Espiral 25

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Espiral 25

  1. 1. espiral boletim da associação FRATERNITAS MOVIMENTO N.º 25 - Outubro / Dezembro de 2006 PRIMEIR A DÉC ADA DA NOSSA FR ATERNITA S PRIMEIRA DÉCAD DA NOSS FRATERNITA ADA I - Ao assinalarmos os dez anos de vida da «Fraternitas», recordamos com saudade ocónego Filipe de Figueiredo. Porque é um amigo que Falou-nos de um mundo laico, aquele em que todos os dias navegamos, e que já não discute Deus, mas O ignora ou Lhe passa ao lado. Na verdade, anunca esqueceremos e que sempre exaltaremos pela condição, hoje, da nossa realidade como cristãos écoragem de se ter atrevido a desfazer um tabu e a «sermos crentes num mundo descrente». E, como Igrejaevidenciar uma realidade forte: a de que nós, pa- que se vai desertando, sermos «luz do mundo» e «saldres casados, continuamos a ser Igreja. E a de que da terra». «Pusillus grex».as nossas companheiras, que não hesitaram em unir V - Registo alguns dados soltos, fugidiamente apa-a sua à nossa vida, tiveram a coragem de enfrentar nhados no decorrer das conferências:uma sociedade que, na sua maioria, não entendia o a) O silêncio e a não evidência de Deus, mas nãopasso que uns e outros demos. É justa e devida, e a Sua ausência, levam-nos a procurar como havemostalvez tardia, esta homenagem às nossas mulheres de ser testemunhos da Sua presença no mundo con-que têm abundantemente demonstrado que são Igre- temporâneo; um mundo que, explícita ou implicita-ja como nós. mente, nos «lança desafios a uma vivência cristã mais II - O padre Filipe de Figueiredo correu o risco autêntica e comprometida».de ficar exposto à desconfiança de muitos, quando Foi sublinhado: «a fidelidade a Deus passa pelaouviu e acompanhou histórias sofridas, e estabele- fidelidade à vida e ao mundo». E a interrogação sur-ceu com todos uma ponte fraterna. Ao ver-nos feste- ge: «Como podemos viver como cristãos uma vidajar estes dez anos da Obra de que ele foi o alicerce, total, sem termos que negar ou rejeitar os valores e asestou certo de que vive uma alegria enorme. Uma possibilidades que a vida nos oferece?» Deus escapaalegria que acresce à felicidade infinita que, neste ao nosso conhecimento. O crente estará sempremomento, frui. E creio que sintonizo o sentimento de desprotegido na sua fé. Mas o Seu Filho, Ele no-l’Otodos nós, ao dizer-lhe daqui e enquanto não o vol- deu a conhecer.tamos a encontrar: Obrigado, Padre Filipe! Deus envolve-se na pequenez do homem. É nas III - As duas reuniões anuais, além dos encontros condições desfavoráveis que Se dá a oportunidaderegionais, com dimensão nacional, da «Fraternitas» (Continua pág 2)são mais, muito mais, do que um convívio de padrescasados. Na verdade, em todas elas há um apro-fundamento da Fé. São sessões de aprendizagem e Sumário:reflexão, iluminadas pelo ensino feito por professo-res de Teologia da Universidade Católica. E tam- Primeira década da nossa Fraternitas 1bém pelas lições, sempre fundamentadas e lúcidas, Perguntas embaraçosas 3do nosso Artur, mestre em Bíblia, e que prossegue,apaixonadamente, a sua rota de actualização em Um outro Natal 3ciência da Sagrada Escritura. São dias de uma enor- Perspectiva diferente 4me riqueza em que os horizontes da nossainterioridade se tornam mais vastos. Sinais dos Tempos 5 IV - Nos dias 1 e 2 de Dezembro, tivemos como Deus parece ausente 6conferencista o doutor António Manuel Alves Martins,da Universidade Católica de Lisboa. Uma escolha Homenagem 7excelente. Cónego Filipe 8
  2. 2. 2 espiral(Continuação pág 1) termos connosco o Francis-de O descobrirmos. Espan- co Fanhais. Deu-nos mo-tosamente, poderemos dizer mentos inesquecíveis em queque o poder de Deus é im- nos maravilhámos ouvindo opotente. Mas a Sua impo- seu canto cheio de mensa-tência é a força poderosa gens. Enroladas numa vozdo amor que se dá. E aqui de ouro.compreendemos a fé pro- VIII - No domingo, D.funda de Dietrich Serafim Ferreira e Silva, bis-Bonhoeffer na prisão nazi, po emérito de Leiria, quede onde saiu para ser en- acompanhou como amigo aforcado. «Fraternitas» desde as primei- A morte é uma realida- ras horas, celebrou a Euca-de humanamente absurda. Vivemos com o absurdo. ristia, o momento alto do nosso encontro, que foiMas a nossa atitude, como cristãos, é de esperança. transmitida pela TVI. A embelezar a celebração eu-Por isso, não podemos esquecer que o Cristo ressus- carística esteve o grupo coral «MILLENIUM», o qualcitado é o mesmo Cristo crucificado. voltou a actuar no termo do nosso almoço, num sim- b) Referências sobre a diferença cristã: pático e esplêndido aceno de despedida, com algu- - O Cristianismo, como fenómeno de massa e mas canções do seu reportório.cultural, irá ser uma minoria na Europa. Estamos des- IX - O cónego António Rego encerrou com chavetinados a ser fermento, mas não recusando os ou- de ouro a celebração do décimo aniversário datros. Como minoria, seremos chamados a ser «sal da «Fraternitas», entrevistando para o programa «8.º Dia»,terra» e «luz do mundo». também na TVI, alguns membros do Movimento. Foi - Cristianismo: proposta de ética e proposta de uma riqueza e variedade de testemunhos de fé devida, mas sem vermos nos outros um objecto de re- todos eles o que ali transpareceu, e que deixou destacusa, isto é, inimigos e opositores. Temos de nos con- associação de padres casados a certeza de que navencer de que a Igreja não tem o património da éti- Igreja há muitas moradas e de que em todas elas seca e da verdade. E de que a verdade de Jesus Cristo trabalha e dá testemunho, o que, aliás, foi afirmadoultrapassa a visibilidade da Igreja. em palavras claras e sucintas pelo Vasco Fernandes, - O diálogo exige uma paciência de estufa. E presidente da «Fraternitas».não pode acontecer, apenas, a nível intelectual. Tem X – Já lá vão 10 anos de vida da Associaçãode haver acolhimento. E esta é uma das contradi- Fraternitas Movimento. Uma década em que há oções internas da Igreja contemporânea. Temos de fazer ladrilho de muitas histórias. Mas em que está cheiouma aprendizagem do diálogo. O medo da diferen- de saúde interior o ambiente que nela se vive. E queça é a negação da Igreja. A razão da nossa diferen- se reforça em cada um dos nossos encontros.ça é o Espírito Santo. A relação «eu – tu» forma o Pacheco de Andrade«nós», tendo como charneira vital o Espírito Santo. - O Cristianismo está ao serviço da sociedade.Porque «diferença e unidade não se opõem». Este é o NOVO SÍTIO NA INTERNETcaminho cristão. Não há unidade sem diferença. Con- A Associação Fraternitas Movimento tem umacluamos que o Espírito não está apenas na Igreja. nova página na Internet: www.fraternitas.pt. c) A última reflexão foi sobre a beleza como pro- Nela pode encontrar várias entradas. Emfecia da Igreja para o mundo: beleza e tragédia hu- «Quem somos» fala-se da identidade do Movi-manas; beleza e santidade. mento; em «Actividades» figuram os encontros reali- Este é um pálido apontamento do muito que ou- zados; «Novidades» é para partilharmos as ocor-vimos expor nestes dias. Assistimos a uma exposição- rências do dia-a-dia (nascimentos, cursos, faleci-reflexão que o doutor António Martins, pela enorme mentos, etc.); em «Fotografias» queremos fazer ariqueza que nos deixou, teve o mérito de tornar a fotobiografia do Movimento; em «Notícias» serãomais valia do nosso encontro. anunciados eventos e faz-se eco de acontecimen- VI - Momentos fortes deste Curso de Actualização tos eclesiais de interesse; em «Espiral» estão osTeológica foram também as orações comunitárias, números do boletim; em «Contactos» encontram-sexta e sábado, densamente vividas. O Salomão foi se os endereços postais e de correio electrónicoo encarregado de lhes dar contorno e de as abrir à da «Fraternitas»; e «Links» liga a outros portais.autenticidade de cada um. A sua alma de franciscano O novo sítio é fruto do trabalho gratuito doesteve ali muito presente. Ainda bem! Manoel Pombal e do seu colega Nézé, ambos VII - Na noite de sábado, aconteceu a alegria de do Gabinete de Atendimento à Família (www.gaf.pt). (www.gaf .gaf.pt)
  3. 3. espiral 3 Um outro NatalPERGUNTAS EMBARAÇOSAS ainda desconhecido! T emos muito medo das per- guntas directas. Parece-nosmuito fácil dizer como os outros tenciais da nossa inconfessada pe- quenez. Aos Seus discípulos, também Ouviam-se, ao longe, sinos a tocar!... Milhões de luzes brilhando perto de mim...pensam, sonham ou vivem! Mas é Melodias suaves cresciam no ar, Cristo fez a pergunta: «E vós, quem E crescendo, crescendo, cantavam assim:muito difícil manifestar o que pen- dizeis que Eu sou?» Sendo Cristo «É Natal! É Natal! Chegou o Menino,samos, o que sonhamos e como a face visível de Deus, dizer quem E traz a Esperança e o Amor também!vivemos, porque, muitas vezes, isso é Cristo é dizer quem é Deus. Esta Até na manjedoura, pobre e pequenino,não nos convém... pergunta tão directa embaraçou os Quer falar a todos, sem excluir Há certas verdades, a nosso discípulos que hesitaram arriscar ninguém!»...respeito, que procuramos esconder. uma resposta. Foi Pedro que falou Pus-me a pensar: «Jesus!E, se tivermos de falar delas, ou as em nome de todos. «Tu és o Mes- Que nos vens dizer,falseamos ou as disfarçamos com sias, o Filho de Deus vivo». Porém, Assim tão frágil e tão sozinho?...mantos coloridos. Temos a convic- foi o Espírito Santo que o inspirou. Tiranos e poderosos nem Te vão querer,ção de que, «pela verdade, tanto É isso que nos falta, sobretudo E os pobres só Te podem dar carinho!».se ganha o ódio dos inimigos nos tempos frenéticos de hoje. As Uma voz ouvi, voando do Infinito:como se perde a amizade dos preocupações materiais, quando «Esse Menino, aí, gelado a chorar,amigos». Por isso é que o filósofo exageradas e vividas como única Mesmo que te pareça tão pequenito,irlandês Berkcley escreveu que «to- meta da vida, sufocam a voz do É também a ti que te quer falar!».dos gritam pela verdade, mas só Espírito Santo. Nós temos medo de Mirei o tecto húmido daquela cabana:alguns a usam». assumir compromissos. Por isso, às Caíam pedras toscas e raízes em malha!... Nós não somos apenas «algo». vezes, vivemos com um pé dentro No chão de terra não se via cama,Somos «alguém», isto é, somos e outro fora da Igreja! Como Apenas feno murcho e um pouco de palha!...«pessoa». Mas esta honra e digni- Voltaire, grande perseguidor da «Menino pequenino, pequenino Menino,dade também nos acarreta res- Fala-me e conta o que me queres dizer!» Religião, mas que, antes de mor- Abriu-se então a boca daquele bambino,ponsabilidades difíceis de assumir. rer, pelo sim e pelo não, mandou E só pediu coisas que eu podia fazer: Uma das perguntas que todos construir uma igreja com o seu «Ser Sua presença no mundo em confusão,fazem, mas a cuja resposta muitos túmulo metade dentro da igreja e Acolher todos os pobres sem tecto nem lar,se esquivam porque não sabem metade no cemitério contíguo! E Servir com amor e carinho todo o irmão,responder ou porque não lhes con- então explicava assim: «Os mais Amar aqueles que não sabem amar!...».vém, é esta: «Quem é Deus?». perspicazes dirão que não estou ....................Santo Agostinho voou nas alturas, dentro nem fora»... É isso: nenhum Caminhei, sem rumo, pela rua enfeitada.com o seu modo subtil de pensar, compromisso. Nem moral nem re- Senti-me preso à porta de outro casebre.à procura da resposta no Univer- ligioso!... Ouvi lá dentro, na solidão calada,so criado. E, no fim, escreveu isto Reparai no que geralmente Outra criança que gemia de febre!...no livro «Confissões»: «Quem é acontece nas férias. Na nossa ter- Perguntei a mim mesmo: «Mas que é isto?...Deus? Perguntei à Terra e ela dis- ra queremos mostrar-nos muito Será Jesus chorando, também aqui?!...»se-me: “Eu não sou”. E tudo o que cristãos, e revoltamo-nos se nos Entrei, de mansinho, no portal de xisto,nela existe me respondeu o mes- dizem o contrário. Nas férias E fiquei calado... Não conto o que vi!...mo. Interroguei o mar, as suas envergonhamo-nos, portando-nos «Meu Deus! Quem será esta criançaprofundezas e todos os seres vivos, como qualquer ateu! Entram tam- agora?!e eles responderam-me: “Não so- bém de férias a oração, a Euca- Será o mesmo Cristo nela incarnado?»mos o teu Deus. Procura-O acima ristia, o testemunho, e até, tantas Não pude falar!... Talvez, naquela hora,de nós”. Interroguei toda a estrutu- vezes, a nossa dignidade... Chorasse Cristo ainda mais desprezado!ra do Universo, que me respondeu: Peguei na criança, levei-a ao coração!... Não é pelas palavras que se Estava gelada, mas sorriu para mim...“Eu não sou Deus; foi Ele que me conhecem as pessoas, mas pelo E disse, de mansinho, levantando a mão:criou”.» seu comportamento e pela sua «Sou Cristo que vive em quem sofre assim!» Todavia, a pergunta continua coerência de vida. Seja na nossa ....................sem resposta para muitos... terra ou fora dela, temos de ser Talvez para mim e para muitos cristãos, Há 20 séculos, Cristo deu a res- aquilo que dizemos ser. Ou então O Natal tenha sido tempo perdido,posta. Mas muitos não a querem nunca passaremos de grotescos Porque não vemos, na dor dos irmãos,ouvir. Preferem perder-se em be- saltimbancos a fugir das atitudes Um outro Natal ainda desconhecido!...cos sem saída, à procura de ou- de coerência!...tras respostas. São as crises exis- Manuel Paiva M.P. M.P.
  4. 4. 4 espiral PERSPECTIVA DIFERENTE católicos e evangélicos se reúnam». Não é com exortações ao «mun-No n.º 10, Mas ficou-se por palavras bonitas do secularizado ensurdecido ade Outubro de 2006, sem um sinal indicativo do futuro Deus» que se ganha mais confian-a revista «Kirche In» para o ecumenismo. Satis-fatório ça. Apenas são confirmados aque-insere uma entrevista apenas o convite para o diálogo les que em todo o caso já acredi- de religiões mais intensivo. tam. DPAà DPA do conhecido kirche: As imagens televi- Kirche: Além do significa-teólogo e presidente da sivas de massas humanas a do pessoal que a viagem àFundação Ethos Mundial, aplaudir davam a impressão Papa, pátria tem para o Papa, vêHans Küng, de existir um sentimento co- algum efeito duradouro parana qual este teólogo mum; mas, na sociedade, a o catolicismo alemão?analisa a visita do Papa Igreja está em retrocesso. Será Küng: Eu podia descobrir mui- Baviera.à Baviera Papa que o Papa pôde pontuar tas boas intenções e palavras do também entre os que estão Papa, mas nenhuns incentivos prá- Tradução: João Simão longe da Igreja? ticos novos. Na celebração euca- Küng: Ver o Papa de perto rística central em Munique, no do- Kirche: Qual foi a impres- uma vez na vida é para muitos mingo, foram claramente eviden-são global que colheu da vi- uma emoção. Também muitos dos tes as deficiências do catolicismo Papasita do Papa à Baviera? que se afastaram da Igreja têm tradicional: 1. Uma Igreja fixada Küng: Uma impressão discor- saudades duma figura paternal nos homens: as mulheres restrin-dante. Bento XVI não satisfez ne- espiritual ou de um representante gem-se a funções subalternas.nhuma das esperanças dos católi- da integridade moral, da justiça e 2. Uma Igreja hierarquicamen-cos reformistas. Pessoalmente ele da paz mais fidedigno do que o te presunçosa: Papa e bisposactuou de forma simpática, próxi- são muitos políticos e homens de alcandorados longe do povo, iso-ma dos fiéis. Não é um Papa Estado. Mas era muito menor do lados numa «ilha altar».mediático com um talento de ac- que se esperava o número de pes- 3. Uma Igreja confessional-tor que arranque aplausos. É so- soas nas ruas, nas cerimónias reli- mente egocêntrica: falta ecumenis-bretudo alguém que se concentra giosas, junto das televisões ou dos mo. Na oração não foram sequerna verdade central do cristianismo, ecrãs gigantes públicos. E uma mencionados os cristãos evangéli-na fé em Deus. Porém, deixou que Marien-platz repleta, com a pre- cos e ortodoxos, para não falarse sentisse a falta de aberturas sença dos dirigentes da CSU, não das outras religiões.para reformas na Igreja. Ora, 43 garante igrejas de Munique mais 4. Uma Igreja estagnante: apor cento dos entrevistados pela cheias, como milhares de acólitos começar pela oração eucarística:empresa de opinião «McKinsey» não garantem futuros padres que sempre a teologia da contra-refor-são de opinião de que a Igreja queiram renunciar a uma esposa. ma, nada dos resultados da novacatólica necessita de reformas ur- Os curiosos também ainda não exegese; descura o aspecto bíbli-gentes: 14 por cento mais do que são fiéis convictos. Muitos, mesmo co da ceia comum, repetidamenteem 2005, altura em que Bento XVI na Baviera, sentem-se afastados acentuado pelo Vaticano II...assumiu o papado. por uma encenação mon- Papa kirche: O Papa procurou tada com enorme dispên-realmente o diálogo ou ape- dio de meios e de dinhei-nas se limitou a expor a sua ros de impostos. Segundovisão do mundo e da fé? a mesma sondagem Küng: De diálogo praticado «McKinsey», quase um emquase nada se pôde perceber. O cada dois alemães (45 porpresidente Köhler insistiu em expor cento) não tem confiançaao Papa o anseio de muitos cris- na Igreja Católica comotãos de que haja progresso ecu- instituição. Piores valoresménico, para mais comunhão. É de confiança só mesmo osverdade que o Papa respondeu ex- seguros de pensões do Es-pressando o desejo «de se esfor- tado (47 por cento) e osçar de alma e coração para que partidos políticos (58 por cento). Hans Küng e a esposa NOVO: página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.
  5. 5. espiral 5 Kirche: Na alocução aos Küng: Bento XVI não corrigiu Kirche: Que lhe parece a seminaristas, em Altötting, o a declaração «Dominus Jesus», da primeira encíclica do Papa? Papa? Papa lamentou a falta de pa- sua autoria, do ano 2000, em que Küng: Este escrito é confuso. dres, porém evita em abso- nega às outras Igrejas cristãs o ser Continuo a esperar que o Papa luto a palavra celibato. Igreja. Infelizmente! Também o bis- consiga libertar-se da sombra es- Küng: Ele não faz o mais ime- po evangélico da Baviera calou to- cura do anterior guardião da fé e, diato para remediar a falta de talmente todas as questões polé- como genuíno pastor de almas, padres: permitir o casamento a micas como a Ceia do Senhor co- ofereça soluções construtivas à padres e bispos como é expressa- munitária, a questão dos ministéri- Igreja e ao ecumenismo. mente consentido no Novo Testa- os, os casamentos de confissões di- Kirche: Qual seria a tarefa mento. Ele não gosta de se apre- ferentes, o primado de jurisdição mais importante que o Papa Papa sentar como um homem de exi- papal e a infalibilidade. Ele sen- deveria empreender agora? gências fortes, mas de formula- tia-se feliz por poder fazer uma Küng: Satisfazer o desejo for- ções suaves. Tacticamente esper- pregação inocente na presença do mulado em nome de muitos cris- to, não fala da lei do celibato, Papa. E «à boa maneira romana», tãos pelo presidente federal Köhler: nem da proibição dos meios para todas estas questões faz es- progressos ecuménicos concretos! contraceptivos e de outras incomo- perar os cristãos por mais anos ou Reunir-se com o cardeal Kasper, do didades romanas. Acentua sobre- séculos de trabalho teológico. Secretariado para a Unidade, e tudo os aspectos amáveis da fé e Mas, na realidade, este trabalho pensar o que deve ser feito como da Igreja, mas não mexe nas leis já foi feito há muito tempo. passo inicial para facilitar, primei- e prescrições duras da Igreja. Kirche: Esperava que o ro, a hospitalidade eucarística e, Kirche: No discurso duran- Papa trouxesse um presente re - re- depois, a Eucaristia comum. No te as vésperas ecuménicas, o lacionado com reformas intra Secretariado há seguramente um Papa saudou as Igrejas evan- eclesiais. Ficou desapontado? armário repleto de memorandos e gélicas não como Igrejas mas Küng: Ele pode comportar-se pareceres teológicos que recomen- como «amigos das várias tra- como aqueles visitantes que já não dam isto. Os teólogos e as comis- dições da reforma». E não têm tempo para procurar um pre- sões ecuménicas fizeram o seu tra- abordou temas polémicos. sente, e pode mandá-lo de Roma. balho. Compete ao Papa agir. Sinais dos tempos vo, explicado pela ONU, é a falta de dinheiro para os transportar e fazer distribuir com segurança. Q uando o Papa Bento XVI chegou ao Vaticano, após terminar a sua visita à Tur- «Não temais», repetia sem conta o saudoso João Paulo II. Bento XVI segue esta força, com fé, esperan- Que paradoxo! Segundo a Or- ganização Humanitária britânica OXFAM, as despesas militares mun- quia, cantei «Cristo vence, Cristo ça e amor. Quem o duvida, de- diais de 2006 chegaram a 1060 reina, Cristo impera!» pois desta visita? Mais uma vez se mil milhões de dólares. Em África, Lembrei-me das palavras pe- cumpriu o «Verbo»: «Quem tiver de acordo com a mesma Organi- remptórias de Cristo a Pedro: «Tu uma fé inabalável pode ordenar zação, entre 1985 e 2000, R. D. és Pedro e sobre esta Pedra a uma montanha: muda-te para Congo, Ruanda, Sudão, Botsuana edificarei a Minha Igreja (Assem- ali e ela muda-se.» Para já, a Ben- e Uganda duplicaram os gastos bleia do Meu povo “de boa von- to XVI bastou-lhe «pairar» sobre as militares, na ordem dos 15 milhões tade”); os infernos tentarão abalá- montanhas, até à Turquia. Orde- de dólares. la, mas ela permanecerá inaba- nar às montanhas que se mudem. Mas nem tudo vai mal. Está aí lável, através de todos os tempos, Agora será o tempo de o Espírito o Natal. Há um ano, centenas de pelos séculos dos séculos». agir, porque a verdadeira viagem jovens cubanos distribuíram 350 Já vamos em 2000 anos e a vai muito para além da visita «visí- mil imagens do Menino Jesus por «Barca da Igreja» navega, por ve- vel e física». outras tantas famílias, anunciando zes, sobre mares encapelados, mas acaba por cumprir-se, sem- pre a palavra omnipotente do «Se- O mundo sofre. O Pro- grama Alimentar Mundi- al, das Nações Unidas, suspendeu o Seu nascimento e dando as Boas Festas. Foi o Natal mais bonito que algum cubano tinha visto, disseram nhor da Barca»: «Não temais. Eu o envio de alimentos para Ango- as notícias. Que surpresas teremos estou aqui. E vou convosco». E es- la, que beneficiavam cerca de este ano?» toutras: «Eu venci o mundo.» meio milhão de pessoas. O moti- JosÉ silva pinto.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt
  6. 6. 6 espiral aplaca com rituais de oração e pe- DEUS PARECE AUSENTE nitência individual e colectiva, comA vida é, tantas vezes, ameaçada por catástrofes natu- incensações e com devoções derais, sem aparente intervenção humana. Que responder toda a espécie. E não aquele Deusa quem diz que a religião e a fé estão em decadência? que Se identifica com qualquer ser humano, principalmente aquele A humanidade, no seu pro- cesso evolutivo, atravessoudiversas fases de pensamento Deus destruidor, descriador da Sua própria obra, a que deu a força de evoluir continuamente, nem per- que é despojado da sua dignida- de para, através dos que O amam e com Ele colaboram, o elevar dacosmológico. De entre elas, des- mitir que as forças do mal a destru- sua condição desumana.tacam-se o teocentrismo (onde am pois, então, estas passariam a Ele é o Deus que Se manifes-Deus era o causador directo de ser mais poderosas do que Ele e tou em Jesus e veio «para servir etodos os fenómenos bons ou maus) ocupariam o Seu lugar. O mundo não para ser servido» e que, noe o antropocentrismo (o homem é não acaba, vai-se transformando, memorial da Última Ceia, expres-o centro e tem lugar privilegiado numa existência a que Ele preside, sa, como Sua última vontade, ana natureza criada). como entidade fonte do Bem. exigência de idêntico comporta- A primeira visão dominou até É verdade que a maldade das mento àqueles que decidem serfinais da Idade Média e deixou pessoas, principalmente a dos que Seus seguidores: «Compreendeis omedos no subconsciente alimen- têm o poder de decidir o rumo da que vos fiz? Chamais-Me Mestretados, sobretudo, pelos poderes história, vai deitando venenos des- e Senhor… Ora, se Eu vos laveireligiosos e políticos instituídos. Se- truidores no planeta: são as guer- os pés, sendo Senhor e Mestre,gundo eles, tudo o que de mau ras, as experiências nucleares, os também vós vos deveis lavar osacontecia na Natureza era casti- gases poluidores... (para os quais pés uns aos outros. (…) Dou-vosgo de Deus. Chuvas torrenciais, di- todos contribuímos com uma quo- um mandamento novo: que voslúvios, maremotos, tremores de ter- ta-parte)... Por isso, não será Deus ameis uns aos outros…» (Jo.13) Era, ou simples trovoada…, era que, mediante petições religiosas, Mateus faz anteceder o capítuloDeus que castigava ou estava terá de resolver o problema, mas da Última Ceia (Mt. 26) pela nar-muito zangado com as pessoas. sim nós, sendo ecologicamente res- ração apelativa do bem conheci-Por isso, havia que acalmá-l’O, ponsáveis. do «Vinde, benditos de Meu Pai,apaziguá-l’O com rituais religio- Não creio num Deus que goste porque Eu tive fome e deste-Mesos de submissão, de humilhação. de ver ou provoque situações de de comer…» (Mt. 25). A partir do Renascimento, mui- miséria na criação, para depois ac- Fé ou crença? Para mim, aque-tos desses fenómenos naturais fo- tuar como libertador e salvador. Tal la é fundada em força divina; estaram-se tornando mais inteligíveis Deus seria a negação da Sua pró- tem mais a ver com imposiçõespela explicação das ciências. E pria essência: AMOR. Assim como humanas, medos que atavicamen-dava-se o conflito entre Fé e Ra- também não acredito num Deus te controlam o nosso consciente ouzão, que os tempos modernos ten- que Se aproveite da miséria de pa- subconsciente, sendo fruto de umatam conciliar, desfazendo o que íses pobres e de situações socais hierarquia (poder sagrado), queparecia um antagonismo visceral. aviltantes e degradantes para a o não devia ser, mas sim diaconia Segundo a revelação cristã, dignidade do ser humano, para aí (serviço, ministério = aquele queJesus veio para que os homens «te- fazer florescer vocações eclesias, é o mais pequeno, o menos im-nham vida em abundância» e celibatárias ou não. Deus é pela portante, servidor dos outros),para mostrar o rosto amoroso de dignidade humana e quer que to- como Jesus, que assumiu o papelDeus, constituindo este a Sua es- dos colaborem com Ele na promo- de criado, escravo, lavando me-sência, numa das Suas últimas de- ção dessa dignidade, principal- taforicamente os pés aos Seusfinições bíblicas: «Deus é amor». mente aqueles que vivem na abun- apóstolos. É neste Deus que creio; não dância e a podem e devem parti- Se na desgraça falarmos donum Deus velhaco e humilhante, lhar com os mais pobres. amor e o actuarmos, as pessoasredutor da Sua criação, em geral, Se na sociedade contemporâ- não procurarão Deus por medoe do homem, em particular, que nea Deus parece ser o grande au- ou como remédio que se compra«Ele criou à Sua imagem e seme- sente, não será por Sua culpa, mas para as maleitas, mas por razõeslhança.» Um Deus criador, que sim pela imagem de Deus que os essenciais, que têm a ver com aaprecia o que criou com a classi- responsáveis religiosos, ao longo dignidade: «Deus é amor» e «vósficação de «era bom» e «muito dos tempos, quiseram, e ainda que- sois deuses».bom», nunca Se pode tornar num rem, fazer passar: um Deus que Se Fernando Neves
  7. 7. espiral 7 HOMENAGEM INESQUECÍVEL Conhecemo-nos e fizemo-nos voção a Nossa Senhora da Ale- FRANCISCO DOS SANTOS amigos na Escola José Régio, em gria, a padroeira, (trazia sempre SANTOS É com um misto de alegria e Vila do Conde. Manteve sempre o terço, que recitava uma e maisde tristeza que evoco Francisco um certo optimismo pelo futuro, à vezes por dia), e aprendeu a fé fe-Santos. Em primeiro lugar, alegria, mistura com algumas dúvidas e cunda no Salvador do mundo, Je-porque, cumprida brilhantemente incertezas (quem as não tem?). Foi sus Cristo.a sua missão na terra, partiu para um homem de fé arraigada. Co- «De mortis nisi bonum».Oo Pai com uma serenidade impres- laborou em actividades pastorais aforismo não em razão de ser comsionante. Os últimos meses da sua onde residia. Em Vairão, sua últi- o Dr. Abílio, porque, enquanto pe-vida foram de enorme sofrimento, ma residência, foi organista e regrinou na Terra, foi de tal ma-sempre aceite com exemplar resig- ensaiador do grupo coral. A cer- neira honesto e bom que não é pre-nação. Muito aprendi com ele. Era teza do Além ficou expressa nas ciso empolar nada a seu respeito.bom amigo, óptimo colega, ad- duas obras de poesia que publi- Viveu modestamente e de for-mirado e respeitado por todos. cou «Caminhando» e «Reviver». ma simples, tendo por lema fazer Lembro-o também com triste- A sua humildade não permitiu o bem. A amizade era para ele umza, pois deixo de o contactar fa- que revelasse a sua bagagem cul- atributo, que distribuía pelos seusmiliarmente. Ele recebia-me sem- tural. A sua modéstia deixou com- companheiros. Muito jovem ainda,pre com um acolhimento fidalgo. posições musicais, obras poéticas, nos tempos em que jogava fute- Nasceu a 12 de Julho de 1931, e não só, na gaveta, como esta: bol, nunca os seus adversários oem Castelo do Douro, Alijó. Nes- MORTE acusaram de deslealdade, bru-ta região, onde tudo é poesia, Ó morte, porque vens pela calada, talidade, nem tão pouco decresceu poeta. Na poesia encon- numa hora, que é sempre tão incerta? mau perder. Acabava o jogo,trou a chama da sua existência. Sempre vens quando és menos esperada. de que muitas vezes saia vence- Fez os primeiros estudos no dor, e, de imediato, animava aColégio Oficina de S. José, no Embora sejas pouco desejada, equipa vencida, como que di-Porto, e aí tirou o curso de im- Quando truncas a vida, só, deserta, zendo «na próxima serãopressor. Completou a secundá- Mas quando a alma tem a porta aberta vocês».ria no Instituto Salesiano de Dum gozo eterno, és mesmo procurada. Terminado o Curso, já noMogofores. Cursou Filosofia no exercício das suas funções, a to-Instituto Salesiano de Manique Sim! Não é tão escuro o teu degredo dos acolhia com um sorriso edo Estoril e Teologia em Lisboa. Como o pinta quem de ti tem medo tom optimista, e dava conselhos,Foi ordenado Presbítero em Qual vil harpia que nos rouba assim! usando sempre de caridade cris-Évora. tã. Foi um baluarte no Ministé- Após a ordenação, seguiu És da glória do justo portadora, rio da Educação e a muitos pro-para Macau onde, durante oito Dos tormentos da vida vencedora: piciou carreiras de sucesso. Tu abres o caminho à luz sem fim.anos, leccionou várias disciplinas Deus escolheu para ele ano Colégio Dom Bosco. Regres- SOUSA GONÇALVES mulher certa, a Maria de S. José,sou a Portugal, para a direcção de AMIGO que soube ser esposa exemplar,Estudos na Escola Profissional de ABÍLIO C. A. REBELO com desvelo sem limites.Santa Clara, em Vila do Conde e, Faleceu a 20 de Outubro. Era Nos últimos anos, enfrentoudepois, cinco anos em Izeda. natural de Riodades, freguesia que com a maior resignação a subida Veio o momento delicado e de- tem como ex-libris o promontório do calvário da vida. Quando lhecisivo da sua vida. Fez uma op- de São Salvador do Mundo, se- perguntava pela saúde, respondiação, da qual jamais se arrepen- meado de pequenas capelas, dis- sempre «seja o que Deus quiser».deu. Solicitou a dispensa do exer- postas para a via-sacra, encima- Pelas festas do Natal, Páscoa ecício das ordens sacras e passou a das por vetusta igreja, sobre o aniversários, mimoseava os ami-repartir a sua vida com Maria Na- magestoso rio Douro. gos com cartas lindíssimas. Priva-tália Pereira e as duas filhas, que, Foi neste ambiente paradisíaco va com muitos sacerdotes e, quan-com extremo carinho, dedicação, que o Dr. Abílio viveu os verdes do se dirigia à igreja, o seu en-comunhão de felicidade, o acom- anos, acarinhado por família dis- canto era estar perto do altar. Pa-panharam até à partida para a tinta, nomeadamente pelo tio, o recia que era o que lhe dava maisFelicidade Eterna, a 30 de Setem- Cónego Amaral, figura cimeira da prazer na vida.bro. diocese de Lamego; e sorveu a de- NUNO PASCOAL
  8. 8. 3.º ANIVERSÁRIO DO FALECIMENTO DO CÓNEGO FILIPE DE FIGUEIREDO A Fundação locais, os Bombeiros, amigos do padre Fili-Cónego Filipe Dr. Francisco pe, população de Estarreja e o Dr. Franciscode Figueiredo Monteiro em representação da Obra Nacio-promoveu em Pastoral nal da Pastoral dos Ciganos, que o padreEstarreja, terra Filipe dirigiu durante longos anos, e danatal do padre «Fraternitas», «Fraternitas», Movimento que ele fundou.Filipe, e local Após o almoço no Hotel Eurosol, se-onde o Senhor guiu-se, no Salão Nobre da Câmara Munici-o chamou a Si, pal, uma interessante conferência proferidauma Semana Cultural para comemorar o 3.º pelo amigo do Cónego Figueiredo, tambémaniversário do seu falecimento, em 28 de No- Dr. Amador, so- natural de Estarreja, Dr. Olívio Amador, so -vembro de 2003. bre alguns escritos que o homenageado de- A Semana, que teve início em 25 de No- dicou a figuras notáveis de Estarreja. Este es-vembro, culminou no dia 2 de Dezembro com insere- Dr. tudo insere - se na pesquisa que o Dr. Olíviouma Missa solene na igreja de São Tiago de Amador está a fazer, com o objectivo de es - fazer, es-Beduído, igreja paroquial das origens de crever uma biografia do Cónego Filipe.Estarreja, e em cujo cemitério o Cónego Fili- Durante a Semana realizaram-se diver-pe está sepultado. A Missa foi presidida por sas outras actividades, das quais se destacaD. António Marcelino, Bispo de Aveiro, num o espectáculo do padre Borga e a sua Ban-dos seus últimos actos públicos antes de re- da.signar das suas funções episcopais em Avei- Francisco Monteiro Foi, D.ro. Foi, também, D. António Marcelino quemerigiu canonicamente a Fundação Cónego Fi- «O mais pernicioso (dalipe de Figueiredo. História) foram e são ideias À Missa seguiu-se o lançamento da 1.ª teológicas mesquinhas epedra do Centro Social Nossa Senhora do Passal,Amparo, no lugar do Passal, em terrenos que ridículas. Também por isso,o Cónego Filipe tinha doado à Fundação D. Filipe Fundação D. nomeadamente Buda,Manuel Mendes da Conceição Santos, por si Confúcio, Sócrates e Jesus,criada, a qual os cedeu à Fundação que ago- figuras determinantes para ara leva o nome dele. O Centro corresponde Humanidade e de cuja pro-a um sonho do Cónego Filipe para a sua funda religiosidade ninguém «Tterra natal de Estarreja: «Tenho um sonho que pode duvidar, foram conside-quero tornar realidade: dotar a minha terra rados ateus. Sócrates con- Lar Terceirade um Lar de Terceira Idade». Quis o Senhor,Senhor, cretamente bebeu a cicuta,no dia em que na Câmara Municipal de acusado de ateísmo, e JesusEstarreja, no gabinete do hoje Administrador morreu na cruz, acusado de Fundação Filipe, Sr. Valterda Fundação Cónego Filipe, Sr. Valter Martins, blasfémia.era comunicado que a licença para a cons- Estes factos obrigam atrução do Centro Social tinha finalmente sido ter constantemente presen-concedida, chamá-lo a Si. tes, com temor e tremor, os Ao lançamento presidiram D. AntónioD. perigos patológicos das reli-Marcelino, que abençoou a 1.ª pedra, o Go- giões.»vernador Civil de Aveiro, o Presidente da Câ-mara Municipal de Estarreja e o Presidente Anselmo Borges;da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo, Padre e professor de Filosofia,Sr. Filipe Figueiredo;Sr. Manuel Filipe Figueiredo; participaram nu- in Públicomerosas autoridades e entidades regionais eespiral Boletim da Fraternitas Movimento Associação Responsável: Fernando Félix Praceta dos Malmequeres, 4 - 3º Esq. Nº 25 - Outubro/Dezembro de 2006 Massamá / 2745-816 Queluz www.fraternitas.pt e-mail: fernfelix@gmail.com

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