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Avaliação (artigo)

  1. 1. 1A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO UM PRINCÍPIO NO DESENVOLVIMENTO DA AUTORIA. Eldes Ferreira de Lima*RESUMO: Tema de constantes debates na educação, a avaliação é o processo vital para verificar,ampliar e corrigir possíveis falhas na aprendizagem. Sem este valioso indicador, a docência se restringe asi mesma, não sendo capaz de se aperfeiçoar nem tampouco de atender seus objetivos mais imediatos.Neste artigo, discutimos a avaliação como um princípio no desenvolvimento da autoria do educando,tornando-o apto a expressar seu conhecimento de forma independente e articulada.PALAVRAS-CHAVES: Avaliação, aprendizagem, docência, autonomia.RÉSUMÉ: Thème de plusieurs débats dans léducation, lévaluation est indispensable processus devérifier, développez et corriger les possibles failles dans lapprentissage. Sans cet précieux indicateur,lenseignement est limité à lui-même, ne pas être en mesure de se perfectionner, ni à atteindre leursobjectifs plus immédiats. Dans cet article, nous discutons de lévaluation comme un principe dans ledéveloppement de létudiant, lui permettant dexprimer leurs connaissances de façon indépendante etdarticuler.MOTS CLÉS: évaluation, apprentissage, enseignement, autonomie.Introdução Nas últimas duas décadas, a educação brasileira foi constantemente analisadapor seus gestores bem como por institutos de pesquisas nacionais e internacionais.Quase inevitavelmente, os resultados são desanimadores. O nível de conhecimento dosalunos brasileiros costuma ser similar ao de países extremamente pobres ou emacirrados conflitos étnicos e sociais. Como o Brasil desponta no cenário internacional como uma das principaisestrelas dos chamados Países Emergentes é particularmente preocupante que seu ensinoseja tão ineficiente. Sobretudo se compararmos como outros países emergentes como aÍndia e a China. Principalmente, porque uma parcela significativa da população deambos não tem acesso à escola como no Brasil, onde a maioria absoluta dos alunos emidade escolar freqüenta regularmente a escola.* Mestre em Letras pela UFMS e professor efetivo da Secretaria Municipal de Educação. Atua há doisanos como PCTE na Escola Municipal Professora Ione Catariana Gianotti Igydio. Autor do conto Saveme publicado na Itália em Sex’n’bossa – Antologia di narrativa erotica brasiliana e também na Suíça,pela Revue Arkhaï. Finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2010 com Ronda Noturna, na categoriaromance.
  2. 2. 2 Nos últimos anos, a educação pública ampliou sua presença e participação nasociedade brasileira. Atualmente, temos quase todos os alunos em idade escolarestudando. E desde 1996, quando foi lançada as Leis de Diretrizes e Bases (LDB), adocência intensificou um processo irreversível de profissionalização, que não apenasfortaleceu a própria categoria como a tornou atrativa financeiramente. Entretanto, alheio aos altos investimentos governamentais e a melhorinfraestrutura e capacitação profissional, o ensino brasileiro apresenta índices similaresaos dos países africanos mais pobres e assolados por guerras civis. E mesmo nopanorama da América Latina e da sua história comum de exploração colonial egovernos ditatoriais recentes, o Brasil está entre os últimos do ranking. Evidentemente, nosso desempenho pífio é resultado de anos de descaso com aescola pública ou da sua utilização em projetos políticos equivocados – em particular,os populistas. Contudo, as políticas educacionais recentes parecem não alterar estequadro positivamente como salienta Ioschpe: No Brasil, onde a maior parte do gasto é canalizada para aumentar o número de profissionais na rede e dar melhor remuneração àqueles que já estão nela, não é de surpreender que o constante aumento de gastos no setor nos últimos dez anos tenha sido acompanhado de estagnação. Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foram piores em 2007, último ano disponível, do que em 1997 (2011, p. 117). É lugar-comum nos noticiários ou nas conversas informais afirmar que aeducação brasileira é ruim e sem solução aparente. O baixo desempenho nas avaliaçõesnacionais e, sobretudo, nas internacionais endossa este senso comum. Entretanto, antesde pensarmos o que significam estes resultados esporádicos e desarticulados, nossaatenção devia se voltar para os resultados que os profissionais de educação colhemdiariamente e que apontam uma direção exatamente contrária. Enquanto os índices de aprovação e o percentual de alunos que chegam aoensino superior crescem anualmente, as avaliações internas e externas apontam queaprendizagem nas escolas brasileiras é tão ruim que a maior parte dos alunos terminamo ensino fundamental incapaz de entender o que lê. Para Ioschpe, a ineficiência da educação brasileira em oferecer o mínimo aosseus alunos é uma construção institucional que não promove os bons profissionais, nãocorrige os maus e estimula o corporativismo em detrimento à educação oferecida: Não é que a educação brasileira fracassa misteriosamente apesar de todos os envolvidos. Ela fracassa porque esse arranjo institucional requer a irracionalidade de todos os envolvidos, do prefeito ao professor. Nossa escola não é feita para dar certo – se por “dar certo” entendermos a
  3. 3. 3 formação de uma pessoa com habilidades mínimas para navegar o mundo e desenvolver seu potencial (2012, p. 110). Se o problema for institucional como nos assegura Ioschpe, falta uma avaliaçãocapaz de confirmar ou refutar seus argumentos. E, neste caso, como seria esta avaliaçãoe quem a faria? Ioschpe observa, um tanto escandalizado, que a sociedade civil nãopoderia, uma vez que a nota média que os pais dão às escolas de seus filhos, segundo oInep, é 8,6 (2012, p. 110). Um índice de satisfação altíssimo, considerando que 10 é anota máxima. Enquanto a metodologia das avaliações nacionais e internacionais é simples(acerta-se ou erra as questões) e amplamente conhecida (inclusive, para ser criticada detodas as formas), a avaliação realizada diariamente pelos professores é tão variada einvisível que inviabiliza qualquer tipo de pesquisa acadêmica mais abrangente.Contrariamente, a falta de uniformidade – e de critérios, na maioria dos casos – aavaliação gera inúmeros estudos e acirrados debates.Avaliando a avaliação De modo geral, professores, coordenadores e gestores educacionais concordamque a avaliação é fundamental para assegurar o aprendizado e para adequar as políticase metodologias de ensino. Entretanto, como ocorre em uma esfera muito subjetiva e detotal autonomia dos docentes, a avaliação é mais um resultado intuitivo (o que parecemais adequado) do que um método analítico e imparcial. Como ressalta Hoffmann: Assim como o seu caráter é o da subjetividade – as situações avaliadas são sempre interpretadas pelos avaliadores – o seu contexto é o da diversidade: o olhar avaliativo deve abarcar as singularidades dos educandos para que as estratégias pedagógicas se ajustem a cada um. O que não significa, entretanto, que algum educando aprenda sozinho (2011, p. 16). No Brasil, tanto a metodologia empregada nas aulas quanto o processo deavaliação é território exclusivo do professor. Evidentemente, sujeitas às influências dasnovas tendências educacionais ou das políticas de ensino adotadas. Porém, cabe aoprofessor definir a intensidade e a forma como estas influências e normativas serãoefetivadas em sua prática diária, que, nem sempre, condiz com o seu discurso ou com ode suas chefias imediatas. Como a redemocratização do Brasil é ainda muito recente e há a rejeiçãoimediata a toda e qualquer forma de intervenção externa nas escolas (isto é ressuscitar aditadura), a autonomia do docente nos processos de aprendizagem e avaliativos não é
  4. 4. 4somente assegurada como somente incentivada e irretocável. Enquanto, os processosavaliativos não são discutidos nem aplicados de forma mais criteriosa e menos sujeitasas mudanças de humor dos docentes, os alunos têm suas habilidades pessoais avaliadascoletivamente, sem que sua autonomia e particularidade sejam consideradas. Umacontradição evidente e inexplicável, como Hoffamann contextualiza: A avaliação de aprendizagem mais especificamente, envolve e diz respeito diretamente a dois elementos do processo: educador/avaliador e educando/avaliando. Alguém (educando) que é avaliado por alguém (educador) (2011, p. 13). A liberdade do docente para avaliar contrasta com as imposições e limitaçõesdas avaliações que submete aos alunos. De modo geral e bem simplista, as avaliaçõestendem a ser escritas com questões de múltipla escolha e/ou dissertativas. Os conteúdoscom maior relevância – e por conseqüência, maior pontuação – são aqueles que oprofessor julga mais pertinentes. Obviamente, não coincidem com os do aluno e muitasvezes sequer com o professor da mesma disciplina do outro período. Nesta perspectiva, dois problemas são evidentes. O primeiro é ético. Com tantapossibilidade de avaliação por que centrá-la na modalidade mais formal e evidente? Seo professor tem o conteúdo previamente determinado, mas não pode lhe dar o enfoqueque julgar melhor, por que isto não é compartilhado como os alunos? Seguramente, paranão banalizá-lo nem reduzi-lo ao mais elementar. Entretanto, mesmo sem estaflexibilidade, os índices de aprendizagem brasileira já estão entre os piores de mundo.Portanto, não haveria riscos imediatos para a educação nacional se estas questõescomeçassem a ser analisadas e testadas.Conclusão A importância da avaliação nos processos educacionais é unânime. Porém,poucos sabem dizer o que realmente deve ser avaliado. Formalmente, as avaliaçõesaferem o que os alunos sabem e o que desconhecem dentro de uma escala – seja comnúmeros ou conceitos como A, B, C... – que o aprova ou o reprova. Como raramente osmesmos conteúdos são solicitados no ano ou mesmo na avaliação seguinte, perdemrelevância e são rapidamente esquecidos. Uma seleção natural que o cérebro faz entre oque é indispensável e o que pode descartar sem receio. Dentro de uma avaliação mais global, o conteúdo formal tem um peso igual ouinferior às habilidades adquiridas. O termo habilidade não é vago gratuitamente. Équase impossível estabelecer um consenso do que isto seria. Grosso modo, é a
  5. 5. 5capacidade de realizar algo que antes não se sabia ou de fazê-lo continuamente melhor.Nesta perspectiva, os alunos leriam, escreveriam e fariam cálculos matemáticos commais facilidade e complexidade a cada ano. Não é o que acontece. Entre estas duas formas avaliativas que se completam ou se excluemdependendo do professor, há uma estranha constância: a disciplina do aluno.Raramente, um professor brasileiro calcula o resultado de uma avaliação sem considerareste aspecto, que eleva notas (devido à dedicação e ao esforço) ou as derruba (não éjusto um aluno problemático ter uma nota alta destas). Embora tenham suas justificativas pseudosociológicas, o comportamento dealuno não pode influenciar na avaliação de sua aprendizagem, esvaziando-a ou inflando-a conforme o grau de identificação estabelecida com o professor. É um clichêverdadeiro dizer que a escola brasileira assume a função de muitas famílias na educaçãodos alunos e que proporciona esta formação moral ausente. Entretanto, é inadmissívelvaler-se dela na promoção da aprendizagem. A possibilidade de discutir com os alunos a avaliação que recebem e de conhecero que eles consideram mais relevante nos conteúdos ministrados pode tornar o processoavaliativo mais eficiente, democrático e também mais justo, visto que sempre hápossibilidade de algum radicalismo teórico ou ideológico. Estimular e avaliar a autoria do educando em um contexto muito maior do queas questões dissertativas contemplam é uma necessidade urgente, porque um dosgrandes problemas da educação brasileira observado em todas as avaliações externas éque os alunos lêem muito mal, quase não compreendem o que lê e escrevemsofrivelmente – quando escrevem. E isto não tem bom comportamento que resolva.Bibliografia:HOFFMANN, Jussara. O jogo do contrário em avaliação. Porto Alegre: Mediação,2005.IOCHPE, Gustavo. O rombo da educação é o cabide de empregos de 46 bilhões dereais. São Paulo: Veja, 12/10/2011 (p.116-7).IOCHPE, Gustavo. O sistema não é feito para da certo. São Paulo: Veja, 16/05/2012(p.116-7).LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação na aprendizagem na escola: investigação eintervenção. São Paulo: Cortez Editora, 2011.

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