Memorial do Convento - Personagens

3.326 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação

Memorial do Convento - Personagens

  1. 1.  É uma personagem principal, dado que possui um papel central na história e contribui para o desenvolvimento da mesma. Quanto à composição, é uma personagem modelada, dado que o seu comportamento altera-se ao longo da história. Pode ser considerada uma personagem-tipo dado que representa um estatuto social: o povo.
  2. 2. Caracterização física: - Os seus olhos mudam de cor; - É alta e magra; - Tem cabelo claro.Caracterização psicológica: - Tem vinte e oito anos; - É filha única; - Consegue ver por dentro das coisas e das pessoas quando está em jejum; - É corajosa: vai sozinha à procura de Baltasar; mata o frade que a tenta violar; - É uma mulher forte: assiste à condenação da sua mãe sem derramar uma lágrima, contudo quando chega a casa não aguenta mais; - Extremamente apaixonada por Baltasar (procura-o durante nove anos); - É religiosa, acredita em Deus.
  3. 3.  Blimunda surge, pela primeira vez, nesta história quando é mencionada pela sua mãe, Sebastiana, que estava a ser condenada no auto-de-fé a que Baltasar estava a assistir. A sua mãe procura-a, com o olhar, pela multidão para lhe transmitir que devia procurar conhecer o homem que estava a seu lado, Baltasar. Neste mesmo episódio, o nome de Blimunda é mencionado onze vezes. Estando tal número associado a conhecimentos mais profundos, ao ideal, às revelações, à junção de Deus com o Mundo, são facilmente notáveis as semelhanças entre o seu significado e a personalidade de Blimunda: vê por dentro, logo tem um maior conhecimento, tem revelações e é muito ligada a Deus.
  4. 4.  É feito também um ênfase nos olhos de Blimunda, dando a entender que estes veriam mais do que as pessoas normais: “olha só, olha com esses teus olhos que tudo são capazes de ver”.
  5. 5.  Blimunda atrai Baltasar devido à singularidade dos seus traços físicos: os seus olhos mudam de cor e é alta e esguia. Estes traços são tão singulares pois não era habitual vê-los: as mulheres tinham olhos de uma só cor e, geralmente, eram de baixa altura. Baltasar chega mesmo a confessar : “Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto”. Blimunda causa também um certo fascínio a Scarlatti, que a compara à deusa Vénus.
  6. 6.  Também os pais de Baltasar estranharam os traços físicos de Blimunda, nomeadamente o seu cabelo claro e os seus olhos de cor inconstante. Provoca também uma certa curiosidade à mãe de Baltasar, dado que, primeiro que tudo, não entra imediatamente na casa de Baltasar, fazendo com que a mesma se interrogasse acerca de quem seria tal mulher. Por outro lado, Marta Maria, mãe de Baltasar, impede que Blimunda comece imediatamente à procura de trabalho, pois pretende que ela fique em casa consigo, para conhecê-la melhor.
  7. 7. Devido à sua ligação com Baltasar Sete-Sóis, éapelidada de Blimunda Sete-Luas, pelo padreBartolomeu Lourenço. Este apelido pode ter os seguintessignificados: o número sete está associado à totalidade,à perfeição, o que, de certo modo, se adequa dado queo Baltasar e Blimunda, como formam um par romântico,completam-se; por outro lado, a lua pode simbolizar afaceta submissa de Blimunda, dado que a lua reflete aluz do Sol (que neste caso seria Baltasar) e as mudançasno seu comportamento. A Lua pode também serassociada ao princípio feminino e passivo e ao sonho,ao inconsciente e ao facto de ser o complementar doSol (ele e Baltasar completavam-se).
  8. 8. Ao longo de toda a obra, vive um amor pleno comBaltasar, apesar de todas as dificuldades pelas quaisambos passaram. Contudo, nem com a morte deBaltasar este amor acaba, dado que Blimunda recolhea vontade de Baltasar. Deste modo, ficarão juntos parasempre, tendo esta história de amor o seu finalestranhamente feliz.
  9. 9. A mulher do povo, retratada com realismo: - Quando vai para Mafra com Baltasar, consegue reunir todos os seus pertences numa única trouxa - à semelhança do povo, não tinha muitos bens materiais. - Não se importa de trabalhar no campo.A mulher de excecional intuição e excecionais capacidadesde “compreensão da complexidade do mundo”: - Blimunda vê uma nuvem fechada na óstia e interroga-se acerca do que é a religião. - Baltasar comenta a possível semelhança entre as nuvens que se encontram no céu e as nuvens fechadas que Blimunda vê, ao que esta diz que tal semelhança não existe.
  10. 10. A visionária, guardadora de vontades, habitante dofantástico: - Blimunda não come para conseguir ver as vontades quando sai de casa para as apanhar. - Consegue apanhar muitas vontades ao visitar a casa dos doentes. - Descobre um local onde existia água para os habitantes de uma aldeia que, na altura, estavam a passar por uma seca.
  11. 11. Como tinha poderes sobrenaturais, era, à partida e deentre Baltasar e o padre, a que mais probabilidades tinhade ser condenada pelo Santo Ofício, tal como a sua mãe.Contudo, tal não acontece, o que pode ser visto como,por um lado, a vitória do amor (as vontades de Baltasar eBlimunda ficam juntas para sempre), e, por outro lado,como a vitória daquela que via por dentro, o que lhepermitiu ter uma vida mais “clara”.
  12. 12.  É uma personagem principal, dado que possui um papel central na história e contribui para o desenvolvimento da mesma. É uma personagem plana. É, também, uma personagem-tipo dado que representa um estatuto social: o povo.
  13. 13. É apresentado na história quando a mãe de Blimundadiz a esta para perguntar o nome ao rapaz que estavaao seu lado, Baltasar.
  14. 14. Baltasar acaba por ser uma das personagensprincipais mais simples de toda a história, pois este é umsoldado que perdeu a mão na guerra, acabando por ser acrítica do narrador à desumanidade existente na guerra,pois assim que Baltasar perdeu a mão foi mandadoembora. Não tem uma atitude ou feitio muitocomplicados. É um homem pragmático, simples e apaixonado porBlimunda. Quando faz algo gosta que fique tudo perfeitoe está sempre disposto a ajudar, sendo bastante humildee honesto.
  15. 15.  Ao longo da história, Baltasar acaba por ser quem constrói a passarola, para realizar o sonho do Padre Bartolomeu, e ajuda na construção do Convento. Baltasar questionava muito os dogmas e lutava por realizar sonhos, assim como o fez quando se tratou de construir a passarola, pois apesar do sonho não ser seu, ele teimou em fazer tudo perfeito, chegando até a desmanchar o que já havia feito para construir de novo e com mais rigor.
  16. 16. Baltasar é conhecido por Sete Sóis, pois este apenasconsegue ver à luz, ou seja só consegue ver o normal eo que é visível, ao contrário de Blimunda.
  17. 17. É uma pessoa muito apaixonada, neste caso porBlimunda, pois estava disposto a correr todos os riscosque fossem necessários para estar com Blimunda,mesmo sabendo que esta tinha poderes que podiamser mal interpretados aos olhos dos outros e atéquando ela tinha de ir colher as vontades, na altura deuma grande doença, Baltasar foi com ela correndo orisco de adoecer também.
  18. 18. Baltasar tem um fim bastante trágico pois acabaqueimado, condenado pelo Santo Ofício. Apesar detudo, ele e Blimunda continuaram juntos para sempre,pois quando Blimunda o encontra (depois de procurá-lodurante 9 anos), esta acaba por só o ver já quase todoqueimado pelas chamas mas ainda a tempo de recolhera sua vontade e a juntar à dela, pois o lugar da vontadede Baltasar era na Terra, dado que era aí que estavaBlimunda.
  19. 19.  É uma das personagens principais, dado que contribui bastante para o desenvolvimento da ação. É também uma personagem modelada, visto que é uma personagem dinâmica, complexa e com densidade psicológica. Também o seu comportamento se altera ao longo da ação. É conhecido como “OVoador”, por afirmar quetinha voado.
  20. 20. Caracterização física: - mais baixo do que Baltasar, contudo com um aspeto mais novo.Caracterização psicológica: - tem vinte e seis anos; - dono de uma enorme capacidade de memorização; - ambicioso.
  21. 21.  Nasceu no Brasil, contudo veio ainda novo para Portugal. Aos 15 anos, já tinha bastantes estudos, principalmente na área da Filosofia. Aos 24 anos, já tinha feito um balão que chegou mesmo a voar.
  22. 22. Membro da corte O rei dá-lhe proteção e apoio em relação à construção dapassarola; ouve as confissões do rei.Orador Dá sermões na igreja. Bacharel e doutor em cânones Tem dúvidas teológicas, apesar de ser padre. Por exemplo,interroga-se acerca da existência da mão esquerda de Deus,acabando por concluir que Deus é maneta.
  23. 23. Cientista Interessa-se pela ciência. Este interesse é, em parte,provocado pela necessidade de adquirir conhecimentosde modo a fazer a passarola voar. É tão interessado quechega a viajar para a Holanda de modo a adquirir maisconhecimentos acerca do éter, que iria fazer a passarolavoar. Ambicionava voar. Esta ambição, por si só e naqueletempo, é herética, contudo, ao vir de um padre, torna-seainda mais grave, dado que este toma conhecimentoque as vontades humanas eram um dos elementosnecessários para a passarola voar. Ora, não só estepadre se aventura por campos desconhecidos efacilmente considerados heréticos, como também utilizavontades humanas para atingir o seu objetivo
  24. 24. O amigo Sente grande afeto por Baltasar e Blimunda, pois,para além de lhes dar abrigo, ainda afirma que os casou(para estes não serem mal vistos), mesmo não sendoverdade
  25. 25. A designação Bartolomeu Lourenço é utilizada emmomentos de menor ficcionalização, enquanto adesignação Bartolomeu de Gusmão é utilizada emmomentos de maior ficcionalização.
  26. 26. Esta personagem é baseadanuma figura real, o PadreBartolomeu Lourenço de Gusmão. Ambos nasceram no Brasil,eram interessados pela ciência,possuíam uma grande memória,dedicavam-se ao invento deengenhos (ambos diziam terinventado uma máquina quevoava), estudaram na Faculdadede Cânones da Universidade deCoimbra, pediram a proteção dorei D. João V em relação à suamáquina de voar e escreviamsermões.
  27. 27.  É uma personagem secundária e plana. A sua primeira referência, dá-se quando é chamado para dar aulas de piano à filha dos reis. Embora contratado pelo rei, é também um representante de contra-poder devido à sua liberdade de espírito e pelo seu poder libertador e subversivo da sua música.
  28. 28. O primeiro contacto entre Domenico e o PadreBartolomeu deu-se no dia em que a princesa teve umalição com Domenico, à qual estaria a realeza e o padre aassistirem. Depois da lição, o músico ficou a tocar e o padreBartolomeu ficou impressionadíssimo com a música eacabaram, então, por falar um com o outro, chegando atéa irem ao Terreiro do Paço onde depois acabaram porseguir cada um o seu caminho. Dias depois foi Domenicoquem foi falar com o Padre que se encontrava na capela.
  29. 29. O Padre Bartolomeu acabou por levar Domenico até àsua invenção, a passarola, mas este, ao chegar ao local,permaneceu bastante calmo e sereno sem mostrargrande excitação, e após ver a máquina assimpermaneceu, sempre muito calmo mas um tanto curiosocom o que via, especialmente por ver que as asas eramfixas e este achava que com asas fixas a máquina nuncavoaria. A amizade deste com o padre Bartolomeu, originadapela compreensão e pela partilha das mesmas ideias esonhos, representa a articulação entre a cultura e ohumano, entre o saber e o sonho, entre o conhecimento eo desejo.
  30. 30. O facto de este estar envolvido, indirectamente, naconstrução da passarola serve para unir a ciência e aarte mostrando que ambas revelam um espírito deinovação, tolerância e abertura para o modernismo.
  31. 31. Domenico ia tocar para a abegoaria algumas vezesenquanto a passarola era construída e quando Blimundaficou doente, todos os dias Domenico tocava para ela,acabando por curar a frágil e quase sem forçasBlimunda. Isto serve para mostrar que os sonhos aliados àmúsica permitem a cura e ajuda na conclusão dapassarola, simbolizando o ultrapassar, por parte dohomem, de uma materialidade excessiva e o atingir daplenitude da vida.
  32. 32. Quando a passarola descolou, Domenico viu-a alevantar voo pois dirigia-se naquele momento para aquinta, e ao ver que não iria com eles o que este decidiufazer foi mandar o cravo pelo poço abaixo para que nãohouvessem provas de que ele estaria envolvido em tal obrae não podendo assim ser condenado ao santo ofício. O facto de não ter ido com eles na passarola deixou omúsico bastante triste, ao ponto de, antes de mandar ocravo pelo poço abaixo, se ter sentado a tocar mas quasenada tocou, foi mais um passar de dedos.
  33. 33. Passado um bom tempo, o músico vai ao encontro deBlimunda e Baltasar sem que ninguém saiba disso, poiseste pediu ao rei para ir ver como iam as obras doconvento para assim ter uma desculpa para poder ir aMafra, a fim de os informar que o Padre Bartolomeuhavia morrido em Espanha, devido à loucura. Isto mostra que Domenico era alguém fiel e que nãoteria ficado tão chateado como era suposto com o factode o terem deixado em terra em vez de o levarem comele na passarola no momento da partida.
  34. 34. A última referência que se faz ao músico é ao serviçoda corte real, quando este é chamado para distrair arainha e sua filha após a conversa sobre o sofrimento aque as mulheres acabam sempre por ser sujeitasdevido aos homens. A música de Domenico, funciona, neste caso, comouma espécie de calmante, transmitindo plena harmoniae serenidade, daí o próprio músico ser uma pessoaserena e calma.
  35. 35. Fontes webgráficas http://www.slideshare.net/Mariazinha/categorias-da-narrativa-412346 http://moodle.eshn.net/mod/forum/discuss.php?d=442 http://www.numerologo.com.br/simbologia.htm#s11 http://pt.wikipedia.org/wiki/Memorial_do_ConventoFontes bibliográficas PINTO, Elisa Costa (2011), Plural, 6ª edição, Lisboa Editora, Lisboa SARAMAGO, José (2010), Memorial do Convento, 47º edição, Caminho, Alfragide
  36. 36. Nº8 Filipa MonteiroNº13 Miguel Rodrigues

×