Estudo: Crise no egito

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Hosni Mubarak governou o Egito com mãos de ferro desde 1981, porém, mantinha uma estratégia menos explícita que Ben Ali: consentia a existência de uma tímida e inoperante oposição para criar a ilusão de permanência de uma corrente democrática no país. Acreditando na habitual postura submissa da população, Mubarak não imaginava que impulsionados pelos acontecimentos na Tunísia, milhares de jovens se uniriam e sairiam às ruas para exigir o fim de um governo opressor que completa três décadas.

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Estudo: Crise no egito

  1. 1. Estudo CRISE NO EGITO
  2. 2. Índice Introdução.......................................................................03 ...e todos por um.............................................................04 Redes sociais: as armas usadas....................................05 Quando o virtual revoluciona o real.................................11 Aplicabilidade..................................................................12 Plataformas.....................................................................12 Metodologia....................................................................13 Ficha técnica...................................................................13 2
  3. 3. O ESTOPIMTunísia – um país marcado por grandes manifestações populares desde a sua independência em 1956 mostrou quesoube lutar também por sua liberdade em 2010.E então você pode pensar: mas o que a Tunísia tem a ver com a crise política no Egito? Tudo.Desde a década de 80, o país esteve nas mãos do ditador Ben Ali. Grande parte do mundo não tinha conhecimento daopressão exercida sobre os tunisianos, já que a mídia internacional não veiculava informações específicas sobre asviolações aos direitos humanos aplicadas por Ben Ali, não possibilitando ao mundo qualquer forma de intimidação às 3
  4. 4. ações. Além do mais, a Tunísia sempre foi vista como um país totalmente integrado à ordem neoliberal, e muitasvezes, o país era escolhido como destino preferido de turistas americanos e europeus.Em 17 De Dezembro de 2010, Mohamed Buazizi, um vendedor ambulante de Ben Aros, teve sua mercadoriaconfiscada pela polícia tunisiana e num ato de revolta e protesto incendiou seu próprio corpo. O fato desencadeoumuitas outras manifestações, algumas individuais e outras massivas, as quais sofreram inicialmente terríveisrepressões. O resultado tão surpreendente quanto almejado desta busca por liberdade e dignidade pela população,resultou na derrubada de Ben Ali e seu ciclo de 23 anos de terrorismo, violência e fraudes.A revolução chamou a atenção do mundo inteiro e despertou países vizinhos suprimidos pelo mesmo regime ditatorial,incentivando-os a lutar por seus direitos – assim, chegamos ao Egito.A seguir vamos entender a crise política do Egito que desestruturou o governo e objetiva, assim como na Tunísia, aqueda de um regime opressor de três décadas....e todos por umAntes deste contexto, talvez pudéssemos pensar que o mundo tivesse deixado de acreditar no poder das massas e noque uma sociedade unida em prol de um mesmo propósito é capaz de conquistar.Hosni Mubarak governou o Egito com mãos de ferro desde 1981, porém, mantinha uma estratégia menos explícita queBen Ali: consentia a existência de uma tímida e inoperante oposição para criar a ilusão de permanência de umacorrente democrática no país. Acreditando na habitual postura submissa da população, Mubarak não imaginava queimpulsionados pelos acontecimentos na Tunísia, milhares de jovens se uniriam e sairiam às ruas para exigir o fim deum governo opressor que completa três décadas.O governo do Egito tentou proibir manifestações, mas a atitude repressora apenas fomentou ainda mais a ânsia dapopulação em expressar sua revolta. As ações mais violentas começaram no dia 24 de Janeiro e, a partir daí, umagrande batalha foi vista pelo mundo: bombas, gás lacrimogêneo, tiros, confrontos diretos com a polícia, pessoasateando fogo em seus próprios corpos, dentre tantas outras formas desesperadas de protesto, anunciavam momentosque surpreenderiam cidadãos de todos os continentes. Essas cenas marcaram os primeiros episódios desta guerra queexigia, além da renúncia de Mubarak, reformas sociais e econômicas imediatas no país.Em ação de repressão extrema, no dia 28 de Janeiro, o governo do Egito interrompeu o acesso à internet e bloqueou osinal de telefones celulares horas antes de um novo ataque dos manifestantes. Isto porque as redes sociais,principalmente Twitter e Facebook, foram ferramentas de articulação fundamentais e extremamente exploradas naorganização das manifestações. 4
  5. 5. O primeiro grito de guerra anunciado, aliás, foi online. Promovido por milhares de jovens que, aliando a motivação dosrecentes acontecimentos na Tunísia à insatisfação com o regime autoritário exercido por Mubarak e às possibilidadesque a realidade virtual proporcionava - uma conexão imediata e massiva – viram a chance de se libertar - “se a Tunísiaconseguiu, nós também somos capazes”.Redes sociais: as armas mais poderosasAs guerras, manifestações e revoluções são sempre protagonizadas por armas, bombas e muitas mortes. Além dosconfrontos violentos, este episódio no Egito teve sua atenção também voltada para outra ferramenta importante: asmídias sociais. Amplamente utilizadas na organização dos protestos (inclusive com alguns online por meio doFacebook) e divulgação simultânea para o mundo dos acontecimentos e ideias, o Twitter e o Facebook chegaram a terseu acesso inoperante em todo o país.Porém, os usuários conseguiram encontrar aberturas no bloqueio, possibilitando a continuidade da comunicação doEgito com o mundo. O governo se viu ameaçado com tanta articulação e abrangência sem conseguir exercer controlesobre esses meios, já que os manifestantes utilizavam as redes para marcar os locais e horários dos protestos, alémdas incontáveis trocas de informações entre manifestantes e jornalistas presentes, relatando ao mundo a proporçãodas revoltas.É o poder da web se fortalecendo em prol da sociedade em antigos cenários, através de novas peças. A projeção dasredes foi muito além do entretenimento e convívio social – as mídias sociais representaram um fator imprescindívelpara marcar este momento de mudança e reconstrução do país.Vejamos abaixo exemplos de interações no Twitter e Facebook, durante o período de 03 a 07 de fevereiro, envolvendoas palavras-chave Egito, Mubarak, Tunísia e Oriente Médio: 5
  6. 6. 6
  7. 7. Podemos detectar nas citações opiniões individuais, interações entre os usuários e replicação de citações de terceirosou de notícias e publicações de veículos de comunicação. Na maioria das opiniões, é possível identificar uma cargaemocional bastante grande se referindo.Os resultados confirmam um forte ativismo nas redes nesta questão e prova disso foi a permanência do termo Egitonos Trend Topics do Brasil por aproximadamente duas semanas. 7
  8. 8. A seguir, vamos observar alguns gráficos que nos trazem a idéia de dimensão deste contexto de mobilização nas redes sociais. Interações por palavras-chave por período – plataforma postX No período envolvido, temos Egito e Mubarak com volume de interações disparado à frente de Oriente Médio e Tunísia, trazendo inclusive a linha gráfica bastante similar. Isso se deve aos termos seguirem a mesma proporção de citação, estando diretamente atrelados, como em muitos casos onde os posts envolveram as duas palavras juntas, como nos mostra o exemplo abaixo: O pico do dia 04 teve diversos motivos, como a primeira morte de um jornalista durante os conflitos e mais uma das tentativas do governo de bloquear as linhas telefônicas e internet do país. 8
  9. 9. Interações por mídia social por data – plataforma postX  Este gráfico confirma que realmente a maior parte do volume das interações do período nas redes sociais foram originadas pelo Twitter, assim como o Facebook e Blogs acompanharam a linha gráfica de picos.  O Youtube foi outro canal utilizado pelos internautas para postar vídeos em tempo real com cenas chocantes dos conflitos, que apesar de não terem gerado número de comentários comparados ao Twitter ou Facebook, foram acessados por milhares de pessoas em todo o mundo, que acompanhavam e torciam por um desfecho positivo dos protestos.  Uma observação relevante a se fazer é o volume significativo de interações em blogs. Muitos dos posts e comentários envolvem assuntos como a posição dos EUA perante esta situação no Oriente Médio e a renúncia de Mubarak, conforme exemplo abaixo: 9
  10. 10. Interações por palavras-chave – plataforma postX  Neste gráfico conseguimos visualizar em porcentagem o volume de interações para cada palavra-chave. Assim conseguimos perceber que a diferença entre o volume de citações contendo o termo Egito e o termo Mubarak é de praticamente 20% - denotando a relação direta do confronto com as ações do governo atribuídas ao ditador. 10
  11. 11. Partindo para o mérito qualitativo, abaixo seguem exemplos de interações capturadas no período e classificadas comopositivas por demonstrarem apoio ao Egito:O virtual revolucionando o realNos últimos cinco anos, aproximadamente 20 grupos de jovens egípcios revolucionários surgiram no Facebook. Asdiscussões giravam sempre em torno do modo como iniciariam uma guerra contra o governo, qual seria o melhormomento de ação e quais as estratégias a serem adotadas. Finalmente, movidos pelas ações na Tunísia, o fato seconcretizou no dia 25 de Janeiro, quando todos estes grupos se fundiram nas ruas impulsionando também uma grandeparcela da população.Paciência é uma virtude, mas estes jovens confirmaram que ela tem limites. Assim, a população egípcia se viu farta desofrer com o desemprego, corrupção, violência policial, impotência política e muitos outros agravantes que vieram àtona neste momento pedindo o fim da atuação de mais de 30 anos do ditador Mubarak.Os conflitos foram muito bem organizados - todos os protestos tinham data e locais estrategicamente planejados parainício e fim - bairros lotados com muitas ruas laterais à estrada principal. Manifestantes se reuniam com muita rapidez etambém se dispersavam com mais agilidade ainda. Desta forma, mantinham as forças armadas em suas mãos e nãodavam trégua aos policiais.Acordos foram feitos com restaurantes próximos ao acampamento armado e ao redor da cidade, vários grupos dejovens ativistas montaram unidades de saúde improvisadas para atender aos feridos. 11
  12. 12. Todos estes fatores de mobilização foram conhecidos pelo mundo da forma mais rápida e direta que já se tinha visto,graças às redes sociais. Antes escolhidas para simples reuniões de grupos para manter contatos ou fazer novosamigos, hoje as redes alcançaram um posição muito mais importante e respeitável. Quem diria Twitter e Facebook aserviço da sociedade, representando as principais ferramentas na organização de um processo de democratização deum país.Mubarak realmente não poderia suportar a crise e enfim, cede a pressão popular encerrando a ditadura enrustida doEgito, que esteve com os dias contados desde 25 de janeiro. A população, antes submissa aos olhos do mundo, festejaagora nas ruas do Cairo demonstrando que conhece bem seus direitos e é capaz de lutar com veemência por todoseles.Aplicabilidade do estudo:A partir deste estudo pudemos perceber o quanto é importante monitorar a repercussão das mídias sociais, poisatualmente a chamada Era Digital possibilita muito mais do que a discussão de assuntos cotidianos nas redes, ela écapaz inclusive de promover verdadeiras revoluções, como visto.Isto pode ser aplicado a empresas, marcas ou personalidades que desejam saber e identificar qual o buzz e relevânciagerada nas mídias sociais a partir destas interações.Através da qualificação e quantificação das informações é possível mensurar o quanto a repercussão é positiva ounegativa para a imagem avaliada.Plataformas Utilizadas:Plataforma postX – Através do monitoramento das mídias sociais foi possível compreender os processos demobilização via redes sociais e sua amplitude. O volume de interações, as mídias mais usadas e as motivações dosinternautas puderam ser expostas de maneira clara e objetiva. Também por meio do postX pudemos perceber o quantoos veículos de comunicação estão cada vez mais imersos nas redes sociais, devido ao volume de replicações destesconteúdos pelos internautas, provando que a integração digital é uma realidade. 12
  13. 13. Metodologia de pesquisaAs mídias sociais representam uma área movimentada para qualquer debate, principalmente na área política. Paraanalisar o buzz gerado pelo internauta, realizamos um monitoramento de 5 dias nas mídias sociais envolvendo aspalavras-chave de referência. Utilizando a plataforma postX como ferramenta de rastreamento, conseguimos umacobertura do Twitter, YouTube, Facebook, Blogs e Fóruns.Os dados coletados para este estudo de apresentação são quantitativos, revelando em porcentagens o quanto aspalavras-chave tiveram repercussão nas mídias sociais.Ficha Técnica:postXPalavras-chave: Egito, Mubarak, Tunísia e Oriente MédioPeríodo monitorado: 03/02/2011 a 07/02/2011Total de interações: 24.241Twitter: 18.043Facebook: 4.596Fóruns: 215Blogs: 1039YouTube: 348 13
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  15. 15. Esse estudo foi desenvolvido pela MITI Inteligência.Acesse nosso site: HTTP://miti.com.brSiga-nos no Twitter: HTTP://twitter.com/fontemiti 15

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