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Cinco escovas extra
O aspirador Becken Aquapower
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A forma como as células reprodutoras masculinas se movem – em
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Neste Natal queremos ajudá-lo(a) a evitar acidentes que
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[texto] Rosa Cordeiro [ilustração] Rachel Caiano
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sem a dor, para ter um parto m...
crónica A Sedução do SER
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crianças Terrorismo
[texto] Teresa Martins [fotografia] Fotolia
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Evitar a TV
As crianças mais
novas podem ficar
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[texto] Sofia Teixeira [ilustração] Marta Torrão
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natal Fantasia
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natal Fantasia
Perguntas! Prepare-se
“Como consegue o Pai Natal
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“Descobrir que o Pai Natal não existe não é um
trauma. O que traumatiza é a impossibilidade
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natal Presentes indesejados
[texto] Sofia Teixeira [fotografia] Fotolia
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Para grandes males, grandes remédios
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[texto] Ana Sofia Rodrigues [fotografia] Fotolia
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ser obrigados a tirarem férias entre o Natal
e o Ano Novo. É aí que se desacelera.
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  1. 1. VESTIDOS PARA A FESTA MODA Só o instinto não chega N. 299 dezembro 2015 www.paisefilhos.pt PRESENTES INDESEJADOS Podemos recusar? CONSTIPAÇÕES Elas estão aí! SOS NATAL COMO“SOBREVIVER” AO STRESSE PARTO Leve as suas músicas preferidas EDUARDO SÁ “Para que serve o Pai Natal?” CARTA Gonçalo M.Tavares ao PAINATAL FELIZES PARA SEMPRE? Sim, é possível! EPISIOTOMIA ESTIMULAR A GENEROSIDADE CASTIGOS BELEZA ROTEIRO LEITURAS LIFESTYLE NatalAjude-os a acreditar na magia! mensal PVPcontinente3.50€
  2. 2. www.paisefilhos.pt 3 00 sumário NATAL DEZEMBRO 97 LIFESTYLE 90 HISTÓRIA 88 LER 84 ROTEIRO 63 CADERNOS 60 SHOPPING O Pai Natal existe! Aproveite sem stresse esta época única, com toda a magia edição 299 14 24 Diabetes Uma questão de controlo Terror Como explicar aos mais novos 54 46 50 Casais felizes Todos os segredos Constipações Podemos evitar? Moda Natal Prontos para as festas Beleza Maquilhagem Entrevista Ella Woodward Música no parto Banda sonora de afetos 18 CRÓNICAS: 12 Eduardo Sá 22 Mário Cordeiro 28 Isabel Stilwell 30 Sónia Morais Santos 44 Enrique Pinto-Coelho 72 32 80
  3. 3. 4 Pais&filhos dezembro2015 editorial Amor em tempo de guerra A chegada do pinheiro, a escolha criteriosa das bolas e das fitas, a apanha do musgo para o pre- sépio, o azevinho no jarrão, a abóbora partida aos gomos, o bacalhau de molho, os cartões de Boas Fes- tas e os papéis de embrulho espalhados pela mesa… tudo isto, à mistura com um estra- nho frenesim de gente, luzes e cânticos an- tecipavam a grande Noite e impregnavam a casa de uma atmosfera especial. Um pouco estranha, de tão inquietante, mas deliciosa. Para mim, era o mês mais desejado do ano. Por estaaltura,jáaquelenervosomiudinhomefazia gritar de alegria e estremer de comoção. Mas, com a carta ao Menino Jesus, vinham os pri- meiros receios e algumas interrogações. Será que me portei bem o suficiente para receber a boneca “que fala”? Como descerá a viola pela chaminé? Estarei a pedir demais? É desta que vou ser penalizada por todos os pecados? Como é que Ele, lá do alto, vigia tudo e todos e nunca se engana no sapatinho? E como é que me con- segue sempre devolver a carta? Um enigma que guardava com cautela e que, com o aproximar da data, se tornava cada vez mais presente... e perturbador. A ponto de me tirar o sono, por vezes a fala. Com o passar dos anos, o mistério, cada vez menos obscuro, foi deslindado. Mas eu, talvez resistente ao quebrar do feitiço, continuei a ignorar certos “deslizes”, a escrever cartas ao Menino Jesus e a pôr o sapatinho na chaminé. Até hoje. Quem sabe na esperança de que o mistério perdure e a magia nunca esmoreça. Numaépocaemqueascriançasdominamtanta coisa, mas brincam tão pouco – e em que o Pai Natal está apenas à distância de um clique – cabe a nós, pais, cultivar e propagar a magia. Num gesto altruísta ou numa bolacha para o Pai Natal. Porque, por mais presentes (programas ou atividades) que recebam, só a magia é capaz de (n)os encantar... e dar “poderes” especiais. Na altura em que escrevo este texto, vou assis- tindo, ainda em estado de choque, aos contor- nos e efeitos assustadores da noite de terror que atingiu Paris (e, inevitavelmente, todos nós). Neste mês em que se celebra a festa da família – e se apregoam valores como a paz, a amizade e a solidariedade –, talvez seja bom parar, refletir.. e tentar novos rumos. E não desistirmos, mesmo desiludidos, impotentes ou revoltados, de combater o terror... com o amor. Todos os dias. Boas Festas! Alexandre Castro Caldas [diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica] Paul Coleman [psicólogo e autor do livro “Finding Peace When Your Heart is in Pieces”] Numa época em que o Pai Natal está à distância de um clique, cabe a nós, pais, cultivar e propagar a magia Helena Gatinho [diretora] Eles dizem... Foto: Isabel Saldanha “É preciso que os miúdos percebam que têm dentro da cabeça um computador muito melhor do que qualquer outro”. “Os pais podem dizer: estes ataques são raros, os maus estão a ser apanhados e os adultos estão a fazer tudo para que não voltem a acontecer”.
  4. 4. Cinco escovas extra O aspirador Becken Aquapower conta com cinco escovas extra, pensadas para facilitar cada processo de limpeza. Esta é uma ajuda imprescindível para a limpeza da casa e a sua manutenção é extremamente simples. O aspirador a água da BECKEN Aquapower permite uma limpeza profunda da casa, mesmo para os aman- tes de animais, garantindo ainda a ex- tinção dos elementos alergénios que se encontramnasmaispequenaspartículas depó.Aconjugaçãodosfiltrosdeáguae HEPAatrabalharsimultaneamente,com umapotênciade1600W,reflete-senuma grandeeficiênciadesucção,eliminando as“fontes”dealergiasqueabundamem todas as casas. Sem saco, com filtragem e com re- curso a água, o Aquapower permite a aspiração de líquidos e sólidos. O aspirador da Becken utiliza um novo sistema de filtragem ciclónico, que cria um efeito giratório, o que faz com que a águanodepósitocirculenomesmosen- tidodaentradadoar,impedindoqueas partículasdepómaispequenasvoltema sairdoaspiradoresemantenhamnoar. O sistema ciclónico é simples e inova- dor, reduzindo a quantidade de bolhas geradasnosciclosdeaspiração,oquefaz com que as partículas mais pequenas sejamnaturalmenteretidasnaágua.As poucasbolhascommicropartículasque permaneçamsãoretidaspelofiltroHEPA. Pensadoparatodasasdivisõesdacasa, o aspirador Becken Aquapower inclui acessóriosquepermitemlimparasvárias divisõesdascasas,independentemente da sujidade ser sólida ou líquida. Inclui atéumacessóriopróprioparaospelosde animais.Odepósitodeáguafacilmente removível,apegadetransporte,aprote- ção de borracha e o indicador do nível de água espelham a simplicidade deste aspirador,desenhadoparaproporcionar conforto no processo de limpeza. Osistemadeencaixecriadoparafechar oaspiradorfoiespecialmentedesenhado para ser fácil de desmontar e remover toda a água e sujidade do seu interior. Lava-se facilmente e fica pronto a usar de novo. Finalmente, derealçarodesignmoderno e ergonómico, especialmente desenvol- vido a pensar em si. O aspirador Becken Aquapower utiliza um novo sistema de filtragem ciclónico, para uma limpeza mais eficaz Cuida da casa e da sua família uida da casada da casa
  5. 5. Notíciasbloco de notas 6 Pais&filhos dezembro2015 CARTAS EM VIAS de extinção? As cartas e todas as formas de comunicação escrita de tipo manual podem já ser classificadas como uma “espécie em vias de extinção” revelam os autores de um estudo realizado no Reino Unido junto de adolescentes. Na base do fenómeno está o domínio cada vez mais absoluto das mensagens de texto enviadas com recurso às novas tecnologias. Da amostra de mil jovens entre os 13 e os 19 anos inquiridos para este trabalho, cerca de um terço nunca escreveu uma carta ou mesmo um pequeno bilhete, enquanto um em cada dez afirma não utilizar lápis ou canetas fora do âmbito escolar: tudo é feito online e através de mensagens escritas, e-mail ou com o recurso às redes sociais. O que é que faz de um homem um pai afetuoso e cuidador? Fatores biológicos, emocionais e boas capacidades auditivas e visuais, garantem investigadores da Universidade do Michigan (EUA) que têm vindo a dedicar-se ao estudo do que chamam a “equação do amor paterno”. Ao ouvir e ver o seu bebé a chorar, os níveis da hormona testosterona do pai baixam significativamente, descobriu a equipa norte- -americana. E isso significa que a habitual tendência masculina para a competição e os instintos de sobrevivência a todo o custo são substituídos, a nível celular, por uma tendência de empatia “que beneficia a cria que, por algum motivo, está a mostrar sinais de tristeza ou desconforto”. COMO NASCE o amor de pai?
  6. 6. www.paisefilhos.pt 7 A forma como as células reprodutoras masculinas se movem – em especial o que distingue as mais fortes das mais fracas – é um dos campos de trabalho mais populares para a comunidade científica que se dedica a estudar as questões da fertilidade masculina. Agora, uma equipa da Universidade de Toronto (Canadá) mostrou que os espermatozoides mais capazes não se limitam a “nadar” com movimentos de saca-rolhas, como se acreditava. Os “campeões” da fertilidade têm também capacidade de se moverem como cobras, deslizando ao longo da parede do útero ou atravessando fluidos espessos. Isto permite- -lhes moverem-se duas vezes mais depressa, ultrapassando todos os que não possuem a mesma técnica. A descoberta poderá abrir caminho a novos tratamentos contra a infertilidade masculina. Ser avó obriga a redescobrir o mundo? É o maior tratamento de rejuvenescimento imaginável: de um dia para o outro começamos a olhar para tudo à nossa volta como se fosse a primeira vez. E aí reparamos que há tanta coisa que tínhamos deixado de ver! Afinal os pombos têm “cachecóis”, os aviões voam (e isso é um “milagre”), saltar nas poças dá-nos um prazer incalculável... O que lhe ensinaram a Carminho e a Madalena nestes cinco anos? Sinto que elas me ensinaram duas coisas essenciais: a importância da cumplicidade e a dar valor a focar-nos completamente numa tarefa, tirando dela o maior dos prazeres. Quando estou a brincar com elas não penso em mais nada, envolvo-me a 100 por cento na brincadeira e esqueço completamente os emails, os artigos que tenho de escrever, etc., e isso tem-me proporcionado momentos únicos de pura felicidade. As avós também têm dúvidas? As avós têm dúvidas, mas confiam mais no seu banco de dados e no bom senso, seguras pela experiência que têm. E, sobretudo, sentem-se menos julgadas pelos outros, o que dá uma margem de manobra maior. Mas há problemas novos que surgem com os netos, questões que nunca se puseram com os seus filhos, e aí devem procurar respostas, nos livros, nas conversas, e claro junto dos pais da criança, que a conhecem melhor do que ninguém. É possível ser avó sem entrar em choque com os pais? Acho que não, até porque os pais são filhos, e os bons pais nunca deixam de tentar educar os filhos, por muito que eles cresçam. Mas se construíram uma relação de respeito e admiração ao longo da vida com eles, hábitos de diálogo e troca de ideias, os confrontos podem dar bons frutos! Afinal têm em comum o amor por aquela criança. Teresa Martins “Ser avó é mudar a forma de ver o mundo [Isabel Stilwell, escritora] Ser avó é “embarcar alegremente numa viagem sem retorno”. “Diário de uma Avó-Galinha” relata cinco anos desta fantástica descoberta. CarlosRamos ESPERMATOZOIDES “CAMPEÕES” MEXEM-SE COMO COBRAS Regras para uma boa saúde oral A Associação Dentária Americana apresentou recentemente algumas recomendações para garantir uma dentição saudável, desde os primeiros dias. • Nunca colocar águas aromatizadas, sumos ou refrigerantes no biberão. • Não colocar a chucha do bebé na boca. Isto porque há transferência de germes e bactérias “adultas” para o metabolismo infantil. • Nunca embeber, mergulhar ou cobrir a chucha em doces. • Antes do aparecimento dos primeiros dentes de leite, limpar as gengivas do bebé, depois de cada refeição, com um pedaço de tecido suave e húmido. •Até aos três anos, escovar suavemente com uma escova e dentífrico apropriados (a quantidade não deve exceder o tamanho de uma ervilha). • Supervisionar a lavagem até aos seis anos (só nessa altura a criança tem capacidade de usar a escova e o dentífrico de modo eficaz). • Não usar “copos de bebé” depois do primeiro aniversário. Nessa altura, o bebé é capaz de usar um copo normal, desde que não seja pesado, quebrável e tenha uma quantidade moderada de líquido.
  7. 7. bloco de notas 8 Pais&filhos dezembro2015 YOGA CONTRA stresse infantil Brincar absorve totalmente as crianças, queima energia e recursos e, acima de tudo, tem uma influência indelével na sua personalidade. Ajuda-as a adquirir novas capacidades e a consolidar outras. A principal característica da brincadeira é o sentimento imediato de prazer: para as crianças, brincar é instantaneamente gratificante e é, portanto, algo que as atrai bastante. A brincadeira é uma conceção multifacetada de liberdade, contradição, incoerência, prazer. É, pois, capaz de revelar os aspetos emocionais mais secretos da alma de uma criança. É capaz de evidenciar os seus desejos, tendências e aspetos contraditórios do seu caráter e é, por isso, algo que não devemos subestimar e a que devemos prestar muita atenção. Atribuir uma definição específica e uma interpretação inequívoca à brincadeira não é, contudo, uma tarefa fácil, já que a forma de brincar de uma criança diversifica-se durante as diferentes fases de crescimento. Desde o nascimento, os brinquedos são uma importante forma de estimular o desenvolvimento sensorial da criança. Brinquedos fáceis de agarrar, divertidos, coloridos e barulhentos são muito estimulantes para o seu desenvolvimento nesta fase. Dos seis meses em diante, os brinquedos têm a importante tarefa de permitir que os bebés se tornem mais conscientes das suas capacidades e comecem a controlar o seu comportamento sensório-motor. À medida que progridem, isto vai permitir-lhes imitar o comportamento dos adultos. Por outro lado, tornam-se também cada vez mais interessados no que as rodeia e desenvolvem a necessidade de se divertirem e aprenderem coisas novas. E, os brinquedos que eram inicialmente utilizados para estabelecer uma ligação com o mundo à sua volta, agora transformam-se numa fonte de conhecimento essencial para o seu desenvolvimento. BRINCAR PARA CRESCER O observatório Chicco acompanha o desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida, com a colaboração de mães, médicos, especialistas em puericultura, associações e creches, para propor produtos simples e seguros para cada fase do crescimento. www.chicco.pt B Ó Programa comunitário combate obesidade infantil “Juntos Prevenimos a Obesidade Infantil”: é este o mote por detrás do programa comunitário VIASANO, desenvolvido em França e posto em prática em 19 cidades da Bélgica, que pretende estimular uma mudança de comportamento sustentável a longo prazo e prevenir a obesidade infantil. A metodologia funciona numa dupla perspetiva: dirigindo-se à população local através de técnicas de marketing social, utilizando canais de comunicação locais, e dirigindo-se ao ambiente da comunidade em colaboração com agentes locais. Um estudo publicado na revista Pediatric Obesity avaliou os efeitos do VIASANO e concluiu que o programa permitiu reduzir a prevalência de excesso de peso ou obesidade em 2,2 por cento. Os investigadores analisaram, ao longo de três anos (entre 2007 e 2010), as mudanças da prevalência do excesso de peso e obesidade em crianças de três a quatro anos e de cinco a seis anos nas cidades piloto de Mouscron e Marche-en-Famenne, na Bélgica. As crianças também precisam de relaxar: o stresse e a pressão nos estudos podem causar sintomas de ansiedade prejudiciais ao seu desenvolvimento. O yoga é uma das formas de combater estes malefícios e ganha cada vez mais adeptos, entre pais e filhos. “São muitos os benefícios que se podem retirar da prática de yoga desde os primeiros anos de vida. Não só porque fortalece os músculos e melhora a flexibilidade, mas também porque estimula a coordenação, o tempo de reação e a memória”, assegura Martha Tena, professora de yoga especializada em sessões para o público infantil. A especialista refere que esta prática pode mesmo “influenciar a capacidade da criança em resolver problemas e a pensar de forma criativa”.
  8. 8. MÁXIMA ABSORÇÃO DE XIXIS E FEZES LÍQUIDAS A fralda Dodot Sensitive oferece o máximo cuidado da Dodot para a delicada pele do recém nascido. Com tecnologias especiais: INDICADOR DE HUMIDADE CORTE ESPECIAL NA ZONA DO UMBIGO TECIDO EXTRA SUAVE 1 2 3 Agora até TAMANHO
  9. 9. 10 Pais&filhos dezembro2015 Neste Natal queremos ajudá-lo(a) a evitar acidentes que podem acontecer em dias que deveriam ser apenas de paz e felicidade. Alguns podem ser tão graves! Por isso siga as dicas da APSI: – Enfeite a casa com uma árvore de Natal estável que não possa cair sobre as crianças; – Escolha enfeites adequados à idade dos seus filhos ou netos, para que não corram risco de asfixia com peças pequenas ou que possam soltar-se. Coloque-os de preferência fora do seu alcance para que não possam puxá-los; – Verifique que as luzes de enfeite estão em bom estado, sem fios descarnados ou em risco de sobreaquecimento e incêndio. Apague-as sempre que saia de casa e à noite; – Não enfeite a casa com velas; se o fizer ponha-as em lugares altos, longe de cortinas e produtos inflamáveis. Guarde longe do alcance da criança os fósforos ou isqueiros; – Escolha brinquedos para oferecer, adequados às diversas idades, e de boa qualidade. Compre numa loja de confiança para evitar brinquedos contrafeitos que podem esconder alguns riscos: corte, perfuração, entalão, asfixia, queimadura, choque elétrico… – Observe bem os brinquedos que oferecem às suas crianças; procure peças pequenas que possam aspirar ou engolir (menos de 32 mm ou 45 mm se forem esféricas), objetos cortantes, etc. Leia as instruções e utilize sempre os equipamentos de proteção recomendados. Passe esta informação aos seus familiares e amigos para que possam evitar acidentes ou apenas alguns sustos neste Natal. APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil www.facebook.com/apsi.org.pt www.apsi.org.pt | apsi@apsi.org.pt | 21 884 41 00 Natal sem acidentes DICAS DE SEGURANÇA Ter filhos aumenta a longevidade das mulheres que, em qualquer altura da vida, têm mais 20 por cento de possibilidades de se encontrarem bem de saúde do que as que não são mães. Esta é, pelo menos, a conclusão a que chegaram investigadores britânicos do King’s College de Londres. O trabalho envolveu um megaestudo de mais de 320 mil mulheres, de dez países europeus, durante um período de 13 anos. Durante o processo de investigação, os cientistas descobriram que as mães apresentavam menos risco de morte, em especial as que tiveram o primeiro filho antes dos 30 anos. TER FILHOS aumenta longevidade FAMÍLIA % dos alunos do 3º ciclo e secundário são fumadores, diz um estudo da Universidade de Coimbra O número de famílias monoparentais em Portugal cresceu para o dobro no espaço de duas décadas, revelam dados do projeto GeoHealthS, um estudo do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra. Os últimos dados obtidos revelam um aumento de mais do dobro de famílias monoparentais entre 1991 e 2011, passando de uma média de 6,1 para 12,6 por cento. De acordo com o projeto, a monoparentalidade “encontra-se associada a maior risco de privação de pobreza, principalmente nas mulheres”, havendo vários estudos que indicam um risco acrescido para a criança ao nível da saúde mental. FAMÍLIAS MONOPARENTAIS crescem para o dobro bloco de notas 21% As Olisipíadas estão de regresso a Lisboa. Trata- -se de uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Lisboa e pelas 24 freguesias da cidade, em parceria com os Comités Olímpico e Paralímpico de Portugal, as Associações e Federações desportivas, clubes da cidade e agrupamentos escolares. Com o grande objetivo de promover a prática desportiva entre os mais novos, dos seis aos 14 anos, as Olisipíadas, de acordo com Jorge Máximo, Vereador do Desporto da Câmara de Lisboa, “têm a capacidade única de abrir o desporto a milhares de jovens e, quem sabe, descobrir campeões”. As competições locais irão realizar-se até maio e os jogos terminarão em inícios de junho, com uma grande festa do desporto para toda a família. Jogos estão de volta
  10. 10. crónica Porque sim não é resposta 12 Pais&filhos dezembro2015 Eduardo Sá [psicólogo] É mau que se acredite no Pai Natal? Não. É indispensável! É verdade que Natal nos ajuda a esmerar para a ideia de família. Mas são os presentes que nos trazem para o deslumbramento de descobrir se estamos (ou não) no centro do Presépio para alguém! O Pai Natal faz mal... ao Natal? Não! Mal faz a luta entre consumismo e sagrada família que, às vezes, “anda no ar”, como se ou houvesse quem valorizasse o Natal e desprezasse os presentes ou quem se empanturrasse neles e ignorasse o Natal. Presentes demais não são presentes: são uma forma de alguém nos achar tão ausentes dentro de si que, à cautela, ao dar-nos muitos, ao menos assim, sempre se arrisca a acertar no meio do nosso coração, quase sem querer, pelo menos, uma vez. Mas não trocar presentes é uma forma de dizer: “Se sabes que eu gosto de ti, não tenho a obrigação de te provar que te conheço!”. O que não é verdade: quanto maior for o amor mais nós temos de o provar. Já o dinheiro, no Natal, não é presente: é uma forma de subornar a preguiça de alguém não nos dizer “Amo-te!”, num gesto só. Para que serve o Pai Natal? Serve para nos rebelarmos contra os dias onde o coração parece ter de bater, unicamente, dentro do peito. E para nos insubordinarmos contra a vida quando ela, vezes demais, não tem (como devia) “a nossa cara”. E para falarmos da falta que nos faz um mundo que sorria para nós. O Pai Natal serve para falarmos de esperança! E da fé de termos – algures num grão, mais ou menos perdido, do Universo – alguém que nos conheça, nos vire do avesso e, por isso, teime e teime e não desista de fazer de nós o melhor do mundo só para si. O Pai Natal existe, mesmo? Existe! E chega de fazermos de conta que o mundo se divide entre pessoas reais e personagens imaginárias. Tecnicamente (vamos dizer assim) essa distinção tem sentido, claro. Mas acontece que às pessoas reais falta, muitas vezes, um enredo, um comboio de gestos que – de tão límpidos e compreensíveis – se adivinhem. Mais um jeito só seu que as torne “escutadoras” e, por isso mesmo, “adivinhonas” e “brincadoras”. E tudo o resto que, de inventivo ou trapalhão, nos eleva do chão, sem nunca sairmos do seu olhar, que nos segura. E, sendo assim, falta às pessoas reais um quase-nada de rodopio com que costurem o nosso coração e que faça com que ele possa ser tudo – um balão colorido ou uma avenida de gente olhando por nós – mas nunca, e em circunstância alguma, mais um remendo. É por isso que as personagens imaginárias têm, muitas vezes, o patoá que falta às pessoas reais. Porque não sabendo o nosso nome, nem sendo possível que se lhes toque, nos falam ao ouvido. E enternecem e nos comovem com quase-nada. E sendo tão íntimas e delicadas, por mais que se não queira, serão reais. E sendo assim um ror de vezes, são (como não podia deixar de ser) “dos nossos”. Como alguns tios e mais alguém (quem sabe?) nunca serão. É por isso que, tal como elas, o Pai Natal não só existe como, sobretudo, faz parte da família. Chega de fazermos de conta que o mundo se divide entre pessoas reais e personagens imaginárias. O Pai Natal não só existe como, sobretudo, faz parte da família Para que serve o Pai Natal?
  11. 11. www.paisefilhos.pt 13 Mas, sendo assim, para é que servem as pessoas, quando são reais e imaginárias, ao mesmo tempo? Para fazerem milagres! Porque há sempre um milagre quando duas pessoas acreditam naquilo que sentem e creem uma na outra, ao mesmo tempo. Falar às crianças do Pai Natal não serve, então, para as levar ao engano? Não! Por mais que as crianças sejam pequeninas, e dado que não veem a mãe e o pai a levantar voo a torto e a direito, não há forma delas acreditarem, realmente, que cento e quarenta quilos de Pai Natal, mais o peso do trenó, uns pares de renas e uma tonelada de brinquedos levante voo... sem motor de arranque. Mas trazer mistérios para a vida das crianças ajuda-as a perceber que é com eles, e pela forma como se desvendam, que se vai do estranho ao maravilhoso. E – mais, ainda – serve para lhes explicar que é por convivermos com aquilo que vai além de nós e que, de tão exultante, nos torna, por vezes, quase minúsculos, que o coração nos arrebata e nós crescemos. Será que o Pai Natal das crianças e o Pai Natal dos pais são pessoas diferentes? É claro que são! O das crianças é uma forma delas darem a entender que o importante não são as prendas. Mas a distância que separa um desejo do arrepio de alguém o descobrir. Por mais que os pais, à conta das asneiras que fazem, não sejam, muitas vezes, de confiar. A ponto de as crianças – fazendo de conta que não reparam na letra do Pai Natal ser, estranhamente, parecida com a do pai ou da mãe – escreverem cartas para o País do Natal, que é uma forma de dizerem aos pais, sem magoar: “Agora, orientem-se! Sim?...”. Já o Pai Natal dos pais é um avozinho barrigudo de barbas brancas – que vestisse ele como as pessoas reais, em vez de vermelho – e quase seria uma forma de dizerem aos avós das crianças que está na altura de voltarem a ser escutadores, adivinhões e brincadores como, algures, no seu crescimento, já terão sido. E (já agora) é mau que o Pai Natal, para a mãe, e o Pai Natal, para o pai, tenham listas diferentes de prendas que desejem dar? Não. Mau será que só tenham olhos para as prendas com que sonharam nas suas infâncias e que nunca tiveram. E, mesmo assim, isso não seria, de todo, mau! Porque os presentes servem para sairmos do nosso mundo e sermos, ao mesmo tempo, pessoas reais e personagens imaginárias. No mundo das crianças, o pai e a mãe, quando vão a sufrágio, raramente ganham sem se coligarem. É essa a magia de os ter a amar a quatro mãos. Coisa que as pessoas reais, aquelas a quem falta magia, estranham e desconhecem. Mas tirando Deus, porque é Deus, e as consegue, as maiorias absolutas só existem quando há um milagre. E até aí elas teimam em ser fugazes e fugidias. E, vendo bem, mesmo considerando Deus, olhando nós para tantos meninos que parecem tê-lO apanhado a jogar dados com o Universo, há sempre alguém que é da oposição. O que, tirando aquilo que se passa noutros países – que não são o do Natal – é redentor. Porque sempre que duas contradições tagarelam e se entremelam, logo uma convicção apanha o jeito e zás: põe-se a falar. Ganhamos alguma coisa ao dizermos a um filho que o Pai Natal não existe? Não. Não ganhamos mesmo nada! Porque, dito assim, não existir o Pai Natal não quer dizer que se acabaram as prendas. Mas que deixaram de ser “presentes” e de estar presentes dentro de quem os ama. Porque um presente serve para alguém nos dizer “presente!”, dum jeito talvez secreto e muito nosso. E, para além de todos os nossos “ais” serem só seus, serve para percebermos que essa pessoa nos escuta e adivinha e nos comove. E faz da nossa vida o melhor dos seus presentes! E, sendo assim, quando – de coração apertado – abrimos um presente e, tremelicando, reconhecemos nele a nossa cara e o amor arrepiante com que ela se esmerou para se dar, é como se nascêssemos outra vez. E, então sim, ao chegarmos com ele bem ao centro do Presépio, só aí será Natal. Um presente serve para alguém nos dizer “presente!”, dum jeito secreto e muito nosso. E para percebermos que essa pessoa nos escuta e adivinha e nos comove
  12. 12. 14 Pais&filhos dezembro2015 gravidez & parto Diabetes gestacional [texto] Teresa Martins [fotografia] Fotolia uma questão de T udo começa no prato: quando os níveis de açúcar no sangue obrigam a levantar a bandeira vermelha, cada refeição da grávida passa por um rigoroso escrutínio. É preciso selecionar alimentos, cortar quantidades, combinar ingredientes, desdobrar refeições… Tudo com conta, peso e medida, para garantir que a glicémia se man- tém em níveis aceitáveis e inofensivos para a grávida e, sobretudo, para o bebé. “As grávidas com diabetes gestacional preci- sam de um plano personalizado e de acom- panhamento multidisciplinar: é um trabalho entre o obstetra, o nutricionista e o endocri- nologista. É preciso analisar o que comem, o que acontece quando comem determinado alimento, as horas a que o comeram… É preciso analisar tudo caso a caso”, explica a nutricio- nista Daniela Seabra. Nesta equação entram diversas variáveis, desde o tipo de alimento ingerido, à quantidade ou ao intervalo entre refeições. Tudo conta. “É um jogo”, diz a nutri- cionista, sublinhando que “há grávidas cujos níveis são muito difíceis de controlar”. Por isso mesmo, apesar de não gostar da palavra proi- controloÉ uma complicação frequente e implica um intenso braço de ferro com os hidratos de carbono. Mas com autodisciplina e determinação, é possível controlar a grande maioria dos casos. Para bem do bebé! Motivação Controlar a diabetes gestacional é proteger e tratar o bebé. Por isso, na grande maioria dos casos, as grávidas cumprem o plano à risca bir, Daniela Seabra não deixa margem para manobras: “Proíbo sim, tudo o que é açúcar, logo na primeira consulta! Porque para algu- mas grávidas basta ingerir um bocadinho de açúcar e os valores disparam.” Para perceber a importância do controlo da diabetes gestacional é preciso primeiro com- preender por que surge e que consequências pode ter quer para a grávida quer para o bebé. “Na fase inicial da gravidez, o aumento das hormonas origina uma baixa de açúcar, pro- movendo a acumulação de gordura e aumento do apetite. À medida que a gestação progride, os níveis de açúcar no sangue após as refeições vão aumentando, enquanto a sensibilidade à insulina diminui. Para que se mantenha um bom controlo do nível de açúcar no sangue durante a gravidez, é preciso que haja um au- mento suficiente da produção de insulina pela mãe para contrariar a queda na sensibilidade à insulina. A diabetes gestacional ocorre quando a secreção de insulina não é suficiente”, explica a obstetra Sofia Serrano. As consequências deste desequilíbrio são co- nhecidas: “Valores persistentemente elevados de açúcar no sangue da grávida podem origi-
  13. 13. www.paisefilhos.pt 15 Medir a gordura abdominal no primeiro trimestre da gravidez permite identificar as mulheres com maior risco de desenvolverem diabetes gestacional, revela um estudo publicado na revista Diabetes Care. Os investigadores do Hospital St. Michael em Toronto (Canadá) analisaram perto de 500 mulheres com idades entre os 18 e os 42 anos e comprovaram que as grávidas que apresentavam maiores níveis de gordura abdominal foram as que desenvolveram, com mais frequência, diabetes gestacional entre as 24 e as 28 semanas, independentemente do índice de massa corporal. Por isso, defendem que a gordura abdominal deve ser um marcador a ter em conta na avaliação do risco de diabetes gestacional a partir de agora. Gordura abdominal prevê risconar excessivo crescimento do feto (macrosso- mia) associado a problemas no parto (distócia de ombros, aumento da taxa de cesarianas, hipoxia perinatal, aumento dos partos instru- mentados) e aumentam a probabilidade da grávida, no futuro, desenvolver uma diabetes”, adianta a especialista. Além disso, acrescenta, “a exposição à diabetes no meio intrauterino está associado a um risco acrescido do filho ter excesso ponderal e obesidade no início da infância, maior risco de diabetes tipo 2 e aumento do risco cardiovascular”. Rastreio universal A diabetes gestacional pode surgir em qual- quer mulher, mas existem alguns fatores de risco que obrigam a olhar para a grávida ainda com maior atenção: “Idade igual ou superior a 30 anos, antecedentes familiares de diabetes tipo 2, obesidade, multiparidade (quatro ou mais partos), dois ou mais abortos espontâ- neos, morte perinatal anterior, macrossomia fetal, diabetes gestacional em gravidez prévia”, enumera Sofia Serrano, chamando a atenção também para as alterações do estilo de vida ocorridas nas últimas décadas. “A mulher en- gravida mais tarde e tem excesso de peso ou é obesa, situações muitas vezes associadas a défice de produção de insulina”. Por tudo isto, é fundamental diagnosticar atempadamente e declarar guerra a esta com- plicação. As atuais normas de vigilância da gravidez emitidas pela Direção Geral da Saúde indicam que, numa situação de baixo risco, “deve ser feita pesquisa de glicémia em jejum na primeira consulta de vigilância pré-natal e prova de tolerância à glicose oral (PTGO) às 24-28 semanas de gestação”. “O rastreio
  14. 14. 16 Pais&filhos dezembro2015 universal é fundamental para tentar que ge- rações futuras não tenham as complicações decorrentes da diabetes”, sublinha a obstetra. O poder das picadas O tratamento da diabetes gestacional passa, essencialmente, pela alteração do plano ali- mentar e pela “autovigilância glicémica ri- gorosa (implica que a grávida faça picadas regulares para saber o seu nível de açúcar no sangue)”, refere Sofia Serrano, acrescentando que “a ingestão de água é recomendada, as bebidas alcoólicas desaconselhadas e o exer- cício regular estimulado, preferencialmente a marcha e sobretudo após as refeições.” Daniela Seabra sublinha o “poder das picadas”: “São importantíssimas, porque as grávidas assus- tam-se com os valores depois das refeições e mudam”. E mudar significa seguir o plano à risca, sem cair em tentações. Porque por mais pequenas que sejam, podem ter conse- quências. “Costumo dizer às minhas grávidas: ‘Pode comer o bolo de chocolate no dia em que o bebé nascer! Vingue-se nessa altura, mas agora estamos a tratar o bebé’”, conta a nutricionista, referindo, no entanto, que na maioria dos casos a motivação nas grávidas é “muito grande”. Apesar das proibições, Daniela Seabra escla- rece que há pequenos truques que facilitam na hora de escolher os alimentos: “Substituir pão branco por pão de mistura, sempre! Comer fruta (pouca) com algumas nozes ou avelãs. O truque é atrasar a absorção do açúcar, jun- tando gordura (fruta com nozes, pão com pasta de azeitonas…), para não criar picos.” Se mesmo com as alterações alimentares de- finidas não se conseguir manter os níveis de glicémia controlados (“entre 60-90 mg/dl em jejum e entre 100-120 mg/dl uma hora após início das refeições”) então “será necessário iniciar terapêutica com insulina, que é o tra- tamento preferencial, apesar de já existirem diversos estudos com antidiabéticos orais”, esclarece Sofia Serrano, referindo que “a eco- grafia às 29-33 semanas, para avaliar o cres- cimento fetal, pode determinar o início e/ou intensificação da terapêutica com insulina”. Com ou sem necessidade de insulina, as im- plicações decorrentes da diabetes gestacio- nal nem sempre terminam com o parto. “Nas primeiras seis a oito semanas após o parto, a mulher deve fazer uma nova prova de ingestão de glicose (PTGO), para perceber se está ou não alterada e se tem diabetes ou diminuição da tolerância à glicose”, lembra Sofia Serrano, esclarecendo que mesmo as mulheres que apresentem uma prova normal no pós-parto “devem fazer determinações da glicemia em jejum anualmente, pois têm um risco aumen- tado para desenvolverem diabetes”. Comer fruta acompanhada por algumas nozes ou pão com pasta de azeitona ajuda a retardar a absorção do açúcar gravidez & parto Diabetes gestacional Fazer mais refeições por dia, para evitar estar mais de duas/três horas sem comer é uma regra fundamental no controlo da diabetes gestacional. A nutricionista Daniela Seabra deixa uma sugestão de ementa para um dia. - Pequeno-almoço: iogurte natural com fruta (meia peça), flocos de aveia e quatro ou cinco nozes - Lanche meio da manhã: uma fatia de pão de mistura com pasta de azeitona - Almoço: sopa de legumes, carne ou peixe com muitos legumes e arroz ou massa (em pouca quantidade) - Lanche da tarde: fruta com nozes ou avelãs - Segundo lanche da tarde: uma fatia de pão com queijo magro ou um iogurte - Jantar: sopa de legumes, carne ou peixe com muitos legumes e arroz ou massa (em pouca quantidade) - Ceia: iogurte natural com duas ou três colheres de aveia Comer menos, mais vezes
  15. 15. gravidez & parto Música [texto] Rosa Cordeiro [ilustração] Rachel Caiano 18 Pais&filhos dezembro2015 Há mais um item para colocar na mala da maternidade: uma playlist musical. Ao promover o relaxamento, a música diminui a ansiedade e ajuda a mãe a manter a calma e o controlo. E m casa, no hospital público ou na clínica privada, a música é uma ótimaferramentadoparto.Aideia nem sequer é nova: se retirarmos a tecnologia e olharmos para trás na história, cantar fez sempre parte do ato de dar à luz. E como ouvir música é de graça e perfeitamentecompatívelcomosmaisdiversos atos médicos, vale a pena criar uma playlist pessoal. Uma vez iniciado o trabalho de parto, não há qualquer problema se mudar de ideias e decidir que a última coisa que lhe apetece é música, mas jogar na antecipação garante-lhe a opção. Um estudo realizado no ano passado no Reino Unido, pelo site de parentalidade www.bounty. com, revelou que quatro em cada cinco das recém-mamãs entrevistadas ouviu música ao dar à luz. A maioria testemunhou que isso as sonora ajudou a lidar com a dor e a manter o controlo nasfasesfinaisdoprocesso.OclássicodeDiana Ross “Ain’t no mountain high enough” e “Roar”, deKatyPerry,foramasescolhasmaispopulares para a hora “h”, seguidas de “Angels” (Robbie Williams), “Greatest day” (Take That), “You’re beautiful” (James Blunt), “I’m every woman” (Chaka Khan), “Let it be” (Beatles), “Circle of Life” (Elton John), “Ave Maria” (Bach – a única peça do género clássico a entrar no top dez) e banda doparto
  16. 16. www.paisefilhos.pt 19 Controlo Não conseguimos prever como o parto vai evoluir, mas podemos escolher a banda sonora “Empire state of mind” (Alicia Keys e Jay-Z). E a “moda” chegou também às celebridades. A duquesa Kate Middleton viveu o trabalho de parto ao som de Calvin Harris, Bruno Mars e Of Monsters and Men, e Mariah Carey deu à luz os gémeos Moroccan e Monroe ao som do seu próprio êxito “We belong together”. Curiosidades à parte, a playlist perfeita para dar à luz é, claro, uma escolha pessoal. Os gos- tos musicais variam muito, mas a maioria de nós tem melodias favoritas, umas que nos dão energia, outras que nos relaxam e outras que, simplesmente, nos deixam bem-dispostas e com vontade de dançar. E qualquer uma delas pode ter utilidade no parto. Distração que concentra A obstetra Elsa Milheiras refere que “só há vantagens em ter música durante a dilatação e o parto: descontrai, afasta a atenção dos dis- positivos médicos e das atitudes do pessoal de saúde, permitindo que a grávida se centre mais na naturalidade do processo e menos na dor e nos medos”. E lança apenas um alerta: “Temos de garantir que é do agrado da grávida e de que está no volume adequado a cada caso”. Já Cristina Pincho, doula, relembra que “não há receitas para todas as pessoas” e que o ideal é que “a mãe esteja o mais relaxada possível”, pelo que, quando em conversa com as mães que acompanha percebe que a música as ajuda a relaxar, “por que não?”, termina. Elsa Milheiras conta ainda que é comum as “suas”grávidaspediremparalevarasuaprópria banda sonora, e que acede sempre, de muito bom grado. “Muitas vezes sou eu que pergunto, nas últimas consultas, se desejam alguma mú- sica específica, para que se preparem para a levar, caso não esteja disponível na clínica”, diz. Mas a verdade é que muitas não fazem questão,bastando-lhesorádio,enquantooutras escolhem cuidadosamente o que ouvir. Neste último caso, refere, “são temas com significado especialparaamulherouparaocasal”.Quando o que toca é rádio, conhece inúmeros casos de mulheres que, não conseguindo lembrar-se da música, telefonam para a estação de rádio a perguntar que música estava a passar em de- terminado dia e hora, “para poderem associar um tema e um cantor ao que estavam a ouvir no momento do parto”. Eesta“faltadememória”écomum.Afinal,éum momento em que há muita coisa a acontecer. No estudo do Reino Unido que mencionámos, embora a maioria das mulheres entrevistadas tivesse dado à luz ao som de música, quase dois terços não conseguia lembrar-se que canções deram as boas-vindas ao seu bebé. Não é, no entanto, o caso de Patrícia, que es- colheu criteriosamente o que ouvir nos seus três partos: “Adoro música, e acho que consigo atribuir uma banda sonora a quase todos os momento importantes da minha vida”, conta. “Por isso, no nascimento dos meus filhos, não podia faltar. Já tinha lido sobre os benefícios da música no parto, mas foi mais por instinto do que por razões científicas que fiz questão de incluir o CD na mala da maternidade. No primeiro parto procurei ter uma experiência romântica, tranquila, suave, um momento in- teiramente partilhado com o meu marido, por
  17. 17. gravidez & parto Música 20 Pais&filhos dezembro2015 isso escolhi o álbum ‘No need to argue’, dos The Cranberries,queeraigualmenteabandasonora do nosso namoro. E a Catarina já sabe que nas- ceu ao som da canção ‘Ode to my family’. No segundoparto,jásabiaaoqueia,eterosegundo filho implicava mais força e coragem, pelo que percebi que precisava de algo mais forte e po- deroso. Escolhi Nina Simone, a minha cantora preferida,principalmentequandoprecisodeme conectar comigo própria. Foi um parto rápido, intenso, fogoso, e ajudou-me muito gritar com ela ‘I got life!’. Na terceira gravidez conheci os Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, que E porque o humor também relaxa, o site norte-americano BabyCenter (blogs.babycenter.com) pediu sugestões à sua comunidade e elaborou uma lista hilariante para as diversas fases do parto, das primeiras contrações à expulsão: l All that she wants [is another baby] (Ace of Base) l Hurt so good (John Mellencamp) l Just breathe (Eddie Vedder) l I’m coming out (Diana Ross) l Everybody hurts (REM) l Shout (Tears for Fears) l I will survive (Gloria Gaynor) l What have I done to deserve this (Pet Shop Boys) l I wanna be sedated (The Ramones) l Under pressure (Queen) l The drugs don’t work (The Verve) l Help! (The Beatles) l Push it (Salt n Peppa) l You can do it [Put your back into it] (Ice Cube) l Break on through (The Doors) l The sweet escape (Gwen Stefani) Música com humor são uma banda meio hippie, com muito boa onda, que me alegrou nos momentos mais complicados desses nove meses. Escolhi-os, por isso, para o parto, e quando apareceu todo o pessoal médico, com as suas batas, ordens e ferramentas,eusóouvia‘home,letmegohome, homeiswhereverI’mwithyou’.Eissoajudou-me a conseguir ignorá-los e a concentrar-me no trabalho de trazer mais um bebé ao mundo”. Rita Ferreira, por sua vez, decidiu ouvir música no parto do segundo filho. “Achei que era uma forma de tornar o ambiente mais acolhedor e mais próximo das minhas coisas, do meu próprio ambiente. Escolhi músicas que ouço habitualmente no meu dia-a-dia, mas todas numregistomaistranquilo,ecoloquei-asnuma playlist do iPod a que chamei ‘parto’”, diz. De- pois o Tomé trocou-lhe as voltas, e, umas boas horasdepoisdeteriniciadootrabalhodeparto, deu entrada no hospital e o processo parou. Ficou sem contrações e com dilatação mínima, pelo que saiu para dar uma volta. Não passou do parque de estacionamento, mas quando voltou a entrar já tinha a dilatação completa e estava em pleno período expulsivo, pelo que foi tudo muito apressado e nem se lembrou mais da música. Hoje, confessa-nos: “Hones- tamente, pensando no trabalho de parto e no parto, acho que não voltava a querer música para nada. Aquilo é um momento tão animal e de tanta concentração que acho que a música me ia atrapalhar”. Catarina Faria estava a viver em Londres quando a sua filha nasceu. “Fui para um Birth Center, que é uma espécie de ‘hotel’, onde dis- ponibilizam um quartinho todo bonito, onde o marido pode também dormir, e permitem que tenhasobebénumapequenabanheira/piscina, com música relaxante que a grávida pode es- colher. Eu escolhi Stevie Wonder, porque tanto eu como o Ben [o marido] gostamos muito, e durante toda a gravidez demos a ouvir este som à Victoria e ela reagia sempre com muito entusiasmo. Depois o parto complicou-se, e fui transferida para o ‘labour centre’, onde o ambiente é muito hospitalar, e não há música ou outras ‘regalias’. Portanto, o nosso Stevie Wonder tocou durante cerca de duas horas no trabalho de parto, mas a coisa complicou-se tanto e eu tinha tantas dores que nem ouvi o senhor em condições...”. Porcá,CarolinaBirrdecidiuabraçarumprojeto musical“doityourself”,ecantoudurantetodoo
  18. 18. trabalho de parto e parto do seu segundo filho. “Enquanto procurava técnicas que apaziguas- sem a dor, para ter um parto mais suave que o primeiro, encontrei online um vídeo inspirador de uma mãe que cantou e vocalizou durante o parto. Tive também a sorte de estar no hospital – público – que me deu total liberdade. Depois demerebentaremaságuasfuitomarumduche e estive mais ou menos uma hora debaixo de água a cantar e a dançar, muito concentrada no meu bebé e no processo. E continuei a can- tar e a mexer-me enquanto foi possível. Cantei músicas que nem sabia que sabia, outras que inventava, entoei sons ritmados e ‘ooms’… Isso ajudou-me muito. Senti realmente que eu é que dei à luz a minha filha. Cantar fez com que me sentisse 100 por cento centrada, e deu-me uma sensaçãodepoder,decontrolosobreoprocesso, afastando o medo e a fragilidade.” Aprofundar os sons Quem quiser explorar mais fundo esta relação da música com o parto, a musicoterapia é uma especialização científica que estuda e investiga o complexo som/ser humano, e uma das suas áreas de atuação é de suporte ao trabalho de parto. Rita Maia, da Associação Portuguesa de Musicoterapia, explica-nos que a musicote- rapia desenvolve um trabalho de acompanha- mento, utilizando várias técnicas de suporte ao trabalho de parto: “Na fase de dilatação é desenvolvido um momento de escuta musical, commúsicaconstruídapropositadamenteeem conjuntocomaparturiente.Pretende-seoefeito de ‘envelope sonoro’ no desenvolvimento de suporte emocional de promoção de segurança, proteção e bem-estar, e controlo da ansiedade, sem grande carga emocional. São também uti- lizadas técnicas de visualização positiva de promoção do bem-estar durante o parto, assim como técnicas de condicionamento rítmico de suporte ao treino de padrões respiratórios de preparação muscular, na preparação psicopro- filática para o parto”. Contudo, refere, “todos estes elementos fazem parte de um processo com continuidade, que acompanha todo o pro- cesso pré e perinatal, abordando e integrando técnicas de vinculação, de suporte emocional e de desenvolvimento de reciprocidade e ajusta- mentodacomunicaçãoedarelaçãopais-bebé”. Com maior ou menor preparação, os benefícios de ter uma banda sonora do parto são eviden- tes. A nossa música faz do quarto do hospital o “nosso quarto”, bloqueia outras distrações e sons indesejados, ajuda-nos a mexer durante o trabalho de parto, diminui a perceção da dor, ajuda a regular os batimentos cardíacos e a respiração, e a reduzir a ansiedade, levando a mamã a sentir-se mais calma e no controlo da situação. www.paisefilhos.pt 21 Variedade O ideal é que a playlist tenha vários estilos, pois nunca se sabe o que vai apetecer ouvir na altura
  19. 19. crónica A Sedução do SER 22 Pais&filhos dezembro2015 O meu patrão tem recebido milhares e milhares de cartas, de pedidos, de súplicas, até. Algumas não são expressão de desejo ou de sonho, são mais uma intimação de tribunal, do género “eu quero!”. Só falta, estou certo, trazer a coima que o meu patrão, o Pai Natal, terá de pagar se não cumprir a lista de alguns tiranozinhos que por aí andam. Mas, dado que os leitores são os representantes do Polo Norte nas vossas casas, resolvi colocar-vos uma pergunta tão tola e evidente que até nem parece descabida: Haverá brinquedos ideais? Eu, rena que me prezo de ser, com um vasto conhecimento do mundo das crianças e do jogo e brincadeira, arrisco-me a dizer: Tenho algumas dúvidas. Ou muitas, até. Pensem nos objetivos do brincar: divertir, entreter, desenvolver a persistência e a capacidade de criar e imaginar, criar competências sociais e físicas, gerir emoções, aprender a estar consigo próprio e com os outros, e desenvolver a motricidade e a coordenação motora e psíquica. É também importante saber os gostos, interesses, facilidades e dificuldades de cada criança, e cada uma delas tem o seu naipe de competências, apetências, gostos e ritmos. E, já agora, envio-vos umas dicas para poupar esforço, trabalho e até um rombo financeiro ao meu patrão, que a crise não é só aí em Portugal: l A criança precisa mesmo de um presente ou estão a dá-lo por sentimentos de culpa, para a compensar de alguma coisa? l Pensem se a criança vai gostar do presente, por representar algo de novo para explorar e conhecer. l Vejam se é adequado a essa criança e não às crianças “dessa idade”, que podem ter muita coisa em comum mas não são ela. l Não contribuam para o desperdício – não é por trazerem carradas de coisas que vão ser mais amados, pelo contrário, um mimo, uma história, uma surpresa de afeto são presentes muito melhores. Estar “presente” é isso… ou de onde acham que vem a palavra? l Os brinquedos ocupam espaço, acumulam pó e as casas não são elásticas – depois não se queixem da confusão e da desarrumação, nem invetivem a criança por estar a brincar. l Pensem no que lá tem em casa e… construam, imaginem, inventem e... brinquem. As crianças preferem inventar do que brinquedos ultra-elaborados. l A criatividade e a imaginação das crianças não podem ser castradas. Objetos mais “toscos” podem ser tudo, logo, é como se lhe tivessem a dar uma carrada de brinquedos, sempre diferentes, sempre a desenvolverem-se – eles, brinquedos, e a criança também… e pouca eletrónica, por favor! l Ofereçam brinquedos que deem à criança o poder de lhe dar a forma e a função que ela quer. l Preocupem-se com a segurança dos brinquedos mas isso não significa optar pelo mais caro. Pois é. Era isto, sucintamente que vos queria dizer. Sejam frugais! Ajudem o Pai Natal, os duendes e, já agora, a equipa de renas que tem de transportar tudo para todas as casas. Ah, e não tentem, através dos presentes que dão aos vossos filhos, mostrar “sinais exteriores de riqueza”, colmatar frustrações de quando vocês eram crianças ou arranjar coisas com as quais vocês gostariam de brincar agora. Se for o caso, comprem um brinquedo para vocês mesmos. Os adultos não devem estar proibidos de brincar, mesmo que não tenham nenhuma criança dentro de si. Feliz Natal, e perdoem o atrevimento desta humilde rena… Rodolfo PS: Para os mais velhos: livros, livros e livros… Mário Cordeiro [pediatra] da rena Rodolfo Um conselho Olá. Daqui escreve-vos o Rodolfo, esse mesmo, a famosíssima rena do Pai Natal. Resolvi pegar na caneta e dirijo-me a vocês, pais, avós, educadores, tios, sobrinhos, padrinhos e afins
  20. 20. Que a marca seguinte no mercado Agora Até Muitas coisas podem acordar o seu bebé, mas uma fralda húmida não será uma delas. Agora, até 2 vezes mais seco. Porque lhe está a nascer o primeiro dente ou simplesmente porque tem saudades suas. Há muitos motivos pelos quais o seu bebé pode acordar de noite, mas com Dodot não será por culpa de uma fralda húmida. Agora a Dodot é até 2 vezes mais seco que a marca seguinte no mercado porque tem mais material absorvente. Para uma noite de sono sem interrupções.
  21. 21. 24 Pais&filhos dezembro2015 crianças Terrorismo [texto] Teresa Martins [fotografia] Fotolia mãe, vem aí a guerra?Como se explica o terrorismo às crianças? Com a verdade (doseada e adequada à idade), sem detalhes nem dramas. Acima de tudo é preciso garantir que se sintam seguras e amadas. O que vou dizer ao meu filho amanhã quando ele acordar?”, perguntava, incrédula, uma mãe francesa na noite dos ataques em Paris. Os terríveis acontecimentos dessa sexta-feira 13 no co- ração da Europa voltaram a levantar medos, angústias e muitas dúvidas aos pais: como se explica a uma criança o que é o terrorismo e, acima de tudo, porque é que ele existe, porque acontecem os atentados? Como se pode apa- ziguar os seus medos e ansiedades perante cenários aterradores até para os adultos? Não é um assunto fácil, mas ignorá-lo não é a melhor opção. Os constantes relatos na comunicação social de atentados terroristas e cenários de guerra nas mais diversas partes do mundo levantam, naturalmente, muitas perguntas às crianças (para as quais nem sempre temos respostas). É preferível abor- dá-las em casa, adequando as explicações à maturidade da criança, limitando a quanti- dade de informação e evitando pormenores desnecessários. “Não comentar é uma decisão errada. É absolutamente necessário dizer a verdade aos mais pequenos, mas uma ver- dade doseada e adaptada à idade”, sublinha
  22. 22. www.paisefilhos.pt 25 Evitar a TV As crianças mais novas podem ficar impressionadas pelas imagens e sons e ter dificuldade em bloquear pensamentos perturbadores É preciso adequar a informação à criança, às suas características, idade, fase de desenvolvimento e maturidade emocional a psicóloga Teresa Paula Marques. A “regra” é, então, simplificar, sobretudo no caso das crianças pequenas. E por muito que a vontade e instinto dos pais seja proteger ao máximo os filhos, nestes casos “tapar-lhes” os olhos não é solução. Vivemos num mundo marcado pelo 11 de setembro e, agora, pelo terror do Estado Islâmico e é preciso estar preparado para responder às dúvidas das crianças, acalmar os seus receios e, acima de tudo, fazê-las sentirem-se seguras e amadas. Tempo para falar “O maior cuidado é exatamente adequar a informação à criança, às suas características, idade e fase de desenvolvimento e maturidade emocional”, salienta Rita Castanheira Alves, psicóloga infanto-juvenil, acrescentando que é importante “escolher o momento para falar sobre o sucedido (ter tempo, estar próximo da criança e num ambiente seguro e tran- quilo, evitar fazê-lo em alturas em que não se conseguirá ficar mais tempo com a criança)”. A idade e a personalidade da criança influen- ciam a sua reação às notícias que ouvem ou às imagens violentas que veem na televisão, por isso é sempre importante adequar o diá- logo a essas características. “As crianças mais novas (entre os quatro e os seis anos) podem ser as mais impressionáveis pelas imagens e sons que veem e ouvem, pois nesta idade é natural que confundam os factos com as suas próprias fantasias e medos e podem ter mais dificuldade em bloquear pensamentos pertur- badores”, explica a psicóloga norte-americana Robin Goodman, que se tem desdobrado em conferências e palestras em escolas depois dos atentados do 11 de setembro e da guerra no Iraque. As crianças em idade escolar, por outro lado, “compreendem a diferença entre fantasia e realidade, mas podem não compreender que o que estão a ver na televisão muitas vezes é repetido até à exaustão, ou seja, podem acreditar que os atos violentos continuam a ocorrer e que envolvem muito mais pessoas do que na realidade”. Além disso, sublinha, “as imagens na televisão podem dar-lhes a sensação de que aquilo está a acontecer muito perto deles. E isso é assustador”. “É necessário ter especial cuidado com as crianças dos seis aos 11 anos, cujo egocen- trismo faz com acreditem que qualquer coisa que aconteça no mundo pode de seguida acon- tecer-lhes. Torna-se necessário reforçar o ca- rinho, para que se sintam seguras e amadas. Explicar, de forma simples, que estes ataques
  23. 23. 26 Pais&filhos dezembro2015 são muito raros e que os senhores maus foram apanhados, e que os adultos estão a fazer o que podem para impedir que volte a aconte- cer”, sugere Teresa Paula Marques. No caso dos adolescentes, sublinha, a conversa poderá ser mais aprofundada. “Torna-se importante explicar o que fazer em casos de emergência, para onde se devem dirigir, caso aconteça alguma coisa, e a quem devem ligar.” Os ado- lescentes podem “sentir-se revoltados e com vontade de agir, muitas vezes interessam-se pelas questões políticas que estão envolvidas nestes acontecimentos. São oportunidades que podem ser bem aproveitadas”, lembra família tinha lá estado nas últimas férias da Páscoa e, por reconhecer os locais, a proxi- midade afetou mais. “Vai acontecer cá?”, per- guntou, ansioso. Apesar das explicações dos pais, que tentaram transmitir-lhe segurança e tranquilidade perante os acontecimentos, assegurando-lhe que Portugal é um país muito pacífico, João foi perentório: “Já não quero viajar, não quero sair do meu país!”. Na segunda-feira depois dos ataques em Paris fez-se um minuto de silêncio na escola do Tiago, seis anos. Às 11h, todos os meninos do jardim-de-infância e do 1º ciclo saíram para o recreio e, em silêncio, prestaram a sua homenagem às vítimas. “Houve umas pessoas más que mataram outras pessoas que não fizeram nada”, explica, admitindo que ficou um “bocado triste” e, no momento, pensou em Nicolas, o amigo parisiense que tantas vezes visita a família. Mas depois “fiquei contente porque era a hora do recreio e eu fui brincar com os meus amigos”. Reforçar a segurança Apesar das diferentes reações das crianças perante os mesmos acontecimentos trágicos, o importante é que os pais reforcem o sen- timento de segurança. “Daí que seja muito importante acalmarem-se antes de falarem com os filhos e explicarem que são situações de exceção e que tudo está a ser feito para que não se repita”, diz Teresa Paula Marques. “É difícil, claro”, admite Rita Castanheira Alves. “Até para nós adultos, a eminência do perigo e a insegurança são sentidos, mesmo que tentemos que assim não seja”. Acima de tudo, defende, é essencial “explicar à criança que há pessoas que têm profissões respon- sáveis por garantir a nossa segurança, que nos protegem deste tipo de situações e que o fizeram neste acontecimento para salvar as pessoas e o continuarão a fazer”. Além da segurança, Rita Castanheira Alves defende que estes são momentos “ideais e essenciais para trabalhar com as crianças a solidarie- dade, a bondade, a ajuda e o respeito pelo próximo”. Teresa Paula Marques acrescenta que é importante também “explicitar que a violência não é fruto de uma determinada religião, mas de pessoas que não sabem res- peitar as diferenças ou como reagir de forma correta quando se sentem ofendidas”. Nestes momentos é importante trabalhar com as crianças a solidariedade, a bondade, a ajuda e o respeito pelo próximo crianças Terrorismo - Incentive os seus filhos a falar e a fazer perguntas acerca das notícias que veem/ouvem e esteja atento aos seus pensamentos e sentimentos; - Seja rigoroso nas explicações, mas evite entrar em detalhes e, sobretudo, dramatizar. Tente simplificar para não confundir ainda mais; - Relembre-lhes que vivem numa comunidade segura e que estes acontecimentos extremos não estão a acontecer na sua cidade, nem no seu país; - Tente gerir as suas próprias emoções antes de dialogar com as crianças: elas vão sentir o seu medo e ansiedade. - Aproveite para reforçar algumas “regras de segurança”- como nunca aceitar a boleia de um estranho. Preparar as crianças para eventos imprevistos ajuda-as a pensar de forma mais clara e reduz o risco de danos físicos e emocionais. - Dê-lhes a oportunidade de participarem em eventos de solidariedade (ou até organizarem na própria escola). É importante que sintam que podem ajudar e ser úteis na sua comunidade. Na hora de gerir informação e emoções Robin Goodman. A especialista sublinha ainda que é preciso sempre ter em conta a personalidade e o temperamento da criança em causa: “Algumas têm naturalmente mais tendência para sentir medo e por isso ficam mais ansiosas (e até em pânico) perante uma situação de perigo”. Reações diferentes Foi o que aconteceu a João, oito anos, quando o pai lhe contou o que aconteceu em Paris. A
  24. 24. E stamos a preparar-nos para o Natal. Já temos bolinhas encarnadas no azevinho do jar- dim, e passámos a fazer os nossos desenhos e pinturas em frente da lareira, mas o sinal mais evidente de que está ai à porta um novo mundo pronto a nascer das palhinhas, foi a “adoção” absoluta e integral que fizemos da Marta. Adoção para o nosso “bando”, o bando de avó e netas, bem entendido, porque todos nós a adoramos desde muito antes dela ter sequer posto os pés cá fora. Não é, portanto, uma questão de amor que se trata, mas da lenta construção de uma sensação de pertença, de conhecimento mútuo, de memórias e laços que nos unem. De desejo de abrir a porta a umnovosócio.Apartirdeagora,eficaaquiescrito,aMartajápodeirconnosconasnossasaventuras, partilharospasseiospeloscampos,osnossoslivrosemúsicasfavoritase,éclaro,ospequenos-almoços na cama, sob a égide de duas raposas pintadas na cabeceira que trocaram as galinhas da capoeira por torradas com manteiga. Paraesteestadodecoisascontribuiu,obviamente,aconfiançadaAna,queaospoucos,mefoideixando a Marta sozinha por mais tempo, escondendo o medo de que o seu querido, querido bebé sentisse horrorosamente a sua falta (que na verdade sentiu), ensinando-me os truques para conseguir ador- mecer e sossegá-la, as suas músicas favoritas (não, nada que estivesse no meu reportório de canções de embalar, a favorita dela é o “Je Vole”, da Luanne), mas sobretudo permitindo que a Marta não só sorrisse ao longe para nós (o que faz quase desde que nasceu!), mas agora connosco. Neste pacote de truques mágicos, veio primeiro o “pano”, e depois a “manduca”, que descobri com um entusiasmo crescente. Do pano, tinha medo. Adorava a sensação do bebé aconchegado, e o bebé ainda mais, mas não conseguia deixar de a segurar contra mim, tal o receio de que tudo aquilo se desatasse. Aliás, insistia que fosse sempre a Ana a cruzar e descruzar e a dar os nós, primeiro porque não os sabia fazer sozinha, e depois porque, de uma forma sub-reptícia, queria descartar-me da responsabilidade, julgo eu! A “manduca” já foi uma coisa diferente, uma porta aberta para passeios na rua, almoços em pastela- rias, trabalho ao computador e foi nela até que a Marta “moderou” umas Conversas Horizonte, com o Mário Cordeiro, no Mapa. A Carmo e a Madalena sabem perfeitamente como se aperta e desaperta, os cliques de segurança, e a estrutura parece bem mais sólida. Além disso, mil vezes mais portátil e com menos danos para as costas do que os “ovos” com um bebé de oito quilos lá dentro. Nãofoiumprocessonadatãolinearcomoaquelequemeligouàsgémeas,ojackpotdequalqueravó, porque as mães não têm outro remédio senão partilhá-las com o primeiro par de braços que estiver disponível.Aquifoiprecisoverdeforaeesperar.Assistiraumapequenadistânciaaumamãequesabe perfeitamente o que quer para a filha, e já tem a maturidade e a experiência para chegar lá sozinha. Agora, sim, foi provavelmente ser mais avó, do que mãe, e quantas vezes perante novos hábitos ou teorias tive vontade de protestar que não via razões nenhumas para “modernices”. Mas agora a Marta faz parte do nosso bando. Quando se senta no chão, muito direitinha, não tira os olhosdasirmãsmaisvelhas,edobraorisoemgargalhadascontagiantesacadamacacadaquefazem. E estende-me os braços, para depois partirmos as quatro juntas numa nova descoberta. Decididamente, este ano, a Marta é o Menino Jesus. crónica Diário de uma avó galinha Fica aqui escrito: a Marta já pode ir connosco nas nossas aventuras, partilhar os passeios pelos campos, os nossos livros e músicas favoritas e, é claro, os pequenos-almoços na cama Isabel Stilwell [jornalista] A Marta já faz parte do nosso “bando” 28 Pais&filhos dezembro 2015
  25. 25. T emcadavezmenostempoparacozinharnoseu dia-a-dia?Chegaacasatardedotrabalhoeainda tem de preparar refeições completas e a horas para a sua família? A pensar nas famílias mais ocupadasecomumavidaatarefada,aMoulinex, marca de referência no universo da cozinha, apresenta o seu primeiro robot multifunções Cuisine Companion, a solução idealparaprepararasrefeiçõesdasuafamíliadeforma prática, rápida e saudável! Programas Automáticos - Exclusivo! Os seus maiores aliados para os dias agitados, estes 6 pro- gramasautomáticos(molhos,sopas,cozeduralenta,cozer a vapor, massas e sobremesas), permitem-lhe ganhar tempo econfecionardeformarápidaepráticatodootipodepratos, para agradar a miúdos e graúdos! Desfrute de mais tempo livre com a sua família enquanto prepara deliciosas receitas com um simples toque do seu dedo. Prático e ideal para toda a família! OrobotCuisineCompanionfoiconcebidoapensarnasfamí- lias, com uma taça em inox de grande capacidade (total de 4,5 litros). Poderá preparar de uma só vez deliciosos pratos paratodaafamília,nãoesquecendoassopasepapasparaos mais pequenos! Cozinha Versátil Façaasvontadesàsuafamíliaeprepareasreceitasquetanto gostam.Paraobtersempreumresultadoperfeito,poderáajus- tar a seu gosto a temperatura (5 em 5 graus, desde os 30ºC atéaos130ºC)epodetambémcontarcom12velocidades adaptadas às receitas, ingredientes e texturas pretendidas. Torne-se no chef lá de casa! Resultados Perfeitos! Graças aos seus 5 acessórios de elevada qualidade poderá obter resultados perfeitos, uma vez que cada acessório foi especificamente concebido para cada alimento/cozinhado. Assimpoderácozinharsemlâminasalimentosdelicadoscomo legumes,carnes,arrozepeixes,obtendoosmesmosresultados dométododecozinhartradicional.Osseusmiúdosvãoadorar! Cozinhar para toda a família fica mais fácil! Deseja tornar-se numa estrela na cozinha? O clube “Estrelas na Cozinha” ajuda-o! Registe-se em www.chefmoulinex.pt e tenha como oferta de boas vindas um livro de receitas portuguesas e uma balança exclusiva Moulinex. LIVRO DE COZINHA INCLUÍDO
  26. 26. *AutoradoBlogueCocónaFralda. Sónia Morais Santos [jornalista*] N ovembro e dezembro são meses de emoções fortes. Novembro é o mês do meu aniversário, o mês em que o Manuel nasceu, o mês em que o Mateus também chegou à nossa vida. Ainda mal acabámos a celebração do nascimento de um e já estamos a fazer a festa do próximo. Não é à toa que nos chamam a família “sempre em festa”. A seguir chega dezembro e é a vez do Natal. Começamos logo no dia 1 a fazer a árvore e depois é todo um mês de jantares, compras, e preparativos para a grande noite. Este ano está tudo a ter um sabor ainda mais especial. No dia em que fiz 42 anos, o meu marido fez-me uma surpresa e quando cheguei ao restaurante onde supostamente íamos jantar só os dois deparei-me com quarenta e tal amigos a gritarem “Parabéns!” Amigos de infância, de adolescência, amigos “herdados” do Ricardo, amigos das corridas, amigos de sempre e amigos de agora que espero que fiquem para sempre. Foi uma emoção. E quando o humorista Manuel Marques entrou para contar a minha vida em menos de meia hora... ia tendo um chilique. Uma semana depois foi o primeiro aniversário do Mateus. O meu bonequinho já tem um ano e, uma vez mais, fui tomada por aquela sensação de impossibilidade, de incredulidade, de choque pelo tempo que voa ao invés de passar devagarinho. Sempre senti isto mas com o Mateus o sentimento é ainda mais avassalador. Já tenho meninos crescidos, agora gostava que este ficasse mais tempo assim, pequenino, rechonchudo, amoroso. Um ano, já? Caramba. Preparei um jantar em casa apenas para os familiares mais chegados e, assim de repente, tinha 16 pessoas à mesa a uma terça-feira, com jantar feito por mim e bolo de anos também (o clássico bolo de iogurte com chocolate por cima nunca me deixa ficar mal). O Mateus adorou e portou-se lindamente – é um bebé que quase nunca se ouve chorar e que gosta muito de estar rodeado de gente (ou não tivesse nascido já rodeado por três irmãos). Três dias a seguir ao aniversário do Mateus foi a vez do Manuel. Catorze anos. Sim. Sou mãe de um rapaz de 14 anos e isso é mais violento do que os meus próprios 42 anos. A festa do meu filho adolescente foi combinada entre mim e a namorada dele (ai, isto é tudo tão custoso...), e basicamente consistiu numa entrada em casa onde já o esperava um grupo de amigos para um jantar-surpresa. A juntar a todo este clima de festa, ainda tenho a felicidade de ter sido a escolhida para apresentar o programa Pais&filhos, que resulta da parceria entre esta revista que o leitor tem nas mãos e a TVI24. Um programa semanal, aos sábados às 15h, que aborda temas que dizem respeito às crianças e aos adolescentes e a todos os que lidam com eles: pais, avós, educadores, médicos, etc. O programa estreou no dia 7 de novembro com o tema do sono. A dificuldade de algumas crianças em dormir foi discutida por Filipa Sommerfeldt Fernandes, especialista em ritmos de sono, e o pediatra Mário Cordeiro, convidados para a conversa. Acho que o programa é, sem dúvida, muito útil para debater questões que preocupam os pais, e sinto-me muito feliz por fazer parte dele. Espero que gostem. E, de repente, estamos em dezembro e vem aí o Natal e toda a alegria que esta festa da família traz consigo. Eu não digo que são dois meses em permanente festejo? Novembro é o mês dos aniversários: o meu, o do Manuel e o do Mateus. Ainda mal acabámos a celebração de um e já estamos a fazer a festa do próximo. Depois, é a vez do Natal... de emoções fortes Dois meses 30 Pais&filhos dezembro2015 crónica Quatro em Linha
  27. 27. Campanha válida de 1 a 31 de Dezembro de 2015. Limitado ao stock existente e farmácias aderentes. A delicadeza da sua pele, a ternura do seu sorriso, a intensidade das suas emoções e o seu olhar inocente, despertam em nós o instinto irresistível de protegê- los, de lhes proporcionar toda a suavidade e ternura possíveis. Foi a pensar nesta necessidade diária de proteção, segurança e conforto, que os Laboratórios BIODERMA, estenderam à pediatria o seu conhecimento dermatológico, desenvolvendo a gama ABCDerm – fórmulas rigorosas, de elevada segurança e eficácia, que satisfazem as exigências da pele delicada dos mais pequenos. A pele dos bebés é muito sensível e mais vulnerável às agressões externas, tais como: alterações climáticas (frio, vento), ambientes superaquecidos, exposição solar, ar condicionado, produtos de higiene inadequados (que removem os lípidos naturais da pele), etc. O seu filme hidrolipídico é fino e incapaz de cumprir plenamente a própria função de barreira protetora. É portanto, de primordial importância, acalmar a pele seca das crianças e protegê-las das agressões, utilizando produtos de cuidado nutritivos e protetores e produtos de higiene não deslipidantes. “Ninguém é mais precioso do que o seu bebé!” Doado à Fundação do Gil Na compra de qualquer produto ABCDerm Elevada eficácia nutritiva, suavizante e protetora das agressões externas. Texturas cremosas, para máxima hidratação e conforto. Cold-Cream
  28. 28. 32 Pais&filhos dezembro2015 natal Fantasia [texto] Sofia Teixeira [ilustração] Marta Torrão sim, o existe! Existe na imaginação dos seus filhos e isso é bom para o desenvolvimento afetivo e cognitivo. Mas, nos tempos que correm, em que a crianças têm acesso a mais informação e mais cedo, ainda é possível acreditar no Pai Natal? O PaiNatalexiste.Pelomenospara Simão,deseisanos.Tantoéque o tio às vezes até lhe liga para o Polo Norte e fala com ele ao telefone,tantoéqueovêpassar de fugida através da janela na noite de Natal e depois aparecem os presentes, tanto é que em dezembro nas ruas e nos centros comerciais andam os seus ajudantes – que se podem re- conhecer pela roupa de Pai Natal embora não sejammesmooPaiNatalverdadeiro.Paramais, o Pai Natal adivinha o que ele quer todos os anos. Não, não há razão absolutamente ne- nhuma para duvidar da sua existência. Este ano a mãe já lhe perguntou o que vai pedir ao Pai Natal, e Simão, ciente da necessidade de bom comportamento, ditou a sua própria sentença: “Não vou pedir nada. Não me ando a portarbemporquenãodurmonaminhacama”, responde sério. “Não é nada pedinchão”, diz a mãe, Cristiana Santos. “Mas sei que com o aproximar do Natal e quando aparecerem os E a fantasia? “Vivemos numa época de hiper-realismo e imediatismo, que deixam pouco espaço à representaçao mental. As crianças de hoje sabem muito, mas brincam e sonham pouco”, considera a psicoterapeuta Alexandra Barros Pai Natal folhetos das lojas começa a ver coisas e a di- zer que gosta”. E não é que o Pai Natal acerta sempre? Talvez este seja o último Natal em que Simão desfrutadestafantasia.Cristianadesconfiaque não vai demorar muito até que o filho perceba que o velhinho das barbas é uma doce mentira. “Este ano na escola, com o que dizem os mais velhos, acredito que comece a desconfiar que não existe. E na internet ainda não navega por- queaindanãoescrevenemlê,masvaicomeçara serdiferentecomaaquisiçãodaleitura.Depois, acaba-se a magia.” Na realidade, as duas fases – o auge da fantasia e a aquisição da leitura – cruzam-se por um período relativamentecurto detempo.“Aidade própria da fantasia corresponde sobretudo ao período pré-escolar, estendendo-se depois um poucoapósaentradaparaaescola”,explicaJoão NunoFaria,psicólogoclínico eresponsávelpelo Núcleo de Intervenção no Uso da Internet e das Telecomunicações do PIN – Progresso Infantil.
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  30. 30. 34 Pais&filhos dezembro2015 natal Fantasia - Arranje um Pai Natal de serviço que passe em frente à janela ou apareça na sala a distribuir os presentes. Tenha o cuidado de preparar os mais pequenos antes da sua entrada, caso contrário, alguns ficam assustados. - Se abrir os presentes de manhã prepare com as crianças um copo de leite e umas bolachas para a ceia do Pai Natal. Antes de se ir deitar, com as crianças já na cama, beba um pouco de leite e dê uma dentada na bolacha. Deixe-os encontrar as provas da passagem do Pai Natal lá por casa na manhã seguinte. - Mostre-lhes vídeos ou animações do Pai Natal. Ou deixe-os acompanhar a viagem do Pai Natal em sites como o NORAD Santa Tracker (www.noradsanta.org) - Peça à criança para escolher um brinquedo para o Pai Natal levar para outro menino e deixe-o na árvore. - Ensaie com eles algumas canções de Natal e, na noite da consoada, deixe-os fazer uma atuação para a família. Dicas para “alimentar” a magia “Uma infância sem Pai Natal, sem fantasia, é uma infância a preto e branco” Internet: fantasia vs realismo “O Pai Natal existe?”, perguntamos nós ao Google. E ele responde em 0,32 segundos com cerca de 693 000 resultados muito diferentes. E é isto que as crianças começam a fazer, mal sabem teclar as primeiras letras. Um inquérito realizado no Reino Unido mostra que 54 por cento das crianças vai primeiro ao Google ou a outro motor de busca quando tem uma dúvida, e apenas 26 por cento afirma que pergunta aos paisprimeiro.Porissoimpõe-seapergunta:será que o mundo de hoje pode aniquilar a fantasia das crianças? Pode o Google ditar a morte pre- coce do Pai Natal no imaginário das crianças? A psicoterapeuta Alexandra Barros não tem dúvidas que, em muito, os tempos de hoje são pouco amigos da infância e da fantasia. “Vivemos numa época de hiper-realismo e de imediatismo, que deixam pouco espaço à re- presentação mental. As crianças de hoje sabem muito, mas brincam e sonham pouco.” Para a psicoterapeuta, estamos a criar adultos em ponto pequeno, mas sem os devidos recursos emocionaisparalidarcomessesconhecimentos eainternet,comtodasasvantagensquetrouxe, tem a sua quota-parte de culpa. “Descobrir que o Pai Natal não existe está à distância de um clique nos motores de busca e, na minha opi- nião, uma infância sem Pai Natal, sem fantasia, é uma infância a preto e branco.” Já João Nuno Faria defende que a questão pode ser olhada de dois polos contrários: a internet, aomesmotempoquetemtodoopotencialpara acabar de forma factual com o mundo da fan- tasia, tem igualmente o poder de o potenciar. “Se for para destruir o mito, pais e professores poderão encontrar sites com explicações ade- O Natal é contagioso. E mesmo que não faça uma grande encenação natalícia, as crianças fantasiam naturalmente. Mas, se quiser dar um empurrão, eis algumas dicas:
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  32. 32. 36 Pais&filhos dezembro2015 natal Fantasia Perguntas! Prepare-se “Como consegue o Pai Natal entregar, numa só noite, os presentes a todas as crianças do mundo?” quadas à etapa de desenvolvimento em que a criança está. Mas têm igualmente ao seu dis- por inúmeros sites que poderão maravilhar o mundo imaginário das crianças, com efeitos e animações a que ninguém de gerações an- teriores teve acesso.” Em casa de Alexandra Capelo é isso que acon- tece. A filha, Anita, de seis anos, ainda acredita no Pai Natal, apesar de a irmã mais velha, de dez, lhe ir dizendo que ele não existe. A mãe esforça-se para manter a magia mas é também online que Anita encontra as provas da exis- tência desta personagem que todos os anos lhe deixa uma prenda que deseja. “Por enquanto, não acho que a internet contri- bua para ela desconfiar, pelo contrário, como aindanãosabelerainternetajuda-aaacreditar. Vê só a magia.” Com alguma ajuda da irmã e da mãe, online, Anita maravilha-se com os jogos, histórias, desenhos animados e músicas do Pai Natal. Ele está ali, mesmo em frente aos seus olhos, como não acreditar nele? “Ela ainda está na fase em que acredita em tudo o que vê na televisão e na internet”, conta Alexandra. De A internet tem potencial para acabar com o mundo da fantasia, mas também tem o poder de o potenciar
  33. 33. www.paisefilhos.pt 37 “Descobrir que o Pai Natal não existe não é um trauma. O que traumatiza é a impossibilidade de sonhar e de ser criança” resto, esta mãe acha que hoje em dia é bem mais fácil fazê-los acreditar: “Há uma cumpli- cidade comercial muito grande que não havia no nosso tempo.” “No período pré-escolar as crianças têm pouca autonomia para realizar pesquisas na internet por si mesmas, com a entrada para a escola verifica-se um aumento na curiosidade e na capacidade de autonomamente pesquisar in- formação na internet”, refere João Nuno Faria. Mas se tem receio que seja através da internet que ele descobre que não há Pai Natal, tranqui- lize-se: “Sabe-se que a maior parte das buscas são feitas de modo a confirmar as crenças do indivíduo e apenas uma pequena parte das pesquisas é orientada com palavras que pro- curam desmentir os factos” refere o psicólogo. Quer isso dizer que, ainda que aconteça que essa resposta venha através do Google, se a criança já escreve é porque já está na idade em que é natural começar a desacreditar, e além disso, já teria suspeitas e foi só à procura da sua confirmação. Pai Natal supersónico? Depois de um período de certezas, vêm as dú- vidas: “Como consegue o Pai Natal entregar numa só noite os presentes a todas as crianças do mundo?” Esta é uma das perguntas que si- naliza as primeiras desconfianças e marca a passagem para um pensamento mais racional e menos mágico. Bom, a ciência, ao longo dos tempos,temfeitoosseuscálculossobreotema: seriam precisas 360 mil renas para transpor- tar todos os brinquedos; aproveitando os fusos horários, o Pai Natal teria cerca de 31 horas para a distribuição, o que daria uma média de mil visitas por segundo, o que, por sua vez, implicaria deslocar-se a qualquer coisa como mais de 1000 quilómetros por segundo. Está visto que quando o seu filho começar a apresentar dúvidas, o raciocínio lógico não é a melhor forma de lhe responder às questões! Nesta fase, a psicoterapeuta Alexandra Barros defende que os pais devem seguir a criança e sugere que lhe respondam com outras per- guntas: “O que é que tu achas?”, “O que é que te disseram?”, “Se o Pai Natal não existe, quem será que te dá as prendas?”, “Como te ias sentir se soubesses que o Pai Natal não existe?”. As respostas a estas questões, diz a psicote- rapeuta, ajudam os pais a perceber o nível de proximidadecomoreal,ograudecompreensão e a maturidade emocional para lidar com o assunto. “Quando conduzimos as descobertas destemodo,evitamosresponderàfrentedoque acriançaestápreparadaparacompreender,da- mos-lhe pistas para se aproximar da realidade e ajudamo-la a chegar sozinha às conclusões.” Mas nem sempre é assim. Esta foi uma situação que Marta Farinha, mãe de Íris, não teve de ajudar a filha a gerir. Aliás, sealguémtevedegeriralgumacoisainesperada noquetocaestafantasia infantilfoi ela própria. Íris tem hoje dez anos e, no Natal em que tinha seis, uns dias antes de dia 24, Marta pergun- tou-lhe qual era o presente que ela desejava mais. “Respondeu-me que sabia perfeitamente que não havia Pai Natal nenhum e que era eu e outrosadultosquecomprávamosospresentes!” Marta ainda relembrou episódios da chegada do Pai Natal em anos anteriores, mas Íris não se deixou abalar nas convicções já firmadas. Explicou que percebia agora que era alguém que ia bater à janela lá fora e que ainda não tinhaditonadaporqueachavamuitodivertido. Depois, pondo em campo todo o seu raciocínio lógico explicou as razões da sua descrença: “É impossívelapenasumsenhordistribuirpresen- tes às crianças do mundo inteiro, mesmo com um trenó que voasse muito rápido. Ainda para mais sendo ‘velhote’: são pessoas mais lentas e com dores nas pernas…” Oidealéqueestatransiçãoaconteça,assim,por si. “O desenvolvimento intelectual é caracteri- zadoporumatransiçãogradualdopensamento mágico para o raciocínio lógico, e a criança vai naturalmente concebendo a interferência de fatores externos, mais próximos da realidade”, explica Alexandra Barros. E em relação à preocupação de muitos pais, especialista desdramatiza: “Descobrir que o Pai Natal não existe pode trazer alguma de- silusão, mas não propriamente um trauma, até porque os desejos até aqui realizados por essa figura continuarão, de certa forma, a ser assegurados pelos pais. O que traumatiza é a impossibilidade de sonhar e de ser criança!”
  34. 34. 42 Pais&filhos dezembro2015 natal Presentes indesejados [texto] Sofia Teixeira [fotografia] Fotolia e se os pais não gostam dos O Natal é das crianças. Por isso, no que toca a presentes, todos tentam agradar. O pior é que, às vezes, os presentes que fazem as delícias das crianças são um inferno para os pais. longedeterlevadoamalaofertaqueasuaamiga delongadatafezàfilha,eatribui-aaumacerta inexperiência. “Quem não tem filhos, quando compra um presente para uma criança, mais facilmente se esquece de pensar que há brin- quedosquepodemmaçarapaciênciaaospais.” Aamigaresponsávelpelaoferendaestáagoraa planear engravidar. “Portanto, é o tipo de brin- quedo que está guardado na minha lista para oferecer ao filho que há-de ter”, ri Sandra. Menos graça achou Margarida quando há uns anos no Natal ofereceram ao filho Tomás, na alturacomapenasoitoanos,ojogodecomputa- dor Call of Dutty – um jogo que recria batalhas históricas e envolve lutas corpo a corpo, com sons e grafismos ultra-realistas. Nada adepta de violência, Margarida optou por não deixar que Tomás jogasse. “Ele ficou feliz da vida com a prenda, mas é um jogo muito violento. Tive deoesconderporquenãoqueriaqueeletivesse acesso àquilo.” presentes? L ogonanoitedeNatal,SandraIsidro percebeu que talvez aquele micro- fone com música da Popota ainda lhe viesse a dar algumas dores de cabeça. “O som era estridente e o volume não era regulável”, lembra esta mãe. A filha, Margarida, de quatro anos, ficou encan- tada e, apesar do mar de presentes, recebeu-o com um entusiasmo proporcional ao barulho queobrinquedofazia.Quando,unsdiasdepois, Sandra acordou de manhã cedo, sobressaltada comumbarulho,edescobriuMargaridaameio doseuquartodemicrofonenamão,confirmou que o brinquedo lhe ia dar água pelas barbas. Solução:devezemquando,emalturasdemenos paciência,obrinquedo“desaparecia”tempora- riamente para parte incerta. Entretanto, para algum alívio dos pais, avariou-se.Sandra está
  35. 35. www.paisefilhos.pt 43 Para grandes males, grandes remédios Masafinal,oquefazeremcasosdeste?Quando umtioofereceàcriança,semperguntarantes,a Playstationqueelepediueàqualjátinharespon- dido não? Ou quando a avó lhe dá uma bateria que já sabe que lhe vai roubar o sossego nos próximos tempos? Deve impedir-se a criança de usar um presente de Natal com o qual não se concorda ou o melhor é ceder? O psicoterapeuta Nuno Cristiano de Sousa de- fende que, por muito doloroso que seja para os paisretiraràcriançaumaprendadesadequada, éummalnecessárioqueteráefeitospositivosa curto prazo. “Mesmo que a criança tenha uma reaçãodechoroequeixa,ospaisdevemassumir a responsabilidade de ser firmes”, defende. Ou seja, deve dar-se espaço à criança para mos- trar o seu desagrado e para “refilar”, mas não se deve considerar que para ela isso será um trauma, basta explicar a razão pela qual se to- mou a decisão. O psicoterapeuta defende ainda que, em muito casos,aexplicaçãopodepassarpordizerquea prenda ainda não pode ser utilizada, porque é paracriançasmaisvelhas,masquequandoela tiver idade suficiente os pais a devolvem. Háapenasumacoisaqueospaisnãodevemfa- zer:reagirabruptamentecomquempresenteou a criança, sobretudo à frente dela. Por um lado, porquemesmoqueopresentesejadesadequado, a oferta não terá sido feita com má intenção. Por outro, porque uma reação abrupta “pode provocar na criança várias reações negativas, como a sensação de que quem deu a prenda é uma pessoa má, que os pais são pessoas vio- lentas, ou até de que ela própria é má por ter desejadoalgoproibido.”Emrelaçãoaquemdeu opresente,opsicoterapeutaédeopiniãoquese deve transmitir que não se concorda e explicar porquê, mas calmamente e não em frente da criança. Sensibilidade e bom senso Rita Dias, mãe de dois rapazes, com 13 e sete anos, reconhece que foi neste aspeto mais per- missivacomoprimeirofilhodoqueécomose- gundo.Quandoomaisvelhotinhaapenascinco, recebeu pelo Natal uma Playstation, oferecida pelos avós. “Como os primos tinham, os avós acharamqueeletambémdeviater”,contaRita. Na altura, apesar de achar muito cedo, acabou porcederedeixá-lobrincarcomela.Resignou-se e acho que se “estava dado, estava dado.” Masessaeoutrasexperiênciasfizeram-nasentir quenãoestavaabeneficiarofilhoemnada.“Acho quetertidoalgumascoisasantesdotempo,fez com que não as soubesse aproveitar na altura e,quandochegouomomentocertodeasgozar, já tinham perdido o interesse.” Por isso, com o mais novo, já não foi assim. Além de só agora, com sete anos, ter sido autorizado a começar a jogar um pouco com a Playstation do irmão mais velho, quando no ano passado os tios se preparavam para lhe oferecer um tablet no Na- tal, Rita considerou que era cedo demais e não autorizou o presente. Diferentes pais têm diferentes opiniões e prin- cípiosemrelaçãoàeducaçãodascrianças,pelo que não há regras universais. Assim, não ha- vendopropriamenteuma“etiqueta”noquetoca àofertadepresentesacrianças,deveimperaro bom senso. “Quando há uma relação próxima comafamília,quemofereceteránaturalmentea capacidadedeintuiroquepoderáseradequado para a criança, portanto não se deve ter medo de ser espontâneo na escolha”, defende Nuno Cristiano de Sousa. Noentanto,opsicoterapeutatambémdeixauma regradebomsensomuitoútilemcasodedúvida: perguntar sempre aos pais. E, acima de tudo, tratar o assunto previamente, entre adultos: “Não se deve prometer à criança uma prenda específica, porque caso os pais não concordem podempassarpelos‘mausdafita’queproibiram a prenda do ‘amigo bom’!”
  36. 36. 38 Pais&filhos dezembro2015 natal Preparativos [texto] Ana Sofia Rodrigues [fotografia] Fotolia
  37. 37. www.paisefilhos.pt 39 E m Inglaterra, especialistas em se- parações judiciais já apelidaram a primeirasegunda-feiradejaneirode “Dia D ou Dia do Divórcio”, devido à avalanche de pedidos que ocor- rem nessa semana, em especial por parte das mulheres.Aculpa?AfestadeNatal!Aterapeuta sexualinglesa,PamSpurr,atécriouumprograma chamado “12 days of Sexmas” (um intraduzível trocadilho com Christmas), que defende que o casal deve ter 12 dias de sexo criativo até ao dia 25 de dezembro, como forma de prevenção de conflitos.Brincadeirasàparte,todosjásentimos SOSO Natal pode ser fonte de grande ansiedade e stresse. Com tantos fogos para apagar, é preciso organizar-se e centrar-se no essencial. Saiba como. que a época natalícia pode ser mais stressante quegratificante…APais&filhosfaloucomalguns especialistasedeixa-lhealgumasdicasparaum Natal mais feliz. Baixar as expectativas “Desde pequenos, vendem-nos o Natal como sendo uma época maravilhosa, de paz e amor. E que, se nos portarmos bem, ainda recebemos presentes! Só que também é verdade que pode ser uma altura de birras, constipações, stresse e frustrações. Por isso, o meu conselho é bai- xarasexpectativas.Mesmo!”,aconselhaMagda GomesDias,coacheformadoranasáreascom- portamentais. Para que tudo corra melhor, é importanteesquecerosmodelosperfeitoseter bempresenteque“emborasejaacelebraçãoda família e uma época supostamente mágica, é tambémumaalturadoanoemquenadaécomo nosfilmes”.Enãofazmal.Omaisnaturaléque issoaconteça.Osprópriosrituaisfamiliaresvão se alterando com o tempo. “Osrituaisnãodevemserestáticosourígidos.As famíliasvãoadaptando-os,atéconsiderandoas fasesdevida,asidades,asaúde,asdeslocações que os vários núcleos da família estão a viver. Há famíliasemquevãovariandoacasaondeaconteceo Natal,outrasquepassamacelebrarnumhotel,outras que deixam de ter oferta de prendas, outras que vão mudandoaprópriacomidadasprincipaisrefeições….”, desmistificaapsicólogaeterapeutafamiliarCatarina Rivero. Por isso, aproveite ao máximo o “seu” Natal e não entre em comparações. Planear e antecipar Deixar tudo para o fim aumenta a ansiedade, faz- -nos ultrapassar os orçamentos e leva-nos a tomar Natal
  38. 38. 40 Pais&filhos dezembro2015 decisões por impulso, que se tornam por vezes irracionais. “O conjunto de coisas a preparar é enorme: a decoração da casa, a compra das prendas, as atividades para os filhos em tempo deférias,aceiadeNatal,recebervisitasemcasa. Para que tudo corra bem, é essencial planear e começaromaiscedopossívelaprepararoNatal”, aconselha Lígia Noia, formadora e consultora emorganização.Paratal,sugeretrêspassos:“1. identificar quais as grandes áreas que precisa organizar;2.fazertrêslistas:listadetarefas,lista de compras, lista de prendas; 3. definir datas para realizar as tarefas e registar na agenda”. Desdejá,podecomeçaraprepararadecoração de Natal. Verifique quais os enfeites que ainda pode aproveitar do ano anterior e elabore uma lista do que pretende comprar, o mais especí- fica possível: que enfeites de Natal precisa, as quantidades,ascoresequantopretendegastar. Seráumaajudapreciosaparasefocarecontro- lar quando chegar às lojas e vir todas aquelas estrelas, luzes e bonecos a chamar por si.  Prendas ou dores de cabeça? Quase ninguém consegue fugir delas, por isso háquetentarpassarpeloprocessocomamaior calmapossível.Maisumavez,énoplanearque pode estar o ganho. Prepare uma lista com o nomedapessoa,otipodeprendaeoorçamento previsto.Sepossível,escolhasóduasoutrêslojas etentecomprartodasasprendasnesseslocais.O quenãoencontrar,procurecompraronline. Não gaste demasiado dinheiro se não souber que a prenda vai agradar mesmo, tanto às crianças comoaospais.Pensenautilidadedaprenda,de formaaquenãosetransformeemtralhanacasa dasoutraspessoas.Sejaconscientenaescolhado meio de pagamento. Se, por exemplo, optar por fazercomprascomdinheirooucomocartãode débito,teráumanoçãomaisrealdoquantoestá a gastar. E se quiser oferecer a si mesma, como presentedeNatal,aquelegadgetoupeçaderoupa que já anda a namorar há algum tempo, espere pela altura dos saldos, logo a seguir às festas. Emcasa,éessencialdestralhareprepararespaço disponível para o que vai chegar. “Quando as pessoas não o fazem, colocam as coisas no pri- meiroarmário,gavetaoucaixaqueencontram. O problema fica resolvido no momento, mas depois torna-se uma bola de neve e as ‘tralhas’ espalham-se por toda a casa”, reconhece Lígia Noia. “A minha sugestão é doar/dar ou vender brinquedos antes do Natal. E reservar um local Baixe as expectativas. O Natal não é perfeito como nos filmes. E não faz mal! natal Preparativos Se o Natal é, para si, sinónimo de receber visitas, estas dicas vão ajudá-la. Ter uma casa organizada de forma simples e funcional vai facilitar os momentos de grande confusão. Lígia Noia deixa os seus conselhos de organização para o próximo mês. Semana 1 Destralhar a casa (verificar que brinquedos, objetos de decoração e móveis já não precisa). Preparar a decoração de Natal (verificar necessidades, fazer lista e comprar o que falta). Semana 2 Planear o menu da ceia de Natal e as responsabilidades de cada membro da família (crianças incluídas). Fazer as compras do supermercado (antecipe todas as compras que for possível e deixe os frescos para os dias antes do Natal). Semana 3 Consumir o máximo de alimentos que tem no frigorífico e congelador (libertando espaço para o que vai comprar). Limpeza da casa (pode dividir a casa em cinco áreas e em cada dia da semana limpa uma área). Preparar as loiças para a ceia de Natal (ver se falta alguma coisa). Semana 4  Fazer as compras para a ceia de Natal. Fazer limpezas de última hora. Preparar espaço para receber visitas (afastar/retirar móveis para criar mais espaço de circulação). Preparar a casa, semana a semana
  39. 39. “Os pais de crianças pequenas deveriam ser obrigados a tirarem férias entre o Natal e o Ano Novo. É aí que se desacelera. E se descansa” Algumas dicas da consultora Lígia Noia para organizar as divisões da sua casa e receber os convidados com todo o conforto. Hall de entrada Crie espaço para guardar as malas, casacos e guarda- -chuvas. Para quem tem pouco espaço, pode improvisar e colocar uma mesa ou um cesto grande para colocar as malas. Casa de banho Tenha sempre vários rolos de papel higiénico visíveis, para que as pessoas possam mudar se necessário. Ter toalhas para substituir se necessário à mão também é útil. Se tiver toalhetes de limpeza guardados numa caixa ou gaveta, em dois minutos pode limpar a casa de banho novamente. Sala Preveja um espaço para juntar todas as prendas. Prepare sacos do lixo para os embrulhos. Afaste os móveis do centro, de forma a permitir a circulação dos convidados. Crie “kits” para facilitar a organização. Por exemplo, num cantinho para o café, pode colocar a máquina, as chávenas, o açúcar, água para a máquina e cápsulas do café. Faça a mesma coisa com as louças, copos e talheres. Cozinha Prepare espaço no frigorífico para as comidas que os convidados trazem. Guarde caixas descartáveis para os convidados levarem comida para casa (de outra forma pode ficar sem os seus tupperwares). Tenha um saco do lixo grande, sempre bem visível, para ser usado por todos os convidados. Tudo em ordem específico, que pode ser um armário ou caixa, paraasprendasquereceber.Assim,asprendas recebidas que ainda não tiverem ‘casa’ ficam lá até decidir o que fazer com elas. É uma espécie de‘caixadeentrada’,talcomotemosnoemail”.  Natal x 2 À confusão própria desta época, acresce a lo- gística da organização destes dias, própria de famíliascomospaisseparados.“Nãoexisteuma forma ideal de organização, contudo é impor- tante que as crianças tenham conhecimento, quanto antes, de como irá ser o seu Natal, já que a previsibilidade lhes trará uma sensação de segurança emocional”, aconselha Catarina Rivero. Valorizar o Natal que a criança vive na outra casa é importante, assim como recriar rotinas.Entraremcompetiçõesparaque“omeu Natalsejamelhorqueoteu”,nãofazsentido.“Pôr em causa a casa do outro, ou a forma como os rituaissãovividos,étambémpôremcausaafa- míliabinucleardosfilhos.Oamorearelaçãoque se desenvolve entre pais e filhos não tem como basebensmateriaisouexperiênciashilariantes. Trata-sedaligaçãomaisvastaqueseestabelece navivênciadetodososdiasemqueestãojuntos”. SeesteéoseuprimeiroNatalcomestarealidade, a psicóloga e terapeuta familiar deixa algumas indicações: “Quando há um divórcio, há uma necessidadedemudança.Éfundamentalquese conversesobreanovaformadeviveroNatal,sem retirar esse lado simbólico ou de ligação entre todos os que se sentem família. E é importante lembrar que o divórcio não é o fim da família, mas sim o princípio de uma realidade familiar maiscomplexa:ascriançaspertencemecrescem agora numa família binuclear. Assim, o impor- tante é continuar a celebrar os Natais e outros rituais que para a família sejam considerados importantes, adaptando as agendas dos pais emproldobemmaior,queéodesenvolvimento ótimo das crianças”. Tirar férias Emtodosostiposdefamílias,porserumaépoca tãoemotiva,sãofrequentesosconflitos,mesmo noprópriodiadeNatal.“Éfrustranteeficamos tristesporpassarmospelaalturadoNatalcom tanta tensão, cansaço e sem realmente termos aproveitado como deveríamos”, reconhece Magda Gomes Dias. Por isso, acha que os pais de crianças pequenas deveriam ser obrigados a tirarem férias entre o Natal e o Ano Novo. “É nessa altura que se aproveita mais o Natal, e se desacelera.Esedescansa.Eaindahápãodocee bolo rei!” E deixa um conselho final: “Se os teus filhosficambirrentos,éporqueestãocansados de tanta agitação. Reduz a azáfama, os janta- res de Natal e os encontros. Pouco e bom será o segredo… e em família, que é para isso que existe o Natal”. Birras no Natal “Não lhes peçam apenas para se portarem bem. Expliquem, tim-tim por tim-tim, que tipo de comportamento é esperado”, aconselha Magda Gomes Dias www.paisefilhos.pt 41

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