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Valorização profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo

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Valorização profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo

  1. 1. 1NASSARO, Adilson Luís Franco. Valorização Profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo.Disponível em: <http://ciencias-policiais.blogspot.com.br/2013/05/valorizacao-profissional-primeiro.html>.Valorização profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivoO aspecto psicológico deve estar sempre presente quanto se trata de valorização doprofissional (agente policial), principal responsabilidade do gestor, comandante de policiamentopreventivo. Afinal de contas, ele trabalha com pessoas, não com máquinas. Os policiais podematé se apresentar bem equipados, com ótimas viaturas e armas, e mesmo com salários acima damédia do mercado comum de trabalho, mas sua produtividade não atingirá o nível almejado senão existir um sentimento de realização pessoal, que por vezes se manifesta em razão de umpequeno e simples elogio recebido na hora certa: o profissional quer e precisa ser reconhecido.O gestor é o responsável imediato por esse item que passa pelo reconhecimento internodos méritos e também pelo equilíbrio e justiça na imposição de sanções no momento adequado, oque pode representar também a oportunidade de um redirecionamento profissional. Se o policialé valorizado como indivíduo, profissional e cidadão, ele se revelará muito eficiente na luta contrao crime e sua produtividade será surpreendente; o raciocínio inverso também é verdadeiro.Ainda, mesmo inserido em uma estrutura extremamente vertical da hierarquia quecaracteriza um organismo militar, o gestor deve ouvir sugestões de seus subordinados e buscarcolocar em prática as boas ideias recebidas, não somente pelos benefícios que todos podemauferir, mas também pelo aspecto da valorização do seu administrado.Muito se escreve sobre “gestão participativa” como boa prática do mundo corporativo;apesar de parecer ousadia no meio militar (pelo próprio título apresentado), a concepção pode serajustada à administração militar estadual desde que harmonizada às prescrições do regimepróprio de responsabilidades. Certo que a soma da experiência dos administrados sempre serámaior que a experiência pessoal do administrador. O importante, nessa proposta, é o exercíciode liderança que viabilize a captação de contribuições voluntárias em prol do aperfeiçoamento do
  2. 2. 2NASSARO, Adilson Luís Franco. Valorização Profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo.Disponível em: <http://ciencias-policiais.blogspot.com.br/2013/05/valorizacao-profissional-primeiro.html>.serviço, sem perda do poder de decisão. Essa participação respeitosa, de forma bem dirigida,somente valoriza o exercício de comando, o que é prova de liderança do gestor. Portanto,nenhuma sugestão pode ser desprezada, ainda que não seja possível ou conveniente colocá-la emprática no momento presente.Com um perfeito funcionamento dos mecanismos disponíveis de motivação e o exercícioda liderança, ocorrerá que, a cada prisão realizada, a cada arma apreendida, ou mesmo a cadacaptura de indivíduo procurado pela Justiça, o policial se sentirá responsável pela melhoria dascondições de segurança local. O bom gestor compartilha com o agente cada vitória e sente anecessidade de se manifestar claramente nesse sentido, a fim de que todos se envolvam nomesmo sentimento, realimentando uma grande corrente positiva. Os melhores técnicos de futebolnão escondem esse recurso no momento de um gol e se manifestam como se fosse ele oartilheiro; o time apático perde, enquanto o time vibrante ganha.O gestor pode e deve ter a iniciativa dos cumprimentos imediatos, seja pelaradiocomunicação, seja por telefone em linha fixa ou celular, seja pessoalmente, seja porbilhetes, e-mail, recados, enfim, por qualquer recurso de comunicação disponível. Essecumprimento no momento certo é inesquecível, pois estabelece uma sintonia fina,consubstanciando a empatia entre líder e agente. Se não for possível o cumprimento imediato, háque existir empenho em fazer chegar esse incentivo ao destinatário o quanto antes,preferencialmente em público, pois, quanto mais próximo do evento originário, maior o seuefeito. Ainda, a regra básica a ser lembrada pelo gestor é: “críticas em reservado; elogios empúblico”.Apresento a seguir dois exemplos de posturas de comando para ilustrar as iniciativas oradefendidas. O Coronel PM Carlos Alberto de Camargo exerceu o cargo de Comandante Geral daPolícia Militar de São Paulo no período de 1997 a 1999 e, do seu gabinete na capital paulista,encaminhava bilhetes manuscritos e assinados com cumprimentos para que fossem entregues àsequipes responsáveis por importantes prisões realizadas inclusive no interior do Estado; tãoimportante o gesto, que a 2ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária com sede emPresidente Prudente (oeste paulista) mantém até hoje quadros com tais bilhetes expostos, queforam recebidos por seus patrulheiros após apreensões de quantidades expressivas de droga nadivisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, com prisões de traficantes em flagrante delito,ainda na década de 1990. O Coronel PM Álvaro Batista Camilo, Comandante Geral de São Paulono período de 2009 a 2012, adotou como uma de suas metas a valorização do profissionalpolicial militar em amplo sentido; instituiu o “Café com o Comandante”, recebendo parahomenagens os policiais condutores de ocorrências de destaque e também telefonava aos
  3. 3. 3NASSARO, Adilson Luís Franco. Valorização Profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo.Disponível em: <http://ciencias-policiais.blogspot.com.br/2013/05/valorizacao-profissional-primeiro.html>.policiais para cumprimentá-los no dia do aniversário, surpreendendo a todos; ainda, transmitiu,em diversas ocasiões, ensinamentos quanto às técnicas possíveis de motivação, inclusiveutilizando a expressão acima indicada (“críticas em reservado; elogios em público”) em uma desuas reuniões com gestores da região de Bauru (CPI-4), realizada em maio de 2010,notabilizando-se pelas boas práticas motivacionais.A partir da experiência diária de se sentirem vitoriosos por conquistas objetivas (como aretirada de circulação de criminosos, em especial), os policiais cultivam a saudável percepção deque “agora, sim, teremos menos delitos” e essa agradável sensação se repete com os atos dedetenção ainda que, racionalmente, se possa concluir que a luta não tem mesmo fim, por conta deque a cada dia também surgem novos criminosos ou outros são colocados em liberdade, oufogem dos estabelecimentos prisionais, ou mesmo não retornam da “saída temporária” (os atuaisbeneficiados do regime semiaberto). O gestor envolvido com as realizações, apesar de sua maiorconsciência quanto à efemeridade desses resultados, vibra como um diapasão, soando no mesmotom de seus comandados.Quem vive intensamente o policiamento preventivo conhece o prazer da realizaçãopessoal como qualquer profissional que se enche de orgulho pelo bom produto do seu trabalho,seja ele material ou imaterial. Com o reconhecimento público, esse sentimento de auto-realização é amplificado. Mesmo que alguém classifique como ilusória essa celebração de vitóriadiária certamente não haverá desânimo, pois, ao final de cada turno, o profissional sentir-se-árealizado com conquistas que representam, no conjunto da produção operacional das equipes,verdadeiras batalhas diárias vencidas em um tempo e espaço definidos. Essas vitórias seencontram no contexto de uma guerra perene contra o crime, que é um fato social.A prática de atos danosos ao próximo (que o homem em sociedade classifica comocensurável e punível) é característica da própria espécie humana desde o tempo bíblico em queCaim matou Abel, primeiro delito de que se tem registro. Portanto, a analogia da luta em uma“guerra contra o crime” não é uma simples metáfora na nossa vida em sociedade. Não obstante apolícia moderna caracterizar-se como “polícia de defesa do cidadão” e defender enfaticamente asolução pacífica dos conflitos, é verdade que especialmente os policiais militares vivem emsituação de possível confronto armado contra o crime e a defesa do cidadão impõe a necessidadede uma polícia preparada também para situações extremas.O gestor-comandante deve dar o tom e o ritmo do trabalho, obviamente sempre pautadopela legalidade das ações, na busca constante de soluções pacíficas aos conflitos; ele precisa seenvolver totalmente nesse ideal que será alcançado sob sua coordenação: deve dizer “vamos emfrente” e não apenas “vá em frente”. Junto a essa postura de liderança, a distribuição planejada
  4. 4. 4NASSARO, Adilson Luís Franco. Valorização Profissional: primeiro compromisso do gestor de policiamento preventivo.Disponível em: <http://ciencias-policiais.blogspot.com.br/2013/05/valorizacao-profissional-primeiro.html>.do efetivo com prioridade nas áreas de interesse de segurança pública (AISP) identificadas emprévia análise criminal (ocorrências recentes), o emprego dos programas de policiamentoadequados a cada espaço e situação, a cobrança de abordagens policiais com qualidade,criteriosamente desenvolvidas e com técnica adequada, além do patrulhamento dirigido eidentificações realizadas, com uso de tecnologia em todas as etapas desses processos, sãoferramentas que o gestor empregará, de modo coordenado, para o almejado sucesso dopoliciamento preventivo. O agente policial, por outro lado, precisa sentir que é parte importante eindispensável de um grupo bem sucedido, de uma equipe vitoriosa, sabedor dos fundamentos doseu emprego (o “por que” de ter sido designado para tal função) e do que se pretende alcançarcom suas intervenções: a imagem do herói consciente é cultivada dessa forma.Para motivação contra algum desânimo em face de eventual sensação de “enxugar gelo”,vale em última instância até mesmo a observação de que, se não houvesse as realizaçõespoliciais a situação certamente se encontraria algo “insustentável”, “caótica”, e isso é mesmoverdade, pois somente a presença policial e as suas intervenções são capazes de dar garantiaimediata à estabilidade social nas relações diárias em face da existência inexorável de condutasdelituosas: é o chamado efeito imediato da prontidão do Estado que, nesse nível, não interferepropriamente nas causas da criminalidade, de raízes profundas. Ainda como argumento: épossível mensurar o que foi objeto de detenção, prisão e apreensão, mas não quais (todos) osdelitos que foram evitados; o produto é imaterial nessa última realização, quase sempre nãoperceptível e, paradoxalmente, o mais importante como essência da prevenção.Ao gestor cabe também esclarecer sobre o objetivo dessas conquistas diárias no controleda criminalidade pelo histórico local, considerando que avanços na área da prevenção primáriatêm o potencial de garantir a sustentabilidade desse controle. Se o primeiro passo é acreditar napossibilidade de reverter tendência de crescimento de índices criminais, também é certo que,para que não ocorram falsas promessas, há que existir a consciência de que se atingirá aperenidade do controle da criminalidade com a somatória de medidas na área social eoportunidades de desenvolvimento às novas gerações. Desse modo, o gestor também seapresentará preparado para demonstrar publicamente que o papel da polícia está sendo bemcumprido.Adilson Luís Franco NassaroMajor PM Subcomandante do 32º Batalhão de Polícia Militar do Interior(região de Assis/SP), do CPI-4 (Bauru/SP).Publicado no blog de Segurança Pública, em 30 de maio de 2013.

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