O sorriso de mona lisa

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O sorriso de mona lisa

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA – MATUTINO SOCIOLOGIA, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO ATIVIDADE – FILME O SORRISO DE MONA LISA CLODOALDO GONÇALVES LEME 2014
  2. 2. 1 – Tipos de educação; O filme “O Sorriso de Mona Lisa” retrata perfeitamente os costumes e padrões sociais da década de 50, que se passa dentro de uma escola tradicional exclusiva para mulheres, elitista, extremamente conservadora por essência, que segundo Durkheim, essa instituição social é um tipo de mecanismo de proteção da sociedade. “Wellesley College” nos Estados Unidos da América, onde se passa a trama. Essa sociedade acreditava que as moças só teriam sucesso na vida quando formassem uma família e estivessem muito bem casadas. Mulheres inteligentíssimas, mas focadas somente em concluir os estudos e logo após se tornarem donas de casa. Por outro lado, uma professora da Califórnia, que foi educada em uma universidade com padrões liberais, encontra dificuldades em implementar seu plano de aula, logo entrando em conflito com suas alunas e depois com a administração do colégio. Os tipos de educação são evidenciados do início ao final do filme. 2 – Os fins da educação O filme provoca questionamentos e reflexões acerca das normas impostas pela escola, em relação ao conteúdo programático; a lição decorada da apostila, por não privilegiar a livre expressão dos alunos, por desconsiderar as vivências pessoais e emocionais, bem como incentivar a reprodução do conhecimento e também sobre a postura da professora na busca de informações que estavam fora da apostila, questionando valores vigentes na sociedade da época. Ao estimular as alunas a analisarem a realidade de outra forma e fazer com que elas reconhecessem que eram integrantes do processo de aprendizagem, ficou claro nas cenas em a professora apresenta arte contemporânea, Leonardo da Vinci em fascículos e as propagandas. Também na primeira cena, demonstra a dificuldade que a professora Katherine Watson tem em dar aula. As alunas são condicionadas a estudar somente a apostila, elas “decoram” tudo e quando a “senhora Watson” vai apresentar a aula elas interrompem e falam por ela. Causando um desconforto e frustração na professora. Na segunda aula, ela muda o planejamento da aula, com obras que não continham na apostila, surpreendendo-as, e a professora consegue explicar cada obra sem que seja interrompida. O padrão de aula baseado em apostila é “quebrado” por essa professora, mudando a forma de aprendizagem.
  3. 3. É a partir desse momento que iniciam as divergências. Essas formas padronizadas de conduta e pensamento estão constatadas na base que Durkheim chamou de consciência coletiva. 3 – A educação moral Mostra as dificuldades de se romper com as barreiras do conservadorismo da época. As mulheres jamais cogitavam a possibilidade de ter uma carreira profissional, pois seus próprios pais nunca as incentivaram, pelo contrário, tanto os pais como a direção da escola e de seus professores, apoiavam a tradição e estimulavam as alunas a seguirem os comportamentos conservadores vigentes. As alunas então abriam mão de uma carreira de sucesso, para que não fossem segregadas, e assim mantinham certa “harmonia na sociedade”. Em diversas cenas, fica clara a influência do meio social em que vivem para que fossem mulheres do “lar”. A opção pelas alunas em não seguirem vida acadêmica, partem desse mesmo pressuposto, todas aprendem desde pequenas que precisam se casar e ter filhos, constituir família, cuidar da casa e do marido. Uma cena que explícita isso tudo, é quando a Professora Watson vai até a casa da aluna Joan para encorajá-la e persuadi-la a continuar com seu propósito em frequentar uma das faculdades de direito, pois ficava perto de sua casa. Entretanto, ao chegar, descobre que ela tinha se casado, deixando a professora desapontada. Joan fala que se arrependeria de não constituir uma família, que aquele era o futuro certo que ela deve seguir. Durkheim denomina como Solidariedade Mecânica. 4 – O papel da família na educação No contexto vivido naquela época, predominava o caráter postural exacerbado, mantinha uma disciplina rígida, vestimentas, modo de falar e até mesmo de sentar, o modo de pensar era diferente, ainda havia o conceito de que o trabalho era exclusivamente do homem e a mulher tinha a função de cuidar da casa e dos filhos, sem questionamentos em relação a seus horários. As famílias acabavam dando crédito às instituições que ensinavam, justamente, aquilo que o “senso comum” impunha como atitudes moralmente corretas. Na aula de etiqueta, ministrada pela
  4. 4. professora Nancy, as alunas aprendem como se comportar durante um jantar, o que falar, como falar e diante de uma situação delicada, manter a pose. Há uma cena onde a aluna casada, Betty, farta com as viagens do marido, reclama com a mãe que não gostaria de dormir sozinha, e pede pra mãe a deixar ficar em sua casa, pois se sente triste e solitária. Nesse momento a mãe nega o pedido da filha, dizendo que ela devia estar em casa, esperando o marido retornar, independente do tempo que ele estivesse fora. Com esse comportamento a mãe induz a filha a ser a esposa “ideal” perante a sociedade. Se criticarmos anacronicamente essas atitudes, seremos injustos, pois isso tudo era normal. A comunhão dessas representações coletivas é chamada por Durkheim de solidariedade. 5 – Mudança social e educacional Baseado numa época de padrões diferentes é importante reconhecer este período de libertação feminina e não julgarmos as pessoas daquela época por agirem e pensarem de tal forma. Percebe-se no fim do filme que a professora Watson teve a certeza de que a sua prática contribuiu para que houvesse, de fato, aprendizado significativo, transformando as alunas da disciplina de História da Arte, em cidadãs com capacidade para desenvolver o senso crítico. Despertando, também em nós, esse senso crítico, pois, em nosso comodismo, deixamos de questionar e refletir sobre os fatos e certos padrões impostos pela sociedade. Esse é o ponto crucial para a análise funcional que afirma Durkheim, segundo o qual a função de uma instituição social é a correspondência entre ela e as necessidades do organismo social.

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