Educacao no campo_unidade_5_miolo

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Educacao no campo_unidade_5_miolo

  1. 1. Unidade 05O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS EMTURMAS MULTISSERIADASPacto Nacionalpela Alfabetizaçãona Idade CertaMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação BásicaDiretoria de Apoio à Gestão EducacionalBrasília 2012EDUCAÇÃO DO CAMPO
  2. 2. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃOSecretaria de Educação Básica – SEBDiretoria de Apoio à Gestão EducacionalDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)Tiragem 96.211exemplaresMINISTÉRIO DA EDUCAÇÃOSECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICAEsplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 500CEP: 70047-900Tel: (61)20228318 - 20228320Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)___________________________________________________________________Brasil. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional.Pacto nacional pela alfabetização na idade certa : o trabalho com gêneros textuaisem turmas multisseriadas : educação do campo : unidade 05 / Ministério da Educação,Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional.-- Brasília : MEC, SEB, 2012.58 p.ISBN 978-85-7783-096-11. Alfabetização. 2. Educação no campo. 3. Gêneros textuais. 4. Classemultisseriada. I. Título.CDU 37.014.22_____________________________________________________________________
  3. 3. O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS EM TURMAS MULTISSERIADASUNIDADE 5Educação do CampoAutores dos textos da seção Aprofundando:Ana Beatriz Gomes CarvalhoAna Cláudia Rodrigues Gonçalves PessoaFrancimar Martins TeixeiraLeila Nascimento da SilvaMaria Helena Santos DubeuxMauricio Antunes Tavares.Autora dos relatos de experiência e depoimentos:Rielda Karyna AlbuquerqueLeitores críticos e apoio pedagógicoAlfredina Nery, Amanda Kelly Ferreira da Silva, Ana Claudia Pessoa da Silva, Ana CláudiaRodrigues Gonçalves Pessoa, Ana Márcia Luna Monteiro, Cassiana Maria de Farias, MagdaPolyana Nóbrega Tavares, Maria Cláudia Pereira da Silva, Severino Ramos Correia de Figueiredo,Sheila Vitalino Pereira, Telma Ferraz Leal.RevisoraAdriana de Oliveira GibbonProjeto gráfico:Ana Carla Silva, Luciana Salgado, Susane Batista e Yvana Alencastro.Diagramação, Capa e IlustraçõesAnderson Martins, Leonardo Rodrigues, Raian Coelho e Túlio Couceiro
  4. 4. O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS EM TURMAS MULTISSERIADASIniciando a conversaAprofundando o tema1. Por que ensinar gêneros textuais na escola?2. Registro e análise da prática no 2º ano do EnsinoFundamental: textos na sala de aula3. Trabalhando com diversidades e (con)textos.Compartilhando1. Materiais complementares: possibilidades de uso nasturmas do ciclo de alfabetização2. Sugestão de planejamento: hábitos alimentares esaúde bucalAprendendo mais Sugestões de leitura Sugestões de atividades para os encontros em grupo0708081434434347515155Sumário
  5. 5. Iniciando a conversaNaunidade5refletiremos sobreaimportânciadaleituraeproduçãodetextosnaalfabetização.Nesse caderno, direcionado para as escolas do campo, destacamos a necessidade de trabalharcom diferentes gêneros textuais, levando os alunos a conhecerem o conteúdo dos textos e ascaracterísticas composicionais que distinguem os diversos gêneros. Partimos da perspectiva dequeaescolanecessitalevarosalunosaseapropriaremdoscomponentesquefazemdosgênerostextuaisinstrumentosdeexpressãoecomunicaçãoespecíficosparacontextossociaisdiversos.Uma questão específica do contexto rural brasileiro diz respeito às turmas e escolasmultisseriadas.Aindaqueaheterogeneidadeeadiversidadeestejampresentestambémnasescolasurbanas,essesaspectosficammaisevidentesechamammaisatençãonasescolasdocampo por concentrarem, em um mesmo tempo e espaço, crianças bastante diferenciadasno tocante à idade, tempo de escolarização, nível de conhecimento etc. Daí é comum quea multisseriação seja apontada como fator responsável pelo fracasso escolar nessas escolas.Nossa perspectiva é justo o inverso, não é o fato de serem turmas multisseriadas que asfaz serem de inferior qualidade, mas o fato de que se adota para estas turmas os modelostransplantadosdocurrículourbano,bemcomodasdifíceiscondiçõesdetrabalhounidocentedos educadores e da falta de adequações quanto aos espaços e utilização dos temposeducativos.O desafio é trabalhar a multisseriação como possibilidade de produção de conhecimento, poisesta permite a construção de relações sociais baseadas na tolerância e respeito ao diferente,garantindoadevidaprogressãoaosdistintosgruposqueconvivemnamesmasaladeaula.Com os conteúdos desse caderno esperamos proporcionar alguns meios para construircaminhos que levem aos seguintes objetivos:• o entender a concepção de alfabetização na perspectiva do letramento, comaprofundamento de estudos utilizando, sobretudo, as obras e textos disponibilizadospelo MEC;• analisar e planejar projetos didáticos com foco na alfabetização em turmasmultisseriadas, integrando diferentes componentes curriculares e atividades voltadasao desenvolvimento da oralidade, leitura e escrita;• conhecer os recursos didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e planejarsituações didáticas em que eles sejam usados.
  6. 6. Aprofundando o tema1. Por que ensinar gêneros textuais naescola?Maria Helena Santos DubeuxLeila Nascimento da SilvaAna Cláudia Rodrigues Gonçalves PessoaEm uma perspectiva sociointeracionista, o eixo do ensino da língua materna é a compreensãoe produção de textos. Nessas atividades, convergem de forma indissociável fatores linguísticos,sociais e culturais. Os interlocutores são participantes de um processo de interação. Paraisso, precisam ter domínio da mesma língua e compartilharem as situações e formas como osdiscursos se organizam, considerando seus propósitos de usos e os diversos contextos sociais eculturaisemqueestãoinseridos.(SANTOS,MENDONÇAECAVALCANTE,2006).Nesse sentido, a língua se configura como uma forma de ação social, situada num contextohistórico, representando algo do mundo real. O texto, portanto, não é uma construção fixa eabstrata,mas,sim,palcodenegociações/produçõesdeseusmúltiplossentidos.Sendoproduzidosem situações marcadas pela cultura, assumem formas e estilos próprios, historicamentemarcados.Diferentes textos se assemelham, como diz Bakhtin (1997), porque se configuram segundocaracterísticas dos gêneros textuais que estão disponíveis nas interações sociais. Dessemodo, pode- se dizer que a comunicação verbal só é possível por meio de algum gênero que sematerializa em textos que assumem formas variadas para atender a propósitos diversos. Paramelhor entendermos essa discussão, é importante enfocarmos as diferenças entre gênerostextuaisetipostextuais.Passamos a definir essas noções fundamentais para se trabalhar leitura e produção textual nasaladeaula,conteúdocentraldessaunidade5.
  7. 7. Referimo-nosatipostextuaisparatratarmosdesequênciasteoricamentedefinidaspelanaturezalinguísticadasuacomposição:narração,exposição,argumentação,descrição,injunção.Nãosãotextos com funções sociais definidas. São categorias teóricas determinadas pela organizaçãodoselementoslexicais,sintáticoserelaçõeslógicaspresentesnosconteúdosaseremfaladosouescritos, distinguindo-se capacidades de linguagem requeridas para a produção de diferentesgêneros textuais. (MARCUSCHI, 2005; MENDONÇA 2005; SANTOS, MENDONÇA ECAVALCANTE,2006).Osgênerostextuais,segundoSchneuwlyeDolz(2004),sãoinstrumentosculturaisdisponíveisnas interações sociais. São historicamente mutáveis e relativamente estáveis. Emergem emdiferentesdomíniosdiscursivoseseconcretizamemtextos,quesãosingulares.Assim,paraqueainteraçãoentrefalantesaconteça,cadasociedadetrazconsigoumlegadodegêneros, por meio dos quais são partilhados conhecimentos comuns. Em consequência dasmudanças sociais, os gêneros se transformam, desaparecem, dão origem a outros gêneros.Desse modo, novos gêneros textuais vão se constituindo, em um processo permanente,em função de novas atividades sociais. Caso isso não ocorresse, a comunicação seria quaseimpossível, pois cada demanda comunicativa exigiria a construção de um texto configuradodemodocompletamentenovo,queporsuavezprecisariasercompreendidopelosenvolvidosna atividade para que a interação acontecesse. Segundo Bakhtin (1997, p. 302):Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemosde imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (aextensão aproximada do todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim.[…] Se não existissem os gêneros do discurso e se não os dominássemos, se tivéssemos deconstruir cada um de nossos enunciados, a comunicação verbal seria quase impossível.Observamos que, para Bakhtin (1997), os gêneros exercem certo efeito normativo. Porfuncionarem como modeladores dos discursos em qualquer situação de interação verbal, osfalantes recorrem a eles. Por possuírem aspectos relativamente estáveis/comuns, os gênerosservem como modelos, de modo que textos diferentes são apontados como pertencentesao mesmo gênero na medida em que possuem, por exemplo, conteúdos, construçõescomposicionais e estilos semelhantes entre si.
  8. 8. unidade 0510Nesse sentido, como foi dito, ao discutir o papel social dos gêneros nos atos interlocutivos,Schneuwly (2004) apresenta a noção de gênero como instrumento, utilizado/tomadopelo sujeito para agir linguisticamente. Nesse sentido, o autor, baseando-se no conceitode instrumento psicológico Vygotskiano, ressalta que, na perspectiva do interacionismosocial, “a atividade é necessariamente concebida como tripolar: a ação é mediada por objetosespecíficos, socialmente elaborados, frutos das experiências das gerações precedentes,através dos quais se transmitem e se alargam as experiências possíveis”. (SCHNEUWLY,2004, p. 21). Portanto, os objetos específico se constituem nos instrumentos que, segundoSchneuwly (2004, p. 21), “[...] encontram-se entre o indivíduo que age e o objeto sobre oqual ou a situação na qual ele age: eles determinam seu comportamento, guiam-no, afinam ediferenciam sua percepção da situação na qual ele é levado a agir [...]”.A partir dessas citações, percebemos a relação que Schneuwly (2004) estabelece entre oconceito de instrumento e o papel dos gêneros como mediadores das atividades de interaçãoverbal das pessoas na sociedade. O autor explica:Por meio dos gêneros, a ação discursiva é, ao menos parcialmente, prefigurada para cumprirosobjetivosdefinidosparacertasatividades.Asexperiênciaspréviasdeinteraçõespermitemaos participantes da situação de comunicação específica chegar a um grupo de gêneros quepossivelmente podem ser utilizados nas situações de interação.Koch e Elias (2009) destacam que os gêneros textuais são diversos e sofrem variações nasua constituição em função dos seus usos. Explicando essa dinâmica de ampliação dosgêneros,asautorasapresentamcomoexemplosoe-maileoblogque,comorecursosrecentesdecorrentes do progresso tecnológico, são respectivamente transmutações das cartas e dosdiários. Portanto, o grande desafio para o ensino da língua portuguesa é trabalhar com essadiversidade textual na sala de aula, explorando de forma aprofundada o que é peculiar a umgênero textual específico, tendo em vista situações de uso também diversas.Nesse sentido, é um direito dos alunos produzir e compreender gêneros textuais diversosde acordo com a exigência da situação comunicativa. Para que esse direito seja atingido énecessário que as crianças possam ter contato com a diversidade de gêneros de tipologiasdistintas ao longo da sua escolaridade.Há visivelmente um sujeito, o locutor-enunciador, que age discursivamente (falar/ escrever),numa situação definida por uma série de parâmetros, com a ajuda de um instrumento que aquié um gênero, um instrumento semiótico complexo, isto é, uma forma de linguagem prescritiva,que permite, a um só tempo, a produção e a compreensão de textos (SCHNEUWLY, 2004, p. 23-24).
  9. 9. unidade 05 11Aoobservarmos,porexemplo,oquadrodosdireitosdeaprendizagens,apresentadonaunidade1,referenteàleitura,observamosqueváriosdireitossãoaprofundadoseconsolidadosemummesmo ano, mas também isso acontece em anos seguintes, isso é decorrente da variedade eda complexidade dos gêneros.Ao observamos um trecho do quadro dos direitos de aprendizagem referente à leitura épossívelperceberqueessesdireitossãointroduzidoseaprofundadosnoano1eaprofundadose consolidados nos anos 2 e 3.Aprimeiraserefereaosaspectossocioculturaisrelacionadosasuacondiçãodefuncionamentonasociedadeeasegundaserelacionaaosaspectoslinguísticosquesevoltamparaacompreensãodoque o texto informa ou comunica. Refletindo sobre essas relações, como defendem Schneuwly eDolz (2004), enfatizamos, como afirmado anteriormente, a importância de se proporcionar aosalunoscontatoscomosmaisdiversosgênerostextuais.Paraessesautores,oensinodaleituraedaescrita na escola pode ser sistematizado de forma que o aluno possa refletir, apropriar-se e usardiversos gêneros textuais. Conforme sintetizam Mendonça e Leal (2005), com uma proposta deaprendizagememespiral,ummesmogêneropodesertrabalhadoemanosescolaresdiversosouaténamesmasérie,comvariaçõeseaprofundamentosdiversos.Com essa discussão teórica acerca do conceito de gênero textual, procuramos fornecer aoprofessorelementosquelhepermitamcriarsituaçõesdeensinoquefavoreçamoprocessodoalfabetizar letrando. Salientamos, no entanto, que é preciso tomar alguns cuidados:Leitura Ano 1 Ano 2 Ano 3Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentes gêneros e comdiferentes propósitos. I/A A/C A/CAntecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos aserem lidos pelo professor ou pelas crianças. I/A A/C A/CReconhecer finalidades de textos lidos pelo professor ou pelas crianças. I/A A/C A/C1 - escolher os textos a serem lidos, considerando-se não apenas os gêneros a quepertencem, mas, sobretudo, o seu conteúdo (o que é dito), em relação aos temastrabalhados. O objetivo é que as crianças aprendam a ler e escrever, mas tambémaprendam por meio da leitura e da escrita;2 - propor situações de leitura e produção de textos com finalidades claras ediversificadas, enfocando os processos de interação e não apenas as reflexões sobreaspectos formais. Podemos exemplificar umas dessas situações através de umaatividade presente nos livros didáticos:I = Introduzir / C = Consolidar / A = Aprofundar
  10. 10. unidade 0512Conhecendo trava-línguas:o pato pia a pia pinga quanto mais a pia pinga mais o pato pia.Com o objetivo de conversar sobre o texto algumas questões podem ser formuladas:a) o nome desse tipo de texto é trava-línguas. Você sabe por quê?b) quem conhece outros trava-línguas? Fale os que você conhece para os colegas;c) agora vamos treinar bastante os trava-línguas apresentados pelos colegas evamos ver quem consegue dizer mais rápido e sem errar as palavras.3 - escolher os gêneros a serem trabalhados, com base em critérios claros, considerando-se,sobretudo: os conhecimentos e habilidades a serem ensinados; as relações entre os gênerosescolhidos e os temas/conteúdos a serem tratados;4 - abordar os gêneros considerando não apenas aspectos composicionais e estilísticos, mas,sobretudo, os aspectos sociodiscursivos (processos de interação, como as finalidades, tiposde destinatários, suportes textuais, espaços de circulação...).Tomando-se tais cuidados, o trabalho com os textos ocorre de modo articulado ao ensino dosgêneros,deformaquerefletirsobreogênerosejaumaestratégiaquefavoreçaaaprendizagemda leitura e da produção de textos.
  11. 11. unidade 05 13ReferênciasBAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997.KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo:Contexto, 2009.MARCUSCHI, Luiz Antonio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO,AngelaPaiva;MACHADO,AnnaRachel;BEZERRA,MariaAuxiliadora.Gêneros textuais &ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.MENDONÇA, Márcia. Gêneros: por onde anda o letramento? In: XAVIER, Antonio Carlos dosSantos; ALBUQUERQUE, Eliana Borges Correia; LEAL, Telma Feraz (orgs.). Alfabetizaçãoe letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.MENDONÇA, Márcia; LEAL, Telma Leal. Progressão escolar e gêneros textuais. In: XAVIER,AntonioCarlosdosSantos;ALBUQUERQUE,ElianaBorgesCorreia;LEAL,TelmaFeraz(orgs.).Alfabetização e letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.SANTOS, Carmi Ferraz; MENDONÇA, Márcia; CAVALCANTE, Marianne, CarvalhoBezerra.Trabalharcomtextoétrabalharcomgênero?In:SANTOS,CarmiFerraz,MENDONÇA,Márcia; CAVALCANTE, Marianne, Carvalho Bezerra (orgs.). Diversidade textual osgêneros na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e tipos de discurso: considerações psicológicas eontogenéticas. In: SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos naescola. Campinas: Mercado das Letras, 2004.SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas:Mercado das Letras, 2004.
  12. 12. unidade 05142. Registro e análise da prática noEnsino Fundamental: os textos nasala de aulaMaria Helena Santos DubeuxAna Beatriz Gomes CarvalhoFrancimar TeixeiraNestetextoanalisamososregistrosdapráticadeumaprofessoracomoobjetivodeentendermoscomootrabalhoemsaladeaulapodesevoltarparaoestudoaprofundadodeumgênerotextual,comoformadedesenvolverconhecimentosecapacidadesdecompreensãoeproduçãodetextos.Apresentamos e refletimos sobre os eixos de ensino identificados nas atividades realizadas, eprocuramosdestacarnãosóosconteúdosdaáreadelínguaportuguesa,mastambémasrelaçõesde interdisciplinaridade estabelecidas com as áreas de história e ciências. A proposta consisteem uma sequência de atividades organizadas em torno de uma temática: Hábitos alimentarese saúde bucal. Destacamos ainda que refletiremos sobre o planejamento e a realização dasequência em sala de aula. Salientamos que, apesar da experiência relatada nesse texto nãoter sido desenvolvida em uma escola rural, as atividades realizadas pela professora podem seadequaraoutrassituaçõesdesaladeaula.Nos detivemos na análise da experiência realizada por uma professora da rede pública deensino, focalizando os conteúdos de ensino; a natureza dos materiais e recursos utilizados, amediação da professora e as respostas dos alunos. A experiência foi vivenciada pela professoraRielda Albuquerque, na escola Ubaldino Figueirôa, situada em Jaboatão dos Guararapes/PE. Aprofessoraensinavaemumasalade2ºano,compostapor11alunos,nafaixaetáriade7e8anos.Quantoaodomíniodosistemadeescritaalfabética,observamosqueapenasumalunoencontrava-se na hipótese silábica-alfabética e os demais, na alfabética. Três crianças que tinham hipótesealfabéticautilizavambasicamentesílabascomestruturaconsoante-vogal(desílabascanônicas);dois alunos liam com pausas entre palavras e apresentavam algumas dificuldades na leitura eescrita de sílabas não canônicas (sílabas com estrutura consoante/consoante/vogal, consoante/vogal/consoante, consoante/consoante/vogal/consoante, dentre outras); e cinco apresentavamfluêncianaleitura.Diante do esperado para o eixo de apropriação do sistema alfabético de escrita, na sua maioria,os alunos dominavam as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro,de modo a ler e escrever palavras, mesmo que nem todos escrevessem corretamente palavrasformadas por diferentes estruturas silábicas, capacidade indicada para ser aprofundada e
  13. 13. unidade 05 15Naunidade1,os quadrosde direitos deaprendizagemdetalham osconhecimentose habilidades aserem abordadosem cada ano deescolaridade.Naunidade1,os quadrosde direitos deaprendizagemdetalham osconhecimentose habilidadesa seremabordados emcada ano deescolaridade.consolidadano2ºano. Dessemodo,eraumaturmaquetinhaumperfilesperadoparaestaetapade escolaridade e a prática da professora se voltava prioritariamente para leitura e produção detexto.Noentanto,atividadesdealfabetizaçãotambémseintegravamaoseuplanejamento,paraajudarnaconsolidaçãodessasaprendizagensdeboapartedosestudantes.Conforme podemos observar na síntese do planejamento da sequência didática elaboradapela professora, seu trabalho versava sobre o estudo do tema proposto, tendo como objetivo aprodução de texto do gênero cartaz educativo, para ser exposto na escola.Para a produção do gênero textual pretendido, a professora introduziu a produção de outrosgêneros,taiscomo:ficha,tabela,receitaculinária.Foramrealizadasleiturasdetextosdiversosparaqueosalunostivessemacessoaosconhecimentosrelacionadosaotemaqueestavasendoestudado.A seguir, passamos a apresentar as práticas desenvolvidas pela professora para o estudo dotema proposto.O tema foi introduzido no primeiro momento, com a leitura do livro “Muitas maneiras deviver”.Muitas maneiras de viverTexto:CosellLenzieFannyEspíritoSantoImagem:AdilsonFariasetal.Editora:Positivo,2008.Neste livro, conhecemos as muitasmaneiras de viver de diferentes povos,queocupamespaçosdiversos,bemcomosuasvariações ao longo do tempo. Apresentandoos diferentes tipos de moradias,brincadeiras, brinquedos e roupas, a obraestimula o respeito à diversidade cultural.Promovendo a reflexão, também nos oferecealguns questionamentos e traz sugestõesparaaconfecçãodebrinquedos.
  14. 14. unidade 0516Antes de iniciar a leitura, a professora fez a exploração das ilustrações da capa e do título, pormeiodosseguintesquestionamentos:P-Qualéotítulodesselivroqueiremosler?Crianças - Muitas maneiras de viver (As crianças que tinham mais fluência na leitura fizeram aleiturarapidamente)P-Quaisasimagensqueestamosvendoaquinacapa?Crianças-Índio,menino,escola,meninacomapipa,umninja.P - Pelo título do livro e pelas imagens será que conseguimos saber do que será que o livro vaifalar?Criança-muitasmaneirasdeviver.Criança-Quecadaumnãoéigual.P - Como assim? Cada um não é igual? (A criança não soube explicar quando a professoraquestiona)P-Nacapa,asimagenssãodepessoasemlugaresdiferentesefazendocoisasdiferentes,nãoé?Crianças-É.P-EntãoporqueseráquePatrickdisseque“Cadaumnãoéigual”?Criança-Porquetemmuitasmaneirasdeviver.P–Então,vamosveragoraoqueolivroquerdizerparanós?Observamos que a professora trabalha com o eixo de leitura levando os alunos a anteciparsentidos e a ativar conhecimentos prévios relativos ao texto que vai ser lido. Ela direciona osquestionamentos, sintetizando o que é mais relevante a ser considerado, tendo em vista o temaescolhido: a diferença entre grupos e culturas diversas. Essa forma de condução é importanteporque os alunos ainda estão consolidando a capacidade de explicitar seu ponto de vista, de sefazerentenderperanteosoutros.Em seguida, a professora iniciou a leitura do livro, mostrando as ilustrações e, à medida que ialendo, continuava a fazer alguns questionamentos. Na primeira parte do texto “Tantas pessoas,tantas diferenças...” as crianças observaram as diferenças de moradias, roupas e costumes dealguns grupos e sociedades. Os alunos participaram ativamente da situação de leitura. Uma dascrianças, ao observar a imagem de um casamento em cerimônia indiana e ao ter lido a legenda,mencionouqueoscostumesdeoutrospaísesnãosãoiguaisaosnossos:Em outros países, os homens podem ter várias mulheres e nos casamentos do nosso país só sepodeterumaesposa.
  15. 15. unidade 05 17Vemos que a criança mostra facilidade em localizar informações do texto e explicita de formaadequada o conteúdo relacionado à temática que está sendo estudada. Conforme mostra odepoimentodaprofessora,asuapráticatemfavorecidoodomíniodessahabilidade:sempre trabalho com leitura de imagens e construção de legendas, uma atividade bastantesignificativaemqueascriançaspodemnãosófazerainterpretaçãodasimagens,masconstroemalegendaerefletemsobreaescritadaspalavras.Observamos no relato da professora que ela utilizou variadas atividades que proporcionaramo trabalho com a leitura e produção de texto como leitura da imagem, a leitura da palavra, aescrita de pequenos textos (legenda, por exemplo) e a reflexão sobre a escrita da palavras. Essadiversidade de atividades também é muito importante no caso das turmas multisseriadas, poisfavorecemotrabalhocomdistintosníveisdoprocessodaalfabetização.Nacontinuidadedaleiturafeitapelaprofessora,ascriançasforampercebendoqueoscostumespodem variar de um povo para outro. Ao tratar dos hábitos alimentares, os alunos acharaminteressantes as diferenças: os brasileiros têm o hábito de usar garfo, faca e colher para comer.JáosjaponesestêmohábitodecomercomoHachi.Apartirdesseponto,aprofessoradinamizouuma discussão sobre os hábitos alimentares, chamando atenção para as comidas dos japonesese as dos brasileiros. Por fim, o livro ainda tratou dos tipos de brincadeiras e brinquedos que sediferenciamentreospovosealeiturafoifinalizada.Aprofessorahaviaplanejadofazeraleituradolivrotodo,maspercebeuquehaviaumagrandequantidadedeinformações,porissodecidiuretomaroquetinhasidodiscutidoeregistrarnoquadrooqueosalunosforamdizendo,fazendoaseguintepergunta:P-Sobreoqueolivroestáfalando?Crianças - Ensinando as brincadeiras; as maneiras de vestir; as maneiras de comer; tipos demoradias:Oca,Iglu;maneiradesealimentar;tiposdecomidas.Observamosque,apósaleitura,aprofessoraexplorouosentidogeraldeumtextolidoporoutraspessoas,comafinalidadedepromoverdiscussõesquesãonecessáriasparaintroduzirumtemaque vai ser estudado. Nesse caso, o livro lido propiciou uma reflexão acerca da diversidadecultural,pontodepartidadoconteúdodasaulasseguintes.A professora iniciou o segundo momento retomando a leitura do livro “Muitas maneiras deviver”. Questionou aos alunos sobre o que tinha sido visto no livro e foi registrando no quadro oqueelesfalavam:P-Sobreoqueolivroestáfalando?Crianças-Asmuitasmaneirasdeviver.
  16. 16. unidade 0518P-Dequemaneirasolivrofala?Crianças-Moradias:Iglu,Oca;tiposdecasamentos,asroupasP-Asvestimentas.Crianças-Asmaneirasdiferentesdebrincareosbrinquedos(gangorra,amarelinha,bonecadepalhademilho,jogos,bonecademadeira).P - Esses brinquedos eles contam a história de quem? Por quem são construídas essas bonecasdepanos?Crianças:Índios.P – Para vocês essas maneiras de viver (as moradias, as roupas, os hábitos alimentares e osbrinquedos)podemcontarahistóriadeumpovo?Crianças–sim.P-Porquê?As crianças não conseguiram responder, então, a professora falou sobre os costumes herdadosdos nossos pais, avós e das pessoas que fazem parte do grupo em que convivemos. Falou dasbrincadeiras que os pais já brincaram que também foram dos nossos avôs e que podem tervindodeoutrospovos,como,porexemplo,abonecadepalhaqueveiodosíndios.Continuandoa atividade, a professora direcionou a discussão para os hábitos alimentares que fazem partedas maneiras de viver de diversos grupos e famílias, incluindo os da turma, mas que podemmudar com o tempo. É necessário chamar atenção para o fato de que mesmo em uma pequenacomunidade os hábitos podem variar bastante, influindo, contribuindo e até dificultando arelação e o pleno desenvolvimento dos seus membros. A partir desse ponto, a professora, aopropor aos alunos a construção de um mural das descobertas sobre seus hábitos alimentares,dinamizouumadiscussãoqueacabouseencaminhandoparaumareflexãosobreasaúdebucal:P-Estamosfalandosobrehábitosalimentares,vocêssabemoquesãohábitosalimentares?Crianças - São vários jeitos de comer, japonês e chinês comem de pauzinhos e brasileiros eamericanos comem com colher; tipos de comidas que comemos; comer a mesma coisa sempre,comerbemesealimentarbem.P-Seráquenossoshábitosalimentaressãosemprebons,comemossemprealimentossaudáveis?Crianças-Não,porquealgumascomidassãooleosas.P-Seráquesomosresponsáveispelosnossoshábitosalimentares?Crianças–sim.P-Porquê?Crianças - Porque escolhemos a nossa comida; porque nos alimentamos bem; e ficamossaudáveis.P-Qualaimportânciadebonshábitosalimentaresparanossocorpo?Crianças-Paracuidardapele;tomarleite;bebermuitaágua;cuidarbemdocorpo(Obs.:Nessemomentoascriançasseconfundemcomaperguntaefalamdecomomanterasaúdedocorpo).P-Nossoshábitosalimentarespodemcontribuirparanossasaúdebucal?
  17. 17. unidade 05 19Crianças:Sim!Porquecomemosmuitosdoces;ficacombichinhosenãoescovarosdentescomoumadulto;senãoescovarficacomcárie;quebraosdentes.P-Oqueprecisamosfazerparacuidardanossasaúdebucal?Crianças-Escovardireitoosdentesealíngua;usarofiodental.A participação das crianças foi bem proveitosa durante os questionamentos. Em relação àimportânciadotrabalhoaserrealizado,elasconcordaramemfazeromuraldasdescobertaseocartazeducativosobrehábitosalimentaresehigienebucal.A partir da fala das crianças percebemos que já apresentam conhecimentos sobre a temáticaabordada. O modo de trabalhar da professora foi propício para integrar diferentes áreas deconhecimento. Em termos de ensino de ciências, o entendimento do porquê alguns hábitosalimentares são considerados saudáveis, e outros não, envolve ultrapassar o conhecimentoprévio que as crianças já tinham, direcionando-os para diversos conceitos que viabilizem oentendimento dos porquês algo é considerado saudável. Adicionalmente, trata-se de temáticaque possibilita analisar a satisfação e a necessidade biológica sob diversas perspectivas. Porexemplo, diversos fatores interferem na escolha da comida, dentre eles: poder aquisitivo,fatores geográficos como a estação do ano ou intempéries, até aspectos culturais como crençassobrealimentos.Nessesentido,oaprofundamentodessatemáticaparaaproduçãodeumcartazeducativonãosófavoreceumareflexãosobreoshábitosalimentaresdelasesobreaimportânciados cuidados com a saúde de sua boca, mas também um maior conhecimento sobre o gênerocartazeducativoesuafinalidadenasociedade.Após a discussão, a professora apresentou uma ficha de pesquisa para os alunos preencheremem casa com a ajuda dos pais ou responsáveis sobre seus hábitos alimentares. Explicou queessafichaéparaauxiliarnolevantamentodoshábitosalimentaresdecadaum,avaliandosesãosaudáveisounãoparaapreservaçãodasaúdebucal.Segueabaixoomodelodafichaentregueaosalunos:Hábitos AlimentaresCafé daManhãAlmoço Jantar Lanches e Guloseimas
  18. 18. unidade 0520No terceiro momento, a professora iniciou refletindo com as crianças sobre o que foi discutidonaaulaanterior.Algumascriançasrelataramoqueelesfalaramsobrealimento.Emseguida,osalunosmostraramasfichasquelevaramparacasa,preenchidasecadaalunofezaleituradasuaficha, na frente da sala. À medida que liam, a professora registrava no quadro os seus hábitosalimentares. É interessante observar que a ficha é uma tabela. Desta forma os alunos estãosendo familiarizados com uma disposição gráfica bastante utilizada para a exposição resumidade informações. Contas de luz e dosagem de remédios, por exemplo, são apresentadas destaforma.Trata-sedeumdosrecursosgráficosextremamentecomunsnaáreadasciênciasnaturaise da matemática. Lembramos que a alfabetização em seu sentido amplo precisa considerar asdiferentes formas de comunicação de uma informação e a leitura de tabelas, quadros e colunasfazpartedesteaprendizado.Apósoregistrodasinformações,estasforamsocializadas.Foivistoqueoshábitosalimentaresdosalunossãobemsemelhantes.Aproveitou-separadiscutirsobrequaisalimentossãosaudáveisequaisnãosãosaudáveisparaodiaadia.Abaixoumtrechodaaula:P–Vocêsperceberamquetemoshábitosalimentaresparecidos,quaissãoeles?C–Opão;ocafé;sopanocafédamanhã.C–Feijão,arroz.C–Frutasnolanche,tia.C–Cuscuz.P – Pois é, temos muitos hábitos alimentares semelhantes, não é? Mas também temos algunshábitos aqui que não são muito legais. No café da manhã o que seria um alimento não tãosaudável?C–Hamburgues,tia.C–Refrigerante.P–Poisé,ohamburgueréumacomidamuitogordurosaquesecomemoscommuitafrequênciapoderáfazermalanossasaúde.P – Que mais? O que podemos considerar pela nossa tabela um hábito alimentar que não sejatãosaudável?C–Chocolate.C–Sorvete.
  19. 19. unidade 05 21P – Mais eu ainda estou notando uma coisa aqui, na parte de lanches e guloseimas, estou vendomuitasfrutasissoémuitobom,maspercebitambémquenãocolocaramosdoces,porquê?C–Eutragosalgadinhos.C–Euconfeitos.C–Chicleteepirulito,tia.C–Maseusócomonahoradasobremesa,tia(...)P – E esses hábitos são saudáveis? Podemos comer essas coisas demais? Se comermos muitodessesalimentosficaremoscomo?C–Comdordebarriga.C–Gordo.P–Eoquemais.Comoficariamosnossosdentes?C–Comcárie.Apósasocializaçãodapesquisa,aprofessoraformougruposcom3e4criançasecadagrupoficouresponsável pelo preenchimento de uma das colunas da tabela com as informações registradasno quadro (café da manhã; almoço; jantar; lanches e guloseimas). Tal procedimento induz demodobastantecontextualizadoaoentendimentodecomoselêeescrevetabelas.A professora poderia, ainda, ter ampliado a discussão no sentido de tratar as diferentespropriedades dos alimentos e as consequências da ausência ou excesso dos referidos alimentosno organismo. Além de tratar de forma simplificada os hábitos culturais da sua região e asituaçãosócioeconômica,contribuindoinclusiveparadesmistificarquesempresealimentamelhorquemtemmaisdinheiro,ouseja,aspotencialidadeslocaisquantoàdiversidadeeàqualidadealimentarpodemserenfatizadas.
  20. 20. unidade 0522Em seguida, relacionando com a discussão sobre hábitos alimentares, a professora propôs aleituradolivro“Brinque-bookcomascriançasnacozinha”.Brinque-book com as crianças nacozinhaTexto:GildadeAquinoImagem:EstelaSchauffertEditora:Brinque-book,2005Apresentando a arte de cozinhar como algoprazeroso, Brinque-Book com as Criançasna Cozinha traz receitas simples e investena orientação dos cuidados que se deveter, ao preparar comidas, de modo a evitaracidentesecontaminações.Olivroéricoeminformações matemáticas, principalmentepara o campo de grandezas e medidas.Há variedade nas grandezas tratadas ese incluem unidades convencionais enão convencionais, padronizadas e nãopadronizadas.Mais uma vez a professora fez um exercício de antecipações do conteúdo do texto, a partir dacapa, título e ilustrações. As crianças com leitura mais fluente leram o título e nome do autordo livro com facilidade. Feito isso, a professora perguntou para as crianças sobre o que o livroiria falar. Os alunos logo disseram que ia falar de comidas. Nesse momento, uma das criançaspercebeu que o livro era grosso, dizendo: “Tia, esse livro é grosso, né?”. A professora explicouque iriam escolher uma parte do livro para ser lida. Com essa fala, a docente deixou claropara os alunos que em determinadas situações não precisamos ler o material por completo,tudo depende da finalidade da leitura. Assim, ela começou, com os alunos, o sumário com oseguinte questionamento: “Quando vamos usar o livro para localizar a página que queremosler, o que fazemos? Onde procuramos?” Mas observou que as crianças estavam sem entenderos questionamentos e prosseguiu explicando que o sumário é a parte do livro que indica o quevai ser encontrado no livro: os assuntos, as atividades etc., além das páginas que facilitam alocalizaçãodoquesedesejaler.Emseguida,emumarodadeleiturafoilidoosumáriodolivro“Brinque-bookcomascriançasnacozinha”.Algumascriançasleramosumárioparaescolherqualreceitaiamlerporinteiro:
  21. 21. unidade 05 23P-Qualdessesitensvocêsqueremler?C-SucoseVitaminas.P-Oqueseráquetemosdesucoevitaminas?C - Suco de abacaxi, suco de melão, vitamina de guaraná e vitamina dos campeões. (Algumascriançasfizeramaleitura).P-Qualdessasreceitasvocêsficaramcommaiscuriosidadedeconhecer?C-Vitaminadoscampeões.P-Comoseráessavitamina,hein?C-Vitaminasdoscampeões,tia.P - Para localizar no livro a receita da vitamina a gente vai para que página? Será que o sumáriovaiajudar?C-Simtia,a53.Nessemomento,aprofessoraabriuolivronapáginadareceitaescolhidaefezaleitura.Érelevanteteremmentequeotermovitaminasnãoestásendoreferênciaacomponentesnutricionaisesimaumsucodeconsistênciamaisespessa.Aprofessoratambémcomentouassemelhançasdotextoqueestavasendolidocomoutrosdomesmogênero,receitaculinária,quetinhamtrabalhadonoinício do ano. Durante o resgate da estrutura do gênero, ela percebeu que as crianças, apesarde terem dito que para fazer a receita é preciso saber os ingredientes, não se lembraram que épreciso também se ter o modo de fazer. Ainda, ao final da leitura, a professora mostrou que nareceitaestavaregistradosupersaudávelepropôsasuaexecuçãonodiaseguinte.Estou em forma? Aprendendo sobrenutrição e atividade física.Texto:ClaireLlewellyneMikeGordon.Editora:Scipione,2008O livro demonstra o que devemos fazerpara nos mantermos saudáveis. Para tanto,apresenta os alimentos que necessitamospara manter o corpo inteiro sadio. Mostra oque o excesso de alguns alimentos, como osgordurosos e os doces podem fazer ao nossocorpo. Fala também, como a atividade físicaajudanodesenvolvimentodocorpo.
  22. 22. unidade 0524Inicialmente, procurando levantar os conhecimentos dos alunos sobre do que o livro trata,explorou a capa e o título, solicitando, sobretudo, a participação dos alunos que mostram maisdificuldade de leitura. Ao final da leitura foram explorados os conteúdos lidos a partir dosquestionamentos:“- Que alimentos aparecem no texto? O livro mostra alguns alimentos que ajudam nodesenvolvimentodonossocorpo,quealimentossãoesses?Algunsdãoenergia?Quaissão?Outrosalimentospermitemquenossocorpofuncionedemaneiraadequada,vocêslembramquaissão?E também tem alguns tipos de alimentos que ajudam a armazenar energias? Que alimento sãoeles?Quandocomemosmuitodomesmotipodealimentooquepodeacontecer?Seexagerarmosnosdocesenascomidasgordurosasoqueacontece?Oqueécárie?”Durante a discussão, a professora voltava ao livro para verificar algumas das suas informações.Éimportantemencionarqueascriançasparticiparamdadiscussãoapresentandosuasopiniõesealgumasinformaçõesqueestavamexplicadasnotexto.Aaulafoiencerradacomapropostaderealizaçãodeumexperimentoemsaladeaulaparaverificarqueoaçúcar,juntamentecomcertasbactérias,éumdosresponsáveispeladestruiçãodoesmaltedosdentesequeoflúorprotegeesseesmalte,tornando-omaisresistente.Na aula seguinte, a professora deu continuidade ao quarto momento, lembrando aos alunosque iriam fazer uma experiência na sala, destacando a importância de elaborarem e testaremhipóteses sobre a relação entre hábitos alimentares e a saúde bucal, mais especificamente aNo quarto momento, preparando a turma para uma experiência, a professora realizou a leituradolivro:“Estouemforma?Aprendendosobrenutriçãoeatividadefísica”.formação de cáries e analisassem evidências surgidas no decorrer da experiência. O processode elaboração de hipóteses e análise de evidências só é possível à luz de referenciais teóricos.Daí porque foi imprescindível a leitura sobre o tema anterior a vivência do experimento eessa vivência representa um aprendizado de procedimentos sobre como fazer ciência. Abaixoapresentamosostextoslidos:A química e a conservação dos dentes.Autores:RobertodaSilva;GeraldoA.LuzesFerreira;JoicedeA.BaptistaeFranciscoViana.É um artigo que aborda alguns aspectos da química do dentrifício, destacando sua composiçãovariada,bemcomosuafunçãonalimpezaepreservaçãodascáriesdentárias.(http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc13/v13a01.pdf),acessadoem4dejunhode2012. Os doces estragam os dentes: uma experiênciaOtextopropõeumaexperiênciaquepodeserfacilmenterealizávelnasaladeaulaparademonstrarqueoaçúcarjuntamentecomcertasbactériaséumdosresponsáveispeladestruiçãodoesmaltedodente.Mostratambémqueoflúorprotegeoesmalte,tornando-omaisresistente.
  23. 23. unidade 05 25http://rinamaia2008.blogspot.com.br/2008/02/os-doces-estragam-os-dentes-uma.html, em4dejunhode2012.Para dar início ao experimento, a professora conversou com as crianças dizendo: “vamos ser osinvestigadores dessa experiência, todos os dias vamos olhar o ovo que está com o refrigerantee o ovo que está com a pasta de dente com flúor e observaremos as modificações e diferençasapresentadas”. Desse modo, durante quatro dias foram feitas observações e comparadas asdiferenças existentes. No primeiro dia as crianças já perceberam que o ovo que estava com orefrigerante estava ficando escuro e com rachaduras enquanto o ovo que estava com dentifríciocomflúorpermaneciadomesmojeito.Acadadia,elaspercebiamqueoovoficavacadavezmaisescuroecomasrachaduras.Noúltimodia,observaramqueoovocomorefrigeranteestavacomoseacascaestivessemenosrígida.Jáooutropermaneciainalterado.Os estudantes apreciaram muito essa vivência e todo momento se mantiveram curiosos emsaber o resultado do experimento. A cada dia observando a experiência, a professora registravano quadro com a ajuda dos estudantes as diferenças observadas nos dois recipientes em queestavam os ovos. No final do experimento a docente retomou as diferenças ressaltadas pelascrianças e discutiu um pouco sobre o que a ação do açúcar junto com algumas bactérias podecausar aos nossos dentes, bem como, no momento da produção dos cartazes educativos foramretomadososresultadosdoexperimento.
  24. 24. unidade 0526Aindaaofinaldaaula,aprofessorarealizouumaatividadedereflexãosobreosistemaalfabéticodeescrita,trabalhandocomumcaçapalavrasparaqueosalunoslocalizassemaspalavras:frango,arroz, espinafre, cenoura, batata, abacaxi, macarrão, feijão e carne. A proposta dessa atividadeajudou os alunos, que ingressaram na hipótese alfabética da escrita, na verificação da escritade palavras com sílabas complexas. Para o aluno silábico-alfabético, a atividade possibilitoua observação da unidade silábica, ou seja, que uma sílaba pode e na maior parte das vezes écomposta por mais de uma letra. Essa situação heterogênea é muito comum em qualquer salade aula, inclusive nas classes multisseriadas e é essa diversidade que deve ser considerada emprimeiro plano no planejamento dos professores e não apenas a diferença de escolaridade dosalunos.Oquinto momentofoiiniciadocomaleituradolivro“Dente”.DenteTexto:ÂngeloMachadoImagem:LoreThalmaEditora:NovaFronteira,2004Veja que problema tem Alice: ela precisa fazer uma tarefa sobre osdentes, mas não sabe nada sobre isso. Quando estava pensando emcomo resolver seu problema, chega seu avô, um homem que sabemuitascoisas.Então,elecomeçaadarparaAlicetodasasinformaçõesdequeelaprecisava.Deformaclaraedivertida,oautordaobraDenteensina as crianças sobre a importância de cuidar bem dos dentes,assim como a anatomia deles e a comparação com os dentes de outrosanimais.
  25. 25. unidade 05 27Ascriançasgostarammuitodolivroeaprofessoraaproveitoupara,durantealeitura,irfazendoalgumasperguntasvisandoresgatarosconhecimentosprévios,taiscomo:“seelessabiamquaiseram seus dentes caninos e molares e qual seria a função de cada um”. Após a leitura, tambémde forma bem lúdica e contextualizada, a professora explorou os conhecimentos adquiridosatravés da leitura e pediu que os estudantes, em duplas, contassem seus dentes e observassemos caninos e os molares. Dando continuidade à aula, a professora apresentou algumas imagenscomlegendas,relacionadasàhigienebucal.Fezaleituradecadaimagemjuntocomascriançase foi discutindo sobre a higiene bucal a partir de cada uma delas. Após essa leitura, a turmafoi dividida em duplas, compostas por alunos com níveis de leitura e escrita diferentes, paraelaboraremcartazestambémcomimagenselegendas.Nesse momento, a professora refletiu sobre a separação de palavras usadas na construção dotexto, bem como, sobre algumas regularidades ortográficas. Além disso, a atividade foi muitoproveitosa, pois permitiu que as crianças apresentassem o que já tinham construído sobre oscuidadoscomahigienebucal.As produções das imagens com legendas foram coladas no mural das descobertas e a aula foiencerradacomumaleituradeleitedehistóriaemquadrinhosdaturmadaMônica:
  26. 26. unidade 0528Turma da Mônica e a saúde BucalUmanarrativaemquadrinhos,comaturmadaMônica,mostracomoMagaliconseguiuselivrarde uma dor de dente e o que ela precisaria fazer para cuidar dos seus dentes. Participam dessahistóriaMônica,Cebolinha,Cascão,FranjinhaeMagali.Comaleituradosquadrinhosascriançaspodem aprender como cuidar da saúde bucal de uma forma divertida com os personagens quetemcaracterísticasmarcantes,MagalicomapetitedeleãoeCascãoesuaaversãoàágua.Disponível em: <http://www.monica.com.br/cgi-http:bin/load.cgi?file=news/welcome.htm&pagina=../../mural/tm_redeglobo.htm.>Acessoem8junhode2012.O sexto momento iniciou com uma discussão sobre cartaz educativo, preparando a turmaparaessaproduçãotextualcomotemaproposto:hábitosalimentaresesaúdebucal. Aprofessoracomeçou a aula fazendo junto com os alunos uma síntese oral das temáticas abordadas duranteasaulas,levantandopontosimportantessobreaalimentaçãosaudávelecuidadoscomahigienebucal.Em seguida, apresentou três cartazes educativos da área da saúde e fez a leitura deles coma turma. Aprofundando as reflexões sobre a finalidade desse gênero textual, num primeiromomento a professora questionou para que servem esses tipos de cartazes. Uma das criançasfalou que ele ensinava a cuidar da saúde. A partir da fala desse aluno a professora procurouchamar a atenção da turma sobre os usos e contextos de usos do cartaz educativo. Destacou quea sua função é educar, ensinar alguma ação e torná-la visível a todos, ou seja, mostrar algo paradiversas pessoas. Essas reflexões foram importantes para que as crianças entendessem o papeldassuasproduçõesaseremexpostasparatodaaescola.Prosseguindo,nessesquestionamentos,aprofessoraperguntouondeoscartazeseducativossãoencontrados (contextos de usos). As crianças ficaram caladas, mas a professora lembrou quenos postos de saúde costumamos ver esses tipos de cartazes e os estudantes se empolgaram edisseramquetambémtemnoshospitaisenosconsultóriosdosmédicos.Tendochamadoatençãopara os locais onde geralmente encontramos esses cartazes, a professora perguntou às criançasse seria interessante esses cartazes serem colocados nas escolas, de imediato elas disseram quesim.Apartirdaíelavoltouaquestionar:“Porqueserialegaltermosessescartazesespalhadosnaescola?Umadascriançasfalou:“Paraensinaraspessoas,tia”.Observamos uma rica exploração da finalidade da produção proposta, cartazes educativos.Destacamosqueessapráticaéimportanteporquelevaoestudantenãosóaentenderoporquêdeestar fazendo uma dada produção e se sentir motivado em realizar essa atividade, mas tambémparamostrarquenavidaescrevemossempreporalgumarazão,comalgumafinalidadesocial.Após discussão sobre a finalidade do gênero, os alunos foram estimulados a observar osestruturantes do gênero cartaz educativo, a partir de questionamento da professora: O quepodemosencontrardeparecidonessestrêscartazes?
  27. 27. unidade 05 29C-Asletrassãograndes.C-Temdesenhos.C-Estáensinandoumacoisa?P-Oqueestáensinando?C-Esse,acuidardosdentes.C-Ooutro,acuidardasaúde.C-Eooutrotambém.P-Oquemaispodemosobservardeparecidonessescartazes?C-sótia.Encerrada essa exploração, a professora dividiu a turma em quatro grupos: duplas e trios, esolicitou que eles construíssem seus cartazes educativos para colocar no mural e apresentar naescola. Cada dupla ou trio fez um cartaz sobre cuidados com a higiene bucal e/ou alimentaçãosaudável. Durante a produção a professora foi verificando como as crianças estavamorganizando seus cartazes e tirando algumas dúvidas sobre escrita de algumas palavras, semfazerinterferênciasquantoàorganizaçãodostextos.Elaapenasrecomendavaquecadaduplaoutrioplanejasseantesdeescrevercomoseriaseutexto,oquecolocariaprimeiro,oquecolocariadepoiseassimpordiante.A professora destacou que o interesse dos pequenos em realizar a produção dos cartazes foigrande. Os conhecimentos que foram sendo construídos ao longo da sequência foram bemutilizados. No dia a dia passou a ser visível a preocupação do grupo com os cuidados com suaalimentação e a higiene bucal. Mostramos assim que, embora o objetivo da sequência didáticafosse ensinar o gênero cartaz educativo, no processo de elaboração dos conteúdos do texto osalunostambémtomaramcomoreferênciatextosdosmaisdiversosgêneros,taiscomo,receitas,contos, textos expositivos, história em quadrinhos, tabelas, entre outros. Percebemos que apartir desse trabalho os alunos desenvolveram habilidades importantes para a apropriação denovosconhecimentos,sendoesseumprocedimentoimportantequandoseplanejaumapráticavoltadaparaoestudodeumgênerotextual,comodestacamDolz,NoverrazeSchneuwly(2004).Aqui, também salientamos a adequação na escolha dos materiais de leitura, pela professora, edestacamos, sobretudo, a inclusão de três obras do acervo das “Obras Complementares 2010”.Noentanto,aindaéimportantedestacarmosqueoricotrabalhodaprofessoranãoserestringiuaoprocessodeletramentodosalunos,mastambémobjetivouoprocessodeapropriaçãodosistemade escrita. Ela proporcionou atividades de apropriação do sistema, que possibilitaram, porexemplo,oreconhecimentopelascriançasdequeassílabasvariamquantoàssuascomposições,ouseja,queaestruturaconsoante/vogalnãoéaúnicapossível.Ainda vale salientar que, para ensinar gêneros textuais na sala de aula, não só é necessário que oprofessor domine a estrutura composicional do gênero e sua finalidade, mas também busque
  28. 28. unidade 0530informações relevantes para a elaboração do conteúdo informacional que o texto vai conter. Aprofessoraconduziuosquestionamentosapresentadosapartirnãosódostextosqueelaselecionoupara ler com seus alunos na sala de aula, mas também em função de leituras individuais que fezparaaprofundarosseusconhecimentosacercadotemadefinidoparasertrabalhado.Alémdisso,anaturezadotemaestudado,incorporandocomponentesdeoutrasáreasdeconhecimento,comohistória, geografia e ciências, mostrou-se fecundo para a aprendizagem de habilidades ligadasaos usos da linguagem oral. A participação dos alunos em situações de interações orais comquestionamentos, sugestões e explicações, comrespeitoaosturnosdefalaestevebempresentenapráticadaprofessora.Em relação à Geografia, o tema “hábitos alimentares” aborda os conteúdos em duasfrentes: a diversidade alimentar como reflexo da cultura em diferentes regiões do país edo mundo e a produção de alimentos em diferentes localidades. Os hábitos alimentaresde um determinado grupo não estão associados apenas ao aspecto social, mas também aosaspectos físicos da produção de alimentos em cada localidade.No primeiro momento, a apresentação do livro “Muitas maneiras de viver” indica não apenasos aspectos culturais dos diferentes povos, mas também a sua localização, que estabelece umarelaçãocomapaisagem.Porexemplo,viveremumiglutemumarelaçãodiretacomapaisagemdolocal,damesmaformaqueosnômadesdodeserto.Aorelacionarosdiferentesmodosdevidacom a paisagem e a localização dos diferentes lugares, o aluno começa a construir uma conexãoentre informações que são normalmente apresentadas de forma isolada (aspectos culturaissão dissociados dos aspectos físicos de uma região, por exemplo). Mesmo que os alunos nãoconsigam estabelecer as relações de forma completa, o trabalho inicial será feito e eles poderãorecuperarasinformaçõesobtidasnosanosseguintes.Cabe aqui uma pequena pausa para uma digressão: é muito importante que o docente tenhaconsciência de como deseja apresentar um determinado conceito ou ideia para os seus alunos.Muitas vezes, é preferível deixar algumas lacunas abertas para que possam ser preenchidasfuturamente do que insistir em um conceito equivocado. Um bom exemplo é quando o mapa éapresentadoaoalunocomindicaçõesdeemcimaeembaixo.Umavezinternalizadaaideiadeque os países que estão localizados na parte superior do mapa estão em cima, o aluno carregaráuma construção errada que dificultará a sua compreensão de outros conceitos posteriormente.Indicar uma relação entre a cultura e a paisagem de determinadas localidades é muito maispromissordoquesimplesmentedissociarasduasinformações.Entre o segundo e o terceiro momentos, a lista de alimentos consumidos pelas crianças podeser analisada não apenas do ponto de vista da nutrição, mas também da origem dos alimentosnaturais ou industrializados. Todos os alimentos industrializados trazem nos seus rótulos olocal da produção. Uma proposta de atividade interessante é recortar os rótulos dos alimentose localizar no mapa o seu estado de origem. Nessa atividade, os alunos vão observar que muitosalimentos consumidos são oriundos de regiões distantes do local de consumo final. É possível
  29. 29. unidade 05 31então conversar sobre como esses alimentos chegam até o supermercado mais próximo deles,quais os meios de transporte utilizados para carregar cargas pesadas (que são diferentes dotransportedepessoas).Opercursodapropostadeaprendizagempodeserresumidodaseguinteforma:Pode-se refletir com os estudantes que os alimentos naturais (frutas, verduras, legumes etc.)estragamcomopassardotempo.Assim,aoseremdeslocadosdeumaregiãoparaoutraprecisamser acondicionados em embalagens apropriadas, bem como transportados em transporte comrefrigeração. Em casa, também se faz necessário cuidarmos do armazenamento adequado dosprodutos naturais. Alguns deles se colocados em geladeira duram por mais tempo. Outrosprecisam ser embalados antes de colocarmos na geladeira para que suas folhas não fiquemescuras.Osalimentosindustrializadospassamporumtratamentonoqualsãoadicionadosconservantese corantes para que durem mais tempo e possam ser distribuídos por várias regiões do Brasile no mundo. Aqui também cabe uma reflexão com os alunos sobre como a natureza pode sertransformadapelohomem,incluindoosalimentos.Umaatividadeinteressanteéfazeromolhode tomate apenas cozinhando e amassando e analisar a composição de um molho de tomatecomprado pronto. Quais são os ingredientes que encontramos no molho industrializado? Quala diferença no sabor? Quanto tempo cada um pode durar na geladeira? E fora dela? A partir dadiscussão de alimentos industrializados e alimentos consumidos in natura, está estabelecida aponteparaumadiscussãosobrealimentossaudáveiseosquenãosão. Hábitos alimentares = aspectos culturais = relação com a natureza/paisagem (o que se produze onde) = localização da origem dos alimentos = transporte (dinâmica no espaço geográfico).Também pode ser feito experimentos verificando o teor de vitamina C encontrado emremédios, e em frutas ricas em vitaminas C, tais como laranja, limão, acerola, de modo a trazerevidências que as frutas ainda contém mais vitamina C, substância importante para o sistemaimunológico humano. Adicionalmente, as frutas também são em geral de mais baixo custoque os medicamentos. Neste sentido, os alunos além da experimentação, podem também serestimuladosacompararopreçodasfrutascomodemedicamentos.O uso de agrotóxicos e a manipulação de sementes para a produção de alimentos transgênicostambém pode ser abordada nesse ponto, pois estas são preocupações do nosso tempo e temrelação direta com os alimentos e a saúde. Tanto a transgenia como o uso de agrotóxicos sãoquestõesdeimpactoambiental,social,econômicoecultural.Quando tratamos do assunto com alunos do ciclo de alfabetização o uso de informaçõesfundamentais e objetivas sobre a temática. A secretaria de desenvolvimento agrário produziuumacartilhacomilustraçãodoZiraldoquepoderiaajudarumpoucooprofessornessadiscussão.
  30. 30. unidade 0532Ainda em relação ao texto da cartilha citada acima, o professor poderia, ainda, ampliar o diálogocom a turma sobre a qualidade de vida resgatando a discussão anterior sobre a importância daalimentação para a saúde e sobre o uso dos agrotóxicos, problematizando a partir de algumasquestões:Esta ponte constituiria a base para o aprofundamento de conhecimentos relacionadosà compreensão do que e em que circunstâncias um alimento é considerado saudável.Concomitantemente, tais questionamentos também sinalizam oportunidades de aprendizadode condução de pesquisa bibliográfica e como se concebe e conduz pesquisa empíricacaracterizando um processo de ensino e aprendizagem, no qual diversas áreas de saber sãomobilizadas.Pode-seaindaintroduziremsaladeaulaoimpactodeacidentescomoosocorridosem Goiânia (acidente nuclear com Césio 137 - ano de 1987), ou em Chernobyl ( vazamento deumreatornuclear-1986).Essacartilhaestádisponívelemhttp://www.slideshare.net/moiza/produtos-orgni-cos-4008573• Que alimentos são comprados por nossas famílias camponesas para consumo? • Como nossos parentes trabalham na roça na hora que estão plantando, fazendo a limpa, oucolocando veneno nas formigas? Protegem-se? Como? • As sementes que usamos em nossa lavoura, ano a ano, é comprada na cidade? Ou é sementeguardada de uma colheita para outra? • Conhecemos pessoas que adoeceram por mexer com veneno na roça?Por fim, destacamos que a sistemática de trabalho desenvolvida pela professora proporcionou ocontato e estudo de gêneros textuais diversos de modo que os alunos tanto exploraram os textos apartirdassuasfunçõeseusossociais,comotambémdiscutiramideiaseorganizaraminformaçõesestudadas. Estes são fatores relevantes a serem considerados no planejamento das atividades daprofessora, uma vez que, conforme observamos, puderam favorecer a incorporação dos alunos àcomunidadedeescritoreseleitores.
  31. 31. unidade 05 33ReferênciasDOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências didáticas parao oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ,Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004.
  32. 32. unidade 05343. Trabalhando com diversidades e(con)textosMauricio Antunes TavaresAna Cláudia Rodrigues Gonçalves PessoaNo texto anterior acompanhamos o relato da prática da professora Rielda Karyna Albuquerque,que a partir da temática Hábitos alimentares e saúde bucal possibilitou aos estudantesexperimentaremaleituraeaproduçãoescritadediferentesgênerostextuais,e,simultaneamente,a experiência de aprender conteúdos curriculares de distintas áreas do conhecimento de formaintegrada.Oobjetivodesteterceirotextoépensar,apartirdaexperiênciarelatada,quaispodemserospossíveisdesdobramentos,adequaçõesepossibilidadesalternativasparaotrabalhodoprofessorcomtextospara as turmas de alfabetização das escolas do campo, inclusive as multisseriadas, sabendo quenestasúltimasaheterogeneidadedeconhecimentosdascriançaséaindamaiordoqueaqueexistenasturmasseriadas/cicladas.Partimosdoentendimentodequeotrabalhopedagógicoeaorganizaçãoescolardevemserplurais,namedidaemqueoscontextos,osgrupossociais,ascomunidades,asculturassãotambémmuitovariadasnointeriordasociedadebrasileira.Assim,quandofalamosemescolasdocampo,estamosconsiderandoqueestas,emboraarticuladasemtornodealgumasproposiçõescomuns,aexemplodasDiretrizesOperacionaisparaaEducaçãoBásicanasEscolasdoCampo(ResoluçãoCNE/CEBnº1/2002),aindaassimdevemadequarsuaspráticaspedagógicasaosdiferentescontextos.A tradicional dualidade entre campo e cidade, urbano e rural – que é alimentada pela ilusão daexistênciadefronteirassociaisrígidas,comosefossepossívelenquadrararealidadeemdefiniçõesquesedãoprioritariamenteemumplanoconceitual–nãoésuficientepararevelarecompreenderasmúltiplasidentidadesemodosdevidadosgrupossociaisquevivemnacidadeenocampo.Entreas populações do campo, podemos distinguir diferentes grupos sociais, tais como os Sem Terra,Agricultores Familiares, Quilombolas, Povos Indígenas, Pescadores, Ribeirinhos, Extrativistas,Assalariados Rurais, dentre outros. E dentro de cada um destes agrupamentos podemos perceberdiferençasdecorrentesderegionalismos,hábitosalimentares,crenças,edeformasderelaçãocomanaturezaecomasociedadenacionaleglobal.Tantoéassimquepodemosencontrar,porexemplo,agricultoresfamiliaresbastanteintegradosaomercadoconsumidoreoutrosqueproduzemsomenteparaasubsistênciadogrupofamiliar;ouagricultoresdoSemiáridoBrasileirocompráticasagrícolasNocadernodaunidade7háreflexõessobreotrabalhocomturmashetero-gêneas
  33. 33. unidade 05 35ecostumesmuitodiferentesdosagricultoresdescendentesdeimigrantesnoSuleSudestedopaís;ou povos indígenas com modos de vida mais próximos aos padrões nacionais/ocidentais e, emcontraste, outros que vivem mais isolados e que conservam língua, crenças e costumes típicos desuascomunidades.Adiversidadeéprópriadetodasociedadehumana,mantendo-seessaconstantetambémnomundorural:“Adiversidadeémuitomaisdoqueoconjuntodasdiferenças.Aoentrarmosnessecampo,estamoslidando com a construção histórica, social e cultural das diferenças a qual está ligada às relaçõesde poder, aos processos de colonização e dominação. Portanto, ao falarmos sobre a diversidade(biológica e cultural) não podemos desconsiderar a construção das identidades, o contexto dasdesigualdades e das lutas sociais. A diversidade indaga o currículo, a escola, as suas lógicas, a suaorganizaçãoespacialetemporal.(GOMES,2007,p.41)”Por causa dessa diversidade o professor das escolas do campo pode pensar sobre o que osestudantes precisam ler e compreender para fortalecer a consciência dos direitos, deveres edesafios da vida contemporânea e como que essas leituras podem ser usadas nas salas de auladasturmasdealfabetização.Lembramosqueaescolhadogênerodeveterobjetivosclaros,assim,diante das demandas por respeito às diferenças e reconhecimento das identidades, que leiturassãopertinentesparaosestudantesdasescolasdocampo?Essasquestõessãodifíceisderesponderquandopensamosnadiversidadesocioculturaldasociedadebrasileira,eaindamaisdifíceisquandopensamosnamultiplicidadeenadiversidadedepráticasletradasnassociedadescontemporâneas,quesedisseminamignorandoasjáantigasdemarcaçõesentreurbanoerural.
  34. 34. unidade 0536Pensando no relato de experiência da professora Rielda, apresentado no texto 2, aprofessoraaindapodeampliaradiscussãocomosestudanteslevando-osaseperceberemcomo parte de um grupo. Aproveitando para discutir as especificidades desse grupo.Além dos gêneros textuais mais consagrados, impressos ou escritos em papel,testemunhamos, desde o final do século passado e mais acentuadamente neste século,a aparição de novos gêneros textuais, amparados no desenvolvimento das tecnologiasdigitais, que propiciam combinar imagens, textos e sons em produtos multissemióticose multimídiaticos, como Cd-roms, sites etc. Como até mesmo os produtos tecnológicosmais avançados e novos tendem a se tornarem mais acessíveis a parcelas cada vezmaiores da sociedade, enquanto consequência da produtividade em escala industriale da competitividade, a quantidade e variedade de textos acessíveis aos estudantes dasescolas de campo aumenta progressivamente. Diante desse armazém de tudo, comoas professoras podem contribuir para que crianças e adolescentes possam conhecer eescolher textos que os ajudem, que façam sentido para suas vidas?Segundo Cafiero:“Leréatribuirsentidos.E,aocompreenderotextocomoumtodocoerente,oleitorpodeser capaz de refletir sobre ele, de criticá-lo, de saber como usá-lo em sua vida. Concebera leitura desse modo muda radicalmente a forma de pensar e de organizar o seu ensino.Se os sentidos não estão prontos no texto, é preciso contribuir para que os alunos criemboas estratégias para estabelecer relações necessárias à compreensão (2010, p.86)”NorelatodaprofessoraRieldavimoscomoforamexploradostextosdediferentesgêneros:texto expositivo; texto científico; contos; história em quadrinhos, textos instrucionais,legendas, texto não-verbal e cartazes educativos. E vimos também como o trabalho coma leitura foi utilizado como meio para o entendimento de conceitos relativos ao estudoda Língua Portuguesa, das Ciências, da Geografia e da História, trabalhando essasáreas do conhecimento de forma integrada. A professora Rielda tinha uma situação deheterogeneidade na turma, no tocante ao domínio do sistema de escrita alfabética/SEAe da leitura, o que a levou a adaptar seu planejamento, introduzindo pausas para que osestudantes pudessem compreender o sentido do texto lido e para discutir os conceitosque iam aparecendo no texto, retomando a leitura quando a temática discutida haviasido entendida.Segundo Machado e Correa (2010), no planejamento das atividades de leitura deve-seconsiderar um tempo maior para as crianças que estão aprendendo a ler e a escrever,especialmente quando em contextos sociais em que não é comum elas participarem desituações de letramento com livros de literatura no ambiente familiar. Esse é o caso de
  35. 35. unidade 05 37muitas famílias das comunidades que vivem no campo, onde, geralmente, não existemmuitos elementos característicos da cultura letrada nas casas em que moram, à exceção,por vezes, da literatura religiosa (BRANDÃO, 1999). Assim, em muitos contextos sociais,será a escola do campo a responsável por levar o letramento literário para as crianças eadolescentes da comunidade rural.Retomando as considerações de Machado e Corrêa (2010), o tempo dedicado à leitura vaipaulatinamente sendo utilizado para leituras individuais na medida em que as criançasavançam na escolaridade. Em turmas onde há muita heterogeneidade no domínio doSEA, a exemplo das multisseriadas, nas atividades coletivas, tais como roda de leitura econtação de histórias, as professoras devem estimular que os alunos que sabem ler sejamprotagonistas nestas atividades, conduzindo partes da leitura, solicitando explicações aeles,deformaaprovocarodesenvolvimentodaleituraedainterpretaçãodetextos,nessesquetemmaiordomíniodaleitura,contribuindo,tambémparafortalecerlaçosdeamizadee de companheirismo entre uns e outros.É muito importante que a seleção de textos a serem lidos reflita a diversidade cultural.No entanto, lembramos que o texto pode tanto trazer representada a cultura local, quantotrazer elementos de outras culturas, contemporâneas ou passadas, semelhantes ouestranhas ao modo de vida da comunidade. No caso do gênero literário, por ser universale particular, simultaneamente, a literatura pode trazer a discussão de qualquer tema,pode ser um caminho para se discutir uma situação controversa, como, por exemplo, ascondutas relacionadas às relações de sexo/gênero contemporâneas. Por isso, as escolhasdos textos, em determinadas situações, devem ser discutidas junto com o coletivo deprofessoras e com a comunidade escolar, sem prejuízo da liberdade de pensamento eopinião, promovendo discussões com respeito e consciência de que o desafio que temosa enfrentar é nos tornarmos homens e mulheres melhores do que somos. (MACHADO;CORRÊA, 2010, p.126-7).No desenvolvimento da experiência apresentada pela professora Rielda, podemosperceber articulações entre a discussão da alimentação e do cuidado de si com temáticassociaisfundamentaisparaaspopulaçõesrurais,comoaquestãodaproduçãodealimentossaudáveis e a relação entre os produtores e o mercado consumidor. Percebemos que aprofessora conduziu a discussão trazendo aspectos culturais – os hábitos alimentares- e geográficos – onde se produz, onde se consome, como se transporta. Por ser o temada produção de alimentos e da relação entre agricultores e mercado consumidor umaquestão central para os movimentos sociais das populações do campo, entendemosque essas temáticas podem ser exploradas com mais profundidade, inclusive, porpossibilitar o mapeamento dos saberes dos estudantes e da comunidade em que a escolaestá inserida.
  36. 36. unidade 0538O que há de comum entre os diferentes grupos sociais a que já nos referimos neste texto é o fato degarantirem sua sobrevivência e produzirem, materiais e conhecimentos, por meio de relações deproduçãomaisdiretascomoambienteemquevivem.Estasrelaçõesfazemaspessoasinteragiremmaisintensamente com o meio-ambiente natural, revelando uma forte correlação de interdependênciasentreoespaçogeográfico,omododeproduzireomododeviver,comomostramostrabalhosdeváriospesquisadoresdomundorural.Mesmo considerando que as relações entre campo e cidade estejam atravessando transformaçõesprofundas nos últimos anos, causadas, grandemente, pela diminuição das distâncias provocadasatravés do desenvolvimento dos transportes e das comunicações, intensificando as trocas materiaise simbólicas entre os diferentes lugares, ainda é no campo que se evidencia a forte relação deinterdependência da sociedade humana com o mundo, o planeta, a vida (TAVARES, 2011). Provadissoéofatodequenocamposedesenrolamalgumasdaslutasmaisimportantesdaatualidade,queopõeminteressesconflitantessobreasformasdeocupaçãoeusodosrecursosflorestais,asformasdeproduçãoagropecuária,odilemaentreexpansãoouredistribuiçãofundiáriaetc.Do lado dos agricultores familiares, sem-terra, quilombolas, ribeirinhos e povos da floresta, asreivindicações giram em torno da luta por uma reforma agrária que seja acompanhada de políticaspúblicas que levem em conta a diversidade de situações vividas no campo hoje; e da difusão dastecnologias de produção agroecológicas e de manejo florestal, que possibilitam a conservação dabiodiversidadeecombinamdesenvolvimentoesustentabilidade,possibilitandocondiçõesdignasdevidaparaaspopulaçõesdocampo.Essas lutas colocam esses grupos em confronto com outros grupos sociais que adotam padrões de
  37. 37. unidade 05 39O desafio da mãe-naturezaTexto: Audifax RiosIlustrações: Arlene HolandaAnimaisemextinção,praiaseriospoluídos,pesca predatória, lixo não reciclado,dengue, poluição sonora, escassez deenergia, uso de agrotóxicos. Para tratar detemas tão atuais e preocupantes, o livro Odesafio da mãe-natureza nos apresentadois poetas repentistas, que aceitam odesafiode,atravésdeseucanto,denunciaros males que o homem tem feito ao nossomeio. A leitura dessa obra promovea tomada de consciência e ressalta apreservaçãocomopráticadecidadania.exploraçãodosrecursosnaturaisbaseadosnamonoculturaenoextrativismoemescalaindustrial,comoosgrandesprodutoresagropecuárioseasmineradoras.Sãoasatividadesdemineraçãoemonocultura,incluindoapecuáriaextensiva,asgrandesresponsáveispelapoluiçãodosoloeáguanomeiorural;queforçam a expansão da fronteira agrícola e o desmatamento predatório para implantação de grandesprojetos de alta produtividade, esgotando os recursos naturais e contribuindo para o esvaziamentodocampoaogerarimensosvazioshumanosnoterritórionacional,vistoquesãoprojetosquefazemusointensivodemáquinas,masgerampoucosempregosdebaixossalários.E,ainda,hágruposcujointeresseconsisteemdefenderapreservaçãodasflorestasatravésdadelimitaçãodereservasondeatémesmoospovostradicionaisdaflorestaestariamcerceadosemseusdireitossobreaterra.Odesequilíbriodeforçasentreosgruposqueprotagonizamessaslutastemcolocadoemvulnerabilidadeaspopulaçõesdocampo,umavezquedooutroladoestãopodereseconômicosqueatéagoratêmsidocapazesdesubordinarosinteressespolíticosaseufavor.Assim,abiodiversidadetorna-seumconceitocujarealidadeempíricadependedamanutençãodadiversidadesocioculturaldosgruposhumanos,dosseusdistintosmodosdevidaeformasdeserelacionarcomomeio-ambiente.Dessaforma,osproblemasambientais,políticos,culturaisesociaisestãointimamenteimbricados.(GOMES,2007,p.21).Umbomlivrodeliteraturainfanto-juvenilquetratadessarelaçãoentreaspessoaseomeio-ambiente,equepodeserutilizadoparaassériesiniciaisdaalfabetização,porterumtextosimples,commuitasrimas,chama-seOdesafiodamãedanatureza.
  38. 38. unidade 0540Ogêneroapresentadonolivroéorepente,otextoéclaroesuaorganização(predominânciaderimas,estrofesetc.)poderáfacilitaraleituratantoparaalunoscommaiorautonomiadeleituraquantoparaaquelesemprocessodealfabetização. Aturmacomoumtodopodeserenvolvidaemumdesafionosentidodeproduziremumanovaestrofeparaorepente;osalunoscomhipótesesmenosavançadadeescritapodemsersolicitadosacompletarasestrofescomumapalavraquerime. Emalgumassituaçõesa produção pode ser coletiva e a professora pode funcionar como escriba aproveitando para levar osalunosarefletiremsobrealgunsaspectosdoSEA.Enfim, estas são possibilidades que sugerimos para enriquecer o trabalho com os estudantesdasescolasdocampo,permitindoaleituradetextosqueenriqueçamadiscussãodosdireitos,das lutas e dos desafios que são deles, das populações do campo e de todos nós. E você,professora, que leituras sugere para os estudantes da sua escola?AdiscussãomaiorsobreapropriaçãodoSEAeconsolida-çãoencontra-senaunidade3
  39. 39. unidade 05 41ReferênciasBRANDÃO, Carlos Rodrigues. O trabalho de saber: cultura camponesa e escola rural.PortoAlegre:Sulina,1999.BRASIL, Conselho Nacional de Educação; Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEBnº1,de3deabrilde2002.InstituiDiretrizesOperacionaisparaaEducaçãoBásicanasEscolasdoCampo.Diário Oficial da União,Brasília,9deabrilde2002.Seção1,p.32.Disponívelem<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB012002.pdf>CAFIERO, Delaine. Letramento e leitura: formando leitores críticos. In: RANGEL, Egonde Oliveira; ROJO, Roxane Helena Rodrigues (coord.). Língua Portuguesa: ensinofundamental. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010.(ColeçãoExplorandooEnsino;v.19).Disponívelem:<http://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCUQFjAB&url=http%3A%2F%2Fportal.mec.gov.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_docman%26task%3Ddoc_download%26gid%3D7840%26Itemid&ei=Bdo7ULXGJqet6QHjw4CwDA&usg=AFQjCNHtBYRzBfnuDo46qyM_43RbKqJuNA>GOMES, Nilma Lino. Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília:MinistériodaEducação,SecretariadeEducaçãoBásica,2007.Disponívelem:<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag4.pdf>MACHADO, Maria Zélia Versiani; CORRÊA, Hércules Toledo. Literatura no ensinofundamental: uma formação para o estético. In: RANGEL, Egon de Oliveira; ROJO, RoxaneHelenaRodrigues(coord.).LínguaPortuguesa:ensinofundamental.Brasília:Ministérioda Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. (Coleção Explorando o Ensino; v. 19).Disponívelem:<http://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCUQFjAB&url=http%3A%2F%2Fportal.mec.gov.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_docman%26task%3Ddoc_download%26gid%3D7840%26Itemid&ei=Bdo7ULXGJqet6QHjw4CwDA&usg=AFQjCNHtBYRzBfnuDo46qyM_43RbKqJuNA>TAVARES, Mauricio Antunes. Entrelaçamentos entre campos de possibilidadese trajetórias de vida:aquestãodaescolarizaçãodosjovensnointeriordePernambuco.CadernosdeEstudosSociais,26(1),121-133,2011.Disponívelem:<http://periodicos.fundaj.gov.br/index.php/CAD/article/view/1324>
  40. 40. Compartilhando1.Materiais complementares:possibilidades de uso nas turmasdo ciclo de alfabetizaçãoElaboração: Ana Cláudia Rodrigues Gonçalves PessoaViviana, a Rainha do Pijama.Webb, Steve.São Paulo: Salamandra, 2011.Jápensou,umafestadopijamaanimal?PoisnaobraViviana,arainhadopijama, a Viviana acordou com uma curiosidade: Quando os animaisvão pra cama dormir, que tipo de pijama costumam vestir?Entãoresolveumandarconvitesparaoleão,opinguim,ojacaré...Nacarta-convite anunciava uma surpresa: um prêmio para o pijama mais animal.Todos responderam com bilhetes cordiais. Quem será o vencedor? Essanarrativaleveecheiaderecursosvisuaisatraentespodetantoserlidacomautonomia por criançasque játêm umaleitura mais fluente, quanto gerarumaboarodadeleituracompartilhada.
  41. 41. unidade 0344Direitos de aprendizagens que podem ser explorados com o uso dessa obra nas turmasmultisseriadas1. Eixo de leitura- Antecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos a serem lidos peloprofessor ou pelas crianças. (leitura)-Compreendertextoslidosporoutraspessoas,dediferentesgênerosecomdiferentespropósitos.- Reconhecer finalidades de textos lidos pelo professor ou pelas crianças.Localizar informações explícitas em textos de diferentes gêneros, temáticas, lidos peloprofessor ou outro leitor experiente.- Ler em voz alta, com fluência, em diferentes situações.- Relacionar textos verbais e não-verbais, construindo sentidos.• Apresentar a capa do livro para as crianças, ler o título e perguntar se elas imaginam sobre oque falará a história. • Perguntar: Quem já ouviu falar dessa história? • Perguntar: Por que será que o título chama Viviana, a Rainha do Pijama? • Explicar para os alunos, que durante a história, Viviana convidará alguns animais para umafesta do pijama. Nessa festa vai haver um concurso de pijamas, quem vencerá?• Perguntar: O que os animais quiseram dizer quando afirmaram que Viviana era a dona dopijama mais animal? • Perguntar, durante a leitura, se as crianças sabem o que significam as palavras ou expressões:chocante e ousado (p.20); macaco tão atirado (p.20); já está no papo (p. 21); pijama maisanimal (p.7).• Ler a carta que Viviana mandou e perguntar: Para que serve esse texto que Viviana escreveu?• Perguntar após a resposta dos animais que aparecem no texto, como é o pijama de cada um.• Escolher alguns alunos para ler a resposta dos animais.• Perguntar: Como era o pijama de Viviana? Por que você acha que os animais gostaram dopijama dela?
  42. 42. unidade 03 452. Eixo da oralidade- Participar de interações orais em sala de aula, questionando, sugerindo, argumentando erespeitando os turnos de fala.3. Eixo de Análise linguística: 3.1. Discursividade, textualidade e normatividade:- Reconhecer gêneros textuais e seus contextos de produção. 3.2. Eixo de Análise linguística: apropriação do sistema de escrita alfabética- Conhecer a ordem alfabética e seus usos em diferentes gêneros.- Reconhecer diferentes tipos de letras em textos de diferentes gêneros e suportes textuais.- Dominar as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modoa escrever palavras e textos.- Compreender que palavras diferentes compartilham certas letras.• Perguntar aos alunos: Quando queremos convidar alguém para uma festa o que usamos? • Levar os alunos a comparar convites de festas com as cartas escritas por Viviana e pelosanimais.• Listar o nome dos animais que foram convidados por Viviana para ir à festa e colocar emordem alfabética.• Explorar com os alunos os diferentes tipos de letras usados nas cartas dos animais paraViviana.• Solicitar que os alunos escrevam ou completem o nome dos animais a partir de letras móveis.• Chamar a atenção dos alunos para as rimas das palavras apresentadas no texto.• Solicitar que cada aluno escolha o pijama que mais gostou e argumente o porquê dessaescolha.
  43. 43. unidade 03464. Eixo de produção de textos escritos- Planejar a escrita de textos considerando o contexto de produção: organizar roteiros,planos gerais para atender a diferentes finalidades, com ajuda de escriba.• Planejar junto com os alunos a escrita de convites para que os alunos das outras turmasparticipem de um concurso de ________ (escolher junto com a turma) • Perguntar aos alunos o que deve aparecer nos convites e listar no quadro.-Produzirtextosdediferentesgêneroscomautonomia,atendendoadiferentesfinalidades.• Dividir os alunos em grupo para que produzam os convites.
  44. 44. unidade 03 472.Sugestão de planejamento: hábitosalimentares e saúde bucalProfessora: Rielda Karyna AlbuquerquePLANEJAMENTO – 2º ANOTEMÁTICA: HÁBITOS ALIMENTARES E SAÚDE BUCALÁreas de Ensino: Língua Portuguesa, Ciências, Geografia e História.Eixos de Ensino de Língua Portuguesa: Leitura; Produção de textos; LinguagemOral e Análise Línguística.Objetivo geral: Refletir sobre os hábitos alimentares articulando-os com as medidas dehigiene bucal.Materiais didáticos: livro do acervo complementar; outros livros; enciclopédia; revistacientífica; revista em quadrinhos; texto de imagens; cartaz educativo; cruzadinha; caçapalavras; papel 40 k.Objetivos específicos:- Reconhecer diferentes maneiras de viver a partir dos costumes e hábitos alimentares;- Comparar os próprios hábitos alimentares com os dos colegas e identificar a presença defrutas, legumes e verduras (ou não) na dieta alimentar de cada um;- Confeccionar cartazes informativo e educativo;- Compreender o agrupamento das informações da pesquisa para produção da tabela;- Produzir uma tabela com os alimentos mais frequentes nos seus hábitos alimentares;- Verificar através de experiência o que a cárie pode fazer com os nossos dentes;- Identificar os principais fatores cariogênicos das comidas que mais comem (em casa oufora de casa);
  45. 45. unidade 0348Situações Didáticas:1º Momento:Apresentarolivro“Muitasmaneirasdeviver!”(ObrasComplementares).Fazerantecipaçõesantesdaleituraapartirdotítuloeilustraçõesdacapa.Fazeraleituracoletivae,em seguida, a interpretação oral do texto. Levantar os conhecimentos prévios das crianças sobrea temática do livro. Dinamizar uma discussão direcionada para aspectos mencionados no livro:moradias; costumes; rituais; padrões culturais; hábitos alimentares; brincadeiras. Refletir sobrea importância das diferentes formas de viver para a construção da identidade cultural dos grupossociaisedasociedade.2ºMomento:Retomaromomentoanteriordaleituraerealizardiscussãodirecionadaparaoshábitosalimentares.Apresentar proposta de confecção de um mural das descobertas sobre os hábitos alimentares daturmaesuasinfluênciasparaasaúde.Propor,apartirdasdescobertasregistradas,aconstruçãodecartazesinformativoseeducativossobrehábitossaudáveisehigienebucalparaapresentarparaasoutrasturmasdaescola.Pediraosalunosquepesquisememcasaosalimentosmaisfrequentesnassuasrefeiçõesdodiaadiaereceitasdascomidasquecompõemadietaalimentar.Elaborarfichaparapesquisa.3ºMomento:Trabalharcomalimentosereceitasmaisfrequentesnodiaadia.Fazeraleituradeleite:“Brinque-book com as crianças na cozinha” (Obras Complementares). Retomar o momento anterior:socializar a pesquisa sobre os alimentos mais frequentes nas refeições e dieta alimentar do diaa dia das famílias. Listar no quadro os tipos de alimentos e receitas. Construir uma tabela com osalimentosmaisfrequentesnadietaalimentardosalunosparacolocar no mural. Observar, comos alunos, as comidas mais presentes no dia a dia.- Antecipar sentido do texto a partir do suporte textual, título e ilustrações; identificarinformações explicitas no texto; fazer inferências;- Estabelecer relação entre unidades sonoras e representações gráficas;- Identificar a separação entre as palavras (espaços) na construção do texto;- Reconhecer a importância das legendas para compreensão das imagens;- Identificar as características do gênero textual cartaz educativo;- Reconhecer a finalidade do gênero textual cartaz educativos;- Produzir cartaz educativo sobre saúde bucal;
  46. 46. unidade 03 494ºMomento:Levar as crianças para uma área livre e pedir que cada uma escolha um livro. Perguntar quempegouolivrocujotítuloé:“Estouemforma:Aprendendosobrenutriçãoeatividadefísica”.Casoacriançaquepegouolivroaindanãoestejanonívelalfabéticofazerreflexãosobreasílabainicialdotítulo,paralocalizaraobra.Fazerexploraçãodacapadolivro:antecipaçõesdotextoapartirdotítulo e das ilustrações. Iniciar a leitura mostrando as ilustrações para as crianças, questionandosobre o conteúdo do livro. A partir da tabela de alimentos e das receitas mais frequentes noshábitosalimentaresdascrianças,fazerumadiscussão. ProporumEXPERIMENTOparaverificaro que a cárie pode fazer com os dentes, baseado nos textos: “Os doces estragam os dentes – umaexperiência!”Textosdeapoiodisponíveisem:<http://rinamaia2008.blogspot.com.br/2008/02/os-doces-estragam-os-dentes-uma.html>,<http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc13/v13a01.pdf>.5ºMomento:Fazer questionamentos sobre os cuidados com os dentes. Registrar no quadro os cuidadosmencionados pelas crianças e apresentar o livro: “Sorriso alegre: os amigos da boca” ou “Dente”(ObrasComplementares).Leituradaprimeiraparte-atéapágina8.Levantarosconhecimentospréviosdosalunossobreoscuidadoscomosdentes.Apresentarimagensdecriançase/ouadultosem situações em que fazem a higiene bucal. Dividir a turma em duplas e distribuir imagens decriançaseadultoscuidandodosdentes.Fazeraleituradasimagenscomascriançaseemseguidapedirparaconstruíremlegendasparacadaimagem.Socializarnograndegrupoecolarnomuraldas descobertas. Propor a construção de uma nova tabela que indique a frequência de escovaçãodosdentesdacriança.6ºMomento:Fazer a Leitura deleite: Dente! (Obras Complementares) ou Continuação da leitura do livro“Sorrisoalegre:osamigosdaboca”(p.8-17)Retomaromomentoanteriorsobreoscuidadocomosdentes,lendocomosalunosaslegendasproduzidasnaaulaanterior.Relembraraintençãodeestudarumpoucomaissobreahigienebucaleaimportânciadaconstruçãodeumcartazeducativo.Apresentarumcartazeducativoefazerainterpretaçãooralcomascrianças,destacandoosseguintespontos:assuntodiscutidonocartaz;aleituradasimagens;comoestáorganizadoocartaz;assuascaracterísticas. Dividir a turma em grupos e apresentar um cartaz educativo retalhado (imagense instruções educativas) para o grupo organizar. Socializar as montagens, questionando sobre aestruturadocartaz.7ºMomento:Apresentar um texto que fala sobre as técnicas de escovação, o uso do antisséptico bucal e do fiodental. Realizar atividade de compreensão textual, escrita em duplas (alfabético com silábicoalfabético). Retomar com os alunos a atividade de compreensão anterior e levá-los a fazer astécnicas de escovação; uso do fio dental e antisséptico bucal.
  47. 47. unidade 03508º Momento:Fazeraleituradeleite:Música:“Ratinhoescovandoosdentes”.Retomarmomentoanterior,relembrandooqueéprecisoparamanterahigienebucal.Retomarafinalidadedaproduçãodocartazeducativoeapresentarexemplosdecartazeseducativos.Produzirocartazeducativocom as crianças. Observar o resultado da experiência: registrar no quadro o que os alunosobservaram e em seguida discutir a importância da higiene bucal e os hábitos alimentares.9º Mxomento:Reprodução do cartaz educativo para colocar na escola. Apresentação do mural dasdescobertas para as outras turmas.
  48. 48. Aprendendo maisEsse texto permite ao leitor conhecer um pouco mais sobre a importância do trabalho com adiversidadedegênerostextuaisnasaladeaula.AautoradiscuteoquesãogênerostextuaissegundoBakhtineafirmaquecadasituaçãodecomunicaçãosocialexigeumaformaespecíficadelinguagem.Assim,asaladeauladeveserumambientequefavoreçaacirculaçãodevariadosgênerostextuais.AautorafinalizaadiscussãoapresentandooagrupamentodegênerossegundoBronckart(1999)eDolzeSchneuwly(2004).PORTO, Márcia. Gêneros Textuais. In. PORTO, Márcia. Um diálogo entre osgêneros textuais. Curitiba: Aymará, 2009. (PNBE do professor, 2010)1.Sugestões de Leitura
  49. 49. unidade 0352A partir da temática moradia a autora apresenta uma variedade de gêneros (pintura,fotografia, piada, charge, poema, anúncio publicitário, letra de música, carta de leitor,biografia, dentre outros) que discute o tema em questão. Após a apresentação de cadatexto, a autora propõe atividades que possam ser exploradas em sala de aula. Dentre aspropostas apresentadas é possível perceber, além de atividades de compreensão textual detextos verbais e não-verbais, atividades de intertextualidade, variação linguística, relaçãofala/escrita dentre outras.PORTO, Márcia. Diálogo entre gêneros textuais: tema moradia. In. PORTO,Márcia.Umdiálogoentreosgênerostextuais.Curitiba:Aymará,2009.(PNBEdo professor, 2010).2.
  50. 50. unidade 03 53As autoras chamam a atenção do leitor para a necessidade de se investir em um ensino dosconhecimentos linguísticos articulados à leitura e à produção de textos escritos. Paraelas, o objetivo do ensino da língua é possibilitar ao indivíduo uma melhor comunicação,tanto oral como escrita, em diversas situações de uso. Desse modo, não se concebe umensino de análise linguística desarticulada do trabalho com leitura e produção de texto.Além de apresentar uma discussão teórica sobre a temática, o texto apresenta propostas deatividades que articulem práticas de análise linguística à produção textual.SOUZA,AbdaAlvesde;SOUZA,SirleneBarbosade.Aanáliselinguísticaesuarelaçãocom a produção textual. In: SILVA, Alexsandro; PESSOA, Ana Cláudia; LIMA, Ana(orgs.). Ensino da Gramática: reflexões sobre a língua portuguesa na escola. BeloHorizonte: Autêntica, 2012.3.
  51. 51. unidade 0354Nessetexto,asautorasestabelecemumadistinçãoentreotrabalhocomgêneroeotrabalhocom texto e propõem uma discussão sobre as implicações dessa distinção para o ensinode língua materna. Referem ainda que o trabalho com texto e a exploração da constituiçãodos gêneros são inseparáveis para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade, pois atextualidade se manifesta em um gênero textual específico e, obviamente, os gêneros sematerializam em textos. A viabilidade de trabalhar com essa relação em sala de aula podeser evidenciada por meio de relatos de professores que são apresentados e discutidos aolongo do capítulo.SANTOS, Carmi Ferraz; MENDONÇA, Márcia e CAVALCANTE, Marianne C.B. Trabalhar com texto é trabalhar com gênero? In: SANTOS, Carmi Ferraz;MENDONÇA, Márcia e CAVALCANTE, Marianne C. B (orgs.). Diversidade textual:osgênerosnasaladeaula.BeloHorizonte:eAutêntica,2007.Disponívelem:<www.ufpe.br/ceel>.4.
  52. 52. unidade 03 551º momento (4 horas)Sugestões de atividadespara os encontros em grupo1 – Ler texto para deleite: “O caminho do rio”. ElzaYazuko Passini (PNLD 2013);2 – Fazer leitura compartilhada da seção Iniciando a conversa e discutir os objetivosda unidade; 3 – Ler em pequenos grupos o texto 1 (Por que ensinar gêneros textuais na escola?): a)discutir as principais questões do texto, buscando responder por quê é importantea escola trabalhar com gêneros textuais e não com textos; b) montar um cartaz queexemplifique uma situação de ensino de um gênero textual, apontando os objetivosdidáticos de cada momento pensado; 4 – Socializar as respostas.
  53. 53. unidade 03562º momento (4 horas)1-Lertextoparadeleite:“TxopaieItôhã”KanátyoPataxó(PNLD 2013);2- Dividir a turma em 6 grupos, para fazer a leitura do texto 2 (Registro e análise da práticano2ºanodoEnsino),cadagrupolendodoismomentosseguidosdorelatodaprofessora,para responder às questões: a) Distinguir os gêneros textuais trabalhados em sala pelaprofessora e considerar a importância de cada escolha para o estudo do tema proposto;b) Refletir sobre o papel da professora na mediação entre os textos e os alunos, apresen-tandooqueosalunosaprenderam;c)discutiraampliaçãodaspossibilidadesdotrabalhodesenvolvido pela professora dentro de cada realidade; 3– Socialização das respostas da cada grupo em forma de cartaz.
  54. 54. unidade 03 57Tarefas (para casa e escola):-Elaborar um planejamento para trabalhar leitura eprodução textual a partir de obras complementares;realizarotrabalhoplanejadocomseusalunos,registraremformaderelatoeavaliarasfacilidadesedificuldades.
  55. 55. unidade 03583º momento (4 horas)1 -Ler texto para deleite: “Matar sapo dá azar” ” (PNLD2013);2- Socializar as experiências vivenciadas com base no planejamento sugerido na tarefa decasa e escola e discutir sobre as dificuldades/facilidades da aplicação da sequência; 3–Lerempequenosgruposotexto3(Trabalhandocomdiversidadese(con)textos)elevan-tar questões a ser discutidas no grande grupo; 4– Debater as questões trazidas pelos grupos; 5– Assistir o vídeo “Documentário Bioma Pampa - RS Biodiversidade - Programa Rio Gran-de Rural”, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=QxG-zMl3IVI>, buscandodiscutir questões da biodiversidade; 6 – Analisar e discutir a sequência de atividades, a partir de materiais complementares,apresentada na seção Compartilhando, discutindo os objetivos didáticos.
  56. 56. unidade 03 59

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