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Depois de saber como financiar essa
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Um mês, cinco
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TEXTO • Bárbara Trevisan
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Se você analisou todas as questões que permeiam a vida de um profissional autônomo e
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Pedi R$30 para minha avó
para colocar gaso...
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embaraçosas
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quando era criança e ficava
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O Mundo Canibal é uma mistura
de personagens marcantes como o
Carlinhos, um menino que comia as
próprias fezes, o Chuck Nó...
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  1. 1. grana.com.br EDIÇãO1_novembro2013_R$9.90 free- lance especial copa sexo desafio sempre há um sob medida para você Vantagens e desvantagens de ser seu próprio chefe prepare o bolso para o mundial O que elas pensam sobre Ménage à Trois  nosso repórter fica um mês sem cartão de crédito EDIÇãO1_novembro2013_R$9.90 perfilRicardo Piologo, do Mundo Canibal - “Nosso humor é nosso pior inimigo” táxi, carroou metrôsaiba Qual é a melhor forma de ir para a balada? SãoPaulo nãoprecisade maisumbar facundo guerra investi mento
  2. 2. Foto Divulgação Guerra, 39 anos e sete casas noturnas no currículo Se existe uma profissão que todo homem já pensou em ter, essa é dono de bar. Granabateu um papo com Facundo Guerra, sócio de algumas das principais casas noturnas de São Paulo. Afinal, essa vida de empresário de entretenimento noturno é tão diferente da sua? TEXTO • Igor dos Santos entrevista facundoguerra Anoite éDELE entre vista acundo Guerra é daqueles sujeitos de quem você quer ser amigo. Apesar de viver numa atmosfera de badala- ção, o empresário chamado pelo The New York Times como “representante da boemia paulistana” leva uma vida bem pé no chão. Aos 39 anos, argenti- no, casado e pai de Pina, ele sabe mui- to bem o que quer de sua vida. Nossa conversa aconteceu numa tarde de segunda-feira, durante as obras do Riviera, seu novo empreendimento. Apenas com café no estômago e um ci- garro na boca, Guerra falou sobre car- reira, família, drogas, download ilegal, aposentadoria e muito mais. ••• Grana_ De engenheiro a em- presário destaque no entreteni- mento noturno. Como você foi parar na noite? Facundo Guerra_ Sempre fui exe- cutivo de carreira. Com 25 anos já era gerente e ganhava um salário muito superior ao que merecia. Mas aconte- ce que, no final das contas, fui demi- tido, o que fez com que eu perdesse completamente o chão. Tinha tra- balhado em muitas áreas ao mesmo tempo. Era um generalista. Achava que não ia conseguir encontrar um emprego tão bom quanto aquele que eu tinha. Eu nunca tinha escrito um currículo. Quando o America Onli- ne (AOL) me demitiu, peguei toda a grana que tinha e tentei a sorte como empresário. Entrei na companhia de roupas de uma amiga. Fiquei dois anos. Como moda e noite são muito próximas, comecei a frequentar esse território e uma coisa levou a outra. Nunca tive muita intimidade com a vida noturna. Para mim, naquela época, era até um pouco inóspito. G_ Você é abstêmio? FG_ Eu não bebo. Não sou moral- mente contra nenhum tipo de entor- pecente, mas também não consumo drogas. Sou muito favorável a elas, só não gosto de perder o controle. G_ Você nasceu em uma família privilegiada? FG_ Pobre no Brasil é pobre de verda- de.Maseufuideclassemédiabembai- xa. Quando vim da Argentina fui para a Barra Funda, que na década de 80 era um bairro mais violento. Então a mi- nha origem é de uma família bem bata- lhadora. Só fui conhecer a gringa mui- to tempo depois de formado. A única coisa de elite que tive foi a educação. Não tive acesso ao que as crianças do colégio tinham: apartamento no Gua- rujá, viagens para Disney e Europa. F 5novembro_2013 4 agosto_2013
  3. 3. G_ Vegas, Z Carneceria, Volts, Lions, Cine Joia, Yatch e agora o Riviera, que já nasce um suces- so. Sete projetos em dez anos. Qual é a chave para todos terem dado certo? FG_ Não acho que tenha uma chave. Uma coisa comum em todos esses lu- gares que eu e meus sócios abrimos é que eles têm uma personalidade mui- to forte. A gente se preocupa em con- tar a história. Eles têm uma narrativa forte por trás, lidam com algum tipo de fetiche. Todos são expressões da nossa personalidade. Eu nunca faria alguma coisa que teria vergonha de frequentar, um boteco genérico. São Paulo não precisa de mais um bar ou casa de show. Não quero abrir uma coisa que já exista na capital pau- lista ou no mundo. Nunca ninguém foi para um lugar meu e disse “olha, eu já vi isso em Nova York”. No final das contas acho que é acreditar mui- to naquilo que você faz. Não fazer por dinheiro. Pelo contrário, abri tantos lugares em tão pouco tempo que só fiquei mais pobre. Tenho uma vida de classe média como qualquer outra pessoa que frequenta os meus lugares. Não sou um playboy que está abrindo um lugar que perdeu a conexão com o público médio. Eu pertenço ao públi- co. Eu vou aos lugares, pego fila. G_ O seu nome sempre vem com o título de responsável pela revitalização da Augusta. Isso te incomoda? Quando o Vegas foi aberto, essa era a intenção? FG_ Não tive a menor intenção. Im- putar a responsabilidade de eu ter sido culpado por transformar a Au- gusta no que se converteu hoje é no- bre, mas ao mesmo tempo errôneo. Uma pessoa só não consegue revitali- zar uma região. Foram vários fatores: timing certo, sorte, bom gosto. Fui muito rabudo, mas também compe- tente. Senão tinha parado no Vegas. E ele só foi o começo da minha his- tória. Eu nem gosto do termo revita- lização. A Augusta foi ocupada agora entre vista Tenho uma vida de classe média como qualquer outra pessoa que frequenta os meus lugares. Não sou um playboy que tá abrindo um lugar que perdeu a conexão com o público médio por uma elite, mas nunca deixou de ter outras pessoas. G_ Em que tipo de público você pensa enquanto está criando um novo espaço? FG_ Eu e meus sócios. Não tento agradar mais ninguém. Se a gente encontrar mais gente que tenha o nosso gosto, vai dar certo. Caso con- trário, vai naufragar. Mas não perco o pulso do meu público, porque sou o meu público.  G_ “Servimos melhor para servir sempre” é o mote de suas casas. Para um público cada vez mais exigente, o que não pode faltar em um empreendimento para noite? FG_ Infraestrutura. O drink tem que estar gelado, o soundsystem perfeito, a luz certa. Não tem espaço para ama- dorismo em São Paulo. Estamos sem- pre refinando. O Joia, por exemplo, já passou por vinte reformulações desde que foi aberto. O ideal da casa é inatin- gível, mas a gente o aspira.  G_ O dinheiro que você levanta é investido no próximo empre- endimento? FG_ Conta particular não tenho um puto. Só acumulei dívida ao longo dos anos.  G_ Os bancos não devem gostar muito de você. FG_ Na verdade, eles me amam. Pago minhas dívidas em dia. Meu di- nheiro está todo nos negócios e sou feliz desse jeito. Não preciso de mui- ta matéria para ser feliz. Tenho mi- nha moto, uma CG 81 que custa R$ 2.500. É com ela que vou para todos os lugares; gosto de livro, que é bara- to; gosto de cinema e dá para puxar filmes pela internet.  G_ Você faz download ilegal? FG_ [em tom de confissão] Eu faço muito download ilegal. Mas os livros eu pago. E música tenho por assina- facundoguerra tura. Esses são meus prazeres, fora a minha filha. Eu vivo como qualquer gerente de baixo escalão de multina- cional. Cinco mil reais já me cobre em um mês. Eu não bebo, isso economiza uma grana dos infernos. Como fora uma vez por semana, quando muito, em lugares mais baratos porque não gosto de pagar muito por comida. Gosto de comer no centro, em lugares bem pé no chão.  G_ Você gosta de comida barata, mas ao mesmo tempo o seu sócio mais recente é o chef Alex Atala. A proposta do Riviera é trazer uma cozinha de baixo custo? FG_ Comida barata e muito mais acessível, senão ele [Alex Atala] ia con- correr com o seu próprio restaurante.  G_ Quanto foi o investimen- to inicial do Vegas e agora do Riviera? FG_ A gente abriu o Vegas sem nada em 2005 ao custo de duzentos mil reais. Já o investimento do Riviera é 2.000% maior. É o projeto mais caro até hoje. G_ E não é o maior. O que dei- xou ele caro? FG_ A cozinha do Atala e a acústica do lugar que é toda feita de vidro. G_ Jazz. É um gosto seu? Até agora você só tinha casas que tocavam músicas alternativas. FG_ O jazz é mais underground que a música eletrônica e o rock. Ele vi- rou música de tiozão. Não me preo- cupo com o que o público acha. Vou tentar me agradar e, se tiver sorte, vou encontrar gente que curta a mesma coisa. G_ Como filho e neto de mili- tantes, como você se sente ao ressuscitar o Riviera, que é um símbolo da esquerda contra a ditadura? FG_ Foi um tempo que não volta mais. E trazer a importância histórica que o Riviera teve na década de 1960 seria um erro anacrônico do meu lado. O que estou fazendo é olhar para o que o bar tinha de fundamental e tentar reproduzir no presente, mas que seja um lugar contemporâneo que não cheire a mofo. Tenho ódio ao vintage. Porém tenho muito respeito à história do Riviera. Todas as vezes que entro lá, faço esse exercício quase de subli- mação de ego: esse bar não é meu e Não tenho um puto em conta particular. Só acumulei dívida ao longo dos anos Não tem espaço para amadorismo em São Paulo De argentino só o documento, Guerra fala e gesticula como paulistano nem do Atala. Ele é mais importante, forte e histórico do que a soma de seus sócios. Eu não quero que ele seja meu. Minha função é ser um condutor para o Riviera voltar a existir. G_ Isso acontece em todos os seus projetos? Você faz um espa- ço para a cidade de São Paulo? FG_ Não vou pagar de bonzinho: eu faço por interesse financeiro. Sou um empresário antes de qualquer coisa. São negócios. Mas eu amo a cidade. Foto Divulgação 6 7novembro_2013 novembro_2013
  4. 4. entre vista E isso acaba ficando expresso quando você entra num lugar e fala “pô, esse lugar só poderia existir aqui, mêo”. São poemas de amor a São Paulo. G_ Todos estão na mesma re- gião. Qual é a sua conexão com o Centro? FG_ Cresci lá. Conheço de frente e de costas. Ele é o meu território. Não conseguiria abrir um bar em Moema, no Itaim ou Vila Madalena [bairros boêmios de classe alta]. Eles não são a minha São Paulo. Sou territorialista. G_ Hoje o centro da capital é frequentado pela classe média, que antes o ignorava. O que cha- mou atenção desse pessoal? FG_ Já existiam algumas expres- sões, como o Executivo Bar, Aloca e o Madame Satã. Mas eles estavam no underground. O que a gente fez foi potencializar essa ideia. Fizemos um underground com infraestrutura. Não fui o bandeirante. Só evidenciei um movimento que já estava fermentan- do por muito tempo. G_ Você foi pai recentemente. Como é conciliar a paternidade e trabalho? FG_ Eu não quero ser workaholic. Minha filha tem um ano. Tive que es- colher entre o Riviera e minha filha. Por isso ele demorou tanto para ficar pronto. Eu não abro mão de passar tempo com ela, de levar à escola. Não quero me arrepender depois de não tê-la visto crescer porque estava tra- balhando demais. Fiz a escolha certa para ter mais tempo com a Pina. Cons- truí o Joia e o Yatch simultaneamente em nove meses. Mas foi uma época que não tinha família. Era só aquilo.  G_ Como é a sua rotina? FG_ Trabalho muito do computa- dor de casa, cerca de quatro horas. Fico lendo meus e-mails e tudo mais. Fora de casa mais umas sete. Eu lido com gente muito competente. Estou com a mesma equipe desde a época A minha profissão é meio jogador de futebol. Não posso ficar fazendo boate com 40 anos. Seria ridículo Todo mundo sabe que uma lata de cerveja no mercado custa centavos e lá dentro oito reais. Tenho que fazer valer essa diferença do Vegas.  Desde bartenders, luz, até o pessoal de criação são mais de tre- zentas. Todo mundo registrado preto no branco. Não faço nada fora da lei, infelizmente.  G_ Você gostaria fazer algumas coisas fora da lei? FG_ Queria ser esperto como gran- de parte dos empresários do Brasil. Mas não topo, porque já estou mui- to em evidência e dinheiro não é a minha prioridade na vida. Então eu pago todos os impostos, sem proble- ma nenhum. G_ Depois do episódio em Santa Maria, aumentou a preocupa- ção com segurança? FG_ Esse é meu business. Não posso me divertir. Tenho que ser o cara mais chato do mundo. Por isso mesmo não gosto de frequentar, não consigo tirar prazer disso. As pessoas que vão às minhas casas pagam caro e tenho que respeitar cada centavo, porque é um dinheiro suado, na maior parte das vezes. Todo mundo sabe que uma lata de cerveja no mercado custa centavos e lá dentro oito reais. Tenho que fazer valer essa driferança. Não pode ter ar condicionado pifado, caixa de som queimada, cerveja quente e tenho que ter uma equipe de seguranças bem treinada. A noite foi ficando cada vez mais jovem. E jovem naturalmente traz mais problemas.  G_ Você fala em se agradar, mas ao mesmo tempo diz que não pode ficar parado para cur- tir o espaço que você fez pra si. Isso é um paradoxo. Você cria um espaço, curte o momento de explosão e já o coloca de lado. FG_ Quando eu falo em me agradar, me refiro ao projeto, não necessaria- mente em me entreter como consu- midor. Ele estando pronto, não quero mais ir para o lugar. Se eu quiser ir a um restaurante, não vou ao Riviera. Lá vou ter que servir drink e vai ter gente me solicitando a todo momento facundoguerra e eu não quero passar por isso.    G_ Então você prefere a parte de criação ao dia a dia do negócio? FG_ Milhões de vezes. Uma vez que o espaço está pronto, o filho está entre- gue ao mundo. Vou para o próximo. G_ Você mora com o seu avô materno até hoje. Fala-me mais sobre ele. FG_ Ele tem 95 anos e é um vende- dor de bala de coco. É um personagem adorável. Tenho muita sorte de tê-lo por perto. Uma coisa que acho legal é que ele não tem medo do ridículo. E aí eu percebi que a velhice, de uma de- terminada maneira, te dá licença para ser ridículo. O que é bem libertador.  G_ Se o Facundo fosse um cara do escritório, ele frequentaria as casas do Facundo da noite? FG_ Com certeza. A minha vida não é muito diferente de qualquer burocrata.  G_ Você diz que cada projeto seu conta uma história. E que muitas dessas histórias se mes- clam com a sua vida. Qual vai ser a próxima história que você quer contar? FG_ Não sei. Ainda vou descobrir. Eu sempre estou pensando em alguma coisa, mas agora não tenho nada fe- chado para começar.  G_ Vai dar um tempo para curtir o Riviera? FG_ Eu sempre falo isso e nunca consigo. Preciso saber a hora de parar. A minha profissão é meio jogador de futebol. Não posso ficar fazendo boate com 40 anos. Se- ria ridículo. Até porque não tenho mais a boate dentro de mim. Se eu tentasse fazer uma agora, não se- ria verdade. Poderia construir para ganhar dinheiro, mas não seria um club tão importante quanto o Yatch, Lions e Vegas são. Já fiz uma casa de show e um espaço de jazz, que eram coisas que sentia falta em São Paulo. Fiz sete lugares em dez anos. Acho que já está bom. Vou deixar para outras pessoas. G_ O jogador de futebol depois que se aposenta vai fazer algu- ma outra coisa. FG_ Eu posso administrar os meus lugares. Posso voltar a dar aula de re- dação pré-vestibular. Ou quem sabe eu monte um baile de terceira idade daqui uns dez anos [risos].  Com decoração inspirada nos clubes de cavalheiros ingleses, o Lions conta com animais empalhados e uma grande varanda com vista para o centro antigo de Sampa Decoração do Riviera conta com objetos pessoais de Guerra Fotos Divulgação 8 9novembro_2013 novembro_2013
  5. 5. edição de novembro de 2013 15 18 20 CAPA Deuoque falar,eaí? Asúltimasda economia Carreira Vidade freela Econom ês Spread bancário Moda Passeio noparque Cartaaoleitor Oprimeiropasso Expediente 21 51 54 58 68 72 76 78 16 39 Lifestyle Um m êssem cartãodecrédito EsporteKart NotíciasCotações Querumsabredeluz? Perfil Ricardo Piologo, do Mundo Canibal CAPA Investimento Qual o melhor para você? 33 30 36Escritório Vontade desumir Pseudônim o Dicasdo Sr.Gastão Vocêsabia? Curiosidades sobre...sexo! Tira-teimaIndoparaabalada: táxi,carrooumetrô? MesaRedonda Ménage à trois Lista O quefazer antesdecasar Agenda Osdestques denovembro 64 sumário Grana na Copa 2014 24 23CrônicaSó mais 5minutos 66 74 Tecnologia Games:oslançamentos Entreamigos Como preparar um churras
  6. 6. oprimeiro passo D epois de nove meses de trabalho duro, Gra- na vem ao mundo para reunir duas questões essenciais na vida de qualquer ser humano: dinheiro e comportamento. A escolha se deu por não termos encontrado uma revista para jovens adultos que falasse do dinheiro inserido no dia a dia e no estilo de vida dessas pessoas. A partir de um projeto do sexto semestre da faculda- de, simples e pouco elaborado, três de nós criaram um protótipo: Igor dos Santos, leitor assíduo de revistas de comportamento, Fellipe Bonilha, que nós chamamos de “nosso público-alvo”, uma vez que ele tem exatamente o perfil de nossos leitores e sabe escrever para essa galera, e eu, que já tinha experiência em publicações mensais. A experiência foi tão bacana, que decidimos reformular o antigo projeto para ser nosso TCC. A ele se juntaram Tha- ís Pepe, uma apaixonada por economia, e Jéssica Maia, mais ligada na questão comportamental. Na primeira metade de 2013, o foco foi a pesquisa e a definição do projeto. No segundo semestre, juntaram-se Os editores: Jéssica Maia, Fellipe Bolinha, Igor dos Santos, Bárbara Trevisan e Thaís Pepe ainda o orientador Jorge Tarquini e o diretor de arte Filipe Rocha. Como em toda revista que se preze, criamos e recriamos projeto gráfico, escrevemos e derrubamos reportagens, escrevemos e reescre- vemos textos. A revista que você tem em mãos não está finalizada: só não mudamos mais porque, como toda revista, teve a hora do fechamento. O resultado, porém, ficou bem próximo do que esperávamos e estamos muito orgulhosos. Esperamos que você cur- ta e aproveite a Grana conosco. Foto Arquivo Pessoal Bárbara Trevisan Editora barbaratrevisan@grana.com.br cartaao leitor 15novembro_2013
  7. 7. expe Reitor Marcio de Moraes Pró-reitora de graduação Vera Lúcia G. Stivaletti Pró-reitor de pós graduação e pesquisa Fabio Josgrilberg Faculdade de Comunicação Diretor Paulo Rogério Tarsitano Coordenador do curso de jornalismo Rodolfo Carlos Martino Orientador Jorge Tarquini Editores Bárbara Trevisan, Fellipe Bonilha, Igor dos Santos, Jéssica Maia e Thaís Pepe Diretor de arte Filipe Rocha Colaboraram nesta edição Bruno Trevisan (modelo), Gui- lherme Marques (modelo), Ivanir dos Santos Junior (fotogra- fia) e Tiago Silveira Dias (fotografia) Esta publicação é parte integrante do Trabalho de Conclusão de Curso dos alunos do 8º período de Jornalismo de 2013. diente 16 novembro_2013
  8. 8. eaí? deuoque falar Analistas afirmam que inflação vai crescer ainda mais em 2014 Tarifa de celular no Brasil é a mais cara do mundo Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai subir para 5,97% A inflação basicamente nasce do aumento de preço de algum produto ou serviço e acontece, geralmen- te, por causa da Lei da Oferta e da Procura, que é quando mais pessoas querem comprar do que a quantida- de disponível para ser vendida.  No Brasil, os preços estão subindo também devido ao grande incenti- vo que o governo deu ao consumo para sair da crise de 2008. Com a economia superaquecida, as pes- soas, inclusive você, começaram a comprar mais.  Por outro lado, a indústria não estava preparada para boom do consumo e o país não investiu o suficiente. Some esses fatores à elevação dos preços internacionais e você terá a explicação do atual cenário econô- mico brasileiro.  A dica é não comprar sem necessi- dade e pesquisar. Além disso, fuja de produtos que estão muito caros ou em entressafra, como foi o caso do tomate no meio desse ano. Informe anual da União Interna- cional de Telecomunicações (UIT) constatou que o custo de uma ligação aqui é três vezes maior comparado ao dos EUA O Comunicado da UIT só verificou algo que todos nós já sabemos: tudo no Brasil custa muito. Com a telefonia não é diferente. Para se ter uma ideia, um minuto no celular em horário de pico aqui custa R$ 1,62. Já em Hong Kong o mesmo serviço sai por menos de três centa- vos. É claro, esses são dados extre- mos. Porém, eles deixam o fato ainda mais visível. O motivo de sua conta de celular ser tão alta é o tão falado “custo Brasil”. É uma série de particularidades do nos- so território que faz o total da soma ser tão gordo. Questões políticas, econô- micas e trabalhistas são as principais causadoras desse fator. A maior vilã dessa história é a carga tributária. Cerca de 40% do valor de um minuto é composto de tributos. O Imposto sobre Circulação de Mercado- rias e Serviço, o ICMS, que tem alíquo- tas diferentes de estado para estado, é quem mais eleva esse número. Outro fator é a infraestrutura brasilei- ra. Como foi dito na notícia da inflação, o país cresceu, mas com pouco investi- mento. Ainda falta estrutura de energia elétrica, logística e um melhor sistema de telecomunicação. Logo, empresas têm mais gastos com manutenção e assistência. E o custo é repassado para o consumidor. FMI reduz previsão de crescimento do país para o ano que vem Em 2014, PIB brasileiro vai aumentar apenas 2,5% Nosso país cresce a passos de formiga. Vis- to antes como aposta, o Brasil está sendo ultrapassado pelas outras nações emer- gentes. Todas elas têm avanços superiores. A Índia, por exemplo, deve elevar seu Pro- duto Interno Bruto, o PIB, em 5,1%. O PIB é a soma de todos os bens e ser- viços produzidos em um país durante certo período. O poder de compra da população influencia diretamente nesse valor. Investimentos da indústria, agri- cultura, serviços e do governo também impulsionam o índice. Quanto mais se gasta, mais o PIB cres- ce. Uma nação consumista impulsiona o avanço. O consumo depende dos salá- rios e dos juros. Juro alto e salário baixo inibem a compra e consequentemente leva a estagnação ou recessão. O ruim do PIB é que ele não representa o quadro total de uma população. Dados como a distribuição de renda e o bem estar do povo não são levados em con- sideração. Portanto é errado analisar a saúde financeira de um país apenas por esse elemento. PIB2014 Previsão do Fundo Monetário Internacional do crescimento do Produto Interno Bruto para países emergentes Índia China Rússia África do Sul Brasil 5,1% 7,3% 3% 2,9% 2,5% IlustraçãoPensei 18 novembro_2013
  9. 9. pseu dônimo Fui promovido e agora meu salário dobrou. Como melhor investir essa 'gordura'? Meu caro martão, todo macho que se preze sabe que a gordura é responsável por dar sabor à carne. Já que está sobran- do pra você, não fique no frango grelha- do. Vá logo para a picanha. Gaste esse dinheiro aos modos de um bon vivant. Compre um carro melhor, roupas de grife e relógios maiores que os do Faustão. As mulheres vão cair em cima. Agora, se seus hábitos dizem para não exagerar, o que eu acho a maior besteira, o caminho é outro. Essa edição da Grana traz a reportagem “Dinheiro parado não dá lucro”, na página 39, sobre diversos tipos de investimentos. Os caras falam que, se está sobrando, a melhor solução é aplicar. Pobres coitados. É aquela velha história: deixar de tomar a cerveja do happy hour durante cinco anos fará, no final, você ter uns trocados SPREAD BANCÁRIO substantivo masculino 1. É a diferença entre a taxa de juros paga por institui- ções financeiras para remunerar o dinhei- ro aplicado por pessoas ou empresas e a que ele cobra para emprestar. 2. Se você aplica uma quantia na poupança, é como se estivesse emprestando  dinheiro ao banco a juros de 0,5%, por exemplo. 3. Porém, ao emprestar esse mesmo valor a outro cliente, os juros cobrados serão bem mais altos do que os 0,5%. 4. Essa diferença é o spread bancário, o lucro do banco em operações financeiras. No Bra- sil, o spread bancário é um dos mais altos do mundo. Em março de 2013, por exem- plo, ele chegou a 17,7 pontos percentu- ais, de acordo com dados oficiais. GustavoMartão 22anos SãoPaulo,SP Envie sua pergunta para o Sr. Gastão! gastao@grana.com.br a mais sem o prazer da descontração etí- lica com os amigos... Um salve aos apreciadores da gordura! E não se esqueça de mim na hora de gas- tar. Essa é minha especialidade. sr. gastão_Faça tudo que ele fala, só que não spread bancário explica: Clienteemprestaaobanco Bancoemprestaaocliente Valor emprestado Valor emprestado Valor com juros Valor com juros SPREAD cotações notícias ALTA Brincadeira de jedi Todo garoto já desejou ter o sabre de luz do Darth Vader ou do mestre Yoda. Por enquanto, o jeito é se conformar com as peças de plástico, mas a ciência está cada vez mais perto de descobrir como criar um sabre de verdade. Pesquisadores da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachu- setts (MIT), nos Estados Unidos, conse- guiram unir fótons, partículas essenciais da luz, para formar moléculas, o que, até então, era apenas uma teoria. O resultado foi uma luminosidade que pode ser com- parada às espadas da trilogia Star Wars. Os fótons sempre foram considerados partículas sem massa e que não intera- giam entre si. Ou seja, se dois raios laser se cruzassem, eles apenas atravessariam um ao outro. Com essa experiência, os cientistas colocaram esses átomos em condições extremas, fazendo com que se chocassem até formarem um filete de energia estável. É claro que, pelo menos em curto prazo, não teremos os sabres de luz da vida real, mas essa nova descoberta poderá ser usada para desenvolver computadores super rápidos, por exemplo BAIXA O show do Metallica que deveria acontecer dia 15 de novembro no estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi cancelado pela produtora da banda, mas ninguém sabe o motivo. O jeito é torcer para remarcarem... BAIXA Quinze garotas fica- ram acampadas por um mês e meio em frente ao sambó- dromo do Anhembi, em São Paulo, para o show de Justin Bieber no dia 2 de novem- bro. No Rio de Janeiro, as barracas foram proibidas e a galera voltou pra casa. ALTA Uma família de Maringá, PR, cria sete tigres em casa. Os dois primeiros foram salvos em 2005 de um circo, onde eram maltratados. Hoje, todos os animais são bem cuidados e acompanhados por veterinários. ALTA No dia 29 de novembro rola a Black Friday Brasil e muitas lojas devem vender seus pro- dutos com grandes descontos. Ao me- nos é o esperado, já que no ano passado as promoções foram um fracasso. IlustraçãoPensei Fotos Divulgação 20 21novembro_2013 novembro_2013
  10. 10. O despertador toca pela terceira vez. Pedro sabe que pode esperar até o quarto alarme para, en- tão, criar coragem e co- meçar o dia. Quarta vez. Pronto, vai ter que levantar. Durante o banho, sente a falta do condicionador. Hoje – assim como on- tem e no dia anterior – vai ser só com o xampu. Enquanto se veste, procura o relógio. O tempo parece estar constan- temente escapando de suas mãos. Aopisarnoescritório,a“sombra”já o segue. “Pedro, o projeto tá pronto?” Pânico! Maldito trabalho que não foi terminado. O engenheiro júnior não conseguia entender: se a apresentação era daqui a dois dias, por que diabos tanta pressão? Ainda tinha tempo sufi- ciente para assistir um monte de episó- dios de Game of Thrones. Apesar do chefe, o trabalho o agra- dava. A empresa é sólida, o Facebook é aberto –“man, dá até para ver vídeos do Porta dos Fundos”. A parte ruim era a cobrança, que dava vontade até de procurar outro emprego. Mas rola- va uma preguiça de colocar o currículo no mercado. Não é conformismo. O problema é Pedro sempre dar a cartada final uma rodada antes de o jogo acabar. Procras- tinação circula em suas veias, a tem- po o bastante para nem lembrar mais Não deixe para amanhã o que você pode fazer na semana que vem mais Só quando começou a “adiar as coisas”. O relacionamento de dois anos com Márcia também sofre dessa malemo- lência com os prazos. Entre os amigos, a chama de “a mina que eu pego”; para a família, diz “estou saindo com uma menina”. Para si, em devaneios, confes- sa um sentimento maior – que logo re- chaça: “por que namorar agora se posso fazer isso daqui a uns... três anos?”. POR DIAS MELHORES O auge do movimento “slow motion” rolou quando Pedro adiou uma visita ao médico. O que antes era “só uma dor chata, vai passar” se tornou crise de apendicite e ci- rurgia de emergência. Nesse momento, percebeu que a vida passa e para acompanhá-la pre- cisava ser “frenético”. Num domingo preguiçoso, a determinação foi mais forte: deixou a lista de coisas a fazer menor e a pilha de “trampos feitos”, mais cheia. Viu como era fácil deixar as obrigações em dia. Bastava fazê-las. Foi até o shopping: estava decidi- do a dar um upgrade. Seguiu até a vi- trine da joalheria. Alianças por toda a parte. “Tô indo rápido demais com essas paradas”, pensou ao ver o pre- ço das argolas. “Ainda tenho muito tempo para isso.” Era a ressurreição do procrastinador. TEXTO • Igor dos Santos nu tos mi5 FotoSxc.hu 23novembro_2013
  11. 11. na copa TEXTO • Fellipe Bonilha e Igor dos Santos Pegue o bandeirão e acompanhe o verde e amarelo pelo Brasil em 2014 Sigam-me os Pegue emprestado Fazer um empréstimo pode ser ruim se não for planejado. Os ju- ros são altos e a dívida pode sair do controle. Para isso não aconte- cer, comprometa até 20% do seu salário com as prestações. Além disso, corte gastos. No box preto, você encontra uma simulação que fizemos. O segredo é pesquisar e ver a melhor opção. Presente de natal Guarde o 13° salário para saldar os gastos. Se sua empresa tiver esse benefício, utilize também a PLR (Participação nos Lucros e Resultados). A perder de vista Use o cartão de crédito. Claro, com muita consciência. Ele é ideal para pagar o hotel e passagens aéreas. São itens com valores maiores que podem ser comprados agora. Isso tudo parcelado e sem juros. Porém não perca o controle. A fatura chega todo mês com as compras que você já tinha feito. Não deixe virar uma bola de neve. Os juros do cartão são os mais altos, algo entre 13% e 15% ao mês. Quebre o porco Utilize o cofrinho. É economica- mente mais saudável gastar o di- nheiro que está sobrando do que realizar dívidas. Pague o máximo que conseguir à vista. Quer ver os jogos da Copa? Então faça sacrifí- cios. Em vez de jantar naquele res- taurante badalado toda semana, peça uma pizza em casa. A no que vem não tem para ninguém. A Copa do Mundo é dos brasileiros. Vamos cantar o nosso hino antes de cada parti- da, apoiar os jogadores e torcer pela seleção, além de viajar por todo o país. Antes de cada espetáculo, tem a preparação. O Felipão está fazendo a parte dele. E você, amigão, já dei- bons xou tudo organizado? Siga os passos desse guia e curta os jogos com pla- nejamento e sem dívidas. A proposta é simples: assistir a todos os jogos do Brasil, da abertura em São Paulo ao Maracanã, contan- do que nossa seleção vá fazer bonito e siga até o último jogo. Para ajudá-lo nessa odisseia futebolística, a FIFA criou um pacote chamado Carnê de Ingressos para Seleção Específica (CISEL), onde você pode adquirir ingressos por seleção ou por estádio. O CISEL-BR7 permite assistir a to- dos as partidas do Brasil, da fase de grupos até a final. É ele que você tem que comprar. Os ingressos para o mundial estão à venda desde agosto, em es- quema de inscrição e sorteio. Caso você não tenha sido contemplado no sorteio, não se desespere, ainda há muito o que fazer. De acordo com a FIFA, nem todos os ingressos foram colocados à disposição na primei- ra fase de vendas. Você ainda terá chances de comprar seu pacote. Nos dias 5 a 28 de novembro serão ven- didos os ingressos remanescentes do primeiro lote. Aí não tem nada de sorteio. É no bom e velho quem che- ga primeiro. Caso o Brasil seja eliminado an- tes, quem adquiriu o CISEL-BR7 não vai perder os ingressos. O combo permite que você acompanhe o time vencedor para a próxima rodada da competição até chegar ao último jogo. E agora, quem poderá nos ajudar? Os preços dos ingressos não estão nada amigáveis. Para reali- zar o sonho de qualquer torcedor, você gastará, dependendo da cate- goria, entre R$ 3.058 a R$ 6.700 pelo CISEL-BR7. Outra opção tão salgada quanto é adquirir o CI- SEL-BR6 mais o jogo 64, que é a final, por R$2.420 a R$6.502. Os dois pacotes dão acessos às mes- mas partidas. Isso sem contar as passagens aéreas, hospedagem e transporte. E também rola o fator turismo. Afinal, essa é a graça de viajar pelo país. Bom planejador que você é, te- mos certeza que toda a grana ne- cessária para essa empreitada já está separada, não é mesmo? Bem, se isso for verdade, vá direto para a próxima página e veja o nosso mapa da Copa, com informações de todos os estádios e o trajeto que a seleção brasileira vai fazer. O mundial começa no dia 12 de junho, no estádio do Corinthians, re- cém batizado como Emirates Arena, em São Paulo. Você tem até lá para estar com tudo organizado. Não marque bobeira e garanta o seu lu- gar para o primeiro jogo do Brasil. Caso você não tenha economiza- do nada, ou ainda falta uma parte do dinheiro, para pagar as despesas da viagem, veja algumas opções no quadro ao lado. Banco privado • 7% de juros ao mês Em 48 parcelas, total de R$ 15 mil Em 27 parcelas, total de R$ 9 mil Banco público • 2,51% de juros ao mês Em 12 parcelas, total de R$ 4.680 Em 24 parcelas, total de R$ 5.376 Empréstimo crédito pessoal automático • 3,87% de juros ao mês Em 12 parcelas, total de R$ 5076 Financiadora • 10,34% de juros ao mês Em 12 parcelas de R$ 597, total de R$ 7.164 Foto Portal da Copa EMPRESTANDO Veja qual opção vale mais a pena para o seu bolsa. Todos os empréstimos são calculados no valor de R$ 4 mil A segundafasede vendas começa dia 8 de dezembro, logo após o sorteio dos grupos. O sistema de compras funcionará da mesma forma. Até 30dejaneiro é possível solicitar os ingressos e aguardar ser sorteado.Pedidos por ordem de chegada acontecem a partir de 26de fevereiro e vão até 1ºdeabril. A última fase de vendas, a chamada lastcall, começa em 15deabrile vai até o começo do campeonato Projeção artística do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre 24 25novembro_2013 novembro_2013
  12. 12. Depois de saber como financiar essa empreitada, nada melhor do que conhecer as cidades por onde você irá passar e as arenas das partidas. Esse mapa mostra onde estão cada um dos 12 estádios e por quais deles o Brasil vai passar copa mapa daArena Amazônia Manaus Capacidade 42.374 espectadores Custo R$ 605 milhões  Ano de construção 2013 Número de jogos 4 Diferencial Estrutura metálica na parte externa Estádio das Dunas Natal Capacidade 42.086 espectadores Custo R$ 350 milhões Ano de construção 2013  Número de jogos 4 Diferencial Construção ondulada que imita a paisagem de Natal Arena Pernambuco Recife Capacidade 42.849 espectadores Custo R$ 529,5 milhões Ano de construção 2014 Número de jogos 5 Diferencial Fachada feita de plástico EFTE, permite variação de cores Arena Fonte Nova Salvador Capacidade 52.048 espectadores Custo R$ 591,7 milhões Ano de construção 1951 Número de jogos 6 Diferencial Cobertura grandiosa e restaurante panorâmico Estádio Nacional Brasília Capacidade 68.009 espectadores Custo R$ 1,43 bilhão Ano de construção 2012 Número de jogos7 Diferencial Arquitetura imponente inspirada nos traços de Niemeyer Arena Pantanal Cuiabá Capacidade 42.968 espectadores Custo R$ 519,4 milhões  Ano de construção 2014 Número de jogos 4 Diferencial O estádio é totalmente sustentável Estádio Mineirão Belo Horizonte Capacidade 57.483 espectadores Custo R$ 695 milhões Ano de construção 1965 Número de jogos 6 Diferencial Preservação da fachada anterior Arena de São Paulo São Paulo Capacidade 65.807 espectadores (dos quais 20 mil temporários) Custo R$ 855 milhões Ano de construção 2014 Número de jogos 6 Diferencial Estrutura retangular e painel de LED em uma lateral externa Estádio do Maracanã Rio de Janeiro Capacidade 73.531 espectadores Custo R$ 1,19 bilhão Ano de construção 1950 Número de jogos 7 Diferencial Maior e mais tradicional palco do futebol do Brasil Arena da Baixada Curitiba Capacidade 41.456 espectadores Custo R$ 265 milhões Ano de construção 1914 Número de jogos 4 Diferencial Depois de perder o teto retrátil, o atrativo fica por conta da iluminação externa. Estádio Beira-Rio Porto Alegre Capacidade 48.849 es- pectadores Custo R$ 330 milhões Ano de construção 1969 Número de jogos 5 Diferencial Estrutura me- tálica em formato de garras Estádio Castelão Fortaleza Capacidade 58.704 espectadores Custo R$ 623 milhões Ano de construção 1973 Número de jogos 6 Diferencial Fácil acesso e cobertura total das arquibancadas MT ac am rr ap pa ma pi to ba go df mg sp rj es ms pr sc rs se al pb rn pe ce FotosPortaldaCopa FotoEBC FotoDivulgação 26 27novembro_2013 novembro_2013
  13. 13. Um mês, cinco capitais, sete jogos. Para essa empreitada dar certo é preciso uma boa logística. De locomoção a turismo, veja as dicas para você não ficar perdido durante o mundial A ntes de sair pelo Brasil na cola dos jogadores, uma palavra tem que guiar você: planejamento. Os dois itens que precisam ser resolvidos para ontem são as passagens aéreas e hospedagem. Tenha em mente que serão per- didas horas e horas de pesquisa e co- tações. Os preços e benefícios de um serviço para o outro muda muito. Para ter uma ideia, o valor total gas- to com passagens vai de R$1.480 até R$16.337. Já com hotéis, esse mon- tante gira em torno de R$ 1.500, po- dendo chegar a números que a sua conta bancária sangraria de dor. Uma dica é ficar atento às promo- ções que as companhias aéreas reali- zam. E para não comprometer o seu orçamento, a maioria das empresas parcelam em seis vezes (a Azul par- cela em 12 vezes sem juros). Se você tiver programa de milhas, agora é hora de usar. Não enrole, garanta suas passagens agora. A tendência é que os valores subam ainda mais. Procure viajar sempre um dia an- tes da partida. É mais barato e não tem correria para sair do aeroporto e ir direto para o estádio. Se as passa- gens já tiverem acabado, tente voos partindo de cidades do interior ou com conexão em outros estados. Já com os hotéis, a maior preo- ROTEIRO São três jogos na fase de grupos. Para continuar na competição, o Brasil precisa se classificar em primeiro ou em segundo colocado. Esse roteiro leva em consideração esses dois cenários. 1º jogo 12/06 Abertura São Paulo Passagens BH – SP • R$ 105 a R$ 1.959 RJ – SP • R$ 167 a R$ 1.759 Natal – SP • R$ 656 a R$ 2.156 Hospedagem Hotel em SP • R$ 381 a R$ 1.677 Albergue em SP • R$ 26 a R$ 400 Turismo Para o dia Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera ParaanoiteD-edge.Com designsofisticado,oclub dosLEDsjáentrouem váriaslistasinternacio- naisdemelhorbalada Para comer Bairro do Bixiga e Liberdade 2º jogo 17/06 Fortaleza Passagens SP – Fortaleza • R$ 295 a R$ 2.217 Hospedagem Hotel em Fortaleza • R$ 93 a R$ 477 Albergue em Fortaleza • R$ 50 a R$ 300 Turismo Para o dia Beach Park. Melhor parque aquático do país. Vá no Insano, um toboá- gua de 45m com uma queda de 105m/h. Para a noite Pirata Bar Para comer Santa Grelha 3º jogo 23/06 Brasília Passagens Fortaleza – Brasília • R$ 321 a R$ 2.895 Hospedagem Hotel em Brasília • R$ 128 a R$ 2.580 Albergue em Brasília • R$ 200 Turismo Para o dia Palácio do Planalto Para a noite O’Rilley Pub. Esse é o lugar das cervejas irlandesas, sinuca e música ao vivo. Para comer Comercial 404/405 Sul, a rua dos restaurantes. 4º jogo Oitavas de final Passagens 1º cenário 28/06 • Brasília – BH • R$ 311 a R$ 1.836 2º cenário 29/06 • Brasília – Fortaleza • R$ 285 a R$ 2.170 Hospedagem Hotel em BH • R$ 140 a R$ 800 Albergue em BH • R$ 100 a R$ 120 Turismo em BH Para o dia Ouro Preto. A cidade histórica está a 98KM de BH. Para a noite Swingers Lounge. Mineiras, música e comida japonesa. Para comer Restaurante Xapuri 5º jogo Quartas de final Passagens 1º cenário 04/07 • BH – Fortaleza • R$ 576 a R$ 2.240 2º cenário 05/07• Fortaleza – Salvador • R$ 149 a R$ 2.438 Hospedagem Hotel em Salvador • R$ 60 a R$ 2.113 Albergue em Salvador • R$ 25 a R$ 40 Turismo em Salvador Para o dia Farol da Barra e o Peilourinho. Para a noite Club Ego. Balada para o público AA dentro do Hotel Pestana. Conta com elevadores exclusivos que levam do quarto ao camarote. Para comer Acarajé 6º jogo Semifinal Passagens 1º cenário 08/07 • Fortaleza – BH • R$ 576 a R$ 2.624 2º cenário 09/07 • Salvador – SP • R$ 159 a R$ 1.999 7º jogo Final 13/07 Passagens 1º cenário • SP –RJ •R$ 225 a R$ 1.759 2º cenário • BH - RJ • R$ 166 a R$ 1.837 Hospedagem Hotel em RJ •R$ 285 a R$ 1.530 Albergue em RJ • R$ 35 a R$ 400 Turismo no Rio Para o dia Cristo Redentor e Praias. Para a noite Lapa Para comer Galeto & Cia. A rede de restaurantes tem pratos bons com preços honestos. cupação é com a lotação máxima. A maioria das cidades não tem rede hoteleira suficiente para um evento como a Copa do Mundo. Caso já te- nha acabado os quartos disponíveis, procure vagas em albergues. Eles são uma ótima opção se você esti- ver viajando sozinho (ótima oportu- nidade para conhecer estrangeiras gostosas) ou vá em busca de hotéis em cidades vizinhas. Leve sempre em consideração a localização, assim você economiza com o transporte. Dê preferência aqueles próximos a terminais de ônibus ou estação do metrô. Uma saída é alugar um carro durante a sua estadia. É tendência os moradores das cidades alugarem quartos, assim como motéis abrirem quartos para turismo. Esses dois podem ser uma boa saída para economizar. Muitos hotéis aceitam o cancelamento sem nenhuma taxa extra. E a maioria de- les parcela em mais de 4 vezes. turístico guia Acima, Salvador; abaixo, praia no Rio de Janeiro Vista de cima do Viaduto do Chá, em São Paulo Fotos Embratur 28 29novembro_2013 novembro_2013
  14. 14. TEXTO • Bárbara Trevisan M uita gente abandona o emprego fixo e passa a ser um profissional autô- nomo em busca de atuar em uma carreira com mais liberdade. Na teoria, esse tipo de trabalho, no qual não há vínculo em- pregatício, é um sonho de consumo, mas na prática há muito mais fatores a se pensar do que parece. Para quem não sabe o que é ser Não ter chefe, horário, e rotina... Ou não ter férias pagas, benefícios e 13º? O dilema hoje é ser CLT ou trabalhar por conta própria. O mais importante é pesar bem os prós e contras e estar preparado para assumir a responsabilidade dessa escolha um freelancer, ou frila, a explicação é simples: ele é um prestador de servi- ços. Empresas o contratam de vez em quando para fazer trabalhos específi- cos, mas não o incluem no quadro de empregados da companhia. As carreiras com mais freelan- cers são as dos profissionais liberais - aqueles cuja profissão permite tan- to atuar num escritório quanto como autônomo. São jornalistas, fotógra- fos, advogados, designers, progra- madores, contabilistas, entre outros. O que o empregador ganha com isso? Para a corporação, o frila é van- tajoso, uma vez que, sem registro em carteira, ela não paga benefícios como férias remuneradas, 13º salá- rio ou qualquer imposto, o que di- minui seu custo fixo mensal. “Assim, VOAR OU NãO? a gaiola estáaberta FotoTiagoSilveira evita-se que a companhia corra o risco de ter de pagar um profissional sem que ele tenha demanda por tra- balho suficiente”, explica o consultor de recursos humanos Cleber Castro, da Andriotti & Castro Consultoria. Além disso, é fácil substituir um trabalhador temporário. Como não há vínculo empregatício, a empresa pode dispensá-lo sem justa causa e sem pagar indenização. Por outro lado, essa economia faz com que o empregador pague mais pela hora trabalhada do freelancer do que pela de seus empregados. “Em empresas de grande porte, ele chega a ganhar 30% mais que um funcionário fixo”, calcula Cleber Castro. Ganhar 30% a mais do que um CLT parece interessante, mas o pro- fissional não pode esquecer que ele próprio deverá arcar com os custos de telefonia, alimentação, transpor- te, saúde, impostos. O que você ganha com isso? O fotógrafo Carlos Piratininga tem seu próprio estúdio em São Pau- lo e trabalha como autônomo há 20 anos. Ele já entrou no ramo da foto- grafia sabendo que dificilmente te- ria um emprego fixo. “Trabalhei um tempinho em uma empresa, mas só o suficiente para conseguir a grana e abrir meu próprio estúdio”, conta. Para ele, o melhor da vida de frila é exercer sua paixão a todo momento – ele fotografa mesmo sem ninguém tê-lo contratado. Na sequência vem a falta de um chefe. Por mais que o cliente seja um tipo de patrão, não há alguém fixo que faça cobranças ou mande em você. E mais, já imaginou acordar de - a odisseia - Férias Vida de frila não é fácil, princi- palmente quando diz respeito a tirar uma folguinha. Supo- nhamos que você queira viajar em agosto. Para começar, você não pode pegar nenhum trabalho para fazer nessa época, então cerca de um mês antes você para de fechar contratos. Durante a viagem, não há tempo para contatar os clientes e marcar novos tra- balhos para outubro, por isso você terá um mês fraco. E pior: quando volta, precisa correr atrás dos clientes para marcar novos jobs, muitas vezes só para novembro. Ou seja, você não trabalhou em setembro e outubro, gastou mais do que o normal e seus próximos paga- mentos só cairão em dezem- bro. Sentiu o drama? carreira 30 31novembro_2013 novembro_2013
  15. 15. Se você analisou todas as questões que permeiam a vida de um profissional autônomo e decidiu que é isso que você quer, a Grana fez um checklist do que é preciso para se dar bem: manhã e não precisar colocar terno e gravata? E evitar o trânsito da cida- de em horário de pico? Ou melhor: ser dono do seu próprio tempo. “Às vezes eu acordo de saco cheio, sem vontade de fazer nada. Sabe o que eu faço nesses dias? Nada!”, brinca Pi- ratininga. “Mas, nesse caso, preciso lembrar que no dia seguinte terei de trabalhar dobrado.” Nem tudo é alegria Há, porém, um lado bastante desvantajoso em trabalhar por conta própria. A principal questão é a ins- tabilidade financeira. Diferentemen- te do emprego com carteira assina- da, o autônomo não tem benefícios e muito menos seus impostos reco- lhidos direto na folha de pagamento. Tudo isso fica por sua conta! Se os clientes não te dão serviço, você corre o risco de ficar sem traba- lho e, por consequência, sem dinhei- ro para pagar as contas. “É difícil se planejar direito”, atesta Piratininga. “Já passei muito perrengue por ficar sem trampo”. Por isso, é preciso estar preparado tanto para eventualidades, quanto para o fim do ano – afinal, no Brasil o ano termina em novembro e Quero ser freelancer... #COMOFAZ? Seja organizado: se você não consegue adminis- trar bem suas finanças ou seu tempo, é melhor desistir já. Seja responsável: lembre-se que cada trabalho tem um prazo para ser concluído. Procrastinar não é uma opção. Tenha um CNPJ: Há opções de abrir uma empresa de grande porte, que paga mais impostos, ou ser um microempreendedor individual, o MEI, e gastar menos com essas taxas. Antes de tomar essa decisão, confira a legislação vigente para a sua profissão - jornalistas, por exemplo, não podem ser MEI. E cuidado, não caia na rou- bada de comprar notas fiscais, isso é muito arriscado! Conquiste e mantenha seus clientes: dispare seu currículo com portfólio para as empresas, peça indi- cações a amigos, crie uma agenda de contatos. No come- ço é difícil, mas com tempo e esforço, tudo se acerta. Não dependa de um só cliente: imagine se ele te dá um pé na bunda! Tenha paciência: Nada acontece da noite para o dia. É preciso insistir, trabalhar muito e segurar a onda por um tempo, antes de ter o mínimo de estabilidade. só começa depois do carnaval, assim como seus contratos. Planejar as férias também não é tarefa simples. Além da fase de jun- tar toda a grana possível, é preciso se organizar com bastante antecedência (confira no box “Férias: a odisseia”). Há ainda o problema com as em- presas que, ilegalmente, contratam os chamados “frilas-fixos”. São pes- soas convocadas, a princípio, para trabalhos esporádicos dentro do es- critório, mas têm seus contratos es- tendidos por meses e horários fixos, a ponto de serem vistos como um empregado comum. “Não é recomen- dado que um autônomo trabalhe se- guidamente por mais de 3 meses con- secutivos ou por três ou mais dias por semana em período integral”, afirma o consultor de recursos humanos Cle- ber Castro. “Isso caracteriza vínculo empregatício e pode ocasionar pro- cessos trabalhistas”. A designer gráfica Maura Mello passou por isso. Ela foi contratada como temporária, mas passou mais de um ano na mesma empresa, com o mesmo cargo e horários fi- xos. “Depois de 6 meses, conversei com a chefia, que me deu esperan- ças de contratação, mas quase um ano se passou e nada de carteira assinada”, desabafa. A moça já estava em busca de um novo trabalho quando a boa notícia chegou: a empresa, após receber uma série de processos, decidiu aca- bar com os “frilas-fixos”. Maura con- seguiu o emprego, mas muita gente foi dispensada sem dó. Diferentemente do emprego com carteira assinada, o autônomo não tem benefícios e muito menos seus impostos recolhidos na folha de pagamento TEXTO • Fellipe Bonilha style life Foto Igor dos Santos Hoje em dia, a tecnologia está a favor dos consumistas. É possível pagar tudo pelo cartão de crédito. Imagine deixar toda essa comodidade para trás e ficar um mês inteiro utilizando somente dinheiro. Ou não poder pagar uma continha sequer no Internet Banking e ter de ir pessoalmente com todas as suas contas no banco. Granaresolveu levar a experiência a cabo: nosso repórter fez uma viagem de volta ao bom e velho dinheiro no bolso. 32 33novembro_2013 novembro_2013
  16. 16. Pagamento da faculdade Saldo na conta: zero STATUS: Sem grana R$ 40 - Paintball Pedi R$30 para minha avó para colocar gasolina STATUS: vergonha, pedi dinheiro até pra ela Me tranquei em casa para não gastar STATUS: desesperado Primerio saque + transferência para um amigo, pagamento de dívidas, cartão de crédito, formatura. Sobra- ram R$ 50 STATUS: ufa, uma graninha no bolso Empréstimo de R$ 2.200 STATUS: droga, me endividei de novo R$ 40 para churrasco e festinha na casa de um amigo Ressaca: gasto zero Transferência R$ 1.680 para tia + saque de R$ 500 STATUS: gastei com o que não devia, eu sei 14 de setembro a 30 de setembro Super controle para não gastar os últimos R$ 500 16 de setembro a 27 de setembro R$ 10 por dia de café da manhã 1 de setembro a 10 de setembro Empréstimo de R$ 6 por dia com mãe para transporte em todo dia útil STATUS: vergonha, pedindo dinheiro para a própria mãe 30 2 4 6 8 1 3 5 10 11 12 13 14 15 16 17 18 24 19 25 20 26 21 27 22 23 28 29 30 7 9 setembroagosto abe aquele cara que, ao ver uma pro- moção de “leve três e pague duas”, não resiste e compra tudo, mesmo sabendo que não precisa da segunda peça, muito menos da terceira. Isso sem falar nos momentos de louco em que sai pegando tudo o que vê em uma vitrine. Pois é, esse cara sou eu... Quem me conhece bem não consegue me imaginar participando do desafio de ficar o mês todo sem cartão. Exatamente por isso, fui es- colhido pela Grana para passar por essa experiência e mostrar como é ficar 30 dias sem usar o tal dinheiro magnético. Minha aventura começou no dia 1° de setembro, mas antes disso já deixei agendado alguns pagamen- tos. A essa altura do campeonato, a preguiça de ficar uma hora na fila do banco para pagar uma conta e o re- ceio de sair com muito dinheiro do caixa eletrônico já estavam me pre- ocupando. Uma das regras era que eu só poderia sacar duas vezes nes- se mês. Portanto, planejamento era primordial. Nos primeiros dias realmente foi bastante complicado. Antes mesmo de a brincadeira começar eu já es- tava me enrolando. O salário do dia trinta de agosto acabou destinado para pagar a faculdade, o que me deixou sem grana para pegar a con- dução dos dias seguintes, até fazer o assim pedi. Foi quando tive a ideia de fazer um empréstimo consignado pela empresa onde trabalho. Por lá as taxas de juros são menores e pude parcelar tudo. Pedi R$2.200 de em- préstimo, dos quais R$1.680 foram para minha tia e R$500 guardei na carteira para tentar sobreviver ao resto do mês. Não foi tranquilo sair com a sava- na africana na carteira e com medo de ser assaltado. A melhor saída foi fazer cara de “sou pobre e não tenho quinhentos reais no bolso”. Contando essa história, até pa- rece que consegui passar esse mês numa boa, mas percebi quantos e- -mails recebo com promoções de todos os tipos. Minhas séries prefe- ridas em, camisas de time de fute- bol – tenho uma pequena coleção delas – pela metade do valor, jogos de videogame por R$50 . Fora as tais das “compre 2 e leve 3”. Tive que desligar as TV e parar de ouvir as tentações. Dane-se que era ani- versário do Carrefour, não podia comprar nada mesmo. Isso sem falar no Igor, colega da Grana, que, mesmo sabendo que não poderia usar cartões, brigou comigo e perguntou porque ele teria que comprar ingressos do cinema antes e não eu. No final do mês, percebi que não foi tão complicado quanto eu imagi- nava. O problema é que, usando só notas, o dinheiro vai embora muito mais rápido. Por esse motivo, pen- sei duas vezes antes de gastar com alguma coisa, para não ficar sem nada no futuro. Poderia ter contado muitas histó- rias desesperadoras, dizendo que fui assaltado, que não tinha como vol- tar pra casa e como fiquei devendo e não pude pagar uma conta. Ainda bem que nada disso me aconteceu. Nunca mais ficarei um mês usando somente dinheiro, mas com certeza diminuirei o uso do cartão e come- çarei a andar com o necessário na carteira, para casos de urgência. primeiro saque. Então, pedi dinhei- ro para minha mãe. Sim, com vinte e um anos nas costas tive que pedir seis reais diários para não ir traba- lhar a pé e ainda ser recebido com um “você vai me pagar isso depois, certo?!” como resposta. Ela ainda teve a cara de pau de dizer que esta- va gostando da ideia de me ver sem cartão para eu aprender a ser mais controlado e também para ela poder dar boas risadas. E como um bom gordinho, já tive problemas logo no começo. Tinha que escolher entre comprar meu café da manhã ou voltar pra casa de ônibus. Diante dessa situação, me vi entre duas opções: começar a cobrar quem me devia, só aceitando pagamento em dinheiro, claro, ou convidar cordialmente algum colega do trabalho para me acompanhar no cafezinho e pedir para ele pagar com o cartão dele. Sim, sou cara de pau. Realmente detesto ter de cobrar os outros, principalmente pessoas próximas, mas nesse mês foi neces- sário. Dois dias antes de receber, re- solvi ir na casa de um amigo. Depois de ter ficado todo feliz por meu pai ter me emprestado o carro, a felici- dade acabou quando vi que o tanque estava vazio. Mesmo odiando fazer isso, tive de ir até a casa de minha avó – que por sorte fica na mesma rua e não me fez correr o risco de fi- car sem combustível no caminho – pedir dinheiro emprestado para ela. Depois que o dia dez chegou, tudo ficou mais fácil, pois saquei uma quantia gorda em dinheiro. A alegria durou pouco, pois aquele belo montante de notas logo desapa- receu quando paguei minhas contas no caixa do banco e depositei uma quantia que devia para um amigo. Resultado, me sobraram cinquenta reais no bolso, para utilizar até o fi- nal do mês. Para ter uma ideia de como eu sou consumista, minha tia foi para os Es- tados Unidos, e não perdi a chance de esgotar a cota de eletrônicos que ela podia trazer. Já fui pedindo um Ipod, um fone da Beats, um perfume One Million e um monitor de 23 po- legadas - e eu nem pensei em como ela traria esse monitor, mas mesmo Foto Igor dos Santos 34 35novembro_2013 novembro_2013
  17. 17. TEXTO • Thaís Pepe Paes sumir vontade de Para aquelas ocasiões embaraçosas em ambiente corporativo, ter auto controle e um bom plano de emergência são essenciais para tirar o constrangimento de letra P or mais atento e bem com- portado no trabalho, nin- guém está livre de cometer aquela gafe em público. Mes- mo em ambientes descon- traídos, gases inoportunos ou cochilos são comuns e nos deixam na maior saia justa. Para piorar, costumam acontecer quando estamos em grupo ou a menina gata do segundo andar está por perto. Mas há como sair dessa com o mínimo de improviso. O fato é que nem sempre a situ- ação é tão grave, mas nossa vergo- nha se torna maior que a relevância do ocorrido. Nesses casos, ter jogo de cintura nos livra do carão. Mas o mais importante é pensar em uma saída inteligente para tirar de letra o constrangimento. Desviar o foco Quanto mais importância você der ao acontecimento, maior será a proporção que ele vai tomar. Mude escritório FotoSxc.hu Quem pediu a pizza de alho? Seu parceiro de trabalho é gente fina. Você não teria problemas com ele se não fosse um detalhe: quando ele abre a boca para falar o cheiro desagradável que exala faz você querer pe- dir transferência de setor. E agora? A primeira opção é expor o problema à chefia e sugerir uma conversa com o colega, ajudando-o sem causar uma situação chata. Se preferir falar direta- mente do que expor o pro- blema a terceiros, a dica é criar identificação entre os dois. Dizer “eu já passei por isso” ou “conheço uma pessoa que enfrentou esse problema” causam em- patia e fazem com que as pessoas se sintam mais a vontade uma com a outra. Uma alternativa discreta também é enviar um email com delicadeza explican- do o problema. No site da ABHA (Associação Brasi- leira de Halitose) existe um espaço chamado “SOS Mau hálito” em que você pode enviar um email anô- nimo com texto padrão. Traído pela memória Você já conversou com aquela pessoa 300 vezes e sempre pergunta o nome dela, mas se esqueceu pela 301ª vez. E aí? Trocar cartões ao conhe- cer a pessoa pode ajudar a gravar o nome, pelo menos durante aquele dia. Se a falta de memória ocorrer em uma conversa a dois, a melhor saída é fingir não ter esquecido e evitar a construção de frases que chamem a pessoa. Jamais utilize palavras como “flor”, “querido”. Pedir descul- pas e perguntar o nome novamente também não é o fim do mundo, parecerá mais sincero do que mal educado. No caso de ter de chamar pela pessoa em meio a vá- rias outras, como em uma palestra, por exemplo, a melhor forma de contornar é chamá-la pelo cargo e pedir para que ela mesma se apresente. Por exemplo: “e agora quem vai assumir é meu colega locutor e parceiro de profissão. Por favor, se apresente”. Cochilo perigoso Então você ficou até às 3h da manhã jogando FIFA e acordou às 5h30 para trabalhar. Só o que não te passou pela cabeça é que no dia você tinha aquela longa reunião de plane- jamento do semestre. A luz apagada, o data show rodando e a doce voz da sua chefe tagarelando de- pois do almoço. Ambiente muito propício para um cochilo de leve, não é? O que fazer? Mascar chiclete, beber água gelada e, se possí- vel, dar uma volta pelo ambiente, são as dicas mais certeiras. Mas, se for impossível evitar aquela pescada, disfarce e tente passar despercebido. Se alguém vir e comentar, peça desculpas imediata- mente e vá até o banhei- ro. Depois da reunião, converse com seu chefe e garanta que isso jamais vai acontecer. Uma menti- ra social pode parecer convincente. Alegue estar tomando antialérgico para a rinite e, por isso, está tendo de lidar com um sono fora do normal, por exemplo. Foi a feijoada Nada mais constrange- dor do que na hora mais inoportuna deixar escapar aquele pum indiscreto. Pior ainda porque você pensou que ele seria quase inaudível, mas aconteceu bem quando o escritório inteiro estava em silêncio e a menina nova do marketing estava passando. Além de espa- lhar um odor avassalador por todo o ambiente. Como lidar? Essa situação pode ser facilmente prevenida, já que nosso corpo costuma se pronunciar antes de desencadear uma série de explosões mal cheirosas. Se for impossível ir ao banheiro no momento, levantar e andar um pouco pode amenizar a vontade. Caso escape, se mexer e fingir que foi o barulho da cadeira é a saída mais usada. Se perceberem, negue. Levantar a ban- deira é impensável. * Fontes: Maria Aparecida Araújo, consultora de Etiqueta Empresarial; Renato Ladeia, professor da FEI especialista no impacto de mudanças culturais nas orga- nizações; e Silmara Ribeiro, consultora em etiqueta social e corporativa. de assunto e logo as pessoas vão vol- tar a atenção para algo mais impor- tante. A tal da “conduta social” aliada a uma reação cautelosa fazem com que as pessoas nem reajam ao ocorri- do e você passe batido pelo mico. Agir com naturalidade Cara de pânico é a pior coisa que se pode fazer em um momento emba- raçoso. Aja como se aquilo fosse uma coisa comum porque, afinal, todos que assistiram sua gafe já passaram ou vão passar por algo parecido. Utilizar bom humor Para quem tem o dom de fazer rir, tirar um barato de si mesmo pode ser uma boa saída. Fazer uma piada com o que houve dissolve o climão e te faz passar por engraça- do, em vez de deselegante. Mas isso é só para pessoas que realmente o saibam fazer. Parecer um idiota só vai fazer com que a situação fique muito pior. Três especialistas em compor- tamento deram dicas de como sair com dignidade dessas situações. 36 37novembro_2013 novembro_2013
  18. 18. capaINVESTI MENTO lucro dinheiro parado não dá TEXTO • Bárbara Trevisan, Igor dos Santos, Jéssica Maia e Thaís Pepe Há muito, guardar dinheiro embaixo do colchão já não faz o menor sentido. O melhor é aplicar as verdinhas em algo que renda. Se você não tem ideia de onde colocar sua grana, faça o teste e descubra que tipo de investimento mais combina com seu perfil NACIONAL TESOURO CAPITALIZAÇãOPOUPANÇA PREVIDêNCIA PRIVADA PREVIDêNCIA PRIVADAIMBILIÁRIO FUNDO DE INVESTIMENTO DEVALORES BOLSA IlustraçõesPensei 39novembro_2013
  19. 19. NACIONAL TESOURO Governo Você confia mais na estabilidades do governo ou dos bancos? IMBILIÁRIO FUNDO DE INVESTIMENTO Você quer investir em ações, mas não sabe por onde começar? DEVALORES BOLSA Você acompanha o mercado de ações? Está disposto a aprender? Você manja de economia? Você tem medo de arriscar? SIM SIM SIM SIM SIM NãO NãO NãO SIM Existem tantos tipos de investimen- to que é fácil fazer confusão. No Bra- sil, aplicações conservadoras, como a poupança, fazem sucesso principal- mente pelo medo do brasileiro em arriscar e pela falta de conhecimento. Mas, antes de mais nada, para ter o retorno esperado é vital saber onde se está amarrando o burro, pois cada um deles tem sua rentabilidade e especi- ficidade e, por isso, é adequado para diferentes perfis de pessoa. O fluxograma ao lado vai te ajudar a perceber que determinadas carac- terísticas pessoais definem o destino ideal para seu dinheiro. Por exem- plo, apostar na bolsa de valores ou em fundos imobiliários é apropriado para quem é mais atrevido, enquanto aplicar na previdência privada é mais adequado para os conservadores. Para fazer a escolha, o principal ponto a ser analisado é a finalidade do investimento. Você quer casar? Com- prar uma casa? Um carro? Ter uma ve- lhice mais confortável? Quando souber o seu objetivo, decidir entre as tantas opções vai ser muito mais fácil. A gran- de vantagem é que, mesmo com pouca idade, pouco dinheiro e sem grande conhecimento em macroeconomia, já é possível aumentar o capital. Para te ajudar a entender mais sobre o assunto, Grana entrevistou quatro especialistas e elaborou um guia com as características, prós e contras dos investimentos financei- ros mais comuns. capaINVESTI MENTO CAPITALIZAÇãOPOUPANÇA Você consegue guardar dinheiro? SIM NãO Até 5 anos PREVIDêNCIA PRIVADA PREVIDêNCIA PRIVADA Em quanto tempo você quer retirar seu dinheiro? Peça dinheiro ao seu pai Bancos Mais de 5 anos Você tem PAItrocínio que invista para você? SIM NãO NãO NãO Você tem bastante dinheiro para investir? NãO DÁ, CARA! OK NãO COMECE POR AQUI 40 41novembro_2013 novembro_2013
  20. 20. capaINVESTI MENTO P oupança programada a longo prazo que permite concorrer a prêmios toda semana, mês e ano. Caso esteja sem sorte e não ga- nhe nada, você ainda pode reaver todo o valor investido. Tentador, não? Calma. É preciso tomar al- guns cuidados para usufruir des- ses benefícios. Estamos falando dos Títulos de Capitalização, nos quais cada participante possui um número de registro para concorrer a prêmios em dinheiro pela loteria federal. Nos planos mais simples é possível começar a investir com apenas R$ 40. Quanto maior o valor, maiores serão os prêmios que o cliente irá concorrer. A quantidade de pre- miações depende de cada banco, mas em alguns casos é possível concorrer a mais de 240 sorteios por mês. Os valores são fixos e variam A conta-poupança é a op- ção mais segura e que oferece maior liberdade para o investidor. Isso porque pode ser movi- mentada a qualquer momento sem cobrança de taxas ou custo adi- cional. O investimento é isento de imposto de renda e o rendimento é seguro e garantido, uma vez que não há tarifas de manutenção. Por outro lado, a poupança possui um lucro relativamente baixo. As novas regras do Banco Cen- tral estabeleceram que, sempre que a Selic - taxa básica de juros - es- tiver em 8,5% ou menos ao ano, a poupança rende 70% da Selic, mais a TR (Taxa Referencial, utilizada para calcular o rendimento de vá- Capitalização poupança baixorisco baixorisco Concorrendo a prêmios curtoprazo médioprazo Dinheiro na mão a qualquer hora rios investimentos e divulgada dia- riamente pelo Banco Central). Para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012, o rendimento conti- nua sendo o antigo - aquele aplicado quando a Selic está acima de 8,5%, que é de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR. As únicas tarifas existentes são cobradas quando as transferências para contas de outras titularidades ou os saques ultrapassam a dois por mês. A Caixa Econômica Federal é o único banco que garante 100% de segurança na poupança. Ou seja, em caso de falência, será devolvido ao cliente todo o valor aplicado, in- cluindo os juros. Nos demais bancos, é garantido apenas o valor de até R$ 60.000. Nessa situação, pessoas que tiverem, por exemplo, R$ 50.000 irão recuperar tudo e as que tiverem R$ 80.000, perderão R$ 20.000. conforme o plano escolhido. Com depósitos mensais ou anuais, os títulos são ideais para quem não consegue assumir o compromisso de reservar parte do salário, já que os débitos são feitos automatica- mente da conta do cliente. Contu- do, as desvantagens desse tipo de investimento estão em seu rendi- mento e no prazo de resgate. Ao adquirir seu Título de Capi- talização , fique ciente de que não poderá resgatar esse valor por pelo menos um ano. Ainda que o faça, o dinheiro só será devolvido à sua conta após esse período de carência e será proporcional ao tempo apli- cado. Para aqueles que esperam até o final do plano, toda a grana inves- tida é devolvida, com a correção da TR (Taxa Referencial). A capitalização, embora popu- lar, não é uma alternativa muito recomendada, devido ao investi- mento bastante baixo, com a única vantagem de concorrer a prêmios. 42 43novembro_2013 novembro_2013
  21. 21. capaINVESTI MENTO P referida entre os que desejam ter certeza de quanto será e quando terão o retorno do dinheiro aplicado, a previdência privada é um investimento considerado segu- ro, de longo prazo e com rentabili- dade interessan- te. Sua proposta é funcionar como um complemento à previdência so- cial, que muitas ve- zes não é suficiente. Se você rejeita a ideia de trabalhar até o fim da vida ou ter de se virar para se sustentar com o dinheiro do INSS, investir agora em previdência privada vai te pro- porcionar uma velhice financeira- mente mais confortável. Para jovens, esse tipo de investi- mento pode parecer muito atraente já que, na maioria dos planos, não há exigência de aporte inicial, idade mínima ou comprovação de renda. Outra vantagem é que o participante pode definir o valor da contribuição, sua periodicidade e a data do resgate, que pode ser feito de uma única vez ou em parcelas. Vamos então aos cálculos. Caneta na mão A primeira coisa que deve ser ana- lisada é a instituição escolhida e o tipo de previdência mais adequado. Não esqueça que você está deixando seu futuro nas mãos de um banco. Os dois tipos mais comuns são os planos de previdência aberta, o Plano Gera- dor de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). A principal diferença entre eles é a tributação. O VGBL costuma ser o previdência privada pensando no futuro baixorisco longoprazo mais adequado para jovens por dois motivos: é destinado para consumi- dores que não têm renda tributável ou apresentam declaração de imposto de renda pelo método simplificado. Tam- bém porque no momento do resgate, o imposto incide apenas sobre o valor da rentabilidade, não do dinheiro acu- mulado total. Depois dessa etapa, é importante avaliar o rendimento do plano e as taxas, que variam conforme a insti- tuição financeira e impactam direta- mente no valor final acumulado. São exemplos: a taxa de carregamento, aplicada sobre cada contribuição, e taxa de gestão, cobrada pela tarefa de administrar o dinheiro e considerada a grande vilã por abocanhar boa par- te do rendimento. Colocando tudo isso na pon- ta do lápis, aí sim, é possível fazer a escolha certa. Para todos esses cálculos ficarem mais claros, veja uma simulação em um banco bastante popular para um jovem de 21 anos que contribua mensal- mente com R$ 100 por 44 anos em um plano VGBL. O resultado é uma rentabi- lidade de 3% ao ano. Ao final do plano, com 65 anos, o in- vestidor teria um capital acu- mulado de R$ 103.000, já des- contando a taxa de carregamento, que varia de 0,75% a 5%, dependendo do fundo acumulado. Coordenadora da Superinten- dência de Seguros Privados, Susep, Adriana Hennig de Andrade acon- selha também a análise do quanto o jovem pode aplicar sem prejudicar o planejamento financeiro. “Não exis- te uma porcentagem específica, mas como nessa fase da vida, geralmente, há um menor comprometimento do salário, acredito que pelo menos 12% poderia ser alocado em um plano, sem comprometer muito a renda mas garantindo um bom montante no fu- turo”, calcula. $ I nvestir em imóveis é considerado uma aplicação bastante segura e rentável, mas é necessário muito dinheiro pra construir uma casa e depois vender ou comprar um apê e alugá-lo. Além do fato de que não dá para contar com o capital na hora que precisar. Que tal, então, ser dono de parte de um shopping ou edi- fício e ainda receber sua parcela nos lucros do aluguel e da venda? É assim que funcionam os Fundos de Investi- mento Imobiliário (FII). O fundo é como um grupo fecha- fundo de investimento imobiliário uma casa com muitos donos médiorisco médioprazo do, em que cada pessoa é dona de par- tes de um imóvel, as chamadas cotas. Uma vez comprada, ela não pode mais ser devolvida à corretora, então se você quiser seu dinheiro de volta, terá que vendê-la para terceiros no merca- do de ações. As construtoras vendem partes de seus empreendimentos por meio dos FII, a fim de levantar a grana necessária para mantê-los. As parcelas podem ser adquiri- das de duas formas: diretamente com a corretora que administra o fundo ou por negociação na Bolsa. No primeiro caso, o risco de pre- juízo é menor, mas o investimento mínimo é de R$ 1.000 e você ad- quire várias cotas de uma só vez. Se optar pelo investimento por meio do mercado financeiro, é neces- sário analisar o histórico daquele empreendimento, para não sair no prejuízo. Em compensação, dá pra comprar cotas unitárias por, em média, R$ 100. O custo de uma única parcela é baixo, mas o valor investido tem que justificar os cus- tos envolvidos. 44 45novembro_2013 novembro_2013
  22. 22. capaINVESTI MENTO L ucrativo e seguro, o Tesouro Nacional é um ótimo inves- timento para quem não tem pressa de ter de volta a grana aplicada. Aqui, o dinheiro é emprestado ao governo que o empre- ga em atividades como saúde e trans- porte, por isso o baixo risco. A vantagem é que, quando se compra um título, já é definido seu prazo de vencimento, então é possí- vel saber quando terá o dinheiro de volta. Com apenas R$ 30 se pode fa- zer a aquisição. Existem dois tipos de investimen- to no Tesouro: pré-fixados e pós-fixa- dos. No primeiro, sabe-se exatamente o valor do rendimento no momento da aplicação. Já o pós-fixado é base- ado em índices variáveis, o que pode tesouro nacional aos desapressados baixorisco longoprazo ser positivo, uma vez que favorecem em determinados períodos. Para ambos os casos, a dica é dei- xar o dinheiro investido até seu ven- cimento para que ele lucre bastante. Se o resgate antes do prazo for ne- cessário, a rentabilidade não será a mesma do que a prevista na hora da compra. Como todo bom investimento, existem taxas a serem pagas para aplicar e manter a grana no Tesouro. Esses valores variam conforme a cor- retora escolhida, por isso, é necessá- rio estudar e calcular antes de apos- tar nesse investimento. A rentabilidade também varia conforme o título escolhido e seu ven- cimento, mas, para ter uma ideia, em uma simulação de compra de título pré-fixado no valor de R$ 15.000, com vencimento para daqui a 10 anos, a rentabilidade fica em 5,24% anual , gerando total de R$ 22,5 mil já com taxas descontadas. Como assim? O rendimento dos fundos imobili- ários varia bastante por conta da ins- tabilidade da Bolsa, mas a média gira em torno de 0,75% ao mês. Imagine, então, que você investiu R$ 1.000. Nesse caso, receberá R$ 7,50 mensais. Pouco, não? E há ainda uma taxa paga à corretora que administra o fundo, que custa em torno de R$ 15 todos os meses. Ou seja, você ficou no prejuízo. Se quiser sair lucrando, o mínimo a ser investido é R$ 2.100. Agora, se a ideia é ganhar mais de R$ 100 todo mês, pode começar a juntar: o valor necessário é de, pelo menos, R$ 15.000. Não esqueça, porém, que só precisará investir essa grana uma vez e os ganhos são isentos de im- posto de renda. Melhor que aluguel Os Fundos de Investimento Imo- biliário têm vantagens em compara- ção com as aplicações tradicionais, como possuir um apê para alugar. Para começar, não é preciso se preo- cupar com manutenção e o IPTU - há um administrador que cuida disso pe- los cotistas. Além do mais, você tem a certeza de que possui parte de um imóvel de alto nível, como grandes shopping centers, por exemplo. Se você precisar de apenas uma parte do dinheiro investido de volta, pode vender algumas cotas na Bolsa e continuar lucrando com as que resta- ram, o que é impossível em uma casa de aluguel – em que você terá que ven- der o imóvel todo e receber mais que o necessário de uma vez, além de parar de lucrar. E se o prédio desabar? Como em qualquer investimento, o FII tem riscos. Por ser negociado no mercado financeiro, é necessário ficar atento às mudanças na economia bra- sileira e mundial, como alteração nas taxas de juros, depreciação da moeda e mudanças legislativas relevantes. Existem também os perigos que são comuns em qualquer investimen- to imobiliário: inquilinos inadim- plentes, enchentes, incêndios e o risco do local ficar vago - se ninguém aluga sua propriedade, ninguém paga por ela. O maior risco, no entan- to é o da desvalorização. Nos últimos cinco anos, o preço das propriedades dobraram e, após uma alta assim, a tendência é de queda. Tudo isso pode afetar negativamente o seu bolso, já que os cotistas serão obrigados a ar- car com os prejuízos. Se, após pesar todos os prós e con- tras, você decidir colocar seu dinhei- ro em um Fundo de Investimento Imobiliário, procure uma corretora de valores e converse com um pro- fissional, desse modo você fará o me- lhor negócio possível. I nvestir em ações não é para ama- dores. É preciso ter conhecimen- to prévio, acompanhar o merca- do e aguentar possíveis perdas. Na Bolsa de Valores, não existe café com leite. Entenda o porquê de ela atrair tanta gente e prepare-se para suar. Aqui, o jogo começa antes do aquecimento. Antes de entrar nesse ramo, é preciso saber mais sobre o campo. Quem controla o mercado de ações no Brasil é a BM&FBOVESPA. Ela é uma das cinco maiores bolsas do mundo e conduz 80% das ações de toda América Latina. Sua função dela é fornecer o meio e o ambiente para as negociações, além de fiscalizar o bolsa de valores Não conhece as regras, não desce pro play altorisco médioprazo Vestiário como investir em ações? O primeiro passo para comprome- ter o seu precioso dinheiro é ter uma meta. Pode ser um carro, casa ou até mesmo uma aposentadoria banhada a whisky e passeios ao redor do mundo. Feito isso, é hora de ter três fatores em mente: conhecimento, disciplina e estratégia. Você vai precisar saber onde está se metendo, sem que fatores emocionais e os achismos comprome- tam a sua tática. Para comprar ou vender ações é necessário que uma corretora realize essa ponte entre você e o mercado. Elas oferecem diversos serviços de acordo com o seu perfil de investidor. bolsa f.c.b b mercado. Isso tudo tem um custo: a BM&FBOVESPA lucra com o movi- mento financeiro das transações. As empresas abrem capital para obter dinheiro dos acionistas, com a finalidade de financiar futuros pro- jetos ou de fortalecer o patrimônio. As ações são pequenas partes dessas companhias. Ao adquirir esses peda- ços, você se torna sócio do negócio. O ganho vem de duas formas: com a alta de uma ação após a compra e quando o lucro da empresa é distri- buído a todos os donos. O valor de uma ação oscila de acordo com a perspectiva do desem- penho de uma companhia. A previsão de crescimento leva em consideração os dados financeiros, balanços co- merciais e os planos futuros da em- presa. Outro fator que impacta na cotação é o fluxo de oferta e procura. Quanto mais gente estiver atrás de uma ação, maior será o preço. 46 47novembro_2013 novembro_2013
  23. 23. capaINVESTI MENTO A melhor forma de encontrar uma é pelo site da BM&FBOVESPA. Basi- camente todas as corretoras vão te cobrar por três valores: a custódia, uma taxa de manutenção para ter uma conta na bolsa, que gira em torno de R$ 10 ao mês; a corretagem, que é a taxa cobrada por cada transação, cerca de R$ 20 o lote padrão; e a por- centagem administrativa da bolsa, o chamado emolumento, que tem va- lor fixo de 0,0325% do montante total. As transações são feitas por meio do Home Broker, um sistema pare- cido com o Internet Banking. Cada corretora tem um programa diferente, mas todos têm como destino a central dabolsadevalores.Outroserviçomui- to importante é o de análise de merca- do. Diversas empresas já contam com essemecanismo.Existemduasescolas de análise: fundamentalista e gra- fista. A primeira é responsável por orientar quais são as melhores ações para comprar a longo prazo. Isto é fei- to através de avaliações das empresas e do contexto geral do mercado. Já a grafista analisa por meio de gráficos as tendências das ações. É a melhor op- ção para especuladores, os chamados traders, já que ela dá o timing certo para girar o dinheiro em curto prazo. 1º tempo Carteira de investimento Já dizia a sua avó: não coloque to- dos os ovos na mesma cesta. A me- lhor forma de ganhar é equilibrar os investimentos. Para isso, você pode fazer uma carteira de ações. Uma boa é composta com pelo menos seis setores. Na prática funciona assim: a cada mês você compra ações de uma empresa de um ramo distinto. Agora elege algo do setor de alimentos, em dezembro um banco e em janeiro uma companhia aérea. Desta forma, se um avião cair ou um banco quebrar, o seu prejuízo será menor. O segredo de ter sucesso com uma carteira é operar no sistema buy and hold, no português comprar e espe- rar, com o stop. Essa ferramenta colo- ca à venda uma ação que está perden- do valor, limitando o prejuízo. Nunca se sabe onde é o fundo e o topo de uma ação. Portanto o investidor deve ter cautela e um capital maior para apli- car. Segundo o analista gráfico da cor- retora Alpes, Igor Graminhami o valor do investimento mensal deve ser de pelo menos R$ 500. Já a corretagem não deve consumir mais de 2% do va- lor aplicado. Se você ainda está nos juniores e não tem R$ 500 livres todo mês, os Fundos de Índices (ETFs) são a so- lução. Eles funcionam como um pa- cote de empresas de capital aberto. Por exemplo, ao adquirir o BOVA11, é como se você comprasse ações de 60 empresas. A vantagem dos ETFs é a diversificação de ramos e o baixo cus- to de investimento. Outro modo de empregar na bolsa é por meio de um clube de investimen- to. Composto de três a 50 pessoas, ele não é uma boa para quem está come- çando. Isso porque 67% do capital tem que estar em locações, o que limita as aplicações. Além disso, uma pessoa deve ser responsável pelo grupo e o capital inicial é muito grande. 2º tempo acertando os detalhes Um investimento tem três carac- terísticas: liquidez (o volume de compra e venda), segurança e ren- tabilidade. Você sempre vai ter que abrir mão de uma delas. Para isso, é fundamental analisar os riscos de cada operação. “Bolsa não é cassino. Não dá para ter sorte a vida inteira. É preciso ter conhecimento e disciplina, senão um dia você vai perder”, teoriza Graminhami. Para o jogo ser pé no chão, lembre- -se do plano tático: conhecimento, disciplina e estratégia. Se tudo der certo, é só curtir os dividendos da * Fontes:  Igor Graminhami, analista gráfico da corretora Alpes; Renato Silva, palestrante da BM&FBOVESPA; Fátima Russo, corretora da Coinvalores; Adriana Hennig de Andrade, coordenadora da Susep. Ainda tem algumas dúvidas? Veja o quadro de dicas da Grana e faça bons negócios. • Siga a carteira recomendada pelos analistas. • Diversifique a sua carteira. Quando mais setores, menos risco. • Comprar muitos lotes da mesma ação numa só cartada é um erro. • Tudo que traz um lucro exorbitan- te traz um risco maior. • Uma ação desce de elevador e sobe de escada. Se ela des- valoriza 50% e depois ascende 50%, ainda há prejuízo. É preciso aumentar 100% para voltar ao mesmo lugar. • Bolsa de valores é igual a cultivar uma horta. Não compre ações e deixe-as de lado. • A ordem stop não é garantia de venda. O mercado pode abrir com o valor menor que a sua ordem, o chamado gap, e pular o seu comando. • Ninguém começa trader. Para se tornar especulador é preciso know- -how, além de um capital maior (mais de R$ 20.000). Uma boa estratégia: alimentar as movimentações de lon- go prazo com as de curto prazo. pós jogo ação, que são os 25% do lucro da em- presa distribuído aos acionistas, mais a valorização do mercado. Entretanto, não se esqueça do Imposto de Renda. Para cada venda mensal maior que R$ 20.000, o IR recolhe 15% do lucro líquido. Se você comprar e vender a ação no mesmo dia, conhecido como day trade, o imposto é de 20%. Plano tático • Conhecimento • Disciplina • Estratégia Janelas de transferência • Custódia • Corretagem • Emolumento Equipe técnica • Análise grafista • Análise fundamentalista Regras • Buy and hold Escalação • Carteira de ação Características do time • Liquidez • Segurança • Rentabilidade fique atento 48 49novembro_2013 novembro_2013
  24. 24. P or profissão, esporte, ou hobby, o kart é um dos queridinhos dos amantes de velocidade. Criado no ano de 1956 em Los Ange- les (EUA), com motores de cortado- res de grama, só chegou ao Brasil ao final da década de 1950. Impressio- nado com o que viu no exterior, o comerciante de automóveis Claudio Daniel Rodrigues, foi o responsável por produzir os primeiros chassis de kart no país. Com uma tecnolo- gia precária no Brasil, Claudio im- provisou os primeiros modelos com pneus de carrinho de mão e motores d´água. Naquela época os pilotos ficavam praticamente deitados nos carrinhos e as corridas ocorriam nas ruas. Nomes como Wilson Fitti- paldi Jr, Carol Figueiredo e Maneco Cambacau se destacaram durante este período. Para quem tem interesse em pi- lotar, o kart é a melhor maneira de começar, pois dá experiência de pi- lotagem e precisão das provas, auxi- O kartismo não é um esporte barato, mas para quem gosta de automobilismo ele é o início de tudo e a opção mais em conta diante das demais modalidades. TEXTO • Jéssica Maia grande Foto Jackson de Souza motor brincadeirade menino 51novembro_2013
  25. 25. lia a coordenação motora, reflexos, além de ajudar a manter-se concen- trado, algo muito importante duran- te a corrida. Mui- tos nomes conhe- cidos na fórmula 1 como Rubens Barrichello, Felipe Massa, e Fernan- do Alonso inicia- ram suas carreiras no kart. Para praticar o esporte, é neces- sário dedicação e um bom investi- mento financeiro. O piloto Gabriel Maia sempre se interessou por au- tomobilismo e aos 15 anos deixou de apenas observar o esporte e passou a competir. Ao in- vés de optar pela tradicional viagem de formatura do colégio, Maia esco- lheu ganhar um curso de pilotagem para que pudesse entender como as coisas funcionavam realmente. Ele alugou um kart no Kartódromo Internacional da Granja Viana e apostou com um tio: caso chegasse ao podium este deveria lhe dar a se- gunda corrida de presente. “De dé- cimo terceiro colocado, cheguei em terceiro lugar na minha primeira corrida debaixo de chuva. Ganhei de presente a segunda, porém, fiquei uns quatro anos sem praticar depois disso, pois minha familia não tinha dinhei- ro” relembra. Quando teve melhores condições, o piloto passou a competir em campeonatos para amadores com intuito de treinar mais e conhecer pes- soas que o ajudassem a se inserir de vez no esporte. Durante esse período ele conhe- ceu diversos preparadores, mecâ- nicos, empresários, organizadores, e pilotos, ao mesmo tempo em que cursava a faculdade de Propagan- da e Marketing. Ao término de sua graduação, Maia começou a fazer eventos automobilísticos, chamando assim a atenção de empresários que o ajudaram com patrocínio, “De lá pra cá comecei a dar instrução em cursos de pilotagem, em eventos au- tomobilísticos, e voltei para o kart. Atualmente, sou piloto de uma fá- brica de chassis, e espero logo voltar para os carros, mas nunca abando- nar o kart”. Ele conta como é a sensação de vencer uma corrida: “É como superar seus limites, superar o próximo, ven- cer seus medos. Fora o filme que pas- sa na sua cabeça de todo trabalho que teve para obter tal resultado, todos os momentos difíceis que passou”. O estudante de 19 anos Gabriel Pedreschi também se interessou pelo esporte ainda criança, mas ao contrário do seu colega, corre ape- nas por lazer cerca de duas vezes ao mês. E foi justamente por meio de amizades que fez durante alguns simuladores de corrida, que ele co- meçou no kart “Sou piloto de uma equipe de simuladores e corro em campeonatos online, que tem pre- sença de pilotos de Formula 1, Stock Car e outras categorias. Tudo isso foi juntando e acabei crescendo no meio e buscando objetivos maiores”. Como todo esporte, o kartismo vem enfrentando suas dificuldades. • As baterias duram em média entre 15 e 30 minutos • Ao alugar o seu carro estão incluídos também os principais equipamentos como: • luva • gorro (ou balaclava) • macacãO • sapatos • protetores cervicais • Em média os preços ficam entre R$60 e R$80 • Os valores podem variar dependendo do kartódromo. Alguns cobram um preço único para o kart e equipamentos de seguran- ça enquanto outros costumam cobrar separadamente cada item. motor Foi dada a largada Agora que você conhece um pouco mais sobre o esporte, está com tudo preparado para a grande corrida. Saiba quais são os lugares que você pode se aventurar pelo país. Kartódromo Granja Viana Onde R. Dr. Tomás Sepe, 443 - Jardim da Glória – Cotia SP Tel 4702-5055 Ingresso R$ 65 e R$ 75 (aluguel de pista), R$ 110 (aluguel kart p/ 25 min.) Horários De segunda a sexta, 17h às 23h30; sábado, 15h às 21h30; domingo, 8h às 21h30. Ferrari Kart Este kartódromo oferece karts adap- tados para cadeirantes também. Onde Via Srpn Autódromo Inter- nacional Nelson Piquet Asa Norte, Brasilia – DF Tel (61) 3273-9620 Ingresso Segunda e quarta, R$ 55; quinta a domingo, R$ 60 Horários Segunda a sexta, das 18h às 0h; sábado, 14h às 00h;  domingo e feriados, 15h às 00h  Riokart Indoor Onde Estrada do Gabinal, 313 Freguesia - Jacarepaguá - Rio de Janeiro - RJ Tel (21) 2443-3965 / 3178-3965  Ingresso R$ 50 Horários Terça a sexta, 14h às 23h; sá- bado, domingo e feriados, 10h às 23h Raceland Internacional OndeRua Bom Jesus, 710 - Pinhais - PR Tel (41) 3667-5439 / (41) 3667-3636 Ingresso R$ 70; R$ 50 (meio perío- do somente de terça à sexta) HoráriosTerça a sexta e domingo, 8h30 às 15h; sábado, 8h30 às 15h Aerokart Shopping Paralela Onde Avenida Luiz Viana Filho, 8544 - Salvador - Bahia Tel (71) 41730-101 Horários Segunda a sexta, 10h às 18h; sábado, domingo e feriados, 10h às 15h; agendar horário por telefone; consulta de promoções vigentes no dia Para Pedreschi, que atuou neste ano em diversos campeonatos, a situação no país não está muito boa. “O au- tomobilismo não atrai mais as pes- soas, não tem divulgação, não tem apoio, não tem categorias menores para os pilotos que estão saindo do kart e não é por falta de piloto e von- tade, mas por questões de organiza- dores”. Mesmo assim, tanto para os profissionais quanto para os que o fazem por diversão, esta modalidade não deixou de atrair curiosos e ainda é uma boa pedida para pilotar nas pistas, superar os adversários e ven- cer seus limites. Acelerando nas pistas Karts são carros que pesam entre 70 e 150 quilos, podendo chegar até a 85 km/h com motores de dois ou quatro tempos, dependendo do peso do piloto e tipo de pista utilizada. O indoor é o mais adequado para os iniciantes, que procuram apenas um momento de diversão. Esse tipo de pista é fechado e atrai muitos fãs, principalmente pelo seu baixo custo e segurança oferecida. Aqui o vencedor se destaca não apenas pelo melhor tempo de pro- va, mas também pela melhor cons- tância durante o trajeto. Por isso, manter a concentração na corrida é muito importante. Se você gostar da brincadeira e quiser levar um pouco mais a sério, pode participar também de alguns campeonatos. A principal disputa da área é o Campeonato Brasileiro de Kart Indoor, realizada desde 2005. Para participar é necessário possuir a carteira de piloto de kart expedida pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e CBA (Confede- ração Brasileira de Automobilismo), essa carteira pode ser obtida por meio de qualquer curso de pilotagem devidamente credenciado pela CBA. Além de arcar com taxas de inscri- ção, que incluem também doação de alimentos e brinquedos mostrando a responsabilidade social do evento. Além disso, é preciso ter o seu próprio kart, esse investimento pode custar cerca de R$ 6 mil. As moda- lidades são divididas conforme a idade e experiência do piloto, a par- tir dos 8 anos de idade as crianças já podem se inscrever nas categorias mirins até chegar a sênior a partir dos 25 anos de idade. Foto Gabriel Pedreschi O piloto Gabriel Maia fazendo reparos em seu carro 52 53novembro_2013 novembro_2013
  26. 26. TEXTO • Fellipe Bonilha Foto NerdzZ per fil E m 2004, me lembro de quando era criança e ficava alguns minutos na internet dial-up, esperando, tentati- va por tentativa, me conec- tar para ver o vídeo de um bando de crianças, apanhando com um chinelo feito de madeira. Era a Avaiana de Pau. Para quem não sabe, trata-se de um dos famosos vídeos produzidos pelo Mundo Canibal, site de humor e animações em Flash criado em 1999. Ricardo Piologo – junto com seu irmão caçula Rodrigo Piologo, e o sócio, Rogério Vilela - foi o criador e idealizador do Mundo Canibal, que estourou em 2004 com a Avaiana de Pau. A animação marcou a geração que nasceu no fim da década de 80 e no início da de 90. Ricardo trabalhava na área publi- citária quando começou a criar web- sites e desenvolver suas habilidades com desenhos no computador. Como na época muita gente utilizava a in- ternet discada, os curtas em Flash fo- ram importantes porque carregavam mais rápido, o que ajudou a divulgar a animação. O homem da computa- ção com sonho de ser animador usou seu instrumento de trabalho e sua paixão, para uma finalidade ainda desconhecida. Os irmãos Piologo participam de eventos, palestras, têm um ca- nal no YouTube e um programa no Multishow com quadros inéditos. O grande segredo dessa dupla sempre foi inovar e nunca ficar parado em um mesmo personagem. Em entrevista por Skype, o irmão mais velho explica sua história e a do caçula da família. Do anonimato ao sucesso Logo percebi que ele falava da mesma forma que nos vídeos. Desde o princípio, já começou me pedindo desculpas por ter mudado os horá- rios, se mostrando muito agradável. “Temos 3 irmãs mais velhas. So- mos os caçulas, por isso sempre fo- mos muito unidos”. Isso de fato é notado. Trabalhar com um familiar às vezes pode ser difícil. Me pareceu que para ele é muito mais fácil. “Não tem frescura, talvez se fosse em uma empresa, precisaria ser todo políti- co para falar com alguém. Com meu irmão, se precisar falar que alguma coisa está uma bosta, eu vou falar”. Desde a infância era um cara mais sério. E quem assiste aos vídeos sabe que é muito mais quieto do que o ca- çula. “Na verdade, por ser o mais ve- lho, peguei o Rodrigo para cuidar, e acabei ficando muito mais centrado”. Ele ainda disse que até hoje cuida de algumas coisas pessoais do irmão. Que protetor! O humor veio quando era o cara do fundão, o que fazia a graça da sala, mas nunca tentou competir com o irmão, porque realmente o Rodrigo é muito mais incisivo do que ele. Durante a entrevista, sem- pre que podia, Ricardo fazia uma piada ou outra entre as respostas. A conversa foi bem divertida. Já a ideia do site veio quando Ro- drigo foi fazer um curso de desenho na produtoraetambémescoladedesenho Fábrica de Quadrinhos, e conheceu Rogério Vilela, um colega de sala que queria fazer uma animação. Juntaram as ideias e aproveitaram a criação do site da Fábrica para lançar também o Mundo Canibal. Até hoje, Vilela é só- cio dos irmãos Piologo e atua na área administrativa do projeto. Gostamos de ver a desgraça do próximo Fundador doMundo Canibal conta seu caminho para o sucesso Os irmãos Piologo 54 55novembro_2013 novembro_2013
  27. 27. O Mundo Canibal é uma mistura de personagens marcantes como o Carlinhos, um menino que comia as próprias fezes, o Chuck Nóia, criado por conta da idolatria ao Chuck Nor- ris. E o Tomilirola é um gordinho que só pensa em sexo e sai “encoxando” todo mundo que vê pela frente. O primeiro passo foi de Avaianas de Pau Conversamos sobre outro sucesso, a Bonequicha, a boneca bicha, mas o enfoque mesmo foi na tal Avaiana de Pau. Estava muito curioso para saber se a ideia veio do pai dele. “Vixe, meu pai você não conhece, mas não foi por causa dele”, depois tive certeza que ele apanhou algumas boas vezes, mas ne- nhuma com nenhum chinelo de pau. Depois explicou que a ideia era ser cha- madodePedaçodePau,masquiseram relacionar com a marca do chinelo por causa da criançada. Me lembro que na época até meu pai gostou do vídeo, ao ver um monte de crianças apanhando com a tal “Havaianas de Pau”. O segredo realmente é não ficar parado com uma ideia só. Cada vez que os fãs pediam mais um episódio da Avaiana que destruía as crianças, os irmãos tinham certeza que deve- riam parar e pensar em outra ideia. “Se repetidas muitas vezes, as piadas perdem a graça”. Então criaram a Vassourada de Aço, “porque os bixi- nho também precisavam ser educa- dos (risos)”, comentou dando risada. Por conta desse humor pesado, quiseram tirar o site do ar. Por isso, precisaram de advogados. Para sair dessa, Ricardo usou um ótimo argu- mento: “Desde sempre o Pernalonga batia no Coyote (acho que ele não viu muito Looney Tunes), atiravam na cabeça do Pica-Pau desde sempre, e o Mickey atirava no Pato Donald”. Só acho que ele não assistia muitos de- senhos da Disney, porque nunca vi o Mickey atirar no Pato Donald. Perguntei o porquê do Partoba, o quadro de maior sucesso hoje em dia, ter várias edições, já que quan- do a piada é repetitiva ela perde a graça. Ele respondeu: “Com o víde- os reais é diferente. Ver o outro se ferrar é coisa do ser humano, e aí fi- zemos uma narração em cima, uma edição engraçada e sempre dá certo. Na verdade, todos gostamos de ver a desgraça do próximo”. Quis saber também de onde vêm todos os quadros e personagens. Eles são muito organizados, colocam todas as ideias do dia a dia em um mural e depois sentam para discutir cada uma antes de começar a pro- duzir. “As coisas aqui parecem ser bagunçadas, mas nosso trabalho é muito sério”. Comentou que as pessoas deram ideias para eles fazerem Stand-Up ou Vlog (vídeo blog), e isso só vez com que eles fizessem algo diferente, pois não queriam fazer exatamente por- que todos já estavam fazendo. “Cria- mos o Mundo Canibal Games, sem nem ao menos ter visto um canal de games antes”. Acho que se tivessem visto um antes, o Mundo Canibal Ga- mes não existiria, pois eles não repe- tem nada que já foi feito. Da Internet à televisão Vou confessar algo que me inco- modou. Ele começou a digitar en- quanto falava comigo, era como se ele estivesse respondendo alguém por Skype. Quis fazer algumas perguntas que prendessem a atenção dele. Tentei com quantas pessoas trabalhavam no Mundo Canibal, porque ele sempre dizia “nós”, como se fossem muitas pessoas. Para me deixar mais confu- so, ele respondeu: três... Mas espera, são três contando ele, o Rodrigo e o Vilela?! Ele me esclareceu, existem mais pessoas trabalhando com eles, que ficam em SP junto com o sócio, que hoje em dia cuida mais da parte administrativa. Ainda não consegui fazer ele pa- rar digitar. Até que perguntei: Al- guma coisa deu errado? Ele parou (yes!!!) e foi aí que me surpreendi com a resposta. “Nosso humor é nos- so maior inimigo”. Fazia muito senti- do. Imagino quanto preconceito eles receberam por conta do humor pesa- do que fazem. Mas e a revista do Mundo Canibal, que teve poucos exemplares?! Para minha óbvia tristeza, ele respondeu que não achava que revista dava certo, porque ele não lia revista, nem mes- mo as coisas que eles faziam. per fil FotoMarcioIudiceAttie As coisas parecem ser bagunçadas, mas nosso trabalho é muito sério 56 novembro_2013

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