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O uso das redes sociais no contexto educacional:
potencialidades e limitações
Nome de autor Oculto para peer-review (a)1
1
Universidade Aberta, Portugal
Resumo:
O presente artigo tem como objetivo discutir os potenciais e os limites do uso das redes sociais no contexto
educacional. Na primeira parte do texto apresenta-se o enquadramento teórico que fundamenta o presente estudo.
São apresentadas as definições de redes sociais, sob a ótica de vários autores estudiosos do tema. Na segunda
parte, relata-se a metodologia adotada para seleção e análise dos artigos e experiências relevantes de utilização
das redes sociais com finalidade educacional. Por fim, os resultados obtidos a partir da análise dos potenciais e
limites da utilização das redes sociais com finalidade educacional. Para esta análise focou-se em três aspectos:
humanos (perfil dos estudantes), estruturais (infraestrutura tecnológica) e de formação profissional requerida.
Nas considerações finais reforça-se a relevância do debate acerca do tema, de modo ampliar o número de
experiências bem-sucedidas.
Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa, e-learning, formação docente, Redes Sociais.
Abstract:
This article aims to discuss the potential and limits of the use of social networks in the educational context. The
first section presents the theoretical framework underlying this study as well as definitions of social networks,
from the perspective of several authors of this topic. The second part describes the research methodology
adopted regarding the selection and analysis of related articles and relevant experiences of using social networks
for educational purposes. Finally, obtained research results from the above mentioned analysis are
outlined, focused on three specific aspects: human (profile of students), structural (technological infrastructure)
and required training. The findings point to an existing relevance of future discussions about the subject in order
to increase the number of successful experiences.
Keywords: E-learning, collaborative learning, Social Networks, teacher training.
1. INTRODUÇÃO
Em uma sociedade em que a tecnologia, cada vez mais, se faz presente no dia a dia das pessoas, é
inevitável que se discuta a sua relevância para a educação. Não é mais possível imaginar a rotina da
vida moderna sem a presença dos diversos recursos e ferramentas tecnológicas existentes. No contexto
educativo é visível a revolução que o uso destes recursos tem promovido na forma de ensinar e de
aprender. O resgate do caráter colaborativo e participativo da educação e o protagonismo do aluno são
destacados com o uso das redes sociais. Segundo Zanetti (2009, apud RAMOS & FAUST, 2014, p. 8),
as redes sociais são espaços de aprendizagem e de interação, no qual os papéis de emissor e receptor
não são evidentes e não possuem fronteiras tão marcantes como a sala de aula, por isso, favorecem a
colaboração para a construção do conhecimento.
Para Garrigós et al. (2010, apud GARCÍA & DIAS, 2013), as redes sociais são ferramentas muito
úteis para potencializar a comunicação e propiciam o sentimento de pertencer a uma comunidade,
incentivando, assim, a cooperação na execução de tarefas comuns. Em ambientes educacionais, elas
possibilitam o aumento da motivação e a participação engajada dos alunos no processo de
aprendizagem.
O uso bem sucedido das redes sociais para fins educativos, segundo Ramos & Faust (2014), está
baseado em três pilares: comunicação, convívio social e aprendizagem colaborativa. De acordo com os
autores, as redes sociais promovem a conversação de forma mais natural, o que favorece a construção
2
de comunidades de maneira mais eficiente do que outras tecnologias utilizadas em educação, como o
Learning Management System (LMS).
No presente artigo, pretende-se analisar os potenciais e as limitações do uso das redes sociais com
finalidade educativa, considerando três aspectos relevantes, que podem definir o sucesso ou o
insucesso para a promoção da aprendizagem: perfil do público-alvo, infraestrutura e formação do
corpo docente. Colaborando, assim, com as reflexões e práticas de educadores, em especial os
brasileiros, que atuam neste país de dimensões continentais, sujeitos a condições tão variadas e, em
muitos casos, bastante adversas.
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
Muitos autores buscam definir o conceito de rede social, considerando o caráter plural deste
termo. De acordo com Oliveira, Pedro & Santos (2014) uma rede social pode ser entendida como uma
rede de pessoas ou organizações interligadas por um tipo de relação, compartilhando objetivos e
valores comuns.
Para Boyd e Ellison (2007, apud MESSIAS & MORGADO, 2010, p. 4), rede social é “um
serviço Web que permite aos indivíduos: 1) construir um perfil público ou semi-público dentro de um
sistema delimitado, 2) articular uma lista de outros utilizadores com os quais se partilha uma conexão,
e 3) ver e explorar a sua lista de conexões e as realizadas por outros utilizadores dentro do sistema".
No que tange ao uso das redes sociais para fins educacionais, Kenski (2002, apud RAMOS &
FAUST, 2014), o uso das tecnologias nas ações educativas pode contribuir para a superação da relação
verticalizada entre professor-aluno, possibilitando o acesso linear à informação, tendo em vista que
aprender pressupõe a interação com o conhecimento e com outras pessoas. Assim sendo, as redes
sociais apresentam-se como alternativa para “romper com a linearidade e favorecer a construção do
conhecimento” (Ramos & Faust, 2014).
Ramos & Faust (2014) ainda afirmam que, o uso das redes sociais no ambiente escolar propicia
um acesso mais seguro e orientado, possibilitando desenvolver atitudes mais éticas e conscientes,
sobretudo no que ser refere à exposição pessoal nos espaços virtuais. Além disso, promove o
desenvolvimento de habilidades importantes para a aprendizagem.
De acordo com Oliveira et al. (2014), sem que os professores se deem conta, os alunos trazem
para o ambiente escolar a realidade externa por meio de seus recursos eletrônicos. Desse modo, cabe
aos educadores se apropriarem destes recursos, tornando-os parte integrante do processo educativo.
Com base no recorte teórico aqui exposto, é que se realiza a análise proposta neste artigo. Não se
pretende, no entanto, esgotar o debate acerca da utilização das redes sociais em ambientes escolares,
mas sim colaborar com as reflexões de educadores que buscam referências teóricas e práticas para
atuação neste contexto.
3. METODOLOGIA USADA NOS ESTUDOS
Para realização deste estudo foram selecionados e analisados textos atuais que continham relatos
de experiências significativas da utilização de redes sociais no contexto educacional, além de
pesquisas de natureza teórica sobre as redes sociais e a aprendizagem colaborativa online.
Foram selecionados quatro relatos considerados de maior relevância para o presente estudo. O
uso de redes sociais em uma unidade curricular na Universidade de Alicante, integração da plataforma
da Universidade de Pisa ao NING1
, a experiência com o SAPO Campus da Universidade de Aveiro e a
integração da biblioteca da Universidade Federal de São Paulo às ferramentas da Web 2.0.
1
Ning é uma plataforma online que permite a criação de redes sociais individualizadas. O Ning foi fundado em Outubro de
2005 por Marc Andreessen (criador do browser Netscape) e Gina Bianchini. Permite a criação de redes sociais com
finalidades específicas, ao contrario das redes sociais generalistas como o Facebook. Recuperado de
http://www.ning.com/pt-br/what-is-ning/.
3
Tais relatos possibilitaram, por meio de uma análise qualitativa dos seus resultados, mapear
alguns dos potenciais e limites da utilização das redes sociais no contexto educativo.
4. RESULTADOS OBTIDOS NOS ESTUDOS
A análise dos resultados obtidos nas experiências citadas foi realizada sob a ótica de três aspectos
principais: infraestrutura tecnológica, perfil público-alvo e formação técnica e docente.
O uso das redes sociais no processo de ensino e aprendizagem, ainda que seja uma prática
bastante recente, com poucos estudos sistematizados, já é possível identificar relatos sobre
experiências bem sucedidas. Na universidade de Alicante, foi adotada uma ferramenta de rede social
em uma unidade curricular no curso de publicidade, como forma de promover maior interação entre
alunos e professores. Os resultados desta experiência demonstram que o uso colaborativo das redes
melhorou o processo de ensino-aprendizagem, tendo sido estabelecido um novo espaço de diálogo
entre alunos e professores, bem como entre os próprios alunos. Percebeu-se também um aumento na
motivação dos participantes, resultando em um maior engajamento de todos na elaboração das práticas
(García & Diaz, 2013).
Já na Universidade de Pisa, foi realizada a integração da plataforma LMS da instituição ao NING
e formado um grupo para debates sobre as oportunidades e problemas encontrados na utilização da
ferramenta (Martini & Cinque, 2011). Os autores relatam que a ferramenta é muito simples e eficaz,
mas é necessário um planejamento detalhado e definições muito claras dos objetivos a alcançar. As
principais dificuldades encontradas na implementação da ferramenta foram atribuídas a aspectos
culturais dos utilizadores: perfil dos alunos, que mesmo sendo em sua grande maioria nativos digitais,
buscam a formação tradicional e a falta de preparo dos professores para exercer uma mediação
eficiente para gerar aprendizagem. O foco do treinamento, nesta primeira experiência, se manteve nas
questões técnicas, e não se realizou um trabalho de conscientização e capacitação para a mudança. A
equipe envolvida no projeto conclui que em experiências futuras será necessário fornecer
conhecimento com base empírica, de modo a ajudar professores a implementar novos ambientes de
aprendizagem, utilizando as tecnologias 2.0 (Martini & Cinque, 2011).
Na Universidade de Aveiro foi disponibilizada aos alunos uma rede social (SAPO Campus) e
buscou-se investigar como se dava o processo de apropriação da ferramenta nas atividades educativas
(Oliveira, Pedro & Santos, 2014). A experiência demonstrou que a atuação do professor é fator crítico
de sucesso para a utilização das redes sociais no contexto escolar. O perfil de professores e alunos
influencia no modo como a plataforma será utilizada. Para que os alunos utilizem com aproveitamento
as ferramentas, devem ser motivados pelos professores. (Oliveira et al., 2014).
A Universidade Federal de São Paulo, durante a atualização do Portal de sua biblioteca central,
inseriu-a nas Redes Sociais, com o intuito de facilitar o acesso e incentivar a produção e a
disseminação dos conhecimentos pelos seus usuários, criando assim, um espaço interativo e
participativo para seus frequentadores. Segundo Pereira, Tarcia & Sigulem (2013) os principais
desafios enfrentados se remetem a infraestrutura e a preparação do corpo técnico. A precariedade da
rede Wi-Fi disponibilizadas aos alunos e a escassez de banda larga gratuita no país é uma barreira para
a ampliação do acesso. Além disso, o serviço de disseminação coletiva, que exige filtragem dos
trabalhos disponibilizados não acontece adequadamente, devido à falta de profissional capacitado para
realizar a tarefa.
5. CONCLUSÕES / CONSIDERAÇÕES FINAIS
As redes sociais têm se apresentado como uma alternativa mais atrativa do que as metodologias
tradicionais utilizadas para subsidiar o processo de ensino-aprendizagem, dada possibilidade de
mesclar a aprendizagem formal com a informal, possibilitar o compartilhamento e o intercâmbio de
conhecimentos e práticas.
No entanto os desafios a enfrentar ainda são significativos, principalmente no que tange a
formação dos profissionais de educação e a infraestrutura. De acordo com o Relatório Horizon –
Edição Ibero-americana (2010), alguns desafios críticos a serem enfrentados são:
4
 Formação docente para a utilização dos recursos e ferramentas tecnológicas;
 Gestão da mudança e da postura das instituições educacionais;
 Ampliação da literacia digital, sendo considerada uma competência essencial para a
profissão docente;
 Formação de estudantes na utilização dos recursos da Web 2.0;
 Adoção dos recursos tecnológicos para tratamento de informações e construção de
conhecimentos;
 Adaptação das práticas docentes aos requisitos da sociedade digital e do conhecimento.
No contexto brasileiro, mesmo ocupando a terceira posição em número de usuários ativos na
Internet (53 milhões), ficando atrás apenas do Japão e Estados Unidos, de acordo com dados do
Netview e do IBOPE Media, (2013, apud Pereira, Tarcia & Sigulem, 2013), ainda são muitos os
desafios a enfrentar. De acordo com o Relatório NMC Horizon Project – Panorama tecnológico das
universidades brasileiras (2014) é necessário aumentar o acesso à educação e melhorar a fluência
digital do corpo docente, reduzindo o hiato tecnológico entre professores e alunos. Além disso,
considera-se emergente a necessidade de ampliação do acesso a banda larga de qualidade em todo o
território brasileiro, sendo esse ainda um serviço de baixa qualidade e de custo elevado.
É possível afirmar que, em superado os desafios anteriormente descritos, a utilização das
tecnologias, em especial das redes sociais, representam importantes recursos para a educação que
pretende acompanhar as necessidades da sociedade atual.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
García, I. M. & Dias, C.G. (2013). El uso de Facebook como herramienta para la interacción en el
proceso de enseñanza-aprendizaje. Repositorio Institucional de la Universidad de Alicante
Recuperado de http://hdl.handle.net/10045/44148.
García, I. Peña-López, I, Jonhson, L., Smith, R., Levine, A. & Haywood, K. (2010). Relatório
Horizon: Edição Ibero-americana 2010. Austin, Texas: New Media Consortium e Universitat
Oberta de Catalunya.
Johnson, L., Adams Becker, S., Cummins, M. & Estrada, V. (2014). 2014NMC Technology Outlook
for Brazilian Universities: A Horizon Project Regional Report. Austin, Texas: New Media
Consortium.
Martini,A. & Cinque,M. (2011). Social networking as a university teaching tool: what are the benefts
of using Ning? Recuperado de http://www.je‐lks.org/ojs/index.php/Je‐LKS_EN/article/view/491
Messias,I.& Morgado,L. (2014). Facebook + LMS: cenários para o envolvimento do estudante na apre
ndizagem a distância, Porto, C. & Santos, E. (Coord). Facebook e Educação: publicar, curtir, com
partilhar, Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB)
Oliveira,D.,Pedro,L.&Santos,C.(2014). A apropriação das ferramentas de uma rede social pelos alunos
: um estudo com o SAPO Campus, Indagagio Didatica, 6(2), 159-172.
Pereira, T.A, Tarcia, R.M & Sigulem, D. (2013). Redes Sociais: relato de experiência da Biblioteca
Central da Universidade de São Paulo – UNIFESP. In: Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, 25, p. 1-8. Florianópolis. Recuperado
de http://www.biblioteca.unifesp.br/Documentos-Apostila/teresa-cbbd-2013.
Ramos, D.K & Faust, R. (2014, 12 de março). Cenários de uso das redes sociais no contexto
educacional e a aprendizagem colaborativa. Boletim Técnico do Senac, (40), 6-17. Rio de
Janeiro: Senac / Departamento Nacional.

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Artigo redes sociais peer-review_13.02.2014_versãosubmetida

  • 1. 1 O uso das redes sociais no contexto educacional: potencialidades e limitações Nome de autor Oculto para peer-review (a)1 1 Universidade Aberta, Portugal Resumo: O presente artigo tem como objetivo discutir os potenciais e os limites do uso das redes sociais no contexto educacional. Na primeira parte do texto apresenta-se o enquadramento teórico que fundamenta o presente estudo. São apresentadas as definições de redes sociais, sob a ótica de vários autores estudiosos do tema. Na segunda parte, relata-se a metodologia adotada para seleção e análise dos artigos e experiências relevantes de utilização das redes sociais com finalidade educacional. Por fim, os resultados obtidos a partir da análise dos potenciais e limites da utilização das redes sociais com finalidade educacional. Para esta análise focou-se em três aspectos: humanos (perfil dos estudantes), estruturais (infraestrutura tecnológica) e de formação profissional requerida. Nas considerações finais reforça-se a relevância do debate acerca do tema, de modo ampliar o número de experiências bem-sucedidas. Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa, e-learning, formação docente, Redes Sociais. Abstract: This article aims to discuss the potential and limits of the use of social networks in the educational context. The first section presents the theoretical framework underlying this study as well as definitions of social networks, from the perspective of several authors of this topic. The second part describes the research methodology adopted regarding the selection and analysis of related articles and relevant experiences of using social networks for educational purposes. Finally, obtained research results from the above mentioned analysis are outlined, focused on three specific aspects: human (profile of students), structural (technological infrastructure) and required training. The findings point to an existing relevance of future discussions about the subject in order to increase the number of successful experiences. Keywords: E-learning, collaborative learning, Social Networks, teacher training. 1. INTRODUÇÃO Em uma sociedade em que a tecnologia, cada vez mais, se faz presente no dia a dia das pessoas, é inevitável que se discuta a sua relevância para a educação. Não é mais possível imaginar a rotina da vida moderna sem a presença dos diversos recursos e ferramentas tecnológicas existentes. No contexto educativo é visível a revolução que o uso destes recursos tem promovido na forma de ensinar e de aprender. O resgate do caráter colaborativo e participativo da educação e o protagonismo do aluno são destacados com o uso das redes sociais. Segundo Zanetti (2009, apud RAMOS & FAUST, 2014, p. 8), as redes sociais são espaços de aprendizagem e de interação, no qual os papéis de emissor e receptor não são evidentes e não possuem fronteiras tão marcantes como a sala de aula, por isso, favorecem a colaboração para a construção do conhecimento. Para Garrigós et al. (2010, apud GARCÍA & DIAS, 2013), as redes sociais são ferramentas muito úteis para potencializar a comunicação e propiciam o sentimento de pertencer a uma comunidade, incentivando, assim, a cooperação na execução de tarefas comuns. Em ambientes educacionais, elas possibilitam o aumento da motivação e a participação engajada dos alunos no processo de aprendizagem. O uso bem sucedido das redes sociais para fins educativos, segundo Ramos & Faust (2014), está baseado em três pilares: comunicação, convívio social e aprendizagem colaborativa. De acordo com os autores, as redes sociais promovem a conversação de forma mais natural, o que favorece a construção
  • 2. 2 de comunidades de maneira mais eficiente do que outras tecnologias utilizadas em educação, como o Learning Management System (LMS). No presente artigo, pretende-se analisar os potenciais e as limitações do uso das redes sociais com finalidade educativa, considerando três aspectos relevantes, que podem definir o sucesso ou o insucesso para a promoção da aprendizagem: perfil do público-alvo, infraestrutura e formação do corpo docente. Colaborando, assim, com as reflexões e práticas de educadores, em especial os brasileiros, que atuam neste país de dimensões continentais, sujeitos a condições tão variadas e, em muitos casos, bastante adversas. 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO Muitos autores buscam definir o conceito de rede social, considerando o caráter plural deste termo. De acordo com Oliveira, Pedro & Santos (2014) uma rede social pode ser entendida como uma rede de pessoas ou organizações interligadas por um tipo de relação, compartilhando objetivos e valores comuns. Para Boyd e Ellison (2007, apud MESSIAS & MORGADO, 2010, p. 4), rede social é “um serviço Web que permite aos indivíduos: 1) construir um perfil público ou semi-público dentro de um sistema delimitado, 2) articular uma lista de outros utilizadores com os quais se partilha uma conexão, e 3) ver e explorar a sua lista de conexões e as realizadas por outros utilizadores dentro do sistema". No que tange ao uso das redes sociais para fins educacionais, Kenski (2002, apud RAMOS & FAUST, 2014), o uso das tecnologias nas ações educativas pode contribuir para a superação da relação verticalizada entre professor-aluno, possibilitando o acesso linear à informação, tendo em vista que aprender pressupõe a interação com o conhecimento e com outras pessoas. Assim sendo, as redes sociais apresentam-se como alternativa para “romper com a linearidade e favorecer a construção do conhecimento” (Ramos & Faust, 2014). Ramos & Faust (2014) ainda afirmam que, o uso das redes sociais no ambiente escolar propicia um acesso mais seguro e orientado, possibilitando desenvolver atitudes mais éticas e conscientes, sobretudo no que ser refere à exposição pessoal nos espaços virtuais. Além disso, promove o desenvolvimento de habilidades importantes para a aprendizagem. De acordo com Oliveira et al. (2014), sem que os professores se deem conta, os alunos trazem para o ambiente escolar a realidade externa por meio de seus recursos eletrônicos. Desse modo, cabe aos educadores se apropriarem destes recursos, tornando-os parte integrante do processo educativo. Com base no recorte teórico aqui exposto, é que se realiza a análise proposta neste artigo. Não se pretende, no entanto, esgotar o debate acerca da utilização das redes sociais em ambientes escolares, mas sim colaborar com as reflexões de educadores que buscam referências teóricas e práticas para atuação neste contexto. 3. METODOLOGIA USADA NOS ESTUDOS Para realização deste estudo foram selecionados e analisados textos atuais que continham relatos de experiências significativas da utilização de redes sociais no contexto educacional, além de pesquisas de natureza teórica sobre as redes sociais e a aprendizagem colaborativa online. Foram selecionados quatro relatos considerados de maior relevância para o presente estudo. O uso de redes sociais em uma unidade curricular na Universidade de Alicante, integração da plataforma da Universidade de Pisa ao NING1 , a experiência com o SAPO Campus da Universidade de Aveiro e a integração da biblioteca da Universidade Federal de São Paulo às ferramentas da Web 2.0. 1 Ning é uma plataforma online que permite a criação de redes sociais individualizadas. O Ning foi fundado em Outubro de 2005 por Marc Andreessen (criador do browser Netscape) e Gina Bianchini. Permite a criação de redes sociais com finalidades específicas, ao contrario das redes sociais generalistas como o Facebook. Recuperado de http://www.ning.com/pt-br/what-is-ning/.
  • 3. 3 Tais relatos possibilitaram, por meio de uma análise qualitativa dos seus resultados, mapear alguns dos potenciais e limites da utilização das redes sociais no contexto educativo. 4. RESULTADOS OBTIDOS NOS ESTUDOS A análise dos resultados obtidos nas experiências citadas foi realizada sob a ótica de três aspectos principais: infraestrutura tecnológica, perfil público-alvo e formação técnica e docente. O uso das redes sociais no processo de ensino e aprendizagem, ainda que seja uma prática bastante recente, com poucos estudos sistematizados, já é possível identificar relatos sobre experiências bem sucedidas. Na universidade de Alicante, foi adotada uma ferramenta de rede social em uma unidade curricular no curso de publicidade, como forma de promover maior interação entre alunos e professores. Os resultados desta experiência demonstram que o uso colaborativo das redes melhorou o processo de ensino-aprendizagem, tendo sido estabelecido um novo espaço de diálogo entre alunos e professores, bem como entre os próprios alunos. Percebeu-se também um aumento na motivação dos participantes, resultando em um maior engajamento de todos na elaboração das práticas (García & Diaz, 2013). Já na Universidade de Pisa, foi realizada a integração da plataforma LMS da instituição ao NING e formado um grupo para debates sobre as oportunidades e problemas encontrados na utilização da ferramenta (Martini & Cinque, 2011). Os autores relatam que a ferramenta é muito simples e eficaz, mas é necessário um planejamento detalhado e definições muito claras dos objetivos a alcançar. As principais dificuldades encontradas na implementação da ferramenta foram atribuídas a aspectos culturais dos utilizadores: perfil dos alunos, que mesmo sendo em sua grande maioria nativos digitais, buscam a formação tradicional e a falta de preparo dos professores para exercer uma mediação eficiente para gerar aprendizagem. O foco do treinamento, nesta primeira experiência, se manteve nas questões técnicas, e não se realizou um trabalho de conscientização e capacitação para a mudança. A equipe envolvida no projeto conclui que em experiências futuras será necessário fornecer conhecimento com base empírica, de modo a ajudar professores a implementar novos ambientes de aprendizagem, utilizando as tecnologias 2.0 (Martini & Cinque, 2011). Na Universidade de Aveiro foi disponibilizada aos alunos uma rede social (SAPO Campus) e buscou-se investigar como se dava o processo de apropriação da ferramenta nas atividades educativas (Oliveira, Pedro & Santos, 2014). A experiência demonstrou que a atuação do professor é fator crítico de sucesso para a utilização das redes sociais no contexto escolar. O perfil de professores e alunos influencia no modo como a plataforma será utilizada. Para que os alunos utilizem com aproveitamento as ferramentas, devem ser motivados pelos professores. (Oliveira et al., 2014). A Universidade Federal de São Paulo, durante a atualização do Portal de sua biblioteca central, inseriu-a nas Redes Sociais, com o intuito de facilitar o acesso e incentivar a produção e a disseminação dos conhecimentos pelos seus usuários, criando assim, um espaço interativo e participativo para seus frequentadores. Segundo Pereira, Tarcia & Sigulem (2013) os principais desafios enfrentados se remetem a infraestrutura e a preparação do corpo técnico. A precariedade da rede Wi-Fi disponibilizadas aos alunos e a escassez de banda larga gratuita no país é uma barreira para a ampliação do acesso. Além disso, o serviço de disseminação coletiva, que exige filtragem dos trabalhos disponibilizados não acontece adequadamente, devido à falta de profissional capacitado para realizar a tarefa. 5. CONCLUSÕES / CONSIDERAÇÕES FINAIS As redes sociais têm se apresentado como uma alternativa mais atrativa do que as metodologias tradicionais utilizadas para subsidiar o processo de ensino-aprendizagem, dada possibilidade de mesclar a aprendizagem formal com a informal, possibilitar o compartilhamento e o intercâmbio de conhecimentos e práticas. No entanto os desafios a enfrentar ainda são significativos, principalmente no que tange a formação dos profissionais de educação e a infraestrutura. De acordo com o Relatório Horizon – Edição Ibero-americana (2010), alguns desafios críticos a serem enfrentados são:
  • 4. 4  Formação docente para a utilização dos recursos e ferramentas tecnológicas;  Gestão da mudança e da postura das instituições educacionais;  Ampliação da literacia digital, sendo considerada uma competência essencial para a profissão docente;  Formação de estudantes na utilização dos recursos da Web 2.0;  Adoção dos recursos tecnológicos para tratamento de informações e construção de conhecimentos;  Adaptação das práticas docentes aos requisitos da sociedade digital e do conhecimento. No contexto brasileiro, mesmo ocupando a terceira posição em número de usuários ativos na Internet (53 milhões), ficando atrás apenas do Japão e Estados Unidos, de acordo com dados do Netview e do IBOPE Media, (2013, apud Pereira, Tarcia & Sigulem, 2013), ainda são muitos os desafios a enfrentar. De acordo com o Relatório NMC Horizon Project – Panorama tecnológico das universidades brasileiras (2014) é necessário aumentar o acesso à educação e melhorar a fluência digital do corpo docente, reduzindo o hiato tecnológico entre professores e alunos. Além disso, considera-se emergente a necessidade de ampliação do acesso a banda larga de qualidade em todo o território brasileiro, sendo esse ainda um serviço de baixa qualidade e de custo elevado. É possível afirmar que, em superado os desafios anteriormente descritos, a utilização das tecnologias, em especial das redes sociais, representam importantes recursos para a educação que pretende acompanhar as necessidades da sociedade atual. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS García, I. M. & Dias, C.G. (2013). El uso de Facebook como herramienta para la interacción en el proceso de enseñanza-aprendizaje. Repositorio Institucional de la Universidad de Alicante Recuperado de http://hdl.handle.net/10045/44148. García, I. Peña-López, I, Jonhson, L., Smith, R., Levine, A. & Haywood, K. (2010). Relatório Horizon: Edição Ibero-americana 2010. Austin, Texas: New Media Consortium e Universitat Oberta de Catalunya. Johnson, L., Adams Becker, S., Cummins, M. & Estrada, V. (2014). 2014NMC Technology Outlook for Brazilian Universities: A Horizon Project Regional Report. Austin, Texas: New Media Consortium. Martini,A. & Cinque,M. (2011). Social networking as a university teaching tool: what are the benefts of using Ning? Recuperado de http://www.je‐lks.org/ojs/index.php/Je‐LKS_EN/article/view/491 Messias,I.& Morgado,L. (2014). Facebook + LMS: cenários para o envolvimento do estudante na apre ndizagem a distância, Porto, C. & Santos, E. (Coord). Facebook e Educação: publicar, curtir, com partilhar, Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB) Oliveira,D.,Pedro,L.&Santos,C.(2014). A apropriação das ferramentas de uma rede social pelos alunos : um estudo com o SAPO Campus, Indagagio Didatica, 6(2), 159-172. Pereira, T.A, Tarcia, R.M & Sigulem, D. (2013). Redes Sociais: relato de experiência da Biblioteca Central da Universidade de São Paulo – UNIFESP. In: Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, 25, p. 1-8. Florianópolis. Recuperado de http://www.biblioteca.unifesp.br/Documentos-Apostila/teresa-cbbd-2013. Ramos, D.K & Faust, R. (2014, 12 de março). Cenários de uso das redes sociais no contexto educacional e a aprendizagem colaborativa. Boletim Técnico do Senac, (40), 6-17. Rio de Janeiro: Senac / Departamento Nacional.