A Arte da ControvérsiaComo vencer um debate sem ter razãoArthur Schopenhauer                      Projeto Leitura Concreta
A Arte da Controvérsia         Tradução         Bertoldo Schneider Jr.         Edição inicial         http://scienceblogs....
A Arte da Controvérsia       38 Maneiras de vencer uma discussão                           N° 1Leve a proposição do seu op...
A Arte da Controvérsia                           N° 6Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponenteou aquilo ...
A Arte da Controvérsia                          N° 11Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suaspremissas, abste...
A Arte da Controvérsia                          N° 15Se você quer apresentar uma proposição que é difícil deprovar, coloqu...
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A Arte da Controvérsia                          N° 27Se o seu oponente surpreender você ficando particularmenteindignado d...
A Arte da Controvérsia                          N° 31Se sabe não      ter uma resposta para os argumentosapresentados pelo...
A Arte da Controvérsia                          N° 35Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ouno rigor de ...
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A arte da controversia

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A arte da controversia

  1. 1. A Arte da ControvérsiaComo vencer um debate sem ter razãoArthur Schopenhauer Projeto Leitura Concreta
  2. 2. A Arte da Controvérsia Tradução Bertoldo Schneider Jr. Edição inicial http://scienceblogs.com.br Edição final (e-book gratuito) Felipe R. Dedico este livro digital a todos aqueles que doam seutempo e trabalho para levar a literatura à todos os que não têm condições de comprar livros. E ao meu professor de Filosofia do ensino médio, Rafael. - Felipe Rocha. O texto deste livro pode e deve ser distribuído em qualquer tipo de mídia (digital ou impressa) gratuitamente. Desde que sejam respeitados os direitos dos autores e editores, os quais devem ter seus nomes vinculados à obra. Página 2
  3. 3. A Arte da Controvérsia 38 Maneiras de vencer uma discussão N° 1Leve a proposição do seu oponente além dos seus limitesnaturais; exagere-a. Quanto mais geral a declaração do seuoponente se torna, mais objeções você pode encontrar contraela. Quanto mais restritas as suas próprias proposiçõespermanecem, mais fáceis elas são de defender. N° 2Use significados diferentes das palavras do seu oponentepara refutar a argumentação dele. Exemplo: a pessoa A diz:“Você não entende os mistérios da filosofia de Kant”. Apessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamosfalando, não tenho como participar dessa conversa”. N° 3Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-sea alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-anum sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataquealgo diferente do que foi dito. N° 4Oculte a sua conclusão do seu oponente até o últimomomento. Semeie suas premissas aqui e ali durante aconversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas emnenhuma ordem definida. Por essa rota oblíqua você oculta oseu objetivo até que tenha obtido do oponente todas asadmissões necessárias para atingir o seu objetivo. N° 5Use as crenças do seu oponente contra ele. Se o seuoponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use aspróprias premissas dele em seu favor. Por exemplo, se o seuoponente é membro de uma organização ou seita religiosa aque você não pertence, você pode empregar as opiniõesdeclaradas desse grupo contra o oponente. Página 3
  4. 4. A Arte da Controvérsia N° 6Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponenteou aquilo que ele está procurando provar. Chame uma coisapor um nome diferente: diga “boa reputação” ao invés de“honra”, “virtude” ao invés de “virgindade”, “animais desangue quente” ao invés de “vertebrados”. N° 7Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendoao oponente uma longa lista de perguntas. Fazendo muitasperguntas abrangentes ao mesmo tempo, você pode ocultaraquilo que está tentando fazer com que o seu oponenteadmita. Você em seguida avança o argumento a partir de umaadmissão do oponente. N° 8Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menoscapaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residemas suas vantagens. N° 9Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta demodo a alcançar conclusões diferentes ou opostas. N° 10Se o seu oponente responde a todas as suas perguntasnegativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peçaque ele concorde com a versão oposta das suas premissas.Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto emparticular a respeito do qual você está tentando fazer comque ele ceda. Pois a natureza humana é tal que, se “A” e“B” estão refletindo em conjunto, e comunicando as suasopiniões um ao outro a respeito de qualquer assunto, e “A”percebe que os pensamentos de “B” sobre o mesmo assunto nãosão os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seupróprio processo de raciocínio, a fim de descobrir qualquererro que possa ter cometido, mas pressupõe que o erro tenhaocorrido no raciocínio de “B”. Página 4
  5. 5. A Arte da Controvérsia N° 11Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suaspremissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com a suaconclusão. Mais tarde introduza suas conclusões na conversacomo coisa resolvida ou admitida por ele. O seu oponente eoutros na assistência poderão ser levados a acreditar quefoi de fato com a sua conclusão que ele concordou. N° 12Se o argumento move-se para o terreno de ideias gerais quenão têm nomes particulares, você deve usar uma linguagem oumetáfora que seja favorável à sua proposição. Exemplo: Oque uma pessoa imparcial chamaria de “fé pessoal” ou “opçãoreligiosa” é descrito pelo seu partidário como “santidade”ou “devoção”, e pelo seu oponente como “preconceito” ou“superstição”. N° 13A fim de fazer com que o seu oponente aceite a suaproposição, apresente também uma contra-proposição oposta.Se o contraste for acentuado, seu oponente acabaráaceitando a sua proposição para evitar parecer controverso.Exemplo: Se você quer que ele admita que um rapaz devefazer absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda queele faça, pergunte se o seu adversário acredita que“devemos em tudo desobedecer aos nossos pais”. É comocolocar o cinza ao lado do preto e chamá-lo de branco, oucolocar o cinza perto do branco e chamá-lo de preto. N° 14Tente lograr o seu oponente. Se ele respondeu diversas desuas perguntas sem que as respostas inclinem-se em favor dasua conclusão, avance a sua conclusão triunfantemente,mesmo se não procede. Se o seu oponente for tímido ouestúpido, e se você possuir uma grande dose de descaramentoe uma boa voz, essa técnica pode funcionar. Página 5
  6. 6. A Arte da Controvérsia N° 15Se você quer apresentar uma proposição que é difícil deprovar, coloque-a de lado por um momento. Ao invés disso,peça que o seu oponente aceite ou rejeite alguma proposiçãoverdadeira, como se fosse através disso que você fosseextrair a sua prova. Se o seu oponente rejeitá-lasuspeitando de alguma armadilha, você obtém o seu triunfodemonstrando o quão absurdo é o seu oponente rejeitar umaproposição que é obviamente verdadeira. Se o seu oponenteaceitá-la, a razão permanece com você pelo momento. Vocêpode então ou tentar demonstrar a sua proposição originalou, como no Nº 14, agir como se a sua proposição originaltivesse sido provada pelo que o seu oponente admitiu. Essatécnica requer um grau extremo de descaramento para quefuncione, mas a experiência já comprovou inúmeras vezes asua eficácia. A Controvérsia Dialética é a arte de debater,e debater de modo a sair por cima, quer você esteja certoou não. N° 16Quando o seu oponente apresenta uma proposição, considere-ainconsistente com as declarações, crenças, ações ouomissões do oponente. Exemplo: Se o seu oponente defende osuicídio, pergunte imediatamente: “Então porque você não seenforca?” Se ele observar que a sua cidade não é um lugarbom para se viver, pergunte: “Então por que você não parteno primeiro avião?”. N° 17Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária,você pode com frequência safar-se defendendo algumadistinção sutil. Tente encontrar algum significadosubjacente ou ambiguidade na ideia do seu oponente. N° 18Se o seu oponente abriu uma linha de argumentação queacabará levando inevitavelmente à sua derrota, não permitaque ele a leve até a sua conclusão. Interrompa o debate,retire-se imediatamente ou leve o seu oponente a mudar deassunto. Página 6
  7. 7. A Arte da Controvérsia N° 19Se o seu oponente desafiá-lo expressamente a apresentar umaobjeção a algum ponto definido da sua argumentação e vocênão tem mais nada a dizer, tente fazer o argumento delemenos específico. Exemplo: Se ele pedir algum motivo peloqual determinada hipótese não deva ser aceita, fale dafalibilidade do conhecimento humano e ilustre com váriosexemplos. N° 20Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suaspremissas, não peça que ele concorde diretamente com a suaconclusão. Ao contrário, exponha a conclusão você mesmocomo se ela também tivesse sido admitida. Uma pessoa podeestar objetivamente com a razão, e mesmo assim sair porbaixo na opinião dos observadores (e algumas vezes na suaprópria opinião). Por exemplo, suponha que eu apresente umaprova para demonstrar uma afirmação minha. Se o meuadversário refutar a prova, dará a impressão de estarrefutando também a afirmação – para a qual podem, noentanto, haver outras provas. Nesse caso, é claro, meuadversário e eu trocamos de posição: ele sai por cimaquando, na verdade, está errado. N° 21Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial evocê enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo anatureza superficial desse argumento. Melhor ainda érebater o oponente com um contra-argumento tão superficialquanto o dele, só para vencê-lo – afinal de contas é emganhar que você está interessado, não na verdade. Exemplo:Se o seu oponente apelar para o preconceito, para a emoçãoou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma moeda. N° 22Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa apartir da qual o ponto em discussão pode ser concluído,recuse-se a fazê-lo, declarando que ele incorre em petiçãode princípio. Página 7
  8. 8. A Arte da Controvérsia N° 23Contradição e contenciosidade irritam a pessoa de modo afazê-la exagerar suas declarações. Contradizer o seuoponente pode levá-lo a estender a sua declaração além doslimites, e quando você contradiz essa manifestaçãoexagerada parece estar refutando a declaração original. Domodo correspondente, se o seu oponente tentar estender asua própria declaração mais do que você tencionou, redefinaos limites da sua declaração e afirme: “foi isso que eudisse, e não mais do que isso”. N° 24Recorra a um falso silogismo (Silogismo: A=B e B=C, entãoA=C). Seu oponente faz uma declaração, e você por falsainferência e distorção das ideias dele extrai à forçaproposições não tencionadas e absurdas da afirmaçãooriginal. Fica parecendo assim que a proposição do seuoponente trouxe à luz essas inconsistências, restando aimpressão de que ela mesma foi indiretamente refutada. N° 25Se o seu oponente está fazendo uma generalização, encontreuma instância que demonstre o contrário. Basta umacontradição válida para derrubar a proposição do seuoponente. Exemplo: “Todos os ruminantes tem chifres” égeneralização que pode ser subvertida pela instância únicado camelo. [esta é uma ferramenta honesta. BSJ]. N° 26Uma manobra brilhante é virar a mesa e utilizar osargumentos do seu oponente contra ele mesmo. Exemplo: Seuoponente declara: “fulano é ainda uma criança, você devefazer-lhe uma concessão”. Você retruca: “justamente porqueele é criança devo corrigi-lo, caso contrário elepersistirá em seus maus hábitos”. Página 8
  9. 9. A Arte da Controvérsia N° 27Se o seu oponente surpreender você ficando particularmenteindignado diante de um argumento seu, insista nesseargumento com ainda maior zelo. Isso não apenas deixará oseu oponente furioso, mas vai deixar a impressão de quevocê tocou um ponto frágil na argumentação dele, e de queseu oponente está mais suscetível a um ataque no que dizrespeito a esse ponto do que você esperava. N° 28Quando a audiência consistir de indivíduos (ou uma pessoa)que não sejam autoridade no assunto, você pode levantar umaobjeção inválida e o seu oponente parecerá ter sidoderrotado aos olhos da sua audiência. Esta estratégia éparticularmente efetiva quando a sua objeção faz o seuoponente parecer ridículo, ou quando a audiência ri. Se oseu oponente tiver de fazer uma longa, prolixa e complicadaexplicação para corrigi-lo, a audiência não estará dispostaa ouvi-lo. N° 29Se você perceber que está sendo vencido na argumentação,crie uma diversão – isto é, comece de repente a falar sobreoutra coisa, como se isso tivesse importância na matéria emquestão. Isso pode ser feito sem medo se a diversão mostrarter alguma relação mesmo que genérica com a questão. N° 30Apele para a autoridade ao invés de para a razão. Se o seuoponente respeita determinada autoridade ou especialista,cite essa autoridade para avançar o seu argumento. Senecessário, cite o que essa autoridade disse em outrosentido ou circunstância. Autoridades que o seu oponentenão chegou a entender são em geral às que ele admira mais[são?]. Você pode, se necessário, não apenas distorcer asautoridades citadas em seu favor, mas também falsificá-las,citando algo inteiramente inventado por você. Falam sempensar, e mesmo que depois percebam que estão errados,querem parecer o contrário. O interesse da verdade dá lugaraos interesses da vaidade: assim, por causa da vaidade, oque é verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro. Página 9
  10. 10. A Arte da Controvérsia N° 31Se sabe não ter uma resposta para os argumentosapresentados pelo seu oponente, você pode num golpe deironia declarar-se um juiz incompetente. Exemplo: “O quevocê diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreensão.Pode muito bem ser verdade, mas não sou capaz de entender,por isso abstenho-me de expressar qualquer opinião sobre oassunto”. Desta maneira você insinua à sua audiência,diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o queseu oponente está dizendo é um contrassenso. N° 32Um método rápido de livrar-se da declaração de um oponente,ou de colocá-la sob suspeita, é classificá-la debaixo deuma categoria odiosa. Exemplo: Você pode dizer: “Isso éfascismo”, ou “ateísmo”, ou “nazismo”, ou “superstição”.Fazendo essa objeção você está pressupondo tacitamente que:1) a declaração em questão é idêntica à categoriamencionada ou está pelo menos contida nela; e 2) o sistemamencionado foi inteiramente rejeitado pela presenteaudiência. N° 33Admita as premissas do seu oponente, mas negue a suaconclusão. Exemplo: “Isso é muito bom na teoria, mas naprática não funciona”. [não é necessariamente desonesto...só o é se a conclusão realmente for procedente]. N° 34Se você apresenta uma pergunta ou um argumento e seuoponente não lhe dá uma resposta direta, contorna-os comoutra pergunta ou tenta mudar de assunto, é sinal claro eque você atingiu um ponto fraco, por vezes de forma nãointencional. Você, por assim dizer, reduziu seu oponente aosilêncio. Insista, portanto, ainda mais no ponto emquestão, e não deixe que seu oponente o evite, mesmo quandovocê não sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba dedescobrir. Ao seguirmos estas regras com esta finalidade,não devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdadeobjetiva, porque normalmente não sabemos onde está averdade. Página 10
  11. 11. A Arte da Controvérsia N° 35Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ouno rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele.Se você conseguir fazer com que a opinião do seu oponente,caso se mostre verdadeira, pareça distintamente prejudicialao seu próprio interesse, ele a abandonará imediatamente.Exemplo: Um clérigo está defendendo algum dogma filosófico.Demonstre que sua proposição contradiz alguma doutrinafundamental da sua igreja, e ele se verá forçado aabandonar o argumento. [não necessariamente desonesta]. N° 36Você pode também confundir e desconcertar seu oponenteatravés de grandiloquência pura e simples. Se seuadversário é fraco ou se não deseja aparentar não ter ideiasobre o que está falando, você pode impor facilmente sobreele algum argumento que pareça profundo e erudito, ou soecomo inquestionável. N° 37Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para você,apresentar uma prova deficiente, você pode com facilidaderefutar a prova e em seguida alegar que refutou a posiçãointeira. É dessa forma que maus advogados perdem boascausas. Se seu oponente for incapaz de produzir uma provairrefutável, você ganhou o dia. N° 38Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tãologo perceba que seu oponente está com a vantagem. Partindopara o ataque pessoal você abandona o assunto por completo,passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo usode observações ofensivas e malevolentes. Esta é uma técnicamuito popular, porque requer pouca habilidade para sercolocada em prática. Página 11

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