Qualidade de vida

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  • Partindo deste conceito o estado de doença pode ser definido como a sensação de dor e desconforto ou alterações no funcionamento ou sensibilidade habitual. Assim, uma pessoa pode “sentir-se” doente sem apresentar sinais clínicos de doença. Adoptando os conceitos acima referenciados, resulta consensual que a existência de uma doença não é sinónimo de ausência de qualidade de vida, muito embora se traduza por dificuldades e obstáculos acrescidos, e respectivas necessidades especiais para lhe fazer face.
  • Mais tarde outros autores utilizando descrições semelhantes aumentaram ou reduziram estas dimensões de acordo com o seu juízo (Price, 1996).
  • As escalas dos perfis de saúde consideram que a qualidade de vida relacionada com a saúde é um conceito multidimensional e que produz resultados num conjunto de dimensões ou sub-pontuações. Na maioria destas escalas assume-se que existem estados de saúde piores que a morte que são assinalados com valores negativos. Por outro lado, o uso de índices permite atribuir um valor único a cada indivíduo e possibilita conjugar a quantidade de vida com a qualidade de vida na avaliação dos resultados de um tratamento. Este método tem sido amplamente utilizado na avaliação de programas de saúde ao conjugar os custos com os indicadores de qualidade de vida (Anos de Vida Ajustados à Qualidade , QUALYs ) (Franks, 1998). A maioria dos estudos existentes na área das feridas crónicas insere-se no grupo dos perfis de saúde.
  • A medição da qualidade de vida é feita com recurso a instrumentos especialmente concebidos e testados e estes podem ser divididos em dois grupos:
  • Tem a vantagem de permitir comparações entre diferentes grupos de doentes com diferentes doenças, de modo a que possa ser avaliado o impacto relativo de diferentes doenças no indivíduo. Tem a desvantagem de ser pouco sensível para problemas específicos vividos pelos doentes que não os incluídos nas categorias gerais de dificuldades associadas a doenças, destes instrumentos. Os instrumentos específicos têm a vantagem de serem sensíveis a factores conhecidos como importantes para os doentes que sofrem da doença ou problema em investigação. A sua validação é difícil e laboriosa e não podem ser utilizados para comparar diferentes doenças.
  • Qualidade de vida

    1. 1. QUALIDADE DE VIDA EM DOENTES COM FERIDAS CRÓNICAS DOR II FORUM IBÉRICO DE ÚLCERAS E FERIDAS UNIVERSIDADE DE ÉVORA
    2. 2. Qualidade de Vida relacionada com a Saúde <ul><li>Em 1946 a OMS definiu o conceito de “saúde” como: “ Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” </li></ul><ul><li>Este conceito tem uma importância impar na avaliação da qualidade de vida pois centra-se na percepção do indivíduo acerca do seu bem-estar e não apenas na decisão clínica (Franks, 1997) </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    3. 3. Qualidade de Vida relacionada com a Saúde <ul><li>O conceito de qualidade de vida relacionada com a saúde (QdVRS) foi referenciado pela primeira vez em 1988, numa tentativa de descrever a experiência do doente sobre o seu processo de doença, com base na sua percepção individual. </li></ul><ul><li>Fallowfield (1990) identificou quatro áreas que poderiam descrever o conceito de QdVRS: a dimensão psicológica, social, ocupacional e física. </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    4. 4. O ALVOR DO CONHECIMENTO Instrumentos QdVRS <ul><li>Escalas dos perfis de saúde </li></ul><ul><li>Escalas dos índices de saúde </li></ul>
    5. 5. Instrumentos QdVRS <ul><li>(1) instrumentos genéricos, que podem ser utilizados para avaliar o impacto de uma terapêutica ou de uma patologia em geral ou simplesmente o estado de saúde </li></ul><ul><li>(2) instrumentos específicos concebidos para avaliar tratamentos e o processo de doença de determinadas patologias </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    6. 6. Instrumentos QdVRS <ul><li>Os instrumentos genéricos permitem a obtenção de valores de estado de saúde, independentemente da presença de um problema ou doença específica e incidem principalmente em componentes para a saúde como, funções físicas, desempenho social ou estados psíquicos. </li></ul><ul><li>Os instrumentos específicos, incidem principalmente em sintomas, permitindo a obtenção de valores associados a um problema ou doença e são utilizados quando se pretende estabelecer comparações entre indivíduos com características idênticas. </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    7. 7. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>DOR </li></ul><ul><li>Segundo Krasner (1998, citado por Wilson 2004), os profissionais de saúde habitualmente, assumem que as úlceras venosas não são dolorosas e é dada pouca atenção à avaliação da dor ao longo do tratamento do utente com úlcera de perna. No entanto, Roe et al (1995, citado por Franks 2007) exploraram as percepções dos doentes com úlceras de perna e seu impacto no estilo de vida, e a dor apareceu como o factor mais proeminente. Vários autores confirmam este facto (Philips et al 1994, Hyland et al 1994, Charles 1995, Douglas 2001). </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    8. 8. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>DOR </li></ul><ul><li>Walshe (1995) verificou, num estudo qualitativo, que a dor constituía um factor recorrente, responsável por significativas restrições na vida dos doentes. Philips et al. (2000), referem que a dor presente nas úlceras de perna reduz significativamente a qualidade de vida. Douglas (2001) à semelhança de Walshe (1995) refere que nem todos os doentes atribuíram a sua dor directamente à sua úlcera, sendo o acto do tratamento frequentemente referido como causa da dor. </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    9. 9. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>DOR </li></ul><ul><li>Segundo Douglas (2001), conseguir um controlo efectivo da dor é um desafio. No seu estudo verificou que a analgesia era frequentemente insuficiente e que, por vezes, os doentes admitiam que já nem se queixavam pois atribuíam as suas queixas à velhice. </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    10. 10. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>DOR </li></ul><ul><li>A dor é ainda referenciada como causa de perturbações do sono (Liew 2000, Douglas 2001). </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    11. 11. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>IMOBILIDADE / RESTRIÇÕES FISICAS </li></ul><ul><li>Os efeitos da imobilidade são muito significativos para os doentes com úlceras de perna (Philips 1994, Hammer 1994, Price 1994, Walshe 1995, Franks 1998) </li></ul><ul><li>A imobilidade restringe o estilo de vida (Walshe 1995, Liew 2000). </li></ul><ul><li>Embora a imobilidade seja um problema, uma vez controlado o odor, o exsudado e a dor, esta pode ser restabelecida. Tudo isto pode ser conseguido através da terapia compressiva (Morison e Moffatt, 1994). </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    12. 12. Principais problemas percepcionados pelos doentes com feridas crónicas <ul><li>EXSUDADO </li></ul><ul><li>O exsudado e o odor são causas de inúmeros problemas, nomeadamente isolamento social e familiar, dor e restrição física (Douglas 2001, Rich 2003). </li></ul>O ALVOR DO CONHECIMENTO
    13. 13. O ALVOR DO CONHECIMENTO OBJECTIVO <ul><li>A avaliação da qualidade de vida dos doentes com úlcera de perna, submetidos a terapia compressiva, na população do Concelho de Arronches </li></ul><ul><ul><li>Avaliar a qualidade de vida dos doentes com úlceras de perna ao longo do processo de cicatrização e analisar as diferenças encontradas nos vários domínios que o Esquema de Cardiff de Impacto da Ferida e o SF-36 V2.0 estudam. </li></ul></ul><ul><ul><li>Produzir indicadores importantes relacionados com o êxito da aplicação de boas práticas, bem como avaliar o seu impacto na percepção da qualidade de vida dos doentes com úlceras de perna. </li></ul></ul>
    14. 14. O ALVOR DO CONHECIMENTO METODOLOGIA (I) <ul><li>Questão de Investigação </li></ul><ul><li>Pode a implementação da terapia compressiva ter impacto na qualidade de vida dos doentes com úlcera de perna, no Concelho de Arronches ? </li></ul><ul><li>Variáveis </li></ul><ul><li>Variável independente: terapia compressiva </li></ul><ul><li>Variável dependente: qualidade de vida dos utentes com úlcera de perna </li></ul><ul><li>Tipo de Estudo </li></ul><ul><li>Estudo quantitativo; longitudinal; pré-experimental do tipo antes-após com um único grupo. </li></ul>
    15. 15. O ALVOR DO CONHECIMENTO METODOLOGIA (II) <ul><li>Amostra </li></ul><ul><li>Doentes com úlcera de perna de origem venosa (Centro de Saúde de Arronches) </li></ul><ul><li>Critérios de inclusão/exclusão </li></ul><ul><li>Amostra acidental, do tipo não probabilístico. Dados colhidos entre 1 Dezembro de 2008 e 31 de Janeiro de 2009. </li></ul><ul><li>Total de 10 sujeitos </li></ul>
    16. 16. O ALVOR DO CONHECIMENTO METODOLOGIA (III) <ul><li>Instrumentos </li></ul><ul><li>Short Form Health Survey (SF-36 V2.0) </li></ul><ul><li>- validado por Ferreira e Santana 2003, </li></ul><ul><li>- contém 36 itens cobrindo oito dimensões do estado de saúde, detectando estados positivos e negativos de saúde; </li></ul><ul><li>- o zero corresponde à máxima interferência e o cem à não interferência de problemas de saúde </li></ul>
    17. 17. O ALVOR DO CONHECIMENTO METODOLOGIA (IV) <ul><li>Short Form Health Survey (SF-36 V2.0): </li></ul><ul><li>- Função física </li></ul><ul><li>- Desempenho físico e emocional </li></ul><ul><li>- Dor física </li></ul><ul><li>- Saúde em geral </li></ul><ul><li>- Vitalidade </li></ul><ul><li>- Função social </li></ul><ul><li>- Saúde mental </li></ul><ul><li>- Escala de transição ou mudança de saúde </li></ul>
    18. 18. O ALVOR DO CONHECIMENTO METODOLOGIA (V) 2. Cardiff Wound Impact Schedule (CWIS) - validado por Ferreira et al 2007 - identifica 3 domínios da QdVRS: sintomas físicos e vida diária (12); vida social (7) e bem estar (7). Mais duas questões (dados pessoais e QdVRS em geral) - cada pergunta é medida numa escala de Likert de 1 a 5 => 0 a 100 Ambos os instrumentos foram aplicados aos 10 sujeitos com um intervalo de 4 semanas
    19. 19. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (I) <ul><li>CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA </li></ul>Quadro 1 – Valores médios e desvio padrão da idade em função do sexo e para o total da amostra (n=10)
    20. 20. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (II) <ul><li>CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA </li></ul>Quadro 2 – Caracterização da amostra em relação à coabitação e frequência de contactos (n=10)
    21. 21. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (III) <ul><li>RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DO ESTADO DE SAÚDE (SF-36 V2.0) </li></ul>Quadro 3 - Médias e desvios padrão observadas nas dimensões e componentes do SF-36 na 1ª avaliação, em função do sexo, e resultados do teste Mann-Whitney U (n=10). M = Média ; DP = Desvio Padrão
    22. 22. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (IV) M = Média ; DP = Desvio Padrão Quadro 4 - Médias e desvios padrão observadas nas dimensões e componentes do SF-36 na 2ª avaliação, em função do sexo, e resultados do teste Mann-Whitney U (n=10)
    23. 23. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (V) M = Média ; DP = Desvio Padrão Quadro 5 – Valores médios, desvios padrão, mínimos e máximos e resultados do teste Wilcoxon Signed Ranks para as dimensões e componentes do SF-36 na 1ª e 2ª avaliação (n=10)
    24. 24. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (VI) Gráfico 1 - Representação gráfica dos valores médios para as dimensões e componentes do SF-36 na 1ª e 2ª avaliação (n=10)
    25. 25. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (VII) <ul><li>RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO ESQUEMA CARDIFF DE IMPACTO DA FERIDA (CWIS) </li></ul>M = Média ; DP = Desvio Padrão Quadro 6 - Médias e desvios padrão observados nas dimensões do CWIS na 1ª avaliação, em função do sexo, e resultados do teste Mann-Whitney U (n=10)
    26. 26. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (VIII) Quadro 7 - Médias e desvios padrão observadas nas dimensões do CWIS na 2ª avaliação, em função do sexo, e resultados do teste Mann-Whitney U (n=10) M = Média ; DP = Desvio Padrão
    27. 27. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (IX) M = Média ; DP = Desvio Padrão Quadro 8 – Valores médios, desvios padrão, mínimos e máximos e resultados do teste Wilcoxon Signed Ranks para as dimensões do Esquema Cardiff de Impacto da Ferida na 1ª e 2ª avaliação (n=10) CWIS 1ª Avaliação (n=10) 2ª Avaliação (n=10) Teste Wilcoxon M SD min. max. M SD min. max. Z p Bem Estar 70,71 10,21 57,14 85,71 48,57 15,99 14,29 67,86 -2,601 0,009 Sintomas Físicos e Vida Diária 66,04 18,04 42,71 92,71 26,88 16,72 1,04 56,25 -2,805 0,005 Vida Social 49,29 20,93 10,71 67,86 34,11 15,30 0,00 51,79 -2,349 0,019
    28. 28. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (X) Gráfico 2 - Representação gráfica dos valores médios para as dimensões do Esquema Cardiff de Impacto da Ferida na 1ª e 2ª avaliação (n=10)
    29. 29. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (XI) M = Média ; DP = Desvio Padrão Quadro 9 – Valores médios, desvios padrão, mínimos e máximos e resultados do teste Wilcoxon Signed Ranks para a Qualidade de Vida (QV) e Satisfação com a QV (SAT) avaliadas pelo Esquema Cardiff de Impacto da Ferida na 1ª e 2ª avaliação (n=10)
    30. 30. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (XII) <ul><li>CORRELAÇÃO ENTRE O QUESTIONÁRIO DO ESTADO DE SAÚDE E O ESQUEMA CARDIFF DE IMPACTO DA FERIDA </li></ul>Quadro 10 – Correlações de Spearman entre o SF-36v2 e o CWIS de Impacto da Ferida na 1ª avaliação (n=10)
    31. 31. O ALVOR DO CONHECIMENTO RESULTADOS (XIII) Quadro 11 – Correlações de Spearman entre o SF-36 V2.0 e o CWIS na 2ª avaliação (n=10)
    32. 32. O ALVOR DO CONHECIMENTO Kátia Furtado Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano Coordenadora Regional das Feridas Crónicas ELCOS – www.sociedadeferidas.pt EWMA –Educational Panel EPUAP – Support Surfaces Panel [email_address]

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