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---o A ditadura escancarada. ão Paulo: ia. das Letras, 2002b.
---o A ditadura derrotada. São Paulo: Cia. das Letras, 2003....
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  1. 1. A.--- 15TORIA MI LITAR RA5ILElRA 1I/lIIIIIi IIdor('s I elso Castro, Vitor Izecksohn, Hendrik Kraay 4r llV 1./'1/1/ 111 "11 I ' f, I
  2. 2. I.'IIN H .()Ii). (F ;V) ISIIN H ·H7723-52-~ (Bom 'lexw) ;op)'right © Celso Casuo, Vitor lzecksohn, Hendrik Kraa)' 1 ir ·itos (léSla edição reservados à 1':1)1'1' IU FCV 1'I:.i:.(i<: 1~()I:"()go,190 - 14Q andar .J" O·'iOO- Rio de Janeiro, RJ - Brasil 'li'l,s,: OHOO 1-7777 - 21-2559-5543 li,IX: ).1 ')-5532 I' Il!.til: l'dilOra@fgv.br - pedidoseditora@fgv.br WI'" sile: www.editora.fgv.br 111ll'l'ORA BOM TEXTO Av, d.IS .Américas, 500 - bloco 23 - sala 302 ,I,~(IIÍO-J 00 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil 'lll/Fax: 21-2176-0606 ,. 1ll:1il:bomtexto@bomtextoeditora.com.br weh site: www.bomtextoeditora.com.br Impresso no Brasil I Printed in Brazi! '1i>dos os direiros reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou '11) pane, constitui violação do copyright (Lei nQ 5.988). Os conceitos emitidos neste lim'o siío de inteira responsabiLidade dos autores. !?I!IJisãodI! originais: l.uiz Albcrro Monjarelim 1?I!1Jisão:Fatima Caroni e Mamo Pinto ele Faria (,flpa: aspecro:design Ilwtração dI! capa: gravura de Johann Moritz Rugendas rerrarando desfile militar defronte ao Palácio de São Cristóváo (atual Quinta da Boa Vista), Rio de Janeiro, RJ, enue 1821 e IH25 (publicada em Viagem pitoresca atrtwés do Brasil). Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV No"" história militar brasileira I Organizadores: Celso Castro, Virar l1.ceksohn. Hendrik Kraa)'. - Rio de Janeiro: Edirara FGV, 2004. 4601'. Indui hibliografla. I. Br:'5il - Hislória militar. 2. Brasil- Forças Armadas - História. I. <::1511'0, ~elsn 11. l1.ceksohn, Vila". 111. I<I'aa)', II·ntll'ik. IV. l'untl:I'"" ; '1lIlio V:II·'~:I.~.V. '1'(11,1<1. 11111111 () 11,1I1I'.t")I'i:! 111ililar ~."nova" história militar , 1/111 '1/1/1'11, V;/,o!' /zecleso/m e Hendrile Kraay li 11110 t .111' doI 1'" '1'1':1no Brasil: tecnologia e estratégia militares II11 1',111,,10 ti:! fronleira da América portuguesa (1550-1700) I', ,1111/'11111111/; li 11110 1111'11,1'o p:1 '(o: a I olítica de intensa mobilização Illilll"l 11,1,',Mill:1S (;crais 67 , 11/111111/11'l'i~~III';r('do PIlgIlIlO de MelLo lulo I I I' 1.11',('(;v('is ti 'lin ]ii 'IHes": desertores no ti li' 1',11,~('I(' ''111 iSI:1 87 '.11111')1 1111 ill Si/,Jf/ NO.~I/(';rrt li 111111 Ij 111111)',11 • 1'ljvil(~J',im (' tiill,jl(),s: li r'(I'IIl:1I11t'1I10 Illilil:!I' 111111I di 1111','l'llilll 'VIII I' I I I I 111/1 /111111 11/1'/"1
  3. 3. Capítulo 5 1 presiganga e as punições da Marinha (1808-31) PrrlornaSiqueira Fonseca Capítulo 6 1 serviço de Sua Majestade: a tradição militar portuguesa 11:1composição do generalato brasileiro (1837-50) 159 Ildriana Barreto de Souza apítulo 7 Recrutamento militar no Rio de Janeiro durante a Guerra do Paraguai 179 Vitor Izecksohn Capítulo 8 A ocupação político-militar brasileira do Paraguai (1869-76) Francisco Fernando Monteoliva Doratioto Capítulo 9 O cotidiano dos soldados na guarnição da Bahia (1850-89) 237 Hendrik Kraay Capítulo 10 Ser homem pobre, livre e honrado: a sodomia e os praças nas Forças Armadas brasileiras (1860-1930) 269 Peter M. Betlttie pítulo 11 I 'vol t:lS de soldados contra a República 301 "'/10 :rl tro 'li tuto 12 11111'(' o 'ollvés e as ruas: vida de marinheiro e trabalho 11.1 ivI:lriJlha de Guerra (1870-1910) 315 A/, 1m J>!'r("ÚI do Nascimento p tulo 13 N('vv, ()go . 1l1()lIlallh:ls::1 'xp 'ri~n ia I r:lsil 'ir:1d . ((llldl.ll· 11.111: li:! 1(tftf/tf ) .~tf.s ("1'1/ ;1111/1'11/1111/11111'11/11 li 111111 I'. I I !l'I.lIIO.' lh 1:1,:13 ':l 50 c1ade brasileira 1,,," /1"11 ,'1'. II'II//)es I'errrrz, 1'11111):1 1 1"ldINSi()II:di';',:IÇfioIa violência extralegal das Forças I 1111,1(1;" IIll I~r:lsil (1945-64) 389 ~/I"'IIII ;, S1I1II1/l?'/rl!l li luto 11 11111'1 llIlli i. rio' poder militar (1964-69) '" 1111/11 1,i'/1/0S li 11111) 17 / 11111'rv,', homossexuais e Forças Armadas no Brasil "',11/'1 ,'('fillfl D'Araujo
  4. 4. I lIschnir, Arminda Campos e Judith Clark - com nossas demoras ~ ~u- s'lncias. Agradecemos também a Marisa Schincariol de 0e~0 e a Vero11l~a "omsic pela assistência na revisão dos capítu~os, e ~ M~Tla Angela ~eal, bI- bliotecária da Oliveira Lima Library (Cathohc U11lverslty of Amenca) pela :lssistência bibliográfica. Celso Castro* Vitor Izecksohn** Hendrik Kraay*** Em artigo intitulado "Como se deve escrever a história do Brasil", 111 li lii ,io 'm 1845 pela então recém-criada Revista do Instituto Histórico e , " rI,I:I'I rl('() L Iy.lsifeiro, Karl Friedrich Philip von Martius concluiu sua longa II I I dI' II pi os que mereceriam a atenção do instituto afirmando: 10' I 11111', I ertence também a vida militar em Portugal aos assuntos de um 1'1'1 r,j to qu;1c1rohistórico. Qual a maneira e modo empregados no re- I 1III.II11Cll10, instrução, comando e serviço do Exército, os princípios es- 11,11 (,;i 'os, s ' )undo os quais se devia proceder no Brasil, um país tão di- 1111'111 ' da I':uropa? I 1111 11111 111oIllllllpo1ol',i:l ,'o 'i:d pl;lll MIIS 'U N:I jun:d/urRJ, Pl;sC]Iis:ldor In :pdoc/ II 1111111111I111 Ili~lllliol PI'I.I 1Jldvl'l~ill 01 Nnv 11:ililpsliil' (llJ/), Prol('s,s()l' d,l 1JPI I, 111111111111111111111111111'1.1IllIiVI'"ill.ldl' do '1I'x,l' (11I,lili, I':IJI), 11Ilill',OI 1.1 lJld 1'1 "I dI' II ( IlIoId,) 1111 I1 1III1 ", I ti 11111111111/111ti
  5. 5. Para o historiador bávaro, mais conhecido pela narrativa de suas via- gens através do Brasil com Johann Baptist von Spix no final dos anos 1810,2 a história militar brasileira ainda constituía um subcampo da "vida militar" portuguesa. Mesmo ~ssim, ele reconhecia que a cultura militar por- tuguesa não poderia ser simplesmente transferi da para o Brasil sem modi- ficações: as instituições militares européias e suas práticas sofreram mudan- ças profundas no Novo Mundo. De fato, Martius ensaiava um alargamento da história militar que cobrisse um espectro mais amplo das relações en- volvendo as Forças Armadas e a sociedade. Este é o tema central deste livro, que apresenta os resultados de pes- quisas recentes sobre as Forças Armadas no Brasil. Seu foco não é aquilo que geralmente se entende por "história militar" - o estudo das batalhas, tá- ticas e principais figuras militares. Pelo contrário, concentra-se naquilo que na América inglesa foi denominado, já há algum tempo, "a nova história militar" -'- mas que hoje dificilmente poderia ser considerada nova. De fa- to, já em 1912, o coronel e ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, à época exercendo a presidência da American Historical Asso- ciation, declarara: "não creio ser possível tratar a história militar como al- guma coisa separada da história nacional mais geral". 3 Os colaboradores deste livro entendem que os militares brasileiros não se encontram isolados da sociedade abrangente, embora possam guar- dar uma relativa autonomia em alguns aspectos e épocas específicas. Seria difícil, portanto, tratar a história militar como algo inerentemente distinto da história mais ampla da sociedade de onde soldados e oficiais são recru- tados. Os capítulos aqui apresentados relacionam a preparação para a guer- ra às características da economia, da política e da cultura onde esses oficiais e soldados estavam imersos. Não se pretende reduzir a compreensão da ins- tituição militar a fenômenos sociais de outra ordem, que a determinariam, , sim prestar grande atenção à interação entre Forças Armadas e sociedade. Essas pesquisas estudam a origem social, os vínculos de sociabilidade, :S 01 'r:1ções formais e informais das hierarquias, os sistemas de progressão 'plllli<;fíc perantes nos quartéis e destacamentos espalhados pelo país. Es- lud:1111I.lmh '111as ocasiões em que as Forças Armadas entraram em com- h:I ': :IS I ou ":s LI~rras externas, a participação no processo de unificação ('I'I'ilOl'i,ll, :11'01'111:1fio dos oficiais e os episódios de violência col tiva, es- pecialmente as revoltas. Finalmente, se debruçam sobre questões de gênero, incluindo a identidade masculina, o homossexualismo e a participação d ' mulheres nos contingentes. Esta introdução faz uma retrospectiva do desenvolvimento da histó- ria militar brasileira, das suas origens no século XIX aos dias atuais. Nã pretendemos fazer um levantamento exaustivo, mas apenas enfatizar as principais tendências do campo, relacionando-as ao desenvolvimento da scrita da história brasileira. Durante a maior parte do século XIX, a história militar foi freqüen- temente associada a outros campos da história e mesmo da literatura. Seria Iifícil dissociá-Ia desses gêneros para considerá-Ia um campo próprio. O que é atualmente visto como a história militar tradicional- os estudos mi- 11L1ciosamente documentados das instituições, guerras, campanhas, bata- lhas e táticas - apareceu pela primeira vez no Brasil nos anos 1890, alcan- (;:1ndo seu apogeu na primeira metade do século XX. Esse era, na maioria 1:lsvezes, o território de historiadores militares e, ocasionalmente, de ad- 111iradores civis. A história militar acadêmica tem tido uma trajetória difícil no Brasil. A 'xpansão das universidades e o fortalecimento da história como profissão ,I partir da segunda metade do século XX) coincidiram com a intensifica- ,,10do envolvimento militar na política e, acima de tudo, com o regime mi- Ii1:1r d 1964-85, que desencorajou a pesquisa acadêmica sobre as Forças I'm:1das. A academia dedicou pouca atenção à história militar para além do 'SI Lidodo envolvimento militar na política - ponto problemático num I 'Ii111 autoritário. N momento em que Martius clamava pela incorporação do aSSLl11 III~ t1lilirares à história do Brasil, os primeiros estudos no campo j:1 l:lV:lI11 '111,11'"'nd . M mórias pessoais e trabalhos de viés literári d0l11in:tr:lI11,1 Ili',I<')I'i:1rnilil:lr brasil ira durante éculo XIX./j Ladi.sbLl dos S:lnl().~'I'i. 11.t,11111011"i:db:li:lI10 011 aspira Õ 's a li '1:1, lIu11i '011 'nlr' IWi ,I tU! III li! '111:1~pi 'o '111 lois VOllllll 'S sohr':1 'li '1'1':1I, illd 'I' 'li I I 1'1 f .11111" ' • 'J!I ~ (I H I 1), 1'11.1 ( 1111111111 (11)11/ /1,') I I 1,1111111 II1 11,111 I ( 11)1) I ): I
  6. 6. Bahia. Cuidadosamente anotado para realçar os feitos de seus camaradas patriotas, esse trabalho constitui uma história detalhada da campanha tra- vada em 1822/23 para expelir as tropas portuguesas de Salvador. Alguns anos mais tarde, Titara foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde pres- tou serviços contra a revolta farroupilha e participou da campanha inter- nacional contra Juan Manuel de Rosas (1851/52). Após abandonar a poe- sia, ele publicou uma história dessa campanha, enaltecendo os feitos de seus compatriotas.5 Vários participantes da Guerra do Paraguai - o mais longo e san- grento conflito enfrentado pelo Brasil - publicaram memórias que são ainda fontes inestimáveis. O visconde de Taunay imortalizou a malsucedi- da expedição a Mato Grosso emA retirada da Laguna (um clássico literário primeiramente publicado em Paris em 1873), mas exigiu que as suas me- mórias (escritas nos anos 1890) só fossem publicadas depois que tivessem passado 50 anos.6 As Reminiscências da Guerra do Paraguai, de Dionísio Cerqueira, escritas 30 anos após o final da campanha, permanecem como um testemunho pungente sobre as experiências de guerra de um jovem ofi- cial? De forma semelhante, o testemunho de Euclides da Cunha sobre a destruição de Canudos, Os sertões, é uma combinação de história de cam- panha, memória, estudo geográfico e texto literário.8 Numerosos estrangeiros que atuaram como observadores da Guerra do Paraguai fizeram contribuições significativas à história militar do Bra- sil, as quais, no caso de George Thompson e Max von Versen, ensejaram um vivo debate.9 Somente alguns estudos, realizados antes de 1890, an- teciparam a história militar posterior, notavelmente a história das guerras holandesas, de Francisco Adolfo Varnhagen, e os comentários ao trabalho de Louis Schneider sobre a Guerra do Paraguai, produzidos pelo futuro h~1rão do Rio Branco, bem como sua biografia do general José de Abreu. IO Foi somente a partir da década de 1890 que emergiu um gênero iden- (i fi .~ v ,I de história militar brasileira, coincidindo com o crescimento e o f()I'I:d . 'im nto institucionais do Exército. Entre esses escritores predomi- 11I ,111 Ildlil.ll' ',' 1"', por) 'r:tç-es, rc beram apoio institucional do Exér- .1111 I1 II1 IW .,0 '01')11 112milio . Jourdan foi comissionado para escrever 11I 1 11111I hi~I(/)I'i:t h :u 'l'1'a do Paraguai.1! Naquela mesma década, José I. 1llllililll) IO!'111:11111ini iou sua carreira como historiador militar. Na pri- 11111I I 1111'1.'I, 10 s· ul XX, vários outros oficiais construíram suas repu- 1II II 1111110Ilisloriad res: Emílio Fernandes de Souza Docca, Augusto I I 1I 1'1.'1',0,'0 . han is o de Paula Cidade. Eles produziram um fluxo 111111111 d' hislóri:1s de campanhas, freqüentemente bem-documentadas, 111111Ijlll' Illllil:tS v Z s abordadas de forma estreita. 12 JIII,I rls'i n:lç50 om os aspectos românticos e patrióticos da história I1 11111i' Illl ·ou alguns setores da sociedade brasileira durante as décadas de I 11111 11)..0, ;IIW1VOBarroso, a quem o Museu Histórico Nacional do Rio til J 11111In d 'v . :1 sua enorme coleção de militaria, publicou uma série de his- ItI Iilll'dl')(i ':ISd3s campanhas militares, além de uma História militar do /1 /11 .I~,i111'olaborando também para a ressurreição de antigas tradições " 1111, hio 'r:d'la foi um dos gêneros literários favoritos, mas ela tendeu a 111111111,11M' nun pequeno número de "patronos", Caxias e Osório aí apa- • 1111111111110:IS personalidades favoritas. Uma pesquisadora contou não I1 I I1I1 III hio?raftas de Caxias, a maioria delas compilações, em vez de tra- I dllll 11I'I',ill:IÍS. iJ Umas poucas biografias de militares produzidas no início I, I I I11III' I P 'J'Inanecem como fontes úteis, menos por suas interpretações I" '111 111LI ill '1llsão de fontes primárias pelos autores.15 f II.lV(IS li 'sua editora, a Biblioteca Militar (atualmente Biblioteca do '11 I1II I,',ditol':l LI Bibliex), fundada em 1937, o Exército assumiu dire- lill 1111I Illis,~:lo d publicar os autores de seu interesse. De acordo com os I. 111" .11 11111 hisl riador, já por volta de 1959 a Biblioteca Militar havia II I 1111IIII III:tis ti' milhões de exemplares dos seus livros, 16 No entanto, 111111til l'IVOll C)UlJ'O historiador, "o auxílio e incentivo não têm sido in- I 111111I1IO'I't'Spol"ldidos, salvo raras exceções".I? A Bibliex continua a 'lV'I'I'il:II':I(I( O), (, V'I' 'I:IIIII:IY(I ~ )0), I ; '1'<lII<,il':l,I~HO,V 'r I~rnhém Pim '!li 'I (11, H) , IIO()lIhoI'/,(I ( 10), H V'I (;111111:1 (I ()O~), 'I VI'I'1'111111'1,.1111(I H(I') : VI.'I~I'I(1')/(,): I' I' 1'I"I,lillll'llll' M,ldlll 'il,1 IHi'O), 111 1'1Vllllill 11',t11(1111):'j,IIIII'ltil'l (lI! .1i'(1).,'I',II11Ii1111(IIH,H) 1 111I1Iti.1I1(IW), I ). ,11111111111111IH')I, 1107, I' I /13); Docc;] (191~); Fragoso (1922,1934,1939); I 1111, 11 '11/0 111111111(11) H, 11).1";);I{odl'il'" 's '11:II'1'()sO(192 ), I 1111/1 ( 11)1/')) I 1111111(I I!%): (),I I I (I HI) 11) I ); 1:1').II:ti(11 HiJ/H ), I I 1111111'11"(I 'I/H l/H), I ,.I I" 1'1,1) I!III 1111
  7. 7. publicar uma mistura de história militar tradicional (tanto novos trabalh s quanto reedições de estudos mais antigos) e traduções de trabalhos stran- geiros sobre a história militar. 18 Até o final do século XX, historiadores co- mo Paulo de Queiroz Duarte e Cláudio Moreira Bento continuaram o tra- balho de gerações de historiadores militares do passado. 19 Diferentemente dos Estados Unidos e de outros países, aqui o Exército nunca publicou his- tórias oficiais, como aquelas produzidas pelo Center for Military History em Washington, cuja "missão essencial (00.] é escrever a história oficial do Exército dos Estados Unidos (00'] um relato amplo das atividades do Exér- cito na guerra e na paz e (00.] uma importante ferramenta para o treina- d C'." b C'. • • C'. - d " 20 mento e onClalS e su onClalS na pronssao as armas . O envolvimento do Exército na política, desde o tenentismo dos anos 1920 até os anos 1950, possibilitou outra onda de memórias,21 assim como a participação do Brasil na II Guerra Mundial. Criado em 1973, o Centro de Pesquisa e Documentação de História ontemporânea do Brasil (Cpdoc), da Fundação Getulio Vargas, vem co- letando arquivos e depoimentos de oficiais envolvidos nos principais even- tos políticos e militares do século XX, impedindo assim que essas valiosas fontes venham a correr algum risco. Da geração dos "tenentes" das décadas de 1920 e 1930 devem-se destacar as entrevistas realizadas com Cordeiro de Farias, Juracr Magalhães, Ernani do Amaral Peixoto e Edmundo de Ma- cedo Soares. 2 Apesar desse esforço, poucos diários de militares foram publicados no Brasil, exceção feita ao trabalho de Paulo Staudt Moreira, no Rio Grande do Sul, com o diário do coronel Manoel Lucas de Oliveira.23 De fato, mes- mo os diários da Guerra do Paraguai foram esquecidos pelos historiadores. Trata-se de uma omissão que contrasta com o enorme sucesso desse gênero nos Estados Unidos. Em 1959, Francisco de Paul a Cidade, então um dos mais destacados historiadores militares, sintetizou três séculos de "literatura militar brasi- 18 Ver Leal (2001), 19 Ver Duarre (1971,1985,1981-92); Bento (1971,1992/93,19%). 20 U Army Center of Military History, 2004, . 1 V 'I'T,ivora (1927/28, 1973); Moraes (1947, l' 69), . V'r, r '~p' IiV~lrn'111" ,:II11argo' ~6'~ (' H I); Mag:dh~ '~ (I' K ); ,:Im:lrg') (I' H I); .'ilv,1 (I ')I)H). ' VI'I MIIII'illl (11)1)/) 1I11I" 1111I11livl'u '11(/'1' '~':II( (l( ~ 'SllId:lIltes da história ITlilit:u,21í l ir:1' 'li 1IIIIi 1111'doi 111.1iUl'i:1d '~'lIS '0111 'l11p0I'Aneos, idade prestou algum::t :11 'n- ',111 I IIi'dl/ll'i.1 w 'i:ll, :Iin Ia qu . minimil'.asse a importância de seu inL'1' 's- 111111'~lIldo,'( hl" (s. Ihd s rasos durante os anos 1820 - por ele d ._ I 1111111111111011111:1'01 ')jo ele "ninharias",25 S/II/I'.II' I . P:LI!:t idad' Ic certo modo resume e encerra o trabalho .1 IlItllllIllI 'slilo . 1111:1.eração de historiadores militares. Nos cinco anos '1111111""I11Ui:ln :1$dr:lm:íticas na política brasileira e na prática histórica 111111/1111.11i.1I11suhslan ialmente a história militar brasileira. I, 1111I )() surgiu O primeiro volume da História geral da civilização bra- 1/, 1.1, 1111'),111i1'.:1 1:1p r Sérgio Buarque de Holanda, um marco no desenvol- "11111I1IdoI pl'o( Iss50 histórica no Brasil. O triunfo da revolução cubana, em I" 11),I','I'OU UIl1 r:lnde influxo de brasilianistas nos anos 1960.26 I;111I( :1pareceu :t primeira edição da História militar do Brasil, d I I .111W '1'11. -k, odré. Representante da esquerda militar cujos remanes- 1111 I ,1.1V: 111 sendo violentamente expurgados das Forças Armadas, Sodré I. 111I '1" '1UII a h istória militar do Brasil de um ponto de vista marxista. Na '1111111'11111,I 'ixou registrada uma intenção programática, manifestando a 1II 1111,,I I· J U' s militares reassumissem seu papel historicamente pro- 1I I 1,1(01110 I 'Fcnsores das "instituições democráticas" e da "livre expan- 1111111111Illi ':1 n:1 ional".27 ) 1',01P' I . 1964 e o regime militar subseqüente desmentiram as es- I" I 111I,oI,~d . .s Iré. Uma ironia da paisagem política brasileira até o início I" 111111,I( 110 r 'sidia na demanda de uma história sobre as origens'do re- 1111, 11111'S n Lempo em que a maior pane da profissão histórica era 1,111.,P,II':I 101 J' !cle, em parte por dificuldades de acesso a fontes, em II1 1 I"" I 'I' S( rl'iclo constrangimentos profissionais ou pessoais de di- I I 111d ·Il,~. l J 111o Ih :11'sob r a História geral da civilização brasileira, publicada em 1II 1I111111"~'11[1'·1 O 1981,revelatantoapresençalimitadadeassuntOs 11111111",11:1Ilisl()J'io Irall;1 br:lsilcira quanto a ênfase na história política cI s 1""111)', II,dLlIltos :lí ir luí los. A história militar foi muito pouco signi.f1 ';1- II 11111',vldlllll'S illi ·j:lis. L r eiro volume apres ntou um leV:1.nt::tl.l'11(0 'I ( 1i1,ltll' (1')')1)) . I d Idl, I i)(, I I "ltll" 111,1tll,IIII'II,1,VI'I 11.111)(",,1,1':,11ill"lltlll'iti:1 ( ()O ), ",,111 1'/") -111,
  8. 8. sup ,rf·' i:Jl das instituições militares durante o final do ped l o~ol1i:d' ( iltÍ io do p dodo monárquico. Esse levantamento fOl feIto I r I~urfp , I 's Sil11ó's I~Paula,28 O sexto volume, sobre o declínio e a queda da monar- qui:1, in 'Iuiu a primeira seção exclusivamente dedica da à história militar. Sillo's I· Paula e o general Antônio de Sousa Júnior escreveram hlstónas 11iIi1:1 r ·S tradicionais sobre as campanhas navais do século XIX e sobre a :'1 '1'1":1lo Paraguai.29 John Schulz, na época finalizando sua influente tese .'(ll r' o pape! do Exército na queda de Pedro II, apresentou um, resumo do s 'U Lrabalho, e Jeanne Berrance de Castro, um resumo de seu l1vro sobre a ;uarda NacionaL30 No volume subseqüente, Sérgio Buarque de Holanda prestou bem mais atenção ao pape! das Forças Armad.as. na ~~eda da mo- narquia, enfatizando que "nessas circunstâncias os ofiCiais militares podem inscrever-se realmente na vanguarda das aspirações populares e figurar co- d· d . -" 31 mo porta-ban eiras essas aspuaçoes . Com poucas exceções, os colaboradores dos volumes subseqüentes praticamente não prestaram atenção aos assunt?~ militares. O capí;ulo de Fernando Henrique Cardoso, "Dos governos militares a Prudente-Campos Salles", pouco falou sobre os militares, baseando-se fortemente no trabalho de Schulz. José Murilo de Carvalho, uma importante exceção dent~~ desse quadro, contribuiu com uma análise inovadora do papel desestabl~lzador das Forças Armadas na política da Repúbl1ca Ve~ha, enquanto ~~loisa R~- drigues Fernandes publicou um resumo ~o seu l1vro s~bre a pollcla en; Sao Paulo.32 Quanto mais a coleção se aproxlmava do penodo contemporaneo, no entanto, mais escassas eram as menções às instituições milit~res. Somen- te um ensai,o. tra.tou do~ militare: n?s ~~s-1930: o estudo de Italo Tronco sobre a polmca mdustnal do Exerclto. A presença limitada das instituiçõ~s militares na Hist~ria ~er~l.da ci- vilização brasileira é um termômetro do mteresse da profissao hlstonca no Brasil pelos assuntos militares e uma medida clara da dificul~ade para e~- tudar as Forças Armadas durante a ditadura militar. A despelto dessas 11- I1 I1 111 ,111I1"1'll'I, ""U~ I llhli '011 s· um volulll' sul SL:ln 'i:t1 !, Ir:lh:J1hos ,dli 1i IIJilil.lll·11 11.1l1ul(til:1. A:I '<,;nd: implf 'iLa p:lra alguns, plf iL:lp~1I':1 .1111111I I 1,1,1 1íII' ,I das ()I'il' 'ns hisI6ri ':1Sde I 61. No preEí io d sua t·s·, IJld, I I 1('Vi ti: ":1 'ollviv~11 'ia '( m um g verno militar em décadas pas- 1111 I 11111'1il',() I' ["Itur:,,,, int rV'11 ões militares me eximem, creio eu, de 1i1111 ,li ,I 1l'!'Vt!ll 'i:l !'sle esrudo".34 1llloillli,l 11)1''s Ira ilciros e brasilianistas tiveram abordagens significa- I 11111Illi' dil'·1' '111'S p:1r:l eSSJSquestões. Valendo-se de abordagens marxistas 1'1111Illl'III' I';ldi ':Hbs en análises que tomavam por base a luta de classes, his- 1111Ild,,, '.~hl':lsil 'iros, omo Nelson WerneckSodré, procuraram situar os mi- I I 111" 11.1 ·~tl'Ulll ra de classes da sociedade brasileira. Uma volumosa historio- 11111',1111'I () I 'nentismo tentou elucidar o peso da origem de classe por trás 1II I ,dlU los ofi iais contra a república aristocrática. O debate sobre a na- 1111 111 d,1 I" ·1 . movimento atraiu a atenção de muitos historiadores desde a lIldll,I("I(, 'ITl 1932, de O sentido do tenentismo, de Virgínio Santa Rosa. I II Illd' p:11'1'daquele debate girou em torno da questão de os tenentes re- 1111I 111,IIC'111oU não as aspirações da classe média, insatisfeita com as condi- 1 I .1.1I''pLlbJica oJigárquica. Edgard Carone viu os tenentes como progres- 111',,' ,lllIi Jigárquicos. Maria do Carmo Campelo de Souza enfatizoLl as 1 Id 111',id:ldcs daquele movimento, ao mesmo tempo reformista e aberto a 11I111111()spo!fticos autoritários. José Augusto Drummond argumentou que a II 111I!.I{) dos tenentes não era dirigida contra as "classes dominantes", mas 1111111,1,'11:1Iosição subalterna no aparato estata1.35 . S brasilianistas apresentaram uma versão mais institucional sobre a 1111',,11)'ivil-militar ao final da República Velha. Henry Keith destacou os 111111.l1'11:1Sda profissionalização militar como fio condutor da insatisfação 11I IC'll 'l1tCS, interpretação que, segundo Frank D. McCann, foi corrobo- I Id.1 P '10 depoimento de um dos mais destacados protagonistas daquele III!lvilll 'I1tO, Juarez Távora. McCann destacou a falta de uma diferença Illlli~ 111:11'a.nte de mentalidade entre os tenentes rebeldes e o resto do corpo 1I1(11I 'i:li~, argumentando que os primeiros se diferenciavam apenas por sua I ti I,I I· paciência e pela escolha dos meios. O mesmo autor tentou uma ex- I li, ,'~:I() runcional para um tema recorrente na bibliografia: "a falta de um 1'1(1)'l() político consistente". McCann argumenta que, "como militares, J.H V r Paula (1962:265-277). I) Vl'I'Pntla (1971:299-314); SouzaJr. (1971). ,O V;I'S hulz (1971:274-298); Castro (1971). 1 Ilolanch, 1972:346. Vel' ~;Ircloso(1975); Carvalho (1977); Fcrnandes (977). V 'I'Tron o (1981). O capítulo remonta a um debate travado enrre bnsilianistas sobre 11'. illll'I'SS's ' onômicos do Exérciro brasileiro. Ver Wirrh (969); Hilton (1973, 1982), li, 11li 1'1.. 1971:13. I VI'I'I OS:I(1932); Carone (975); Keith (1976); Souza (1976:101-102); Drummond ( l'lH()), Vcr rambém Forjaz (1977, 1978, 1989); e Borges (1992),
  9. 9. ,I 'S It n 'ntes] concordavam sobre o que estava errado no Brasil, '011' '11 t 1':111 lo-s~, de acordo com o seu treinamento, em destruir o inimigo ao inv ~s I I ' '[ - ]" 36( 'p an }1I' 'm como reconstrUIr a naçao . As 'xplicações de origem institucional para compreender o compor- 1.111'IH( I olítico dos militares tomavam como base a educação militar e o 1"'0l :.~sode socialização dos oficiais durante o segundo reinado. Schulz foi ,I p 'n;lS mais um de um grupo de brasilianistas que, no final da década de lI) )0 e princípio da de 1970, procuraram explicar o passado recente através d . uma análise cuidadosa do papel do Exército durante o Império e na que- Ia da monarquia, momemo-chave no sur 7imento dos militares como pro- Lagonistas no cenário político brasileiro.3 A longa duração do regime militar, que contradisse as suposições de muitos liberais quanto ao fato de o profissionalismo promover a subordi- nação militar ao poder civil, levou Alfred Stepan a formular sua idéia do "novo profissionalismo". De acordo com Stepan, as circunstâncias da Guer- ra Fria, ameaças internas à segurança e a necessidade de desenvolvimento econômico levaram os militares (não apenas no Brasil, mas em muitos paí- ses da América Latina) a assumir um papel mais ativo na política.38 Segun- do ele, até 1964 os militares haviam exercido um "poder moderador", no qual as intervenções eram rapidamente substituídas pela restituição do po- der aos políticos. O golpe de 1964 e o regime militar então instaurado te- riam causado uma inflexão nessa trajetória. O modelo de Stepan ofereceu uma explicação atraente para a novidade do regime militar pós-1964, pro- movendo uma maneira de sistematizar a pesquisa no Exército pós-1889. Historiadores como McCann questionaram a visão de Stepan, argumen- tando que os precursores da ideologia militar pós-1964 se encontram na República Velha.39 As discussões sobre as intervenções militares concentraram-se na par- ricipação política do corpo de oficiais. Ficaram evidentes as interconexões entre as esferas civil e militar, tal como comprovadas pela abundante lite- ratura sobre o sistema democrático oriundo da Constituição promulgada 'm 1946. O avanço do processo de profissionalização dos militares não os 1I11111i1111)1110'.I 11111"'011 rol ' bj 'livo" por parte dos civis, tal como ocor- I ItllI 1111I I 111,),~l J 11i los, I) ·10 on trá rio, as Forças Armadas cristalizaram-se '"111 I1111.11111polfli'o r ·I'vante à medida que o processo de profissiona- 111I1 I' '11"1.1IIHi:tV:I, inlervindo na arena política através de golpes e con- I 11"11"" 1',1",IS :I~'Õ 'S refletiam os contatos com o mundo civil e o apro- 1111111111111110tI:1 I oliLização entre os oficiais. Dessa forma, profissionalismo 11" IlIdl"IO n:lO (c)I'Inaram um jogo de soma zero, interagindo ao longo da 11I I11III d.1 ilSlirui :ia. 111111,1OULr: vertente, a ocorrência de golpes c!uranl os' ulo XX 1Illtll 111,1,si 11:11:1a fraqueza institucional de partidos inslilui):õ 's. S· m '11 t1"1I111.1SIideranças civis procurassem cooptar os mil ital' 'S - :1Sr:11110S:1. IlId(·II',S" -, a fraqueza institucional do sistema políti ,::diada ~ 1"- 111111 LI ti ' 'rises institucionais, reforçaria o papel político dos miliLar ·S. II1II I ou IlIié assinalou que as Forças Armadas desempenhariam, por u- 11 I11'id, I :ISmesmas funções que os partidos políticos, constituindo-se em I 111.1ti ·i1'05 partidos militares, organizados segundo facções com poderes li, 1I1Ilil '1':1ç50, tomada de decisões e mesmo de articulação com outras for- I I "11 i,1is, 1 visão das facções militares como partidos foi corroborada por 1I111111,~p 'squisadores presentes no livro de Rouquié, publicado durante o Ili111111)governo militar.40 . Importante papel renovador nos estudos sobre a instituição militar , 111li l(' ;1 LIma série de trabalhos produzidos na área de ciência política. Além ,111), 111'n ia nado artigo pioneiro de José Murilo de Carvalho na História 'i l,tI ri/l'llJifização brasileira, o qual teve uma continuação para o período 1'1 () 1í'),'Í I cabe também registrar os trabalhos desenvolvidos por pesqui- .Ii lul"s lue estudaram ou trabalharam no Instituto Universitário de Pes- II"i .•:l,' do Rio de Janeiro (Iuperj).42 Ainda no terreno institucional da ciên- 11.1jlolftica, foram importantes os trabalhos produzidos na Unicamp, em I ',P , 'I:" por Eliézer Rizzo de Oliveira, fundador do Núcleo de Estudos Es- y; iVI ann, 2003:209-11. Ver também Keith e Hayes (1976); Keith (1989). 17V'I' immons (1966); Dudley (1972); McBeth (1972); Hahner (1%9,1975). Ver 1.111111~111I hy's (I' 19, 1991). 1M VI'I SII'P:1I1 (1'7, :'Í7-6S, 1971). I'/VI'I MI(;.IIIII (1)79,1')1 ,1'JR4.20(3). 111Vn I ouquié (1980). O livro inclui também artigos de Anronio Cados Peixoto, Elié- /1'1I(i/,'{,Ode Oliveira e Manoel Domingos Neto. 11Vl'I' 'arvalho (1983). I' I .V'I' ,uello (1976); Costa (1984); Barros (1978). Coelho (1985) prodUZIUuma rese- 111,,,hihliogdfica sobre a produção acadêmica a rcspeito até o início da década de 1980. I 'I '111'melltc, Zaverucha e Teixeira (2003) atualizaram essa resenha para a produção " ,ld~llli a posterior.
  10. 10. rratégicos, em 1985.43 Tomados em conjunto, esses trabalhos 'nhli'/.:II':11I1 a necessidade de se retomar o estudo da instituição militar lando :I[ '1l~':I() special a seus aspectos "internos", "estruturais" ou "organiza ion:Jis"- 'l11boril O foco de análise ainda continuasse sendo o papel dos milil;I' ·S na pol(1 i : ~ r::Jsileira, principalmente nos momentos de intervenções arm:l- tins. I~$,~'s I esquisadores problematizaram em particular a perspectiva que IiIII (:1:1 'specificidade da instituição militar ao vinculá-Ia a uma teoria do ')ldliLO de classes sociais, especialmente quando o comportamento po- I(ti'o dos militares era explicado a partir de sua suposta origem social de " -!assc média". Uma marca institucional está também claramente presente na exten- sa pesquisa realizada a partir de 1991, no Cpdoc, por Maria Celina D' Arau- jo, Gláucio Ary Dillon Soares e Celso Castro a respeito da memória mi- Iital' do período posterior a 1964. Seguindo a tradição do Cpdoc, essa pes- quisa utilizou-se amplamente do recurso metodológico das entrevistas de história ora1.44 Foram entrevistados dezenas de oficiais que participaram ativamente da repressão política ou que ocuparam importantes cargos exe- cutivos durante o regime militar. Em 1964 eles eram, em sua maioria, ofi- ciais de patentes médias que chegariam ao generalato e ao ápice da carreira nos anos seguintes. Foram assim, em grande medida, artífices do próprio regime militar. Quando a pesquisa foi iniciada, havia pouquíssimas fontes disponíveis a respeito do que seria a "versão militar" sobre o regime. Desse modo, além de gerar uma fonte documental inédita, disponível a outros pesquisadores, os trabalhos desenvolvidos no Cpdoc deixaram evidente que era problemático pressupor a existência de uma "memória militar" consen- sual sobre esse período. As entrevistas revelaram memórias concorrentes e 'I" II1111'11"11111111,1,'1111"os I róprios militar ·s. C:xllorar s nllilOS I II I1II I1II1I 1","',~P 'rSOII:lg 'ns . SU:ISver ,- 'S P rmitiu aos pesquis'ldore , 11111111111111111111Illlid,l I' ti ':ln~lis' ( - njunto das entrevistas, perceberem 111111IIIilll 1.111"/..1, I 01' 'x '111110,qu' a onspiração que levou ao golpe d I "I 11,11llldtipol:tr, . II~O . 'ntralizada, como muitas vezes se pensava; que 1 I 1'11 ••1111.111iI)(nl pr 'j Idicou intcrnamente a instituição militar, por ge- I 11 11111.1I 11, ,10 '111r ':1 'SlI'u tura tradicional de comando e o novo poder 1II illIl "() ,10,"(')I,/,~os das J;o rças Ar madas criados para as tarefas de re pressão "" 1111", V 111I:1()I rofundas eram as divergências internas a respeito do pro- I III II I 'd '1110'r:Hização do país. . Ili ". os 111iIita res no período 1964-85 e seu papel na nova demo- I I li, I ,lI!' t:ll1bém mencionar trabalhos importantes de Kenneth Serbin, 111111 I 01 '1'10 Martins Filho, Jorge Zaverucha e Carlos Fico, entre outros. di I.llllh (111mcncionar o grande impacto na mídia e o sucesso editorial ,111 IIVI'OS lue o jornalista Elio Gaspari tem publicado sobre o tema.45 Uma III I i11.lIlisla, Wendy Hunter, analisou o pouco sucesso das Forças Armadas 1 I 11].1111'r s 'u predomínio político no regime democrático, cujo jogo po- Ii 11 11IVIlI sido muito pouco favorável aos interesses militares.46 I':nquanto o novo regime democrático possibilitava análises mais pro- 1111111.1.10 rcgime militar - evitando o reducionismo de alguns estudos an- II 11111'.~-, a maioria dos estudiosos ainda se preocupava com a história po- I 111,I hs Porças Armadas. Há uns 15 anos, esse quadro começou a mudar. ~3Ver Oliveira (1976, 1987a, 1987b, 1994). Ver também Mathias (J 995). ~ P;tr,lconhecer a visão dos militares a respeito de sua experiência no poder, a principal 1;1111'é a trilogia organizada por O'Araujo, Soares e Castro (1994a, 1994b e 1995, que ill Ili ~nrrevistas com militares que ocuparam importantes posições no período, princi- p,dlll '111' nos órgãos de repressão. Além disso, é indispensável a consulta a Ernesto Ceifei, 111111'.",'111r 'vista concedida a O'Araujo e Castro (1997) por um dos mais importantes 1'1'1'1111,11;'IlSdesse período. Para a atuação dos militares durante a transição de 1985 e no Ild, ill d.1Nova República, ver O'Araujo e Castro (2001). O'Araujo e Soares (1994) reu- 11il,1111;111iglls 1';1 adêmicos que oferecem análises sobre aspectos políticos, econômicos e ,"mi,li,.,dll Ill;im' Illilitar. Uma visão do governo Geisel através dos documentos de seu ,II(I'IIVIIpl'sw:d 'sl:i em O'Araujo e Castro (2002). Para um balanço analítico do traba- 111IIdl'M'I1Volvi<io 110 pdoc sobre a temática militar, ver Serbin (2003), Por volta de 1990, uma conf1uência frutífera de democratização e I11til r influência da história social, da antropologia e mesmo das perspec- II ,I, pós-modernas sobre os estudos militares propiciou a revisão da histó- 11,1Illilitar que terminou por tornar possível este livro. O fim do regime mi- 111.11l' 'moveu alguns dos estigmas associados à história militar que limita- '1111:1 pesquisa acadêmica e permitiu o acesso a fontes militares até então 111,1l:ssíveis. Muitos pesquisadores - tanto brasileiros quanto estrangeiros ,11riram caminho através dos documentos existentes no Arquivo His- 1IIIi 'o do Exército (AHEx), situado no sexto andar do Palácio Duque de ,,lXi:IS,no centro do Rio de Janeiro. Geralmente desapontados com as con- I V'r 'aspari (2002a, 2002b, 2003), 1(,V'r Ilunter (1997),
  11. 11. dições precárias e com a organização limitada das valiosas coleções ali guar- ch Ias, sses pesquisadores mesmo assim encontraram muito material digno d ';lt n. ~o. Apenas em 1992/93, pelo menos quatro brasilianistas traba- Ih:lv:lIn no AHEx. Três deles, presentes neste livro, produziram teses de 0111 r:1do parcialmente baseadas em material do AHEx e publicadas em li- vro, nquanto o quarto (um pesquisador mais antigo) tomou uma direção di ('Tente, ainda que tenha publicado um artigo baseado na sua pesquisa no 1 I IEx.47 Três livros exemplificam as novas tendências na historiografia brasi- ianista sobre o Exército. O estudo de Hendrik Kraay sobre as Forças Ar- madas durante o período da independência na Bahia é uma mistura de his- tória política e social, um estudo regional sobre o Exército, as milícias e a Guarda Nacional nos anos turbulentos do processo de formação do Estado no Brasil. Peter Beattie formulou uma interpretação pós-moderna no seu estudo sobre a reforma do recrutamento e o significado do recrutamen- to na sociedade brasileira entre o início da Guerra do Paraguai e o final da II Guerra Mundial. Shawn Smallman reviu meio século da história an- terior ao golpe de 1964, a fim de examinar a política interna do Exército e a construção de uma história oficial da instituição que marginalizou muitos dos projetos alternativos que foram formulados dentro dela.48 Na década de 1990 e no início do novo milênio, a produção acadê- mica brasileira sobre a história militar foi capaz de simultaneamente forjar novas direções de pesquisa e promover novas interpretações para antigas questões. Em 1990 o antropólogo Celso Castro publicou o resultado de sua pesquisa de campo sobre a formação dos cadetes do Exército na Academia Militar das Agulhas Negras e, subseqüentemente, publicou uma análise do papel da "mocidade militar" que esteve na vanguarda da rejeição militar do Império. Castro estudou, em seguida, o desenvolvimento dos principais :;(I11'b los e rituais do Exército, ao longo do século Xx.49 Fm 1990, o historiador Ricardo Salles publicou um livro que pode H'I' 'ol1si Icrado um marco na retomada dos estudos sobre a Guerra do Pa- r:lgllni, 'HLudando as suas conseqüências pará a escravidão e a cidadania no l~r:lsil. Wilma Peres Costa e Vitor Izecksohn pesquisaram uma questão clás- I 1li" lil,~I(')l'i,1POl(Ii 'a 1rasilcira - Opapel da Guerra do Paraguai no [or- 1111111111111010 11li -' pr hssional da oficialidade e na quebra dos vínCLdos i 1111111I',' "rl'il ) 'a mon3r~uia-, fornecendo análises mais sofisticadas das I1llj1,lll', 10 golp' I· 1889, O Izecksohn preocupou-se com as implicações I Iill I 111 g:1I1i'I,:1-~ I Exérci to fora do território nacional teria tido na cria- I 1111,11111:1ll1'ipi '11[ "mentalidade militar", dando ênfase aos efeitos não 111111ill,Hlo:;do Lrab:1lhode reorganização exercido por Caxias no Paraguai. I 1I111)I)/Í, lima on fcrência comemorativa ao 130º aniversário do início da I "li 11.1do 1 1 :1ra uai resultou na publicação de um livro que deu continui- .I Idl I I ·illl T[>rctação do conflito e seu impacto sobre a sociedade brasi- I. I 11IllIll 'sl:lI1do muitas das interpretações tendenciosas sobre a guerra 1'11 111111.1P '1'sistem. 51 O impacto da Guerra do Paraguai sobre a escravidão 11I: I IlIlalll '11[0durante o conflito gerou uma historiografia especializa- .I I ' () ;11ll1I trabalho de Francisco Doratioto, Maldita guerra: nova his- , 1/,/ 1,1 ,"II'fTfl do Paraguai, um modelo de história política e militar sobre " 111liIiIo, :;i11Lctiza grande parte da literatura, além de oferecer novas in- 1I111111,1,() 'S para várias questões até então obscuras do debate sobre a gran- I 111111,1pl:llina.53 1"111I:t Guerra do Paraguai e da queda do Império, relativamente 111111111',' I '111publicado sobre o século XIX. Há muito tempo, José Mu- I tlll.l1 :;I.rv:t1ho.cl;~mou a ate~?ão fara a forte presença.de militares na I11 111111I':1 10 InICIOdo Impeno.5 Recentemente, Adnana Barreto de "" I ,'pl'o!'ul1dou-se nessa questão ao analisar o papel do Exército na '1111I1111.11;:1l)cio Estado imperial antes de 1850.55 A biografia escrita por I 111111I, '11I()S sobre Benjamin Constant Botelho de Magalhães possibi- I I I 111IV,ISilll 'rpretações sobre a vida e os desafios de um oficial que estava 1111111111)(/:1I ol{ti a durante o final do Império e o início do período re- 7 V'I' I ia on (1')l)H), 11M V'I'I(I':I:IY ( 001"): rl ':lIlic ( (01): Sm:tillll:lll ( 0(1). I" VI'I (:,1",1,) (1')1)0,1')1)"', 00 ), P,II'II OIIIIlIII;dl,i1ll1) Pl'otio'/itiOII:I: 11',1d:1 :111110jlolo ",!tI Id'll' li'. 11111111111',11111',111'1111'"VI'I I, '11111'1(11111/). 11 'I! 'mI.l (I ()I ,): 1'1.' ksohn (2002), I 'I f ,II '111", (11) 1) ), 111",(I' (O): Sousa (11)%); Kraay (1997); Izecksohn (2001a, 2001b). 11111'111ti,' 1)OI':llioIO ( 00 ) oincidiu com o ressurgimento do inreresse internacio- 11d I1I11 (:111'11.1do ":II':lgu:li. V'r Whigh:nl1 (2002); Lcuchars (2002); Izecksohn (2001a, 111111" J(HH), 1'1,1:1 ,'Whigh:llll ( OÜ'í) , 1~.s1;1Ltilirm colcr~nca [em três capíwlos sohre I li, I " ,li' 1 111'tl I illl 'MlII sl)hl't: I io :r:llld' dI) S,d, d ' 1I 'ndrik Kraay sobre o.sZU:1VI)S I "11111 I ti,' I "11,110I, '111<1,,ohr' 11t'llj:1I1Iill ;OI)SI:lIll. I I I I1 vldl," (1IlHll), 'I 1111111 (11 J' )'1)
  12. 12. publicano.56 Poucos pesquisadores abriram al1 il ho 110.~:lrqllivll, 1.1 Marinha, mas o trabalho de Álvaro Pereira do Nascimcl1LO sol r' '~~:1COI' poração a trouxe para a linha de frente da história militar no Brasil. 'I A renovação da história militar brasileira na década de 1990 en voIv 'li também pesquisas nos arquivos estaduais. Governadores coloniais e pr 'si- dentes de província desempenharam um papel proativo na supervisão dos assuntos militares até 1889. Conseqüentemente, esses arquivos encontram- se repletos de fontes sobre numerosos aspectos da vida militar. Pesquisas de mestrado e doutorado realizadas na década passada indicam uma grande variedade de fontes disponíveis e de possibilidades para se fazer uma his- , . . Id F A d 'd' 58tona SaCia as "orças rma as atraves o paiS. Sinais de que a história militar ganhou aceitação na profissão histó- rica como um todo vieram em 1997 e 1999, quando trabalhos baseados em disserta ões de mestrado de Adriana Barreto de Souza e Álvaro Pereira do Nas imenro ganharam o prestigioso prêmio Arquivo Nacional de Pesqui- sa.5~ estudo das instituições militares moveu-se rapidamente para o cen- tro da pesquisa histórica no Brasil, e este livro oferece um apanhado das ten- dências recentes nesse campo. o que mais impressionou os historiadores que pesquisam o final do período colonial e o século XIX foi a grande quantidade de documentação sobre o recrutamento guardada nos arquivos estaduais. O "tributo de san- gue" incidiu pesadamente sobre a sociedade, especialmente durante os pe- ríodos de guerra, acarretando disputas amargas entre as autoridades pro- vinciais, os potentados locais e a população pobre e livre. A capacidade (muitas vezes, a incapacidade) de recrutar marcou os limites do poder do Estado e da força dos poderes privados até o século XX. Tal como exem- plificado pelas Forças Armadas, a ação do Estado se dava de forma arbitrária (geralmente brutal), mas raramente eficaz no sentido de gerar acatamento e 56 Ver Lemos (999). 57Ver Nascimento (2001, 2002), Para a visão de um brasilianista, ver Morgan (2001). H ilém dos capítulos de Mello, Nogueira, Mendes, Izecksohn, e Kraay neste livro, ver Silva ( (01); Lucena Filho (2000); Peregalli (1986); Rodrigues (2001); Meznar (992). /,'1 VI'I' Snu'/,:1 (1999); Nascimento (2001). I" 11111"1111,1111'dll,~SI'ldiIO.' ti 'p()i~ i i:J !:tos) '~p:dh:1 los p '10 P:I(" l':,~ I 'Ililll ,"111' ,1111(',111:1'olljlllllllr:1 do ('II:d do S· 'ulo XVIII, 1':1 'irr:1 I 11 111.1dI IlIldlil< illlp 'ri:d ' los 'srorços 10 marqu"" d L omb:ll par:l ((Ir I di 11 I 1I "1"11,110'olol1i:d ti) I~SI:l(..I0,L:lnto 'hrisLiane ':igueiredo Paga.no d ' I, 1I111111/111I1lShiJ'i '/ M:lri:l ilva N gueira demonstram a fraqueza d I~s- I "I" I I ti 1111i,d, I'ropOSI:ISp:lr:l :l.arregimen tação de todos os súdi tos colon iais 11111'111'11111,1111'ltlO d ' ., ravo na década de 1760, que pareciam tão 16- 11 I 11.11,1I/isho:l, '11':dharam em Minas Gerais. Isso principalmente por 111" ,I., r ll'l . oposi:i da população e de setores das elites locais. Nem 1I 1I Illdi, rimin:ld da intimidação nem o abuso da coerção pelas autori. 11.1, potl 'ri:1111:lbrandar a maré da deserção no Grão-Pará. A luta entre os I 1111','11(:1111's do estado fraco e os interesses locais continuou durante o sé- 11111" I I '01110demonstra Fábio Faria Mendes no seu capítulo sobre Mi- 111 : 'r.lis. r crutamento no Rio de Janeiro, durante a Guerra do Para- , 11"I, (I ·ixou laro os limites da capacidade estatal, mas essa guerra fracassou 1111111'1:111Y :l possibilidade de transformação do Estado brasileiro. Tal co- IIiI ,,,ti i 'nl:tdo por Vitor Izecksohn, enquanto as guerras européias estimu- I1IIIt os processos de construção do Estado, o recrutamento para a Guerra <1111',It':puai não gerou mais do que descontentamento e resistência. Mu ito do que tem sido denominado "a nova história militar" na 11t(~I'i':1inglesa enfatiza a vida cotidiana e as experiências pessoais de sol- .I Ido,' , marinheiros, tanto nos períodos de guerra quanto de paz, Retiran- ,111~I:Iinspiração daqueles historiadores sociais que procuram resgatar ho- 1111ItS 'Ill ulheres com uns da "enorme condescendência da história", para 11,11'11111trabalho clássico,60 muitos colaboradores deste livro retratam a vi- 11.1'01idiana dos soldados. Embora os regulamentos militares possam ter 111'I osto a subordinação aos soldados na busca da construção de algo se- 111'Ihante a uma "instituição total", na expressão forjada pelo sociólogo ca- !"ltI 'l1se Erving Goffman, historiadores sociais tenderam a concluir que 111110no período colonial quanto no século XIX os soldados se encontra- V""1 rortemente conectados com a sociedade civil. Os desertares do Pad I I l1ol1ial, estudados por Nogueira, buscavam reassumir suas vidas anterio- li', . No Rio de Janeiro, a presiganga, tema do capítulo de PaIoma Siqueira Ilol1seca, funcionou como uma prisão que tentou implantar um regime dis- I plinar rigoroso entre os seus apenados (fossem eles pessoal da Marinha, i. vis Iivres sentenciados a trabalhos forçados ou escravos realocados para .IS. '~----'-"'-'-""'---'_"' __ ' "M" ' " ••• .............. _-.._ _-_.__ _._----- _._.- (,11 "'hompson, 1963:13.
  13. 13. tig ), mas a instituição ficou muito distante desses objetivos r' 'ul:lll>rios, . me mo o seu pessoal mostrou-se confuso no cumprimento das norm:ls dis- ·iplinflres. O capítulo de Hendrik Kraay volta-se para a vida cotici:ll :1 J )S sokhdos em períodos de paz numa das maiores guarnições do Brasil du- r:lnl . :l.~quatro últimas décadas da monarquia. Altas taxas de deserção, re- l',im s disciplinares flexíveis e intensas (mas geralmente tensas) conexões '0111:l sociedade civil caracterizaram as experiências dos soldados na cidade 1 . Salvador. Os capítulos de Peter M. Beattie e de Álvaro Pereira do Nas- cimento baseiam-se numa fonte infelizmente rara - registros de corres marciais (conselhos de guerra) do Exército e da Marinha, poucos dos quais sobreviveram até nossos dias. Os julgamentos dos acusados por ofensas se- xuais servem como janelas para a sociabilidade dos soldados. Assim como Fonseca e Kraay, Beattie e Nascimento mostram como a conduta dos sol- dados e dos marinheiros divergia daquela requerida por seus superiores na hierarq uia militar. Talvez os historiadores sociais das organizações militares, às vezes fas- cinados com a vida cotidiana, tenham negligenciado a proposta principal da vida militar: travar batalha com o inimigo. O capítulo de César Cam- piani Maximiano oferece uma correção útil a essa tendência, n~ medida em que examina as experiências dos soldados brasileiros no front italiano du- rante a II Guerra Mundial. Apesar da abundância dos registros funcionais sobre oficiais e soldados que as instituições militares vêm mantendo pelo menos desde o século XIX, estamos ainda longe de entender a origem social do pessoal militar no Brasil. Adriana Barreto de Souza examina o grupo de oficiais-generais no período pós-independência, enfatizando a persistência daquilo que ela define como a tradição portuguesa até meados do século. Muito pouco, entretanto, se sabe sobre a maior parte do corpo de oficiais - aqueles cuja graduação variou de tenente a tenente-coronel-, e somente a pesquisa sistemática nas fés de ofí- io permitirá aos historiadores obterem um quadro mais completo do corpo I· flciais. A falta de livros-mestres sobre as tropas prejudicou enormemente .1 p 'squis:l sobre os soldados do Exército. Existem boas evidências, no entan- (1, p:lr: !::tI'suporte a generalizações sobre a baixa origem social dos soldados 1 'I 111. ,I pr dominância de não-brancos nos batalhões, aré que o sorteio, es- I d~ 11'1 ido 11:1lé ada de 1910, esclarecesse melhor, de alguma forma, o status 111lill di 'I illllivfduos alistados. Kraay examina as notícias de desertores emi- 1.1I 1'1Lp, ,IIIIOrith I·s militares para traçar um perfil estatístico dos praças, o ti 1111 liI 11111.1"Ilill.llqtd.1 Illilil:lr s<llcl:ICJos, ':d os . ,~:Ir' 'nLOS), 11:l luar- 'I ,li 11 I I.lt I, I '1111I 111.,1.11,11'll~',IO :1 hi5lóri:1 50 'ial los militares oferece também I I 111111 1 I.q', 1II',"I,hr':1 polfli ':1 rnilil:1r. apírulo de Celso Castro sobre 1'"11 I1I di)' 1,()ld"dos 'onlr:1 a pI'O 'Iamação da República sugere a po- 1111 1,11,11 .111I '!liltl' Illon:írqui o e especificamente da "redentora" prin- I I 1111I, 1111. os pr:H;a., majoritariamente negros e mestiços. Em guar- , I III" IV'I ~.IS 'OJnO as de Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Gros- 1'1 li, I I' '1',,11'11111'111:Hm:lS para defender o deposto imperador Pedro II. I 11li I1I '0111,1 IlriOS:1 . Lriste da história brasileira: a monarquia caiu quan- I, I 11 I1 tll,~rl'III:1SS' 10 seu maior grau de apoio popular. D. Obá II, o ve- 111111ti" :11t'IT:ldo Paraguai, príncipe da população negra do Rio de Ja- 111'11 111(lllill'luisla ardente, não era um excêntrico isolado.61 Quanto aos I I i I .1,1M.lrinha, o estudo de Álvaro Nascimento sobre a disciplina e o I1I I ,11,111,1M:lI'inha permite entender melhor o contexto da Revolta da 1111111" I 111It IO, quando marinheiros do Rio de Janeiro tomaram o con- II ti tll1'o I()VOS ouraçados em protesto contra os castigos corporais, espe- dllll 111(',IS -I ibatadas. ( )111ros 'apítulos deste livro oferecem novas interpretações sobre a I ,ti 1111,1Illi Iil:11'.O esrudo político, diplomático e militar feito por Francisco 111I11ti " Monteo!iva Doratioto sobre a ocupação do Paraguai após o final 1I 1',1li 11.1"'V Ia as complexas circunstâncias políticas que opuseram os in- I I, t .111''l1li nos e brasileiros, com ambos os contendores usando aliados I' II 111,1itl$, bem como paraguaios procurando satisfazer os seus interesses 111'til 1111. () uso das forças aliadas. Os capítulos de Shawn Smallman e Re- 111111I "1110Sexaminam duas características contraditórias, ainda que geral- 11I 1II "'xistentes, do Exército brasileiro durante o século XX. Smallman ""111111':15' na violência extralegal dentro da corporação durante as duas I, III.,,~ti LI . se seguiram ao final da II Guerra Mundial. Os grupos conser- 1 IIIII'~ tI'1 . haviam vencido as amargas disputas internas entre a esquerda e I ,1111iI ,I 11~ hesitaram em usar a violência e a tortura para intimidar os seus "Ili111('111's. Smallman observa que essa situação preparou o caminho para o 11'11di 1 liSO I::tviolência extralegal contra os civis, a partir do golpe de 1964 . I ,I vjol~ncia, tal como Renato Lemos deixa claro, coexistiu durante o re- llillll I"ilitarcom uma cultura legal e judicial, especialmente antes da edi- I 111, 111I(68, do Ato Institucional nº 5, que restringiu drasticamente (em-
  14. 14. b ra não tenha eliminado completamente) o es o[ o das iI1Slilui~o's d ' Á • • d' . , 62 O f - ,. c I I Imo Lltl as C)U IClalS. e ato, a tensao entre a pratica rOrm:1 . ':1 ':1 () r 5 informal é um tema recorrente da história militar do Brasil. L)ur:lnt ' os· 'ulo XIX, procedimentos legais elaborados por cortes marciai co 'xis- I ir:II1"'om a coerção violenta contra soldados recalcitrantes e marinheiros, sill 'Llhridade que se encontra amplamente documentada em vários capí- ILdos dcste livro. Muito se pode aprender sobre o lugar das instituições militares na so- ciedade através do estudo de seus veteranos. Poucos veteranos da Guerra do Paraguai usufruíram os benefícios prometidos aos voluntários no início das operações, e o capítulo de Francisco César Alves Ferraz demonstra que os veteranos da II Guerra encontraram uma situação não muito diferente. Poucos preparativos haviam sido feitos para a desmobilização dos 25 mil fe- bianos em 1945, e as organizações dos veteranos tiveram pouco sucesso em obter os benefícios a que faziam jus os seus membros. Como todas as instituições masculinas (pelo menos até o século XX), as corporações militares tiveram que lidar com a atividade homossexual en- tre alguns de seus membros. Peter M. Beattie justapõe os registros detalha- dos de cortes marciais sobre casos de sodomia a um romance contempo- râneo (QJ..om crioulo, de Adolfo Caminha) para examinar as atitudes bra- sileiras em relação à homossexualidade por volta de 1900. Ele conecta esses documentos às mudanças de atitude a respeito da masculinidade que mol- daram o debate sobre a reforma do recrutamento a partir do final da Guerra do Paraguai. Maria Celina D'Araujo examina as atitudes mais recentes dos militares em relação tanto à homossexualidade quanto à presença de mu- lheres nas Forças Armadas, situando o debate brasileiro sobre essas questões num contexto internacional. Se as mulheres têm sido incorporadas com su- cesso a algumas funções militares, a resistência contra uma integração com- pleta continua forte; em contraste, a homossexualidade permanece um ta- bu para os militares. O capítulo de Pedra Puntoni, o primeiro desta coletânea, examina a prática da guerra no Brasil colonial e oferece respostas para algumas das questões de Martius sobre como a prática da guerra na América portuguesa d iferiu da européia. A "guerra brasílica" contra grupos de índios hostis e es- '1';1 v s fLlgitivos requereu que os luso-brasileiros abandonassem o seu trei- 11.1111'n (' formal; como tem sido o caso geralmente, a guerra contra inimi- l'IiII,ld'I'. "111, 'ti 'OI1JLJnlü,os 'olaboradores deste Livro apresen.tam 1111I1111111.111I ~llhl" () "~I:ldo:llual Ia história militar no Brasil. Muito há 111II 111101,I I I ,j t ll. I':SIU los:l adtm i os das maiores guerras enfrentadas pelo I I li 111,111111.111"'ss: rio,~; livro de Doratioto sobre a Guerra do Paraguai ,I•• 1 '11 k 11Od'1(, Bio rafias criticas das figuras militares mais famosas, 11111111111',1,111.1ti ' B 'njamin Constant escrita por Lemos, são igualmente I III I~ 11 ,11,1o I 'dado colonial e para o século XIX, existe a tendência de 1111.111,l Id,~1<')ri:,mililar do ponto de vista regional (evidente em vários ca- I IlItI'l di ," 'livro), lUC nos tem abastecido com muitas informações inéditas '11' I IIIV ,','id:td 'da experiência militar. No entanto, isso tem ocorrido ao 111111II'lJ '111'<.1:1 perda do quadro "nacional". Muito mais trabalhos preci- I11II I 11'11llS 801rc a construção do Exército nacional durante o Império e so· I I 1I til iIIIP:I'(' nas províncias. Os numerosos estudiosos do recrutamento 1111"1111.11.1111muito a respeito de como o "tributo de sangue" era coletado; 111"11111,1$1:, nada sabemos sobre como os governos coloniais ou o regime 1111111111!lio Ilnanciavam e mantinham o Exército e a Marinha. A história 11III11Iillll:ti pode ter saído da moda, mas somente a análise cuidadosa do 11111111111,1111'nto do Exército e da Marinha pode responder a questões impor- I 111. 1111110cssas. Nem as milícias ou as ordenanças, nem a sua suces· I1 I, I1 :u:lI'da Nacional, receberam a atenção histórica que merecem. 1111111llS "ri ncipais estudos sobre a guarda têm atualmente duas ou três I I 111.1'"1,$ O enorme interesse de pesq uisadores, mídia e público presentes 111I VI 1Ios que marcaram a passagem dos 40 anos do golpe de 1964 de- 1111111'11" 11IC ainda há muito para ser conhecido sobre a instituição militar em 1111'1H li, I' • ·entes. Esperamos que este livro estimule novas pesquisas no rico e 111"1'1'Xl ampo da história militar do Brasil. • )1/ I , Antonio Augusto da Costa. Vida do mal'quez de Bal'bacena. Rio de 11111110:Imprensa Nacional, 1896. • VI'I ::Is.ro (J 977); Rodrigues (J 981); Uricoechea (1978); Faria (J 979). Ver ramból1I I 111' ( 001 a).
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  21. 21. 11,ira eficiente o controle e defesa do território diante dos inimigos "inter- nos". Para tanto, dever-se-iam utilizar os guerreiros obtidos junto às tribos :lmigas, assim como os soldados das linhas auxiliares. O regimento de 1548 fixava formas de recrutamento e organização dessa linha auxiliar, cujos en- argos eram dos moradores. Neste sentido, para além das linhas regulares, a força privada garantia a homeóstase do sistema. A Coroa tinha para si que poderia armar toda a população das colônias por imposições legais. Deste modo, o "alvará das armas" de 1569 tornava obrigatória aos homens livres a posse de armas de fogo e armas brancas.2 É claro que a presença desses armamentos e dessas posições de força disseminados pela sociedade contaminava o seu cotidiano com violência. Todavia, devemos ter em conta que esse arsenal estruturava-se no nível superior das linhas auxiliares, postas, na maioria dos casos, a serviço dos arranjos dos poderes locais e da construção das hierarquias sociais. Isto porque o serviço das ordenanças organizava a população segundo o corte social existente. As forças auxiliares da Colônia foram regulamentadas, por assim dizer, com o disposto no "regimento geral das ordenanças" de 1570.3 Esse regimento instituía os corpos de ordenança formados pelo engajamento obrigatório de todos os moradores de um termo (jurisdição administrativa) com idade entre 18 e 60 anos, com exceção dos eclesiás- ricos e dos fidalgos. Idealmente, tanto as tropas regulares quanto as or- denanças eram constituídas em terços - mas, à diferença das tropas re- ulares, as milícias das ordenanças não recebiam soldo. Tratava-se de uma organização derivada da Espanha, onde o tercio era originalmente um re- imento de infantaria paga e profissiona1.4 j M 'Ildonça, 1972: 145-151. Illid., p, 157-78, I VI'I " Ilw:lrr" (1979: 173-177). A introdução dos tercios na Espanha deve-se à inicialiv:1 dlll.IJlII.IO ;ollçalo de Córdova, que, desenvolvendo os princípios da artc da gucrra SII(· 1,11 Illj,l inl:lIllaria cra formada por falanges de 6 mil a 8 mil homens, criçadas 'nl I i qlll'~, '01 'I'"i:l uma rcsistência importante à cavalaria- e os associando à utili,.a fio:ll11 '1'11,111:1d.ls :ll'Ill:ISdc fogo, "concebcu uma organizaçfio cuja unidad prin ipal 'ra:1 1'0/'11 /1"//11, /'II/lIl/til'íio ou terco dc 6 mil homcns, om,ln lada por um ('omllf'/ ' lividid:1 '111I, /lIlllfl//ilh/ f,r 011/II/III/hõ/'S d' 00 hom 'ns :Ida, olllalld:l I:spor 11111I'I/P/II/O PU n/fi'!',,! Ilh/flltI"/!'fll/O; 1i :1(1:.100 hOllll'IIS((;SI:lS'olllp:lllhi:ls 'Olllp 'li:1111111'11/111til' /II/ltI//IIIII: I' ,I I 111/1011111111'11',I1111/'1/1111/" "II"tltI!'tI, 1':/11':111.111'1'('110111'(1/'11111'1//1,1()1IIIlII',II"Ii.l~11111',/.1 1111di 1110111'1111'1111,1)(IIOdl'II'IIII~I' 1(11)1111,dlllll'llll~ I.Id,I,I' .I',dll,!' 11"01111111'111I11 1 1111'111111111di' 111111"'1111" (1111,11',1111,lI/I)I j I I) I':111I 'c)I'ia, O terço deveria ser formado por 2.500 soldados, repartidos 111I() 101111anhias, compostas, cada uma, de 250 homens, todos subor- 1IIIIdlll, ,10 :lpitão-mor (ou mestre-de-campo). Essas companhias, sob o 11111111110ti· um capitão, por sua vez, deviam se dividir em 10 esquadras de I"1111'IIS. capitão de companhia tinha a seu serviço um alferes, um sar- I" 111,Illll m irinho, um escrivão, 10 cabos de esquadra e um tambor. O '1111II1 111mpossuía ele mesmo uma das companhias, que era servida tam- I. 11111"111111sargento-mor, seu substituto natural, e por quatro ajudantes. 11111"I ti:IS >rdenanças, os senhores ou os donos das terras de um termo I I I1I11I ,I princípio, ser automaticamente providos no comando das tro- I I IIIIIH) :lpil~es. No caso da Colônia, na ausência desses "donos", cabia I 1111.11)1101'e às câmaras nomear os capitães de companhia e os seus aju- 111111 1111'di:IIOS. Como as câmaras eram a expressão dos estratos supe- " I /,O{i 'dade local- ao contrário do grosso da tropa, constituída de I11pl 'S -, a hierarquia superior das milícias era formada pelos se- 11I1"i., proprietários ou "homens bons", donde a reprodução da or- I 11I 111l,tI I·v Tia garantir a funcionalidade esperada da organização mi- l, 11 1""Vi.~IIOde 15 de maio de 1574 complementou esse regimento, es- lli 11111111qll " onde houvesse uma só companhia, o comando seria exer- 1I I" I" ''1 il~O, e não mais pelo capitão-moro I' 1II 11 111 lU );)I, ao contrário da América, o caráter nivelador que se in- 1111/11 1)111:ISordenanças gerou não poucos descontentamentos. Assim, 1111111111'01l'lIl I; 'rnando Dores Costa, persistia uma "aversão da nobreza à I 111,111dl'wnros:l às ordenanças", que se traduzia numa resistência ao 11I II1111111)" lT1 'smo, à participação mesmo que nos escalões mais ele- I•• I "III,I.'i!, 'omumahierarquiasocialqueseforjavanapresençade- 1111111II1Idll ·s 'r:lvismo, o corte social proposto pelas ordenanças era uma 11I11I1iI.HI j IIst:1111'Me de afirmação social e de construção dessas dife- 11I1111'0110f1) 'ns livres. Caio Prado Jr. foi o primeiro a ver nas or- 111 1 I 1111ÍIIIi(;~o 'apaz de "tornar possível a ordem legal e adminis- I 111I 111'1il(f)rio illl 'nso, de população dispersa e escassez de funcio- 11/'111111"''''M:Ii,~:Iind:l, para ele foram as ordenanças que permitiram 1 li 1I• 11 li' ',~," I 'rl'ilório, chs "malhas da administração cujos elos te- 111 1111111'/ti(' :11:11',101' si s , O par o funcionalismo oficial que pos- Ililll 1I11"do ,Iill<!:t 111:is 111 st~lva nas capitai maiores cen- III '1111lI, 111'I'dldlll ( 1)1)) 1',,,.11111101,111.liM' dol,~1'('1.11,111',('111I" ,18 "lill'S1()(,li,~ I 11111111,'1 Illldlll'."I' ('[H)
  22. 22. Iros" , I is é just<lmentetor meio delas que o poder s nhol'i:-i1 li' :ljlISI:IV:1, oIdl11inistração colonial. Imp reante também é notar que, de algum mo 10, as or I. J anças, '0- 1110f()rl1 ;) militar dominante nas décadas iniciais da colonização,:1 ab;1I':l1ll 1111111011:11'as estruturas políticas que se organizavam no nível int 'fm '. tli. Iio 'nu' os poderes locais (municípios) e o governo geral OLl, no mesn , I1 "pi t ~o- 'eneral. Em verdade, à medida que as capitanias hereditárias pas- '"IV,1111:10 controle da Coroa, isto é, tornavam-se capitanias reais e portant t 'l'I'ilÓl'io sob a administração direta da monarquia, o posto administrativo sup 'fior nos limites de sua jurisdição confundia-se nominalmente com o d ' ':tpitão-mor e era provido pelo rei. Ora, esse capitão-mor exercia também :15 funções relativas ao corpo das ordenanças, controlando sobremaneira a nomeação dos capitães de companhia. O regimento de 1570 era claro: ca- I iJ ao capitão-mor "repartir os habitantes da cidade, vila ou conselhos em 'squadras d~ 25 homens e ~ara cada esquadra escolher um capitão de com- pa nhia que ~erá seu cabo", Por sua vez, todos estavam - nesse aspecto do li 'U exercício - subordinados ao governador-geral, que exercia o supremo 'omando das .forças militares como capitão-general. Essa centralização das estruturas militares resultou num controle cada v '1. maior na nomeação dos capitães-mores. No caso da Colônia, tal centra- lização se acentuou ainda mais quando a prerrogativa de conferir as patentes militares passou ao Conselho Ultramarino, Mais ainda, em 1709, um alvará definira que a eleição dos capitães-mores e de ourros postos da milícia, nos 10- "is onde eram feitas pelas câmaras, deveriam agora ser extintas e substituídas por um sistema de consulta, Encaminhada uma sugestão, com o aval do go- v 'I'nador das armas da localidade, ao Conselho de Guerra, cabia em última inSl5ncia ao próprio rei a nomeação dos ditos postos.s I, 1',11',1Pl'lldo Jr. 0953:322,325-326), estes senhores, "revestidos de patentes e de uma 1',11 'I:td ' :!lItoridade pública", se tornariam "guardas da ordem e da lei que Ihes vinham ,1111'11(lllll'();e a administração, ampurando-se talvez com esta delegação mais ou menos IIti ~ ,I(h d ' poderes, ganhava no entanto uma arma de grande alcance: punha a seu servi- ~1111I1I:1fUI'Çl1que não podia contrabalançar, e que de outra forma reria sido incontr I~- v('1, I~ (lll. 'h penetraria a fundo na massa da população, e leria efetivamente a c1il'l.:çãu d,111I1nill", I 11I11r1S:oI1',:!do(I 9H :I00-1 02, 1M), 11IIV.lI, "lIill' 1i t'itoil,illlrins :Ipilã 's 1)01' 'S, d ' IH-I0-170' (Bihliol' 1i Na 'ion:!1 de I.is 11111, I I' 1'1 V,lilll' ,'11), li, , 11), 1111 I I Idll " V 11, :1p 'sal' I' os governadores-gerais acumularem a li- I" 1 11111,,1,Illilil:ll' 'S, 'm respeito ao seu título conjunto de capi- li' 111 , "1',111,' I(),~ ':" it5cs-mores não necessariamente respondiam " 11111"11"11,ÂPl'II:IS I ;)1';1ficarmos com um exemplo, são conhecidos III IllItlliloS jUl'isdicionais entre os governadores-gerais e os de I IlIdllll li, (:IlII) '("iLO, desde cedo os governadores da Bahia tiveram 111I I I 11l1' os po I 'res ampliados dos seus colegas do Rio de Janeiro 1'11 II,d'II), qu' I. tinham também o título de "governadores", o I I I 11I11',lli,1dos meros capitães-mores das capitanias próximas ou 1111111111' 01110 ":Inexas". Em 1697, aos governadores do Rio deJa- " 111111111vdi 10 O rindo de "governador e capitão-general", amplian- 11l1I111(', Illilil:lI'eS do ofício. Em 1714, foi a vez do governo de Per- 111111111I Illd) ~rn in 'orporar ao ofício tal responsabilidade,9 Desde en- li 1II1ii<'lI'io,' :1 Iministrados por ambos os governadores eram tidos lil' 'I I tillllli,IS I 'I'ais",parasedistinguiremdasderrÍfl;is.Ocontrolemi- f 1111I1I1il")l'io s ' via assim fragmentado em diversàs jurisdições con- 1,,11 1'''1 pod 'r 's, por sua vez, diretamente nomt:lados por Lisboa. 1111 I I ()1l1 'XIO, a reorganização das chamadas linhas auxiliares re- llllll 11111'011·1 hs ordenanças na América. Do que foi dito pode-se per- 1 , 1111IIIl ,~'ulo XVIII seria diverso, em termos das estruturas dos po- 1I1illl.II ',, los 150 anos iniciais da colonização. 1111111111''om a Restauração em 1640 e a subseqüente guerra com a I1I11I, II()II1'1':11 onstituiria um exército permanente em termos moder- 111 1'''111 'il'o t 'I'ÇOde tropas regulares, o da Armada Real, foi criado I. 111,11' II:tS 'm 1618. No Brasil, logo depois da expulsão dos holan- I 11 II,dli,I, '111 1626, foi formado o primeiro terço de infantaria paga. III li I 1,11 illll S' o 'Icrço Novo, em oposição ao Terço Velho, ambos com- 1111 di H()()llolll'ns :1da,Comoresultadodasguerrasholandesas(l630- I /11111111.IIIIh (111 riados outros terços "especiais", como o dos negros de 1I 11111111Ilill, . ( los Indios de Felipe Camarão. II A ocupação de Per- Itll 11 ( 11) 11l:I() I'», , ,d, ItllI ( IllH 1:1)/), I I1I 1I1/(11)/I):If' If/)i ;o,'I:I(I')'1H),
  23. 23. 11,Ild'lI'( , I 'mais apitanias d N I'l P ,I s h Ian I 's 'S ':1 '()IIS 'qi'l 'IIIV 1',11'1'1':1I, r nquista não só introduziram enorme Ol1lin '111' I, sol !:Ido, '1Imp '115nas vilas e cidades do Estado do Brasil, como r 'SLdl:lr:lm no 1" ,111,llljO h 'quação entre milícias regulares e linhas auxiliares. Esse r '~Irr~llljo 1'11 '1IOI:ld;:lInente pela afirmação da superioridade obtida na evolu 10 do "m/'I FI(iendi das linhas auxiliares, processo gestado no contexto h pri- 111iI,I hs . da guerra holandesa. :om o fracasso da expedição das tropas regulares européias enviadas 11:1:lI'Inada espanhola de Oquendo, em 1631, a resistência local à invasão h~Il:1Valimitou-se a uma estratégia de "guerra lenta", que buscava a manu- 1 'nção do impasse inicial, quer dizer, procurava deixar aos holandeses o 'ontrole das praças-fortes, mantendo o da zona produtora de açúcar, à es- p ra de uma intervenção da armada, quando isso fosse exeqüível. Nesse .'ontexto, ga~hou espaço a estratégia traçada por Matias de Albuquerque, Irmão do capltão-donatário, Duarte de Albuquerque Coelho, e comandan- l da resistência. Chamada à época de "guerra brasílica" ou "guerra do Bra- sil", essa estratégia militar resultava da impossibilidade de oferecer resistên- ia aos holandeses na cidade ou no campo aberto.12 Segundo Evaldo Cabral de Mello, o sistema de defesa que Matias de Albuquerque aplicou contra os hola~des~s, de 1630 a 1636, era "um sistema misto", no qual as forças con- venCIOnaIS concentravam-se: numa praça-fone, o Arraial, guarnecida pela artilharia e pelas tropas re- gulares e situada à retaguarda de uma linha de postos avançados, as es- tâncias, ocupadas por tropas irregulares de índios, negros e soldados da t~rra. Entre uma e outra estância, vagam as esquadras volantes que con- tlnuadamente emboscam e assaltam os invasores. Enquanto o Arraial preenche uma função estratégica, as estâncias e as esquadras volantes têm um objetivo puramente tático.13 amo escreveu Duarre de Albuquerque Coelho (1944:57): "sua urilidade [das embos- ': Ias] cada dia se fazia mais norória pelo grande remoI' que o inimigo foi delas conhecen- do, N~o ousava sair nem mesmo às hortas da vila que ocupava, Com a presença desres ca- lli1fi 's de emboscada, não só se lograva o presenre efeiro, como de fururo servia ela de IIl1lilO, vcelalldo-lhes, com esre receio, o comerciar com os moradores, e obsrando-Ihes 11111, 'is :11105, ele apoderaram-se da campanha", ' I M,'lIn, 1975:24, I I 1III,I~ '1,1111 OIIlI'O!:l I:ts P ,I s" 'apitks de emboscada", car- 11.11I 1111," 11,111l~I 01' Mal i~ls Ic Albuquerque logo no início da re- I •. ' " d d h111 I ' I', (,IJlII:1 'S 'Sl:lvam no coman o e um pun ado de ho- 11 11111I 1111li" 1, ':1 los I ara controlar uma determinada região. Com I 1111I l() 111)111'IIS (v:~l'ios deles índios "frecheiros", isto é, hábeis com I1 I I1I ,I ~~,I,~/',11'I'rilh:s deviam, também, atormentar o inimigo e des- I I II 111tI,', JlO,~IOS. ·omunicações. Por outro lado, não se tratava ape- 1I 111 I ,I 11 '1'1':, mas também de sustentar quem a fazia. As guerri- 111111.11'111 P '1: várzea, impedindo a entrada dos holandeses, cuida- 111.11 IIIIHIII ;:10 dos alimentos e do açúcar, o combustível da guerra. Os IIl1q IIi ',n" " '['lIndo o memorial de João Cardoso, tornavam-se invisí- 1111 III,IIOS, onde eram imbatíveis. E os holandeses não se poderiam 1111111,pois, "("chado o mato, tudo teria de vir da Holanda, o que era I " .' , I" 14 C d" I"1I II I, ,110,111 erro e Insustentave. ontu o, a guerra enta , UIna 111'11111.,ihilirado o apoio esperado pelo mar, não poderia manter o do- 11111111110illl 'rior por muito tempo diante do enorme contingente do ini- III 1'1 'l'IIIIc!O Cabral de Mello, esse esquema estratégico luso-brasileiro I1I III Ido I 'smontado com a queda do forte dos Afogados em 1633, pois '1111I ,lI. tropas holandesas tinham acesso à várzea, o que tornara "insus- 1.111 I ;1 linha de estâncias em torno do Recife, a qual já pode ser flan- li I li1. 1:1'i!mente pelo Sul".15 l'u 'rra brasílica diferia das técnicas científicas de guerra tão em vo- I 11'1I':11I'opa moderna. O uso dos índios, e de sua arte militar, era essencial. I I 1I1,II·jra geral, as companhias organizadas com base em milícias volta- II 1',11':1'xpedições específicas (ao sertão, por exemplo) deveriam contar 111111() I' -('orço dos "índios domésticos ou mansos", prontamente requisi- I h ..,. 16 A d . d'I I 11', ,I S 'us sen ores ou mISSlOnanos. presença o 111 Igena era cons- 11111('':1 ;lbava, pela sua adequação ao meio e às técnicas necessárias, con- 1111110 ü caráter das atividades militares. Na verdade, os indígenas aldea- .I11~1Illlln arremedo do serviço das ordenanças, organizavam-se também em I olllp:lnhias" chefiadas pelo capitão de aldeia ou capitão da nação. Criado 1" 1,1I .j de 1611, esse posto deveria ser provido pelo governador-geral entre 1" ~,l):ISde "boa geração e abastados de bens, e que de nenhum modo sejam I I l1"d Leite (1944). I M '1I(l, 1975:233-234. 11' V'I' Sodré (1965:29-32).

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