Relatório de Estágio de Verão 2016
por
Francisca Costa do Amaral Osório de Queiroz
ANÁLISE ECONÓMICA E FINANCEIRA
INDÚSTRI...
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Capítulo I: Introdução...................
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Índice de Gráficos
Gráfico 1 – Evolução da fa...
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Atualmente, a indústr...
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Capítulo II: Análise Económica
Esta capítulo...
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Produtividade
A produtividade da indústria d...
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GRÁFICO 6 – EVOLUÇÃO DO VALOR ACRESCENTADO B...
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GRÁFICO 7 – PRODUTIVIDADE DA EMPRESA DESDE 2...
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GRÁFICO 9 – EVOLUÇÃO DOS CUSTOS TOTAIS ENTRE...
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Esta análise consiste em agregar vários indi...
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O Tempo Médio de Recebimento (TMR) foi cresc...
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A análise f...
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Nesta abordagem...
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A Tesouraria Líquida, quando comparada com o...
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GRÁFICO 21 – FUNDO DE MANEIO, NECESSIDADES D...
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Por um lado, quanto mais elevado for este rá...
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Verificou-se uma grande instabilidade do Cas...
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Capítulo IV: Análise do Risco
A análise de r...
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GRÁFICO 25 – EVOLUÇÃO DO GRAU DE ALAVANCAGEM...
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No que respeita à Margem de Segurança da emp...
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A Catalá apresentou um risco financeiro decr...
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Capítulo V: Perspetivas para o futuro
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Pontos Fracos
 Fraco investimento em promoç...
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Capítulo V: Conclusão
Em Portugal, a crise e...
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Anexos
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  1. 1. Relatório de Estágio de Verão 2016 por Francisca Costa do Amaral Osório de Queiroz ANÁLISE ECONÓMICA E FINANCEIRA INDÚSTRIA DE CALÇADO CATALÁ, S.A. 2010 | 2015
  2. 2. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 2 Índice Capítulo I: Introdução............................................................................................................................................6 Principais Indicadores...........................................................................................................................................7 Capítulo II: Apresentação da empresa..................................................................................................................8 Evolução Histórica ................................................................................................................................................8 Estrutura Organizacional ......................................................................................................................................9 Faturação............................................................................................................................................................10 Subcontratação (outsourcing).............................................................................................................................11 Análise à Concorrência.......................................................................................................................................13 Mercado alvo ......................................................................................................................................................14 Capítulo II: Análise Económica ...........................................................................................................................16 Evolução dos proveitos.......................................................................................................................................16 Produtividade.....................................................................................................................................................17 Evolução dos custos...........................................................................................................................................19 Rentabilidade......................................................................................................................................................21 Atividade.............................................................................................................................................................24 Capítulo III: Análise Financeira ...........................................................................................................................26 Abordagem Tradicional.......................................................................................................................................26 a) Fundo de Maneio .......................................................................................................................................26 b) Liquidez......................................................................................................................................................27 c) Comparação com o setor da indústria do calçado em Portugal.................................................................29 Abordagem Funcional.........................................................................................................................................29 a) Fundo de Maneio funcional........................................................................................................................30 b) Necessidade de Fundo de Maneio.............................................................................................................30 c) Tesouraria Líquida .....................................................................................................................................31 d) Comparação com o setor da indústria do calçado em Portugal.................................................................32 Equilíbrio financeiro a médio/longo prazo e estrutura de capital.........................................................................33 a) Autonomia Financeira e Solvabilidade.......................................................................................................33 Cash-Flows.........................................................................................................................................................35 Capítulo IV: Análise do Risco .............................................................................................................................37 Risco Operacional ..............................................................................................................................................37 Risco Financeiro.................................................................................................................................................39 Risco Global .......................................................................................................................................................40 Capítulo V: Perspetivas para o futuro .................................................................................................................41 Análise SWOT ....................................................................................................................................................41 Capítulo V: Conclusão ........................................................................................................................................43 Anexos................................................................................................................................................................44 BALANÇO DA INDÚSTRIA DE CALÇADO CATALÁ, S.A..................................................................................44 DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DA INDÚSTRIA DE CALÇADO CATALÁ, S......................................45
  3. 3. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 3 Índice de Gráficos Gráfico 1 – Evolução da faturação entre 2010 e 2015........................................................................................10 Gráfico 2 – Distribuição da faturação consoante os mercados geográficos. ......................................................10 Gráfico 3 – Quantidade de pares faturados ao longo dos meses desde 2011 a 2015. ......................................11 Gráfico 4 – Evolução da quantidade de pares faturados produzidos na Catalá e em empresas subcontratadas. ............................................................................................................................................................................12 Gráfico 5 – Evolução dos proveitos entre 2010 e 2015. .....................................................................................17 Gráfico 6 – Evolução do valor acrescentado Bruto e do Excedente Bruto de Exploração..................................18 Gráfico 7 – Produtividade da empresa desde 2011 a 2015 (Nº de pares faturados/nº de colaboradores). ........19 Gráfico 8 – Produtividade da empresa desde 2011 a 2015 (Faturação/nº de colaboradores)............................19 Gráfico 9 – Evolução dos custos totais entre 2010 e 2015.................................................................................20 Gráfico 10 – Evolução do Resultado Operacional, Resultado Antes de Impostos e Resultado Líquido.............21 Gráfico 11 – Evolução dos indicadores de Rendibilidade desde 2010 a 2015. ..................................................22 Gráfico 12 – Evolução da Área Operacional da empresa entre 2010 e 2015.....................................................23 Gráfico 13 – Evolução da área financeira da empresa entre 2010 e 2015. ........................................................24 Gráfico 14 – Evolução da Rentabilidade do Capital Próprio desde 2010 a 2015................................................24 Gráfico 15 – Tempos médios de recebimento e pagamento ao longo dos anos. ...............................................25 Gráfico 16 – Evolução do fundo de maneio ao longo dos anos..........................................................................27 Gráfico 17 – Evolução dos rácios de liquidez desde 2010 a 2015......................................................................28 Gráfico 18 – Comparação da Liquidez geral e reduzida da empresa com o setor do calçado desde 2010 a 2013. ............................................................................................................................................................................29 Gráfico 19 – Evolução do fundo de maneio funcional desde 2010 a 2015. ........................................................30 Gráfico 20 – Evolução das Necessidades de fundo de maneio desde 2010 a 2015. .........................................31 Gráfico 21 – Fundo de Maneio, Necessidades de Fundo de Maneio e Tesouraria Líquida do setor do calçado em Portugal desde 2010 a 2013...............................................................................................................................33 Gráfico 22 – Fundo de Maneio, Necessidades de Fundo de Maneio e Tesouraria Líquida da empresa desde 2010 a 2015.................................................................................................................................................................33 Gráfico 23 – Evolução da Autonomia Financeira da empresa desde 2010 a 2015. ...........................................34 Gráfico 24 – Evolução do rácio de Solvabilidade desde 2010 a 2015. ...............................................................35 Gráfico 25 – Evolução do Grau de Alavancagem operacional desde 2010 a 2015. ...........................................38 Gráfico 26 – Evolução do Ponto Crítico das vendas desde 2010 e 2015. ..........................................................39 Gráfico 27 – Evolução do Grau de Alavancagem Financeiro desde 2010 a 2015..............................................40
  4. 4. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 4 Índice de Tabelas Tabela 1 – Número de colaboradores por setor da empresa em 2015.................................................................9 Tabela 2 – Faturação da empresa por mercados geográfico desde 2010 a 2015..............................................10 Tabela 3 – Quantidade de pares faturados por mês desde 2011 a 2015. ..........................................................11 Tabela 4 – Quantidade de pares faturados produzidos em empresas subcontratadas desde 2011 a 2015. .....12 Tabela 5 – Cálculo dos proveitos da empresa desde 2010 a 2015. ...................................................................16 Tabela 6 – Cálculo do Valor Acrescentado Bruto (VAB) e do Excedente Bruto de Exploração (EBE). ..............17 Tabela 7 – Variações percentuais ao longo dos anos do VAB e do EBE. ..........................................................18 Tabela 8 – Produtividade da empresa desde 2011 a 2015.................................................................................18 Tabela 9 – Cálculo dos custos desde 2010 a 2015. ...........................................................................................19 Tabela 10 – Cálculo dos Custos Operacionais desde 2010 a 2015. ..................................................................20 Tabela 11 – Variações nos Custos Financeiros da empresa..............................................................................20 Tabela 12 – Indicadores de Rentabilidade desde 2010 a 2015. .........................................................................21 Tabela 13 – Análise Dupont desenvolvida desde 2010 a 2015. .........................................................................22 Tabela 14 – Fundo de Maneio da empresa desde 2010 a 2015.........................................................................27 Tabela 15 – Liquidez geral, reduzida e imediata entre 2010 e 2015. .................................................................28 Tabela 16 – Comparação da Liquidez geral e reduzida da empresa com o setor do calçado desde 2010 a 2013. ............................................................................................................................................................................29 Tabela 17 – Cálculo do Fundo de maneio Funcional desde 2010 a 2015. .........................................................30 Tabela 18 – Cálculo das Necessidades de Fundo de maneio Funcional desde 2010 a 2015............................31 Tabela 19 – Cálculo da Tesouraria Líquida desde 2010 e 2015.........................................................................31 Tabela 20 – Fundo de Maneio, Necessidades de Fundo de Maneio e Tesouraria líquida da indústria do calçado em Portugal desde 2010 a 2013.........................................................................................................................32 Tabela 21 – Cálculo da Autonomia Financeira da empresa entre 2010 e 2015. ................................................34 Tabela 22 – Cálculo do rácio de solvabilidade da empresa desde 2010 a 2015. ...............................................35 Tabela 23 – Cálculo do Cash-Flow de exploração desde 2010 a 2015..............................................................35 Tabela 24 – Cálculo do Cash-Flow Global desde 2010 a 2015. .........................................................................36 Tabela 25 – Cálculo do Cash-flow Bruto desde 2010 a 2015.............................................................................36 Tabela 26 – Cálculo do Grau de Alavancagem Operacional desde 2010 a 2015...............................................37 Tabela 27 – Cálculo do Ponto Crítico das vendas em valor desde 2010 a 2015................................................38 Tabela 28 – Cálculo da Margem de Segurança desde 2010 a 2015. .................................................................39 Tabela 29 – Cálculo do Grau de Alavancagem Financeiro desde 2010 a 2015. ................................................39
  5. 5. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 5 Tabela 30 – Cálculo do Grau de Alavancagem Financeiro desde 2010 a 2015. ................................................40
  6. 6. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 6 Capítulo I: Introdução O presente relatório tem como principal objetivo descrever e analisar, em termos económico e financeiro, parte das atividades desenvolvidas na Indústria de Calçado Catalá, S.A. durante os últimos seis anos, isto é, de 2010 a 2015, assim como fazer uma comparação com as empresas de média dimensão do setor da indústria do calçado em Portugal recorrendo aos dados disponibilizados pelo Banco de Portugal. Para além deste primeiro capítulo de natureza introdutória, o relatório está divido em quatro capítulos adicionais. No segundo capítulo é efetuada uma caracterização resumida da empresa, abordando aspetos como a sua história, missão e visão, estrutura organizacional, subcontratação, mercado alvo e concorrência. De seguida, nos terceiro, quarto e quinto capítulos, é feita uma análise económica, análise financeira e uma análise de risco à Indústria de Calçado Catalá, recorrendo aos respetivos indicadores e rácios mais indicados para o estudo. No quinto capítulo são expostas perspetivas para o futuro e elabora-se uma análise SWOT da empresa. Por último, conclui-se o relatório com uma reflexão sobre os resultados apreendidos e perspetivas para o futuro.
  7. 7. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 7 PRINCIPAIS INDICADORES VOLUME DE VENDAS 0 5 000 000 10 000 000 15 000 000 20 000 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 0 100 000 200 000 300 000 400 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 EBITDA RECORRENTE 0 200 000 400 000 600 000 800 000 1 000 000 1 200 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 FUNDO DE MANEIO 0 50 000 100 000 150 000 200 000 250 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 RESULTADO LÍQUIDO 0% 20% 40% 60% 80% 100% 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Mercado Nacional Mercado Internacional VOLUME DE VENDAS POR MERCADO 0 100 000 200 000 300 000 400 000 500 000 600 000 700 000 800 000 2015 2014 2013 2012 2011 QUANTIDADE PARES FATURADOS
  8. 8. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 8 Capítulo II: Apresentação da empresa Evolução Histórica Indústria de Calçado Catalá, S.A. é uma empresa de média dimensão situada no distrito de Aveiro, na cidade de Oliveira de Azeméis, fundada a 23 de junho de 1987 que, atualmente, desenvolve e produz calçado para senhora de alta qualidade, conforto e a preços de mercado competitivos. A empresa é responsável pelo posto de trabalho de mais de cento e oitenta funcionários, diretos e indiretos, distribuídos pelos departamentos de Gestão, Desenvolvimento e Produção. No final dos anos 80, caracterizava-se por ser uma fábrica com poucos operários e a trabalhar num espaço bastante reduzido “com menos de 100 metros quadrados”. Tinha apenas quatro comerciais e cada um focava- se numa região do país onde vendiam diretamente para as lojas. No historial da empresa são de destacar duas datas importantes, 1993 e 2005. Circunstâncias negativas ocorridas nestes anos, originaram contrariamente ao esperado, um crescimento e desenvolvimento exponencial da empresa. Nos últimos anos, tem vindo a apostar na sua internacionalização, nomeadamente no mercado europeu, em países como Inglaterra, Espanha, França, Holanda e Alemanha. Atualmente, apenas 3% da sua produção está focalizada ao mercado nacional. FIGURA 1 – ACONTECIMENTOS MARCANTES NA HISTÓRIA DA EMPRESA. Fundação da empresa em Oliveira de Azeméis. Aquisição de fábrica de calçado, em processo de insolvência, em Castelo de Paiva. 20051993 20101987 Falência dos 3 principais clientes e registo de uma dívida correspondente a 70% da faturação. Multa de 600.000 euros.
  9. 9. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 9 Estrutura Organizacional Estrutura organizacional é o sistema formal de tarefas e relacionamentos de autoridade que controla como as pessoas coordenam suas ações e usam os recursos para atingir os objetivos organizacionais; controla também a coordenação e as formas de motivação. Para qualquer organização, uma estrutura apropriada é aquela que facilita respostas eficazes aos problemas de coordenação e motivação, evolui à medida que a organização cresce e se diferencia e pode ser gerenciada e modificada através do processo de desenho organizacional. DIRETOR GERAL Carlos Queiroz COMERCIAL DIRETOR Carlos Queiroz GESTOR DE COMPRAS Filipe Queiroz CONTROLLER Paula Silva PRODUÇÃO DIRETOR Miguel Queiroz CONTROLLER Jorge Pereira DESENVOLVIMENTO CONTROLLER António Calheiros MODELAÇÃO Rui Xará DESIGN Mário Azevedo ADMINISTRATIVO DIRETOR João Queiroz ASSISTENTE Arsénia Andrade ASSISTENTE Regina Pinho FIGURA 2 – ORGANOGRAMA DA EMPRESA. Departamento Função Nº Colaboradores Diretor 1 Assistente 2 TOTAL 3 Diretor 1 Controller 1 Auxiliar de Montagem 10 Corte 8 Costura 41 Montagem 8 Acabamento 12 Armazém/Limpeza/Manutenção 5 TOTAL 86 Controller 1 Modelador/Design 2 Corte/Costura 3 Montagem 1 TOTAL 7 Diretor 1 Gestor de compras 1 Controller 1 TOTAL 3 Comercial Desenvolvimento Produção Administrativo TABELA 1 – NÚMERO DE COLABORADORES POR SETOR DA EMPRESA EM 2015.
  10. 10. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 10 Faturação A faturação da Indústria de Calçado Catalá, S.A. evoluiu positivamente de 2010 a 2012, na ordem dos 37,1%, atingindo o seu pico máximo no ano de 2012. Porém, entre 2012 e 2015 verificou-se uma quebra exponencial nas vendas e serviços prestados de 89,3% (gráfico 1). É possível constatar que ao longo dos anos em análise a empresa tem apostado mais na exportação para mercados europeus sendo que, em média, 97% da sua faturação diz respeito aos mercados comunitários e extra-comunitários. Apenas 3% da sua faturação está focalizada no mercado interno. Como referido anteriormente, a empresa tem vindo a focar-se no mercado europeu, em países como Inglaterra, Espanha, França, Holanda e Alemanha. GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO DA FATURAÇÃO CONSOANTE OS MERCADOS GEOGRÁFICOS. Faturação Mercado Interno Mercado Comunitário Mercado Extra-comunitário 0,00 5 000 000,00 10 000 000,00 15 000 000,00 20 000 000,00 2015 2014 2013 2012 2011 2010 GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA FATURAÇÃO ENTRE 2010 E 2015. Mercados geográficos 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas e serviços prestados 9 077 532,41 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Mercado Interno 552 844,66 225 639,53 178 658,04 264 271,91 257 386,06 480 635,52 % Mercado Interno 6,09% 2,25% 1,52% 1,54% 2,08% 4,45% Mercado Comunitário 8 475 255,85 9 603 509,01 11 569 559,08 16 721 380,53 11 982 113,68 10 110 171,51 Mercado Extra-comunitário 49 431,90 182 027,00 41 096,30 171 851,09 82 466,95 218 637,30 % Mercado Comunitário & Extra-Comunitário 93,91% 97,75% 98,48% 98,33% 97,41% 95,55% TABELA 2 – FATURAÇÃO DA EMPRESA POR MERCADOS GEOGRÁFICO DESDE 2010 A 2015.
  11. 11. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 11 No que respeita à quantidade de pares faturados, 2015 foi o ano com piores resultados durante os meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Agosto. Contudo, no conjunto de todos os meses, 2014 foi o ano com um número menor de pares faturados (406.084) pela Indústria de Calçado Catalá, S.A. Regra geral, a empresa um número maior de pares faturados durante os meses de Maio, Junho e Julho e um número inferior durante os meses de Fevereiro, Março e Abril, como é possível constatar no seguinte gráfico (gráfico 3). GRÁFICO 3 – QUANTIDADE DE PARES FATURADOS AO LONGO DOS MESES DESDE 2011 A 2015. Subcontratação (outsourcing) A Catalá recorre frequentemente a empresas subcontratadas para fazer face às suas encomendas. Normalmente, quando se trata de um número reduzido de pares encomendados, a empresa opta por entregar a sua encomenda a outras empresas especialistas na produção de calçado com uma dimensão mais reduzida para que assim possa aumentar a sua produtividade e afetar os seus recursos para encomendas mais avultadas. Contudo, estas parcerias estratégicas, para além de apresentarem alguns aspetos positivos para a empresa também apresentam aspetos negativos. 0 20 000 40 000 60 000 80 000 100 000 120 000 140 000 160 000 2011 2012 2013 2014 2015 JANEIRO FEVER. MARÇO ABRIL MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMB. OUTUB. NOVEMB. DEZEMB. TOTAL 2011 27 665 45 791 43 527 16 523 86 058 74 610 56 671 59 096 44 478 38 561 87 233 56 379 636 592 2012 28 342 21 971 32 561 30 151 120 548 82 587 139 637 70 243 67 287 66 361 63 783 35 741 759 212 2013 22 681 29 388 24 534 3 857 53 074 32 732 107 291 44 291 54 485 52 373 42 449 38 025 505 180 2014 38 259 17 066 5 417 1 795 54 792 23 364 62 083 55 812 44 699 54 107 26 435 22 255 406 084 2015 14 726 16 274 2 909 22 429 23 631 68 970 57 238 32 401 50 041 58 089 27 674 55 626 430 008 TABELA 3 – QUANTIDADE DE PARES FATURADOS POR MÊS DESDE 2011 A 2015.
  12. 12. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 12 Nos últimos três anos (2013, 2014, e 2015) a quantidade de pares produzidos em regime de subcontrato tem vindo a diminuir (de 67% para 63%) embora pouco significativamente. O ano com maior quantidade de pares produzidos em empresa subcontratadas foi 2012, em que apenas 21% das suas encomendas foram produzidas na Catalá (gráfico 4). GRÁFICO 4 – EVOLUÇÃO DA QUANTIDADE DE PARES FATURADOS PRODUZIDOS NA CATALÁ E EM EMPRESAS SUBCONTRATADAS. 0 100 000 200 000 300 000 400 000 500 000 600 000 700 000 2015 2014 2013 2012 2011 Catalá Subcontrato Vantagens  Reduzir custos, em média 10%;  Aumentar a produtividade, em média 15%;  Maior liberdade dos recursos disponíveis (humanos, técnicos e financeiros);  Aceleração dos processos organizativos;  Maior afetação dos recursos e melhor eficiência. Desvantagens  Perda de controlo na execução de tarefas e confidencialidade;  Conflitos de interesses com a empresa subcontratada;  Menor dedicação dos colaboradores e desmotivação  Perda de flexibilidade no local de trabalho. JANEIRO FEVER. MARÇO ABRIL MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMB. OUTUB. NOVEMB. DEZEMB. TOTAL % Pares Catalá 10 329 18 089 2 711 35 985 18 959 9 140 8 192 9 230 8 359 14 578 8 110 143 682 23% Subcontrato 17 336 27 702 40 816 16 523 50 073 55 651 47 531 50 904 35 248 30 202 72 655 48 269 492 910 77% Catalá 11 920 6 077 3 000 56 500 29 910 10 970 9 230 8 359 14 578 8 110 158 654 21% Subcontrato 16 422 15 894 29 561 30 151 64 048 82 587 109 727 59 273 35 248 30 202 72 655 48 269 594 037 79% Catalá 10 278 9 283 5 661 510 16 652 8 655 43 273 13 222 17 554 16 074 11 427 14 483 167 072 33% Subcontrato 12 403 20 105 18 873 3 347 36 422 24 077 64 018 31 069 36 931 36 299 31 022 23 542 338 108 67% Catalá 10 916 11 330 1 671 99 17 761 8 664 28 832 18 819 17 318 16 668 8 654 7 261 147 993 36% Subcontrato 27 343 5 736 3 656 1 696 37 031 14 700 33 251 36 993 27 381 37 439 17 781 14 994 258 001 64% Catalá 7 562 10 140 1 078 11 055 14 896 17 453 29 482 6 765 17 168 15 810 8 317 17 066 156 792 37% Subcontrato 7 164 6 104 1 835 11 350 8 735 44 541 26 041 25 636 32 662 42 279 17 957 38 024 262 328 63% 20112012201320142015 TABELA 4 – QUANTIDADE DE PARES FATURADOS PRODUZIDOS EM EMPRESAS SUBCONTRATADAS DESDE 2011 A 2015.
  13. 13. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 13 Análise à Concorrência Atualmente, a indústria de calçado em Portugal emprega quase 38 mil pessoas e a sua produção anual ultrapassa os 75 milhões de pares. Estes valores correspondem, respetivamente, a crescimentos de 18% e 21% nos últimos quatro anos. Esta trajetória é reflexo da mudança de estratégia assente numa orientação para o mercado suportada por apostas na moda e design. Em Portugal existe um total de 2294 empresas no setor empresarial primário da indústria do calçado. Só em Aveiro, distrito onde a Catalá se situa, existem 642 empresas que correspondem a cerca de 38,5% do total, com uma faturação de 627.026.058 euros Porém, o Porto é o distrito com o maior número de empresas, no total 709, apresentado, atualmente, um volume de vendas de 1.081.969.732 euros. A produção de calçado distribui-se maioritariamente por dois polos na zona norte do país centrados nos concelhos de Felgueiras e Guimarães, por um lado, e Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, por outro. Estes cinco concelhos representam mais de três quartos do emprego setorial. Na zona sul, na zona da Benedita, encontra-se outro polo, de menor expressão. A dimensão média das empresas portuguesas de calçado é de 26 trabalhadores, acima da média da indústria de calçado na União Europeia. As dez empresas com melhor desempenho no ano de 2013 em Portugal encontram-se na figura seguinte. Nome Concelho Volume de Negócios Nº de empregados 1º | Gabor Portugal – Indústria de Calçado, Lda. Barcelos 91.249.355 1333 2º | ECCO'LET – Fábrica de sapatos, Lda. Santa Maria da Feira 41.976.693 816 3º | Fortunato O. Frederico & CA, Lda. Guimarães 33.965.468 344 4º | Aco – Fábrica de Calçado, S.A. Vila Nova de Famalicão 33.490.008 381 5º | Jefar – Indústria de Calçado, S.A. Felgueiras 26.253.497 327 6º | Ara Shoes Portuguesa – Fábrica de Calçado, Sociedade Unipessoal, Lda. Vila Nova de Gaia 26.061.249 310 7º | Claudifel – Indústria de Calçado, Lda. Felgueiras 22.368.935 211 8º | Mephisto Portuguesa – Fábrica de Calçado, Lda. Viana do Castelo 22.349.199 424 9º | Carité – Calçados, Lda. Felgueiras 21.547.172 147 10º | PCF – Produção de Calçado de Felgueiras, Lda. Felgueiras 20.535.735 371
  14. 14. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 14 A indústria de calçado exporta 98% da sua produção, a um preço médio de 24 euros por par, o segundo mais elevado do mundo. Nos últimos cinco anos, as exportações cresceram mais de 40%, atingindo o máximo histórico de 1 846 milhões de euros, em 2014. Assim, todas as empresas devem estar atentas à sua concorrência, e a Catalá não é exceção. Sabe-se que a indústria do calçado é um setor em que o nível de concorrência se tem vindo a intensificar, concorrência esta justificada pela crescente crise em Portugal, em que cada vez mais o preço é a variável mais importante ao nível das transações. Deste modo, a empresa deve ter em atenção a análise técnica dos trabalhos realizados pela concorrência e comparação dos preços praticados no mercado. Estes aspetos podem ser a razão para a Catalá ganhar ou perder algumas das propostas e clientes. A nível internacional, o maior exportador de calçado continua a ser a Itália, que representa um quarto das exportações continentais, apesar de ter vindo a perder peso nos últimos anos. Países como a Alemanha, Bélgica, Holanda e França assumem também quotas bastante relevantes. As exportações dos membros da União Europeia destinam-se quase exclusivamente à própria Europa, com apenas 10% da quantidade total exportada a ter como destino outros continentes. Os principais importadores são a França, a Alemanha, o Reino Unido e a Itália, por esta ordem, cada um com uma quota entre 10% e 20%. Mercado alvo Como referido anteriormente, nos últimos anos, a empresa em estudo tem vindo a apostar na sua presença no mercado externo tal como muitas outras empresas nacionais. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, as exportações de calçado produzido em Portugal aumentaram desde 2009 mais de 50%. Neste momento, 152 países comercializam calçado português. O continente europeu absorve a grande maioria das exportações portuguesas de calçado, cerca de 91%. No entanto, a indústria tem também conseguido crescer significativamente para mercados menos tradicionais, como a Rússia (281%), Estados Unidos (400%) ou o Canadá (286%). Contudo, no último ano verificou-se uma queda ligeira de 3,6% no principal mercado para exportação do calçado, França. FIGURA 3 – EMPRESAS DO SETOR DO CALÇADO EM PORTUGAL COM MELHOR DESEMPENHO.
  15. 15. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 15 As exportações para a Alemanha têm aumentado progressivamente, tendo reforçado a segunda posição que, entre 2010 e 2012. O último ano fica também marcado pelo forte crescimento das exportações para o mercado holandês, superior a 10%, que permitiram a este país ultrapassar a Espanha e assumir-se como o terceiro principal cliente do calçado português. É de assinalar, ainda, a tendência de estabilização das exportações para o Reino Unido, um país que já chegou a ser o principal mercado do calçado português. No caso da Catalá, apenas 3% da sua produção está focalizada no mercado nacional. Assim, o seu objetivo continua a ser alargar ainda mais os seus mercados, nomeadamente para fora da Europa, em países com a Rússia, Estados Unidos e Canadá. FIGURA 4 – CINCO PRINCIPAIS MERCADOS DAS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS DE CALÇADO EM QUANTIDADE DESDE 2004- 2014 (FONTE: APICCAPS).
  16. 16. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 16 Capítulo II: Análise Económica Esta capítulo tem como principal objetivo uma análise detalhada da evolução dos indicadores económicos da Indústria de Calçado Catalá, S.A. ao longo dos últimos seis anos, ou seja, de 2010 a 2015. Neste contexto, realizou-se diferentes análises com recursos aos respetivos rácios. A análise económica tem por objetivo analisar a capacidade da empresa para gerar resultados e remunerar os capitais, sendo assim, está associada ao estudo das relações que permitem à empresa obter proveitos e incorrer em custos. A análise económica compreende assim, quatro grandes áreas: a evolução dos proveitos e a evolução dos custos, rendibilidade, indicadores de funcionamento e produtividade. Evolução dos proveitos Analisando o quadro precedente verifica-se que os proveitos são constituídos pelos Proveitos Operacionais, Financeiros e Extraordinários. Em média, ao longo dos anos em análise, os proveitos são maioritariamente operacionais e representam 98,9% do total, o que indica a concentração da atividade da empresa no seu negócio principal. As vendas conjuntamente com a prestação de serviços, demonstram a existência de uma variação positiva entre 2010 e 2012 de 37,1% e uma variação negativa nos seguintes anos na ordem dos 47,1%. Pode-se afirmar que o ano de 2012 registou valores excecionalmente elevados, fruto das oportunidades aproveitadas pela empresa e a capacidade de resposta que conseguiu adaptar. Nos anos seguintes, houve uma diminuição do volume de negócios sendo que o total de proveitos também teve uma evolução negativa entre 2012 e 2015 (gráfico 5). Proveitos 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas e serviços prestados 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Variação da Produção 54 027,30 -52 819,88 36 415,00 73 087,70 -94 328,68 72 653,68 Proveitos Suplementares 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Subsídios à Exploração 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outros Proveitos Operacionais 77 391,49 95 361,42 160007,06 182480,25 134090,01 143226,74 Proveitos Financeiros 18,93 551,88 2125,45 2823,08 208,78 0,00 Proveitos Extraordinários 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 TOTAL 9 217 473,26 10 054 268,96 11 987 860,93 17 438 661,78 12 425 609,16 11 025 324,75 TABELA 5 – CÁLCULO DOS PROVEITOS DA EMPRESA DESDE 2010 A 2015.
  17. 17. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 17 Produtividade A produtividade da indústria de calçado tem-se mantido relativamente estável, ao longo da última década, com uma produção da ordem dos 2000 pares por trabalhador. No entanto, o valor bruto de produção por trabalhador tem crescido significativamente, atingindo cerca de 50 mil euros, 44% acima do valor registado em 2005, fruto da estratégia de valorização do produto e de reconfiguração do modelo de negócio. Para estudar a produtividade da Catalá utilizou o Valor Acrescentado Bruto, Excedente Bruto de Exploração e o Valor Acrescentado Bruto por trabalhador. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) é obtido a partir de dados da demonstração de resultados e pode ser calculado através da ótica da produção ou da ótica da distribuição. Segundo a ótica da produção, exprime a riqueza criada pela empresa ao longo de um período através da sua atividade produtiva. Por outro lado, de acordo com a ótica da distribuição coloca-se em evidência a distribuição da riqueza pelos diferentes grupos que participaram direta ou indiretamente na atividade produtiva. Neste caso, calculou-se o Valor Acrescentado Bruto de acordo com ótica da produção e verificou-se uma evolução sensivelmente constante durante 2012 a 2014 e um aumento significativo no ano de 2015 de 75%. Por sua vez, o Excedente Bruto de Exploração corresponde à diferença entre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e os custos com pessoal. Verificou-se um comportamento semelhante ao Valor Acrescentado Bruto, sendo que em 2015 houve um crescimento de 94%, como é possível verificar no gráfico seguinte (gráfico 6). Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas e serviços prestados 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Variação da Produção 54 027,30 -52 819,88 36 415,00 73 087,70 -94 328,68 72 653,68 Proveitos Suplementares 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Subsídios à Exploração 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outros Proveitos Operacionais 77 391,49 95 361,42 160007,06 182480,25 134090,01 143226,74 Proveitos Financeiros 18,93 551,88 2125,45 2823,08 208,78 0,00 Proveitos Extraordinários 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Produção 9 140 062,84 10 063 995,42 11 825 728,42 17 253 358,45 12 291 310,37 10 882 098,01 VAB 5 627 382,87 1 546 031,56 1 432 988,26 1 535 554,83 1 329 412,31 1 352 523,44 EBE 4 249 062,43 309 845,26 242 375,91 329 277,42 253 452,90 378 523,17 TABELA 6 – CÁLCULO DO VALOR ACRESCENTADO BRUTO (VAB) E DO EXCEDENTE BRUTO DE EXPLORAÇÃO (EBE). 0 5 000 000 10 000 000 15 000 000 20 000 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 GRÁFICO 5 – EVOLUÇÃO DOS PROVEITOS ENTRE 2010 E 2015.
  18. 18. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 18 GRÁFICO 6 – EVOLUÇÃO DO VALOR ACRESCENTADO BRUTO E DO EXCEDENTE BRUTO DE EXPLORAÇÃO. As variações percentuais de 2014-2015 observadas para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e para o Excedente Bruto Exploração (EBE) são consequência da evolução ao nível da produção e dos ganhos de eficiência que se fizeram sentir ao nível dos custos. Quanto ao Excedente Bruto de Exploração, é ainda de referir que o peso dos custos com o pessoal tem aumentado ligeiramente, com a exceção de 2013. Em média, nos últimos anos analisados verificou-se um aumento de 29,3% nos gastos com pessoal. As variações do VAB e do EBE foram negativas no período de 2012-2013, resultado da perda de eficiência no que se refere aos custos, que não foi compensada pela evolução favorável da produção, conduzindo assim, a uma acentuada diminuição de 7,16% e 35,85%, do EBE e do VAB, respetivamente. Para uma empresa ser lucrativa, ela deve conseguir a melhor utilização dos seus recursos, sejam eles pessoas, equipamentos ou materiais. Para otimizar esta utilização é necessário conhecer os objetivos da empresa, para que se possa atuar de forma a obter ganhos de produtividade alinhados com as necessidades da mesma. Assim, mesmo que a empresa disponha dos recursos necessários para alcançar os objetivos da empresa, se não souber como conseguir a melhor utilização dos mesmos, poderá estar a contribuir para o agravamento de um problema na empresa. 0 1 000 000 2 000 000 3 000 000 4 000 000 5 000 000 6 000 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 VAB EBE Variação percentual 2014-2015 2013-2014 2012-2013 2011-2012 2010-2011 VAB 72,53% 7,31% -7,16% 13,42% -1,74% EBE 92,71% 21,78% -35,85% 23,03% -49,35% TABELA 7 – VARIAÇÕES PERCENTUAIS AO LONGO DOS ANOS DO VAB E DO EBE. 2015 2014 2013 2012 2011 Nº pares faturados 156 792 147 993 167 072 158 654 143 682 Nº de colaboradores 109 104 104 101 96 Produtividade 1 438,46 1 423,01 1 606,46 1 570,83 1 496,69 Faturação 3 199 075 3 561 883 3 150 946 3 565 174 2 833 855 Nº de colaboradores 109 104 104 101 96 Produtividade 29 349,31 34 248,87 30 297,56 35 298,75 29 519,33 TABELA 8 – PRODUTIVIDADE DA EMPRESA DESDE 2011 A 2015.
  19. 19. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 19 GRÁFICO 7 – PRODUTIVIDADE DA EMPRESA DESDE 2011 A 2015 (Nº DE PARES FATURADOS/Nº DE COLABORADORES). GRÁFICO 8 – PRODUTIVIDADE DA EMPRESA DESDE 2011 A 2015 (FATURAÇÃO/Nº DE COLABORADORES). Evolução dos custos Para a análise dos custos fez-se um estudo semelhante efetuando a análise da estrutura das demonstrações financeiras de cada período e uma comparação com as dos vários períodos. Os custos foram divididos em custos operacionais, financeiros e extraordinários. Cerca de 98,75% dos custos são operacionais e apenas 1,25% dizem respeito a custos financeiros e extraordinários. Observou-se uma evolução exponencial entre 2010 e 2012 e uma quebra progressiva nos anos seguintes decorrente da variação do volume de negócios da empresa, como se pode verificar no seguinte gráfico (gráfico 9). 1 300 1 350 1 400 1 450 1 500 1 550 1 600 1 650 2015 2014 2013 2012 2011 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 35 000 40 000 2015 2014 2013 2012 2011 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Custos Operacionais 1 979 445,21 9 864 183,38 11 751 348,75 17 189 359,11 12 206 927,72 10 688 127,01 Custos Financeiros 71 827,22 110 417,50 129 068,66 80 361,59 51 356,33 57 666,51 Custos Extraordinários 0,00 0,00 0,00 67 736,57 0,00 0,00 TOTAL 2 051 272,43 9 974 600,88 11 880 417,41 17 337 457,27 12 258 284,05 10 745 793,52 TABELA 9 – CÁLCULO DOS CUSTOS DESDE 2010 A 2015.
  20. 20. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 20 GRÁFICO 9 – EVOLUÇÃO DOS CUSTOS TOTAIS ENTRE 2010 E 2015. O aumento dos Custos Operacionais até 2012 deveu-se, maioritariamente, ao aumento do custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas que representaram, em média, cerca de 57,13% dos Custos Operacionais. Nos anos posteriores, o Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas foram sempre diminuindo progressivamente assim como os Custos Operacionais. Porém, em 2015 verificou-se um aumento em gastos com pessoal passando este a ser o maior gasto do período (69,63% dos Custos Operacionais). No que concerne aos Custos Financeiros, apesar do seu peso ser relativamente baixo (1,20% sobre o total dos custos), estes foram instáveis ao longo dos anos, com variações positivas e negativas, como se verifica na seguinte tabela. A sua variação foi crescente ao longo dos três primeiros anos e decrescente nos anos seguintes. A principal razão para esta evolução dos Custos Financeiros são os juros suportados pela empresa derivados de Financiamentos Obtidos. Por último, os Custos Extraordinários são uma parcela insignificante e dizem respeito a Perdas por Imparidade de Clientes. Estes só se verificaram no ano de 2012 e representam apenas 0,39% do total dos custos. 0 5 000 000 10 000 000 15 000 000 20 000 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 CMVMC 451 060,41 5 841 185,71 6 762 699,40 10 106 918,43 6 922 752,15 5 971 400,40 FSE 133 614,45 2 758 214,48 3 754 320,94 5 779 836,01 4 167 981,46 3 693 510,68 Gastos com o pessoal 1 378 320,44 1 236 186,30 1 190 612,35 1 206 277,41 1 075 959,41 974 000,27 Provisões e Ajustamentos 0,00 0,00 0,00 67 736,57 0,00 0,00 Imposto 11 053,31 14 671,80 7 989,18 15 061,26 34 980,24 41 325,43 Outros custos operacionais 5 396,60 13 925,09 35 726,88 13 529,43 5 254,46 7 890,23 Custos Operacionais 1 979 445,21 9 864 183,38 11 751 348,75 17 189 359,11 12 206 927,72 10 688 127,01 TABELA 10 – CÁLCULO DOS CUSTOS OPERACIONAIS DESDE 2010 A 2015. Variações 2015-2014 2013-2014 2012-2013 2011-2012 2010-2012 Custos Financeiros -53,73% -16,89% 37,74% 36,09% -12,29% TABELA 11 – VARIAÇÕES NOS CUSTOS FINANCEIROS DA EMPRESA.
  21. 21. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 21 GRÁFICO 10 – EVOLUÇÃO DO RESULTADO OPERACIONAL, RESULTADO ANTES DE IMPOSTOS E RESULTADO LÍQUIDO. Rentabilidade Após efetuada a análise da evolução dos proveitos e custos da Indústria de Calçado Catalá, S.A., é agora importante estudar a rendibilidade da empresa. O estudo da rendibilidade permite avaliar a capacidade da empresa em gerar resultados, tendo em conta os meios que a empresa tem à sua disposição. Certamente que quanto maior for o seu valor, mais atraente é a empresa e melhor e maior é a sua capacidade de autofinanciamento. A rendibilidade pode ser medida e comparada através de relações entre resultados e os meios utilizados para os obter. O quadro que se segue contém indicadores de rendibilidade a três níveis: económico, comercial e financeiro, que ajudam a compreender melhor o conceito de rendibilidade. Em primeiro lugar, calculou-se a Rentabilidade da Produção. Este rácio expressa-se pela fração em que figuram no numerados os resultados líquidos e no denominador a produção e exprime a geração de fundos que a produção proporciona após remunerar os diferentes fatores produtivos e pagar os impostos que incidem sobre o rendimento das sociedades. Verificou-se uma diminuição substancial desde 2010 a 2014 e um aumento de 0,19% em 2015 comparativamente ao ano anterior, como se observa no gráfico. De seguida, calculou-se a Rentabilidade do Ativo (ou Earning Power) que não é mais do que o quociente entre os resultados antes de impostos e gastos de financiamento e o ativo. Este exprime a rentabilidade dos recursos 0 50 000 100 000 150 000 200 000 250 000 300 000 350 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 EBIT (Resultado operacional) RAI (Resultado antes de impostos) RL (Resultado Líquido) Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Resultado Líquido 21 320,67 4 505,99 13 493,64 71 946,78 95 014,41 210 231,38 Produção 9 140 062,84 9 958 355,66 11 825 728,42 17 253 358,45 12 291 310,37 10 882 098,01 Rentabilidade de Produção 0,23% 0,05% 0,11% 0,42% 0,77% 1,93% Resultado Operacional 104 182,27 129 043,41 148 426,03 164 546,55 181 142,20 309 223,32 Ativo 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89 Rentabilidade do Ativo (EP) 2,19% 3,14% 2,94% 3,55% 5,09% 7,61% Resultado Líquido (ano n) 21 320,67 4 505,99 13 493,64 71 946,78 95 014,41 210 231,38 Capital Próprio (ano n-1) 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 514 196,33 Rentabilidade Financeira (ROE) 4,81% 0,77% 2,35% 11,94% 14,71% 40,89% TABELA 12 – INDICADORES DE RENTABILIDADE DESDE 2010 A 2015.
  22. 22. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 22 aplicados independentemente de serem em ativo não correntes ou correntes. A gestão das sociedades está interessada em que com um mínimo de ativos seja gerado o maior resultado possível. Ao longo dos anos em análise a Rentabilidade do Ativo diminuiu progressivamente até 2013, aumentando ligeiramente em 2014 voltando a diminuir em 2015. Tal significa que a empresa demonstrou uma capacidade de aumentar o seu Resultado Operacional sem ter que aumentar significativamente o Ativo. O último rácio calculado foi a rentabilidade financeira que exprime a relação entre os resultados líquido do ano em estudo com os capitais próprios do ano anterior. Nestes últimos cinco apenas não se verificaram aumentos do Capital Social pelo que não foi necessário ter em consideração eventuais correções nas operações. Tal como nos rácios anteriores, observou-se uma quebra significativa da Rentabilidade Financeira até 2014 e uma pequena melhoria no ano de 2015. GRÁFICO 11 – EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE RENDIBILIDADE DESDE 2010 A 2015. A Rentabilidade Financeira é um indicador importante e para melhor o entender, desagregou-se o indicador nos diversos elementos que o compõem. A decomposição permite identificar pontos fortes e pontos fracos do desempenho da empresa. Assim, para efetuar esta desagregação, recorreu-se à Análise Dupont. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Rentabilidade de Produção Rentabilidade do Ativo (EP) Rentabilidade Financeira (ROE) Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Resultado Operacional 104 182,27 129 043,41 148 426,03 164 546,55 181 142,20 309 223,32 Vendas e Serviços Prestados 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Rentabilidade Operacional das Vendas 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,03 Vendas e Serviços Prestados 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Ativo 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89 Rotação do Ativo 1,91 2,44 2,34 3,71 3,48 2,66 Resultado antes de impostos 32 373,98 19 177,79 21 482,82 87 008,04 129 994,65 251 556,81 Resultado Operacional 104 182,27 129 043,41 148 426,03 164 546,55 181 142,20 309 223,32 Efeito Gastos de Financiamento 0,31 0,15 0,14 0,53 0,72 0,81 Ativo 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89 Situação Líquida 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 Alavancagem 9,80 9,26 8,57 8,06 5,90 6,30 Resultado Líquido 21 320,67 4 505,99 13 493,64 71 946,78 95 014,41 210 231,38 Resultado antes de impostos 32 373,98 19 177,79 21 482,82 87 008,04 129 994,65 251 556,81 Efeito Fiscal 0,66 0,23 0,63 0,83 0,73 0,84 Rentabilidade do Capital Próprio 4,39% 1,02% 2,29% 12,52% 15,76% 32,56% TABELA 13 – ANÁLISE DUPONT DESENVOLVIDA DESDE 2010 A 2015.
  23. 23. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 23 Esta análise consiste em agregar vários indicadores, tornando possível alargar a apreciação do contributo de diversos factores. Este tipo de análise permite examinar quais os indicadores que afetam a rentabilidade financeira, favorável ou desfavoravelmente, através da comparação com empresas concorrentes ou para comparar a evolução ao longo dos anos. A tabela que se segue apresenta e estuda o impacto da política de investimento, de financiamento e o efeito fiscal na rendibilidade obtida pelos accionistas, ou seja, na Rentabilidade do Capital Próprio. A tabela anterior permitiu efectuar o cálculo dos rácios que constituem a Análise Dupont e diz-nos, à semelhança daquilo que já havia referido anteriormente, que a Rentabilidade do Capital Próprio decresceu entre 2010 e 2014 e apresentou um crescimento de 3,37% em 2015. São diversos os indicadores que contribuíram para o alcançar destes resultados. Debrucemos assim a nossa atenção sobre os mesmos. A Rentabilidade Operacional das Vendas (ROV) foi constante ao longo dos anos em análise (1%) com a excecção de 2010, ano este que apresentou uma rentabilidade de 3%. Apesar de o Resultado Operacional e das Vendas e Serviços Prestados terem vindo a diminuir, estes diminuiram proporcionalmente o que proporcionou uma rentabilidade constante. Quanto à Rotação do Ativo (RA), esta tem-se apresentado decrescente ao longo dos anos em estudo, o que demonstra que a empresa não está a efetuar uma gestão eficiente dos ativos na sua atividade. O substancial aumento das vendas, que não se fez acompanhar pela evolução na mesma proporção do ativo, conduziu à evolução negativa da Rotação do Ativo. A multiplicação destes dois rácios (Rentabilidade Operacional das Vendas e Rotação do Ativo), permite aferir sobre o contributo da política de investimento da empresa. No gráfico seguinte observa-se que a indústria sofreu uma quebra abrupta ao longo dos anos em análise. Pode-se concluir, portanto, que a área operacional da empresa foi pouco eficaz o que contribuiu para uma Rentabilidade do Capital Próprio em 2015. GRÁFICO 12 – EVOLUÇÃO DA ÁREA OPERACIONAL DA EMPRESA ENTRE 2010 E 2015. A política de financiamento da Catalá, no que se refere ao seu contributo para a Rentabilidade do Capital Próprio, regista uma diminuição até ao ano de 2013 e um aumento nos seguintes anos. 0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 2015 2014 2013 2012 2011 2010
  24. 24. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 24 GRÁFICO 13 – EVOLUÇÃO DA ÁREA FINANCEIRA DA EMPRESA ENTRE 2010 E 2015. O efeito fiscal traduz o peso dos impostos sobre os rendimentos. O facto do efeito fiscal se apresentar instável ao longo dos anos implicou um montante de impostos também um pouco instável sobre os Resultados Antes de Impostos. A conjugação da Política de Investimento, Política de Financiamento e Efeito Fiscal, conduz à Rentabilidade do Capital Próprio apresentada. GRÁFICO 14 – EVOLUÇÃO DA RENTABILIDADE DO CAPITAL PRÓPRIO DESDE 2010 A 2015. Atividade O objetivo desta análise é apreender o nível de eficiência com que a empresa está a gerir os seus recursos. A técnica utilizada é mais uma vez os rácios que, neste caso, são rácios de atividade expressos em dias de funcionamento ou em termos de rotação. A empresa tem interesse em estudar ambos os rácios para, por um lado, analisar a sua política de crédito e, por outro, verificar a eficácia dos serviços financeiros no processo de cobranças. A empresa compra e, em média, paga passado um determinado número de dias. O ideal seria igualar o crédito obtido dos fornecedores ao crédito concedido aos clientes. Porém, geralmente isso não acontece. Os tempos médios de recebimento e de pagamento são definidos em termos de número de dias. Estes rácios propiciam informação sobre o prazo que a empresa demora em média, a receber das vendas que efetua ou a pagar as suas compras, respetivamente. Certo é, que a empresa deseja receber o quanto antes e pagar o mais tarde possível. 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 2015 2014 2013 2012 2011 2010 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 2015 2014 2013 2012 2011 2010
  25. 25. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 25 O Tempo Médio de Recebimento (TMR) foi crescente ao longo dos anos com e exceção do ano de 2010, ano esse em que os clientes demoraram, em média, 98,74 dias a efetuar o pagamento respetivo. Isto pode significar que houve uma melhoria de liquidez por parte dos clientes nos últimos cinco anos ou, por outro lado, uma melhoria nos serviços financeiros nas cobranças. Quando ao Tempo Médio de Pagamento (TMP), este foi aumentando de 2010 a 2013 e, de seguida, diminuiu. O facto de em 2010 a empresa conseguir proceder aos pagamentos em apenas 44,78 dias pode indicar a existência de uma boa posição de liquidez, que lhe permitia aproveitar eventuais condições atrativas de pagamento para a obtenção de descontos. 2013 e 2015 são os anos com um Tempo Médio de Pagamento mais elevados com cerca de 94 dias (gráfico 15). Verificou-se que, em média, os Tempos Médios de Recebimento e Pagamento nos últimos seis anos diferiram em cerca de 5,46 dias. 0 20 40 60 80 100 120 2015 2014 2013 2012 2011 2010 TMR TMP GRÁFICO 15 – TEMPOS MÉDIOS DE RECEBIMENTO E PAGAMENTO AO LONGO DOS ANOS.
  26. 26. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 26 Capítulo III: Análise Financeira A análise financeira incide na capacidade que a empresa tem para honrar os compromissos no curto, médio e longo prazo e prende-se com o estudo do equilíbrio financeiro, sendo esta uma questão extremamente importante na análise das demonstrações financeiras da empresa. O cumprimento da capacidade da empresa em conseguir satisfazer os seus compromissos à medida que ocorrem implica necessariamente uma situação de equilíbrio financeiro, fundamental para o seu futuro Enquanto que a análise económica tem a ver com a rentabilidade, a financeira estuda se a empresa está em condições de sobrevivência no curto, médio e longo prazo. Equilíbrio financeiro de curto prazo Entende-se por liquidez a capacidade que a empresa tem para solver os seus compromissos de curto prazo. Sempre que existe liquidez considera-se que a empresa está em equilíbrio de curto prazo, já que o equilíbrio financeiro de médio e longo prazo (solvabilidade) aparece como resultante da sequência de equilíbrios de curto prazo. Associado ao equilíbrio financeiro de curto prazo, existe a possibilidade de ser analisado de acordo com duas perspetivas: a Abordagem Tradicional e a Abordagem Funcional. Abordagem Tradicional Abordagem Tradicional é a mais antiga e assenta no conceito de Fundo de Maneio, propondo o estudo do equilíbrio financeiro a partir da confrontação da temporalidade dos recursos e aplicações da empresa, ou seja, a partir da confrontação temporal da exigibilidade das responsabilidades da empresa com a liquidez dos respetivos ativos. A relação entre a permanência dos ativos e o grau de exigibilidade dos passivos constitui uma norma designada por “regra de ouro”. a) Fundo de Maneio O Fundo de Maneio de uma empresa pode ser determinado segundo duas óticas: a da liquidez e da origem dos capitais. A regra de equilíbrio financeiro visa avaliar em que medida os interesses dos credores de curto prazo estão assegurados. Os credores desejam que a empresa tenha Ativos de Curto Prazo muito superiores aos Passivos de Curto Prazo, garantindo assim o reembolso do capital cedido a curto prazo. Mas, no entanto, isto não é aquilo que a empresa mais deseja. Certamente que não existirá financiamento se a empresa tiver mais obrigações a curto prazo do que tem bens para pagar. Neste seguimento, se o Fundo de Maneio é maior que zero, a empresa consegue cumprir a regra do equilíbrio mínimo e da margem de segurança, o que implica que em princípio a empresa terá capacidade para solver os seus compromissos de curto prazo nas respetivas datas de vencimento. Este facto constitui, aparentemente, uma situação favorável quanto ao equilíbrio financeiro de curto prazo. No entanto, não é condição suficiente para o garantir, devido às possíveis divergências entre a possibilidade de realização dos seus ativos, ou seja, à sua transformação em liquidez e a exigibilidade dos seus passivos de curto prazo. O facto de o Fundo de Maneio ser positivo poderá não bastar ainda para garantir o equilíbrio financeiro se o prazo de realização dos ativos circulantes for muito superior ao prazo de exigibilidade dos débitos de curto prazo. Por outro lado, se o Fundo de Maneio for menor que zero, então a empresa terá capitais exigíveis a curto prazo
  27. 27. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 27 a financiar ativos fixos, cuja capacidade de se transformarem em dinheiro rapidamente é reduzida. Assim, a empresa está numa situação de desequilíbrio financeiro, que temporariamente poderá ser controlado se o prazo de realização dos ativos circulantes for muito menor que o prazo de exigibilidade dos débitos de curto prazo. Como se encontra patente no gráfico (gráfico 16), o ano de 2013 foi marcado por uma variação positiva do Fundo de Maneio de sensivelmente 28,2%, comparativamente a 2010, seguindo-se de uma variação negativa nos seguintes anos de 94,7%. Ao longo dos cinco anos em análise a empresa conseguiu obter um Fundo de Maneio positivo, apresentando um montante mais significativo em 2013, o que demonstra que esta consegue fazer face aos seus compromissos de curto prazo, ou seja, pagar dentro dos prazos de vencimento. b) Liquidez A gestão da liquidez tem por objetivo garantir que a sociedade possuiu capacidade para obter atempadamente o financiamento necessário para levar a cabo as suas atividades de negócio, implementar a sua estratégia e cumprir com as suas obrigações de pagamento quando devidas, evitando ao mesmo tempo a necessidade de obter financiamento em condições desfavoráveis. Existem três indicadores que são vulgarmente utilizados para medir a liquidez: liquidez geral, liquidez reduzida e liquidez imediata. Por outras palavras, eles analisam a Ótica da Liquidez 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Inventários 1 445 250,37 836 054,40 1 562 102,43 891 266,80 597 872,40 476 731,80 Clientes 2 482 487,86 2 339 959,66 2 238 389,93 2 203 453,81 1 514 485,67 2 924 246,12 Estado e outros entes públicos 356 636,27 247 857,99 430 714,17 827 583,81 383 780,63 223 933,63 Outras contas a receber 2 214,29 0,00 2 402,76 2 515,79 0,00 2 214,29 Caixa e depósitos bancários 18 804,97 262 849,61 326 988,37 252 837,77 645 697,58 96 698,73 Ativo Corrente 4 305 393,76 3 686 721,66 4 560 597,66 4 177 657,98 3 141 836,28 3 723 824,57 Passivo Corrente 3 802 247,56 2 907 856,48 3 581 004,00 3 293 626,44 2 402 269,66 3 016 213,49 Fundo de Maneio 503 146,20 778 865,18 979 593,66 884 031,54 739 566,62 707 611,08 Ótica dos Capitais 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Capital Próprio 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 Passivo não corrente 472 497,57 754 204,13 871 399,15 762 868,14 550 495,02 403 488,69 Ativo não corrente 451675,23 414657,48 473684,94 453525,5 413670,52 341605,32 Fundo de Maneio 506 324,43 782 640,81 985 896,75 884 031,54 739 566,62 707 611,08 TABELA 14 – FUNDO DE MANEIO DA EMPRESA DESDE 2010 A 2015. 0 200 000 400 000 600 000 800 000 1 000 000 1 200 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 GRÁFICO 16 – EVOLUÇÃO DO FUNDO DE MANEIO AO LONGO DOS ANOS.
  28. 28. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 28 capacidade que a empresa tem de cumprir as obrigações de natureza financeira, tais como o pagamento de matérias-primas, salários, entre outros. O rácio da Liquidez Geral é calculado dividindo o Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. Dividindo estes valores é possível estimar se a empresa está em rutura financeira no curto prazo ou se pelo contrário se encontra numa situação de honrar os seus compromissos sem dificuldade. A empresa apresentou sempre ao longo dos anos um valor superior a um o que significa que que se encontra numa boa situação financeira no curto prazo. A Liquidez Reduzida é muito semelhante à Liquidez Geral, porque esta também permite medir a capacidade da empresa para solver os seus compromissos de curto prazo. Contudo, a liquidez reduzida excluí as existências, ou seja, exclui a parte do Ativo Corrente que tem um menor grau de liquidez, admitindo assim que as existências não poderão ser transformadas de imediato em dinheiro. O facto de a Liquidez Reduzida excluir as existências, leva a que haja uma redução da capacidade da Catalá em pagar os seus compromissos de curto prazo. Por último, o rácio Liquidez Imediata avalia a capacidade da empresa em pagar os seus compromissos de curto prazo, utilizando apenas as disponibilidades existentes. Ao debruçar atenção sobre o gráfico seguinte (gráfico 17), é possível apurar que os rácios foram sempre relativamente constantes ao longo dos cinco anos, sendo 2015 o pior ano em termos de Liquidez Imediata pois os Meios Financeiros Líquidos diminuíram substancialmente comparativamente aos anos anteriores. GRÁFICO 17 – EVOLUÇÃO DOS RÁCIOS DE LIQUIDEZ DESDE 2010 A 2015. 0,00 0,50 1,00 1,50 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Liquidez Geral Liquidez Reduzida Liquidez Imediata Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Ativo Corrente 4 308 571,99 3 690 497,29 4 566 900,75 4 177 657,98 3 141 836,28 3 723 824,57 Passivo Corrente 3 802 247,56 2 907 856,48 3 581 004,00 3 293 626,44 2 402 269,66 3 016 213,49 Liquidez Geral 1,13 1,27 1,28 1,27 1,31 1,23 Ativo Corrente 4 308 571,99 3 690 497,29 4 566 900,75 4 177 657,98 3 141 836,28 3 723 824,57 Inventários 1 445 250,37 836 054,40 1 562 102,43 891 266,80 597 872,40 476 731,80 Passivo Corrente 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 Liquidez Reduzida 0,75 0,75 0,79 0,86 0,67 0,85 Meios Financeiros Líquidos 18 804,97 262 849,61 326 988,37 252 837,77 645 697,58 96 698,73 Passivo Corrente 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 3 802 247,56 Liquidez Imediata 0,00 0,07 0,09 0,07 0,17 0,03 TABELA 15 – LIQUIDEZ GERAL, REDUZIDA E IMEDIATA ENTRE 2010 E 2015.
  29. 29. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 29 c) Comparação com o setor da indústria do calçado em Portugal Após recorrer aos dados do Banco de Portugal, ao comparar a Liquidez Geral e Reduzida da empresa com a do setor médias empresas da indústria do calçado verificou-se que a Catalá, S.A. apresenta, em média, uma Liquidez Geral e Reduzida inferior em cerca de 11,7% e 28,8%, respetivamente. GRÁFICO 18 – COMPARAÇÃO DA LIQUIDEZ GERAL E REDUZIDA DA EMPRESA COM O SETOR DO CALÇADO DESDE 2010 A 2013. Abordagem Funcional A Abordagem Funcional peca por ignorar a variabilidade da estrutura do Ativo que rapidamente pode pôr em causa a solvabilidade e o equilíbrio da empresa. Em termos conceptuais, o fundo de maneio “é a fração de capital necessária ao financiamento do ciclo de exploração” (Neves, 1996), mas o cálculo com base na diferença entre Ativo Corrente e Passivo de curto prazo engloba rubricas relativas ao ciclo de exploração, mas também ao ciclo de financiamento. Neste contexto, é necessária uma nova abordagem, a Abordagem Funcional, baseada nos diferentes ciclos de atividade da empresa: ciclo de investimento, de exploração e de financiamento, e tem como objetivo apurar o Fundo de Maneio funcional, as Necessidades de fundo de maneio e a Tesouraria Líquida. 0,000 0,200 0,400 0,600 0,800 1,000 1,200 1,400 1,600 2013 2012 2011 2010 Setor do Calçado Liquidez Geral Catalá, S.A. Liquidez Geral Setor do Calçado Liquidez Reduzida Catalá, S.A. Liquidez Reduzida Indicadores 2013 2012 2011 2010 Liquidez Geral 1,422 1,397 1,375 1,486 Liquidez Reduzida 1,036 1,030 0,975 1,053 Liquidez Geral 1,275 1,268 1,308 1,235 Liquidez Reduzida 0,790 0,864 0,669 0,854 Setor do Calçado Catalá, S.A. TABELA 16 – COMPARAÇÃO DA LIQUIDEZ GERAL E REDUZIDA DA EMPRESA COM O SETOR DO CALÇADO DESDE 2010 A 2013.
  30. 30. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 30 a) Fundo de Maneio funcional Nesta abordagem, as aplicações de fundos em investimento correspondem ao Ativo Fixo (Ajustado), mas os Capitais Permanentes podem não corresponder aos valores de Capital Próprio e Passivo. Isto significa que o Fundo de Maneio Funcional é diferente do Fundo de Maneio Patrimonial pois é apurado pela diferença entre Capitais Permanentes e Ativo Fixo (após ajustamentos). O Fundo de Maneio Funcional da empresa ao longo dos cinco anos foi sempre positivo foi sempre positivo. Apresentou um crescimento durante os primeiros quatro anos em análise, de 2010 a 2013, e uma diminuição nos seguintes anos (gráfico 19). GRÁFICO 19 – EVOLUÇÃO DO FUNDO DE MANEIO FUNCIONAL DESDE 2010 A 2015. b) Necessidade de Fundo de Maneio As Necessidades de Fundo de Maneio revelam as necessidades de financiamento do ciclo de exploração, isto é, pagamentos que têm de ser efetuados antes de se proceder ao recebimento dos clientes. FIGURA 5 – CICLO DE EXPLORAÇÃO DA EMPRESA. 0 200 000 400 000 600 000 800 000 1 000 000 1 200 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Capital Próprio 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 Financiamentos obtidos 446 684,83 745 919,33 863 114,35 754 583,34 542 210,22 395 203,89 Outras contas a pagar 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 Capitais Estáveis 940 471,72 1 197 298,29 1 459 581,69 1 337 557,04 1 153 237,14 1 049 216,40 Ativo Fixo 435 020,70 396 927,00 456 947,49 447 025,50 410 670,52 337 105,32 Fundo de Maneio Funcional 505 451,02 800 371,29 1 002 634,20 890 531,54 742 566,62 712 111,08 TABELA 17 – CÁLCULO DO FUNDO DE MANEIO FUNCIONAL DESDE 2010 A 2015. Pagamento a clientes Crédito a fornecedores Pagamento a fornecedores Crédito a clientes
  31. 31. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 31 A sobreposição de diferentes ciclos de exploração leva a que as Necessidades de fundo de maneio assumam um caráter permanente. Contudo, devido a fatores conjunturais ou sazonais, por vezes, as Necessidades de fundo de maneio são temporariamente superiores às que assumem um caráter permanente, pelo que estas pode ser dividas em Necessidades de fundo de maneio estruturais e temporárias. Caso estas sejam positivas, então a empresa apresenta necessidades de financiamento. Caso contrário, há um excedente financeiro do ciclo de exploração. No caso da Catalá verificou-se uma queda abrupta das Necessidades de Fundo de Maneio em 2011 derivada de um aumento dos Recursos Cíclicos, nomeadamente das Outras Contas a pagar. Desde 2011 até ao último ano em estudo as Necessidades de Fundo de Maneio têm vindo a aumentar, maioritariamente devido ao aumento da conta de Clientes. Porém, em todos os anos analisados estas foram sempre positivas, como se pode verificar no gráfico seguinte (gráfico 20). GRÁFICO 20 – EVOLUÇÃO DAS NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO DESDE 2010 A 2015. c) Tesouraria Líquida 0 500 000 1 000 000 1 500 000 2 000 000 2 500 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Inventários 1 445 250,37 836 054,40 1 562 102,43 891 266,80 597 872,40 476 731,80 Clientes 2 482 487,86 2 339 959,66 2 238 389,93 2 203 453,81 1 514 485,67 2 924 246,12 Adiantamentos a fornecedores 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Estado e outros entes públicos 356 636,27 247 857,99 430 714,17 827 583,81 383 780,63 223 933,63 Outras contas a receber 2 214,29 0,00 2 402,76 2 515,79 0,00 2 214,29 Necessidades Cíclicas 4 286 588,79 3 423 872,05 4 233 609,29 3 924 820,21 2 496 138,70 3 627 125,84 Fornecedores 2 133 093,73 1 451 716,04 2 899 556,50 2 470 827,21 1 692 027,40 1 198 317,56 Estado e outros entes públicos 94 607,36 71 143,79 65 733,61 91 384,40 56 433,24 78 538,77 Outras contas a pagar 247 178,20 140 729,54 166 906,29 259 549,46 282 689,90 154 632,48 Recursos Cíclicos 2 474 879,29 1 663 589,37 3 132 196,40 2 821 761,07 2 031 150,54 1 431 488,81 Necessidades de Fundo de Maneio 1 811 709,50 1 760 282,68 1 101 412,89 1 103 059,14 464 988,16 2 195 637,03 TABELA 18 – CÁLCULO DAS NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO FUNCIONAL DESDE 2010 A 2015. Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Fundo de Maneio Funcional 505 451,02 800 371,29 1 002 634,20 890 531,54 742 566,62 712 111,08 Necessidades de Fundo de Maneio 1 811 709,50 1 760 282,68 1 101 412,89 1 103 059,14 464 988,16 2 195 637,03 Tesouraria Líquida -1 306 258,48 -959 911,39 -98 778,69 -212 527,60 277 578,46 -1 483 525,95 TABELA 19 – CÁLCULO DA TESOURARIA LÍQUIDA DESDE 2010 E 2015.
  32. 32. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 32 A Tesouraria Líquida, quando comparada com outros indicadores de liquidez revela-se mais fiável e completo. De acordo com os indicadores acima mencionados, a empresa encontra-se numa situação típica uma vez que apresenta Fundo de Maneio Funcional e Necessidades de Fundo de Maneio positivas, contudo, como o Fundo de Maneio Funcional é inferior às Necessidades de Fundo de Maneio, a Tesouraria Líquida tem sido negativa. Esta situação é frequente em empresas com ciclos de exploração longos e grande volume de capital movimentado. Sendo assim, a empresa financia parte das necessidades cíclicas permanentes com recurso a operações de tesouraria, tais como empréstimos de curto prazo ou entrando em incumprimento de prazos com credores. Pode- se concluir que, apesar do Fundo de Maneio funcional ser positivo, a Catalá revela desequilíbrio financeiro. Os anos de 2010, 2014 e 2015 foram os anos com um maior desequilíbrio financeiro pois apresentaram uma Tesouraria Líquida bastante negativa. Além disso, 2011 foi o único ano dos estudados em que Tesouraria Líquida foi positiva. d) Comparação com o setor da indústria do calçado em Portugal Ao analisar os dados do Banco de Portugal referentes ao setor de atividade económica da indústria do calçado entre 2010 e 2013, uma vez que 2014 e 2015 ainda não se encontravam disponíveis, recolheram-se os indicadores da tabela acima. Tal como a empresa em estudo, o setor do calçado em Portugal apresentado um Fundo de Maneio e Necessidades de Fundo de Maneio positivas. Porém, apresenta também uma Tesouraria Líquida inferior a zero. Isto significa que o sector financia parte das suas necessidades cíclicas de exploração de cariz permanente com operações de tesouraria indiciando, assim, a existência de dependência face ao sistema bancário. Deste modo, estes dados vêm comprovar que esta é uma situação típica, tal como foi referido anteriormente (gráficos 21 e 22). Neste contexto, não é possível afirmar que a Catalá apresenta um maior equilíbrio financeiro, quando comparada com o setor em que está inserida. Indicadores 2013 2012 2011 2010 Fundo de Maneio 768 934,00 706 407,00 663 809,00 828 593,00 Necessidades Cíclicas de exploração 1 848 987,00 1 844 847,00 1 818 328,00 1 853 735,00 Recursos Cíclicos de exploração 1 071 453,00 1 033 469,00 972 305,00 971 309,00 Necessidades de Fundo de Maneio 777 533,00 811 378,00 846 023,00 881 832,00 Tesouraria Líquida -8 600,00 -104 971,00 -182 215,00 -53 239,00 TABELA 20 – FUNDO DE MANEIO, NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO E TESOURARIA LÍQUIDA DA INDÚSTRIA DO CALÇADO EM PORTUGAL DESDE 2010 A 2013.
  33. 33. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 33 GRÁFICO 21 – FUNDO DE MANEIO, NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO E TESOURARIA LÍQUIDA DO SETOR DO CALÇADO EM PORTUGAL DESDE 2010 A 2013. GRÁFICO 22 – FUNDO DE MANEIO, NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO E TESOURARIA LÍQUIDA DA EMPRESA DESDE 2010 A 2015. Equilíbrio financeiro a médio/longo prazo e estrutura de capital De seguida, irar-se-á analisar o equilíbrio financeiro de médio e longo prazo. Assim, o que está em causa é a independência da empresa face aos respetivos credores, a sua capacidade para negociar dívidas e ainda o próprio acesso aos empréstimos. Neste sentido, o objetivo passa por analisar o grau de solidez patrimonial da empresa em períodos longos, ou seja, a capacidade que a empresa possui para solver os seus compromissos em prazos dilatados. Para tal, recorreu-se ao cálculo de indicadores de estrutura ou endividamento. a) Autonomia Financeira e Solvabilidade Em primeiro lugar, calculou-se a Autonomia Financeira da empresa. Este indicador está relacionado com a estrutura financeira das empresas e exprime a relação entre os capitais próprios e o ativo. O rácio exprime em que medida o Ativo está a ser financiado por capitais próprios e por capitais alheios, ou seja, pelo esforço financeiro dos acionistas e dos credores. -400 000 -200 000 0 200 000 400 000 600 000 800 000 1 000 000 2013 2012 2011 2010 Fundo de Maneio Necessidades de Fundo de Maneio Tesouraria Líquida -2 000 000 -1 500 000 -1 000 000 -500 000 0 500 000 1 000 000 1 500 000 2 000 000 2 500 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Necessidades de Fundo de Maneio Fundo de Maneio Funcional Tesouraria Líquida
  34. 34. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 34 Por um lado, quanto mais elevado for este rácio, maior será a estabilidade, independência e solidez financeira da empresa perante os credores. Assim, quanto mais elevada e próxima de 100% estiver a Autonomia Financeira, mais independente será a empresa e mais fácil será o eventual acesso ao crédito. Por outro lado, um baixo valor de Autonomia Financeira, normalmente inferior a 30%, evidencia uma forte dependência financeira e vulnerabilidade perante os credores, o que tenderá a dificultar o acesso a novos créditos. Do ponto de vista de gestão da empresa um rácio baixo não quer dizer necessariamente dificuldades na tesouraria, porque o rácio não deve ser analisado isoladamente, mas sim com outros indicadores, por exemplo prazo médio de pagamentos, prazo médio de recebimentos, prazo médio de stock, entre outros indicadores. Contudo, um rácio baixo requer mais atenção. Ao observar os dados anteriores constata-se que a Autonomia Financeira da empresa é bastante baixa e em 2015 atingiu o valor mais baixo dos últimos seis anos analisados. O ano de 2011 foi o ano com maior Autonomia Financeira tendo vindo a diminuir desde então, como se verifica no seguinte gráfico (gráfico 23). GRÁFICO 23 – EVOLUÇÃO DA AUTONOMIA FINANCEIRA DA EMPRESA DESDE 2010 A 2015. O rácio de solvabilidade é o rácio financeiro que mede a proporção relativa dos ativos da empresa financiados por capitais próprios e por capitais alheios. Assim, quanto mais elevado for o rácio, maior será a estabilidade financeira da empresa, ceteris paribus. Um valor superior a 1 significa que o património da empresa é suficiente para cobrir todas as suas dívidas, por outro lado um valor inferior a 1 significa que a empresa não tem meios próprios para satisfazer toda a sua dívida. A gestão deste indicador é crucial de forma a não colocar em risco a continuidade da empresa a longo prazo já que um valor baixo indica, sobretudo, uma grande fragilidade económico-financeira por parte da empresa. 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 0,14 0,16 0,18 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Capital Próprio 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 Ativo 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89 Autonomia Financeira 0,10 0,11 0,12 0,12 0,17 0,16 TABELA 21 – CÁLCULO DA AUTONOMIA FINANCEIRA DA EMPRESA ENTRE 2010 E 2015.
  35. 35. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 35 Ao analisar a solvabilidade da empresa verificou-se que esta possuía um rácio positivo, porém inferior a um. Constata-se também uma quebra de 66% em 2015 comparativamente a 2010 (gráfico 24). GRÁFICO 24 – EVOLUÇÃO DO RÁCIO DE SOLVABILIDADE DESDE 2010 A 2015. Cash-Flows O cash-flow torna-se um excelente indicador da capacidade de autofinanciamento da empresa, isto é, da sua capacidade para efetuar novos investimentos sem necessidade de recorrer a fontes de financiamento externas pelo facto de proporcionar uma medida da capacidade da empresa em libertar meios monetários. Em primeiro lugar, calculou-se o Cash-Flow de Exploração que mede capacidade da empresa em gerar disponibilidades através da sua atividade normal, isto é, além de expurgada de acontecimentos extraordinários, é também expurgada dos resultados das políticas de aplicações financeiras e de financiamento. Este corresponde à soma do Resultado Líquido, Amortizações e Provisões. Ao analisar a tabela seguinte, observou-se um decréscimo significativo de 267% ao longo dos seis anos em análise, isto é, desde 2010 a 2015. De seguida, adicionaram-se as variações das Necessidades de Fundo de Maneio, ou seja, o investimento em Necessidades de Fundo de Maneio, obtendo-se assim o Cash-Flow Global presente na seguinte tabela. 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Capital Próprio 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 Passivo 4 274 745,13 3 662 060,61 4 452 403,15 4 056 494,58 2 952 764,68 3 419 702,18 Solvabilidade 0,11 0,12 0,13 0,14 0,20 0,19 TABELA 22 – CÁLCULO DO RÁCIO DE SOLVABILIDADE DA EMPRESA DESDE 2010 A 2015. Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Resultado Líquido 21 320,67 4 505,99 13 493,64 71 946,78 95 014,41 210 231,38 Amortizações 54 879,99 75 162,09 93 949,88 96 994,30 72 310,70 69 299,85 Provisões 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Cash-Flow de exploração 76 200,66 79 668,08 107 443,52 168 941,08 167 325,11 279 531,23 TABELA 23 – CÁLCULO DO CASH-FLOW DE EXPLORAÇÃO DESDE 2010 A 2015.
  36. 36. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 36 Verificou-se uma grande instabilidade do Cash-Flow Global devido ao Investimento em Necessidades de Fundo de Maneio. Por fim, calculou-se o Cash-Flow Bruto da empresa através da soma do Resultado Antes de Impostos e das Amortizações. Assim como o Cash-Flow de exploração, este foi decrescente ao longo dos seis anos em cerca de 268%. Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Resultado Antes Impostos 32 373,98 19 177,79 21 482,82 87 008,04 129 994,65 251 556,81 Amortizações 54 879,99 75 162,09 93 949,88 96 994,30 72 310,70 69 299,85 Cash-Flow Bruto 87 253,97 94 339,88 115 432,70 184 002,34 202 305,35 320 856,66 TABELA 25 – CÁLCULO DO CASH-FLOW BRUTO DESDE 2010 A 2015. Indicadores 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Cash-Flow de exploração 76 200,66 79 668,08 107 443,52 168 941,08 167 325,11 279 531,23 Variação das NFM -1 680 868,30 3 492 577,80 -1 732 295,12 2 833 708,01 -1 730 648,87 2 195 637,03 Cash-Flow Global -1 604 667,64 3 572 245,88 -1 624 851,60 3 002 649,09 -1 563 323,76 2 475 168,26 TABELA 24 – CÁLCULO DO CASH-FLOW GLOBAL DESDE 2010 A 2015.
  37. 37. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 37 Capítulo IV: Análise do Risco A análise de risco consiste no uso sistemático de informação disponível de forma a evitar eventos especificados negativos. O processo de análise de risco também pode considerar resultados potenciais positivos. Explorando o espaço completo de resultados possíveis para uma dada situação, uma boa análise de risco pode identificar tanto as armadilhas quanto apontar novas oportunidades para a empresa. Deve referir-se que as empresas estão expostas a diferentes tipos de risco e os quais vamos analisar: riscos puros, operacionais e financeiros. Risco Operacional O risco dos negócios é o risco que a empresa está exposta ainda que tenha um endividamento nulo. O risco dos negócios resulta da volatilidade, quer ao nível dos inputs, nomeadamente as matérias primas e outros fatores incorporados, quer ao nível dos outputs, quer ainda devido à alavancagem operacional dos custos fixos. Para se conseguir efetuar o estudo do Risco Operacional da empresa recorreu-se ao rácio do Grau de Alavancagem Operacional, Ponto Crítico e Margem de Segurança. O Grau de Alavancagem Operacional (GAO) mede o impacto de uma variação percentual nas quantidades produzidas e vendidas sobre a variação percentual nos resultados operacionais. Quer isto dizer que o Grau de Alavancagem Operacional exprime em que medida uma variação percentual nos resultados operacionais é motivada por uma variação percentual nas quantidades produzidas e vendidas. No que concerne ao Grau de Alavancagem Operacional, quanto maior for o seu montante, maior será também o risco de negócio. Certamente que quanto maior for o nível de custos fixos, menor será o denominador e maior o Grau de Alavancagem Operacional. Os FSE foram repartidos em 25% para custos fixos e 75% para custos variáveis pois não se dispõe de informação sobre a natureza dos mesmos. 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Gastos com pessoal 1 378 320,44 1 236 186,30 1 190 612,35 1 206 277,41 1 075 959,41 974 000,27 FSE (25%) 783 403,61 689 553,62 938 580,24 1 444 959,00 1 041 995,37 923 377,67 Outros gastos e perdas 5 396,60 13 925,09 35 726,88 13 529,43 5 254,46 7 890,23 Depreciações/amortizações 54 879,99 75 162,09 93 949,88 96 994,30 72 310,70 69 299,85 Custos Fixos 2 222 000,64 2 014 827,10 2 258 869,35 2 761 760,14 2 195 519,94 1 974 568,02 CMVMC 451 060,41 5 841 185,71 6 762 699,40 10 106 918,43 6 922 752,15 5 971 400,40 FSE (75%) 2 350 210,84 2 068 660,86 2 815 740,71 4 334 877,01 3 125 986,10 2 770 133,01 Custos Variáveis 2 801 271,25 7 909 846,57 9 578 440,11 14 441 795,44 10 048 738,25 8 741 533,41 Grau de Alavancagem Operacional 1,55 24,29 -46,06 -117,61 16,53 22,15 TABELA 26 – CÁLCULO DO GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL DESDE 2010 A 2015.
  38. 38. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 38 GRÁFICO 25 – EVOLUÇÃO DO GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL DESDE 2010 A 2015. Quando o Grau de Alavancagem Operacional é superior a um significa que existe lucro a nível operacional. Sendo assim, 2011,2010,2014 e 2015 foram os anos com lucro a este nível. Enquanto que 2015 foi o ano com menos risco operacional pois o rácio encontrou-se próximo da unidade, 2012 e 2013 foram os anos com maior risco operacional da empresa. No que respeita ao Ponto Crítico das Vendas, este representa o valor para o qual a empresa apresenta um resultado operacional nulo, ou seja, corresponde às quantidades produzidas ou vendidas, para as quais os proveitos igualam os custos. Acima desse volume os resultados são positivos e para níveis de atividade inferior os resultados são negativos. O aumento dos custos fixos conduz ao aumento do Ponto Crítico, o que significa que a empresa tem que vender mais para conseguir obter Resultados Operacionais nulos. Após comparar os dados, conclui-se pela análise dos valores do Ponto Crítico que de 2010 para 2012 ocorreu uma variação de 40%, indiciando que a Catalá necessitou de vender maiores quantidades para obter um resultado operacional nulo (gráfico 26). Contudo, nos anos seguintes esta situação inverteu-se. Esta realidade demonstra, mais uma vez, que o ano de 2013 é aquele em que o risco de negócio da empresa foi maior e o de 2015 menor. -120 -100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Custos Fixos 2 222 000,64 2 014 827,10 2 258 869,35 2 761 760,14 2 195 519,94 1 974 568,02 Vendas 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Custos Variáveis 2 801 271,25 7 909 846,57 9 578 440,11 14 441 795,44 10 048 738,25 8 741 533,41 Margem de Contribuição 6 284 764,29 2 101 328,97 2 210 873,32 2 738 475,31 2 336 900,81 2 067 910,92 Ponto Crítico 3 212 400,00 9 599 062,34 12 045 248,59 17 326 351,92 11 636 316,52 10 321 519,60 TABELA 27 – CÁLCULO DO PONTO CRÍTICO DAS VENDAS EM VALOR DESDE 2010 A 2015.
  39. 39. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 39 No que respeita à Margem de Segurança da empresa, esta permite-nos saber qual o valor de vendas que a empresa atinge normalmente e qual o seu distanciamento em relação ao ponto crítico. Quanto maior for a Margem de Segurança, melhor será para a empresa, pois menor será o seu risco de negócio. Feita a análise à Margem de Segurança da empresa, constata-se, mais uma vez, que o ano com maior risco operacional foi 2013 e o ano com menos risco operacional foi o ano de 2015 com uma Margem de Segurança de 64,64%. Risco Financeiro As empresas fazem ainda face a riscos de natureza financeira os quais podem ser medidos através do Grau de Alavancagem Financeira. O Grau de Alavancagem Financeira mede o impacto de uma variação percentual nos Resultados Operacionais sobre uma variação percentual a nível dos Resultados Líquidos. Este rácio mede o impacto dos encargos financeiros e, portanto, o impacto das modalidades de financiamento seguidas. Quanto maior for o endividamento maior é o montante dos juros e menor é o denominador. Sendo assim, maior é o Grau de Alavancagem Financeira, e como tal, maior será o risco. 0 5 000 000 10 000 000 15 000 000 20 000 000 2015 2014 2013 2012 2011 2010 GRÁFICO 26 – EVOLUÇÃO DO PONTO CRÍTICO DAS VENDAS DESDE 2010 E 2015. 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Ponto Crítico 3 212 400,00 9 599 062,34 12 045 248,59 17 326 351,92 11 636 316,52 10 321 519,60 Margem de Segurança 64,64% 4,12% -2,17% -0,85% 6,05% 4,51% TABELA 28 – CÁLCULO DA MARGEM DE SEGURANÇA DESDE 2010 A 2015. 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Vendas 9 086 035,54 10 011 175,54 11 789 313,42 17 180 270,75 12 385 639,05 10 809 444,33 Custos Fixos 2 222 000,64 2 014 827,10 2 258 869,35 2 761 760,14 2 195 519,94 1 974 568,02 Custos Variáveis 2 801 271,25 7 909 846,57 9 578 440,11 14 441 795,44 10 048 738,25 8 741 533,41 Gastos de financiamento 71 808,29 109 865,62 126 943,21 77 538,51 51 147,55 57 666,51 Grau de Alavancagem financeira 1,57 -89,94 -12,64 -27,16 25,90 57,96 TABELA 29 – CÁLCULO DO GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRO DESDE 2010 A 2015.
  40. 40. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 40 A Catalá apresentou um risco financeiro decrescente até ao ano de 2014, sendo que 2012, 2013 e 2014 foram os anos com um risco financeiro mais reduzido, e crescente no último ano em análise superior, mas ainda assim reduzido uma vez que se encontra próximo da unidade. Durante os anos de 2010 e 2011, este o risco foi bastante elevado (gráfico 27). GRÁFICO 27 – EVOLUÇÃO DO GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRO DESDE 2010 A 2015. Risco Global O risco global é medido através do Grau de Alavancagem Combinado. Este mede o impacto de uma variação percentual nas quantidades sobre o impacto de uma variação percentual nas quantidades sobre a variação percentual nos Resultados Líquidos. -100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2015 2014 2013 2012 2011 2010 Grau de Alavancagem Operacional 1,55 24,29 -46,06 -117,61 16,53 22,15 Grau de Alavancagem Financeira 1,57 -89,94 -12,64 -27,16 25,90 57,96 Grau de Alavancagem Combinado 2,44 -2184,84 582,15 3194,36 428,08 1284,11 TABELA 30 – CÁLCULO DO GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRO DESDE 2010 A 2015.
  41. 41. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 41 Capítulo V: Perspetivas para o futuro As perspetivas macroeconómicas para os próximos quatro anos são de persistência do ajustamento da economia nacional, envelhecimento da população, pressão sobre recursos, subida dos preços das matérias- primas, importância crescente da responsabilidade social e ambiental e crescimento da importância do comércio online. Esta nova dinâmica envolve uma pressão concorrencial acrescida que torna a eficiência e o aumento de produtividade uma medida obrigatória para as empresas. Contudo, pode-se afirmar que este processo abre novas oportunidades e caminhos decorrentes da capacidade de desenvolver modelos de negócio adequados às circunstâncias de cada mercado. Nos próximos anos, espera-se um envelhecimento da população europeia e um crescimento demográfico em continentes como África, América Latina e Ásia. Assim, o conforto e o impacto na saúde serão fatores competitivos que tenderão a ganhar importância face ao aumento da população envelhecida. Estas diferenças na demografia, crescimento económico e escassez de recursos tornam-se fundamentos e, por vezes, geram medidas protecionistas dos países e, nomeadamente, de Portugal. Contudo, a globalização deverá continuar a ser o fator que prevalece. Neste contexto, a indústria do calçado e, essencialmente a empresa em estudo, deverão estar preparados para se afirmarem num mercado aberto, não só na Europa, mas também no resto do mundo. As soluções digitais deverão continuar a ganhar peso. O marketing, nomeadamente junto do público mais jovem, é já indispensável e irá reforçar-se. De acordo com as estimativas, o comércio eletrónico irá registar um crescimento muito acentuado. Atualmente, Portugal exporta o segundo calçado mais caro do mundo com um preço médio de 24 euros por par. Consequentemente, os principais mercados do calçado português são os que apresentam elevado poder de compra, como é o caso da União Europeia. No entanto, as perspetivas macroeconómicas para os países desenvolvidos não permitem esperar grande dinamismo da procura. É noutras zonas do globo, nomeadamente na Ásia e na América, em países como Rússia e Canadá, que a dinâmica de crescimento económico e populacional permite antever um comportamento dinâmico da procura por calçado. Conclui-se, portanto, que a indústria do calçado, nomeadamente a Catalá deve continuar a explorar países e mercados com um maior poder de compra que existem fora dos seus mercados tradicionais. Análise SWOT Pontos Fortes  Conhecimento tradicional da atividade.  Custo de mão-de-obra inferior à média praticada no resto da Europa.  Bom relacionamento com os clientes  Proximidade geográfica ao mercado europeu.  Boa imagem no mercado.
  42. 42. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 42 Pontos Fracos  Fraco investimento em promoção e comunicação  Baixa participação em feiras internacionais por falta de planeamento, prospeção e estudos de mercado prévios.  Inexistência de um catálogo elaborado na própria empresa para apresentar a novos clientes.  Penetração no mercado  A empresa continua a servir os mesmos clientes com os mesmos produtos, mas em menores quantidades, o que gerou uma quebra acentuada nas vendas.  Falta de controlo rígido de custos  Falta de controlo de gestão estratégico, baixa produtividade e rentabilidade  A empresa deve identificar as melhores vias de desenvolvimento empresarial para implementar as medidas estratégicas planeadas. Oportunidades  Internacionalização  As estratégias de internacionalização devem ser coerentes com a estratégia e objetivos da empresa.  Selecionar e estudar os negócios a internacionalizar, os países de destino e os modos de entrada.  Reforço da competitividade  Ao nível da tecnologia no desenvolvimento de novos produtos  Organização do modelo de negócio, no design e ao nível da comercialização.  Alterações no comportamento da procura Ameaças  Competitividade crescente dos mercados  Custo de mão-de-obra na Ásia.  Maior número de concorrentes.  Custos do processo de internacionalização  Dificuldade em ultrapassar as barreiras à entrada e riscos resultantes da dispersão dos esforços da empresa em vários mercados  Continuação da crise económica e financeira nacional e internacional.
  43. 43. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 43 Capítulo V: Conclusão Em Portugal, a crise económica dos últimos anos foi acompanhada por uma grave crise das finanças públicas e repercutiu-se seriamente no sistema financeiro. Neste contexto, o crédito a toda a indústria transformadora tem- se vindo a reduzir nos últimos três anos. No que toca à indústria do calçado, a situação foi ainda mais desfavorável pois taxas de evolução só foram positivas em dois dos últimos seis anos. Para um setor fortemente exportador como este, o problema é agravado pelas crescentes dificuldades no acesso a mecanismos de garantia bancária à exportação. Deparada com esta conjuntura tão gravosa, a indústria portuguesa do calçado perseverou no seu rumo de progressão na cadeia de valor e aposta firme nos mercados internacionais. A Indústria de Calçado Catalá deve assim continuar a reforçar as suas capacidades de criação, design e moda e a investir continuamente no domínio do marketing internacional, nomeadamente através da presença em feiras por forma a aumentar as suas exportações e angariação de novos clientes. É imprescindível não esquecer que existe um mercado competitivo e que os concorrentes não estão parados. Países como a Itália beneficiam de uma reputação nos mercados bastante superior à de Portugal e, apesar disso, continuam a investir fortemente na sua autopromoção. Por outro lado, existem concorrentes, principalmente no continente asiático, que apresentam vantagens competitivas em termos que custo de mão- de-obra e procuram diariamente reforça-la. Conclui-se, portanto, que para aumentar o volume de vendas e a rentabilidade da empresa é necessário continuar a trabalhar, investir e procurar novos clientes para progredir nesta cadeia de valor. Além disso, continua a ser fundamental inovar. Não só nos produtos e modelos, mas também nos materiais, processos e no modelo de negócio. Só assim será possível aumentar a competitividade por via do fator preço e estabelecer uma diferenciação no mercado face aos restantes concorrentes.
  44. 44. Relatório de Estágio de Verão Análise Económica e Financeira | 2010 – 2015 44 Anexos BALANÇO DA INDÚSTRIA DE CALÇADO CATALÁ, S.A. 2015 2014 2013 2012 2011 2010 ACTIVO ACTIVO NÃO CORRENTE Activos fixos tangíveis 435 020,70 396 927,00 456 947,49 447 025,50 410 670,52 337 105,32 Outros activos financeiros 16 654,53 17 730,48 16 737,45 6 500,00 3 000,00 4 500,00 Activos por impostos diferidos 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 451 675,23 414 657,48 473 684,94 453 525,50 413 670,52 341 605,32 ACTIVO CORRENTE Inventários 1 445 250,37 836 054,40 1 562 102,43 891 266,80 597 872,40 476 731,80 Clientes 2 482 487,86 2 339 959,66 2 238 389,93 2 203 453,81 1 514 485,67 2 924 246,12 Adiantamentos a fornecedores 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Estado e outros entes públicos 356 636,27 247 857,99 430 714,17 827 583,81 383 780,63 223 933,63 Accionistas / sócios 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outras contas a receber 2 214,29 0,00 2 402,76 2 515,79 0,00 2 214,29 Diferimentos 3 178,23 3 775,63 6 303,09 0,00 0,00 Outros activos financeiros 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Caixa e depósitos bancários 18 804,97 262 849,61 326 988,37 252 837,77 645 697,58 96 698,73 4 308 571,99 3 690 497,29 4 566 900,75 4 177 657,98 3 141 836,28 3 723 824,57 TOTAL DO ACTIVO 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89 CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO CAPITAL PRÓPRIO Capital realizado 200 000,00 200 000,00 200 000,00 200 000,00 200 000,00 200 000,00 Outros instrumentos de capital próprio 60 000,00 60 000,00 60 000,00 60 000,00 60 000,00 60 000,00 Prémios de emissão 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Reservas legais 29 811,00 29 051,00 28 351,00 24 751,00 20 000,00 8 530,00 Outras reservas 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Resultados transitados 108 431,99 149 537,17 286 337,90 317 991,12 287 727,71 166 966,33 Ajustamentos em activos financeiros 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outras variações no capital próprio 65 938,43 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Distribuição de Dividendos 0,00 0,00 0,00 -100 000,00 -60 000,00 0,00 Resultado líquido do período 21 320,67 4 505,99 13 493,64 71 946,78 95 014,41 210 231,38 TOTAL DO CAPITAL PRÓPRIO 485 502,09 443 094,16 588 182,54 574 688,90 602 742,12 645 727,71 PASSIVO PASSIVO NÃO CORRENTE Fornecedores 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Accionistas / sócios 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Financiamentos obtidos 446 684,83 745 919,33 863 114,35 754 583,34 542 210,22 395 203,89 Passivos por impostos diferidos 17 527,94 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outras contas a pagar 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 8 284,80 472 497,57 754 204,13 871 399,15 762 868,14 550 495,02 403 488,69 PASSIVO CORRENTE Fornecedores 2 133 093,73 1 451 716,04 2 899 556,50 2 470 827,21 1 692 027,40 1 198 317,56 Adiantamentos a clientes 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Estado e outros entes públicos 94 607,36 71 143,79 65 733,61 91 384,40 56 433,24 78 538,77 Accionistas / sócios 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Financiamentos obtidos 1 327 368,27 1 244 267,11 448 807,60 471 865,37 371 119,12 1 584 724,68 Outras contas a pagar 247 178,20 140 729,54 166 906,29 259 549,46 282 689,90 154 632,48 Diferimentos 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 3 802 247,56 2 907 856,48 3 581 004,00 3 293 626,44 2 402 269,66 3 016 213,49 TOTAL DO PASSIVO 4 274 745,13 3 662 060,61 4 452 403,15 4 056 494,58 2 952 764,68 3 419 702,18 TOTAL DO CAPITAL PRÓPRIO E DO PASSIVO 4 760 247,22 4 105 154,77 5 040 585,69 4 631 183,48 3 555 506,80 4 065 429,89

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