Castello branco. acreania (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) 1958

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Castello branco. acreania (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) 1958

  1. 1. ' A w. «Agr Í *a “ 3': u . ..Ahtawüt nr» "Uru L5 lnvsmnru HISTÍIHIBU a Gsunnmcu Bnasrmnn FUNDADO NO RIO DE JANEIRO EM [838 VOLUME 240 JULHO - SETEMERO 1958 Hm' ! util u¡ longas. duran ben: : gcsm per annu; E¡ pusaím : em ¡analcrizulc (rui. com, Io rms-r. Cr' GENERAL ESTEVÃO LEITÃO DE CARVALHO CLAUDIO GANNS CEL. REF. EX. J. a. MAGALHÃES , é/ÉX, / mstmmm ' . A . _/ war-m ctauanpnzcura H URBE FLUFHNENQ , ccucrrum " me xx¡ ccrasms , u/ ,p/ /E/ ,ÍÚCtGIXLEÀJ DEPARTAMENTO DE IMPRENSA NACIONAL RIO DE JANEIRO - BRASRL - 1958
  2. 2. *vara °' “I f' #Mp1 Êxg *Jg I . H (T'-_v. ',': ,TíU1l_) lrzsmmn Hnsrúmcn e GEUGHIFIKU IIHISILEIRU FUNDADO No mo m: JANEIRO m¡ : sua VOLUME 240 JULHO - SETEMBRO 19.58 Hoc facil u! longos durcnt hcnc _usam per dnnos E¡ posnim sem pusrcrínatc Irui. COIJIÊÍ-ÍAÓ . Ur 1:7 ORA¡ GENERAL ESTEVÃO LEITÀO DE CARVALHO CLAUDIO GANNS CEL. REF. EX. J. B. MAGALHÃES 1 suína. " UNÂYU "x3 u uctccxxxvup; . x§ rá, nun* el( CEPAFTAI/ FIITO EE INFñH-ISA NACIONAL HIO DE JINLIRO E ERASIL 17:58
  3. 3. TRABALHOS ORIGINAIS ACREÁNIA JOSE MOREIRA BRANDAO CASTELLO BRANCO PRÉ-HISTÓRIA Na época prú-cabralíana, havia nessas paragens dois grandex impérios, o Pcruvíano. lncdico cu do S01, que datava de muitos séculos c estendia-w ao longo da costa do occano Pacífico. desde o reino dc Quito até o Chile, sem alcançar no seu desenvol- vimento para o Ievantc, o território acreano (I), c o Gran Paírin'. Gran Alega. Gran Para ou dc Eníp. que ue díIatava da margem oriental do Gran Para ou Apuparo (Ucaieali) ao litoral atlântico. no sentido dc Desta: para Este c do hIadcira ao rio de OrcIIana ou das Amazonas. na direção de . sul para o nortc (2). império éste que devia ser constituido por tribos da grande nação guarani. cujo âmbito_ new: : tempo, aIongavu-sc do Rio da Prata ao Orc- ncco e dos Andes ao Atlântico (3) . A Acrcânía. pela sua petição geográfica, demorava no SE- gundo désscs impérios, asscrto, aliás, j: : reconhecido por Luis (l) B' c B** Conrad dc hIuycndorif. L'Empr'ri~ du S<»-. '«'¡I. Paris, I909. pág. XXV: M. B. CaatcIo Branco - Carmyr¡¡f'í. › Ãvhrrznrl_ iuÍ RJVIFÍ: do Instituto Histórico r: (kurrinfzco Brnsilciro. v. 323 (19%). pág. 16. nota I. Complr-Lzdra o quadro dm. conquisma inm: c:au no territorio bcIíxgizmn. chega-sc . . conclusão dr qu; - c. ; incux dúmlnarwrz¡ do Indo Tillcucn ut(- ¡nIL-m dn frontciqa . .rncnlina e no wnhdo do ocstc para o oriente. do Pacifico a Chunchoz. , passando por . Wales, até chcrtar . lou sllimoxt' dc Santa Cruz. dPpDIF de hm-'cr ocupado os vdc; da' CDcImbamIu c os ultimos COIIIFHIOFIN- d. : CDrdlIIlflrJ'. por Valirgmnde c pela fronteira dc Touiin. : c Pomabaxzzb. : (Henrique Fino: - AVUCU: : Hürurm de Bciivia, Buenos Aires. 1946. púg. 56). I? ) Ion: MMM Dnlcncc - Basquc/ b Exfndisfíto du Bvlxhwla, 1.551. pda. H3: ! Marian-fo Pvmnnnñ. dc '25 dc Julho dc 1791. pág. 227. nota 2: Luis UIIm RuIdctrívn dc In IJrILrJu y Diucubrimicnro dr! rio AIanu IiUcdrL' da DíosI por Juan Alvaro: hIuIdundo, em 1557. Sevilha. 1599. Introd. . pág'. XIII e XVIII. (3) Iosé Domingo Cortés › Bolivia, IB75. pág. S5.
  4. 4. _q_ Ulloa quando a situa na «Gobernacíón Vilcabamba ó de Martin Hurtado Arbictoz. que abarcava os vales do Acre e do alto Purus (4): comprovando ainda mais essa vizinhança. as cons- [antes invasoes de gente guarani (l-i7l). ao Alto Peru. cm que. por vêzes, lutando contra os Incas, obtiveram algumas vitórias (1475-1564) (5). Para alguns escritores. os Fenicios c lucas perlustraram a região vizinha ao território do Acre. deixando nomes e inscrições nos vales do Madre de Dios. Purus c Abunã. Na primeira hipótese. o Cônego Raimundo Ulysses Pcnnafort, tratando da origem de algumas palavras da Solimonia. procura demonstrar ser de proveniência Íenicia vozes como Acre (Acre ou Àquíre) e Ortonc (Oriente) (6). quando. na verdade. esses nomes têm procedência mu¡ diversa. pois. o primeiro é de formação rela- tivamente recente, e provém de ualviry (uu-akãrü). térmo da língua dos indios ipurinâs. encontrado pelos mais antigos explo- radores da região acro-puruense, que o transformaram cm aquiri. aqri, acrc (1872) (7). arranjo que se estabilízou até o presente c foi aproveitado para denominar o mais antigo dos territórios brasileiros. Quanto à palavra Ortonc. aliás Orton. provir da fenicia Oronte. tampouco procede. Ainda é de data mais nova. se bem que da mesma década. e foi aplicada a um tributário da margem esquerda do Madre dc D105, pelo explorador doutor Edwin Heath que o descobriu. em 1880. c. em recordação a um outro viajante norte americano. o professor Orton. deu éste nome ao rio recem encontrado (8). o qual é formado pelo: Tauamanu e Manuripe (9). H) _Ãlclrlci-, in c Inrrod. , cita. . pág. XIV: l. M. B. Castello Branco - Team-rita: : de Dc5br.1:'nr1I. 'rL'o du Região du Acre. h¡ Boletim Geográfico. n' 28, pág, 595. (5) Henrique Cundla - Historia dr Ssanta Cru: d. - In Sierra, 1935. págs. lõ, 20-23. 27. 28 c 51. (6) Bmsí! PfC-ÍÍÍJLÍPIÍO, Fcrtalczr. . IÇCO. pàgs. l7~i, 177. e nom 2. (7) _I_ M. B. Canxtcllo [Bu-anca - O Nome do Ri. ) Acre, in Boletim Groqráfiro n” 79. págs. 750-751: O Rio ; le-m in Rev. lnst. Hist. Gronr. Brasllcho. v. 225. págs. 29% a 296: Caminhos do Arm', ln Rev. Inst. Hist. Brasileiro, v. 196. págs. 127428. (a) I. Fr. Vclardc. Confrrênci. : na Soclcdcdç dv Gconrélfin do Riu. in Rev. dci-sa Sociedade, t. ll (lõâõ). ping-s. l73-l7-i; Iulio Pixxiws. Rein- rol-su . sôbre a E. F. ñladcím ñlamc-re'. 1855. pág. 90. (9) O Cónego Pcnnafort nÚlHnÍ-t que o rio Ortone corre para o Acre. o que também acontece con¡ o Manury. alcançando éste. o rio Acre. no lugur Flor de Ouro: afirmação esta somente mrihuivel a¡ pouca : rt-cação prestada na lcltum dos mapas da regiao, pois, o Mnnuri ou Manuripc não pass-n dc um formador do Orton. qur por sua ve: convcrqr para o lklvidre de Dios.
  5. 5. _5_ Relativamente aos Incas, diz Castelnau que vários nomes encontrados. no alto Purus lhe parecem de origem quichua. entre os quais cita Abunini. originário das palavras apo - grande, e mini -- diz-se, e Buruó, quulificativo de uma nação indígena do alto Juruá (10). Nenhuma das dll-Í: : fica na vizinhança do Acre. O lugar Âbunini está situado à margem ehquerda do rio Purus. numa distância de mais de trezentos milhas a jusante da fronteira acreana: e a tribo Burué campcava no vale do lutai. cujas uns- centcs demoram muito abaixo da referida extrema (ll). Na lingua dos. Pamaris, di: Euclides da Cunha, abuním' Significa sacado. palavra esta que, na linguagem peruana. cor- responde a t¡]W¡: ›L'. 'i (i2). Serafim Salgado, na viagem dc 1852. registrou Anaboneny (13). Paul River e Contuntino Tastevin adízrntam que os Burn(- pertenciam n um grupo da familia ICatzrliina, cujo dialecto se assemelha a dos' fúsnanznri (aruak) (H). E o próprio Cônego Pennalort quem. estudando a origem dos idiomas. .afirma que : As línguas dos lDCHa. do» Nlerçicanoz». e a dos Brasi» têm todas grandes relações com o hebraico (lí): e o Padre Manuel Navarro. examinando c praticando os dia- lectos da: tribos peruanaa, assevera que o idioma PuHO. aszim como todos os demais que falam as tribos da República têm muita aemelhançzi com o quichua. opinião esta confirmada pelo Paidre Frei Nicolás Àrmcntia, grande explorador e caiequizndor do vale do Madre Dios. E acrescenta. não afirmamos que Esses idiomas se orígincm do geral c primitivo falado pelos incas, porém, diremos que existe uma . mnlogia mui notável entre aquelcsi c éste. O: : infiéis da montanha" aprendem com mais; facilidade c desembaraço o quichuu. do que qualquer idioma europeu. acon~ tecendo o mesmo com Dn Panos (Ucaiall e Alto Juruá) e 0:» N H0) Émneíx de Cuwtvlnau x Dc Ria J» Indaia: ,l Lim n! dc . fi-wa . nl Pam. lo-! J l8l7, v. V. púgu. lÔÃ-ÍÔÍ. (lll P. River v C. Tastcvin - Les rribus iudívnnus dns Õâánfng. du Purus, dr¡ [uma c! dm rüi/ fcrvn límirlirvphrs_ in La Geographic. pariu tomo XXXV. 1921, pág. H3. x Carte Línauzlxrique. do» mcsmea autores. .nem ao n ferido traballio. llzl Rclulório d. : Ccmisño lWsu dc Reconhecimento . io Alto Fuzi» ¡Notus Complementares), 1904-1905, pág. 39. (1.3) Relatórios d. . Prrsidcncizi di] Proxuncia do Amazon». Rio, IGP". (lS52-lb57l. pág. 15| [Relatório dc Serafim d: : Silva Salgado . sobre c» rio Puru-H . (H) Lis Cvuqrapfiír t x riu. , pñgx 45?. 43.6. 'lÕO L lÕl. 053w fill. . pru). 33'). Hülñ l.
  6. 6. _5_ índios que moram na cordilheira andina, os quais assímilam melhor a língua indígena de cada um. pronunciando-a com mais ; icêrto e arrogância do que o castelhano (16). Sendo assim. é muito natural que se encontrem palavras parecidas com o quichua. nos. rios Purus e Juruá. Não obstante. o próprio Castelnau só indica as duas referidas. não afirmando que sejam pertencentes à língua incaica. e sómente que lhe pa- recem, apesar de Euclides da Cunha ensinar que abuníni é do dialeto pamari (índios do baixo Purus). e a tribo burué está ligada à familia katukina e fala um idioma diferente do quichua. como adiantou¡ Rivet e Tastevin. segundo vimos acima. Restam as inscrições rupestrea. Para o Engenheiro Júlio Pinkas. é fato incontestável a presença¡ dos Incas nos rios Madeira c Negro. nos quais se deparam numerosas inscrições que se não podem atribuir aos indios ali existentes (17): e Pereira Labre, explorador da região. di: haver encontrado no pedregal da cachoeira do Àbunã. «afi- guras gravadas em faces perpendicularcs, consistindo elas em hícroglifos diferentes. espirais maiores e menores, círculos ron- centrícon e outras figuras-u: hieroglífos que também verificou nas cachoeiras de Periquitos, Paredão e Ribeirão. #talvez trabalhos dos lncasa. e bem assim do Beni, onde observou figuras do sol lua, etc. (18). Bernardo Ramos que estudou as inscrições e tradições da América, em dois alentados volumes. . não se refere a gravações incas na Amazônia, só registrando umas inscrições fenicias numas pedras . v margem do rio Amazonas, em Itacoatiara. uma em chinês. duas em árabe. um hieroglifo c outras em grego. no ter- ritório amazoncnse. e mesmo assim. sem alndir à bacia do Ma- deira (19). O ministro plenipotencíário da Bolívia no Brasil. D. Juan Francisco Velardc. numa conferência proferida na Sociedade de Geografia do Rio de Ianciro. a 28 de junho de 1886, assevetou que as cabeceiras do Beni e do Madre d: Dios são conhecidas desde a mais remota antiguidade. por haver feito parte dos (16) Vuxdvuleirío Czistclhano QuüclutaJliñv, Lima. 1933. pún. 172. H7) Relatorio sobre . a Entrada de Fc-: ro Àlrdeira-Rlamoré. 1h55. pág. 86. (IB) A. R. Pereira Labrc 7 Conferencia pronunciadu n. : Sociedndr de GCOUFJÍÍu do Rio de Iunriro, sôbre os nos Purm, lvhdrc de Dios c Acre. in Rrv. dean-u Sociedade_ tcvmo lV (lbõb). págs. 105-106. (19) Bcrnnrdo dc Azevedo da Silva Rumos 7- Ín5crfg't"›': › . - TIZJJÍÇÕCX* d. ; Âmêríc. : Pré-hiarúriczi. 1939, v. l, Prclaezo. pág. XVI.
  7. 7. _7_ dominios incaicos c: da conquista cspainhola: porém a parte in- ferior se achava velada pelo mistério do desconhecido (20). Donde se conclui que os incas não andaram pelo curso inferior dêsses rios. parecendo. assim. inexplicável a origem dêsses riscos c desenhos. Não obstante. ensina Angyone Costa que os Iitogrifos no Brasil foram vistos em tóda parte, principalmente. nos rios ama- zónícoa. inclusive o Madeira, por vários autores. c acrescenta que essas linhas retas, pontcadas, verticais. transversais, para- lelas. sinuosas, circulares. círculos concêntricos. espirais e algumas figuras, não implicam necessáriamente relações ou contactos cul- turais c só assim sc compreende que Esses motivos possam apa- recer nos lugaru mais distantes da terra. de dificil. senão de impossivel conquista para individuos providos. apenas. dc meios deficientes dc locomoção. Não são caracteres dc uma linguagem esquecida e muito menos uma idcogrnfia em formação. São simples ensaios_ desenhos reveladorcs de uma arte rudimcntar. rcprventando o simples tudu. : homini. passatempo. brincadeira dc índio. ou ainda. a reprodução de uma idéia de comuni- cação (21). E aiunta. no Brasil. o índio não tentou a escrita. apenas. logrou transmitir uma idéia primária a outro índio. utilizando o desenho. uma das primeiras conquistas de que conseguiu se upossar (22): inscrições essas que. examinadas a rigor. não passam de um trabalho produzido por um ser ingênuo. por alguém qu: : ainda não sofreu as influências do mundo exterior: ratcntcando essas garatujas, éssca sinais. . uma comunicação dc presença. que encerra o desejo, a alegria. que um índio tem de N: comunicar com outro índio (23). PROTO HISTÓRIA Pelo tratado dc Tordcsillas (HQ-l). a América Nleridional ficou dividida em dois quínhúes c. como à linha que os devia limitar passaria na parte ocidental da ilha dc Marajó. no Estado (20) Rrv d. : 501.'. dv Georyafi. : clt. . tomo ll, pág. 170 (Ill À-liryraçó-'s c: Culturas Indígenas. 1939. pñgs. 52. 53. 60; Írrdrologízr 3' rdíçf-o, 19H, pig. 130. - W. Chundlru n-. xtudnudo o rio Purus. rcPc- rc-xc ace. indica Camuchis. bcln tribo_ rcsídcntc nas nos Muculm. Mun' c Puciá. industriosos. .iqrícultou-: a r: mesmo munufalurciros, que faziam farinha de mandioca superior . l do Amazonas ç louç-. i dc barro, com arnbcsooa i-'omútríi: ci. (Nom: sóbrc Rio Purus. de 26 dr lrwrtiro de 1565, pág. 5)- (ZZI ¡Wñoruçõca c Culturux ci¡ piu). t0. (33: Indmloiyin cit. . páçu. H7 . - llb'.
  8. 8. _g_ do Pará, a zona em que assentada mais tarde o Território do Acre, ficava dentro da porção que tocaria à antiga Castclla. Os exploradores, porém, das terras que a circundavam durante séculos. não a atingiram. constando. apenas, que alguns vindos dos Andes. agitaram-sc cm tórno dos paralelos 12" e 13 austrais. ficando assim, pelos vales do Beni ou do Manu (Madre de Dios). no século XVI (24). e os que sc atrcvcram, rms ccntúrías seguintes a desvendar a região, cíngiram-sc às mcsma~ bacias, ou. quando muito. pcnetruram na: águas do Madeira, no; . séculos XVll e XVlll (25). Como sc vé, a influência espanhola permaneceu arredada das plngas da futura acreâníu, c a portuguesa, por ésse tempo : c: restringiu ao litoral atlântico, longe. mui longe ainda tltwi: : região. só crescendo de intensidade as suas vagas no rumo dc- norte, pelo líminr do século XVII. quando desuloiou or. [ran- ceses do Maranhão, enfiando-sc pelo Amazonas acima, nun: arrojo de atrdácia e corngem~ que, colimando na expulsão dc ingleses c holandeses do seu curso inferior c na conquista d. : : abas sclvátícas, preparando o caminho para maiores cometi- mcntos c dando ensejo a que a penetração, na ccntúria sc« guinte sc cspraíassc por vários galhos do rio-mar. ziproxímundo- : da região acrenna, mas. só aí penetrando os brasileiros, pouco depois do mexido do século XIX. época em que os boliviano. - pcrmaneciam nas margens do Madre de Dios, c Beni na sunt» : :ção de que um dos dois fóssc a origem do rio Purus (26). n t o As primeira: : concessões de terras na região andína c ph- nícíc anlatôtlica. cmnnaram dos reis de Castello, c, antes mesmo de Francisco Pizarro conquistar o Peru. já lhe era outorgada. por cart. : régia de 26 de julho de 1529, uma fabza de terra (lc duzentas léguas de extensão (Il 20' ao norte da linha equatorinl até o paralelo H* 50' ao sul) que, ~no podia ir mas allá de las tierras pertenccicntus al Peru_ Apesar dessa restrição, algun. escritores dilatavam esse prixrilégio para o oriente até ; a linh. . dc Tordcsillas. abarcando, assim. terras. acreanac. . pois. se alarv gava até a foz do rio Amazonas. ao que se opõe o notável histo- (2%) Hcnriquu Gandhi. Limites d. : Lu _nyobcrmzcícnux Sm¡ Ámmcar. rn cl siglo XVI. Bueno: : Aires. LACNLKXX, púgs. 47. 159 t XV. d. : Intro éución: l. ui. -. Ullou - RCÍHCÍOH Cll. . pzig. i7. (25) ]. M. B. Castello Brnnco_ (Sumiu/ nos do zlcrc_ cit. . pñg~ Zlõlí¡ Enrique Pinot. obra cir. , paga. 7l e IZO. (26) Castello Branco, Tcrr_ c Gun! .- du Acrt'. pág. i3: Cdnlinlltl' : f Acre, pings. 2l7 ç 319.
  9. 9. __9_ riador argentino Henrique Gandía. uma vez que a concessão se cingía à costa do Pacífico até os últimos contrafortcs andinos. justamente. o território pertencente ao Peru (27). seguiram-se as gobernaciones de D. Pedro dc Mendoza (1536), Álvaro Nunes Cabcza dc Vaca (1540). Domingo de Irala (1552)). Gomez Arias d'Ávila (20, 2. 1557). Juan Alvarez Maldonado (25. 7. 1567)_ Juan Ortiz Zàratc (1569) e Martin Hurtado dc Arbieto (30, 7. 1572). A concessão feita a D. Pedro dc Mendoza. compreendia a região acrcanal. assim como as de Cabcza de Vaca. [rula, Zà- ratc c D'Ávila (28): sendo que a última ía do paralelo dc 1'* c 30'. ao norte. ao i9” ao sul. c sc estendia do meridiano 75” 30' ao 55” 30' dc longitude W dc Greenwich (29). Juan Alvarez Maldonado. tendo fracassado na sua jornada dc 1568. apesar dc ter eix-piorado iodo o rio Manu. teve parts: dos seus dominios transferida d Juan Ortiz Zàrate (30): rc- cupcrando-a. em 1586, por _novo ato rcalcngo (31). Foi quem mais se aproximou da zona acrcana, mas ncm êle nem seus imediatos. passaram do vale do rio a que dtno~ mínaram dc Nuestra Scñora, hoje, Níadrc de Dios (32). Resta Marlin Hurtado Àrbícto. cuja concessão foi 155:'- nada pelo vicc-reí do Peru. D. Francisco dc Toledo. o qual o nomeou, a 30 dc julho de 1572. governador dc Vilcabzimba c o incumbiu dc conquistar uma parte das Nlanarics c do fabuloso império denominado Guanaco-Ií/ Íarca. cuja situação corresponde ao que, atualmente. chama-sc de Alto-Purus e que coniinax-; i com o govémo dc Vilcabamba (33). Apesar de vizinho da . wcrcànía, não consta que houvcsrc pcnelrado nas suas terras. (27) Iii-mirins Gandhi ~ Limírsx d: ?nr Cnbcrriicíurrr- Sud AWT: anus : u r¡ aiglo XVI, Bucnos Aires. INÍCMXXXXII. pain. 9. (3.5) Cnndzn_ Rcluc. ci'. mnpak H c IU. pgígs. 275, 6), 7:7 c 134. (29) Gandhi, Reina. cn. pag, 91. (3D) G. .ndi. i, Rcluc. cu. , pág. H7. (31) Gandu, Reina. cit. . pág. Ho. Os seu: diminim co: nprcun: ii. .r¡ Os Vaics do Juruá. Purus_ Bem_ fxiudzíra, c: parte do Aizmzonaw, mí' o mm- diano dc Tordesilhas. (Bautista Sauna-Jr. : ~ Dcfc-ms. : ri. - ÍH» D-'rf-'Chos c¡ Bohuiu cn c! Luigi» de FÍÔÚÍLÍC¡ mn In Rcpublicu di! Pcru, BUENOS Àircu 19H». v. I. mnpn entre : :S pri-gs. 176 e 177. (32) Gahdin, Rcluc. ríi. , pág. i7. (33) Gundín, Rolar. cn. . pág. 159: Luis Ullow. Rcluc. círv, 1mm- ducíón. pág. XV.
  10. 10. _io _. Houve outras concessões, como as de Alonso de Ojeda (1508). Francisco dc Orcllana (15%). Diogo Hernandez dc Serpa (1568), denominadas tódas de Nova Andalucia. bem como a de Maldonado. mas, abarcando terras situadas ao norte das descritas (34). Narra Cassiano Ricardo que 'as terras pertencentes ao fu- turo Acrc não podiam tcr ficado fora de tão espantoso raio dc . ação, desenvolvido pclos portuguêscs. via Amazonas, c pelos paulibtas, via Tietê» (35). O autor do O Tratado de Petrópolis referia-se às jornadas dc Pedro Teixeira (1637-1639). subindo c descendo o maiestoso Amazonas, dc Gurupá a Quito. no Equador. c à de Antônio Raposo Tavares ao Alto Peru, dc onde saiu _no rio-mar. pelo Madeira (1648-1651), além dc outros viajores que percorreram essas mesmas vias. Pedro Teixeira e os quc transitaram pela vasta calha ama- zônica. nem sequer sc aproximaram das raias acrcanas. uma ve: que navcgaram. cêrca de mil milhas ao norte, e. Raposo Tavares o: o: demais quc sc lhe seguiram. descendo o rio Madeira. avi- : inharam-xc da zona acrcana. mas, mesmo assim. passaram pela io: do rio Àbunã. numa distância ao redor de oito dezenas dc milhas. O próprio Cassiano Ricardo assevera haver Raposo c outros bandeirantes paulistas percorrido il rota Paraguai. Guaporé. Mamoré. lvlndcira e Amazonas (36). E como o notável bandeirante, depois dos embates com os mpanhóis. no Alto Peru. dcsccssc os rios Mamoré c Madeira. em balsas. já muito desfalcado. cansado e dcsiigurado (37). provavelmente. não estaria em condições dc praticar outros feitos darmos. ou dc enircntar . n sum. cachoeiras e os valentes Paca- guaras. indios que ali resistiram durante centenas dc anos a todos o. quc tentaram invadir suas terras. , só dominados no fim do (31) Gñndliv, Rclac. rir. pinga IIS, H9. 120 ¡- IZI. Vcr também . z ¡'›”“-F“-'| ¡0 df-“íw- ? Cühvríl-Ciün-W . I. M. B. Cístclo Branco - Tri-ru t Ccntc d: Ann', in Bulctim Geográfico n" 73 (1947), pfigs. íÉ-iB. (35) O Truruticn d» Pcfrcnpulís, 195%. v. l. paid' ló. ÍÊÕl Óbm c U. cita. págs. 'H c i5. (37) Bermdo ~ Ánaís ffisruricxvs, Worvnçu. 1905, v. ll. pit-ga. 8h53: B. i'lll0 du lkl. ur. ilhíi-_-: . EFFJfU-Íl) Cmqráfilza do Bmxíl Colunfal, São Paulo, 3' Cd. . 1935, pziqs. 126-127, c not. : 21: D. S. Ferreira Pena - 1': Rcmí-! u . Âniau-«nit-u, t. l iibbil. pág. 10. Cute-ll! ) Branco r Cznnitrhos do Atz'. m. . pag. 77.
  11. 11. _n_ século XIX (38). tanto que viajou de Imbuia. ao sabor das águas. incapaz de outros cometímentos ou riscos. Não e' outra a conclusão ao estudarem-se Os documentos em que se baseou Washington Luís, o pesquisador que conseguiu firmar o itinerário da bandeira dc António Raposo Tavares, de São Paulo ao alto Paraguai. depois do que passou ao Guaporé. Mamoré. Madeira e Amazonas. a cuja corrente entregou-se. lc- vando-a . i Corupá (39). Ô Padre João de Sousa Ferreira quc conversou a respeito da jornada com um frade e um secular que pertenceram a expe- dição, narra que Raposo subiu o rio da Prata até as . suas fontes. em vários lagos e campinas alagudas. nas quais muitas vêzes se achou perdida: andando dias» inteiros com a roupa na cabeça e água pda barba, se empenhou tanto que, alimcntanda-sc de olhos de palmas e tendo encontros corn os castelhanos do Peru. desceu em jangadas o rio Madeira. entrou no Amazonas e chegou ao Pará depois de gastar três anos pelos sertões (40). Outros bandeirantes : seguiram o mesmo roteiro ou ficaram pelos galhm meridionais do Guaporé. Entre estes. pode-se citar Luís Pedroso de Barros que partira de São Paulo, em 1660 (41). e entre os primeiros, o portugués Manuel Felix de Lima (1742- 1743). acompanhado de joaquim Ferreira Chaves e outros. sem constar que houvessem, ao menos, tentado invadir o rio Abunã. o caminho mais curto. partindo da : em percorrida. para atingir ao Acre H2). Dos que subiram o Nladeíra, sómente o penetraram. gente de duas «gxpeçiiçóesz a do sargento-mor Luis Fernandes Ma- chado (1749) quc o navcgou, apenas, meio dia, e a do gover- nador Luis Pinto de Sousa Coutinho (1772) que o aulcou durante três dias, não passando. porém. ambas de . sUdh cachoeira; - (43). No período colonial. a linha divisória_ entre os dominios portuguésea c: espanhóis. parecia um devaneio. pois, sómente existia na letra do» tratados. (ru na imaginação dos cstadistas da época. 13h) Cantu-lim Bamco m_ pda. '37', nora i5. u' pág. IOJ. (39) Rex-ist. : do Ínslitxllo H1ntót. ~cr› . - Cmgrñfâco dr São Paulo, v. IX IWDH. páq. 500. H0! Rev. 'io Emi. HM-i dr São Paul». x' r artigo cita. . pru). 496. HH Camilb Branco r Caminha do Acre cit. pág. 77. M! ) Auta. " v cbr» em. pág. 79_ r- nota 3. 1-13) Autor r ubrr tits naty. T9, 95 r 9G.
  12. 12. _n_ A utópica Tordesilhas, pouco mais dc um século dcpois. er. : cmpurrada para oeste pela pressão dos invasores luso-brasileiros Amazonas acima: parou algum tempo à margem do Madeira. num liníamento que iria da nascente do Iavari ao rio Madeira, aos 6” 52' 15" de latitude sul. cujo ponto rcgulava a metade entre o Mamoré e o dito Madeira: fixada mais para o cslc palm acordos dc 1851. entre o Brasil e o Peru, c. em 1867. entre o mesmo país c a Bolívia; sofreu novo cmpuxo de 1880 em diante. devido à invasão dc brasileiros nordestinos: dando ensejo '1 discussões c ràrias interpretações_ quc só Ííndaram com a : uai- natura do tratado dc Petrópolis. em 1903. ú a q O rio Purus ou Cuclrivara. assim chamado pelo: antigos gcógralos. teve seu primeiro batismo na viagem do Padre Cris- tobal d'Acuña_ em 1639-16-10. que o denominou dc Yanapuary. apelido dc uma tribo existente numa da: suas bõcns (ri-i). “part So: ígnoró su orígen hasta el año 1864: cn cuya época, un auc- vido é ilustrado inglés, M. Chandlcss, hízo un profundo estudio de cste rio: (45). Apesar da rcracídade da afirmativa de Raimondi de que a sua nascente scmprc foi desconhecida até a exploração desse geógrafo inglês, procurou-sc conlundi-lo com o Araza ou lnam- bari, Manu ou Madre dc Dios. c mesmo com o celebrado Bem'. por conjeturar-sc que o Purus provinha da cordilheira andina e tinha . suas nascentes para o lado dc Carabaia. Cuzco. lagos Roguagalo ou Titícucu (46). Daí. o engano do cartógrnlo lunn dc La Cruz Cano y Ol- mcdilla anotar à margem do rio Purus; a observação seguinte: Bl cauduloso R. Àraz. ; cuyo origem comparado con cl que corn: :- pondc al famoso Cuchivara u R. Purus parece su' uno mizmo. como . se inlicrc cn la dcscrípcion del obíspado dcl Cuzco ín› (HI Antonio R.1'°2.›11cll - E¡ Prru. [ima, 1379. l. Ill. pág. 307; Rolar-riu Soninha-y', fiíJúria du Ban-xl. lbõl'. ¡raduçixo de L. I. dc Olinuz. r Couro, t_ ll. pág. 412. (i5) A. Ralmcnndi, t. c pág. um. . H6) M. Pa: Soldnn -~ Ckugraifia do! Perú, P. “u, 1863, om pów tum. .. CorrlqÍd. ) u aumentada por meu ¡rmm &Lrriano Felipe Pa: Soldqn tradução par: : o francês por ¡Xrsázic Mouqucron, pág). 7: Mariano Fclipe Pa: Scldrsn. L): 'n›r: _~: r¡r› Ccoguafico Ev. urf4'. <tis: r› dv¡ Perú. Linux, N77. pings. 94. lüí. 55C' u 557: luar¡ de la Cru: Cano y Olmcdnllu. !Mapa CAJYÂÍQO d? Arm-nv. : ¡Wcrizhisrzuh 1775: Cnstclo Branco. Caminho: do Acre m. . pings. lCi e 105. c nom l.
  13. 13. _13_ cícrta al fin del conocimiento de tíempos, impresa cn Lima ; Año ¡7684 (47). Por éssc tempo, não sc falava no rio Madre de Dios que era substituído, nos mapas, pelo Inambari. quc. em lugar dc desem- boca: no Beni para ir ter ao Nladcirza. como seria natural, corria para a vertente do Pcrcnú, que pertencia ao sistema do Ucnialí. ;apesar da jornada dc Juan Alvarez Maldonado. de 1567 a 1569. O HR. Beni u R. Scrpícntcs», quc M. D'Anví| lc Hama Amarumayu: era encaminhado para leste, confundindo o carlógrufo o rio Ma- moré com : El grande de La Plawu Era assim a cartografia da época. Eman Bowen. punha no alto Cuchívara. vários lugares, como Reyes, S. Paul. St. Boria, etc. H8). G. Dcslisle desenha o *Tànxarumayu-R. Puru» até cérca de b* auzzraís. que. da¡ até quase ll” passa a ser penteado. resta- belecendo o risco. desta situação às cabeceiras com vários galhos de ambos o» lados H9). M. D'Anvílle traça o Purus até as proximidadcs de 6°'. pontcia dai a acima dc 12'? , rcstaurando o risco dêstc ponto em diante, c acrcuccntnndmlhc diversos formadores, inclusive o Beni: põe-lhe a denominação de «Amarumayo Ot Serpent R. o quc já havia feito num outro mapa datado de 1747 (50). Nenhum délcs. contudo anotava o nome Araxa no Purus, só o encontrando, outra vez no mapa dc Dczauchc, mais de trinta anos depois. no qua] o cartógrafo escreveu. num río que nasce ao nortc dc Vílcabanuba c a ocstc dc Cuzco, c vai dcsaguar no río Amazonas. abaixo dc Coari_ por ués bocas. sem nenhum . afluente, .R. Arazzr» (51). O verdadeiro Araza não passava do Nombre dcl Marca- pata cn su parte más haja cuando cac al lnambart. nome que H7) ! Wraps Goográllco dc AmEfÍCn Meridional, -ztcnicndo ; atraentes 'niños 514p. » y noticiar» onginnlcs con ancglo . í otx-vczvucioncs CISUOIIOXTXÍLLN. Año dc 1775). Hà) A New . md Adm-aro ! Ux/ p of Prru and : hc Country of the Ahm- zoncs. Deve ser dc 17-17. H9) Curra- d'Amcríqtxc. 17H. (50) À ÍH-'ip of South ÂMÉFÍCa, London. 20 septcmbcr 1775; c Amex-Que ñÍcrfJísaaulc, MDCCXLVH. (Sl) Caru- d' Amcriqzze Drrrsñc pour Fírufrucfion Par Cut! Dell-dc. Pnrb, 1803.
  14. 14. _H_ «talos naturalcs arasairís que lo habitam aplicavam também ao referido lnambari (52). Sendo o lnambari um dos principais afluentes do Madre de Dios e até o meado do século XIX, ou mesmo depois. indis- tínguivel dêle. e este. por sua vez do Beni, a cuja bacia per- tenciam, e sendo o último tido como a parte superior do rio Purus. não era de estranhar que, dado o desconhecimento da região por essa época. como atesta o traçado dos seus rios. que sc acham penteados. de cérca de 6** ou 7" até ll" ou i2" austrais alguém desse o nome de Araxa ao Purus. Esse engano. na opinião do geógrafo peruano Raimondi. só foi desfeito com o desveqndamento do rio Purus. por W. Chan- dless. cm 1864-1865 (53). por não ter tido a repercussão devida o resultado da viagem de Faustin Maldonado. em 1861. des- cendo os Madre de Dios e Beni e saindo na calha do rio Madeira. Mas Chandlcss. a despeito de opinar quc o Purus não se originava da cordilheira andina. equivocou-se ao dar o nome de Arara a um dos contribuintes do famoso Cuchivara. devido ao traçado anterior da hidrografia local c troca das denominações das correntes fluviais correspondentes. segundo exprimiu Pa: Soldan, um dos maiores conhecedores da geografia peruana (541). Não obstante. o parecer desses rcputados autores peruanos. é preciso esclarecer que Chandless não foi o primeiro a aplicar o nome de Aracá ao referido afluente do Purus. uma ve: que o explorador brasileiro Manuel Urbano da Encarnação já o em- pregara na sua viagem de 1861. quase um lustro antes do geó- grafo britânico. E assim como informara isto ao engenheiro brasileiro João Martins da Silva Coutinho. encarregado de resumir as informaçoes da viagem do dito Manuel Urbano (S-i-À). certamente. dera ciência do que ocorria ao geógrafo inglés, como lhe transmitir: : muitos outros informes sobre o vale puruense. por scr o maior conhecedor das coisas do Purus. r (52) German Stinlich - Dicionario Gcoryrufico de! Perú. Lima. 1922. v. A45, pôa. 109; v. H-Q. págs. 556 e 656. (53) Âmnranas (lllumms). ediçao de 10 de outubro de 1868, pág. 3: Mateo Pa Soldan_ Geografia de! Perú, 1563: Castello Bnmco - Caiminfzcua do Ant'. cit. . págs. 106. 107 e 219. Mar-amo Felipe Pa: Soldan. rcputado geógrafo peruano, ainda cm 1577. no seu Dzciona-ríi) Geografia. ) e Exturlilxfzc-o del Pen! , ensinava que o Beni rtcebla Aquas do Purus. . (54) Mariano Felipe Pa: Soldat). Dicionario Crogr. c Estad. dd Perú. Lima, 1877, pág. 9-1. (Si-A) Relatório sobre a exploração do rio Purus. dc l do março de 1863, pág. S-l. in Relatório do Ministro du Agricultura de 1865: Rela- tórios dos Presidentes do Àmazonas. v. ll. pág. b03.
  15. 15. _15_ E Manuel Urbano, como explorador c diretor de indios quc era, há eêrca de um dccênío. só poderia ter ouvido éssc nome por comunicação do gcntio local, mostrando assim, que o apelido era usado por ele, e, mesmo porque Urbano. pela sua pouca instrução, era desconhecedor de tão intrincada geografia. Além disso, poderia coexistir. o nomc cm rios diversos. sem depender a origem dc um da do outro: porquanto, apesar, da identidade do radical_ a desinência não é igual. No rio caste- lhano. a terminação é : a e no brasileiro - nã. Poderia haver confusão, se o afluente do Purus tivesse o apelido Arassa ou Araçá. mas, sempre foi gravado Áracà, afastando. assim, qual- quer dependência um do outro: tanto que em português. temo» as grafia: ezraca. araçà ou araxá. significando coisas inteira- mente diferentes. v Í O Segundo German Stíglich. os varadouros do rio Purus ao Urubamba c' ao alto Ucaialc eram conhecidos dos indios Pira» «desde época imcmorialn_ tendo sido. porém. as primeiras refe- rências àÕbrL' a sua existência trazidos por Bousquet c Piper (55). O Padre Ramon Bousquet, companheiro do Conde de Can- telnau na sua viagem pelo Ucaialc, em 18-17. percorreu. descendo pela primeira vc: o rio Urubamba. no coméço do século XIX. iniciando cssa jornada a primeiro de setembro de 1806. UBIISPÕx a foz do Sipagua (Scpáua) no dia 20. encontrando mais adiante os -xinfidelcs Chontaquiros llamado Cujen. que deram noticia de um grande rio quase igual ao Urubamba que ele Bousquet julgou fosse o Beni on lavari: c a 24 de dezembro, viu à direita o rio Tamaía, habitado pelos indios Conivos (56). Não consta que Bousquet houvesse penetrado no Sepáua ou no 'I'amaia. A citação do nome Cuja. embora aplicado aos infiéis Chon- taquim e a referência a um rio quase igual ao Urubamba para o lado do oriente. não deixei de ser uma alusão. nessa altura, ao rio a que o gentio local apelidava de Cuja e a que o tenente da armada britânica Henri Listar Maw. cm 1827. já falava. quando apontava as tabas dos indios Piros que se alargavam das margens do rio Ucaiale às do Cuia, rio éste só conhecido pela noticia que os habitantes da floresta davam dêlc. supondo uns que (55) Dfciomíria Gcuqrufiro de! Perú. Lima. 1922. v. H-Q, pág. 877. (56) Antonio Raimond¡ ~- E! Pvni. Llmm 1879. t. III. pâgs. 26, 25 e 31.7.
  16. 16. _.15_ fosse o Paucartambo ou o Beni. c outros o Gavari (Iavarí). ligado ao Ucaialc pelo rio Tamaia (57). Mais tarde. em 1833, foi encontrado cm poder de D. Manuel Amcz. governador dc Nndumarca. um mapa do rio Ucaialc. cujo autor, tanto podia scr o Padre Plaza, como o referido Amar. . que foi companheiro do aludido padrc, numa expedição ao men- cionado rio (SS). Esta curta geográfica registrou dois rios ligando o Ucaialc do rio Cuja. confirmando as noticias anteriores, um. com o rótulo dc (Rio Sípahurxr, em quc sc lê #camino por donde los Pires del Ucayali se comunicar¡ con los de] Cujau (119 na bõca c i0" 31' na confluência com o Cuja). c outro. intitulado. "R. Ta~ maya: - (Sr 29'. na incidência com o Ucaiale c S" ii', no Cuja). lendo-se a margem: «Por cstc rio se comunica al Cuia scgun varias rclaciones de los Combos». Na época_ não sc podia atinar a quc corrente fluvial corres- pondia ÕSSC Cuja. como já vimos. atribuindo-sc . r vários cursos dágua que dcslizavam ao oriente. esclarecendo. porém, o cartó- grufo que se tratava dc um rio tão caudaloso como o Ucaialc. ;poblado de: Piros Amahuacas y otras nacic-Àncs que non cono- ccmos aum». Somente. decénios mais tarde. com os estudos e explorações dos rios lavari. luruá e Purus. foi excluído o pri- meiro. por ter as suas cabeceiras nas proximidades do paralelo . sete, restando os outros que sc cstcndiam para o sul. ajustando-sc às coordenadas do rio 'Yamaha ao curso do Juruá (8'-' 29' a S' 41') e as do rio Scpahua ao do Purus (l0'›' 31' n ll'-). Quanto a A. dc Piper, .i noticia mais antiga quc se tem dês-z explorador none anrcrícano é reÍcrcntc ao ano de 1868. quando requereu a concessão de terra; na parte borcal da Bo- livia (59): pão. constando, porém. que perlustrassc os varadouros do Purus ao Ucaialc. e, sómente estado na região entre a fo: M_ (57) _EW Pusífica . n Atlântico, 1831. pág. 309: A. Raímondi, obra cif. . t_ l. pág, 17': Frurzcis dc Cnstelnnu - DL' Rio a Liam ct de Lima au Pará, lõi3-lqfií7, v V. prãn. P79: Biutlslo Sn-. lvtdrq Drftnxu. (it. : V. II, pág. -33. ISS) hlapu dc lr: : Misioncs del UCJYdll y vcrdadcro curso de Htc Rio segui¡ ldS cnbscrvncioncs hechas eu los . años de lôll. l8l5. 1816. |3l7 y lôlb, por lüs P. P. hliaicucros dcl Colcgb dc propaqandn lide dc Santi Rosa dc Ocopn. cn las cxpcvdlcionce. que se htclcron en dichos . rüos. para abrir 1a comunicacion dci rio Tumba y rcconocimicntn dc otros pai-m. Àmonio Raimondi. E¡ Prrri, Lima, 1579. t. lll. pág. 106. _ (59) luun Francisco Velardc - Confcrvncín in Rev. da Sociedade de bcWmÍi-l do Rio de Innciro. :cmo ll (Ibâb). pág. 181.
  17. 17. _[7_ do Ituxi c a bôca do Chandlcsz. , de |87| a 1874 (60). vi-. a Nianuus como VCFCMOa adiante. Antes do mcado do século XIX, cm 1847. já Castclnau anunciava quc os indios Scam-caiu. ; [HOKJCÍOICS da ribeira do Panini ou adjacências. . comunicavum-: :c com C2, cspazmhíús (61). noticia esta confirmada por Chandlcm. quando da . sua jornada dc 1864- 1865, ao ter contato com os hiançtcncris, éstcs lhc mostraram conhecer palavras cspanholaa. , o machado portugués c o aure- ricano. além de usarem víarias peças do: roupa (62): c por Piper. que viu cntrc o gcntio purucnsc : cuchilios y hcrramicntac para hacer cáazozxs, que estos iaabian traído dc sus viujes . il Llcayalir, acreditando haxvcr uma comunicação dirçía por àgua entre o Purus c o Ucmulc. por mcío do afluente Curimahà c um tributário do segundo chamado Yumi (63). DESCOBRIDORES l BACIA DO PURUS Na região cm que ac acha encravada a atual Acrcãnia. apesar de frontciriça, não prcvalcccu a necessidade dc se csta- belcccr para a defesa do pais. núcleos de resguardo ou de povoamento. Nem Portugal. 'nem o Brasil, cogitou dêsses problemas. O govérno lusitãnico recomcndava aos comissários portuguéses. das irDcmnrcaçôesL nas «Instruções Reais de 1753:. quc esten- desscm os seus dominios o máximo que fõsse pcruxilido. rapar» tando os Castelhano: o mais que puderes do rio dos Purus» aconsclhando tambem que ergucsscm marcos ; nos rios Niadeíra, (Purusro, -cYuruán e «Iavaryu» (64), porém, apesar de percor- rerem os demarcadorcs essas bacias, ficaram ainda muito aquém (60) A. Ralmondl. v. III cit. , págs. 589 c 590. (61) De' Rio a Lim. : m' de Lima au Pará. 18-13-1847, v. V. pág. 93. (62) Notas sobre o rio Purus. lidas perante a Real Socicdudc Geo- gráfica de Londres, a 26 dc novembro dc 1558_ pág. 8. (63) À. Raímondi - v. III cit. , pág. 557. Segundo Ccnnan Stlglich, o vnradouto do Sepaua. ligando a bacia do Ucalaic à do Purus, foi comprovado por Firmín Físcnrrald e ratificado por Coliazos. Sulca-sc oito días o Scpahua ra chegar-sc ao vnradoum do Cuiar. no Purus, (Dic. Geogr. . dt. . v. 15-32, pág. 974). (64) Rev. do Inst. Hist. Geogr. Brasileiro, t. LXVII. pág. 305.
  18. 18. _.18_ das terras em que mais tarde se estabelecería o Território do Acre, a não ser nos rios Madeira c Iavari. pontos extremos dessa extensa raia. nos quais os dclimitadores fizeram obser- vações bem mais próximas da região acreana. do que nos vales do Purus e do Juruá. Ainda. em 1879. o historiador peruano Antônio Raimondi, tratando da exploração da região amazônica. particularizava que tinha havido expedições cientificas ao Marañom. Huallaga e Alto Ucaiale, «pero nadie. hasta estos ultimos años. habia intentado la exploracion de los situados al E. del Ucayali», como - cel Purus y el Yuruà. etc. >› (65). Foi preciso que o governo amazonense desejasse descobrir azuma passagem livre das cachoeiras e menos extensa para os povoados da Bolivia», para que. então. se iniciasse a fase de descobrimento da terra considerada «a mais moça do Brasil». Chefiuram essas missões o pernambucano Serafim da Silva Sal- gado. o mulato amazonense Manuel Urbano da Encamação. seguidos do explorador maranhense Antônio Rodrigues Pereira Labre e do primeiro tenente da armada nacional Augusto Iosé Soares de Àndréa ou Àndréas, além de outros, como o geógrafo inglés W. Chandless e o norte americano A. I. Piper. sem esquecer João da Cunha Corrêa. o desvcndador do alto Iuruá e de parte do Purus. anterior a todos os descobridores da acrcãnia. Desde o mcado do século XVIII, que os agarradores de indios ou coletores de drogas penctravam os rios Purus e Iuruá. sendo que no primeiro, em maior escala. comércio êste proibido em 1818. ao tempo do governador Manuel Joaquim do Paço (66). porem, mais tarde restabelecida. pois, era praticado nos mesmos rios. como se verifica dos depoimentos colhidos por Francis de Castclnau. antes de finda a primeira metade do século XlX (67) . (65) E! Perú. Lima, l879. v. III. Pág. 307. (66) Tc. A. Amazonas - Dic. Top. Hist'. t' Desci'. da Com. do Alto Amam/ ms 1552: Andre Femandcá dc Soma ~ Notícias Gcoyiriificas da Caipira/ lili do Rio Negro, in Rev. de Historia e Geografia. 1843. n” 12. pág. 434; Artur Reis. História do Amazonas, |93|, pág. H3: Moreira Pinto. DÍC- GGNFÀÍ- do Brasil: À. C. R. Bittencourt, O ¡Uunicipío do: Librca. 1918_ pág. 10: los(- Monteiro Noronha, Roteiro manuscrito. Púg. ll: Ouvidor Sampaio Ribeiro. Diário, 1774-5. pág. 55. Segundo Araú]o Lima. o reconhecimento dos afluente: do Solimões, como 0.x Iururi. Purus. c outros, teve começo após : a expulsão dos missio- nfxrioq capanhóis, em l7l0. sempre . zrrzwmdos os exploradores pelo atração dos (produtor. naturais). (A Earplora-¡ão zlmazónlcu. in Revbta Brasileira dc Geografia. ano V'. n" 3, pág. 377). (67) Camilo Brinco - Caminhos do Acre cít. . pàgs. lO7›-lOS c 16346-4.
  19. 19. _i9_ Alguns autores diziam que ésses coletores dc drogas subiam o Purus, numa extensão de 180 a 200 léguas. sendo poucos os que ultrapassuvam dc Canutama, sem nenhuma tentativa de ex- ploração (68): mas. não apontando até que lugar élcs chegavam. o que só se teve conhecimento pelos informes prestados a Ças- telnau, por Joaquim Bruno de Sousa, que mais tarde ÉXUCCW¡ 3 função de diretor de indios deusa ribeira. Estava-sc cm 18-17, sabendo-se pelas informações dc Bruno que. na bacia puruense. os indios Mura. vestidos c civilizados. dominavam _nos lagos Aiapixá, Iari, Taboca e Guajaratuba. rios Àhularí e Preto (Paraná Pichum). cncontrando-sc no rio Ta- pauá, indios Sipo. nus, porém. mansos e fabricantes de farinha de mandioca: Catuquina. [5 a 18 dias acima; Oidai. no rio dêsse nome. Pura-Pura. próximo ao rio Damari e ao lago Capian. Seguem-se os lagos Cacuataon. com uma aldeia dc iangadas e o Mamorían e o rio ltuss (Ituxí), de águas escuras, os lagos Sepatíni s: Abumini, o río Mamorian. em que há uma grande casa de indios Cataochü. hospitaleiros. e agricultores, gastando-sc ainda mais de dez dias para alcançar-sc o rio -rPaounim habitado por Setwactns que sc comunicam com O5 espanhóis e são hostis, como os [amari, Taboca c Âgapu. quc vaguciam dai para o alto (69). O informante acrcsccntava quc as margens do Purus eram cobertas de cacauais. havendo muito peixe e tartaruga nas suas águas; podendo gastar-se nesse itinerário uns tres meses, sendo 25 dias até o Tapauà c 66 até o ltuxi (70). Dessa narração, deduz-se que os civilizados ainda não tinham sitios nn bacia purucnsc. e. tão sómente se comunícavam com Os indígenas cm virtude do comércio ambulante que com éles entrctinham. na troca dc algumas mercadorias por produtos das salvas: mas já inlluiam na sua educação, conforme atestam alguns costumes verificados entre os Nlura e outras nações selvagens moradoras no curso inferior do enorme caudal. Não havia noticia do rio Àquiri ou Acre. nem se a teve com a viagem do camctauara João Rodrigues Camctá, diretor dc indios (68) I. M. d. i Silva Coutinho. ofícios dc 24 de nowmbro, 1861 e de 8, . abril, 1862, . io Prcsldentc da Previna. : do Amazonas, C. Carneiro da Cunha, in Rclatórim dos Prosidcrzzcs. v. ll. pág. 80d: c Rclntório do Ministro d. : Agricultura dc 1865, Anexo O. pan. 5: Moreira. Pinto, Dic. Geoprrz. ? dt. ; A. S. Ribriro Bittcncourt - O Llunicipio dc Lábnuz, 1918. pag. . (69) Fr. dc Cnstclnau. obra e v_ cita. . pings. 92 c 93. (70) Obra c vol. cits. . pág_ 94.
  20. 20. _go_ no Purus. desde 18-18 (71), o qual pnrtíra dc Manaus. em março de 1852. segundo Artur Reis, c depois dc 53 días d: : viagem. alcançou o lago Sepotin¡ (72): três días dc viagem . rcíma do río Ituxi (73). Outros autores anotaram o ano de 1847. como o sendo para cssa jornada (74). ou data anterior a 1850 (75). Ao qu: parece. Camctá, no seu ofício dc encarregado d: indíoa fc: mgkía de uma viagem. Lanto qu. ; o: : quc apontam datas. diw: :<; ¡_--, da do historiador Artur Reis, indicam o rio Izumi como ponto final da exploração. Dcsmcmbrada da província do Grão-Pará. surgiu a do Ama- zonas. c: : 1852, c o prcsidcnlc quc ; n instalou tratou logo dc descobrir uma comunicação com a república vizinha c encarregou ao pernambucano Serafim da Silva Salgado de «atentar igualmente pcÍo rio Purus e pubs Campinas até o rio Beni. superior às, cata- dupaa do Madeira. uma passagem livre delas. c menos extensas para os povoados da Bolivim. a hm dc suprir dc gado a cidade de Manaus (76). Salgado levou 153 dias dc subida. dos quais viajou 1-12. calculando haver percorrido umas 1.400 milhas. porém. o geó- grafo inglês W. Chandlcss que. anos depois, estudou c mediu o rio Purus, avaliou a derrota de Salgado cm cerca dc 1.300 milhas. alcance éste que vai além da bõca do rio Hyuacu (Iaco) (77): tudo dentro do ano de 1852. a contar de IO de maio . x 30 dc novembro. ou sejam 203 dias dc viagem redonda, por ter penetrado no Purus. a 29 de maio referido (78). (71) Rclzztórios dos Presidentes do zhnaaonas, v. 1. pág. 745 (Mapa de lõ-íõ. do Gram-Pará). (72) Anais' do HI Congresso Su( Rio Crandcmc dc ilísfúría c Goo- grafm, v. IV. pág. 2.075. (73) Casta-Juan. obra c v. du. . pág. 93. (74) I. A. Mar-ú, Mapa do Território do Acrc, 1917: Craveiro Costa - A Conquista do Drscrto Oculcnm! , l9-i0. pág. 95. (75) Ruy Barbosa - O Düeito do Amazonas ua Acre Sctcnfrionah 1910. v. ll. pág. 49: Ellséc Rcclus - Estudos Unúíos do Bras”. 1900. tra- (liuçáo de Ramiz Galvao. pág. -ilz NV. Chandless - Notas sobre o rio Purus, 868, pág. l. (76I j. B. de Figueredo Trnrciro Aranha. Rclatórío de 30 dc abril de 1852. c Fala do mesmo Presidente. de l dc outubro de 1853, in v. l dos Relatórios dos Prcsidcntcs dessa Provincia, páns. 73 c 197: Dic. Hist. , Gcogr. c Etnogrãf. da Brasil, Rio. S922. v. 11;. Estados, pág. 68. (77) Notas . sôbre o rio Purus, 1868. págs. l e 15. (78) Rclzxtórío dc Serafim da Silva Salgado. in Relatório: Pfeatklcruüals. Rio, 1906, v. l (1352-57). págs. 249-253.
  21. 21. _.21_ Salgado anotou o paraná mirim de São Tomé. as bôcas dos lagos Castanha. Estopa e llrlatias, Paricatuba, onde havia um dmtacamcnto. as focos dos lagos Uaíglpuá. [Macaco, Campüna e Chapéu. o sitio do pri-to Higino. o paraná Pixuna. lago lacare'. as bócaa dos rios Tauaríú Grande. Tapauá c Muculm. praia do Capim c do Bóia, fo: do Paníny. e. pmla da Pedreira, a 26 de agosto. chegando à primeira mnloca dos Indios Cucamas u 18 dc sctembto c à . sétima. .a 9 dc outubro. donde voltou: além de outros rios, praias e lagoa (79). Como se vê, Salgado arrolou umas dc: palavxas portnguêsas demonstrando dessa maneira que j. : havia pessoas civilizado: residente-s na ribeira puruensc, afora um destacamento militar em Parícatuba. c se por acaso não fossem habitantes perma- nentes. devido ao . sistema dc trabalho adotado na região. deviam. pelo menos, estacionar alí na tcmporaada dedicada ao serviço de pesca ou extração dc drogas do sertão. Bruno d. : Sousa aludíu, apenas a um Paraná Pixnm ou Rio Prâzo. mu. : tradução, Etvlêl: : palavras portuguêaas das duas primeira; que são de origem tupi. D05 nomes apontados por êstc coletor dc drogas ou encarre- gado dc índios. ainda hoje sc conservam o; de Oyapuà (Aiapuá): [ari (lago), atualmente paraná. c a5 bocas de baixo e de cima: Taboca (lago) conhecido por ltaboca. justamente situado entre o paraná do Iary c Guajaratubn. como descreve o informador do francês Castclnau: Gtzajaratuba: ¡'lbufarl: Paranñ-Pichum ou Rio Préto, hoje Paraná Pixunzx: Tupaoá (Tapouá): Ituss (ltuxí): Sepatíni: Abuním'. Álamoríá (Nlamorían) c: Pavan¡ (Panini), isto é. mais de dois : sírçoa dos arrolados. há cento c de: amos. Seznlím Salgado. o quc sc lho: seguiu c subiu o Purus. até u sétima aldeia dos Cucumas, mais de ÍÍCZCDÍB: : milhas além da distância vencida por Bruno de Soma. aludiu. no mínimo. a três nomes relacionados por este: Aiapuà. Tapauà c Panini. con- tudo, apontou outras denomínaçócs que ficaram até hoje. como Castanha (Castanha Mery). lago do Matias. Paricarnbu. Cam- (79) Relnt. c V. l (its. págs, 250 _g 253, Dl: o Qêógmlo Inglés W. Gmndlcsa que Salgado confundiu os Indios Munctcnerys com 04a Cuczamns. devendo .15 seu: mnlocns. .1 que se rclcrc no seu Irlnlóflo . sobre a vingcm no rio Purus, :cr do gcntío Mnncterâcry. Acrescenta que Mr. Sprnce. examinando certo vocabulário mande-nazi. embora escasso. vcrílíccu notar-ae dc gcnte da grande nação carnbc. (The journal of : hc- Royal Gcogyraphical Society London. v. 36 (1666). Notes ont the River Aquin', the principal Alfluenn- of lhe River Puma. pág. IIS: Diário Oficial do Imperio. de 22 de janeiro dc 1570. pág. i. c. 3: Apontamcnrzr sôbre a Rio lururi) .
  22. 22. _g2_ pintas. Chapéu. Àrimá (Ariman). Tauaríá. rio Mucuím. Ca- çaduâ. etc. Salgado. nessa viagem não penetrou nos afluentes do Purus. de sorte que, tendo ido. apenas, umas cinqüenta milhas a mon- tante da foz do laco, não deu cumprimento à sua missão que era descobrir uma passagem da bacia do Purus, à do Madeira. que saísse acima das cachoeiras dêste último rio. Tampouco. penetrou em águas da atual acreânía. ao que parece. senão vejamos. Conforme seu próprio relatório de viagem. Salgado viajou 142 dias. que, a razão de dez milhas diárias. dão 1.420 milhas. a partir de Manaus como já vimos. ou sejam cêrca de 1.300 de percurso no rio Purus. descontadas as cento e dezessete milhas de Manaus à foz do Purus, cálculo éste confirmado pelo geó- grafo inglés W. Chandless. que explorou minuciosamente o mesmo rio, no decênio seguinte. Sendo assim, Salgado passou ao largo das terras que formam a acreânia, sem toca-las. pois, da foz do Àquirí ou Acre à fron- teira do Estado do Amazonas com o território federal são mais de cem milhas. e da bôca do Yaco à mesma fronteira. são de- zessete. segundo o mapa do Território do Acre de Alberto Masô. edição de 1917. e. não atingiu a referida extrema na ín- tercessão do rio Purus com a linha geodésíca que . serve de divisa entre as mesmas unidades uma vez que, segundo o alu- dido Cllandlcoa. a embocadura do Purus dista da do Hyuacu (faco) 1.241 milhas e o percurso do Purus até alcançar a dita fronteira. mede mais de 80 Hlllhñb que, somadas as do trajeto até a bóca, ultrapassam às 1.300 milhas previstas, por Salgado e Chandless. Contudo. Salgado. foi o primeiro civilizado que explorou o rio Purus. da» cercanias do Panini até a vizinhança (la zona frontciriça da atual acrcânin_ além da foz do rio [aco, numa distância de cerca de trczcntas milhas, antigo dominio da nação ipurínã. Este pioneiro adianta que os aborigcnca moradores acima da fo: do Canaquiri (nome dado. ao atual Acre. por Salgado). ficaram ; surpreendidos com a expedição (80). a qual cra com- ISD) Salgado não ziludc -10 rio Acre_ mas. .'10 ; mctar : i fo: do rio Cana' quir). .LCILHCCHÍQ - ~ xcui. r. vertcmrsi nascem nos. CnNpOS do rio Hindi-inn. Sendo assim! , o sxphmdor nao podia referir-w .10 Cunuturi. boca dc lago. iusiguificzmzc u dwszrguandu na margem oposta do rio Puma ; x mnls de com Inilhrv" a juvlntc da cmlzccadura do rio Àcrr; mesmo porque. nasci-ndo o Cvlhlquiri dc Salgado par. : o Indo do rio Nludflrñ, só poder: : dcsaquur à margcnz dlrcít: do Purus c não à esquerda. como sv dii com o pequeno lago
  23. 23. _23_ posta de duas canoas tnipuladas po: doze indios, guarnecidas por doze praças armadas e municiadas, sob a direção de um cabo de esquadra; revelando êles ser a primeira vez que viam pessoas civilizadas (81). Pelo menos, não temos qualquer informação de haver outro viajor ultrapassado a zona a montante do rio Pauíni. Dois foram os verdadeiros dcscobridorcs da : qua em que <e acha encravada o território do Acre: h/ lanuel Urbano da Encarnação e João da Cunha Corrêa. Um amazoncnse c o outro paraense de Cametá. Um mes- tiço e o Outro branco. O primeiro. cingíu-se ao vale do Purus, fundou povoados e penetrou nos afluentes Aquiri (Acre), Hyuacu (laco). Aracà (Chandless) e ltuxí ou lquiri_ correspondentes aos principais rios que banham a Acreânia. sem esquecer o Mucuim. no curso inferior do Purus. em território amazonexise. tudo isso em pro- cura de uma comunicação ou passagem da bacia puruense para a madeirense. a montante da zona das cachoeiras. com a fina- lidade de facilitar a condução de gado da Bolívia e o comércio entre êsse pais. Mato Grosso c o Amazonas. O segundo, além de percorrer o rio Iuruá, desde a sua embocadura. no Solimões. até o seu contribuinte Juruá Mirim. em local. atualmente. considerado . acreano, desceu o Iuruà até . a foz do Pamuacu (Tarauacà), do qual passou ao luríá (Em- bira). de cujas margens se dirigiu às do Purus, transpondo o divisor de águas das duas grandes bacias do luruá-Purus. c . apareceu no vale deste. pelas imediações do rio, hoje chamado Chandless. com o intuito de encontrar-sc com o seu colega Ma- nuel Urbano. pois. ambos eram encarregados ou diretora. de indios: tendo explorado esses rios, por incumbência do govêrno provincial. S-: gundo o jornalista Pedro Gomes Leite Coelho. fundador de jornais em vila Seabra (1910-1914) c advogado provisionado em Cruzeiro do Sul (1907-1909) i: da¡ em diante_ na referida vila Seabra, :ede do ex-dcpartumento do Tarauacú, ambas as cidades do território do Acre e. que também resídiu e teve iornul em Lábrea. no baixo Purus, onde conheceu o velho príitico amu- : oncns-r. afirma que o rcfericío Manuel Urbano faleceu nn avan- çada idade de 125 anos. pobre, fazendo sempre suas refeições ou Iuqzr chamando Cam-. curgr. no mapa de I. À. Masc) (1917). e outros autores. Clnnquiri foi. pc : x ordem cronológica, ;i primeira denominação dada ao ; atual rio Acre. (81) Relat. c v. cits. , págs. 250.
  24. 24. _u_ na mesa dos práticos, por ser considerado o prático-mor do tio Amazonas e de seus tributários, sem pagar passagem em um só dos vapores em quc embarcava (82). Mas. o escritor c historia- dor amnzonensc Torquato Tapajós dizia. um 1888. que -xlVlanuel Urbano era nonngenário: (83), o que de qualquer forma dá a entender quc o velho explorador faleceu já centenário. uma vc: que desaparecer: : dentre os vivos. a i7 de julho de 1897. segundo um artigo publicado . sôbre seu falecimento, no Comércio do Àmazonas, de Manaus. de julho ou agosto dc 1897 da lavra do escritor Bento Aranha, mas. cliscordando dos dois primeiro: - ínformantss no tocante a idade de Manuel Urbano. pois. adian- tava que êstc nascem em 1808, circunstância esta que dá a cntezidcr que o antigo desvcndador do alto Purus a: Acre não atingiu 05 noventa anos (84). Em ! S62 escrevia o Engenheiro I. M. da Silva Coutinho. descrevendo a viagem ao Purus, no vapor P¡ra_í. ':. que ele Urbano L-: apesar da idade avançada, era o primeiro trabalhador** (85). Em l895, pedia ao governo provincial uma indenização pelo trabalho que teve com o terreno cm que fundou a aldeia, mais tarde cidade de Canutama, mas a assembleia legislativa. em vez disso concedeu-lhe. no ano seguinte, uma pensão. por ter sido o «herói descobridor da primeira seringueira no Rio Purus» e pClOS ? relevantes serviços prestados ao Eamdo- (86). Era pessoa dc pouca instrução_ mas dc grande inteligência c sagacídudc, acgundo o conceito de Ch-. .ndL-. ws. dewndwscJhc tudo quanto se sabia sobre os tributários. do Purus (87): chamando-lhe Euclides da Cunha de *mestiço inteligente c bravm (88): c Silva Coutinho acrcsccntavu que - «Além de (82) O Ctwviro do Sul (Àltwluruà). de 2 de abril, 1905, pág. 2. c. 3: Manoel Urbano. (33) lama! do Comércio (Rio). de 27 de fevereiro de X888. pág. 2. c. 3: Província do Àmamnns. (M) Nota que me foi fornecida pelo professor nmazonemc T11cmis~ todos Pinheiro Gadelha. a 6 de setembro dL' 1957. Lendo Jornais do Àmih zonas sobre o assunto. nada cncontrci que pudesse crclasrecé-lo. (55) Oficio de 8 de abril de 1862, in Relatorio do Ministro da Agricultura. de 15 de maio de 1565, ; mexo O. pág. 2. (S6) Annie. da Assembléia Legislativa Amazuncnnc. e de 1896. págs. M. 87 c 89. (87) Dic. Hint. 660m'. e Etnogr. do Brasil. Rio. l922, v. H. pág. 68. (58) Relatório da Comissão Mim¡ dc RCCÚDhCLÍIIICDÍO do Alto Purus ! Nom Complunennzrcs). 1904-1905, pág. 76). 1895. pág. S3:
  25. 25. _g5_ muito discernimento para tratar com os índios. tem uma grande vírtudco que é o amor da pátria» (89). Auxíliou eficazmente ao geógrafo inglês William Chandlcss. ministrando-nm conhecimentos sóbrc o rio Purus c fornecendo-lhe o seu filho Bra: para . xcrvír de guia na viagem de exploração día-wc rio. cm 1864-1865 (90): ao Engenheiro I. M. da Silva Coutinho c .10 explorador brasileiro F. R. Pereira Labre (91): tendo aldü Êlc Urbano. quando fo¡ de Manacapuru, no Solimões para Canutanm, no Purus, quem indicou_ em 1852. a Manuel Nicolau dc Melo. o lago Ayapuà (92). Falava díz-'zrsoa dialetos indígenas (93), fundou (diarias na: barreira; do sacado. acínxa (1.25 dc Ipiranga. a [28 nlílha: : da foz do Pluma: em Arimá. onde crigíu uma capela: c cm Cimo- tama. quc mais, tarde alcançou a hierarquia d: cidade (94). Para Torquato Tapajós, Manuel Urbano foi o incanxãnrcl pioneiro daquelas matas, dcabravador indomávcl, convivendo com 05 : -›_^lv.1gcn. -s. num trabalho ignorado e ? um rccompcnsa, lcvnndo »ràqueles dcscrtos u vida. a luz, .a civilização e o progresso: : (EH-A). Dcwsendou o alto Purus até além dc Rizalu: o Mucuím. o ltuxí, Aquiri, lííuacu e Araci¡ (95): tendo sido encarregado ou diretor dc índios. no rio Purus, do Pdraná-Pixuna para o alto. :i contar dc 1853: mãsnâo esta quc correspondia .10 titulo dc tenente coronel (96): pouco cxígmdo pura levar a cícíto cs-as (S9) Relatório do Mnnlstárlo d. : ÀgrLcuÊtura. dc 15 (lc maio dc 1855. anexo O. pág. 2. ('70) W. Chnndlvss ~ ^'c. '.l. s . aóbrc o río Purm dc 36 d; mvcxnbro Jc lboõ. pings. 5 e outras. (91) B. da Cunha, [Vous Ccmplcmcnturc. clts. . púq. 24; Rdut. :lo Presidcntc Carneiro d. : Cunhr, de 3 de maio de 1.562. pág. 692. (92) CMMÍ: Br' LTICO ~ (Juninho: do Arm', ln Rcwaza do 1a-», Hm. Gecgr. Brumlcxrtr. v. 196, pan. llS. (93) Helnodoro luramlllo - Brava: Ncnflu úbrc os raw/ ca dos rias Puma c M. :dcz'r;1. [902, pág. Z-i. (91) I. M. dg¡ Silva Coutinho. Rrlzzfcrio in Rclratórío do Nlinlxtro LL¡ Àgricullur. :. 1h65. anexo O. pãxgs. 30. 37 c i3. (9-LA) [or/ ul do Ccmárcio (Rio). dc 27 de fwcrclro de 1583. pin. 2. c. 3 - : Rio Purus). (95) _l. M. da 5mm Ccuuuho - Ofício c Rclutór o. cita. . púgx 53 c 54. (96) Ruy Barbosa -- O Dírcífo do zlmmomzs ao Acre Scfcnrríonal, 1910. V. Il. pág. 155; Cihlüll. ; Branco r» Camin/ D* do zlcn', cit. . pág. 118: Rclatóüo do Prcãldenrc Jeronimo Fnmcísco Corlho (Pará), de l (lc agôsto de 1850.
  26. 26. _.26_ penosas excursões». consistindo a maior parte dos pedidos em brindes destinados aos indígenas (97). A sua primeira viagem de cunho oficial foi a exploração ao alto Purus. em 1861, quando o Presidente Manuel Clementino Carneiro da Cunha o encarregou de descobrir urna «passagem para o rio Madeira a salvo de suas cachoeiras» (98) . Manuel Urbano para tal fim partiu de ! Manaus em ¡eve- reíro de 1861. e estava de volta a 19 de novembro do mesmo ano, gastando na jomada nove meses. tendo sido suas infor- maçõcs reduzidas a relatório pelo engenheiro ]oão Martins da Silva Coutinho, constante do Anexo soh número III do Relatório do referido presidente, de 3 de maio de 1862: acrescentando o Presidente Carneiro da Cunha que o explorador não conseguiu o fim principal da missão, mas o trabalho não se perdeu. uma vez que foi reconhecida a navegação do rio numa distância de seis- centas léguas (99). Segundo o resumo ou relato do geógrafo Silva Coutinho. Manuel Urbano despendcu 55 dias. em canoa mediana. até a foz do rio Ituxi. numa estirada de 120 a |30 léguas: donde partiu a 19 de abril e navegou ccm días. passando por 26 malocas de índios Ipurinàs, lubcris. kimamadis, Cemamaris, Menetcneris e Canamaris, numa distância de umas 500 léguas, que. ajuntadas às 120 do primeiro trecho. somam 620 léguas até a bõca do Ríxalá. de onde retornou (100), por haver encontrado dois índios que o informaram entar perto da povoação de Sarayaco. de cujo lugar vinham (101): porem, particularizando, mais adiante. o tempo consumido entre alguns rios_ disse que havia gasto do Aquiri ; to loco 25 dias. dêstc ao Aracà -- 17 llÍdS. do Canguiii ao 'Ilarauacá (no Purus) -~ 33 dias, e dêste ao Rixalíi _ 43 dias (102), além de 6 dias navegados a montante de Rixalíi, (97) Dxlirio Oficial do Imperio. de 27 de maio dc 1365, pág. 2, c. 4: Relato-io do Pruádentc A. de BHCÍOS Cauunlcnnli dc Albuquerque Lacerda. de l de outubro de 1504. Este president. : ; LErCSCEHIHVH que eram (dignos d. ) maior louvor . z dcdlcaçao e . idmirnvel dcüntcrêsse dim-w: prestam! !! cidadão. a quem . l província deve mala de um . serviço dum oral-um. (Diário Oficial n' p. c.. e Rclui. , cita). (US) Relatórios da Presidência do Amazonas eita. . v. Il. pág. 692. (99) Relazrório, v. c p. . cits. _HC-O) Relatório. v. c pág. cita. ; e oficio do Engenhelro leão Martins da Sil-m Coutinho dirigido . io Presidente Manuel Clementino Carneiro d¡ Cunha, datado dc Z-l de novembro de 1561. in Relatórios cita, v. ll. pág. S01. (lül) Oficio e v. ciLs. , pág. S02. (102) Oficio c v. cits_ pfag. 503.
  27. 27. _.27_ até o encontro com os Indios que lhe falaram de Sarayaco (103). transformando os 100 em 157 días de viagem. acima da en¡- bocadura do Ituxl. Calculou a população indígena justafluvial. em cinco mil almas. sendo 05 Manctcncris os mais adiantados, pois, plantam. liam e teccni o algodão. para confecção de roupas e redcs muito semelhantes às usadas pelos bolivianos que descem o rio Madeira: andando a5 mulheres sómente com uma tanga. Vivem fartos. têm grandes pacovais; sendo em geral de aspecto agradável e bonitos: supondo Manuel Urbano quc lõsscm bolivianos. devido a grande distância em que sc encontram do rio Amazonas c assim. pelo seus costumes. Quanto aos Canamarís. disse que são agricultores_ cultivam o algodão, fabricando as índias redes dc boa qualidade. Os homens andam nus c as mulheres usam tangas. lólha verde sobre a vulvu. São inclinados à guerra c temidos pelas outras tribos. Os lamamadis são numerosos c inclinados à lavoura c caça, usando as mulheres uma tanga: .. ~ os Iuberis. . como os Pura-Purus. wvlrcm dc impingens e outrzis moléstias da pclc (lO-l). Entre os rios. civjas bócus ultrapassou. cita. a montante da do ltuxí, 05 Separini, Aícimam, Tomchun, Mamuriá-Apé, Sc- ruinim, Aquiri, 'l'iquiriman. Hiuacu e Araci). nu margem direita do Purus, c Nlamuriá-Mirim, Pnuinim, Scnuiním. lnauinim, Can- guiti, 'Tarauacti Curinahan e Rixalá_ na banda esquerda: (105): destacando-sc dcntrc êlcn os Aquin', Hiuacu c Àracá. zitualmnnte ~- Acre, laco e Chdndlcss, respectivamente. cm cujos leito. pc- nctrou. sendo quc no primeiro. vinte dias. no segundo. cinco a seis días: c no terceiro, por cspuço dc dc: dias (106): tendo N03) Olido r; v_ cita-z. , plan am. Snmyaco foi limdud. : pelo Padre (hrímzl. rm l/ “JO, a ll ! tm dlirvzilu d: : nnzrqcnv t-sciu-"dn do Ucnmli- c . ri Ml . -. montante d. : bos. ; dera_- río. (I. W. Nlatus _ D. -.: . do Dcpcrmnl-rnto d» luirlril), pág. V190, Damtl. ; . v. nI<-›¡: nnlv“- do Purus para . n do Stpshim. no nlw Uciuilv, numa distância. .za que parece. .sup-; rior . x mil quílómctrcc. dr Sziruyxo. u: duscmhocvendo éste rio no h-lxo Ucaialc, é um ~. provavel que m: ÍWÍQ; sc cnmuziltrw-srm com «sm bacia. por inrrrnaédio dc rim c xusmdauroe. do vnlc do Jumil cujusr. nllucnlcs d: : margem cwqucrdn dão par. ; (cnrribuíntcs do baixo c médio Ucainlc. (104) Olício c v. cits. . páq. 804. (10)) Oficio c v. ciu. , pág. 803. (106) W. Chandlcsn, Nam; .-. .'›bn- o Rio Purus, 1868. clt. . págsi 7 c H: Silva Coutinho ~ Relatório de 1562, pág. 54.
  28. 28. _23_ sido o primeiro a transmitir aos civilizado: : os nomes dos três últimos, escrito: : da maneira seguinte: Aquiry. Hyuacú, Araçá. Informado pelos indígenas locais. dc que o Aquiri sc comu- nicava com o Nludeira, por élc cmbrcnhou-sc. mas. depoi; n: duas dezenas de dias de navegação. verificando quc as águas ficavam muito baixou c a ligação : ra incerta. voltou_ dizendo haver encontrado vértcbras, costelas. dois grande» esqueletos de enormes proporções. dentes. sais dc potassa, soda e LUlÍUIEÍOS de ferro. não só no . seu curso. como no do Purus (l07). Não sc sabe exatamente até aonde chegou Manuel Urbano. Chandlcss (ala que o prático amazoncnsc pouco passou do rio da; Pontes, na latitude austral de 10'* 36' mas. ao referir-sc à medição do Aquiri_ aitua u confluência do rio das Pontes, a 21-1 milhas da bõca do rio Aquiri (IOS). D5: acordo com n segunda asscrcão, o contribuinte. dc ccrto volume. quc nmia sc aproxima do: 21-¡ milhas. é o conhecido Ríoñnho quc escoa ; rima da cidade de Rio Branco. burgo éste edificado a 185 milha. , da lo: do Aquiri. Mas. atendendo-sc a yaosiçào astronõmica, incli- cnda, o afluente consíclcràvcl, quc mais. ss: aproxima do para» lclo 10V 36'. é o rio Xapuri (l0'-' 35'59") (109): de mau-ira quc est. ; parece .1 conclusão mui. . aproximada da verdade. por Cala! " bc-scrda numa observação astronómicn. Napoleão Ribeiro acha quc, provàvclmcnte, lVlonucl Urbano alcançou Xapuri (110). corrobomndo ; imita esta ilaçào. Quanto ao mês cm que sc clctuou a exploração do rio. tampouco, sc conhece bem. O explorador saíu de lvlannus cm fevereiro c retornou cm novembro. gastando na xriagcm cerca dc nove meses, constando do relatório quc o Dt. Coutinho orgu- nizou sobre csua viagem quc o explorador saiu a i9 de abril da boca do rio ltuxy c navcgou ccm dias até Ríxalá. caalculando ter percorrido 500 léguas. a razão dc cinco léguas por din (H1). Como não alude à época em que penetrou no Aquiry, Hyuncu c Aracá. c. como a sua missão principal era encontrar uma *(107) Oficio c v. cirs. . pág. 802. (IOS) Àponmmcnlo; sobre o rio Aquin' : afluente do Purus clls. . paus. 2 e (n. (107) I. A. Mzuó - Ãlap. ; do T-*rríróñq do Acre - 1907-1917: IBGE - Rev. do Cons. Nac. dc Geografia. :mo lV (l9-l0), n" 2. pág. i32 H0” 38' 59" Lat. S. c GS" 30' l6". b Long. Gr. - P. Fuwcct. em 1907. encontrou lü" 39' 12" Lat. S. c 68' 32' 52" Long. W. Gr. , ln Map. ; do Ttrritório do Acre ~ l907-l9l7, de À. M356 (Coordenadas Gcográficus). (H0) O Âcrc c : cus Izcróia 1930. pág. 13. (Ill) Rclatório dos presidentes umnzoncn-ics, v. cir. , pág, S02.
  29. 29. passagem para o vale do Madeira. c, informado pclc-s indígenas sobre os contribuintes do Purus que podiam concorrer para essa ligação. os explorou na viag-: m de subida. tanto que o geógrafo inglés W. Chandlesa diz, .io tratar dos índios Cupxhunas do rio Aquiry. quc não os encontrou, porém. Manuel Llrlmno, ¡cndo tramitando pelo inn-mo rio. dc um c meio a dois mitrrçaa. mais ccdo do quc ele ClIHDdlCéJ. deparou muitos dÇlçs na tnargcm do Aquiry, procurando ovos de tracajà, muito : ibundantc nessas paragens. por aquele tempo (H2). Sendo assim. c, tendo Chandler-s viujuçlo o rio Àquíry. dc 5 cl. : setembro a i8 de outubro (H3). ?damn-l Urbano. sc não houve cngano do geógrafo inglés_ transitou pelo rcu leito_ no mês de julho. mas. como Urbano partiu d. : fo: do lluxy a l9 dc abril. c dêste ponto à barra do Aquiry. el. : gastou 33 días. segundo o Engenheiro Silva Coutinho (ll-i), ai: dcvcrin ter pcnetrado no Aquiry já depois. dc 22 dc: maio, .wlcançando o atual território do Àcrc. cm princípio dc junho. De qualquer forma, Urbano transitou pelo Acre. no wwcrão. o que LIÍLSÍIÀI não só a cata de ovos dc tracajá. como a sua volta, por catarem as águas do rio muito baixas (115). Um triénio após esta jornada, cxpunha o presidente Adolfo de Barros: a: rosscguindo no louvável empenho dc alguns dos entre o rio Purus c Madeira, acima das cachoeiras. de modo a permitir a franca navegação desta província para a de Mato Grosso e para a vizinha república da Bolívia, cncarrcgueí o prático Manuel Urbano da Encarnação dc subir c explorar o rio ltuxy, principal afluente do Purus, em cuja margem direita ! em a sua ÍOZ. Sc de fato cxístc a dcselada comunicação fluvial. cumpre procurá-la no ltuxy, único dos &IHUCLUÍC; daquele rio. quc. por su. : importância, c pela direção que toma. poderá acaso (H2) Apontamrnfos sóbrvc o rio Aquin, ln Relatório do BlinLstro da Agricultura, de 15 do: maio. 1865. Ânexo NN, pág. 2 (H3) Nora. ; : J-bre o rio Aquin. afluente do Purus. ln Relatório do Ministro de Agricultura_ IS de maio dc 1866: anexo NN. pág. 2. HH) Rclarórios dos prevdcnu-s nmnzonmna. v. II. pág. 502. (115) Relatórios, v. c pág. du. (H6) Relatório de 1' dc outubro de 1864. in Diário Oficial do Império. de 37 de maio de 1365, pág. 2, c. 3.
  30. 30. _30_ ficar se por si ou por algum seu afluente. comunica com o Ma- deita); assim como - «rProcurasse. na falta de comunicação fluvial. o mais curto trajeto para o Madeira em altura que salve as cachoeiras; verificando a qual das duas províncias pertence o território, por onde atravcssasse de um a outro rio» (117) . Realizando a viagem, Manuel Urbano «deixou dc chegar ao Madeira, pelo ltuxy, em conseqüência de acabarem-se-lhe de todo os mantimentos. Do lugar de onde voltou ouvia distinta- mente o ruido de uma cachoeira» (H8) . Malograva-se, desfartc. mais uma tentativa no sentido de encontrar-se tal passagem. Contudo, o governo do Àmazonas persistia nesse desiderato. e. constando ao mesmo presidente a existencia de campos na- turais nos rios Mucuim e Ituxi. mandou verifica-los. dizendo: «zscrá de grande conveniência o reconhecimento dêsses campos. pois, que. podendo-se transportar por aí o gado da Bolivia. evi- tam-se os obstáculos das cachoeiras. e facilita-sc assim a criação. que oferecerá desde então lucros bastantes a quem fôr empre- endê-la nas margens dos rios Madeira e Purus. a ambos os quais será comum o beneficio. A questão da alimentação, uma das mais importantes da província. ficará por éste modo resolvida satisfatoriamente» (119) . Manuel Urbano. a 13 de agôsto de 186-! , entrava no Mu- cuim : subindo-o até encontrar o Madeira, de onde retornou pela mesma via no mês seguinte (120). Navegou no Mucuim durante quinze dias, passando dai. por terra em dois dias ao Madeira. nas proximidades do salto do Teotônio (121). O Engenheiro Silva Coutinho diz que do Mucuim é que Manuel Urbano foi ao Ituxi; no que é secundado por A. C. Ri- beiro Bitttcncourt, acrescentando éste que Manuel Urbano só cursou pequeno trecho do ltuxi. de onde retornou por falta de mantimentos, depois de setembro de 1864 (122). (117) Relatório e Diário Oficial, clt<. . pág. 2, c. 4. (H8) Diário Oficial do Império. dc '27 dc outubro de 1865. pág. 2. c. 2; Relatório do referido presidente. (H9) Diário Oficial do Império, dc 27 de outubro de 1665, pág. 2. c. 2; Rclzitórao do Presidente Adolfo Cavalcanti de Albuquerque Lacerda. (120) Relatório de 23 de janeiro dc 1865. do Engenheiro loüo Martins da Silva Coutinho. pág. 4. (111) W. Chandlcss. Notas sôbre o Rio Purus. 1863. pág. 5. (122) Relatório desse engenheiro, dc 13 dc yanciro de 1865. pág. -i; R. Bittencourt - O illnrticipio de Làbrvea, 1918. pág. 25.
  31. 31. _.31_ O que é fato. é que nenhuma dessas explorações deu o resultado desejado. e da única vez em que o expedícionário alcançou as margens do Madeira. foi varanda o diuortíum aqua- ríum das duas grandes bacias, por terra, durante dois dias, sem encontrar nenhum canal que as ligasse, como informavam os indígenas. Aliás. quando os indios diziam que dois rios se comunicavam. não desejavam denotar que houvesse um paraná ou braço de rio unindo-os, c tão sómente que eles se aproximavam, factli» tando a varação de uma ribeira para outra. por meio de um trilho ou varadouro. Apesar disso, e dos geógrafos Coutinho e Chandless pro- clamarem esse preceito, perseverou-se nesse erro ainda por vários anos, como veremos adiante ao tratar dc expedições posteriores. Deveríamos estudar, aqui, a ação do cametauara João da Cunha Corrêa, o descobridor do alto Juruá, por ter também alcançado terras do Acre meridional, cerca de 1858. antes da viagem oficial de Manuel Urbano, mas, reservamo-nos para cuidar de sua figura e de seus cometimentos. quando nos ocupar- : nos dos empreendimentos, via luruá. Logo após a primeira viagem de Manuel Urbano. e, a vista dos seus informes. o governo amazonense preparou uma expedição chefiada por pessoa possuidor: : de conhecimentos ca- pazes de realizar uma verificação cientifica e mais prolícua do que a do velho conhecedor do rio Purus, encarregando, por isso, o engenheiro brasileiro Ioão Martins da Silva Coutinho de dirigi-la (123). O referido engenheiro não alcançou terras acreanas. vol- tando de Hyutanahan, cerca de S00 milhas de navegação. por falta de gêneros de alimentação (124), mas. como registrou os lugares já habitadas por civilizados na parte inferior do vale puruense. apreciemos, aqui, algumas das suas observações. Silva Coutinho saiu de Manaus. no dia 16 de fevereiro de 1862. a bordo do vapor Pirajá. tendo como prático Manuel Urbano da Encarnação (125), e como companheiro de viagem o botânico alemão G. Wallis_ que, depois de Hyutanahan. con- tinuou a viagem em canoa até o rio Pauínirn (126). (123) Rtlntórío do Prexídcnte M. C. Carneiro da Cunha. dc 3 de maio de R$62. in v. ll dos Relatórios cits. . pág. 692. (124) Relatório do Presidente M. C. Carneiro da Cunha, v. e pág. cita. ; W. Chaundless. Notas em. , pág. 2. (125) Relatório, v. (- pág. tits. (126) Artur Reis, Anilin do 3" Cnnaresso de História Sul-r-. icvgrrzndrnsc. V. 4'. pág. 2.077. Diz Chandleas que Wallis lol além do Pauinlm. 10 milhas. (Itíorzu : óbn: o Purus. cita. , pág. 2).
  32. 32. ._ 33 _ NÇLFg. viagem_ Silva Coucãnlno registrou mais dc vinte sítios ou barracas, desde a lo: do Purus (sitio Picanço) até Cunn- mma_ último ponto cm que havia moradores (127). Déss_ lu- garcs, alguns eram pontos cm quc a; reuniam O. ) coletores de drogas para .15 sua: xuercuncías. . como acontecia com c: : lagos marginizi: ao rio: outros, se clcstinzrvani u aedcr. (lc zuiv-'L-x rc: :- quigtnrg: c outros . a puquencra mio. ; para collicna dc h-. Llaâl ; .- ca: - tanha, ou colocações para ¡v-sscurias ou ; xpunha dc tartarugas c gumclhautcs. Entre essa' dcnominaaçocs, .linda se notam 110mm. .ipontados por Bruno dc Sousa, ;mtas d. : 1550, como tubns do gcntío Mura. o lago Aiupuá, ilha d; Guajaratuba e rio Abufarí. e por Se- raiim SJilÇIEXCIO. depois do mando do século, como os lagos do klaus; c Aiapuá_ sitio do Hygixxo. Àbuiari c Cuajartxlubil. já anotados (sms dois últimos. pelo primeiro désscs iniorxuantcs. c ainda persístcntcs na atualidade_ além dos : sítios fundado: dc- poís das viazgcnn da: Bruno c Salgado, couro os do Picanco. Bc- ruri_ Zózlmo, Francisco Rodrigues de Sousa. Florêncio. Pedro Pinheiro, Uarumà, Manuel Joaquim de Castro, Sncado. Ypiranga. Strauss, 'I'ambaqui. Boa Vista, Raimundo. Ioão Gabricl. Jatuarana. ltatcua e Àrimá (128). Este geógrafo brasileiro achou que o Purus era mais impor- tante do que o Madeira; tinha na sua cmbocadura uma milha dc amplidão. ccm braça; em Pliutanahan com uma redução de trinta a quarenta btaças nos locais. em que havia barrciraa (129): c calculam a &ua navcgabilídade em mais de quínhentaa léguas (130): tendo sido gastos nessa expedição quai-data dias (131). Destartc. foi mais uma vc: frustrado o intento governa- mental de descobrir o caminho fluvial ligando os dois impor- tantes vales. Segue-sc o geógrafo inglês William Chandlcss quc, em missão da Real Sociedade Geográfica de Londres. andava pela América do Sul. quando resolveu explorar o : io Purus, cujas nascentes eram desconhecidas, pcnctrando na sua bóca principal (127) Rcluiórlo do Ministério d: : Agricultura, 1865. anexo O: Oficio do M. da Silva Coutinho. dc 3 de abril dc 1862. pings, 25 . l 37. (128) Oficio de 8 de abril de 1862 di. . pings. 25 a 37. (129) Oficio cit. , pág 4. (130) Oficio dl. . pág. u. (131) W. Chandlus - Nota: sôbre o rio Purus cita. , pág. 2.
  33. 33. _33_ a 12 de junho de 1864 (132): alcançou Canutama, feítoria de Manuel Urbano. em fins dc julho, Jmas só prosseguiu triagem a 5 de setembro. não só por ter dc esperar um filho de Manuel Urbano quc sabia a lingua dos lpurinás, para serviplhc dc intérprete. como por outros motivos. c atingiu a foz do rio-- : ínho Tai-nunca, já depois da fronteira do “território do Acre com a república do Peru_ a 9 dc novembro do mesmo ano (133). Aprccíando as quatro expedições feitas pelo govêmo bra- sileiro. acha que as duas primeiras - Camctá c Salgado. só : serviram para cscandalíza: os indígenas: a¡ terceira. dirigida pelo mulata Manuel Urbano da Encarnação. homem dc pouca ins- trução. mas de grnndc inteligência natural. pela sua agudcza de observação, tactc o: ürmeza_ adquiriu extraordinária influência sôbre os índios dessa ribeira, falando os. idiomas dc várias de : nas tribos (134): a quarta_ apesar de scr dirigida por um cn- gcnhciro e destinar-sc a um levantamento geral do rio. nem possuía instrumentos apropriados às obscrvaçíscs cientificas, c não paissnu de Pliutanahan. .1 S00 milhas da fo: do rio per- corrido (135). Chandlcss mediu até a foz do rio Áquiri 1.104 milha: inglêsas: do Hiuacu - 1.241: do Araçá -v 1.445: do pequeno 'llxrauacà - l. -i9~i: do Curinahá - 1.560: do Ríxalá - 1.618; do Curumahú _ 1.648: do Manuel Urbano _ 1.745: do rio dos Pato: : - 1.785: na divisão do Purus - 1.792: no ponto mais distante a que chegou no braço sul _ 1.866: c no braço nom: m 1.847 milhas: atingindo no principio de janeiro dc 1865. as vizinhanças das nascentes do grande caudal (136). Vcrificou várias alturas acima do nível do mai'. índítõndm entre outras, H0 pés . na fc: do Níucuim. 303 na do Pauinim. 36-1 na do Aquíri. 457 na do Hiuacu. 587 na do Aracà. 663 na do Curinahà, 716 na do Ríxalá, H8 na do Curumahá c 1.038 na (132) XV. Chnndírm, ;Varais . mbtv srRfu print*- "545 Paam” -* RW¡ Sociedade cit. . a 26 de novuxzbro de 1368. P39- 2- (133) NUÍÇI-x obra o Rio Purus, “das pvninh: Socicdndlrrit. , a 25 de lcy-Lvreiro de 1h05. páqs. 5 e IO. Chandler-s csclurccc qm- ¡mciou a jor- nal. : um junho de 156-4 c d terminou, CHCQUHÕO cm M""““5- °m_ ¡°VÊ'°'I“: d. ; 1565. (Notas ciu. . pág. l). Chandlcsí. dc uns de; anos p. _1.a ca. o. qmgm mags _serviços ? em ¡JICSZJÕP ; ao Brasil. :omg geografia. hxpiorozno Tapajós (ISGH. o Pura-a (15640) v: o )uru. & UÕÕÚ- (Íofn-"Í 5°_ C°'"*"°'°- dl. 3g d, “uma dc 1870. pág. l. c. -12 Carta do Para. de 5 oc ¡anuro cando). (134) Nolan. dc 26 de fevereiro, dis. (135) Nota'- cits. . pág» l c 2. (136) Notas. cits. . págs. i2-l-i.
  34. 34. _34_ bifurcação do alto Purus (137). Dcterminou várias coordenadas da ribeira, entre as quais, as de Berury -- 3*' 52'20" de lat. sul e 61” 17'00" de long. W. Gr. : Canutama (Manuel Urbano) -- 6" 32'20". lut. sul e 64° 20'30" long. W. : foz do ltuxi - 7° l8'-l3" lat. sul e 6+¡ 47'15"; bõca do Aquíri - 3'? 45'60" lat. sul e 67' 21'30" long W. ; do Aracà - 9*' 8'10" lat. sul c 691' 51'30" long. W. : Rixalá - 9*" 47'10" lat. sul e 70* 45'00": hlalnuel Urbano - 10? 3*i'-17" lar. sul c 7l'-' 27'00": no braço norte da divisão - IO** 36+! " lat. sul e 72** 90'00" long. W. : c no braço sul 10'* 52'52" lat. sul e 72'? 17'00" long. W. Green- wich (138). Obsen-ou algo sôbre o gentio encontrado no grande vale. mostrando que a nação ipuriná ocupa a vasta extensão que vai do rio Scpatini ao laco, sendo que os cstacionados até o rio Aquiti (Acre) são mansos e trabalham para Manuel Urbano ou para os filhos dêstc. na extração de salsaparrilha: vestindo os homens uma tanga c as mulheres um pedaço de pano: veri- licando-sc a polígamia sómente entre os chefes. Emprcgam a igaríte: canoa que. cm geral, comporta cinco ou sei» pcasqas: e, segundo Manuel Urbano. os indios. comumente, acreditam na existência de um ente supremo. a qu: chamam Carimade ou [urimadc (139). A partir do rio Hiuacu, noto-u a ausência dc indígenas nas margens do rio, por terem os Manctcncris sc afastado de suas habitaçoes» para cinqüenta léguas a mantantc. com receio dos lpurinins. Aqueles receberam os viaiorcs amàvelmcnte c dera-ans- trarnm conhecer algumas palavra: : de português_ tspanltol c da língua geral. bem como o valor do machado e do pano de . algodão dos portugueses e americanos. provàvcltnentc adquiridas no rio luruà. com cujos indios mantinham algum comércio, pois. tóda a: tribo parece conhecer êstc rio (H0). O explorador fala noutras tribos encontradas acima do rio- zínho Turauncá. já fora das raias do atual território acreano. Assinalou um trilho indiano para o Juruá, distante do Hiuacu. uma semana d. : viagem, cm cujo ; vríncípio havia algumas bons choupunas, e outro caminho para o alto Iuruá. pelo riozinho chamado 'I'arauacá. pelo qual individuos do grupo superior da tribo passam a bacia vizinha (Ml). (137) Notas clts. . pág. 15. (133) Notas cita. . pág. 15. (139) Notas cils. , págs. 6 c 7. (H0) Not_ cita. , págs. 7 e 8. (HI) Notas cita. . págs. 5 c 9.
  35. 35. _35_ Encontrou em alguns lugares, pequenos pedaços redondos da quartzo, um falso conglomerado (concreção de barro imitando seíxínhos). assim como pedacinhos de pau inteiramente petrífi- cados: sendo freqüentes fragmentos dc ossos Íósseís, gastos pela água (142). lnlorma quc o vulc produz borracha, salsaparrilha, bálsamo de copaiba. castanhas e cacau; abundando a salsa: entre a. dia- tància dc 700 a LÕOO nnlhas. a copaiba nos seus tributários. , a borracha desde 200 milhas. até o ponto a quc se tcm chegado cm busca (lala. isto ú cêrca dc 750 milhas. sendo que Cl : nnn em qu: ha maio: número de s-'cringusíros vai de 200 a 'iG/ O millmn. Em 196-1. entraram. nn ribeira_ mais dc L 20.000 de merca- dorían. hnw". 'o em algun. . lugarc: cultura (lc café o: tabaco (H3). Alem díao, prrxstou atenção sua. ; vârzcnt. bgxrrancos. praias_ finas. : ignpó». solo, SaCJLlCLJ. lagos, CEJGÇÕCS: flora, fauna¡ c alimcntaçfe. : (H-í). llUaÍTCU o seu trabalho com um mapa do rio e chegou a conclusão de quc o Puru. . não provínlm dos . Ândus c o lvladrc dc Dios ccrtazncntc, não era a : na fonte (H5); provando a nuucgnlailidacl: da seu curso. Címndlcss csclurtcc quc, xressa mcsmu coloração_ viajou no rio Aquíri. dc 5 a 30 dt- setembro de ISÕ-l. numa distàncía dv 260 milhas. :sem n menor dílicul- dade. ma: quc, algumas míllxüá acima da confluência do ríozínho da: : Ponte , qum. ; c último ponto a quu chegou Manual Lírbnno cm 1861. na latitude ¡rustrul dc 10'* 36' o Aquiri ; e Cstrcíta. mudando d: ¡umo depois do paralelo II". c. um ltlgur dc ¡Cá- tríngír-: sc a sua largura, torna-sc orais dilatado: c a: praias c contluurltc; que : mm escassos no curso mfcrior. da¡ cm diante Sc tornam r: :trt numcrcnos (H6). Pulo que consta da. Àponruncntos de Chandlcs; êlc na- vegou o Àquíri. de 5 dc sctcmbro n uma data posterior a 18 dc nowmbro dc 1864. dcsdc quc, ncstc_ dia, passava. de volta no rio Mariz-npc (H7). cuja fo: dista da do Aquíri (H3) Not». c. t.~ , páqs. 3 c 7. (H3) Nom. cms. . pág. 2. (H1) NOLL-n cnts. . pàgi. 3 e l. (H5) Nota cm. . pág. H; Relatório. : da Presidência do Àmaxman. V. lll. Rclutíüío dc D65, pág. 155. (H6) . ›p«nrr; :rn. 'n: o.~ : Clare o rio Aquin' una-mn: do Para! , in Rela- tório do Minuto d. : Açriaxltum, dc 15 dc mnlo de 1866. upcxuo NN. pág: 2 c -l. (hT) Àpontzizucnloh tir_ pág. 2.
  36. 36. _35_ 120 milhas (148), espaço éste que ainda exigia alguns días de viagem para ser vencido (149). Mas. se bem que a primeira indicação deva estar certa, por que o geógrafo inglês alí penetrou. na subida do rio Purus. a segunda não aparenta exatidão, uma vez que. conforme as suas Notas sobre o río Purus. lidas perante a Sociedade Geográfica de Londres, em 1868. ele Cltandless transpunha a bóca do ríozlnho Tarauacà, contribuinte do alto Purus e distante da embocadura do Aquiri. cêrca de 340 milhas, trecho êstc do rio que carecia de. no mínimo. de uns vinte dias para ser percorrido, a '9 de novembro referido (150) . A 16. estava próximo do rio Curinahá, e, a 21, ainda dêsse mês. *ultra- passava a foz do rio Ríxalà (151). ambos situados muito acima do Tarauacá. É de acreditar-se nessas últimas referências. porque indicam etapas consecutivas da jornada e ajustam~se às datas seguintes. que corresponderarn. nos restantes dias de novembro e primeira década de dezembro, à navegação no rio Purus: e no resto de dezembro de 1864 e principio de janeiro de 1865. à exploração dos últimos formadores do Purus (152) . O 18 de novembro a que alndem os Apontamentos sôbre o rio Aquiri. provàvelrnente refere-se ao mês de outubro. que por engalno de redação. cópia ou revisão, foi trocado: devendo assim. a viagem do explorador britânico no rio Aqulri ter se prolon- gado, por uns cinqüenta dias. e não mais de dois meses. como aconteceria se ela se estendcsse até novembro. t o o Pelo que se le nos Apontamentos citados. o explorador bri- tãnico subiu o rio Aquíri, 406 milhas (153). no passo que no (H8) Idem. Idem, pág. 6. (H9) Idem. Idem. pág. 2. Tendo penetrado Chandless. no dia 5 de setembro no rio Àqwrl e puxado a fo: do lrnríapé, n 15 do mês aludido. cantou de: dia: na subida toa cita. . pág. 2). pelo que deve ter dlspendldo uns cinco dia: no trajeto de volta. isto é. a metade do tempo da nrbldn. como é habitual nas vlagem em canoa, nessa regiao. O lrarlapé. se by como deve ser o Andi-ri, j¡ desagun em territorio amazonas. (150) Notas #bre o Rio Purus cita. . pág. 9. (ISI) Notas cita. , pág. 10: ¡como! of the Royal Gcogrqrhkal Society - London, v. 36 (1866): Nota on the River Purus, págs. 104 e 105. Desta publicação consta que no dia l e 3 de novembro, Chandleu passou por nanloczu desnbltadns no alto Purus (pág. 100). (152) Nota sôbre o Rb Para¡ em. . paga. 10. ll. 12 e H; Th: ¡como! of the Royal Geographic-al Society - Damon, v. 36 (1866). Notes on the Rivrr Paus. pãgs. 107, 108. 110 e ll3. (153) Apontamentos cita. . pág. 6. . .-. in f_--. ._. __. ._. .. . ... ..q yoocysAàs a. _t-. ..__›o--. .o. ... .s_: ... ..n. . _ 4,; - __í. ~__: -_3-›_ _É
  37. 37. _37_ original inglés. lé-se a direita do mapa anexo às Notes q¡ the River Aquiri -- -165 milhas (154). De qualquer forma, por essas medidas, não se pode calcular bem até onde ele chegou. uma vez quc. no primeiro caso. Chandlcss viajaria 653 quilô- mclrcs. ou seja pouco além do scringul Bumos Aires. cêrca dc 25 milhas a montam. - de Brasiléia e dc Cobija. burgos brasL lciro e boliviano. respectivamente: c no segundo caso. êle nave- gnria 861 quilos-tiros. númcm éste quc. também : sc-gundo o mapa¡ do Engcnhciro I. A. Masó (l907-1917), ultrapassada, o burgo boliviano de Bolpcbra. sit-Judo na bóca do Yavcriia. de uns víntc quilômetros: ainda distante da nascente do Aquiri. uns 157 qui- lómetros; :lcsdc quc, segundo a carta de M356 da foz do Àcrc a do Yavcrija, são 'l52 milhas ou 537 quilómetros e da¡ à origem do Aquírí ou Àcrc. são l67 quilómetros, conforme a medição do Almirante Ferreira da Silvu USS). o que dá. para todo o curso do rio Àquiry. a cxtcnsão total de 1.004 quilômetros ou cerca de 62-¡ milhas. Qualquer que seja a dúvida ao inteirar-sc o leitor sómente dessa: : informações. dcnapnrccc com o »Lame- do mapa anexo ao original inglês, uma w: : quc. pelo lcvantamcnlo do rio. sc veri- lica que o geógrafo cxplitrador ultrapassou a lo: do cR. dc Maloca: ill" 4' S. e 70' 20' 45" de long. W. Greenwich). alcançando o lugar em quc o Aquirí se bifurca. cujos ramos. o autor ponteira (156). c parecem os últimos formadores do rio principal. No galho penteado. ao norte. anotou - »zlabt afflucnt reached: (último afluente alcançado) (157) ao passo que no ramo colocado ao sul. nenhuma inscrição fez. Do original inglés consta a medição. em milha. dos afluentes seguintes c de um sacado: Endcmary A- 28: Iraríapú - 138: dns Ponta; _ 247: Verde - 303: da: Pragas - 393: Saca- do ~~ H6: último : :fluente - 465 milhas (158). ao passo qu: : na tradução do Ministério da Agricultura as medidas. são: En- dumary - 23: Mariapé -_ lZO: das Pontes - 214: 'gnmpü Grande k 263: das Pragas - 34|: do Eclipse -« 365: ponto extremo da viagem _ 406 milhas (159): havendo assim dive: - (154) . Wap n! the River Àqufrgx. entre as pág-a. llb c H9. _ (15575) RcldlÓ-'ÍO do Ministro duz. Relações Extcriorts dc 1927. v. II. png. , (156) loumi! o¡ ! hr Roni! GcrigrafJç-. il Society - London dt. págs. I2S c 126: c mapu clt. (l57) . Vlupn cltxtdo. (153) Nlup. : clt. , Indo ditclto. (159) Apontumcnxi» cita_ pág_ 5_
  38. 38. _.33_ gerida não só quanto aos nomes. como relativamente ao número de milhas. De alguns pontos consta a altitude, a saber: Mariapé - 130 palmos: das Pragas - 980 palmos: e igarapé do Eclipse - 1.096 palmos (160). Além disso. as distâncias aferida: não combinam com as assinaladas por Masô, mas, pela importância do volume das águas. pode-se Ptesumir que o Emienalry seja o atual Antimari: o Maríapé ou ! rodapé seja o Andirá: o das Pontes (161) seja o Riozinho: o Igarapé Grande seja o Xapuri: o Verde. seja o da Bahia (162): o das Pragas seja o rio Yaveriia: sem se poder atinar bem com os corresponderia aos demais afluentes. Em alguns lugares encontrou Chandless, po Aquin. vários íósseis que. examinados pelo Professor Agassiz, foram consi- derados de formação cretâcea: tendo conduzido ossos encon- trados nas pedras das corredeiras. assim como uma tartaruga fóssil dentro do casco (163). Diz que o Aquirí. na sua margem direita, desde sua foz até o paralelo ll' S'. não tem um afluente de importância. de- vido, provavelmente. a aproximação do rio ltuxi. nando sua àgua extremamente braco: deparando-sc nêle o fumo silvestre. espccialrntnte. de 9° 3' a 9° 30' S: a palmeira de que se faz chapéus na Bolivia. reconhecida pelos indios bolivianos de sua tripulação: a oirana de folha (inn. a montante de 10° 45' S: a castanheira. a seringueira: nando abundante a caça em todo o rio e o peixe escasso: arraias numerosas e tabocal quase impeac- tfâvtl. no alto. cm que hà poucas árvores grandes (161). De volta, de um ponto cêrcn de 11V 2' S e 24° 47' de lon- gitude oestc do Rio de Janeiro, intemou-se o explorador na mata. viajando no rumo sul. durante uma semana, cu o traieto foi feito de retorno em um só dia bem puxado. estimar¡ o a distância per- corrida em 25 milhas: concluindo. por ser duvidosa a existência d: campos nessas alunos: e acrescentou que se tivesse uma carta do Peru, como a que recebeu em Manaus, teria continuado outro (160) Apontamentos e pág. cia. (161) Origin-se este nome. da circunnâncin de ter os indios Cnpichunas construido n: circum-adjacêndn, duas ponta. (V. Qiandlcn, Apontamentos dia. . pág. 2). (162) 0 «Igarapé Grando e o «Igarapé Virá». pela; sua: posiçõu no mapa e coordenadas geográficas. dlo n entende: que correspondeu: ao Xapuri e ao Bahia. respectivamente. (163) Apontamento: cita. . pays. 1 c 3. (164) Apontamento¡ dis. , paga. 1. 2. 3. 4 a 6. . a _. .. . .. -___, _- ___ _. ,____, ,. _,-. ._-_ -. ... - . ._
  39. 39. _39_ tanto mo mesmo rumo e teria saido no Madre do: Dios: mas. como estava às cegas. desistiu do seu intento (165) . Acrescenta que fez mais de vinte observações no rio Àquiri. mas, devido ao mau tempo, ou falta de lugar limpo. não as conseguiu. exatamente. nas bôcas de vários afluentex tendo determinado as seguintes: Rio das Pragas - lO" 56' 46" lat. sul o. - l h. . 'i5 m. . *i3 s. : Rio Eclipse - 10" 55' 30" lat. sul e 1 h. . *i5 m. e l3 s. : c R. da hilaloca › ll' 3' 17" let. su¡ e l h. . -15 m. e 55 s. , de long. oeste (lo Rio de janeiro: tendo orga- nizado uma carta geográfica do rio explorado (166). logo depois dessa viagem. Chandless. chegando a Nianaus. esteve com o Presidente Adolfo de Barros, a quem coruunícou as suas impressões, dizendo quc a origem do rio Purus não podia estar muito longe do ponto a que chegou. não podendo ser o Madre de Dios e -rrAinda menos fundada parece a seu ver a opinião de que seja o Aquiri a cabeceira do Purus. não só pela diferença de suas águas, mais claras e frias que as deste: (167). Quanto aos silvícolas. informou que a mais numerosa e poderosa tribo do Purus. a dos Ípurinàs. estende-se pelo rio Aquirí até oito ou dez dias de viagem ao arrepio de sua cor- rente. sendo que alguns deles. na altura do paralelo 9'-' -i' S. transitam três e meio días no rumo ESE. saindo no lugar : Pu- riquitéw. cm um rio que o explorador julga ser o Ituxi, aonde vão adquirir machados. etc. (168). Acima de 9° 45' a 10-' 45' S (cerca) cslão os Capechunas. tribo de que não encontrou um só indivíduo. quer na subida. quer na volta. mas. foram defrontndos por Manuel Urbano quando subiu o Aquiri. em 1861. o qual informa serem os mesmos alvos. altos, guerreiros e propensos *â atacar os brancos: catando, porém. nuns malocas muito para o interior, provavelmente. nas margens do lraríapé de Chandlcss. que deve corresponder ao atual Andirá. Os lpurínás contaram a Chandlcss que os Canamanz. ins- talados no rio Híuacu. acham-nc também na seção superior do (165) Apontamentos cus. . pág. 5. (166) Apontamentos tits. . pág. 6. (167) Relatorio do Presidente Adolfo de Barros Cavalcante de A. La- cerda. dc õ de maio de 1665. pág. 31. (168) Apontamentos. clts pág. 2. Ficou averígundo mais tzzrdc que no rio Ituxl ou Iquiri, quc nasce no; campos Palmares. em pleno tm-. itorio do Acre. hà um . xiíucnte uena-mxnudo Cuzcckcrj ou Curykcrhé (Map. ) de l. À. Maso cit. ; Caminhos da Act¡ ci! ... pág. 126). (169) Apontamentos cita. . paga. l c 2.
  40. 40. _.40_ rio Aquíri (170): adiantando o engenheiro inglês que. no para- lelo ll'-', linha esta que acompanha o referido rio. deparou duas tribos, a primeira composta de oito ou de: pessoas. inclusive mulheres. mas. não conseguiu falar-lhes. por haverem fugido. deixando as canoas. Dcposítando brindes numa enorme panela encontrada numa de suas malucas. atraiu-os. dois días depois. verificando, então. que cram altos. alvos c limpos: plantam ba- naneiraa. aipim, milho. mamão c algodão, de que fazem novclos de fios. tecendo panos quc as mulheres vestem pela cintura. 'Têm ferramenta quebrada adquirida de outros indios. talvez da tribo encontrada mais acima, c usam canoas, de paxíuba: sem sc cstendercm até o rio das Pragas. O explorador não obteve. apesar dc falar com eles, o nome da nação a que pertenciam (171 ). Na longitude 27" W. do Rio de Ianeíro, tapou a segunda tribo de índios diferentes dos quc ficaram abaixo c de mzno' altura: menos tímidos e mais confiantes. Não entendem o voca- bulário dos anteriores, uma. entendem c usam várias palavras dos ll/ lanetenerís. Cultívam o fumo e usam rapé, camisolas e capuzes. iguais. aos dos Manctenerís: têm canoas de paxiuba e de cedro. Comunicam-se c negociam com o gcntío do Aracà. de onde trazem utensílios de ferro: conhecendo o sal (172). Concluiu por achar duvidosa a existência dc campos nessas alturas, devendo haver grandes rcgíóea dcspovondas c até rara- mente visitadas ou atrnvcssadas pelos indígenas (173). O Presidente Adolfo dc Barro: dizia. cm 1865. que. apesar de Chandless haver avançado mais do que o pràtlco Manuel Urbano. não logrou resolver o importante problema hidrográ- fíco (17%). Contudo. foi quem. até aqul. maior distância per- correu ncsuc vale alcançando o seu curso superior, na purtc quc desliza por cntrc terras das repúblicas do Brasil. Bolivia c Peru. Depois do inglés Chandlcss, surge o norte americano Asracl D. Piper, que apareccu na Bolivia. em 1868, requerendo a con- cessão de terra: : . na parte borcal da república, para povoá-las: empregando. conforme D. Juan Francisco Velardc, ex-mínístro (170) Apontamentos cite. , pág. 2. (l7l) Àpontnmcntos du_ pág. 3. O rlo das Pragas devo Cofres» pendcr . za atual Ynvcríla. (172) Apontamentos clts, . pág. 4. (173) Apontamentos cita. . pág. 5. (l7~l) Relatório dc 8 de maio de IBSS, pág. 30.

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