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Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal
de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar
condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas
neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta
a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente.
Autoria: Sociedade Brasileira de
Hematologia e Hemoterapia
Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Elaboração Final: 29 de maio de 2008
Participantes: Pita MT, Loggetto SR, Carneiro JDA, Garanito MP,
Seber A, Maluf EMCP
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
2 Anemia Aplástica Grave: Tratamento
DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA:
Revisão de literatura.
GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA:
A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência.
B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência.
C: Relatos de casos (estudos não controlados).
D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos
fisiológicos ou modelos animais.
OBJETIVO:
Oferecer aos pacientes portadores de Anemia Aplástica Grave não constitucional,
que não tenham doadores compatíveis identificados para um transplante alogênico
de medula óssea, o melhor tratamento medicamentoso disponível, fundamentado
em dados disponíveis na literatura.
CONFLITO DE INTERESSE:
Os conflitos de interesse declarados pelos participantes da elaboração desta
diretriz estão detalhados na página 9.
3Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
HISTÓRIA CLÍNICA E EXAME FÍSICO
Em geral, os pacientes com aplasia medular procuram atenção
médica devido aos sintomas da pancitopenia1,2
(D): sangramentos
pela trombocitopenia (desde leves sufusões a hemorragias graves),
infecções decorrentes de neutropenia intensa, palidez progressiva
(usualmente de início insidioso, com alguns indivíduos tolerando
baixos níveis de hemoglobina sem queixas e/ou repercussões
hemodinâmicas). Os achados do exame físico refletem a gravidade
da pancitopenia e o paciente pode apresentar desde sutis variações
do normal até alterações graves, com sangramentos e toxemia. O
examinador deve estar sempre atento aos achados clínicos
compatíveis com as aplasias hereditárias1,2
(D). Embora 70% a
80% dos casos sejam de etiologia idiopática3
(D), a realização de
uma história clínica cuidadosa poderá revelar a exposição a agentes
químicos, drogas ou infecção viral precedente4-8
(B).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Os procedimentos para diferenciação diagnóstica devem
considerar anemias aplásticas hereditárias (anemia de Fanconi,
disqueratose congênita, síndrome de Shwachmann-Diamond e
anemia de Blackfan Diamond), síndromes mielodisplásicas
hipoplásicas, hemoglobinúria paroxística noturna, infiltração
neoplásica, osteopetrose, hiperesplenismo, deficiência de vitamina
B12
,deficiência de ácido fólico, deficiência de piridoxina, doenças
de depósito, lupus eritematoso sistêmico, septicemia, doenças
infecciosas como calazar, tuberculose miliar, doenças fúngicas
disseminadas, septicemia, malária e SIDA1,2
(D).
Existem critérios para definição da gravidade da anemia
aplástica, os quais podem ser observados no Quadro 1.
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
4 Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Definição da gravidade da anemia aplástica3,9
(D)
Anemia aplástica grave Medula óssea com celularidade < 25%, ou 25% a 50% com
< 30% de células hematopoiéticas residuais
2 ítens dos 3 a seguir
• Neutrófilos < 0,5 x 109
/l;
• Plaquetas < 20 x 109
/l
• Reticulócitos < 20 x 109
/l
Anemia aplástica muito grave Mesma definição de anemia aplástica grave associada a
neutrófilos < 0,2 x 109
/l
Anemia aplástica não grave Pacientes que não preenchem os critérios acima
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os achados que caracterizam o diagnóstico
de anemia aplástica são1,2
(D):
• Hemograma completo e contagem de
reticulócitos: graus variáveis de pancitopenia
e reticulocitopenia;
• Mielograma: hipocelularidade global com
substituição do tecido normal por gordura;
• Biopsia de medula óssea: hipoplasia intensa
e reposição gordurosa são requisitos
indispensáveis para o diagnóstico;
• Eletroforese de hemoglobina: a hemoblobina
fetal pode estar aumentada nas anemias
aplásticas constitucionais;
• Ferro sérico, índice de saturação da
transferrina, ferritina: podem estar
aumentados pela diminuição do clearence
urinário do ferro e em casos de pacientes
previamente transfundidos;
• Teste de Ham, Ham com sacarose, CD55
e CD59 por citometria de fluxo: são
solicitados para o diagnóstico diferencial
com hemoglobinúria paroxística noturna.
Os testes de Ham são positivos nesta
condição, enquanto CD55 e CD59 são
negativos;
• Dosagem de vitamina B12
e do folato
eritrocitário: a anemia megaloblástica pode
cursar com pancitopenia periférica, como na
anemia aplástica. Porém os pacientes
apresentam dosagem de vitamina B12
e/ou
ácido fólico diminuídas;
• Sorologia para infecções virais: são
solicitadas na busca dos possíveis agentes
etiológicos, incluindo os vírus
citomegalovírus, parvovírus, Epstein Baar,
HIV e das hepatites A, B e C;
Quadro 1
5Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
• Exames bioquímicos gerais: exames de
função hepática e renal são solicitados para
controle da toxicidade hepática e renal
associada às drogas utilizadas no tratamento;
• Coombs direto e indireto: são solicitados
para controle de presença de anticorpos
relacionados a transfusões prévias;
• Tipagem HLA (antígeno de histocom-
patibilidade): em busca de doador HLA
compatível para transplante de medula óssea;
• Radiografia simples: exame radiológico de
tórax e esqueleto para o diagnóstico
diferencial com timoma e anemia de
Fanconi;
• beta-HCG: em casos raros, a anemia
aplástica pode ocorrer em associação com a
gravidez;
• Ultrassonografia de abdome: avalia
alterações renais e as dimensões físicas do
baço e fígado, para o diagnóstico diferencial
com anemia de Fanconi e síndromes
mielodisplásicas;
• Estudo citogenético: todos os pacientes
devem ser avaliados para clones citogenéticos
anormais, os quais podem ser detectados em
pelo menos 10% dos casos ao diagnóstico.
É fundamental a diferenciação com anemia
de Fanconi, que é feita com a sensibilização
com agentes clastogênicos indutores de
quebras cromossômicas, como diepoxi-
butano, também podendo ser feito com
cisplatina ou mitomicina3
(D);
• Protoparasitológicodefezeseintradermoreação
com PPD: no controle de infecções
oportunistas associadas ao uso de drogas
imunossupressoras.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DAS
ANEMIAS APLÁSTICAS GRAVES:
IMUNOSSUPRESSÃO
O prognóstico para os pacientes portadores
de anemias aplásticas graves tem melhorado
muito nos últimos anos10
(A)11
(B)12
(C)13,14
(D).
Para os pacientes que possuem doador HLA
compatível, o transplante de medula óssea (TMO)
é o tratamento de escolha, especialmente para o
grupo de pacientes com menos de 40 anos e com
poucas ou sem transfusões prévias. A taxa de
resposta ao TMO é de 80% a 90%9
(D). A
mortalidade tende a aumentar com a idade. A
sobrevida de pacientes maiores de 40 anos com
TMOé,emgeral,de50%.Assim,existetendência
natural de se considerar o TMO como tratamento
deprimeiralinhaapenasparapacientescommenos
de 40 anos de idade3
(D). É importante lembrar
que apenas 25% dos pacientes possuem doador
disponível, impondo-se, assim, a necessidade de
utilização de outros recursos terapêuticos.
Baseando-se na observação de que o mecanismo
imune possa suprimir a hematopoiese, o
tratamento da anemia aplástica com
imunossupressores tem sido considerado como o
tratamento de escolha para os pacientes que não
possuem doador HLA compatível15
(A)16,17
(B)
3,9,14,18
(D) ou com mais 40 anos de idade3
(D).
O regime de imunossupressão ideal deverá
combinar baixa toxicidade com alta taxa de
resposta e baixo risco de recidiva e complicações
tardias19,20
(D). O tratamento propõe a utilização
de três drogas (ATG/ALG, corticoide e
ciclosporina), com taxa de resposta de 60% a
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
6 Anemia Aplástica Grave: Tratamento
70% em 6 meses21
(B)22
(C)14
(D). Quando não
é possível a utilização da globulina, pode-se
utilizar esquema alternativo com duas drogas
(ciclosporina e corticoide).
TRATAMENTO COM ESQUEMA DE TRÊS
DROGAS
Imunossupressão intensiva, com associação de
globulina antitimocítica (ATG) / antilinfocitária
(ALG), ciclosporina A e metilprednisolona, como
se segue23,24
(A)16,17
(B)25
(C):
Globulina antitimocítica / antilinfocitária
As globulinas antitimocíticas derivadas de
cavalo e de coelho têm sido utilizadas com
sucesso nos pacientes portadores de anemias
aplásticas graves. Contudo, a primeira linha de
tratamento é a timoglobulina de cavalo (h-ATG)
associada à ciclosporina26
(D).
• Modo de administração: infusão endovenosa
diária em 6 horas após teste e pré-medicação
com metilprednisolona;
• Controle semanal por duas semanas de
função renal e hepática após o seu início;
• Usar uma das três alternativas medicamentosas:
Globulina antitimocítica na apresen-
tação de 250 mg em frasco de 5 ml
(50mg/ml) e posologia de 40 mg/kg/
dia, endovenosa, 1 vez ao dia, por 4 dias;
Globulina antitimocítica na apresen-
tação de 25 mg em frasco de 5 ml e
posologia de 2,5 mg/kg/dia, endovenosa,
1 vez ao dia, por 5 dias;
Globulina antilinfocitária na
apresentação de 100 mg em frasco de 5
ml e posologia de 15 mg/kg/dia,
endovenosa, 1 vez ao dia, por 5 dias.
Ciclosporina A
• A posologia ideal é de 12-15 mg/kg/dia, via
oral, 12/12 horas;
• Deve-se realizar o primeiro controle do nível da
droga 2 semanas após o início da mesma,
procurando-se manter o nível sérico adequado.
Nadosagemmonoclonalemsanguetotal,deve-
se manter nível entre 150-200 ng/ml27
(C). A
dosagem monoclonal é proporcionalmente 3
vezes menor do que a policlonal;
• Caso o paciente esteja sem condições de
receber a droga por via oral, deve-se utilizar
a via endovenosa (apenas 1/4 da dose via
oral), sendo a droga infundida 1 vez ao dia,
em 6 horas;
• Controle de sódio, potássio e magnésio
semanal;
• Função renal e hepática antes do início da
droga, na 1a
e 2a
semanas após, e men-
salmente, caso os níveis se mantenham
adequados. Se a creatinina sérica for maior
que 2 vezes o nível basal, deve-se reduzir a
dose em 25% e repetir o exame em 4 dias;
• Controle de pressão arterial a cada consulta;
• Observar o uso concomitante de drogas que
possam aumentar ou diminuir o nível sérico
da ciclosporina A, além daquelas que possam
provocar nefrotoxicidade;
7Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
• Higiene oral devido à hipertrofia gengival
que pode ocorrer secundariamente ao uso
da ciclosporina A: o paciente deverá ter
seguimento odontológico desde o início do
tratamento medicamentoso para receber
orientações sobre cuidados locais. Paciente
neutropênico que precisar de
procedimentos odontológicos deverá
receber antibioticoterapia profilática com
penicilina oral.
Corticoterapia
Metilprednisolona na dose de 2,0 mg/kg/dia,
endovenosa, nos dias 1 a 7. Prednisona 1,5 mg/
kg/dia, via oral, nos dias 8 a 14; 1 mg/kg/dia,
via oral, nos dias 15 a 21 e 0,5 mg/kg/dia, via
oral, nos dias 22 a 28.
TRATAMENTO COM ESQUEMA DE DUAS
DROGAS
Para os pacientes sem condições de receber
ATG/ALG, preconiza-se o uso do esquema com
ciclosporina A e prednisona, como se segue24
(A):
• Ciclosporina - Na posologia inicial de 12
mg/kg/dia, via oral, dividida em 2 vezes, do
dia 1 ao dia 8, seguido de 7 mg/kg/dia, via
oral, dividida em 2 vezes, do dia 9 até
completar o primeiro ano de uso. Após 1 ano
fazer a redução com 5% da dose ao mês. Estas
doses podem variar de acordo com o controle
do nível sérico.
• Prednisona - Na posologia de 2 mg/kg/dia,
via oral do dia 1 ao 14, seguida de 1 mg/kg/
dia, via oral, do dia 15 ao 45. A partir do
dia 46 reduzir 20% da dose por semana, até
sua retirada total.
EVOLUÇÃO E DESFECHO
TRATAMENTO DE SUPORTE
Hemoterápico
Uso sistemático de concentrados de glóbulos
vermelhos filtrados. As transfusões plaquetárias
serão oferecidas por aférese ou em unidades
calculadas em 1U/10 kg. Os produtos
transfundidos serão irradiados de forma
sistemática com 2500 rads e devem ser
utilizados com filtros leucocitários1,2
(D).
Infecções
Os processos infecciosos, ao lado dos quadros
hemorrágicos, constituem a principal causa de
morbidadeemortalidadedospacientescom anemias
aplásticasgraves.Comonospacientesneutropênicos
com câncer, a febre pode ser a única manifestação
de infecção. Considerando-se que as infecções
bacterianas podem ser rapidamente progressivas e
fatais, se não tratadas, é importante iniciar
empiricamente o uso de antibióticos de amplo
espectro quando a febre for detectada28
(B)29
(D).
• Os critérios de risco são:
Febre: temperatura > 38,5o
C (1 vez) ou
> 38,0o
C (2 a 3 vezes em 12h);
Neutropenia < 500 /mm3
;
Uso de antibióticos bactericidas.
A escolha do regime antibiótico empírico
deverá considerar o padrão de resistência
bacteriana de cada instituição específica.
Considerando-se que existe necessidade de dupla
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
8 Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Exames de acompanhamento obrigatório
Exames semanais a cada 2 semanas a cada 6 meses
Hemograma / Reticulócitos X
Ureia / Creatinina X
TGO/TGP/δGT/FA/DHL X
Nível Ciclosporina A X
CD4 / CD8 X
Hepatite A / B / C X
HIV X
cobertura para bactérias gram negativas e gram
positivas, a proposta de antibioticoterapia é o
cloridrato de cefepime (cefalosporina) na
posologia para crianças de 100-150 mg/kg/dia,
endovenoso, 8/8 horas, e para adultos de 1-2 g,
endovenoso, 8/8 horas.
Em caso de suspeita de infecção estafilo-
cócica, a vancomicina deverá fazer parte do
tratamento empírico inicial. Quando a febre
persiste por mais de 7 dias com o paciente ainda
neutropênico ou recrudesce após 7 dias, a
anfotericina B deve ser adicionada ao regime
antibacteriano.
Os exames de acompanhamento obrigatório
estão resumidos no Quadro 2.
A partir do 2o
mês e a cada 6 meses:
• Sorologias: Chagas, Lues, CMV, hepatites
B e C, HIV, HTLV I/III;
• Ferritina;
• Coombs direto e indireto.
Critérios de resposta
O paciente deve preencher todos os
itens1,2
(D):
• Resposta Completa: sem necessidade de
transfusão de hemocomponentes, Hb ≥ 11g/
dl, neutrófilos > 1.500/mm3
, plaquetas >
100.000/mm3
;
• Resposta Parcial: sem necessidade de
transfusão de hemocomponentes, Hb ≥ 8g/
dl, neutrófilos > 500/mm3
, plaquetas >
20.000/mm3
;
• Não Resposta: persistência da necessidade
transfusional; todos aqueles que não se
encontram nos critérios acima;
Quadro 2
9Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
• Recaída: é definida como a necessidade de
transfusão de concentrado de hemácias e/
ou plaquetas após o paciente estar
independente de transfusão por pelo menos
3 meses. Nesses casos, deve-se realizar um
curso adicional de ATG26
(D).
TRATAMENTO: CONSIDERAÇÕES ATUAIS
Altas doses de ciclofosfamida, para os
pacientes sem doador HLA compatível, têm
demonstrado resultados promissores nos
pacientes portadores de anemias aplásticas
graves27
(C). Contudo, grandes séries e estudos
randomizados serão necessários para definir
o papel do uso da ciclofosfamida em altas
doses nos pacientes com anemias aplásticas
graves30
(D). Até o momento, essa terapia tem
sido considerada de investigação.
CONFLITO DE INTERESSE
Loggetto SR é investigadora principal em
pesquisa clínica patrocinada.
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
10 Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Algoritmo
Diagnóstico de anemia aplástica adquirida grave
OBS: Os pacientes com resposta parcial ou sem resposta após 6 meses do uso de ATG/ALG poderão realizar, a
critério médico, novo ciclo com ATG/ALG (alternado).
HLA
Compatível
TMO
Não compatível
Braço A Braço B
ATG/ALG
+ OU
metilprednisolona
+
ciclosporina (6 meses)
ciclosporina (6 meses)
+
prednisona
após 6 meses
sem resposta resposta parcial resposta completa
repete ATG / ALG
(alternado)
segue ciclosporina seguimento clínico
segue ciclosporina
após 6 meses
sem resposta resposta parcial resposta completa
talidomida
(protocolo alternativo)
ciclosporina seguimento clínico
11Anemia Aplástica Grave: Tratamento
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
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ed. Philadelphia: WB
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Anderson T, Issaragrisil S, Wiholm BE, et
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study of aplastic anaemia: relationship of
drug exposures to clinical features and
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an update of the GITMO/EBMT study on
100 patients. European Group for Blood
and Marrow Transplantation (EBMT)
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and the Gruppo Italiano Trapianti di Midolio
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lymphocyte globulin and cyclosporin. West
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nosuppressive treatment of aplastic anemia
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
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and treatment of aplastic anemia. Blood
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11-year follow-up of a randomized trial
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cyclosporine for severe aplastic anemia:
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Anemia aplástica grave tratamento, 2008

  • 1. 1 Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente. Autoria: Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia Anemia Aplástica Grave: Tratamento Elaboração Final: 29 de maio de 2008 Participantes: Pita MT, Loggetto SR, Carneiro JDA, Garanito MP, Seber A, Maluf EMCP
  • 2. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 2 Anemia Aplástica Grave: Tratamento DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA: Revisão de literatura. GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA: A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência. B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência. C: Relatos de casos (estudos não controlados). D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais. OBJETIVO: Oferecer aos pacientes portadores de Anemia Aplástica Grave não constitucional, que não tenham doadores compatíveis identificados para um transplante alogênico de medula óssea, o melhor tratamento medicamentoso disponível, fundamentado em dados disponíveis na literatura. CONFLITO DE INTERESSE: Os conflitos de interesse declarados pelos participantes da elaboração desta diretriz estão detalhados na página 9.
  • 3. 3Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina HISTÓRIA CLÍNICA E EXAME FÍSICO Em geral, os pacientes com aplasia medular procuram atenção médica devido aos sintomas da pancitopenia1,2 (D): sangramentos pela trombocitopenia (desde leves sufusões a hemorragias graves), infecções decorrentes de neutropenia intensa, palidez progressiva (usualmente de início insidioso, com alguns indivíduos tolerando baixos níveis de hemoglobina sem queixas e/ou repercussões hemodinâmicas). Os achados do exame físico refletem a gravidade da pancitopenia e o paciente pode apresentar desde sutis variações do normal até alterações graves, com sangramentos e toxemia. O examinador deve estar sempre atento aos achados clínicos compatíveis com as aplasias hereditárias1,2 (D). Embora 70% a 80% dos casos sejam de etiologia idiopática3 (D), a realização de uma história clínica cuidadosa poderá revelar a exposição a agentes químicos, drogas ou infecção viral precedente4-8 (B). DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Os procedimentos para diferenciação diagnóstica devem considerar anemias aplásticas hereditárias (anemia de Fanconi, disqueratose congênita, síndrome de Shwachmann-Diamond e anemia de Blackfan Diamond), síndromes mielodisplásicas hipoplásicas, hemoglobinúria paroxística noturna, infiltração neoplásica, osteopetrose, hiperesplenismo, deficiência de vitamina B12 ,deficiência de ácido fólico, deficiência de piridoxina, doenças de depósito, lupus eritematoso sistêmico, septicemia, doenças infecciosas como calazar, tuberculose miliar, doenças fúngicas disseminadas, septicemia, malária e SIDA1,2 (D). Existem critérios para definição da gravidade da anemia aplástica, os quais podem ser observados no Quadro 1.
  • 4. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 4 Anemia Aplástica Grave: Tratamento Definição da gravidade da anemia aplástica3,9 (D) Anemia aplástica grave Medula óssea com celularidade < 25%, ou 25% a 50% com < 30% de células hematopoiéticas residuais 2 ítens dos 3 a seguir • Neutrófilos < 0,5 x 109 /l; • Plaquetas < 20 x 109 /l • Reticulócitos < 20 x 109 /l Anemia aplástica muito grave Mesma definição de anemia aplástica grave associada a neutrófilos < 0,2 x 109 /l Anemia aplástica não grave Pacientes que não preenchem os critérios acima DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Os achados que caracterizam o diagnóstico de anemia aplástica são1,2 (D): • Hemograma completo e contagem de reticulócitos: graus variáveis de pancitopenia e reticulocitopenia; • Mielograma: hipocelularidade global com substituição do tecido normal por gordura; • Biopsia de medula óssea: hipoplasia intensa e reposição gordurosa são requisitos indispensáveis para o diagnóstico; • Eletroforese de hemoglobina: a hemoblobina fetal pode estar aumentada nas anemias aplásticas constitucionais; • Ferro sérico, índice de saturação da transferrina, ferritina: podem estar aumentados pela diminuição do clearence urinário do ferro e em casos de pacientes previamente transfundidos; • Teste de Ham, Ham com sacarose, CD55 e CD59 por citometria de fluxo: são solicitados para o diagnóstico diferencial com hemoglobinúria paroxística noturna. Os testes de Ham são positivos nesta condição, enquanto CD55 e CD59 são negativos; • Dosagem de vitamina B12 e do folato eritrocitário: a anemia megaloblástica pode cursar com pancitopenia periférica, como na anemia aplástica. Porém os pacientes apresentam dosagem de vitamina B12 e/ou ácido fólico diminuídas; • Sorologia para infecções virais: são solicitadas na busca dos possíveis agentes etiológicos, incluindo os vírus citomegalovírus, parvovírus, Epstein Baar, HIV e das hepatites A, B e C; Quadro 1
  • 5. 5Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina • Exames bioquímicos gerais: exames de função hepática e renal são solicitados para controle da toxicidade hepática e renal associada às drogas utilizadas no tratamento; • Coombs direto e indireto: são solicitados para controle de presença de anticorpos relacionados a transfusões prévias; • Tipagem HLA (antígeno de histocom- patibilidade): em busca de doador HLA compatível para transplante de medula óssea; • Radiografia simples: exame radiológico de tórax e esqueleto para o diagnóstico diferencial com timoma e anemia de Fanconi; • beta-HCG: em casos raros, a anemia aplástica pode ocorrer em associação com a gravidez; • Ultrassonografia de abdome: avalia alterações renais e as dimensões físicas do baço e fígado, para o diagnóstico diferencial com anemia de Fanconi e síndromes mielodisplásicas; • Estudo citogenético: todos os pacientes devem ser avaliados para clones citogenéticos anormais, os quais podem ser detectados em pelo menos 10% dos casos ao diagnóstico. É fundamental a diferenciação com anemia de Fanconi, que é feita com a sensibilização com agentes clastogênicos indutores de quebras cromossômicas, como diepoxi- butano, também podendo ser feito com cisplatina ou mitomicina3 (D); • Protoparasitológicodefezeseintradermoreação com PPD: no controle de infecções oportunistas associadas ao uso de drogas imunossupressoras. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DAS ANEMIAS APLÁSTICAS GRAVES: IMUNOSSUPRESSÃO O prognóstico para os pacientes portadores de anemias aplásticas graves tem melhorado muito nos últimos anos10 (A)11 (B)12 (C)13,14 (D). Para os pacientes que possuem doador HLA compatível, o transplante de medula óssea (TMO) é o tratamento de escolha, especialmente para o grupo de pacientes com menos de 40 anos e com poucas ou sem transfusões prévias. A taxa de resposta ao TMO é de 80% a 90%9 (D). A mortalidade tende a aumentar com a idade. A sobrevida de pacientes maiores de 40 anos com TMOé,emgeral,de50%.Assim,existetendência natural de se considerar o TMO como tratamento deprimeiralinhaapenasparapacientescommenos de 40 anos de idade3 (D). É importante lembrar que apenas 25% dos pacientes possuem doador disponível, impondo-se, assim, a necessidade de utilização de outros recursos terapêuticos. Baseando-se na observação de que o mecanismo imune possa suprimir a hematopoiese, o tratamento da anemia aplástica com imunossupressores tem sido considerado como o tratamento de escolha para os pacientes que não possuem doador HLA compatível15 (A)16,17 (B) 3,9,14,18 (D) ou com mais 40 anos de idade3 (D). O regime de imunossupressão ideal deverá combinar baixa toxicidade com alta taxa de resposta e baixo risco de recidiva e complicações tardias19,20 (D). O tratamento propõe a utilização de três drogas (ATG/ALG, corticoide e ciclosporina), com taxa de resposta de 60% a
  • 6. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 6 Anemia Aplástica Grave: Tratamento 70% em 6 meses21 (B)22 (C)14 (D). Quando não é possível a utilização da globulina, pode-se utilizar esquema alternativo com duas drogas (ciclosporina e corticoide). TRATAMENTO COM ESQUEMA DE TRÊS DROGAS Imunossupressão intensiva, com associação de globulina antitimocítica (ATG) / antilinfocitária (ALG), ciclosporina A e metilprednisolona, como se segue23,24 (A)16,17 (B)25 (C): Globulina antitimocítica / antilinfocitária As globulinas antitimocíticas derivadas de cavalo e de coelho têm sido utilizadas com sucesso nos pacientes portadores de anemias aplásticas graves. Contudo, a primeira linha de tratamento é a timoglobulina de cavalo (h-ATG) associada à ciclosporina26 (D). • Modo de administração: infusão endovenosa diária em 6 horas após teste e pré-medicação com metilprednisolona; • Controle semanal por duas semanas de função renal e hepática após o seu início; • Usar uma das três alternativas medicamentosas: Globulina antitimocítica na apresen- tação de 250 mg em frasco de 5 ml (50mg/ml) e posologia de 40 mg/kg/ dia, endovenosa, 1 vez ao dia, por 4 dias; Globulina antitimocítica na apresen- tação de 25 mg em frasco de 5 ml e posologia de 2,5 mg/kg/dia, endovenosa, 1 vez ao dia, por 5 dias; Globulina antilinfocitária na apresentação de 100 mg em frasco de 5 ml e posologia de 15 mg/kg/dia, endovenosa, 1 vez ao dia, por 5 dias. Ciclosporina A • A posologia ideal é de 12-15 mg/kg/dia, via oral, 12/12 horas; • Deve-se realizar o primeiro controle do nível da droga 2 semanas após o início da mesma, procurando-se manter o nível sérico adequado. Nadosagemmonoclonalemsanguetotal,deve- se manter nível entre 150-200 ng/ml27 (C). A dosagem monoclonal é proporcionalmente 3 vezes menor do que a policlonal; • Caso o paciente esteja sem condições de receber a droga por via oral, deve-se utilizar a via endovenosa (apenas 1/4 da dose via oral), sendo a droga infundida 1 vez ao dia, em 6 horas; • Controle de sódio, potássio e magnésio semanal; • Função renal e hepática antes do início da droga, na 1a e 2a semanas após, e men- salmente, caso os níveis se mantenham adequados. Se a creatinina sérica for maior que 2 vezes o nível basal, deve-se reduzir a dose em 25% e repetir o exame em 4 dias; • Controle de pressão arterial a cada consulta; • Observar o uso concomitante de drogas que possam aumentar ou diminuir o nível sérico da ciclosporina A, além daquelas que possam provocar nefrotoxicidade;
  • 7. 7Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina • Higiene oral devido à hipertrofia gengival que pode ocorrer secundariamente ao uso da ciclosporina A: o paciente deverá ter seguimento odontológico desde o início do tratamento medicamentoso para receber orientações sobre cuidados locais. Paciente neutropênico que precisar de procedimentos odontológicos deverá receber antibioticoterapia profilática com penicilina oral. Corticoterapia Metilprednisolona na dose de 2,0 mg/kg/dia, endovenosa, nos dias 1 a 7. Prednisona 1,5 mg/ kg/dia, via oral, nos dias 8 a 14; 1 mg/kg/dia, via oral, nos dias 15 a 21 e 0,5 mg/kg/dia, via oral, nos dias 22 a 28. TRATAMENTO COM ESQUEMA DE DUAS DROGAS Para os pacientes sem condições de receber ATG/ALG, preconiza-se o uso do esquema com ciclosporina A e prednisona, como se segue24 (A): • Ciclosporina - Na posologia inicial de 12 mg/kg/dia, via oral, dividida em 2 vezes, do dia 1 ao dia 8, seguido de 7 mg/kg/dia, via oral, dividida em 2 vezes, do dia 9 até completar o primeiro ano de uso. Após 1 ano fazer a redução com 5% da dose ao mês. Estas doses podem variar de acordo com o controle do nível sérico. • Prednisona - Na posologia de 2 mg/kg/dia, via oral do dia 1 ao 14, seguida de 1 mg/kg/ dia, via oral, do dia 15 ao 45. A partir do dia 46 reduzir 20% da dose por semana, até sua retirada total. EVOLUÇÃO E DESFECHO TRATAMENTO DE SUPORTE Hemoterápico Uso sistemático de concentrados de glóbulos vermelhos filtrados. As transfusões plaquetárias serão oferecidas por aférese ou em unidades calculadas em 1U/10 kg. Os produtos transfundidos serão irradiados de forma sistemática com 2500 rads e devem ser utilizados com filtros leucocitários1,2 (D). Infecções Os processos infecciosos, ao lado dos quadros hemorrágicos, constituem a principal causa de morbidadeemortalidadedospacientescom anemias aplásticasgraves.Comonospacientesneutropênicos com câncer, a febre pode ser a única manifestação de infecção. Considerando-se que as infecções bacterianas podem ser rapidamente progressivas e fatais, se não tratadas, é importante iniciar empiricamente o uso de antibióticos de amplo espectro quando a febre for detectada28 (B)29 (D). • Os critérios de risco são: Febre: temperatura > 38,5o C (1 vez) ou > 38,0o C (2 a 3 vezes em 12h); Neutropenia < 500 /mm3 ; Uso de antibióticos bactericidas. A escolha do regime antibiótico empírico deverá considerar o padrão de resistência bacteriana de cada instituição específica. Considerando-se que existe necessidade de dupla
  • 8. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 8 Anemia Aplástica Grave: Tratamento Exames de acompanhamento obrigatório Exames semanais a cada 2 semanas a cada 6 meses Hemograma / Reticulócitos X Ureia / Creatinina X TGO/TGP/δGT/FA/DHL X Nível Ciclosporina A X CD4 / CD8 X Hepatite A / B / C X HIV X cobertura para bactérias gram negativas e gram positivas, a proposta de antibioticoterapia é o cloridrato de cefepime (cefalosporina) na posologia para crianças de 100-150 mg/kg/dia, endovenoso, 8/8 horas, e para adultos de 1-2 g, endovenoso, 8/8 horas. Em caso de suspeita de infecção estafilo- cócica, a vancomicina deverá fazer parte do tratamento empírico inicial. Quando a febre persiste por mais de 7 dias com o paciente ainda neutropênico ou recrudesce após 7 dias, a anfotericina B deve ser adicionada ao regime antibacteriano. Os exames de acompanhamento obrigatório estão resumidos no Quadro 2. A partir do 2o mês e a cada 6 meses: • Sorologias: Chagas, Lues, CMV, hepatites B e C, HIV, HTLV I/III; • Ferritina; • Coombs direto e indireto. Critérios de resposta O paciente deve preencher todos os itens1,2 (D): • Resposta Completa: sem necessidade de transfusão de hemocomponentes, Hb ≥ 11g/ dl, neutrófilos > 1.500/mm3 , plaquetas > 100.000/mm3 ; • Resposta Parcial: sem necessidade de transfusão de hemocomponentes, Hb ≥ 8g/ dl, neutrófilos > 500/mm3 , plaquetas > 20.000/mm3 ; • Não Resposta: persistência da necessidade transfusional; todos aqueles que não se encontram nos critérios acima; Quadro 2
  • 9. 9Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina • Recaída: é definida como a necessidade de transfusão de concentrado de hemácias e/ ou plaquetas após o paciente estar independente de transfusão por pelo menos 3 meses. Nesses casos, deve-se realizar um curso adicional de ATG26 (D). TRATAMENTO: CONSIDERAÇÕES ATUAIS Altas doses de ciclofosfamida, para os pacientes sem doador HLA compatível, têm demonstrado resultados promissores nos pacientes portadores de anemias aplásticas graves27 (C). Contudo, grandes séries e estudos randomizados serão necessários para definir o papel do uso da ciclofosfamida em altas doses nos pacientes com anemias aplásticas graves30 (D). Até o momento, essa terapia tem sido considerada de investigação. CONFLITO DE INTERESSE Loggetto SR é investigadora principal em pesquisa clínica patrocinada.
  • 10. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 10 Anemia Aplástica Grave: Tratamento Algoritmo Diagnóstico de anemia aplástica adquirida grave OBS: Os pacientes com resposta parcial ou sem resposta após 6 meses do uso de ATG/ALG poderão realizar, a critério médico, novo ciclo com ATG/ALG (alternado). HLA Compatível TMO Não compatível Braço A Braço B ATG/ALG + OU metilprednisolona + ciclosporina (6 meses) ciclosporina (6 meses) + prednisona após 6 meses sem resposta resposta parcial resposta completa repete ATG / ALG (alternado) segue ciclosporina seguimento clínico segue ciclosporina após 6 meses sem resposta resposta parcial resposta completa talidomida (protocolo alternativo) ciclosporina seguimento clínico
  • 11. 11Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina REFERÊNCIAS 1. Adamson JW, Erslev AJ. Aplastic anemia. In: Willians WJ, Willians J, editors. Hematology. 4th ed. New York:Mc Graw- Hill;1990. p.158-74. 2. Alter BP, Young NS. Bone marrow failure syndromes. In: Nathan DG, Orkin SH, Ginsburg D, Look AT, Oski FA, editors. Nathan and Oski’s hematology of infancy and childhood. 6th ed. Philadelphia: WB Saunders;2003. p.216-37. 3. Marsh J. Making therapeutic decisions in adults with aplastic anemia. Hematology Am Soc Hematol Educ Program 2006;78-85. 4. Issaragrisil S, Chansung K, Kaufman DW, Sirijirachai J, Thamprasit T, Young NS. Aplastic anemia in rural Thailand: its association with grain farming and agricultural pesticide exposure. Aplastic Anemia Study Group. Am J Public Health 1997;87:1551-4. 5. Issaragrisil S, Kaufman DW, Anderson T. Incidence and non-drug aetiologies of aplastic anaemia in Thailand. The Thai Aplastic Anaemia Study Group. Eur J Haematol Suppl 1996;60:31-4. 6. Kaufman DW, Kelly JP, Jurgelon JM, Anderson T, Issaragrisil S, Wiholm BE, et al. Drugs in the aetiology of agranulocytosis and aplastic anaemia. Eur J Haematol Suppl 1996;60:23-30. 7. Kelly JP, Jurgelon JM, Issaragrisil S, Keisu M, Kaufman DW. An epidemiological study of aplastic anaemia: relationship of drug exposures to clinical features and outcome. Eur J Haematol Suppl 1996;60: 47-52. 8. Maluf EMCP. Epidemiologia da anemia aplástica adquirida severa: um estudo caso- controle realizado no Brasil [Tese de doutorado]. Curitiba:Universidade Federal do Paraná;2000. 9. Marsh JC. Management of acquired aplastic anaemia. Blood Rev 2005;19:143-51. 10. Frickhofen N, Kaltwasser JP. Immu- nossupressive treatment of aplastic anemia: a prospective, randomized multicenter trial evaluating antilymphocyte globulin (ALG) versus ALG and cyclosporin A. Blut 1988;56:191-2. 11. Bacigalupo A, Bruno B, Saracco P, Di Bona E, Locasciulli A, Locatelli F, et al. Antilymphocyte globulin, cyclosporine, prednisolone, and granulocyte colony- stimulating factor for severe aplastic anemia: an update of the GITMO/EBMT study on 100 patients. European Group for Blood and Marrow Transplantation (EBMT) Working Party on Severe Aplastic Anemia and the Gruppo Italiano Trapianti di Midolio Osseo (GITMO). Blood 2000;95:1931-4. 12. Jones-Lecointe A, Murphy A, Charles W, Daisley H, Pitt-Miller P. Severe aplastic anaemia: complete response to anti- lymphocyte globulin and cyclosporin. West Indian Med J 1999;48:238-9. 13. Frickhofen N, Rosenfeld SJ. Immu- nosuppressive treatment of aplastic anemia
  • 12. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 12 Anemia Aplástica Grave: Tratamento withantithymocyteglobulinandcyclosporine. Semin Hematol 2000;37:56-68. 14. Young NS, Calado RT, Scheinberg P. Current concepts in the pathophysiology and treatment of aplastic anemia. Blood 2006;108:2509-19. 15. Young N, Griffith P, Brittain E, Elfenbein G, Gardner F, Huang A, et al. A mul- ticenter trial of antithymocite globulin in aplastic anemia and related diseases. Blood 1988;72:1861-9. 16. Matloub YH, Bostrom B, Golembe B, Priest J, Ramsay NK. Antithymocyte globulin, cyclosporine and prednisone for the treatment of severe aplastic anemia in children. A pilot study. Am J Pediatr Hematol Oncol 1994;16:104-6. 17. Rosenfeld SJ, Kimball J, Vining D, Young NS. Intensive imunossupression with antithymocyte globulin and cyclosporine as treatment for severe acquired aplastic anemia. Blood 1995;85:3058-65. 18. Marsh JC. Results of immunosuppression in aplastic anaemia. Acta Haematol 2000;103:26-32. 19. Socié G, Gluckman E. Cure from severe aplastic anemia in vivo and late effects. Acta Haematol 2000;103:49-54. 20. Socié G, Rosenfeld S, Frickhofen N, Gluckman E, Tichelli A. Late clonal diseases of treated aplastic anemia. Semin Hematol 2000;37:91-101. 21. Frickhofen N, Heimpel H, Kaltwasser JP, Schrezenmeier H; German Aplastic Anemia Study Group. German Aplastic Anemia Study Group. Antithymocyte globulin with or without cyclosporine A: 11-year follow-up of a randomized trial comparing treatments of aplastic anemia. Blood 2003;101:1236-42. 22. Rosenfeld S, Follmann D, Nunez O, Young NS. Antithymocyte globulin and cyclosporine for severe aplastic anemia: association between hematologic response and long-term outcome. JAMA 2003;289: 1130-5. 23. Frickhofen N, Kaltwasser JP, Schre- zenmeier H, Raghavachar A, Vogt HG, Herrmann F, et al. Treatment of aplastic anemia with antilymphocyte globulin and methylprednisolone with or without cyclosporine. The German Aplastic Anemia Study Group. N Engl J Med 1991;324: 1297-304. 24. Gluckman E, Esperou-Bourdeau H, Baruchel A, Boogaerts M, Briere J, Donadio D, et al. Multicenter randomized study comparing cyclosporine A alone and antithymocyte globulin with prednisone for treatment of severe aplastic anemia. Blood 1992;79:2540-6. 25. Novitzky N, Wood L, Jacobs P. Treatment of aplastic anaemia with antilymphocyte globulin and high-dose methylprednisolone. Am J Hematol 1991;36:227-34. 26. Bacigalupo A. Aplastic anemia: patho- genesis and treatment. Hematology Am Soc
  • 13. 13Anemia Aplástica Grave: Tratamento Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina Hematol Educ Program 2007;23-8. 27. Pongtanakul B, Das PK, Charpentier K, Dror Y. Outcome of children with aplastic anemia treated with immunosuppressive therapy. Pediatric Blood Cancer 2008;50:52-7. 28. Anti-infective drug use in relation to the risk of agranulocytosis and aplastic anemia. A reportfromtheInternationalAgranulocytosis andAplasticAnemiaStudy.ArchInternMed 1989;149:1036-40. 29. Weinberger M. Approach to management of fever and infection in patients with primary bone marrow failure and hemoglobinopathies. Hematol Oncol Clin North Am 1993;7:865-85. 30. Brodsky RA, Jones RJ. Aplastic anaemia. Lancet 2005;365:1647-56.