõespassando a ocupar a 52ª posição).Por fim, tratar de educação superior e treinamento no Brasil é sempre uma temáticadelicada. Apesar dos avanços já registrados na área, é reconhecido que um amplocaminho à qualidade do ensino superior e treinamento ainda precisa ser perseguido. Noranking do referido pilar, o ganho de 6 posições no ano de 2007 foi mantido por trêsanos consecutivos, inclusive em 2010, fazendo do Brasil a 58ª economia maiscompetitiva no que tange sua educação superior. Apesar da manutenção da posição noano de 2010, o referido pilar apresenta uma sensível perda de posições em algumas desuas variáveis. Perda essa que poderá em um futuro próximo culminar em perdasgeneralizadas no pilar. Dessa forma, no ano de 2010, o número de matrículas no nívelsecundário e terciária mantiveram, aproximadamente, as suas posições do ano anterior.Mas, apesar de todo o investimento do governo e das políticas do MEC paraincrementar o nível terciário, a posição competitiva média da variável continua baixa(73º lugar). Além dessa questão, a qualidade do sistema educação do Brasil ainda ébastante mal avaliada pelos executivos, ocupando desde 2009 o 103º lugar. Criticatambém foi a avaliação dos executivos para a disponibilidade local de pesquisaespecializada e serviços de treinamento, variável essa que ocupou o 36º lugar com umperda de 7 posições em relação ao desempenho de 2009. TABELA 6: O Brasil e os fatores de inovação da competitividade no Global Competitiveness Report 2010-2011 2007 2008 2009 2010 Global Competitiveness Index 72 64 56 58 Inovação e sofisticação de fatores 41 42 38 38 Sofisticação dos Negócios 39 35 32 31 Inovação 44 43 43 42 FONTE: World Economic Forum, 2010. Elaboração própria.Por fim, a análise do bloco Inovação e Sofisticação dos fatores parece detalhar sobre omelhor da competitividade do país. Ocupando o 38º lugar, este bloco é composto pelospilares inovação (com ganhos competitivos de 1 posição ocupando o 31º lugar) esofisticação dos negócios (ganho de 1 posição e ocupando o 42º lugar). No que tange ainovação, a capacidade geral de gerar inovação no país foi bem avaliada pelos gestores,fazendo o país ocupar a 29ª posição no referido ranking. Também apresentaram bonsposicionamentos as variáveis despesas das empresas em P&D (29ª posição) ecolaboração universidade-indústria para geração de P&D (34ª posição). Como essasduas últimas variáveis apresentadas são baseadas em fontes softs, pode ocorrer de asmesmas apresentarem certas distorções da realidade. Com relação às despesas dasempresas com atividades de P&D, apesar do bom posicionamento indicado peloempresariado brasileiro, em dados quantitativos a realidade parece ser outra. Asempresas brasileiras, segundo dados do MDIC, investem menos de 0,5% de seu PIB em
  14. 14. atividades de P&D. Dados esses bastante reduzidos quando comparados com paísescomo China (1,18%), USA (2,01%) e Israel (3,93%).O país teve consideráveis ganhos de posição em variáveis como Capacidade do governoem adquirir novas tecnologias (50ª posição com um ganho de 10 posições). Na contra-mão, o país perdeu 8 posições na variável Disponibilidade de cientistas e engenheiros,saindo da 60ª posição para a 68ª. Essa última variável é especialmente critica emmomentos de crescimento econômico dada a falta de mão-de-obra devidamentequalificada para a continuidade desse mesmo crescimento.Quanto a sofisticação dos negócios, a quantidade e qualidade de oferta de bens (9ª e 29ªposição, respectivamente) apontam para um cenário empresarial competitivo. Já avariável Natureza da Competitividade (89º lugar) indica um posicionamento médio dasempresas brasileiras, elas estariam tanto dedicadas a produção de bens de baixo valoragregado, como recursos naturais, como a produção dedicada a produtos e processosúnicos e com agregação tecnológica. De uma forma geral, o perfil produtivo brasileiromostra-se bastante competitivo e eficiente, essas observações estão calcadas na posiçãodo país nas variáveis Controle da distribuição internacional (27ª), Extensão dosmercados (22ª), Sofisticação dos processos produtivos (29ª). Somente a variávelExtensão da cadeia de valor, que apresentou perdas competitivas de 3 posições, teve opior desempenho do pilar, ocupando a 60ª posição.Como já comentado em anos anteriores, a competitividade brasileira parece sersustentada pela atividade empresarial. Mas, sem dúvidas, o atual crescimento do país etodo o seu desenvolvimento recente estão bastante ancorados nas políticas e açõesgovernamentais. Sustentar o atual desenvolvimento econômico envolve mais que asuperação de desafios historicamente consolidados, envolve, também, a promoção deuma conexão efetiva entre agentes públicos e privados. Afinal, como constituir um setorprivado forte e economicamente sustentável? Sem dúvidas, a resposta dessa perguntapode estar na efetiva parceria entre governo, empresas e sociedade.4 – Um novo desafio para o Governo e as empresas brasileirasO país ainda inspira prosperidade. Pensar na sustentabilidade do desenvolvimentoeconômico brasileiro envolve, sem dúvidas, garantir a estabilidade do crescimento. Odesafio, talvez, seja torná-lo sustentável. Para se ter idéia, o crescimento real do PIB em2010 girará em torno dos 4,8%, número esse que contrasta significativamente com os1,17% negativos apresentados no ano de 2009 (em decorrência da crise e dadesaceleração da economia mundial) e que sinaliza bons ventos quando comparado como desempenho de 2008 (crescimento real de 3,96%).
  15. 15. Gráfico 2: Real GDP Growth per capita 6,00 4,80 4,33 4,50 5,00 3,96 4,00 2,75 3,00 1,88 2,00 1,21 1,00 -0,16 - -0,23 -1,17 -1,00 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 -2,00Para manter o ritmo do crescimento a palavra de ordem é equilíbrio. Sendo o ano de2008 o ano da euforia e o ano de 2009 o ano da precaução, esse seria o momento idealde equilibrarmos as nossas ações em prol de um crescimento mais sustentável. Nessemovimento, a expansão do emprego, da renda e do consumo foram os motores doreferido crescimento.Como mostra os dados abaixo, o consumo das famílias parece ser a variável que maiscresceu (em termos de participação no PIB) nos últimos 3 anos. Representando no anode 2009 mais de 62% do PIB, essa variável simbolizou um total de 986 bilhões dedólares no ano de 2009, e um montante de R$ 566 bilhões de reais circulando naeconomia no 3º trimestre do ano de 2010. Outro destaque está no próprio consumo dogoverno que representou em 2009 quase 21% do PIB e mais de 327 bilhões de dólaresno mesmo ano. Entretanto, a manutenção desse desempenho está diretamente ligada aum contexto macroeconômico de expansão real dos salários e continuidade docrescimento das taxas de emprego da economia. O que, por sua vez, esta relacionada aopadrão e volume de investimento atual da economia.TABELA 7: Formação PIB Brasil 2007 2008 2009Consumo das famílias(%PIB) 59.90 60.32 62.76Consumo do Governo (%PIB) 20.26 19.58 20.81Formação Bruta de Capital Fixo (%PIB) 17.44 18.67 16.73Poupança Bruta Doméstica (%PIB) 19.84 20.11 16.43Um dos principais desafios do ano de 2011 para o Brasil está, justamente, em repensar alógica do investimento nacional. (Re)pensar sobre o investimento e o seu volume é algojá extensamente discutido pelos estudiosos e interessados no tema, porem repensar o seuperfil pode ser o grande desafio competitivo de 2011. Para romper com a lógica decrescimento promovido até então, e exemplificada pelo breve contexto histórico acimadiscutido, seria necessário um reposicionamento das empresas e do governo. O caminhoda sustentabilidade do crescimento das firmas e da estabilidade macroeconômicaalcançada pelo governo está, justamente, na inversão da lógica do investimento.
  16. 16. Nos dias de hoje, os investimentos de base estão em sua grande parte calcados nogoverno. Não isentando o Estado de suas responsabilidades no que tange a oferta decondições competitivas adequadas, deve-se levar em conta a sustentabilidade dessesinvestimentos. Apesar de necessários eles estão levando o Estado a níveis deendividamento exorbitantes. Como pode-se observar no gráfico abaixo, a tão comentadaredução da dívida externa foi alcançada graças à expansão da dívida interna. Entre osanos de 1995 e 2000, a evolução de ambas as dívidas sinalizavam para a mesma direçãode crescimento. Em 2002 os dados sinalizam para uma inversão da inclinação dasmesmas, tendo um direcionamento positivo (de crescimento) para a dívida interna e umdirecionamento negativo (de queda) para a dívida externa. Nesse mesmo ano de 2002, adívida externa representou 18,25% do PIB e a interna 37.71%. Após sete anos essesvalores passaram a representar 44.89% do PIB para a dívida interna e 3,15% para aexterna. Gráfico 3: Dívida do Governo Central (% PIB) 45,47 46,46 46,46 44,89 41,37 41,16 42,46 38,86 37,71 24,26 22,69 21,06 17,26 18,25 14,86 13,01 13,30 10,33 10,50 8,66 7,24 8,27 6,05 3,67 4,25 4,09 4,41 3,15 1,63 2,01 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Central government domestic debt Central government foreign debtNo curto prazo, esses montantes de investimento realizados a custo da dívida nãosomente geram crescimento econômico como desenvolvimento social. A questão épensar nas conseqüências desses investimentos para o longo prazo. Frente a um altoendividamento, a tendência é que os investimentos cessem e com ele, todo o motor doatual crescimento do emprego, da renda e do consumo. O receio está nainsustentabilidade dos investimentos e da dívida do atual governo levar a mais um ciclorecessivo da economia brasileira.Para se evitar tal contexto a sugestão está, como já comentado, na mudança do padrãodos investimentos nacionais e num envolvimento mais direto do setor privado napromoção dos investimentos de base e recuperação da plataforma competitiva.
  17. 17. Ressaltamos que não estamos defendendo o descolamento dos agentes governamentaisdo processo de investimento e expansão do desenvolvimento econômico. Na verdade,estamos defendendo a parceira efetiva e eficiente dos principais agentes motores docrescimento. TABELA 8: Formação Bruta de Capital Fixo (em milhões de reais) Ano Adm. Pública Empresas e Familias 1995 15,955 113,341.29 1996 17,054 125,327.40 1997 16,231 146,902.59 1998 23,665 142,509.22 1999 15,274 151,472.74 2000 21,293 176,858.00 2001 25,935 195,837.00 2002 30,468 211,694.00 2003 25,604 234,110.00 2004 - - 2005 37,490 304,747.00 2006 48,245 341,083.00 Fonte: IpeaData, 2011Nessa lógica, o investimento e todo o seu aporte de capital deveria ser direcionado aosetor privado que, dada a sua disponibilidade financeira e flexibilidade de ação, poderiacom muito mais agilidade percorrer o caminho rumo à formação de condiçõescompetitivas mais adequadas (o que inclui investimentos em infra-estrutura, energia,ciência e tecnologia, etc). No mesmo sentido, o Estado poderia fortalecer a sua açãoreguladora no sentido de garantir que esses investimentos privados atendam aosinteresses de toda nação.Além dos benefícios de agilidade e maior disponibilidade financeira, esse movimento,que desonerará as contas públicas, poderia ainda gerar redução da carga tributária nopaís. No cenário atual, qualquer reforma tributária parece inviável dado o perfil dadívida e dos gastos do governo. Repassando parcela considerável dos investimentos aosetor privado, o governo poderá ter melhores condições de receita para promover a tãodemandada reforma.A mudança aqui proposta ultrapassa as questões legislativas e governamentais.Reconhece-se que transformar a lógica dos investimentos nacionais envolve mudançasmuito mais profundas que as econômicas. Envolve a mudança de uma sociedadeconstruída em base paternalista e pouco colaborativa. Apesar de ethos brasileiro serassim, ainda é possível que essa transformação de nossa racionalidade venha a trazer umefetivo e sustentado crescimento e desenvolvimento econômico.
  18. 18. Fundação Dom Cabral 55 3589-7300 www.fdc.org.br

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