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  1. 1. 1
  2. 2. LOGRADOUROS DE MIRACEMA...................................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 24/10/2009 Volume I S UMÁRIO Miracema, nossa gente, nossa vida!............................................................... (MIRA) (04) Apresentação........................................................................................ .......... (APRE) (04) Antecedentes........................................................................................ .......... (ANTE) (10) Ary Parreiras, praça (conhecida, também, como Praça das Mães) (Largo da Igreja, Largo da Matriz, Praça da Matriz) (contígua à Praça Dona Ermelinda e ao Largo Dona Magaly; início: Praça Dona Ermelinda; término: ruas S anto Antônio e Elpídio Portes Mendes; dela partem: Travessa Cônego Joaquim Tomaturgo de Albuquerque e as ruas João Pessoa e Paulino Padilha; formato: L) (Centro).... (APP) (37) Bruno de Martino, praça Jornalista (Praça Redentor) (transversal: Travessa Manoel Luiz dos S antos, altura do no. 20) (Centro Redentor)........................................................................................... (JBMP) (12) Ermelinda, praça Dona (Praça do Xafariz. Jardim) (tombada) (conhecida como Jardim; coração da Cidade de Miracema; junto ao Ribeirão S anto Antônio; início das ruas: Marechal Floriano e Cel. José Carlos Moreira e da Travessa Jamil Cardoso: contígua: Praça Ary Parreiras e ao Largo Dona Magaly) (Centro)................... (DEP) (34) 2
  3. 3. Francisco Bruno de Martino, rua (início: Rua Marechal Floriano; término: Praça S alim Damian, junto à Avenida Nilo Peçanha; transversal: nenhuma) (Centro)..........,.....................(FBMR) (13) José Carlos Moreira, rua Cel. (Rua das Flores, Rua José Carlos) (início: Praça Dona Ermelinda; término: Rua Francisco Procópio; transversais: Travessa Azarias Guterres e Rua Cel. Josino; prolongamento: Rua João Rosa Damasceno; paralelas: ruas Marechal Floriano e S anto Antônio) (Centro)............................................................................... (CJCMR) (22) Josino, rua Cel. (Rua Chico Barbeiro, Rua Josino de Barros) (início: Rua Marechal Floriano, da qual é a primeira transversal; término: Rua Cel. José Carlos Moreira; transversal: nenhuma; como uma travessa) (Centro)............................................................................... (CJR) (08) Marechal Floriano, rua (Rua Direita, Rua Floriano Peixoto) (acompanhando o curso do Ribeirão S anto Antônio; início: Praça Dona Erminda; término: Praça Getúlio Vargas; transversais: ruas Cel. Josino; Barroso de Carvalho; Francisco Procópio; Matoso Maia; João Rosa Damasceno; Francisco Bruno Martino) (Centro).... (MFR) (20) S umário Simplificado (Vol. II)............................................................................ (S S2) (02) 3
  4. 4. CAPA: Primeira Capela de Santo Antônio dos Brotos: • tela de Glória Maria da Conceição Freire Vargas de Oliveira; • foto: 12/09/2006, Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE); • computação gráfica: Luís Felipe Pinheiro Sym (1981) (neste Vol. – ANTE). ORGANIZAÇÃO: • Ricarda Maria Leal Alvim (1936) (neste Vol. – APRE), coordenação de conteúdo (até o Vol. V): ricardalealvim@ig.com.br; Tel.: (0XX22) 3852-8519 ; • MPmemória/Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. – APRE), coordenação-geral: mpmemoria@yahoo.com.br; Tel.: (0XX21) 2258-5412. Edição: 1ª. 20/11/2006. Índice Onomástico: só pela via eletrônica, gratuito e a pedido: mpmemoria@yahoo.com.br 4
  5. 5. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (APRE).......................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 Apresentação Acreditamos na perfeita integração de idéias, quando iniciamos a montagem deste Projeto com o desejo de misturar sonhos às realidades existentes. Hoje lacramos todos os nossos esforços neste Documentário e oferecemos a cada Logradouro a fatia que lhe pertence, recheada com sua extraordinária história. E stá registrado neste roteiro cívico um trabalho extremamente cultural e através dele somos levados aos clássicos, antigos e impressionantes detalhes contidos em cada Rua de nossa cidade. Valeu a pena sonhar, lutar, ter esperanças e batido palmas para os momentos construídos, concretizados. No tempo de cada repaginação histórica florescia dentro de nossa alma uma sensação de descoberta, admiração e muito júbilo ao reconhecer cada etapa vencida. A realização deste Projeto passou a ser uma necessidade interior, como um artista que idealiza uma tela e vai incorporando luz para que tudo se torne belo, perfeito. Pouco a pouco vai transformando cores em versos, detalhes em ritmos e as imagens surgidas em poesias. Como um milagre ele sai de uma imensidão vazia e sente uma incontida emoção nascida de sua fantástica obra. Foi isto que aconteceu com o artista Luiz Carlos Martins Pinheiro (neste Vol. – ANTE) que sacralizou este Projeto com sua apurada visão artística, fértil imaginação, adotando uma visão ampla dos fatos, buscando sempre mais detalhes, exigindo que cada rua fosse transformada num retrato 5
  6. 6. poético, trafegando junto com cada transeunte que deseja por ela passar. Todos com o direito de conservar o luar miracemense descendo lentamente sobre sua morada, prenúncio para diferentes emoções que irão sempre renascer. As páginas que se seguem são coletâneas de dados, biografias, fotos, pesquisas e documentos relacionados aos nomes das ruas existentes em Miracema. Hoje eles são eternizados na história que faz parte da vida e do progresso de nosso Município. Muitos miracemenses os conhecem, outros ouviram deles falar e para alguns são completamente desconhecidos. O objetivo deste Documentário – Logradouros de Miracema - é oferecer aos miracemenses uma caminhada reflexiva, fazendo um passeio com parada obrigatória em cada rua descrita e dentro dela encontrar a vida dos nossos antepassados na certeza de que todo trabalho realizado no presente está intimamente atados aos fatos de cada história aqui registrada. Alguns com heroísmo, garra, determinação. Outros com a simplicidade que a vida lhe ofereceu, mas de um valor extraordinário para nossa Comunidade. Muitos deixaram rastros poéticos embelezando nossa história, enchendo de emoção cada espaço, todos ligados à construção de nosso Município. Neste contexto destacamos a figura heróica de Dona Ermelinda Rodrigues Pereira (neste Vol. – D E P) que recebeu o troféu de fundadora do nosso Miracema. Agradecemos as pessoas que acreditaram neste itinerário histórico e hoje são partes integrantes com suas experiências poderosas, caminho para que tivéssemos os resultados arquivados neste trabalho. Foi um meio que achamos de 6
  7. 7. penetrar na deliciosa aventura para resgatar a vida, a figura, os fatos e a história de todos, cujos nomes estão registrados em cada logradouro de nossa feliz cidade. E é esta a nossa real felicidade: termos participado deste valoroso documentário. Toda experiência vivida por nós cabe neste pensamento: “Para estarmos aptos a enfrentar novos públicos, devemos começar por ser capazes de enfrentar cadeiras vazias”. Nós tivemos esta coragem e com toda confiança enfrentaremos novos desafios ao iniciarmos: “Logradouros de Miracema” Volume II. “Os melhores prêmios da vida estão no fim de cada jornada, e não no começo”. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda). Ricarda Maria Leal Alvim (1936) Em sua residência: Praça Dona Ermelinda, 175. Foto: 01/10/2006; autor e cedente: filho Jader. Filha de José Vieira Leal e Isabel Domingues Leal nasceu no Município de S anto Antônio de Pádua, RJ, em 18/11/1936, mas registrada em 11/01/1936. 7
  8. 8. Tem como manos - Jairo Domingues Leal e José Jader Domingues Leal, que é seu irmão gêmeo. Veio para Miracema em 1942 e aqui construiu sua vida em todos os sentidos. Vida simples, humilde, mas pautada nos valores morais ensinados por seus pais. Casou-se com Joel de Alvim e Silva. Eles possuem quatro filhos: Jader Leal Alvim, Peter Leal Alvim, Wilder Leal Alvim e Franklin Leal Alvim. A família é enriquecida com três netos: Lucas, Gabriel e Miguel; duas netas: Jhulia Hanna e Mariana e uma bisneta – Ana Clara. Formou-se professora pela E scola Normal do Colégio Miracemense (Vol. III – MM R), hoje Instituto de Educação no ano de 1955. Trabalhou em várias unidades em Miracema: E scola Cachoeira do Cedro (Zona Rural), E scola Córrego Raso (Zona Rural), E scola E stadual Dr. Ferreira da Luz (Vol. – DLFLA), E scola E stadual Manoel Rodrigues de Barros, Jardim de Infância Clarinda Damasceno (Vol. – JRD R), E scola E stadual Prudente de Moraes (Vol. – CA). E scola E stadual Joaquim Távora em Niterói. Aposentou como Implementadora de Alfabetização no Núcleo de Educação e Cultura. É Católica praticante e se sente muito feliz porque exerce a função de Ministra Extraordinária da Distribuição da sagrada Comunhão. É autora de: Mais de 200 poesias; Mais de 500 trovas; Da letra do Hino do Cinquëntenário de Miracema; Da letra do Hino homenageando os turistas que freqüentam Guarapari – E S. É cantado a cada ano na despedida dos mesmos, no final da Celebração Eucarística, pelo Coral da Matriz Nossa S enhora da Conceição. Diretora do Jornal Cultural ´´Liberdade de Expressão.`` 8
  9. 9. De vários Projetos de Alfabetização: “Renascer” “Misturinha” Ocupa a cadeira nº 2 na Academia Miracemense de Letras. Ocupa a Cadeira nº 29 - Categoria Decano - Área Artes. Patrono José Mourão Fraga no Clube de E scritores de Piracicaba, S ão Paulo. Meu Canarinho Um canarinho vivia a cantar, alegrando o meu viver. Recebia o alpiste do amor, a água do meu carinho. Voava na gaiola que era o mundo que ele podia ter. Tudo lhe era oferecido, vida de rei, no seu cantinho. Seu trinado suave embalava os sonhos que eu vivia. Quando perto dele passava, curtia sua doce presença. Às vezes quieto, parado, bico para baixo, sono fingia. Achei que gostava de mim, de sua gaiola: minha crença. Abri a portinha devagar e o deixei sozinho a cantar. Ele foi embora sem se importar com a minha saudade. Ainda espero, olho a porta aberta, desejosa de seu voltar. Poleiro vazio, sem corpo, sem trinado, que infelicidade! Não tenho mais canto, nem alegria, vivo só, angustiada. Meu pássaro cantor dono de tantos troféus em meu lar, Deixou em minha vida tristeza, gaiola vazia, abandonada, Um dia também vou, levando a certeza de não mais voltar. Ricarda Maria (Liberdade de Expressão, no. 99, 01/2008). 9
  10. 10. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (ANTE).......................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 ANTECEDENTES A busca pelas origens é uma constante ao pensamento, embora nunca possa ser satisfeita plenamente, já que os acontecimentos se sucedem interminavelmente e, sem um, outros posteriores poderiam não ser possíveis. Assim, nos reportaremos apenas a alguns fatos que tiveram como palco o Grupo dos Miracemenses e Amigos de Miracema, desde 2005, defendendo a necessidade de contribuir não só ao resgate da memória do primitivo Santo Antônio dos Brotos, como à sua divulgação, especialmente através da Genealogia Miracemense. Um dos instrumentos para isto seria contar a história das vias públicas urbanas, falando da gente, principalmente daqueles que lhes deram seu nome, e das coisas de grande interesse popular, que estejam ligadas à mesma, como residente, estabelecido, prestador serviço, transeunte etc. Outrossim, ajudaria a responder uma pergunta muito comum e quase sempre sem resposta: quem foi a pessoa que dá nome ao seu logradouro? A exemplo das obras que isto fazem, acaba contribuindo, não só à Genealogia Miracemense, como a outros aspectos da história não só da cidade como do município, embora este não seja objetivo desta. Em 18/06/2005, dirigimos correio eletrônico a Carlos Roberto de Freitas Medeiros (Vol. – SPMR), ilustre prefeito de Miracema (2005/2009), detalhando proposições que lhe fizéramos oralmente, no final do mês anterior, objetivando a Genealogia, sem a necessidade de mobilizar recursos não disponíveis. Destacamos: ´´Sem uma preocupação rotineira permanente à formação da memória da gente do município, não se conseguirá sair disto. É indispensável que algum servidor, com grande interesse pelo assunto, seja encarregado de pesquisar e obter o que seja encontrado, mesmo no domínio privado, sobre qualquer pessoa do município, cuidando de formar e preservar um acervo, acessível a qualquer interessado, com as facilidades oferecidas pelas bibliotecas. O que não seja possível ter cópia, pelo menos, deve constar de uma bibliografia, com as informações indispensáveis de onde possa ser encontrado. Concursos públicos sobre biografia de gente do município podem ser instituídos, aproveitando-se a oportunidade de festejos municipais, premiando os que mais se destaquem, ao ver de uma comissão julgadora, inclusive através do patrocínio de sua publicação, seja pelos cofres municipais e/ou pela iniciativa privada, distribuindo gratuitamente exemplares às bibliotecas do município e de fora dele. 10
  11. 11. Através das escolas municipais, podem ser promovidos, como mero trabalho ordinário escolar de redação, temas sobre a história dos logradouros públicos, dos bairros e distritos, dos próprios estudantes, falando das coisas e pessoas do mesmo, passadas e/ou presentes. Os mais interessantes seria incorporados à memória do município. Naturalmente, muitas outras idéias a respeito podem e devem ser aproveitadas.´´ Ingressando no Grupo a ele submetemos tais idéias, salientando que muito do seu dia-a-dia já era um balcão permanente de informações históricas que devidamente organizadas seriam de grande valia à Memória de Miracema. Com o passar do tempo as mesmas foram se corporificando e ganhando apoio. No final de 2005, Antônio Raymundo Magalhães Siqueira (MUNDINHO) (Vol. VI - DAASR) propôs um plano de trabalho ao Grupo, atribuindo-nos a Memória de Miracema. Ao desempenho desta tarefa, encaminhamos algumas proposições concretas, inclusive a história das vias públicas de Miracema, inspirado em trabalhos, como: 1) História das Ruas do Rio de Janeiro (e da sua liderança na História Política do Brasil), de Brasil Gerson (1904/1981), já em sua 5ª. Edição, ano 2000; 2) Tijuca de rua em rua – da Praça da Bandeira ao Alto da Boa Vista, de Lili Rose Cruz Oliveira (1962) e Nelson Aguiar (1958), ano 2004. Em 19/11/2005 Carlos Augusto Tostes Macedo (Kazal) (1942) (Vol. VI - UMMR), criador do Grupo e responsável por ele, nos disse ´´Excelente a sua idéia. O site abaixo, que você enviou, realmente esclarece de forma direta e simples a questão da viabilidade do projeto. Miracema, por outro lado, muito iria se sobressair, até mesmo nacionalmente, pois suas ruas possuem curiosos nomes - ´´genéricos – como Rua do Sapo, Rua da Capivara, Rua das Flores, Rua da Lage, Rua do Biongo, Rua do Café (Vol. V- DAA), e por ai vai. Este projeto vem ao encontro da intenção de tornar Miracema uma atração turística. ´´ Evane Aparecida Barros Barbuto (Vol. V – MPTT) acrescentou: ´´Rua dos Prantos que ia em direção ao cemitério, ou dos Prontos, onde os moradores tinham baixo poder aquisitivo, hoje Elpídio Portes Mendes; Rua do Lixo porque servia de depósito para o mesmo, hoje Francisco Cardoso; Capivara, em direção à cidade de Palma que antigamente tinha este nome, hoje Cândido Dias Tostes, assim como a Rua da Laje, que seguia em direção à cidade de Laje do Muriaé, hoje Avenida Carvalho); Beco do Inferno, onde moravam diversas mulheres que brigavam todos os dias, precisando sempre da intervenção da polícia, hoje Pedro Elídio; Rua do Centenário, inaugurada em 1922, cem anos após a independência, hoje Barroso de Carvalho; Rua das Flores, por ser uma rua onde quase todas as casas tinham jardins ou jardineiras em suas frentes, hoje José Carlos Moreira; e Rua do Biongo onde havia dezenas de pequenas 11
  12. 12. casas cobertas de sapé nas quais ficavam hospedados os integrantes de circos que por aqui passavam, hoje Deodato Linhares; Avenida, hoje Rua Santo Antônio, era onde havia diversas casas de lenocínio comandadas por uma mulher chamada japonesa, freqüentadas pelos homens da cidade; Praça dos Boêmios, onde os mesmos se concentravam no boteco de um turco chamado Farid, hoje Pça. José Giudice; e Rua Direita, única rua onde se pagava imposto predial, tinha os prédios melhores e era a mais organizada, hoje Marechal Floriano).´´ Adalberto aditou: ´´Resgatar a história do nome das ruas de Miracema é excelente, mas há MAIS uma característica de nossa Terrinha que creio ser importante manter. Como Vcs (pelo menos os mais antigos) sabem, a maioria das nossas ruas era e ainda são identificadas popularmente por apelidos inesquecíveis. Rua do Sapo, da Capivara, do Lixo, da Linha, da Usina, do Café, Nova, Rodagem, Direita, da Laje, e tantas outras, são muito mais lembradas que seus nomes oficiais. Por que não manter nas placas esta referência? Sendo a "Cidade das Festas" esta será mais uma característica que, ao lado de tantas outras, um dia será motivo de orgulho para os nossos futuros guias de turismo mirim terem na ponta da língua, ao mostrarem nossas atrações, a razão de tais e quais "apelidos"... ´´ Eliane Picanço Dutra (Vol. – VDMR): ´´Excelente idéia. Tenho muita vontade de fazer uma pesquisa sobre as Ruas de Miracema, mas encontro tantas barreiras que desisto. Mas, como sou brasileira e não desisto nunca, ainda vou ver este meu projeto pronto. Tem ainda a Rua do Chafariz, a Rua da Mina, Praça dos Boêmios e ai vai. Vamos lembrando, matando saudades, "caminhando contra o vento sem lenço e documento", o que vale é "que emoções eu vivi".´´ Em 19/03/2006, Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (neste Vol. – APRE) escreveu: ´´Angeline, Por seu intermédio, minha "sobrinha Angeline", gostaria de me apresentar ao GRUPO MIRACEMENSE E AMIGOS DE MIRACEMA. Meu nome: Ricarda Maria Leal Alvim. Ainda não me manifestei porque estou igual a uma pessoa que vai à praia pela primeira vez. Olha primeiramente a imensidão do mar; num segundo momento pisa na areia e passeia pela orla. Na volta coloca os pés na água, com medo; aos poucos vai penetrando, mas sempre cheia de incertezas; até que se sente segura, pois sabe até onde pode ir sem o perigo de se afogar. Assim está acontecendo comigo em relação ao Grupo. Primeiramente estou tomando conhecimento dos nomes que dele fazem parte; passeio pelos questionamentos e vou sentindo o elevado nível cultural de cada componente, para depois, sem medo, poder participar. Sou Diretora do Jornal "Liberdade de Expressão´´. É um Jornal que tem grande aceitação não só em Miracema, mas por todos que têm o privilégio de lê-lo, devido ao seu corpo de Redatores: Regina Titonelli, Evane Barbuto, Joffre Geraldo Salim, Gilda Hermanny Tostes, José Erasmo Tostes, Glória Vargas, June de Souza Carvalho, Ana Lúcia Lima da Costa, Carlinhos Moreira, Neide Freitas Gutterres, Eunice do Carmo 12
  13. 13. e Marta Corrêa Bruno. É um Jornal que tem como objetivo divulgar a cultura de nossa Terra. Eu colaboro com o Editorial, Minha Rosa de Hoje é Para Quem?, Sentimentos do dia-a-dia (Minhas Poesias), Cantinho das Trovas (Minhas Trovas). Vou solicitar ao Erasmo Tostes nomes de Ruas de Miracema. Qualquer dia enviarei. Abraços para você, "minha sobrinha" e aos novos amigos meu reconhecido agradecimento por já fazer parte desta cultural família.´´ Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR) em 24/03/2006: "Tenha a certeza de que a contribuição da Tia Ricarda é de suma importância, dada a sua competência, seu interesse, sua tão vasta e conhecida habilidade em lidar com projetos dessa natureza. Tia Ricarda é uma das organizadoras e elaboradoras de toda a FESTA DO CINQÜENTENÁRIO DO JARDIM DE INFÂNCIA CLARINDA DAMASCENO, participei desse evento, bem como o José Souto e podemos comprovar. Além de ser um orgulho para eu ter a Tia Ricarda envolvida nesse grandioso projeto de Recuperação da Memória de Miracema. Volto a sugerir que sigamos o caminho de trabalharmos no DICIONÁRIO DOS LOGRADOUROS, pois estaremos tratando de temas que irão agregar ou inovar a BIBLIOGRAFIA da cidade e de sua gente, que é tão precária. Iremos também contribuir para futuros projetos turísticos na cidade. Estamos aqui com bons quilômetros andados; dadas as informações prestadas pela Tia Ricarda, com quem podemos nos juntar para apoiar a pesquisa.´´ Tia Ricarda em 02/04/2006: ´´Recolhi do acervo da Casa da Cultura oitenta biografias gentilmente emprestadas por Marcelo Salim. Tirei uma xerox de cada exemplar para o arquivo do Grupo. Existem mais de duzentos nomes de ruas sem biografias. Marcelo ficou de me ajudar dentro do possível. Estou telefonando para as famílias que conheço, pedindo socorro. Muitos nomes eu nunca ouvi falar, mas se Deus quiser e Ele quer, teremos respostas positivas."Nenhum caminho de flores conduz à glória". Creio que esta pesquisa servirá para um "fixamento" dos dados referentes a cada "vulto" que constará do trabalho idealizado por vocês, mas que dentro de pouco tempo será historicamente realizado.´´ Sendo o Grupo uma reunião espontânea de interessados, miracemenses e amigos de Miracema, na discussão de temas livres, revelou-se inviável oferecer uma sustentação mínima indispensável à execução do projeto. Diante da oferta da Tia Ricarda, em 25/06/2006, lhe propusemos uma parceria, aproveitando a experiência da MPmemória, então de 10 anos, para levá-lo avante. Pronta e entusiasticamente a aceitou, encarregando-se da coordenação do conteúdo e nós da editoração e distribuição, sem qualquer finalidade mercantil e sem a necessidade de patrocinadores. Não existem autores específicos da obra, sendo o mutirão espontâneo e não remunerado, a forma de trabalho. No mês de julho foi desenvolvido o protótipo a cada capítulo, a exemplo dos da MPmemória, com as devidas adequações. Não há nenhum propósito de originalidade, mas não conhecemos outra do gênero com projeto similar. 13
  14. 14. Cada logradouro constitui um capítulo ilustrado, com numeração independente e extensão em função apenas do conteúdo disponibilizado ao mesmo, por qualquer interessado e poderá, a qualquer momento, ser revisto e ampliado. Divide-se em identificação, preâmbulo, biografia, depoimentos e suplementos. Sabia-se da imensa dificuldade para atingir tais objetivos, com recursos tão escassos. Uma equipe de duas pessoas, uma fundeada no Rio de Janeiro, com quase nenhum conhecimento de e em Miracema, e outra em Miracema, com muito conhecimento local, mas que nunca se haviam visto e tinham como meio de comunicação basicamente a Internet, na qual são calouros. O sítio a escavar oferecia poucas oportunidades às pesquisas documentais. Muito mais fontes orais, com raros conhecimentos do passando aquém de sua própria geração. Mesmo sobre alguns personagens históricos importantes, pouco ou nada, de fácil acesso. Dois arquivos municipais principais a farejar, Santo Antônio de Pádua e Miracema. Boa vontade de não muitos e fé em Deus, as principais armas a contar. De saída se estabeleceu como primeira meta a publicação da 1ª. Edição para até agosto de 2007, tendo em vista, inclusive a necessidade de detalhamento do projeto apenas pensado. Embora as dificuldades tenham se mostrado muito superiores às esperadas, a boa vontade se revelou bem maior, e, assim, em 5 meses (20/11/2006), este Volume foi lançado e já se dispunha de um bom material ao seguinte, que se esperava colocar à disposição pública até agosto de 2007 e foi em 07/07/2007. Em 01/03/2008 o III, em 27/09/2008 o IV, em 21/03/2009 o V e em 10/10/2009 o VI. Previsto o VII para março de 2010. Por questão de viabilidade econômica e de praticidade, optou-se por volumes deste porte, sem imposição de nenhuma divisão urbana, oficial ou imaginária. Ao fechamento do Volume I, adotou-se, entre o que já se tinha em condições de publicar, a parte mais primitiva e histórica da Cidade. É nada mais nada menos do que uma consolidação de informações dispersa que se dispôs, de diversas fontes, inclusive de fora de Miracema e de não miracemenses, que se pouco acrescenta de novo, espera-se tenha o mérito de torná-las de mais fácil acesso, para que sejam mais conhecidas e possam servir de mapa da mina histórica a investigar, por quantos se interessem em elucidar as obscuridades e/ou as controvérsias atuais, da Memória de Miracema. Bem mais do que se tinha de início. Outro crédito, por certo, é ter realçado a um considerável público o interesse pela História, mormente de Miracema. 14
  15. 15. Espera-se que assim, o terreno às tarefas futuras, não só aos próximos volumes a editar, como à correção e enriquecimento dos editados, se torne mais fértil, dando melhores frutos. Só Deus sabe até onde se poderá ir. História, sem ficção, não se cria, se copia. É não só dinâmica, como inesgotável. Portanto, não tem início e nem meio, muito menos fim. Luiz Carlos Martins Pinheiro Coordenador-Geral da MPmemória Com a neta Andreza Magalhães Martins Pinheiro (1994). Almoço do 4º. Dia de ´´OS QUINTÕES PINHEIROS´´ no Rio de Janeiro, 17/09/06. Foto: 17/09/2006; autora e cedente: filha Márcia Regina Alcântara Pinheiro Martins (1960). LUIZ CARLOS MARTINS PINHEIRO (1930) Um dos sete filhos do tombense Francisco de Assis Pinheiro Júnior (Francisquinho) (1902/1985) com a cordeirense Alzimira Martins Pinheiro (1905/1990), unidos pelos laços do matrimônio, em 05/04/1926, na Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos do Carangola, criada pela Lei no. 605, de 21/05/1852, da Província de Minas Gerais, cidade e município de Tombos, MG, instituindo ´´OS MARTINS PINHEIROS´´. Ele filho do, também, tombense Francisco de Assis Pinheiro (Chiquinho) (1869/1952) e da porciunculense Alcides Quintão Pinheiro (1875/1941), casados em 13/09/1890, na mesma Igreja Matriz, formando o clã de ´´OS QUINTÕES PINHEIROS´´, tronco de ´´OS CARMOS´´, de ´´OS QUINTÕES´´ e de ´´OS PINHEIROS´´. Tiveram 16 filhos. Ela filha do galego-espanhol José Manoel Martins (1863/1950) e da fluminense Delphina Maria Martins (1869/1958), que se uniram no atual Município de Bom Jardim, RJ, constituindo ´´OS MARTINS´´, tronco brasileiro de ´´OS MARTÍNEZ´´. Tiveram 15 filhos. Por necessidade da assistência do tombense Doutor Gothardo Soares de Gouvêa 15
  16. 16. (1890/1967), nasceu, em 01/06/1930, às 14 h, no CASARÃO de ´´OS MARTINS´´, Tombos, MG, sendo, o único não carioca da sua irmandade e o único nascido com assistência médica. Todos de parto natural, no domicílio, Rio de Janeiro, com parteiras. Batizado na referida Igreja Matriz, em 17/07/1930, tendo como padrinhos os avós- paternos e a tia-materna Maria Martins Fontes (Nena) (1901/1981). Irmãos: Paulo José (1927/2000), Sylvio César (1932), Glória Maria (1942/1942), Francisco Aloísio (1943), Ronaldo Fernando (1947) e Marco Aurélio (1949), todos Martins Pinheiro. Contudo, sempre viveu no Rio de Janeiro, principalmente na Rua Cuba, 30, Cidade Sorriso, Penha, Zona da Leopoldina, de onde saiu, em 1970, à Rua São Francisco Xavier, 146/601, Engenho Velho, Tijuca, lá ficando até 2000, quando passou à Avenida Professor Manoel de Abreu, 559/1301 e depois 1303, Maracanã, onde reside. Cursou: primário (1937/1942) na Escola Conde de Agrolondo, pública municipal, na Penha; admissão e ginasial (1943/1949) na Escola Santa Teresa, particular, em Olaria e no Colégio Pedro II, público federal, no Centro; científico (1949/1951) no Colégio Pedro I, particular, em Ramos; vestibular (1952/1953) no Curso COS, particular, Castelo; Engenharia (1954/1958) na jesuítica EPUC - Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, de início em Botafogo e logo a seguir na Gávea. Realizou inúmeros cursos de pós-graduação e outros de interesse à sua atividade profissional. Sem ser do tipo conquistador, namorou algumas garotas, mas uma de cada vez, todas obtidas fora de casa e de apresentações, até que, no ônibus ao trabalho, se interessou por uma jovem estudante. No Dia do Trabalhador de 1950, bordejando nas festividades públicas do Conjunto Residencial do IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários), da Penha, encontrou-se com um companheiro, que ao ver dois brotinhos, disse do seu interesse em abordar um e se queria ficar com o outro. Nada menos que a sua encantadora do ônibus, Marly Alcântara Pinheiro (1934/2006). Assim iniciou uma convivência que, com a graça de Deus, completou 56 anos ininterruptos, em 01/05/2006. Sua patinha, carioca, segunda filha, dos sete filhos de Waldemar de Alcântara (1906/1982) e Maria de Lourdes Duque Estrada de Alcântara (1913/1988), genearcas de ´´OS DUQUES ESTRADAS DE ALCÂNTARA´´, nasceu em 04/03/1934, Rua Pereira Nunes, São Cristóvão, Rio de Janeiro. Neta de Paulo Pedro de Alcântara e Florentina Beltrani de Alcântara, por parte de pai e de Henrique Affonso Ferreira Duque Estrada e Maria José Duque Estrada, por parte de mãe. Surpreendentemente teve que se submeter a uma cirurgia no coração, no Hospital Quinta D´Or, vindo a falecer em 07/05/2006, no CTI – Centro de Tratamento Intensivo do mesmo. Sepultada no jazigo perpétuo de ´´OS MARTINS PINHEIROS´´, no Cemitério de São Francisco Xavier, Caju, Zona Portuária, Rio de Janeiro. Portanto a exatos dois meses, da 16
  17. 17. comemoração das BODAS DE OURO. Em 1945 passou a ter emprego diurno e a estudar a noite. Já se decidira pela Engenharia, embora não soubesse como poder chegar lá, já que o curso era diurno. Começou como mensageiro, num escritório particular. Passou por outras empresas particulares, como auxiliar de escritório, escriturário e auxiliar de contabilidade, até que ingressou na EPUC, não mais podendo ser empregado. Em parceira com a Marly, estabeleceram comércio informal de venda de roupas, ela vendia e cobrava, principalmente, em seu trabalho e ele comprava, financiava e gerenciava. Embora o negócio de mascate estivesse bem, ao se formar, decidiram encerrá-lo definitivamente, para ele se dedicar somente à profissão e ela ao lar, no esquema de parceira conjugal mais tradicional. Em 28/05/1953, 51º. aniversário de seu pai, em sua residência, noivou e em 06 e 07/07/1956, no Rio de Janeiro, se casaram. O religioso celebrado, por seu primo-irmão Padre José Raphael Pinheiro (1929), na Capela de São Judas Tadeu, que precedeu a atual Basílica, no Cosme Velho, por devoção dos nubentes ao Santo. Surgiram ´´OS ALCÂNTARAS PINHEIROS´´, ramo dos troncos mencionados. Foram: padrinhos: 1) civil: Maria Apparecida Moreira Santos (1932), com o esposo Hélcio de Oliveira Santos (1930/1965) (Vol. II – HPSR), ambos miracemenses, primos dele; Ada Duque Estrada Porto (1924) com o esposo Manoel da Rocha Porto (Manduca), primos dela; 2) religioso: José Pinheiro da Costa (Zé Pinheiro, Zezé) (1922/2003) com a esposa Sulem Ruth Moreira da Costa (Neinha) (1927), primos dele; Jonny Chalréo com a esposa Irinéia Nicolino Chalréo, amigos de ambos. Vieram os filhos: Eliane (1959), com três filhos: Thelmo (1979) casado com Helen (1891), pais de Thelmo (Thelminho BIS) (2007); Luís Felipe (1981) e casado com Fabiana (Fafá) (1983); Rodrigo (1983) casado com Saide; Márcia Regina (1960) casada com Vinícius Lucena (1960), pais de Vinícius Lucena; Luiz Carlos (1964) casado com Adriana, pais de (1971) Andreza (1994) e enteada Daine (1987) e com Sandra Mara (1976) enteada Luana (1987). Em 1956, inesperadamente se viu envolvido com a política estudantil, elegendo-se, por mero acaso, representante externo do DA – Diretório Acadêmico da EPUC, chegando a 2º. Vice-Presidente da UME – União Metropolitana dos Estudantes. Em 05/1958, a laço, passou a estagiar na sede do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, no Rio de Janeiro, que enfrentava uma das maiores secas do Nordeste do Brasil. Ao se formar, foi contratado como Engenheiro, para assessorar o Diretor-Geral. Em 1961, com a transferência da mesma sede ao Nordeste, não a aceitou a mudar-se do Rio de Janeiro, sendo, lotado no DNEF – Departamento Nacional de Estradas de Ferro, onde exerceu chefias técnicas desde 1963 até 1974, quando o órgão foi extinto. Não se dispondo a ir para Brasília, foi passado à sede da RFFSA – Rede Ferroviária Federal S/A, lá permanecendo até 01/06/1994, quando se aposentou, de 17
  18. 18. direito e de fato. Responsabilizou-se pela publicação da revista EPUC – Engenharia e Arquitetura (1956/1958), do Boletim do DNOCS (1958/1961) e da Revista do Clube de Engenharia (1961/1963). Como chefe da fiscalização técnica das ferrovias brasileiras, percorreu a quase totalidade da malha ferroviária nacional, inclusive as longínquas e isoladas: E. F. Madeira Mamore (RO), E. F. Tocantins (PA) e E. F. Amapá (AP). A convite da ferrovia do Uruguay, a visitou. Na chefia de estudos técnicos, atuou no planejamento do DNEF, especialmente nas normas técnicas às estradas de ferro brasileiras e em estudos de viabilidade técnico-econômica. Por cinco meses (1971/1972), por designação do Ministério dos Transportes, estagiou em normalização técnica em Paris, em especial à ferroviária, percorrendo outras localidades francesas. Disto decorreu ter que implantar o CB-6 – Comitê Brasileiro do Equipamento e Material Ferroviário (1972/), da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, o qual presidiu, chegando a presidir, em média, mais de 100 reuniões técnicas/ano, no Rio e em São Paulo. Elaborou mais de 1 000 projetos de normas, atuando, também, na internacional, pan-americana e mundial. Ao se aposentar, não mais se interessando por atividades remuneradas, voltou-se, pouco a pouco, a um novo e inesperado propósito, desde que se sentiu ameaçado de morte, em decorrência de enfermidade no intestino, tendo passado por uma grade cirurgia em 14/10/1996 e outras em 08/05/2001 e 26/06/2009 à extração de pólipo no intestino. Assim chegou à MPmemória, cujo maior objetivo é contribuir à maior aproximação entre todos os seus familiares, para isto valendo-se de experiências adquiridas, pelo menos, desde quando foi forçado à política estudantil. As pesquisas que precisou fazer em Miracema sobre ´´OS MOREIRAS´´, desde 05/2004, o levaram a defender a necessidade de um melhor resgate, principalmente, da memória de sua gente, desde 05/2005, quando isto expôs ao seu ilustre prefeito, Carlos Roberto de Freitas Medeiros. Graças ao acolhimento encontrado no Grupo de Miracemenses e Amigos de Miracema, logo a seguir, chegou ao projeto LOGRADOUROS DE MIRACEMA em parceria com a incrível TIA RICARDA, lançando este Volume em 20/11/2006. Por iniciativa do vereador Paulo Rogério Lamarca, em 24/04/2007, numa solenidade nos salões do Clube XV, foi agraciado com o título de CIDADÃO MIRACEMENSE, concedido pela Câmara Municipal de Miracema, através da Resolução no. 894, de 19/04/2007. Leitura do Livro da Sabedoria (A MISSA, Rio de Janeiro, 15/10/2006): ´´Orei, e foi-me dada a prudência supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria. Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos e encampação com ela, julguei sem valor a riqueza, a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro do mundo é um punhado de areia e diante dela, a prata, será como a lama. Amei-a mais que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais que a luz, pois o esplendor que dela irradia não se apaga. Todos os bens me vieram com ela, pois 18
  19. 19. uma riqueza incalculável está em suas mãos.´´ 19
  20. 20. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (APP).........................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 24/10/2009 Praça Ary Parreiras (conhecida, também, como Praça das Mães) (Largo da Igreja, Largo da Matriz, Praça da Matriz) (contígua à Praça Dona Ermelinda e ao Largo Dona Magaly; início: Praça Dona Ermelinda; término: esquina ruas S anto Antônio e Elpídio Portes Mendes; dela partem: Travessa Cônego Joaquim Tomaturgo de Albuquerque e as ruas João Pessoa e Paulino Padilha; formato: L) (Centro Histórico – Tombada) (Centro) 1) No. 6 (1926) (tombado) (Suplemento 5) - residência que foi de ´´OS BRUNOS DE MARTINOS´´; início da arborização (tombada); 2) mesma residência em reforma e o novo coreto. Fotos: 1) a. 1934; autor: desconhecido; cedente: 2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR); 3) 21/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio Barbuto (1939) (Vol. V – MPTT). 1) Primitiva Ermida ou Capela de Santo Antônio (capa deste Vol.); tela da Acadêmica Glória Maria da Consolação Freire Vargas de Oliveira; 2) com primitivo coreto e sem palmeiras imperiais (plantadas em 1966). 20
  21. 21. Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio. S/no. (tombado) - Evolução da Igreja Matriz da Paróquia de Santo Antônio de Miracema: 1) à esquerda sobrado prejudicando-a; 2) sem o sobrado e a praça com coreto; 3) com torres elevadas e acessos rampados; 4) com casa paroquial (tombada), obra do Padre Joaquim Thaumaturgo Comibra de Albuquerque, inaugurada em 12/08/1945 (Vol. – CJTAT). Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedente: Marcelino Alvim Tostes (?/2009) (Vol. V – MPTT). Praça em formato de ´´L´´, com coreto e sem palmeiras. Dia da Raça em 1938 (ainda era Praça da Matriz, denominação oficial até 1950). Ao fundo: Igreja Matriz em forma de cruz (1931/1936), obra do Cônego Tomas de Aquino Menezes, duas torres baixas e sem casa e salão paroquial; à esquerda: Praça Dona Ermelinda (neste Vol. – DEP); à direita: sobrado de Eliezer Silva, na Esquina do Dover; a seguir, no. 88 (prédio de oito janelas e porta no meio) - extinto e saudoso Grupo Escolar Buarque de Nazaré atual Colégio Estadual Prudente de Moraes (Vol. – CA); após: casa dos herdeiros de Ururahy de Mattos Macedo (1912/1996) (Vol. VI - UMMR). Fotos: 1938; autor: Moacyr Schueler (1905/1980) (Vol. II – MSR); cedente: Carlos Sérgio. 21
  22. 22. 1) S/no. (tombado) - Jardim de Infância Clarinda Damasceno inaugurado em 12/10/1934, no local da capela (Vol. – JRDR); 2) sem coreto, com palmeiras e concha acústica. Fotos: 1) 09/2006; autor: desconhecido; cedente: Otto Guilherme dos Santos Moura (1947) (Vol. – ME). 2) 15/08/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio. Esquina do Dover: 1) reforma da praça, observe o rebaixamento: Casa Violeta; casa demolida à construção da residência de herdeiros do Dover; Grupo Escolar Buarque de Nazaré, transformado, na residência de Oswaldo Bastos e demolido à construção, 1978/1979, da residência da Família Barbuto; 2) 124 (tombado): 1º. sobrado: residência de herdeiros do Dover; 2º. sobrado: térreo: Casa Violeta, loja pertencente a Lourdinha, filha de Dover e Irajara, viúva de José Eduardo Pastor Tostes; superior: residência de Patrícia, filha de Lourdinha. Fotos: autores: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio: 1) 1931; 2) 2006. 1) Monumento às Mães; autoria não esclarecida; oriundo da reforma da praça, entre 1963 e 1966. Ao fundo: no. 6; 2) no. 88 - residência da família do Médico Carlos Sérgio Barbuto com a Acadêmica Evane Aparecida Barros Barbuto (Vol. V – MPTT) no portão. 22
  23. 23. Fotos: 11/06/2006 e 01/09/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio. 1) sítio da atual Prefeitura, quando nele se armava circo; 2) no. 171 (tombado) – Paço Municipal (1944); sede da Prefeitura de Miracema, que substituiu a derrubada pela enchente de 1940 do Ribeirão Santo Antônio (Vol. – SARI); construção de Massimilano de Poli (1892/1969) (Vol. V – MPR). Fotos: 1) data e autor: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio; 2) 20/08/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE). No. 156 - Centro Cultural Melchíades Cardoso e Museu Antônio Ventura Coimbra Lopes. 1) fachada anterior; 2) fachada atual; 3) entrada; 4) a 6) ambientes; 5) mesa da solenidade de reinaguração; 6) Banda Sete de Setembro (Vol. II – FPR) na solenidade. 23
  24. 24. Fotos: 1) 20/08/2006; autor e cedente: Jader; 2) a 6) 20/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio. Existe no coração de Miracema uma praça, reconstruída em 1931, no Governo do S r. Altivo Mendes Linhares (Vol. IV – DL R), que recebeu o nome de Ary Parreiras, em 1950, em homenagem ao Interventor do E stado que, em 1935, decretou a Emancipação Político- Administrativa de Miracema e que foi consolidada em maio de 1936 no Governo do Almirante Protógenes Ferreira Guimarães. Até a década de 60 ainda era a mesma construção e a mesma imagem, tendo, como símbolo daquele tempo, um coreto com grade de ferro, toda trabalhada, imitando arte em madeira. A Praça Ary Parreiras acolhe os olhares dos que nela residem, oferecendo o verde de suas anciãs palmeiras, que servem como inspiração para os poetas, compositores e pintores de nossa Terra. Uma concha acústica faz parte da época em que a praça foi remodelada no Governo Municipal Jamil Cardoso (Vol. II – JCT) e serve para espetáculos e outros eventos. Acompanhando ainda esse tempo, existe um ``Monumento às Mães ´´. E s se logradouro guarda, ao seu redor, pérolas que fazem parte integrante da nossa história. A Igreja Matriz inaugurada em 1889, que é admirada por sua privilegiada localização, bem no alto, Deus abençoando a nossa cidade. Não há quem não admire o deslumbramento de sua arquitetura. Nossa Igreja Matriz faz cada um que a observa, penetrar num mundo de paz celestial. O Jardim de Infância Clarinda Damasceno, o 2º do E stado do Rio de Janeiro, segundo informações do historiador miracemense, Dr. Maurício Monteiro (Vol. – ADM R). É um prédio lindo, aconchegante, que atrai as crianças e acompanha gerações, deixando um gosto de saudade em cada um que ali freqüentou quando pequenino. Foi fundado no Governo do S enhor Altivo Mendes Linhares, em 1934. É localizado onde foi construída a primeira capelinha em honra a S anto Antônio, que deu origem ao 24
  25. 25. nosso Município. Entre as residências inseridas nessa Praça, destaca-se a casa do Jornalista Bruno de Martino, no nº 6, construída em 1926. Palco de tantas reuniões históricas relacionadas à emancipação do Município de Miracema. O imponente prédio da Prefeitura Municipal de Miracema também faz parte desse logradouro, no no. 171, e ocupa o lado esquerdo. Virando a esquina, acompanhado a lateral que também a ela pertence, logo à frente, existe uma repartição do D ET RAN. Do outro lado, no. 156, em frente à Prefeitura, é localizada a importante Casa da Cultura Melchíades Cardoso. É um local onde o passado se encontra arquivado nos acervos que conservam registros que nos fazem voltar no tempo, na certeza de que a história não se repete, mas deve ser conservada, cultuada, admirada, resgatada pelo povo que recebeu de graça tantas realizações. Nessa Praça residiram muitas famílias que deram suas importantes contribuições, alavancaram o progresso do nosso Município: S outinho da Cruz, Tardin Fáver, Bruno de Martino, S oeiro, Machado, Moura, Mattos Macedo, Bastos, Moreira, Dutra, Pinheiro, Tancredi, Pereira Tostes, Ramos, Cardoso, Major Emiliano, Tostes, Leitão e outras. A Praça Ary Parreiras vai mudando a sua roupagem de acordo com o pensamento de seus governantes, mas continua sendo o local em que se realizam, através das gerações, as festas do padroeiro da cidade - S anto Antônio. Não importa qual seja a sua aparência: coreto, concha, acústica, monumento às mães, parece que aquela primeira capelinha, erguida onde é hoje o "Jardim de Infância", depois demolida, mas que jamais se apagará com o tempo, deseja festejar, brindar àquele que fez um dos esteios brotar, oferecendo a certeza de que ele se transformou numa frondosa e imbatível árvore que é o nosso Município de Miracema. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (neste Vol. – AP R E). Ary Parreiras (1890/1945) 25
  26. 26. Foto: s/data; autor: desconhecido; cedente: Tia Ricarda. Nasceu em Niterói, RJ, em 1890. Militar, assentou praça em 1907, matriculando-se no curso de máquinas da E scola Naval. Atuante na preparação da Revolução de 1930 foi considerado desertor e anistiado após a subida de Getúlio Vargas (Vol. II – GV P) ao poder. Ainda em 1930, foi nomeado oficial de gabinete do Ministro da Marinha e participou de uma comissão para fiscalizar a implantação das medidas preconizadas pela Revolução. Integrou o chamado ´´gabinete negro´´, denominação dada ao grupo de ´´tenentes´´ que se reunia em torno de Getúlio Vargas logo após na Revolução para discutir o futuro governo. Em dezembro de 1931 foi exonerado do gabinete da Marinha, para ocupar o cargo de Interventor Federal do Rio de Janeiro. Após deixar a interventoria em novembro de 1935, voltou ao serviço ativo da Marinha. Como interventor, pelo Decreto-lei no. 3.401, de 07/11/1995, criou o Município de Miracema. Faleceu em Niterói, em 1945. (Fontes: Abreu, Alzira & Beloche, Israel (coords.) – Dicionário histórico – bibliográfico brasileiro 1930/1983, Rio de Janeiro; Lacombe, Lourenço Luiz – Os Chefes do executivo Fluminense, Petrópolis). 26
  27. 27. 1) marco comemorativo dos 55 anos de Miracema; 2) praça com calçamento (tombado), caramanchão e palmeiras imperiais; Largo Dona Magaly (Vol. VI – DML); Igreja Matriz; casa de Elieser Silva; 3) interior da Igreja; Fotos: 1) 29/04/2007; autora e cedente: Eliane Alcântara Pinheiro (1959) (neste Vol. – ANTE); 2) e 3) data, autor e cedente: desconhecidos. Ary Parreiras, esquina com Rua Francisco Dias Tostes (Vol, III – FDTR). 1) no. 302; 2) no. 272 (1924) (tombada) – Casa Amarela, sobrado onde reside Rui de Barros (no portão) (Vol. V – CAPA), com a esposa Elizabeth e a filha Isabela (Variant 1975 do Rui). Foto: 22/11/2006; autor e cedente: Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. - ANTE). DEPOIMENTOS: 1) Altivo Mendes Linhares (1896/1986) (Altivo Linhares – Memória de um líder da velha província, de Maurício Monteiro; transcrições autobiográficas): ´´O Almirante Ary Parreiras foi o maior administrador que o Estado do Rio de Janeiro já conheceu: homem simples e honesto, um autentico representante das ideais revolucionários de 1922 que ficaram assinalados de forma imorredoura através da epopéia dos 18 do Forte de Copacabana. Ary Parreiras não quis de modo algum se imiscuir em política quando ele tinha predicados mais do que legítimos para tomar conta da política fluminense; limitou a sua ação, depois de ter demonstrado o seu grande valor de homem público em outras esferas da ação política tal como seja a sua atuação na Base Naval de Natal no período de guerra, e a sua cooperação política no período da redemocratização. Ary Parreiras ao deixar o governo do Estado do Rio, deixou construído o G. E. Ferreira da Luz em Miracema (Vol. III – MMR), G. E. Almirante Teffé em Pádua. A Estação Ferroviária de Pádua e Miracema, a criação do Jardim de Infância de Miracema e a majestosa, ponte sobre o rio Paraíba em Itaocara, ligando o Norte do estado a Niterói. Ary Parreiras antes de deixar o governo, praticou o ato administrativo pelo decreto estadual no. 3.041 de 07 de novembro de 1935 criando o município de Miracema. Ao mesmo tempo em que atribuía a Assembléia Legislativa já em funcionamento a incumbência de sua instalação e, Protógenes Guimarães veio à festa de instalação em 27
  28. 28. 03 de maio de 1936. Se deve atribuir a Ary Parreiras a glória de ter criado o município que, enfrentando situações difíceis com a queda do café, pode através de uma administração honesta e laboriosa realizar tudo que de melhor pode existir no seio da comunidade. Miracema pode se apresentar depois de sua criação uma grande célula no concerto dos demais municípios fluminenses.´´ ´´Ary Parreiras fazia com os demais funcionários do Palácio a arrecadação para as despesas do cafezinho que era distribuído aos visitantes. Recebia de sua casa em marmita, a sua comida; não usava o veículo oficial senão em ocasiões muito específicas; viajava de bonde sentando ao lado do motorneiro nas suas viagens da casa para o Palácio e vice-versa.´´ ´´Em 1917 os Coronéis que dispunham dos destinos de Miracema – Giudice (Vol. – JGP) e Moreira (neste Vol. – CJCMR) – com o apoio de fazendeiros mais abastados decidiram construir um prédio para a instalação de um Grupo Escolar no distrito. Antes, porém, conseguiram do Dr. Nilo Peçanha a promessa da criação do referido G. E.; feito isto começaram a arrecadar dinheiro para a execução das obras e eu me lembro que existia aqui um terreno murado de pau a pique numa extensão talvez de cinqüenta ou sessenta metros que pertencia ao Cel. Firmino de Araujo; este foi terreno escolhido para o local e, ao mesmo tempo, a abertura da rua Barroso de Carvalho (Vol. II – BCR). Na realização dessas obras, José Giudice – se bem me lembro – com a interferência do Pedro Henrique Soares gerente da Cia. Força de Luz e comprador do terreno onde foi construído o Colégio Miracemense, também obra de sua iniciativa. Ainda me recordo do dia em que foi lançada a pedra fundamental do Grupo Escolar do mesmo nome ´´Ferreira da Luz´´ médico, poeta, escritor e companheiro de Nilo Peçanha na campanha republicana.´´ ´´A obra saiu rapidamente, mas não teve a necessária solidez porque os tijolos foram colocados sobre massa de barro e areia, o que fez com que na enchente de 1940, as águas subissem até a sua metade e daí atingir o seu desmoronamento como um verdadeiro castelo de cartas.´´ ´´Em 1934, passando por aqui... o Almirante Ary Parreiras, o qual sentido a precariedade do referido educandário, deliberou construir um novo prédio do G. E. Ferreira da Luz´´. Com o desabamento o governador Amaral Peixoto ´´prometeu prestigiar e auxiliar na construção do novo prédio com a quantia de cem contos de réis. Nesse sentido, encomendou ele ao engenheiro do Estado, Sr. Mário Abreu, projeto da obra, este que também foi utilizado para a prefeitura de Cambuci. Nesta época, a Prefeitura arrecadava menos de trezentos contos por ano e a obra foi feita com toda a economia; ficou em duzentos e sessenta e três contos de réis.´´ ´´Com dificuldade de recursos, tive de construir o prédio vagarosamente à espera de que os contos de réis fossem anunciados; já em fins de 1943, estava a obra em ponto de receber a última laje... e, como não vinha o dinheiro, resolvi telefonar ao Governador´´. Uma vez chegado o auxílio prometido, a obra foi terminada e, em princípio de 1944, inaugura.´´ 2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol – FAAR): 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´A Praça Dona Ermelinda tem uma mureta que a "enverga" ao alto, quando se une à Praça Ary Parreyras. Aquela fica na parte baixa e essa na parte alta em frente à Igreja Matriz. Além da mureta, o próprio terreno, por sua inclinação, faz uma natural 28
  29. 29. separação. Do outro lado da Praça, bem de frente para a Igreja, encontra-se a "Casa de Bruno de Martino". O J. I. Clarinda Damasceno, que fica em uma das esquinas da Pça Dona Ermelinda, junto do Rink, foi a 2ª escola do Estado do Rio de Janeiro de ensino pré-escolar. Pela história que aprendemos no colégio, ali, onde hoje está o J. I., foi construída a primitiva capela de Santo Antônio Brotos, que deu origem ao nosso município, "onde um dos esteios brotou". Talvez a estrutura do terreno, (alto e baixo), tenha colaborado à separação em duas praças. Pelo que me consta, a Praça Ary Parreyras segue a Prefeitura até a esquina da Padaria do Garibaldi, onde se encontra com a Rua Paulino Padilha (Vol. - PPR). A casa da minha avó-materna, hoje não existe mais, o terreno pertence ao atual prefeito, Carlos Roberto (Vol. – SPMR), ficava no nº 270. Esse imóvel fica ao lado da Prefeitura, seguindo a Padaria do Garibaldi, perto da casa do Neném Braga, hoje pertencente ao Eduardo Tostes (Eduardo do Juju). Se nos dispusermos de frente para a Prefeitura (entrada principal), esse imóvel 270 fica de frente para a garagem da prefeitura, ao lado do Detran, na lateral direita da Prefeitura. Quanto à ESQUINA DO DOVER, um famoso empreendimento comercial do passado, fica na esquina da Praça Ary Parreyras, de frente à Igreja Matriz, antes da Casa da Cultura, hoje pertencente aos herdeiros do Sr. Dover.´´ 2º.) correio eletrônico: 03/06/2008: ´´Agora umas notícias fresquinhas para melhorar o ânimo de todos: saiu o edital (nº 051/2008): "OBJETO: Contratação de empresa para executar obra de Reforma do Solar Dona Brasileira (Patrimônio Histórico tombado conforme Decreto 031/2007) e construção de unidade escolar anexa ao Jardim de Infância Clarinda Damasceno, localizado à Praça Ary Parreiras, nº 06 - Miracema - RJ", previsão: R$ 500.000,00 (não sei se é estimativa da Prefeitura) e o edital (nº 050/2008): "OBJETO: Contratação de empresa para executar obra de Reforma e Revitalização da Praça D. Ermelinda A e B - Miracema - RJ", previsão: R$ 1.000.000,00 (não sei se é estimativa da Prefeitura). 3) Otto Guilherme: 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´A Praça em voga no meu tempo de Miracema chamava-se Praça d. Ermelinda, ela tinha um coreto no centro era rodeada de árvores, alguns anos depois foi inaugurado uma estátua simbolizando uma mãe segurando uma criança, e acabou virando Praça das Mães, não sei se na Prefeitura o nome foi mudado. A praça era redonda rodeada de casas de um lado, inclusive na esquina tinha a casa de meu tio o Sr. Antônio Moura, ao lado a casa de Carlos Augusto, ao lado a casa do Dr. Egberto, na esquina frente à Igreja ficava a loja do Dover, a Igreja do outro lado da Praça, de frente a Igreja olhando para o lado direito todo ele é o Jardim até a esquina onde temos o Jardim de Infância Clarinda Damasceno, nos fundos da Praça, onde termina a Rua Marechal Floriano (neste Vol. – MFFR) e entre a Rua João Pessoa (Vol. – JPR), tínhamos a casa do Dr. Bruno de Martino, ao lado morava o Renato Mercante (Vol. IV – RMR), o Sr. Machado, e já no início da Rua João Pessoa antigamente tínhamos o Grupo Escolar Buarque de Macedo (Vol. – CA), depois transformado em uma fundação para crianças carentes brilhantemente administrado pela Prof. Orminda.´´ 2º.) correio eletrônico: 01/08/2006: 29
  30. 30. ´´Vamos por parte. 1 - Bem pelo que sei a Praça D. Ermelinda é a mesma Pça das Mães. 2 - A inauguração da estátua foi no Gov. do Pref. Jamil Cardoso. 3 - Na realidade ela é oval, se ficarmos ante a Igreja (de costas) estaremos frente a Pça. duas ruas passam tangenciando pelas suas extremidades (do oval), olhando pela direita temos o Jardim de Miracema (neste Vol. – DEP) até a esquina que é o final da Rua Direita (Vol. I – MFR), tendo à esquina o Jardim de Infância Clarinda Damasceno, se passarmos pelo Jardim de Inf. passamos ao final da Rua Direita. As casas de Dr. Bruno de Martino, Renato Mercante, e do Sr. Machado ficam literalmente frente à Igreja separadas pela Praça, inclusive conta-se (historinha) que o Sr. Machado seria muito católico, porém uma mão de porco (pão duro, sem querer ofender a ninguém) e que assistia as Missas de sua Janela com binóculos e que não hora do sacristão correr a caçulinha ele imediatamente baixava a lupa, rsrsrs. Bem, a continuidade da Rua Direita (após passar pela Praça) passa a ter outro nome acho ser Paulino Padilha e não João Pessoa. Nesta Esquina, bem dentro da Praça morava meu tio, logo depois a casa de Dr. Ururahi (pai do Carlos Augusto).´´ 4) Tia Ricarda (1936) (neste Vol. - APRE): 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´Não sei o porquê, mas a Praça Ary Parreiras não se limita somente ao espaço em que situa a Igreja Matriz, mas vem contornando a Casa Dover, a casa da Cultura, a Prefeitura, chegando na Padaria do Garibalde ela sobe até à esquina da Rua Santo Antônio (Vol. - SAR), seguindo já é a Rua Francisco Dias Tostes (Vol. III – FDTR). A Rua Paulino Padilha começa na lateral da padaria do Garibaldi, continuando até a Casa Marcelino.´´ 2º.) correio eletrônico: 08/08/2006): ´´Segundo o Dr. Maurício, a 1ª capela construída, onde é hoje o Jardim de Infância, nos fundos, havia um cemitério, tradição trazida de Minas, já que D. Ermelinda era mineira, que deveria ser sempre construído perto de uma igreja. O cemitério era localizado onde é hoje o Rinque Gerson de Alvim Coimbra.´´ 5) Marcelo Salim de Martino (1966) (Vol. II – MBMR) padrinho deste Capítulo: 1º) correio eletrônico: 02/08/2006: ´´A Praça Ary Parreiras foi construída em 1931, pelo Prefeito Altivo Linhares. Para a sua construção foi demolido um sobrado que era de propriedade do sr. Jorge Nacif. Olhando de frente p/a igreja, ficava mais ou menos onde hoje se encontra à volta (curva) da praça. Observem, também, que a calçada do sobrado da D. Brasileira (no. 6) ficou fora do nível da rua. Ali havia uma elevação que foi retirada para a construção da praça. Dizem que o Altivo fez aquilo por perseguição ao proprietário. Acho meio folclórico, porque tenho a impressão que em 1931 a casa já era da mãe dele. Até bem pouco tempo, quando ainda éramos crianças, costumávamos brincar no porão da casa das Mouras (Vol. – ME) e constantemente encontrávamos alças de caixão, ossos 30
  31. 31. menores, provenientes do primeiro cemitério que era ali, atrás da capela de D. Ermelina, e que com a praça eles desceram com a terra, no sentido da rua João Pessoa. Assim, com o coreto central de balaústre, ela permaneceu até a década de 60. Antes, segundo mamãe, o coreto era coberto, c/grades de ferro fundido, tipo o da Praça em São Cristóvão no Rio. Entre 63 e 66, já no governo do Prefeito Jamil Cardoso, foi remodelada, com um projeto do engenheiro Expedito Antônio, muito moderno para Miracema, que nada tinha haver com a nossa arquitetura. A partir daí, por causa da escultura da mãe, a praça ficou conhecida como Praça das MÃES. Entre 83 e 89 foi construída a atual. O projeto atual é do arquiteto José Geraldo Nogueira. E já temos um projeto para ser encaminhado pelo Conselho M. de Cultura, solicitando a demolição da atual, voltando para o projeto de l931.´´ 2º) correio eletrônico: 07/08/2006: ´´Estapraça tinha o nome de Largo da Matriz, denominada pela Câmara de Pádua, em sessão de 07/01/1896, proposta pelo vereador Martiniano de Holanda Cavalcante. Antes dessa data era chamada de Largo da Igreja. Posteriormente, foi denominada de Praça da Matriz, tendo início na esquina da Rua Paulino Padilha, indo até a subida da Rua Santo Antônio, além de toda área que fica em frente à Matriz. Em 16 de junho de 1950, através da Lei nº 84, passou ser denominada de Praça Ary Parreiras.´´ 3º.) respondendo (correio eletrônico: 08/08/2006): P) que lei a denominou Largo da Matriz? R) ´´não temos o número da lei, em nossas anotações encontramos, apenas, a datada sessão da Câmara.´´ P) ela abrangia a área ocupada pelo atual prédio da Prefeitura? R) ´´sim. Toda a área da Prefeitura fazia parte, por esse motivo que recebeu o nome de Praça.´´ P) o que justifica não só tais limites, mas o fato de ter se constituído numa praça contígua com a Dona Ermelinda? R) ´´Tenho quase certeza de que foi para dar visibilidade à Matriz. Para retirar o sobrado que empachava a frente da Matriz, o jeito foi construir a praça.´´ P) Pelo que depreendemos, a área pertencia à mesma elevação na qual se encontra a atual Matriz. Certo? R) ´´Sim. Era a mesma área.´´ P) Nela se situara a primitiva capela, com um cemitério. Certo? Que área abrangiam? R) ´´Sim. Onde, justamente, está edificado o Jardim de Infância Clarinda Damasceno.´´ P) Em 1931 era ocupada por um sobrado, havendo um largo entre ele e a Matriz. Certo? R) ´´Não chegava a ser um largo. O sobrado ficava localizado exatamente em frente à gruta e a escada do lado esquerdo (vendo-se a Matriz de frente).´´ P) Qual a denominação oficial da escultura e de quem é a sua arte e execução? R) ´´Quanto ao escultor vou verificar no processo de pagamento da época para ver o nome. A denominação da escultura é MÃE.´´ 4º.) respondendo (correio eletrônico: 10/08/2006): P) para onde seria a capela voltada e quando foi demolida? P) onde se localizava o primitivo cemitério? Até quando? O que se passou com os 31
  32. 32. restos dos nele sepultados? R) ´´Infelizmente, não sabemos para onde a capela estava voltada, supomos que era para a Praça do Rink, uma vez que o cemitério estava localizado atrás da Capela. Se encontrávamos fragmentos de ossos e de urnas na residência dos "Moura", acreditamos ser esta a localização.´´ P) o sobrado foi o único imóvel atingido? R) ´´Pelo que sabemos sim. Aquela era a parte mais alta da tal elevação, que ia caindo (diminuindo) para os lados.´´ P) em que ano se deu o plantio das palmeiras? foi simultâneo nas duas praças? R) ´´Na Praça D. Ermelinda foi em 1922, quando a Praça recebeu, vamos assim dizer, sua primeira grande reforma, antes da de 1931, que lhe deu o traçado atual. Já as palmeiras da Praça Ary Parreiras foi em 1966, quando a Praça foi inaugurada.´´ P) a Praça do Chafariz é que seria em ´´área pantanosa e selvagem``, portanto em nível baixo em relação ao da Capela? Como o chafariz era abastecido d´água? Qual o nome da rua? R) ´´Sim. A praça D. Ermelinda tinha o nome de Praça do Chafariz em nível bem mais baixo que a Capela. Não sabemos de onde vinha a água do chafariz e a rua onde estava localizado não tem nome, é Praça D. Ermelinda tb.´´ 6) Carlos Sérgio (correio eletrônico: 03/09/2006): ´´a residência ao fundo à esquerda pertence à viúva do Sr. Helson Machado que ali reside com mais 3 ou 4 filhos do primeiro casamento, já que ambos se uniram em segundas núpcias com idade já provecta e não tiveram prole. Aliás, o Sr. Helson não teve filhos nem com a primeira esposa. À direita reside dona Aifer, viúva do Artur, filho do Sr. Ventura Lopes (Vol. – AVCLR). Mais à direita fica o casarão de 2 andares, em ruínas, do Sr. Bruno de Martino que já fotografamos anteriormente. Ao fundo, aquele morro é chamado Calvário, onde existe uma representação da Igreja Católica, um painel sobre o tema. Chega-se até lá passando pelo horto florestal. Naquele morro existem várias pistas para caminhadas. É um local bastante agradável, muitas árvores, pássaros, uma brisa refrescante (Vol. V – MPR). Vale a pena conhecer. Mais à direita, entre as árvores (não dá para notar) está a residência do Dr. Renato Fáver Filho (Vol. – STFR), a única residência do local. E atrás fica a estrada do "Morro da Poeira" que sobe ao lado do Colégio Miracemense (Vol. III – MMR) e vai na direção da Lagoa Preta que fica exatamente atrás daquele morro.´´ 7) June de Souza Carvalho (Cadeira no. 03 da AML e atual presidente da mesma; coluna Lembranças, Liberdade de Expressão, no. 83, 09/2006): ´´Naquela janela da minha lembrança, chegou o dia em que nós miracemenses receberíamos a visita do candidato JK, viria na cidade conhecer o nosso povo e fazer sua campanha. Finalmente ele chegou e foi recebido na residência da minha tia Ziza e Melchíades Cardoso (Vol. – MCA), que era presidente do PSD. Mais tarde, foi organizada uma passeata pelas ruas da cidade e eis que de repente, na esquina da rua Cel. Josino com a rua das Flores (Cel. José Carlos Moreira) (neste Vol. – CJCMR), irromperia o homem imponente, sorridente, amável, cumprimentando a todos que o esperavam na beira das calçadas, convergindo suas atenções para como o girassol, procurando o sol. E assim passou ele, acenando e carregando com simpatia todos para a praça da Igreja (Praça das Mães), onde havia um ´´coreto´´, tradicional, de onde os políticos proferiram discursos, procurando cativar os eleitores. Foi dessa maneira que JK deixou marcas nas terras de Miracema. Centenas de outros candidatos 32
  33. 33. passaram por aqui, mas não deixaram o carisma igual ao dele e nem puderam mais falar do alto do antigo coreto, parecia que o político ali se impunha mais, fazendo o povo acreditar que tudo daria certo e que os sonhos não se ruiriam. Porém o coretinho foi derrubado dando a praça atual, fico a pensar, será que ele era mágico? Pois além de ser utilizado por políticos, lá também aconteciam leilões por ocasião das festas de Santo Antônio e as ´´retretas´´ com a Banda XV de Novembro (extinta) e Banda 7 de Setembro que até hoje se mantém bem ativa, dando alegria uma vez por mês as pessoas presentes na praça D. Ermelinda, com suas melodias e arranjos de música popular.´´ 8) Maria Alice Barroso (carta de 16/01/2007 ao prefeito de Miracema (2005/2008) Carlos Roberto de Freitas Medeiros (Vol. – SPMR); correio eletrônico: 20/11/2009, Angeline): "A primeira vez que a vi eu saltara do trem que nos trouxera do Rio de Janeiro: meu olhar percorreu, ansioso, a comprida rua que ia serpenteando o caminho mais importante do distrito de Miracema até se localizar no final da chamada rua Direita (segundo me informaram depois); então essa avenida também possuía o nome oficial de Avenida Marechal Floriano. Portanto, fora no final dessa longa avenida que eu pude fixar meus olhos no casarão que dava a impressão de ter sido colocado assim, no alto de uma elevação, no mínimo obedecendo ao desenho de mãos familiares. Naquela ocasião eu começara a me adaptar a essa nova cidade, cujo nome indígena teria o significado de "terra do pau que brota". Talvez, pelo inusitado desse nome, meus olhos tentaram localizar, novamente, aquele casarão que eu passara a chamar de palacete, por sua semelhança com os palacetes luxuosos que estavam colocados no Rio de Janeiro, precisamente na Avenida Oswaldo Cruz. Também nessa época tivera início a curiosidade dos visitantes, que demonstravam interesse em conhecer o interior da grande casa, cuja posição, naquele elevado, a colocara bem defronte à paróquia do lugar. Confesso que consegui conhecer a divisão das salas e quartos do chamado "palacete", por ter feito parte do pequeno grupo de turistas que visitava a região. Ainda assim, não demorou muito a que eu descobrisse que os chamados "turistas" nada mais eram senão políticos que visitavam Miracema numa disfarçada coleta de votos. Foi, portanto, dessa forma que esse distrito teve sua primeira Escola Pública inaugurada: o casarão, pelo primor de suas instalações, também acolheu reuniões de políticos em que se destacavam prefeitos de outras regiões. Teve início, portanto, a campanha separatista de Miracema, o povo já se julgava preparado para ser um novo município, livre do comando de Pádua. Quando o separatismo tornou-se vencedor, naquela mesma noite a fim de celebrar a grande vitória, muitas casas tiveram suas luzes acesas: mas eu não consigo esquecer o casarão todo iluminado, os políticos galgaram as escadas para festejar Miracema liberta! Os miracemenses gravaram, em sua história, como o casarão foi o local onde se processaram os maiores eventos políticos em nossa terra. Podemos lembrar que a família que veio morar no sobradão também se multiplicou, e quando alcançaram a geração de netos, surgiram os chamados "vendilhos do templo", isto é, venderam o sobradão por um preço inferior. Na verdade, não era necessário pertencer à família para fazer oposição à venda daquele imóvel: exatamente naquele prédio muitas paixões tinham se desenrolado ali, amizades foram rompidas por motivos tolos, outros acordos espúrios calcados no chamado agro-negócio, e depois a inesperada notícia de que o candidato a comprar o sobradão se desinteressa do imóvel. Chegara o momento, enfim, de alguém afirmar que o sobradão deveria passar à gerência da Educação/Cultura, onde o aletramento seria uma das principais funções. Confiemos, portanto, que o povo miracemense saiba defender a magia do tempo contido no casarão e que seja ele tombado para sua segurança.´´ 33
  34. 34. 9) Rachel (correio eletrônico: 17/04/2009): ´´Todos frequentavam nossa Fazenda, em Paraíso e a casa da Dindinha Áurea, irmã do meu saudoso Pai, Carlos Bruno (Vol. - JCMBR). Padres: Luiz (voltou para a Holanda quando descobriu-se doente e morreu por lá); Alberto (foi para Juiz de Fora e não sei se já é falecido); Antônio (mudou-se para Belo Horizonte e depois largou a batina e casou-se; dizem ter sido muito infeliz, mas, quando garotinha, era um dos mais alegres e brincalhões); André (mais novo não sei para onde foi); Guilherme (tão alto que parecia entortar-se, branco demais e carregava sua máquina fotográfica para onde ia; foi transferido para o Nordeste, onde adoeceu e voltou para a Holanda e morreu junto à Família, novo ainda); Jerônimo (houve muita fofoca com seu nome, ficou muito entristecido, mudou-se para Niterói; veio a ser meu vizinho de rua, dizem que casou-se, mas nunca o vi acompanhado e morreu de acidente), um doce de pessoa! Aliás, todos eram uns doces! Em suas férias, programadas, indo um de cada vez, traziam da Holanda chocolates e balas deliciosas para nós! Tomavam banho de cachoeira na Fazenda, mas somente meu Pai podia acompanhá-los, pois nós, crianças, não podíamos vê-los de calção. Comiam muito e adoravam a comida da minha Mãe e rezavam sentados, o que nos intrigava, pois Papai fazia-nos levantar em todas as refeições. "Por quê Padre pode e nós não? "pensávamos, mas obedecíamos quietinhos. Depois entendi a expressão: "Comer como um Padre!". 10) Miracema, 03 de maio de 1936! (KK Mello, miracemense, advogado e artistas plástico; Liberdade de Expressão, no. 115, 06/2009): ´´Talvez muitos miracemenses não saibam, que o nosso querido Município foi criado pelo Decreto número 3401, de 7 de novembro de 1935 e que somente após o cumprimento das obrigações e dispositivos legais, foi solenemente instalado em belíssima e concorrida cerimônia no dia 3 de maio de 1936, na sede da nossa Sub-prefeitura tornando-se esta a nossa “Data Magna”, que todos louvamos e comemoramos. Tantos e famosos foram os professores, poetas, jornalistas, escritores e pessoas do povo- homens e mulheres- que lutaram pela emancipação da nossa cidade, com tal fervor e independência, que para lhes reverenciar teríamos que evocar todos os seus nomes. Todavia, como uma eventual omissão de alguns nos levaria a uma imperdoável injustiça, a todos homenageamos na pessoa do único emancipacionista vivo e um dos maiores e mais cultos miracemenses, Senhor Joffre Geraldo Salim, que, não temos a menor dúvida, seria capaz de doar a própria vida, se necessário fosse, em prol da “libertação” da “ÁGUIA CATIVA DE GRILHÕES NOS PULSOS...” É bom lembrar, também, alguns dados importantes da nossa economia, naquela ocasião, que serviram de base e argumento para a conquista da nossa emancipação, pois uma cidade rica e progressista como Miracema, teria que se tornar, certamente, independente. Vejamos. Recursos Naturais: Entre as riquezas do solo miracemense foram constatadas a existência de cascalhos auríferos (comercialmente exploráveis) e água mineral iodetada, esta nos fundos da então Fábrica de Tecidos São Martino. Indústria e Comércio: A nossa cidade já comprovava ser tão progressista que, entre tantas fontes de receita, possuía: 6 oficinas de costura, 5 fábricas de gelo, 5 fábricas de queijo, 5 laticínios, 4 fábricas de aguardente, 10 ferrarias 11 máquinas de beneficiamento de café e 7 de beneficiamento de arroz, 13 moinhos de fubá, 10 oficinas de calçados, além de várias serrarias, selarias, tabacarias, fábrica de móveis, etc. Em função destas riquezas, cremos a circulação monetária já era grande o que atraiu o interesse de três estabelecimentos bancários que se fixaram na cidade: os bancos Comercial e Agrícola Norte Fluminense, Ribeiro Junqueira e um representante do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. 34
  35. 35. Assim, divulgando esses dados tão importantes e ainda desconhecidos por muitos esperamos ter contribuído, uma vez mais, para manter viva parte da história da emancipação da nossa Feliz Cidade. Nota: dados extraídos do livro Miracema, publicado em 1936, pelo Departamento de Estatística e Publicidade do Estado do Rio de Janeiro.´´ 11) Luís Alberto da Mota Alvim (Bebeto) (Blog Moinho de Paz, 24/10/2009): ´´Nas retretas da original Praça Ary Parreiras, eu me escondia dos meus pais dentro das arvoretas que a circundavam. Sofria com as “lacerdinhas” mas me deleitava com a peripécia. Hoje, todo o cenário está de volta (o coreto, os bancos e as futuras novas arvoretas), exceto pela ausência do meu pai (que se foi), pela minha condição física (que também se foi) e pelas “lacerdinhas” (que já não mais existem?). Mas... Nesse intervalo... Transcorria a segunda metade da década de 60. A antiga praça tinha sido transformada. Se concordávamos ou não, não importava – a modernidade encantava! Pela arquitetura à "Niemeyer" e pelas poucas mas encantadoras plantas viçosas, estas mais por sua tenrura do que por sua ternura. Tais que pareciam transportar a jovialidade e o brilho do seu viço aos olhos dos jovens que ali faziam “ponto”. E eu era um deles... Loucura, gente! As cinco palmeiras eram ainda muito pequenas. Existia um “guarda-chuva” de concreto, na altura da casa do Dr. Ururahy. Atrás desse “monumento”, aquelas tais plantas, circundando os parcos e curvos bancos, serviam para algumas incursões desses enamorados. E eu era um deles... Que leve loucura, gente! Quando o espaço era pequeno para os... sei lá, como dizer... amassos?... dividíamos, irmãmente... e, até mesmo, nos acomodávamos nos balaústres da praça para o jardim, ou íamos para este quando não estava totalmente ocupado (bancos, palmeiras ou outros “escurinhos!”). E eu era um deles... Que doce loucura, gente! Ocorreu, porém, certa vez, que venho a “ter” com um dos moradores das imediações. Já idoso e sem outras perspectivas, ele se locupletava em observar de binóculo os incautos amantes. E dizia conhecer quase todos e o que faziam. E eu era um deles... Preocupante loucura, gente! Viro-me para outro lado, mudo o meu tom de voz e lhe pergunto; o senhor me conhece? Ele me perfila e seu cenho me revela a preocupação. (Pensei) Não... não! Eu não vou esperar. Sua fisionomia denotava o que eu não queria ouvir ou saber. Enquanto ele pensava o que ia responder, saí de “fininho”, a lhe dizer:” --Sr. Machado, preciso voltar ao trabalho.” À noite, voltei à praça. Avisei à minha acompanhante que devíamos ter cuidado. Apontei-lhe a casa, dizendo-lhe: “Vês aquela casa sem luzes acesas? Estás a ver aquela janela escura? Ela não parece ter um algodão com algo brilhando no meio? Pois é?! É o “coroa” de cabelos brancos que de binóculo fica a vigiar todos os movimentos de nós... supostos libidinosos.” E eu era um deles... Cativante (ou ardente) loucura, gente! Não deixei de fazer o que fazia. As carícias eram mais fortes que o medo de ser flagrado. Também não mais falei com ele. Por falta de oportunidade. Não por desavença. Assim como não a tenho com outros “olhos” (os paralelepípedos) que a tudo viram. Eu 35
  36. 36. ainda vou “conversar” com eles. Será que eles vão me denunciar – dizer o que já fiz? É claro que não! Eles são de “boa paz”. Mas, infelizmente, os bons morrem primeiro. MORAL: Não vou mais pedir um paralelepípedo; mas deixarei no ar: Miracemenses: provavelmente, vocês terão incontáveis “tachões” no asfalto das suas vidas.´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Não sabemos se em 1896 o Largo da Matriz incluía os sítios da atual Matriz e da Prefeitura. Há controvérsia que possa ter integrado a Praça Dona Ermelinda. Note-se que o trafego público ferroviário chegou a Miracema, em 08/1883 (Vol. II – GVP). 1.2) Lei no. 84, de 16/06/1950: (Vol. – CB) ´´A Câmara Municipal de Miracema decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1º. Fica aprovada a nova nomenclatura dos logradouros públicos, nesta cidade. NOME ATUAL NOME A VIGORAR ...................... ................................ Praça da Matriz Ary Parreiras ...................... ................................... Artigo 2º. Revogam-se as disposições em contrário. Prefeitura Municipal de Miracema, 16 de junho de 1950. Ass. Altivo Mendes Linhares Prefeito Municipal´´ Quando à denominação anterior não nos foi possível apurar. 1.3) Decreto no. 349, de 02/01/1995 (tombamento) (Vol. - CB): Art. 1º.) ´´no. 272 (fachada e varanda lateral)´´. Art. 2º.) ´´Igreja Matriz de Santo Antonio (facha externa, interior, Gruta de Nossa Senhora 36
  37. 37. de Lourdes e Casa Paroquial), Paço Municipal (facha interna e externa, inclusive a escada com corrimão, revestimento do piso – tacos e ladrilhos hidráulicos, guichês da Tesouraria e da Contabilidade´´). ´´Calçamento e árvores (oitis) das ruas: Mal. Floriano,... Praça Ary Parreiras´´. Nota: calçamento e árvores (oitis) destombadas pelo Decreto no. 0.144 de 01/04/2009. 1.4) Lei no. 1121, de 11/05/2006: ´´Dá nome de Largo Dona Magaly, o largo localizado em frente a Igreja Matriz, entre a Praça das Mães e a Igreja de Santo Antônio, nesta cidade.´´ (Vol. VI – DML) 1.5) Decreto no. 031, de 09/05/2007: (Vol. - CB): ´´ Art. 1º. – Fica tombado o imóvel localizado na Praça Ary Parreiras, no. 6, de propriedade de Luis Amorim Proença. Art. 2º. – Ficam preservadas a volumetria construtiva do prédio e sua fachada para a Praça Ary Parreiras, no. 06. 1.6) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: s/no. (escola), no. 06, no. 78, no. 124 e 124 sobrado, no. 171, no. 212, no. 230, no. 272, s/no. (Igreja Matriz), s/no. (Casa Paroquial), bem como o terreno (vazio) de esquina da Praça com a Rua João Pessoa. 2) Emancipação de Miracema: 2.1) Joffre Geraldo Salim (1920) (Vol. III – MMR) (A historia da emancipação de Miracema, Liberdade de Expressão). ´´A memorável campanha denominada Separatista, brotou no ano de 1906, quando um jovem jornalista, com apenas 16 anos de idade, esplendente de idealismo e de acendrado amor ao torrão natal, lançou através de um pequeno jornal que fundou e dirigia, denominado O Grupo, a semente para a liberdade e conseqüente criação do Município de Miracema, na época 2º. Distrito de Santo Antônio de Pádua. O nome desse jovem era o de Melquiades Cardoso, o inesquecível e legendário comandante da nossa gloriosa campanha. O movimento emancipacionista de Miracema, felizmente para nós, nasceu sob bons auspícios e foi caminhando com um notável crescente, arregimentado para as suas hostes as figuras expressivas dos nossos meios políticos, sociais, intelectuais, industriais e comerciais, em suma, o que Miracema tinha de oradores, destacando-se entre os seus pares a figura do nosso poeta maior, Gilberto Barroso de Carvalho autor da famosa e cintilante frase sempre citada em todo o curso da campanha e que até hoje ressoa nos nossos ouvidos como um eterno hino de luta e de incentivo: ´´Miracema, águia cativa que sofre o martírio dos que vivem sentido asas nos ombros e grilhões nos pulsos´´. Após 12 anos do lançamento da campanha para a criação do Município, isto é, em 1918, Miracema experimentou um período de grande desenvolvimento agrícola e de uma intensa atividade comercial e industrial, fazendo carrear para os cofres da sede 37
  38. 38. do município a sua maior e mais considerável contribuição de impostos. Em contrapartida, o governo municipal de Santo Antônio da Pádua, aplicava aqui uma pequeníssima parte dos vultosos recursos arrecadados em Miracema. Esta situação discriminatória e injusta gerou no seio da comunidade miracemense um movimento de descontentamento, fazendo com que a campanha para a criação do tão sonhado município de Miracema se robustecesse cada vez mais. Interpretando os anseios e os sentimentos de Miracema, os grandes líderes José Carlos Moreira, José Giudice e Barroso de Carvalho, face ao que vinha ocorrendo em prejuízo do progresso da terra natal, pleitearam do então presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Raul Moraes da Veiga, a emancipação político-administrativa do 2º. Distrito; pedido que não foi aceito por sua excelência. Com o não atendimento..., os sonhos dos separatistas se intensificaram com mais vigor fazendo recrudescer o movimento da campanha. No ano de 1922, o Deputado Raul do Nascimento (Vol. – MNR), interpretando o sentimento dos seus conterrâneos, apresentou um projeto à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, propondo oficialmente a emancipação do nosso 2º. Distrito. Frustrados nas suas pretensões, os miracemenses resolveram partir para uma arrancada definitiva, organizando um movimento denominado oficialmente de Partido Separatista, sendo a sua primeira reunião realizada na residência do Dr. Américo Homem (Suplemento 5), à Praça D. Ermelinda, no dia 10 de janeiro de 1926, contando com a presença de 159 miracemenses. A primeira reunião do novel partido foi convocada pelo Dr. Américo Homem, Dr. Teófilo Junqueira (Vol. V – DMJR) e Cel. José Carlos Moreira. Presidiu esta reunião o Dr. Teófilo Junqueira e teve como secretário o sempre brilhante jornalista e poeta Barroso de Carvalho. Por aclamação foi eleita a primeira Comissão Executiva da Campanha, composta por 30 membros. No dia 4 de novembro de 1926, na residência do Cel. José Carlos Moreira, a Comissão Diretora da Campanha se reuniu para tratar de vários assuntos de interesse do movimento, quando na oportunidade, foi aprovado por unanimidade o lançamento do insigne chefe político e um dos mais respeitáveis líderes separatistas Cap. Antônio Ventura Coimbra Lopes (Vol. – AVCLR), como candidato ao cargo de prefeito do Município de Santo Antônio de Pádua, às próximas eleições. Para alegria dos miracemenses Ventura Lopes foi eleito para um mandato de três anos. Um dos primeiros atos de Ventura Lopes foi à criação da Subprefeitura de Miracema, nomeando seu primeiro titular, o grande miracemense Virgílio Damasceno (Vol. – VDR), membro de um dos mais tradicionais e pioneiros clãs da terra. Com a criação da subprefeitura a maior parte da renda tributária do distrito de Miracema passou a ser aplicada em inúmeras obras públicas, tais como abertura de estradas, urbanização do distrito e início do calçamento das ruas locais, começando pela artéria principal, a rua Marechal Floriano Peixoto, apelidada na época de Rua Direita. A administração do subprefeito Virgílio Damasceno com o apoio total e supervisão do prefeito Ventura Lopes, foi muito fecunda em realizações e Miracema pode experimentar uma fase de desenvolvimento e progresso notáveis. O presidente do Estado na época foi solicitado por Ventura Lopes reiteradas vezes para criar o Município de Miracema, não o atendendo e ficando insensível às 38
  39. 39. pretensões emancipacionistas. Nas eleições de 1929, o candidato a prefeito indicado e apoiado pelos separatistas foi derrotado, tendo sido eleito um ilustre miracemense, Pedro Bastos, apoiado por uma coligação de partidos cujos membros em sua maioria se opunham à separação de Miracema e que exigiam do nosso prefeito a extinção da subprefeitura de Miracema, tornado sem efeito o ato que a criara na já saudosa administração Ventura Lopes. Com a extinção da subprefeitura, os miracemenses vieram a sofrer um rude golpe e um clima de muito descontentamento se criou em todos os espíritos dos separatistas. Ao invés de terem os seus ânimos arrefecidos, os separatistas prosseguiram na campanha com redobrado estímulo, muita determinação e um vigoroso ardor cívico. Para júbilo dos miracemenses, nesta mesma ocasião foi eleito presidente do Estado o Dr. Manoel de Matos Duarte Silva, grande admirador do povo de Miracema e bom amigo do chefe separatista Ventura Lopes. O Dr. Manoel Duarte, que tinha pleno conhecimento do desenvolvimento e do progresso do distrito de Miracema, sensibilizou-se bastante com os sentimentos emancipacionistas dos miracemenses e passou a olhar com muito interesse e simpatia à causa maior da nossa terra, ordenando que fossem coligidos os documentos exigidos por lei para a criação do novo município. Imediatamente, os membros da Campanha Separatista providenciaram os documentos e os encaminharam ao governador Manuel Duarte para a sua aprovação e conseqüente criação do Município de Miracema, o que não veio a acontecer porque, desastradamente, para os filhos da terra de Barroso de Carvalho, às vésperas da concretização da tão sonhada separação, o Dr. Manuel Duarte foi destituído do poder pela Revolução de 1930. O Dr. Plínio Casado sucedeu ao Dr. Manoel Duarte, indicado que foi pela revolução para interventor federal no Estado do Rio de Janeiro, cujo governo se iniciou no dia 29 de outubro de 1930. Com Plínio Casado no Governo do Estado, o objetivo da Campanha Separatista não logrou êxito mais uma vez, porque sua excelência se mostrou frontalmente contra as pretensões emancipacionistas, a ponto de ameaçar até com prisão os lideres da campanha que tinham ido ao Palácio do Ingá, sede do governo, para tratar do assunto com ele. Com a nova Constituição Federal de 1934, foi extinto o regime de exceção instalado em 1930, e os emancipacionistas de Miracema, em especial, puderam continuar com a campanha separatista com novas forças e redobrada esperança para a concretização do seu desiderato. Em 1933, os antigos elementos do Partido Separatista voltaram a se reunir e formaram nova Comissão Executiva, composta por Antônio Ventura Lopes, Artur Monteiro Ribeiro da Silva (Vol. - CARR), Oscar Barroso Soares, Edgar Moreira (neste Vol. – CJCMR), Armando Monteiro Ribeiro da Silva (Vol. - CARR), Flávio Condé e Antônio Carlos Moreira (Vol. IV – ACMR). No dia 11 de maio de 1933, a Comissão Executiva lançou um boletim intitulado Aos Amigos de Miracema, dando reinício à campanha e apresentando os novos planos de ação. Daquele dia em diante, começou de fato a grande arrancada para a vitória final. O povo foi sacudido por uma grande onda de entusiasmo e de civismo e a chama separatista se reacendeu com vigor, trazendo para a luta homens e mulheres de todas as idades, operários e estudantes que se irmanaram no único e sagrado ideal de tornar Miracema livre e independente. Esta foi indiscutivelmente a grande fase da campanha 39
  40. 40. separatista. O movimento passou a ser assunto permanente e obrigatório em todas as conversas, na imprensa, nas manifestações públicas, com destaque para os monumentais comícios que se realizaram em todos os cantos do distrito, principalmente na tribuna que foi considerada oficial, a sacada da residência do vibrante miracemense de além mar, na terra dos cedros milenares, Mole Líbano, nosso saudoso e inesquecível pai Chicralla Salim (Vol. II – AJCR). Tudo ao som da famosa Banca de Música 15 de Novembro, conduzida magnificamente pelo emérito maestro Políbio Gonçalves, que puxava os desfiles e inoculava no povo mais injeção de vibração e entusiasmo com os seus dobrados eternecedores, mais precisamente com o tradicional hino cívico Miracema Cidade, cuja letra é de autoria do antigo jornalista e professor Firmino de Carvalho e música do sempre lembrado maestro Alberto Peçanha. Os grandes oradores da campanha na fase decisiva, todos muito empolgantes, magníficos e eloqüentes, sem sombra de dúvidas foram: Cônego José Tomaz de Aquino (Suplemento 3), Dirceu Cardoso (Vol. – MCA), José Negle (Vol. - JNA), Bruno de Martino (neste Vol. – JBMP), Amadeu José Rodrigues e as talentosas e brilhantes professoras Carmem Lemos e Julieta Damasceno (Vol. – JDR). Em abril de 1934, a Comissão Executiva do Partido Separatista programou uma convenção a fim de que novas estratégias fossem adotadas para o completo êxito do movimento. Nesse ínterim, os adversários do movimento percebendo que a grande causa dos miracemenses estava para ser vitoriosa, começaram a deflagrar uma ação insidiosa com o intuito único e exclusivo de embargar a marcha que se anunciara consagradora. Falsas notícias de que em Miracema havia se instalado um clima de perturbação da ordem e que o então 2º. Distrito estaria em pé de guerra, alarmaram as autoridades e chegaram até ao então interventor do Estado do Rio de Janeiro, Comandante Ary Parreiras que, por precaução, enviou para cá uma força militar, comanda pelo aspirante Félix da Silva e uma autoridade civil na pessoa do Dr. Getúlio Azeredo, que trazia severas recomendações de evitar todo tipo de subversão da ordem pública. Os bravos e decididos líderes separatistas Melchiades Cardoso, Dirceu Cardoso, José Nelge e Bruno de Martino, que sempre estiveram ativamente na liderança da campanha, para tranqüilizar a população, após a chegada da força militar, fizeram circular na cidade um boletim com os seguintes dizeres: ´´Aos Miracemenses: os abaixo assinados, para fins de garantia da ordem pública, com a grande convenção miracemense de amanhã, declaram-se solenemente responsáveis pelo boletim saído ontem e por todas as ocorrências que por ventara dela resultarem. Ficam assim isentos de responsabilidade os demais signatários do citado Boletim. Miracema, 21 de abril de 1934. Ass.: Melquiades Cardoso, Bruno de Martino, Dirceu Cardoso e José Negle´´ Esse quatro valores da terra miracemense, com a atitude desassombrada que assumiram, granjearam mais simpatia e apreço do povo de Miracema que, carinhosamente, passou a chamá-los os quatro diabos, alcunha inspirada no título de um filme, então em exibição no Cinema XV de Novembro, onde os famosos quatro personagens eram verdadeiros e idolatrados heróis. A campanha continua em marcha e o seu desfecho glorioso está prestes a acontecer. No dia 22 de abril de 1934, sob a presidência do incansável valoroso separatista Antônio Ventura Coimbra Lopes, foi iniciada a grande, derradeira e vitoriosa convenção do Partido Separatista, no salão da Sociedade Musical 15 de Novembro, 40
  41. 41. então sediada na Rua Cel. José Carlos Moreira, a nossa tão simpática Rua das Flores. Estavam presentes à convenção, o comandante da Força Militar, aspirante Félix da Silva e o delegado Dr. Getúlio Azeredo, como observadores do Governo do Estado. A mesa da convenção foi composta por Cícero Bastos, professoras Julieta Damasceno e Carmem Lemos, dignas representantes da mulher miracemense, Dr. José Amadeu Rodrigues, Artur Monteiro Ribeiro da Silva, Cônego Tomaz Aquino Menezes, Edgar Moreira, Bruno de Martino, Melquiades Cardoso, Dirceu Cardoso, Professor Alberto Lontra (Vol. – MPR), Antônio Carlos Moreira e José Negle. Depois de vários e retumbantes discursos, principalmente o proferido pelo Dr. José Amadeu Rodrigues, que a todos os presentes trouxe muita emoção, a reunião foi encerrada num clima de muito entusiasmo, de exaltação cívica e do mais absoluto respeito à ordem e às autoridades enviadas ao Distrito pelo interventor Comandante Ary Parreiras. O Dr. Getúlio Azeredo, contagiado pelo entusiasmo e pelo ardor cívico dos miracemenses, encantou-se com a nossa terra e com a nossa gente, a ponto de se colocar ao lado dos miracemenses para ajudá-los a conquistar a sua emancipação. Na grande convenção do dia 24 de abril de 1934, foi nomeada por aclamação uma comissão de 42 separatistas, destinada a solicitar, em nome do movimento, uma audiência em Palácio com o interventor Almirante Ary Parreiras, com o propósito exclusivo de entender-se com sua Excelência a respeito das pretensões emancipacionistas do 2º. Distrito do Município de Santo Antônio da Pádua. No dia 6 de maio de 1934, ainda sob a liderança do Capitão Antônio Ventura Coimbra Lopes, a comissão seguiu para a capital do Estado, a fim de representar ao Comandante Ary Parreiras as justas e insopitáveis reivindicações dos miracemenses, tendo sido recebida no dia 8 de maio de 1934. O Comandante Ary Parreiras, respondendo aos 42 miracemenses presentes, disse que embora contrário à criação de novas unidades administrativas no Estado, confessava- se vencido com relação ao caso de Miracema, prometendo breve a emancipação político administrativa do antigo Santo Antônio dos Brotos, após a consulta de um plebiscito e da aprovação pelo Conselho Consultivo do Estado. De volta a Miracema, a comissão foi recebida festivamente e o cônego Tomas de Aquino recebeu uma consagradora manifestação de apreço e gratidão de toda a população separatista pelo seu monumental discurso proferido no Palácio do Ingá, sustentando com incomum brilhantismo as fortes razões da necessidade da emancipação da nossa Miracema. O plebiscito foi realizado em Miracema no dia 13 de julho de 1935, nos dias 14 de julho em Paraíso do Tobias e em 15 de julho em Campelo. Paraíso do Tobias e Campelo eram as localidades que formavam o 2º. Distrito do Município de Santo Antônio de Pádua, que tinha por sede Miracema. Com o resultado favorável do plebiscito e reunidos os demais documentos exigidos por lei, foi formada uma comissão composta por Ventura Lopes, Melquiades Cardoso, Dr. Otávio Tostes, Professor Alberto Lontra, Waldemar Torres (Vol. V – WCTR) e José Negle, para fazer entrega ao Comandante Ary Parreiras de todo o dossiê contendo as exigências que se faziam necessárias para a criação do novo município. Cumprindo firmemente a promessa que fizera aos miracemenses, o comandante Ary Parreiras, através do Decreto No. 3.401, de 7 de novembro de 1935, cria o município de Miracema, que passou a ter três distritos, Miracema como sede e 1º. Distrito, Paraíso do Tobias como 2º. Distrito e Venda das Flores como 3º. Distrito. Em março de 1936, o governador de Estado, Almirante Protógenes Guimarães, 41

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