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  • O Brasil é um país de maioria cristã. Segundo o censo demográfico do IBGE em 2000 essa porcentagem era de 90,3%. Esse grande número muitas vezes é a causa de um estado não muito laico. Não só por essa maioria esmagadora mas também por questões culturais há muito enraizados em nossa cultura a separação entre estado e religião não é muito forte. Um exemplo disso é a presença de crucifixos em prédios públicos que ainda hoje geram artigos e discussões entre os juristas.
    Mas se o caso ficasse somente em crucifixos não haveria motivo para palestras sobre esse tema. Um problema maior vem quando assuntos de caráter religioso começam a invadir o espaço do que deveria ser da ciência. Podemos citar por exemplo propostas de ensino bíblico em escolas públicas e o ensino do criacionismo para crianças no ensino fundamental de algumas escolas particulares.
    É importante, principalmente para as pessoas da área acadêmica, saber diferenciar o que é ou não ciência e não se deixar enganar por argumentos falhos e errôneos. Essa palestra tem o objetivo apresentar conceitos sobre o tema assim como responder a algumas das perguntas mais freqüentes que surgem quando se discute criacionismo e evolucionismo.
  • Em primeiro lugar, o que é o criacionismo?
  • Citando o site creationism.org podemos dizer que “criacionismo é a teoria que afirma que o homem, a terra, e o resto do universo foram originalmente criados e não espontaneamente explodidos do nada para a existência pelo acaso”. Não há de fato uma “teoria criacionista” oficial, mas em geral é uma posição conflitante com a ciência sobre a origem do universo, origem da vida e evolução das espécies. Para os criacionistas, tais fatos ocorreram assim como descritos em escrituras sagradas, como a bíblia ou o alcorão. Vou falar mais do criacionismo cristão por ser bem mais freqüente.
    A maioria dos argumentos criacionistas baseiam-se em refutar ou desacreditar as evidências que suportam a teoria da evolução. Mais adiantam vamos ver algumas dessas refutações e suas devidas respostas.
  • Numa tentativa de solidificar mais o movimento, os criacionistas se referem as suas crenças como Teoria do Design Inteligente, inserida na Ciência da Criação. Também outro termo criado por eles. Segundo essa teoria, todas as coisas do universo foram projetadas por um ser que possui inteligência e vontade e atribuiu significado e sentido a sua criação.
  • Um argumento muito utilizado é o da improbabilidade da vida e do universo. Segundo esse argumento a vida é muito complexa para ter se originado do caos, assim como o nosso planeta é “perfeito” demais para a existência dos seres. Logo deve ter havido uma vontade ou uma inteligência que moldasse o universo de forma a permitir o surgimento da vida.
  • A questão da complexidade irredutível diz que um determinado órgão ou componente de um ser vivo é complexo demais para ter evoluído aos poucos ao longo do tempo. Um dos principais defensores desse argumento é Michael Behe e a analogia que ele mais gosta de usar é a de uma ratoeira. Ela é composta por uma base de madeira, uma mola, uma lingueta, uma barra e um martelo. Se você tirar qualquer um desses componentes a ratoeira perde sua função, portanto uma ratoeira é irredutivelmente complexa. Na biologia Behe cita o exemplo do flagelo bacteriano, que mais parece um motor com um eixo e um estator formado por proteínas e é o único exemplo de rotação livre na biologia[8]. O motor se assemelha muito a uma estrutura mecânica e não parece ser uma evolução gradual de outra estrutura locomotiva. Logo tal estrutura não pode ter sido formada através de uma evolução gradual e portanto foi projetada por um criador inteligente.
    E temos também temos aqueles que alegam que a teoria da evolução não pode ser comprovada (e nunca será) devido a falta de fósseis transacionais, fósseis que demonstram a transformação de uma espécie em outra.
  • Agora que os argumentos mais comuns do criacionismo foram apresentados, vamos passar para o evolucionismo.
  • O evolucionismo, ou teoria da evolução, propõe que a diferenciação e surgimento das espécies é um processo contínuo gerado pela seleção natural. Apesar da idéia de mudanças em animais ao longo do tempo já terem sido sugeridas por outros cientistas, foi Charles Darwin que propôs a seleção natural como vetor dessas transformações.
    A seleção natural explica o processo de adaptação e especialização dos seres vivos de uma forma simples e elegante, embora nem sempre seja facilmente observável. Segundo esse processo, características hereditárias favoráveis tornam-se mais comuns em gerações futuras enquanto características desnecessárias tendem a desaparecer, pois os portadores dessa característica não conseguem competir em pé de igualdade com seus competidores mais adaptados ao longo do tempo.
  • Mas quais as evidências que suportam o evolucionismo? A primeira delas e a mais simples de entender é a anatomia comparada. Percebemos por exemplo que primatas partilham de uma mesma postura quase-ereta e cetáceos possuem nadadeiras com estrutura óssea muito semelhante a pata de um mamífero terrestre. Possui lógica pensar que esses grupos de animais possuíram ancestrais em comuns durante o seu caminho evolutivo e que posteriormente sofreram diferenciação, mas ainda possuem uma semelhança estrutural.
    Fósseis são talvez a maior evidência da evolução pois nos mostram que em períodos passados, a Terra era habitada por animais diferentes dos atuais e que sofreram mudanças ao longo do tempo, tornando-se mais complexos (isso pode ser verificado pois a idade de um fóssil equivale a idade dos sedimentos em que ele se encontra).
    Estruturas vestigiais são órgãos ou componentes que desempenhavam um papel ativo em um ancestral de um animal mas que por uma adaptação ao meio foi perdendo uso e se atrofiando. Podemos citar como exemplo pequenos tocos que crescem no feto de um golfinho no lugar onde seriam seus membros inferiores e que na metade da gestação esses tocos desaparecem e o animal só fica com os membros superiores (nadadeiras).
    Também muito importante para evidenciar o caráter verdadeiro da teoria, a análise de DNA comprovou que seres supostamente descendentes de um mesmo ancestral possuem muita semelhança genética.
  • Não poderia faltar um algoritmo nessa palestra. Esses seis passos resumem a conclusão chegada por Darwin no seu livro A Origem das Espécies. A primeira premissa diz que é necessário organismos que se reproduzam (não necessariamente de forma sexuada). Depois os descendentes desses organismos devem herdar suas características e apresentar variação das mesmas. Caso o ambiente não suporte todos os seres dessa população haverá concorrência e portanto os seres mais adaptados sobreviverão e se reproduzirão mais, fazendo com que suas características prevaleçam e as outras desapareçam cada vez mais.
  • A seleção natural não apenas explica a especialização de espécies. Ela também pode explicar porque grupos de estrelas são mais comuns no espaço que outras, ou porque determinadas moléculas orgânicas tendem a se formar mesmo na presença de apenas elementos inorgânicos. O experimento de Urey-Miller provou que recriando as condições da Terra primordial foi possível gerar moléculas orgânicas a paritr de substâncias inorgânicas.
    Também podemos até levar a seleção natural para a cultura onde os memes seriam replicadores que também sofreriam o processo de seleção e evolução. Os memes podem ser nocivos para os hospedeiros que habitam (nós) como a valorização da honra em combate. O indivíduo que possui tal pensamento se torna mais vulnerável pois não tem medo da morte em combate, e mesmo diminuindo as chances de reprodução este meme está presente em todas as culturas humanas (disputa entre replicadores genes x memes). Os memes também sofrem a seleção natural, pois competem por hospedeiros (cérebros, livros e outras mídias de armazenamento).
  • Agora vamos responder a algumas refutações propostas pelos criacionistas sobre a teoria da evolução e outros.
  • Definitivamente não. O evolucionismo vai contra a interpretação literal do primeiro livro da bíblia, A Gênese (ou qualquer mito de criação do mundo e das espécies de maneira sobrenatural). Inclusive a igreja católica apostólica romana declarou recentemente que a evolução é compatível com o que está escrito na bíblia.
    Na verdade existem muitos fósseis transacionais. O que geralmente é descrito pelos defensores da ciência da criação é que há ainda muitas pontes evolucionárias sem comprovação na linha evolutiva. Porém é ilógico querer comprovação de cada passo evolucionário de todas as espécies. Já é sorte termos uma grande quantidade de fósseis que inclusive formam uma enorme evidência a teoria da evolução. Esse argumento também é chamado de deus das lacunas, uma vez que qualquer coisa ainda não explicada tem sua causa atribuída a deus.
  • `Metade de uma asa não faz nenhum pássaro voar assim como um olho humano sem a córnea não seria de utilidade para nada. Porém, metade de uma asa seria bastante útil para um pequeno réptil saltador, como um velociraptor. Ajudaria ele a não morrer de uma queda muito alta e a tornar seus pulos mais longos. Talvez metade de uma asa + 1% ajudaria ele a sobreviver de uma queda um pouco maior, e assim por diante. O mesmo vale para um olho que só consegue diferenciar luz e escuridão, levando moluscos a áreas mais iluminadas e, portanto com mais alimento. O exemplo dado por Behe foi refutado em um tribunal em 2005 quando Kenneth Miller apresentou um mecanismo de secreção chamado SSTT (Sistema de Secreção de Tipo Três) encontrado em outras bactérias que possui incríveis semelhanças em arranjo e composição química com o flagelo citado. A hipótese sugerida por Miller diz que os genes responsáveis por esse mecanismo foram “roubados” por outras bactérias e acabaram exercendo outra função. Tal hipótese acabou se mostrando bastante concisa e provável. Vale salientar que Miller é católico e se opõem ao criacionismo.
    Esse argumento apela para o conceito popular de teoria, que é meramente uma especulação ou hipótese. Na ciência, teoria é um modelo bastante aceito e que possui hipóteses que foram devidamente testadas a partir de leis ou fatos que descrevem algum fenômeno natural. Uma teoria é, portanto bastante sólida e muito provável de representar a realidade. A teoria da evolução vem se mostrando precisa e coerente a um século e meio e ainda não foram encontrados fatos ou evidências que a refutem.
  • Esse argumento não é necessariamente utilizado apenas a favor do criacionismo clássico (Terra Jovem, animais imutáveis) mas também é muito usado na defesa de um design ou criador que desencadeou toda a evolução. Na verdade ele não responde o problema da improbabilidade, mas propõe outro problema ainda maior. Se foi necessário um ser inteligente para dar início a vida como conhecemos (ignorando outros corpos celestes no universo) esse ser teria que ser ainda mais complexo e improvável que a vida que originou. Não faz sentido propor que esse criador fugiria a regra de suas criações, ou seja, ele também teria que possuir um criador. E assim numa sucessão infinita.
  • Essa citação de Asimov retrata talvez o motivo porque muitas pessoas se sentem atraídas por esse tipo de armadilha. Por um lado as pseudo-ciências dão um conforto emocional, uma certa paz de espírito. Por outro elas conseguem satisfazer um pouco da necessidade por lógica e raciocínio, porém não satisfazendo um critério mais rigoroso ou honesto como o da ciência verdadeira.
  • A resposta é não. A crença ou fé pressupõe a presença de algo sobrenatural, que não pode ser observado ou posto em experimentação. A ciência trata apenas dos eventos naturais. Se determinado pressuposto religioso fosse provado pela ciência, deixaria de ser religião!
    Religião pressupõe fé: a crença em determinada afirmação mesmo sem evidências. Não se pode empurrar uma crença ou verdade religiosa em escolas ou outras áreas que deveriam ser neutras por ferirem a propriedade laica do estado. Empurrar ensinamentos para crianças numa tentativa de mostrar verdades pessoais que nada tem haver com a ciência ou o método científica é um bom modo de fazer com que elas parem de questionar o mundo a sua volta e apenas se tornem repetidoras meras repetidoras de dogmas.
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    1. 1. Criacionismo, Evolucionismo e Ciência
    2. 2. Sumário • Introdução • Criacionismo • Evolucionismo • Seleção Natural fora da biologia • Refutações • Conclusão • Referências
    3. 3. Introdução • 90,3 % da população brasileira é cristã [1] • Estado laico? • Crucifixos em tribunais? [2] • Mackenzie defende criacionismo em aulas de ciências [3]
    4. 4. Criacionismo
    5. 5. Criacionismo • “Criacionismo é a teoria que afirma que o homem, a terra, e o resto do universo foram originalmente criados e não espontaneamente explodidos do nada para a existência pelo acaso. ” [5] • Argumentos baseados em refutações de evidências da TE
    6. 6. Criacionismo • Teoria do Design Inteligente • “Ciência da Criação”
    7. 7. Criacionismo • Argumento da improbabilidade do surgimento da vida e do universo
    8. 8. Criacionismo • Complexidade irredutível • Falta de fósseis transacionais
    9. 9. Evolucionismo
    10. 10. Evolucionismo • Teoria da Evolução • Darwin: Seleção Natural
    11. 11. Evolucionismo • Anatomia comparada • Presença de fósseis • Estruturas vestigiais • Evidências genéticas
    12. 12. Evolucionismo • Algoritmo para a seleção natural[6]: 1.Haver reprodução 2.Herança de características 3.Variação das características 4.Ambiente com recursos limitados 5.Espécimes mais adaptados ganham dos concorrentes 6.Suas características prevalecem enquanto outras tendem a desaparecer.
    13. 13. Seleção Natural Fora da Biologia • Seleção química (Urey-Miller) • Seleção memética
    14. 14. Refutações
    15. 15. Refutações • “A teoria da evolução é pro - ateísta e anti- cristã.” • “Há falta de vários fósseis transacionais, por isso a teoria da evolução é inválida.”
    16. 16. Refutações • “A Complexidade Irredutível indica a presença de um design inteligente.” • “Evolucionismo é apenas uma teoria.”
    17. 17. Refutações • “A vida é muito improvável. As condições da Terra são perfeitas demais e as constantes físicas devem ter sido ajustadas por um criador.”
    18. 18. Pseudociências • "Examinem alguns fragmentos de pseudociência e encontrarão um manto de proteção, um polegar para chupar, algo a que se agarrar. E o que nós oferecemos em troca? A incerteza, a insegurança!“ [4] Isaac Asimov
    19. 19. Pseudociências • Dogmas e crenças podem ser apoiadas pela ciência? • Religião = fé
    20. 20. Conclusão • É preciso ter cuidado com as pseudo-ciências • Ciência e Religião não se misturam • Um bom entendimento sobre a teoria da evolução é suficiente para evitar a propagação de argumentos e hipóteses falhas
    21. 21. Referências • [1] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/religiao/brasil.html. Acessado em 17 de fevereiro de 2009. • [2] SARMENTO, Daniel. O Crucifixo nos Tribunais e a Laicidade do Estado. Revista Eletrônica PRPE. Maio de 2007. • [3] Folha Online. Mackenzie defende criacionismo em aulas de ciências. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u473446.shtml. Acessado em 18 de fevereiro de 2009. • [4] WikiQuote. Isaac Asimov. http://pt.wikiquote.org/wiki/Isaac_Asimov. Acessado em 18 de fevereiro de 2009.
    22. 22. Referências • [5] Creationism.org. http://www.creationism.org/portuguese/index.htm. Acessado em 18 de fevereiro de 2009. • [6] Wikipedia. Charles Darwin. http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin. Acessado em 17 de fevereiro de 2009. • [7] A Notícia. Igreja Católica aceita a Teoria da Evolução. http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp? uf=1&local=1&source=a2185926.xml&template=4187.dwt&edition =10710. Acessado em 19 de fevereiro de 2009. • [8] DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. Dezembro de 2007.

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