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que se consegue, através de recursos extremamente parcos, obter produtos essenciais aodesenvolvimento da economia mundial....
Não basta produzir algo muito interessante, por vezes cheio de cor e de objectos ouformas, carregando o espaço disponível ...
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cujo nome dá por “criatividade”, que quando associada á humildade leva a que oproduto final passe de uma qualidade de “gir...
É a negação do próprio design, a negação de um dos atributos que o ser humano podeutilizar e que lhe pertence no sentido d...
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O papel da criatividade no método projectual do design por Nuno Sá Leal

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Apresentação de Nuno Sá Leal na conferência Powered by Creativity realizada no âmbito do MARKETING SHOW 2010 na EXPONOR

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O papel da criatividade no método projectual do design por Nuno Sá Leal

  1. 1. O papel da criatividade no método projectual do designPorto, Outubro de 2010Nuno Sá Leal1O DesignPodemos afirmar que a consciência do design advém do início de 1919 de uma escolachamada Bauhaus. Esta, sonho criado na mente de Walter Gropius, arquitecto deformação, foi desenvolvida durante a primeira grande guerra mundial, quando aindacomo soldado redigiu as propostas para a fundação de uma escola tendo como objectivointroduzir o método projectual na indústria, no comércio e no artesanato.Não queremos com isto esquecer nomes como William Morris, Ruskin, HermannMuthesius e organizações como a Werkbund. Temos de os considerar como a pré-história do Design, em virtude de não o considerarem ainda uma disciplina comcaracterísticas possíveis de adquirir uma independência marcante quanto às outrasdisciplinas do saber e sim um produto ou subproduto do artesanato ou das artes plásticasem si.Seria errado, no entanto, não atender a esses antecedentes. Se olharmos à história deoutras disciplinas, como a medicina ou a arquitectura, verificamos que também estastiveram tempos, evidentemente bastante mais longínquos, em que se misturavam comoutra disciplinas e cuja independência não era devidamente definida.É espantoso quão próximo está o ano em que o Sábio era pessoa presente, Mestre dosaber em Matemática, Filósofo, Médico, Barbeiro e outras artes aqui não descritas.Da mesma forma, o design surge pela mão de pessoas que tendo consciência da suaexistência e da sua necessidade como disciplina resolvem desenvolvê-lo procurandosituá-lo no espectro das áreas do saber. Assim, verificamos que na base da suaexistência estão pessoas como Gropius, Johannes Itten, Bruno Adler, Dora Wibiral entreoutros. Como se pode ver, nenhum desses nomes está precedido da palavra designer.Após a segunda grande guerra mundial, o design assume um papel fundamental nopanorama mundial. É através desta disciplina e da sua capacidade de análise e síntese1 Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Designers
  2. 2. que se consegue, através de recursos extremamente parcos, obter produtos essenciais aodesenvolvimento da economia mundial. Quem não conhece por exemplo o nome DieterRams e o seu trabalho na Braun?David Hulme, Nietzsche, Derrida e outros cuja memória prevalecerá através dostempos, influenciam a forma de pensar, de estar e os caminhos traçados pelos diversosdesigners que vão consolidando as suas posições e as suas teorias, traçando e marcandoum caminho bem nítido no meio das diversas disciplinas do saber.A teoria da percepção ganha espaço, marca pontos e autores como Eleanor G. Gibsonentra na normal bibliografia de um designer.A semiótica, a engenharia, a ergonomia, a matemática, a sociologia, as artes plásticassão avidamente acarinhadas no seio do design. O design encara-as como ferramentasessenciais ao seu desenvolvimento, parceiros fundamentais para o bom desempenho dassuas funções.O design cumpre a sua função de motor da economia mundial, é aproveitado a nível domarketing, fornece elementos de concretização de produto e de saída à área daengenharia e outras, transforma-se num auxiliar de vendas conseguindo ser a arma que opublicitário necessita para fazer passar a sua mensagem.É aqui que os problemas começam a surgir a nível mundial. É aqui que se lança aconfusão e que ninguém se interessa em conseguir de uma forma precisa e correcta nãosó definir o que é a disciplina, como também em a regulamentar para que possa prestaro papel a que se propõe perante o ser humano, perante a sociedade.Esquece-se, não só quem de direito mas também o profissional e o utilizador, que oproduto fruto do trabalho do designer de alguma forma interfere com o utilizador.Contacta com ele, comunica, transforma, auxilia, pode inclusivamente ser uma segundapele; ou simplesmente prejudicar quem o utiliza ou dele se aproxima pelo simples factode que quem o fabrica e comercializa escolhe o caminho fácil de razões economicistas eignora os mais básicos princípios de relação entre o produto/objecto e o ser humano.Mas existe também pela inocente razão e ignorante razão de confundir o design com asartes plásticas ou com a matemática, ou simplesmente com disciplinas cujo rigorinflexível de pensamento não se enquadra na flexibilidade exigida à disciplina.
  3. 3. Não basta produzir algo muito interessante, por vezes cheio de cor e de objectos ouformas, carregando o espaço disponível de informação que em nada beneficia oreceptor, antes porém o prejudica tentando passar demasiada informação, nãocomunicando o essencial para o seu conforto, para a utilização segura auxiliar, oubenéfica do interface a que se propõe.A observação, a experiência adquirida ao longo de uma linha temporal bem como ométodo de aprendizagem cartesiano e outros, coexistem de forma harmoniosa namentalidade aberta do designer, sendo de alguma forma seu privilégio nunca repudiarmas sim analisar e consubstanciar a informação que lhe é presente. Compete-lhe aelasticidade de separação da informação útil e análise/síntese da mesma, por métodospróprios ou adquiridos através de competências alcançadas ou captadas.Então, antes de se poder tecer qualquer tipo de consideração ou ligação entre o design etodo e qualquer tipo de consideração externa, impõe-se definir de uma forma precisa ecorrecta o conceito em si.O design é um método projectual multidisciplinar que tem por fim estabelecer a ligaçãoentre o produto/objecto e o ser humano.O design não é “arte”, mas tem a capacidade de a aliar ao projecto.O design não é “engenharia”, mas tem a capacidade de a aliar ao projecto.O design não é “matemática”, mas tem a capacidade de a aliar ao projecto.O design respeita o ser humano.Como produto/objecto deve entender-se todo e qualquer resultado final de naturezabidimensional, tridimensional ou virtual que possa interferir directamente com o serhumano.EdiçãoComeço por afirmar que o acto de editar é justamente o saber tornar legível de formaperceptível e atraente o acto de comunicar. Editar é, portanto, um acto puro de design ouserá apenas um dos componentes do método projectual em design?
  4. 4. Quando falamos em “edição”, normalmente a primeira imagem que nos vem à ideia é ade uma página escrita. Pode ser de um livro, de um jornal e ultimamente de um site nainternet.Mas o que é que terá de tão especial ou o que será que carrega consigo a palavra ediçãopara de imediato a ligarmos a uma página, a um texto e esquecermos que natridimensionalidade a edição é um elemento sempre presente?Vejamos: Habituamo-nos desde muito cedo a olhar o mundo através de uma janela.Essa janela faz parte do nosso dia-a-dia e encaixa na normalmente numa paisagem quetem tudo de familiar e que ao mesmo tempo nos fornece uma garantia de segurança, decomodidade.O mundo agreste que nos espera está protegido pela vidraça. As agressões não nosatingem, encontram-se no seu local próprio mas acessíveis ao nosso consciente e ànossa imaginação, preparando as nossas defesas ou mesmo as nossas aptidões para oinicio do dia.Algures, no nosso quarto, na sala ou na parede de um qualquer museu, está um quadro,tal qual a mesma janela onde o pintor, através da sua magnífica arte planificou umaimagem que despertou de alguma forma sentimentos que movem a nossa própriavontade de ser, de pensar, de actuar.Tal como o fotógrafo, o cineasta ou o técnico de informática, o designer colhe osconhecimentos adquiridos pela estética e produz através do conhecimento quematemáticos como Fibonacci e outros lhe facultam, obras que interagem directamentecom o ser humano, facilitando-lhe o acto de percepcionar e interpretar correctamenteideias, sentimentos, expressões, emoções que outros lhe pretendam comunicar.A grelha de edição que hoje se utiliza como mestre não só para a criação de tipos comoda edição de um cartaz ou de uma página é por demais conhecida. A sua aplicação, noentanto, não é de forma alguma linear.A percepção da qualidade estética e da aplicação do tipo correcto para o género detrabalho a efectuar, tendo em consideração todos os factores que envolvem o projecto sóserá bem desempenhado se trabalhado por um designer de formação cujo treino lhepermite equilibrar todas as variáveis em questão.
  5. 5. O equilíbrio das proporções, o jogo de cores a aplicar, a qualidade e tamanho detipografia a utilizar conforme a mensagem que se pretende transmitir, a ideia deprofundidade através do jogo de contrastes, tudo depende do bom senso e doconhecimento que o designer tem das disciplinas envolvidas na “edição” do projecto emsi.Diversas “grelhas” foram sendo criadas, desde que o trabalho de Fibonacci foiconhecido. A grelha, para o designer, representa uma forma de conseguir organizar oseu trabalho na janela que lhe é proporcionada como meio de suporte para a suaexpressão.A grelha é a sua base de trabalho. Ordena, equilibra, sistematiza, racionaliza o projectocriativo, permite dominar a superfície de trabalho clarificando aos seus olhos a posiçãorelativa de cada um dos elementos da composição a utilizar, bem como realça toda equalquer incongruência que por falha construtiva ou de metodologia possa ter sidoaplicada.A grelha garante, independentemente da fonte utilizada, uma leitura correcta por partedo utilizador da mensagem a ser passada ou comunicada.Como exemplo, nos anos sessenta, o tipógrafo Suíço Karl Gerstner, divide a folha detrabalho em dois planos tendo como base 58 unidades tanto na horizontal como navertical. Numa primeira análise, poderá parecer-nos que é uma limitação à liberdade deexpressão do designer. No entanto, foi a forma precisa de conseguir um equilíbrio deproporções entre o texto escrito e as imagens que ainda hoje é respeitado e utilizadocomo exemplo de liberdade de principio base de edição a seguir pelo designer.Quando a “edição” passa dum único plano, ou seja de uma folha de papel ou de um ecrãpara três dimensões, então a questão coloca-se em termos de que não será possíveltrabalhar com uma grelha. Efectivamente ela é plana, encontra-se limitada e, nestemomento temos volume, saímos da janela, deixamos de ter limitações.Existe quem tenha simplesmente resolvido o problema, projectando cada um dos ladosdo produto/objecto num plano. Aí, será fácil aplicar uma grelha, cumprir os princípiosmais elementares e compreensíveis de um único plano de trabalho e a edição cumpre-sedispondo os diversos elementos de forma simples e fácil.
  6. 6. Não é no entanto o facilitismo que o designer procura. Quem procura o facilitismo éaquele que não é designer, nem o quer ser de alguma forma.O objecto/produto tridimensional tem obrigatoriamente de ser projectado, concebido evisualizado segundo todos os seus ângulos, num conjunto uno e indivisível.As premissas devem ser analisadas e avaliadas segundo uma metodologia depensamento lateral. Isto leva a que o número de resultados possíveis possaeventualmente atingir valores desconfortáveis para quem não tem uma formação baseem design. Efectivamente existem no mínimo dois caminhos possíveis e duas soluçõespossíveis para o mesmo problema em design, quer se trate da área bidimensional, querda área tridimensional.Mas o problema ainda reside em como visualizar o todo de um objecto/produto quepassou a ter um volume e cujo formato pode variar conforme o lado de observação.Como na grelha anteriormente descrita, não existe um método único. Depende dodesigner a criação do seu próprio caminho e a sua divulgação. No entanto, o estudo ecompreensão de métodos de representação geométricos, como por exemplo o método deMonge, permitem ginasticar o cérebro do designer ao ponto de conceber dentro da suacabeça a solução ou soluções a propor ao seu cliente. Só a partir desta fase é que ele apassa a uma representação linear de forma a poder ser transmitida não só ao cliente masa quem irá efectuar os primeiros protótipos funcionais a fim de se poder comprovar aexequibilidade da solução ou das soluções propostas.O problema está no facto de que somos desde muito cedo habituados a efectuar asnossas representações através da janela descrita anteriormente. Os nossos desenhosexprimem o que nos rodeia, através de marcas mais ou menos acentuadas, cores mais oumenos fortes ou luminosas, representamos ou de outra forma iludimos os nossoscérebros com a tridimensionalidade e, quando mais tarde partimos para umarepresentação real desta, a dificuldade é gigantesca.Mas, se a utilização de uma grelha na concepção de um trabalho bidimensional é umauxiliar digamos que imprescindível, será que a nível tridimensional existe um auxiliardo mesmo tipo?A resposta reside no método de trabalho adoptado pelo designer.
  7. 7. No entanto e considerando neste momento tanto o bidimensional como otridimensional, existe em ambos uma ultima dimensão, a qual quando não considerada,arruína totalmente o projecto de design. Esta ajuda a distinguir o bom design do maudesign. O design evidencia-se de outras áreas do saber pelo seu pensamento lateral.Permite-se a vários caminhos e a várias soluções para o mesmo problema. A introduçãode novos factores no raciocínio que conduz a uma provável solução não é de algumaforma recusado ou repudiado sendo que, ao contrário do pensamento vertical, éencarado como uma forma de atingir uma possível melhor solução.Dentro desta linha de raciocínio, existe uma dimensão, que é difícil de compreender, porvezes. É justamente a linha da história que cada um dos produtos/objecto que o designerdesenvolve conta ao utilizador, não só quando pacatamente aguarda a sua utilização mastambém quando comunica e interage com o ser humano, falando-lhe ao ouvido comgosto, adocicando-lhe e massajando-lhe agradavelmente o cérebro cansado de pateticesde interfaces humanos que apenas têm o nome e de nada lhe servem. Este será overdadeiro objectivo do designer, este será o verdadeiro produto/objecto; porque nãochamar-lhe “artefacto” que o verdadeiro designer está apto a desenvolver para o bem doutilizador, para o seu conforto, para a ligação múltipla entre as diversas áreas do saberque obrigatoriamente tem de trabalhar a bem do interface com o ser humano.CriatividadeEntão, essa última dimensão está contida eventualmente numa única palavra, a qual fazparte de todo o processo desde o inicio:Criatividade.E é justamente a mistura que se faz entre design, criatividade e arte, que tem servido amuita gente para chamar design a tudo e mais alguma coisa com o único intuito deganhar dinheiro ou pelo simples facto de não terem consciência de uma realidade a quese dá o nome de Design.O que é certo, por tudo quanto já aqui foi dito, a criatividade é um elemento básico emtodo o processo. Aliás, não creio que seja um apanágio do Design. Ela existe no nossodia-a-dia, faz parte de algumas linhas de pensamento mais inflexíveis mas, quandoestamos perante e, como já foi dito, uma forma de pensamento lateral, então a
  8. 8. criatividade desde o inicio do processo, devidamente doseada com a capacidade deanálise e síntese do técnico, é um elemento fundamental.É uma componente imprescindível, terá de ser aprendida quando não é inata, tem de serinstruída e doseada de forma a se obter os melhores resultados possíveis.Esse é também o “treino” que o designer adquire ao longo da sua formação e da suacarreira. O único problema reside no facto de que a multiplicidade de soluções e aabertura para as mesmas leva a que o profissional consciente das suas limitações estejapermanentemente em dois estados: 1) O primeiro, refere-se á humildade de ouvir, ver, apreender, captar os ensinamentos e experiencias que o ambiente que nos rodeia nos oferece de bandeja e os ensinamentos positivos e negativos das outras áreas do saber. 2) O segundo, consiste na consciência de que a formação do designer é permanente, ao longo de toda a sua carreira, ao longo de toda a sua vida.Mas, a criatividade não fica neste campo. O respeito pelas normas leva, isso sim, a umalimitação de criatividade, de forma e de postura nada compatível com a evolução decarreira que o designer deve de levar. O design é um motor da economia: Que o seja.Como?Picasso era efectivamente um génio. Paul Cézanne também.A questão que se coloca, é porquê? Na minha opinião, porque conheciamprofundamente as regras. Porque o seu, aí sim, Génio, as soube quebrar, as soubereinventar e aplicar como ninguém. A criatividade e o conhecimento funcionaram naperfeição.Aqui, o design, como disciplina transversal, pode e deve de aprender muito com a arte.Conhecer bem as grelhas de edição, saber precisamente utilizar as regras da estética,permanentemente observar com olhos críticos tudo quanto nos rodeia, aprendendo como que tem de bom e de menos bom, essas também são funções bem precisas de umdesigner.Saber utilizá-las ao ponto de as saber quebrar, “brincando” com as mesmas á suadisposição, essa é a função do génio em design. Essa é a função também de um factor
  9. 9. cujo nome dá por “criatividade”, que quando associada á humildade leva a que oproduto final passe de uma qualidade de “giro” para aquela que nos leva a pensar erepensar a forma como o produto/objecto interage com o ser humano a seu favor.Design não existe sem o ser humano, a sua participação, a sua colaboração desde oinicio.Design não existe sem criatividade, apenas esta não consegue ter fim, prevalece além doproduto/objecto, além da própria necessidade do utilizador, isto porque o designerdevido ao seu pensamento lateral continua sempre na busca da melhor solução para umdado problema.Método projectual em designNão existe “o método projectual em design”. Existe sim, “métodos projectuais emdesign”.A razão desta afirmação reside em tudo quanto aqui já foi mencionado. O design é umaárea do saber em que o profissional tem a liberdade de construir o seu próprio métodode trabalho projectual ou simplesmente adaptar aquele que melhor se adapte á forma deobter os resultados pretendidos.Ora a criatividade é a ferramenta necessária á adaptação ou á criação dos caminhospretendidos. Será que sem ela o pensamento lateral existira?Pessoalmente estou crente que não.A criatividade é um dos motores do design. Inicia quando o designer consciente danecessidade de utilização da sua própria personalidade profissional, através do seupróprio método projectual, agarra convicto a sua criatividade criando ligações precisasentre as fases do processo e criando através da experiência, da crítica construtiva e dainvestigação os caminhos correctos necessários á escolha e adopção da melhor soluçãopara um dado problema.Como tal, desligar a criatividade do método projectual será uma das formas de se negara essência do próprio design. Será cortar por completo toda a hipótese de caminhos queo profissional tem de recorrer.
  10. 10. É a negação do próprio design, a negação de um dos atributos que o ser humano podeutilizar e que lhe pertence no sentido de melhorar, aperfeiçoar o próprio interface deligação com todo o mundo exterior.Conclusão:O design é uma área do saber que utiliza o método projectual como uma das suasferramentas prioritárias de trabalho.A capacidade de ser transversal a todas as áreas do conhecimento, transformam-no nummotor privilegiado da economia, impulsionando a indústria e aumentando a capacidadeeconómica do Pais.A criatividade está presente no método desde a sua criação, ou seja é anterior ao métodoe mantém-se ao longo de todo o processo.BibliografiaAmbrose/Harris, 2007, The layout book, AVA Publishing SA, LausanneAntologia, 1993, Design em aberto, Bloco Gráfico, PortoBono, Eduardo, 2005 O pensamento lateral, Editora Pergaminho, CascaisBouillot, René, 2007Martinez Bernard: Le langage de l’image, Éditions VM, ParisDroste, Magdalena, 2006, Bauhaus, Taschen GmbH, KölnElam, Kimberly, 2001, Geometry of design, Princeton Architectural Press, New YorkManzini, Enzio,1993, A matéria da invenção, Bloco Gráfico, PortoLawson, Bryan, 1990, How Designers Think The Design Process Demystified, OxfordButterworth-Heinemann Ltd

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