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CENTRO DE CULTURA
CONTEMPORÂNEA
do rs
eduarda masiero
pesquisa em au | fsg | 2018
EDUARDA MASIERO
CENTRO de cultura contemporânea do rs
Roteiro de Pesquisa apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo
do Centro Universitário da Serra Gaúcha, como parte dos requisitos
para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista
Orientadora: Daniela Fastofski
Caxias do Sul
2018
“Se você planeja ser qualquer coisa menos do que aquilo que você
é capaz, provavelmente você será infeliz todos os dias de sua vida”
Abraham Maslow
Imagem 1: Diversidade cultural
Fonte: Google
Imagem 2: Igreja Nossa Senhara de Caravaggio
Fonte: Flickr
AGRADECIMENTOS
	 Agradeço primeiramente a Deus, por ter iluminado tantas vezes meu caminho e meus pensamentos
e me manteve forte nos momentos mais difíceis.
	 Agradeço a todos amigos e familiares que estiveram presentes comigo e que ao seu modo,
contribuiram para que eu chegasse ao fim dessa etapa.
	 Aos colegas que tiveram breves passagens nesse percurso e aos que construímos uma grande
amizade, juntos fomos aina melhores, obrigada!
	 A todos os professores e orientadora que dedicaram seu tempo e esforço dentro e fora da sala de
aula em pról dessa, meus mais sinceros agradecimentos!
	 Muito Obrigada!
resumo
	 Embasado na averiguação da insuficiência de atividades culturais e de espaços adequados para tais
celebrações na cidade de Farroupilha/RS, além do descaso com o patrimônio histórico e cultural local,
esse trabalho visa propor a criação de um Centro de Cultura Contemporânea do RS. Com o objetivo
de atentar acerca da importância de fomentar o interesse à cultura pela população, são apresentadas
fundamentações teóricas que esclarecem a multiculturalidade social a partir do reconhecimento das
origens culturais nacionais e da identidade cultural singular dos indivíduos. Uníssona ao programa ímpar
a ser desenvolvido na edificação, é proposta a elaboração de um partido arquitetônico com características
e conceitos aplicados na pragmática da arquitetura contemporânea.
Palavras-chave: Cultura; Identidade; Centro Cultural; Arquitetura Contemporânea;
Imagem 3: Tradicionalismo italiano
Fonte: Flickr
sumário
1
2
3
INTRODUÇÃO
1.1 	 JUSTIFICATIVADOTEMA..................................16
1.2	 OBJETIVOGERAL.............................................17
1.3 	 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................17
1.4 	 METODOLOGIA..............................................17
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1	 CULTURA : VISÃO SOCIAL ............................... 20
2.2	 IDENTIDADE CULTURAL ..................................21
2.3	 CULTURA BRASILEIRA .....................................22
2.4	 CULTURA EM FARROUPILHA ...........................24
2.5	 ATUAL CASA DE CULTURA ...............................25
2.6	 CENTROS CULTURAIS .....................................26
ANÁLISE DE REFERENCIAL
3.1	 CENTRO CULTURAL ZINDER ............................29
3.2	 BIBLIOTECAFERNANDOBOTERO.....................36
3.3	 CENTRO CULTURAL ROBETO GRITTI ..............42
3.4 	 QUADRO COMPARATIVO ...............................48
4
5
6
7
ETAPAS DE PLANEJAMENTO
4.1	 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA ..............................50
4.2	 USO DO SOLO ..........................................51
4.3	 HIERARQUIA VIÁRIA .....................................52
4.4	 CHEIOS E VAZIOS .......................................53
4.5	 CONDICIONANTES FÍSICOS ........................54
4.6	 CONDICIONANTES LEGAIS .........................55
4.7	 CORTES DO TERRENO .................................56
	
PARTIDO
5.1	 PARTIDO ARQUITETÔNICO ..........................57
CONSIDERAÇÕES FINAIS
6.1	 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................68
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
7.1	 REFERENCIAL ................................................70
Imagem 4: Estação Férrea Nova Vicenza/ Farroupilha
Fonte: Estações Ferroviária
1. introdução
Todas os indivíduos possuem uma identidade cultural e esta não vem pré-definida geneticamente, pela sua raça
ou origem. A cultura pode ser resumida por todo comportamento aprendido, enquanto a identidade é a compreensão
de nós mesmos. Esse autoconhecimento necessita ser dialogado com outras pessoas, pois a identidade só se concretiza
quando participamos de uma coletividade. Isso nos leva a identificar a existência de uma sociedade multicultural e
compreender a importância de dialogar e respeitar essa diversidade, para que se oportunize todos os indivíduos
encontrarem a sua identidade cultural e se entenderem com um membro de uma sociedade.
	 Com base nesse conhecimento, busca-se propor a criação um Centro de Cultura Contemporânea na cidade de
Farroupilha/RS, para que aproxime a comunidade das informações e do conhecimento através de espaços e reflexão
e aprendizado, proporcionando ao cidadão habilidades necessárias para discutir, criar, compreender e divulgar sua
própria cultura.
	 Esse estudo será apresentado em capítulos, onde se constrói um pensamento com embasamento teórico se fundamenta
a importância desses espaços. O 1º capítulo contém a introdução; no 2º capítulo citam-se referenciais teóricos com conceitos
abordados no estudo; o 3º capítulo apresenta a análise de referenciais arquitetônicos, buscando a compreensão dos
espaços físicos; os capítulos 4 e 5 trazem a análise do local de intervenção e o partido arquitetônico adotado, em seguida
conclui-se o estudo e apresentam-se os referenciais bibliográficos.
14
Imagem 5: Diversidade Cultural
Fonte: Avax
1.1 JUSTIFICATIVA DO TEMA
	 Farroupilha conquistou no decorrer de
sua história o título de Berço da Imigração
Italiana,porteracolhidoosprimeirosimigrantes
vindos do Norte da Itália, da província de
Milão (PREFEITURA FARROUPILHA).
A cidade é envolvida por um grande contexto
cultural, contendo edificações que abrigam
relíquias históricas e elementos urbanísticos
que marcam a sua evolução. São organizados
até mesmo festejos e celebrações que visam
resgatar e fortalecer sua história. Contudo,
o potencial cultural existente ainda é pouco
explorado.
	 A partir de uma pesquisa quantitativa
realizada com pessoas que residem, trabalham
ou apenas visitam a cidade, foi identificado
o descontentamento de um grande número
quanto as atividades culturais disponíveis e a
aspiração por mais espaços capacitados para
promovê-las.
	 A atual Casa de Cultura é palco de
manifestações artísticas locais ou de grupos
diversos, que por vezes necessitam organizar
espetáculos externos por sua estrutura não
possuiracomodaçõeseinstalaçõesadequadas,
o que limita ainda mais a expansão artístico-
cultural na cidade.
	 A população de Farroupilha em geral
recorre a cidades próximas para atividade
culturais. Dessa forma o presente trabalho
consiste na elaboração de uma proposta para
de um espaço multicultural, tendo em vista a
falta de estrutura oferecida pela atual da Casa
de Cultura local. Figura3.	 Dados de Pesquisa
Fonte: Autora
Você está satisfeito com as atividades
culturais oferecidas na cidade?
Sim
8%
40%
52%
Parcialmente
Não
Com que frequência você participa de
eventos culturais na cidade?
7%6%
43% 44%
Nunca Participei
Raramente
Frequentemente
Ocasionalmente
Quais espaços culturais vocês gostaria que
existissem ou fossem melhorados na cidade?
Sala de Cinema
Museu e exposições
Sala de aulas de teatro
Local para lazer e encontros
Espaços de estudo
Nada, estou satisfeito
Auditório | Espaço para apresentações
Biblioteca Multimidia
Sala de reuniao
Espaço para feiras e artesanato
Sala de aulas instrumentais
Espaço Pet
Figura1.	 Dados de Pesquisa
Fonte: Autora
Figura2.	 Dados de Pesquisa
Fonte: Autora
16
1.2 OBJETIVO GERAL
	 A proposta visa criar um Centro de
Cultura na cidade de Farroupilha/RS, afim de
atender as atividades existentes na Casa de
Cultura e expandir o programa existente. O
projeto irá ainda revitalizar a área que abrange
a linha férrea desativada na quadra de estudo.
1.3 OBJETIVO ESPECÍFICOS
- Dar uso a um terreno público desocupado
localizado em um marco histórico da cidade,
introduzindo atividades que promovam a
inclusão social através da cultura e revitalizem
a área degradada.
- Criar uma edificação que instigue a população
quanto a sua plasticidade e funcionalidade,
promovendo a inserção natural do indivíduo
ao meio cultural.
- Proporcionar um espaço multicultural,
informacional e de lazer, favorecendo ao
uso constante das diferentes atividades e
promovendo vitalidade ao local.
- Propor conexão entre edificação e elementos
históricos do entorno, estimulando o sentimento
de pertencimento da população pela sua cidade
e história.
- Suprir a carência de equipamentos culturais
e de lazer no município, afim de valorizar
o patrimônio artístico e cultural da cidade e
região.
- Enaltecer o elemento arquitetônico afim de
entendê-lo como um bem cultural, promovendo
a divulgação de conceitos contemporâneos da
arquitetura.
1.4 METODOLOGIA
	 A pesquisa utilizou como metodologia
inicial uma pesquisa quantitativa onde foi
medida a satisfação da população no diz
respeito à dinâmica cultural promovida na
cidade e o interesse por novos espaços e
atividades, afim de justificar o tema adotado.
	 Posteriormente foram exploradas
pesquisas teóricas, com base em revisões
bibliográficas de artigos, produções acadêmicas
e livros, com a finalidade de compreender
conceitos explicativos em relação ao que se
entende como cultura.
	 Através de pesquisas em sites
governamentais e estatísticas do IBGE, foi
identificada a situação atual quanto aos
espaços culturais existentes no país e no RS,
confirmando a necessidade da implantação de
novos espaços voltado a arte e cultura.
	 Foram realizadas análises de referenciais
arquitetônicos de centros culturais executados,
com a intuito de compreender a funcionalidade
dessatipologiadeedificação,permitindozonear
e pré-dimensionar as áreas do programa de
necessidades e assimilar a distribuição dos
fluxos.
	 A partir de averiguações in loco, foram
constatados os condicionantes físicos e as
visuais que determinaram a concepção do
partido arquitetônico, baseados em conceitos
adotados para o projeto.
Imagem 6: Museu Casa de Pedra
Fonte: Flickr
Imagem 7: Encontro das Tradições Italiana (ENTRAI)
Fonte: Flickr
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Para que se possa justificar a importância
de um centro cultural para a sociedade, é
necessário compreender inicialmente o que
é cultura e qual sua importância para o
desenvolvimento social e humano. Assim,
será apresentada uma visão antropológica
sobre identidade cultural, como ela surgiu e se
disseminou pelo país. Após isso, será elustrado
um contexto geral da cultura da cidade de
Farroupilha, local da implantação da proposta,
e como ela tem sido desenvolvida e distribuída
para a sociedade. Para concluir, apresentarei
um estudo quanto a função atual dos centros
culturais, tendo em vista como se divulgava a
cultura antes de seu surgimento e a sua distinção
perante outros meios de divulgação de cultura
em massa.
2.1 CULTURA: VISÃO SOCIAL
	 Vive-se em uma sociedade ainda carente
de cultura e educação, isso por que por muito
tempo os governos trabalharam para oferecer
somente o essencial para suprir à base da
pirâmide1
(Figura 4) das necessidades básicas
da população. Esse argumento é reforçado por
Milanesi (1997), o qual aponta que ainda no
início do século XX o acesso a alfabetização e
a entrada de livros no Brasil eram altamente
restritos, o que provocou grande atraso no
desenvolvimento social e cultural no país.
	 A Teoria das Motivações de Maslow é
1 A teoria de motivações foi desenvolvida por Abraham Mas-
low. O psicólogo humanista não produziu uma pirâmide que
representasse sua teoria, no entanto muitos autores reprodu-
zem o modelo como forma simplificada do estudo.
capaz de exemplificar este modelo deficiente
de sociedade. Segundo Maslow apud Serrano
(2011), uma necessidade geralmente depende
da satisfação prévia de outra. Dessa forma,
quando um indivíduo possui essa base instável
não estará motivado a procurar interação
social, reconhecimento próprio ou atividades
que lhe proporcionem auto realização e prazer.
	 Nesse contexto, o interesse pela cultura
tende a se enquadrar entre os elementos
descartados das necessidades primordiais do
indivíduo. Contudo, conceitos atuais derrubam
os entendimentos que apontam a superioridade
do desenvolvimento econômico perante ao
humano.
	 Entre tantos aspectos que diferenciam
um país desenvolvido de um subdesenvolvido,
o nível de bem-estar e auto realização da
população possui um peso relevante. Para
o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento -PNUD-, o conceito de
desenvolvimento humano surge com o objetivo
Figura4.	 Pirâmide de necessidade de Maslow
Fonte: Serrano(2011). Adaptado pela autora
20
Imagem 8: Apresentação no ENTRAI
Fonte: Flickr
de ampliar as capacidades e oportunidades das
pessoas, para que todos possam ser aquilo que
desejarem. Seus pressupostos alteram o foco do
crescimento econômico para o desenvolvimento
humano, considerando as características sociais
e culturais para a elaboração do IDH (PNDU).
	 Segundo dados da ONU (2015), o Brasil
é o 75º entre 188 países avaliados quanto ao
seu IDH, enquanto o PIB(2017) coloca o país
em 9º lugar. A riqueza do país não expressa a
qualidade de vida da população e corrobora
com esse fato o Relatório de Desenvolvimento
Humano (RDH) elaborado pela ONU (2017),
que aponta o país como o 10º com maior
desigualdade social do mundo.
	 Essa analise nos leva a refletir que o
desenvolvimentoculturaldeumasociedadedeve
ser visto como uma ferramenta articuladora da
formação social, para que de forma iminente
este impulsione o desenvolvimento econômico.
2.1 IDENTIDADE CULTURAL
	
	 As primeiras conceituações relacionadas
a cultura indicam surgem no final do século
XVIII. É citado por Kuper (2002) as divergências
apontadas da época, onde Kulter, termo
germânico, compreendia os aspectos espirituais
e emocionais e Civilization, palavra francesa,
as ciências e tecnologias. Posteriormente o
termo inglês Culture passa a abranger todas
as realizações humanas. Taylor (1871) apud
Laraia (2009) aponta que a cultura “inclui
conhecimentos, crenças, arte, moral, leis,
costumes ou qualquer outra capacidade ou
hábitos adquiridos pelo homem como membro
de uma sociedade”, resumido por ele como
todo comportamento aprendido.
	 Laraia (2009) cita que o comportamento
dos indivíduos não é determinado por sua raça
ou nacionalidade, mas que isso depende de
um processo de aprendizagem. Um indivíduo
é capaz de obter conhecimento da cultura onde
está inserido, independente da sua origem e isso
resultará no seu comportamento e identidade.
	 A identidade está relacionada ao
autoconhecimento. Kuper (2002) explica que
a voz interior que possuímos representa o
nosso verdadeiro ser e a compreensão dessa
identidade necessita ser dialoga com outros
indivíduos, pois “o eu interior descobre o
seu lugar no mundo ao participar de uma
coletividade”.
	 O autor menciona ainda que algumas
pessoas podem esconder o self, ou seja, a si
mesmos,nãoexpondosuasverdadeirascrenças.
Podem até mesmo não se auto compreenderem
por não se reconhecerem na cultura que os
cerca. Nesse contexto, Laraia (2009) explica
que indivíduos de mesma etnia e meio podem
apresentar diversidade cultural.
	 Então, se a cultura é todo comportamento
aprendido e identidade a compreensão de nós
mesmos, pode-se concluir que uma sociedade
é multicultural a partir do princípio de que
cada indivíduo é único e recebe uma carga de
conhecimentos diferente do outro. Estimular
o diálogo das diversidades culturais induz a
sociedade a respeitar a identidade de outros
indivíduos e essa é uma das funções do centro
cultural.
21
2.3 CULTURA NACIONAL
	
	 No final do século XIX as expressões
artísticas nacionais retravam principalmente
peças teatrais, musicais e instrumentais.
As salas de teatro perdiam espaço para as
produções cinematográficas, ainda chamadas
de cine-teatro. As linhas férreas transportavam
lentamente a produção agrícola do interior até
a capital em troca de manufaturados e levavam
de volta a informação e a cultura de forma
custosa e tardia. Nessa mesma velocidade a
cultura internacional chegava ao Brasil, o que
se tentava fazer em termos de teatro no país era
o que Paris fizera cinco anos antes (MILANESI,
1977).
	 O autor afirma ainda que a difusão
das rádios e televisão provocaram uma
transformação cultural e tecnológica no país,
onde se passa a aproximar a realidade de outros
países e culturas à brasileira. As invenções
locais, especialmente no âmbito cultural, eram
descabidos ao se possuir esses dois veículos
disseminadores de cultura em massa.
	 O atraso na criação de uma identidade
brasileira é fundamentado pelo grande período
em que tentou importar a cultura dos países
europeus com o propósito de implantá-las em
um país de etnias e espaço físico diferentes.
Ortis (2006) afirma que “ser brasileiro significa
viver em um país geograficamente diferente
da Europa, povoado por uma raça distinta
da europeia”, mas explica que os países
colonizados tendem a imitar o colonizador.
	 A identidade nacional começa a surgir
através da legitimação das raças brasileiras. 	
Os negros por séculos nem são mencionados
nas bibliografias clássicas e os índios que
por muito tempo foram descritos como raças
inferiorizadas. O branco de origem europeia
constitui a terceira raça brasileira. Ortiz (2006)
aponta o Brasil como o pais da miscigenação
e o que por anos se tratou de manifestações
de raças e cor se transformou em cultura e
construiu a identidade nacional.
	 No Atlas Socioeconômico do Rio
Grande do Sul, a preservação e disseminação
dessa diversidade cultural se dá por meio
dos equipamentos culturais, como museus,
bibliotecas, centros culturais, etc. Para isso, o
Ministério da Cultura (MinC) prevê metas de
crescimento de espaços e grupos culturais no
país, através do Plano de Nacional de Cultura.
	 O MinC estima a existência de 4,5
milhões de famílias remanescentes desses
povos, que vivem segundo as tradições de seus
ancestrais, além de grupos de cultura popular
em todo o país. No RS foram identificados
espaços culturais em 70% das cidades, sendo
que em apenas 20% são encontradas casas ou
centros de cultura (IBGE, 2014).	
		 Encontra-senopaísuma numerosa
diversidade cultural, com características
singulares em cada região. Por um lado, pela
sua grande extensão territorial, que apresenta
características sociais, econômicas e climáticas
distintas. Por outro, a pluralidade de etnias
de colonizadores, imigrantes e nativos, que
consolidaram uma miscigenação racial, artística
e social no país. Essa pluralidade cultural é a
riqueza nacional e deve-se atentar quanto a sua
conservação e perpetuação.
22
Imagem 9: Diversidade Cultural
Fonte: Avax
2.4 CULTURA EM FARROUPILHA
	 Farroupilha, cidade localizada na
Região Metropolitana da Serra Gaúcha, a
aproximadamente 110km da capital do RS,
possui mais de 69.500 habitantes conforme
estimativa do IBGE(2010) para 2017 e área
total de 361,684km², sendo 40,32km² de área
urbana.
	 A cultura e o turismo da cidade estão
relacionados, pois os elementos que atraem
os turistas, são o mesmo que as escolas e
população usufruem para acessar a cultura.
A história de Farroupilha2
tem início com a
chegada dos primeiros imigrantes vindos do
Norte da Itália para o RS. Hoje a cidade é
considerada “berço da Imigração Italiana” e
retém memórias e costumes adquiridos.
	 Em 1875 os imigrantes da província de
Milão criam a primeira vila na cidade, hoje
chamada de Nova Milano. O Bairro abriga
o “Parque Centenário da Imigração Italiana”
e em sua estrutura existe um monumento
em homenagem as três primeiras famílias
colonizadoras, a réplica do “Leão Alado”
símbolo da cidade de Veneza e uma gôndola
de origem Veneziana.
	 Novos imigrantes Trentinos e Trevisanos
chegam em1885 e se instalam no atual bairro
Nova Vicenza. A cidade preserva a primeira
edificação construída com fins comerciais da
época, hoje sediado o Museu Casa de Pedra,
com arquitetura típica da Imigração Italiana.
O museu foi criado em 1983 e tombado como
Patrimônio Histórico e Artístico do Estado em
1988.
	 A primeira linha férrea construída em
1910 que ligava Montenegro a Caxias do Sul
e passava pelas localidades de Nova Milano
e Nova Vicenza, ocasionou a construção da
estação de trem aonde deu início ao núcleo
urbano e hoje é a área central de Farroupilha.
	 No ano seguinte surge a estrada estadual
Júlio de Castilhos que seria responsável pela
expansão deste núcleo urbano. A rua que
preserva edificações com arquitetura colonial e
marca um centro histórico na cidade, passa por
adequações urbanas nesse ano com o intuito
de preservar a história e priorizar o uso pelo
pedestre. A emancipação da cidade acontece
em 1934, com a união das comunidades
de Nova Mila e teve seu nome escolhido em
homenagem ao centenário da Revolução
Farroupilha que seria comemorado no ano
seguinte.
	 A primeira mansão construída em
Farroupilha no ano de 1949, foi escolhida pelo
casal de italianos Lydia e Luiz Moschetti para que
fosse doado seu acervo pessoal em homenagem
a colonização italiana. A edificação abriga o
Museu Casal Moschetti inaugurado em 1972 e
sedia a atual Casa de Cultura.
	 A cidade organiza durante o ano,
diversos festejos e comemorações. Maratona
cultural (6ª edição), ENTRAI (Encontro das
Tradições Italianas), Semana Farroupilha,
Festival do Moscatel (maior produtor de uvas
do país), ExpoFarroupilha (Fenakiwi), Feira do
Livro Vivere, etc. Contudo, a cidade dispõe
apenas de um centro municipal de eventos, sem
instalações mínimas existentes em auditórios, e
a Casa de Cultura, que será abordada a seguir.
2
Informações retiradas do site da prefeitura de Farroupilha
Imagem 10: Uvas Moscateis de produção local
Fonte: Flickrs
2.5 ATUAL CASA DE CULTURA
	 A Casa de Cultura de Farroupilha
(Figura 1) está instalada em uma edificação de
grande valor histórico e foi aberta oficialmente
em 2013. O espaço funciona com atividades
multiculturais, como oficinas de teatro,
exposições de artes e fotografias, concertos
musicais e abriga a Escola Pública de Música,
com 320 alunos, e a Escola de Teatro, com 90
alunos.
	 O local apresenta poucas condições,
mas ainda assim se busca propor atividade
culturais, mesmo que existam muitas barreiras
não permitindo maior desenvolvimento da
cultura na cidade.
	 A edificação particular está alugada pelo
Poder Público Municipal e passa por um conflito
de interesses. Os proprietários desejam demolir
a residência para uma nova construção,
enquanto o COMPHAC busca negociações
para o tombamento da residência.
	 Algumas melhorias foram feitas, como
a instalação de bancos, televisores e elementos
decorativos, para que se pudesse ter mais
receptividade. Mas a estrutura do local está em
descuido.
	 O piso e a pintura estão em partes
deteriorados e não existe acessibilidade
para dentro do edifício. Por se tratar de uma
edificação antiga, as instalações são precárias.
	 A Sala de Teatro não possui camarim,
sendo que a troca de figurino acontece em um
porão, sem cobertura e privacidade. Esse espaço
ora é dividido com o deposito de instrumentos,
ora com o depósito de materiais de higiene e
limpeza.
	 Os pequenos cômodos foram adaptados
para se tornar salas de aula, exposição e
auditório (Figura 2). Muitas vezes as atividades
são pouco divulgadas pois o espaço não aceita
um número grande de pessoas. Atividades que
não comportam ser oferecidas na Casa de
Cultura, acabam acontecendo em parques da
cidade ou auditórios de outras instituições.
	 Mesmo que a residência receba as
reformas necessárias, os espaços ainda assim
não são adequados para todas as atividades
oferecidas. O acesso por grande parte da
população continuaria limitado e ameaça o
crescimento das atividades culturais na cidade.
Imagem 10: Atual casa de Cultura
Fonte: Autora
Imagem 11: Auditório Casa de Cultura
Fonte: Acervo Casa de Cultura
25
2.2 CENTROS CULTURAIS
	
	 A ideia de criar edifícios nomeados de
Centro Cultural, surgiu por volta da década de
70. Na França se constrói o Centro de Cultura
e Artes Goerges Pompidou, que viria a se tornar
o modelo para o restante do mundo, conforme
menciona Ramos (2007).
	 Ainda que esses edifícios venham a ser
considerados um paradigma contemporâneo,
o entendimento de espaços divulgadores de
cultura data da Antiguidade Clássica, sendo
a Biblioteca de Alexandria o modelo mais
conhecido.
	 A necessidade do surgimento desses
novos espaços, é colocado por Ramos (2007)
ter sido influída pela pelas novas tecnologias,
que buscasse um modelo de instituição
informacional substituto das antigas bibliotecas.
	 O que vem a diferenciar um Centro
Cultural de outros espaços que também
oferecem bens culturais para consumo, são as
atividades e usos nele desenvolvidas. Para Neves
(2013), tratam-se de espaços onde se produz e
dissemina práticas culturais e bens simbólicos,
através de cultura viva. Ou seja, produzida por
pessoas para se inter-relacionarem com outras
pessoas, em um ambiente criativo, provocativo
e dinâmico, como conceitua Coelho (1986).
	 Ramos (2007) completa que a cultura viva
não foca no produto e sim no processo, que visa
construir identidades culturais e possibilitar aos
indivíduos se reconhecer como “um ser cultural,
inserido em um tempo e espaço determinados”.
Nesse contexto, Milanesi (1997) sintetiza a
função desses locais como o de informar, discutir
e criar. Deve funcionar como um equipamento
que aproxime os indivíduos da informação e do
conhecimento, tornando-os mais hábeis para
refletir e discutir sobre o aprendizado adquirido
e assim criar ou compreender a sua identidade
cultural.
“O centro de cultura é um espaço
que deve construir laços com a
comunidade e os acontecimentos
locais, funcionando como um
equipamento informacional, no
qual proporciona cultura para os
diferentes grupos sociais, buscando
promover a sua integração. ” (NEVES,
2013)
	
	 Não é possível descrever um modelo
unificado de centro cultural. Este deve se
relacionar com o entorno e as atividades que
movimentam a comunidade. Isso torna cada
edifício único, permitindo que os indivíduos
tenham experiências significativas.
		 Milanesi (1997) aponta haver
distorções de interesses por parte das
administrações públicas, ao se encaminhar um
projeto de construção de um centro cultural.
A construção de um edifício monumental
visando o turismo e crescimento econômico da
cidade, muitas vezes se sobrepõe a real função
de propagação cultural e desenvolvimento
social, o que acarreta na execução de espaços
inutilizados.
	 Essa proposta de Centro Cultural terá
como primícias a criação de espaços dinâmicos
e versáteis, evidenciando a eficiência a quail
essas edificações devem possuir em promover
a vitalidade de uma região.
26
Imagem 11: Maratona Cultural de Farroupilha
Fonte: Flickr
3. análise de referencial
ZINDER
Imagem 12: Centro Cultural Zinder
Fonte: Archdaily
Figura5.	 Localização Geografica
Fonte: Google / adptado pela autora
Figura6.	 Planta de Localização
Fonte:Archdaiy
Figura7.	 Viário antes da intervenção
Fonte:Google/adptado pela autora
Figura8.	 Implantação e desvio de Fluxo
Fonte:Google/Adaptado pela autora
2.1 CENTRO CULTURAL ZINDER
	
	 O Centro Cultural Zinder, localizado
na cidade do Tiel na Holanda (Figura 5), foi
projetado pelo escritório De Zwarte Hond em
2012 e finalizado somente em 2017. Localizado
entre o centro histórico da cidade e o Rio Wall
(Figura 6) , o edifício foi concebido com o intuito
de impulsionar a cultura e o turismo da cidade.
	 A edificação possui área total 22.500m²,
porém é dividia em três núcleos que podem
funcionar de formas independentes: Biblioteca,
Educacional, Estacionamento. A biblioteca possui
aproximadamente 4.000m² e o educacional
4.500m². A maior ocupação desse edifício
pertence o estacionamento, com 14.000m²,
sendo que o mesmo atende também a edifícios
do entorno, aos visitantes do Rio Wall e do
Centro Histórico e aos eventos que ocorrem nas
proximidades.
	 Esse projeto foi definido como referencial
por uma extensão de critérios. A escala, que se
aproxima do que se tem a propor para o Centro
Cultural de Farroupilha, ajuda a compreender a
dimensão dos espaços. O programa, possuindo
uma biblioteca pública, auditório, sala de ensino
do campo cultural (dança, música, arte, literatura,
artes visuais, patrimônio), espaços de exposição
específicos e ao longo das circulações, cafés e
espaços para convívio público. E a intervenção
urbanística (Figura 7), onde foi preciso propor
melhorias viárias no entorno e cria-se um acesso
ao estacionamento no canteiro central, entre as
vias públicas. Dessa forma, se miniminizou os
possíveis congestionamentos na entrada e saída
do edifício em dias de grandes fluxos. Rechtbankstraat Nieuwe Tielseweg
Holanda / Tiel Tiel / Zinder CulturalEuropa/ Holanda
Centro Histórico
Rio Wall
30
Figura9.	 Acesso veículo de passeio
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
Figura10.	Corte Transversal
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
Figura11.	Esquema Volumétrico
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
Figura12.	Planta Baixa Subsolo -1
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
	 O edifício foi implantado (Figura 8)
nos limites sul e oeste do lote de modo que
se aproxima das vias principais de acesso. O
deslocamento do volume Educacional (Figura
11), relê a topografia natural do lote e replica
na forma em que o programa e o os níveis dos
pavimentos são dispostos na edificação.
	 O acesso de veículos (Figura 12) de
passeio acontece no nível térreo levando
aos subsolos de estacionamento pela
Rechtbankstraat 1. O acesso para descarga
acontece Nieuwe Tielseweg, meio nível abaixo.
Nível de acessoVeículos passeio Nível de acesso Veículos descarga Linha de piso Estacionamento Circulação Biclioteca Educacional
Educacional
31
Figura13.	Planta Baixa Térreo Fonte:Archdaily/
Adaptado pela autora
Figura14.	Planta Baixa 1º pav
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
	 O edifício pode ser acessado diretamente nos blocos da biblioteca
e do centro de artes pela praça ou através da circulação central (Figura
15) que une os dois volumes. A circulação horizontal acontece de forma
periférica no térreo e no segundo pavimento da biblioteca. Nos demais
ela é centraliza em suíte e em todos pavimentos a circulação está
explicita na composição.
	 Os usos são setorizados por pavimento e volumes. O térreo dos
dois blocos são mais receptivos ao convívio social, na biblioteca com
o café e no centro de artes com a larga circulação onde acontecem
algumas exposições. Os dois pavimentos seguintes são mais reservados,
com espaços de estudo na biblioteca e salas de ensino no centro de
artes.
	 O bloco da biblioteca foi disposto ao norte do lote, sendo que o
programa não comporta insolação direta. No centro de artes as salas de
ensino estão no perímetro do pavimento, aproveitando a insolação em
todos os horários. No térreo, a circulação periférica desloca o auditório
para dentro, pois este dispensa insolação natural.
Figura15.	Acesso Principal
Fonte:Archdaily
X XX XX XX XX X
1,5X 1,5X
1,5X 1,5X
1,5X 1,5X
1,5X 1,5X
X XX XX XX X X X
SALA DE DANÇA
SALAS DE ESTUDO
SALAS DE ENSINO
BIBLIOTECA
SHAFTS
AUDITÓRIO
CIRCULAÇÃO
CAFÉ / SOCIAL
ÁREAS DE HIGIÊNE
ÁREAS DE APOIO
CIRCULAÇÃO VERTICAL
32
Figura16.	Planta Baixa 2º pav
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
Figura17.	Adição de Volumes
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
	 Compreende-se como uma deformação paramétrica o formato
do bloco da Biblioteca, enquanto o volume do Educacional s é gerado
a partir da organização em planta baixa. O partido arquitetônico
como um todo, possui tipologia aditiva (Figura 17) com tratamento
subtrativo em algumas partes. Percebe-se as subtrações (Figura 18)
nas marcações das janelas e o terraço do volume da biblioteca e no
pavimento térreo do Centro de Artes.
		 O centro de artes recebe na fachada instalação de
painéis de alumínio anodizado dourado em formato de origami, o
que reforça a intenção de tornar a cultura um marco na cidade. A
biblioteca pública, recebe aplicação de pedra natural na fachada, com
caráter mais sóbrio afim de se aproximar da arquitetura local.
	 As esquadrias douradas fazem a comunicação entre os dois
blocos. A caixa de vidro centralizada marca o acesso principal ao
edifício e empondera a escadaria revestida em madeira que conecta
os volumes.
Figura18.	Subtração de partes
Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora
XXXXX
1,5X
1,5X
1,5X
1,5X
X X X X X
33
Figura20.	Ritmo
Fonte:Archdaily/adptado pela autora
	 A fachadas possuem predominância de cheios, apresentando
vazios (Figura 16) em panos e nas arestas da edificação. Tanto os vazios,
quanto o revestimentos, segue uma modulação. O volume da biblioteca
chega apresentar ritmo (Figura 17) nas esquadrias, onde se interrompe
em alguns momentos no pavimento térreo. O volume do centro de artes
possui repetição, mas não chega ser aplicado o conceito de ritmo.
	 A estrutura de concreto armado possui organização em grelha,
grande parte é independente e recuada do fechamento (Figura 18),
havendo alguns pontos onde a alvenaria tem função autoportante.
	 A edificação possui cobertura plana, onde recebeu instalação de
240m² de painéis solares para abastecimento de energia e controle de
temperatura no interior do edifico.
	 Aedificaçãoatendeplenamenteaoseusobjetivos,proporcionando
cultura e lazer para a população, agregando valor econômico com o
turismo local e sendo lembrada pela sua arquitetura particular.
Figura19.	Ritmo / Cheios e Vazios
Fonte:Archdaily/adptado pela autora
Figura21.	Estrutura
Fonte:Archdaily/adptado pela autora
34
Imagem 13: Centro Cultural Zinder
Fonte: Archdaily
FERNANDO BOTERO
Imagem 14: Biblioteca Parque Fernando Botero
Fonte: Archdaily
América do Sul/ Colômbia Colômbia/Medellin Medellin/San Cristobal
Figura22.	Localização Geográfica
Fonte:Google/adptado pela autora
Figura23.	Implantação
Fonte:Archdaily/adaptado pela autora
Figura24.	Acessos
Fonte:Google/adaptado pela autora
Figura25.	Topografia
Fonte:Archdaily
3.2 BIBLIOTECA PARQUE FERNANDO
BOTERO
	 A vila de San Cristobal, situa-se na cidade
de Medellin na Colômbia em uma região com
características rurais e de topografia ingrime, o
que não permitiu que fossem disponibilizadas
muitas áreas de lazer para os moradores.
A população predominantemente de baixa
renda, quase em sua totalidade, nunca teve
oportunidade de ter contato com equipamentos
culturais.
	 A construção da Biblioteca Parque em
2011, projetado pelo arquiteto Orlando Garcia,
fez parte de um plano de revitalização da vila
rural, com o objetivo de atender a comunidade
e proporcionar acesso a atividades e serviços
culturais. O projeto foi muito bem visto pela
população e sua apropriação foi tão intensa, que
os próprios usuários solicitaram que o edifício
recebesse o nome de um dos mais importantes
artistas da Colômbia, Fernando Botero.
	 O edifício de aproximadamente 5.000m²
construido, teve custo total da obra estimado em
R$ 17,5 milhões (conversão na cotação atual do
euro).
	 Levar a cultura a essa região que a muito
não entrava nos grandes projetos de políticas
públicas, tornou-se um marco de mudança social.
Apopulaçãopassouacuidarmelhordasfachadas
das residências próximas, obtiveram grande
melhora na qualidade de vida, novos negócios
surgiram nas proximidades. A composição
espacial se fez elemento determinante nessa
escolha, apesentando organização dinâmica e
legível. Figura26.	Maquete Centro Cultural
Fonte:IIT Architecture
H
E
P
37
Figura27.	Planta Baixa primeiro pavimento
Fonte:Archdaily
Figura28.	Corte Transversal
Fonte:Archdaily/adaptado pela autora
	 Devido a topografia íngreme e ruas
estreitas, a circulação de veículos se torna
caótica. Percebesse que o acesso por pedestres
é priorizado a chegada por pedestres,
pois poucas vagas de estacionamento são
disponibilizadas em frente ao edifício.
	 O terreno montanhoso condicionou a
implantação do volume retangular robusto de
forma a tirar partido (Figura 25). Dois níveis de
acessos foram criados. Um ao sul, adentrando
em um grande hall no primeiro pavimento
(Figura 27), e outro ao norte, que dá acesso
a um eixo de circulação que distribui fluxos de
serviços no segundo pavimento (Figura 19).
	 A cidade está localizada no hemisfério
norte, muito próximo à linha do equador,
dessa forma, a incidência solar nas fachadas
norte e sul ocorrem no solstício de verão e
solstício de inverno, respectivamente. Devido a
isto, as aberturas da biblioteca foram disposta
na fachada sul e leste, a qual recebe insolação
apenas no início da manhã. Para aproveitar
a luz natural na maior parte do ano , foram
criadadas clarabóias (Figura 30) na cobertura
com proteção opaca (Fgura 31). Assim se
usufrui da luz natural sem isidencia solar.
	 A setorização dos espaços se dá através
de núcleos de serviços que se estendem em
ambos pavimentos. Fica explicito no projeto
um setor educacional com salas de aula, outro
composto pelo auditório e os ambientes que o
complementam. Um núcleo central de acessos
com corredores e passagens que dão espaços
x4x 3x 3x 4x 2x 2x 2x 2x 5x7xx x x x x xx x
x
x
x
x
x
x
x
x
x x x
38
Figura29.	Planta Baixa segundo pavimento
Fonte:Archdaily
Figura30.	Esquema Clarabóia
Fonte: IIT Architecture
Figura31.	Clarabóia
Fonte:Archidaily
para áreas de exposição temporária.	
	 Do outro lado estão dispostos os
ambientes que compõe o setor de biblioteca e
computação. Nesse setor há uma interrupção
no pavimento térreo onde se implanta o
administrativo. Um pavimento semienterrado
abriga a área técnica, abaixo da biblioteca.
	 As circulações favorecem a autonomia
dos setores, pois permite que sejam acessados
individualmente. Na maior parte do projeto
a circulação horizontal acontece de forma
periférica, tanto ao edifício, quanto à vazios
centrais. Possui também circulação centralizada
nos núcleos de salas de aula e salas de
computação
	 A organização espacial em grelha
segue uma malha bem definida, sofrendo
redimensionamento dos espaços baseado no
menor módulo. A estrutura de convencional de
vigas e pilares ocultas na alvenaria de vedação,
destacam a malha rígida empregada.
AUDITÓRIO
BIBLIOTECA
ESCOLA MÚSICA
ESPAÇO DE EXIBIÇÃO
CAFÉ
ÁREA TÉCNICA
CIRCULAÇÃO HORIZONTAL
CIRCULAÇÃO
ACESSO PRIMEIRO PAV
ACESSO SEGUNDO PAV
CIRCULAÇÃO VERTICAL
SALAS DE OFICINAS
SALAS DE COMPUTAÇÃO
ADMINISTRATIVO/APOIO
SANITÁRIOS
SALAS DE DANÇA
E
P
H
ESCOLA
PARQUE
HOSPITAL
CENTRO COMERCIAL
FLUXO PRINCIPAL VEÍCULOS
FLUXO SECUNDÁRIO VEÍCULOS
ROTAÇÃO SOLAR VERÃO
ROTAÇÃO SOLAR INVERNO
x4x 3x3x 3x 4x 5x2x 4x 5x9xx x x
x
x
x
x
x
x
x
x
39
A materialidade em pedra natural preta predomina no interior e
exterior na edificação, criando uma unidade visual. A modulação vista
em planta baixa se repete na fachada sul, criando e jogo de cheios
e vazios. A concepção volumétrica parte do princípio de fazer uma
releitura da textura urbana, que apresenta edificações marcadas pelos
vazios das janelas, traduzidas pelo arquiteto como perfurações na
cidade. A fachada norte retem a mesma modulação no revestimento,
porém predomina as áreas fechas por conta da insolação. Apesar
do ritmo aparente na modulação dos revestimentos, os vazios não se
configuram com a mesma Christiane. Em função do clima tropical da
cidade, são criados microclimas com jardins internos nas perfurações.
	 A edificação que lembra quase um volume maciço em escala
muito superior das edificações do entorno, possui uma boa relação
a vizinhança e paisagem. Além de atender com êxito à proposta de
promover a cultura em uma comunidade de baixa renda.
Figura32.	Cheios e Vazios
Fonte:Archdaily/adaptado pela autora
Figura33.	Modulação fachada
Fonte:Archdaily/adaptado pela autora
Figura34.	Interior do edifício
Fonte:Archdaily
Figura35.	Perfurações /Conceito arquiteto
Fonte:Archdaily
40
Imagem 15: Biblioteca Parque Fernando Botero
Fonte: IIT Architecture
ROBERTO GRITTI
Imagem 16: Centro Cultural Roberto Gritti
Fonte: The Plan
Figura36.	Localização Geográfica
Fonte:Google/adptado pela autora
Figura40.	Fachada noroeste
Fonte: The Plan
Europa/Itália Itália / Ranica Ranica / Roberto Gritti
Figura37.	Implantação
Fonte:The Plan/adaptado pela autora
3.3 CENTRO CULTURAL ROBERTO GRITTI
	 O centro cultural Roberto Gritti foi
projetado pelo escritório de arquitetura DAP
estúdio em Parceria com a arquitetra Paola
Giaconia, em 2010.
	 Localizado na comuna de Ranica, em
Bérgamo na Itália, o edifício de 2.300m² atende
a uma demanda que existia na comunidade de
aproximadamente 5.800 habitantes. O custo
total da obra foi estimado em R$ 16,5 milhões
(conversão na cotação atual do euro).
	 A intenção de referenciar as praças
italianas e o valor cívico dos edifícios públicos,
é expressada na criação de mini praças dentro
dos ambientes, criando relação entre interior e
exterior. O projeto compõe espaços funcionais
e versáteis, criando caminhos e ambientes que
só podem ser compreendidos adentrando a
edificação.
	 O lote em L dispoõe a edificação no eixo
nordeste - sudoeste, criando à sudeste uma praça
pública. O programa é composto pela biblioteca
com 850m², jardim de infância com 370m²,
auditório de 230m²m escola de dança e teatro
de 310m², bar de 50m² e o estacionamento de
450m²
	 A definição desse referencial se deu
em função do conceito de espaços empíricos
trazido pelos arquitetos. Os espaços funcionais
e ao mesmo tempo com valor arquitetônico,
esclarecem que um centro cultural deve ter um
programa que promova a vitalidade da edificação
e atenda às necessidades da comunidade, bem
como provocar sensações e experiências únicas
aos usuários.
Figura39.	Praça em frente ao edifício
Fonte:The Plan
Figura38.	Acessos
Fonte:Google/adaptado pela autora
ACESSO PEDESTRES ACESSO VEÍCULOSROTAÇÃO SOLAR INVERNO
43
Com topografia de pequenos desníveis, o edifício está
implantado acima do nível da rua, criando se acessos rampeados
para pedestres e veículos e um jogo de níveis entre pisos no interior
do edifício. Os arquitetos defendem que diferentes elevações
provocam impressões visuais diversas.
	 Os acesso acontecem em diversos pontos e de formar
indivíduais, permitindo a autonomia dos setores. Um eixo central
de circulação subdivide os setores e conceta os ambientes, distribui
os flucos verticais e horizontais.
	 A disposição dos ambientes destoa do costumeiro. As salas de
ensino são posicionadas ao norte, onde não possui incidência solar,
no entanto apresentam poucas aberturas de janelas, recebendo
iluminação natural pelo vazio gerado pelo jardim interno. Ao sul, a
biblioteca (Figura 43) que se dá nos dois pavimento, as aberturas
envidraças são protegidas pela faixa de policarbonato (Figura 44)
que engloba o pavimento superior.
Figura41.	Planta baixa térreo
Fonte:The Plan
Figura42.	Planta Baixa segundo pavimento
Fonte:The Plan
Figura43.	Vista da escada e jardim da biblioteca
Fonte:The Plan
44
Figura45.	 Corte
Fonte:The Plan/Adaptado pela autora
	 A organização espacial é regida por alguns alinhamentos
criados a partir dos jardins internos que ora se perdem em
função do programa. Nota-se uma repetição de alinhamentos
a cada 1 metro aproximadamente, porém os ambientes são
dispostos de forma que se adeque ao que rege o programa.
Essa caracteristica é percebida em conceitos da arquitetura
contemporânea, onde o que define a organização e concepção
do projeto, não são preceitos ou relações formaos, mas o
programa em si e as sensações que irá gerar ao para o usuário.
AUDITÓRIO
BIBLIOTECA
CAFÉ
ESTACIONAMENTO
CIRCULAÇÃO HORIZONTAL
CIRCULAÇÃO VERTICAL
JARDIM DE INFÂNCIA
SALAS DE DANÇA E TEATRO
Figura44.	Vista externa da biblioteca
Fonte:The Plan
45
Figura47.	Ritmo / Cheios e Vazios
Fonte:The Plan/adptado pela autora
Figura48.	Materialidade
Fonte:The Plan/adptado pela autora
Figura46.	Vazios
Fonte:The Plan/adptado pela autora
	 A representação gráfica e a composição de materialidades do
edifício deixam a entender o uso misto de estrutura convencional de
concreto no corpo do edifício, escadaria e rampa, e estrutura metálica
na sustentação do elemento arquitetônico do pavimento superior.
	 O edifício é um composto de cheios e vazios, tanto em volumetria
quanto em materialidade. O térreo apresenta fachada menos densa,
com muitas aberturas em vidro, de forma a se abrir para a comunidade
como um convite para entrar.
	 Opavimentosuperiorétodoencobertopelofechamentomulticolor
e semi opaco, demarcando a importância do programa e criando
provocações através das silhuetas dos usuários que transparecem na
fachada.
	 As intenções do projeto são evidenciadas ao esmiuçar sua
composição e funcionalidade, tornando essa construção um modelo de
Centro Cultural atendendo a eficiência e civismos pretendidos.
46
Imagem 17: Centro Cultural Roberto Gritti
Fonte: The Plan
O projeto surge
do princípio de
aumentar o interesse
à cultura pela
população e tornar
a cidade e um ponto
turístico em função
da cultura e histório
local.
ZINDER
FERNANDO BOTERO
ROBERTO GRITTI
O edifício buscou
se destacar em
volumetria e
m a t e r i a l i d a d e ,
tornando um ícone
da cidade, mas cria
algumas releitura
de aberturas das
residencias históricas
A organização
espacial se dá
atraves de um eixo
de circulação que
distribui os fluxos
internos, mas permite
autonomia dos
setores com acessos
individuais.
CONCLUSÃO
	 Apesar da área total da
terceira edificação ser inferior aos
dois primeiros, se assemelham
muito em pré dimensionamento
dos ambientes, o que se torno
fundamental para a concepção
do partido arquitetônico. 	
		 Os três referenciais
possuem a mesma estratégia
de criar um eixo central de
circulação que separa setores
e funções do edifício. O que se
difere é que nos dois primeiros
o acesso se dá centralmente
e individualmente, enqunanto
o terceiro pontualemente nos
ambientes e se conceta no centro.
Isso demonstra estratégias
distintas quando a experiências
que o usuário tera no decorrer
dos espaços.
	 Os projetos contribuiram
ainda para compreensão
de organização estrutural e
relações de fachada conforme as
atividades exercidas, em destaque
aos dois últimos projetos que
influenciaram em decisões de
alternativas de captação de luz
natural.
O objetivo desse
projeto era inserir
uma comunidade
de baixa renda no
contexto cultural,
nunca antes
acessado pela maior
parte da população.
São criadas relações
com o entorno,
através da releitura
dos vazios existentes
nas fachadas das
residências.
O acesso central
bem demarcado
tem a função de
separar os setores
e criar espaço de
inteiração, não
tirando a autonomia
dos setores
Atender a demanda
da comunidade
que necessitava de
espaços culturais
e educacionais, foi
o ponto de partida
para a concepção
do edifício
O edifício tira
partido da altura
das edificações
se fundindo do
entorno, mas possui
conceito forte em
criar experiências
únicas aos usuários
Os diversos
acessos se dão
diretamente nos
ambientes de
interesse e se
convergem em
um eixo central
que distribui esses
fluxos
QUADRO COMPARATIVO
48
4. ETAPA DE PLANEJAMENTO
Figura49.	Localização Geográfica
Fonte:Autora
LOCALIZAÇÃO
	 O local definido para implantação do
Centro de Cultural localiza-se no centro da
cidade de Farroupilha, na região do Largo Carlos
Fetter. Esse local deu inicio ao núcleo urbano da
cidade, está localizado em frente aos trilhos e há
poucos metros da Estação Férrea.
	 A cidade possui seus principais polos
turísticos e culturais vinculados à cultura italiana,
tanto em arquitetura, religião e produção
agrícola. O terreno já é consolidado em eventos
e atividades culturais da cidade, sendo que os
lotes são de posse do município.
BRASIL
RS
FARROUPILHA
CAXIAS DO SUL
BENTO
GONÇALVES
GARIBALDI
PORTO
ALEGRE
RUABARÃODO
RIOBRANCO
RUAMAL.DEODORO
DAFONSECA
RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO
AV
JÚLIO
DECASTILHOS
AV.PEDROGRENDENE
RUA CEL. PENA DE MORAES
RUA NATALY VALENTINI
RUA NATALY VALENTINI
50
Figura50.	Vista 1 - Estação Férrea
Fonte:Autora
Figura51.	Vista 2 - Tipologia edificações
Fonte:Autora
USO DO SOLO
	 O entorno da edificação
apresenta grande diversidade de usos,
mas identifica-se a predominância
de atividades comerciais e prestação
de serviço. A região não apresenta
regramento nas tipologias construtivas,
ao que se refere a materialidade,
altura, volumetria ou caracteristicas
arquitetônicas.
	 O lote situa-se entre pavilhos,
edificios em altura, residências e
elementos urbanisticos que remetem a
história da cidade.
Figura52.	Mapa Uso do solo
Fonte: Autora
1
2
RUABARÃODO
RIOBRANCO
RUAMAL.DEODORO
DAFONSECA
RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO
AV
JÚLIO
DECASTILHOS
AV.PEDROGRENDENE
RUA CEL. PENA DE MORAES
RUA NATALY VALENTINI
BAIRRO
IMIGRANTE
BAIRRO
CENTRO
BAIRRO
PLANALTO
BAIRRO
DO PARQUE
BAIRRO
VOLTA GRANDE
BAIRRO
1º DE MAIO
RUA NATALY VALENTINI
51
Figura54.	Nó viário
Fonte:Autora
Figura55.	Vista 1 - pavimentação da Rua Nataly Valentini
Fonte:Autora
Figura53.	Mapa Hierarquia Viária
Fonte:Autora
HIERARQUIA
VIÁRIA
	 O lote de esquina está situdo entre
duas vias arteriais. A Rua Barão do Rio
Branco é a via de acesso principal à cidade
pela RS 453, sendo que ao lado do lote,
esta se junta à Av. Pedro Grendene, a qual
também é via de acesso importante através
da RS 122.
	 Um nó viário distribui esse fluxo para
outra via arterial, que passa paralelamente a
linha ferroviária desativada. Ao contrário das
vias do entorno que possuem asfaltamentto,
essas são pavimentadas com paralelepípedo
e não possui área demarcada para passeio
público, por isso tem menos fluxo de veiculos
e pedestres.
	 Atualmente tem sido utilizada
principalmente para estacionamento de
trabalhadores do entorno.
2
RUABARÃODO
RIOBRANCO
RUAMAL.DEODORO
DAFONSECA
RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO
AV
JÚLIO
DECASTILHOS
AV.PEDROGRENDENE
RUA CEL. PENA DE MORAES
RUA NATALY VALENTINI
BAIRRO
IMIGRANTE
BAIRRO
CENTRO
BAIRRO
PLANALTO
BAIRRO
DO PARQUE
BAIRRO
VOLTA GRANDE
BAIRRO
1º DE MAIO
RUA NATALY VALENTINI
1
52
CHEIOS E
VAZIOS
	 A análise de cheios e vazios demonstra
a existência lotes disponíveis para edificar no
entorno. Conforme se aproxima da núcelo
comercial no centro da cidade ao norte, percebe-
se maior densidade construtiva, onde o IA é 5.
	 Nas demais situações onde o se aproxima
dosbairrosresidenciasadensidadeéinferior,com
mais áreas permeáveis. Além do lote de estudo,
existem mais duas área de domínio público na
área analisada. As edificaçõs predominam com
alturas de 1 a 3 pavimentos, exceto pelos edificios
de uso misto que possuem torres mais elevadas.
LOTE DE ESTUDO
LOTES PÚBLICOS
Figura56.	Lote público em frente ao sítio
Fonte:Autora
Figura57.	Densidade do entorno
Fonte:Autora
Figura58.	Mapa Fundo Figura
Fonte:Autora
AV
JÚLIO
DECASTILHOS
BAIRRO
IMIGRANTE
BAIRRO
CENTRO
BAIRRO
PLANALTO
BAIRRO
DO PARQUE
BAIRRO
VOLTA GRANDE
BAIRRO
1º DE MAIO
2
1
53
Figura59.	Vista da esquina do lote
Fonte:Autora
Figura60.	Vista da frente do lote
Fote:Autora
Figura61.	Mapa Condicionante Ambientais
Fonte:Autora
CONDICIONANTES
FÍSICOS
Como a grande parte da cidade de Farroupilha,
o entorno do lote possui topografia com declives
acentuados. A área utilizado pelo sítio no entando
possui desnível de apenas 1 metro de um eixo
a outro e está posicionado no ponto mais alto
comprado as quadras adjacentes.
	 As testadas do lote estão voltadas para as
posições sudeste e sudoeste. Pelo fato de estar
no nível superior às edificações construídas, é
possível tirar partido da insolação em todas as
posições, conforme a necessidade do programa.
A predominância do ventos no período do inverso
inverno vem do noroeste,e no verão do sudeste.
2
1
54
CONDICIONANTES
LEGAIS
X – Patrimônio Histórico, Cultural e
Ambiental: Zona Ambiental K – ZAK:
caracteriza-se por ser área de interesse
especial, onde poderão ser aprovados
projetos de edificações com base nas
normas urbanísticas do entorno, mediante
apresentação de estudos aprovados pela
CTPM e pelo CONCIDADE.
ZAK Caracteriza-se por ser área de
interesse especial. 360,00 m² 12,00 m
200,00 m
V – Em ZAK deverá existir análise do
CONCIDADE, com exceção das seguintes
situações já definidas
f) Na quadra 33 aplicar-se-á o regime
urbanístico de ZAD também devendo ser
respeitado 18,00m (dezoito metros) do
eixo da Rede Ferroviária;
Atividades permitidas: RURAL: residência
unifamiliar isolada, condomínio
residencial/ URB: Residência temporária/
CS: estabelecimento de recreação e lazer;
restaurante, lancheira e similares; padaria
e confeitaria; EUPP: equipamentos
publico e privado/ EU: Análise especial
(exceto para circos, parques itinerantes,
exposição, feiras e eventos temporários
Zona Ambiental A
Zona Ambiental BC
Zona Ambiental D
Zona Ambiental E
Zona Ambiental F
Zona Ambiental G
Zona Ambiental H
Zona Ambiental I
Zona Ambiental K
Área Especial de
Interesse Social - ZEIS
Zona de Proteção
Ambiental - ZPAN
Zona
Ambiental
ZAD
ZAK
Uso
Predominante
Mista 1
Especial
RA - Recuo
Ajardinamento
4,00m
Análise Análise Análise
IA
1,5
TO
65%
55
CORTES DO TERRENO
Figura62.	CORTE AA
Fonte:Autora
Figura63.	CORTE BB
Fonte:Autora
Figura64.	CORTE CC
Fonte:Autora
Figura65.	CORTE DD
Fonte:Autora
A
B
A
B
D
D
C
C
Figura66.	Marcação de cortes
Fonte:Autora
56
5. PARTIDO ARQUITETÔNICO
DIRETRIZES
	 Os estudos e definições de partido foram embasados no entendimento da nova pragmática da arquitetura contemporânea,
onde se tem criado espaços empíricos como locais de experimentação e versatilidade. A concepção pragmática não procura
preceitos como a arquitetura modernista ou as relações formais com o entorno pós modernista.
	 Trata-se de compreender a concepção dos espaços como resultado do programa, das forças e energias que provocarão
experiências aos usuários. O hedonismo se torna o componente substancial para a realização arquitetura em seu êxito.
	 A tecnologia de softwares que permitem ler e entender a cidade com um elemento tridimensional abre campo para
o desenvolvimento da arquitetura diagramática, o que coloca em voga a aplicação de objetos arquitetônicos icônicos, com
planos oblíquos e fragmentados.
	 A proposta defende a identidade singular de cada indivíduo, uníssona ao programa distinto desenvolvido na edificação,
sendo assim, forçar relações formais com as contruções do exterior se torna incoerente.
58
VERSATILIDADE
ENERGIA
PROGRAMA
FRAGMENTAÇÃO
FLEXIBILIDADE
ICONICIDADE
DIAGRAMAS
EMPIRISMO
AUTONOMIA
FLUÍDO
PRAGMATISMO
59
PROGRAMA DE NECESSIDADES
SETOR AMBIENTE ÁREA
Recepção 10
Sala De Espera 10
Deposito De Instrumentos 20
Sala De Professores 20
Aula De Musica 30
Aula De Instrumentos 30
Aula De Canto E Coral 30
S.M. De Ensaio Em Grupo 60
S.M. Ensaio Individual 30
Sala De Dança 1 60
Sala De Dança 2 60
Sala De Oficina 1 60
Sala De Oficina 2 60
Vestiário+Lavabo Feminino 15
Vestiário+Lavabo Masculino 15
510
Áreas Exposição 1500
1500
Auditorio Plateia 12x9 + Palco 7x8 300
Anticamara 50
Sonoplastia 10
Chapelaria 15
Foyer 100
Camarim C/ Banheiro 40
Bilheteria 5
Deposito 10
530
EDUCACIONAL
ARTES
AUDITÓRIO
SETOR AMBIENTE ÁREA
Espaço De Leitura Adulto 150
Espaço Leitura Infantil 100
Sala De Estudo Individual 50
Salas De Estudo Em Grupo 150
Sala De Informatica 70
520
Café 15
Deposito 5
Papelaria 50
Copiadora 50
Area De Estar 100
220
Sala Diretoria 15
Sala De Reuniao 15
Salas De Atendimento 15
Almoxarifado 15
60
Sala De Geradores 30
Reservatorios 50
Depositos 50
Elétrica 20
Gás 20
Central Ar Condicionado 60
230
Estacionamento 1500
1500
5070
AREA TECNICA
SUBSOLO
TOTAL
BIBLIOTECA
APOIO
ADMINISTRATIVO
Tabela 1 - Programa de necessidades
60
EDUCACIONAL
ARTES
AUDITÓRIO
BIBLIOTECA
APOIO
ADMINISTRATIVO
ÁREA TÉCNICA
ESTACIONAMENTO
AMBIENTES DE
INTERESSE
CULTURAL
PRÉ DIMENSIONAMENTO CONFORME
PROGRAMA E CONDICIONANTES.
CENTRO DE ARTES COMO ESPAÇO
DE CONEXÃO ENTRE SETORES
	 A partir disso, foi desenvolvido um programa de necessidades com base nas referências analisadas anteriormente, onde foi possível
compreender a área ocupada para os ambientes de cunho cultural. Foram organizados em volumes conforme pré-dimensionamento e limitantes
construtivos. O que corresponde ao setor de artes, foi entendido como um elemento que fará a conexão entre os outros três setores, tendo também
a função de circulação, o que tornará os espaços versáteis e dinâmicos.
	 O setor educacional foi elevado, liberando a parte central do térreo afim de criar um espaço coberto onde acontecerão atividades com maior
interação social. A biblioteca foi disposta no limite sul, sendo que o programa necessita de iluminação natural, mas não comporta insolação direta
e ao norte, o volume do auditório.
61
DIAGRAMA DE VOLUMETRIA
	 Os dois principais acessos a cidade se dão através da via
situada a direita do lote, onde se convergem em um nó viário
gerando grandes fluxos de energia na edificação. A fachada norte da
edificação recebe influências visuais vinda da linha ferréa desativa,
onde será proposta a revitalização.
	 A rotação dos volumes acompanha o fluido urbano, por
questões topográficas o volume inferior recepciona os usuários
vindos do sul e o volume superior aos do leste.
	 De forma a marcar o acesso principal à edificação, é aplicada
uma força horizontal criando um balanço no eixo central.
	 O volume que abriga o auditório tira partido da inclinação
gerada pelo programa, a qual reflete na sua volumetria.
Figura67.	Diagramas de Volumetria
Fonte:Autora
62
Figura68.	Vista da rua e área que receberá revitalização
Fonte:Autora
Figura69.	Vista Estação férrea desativada na situação atual
Fonte:Autora
Figura70.	Vista da via de acesso sul à cidade - Avenida Pedro Grendene
Fonte:Autora
Figura71.	Vista da via de acesso nordeste’ à cidade - Rua Barão do Rio Branco
Fonte:Autora
63
Figura72.	Implantação geral
Fonte:Autora
implantação
	 O edifício foi implantado de forma centralizado ao terreno, respeitando os afastamentos previsto na legislação. Criou-se uma rua aos
fundos, liberando o lote do restante da quadra afim de reforçar o tratamento de edifício ícone proposto. Nesse local acontecerá o acesso de veículo
ao estacionamento e para descarga de equipamentos e utensílios.
64
planta baixa
Figura73.	Plantas Baixas
Fonte:Autora
A
PAVIMENTO TÉRREO
PRIMEIRO PAVIMENTO
A A’
B C D E F G H I J K
1
2
A A’
A B C D E F G H I J K
1
2
A A’
A B C D E F G H I J K
1
2
	 O acesso principal ao edifício se dá através
de uma abertura no eixo central, que adentra o
primeiro nível do espaço cultural. Nessa praça
central se propõe atividades cívicas com objetivo
de tornar um ponto de encontro social. Essa
grande circulação possui caráter versátil, onde se
funde com as áreas de exposição e pode servir
de plateia para apresentações no auditório que
possui palco reversível. Esse pavimento é composto
ainda por um núcleo de apoio e serviços e o setor
administrativo e um jardim interno que captam
iluminação natural.
	 A biblioteca que ocupa dois pavimentos
do edifício, pode ser acessada externamente ou
pela circulação interna, em ambos pavimentos.
No segundo pavimento acontecesse o acesso ao
auditório e a circulação central se funde ao foyer
e permite que se torne outro espaço voltado para
a arte. A antecamara do auditório possui vista
privelegiada para a praça que se cria revitalizando
a antiga linha férrea
	 O último pavimento situa o setor
educacional, local onde se distribui cultura e
produz identidades culturais. Nesse também é
criado uma área de contemplação com vista
privelegiada para ambos acessos da cidade.
	 Foi adotado a estrutura metálica como
sistema estrutural, com fechamentos em steel
frame, garantindo o máximo conforto térmico
e acústico e caracteristicas mais sustentáveis ao
projeto. A disposição da estrutura se dará através
de eixos gerados pelas rotações dos volumes,
atendendo a especificações da técnica construtiva.
SEGUNDO PAVIMENTO
65
CORTE
Figura74.	Corte AA’
Fonte:Autora
66
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desse trabalho, foi observado a relevância de abordar o tema cultura, pois é reforçado o entendimento de que divulgar e inserir
as comunidade em atividades culturais tem efeitos satisfatórios quanto a inclusão social e ao respeito pelas diversidades. A criação de espaços que
permitam a permeabilidade da sociedade a esse meio deve ser levado como prioridade e com seriedade.
	 Conceber edifícios de cunho cultural envolve muito mais do que apenas atividades voltadas para esse objetivo. A vitalidade desses espaços
dependem do envolvimento da comunidade, para isso é necessário a criação de um programa amplo, que atenda as necessidades e realidade
locais, afim de atrair os indivíuos e fazer com que estes sintam-se pertencentes e envolvidos ao meio. O projeto arquitetônico tem grande influência
na satisfação dos resultados, sendo esta responsável por promover espaços úteis e versáteis que poderão provocar sensações e experiências distintas
a cada indivíduo.
	 Essa pesquisa buscou embasar conhecimentos culturais e arquitetônicos que pudessem ser aplicados em um projeto de Centro Cultural,
afim de atender a eficiência e a multifuncionalidade que se necessita e julga adequada para esses locais, assim como criar relações entre interior e
exterior com objetivo de vincular o pertencimento da população quanto a sua cidade, história e cultura.
	
68
7. REFERENCIAL TEÓRICO
7.1 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
ARCHDAILY. Biblioteca parque Fernando Botero. Disponível em: <https://www.
archdaily.com/278998/fernando-botero-park-library-g-ateliers-architecture>.
Acesso em: 10 maio 2018
ARCHDAILY. Centro Cultural Zinder / De Zwarte Hond. Disponível em: <https://
www.archdaily.com/882886/zinder-cultural-center-de-zwarte-hond>. Acesso
em 09 maio 2018
ATLAS Brasil. Dísponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/>. Acesso em: 19
fev. 2018
ATLAS Socioeconômico. Dísponível em: < http://www.atlassocioeconomico.
rs.gov.br/inicial >. Acesso em: 19 fev. 2018
AVAX NEWS. Disponível em: <http://avax.news/>. Acesso em: 08 maio 2018
COELHO, Teixeira. Usos da cultura: políticas de ação cultural. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1986. 124p.
DE ZWARTE HOND. Zinder. Disponivel em: <https://www.dezwartehond.nl/
projecten/zinder>. Acesso em: 08 maio 2018
ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL. Disponível em: <http://www.
estacoesferroviarias.com.br/rs_linhaspoa/farroupilha.htm>. Acesso em 02 mai
2018
FLICKR. Disponível em <https://www.flickr.com/photos/farroupilha/albums>.
Acesso em: 19 fev. 2018
GOOGLE. Disponível em: < https://www.google.com.br/>. Acesso em: 19 fev.
2018
IIT Architecture Chicago. Fernando Botero Library Park. Disponível em: <https://
arch.iit.edu/prize/mchap/selected-works/project/fernando-botero-library-
park> Acesso em: 18 maio 2018
KUPER, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Barueri: EDUCS, 2002. 319
p. ISBN 8574601462.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Zahar, 2001.
MILANESI, Luís. A casa da invenção: biblioteca centro de cultura. Ateliê Editorial,
1997.
NEVES, Renata Ribeiro. “Centro Cultural: a Cultura à promoção da Arquitetura.”
Centro Cultural a Cultura à promoção da Arquitetura, Goiânia 1.5 (2013).
ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. In: Cultura brasileira e
identidade nacional. Brasiliense, 1985.
PNDU Brasil. Dísponível em: < http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/
home.html >. Acesso em: 19 fev. 2018
PREFEITURA MUNICIPAL DE FARROUPILHA. Dísponível em: <http://farroupilha.
rs.gov.br/>. Acesso em: 19 fev. 2018
PROGRAMA NACIONAL DA CULTURA. Dísponível em: <http://pnc.cultura.
gov.br/>. Acesso em: 19 fev. 2018
RAMOS, Luciene Borges. Centro Cultural: Território privilegiado da ação cultural
e informacional na sociedade contemporânea. ENCONTRO DE ESTUDOS
MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA, v. 3, 2007.
SERRANO. Daniel Portillo. Teoria de Maslow- A Pirâmide de Maslow.2011.
Disponível em:< http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/maslow.htm>.
Acesso em 19 fev. 2018
THE PLAN. Dísponível em: < https://www.theplan.it/eng/webzine/italian-
architecture/roberto-gritti-cultural-center-ranica-bergamo >. Acesso em: 19
fev. 2018
70
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Centro Cultural para revitalizar a cidade de Farroupilha

  • 1. CENTRO DE CULTURA CONTEMPORÂNEA do rs eduarda masiero pesquisa em au | fsg | 2018
  • 2.
  • 3. EDUARDA MASIERO CENTRO de cultura contemporânea do rs Roteiro de Pesquisa apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário da Serra Gaúcha, como parte dos requisitos para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista Orientadora: Daniela Fastofski Caxias do Sul 2018
  • 4. “Se você planeja ser qualquer coisa menos do que aquilo que você é capaz, provavelmente você será infeliz todos os dias de sua vida” Abraham Maslow
  • 5. Imagem 1: Diversidade cultural Fonte: Google
  • 6. Imagem 2: Igreja Nossa Senhara de Caravaggio Fonte: Flickr
  • 7. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por ter iluminado tantas vezes meu caminho e meus pensamentos e me manteve forte nos momentos mais difíceis. Agradeço a todos amigos e familiares que estiveram presentes comigo e que ao seu modo, contribuiram para que eu chegasse ao fim dessa etapa. Aos colegas que tiveram breves passagens nesse percurso e aos que construímos uma grande amizade, juntos fomos aina melhores, obrigada! A todos os professores e orientadora que dedicaram seu tempo e esforço dentro e fora da sala de aula em pról dessa, meus mais sinceros agradecimentos! Muito Obrigada!
  • 8. resumo Embasado na averiguação da insuficiência de atividades culturais e de espaços adequados para tais celebrações na cidade de Farroupilha/RS, além do descaso com o patrimônio histórico e cultural local, esse trabalho visa propor a criação de um Centro de Cultura Contemporânea do RS. Com o objetivo de atentar acerca da importância de fomentar o interesse à cultura pela população, são apresentadas fundamentações teóricas que esclarecem a multiculturalidade social a partir do reconhecimento das origens culturais nacionais e da identidade cultural singular dos indivíduos. Uníssona ao programa ímpar a ser desenvolvido na edificação, é proposta a elaboração de um partido arquitetônico com características e conceitos aplicados na pragmática da arquitetura contemporânea. Palavras-chave: Cultura; Identidade; Centro Cultural; Arquitetura Contemporânea;
  • 9. Imagem 3: Tradicionalismo italiano Fonte: Flickr
  • 10. sumário 1 2 3 INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVADOTEMA..................................16 1.2 OBJETIVOGERAL.............................................17 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................17 1.4 METODOLOGIA..............................................17 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 CULTURA : VISÃO SOCIAL ............................... 20 2.2 IDENTIDADE CULTURAL ..................................21 2.3 CULTURA BRASILEIRA .....................................22 2.4 CULTURA EM FARROUPILHA ...........................24 2.5 ATUAL CASA DE CULTURA ...............................25 2.6 CENTROS CULTURAIS .....................................26 ANÁLISE DE REFERENCIAL 3.1 CENTRO CULTURAL ZINDER ............................29 3.2 BIBLIOTECAFERNANDOBOTERO.....................36 3.3 CENTRO CULTURAL ROBETO GRITTI ..............42 3.4 QUADRO COMPARATIVO ...............................48
  • 11. 4 5 6 7 ETAPAS DE PLANEJAMENTO 4.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA ..............................50 4.2 USO DO SOLO ..........................................51 4.3 HIERARQUIA VIÁRIA .....................................52 4.4 CHEIOS E VAZIOS .......................................53 4.5 CONDICIONANTES FÍSICOS ........................54 4.6 CONDICIONANTES LEGAIS .........................55 4.7 CORTES DO TERRENO .................................56 PARTIDO 5.1 PARTIDO ARQUITETÔNICO ..........................57 CONSIDERAÇÕES FINAIS 6.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................68 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 7.1 REFERENCIAL ................................................70
  • 12. Imagem 4: Estação Férrea Nova Vicenza/ Farroupilha Fonte: Estações Ferroviária
  • 14. Todas os indivíduos possuem uma identidade cultural e esta não vem pré-definida geneticamente, pela sua raça ou origem. A cultura pode ser resumida por todo comportamento aprendido, enquanto a identidade é a compreensão de nós mesmos. Esse autoconhecimento necessita ser dialogado com outras pessoas, pois a identidade só se concretiza quando participamos de uma coletividade. Isso nos leva a identificar a existência de uma sociedade multicultural e compreender a importância de dialogar e respeitar essa diversidade, para que se oportunize todos os indivíduos encontrarem a sua identidade cultural e se entenderem com um membro de uma sociedade. Com base nesse conhecimento, busca-se propor a criação um Centro de Cultura Contemporânea na cidade de Farroupilha/RS, para que aproxime a comunidade das informações e do conhecimento através de espaços e reflexão e aprendizado, proporcionando ao cidadão habilidades necessárias para discutir, criar, compreender e divulgar sua própria cultura. Esse estudo será apresentado em capítulos, onde se constrói um pensamento com embasamento teórico se fundamenta a importância desses espaços. O 1º capítulo contém a introdução; no 2º capítulo citam-se referenciais teóricos com conceitos abordados no estudo; o 3º capítulo apresenta a análise de referenciais arquitetônicos, buscando a compreensão dos espaços físicos; os capítulos 4 e 5 trazem a análise do local de intervenção e o partido arquitetônico adotado, em seguida conclui-se o estudo e apresentam-se os referenciais bibliográficos. 14
  • 15. Imagem 5: Diversidade Cultural Fonte: Avax
  • 16. 1.1 JUSTIFICATIVA DO TEMA Farroupilha conquistou no decorrer de sua história o título de Berço da Imigração Italiana,porteracolhidoosprimeirosimigrantes vindos do Norte da Itália, da província de Milão (PREFEITURA FARROUPILHA). A cidade é envolvida por um grande contexto cultural, contendo edificações que abrigam relíquias históricas e elementos urbanísticos que marcam a sua evolução. São organizados até mesmo festejos e celebrações que visam resgatar e fortalecer sua história. Contudo, o potencial cultural existente ainda é pouco explorado. A partir de uma pesquisa quantitativa realizada com pessoas que residem, trabalham ou apenas visitam a cidade, foi identificado o descontentamento de um grande número quanto as atividades culturais disponíveis e a aspiração por mais espaços capacitados para promovê-las. A atual Casa de Cultura é palco de manifestações artísticas locais ou de grupos diversos, que por vezes necessitam organizar espetáculos externos por sua estrutura não possuiracomodaçõeseinstalaçõesadequadas, o que limita ainda mais a expansão artístico- cultural na cidade. A população de Farroupilha em geral recorre a cidades próximas para atividade culturais. Dessa forma o presente trabalho consiste na elaboração de uma proposta para de um espaço multicultural, tendo em vista a falta de estrutura oferecida pela atual da Casa de Cultura local. Figura3. Dados de Pesquisa Fonte: Autora Você está satisfeito com as atividades culturais oferecidas na cidade? Sim 8% 40% 52% Parcialmente Não Com que frequência você participa de eventos culturais na cidade? 7%6% 43% 44% Nunca Participei Raramente Frequentemente Ocasionalmente Quais espaços culturais vocês gostaria que existissem ou fossem melhorados na cidade? Sala de Cinema Museu e exposições Sala de aulas de teatro Local para lazer e encontros Espaços de estudo Nada, estou satisfeito Auditório | Espaço para apresentações Biblioteca Multimidia Sala de reuniao Espaço para feiras e artesanato Sala de aulas instrumentais Espaço Pet Figura1. Dados de Pesquisa Fonte: Autora Figura2. Dados de Pesquisa Fonte: Autora 16
  • 17. 1.2 OBJETIVO GERAL A proposta visa criar um Centro de Cultura na cidade de Farroupilha/RS, afim de atender as atividades existentes na Casa de Cultura e expandir o programa existente. O projeto irá ainda revitalizar a área que abrange a linha férrea desativada na quadra de estudo. 1.3 OBJETIVO ESPECÍFICOS - Dar uso a um terreno público desocupado localizado em um marco histórico da cidade, introduzindo atividades que promovam a inclusão social através da cultura e revitalizem a área degradada. - Criar uma edificação que instigue a população quanto a sua plasticidade e funcionalidade, promovendo a inserção natural do indivíduo ao meio cultural. - Proporcionar um espaço multicultural, informacional e de lazer, favorecendo ao uso constante das diferentes atividades e promovendo vitalidade ao local. - Propor conexão entre edificação e elementos históricos do entorno, estimulando o sentimento de pertencimento da população pela sua cidade e história. - Suprir a carência de equipamentos culturais e de lazer no município, afim de valorizar o patrimônio artístico e cultural da cidade e região. - Enaltecer o elemento arquitetônico afim de entendê-lo como um bem cultural, promovendo a divulgação de conceitos contemporâneos da arquitetura. 1.4 METODOLOGIA A pesquisa utilizou como metodologia inicial uma pesquisa quantitativa onde foi medida a satisfação da população no diz respeito à dinâmica cultural promovida na cidade e o interesse por novos espaços e atividades, afim de justificar o tema adotado. Posteriormente foram exploradas pesquisas teóricas, com base em revisões bibliográficas de artigos, produções acadêmicas e livros, com a finalidade de compreender conceitos explicativos em relação ao que se entende como cultura. Através de pesquisas em sites governamentais e estatísticas do IBGE, foi identificada a situação atual quanto aos espaços culturais existentes no país e no RS, confirmando a necessidade da implantação de novos espaços voltado a arte e cultura. Foram realizadas análises de referenciais arquitetônicos de centros culturais executados, com a intuito de compreender a funcionalidade dessatipologiadeedificação,permitindozonear e pré-dimensionar as áreas do programa de necessidades e assimilar a distribuição dos fluxos. A partir de averiguações in loco, foram constatados os condicionantes físicos e as visuais que determinaram a concepção do partido arquitetônico, baseados em conceitos adotados para o projeto. Imagem 6: Museu Casa de Pedra Fonte: Flickr
  • 18. Imagem 7: Encontro das Tradições Italiana (ENTRAI) Fonte: Flickr
  • 20. Para que se possa justificar a importância de um centro cultural para a sociedade, é necessário compreender inicialmente o que é cultura e qual sua importância para o desenvolvimento social e humano. Assim, será apresentada uma visão antropológica sobre identidade cultural, como ela surgiu e se disseminou pelo país. Após isso, será elustrado um contexto geral da cultura da cidade de Farroupilha, local da implantação da proposta, e como ela tem sido desenvolvida e distribuída para a sociedade. Para concluir, apresentarei um estudo quanto a função atual dos centros culturais, tendo em vista como se divulgava a cultura antes de seu surgimento e a sua distinção perante outros meios de divulgação de cultura em massa. 2.1 CULTURA: VISÃO SOCIAL Vive-se em uma sociedade ainda carente de cultura e educação, isso por que por muito tempo os governos trabalharam para oferecer somente o essencial para suprir à base da pirâmide1 (Figura 4) das necessidades básicas da população. Esse argumento é reforçado por Milanesi (1997), o qual aponta que ainda no início do século XX o acesso a alfabetização e a entrada de livros no Brasil eram altamente restritos, o que provocou grande atraso no desenvolvimento social e cultural no país. A Teoria das Motivações de Maslow é 1 A teoria de motivações foi desenvolvida por Abraham Mas- low. O psicólogo humanista não produziu uma pirâmide que representasse sua teoria, no entanto muitos autores reprodu- zem o modelo como forma simplificada do estudo. capaz de exemplificar este modelo deficiente de sociedade. Segundo Maslow apud Serrano (2011), uma necessidade geralmente depende da satisfação prévia de outra. Dessa forma, quando um indivíduo possui essa base instável não estará motivado a procurar interação social, reconhecimento próprio ou atividades que lhe proporcionem auto realização e prazer. Nesse contexto, o interesse pela cultura tende a se enquadrar entre os elementos descartados das necessidades primordiais do indivíduo. Contudo, conceitos atuais derrubam os entendimentos que apontam a superioridade do desenvolvimento econômico perante ao humano. Entre tantos aspectos que diferenciam um país desenvolvido de um subdesenvolvido, o nível de bem-estar e auto realização da população possui um peso relevante. Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD-, o conceito de desenvolvimento humano surge com o objetivo Figura4. Pirâmide de necessidade de Maslow Fonte: Serrano(2011). Adaptado pela autora 20
  • 21. Imagem 8: Apresentação no ENTRAI Fonte: Flickr de ampliar as capacidades e oportunidades das pessoas, para que todos possam ser aquilo que desejarem. Seus pressupostos alteram o foco do crescimento econômico para o desenvolvimento humano, considerando as características sociais e culturais para a elaboração do IDH (PNDU). Segundo dados da ONU (2015), o Brasil é o 75º entre 188 países avaliados quanto ao seu IDH, enquanto o PIB(2017) coloca o país em 9º lugar. A riqueza do país não expressa a qualidade de vida da população e corrobora com esse fato o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) elaborado pela ONU (2017), que aponta o país como o 10º com maior desigualdade social do mundo. Essa analise nos leva a refletir que o desenvolvimentoculturaldeumasociedadedeve ser visto como uma ferramenta articuladora da formação social, para que de forma iminente este impulsione o desenvolvimento econômico. 2.1 IDENTIDADE CULTURAL As primeiras conceituações relacionadas a cultura indicam surgem no final do século XVIII. É citado por Kuper (2002) as divergências apontadas da época, onde Kulter, termo germânico, compreendia os aspectos espirituais e emocionais e Civilization, palavra francesa, as ciências e tecnologias. Posteriormente o termo inglês Culture passa a abranger todas as realizações humanas. Taylor (1871) apud Laraia (2009) aponta que a cultura “inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”, resumido por ele como todo comportamento aprendido. Laraia (2009) cita que o comportamento dos indivíduos não é determinado por sua raça ou nacionalidade, mas que isso depende de um processo de aprendizagem. Um indivíduo é capaz de obter conhecimento da cultura onde está inserido, independente da sua origem e isso resultará no seu comportamento e identidade. A identidade está relacionada ao autoconhecimento. Kuper (2002) explica que a voz interior que possuímos representa o nosso verdadeiro ser e a compreensão dessa identidade necessita ser dialoga com outros indivíduos, pois “o eu interior descobre o seu lugar no mundo ao participar de uma coletividade”. O autor menciona ainda que algumas pessoas podem esconder o self, ou seja, a si mesmos,nãoexpondosuasverdadeirascrenças. Podem até mesmo não se auto compreenderem por não se reconhecerem na cultura que os cerca. Nesse contexto, Laraia (2009) explica que indivíduos de mesma etnia e meio podem apresentar diversidade cultural. Então, se a cultura é todo comportamento aprendido e identidade a compreensão de nós mesmos, pode-se concluir que uma sociedade é multicultural a partir do princípio de que cada indivíduo é único e recebe uma carga de conhecimentos diferente do outro. Estimular o diálogo das diversidades culturais induz a sociedade a respeitar a identidade de outros indivíduos e essa é uma das funções do centro cultural. 21
  • 22. 2.3 CULTURA NACIONAL No final do século XIX as expressões artísticas nacionais retravam principalmente peças teatrais, musicais e instrumentais. As salas de teatro perdiam espaço para as produções cinematográficas, ainda chamadas de cine-teatro. As linhas férreas transportavam lentamente a produção agrícola do interior até a capital em troca de manufaturados e levavam de volta a informação e a cultura de forma custosa e tardia. Nessa mesma velocidade a cultura internacional chegava ao Brasil, o que se tentava fazer em termos de teatro no país era o que Paris fizera cinco anos antes (MILANESI, 1977). O autor afirma ainda que a difusão das rádios e televisão provocaram uma transformação cultural e tecnológica no país, onde se passa a aproximar a realidade de outros países e culturas à brasileira. As invenções locais, especialmente no âmbito cultural, eram descabidos ao se possuir esses dois veículos disseminadores de cultura em massa. O atraso na criação de uma identidade brasileira é fundamentado pelo grande período em que tentou importar a cultura dos países europeus com o propósito de implantá-las em um país de etnias e espaço físico diferentes. Ortis (2006) afirma que “ser brasileiro significa viver em um país geograficamente diferente da Europa, povoado por uma raça distinta da europeia”, mas explica que os países colonizados tendem a imitar o colonizador. A identidade nacional começa a surgir através da legitimação das raças brasileiras. Os negros por séculos nem são mencionados nas bibliografias clássicas e os índios que por muito tempo foram descritos como raças inferiorizadas. O branco de origem europeia constitui a terceira raça brasileira. Ortiz (2006) aponta o Brasil como o pais da miscigenação e o que por anos se tratou de manifestações de raças e cor se transformou em cultura e construiu a identidade nacional. No Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, a preservação e disseminação dessa diversidade cultural se dá por meio dos equipamentos culturais, como museus, bibliotecas, centros culturais, etc. Para isso, o Ministério da Cultura (MinC) prevê metas de crescimento de espaços e grupos culturais no país, através do Plano de Nacional de Cultura. O MinC estima a existência de 4,5 milhões de famílias remanescentes desses povos, que vivem segundo as tradições de seus ancestrais, além de grupos de cultura popular em todo o país. No RS foram identificados espaços culturais em 70% das cidades, sendo que em apenas 20% são encontradas casas ou centros de cultura (IBGE, 2014). Encontra-senopaísuma numerosa diversidade cultural, com características singulares em cada região. Por um lado, pela sua grande extensão territorial, que apresenta características sociais, econômicas e climáticas distintas. Por outro, a pluralidade de etnias de colonizadores, imigrantes e nativos, que consolidaram uma miscigenação racial, artística e social no país. Essa pluralidade cultural é a riqueza nacional e deve-se atentar quanto a sua conservação e perpetuação. 22
  • 23. Imagem 9: Diversidade Cultural Fonte: Avax
  • 24. 2.4 CULTURA EM FARROUPILHA Farroupilha, cidade localizada na Região Metropolitana da Serra Gaúcha, a aproximadamente 110km da capital do RS, possui mais de 69.500 habitantes conforme estimativa do IBGE(2010) para 2017 e área total de 361,684km², sendo 40,32km² de área urbana. A cultura e o turismo da cidade estão relacionados, pois os elementos que atraem os turistas, são o mesmo que as escolas e população usufruem para acessar a cultura. A história de Farroupilha2 tem início com a chegada dos primeiros imigrantes vindos do Norte da Itália para o RS. Hoje a cidade é considerada “berço da Imigração Italiana” e retém memórias e costumes adquiridos. Em 1875 os imigrantes da província de Milão criam a primeira vila na cidade, hoje chamada de Nova Milano. O Bairro abriga o “Parque Centenário da Imigração Italiana” e em sua estrutura existe um monumento em homenagem as três primeiras famílias colonizadoras, a réplica do “Leão Alado” símbolo da cidade de Veneza e uma gôndola de origem Veneziana. Novos imigrantes Trentinos e Trevisanos chegam em1885 e se instalam no atual bairro Nova Vicenza. A cidade preserva a primeira edificação construída com fins comerciais da época, hoje sediado o Museu Casa de Pedra, com arquitetura típica da Imigração Italiana. O museu foi criado em 1983 e tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado em 1988. A primeira linha férrea construída em 1910 que ligava Montenegro a Caxias do Sul e passava pelas localidades de Nova Milano e Nova Vicenza, ocasionou a construção da estação de trem aonde deu início ao núcleo urbano e hoje é a área central de Farroupilha. No ano seguinte surge a estrada estadual Júlio de Castilhos que seria responsável pela expansão deste núcleo urbano. A rua que preserva edificações com arquitetura colonial e marca um centro histórico na cidade, passa por adequações urbanas nesse ano com o intuito de preservar a história e priorizar o uso pelo pedestre. A emancipação da cidade acontece em 1934, com a união das comunidades de Nova Mila e teve seu nome escolhido em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha que seria comemorado no ano seguinte. A primeira mansão construída em Farroupilha no ano de 1949, foi escolhida pelo casal de italianos Lydia e Luiz Moschetti para que fosse doado seu acervo pessoal em homenagem a colonização italiana. A edificação abriga o Museu Casal Moschetti inaugurado em 1972 e sedia a atual Casa de Cultura. A cidade organiza durante o ano, diversos festejos e comemorações. Maratona cultural (6ª edição), ENTRAI (Encontro das Tradições Italianas), Semana Farroupilha, Festival do Moscatel (maior produtor de uvas do país), ExpoFarroupilha (Fenakiwi), Feira do Livro Vivere, etc. Contudo, a cidade dispõe apenas de um centro municipal de eventos, sem instalações mínimas existentes em auditórios, e a Casa de Cultura, que será abordada a seguir. 2 Informações retiradas do site da prefeitura de Farroupilha Imagem 10: Uvas Moscateis de produção local Fonte: Flickrs
  • 25. 2.5 ATUAL CASA DE CULTURA A Casa de Cultura de Farroupilha (Figura 1) está instalada em uma edificação de grande valor histórico e foi aberta oficialmente em 2013. O espaço funciona com atividades multiculturais, como oficinas de teatro, exposições de artes e fotografias, concertos musicais e abriga a Escola Pública de Música, com 320 alunos, e a Escola de Teatro, com 90 alunos. O local apresenta poucas condições, mas ainda assim se busca propor atividade culturais, mesmo que existam muitas barreiras não permitindo maior desenvolvimento da cultura na cidade. A edificação particular está alugada pelo Poder Público Municipal e passa por um conflito de interesses. Os proprietários desejam demolir a residência para uma nova construção, enquanto o COMPHAC busca negociações para o tombamento da residência. Algumas melhorias foram feitas, como a instalação de bancos, televisores e elementos decorativos, para que se pudesse ter mais receptividade. Mas a estrutura do local está em descuido. O piso e a pintura estão em partes deteriorados e não existe acessibilidade para dentro do edifício. Por se tratar de uma edificação antiga, as instalações são precárias. A Sala de Teatro não possui camarim, sendo que a troca de figurino acontece em um porão, sem cobertura e privacidade. Esse espaço ora é dividido com o deposito de instrumentos, ora com o depósito de materiais de higiene e limpeza. Os pequenos cômodos foram adaptados para se tornar salas de aula, exposição e auditório (Figura 2). Muitas vezes as atividades são pouco divulgadas pois o espaço não aceita um número grande de pessoas. Atividades que não comportam ser oferecidas na Casa de Cultura, acabam acontecendo em parques da cidade ou auditórios de outras instituições. Mesmo que a residência receba as reformas necessárias, os espaços ainda assim não são adequados para todas as atividades oferecidas. O acesso por grande parte da população continuaria limitado e ameaça o crescimento das atividades culturais na cidade. Imagem 10: Atual casa de Cultura Fonte: Autora Imagem 11: Auditório Casa de Cultura Fonte: Acervo Casa de Cultura 25
  • 26. 2.2 CENTROS CULTURAIS A ideia de criar edifícios nomeados de Centro Cultural, surgiu por volta da década de 70. Na França se constrói o Centro de Cultura e Artes Goerges Pompidou, que viria a se tornar o modelo para o restante do mundo, conforme menciona Ramos (2007). Ainda que esses edifícios venham a ser considerados um paradigma contemporâneo, o entendimento de espaços divulgadores de cultura data da Antiguidade Clássica, sendo a Biblioteca de Alexandria o modelo mais conhecido. A necessidade do surgimento desses novos espaços, é colocado por Ramos (2007) ter sido influída pela pelas novas tecnologias, que buscasse um modelo de instituição informacional substituto das antigas bibliotecas. O que vem a diferenciar um Centro Cultural de outros espaços que também oferecem bens culturais para consumo, são as atividades e usos nele desenvolvidas. Para Neves (2013), tratam-se de espaços onde se produz e dissemina práticas culturais e bens simbólicos, através de cultura viva. Ou seja, produzida por pessoas para se inter-relacionarem com outras pessoas, em um ambiente criativo, provocativo e dinâmico, como conceitua Coelho (1986). Ramos (2007) completa que a cultura viva não foca no produto e sim no processo, que visa construir identidades culturais e possibilitar aos indivíduos se reconhecer como “um ser cultural, inserido em um tempo e espaço determinados”. Nesse contexto, Milanesi (1997) sintetiza a função desses locais como o de informar, discutir e criar. Deve funcionar como um equipamento que aproxime os indivíduos da informação e do conhecimento, tornando-os mais hábeis para refletir e discutir sobre o aprendizado adquirido e assim criar ou compreender a sua identidade cultural. “O centro de cultura é um espaço que deve construir laços com a comunidade e os acontecimentos locais, funcionando como um equipamento informacional, no qual proporciona cultura para os diferentes grupos sociais, buscando promover a sua integração. ” (NEVES, 2013) Não é possível descrever um modelo unificado de centro cultural. Este deve se relacionar com o entorno e as atividades que movimentam a comunidade. Isso torna cada edifício único, permitindo que os indivíduos tenham experiências significativas. Milanesi (1997) aponta haver distorções de interesses por parte das administrações públicas, ao se encaminhar um projeto de construção de um centro cultural. A construção de um edifício monumental visando o turismo e crescimento econômico da cidade, muitas vezes se sobrepõe a real função de propagação cultural e desenvolvimento social, o que acarreta na execução de espaços inutilizados. Essa proposta de Centro Cultural terá como primícias a criação de espaços dinâmicos e versáteis, evidenciando a eficiência a quail essas edificações devem possuir em promover a vitalidade de uma região. 26
  • 27. Imagem 11: Maratona Cultural de Farroupilha Fonte: Flickr
  • 28. 3. análise de referencial
  • 29. ZINDER Imagem 12: Centro Cultural Zinder Fonte: Archdaily
  • 30. Figura5. Localização Geografica Fonte: Google / adptado pela autora Figura6. Planta de Localização Fonte:Archdaiy Figura7. Viário antes da intervenção Fonte:Google/adptado pela autora Figura8. Implantação e desvio de Fluxo Fonte:Google/Adaptado pela autora 2.1 CENTRO CULTURAL ZINDER O Centro Cultural Zinder, localizado na cidade do Tiel na Holanda (Figura 5), foi projetado pelo escritório De Zwarte Hond em 2012 e finalizado somente em 2017. Localizado entre o centro histórico da cidade e o Rio Wall (Figura 6) , o edifício foi concebido com o intuito de impulsionar a cultura e o turismo da cidade. A edificação possui área total 22.500m², porém é dividia em três núcleos que podem funcionar de formas independentes: Biblioteca, Educacional, Estacionamento. A biblioteca possui aproximadamente 4.000m² e o educacional 4.500m². A maior ocupação desse edifício pertence o estacionamento, com 14.000m², sendo que o mesmo atende também a edifícios do entorno, aos visitantes do Rio Wall e do Centro Histórico e aos eventos que ocorrem nas proximidades. Esse projeto foi definido como referencial por uma extensão de critérios. A escala, que se aproxima do que se tem a propor para o Centro Cultural de Farroupilha, ajuda a compreender a dimensão dos espaços. O programa, possuindo uma biblioteca pública, auditório, sala de ensino do campo cultural (dança, música, arte, literatura, artes visuais, patrimônio), espaços de exposição específicos e ao longo das circulações, cafés e espaços para convívio público. E a intervenção urbanística (Figura 7), onde foi preciso propor melhorias viárias no entorno e cria-se um acesso ao estacionamento no canteiro central, entre as vias públicas. Dessa forma, se miniminizou os possíveis congestionamentos na entrada e saída do edifício em dias de grandes fluxos. Rechtbankstraat Nieuwe Tielseweg Holanda / Tiel Tiel / Zinder CulturalEuropa/ Holanda Centro Histórico Rio Wall 30
  • 31. Figura9. Acesso veículo de passeio Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora Figura10. Corte Transversal Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora Figura11. Esquema Volumétrico Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora Figura12. Planta Baixa Subsolo -1 Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora O edifício foi implantado (Figura 8) nos limites sul e oeste do lote de modo que se aproxima das vias principais de acesso. O deslocamento do volume Educacional (Figura 11), relê a topografia natural do lote e replica na forma em que o programa e o os níveis dos pavimentos são dispostos na edificação. O acesso de veículos (Figura 12) de passeio acontece no nível térreo levando aos subsolos de estacionamento pela Rechtbankstraat 1. O acesso para descarga acontece Nieuwe Tielseweg, meio nível abaixo. Nível de acessoVeículos passeio Nível de acesso Veículos descarga Linha de piso Estacionamento Circulação Biclioteca Educacional Educacional 31
  • 32. Figura13. Planta Baixa Térreo Fonte:Archdaily/ Adaptado pela autora Figura14. Planta Baixa 1º pav Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora O edifício pode ser acessado diretamente nos blocos da biblioteca e do centro de artes pela praça ou através da circulação central (Figura 15) que une os dois volumes. A circulação horizontal acontece de forma periférica no térreo e no segundo pavimento da biblioteca. Nos demais ela é centraliza em suíte e em todos pavimentos a circulação está explicita na composição. Os usos são setorizados por pavimento e volumes. O térreo dos dois blocos são mais receptivos ao convívio social, na biblioteca com o café e no centro de artes com a larga circulação onde acontecem algumas exposições. Os dois pavimentos seguintes são mais reservados, com espaços de estudo na biblioteca e salas de ensino no centro de artes. O bloco da biblioteca foi disposto ao norte do lote, sendo que o programa não comporta insolação direta. No centro de artes as salas de ensino estão no perímetro do pavimento, aproveitando a insolação em todos os horários. No térreo, a circulação periférica desloca o auditório para dentro, pois este dispensa insolação natural. Figura15. Acesso Principal Fonte:Archdaily X XX XX XX XX X 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X X XX XX XX X X X SALA DE DANÇA SALAS DE ESTUDO SALAS DE ENSINO BIBLIOTECA SHAFTS AUDITÓRIO CIRCULAÇÃO CAFÉ / SOCIAL ÁREAS DE HIGIÊNE ÁREAS DE APOIO CIRCULAÇÃO VERTICAL 32
  • 33. Figura16. Planta Baixa 2º pav Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora Figura17. Adição de Volumes Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora Compreende-se como uma deformação paramétrica o formato do bloco da Biblioteca, enquanto o volume do Educacional s é gerado a partir da organização em planta baixa. O partido arquitetônico como um todo, possui tipologia aditiva (Figura 17) com tratamento subtrativo em algumas partes. Percebe-se as subtrações (Figura 18) nas marcações das janelas e o terraço do volume da biblioteca e no pavimento térreo do Centro de Artes. O centro de artes recebe na fachada instalação de painéis de alumínio anodizado dourado em formato de origami, o que reforça a intenção de tornar a cultura um marco na cidade. A biblioteca pública, recebe aplicação de pedra natural na fachada, com caráter mais sóbrio afim de se aproximar da arquitetura local. As esquadrias douradas fazem a comunicação entre os dois blocos. A caixa de vidro centralizada marca o acesso principal ao edifício e empondera a escadaria revestida em madeira que conecta os volumes. Figura18. Subtração de partes Fonte:Archdaily/Adaptado pela autora XXXXX 1,5X 1,5X 1,5X 1,5X X X X X X 33
  • 34. Figura20. Ritmo Fonte:Archdaily/adptado pela autora A fachadas possuem predominância de cheios, apresentando vazios (Figura 16) em panos e nas arestas da edificação. Tanto os vazios, quanto o revestimentos, segue uma modulação. O volume da biblioteca chega apresentar ritmo (Figura 17) nas esquadrias, onde se interrompe em alguns momentos no pavimento térreo. O volume do centro de artes possui repetição, mas não chega ser aplicado o conceito de ritmo. A estrutura de concreto armado possui organização em grelha, grande parte é independente e recuada do fechamento (Figura 18), havendo alguns pontos onde a alvenaria tem função autoportante. A edificação possui cobertura plana, onde recebeu instalação de 240m² de painéis solares para abastecimento de energia e controle de temperatura no interior do edifico. Aedificaçãoatendeplenamenteaoseusobjetivos,proporcionando cultura e lazer para a população, agregando valor econômico com o turismo local e sendo lembrada pela sua arquitetura particular. Figura19. Ritmo / Cheios e Vazios Fonte:Archdaily/adptado pela autora Figura21. Estrutura Fonte:Archdaily/adptado pela autora 34
  • 35. Imagem 13: Centro Cultural Zinder Fonte: Archdaily
  • 36. FERNANDO BOTERO Imagem 14: Biblioteca Parque Fernando Botero Fonte: Archdaily
  • 37. América do Sul/ Colômbia Colômbia/Medellin Medellin/San Cristobal Figura22. Localização Geográfica Fonte:Google/adptado pela autora Figura23. Implantação Fonte:Archdaily/adaptado pela autora Figura24. Acessos Fonte:Google/adaptado pela autora Figura25. Topografia Fonte:Archdaily 3.2 BIBLIOTECA PARQUE FERNANDO BOTERO A vila de San Cristobal, situa-se na cidade de Medellin na Colômbia em uma região com características rurais e de topografia ingrime, o que não permitiu que fossem disponibilizadas muitas áreas de lazer para os moradores. A população predominantemente de baixa renda, quase em sua totalidade, nunca teve oportunidade de ter contato com equipamentos culturais. A construção da Biblioteca Parque em 2011, projetado pelo arquiteto Orlando Garcia, fez parte de um plano de revitalização da vila rural, com o objetivo de atender a comunidade e proporcionar acesso a atividades e serviços culturais. O projeto foi muito bem visto pela população e sua apropriação foi tão intensa, que os próprios usuários solicitaram que o edifício recebesse o nome de um dos mais importantes artistas da Colômbia, Fernando Botero. O edifício de aproximadamente 5.000m² construido, teve custo total da obra estimado em R$ 17,5 milhões (conversão na cotação atual do euro). Levar a cultura a essa região que a muito não entrava nos grandes projetos de políticas públicas, tornou-se um marco de mudança social. Apopulaçãopassouacuidarmelhordasfachadas das residências próximas, obtiveram grande melhora na qualidade de vida, novos negócios surgiram nas proximidades. A composição espacial se fez elemento determinante nessa escolha, apesentando organização dinâmica e legível. Figura26. Maquete Centro Cultural Fonte:IIT Architecture H E P 37
  • 38. Figura27. Planta Baixa primeiro pavimento Fonte:Archdaily Figura28. Corte Transversal Fonte:Archdaily/adaptado pela autora Devido a topografia íngreme e ruas estreitas, a circulação de veículos se torna caótica. Percebesse que o acesso por pedestres é priorizado a chegada por pedestres, pois poucas vagas de estacionamento são disponibilizadas em frente ao edifício. O terreno montanhoso condicionou a implantação do volume retangular robusto de forma a tirar partido (Figura 25). Dois níveis de acessos foram criados. Um ao sul, adentrando em um grande hall no primeiro pavimento (Figura 27), e outro ao norte, que dá acesso a um eixo de circulação que distribui fluxos de serviços no segundo pavimento (Figura 19). A cidade está localizada no hemisfério norte, muito próximo à linha do equador, dessa forma, a incidência solar nas fachadas norte e sul ocorrem no solstício de verão e solstício de inverno, respectivamente. Devido a isto, as aberturas da biblioteca foram disposta na fachada sul e leste, a qual recebe insolação apenas no início da manhã. Para aproveitar a luz natural na maior parte do ano , foram criadadas clarabóias (Figura 30) na cobertura com proteção opaca (Fgura 31). Assim se usufrui da luz natural sem isidencia solar. A setorização dos espaços se dá através de núcleos de serviços que se estendem em ambos pavimentos. Fica explicito no projeto um setor educacional com salas de aula, outro composto pelo auditório e os ambientes que o complementam. Um núcleo central de acessos com corredores e passagens que dão espaços x4x 3x 3x 4x 2x 2x 2x 2x 5x7xx x x x x xx x x x x x x x x x x x x 38
  • 39. Figura29. Planta Baixa segundo pavimento Fonte:Archdaily Figura30. Esquema Clarabóia Fonte: IIT Architecture Figura31. Clarabóia Fonte:Archidaily para áreas de exposição temporária. Do outro lado estão dispostos os ambientes que compõe o setor de biblioteca e computação. Nesse setor há uma interrupção no pavimento térreo onde se implanta o administrativo. Um pavimento semienterrado abriga a área técnica, abaixo da biblioteca. As circulações favorecem a autonomia dos setores, pois permite que sejam acessados individualmente. Na maior parte do projeto a circulação horizontal acontece de forma periférica, tanto ao edifício, quanto à vazios centrais. Possui também circulação centralizada nos núcleos de salas de aula e salas de computação A organização espacial em grelha segue uma malha bem definida, sofrendo redimensionamento dos espaços baseado no menor módulo. A estrutura de convencional de vigas e pilares ocultas na alvenaria de vedação, destacam a malha rígida empregada. AUDITÓRIO BIBLIOTECA ESCOLA MÚSICA ESPAÇO DE EXIBIÇÃO CAFÉ ÁREA TÉCNICA CIRCULAÇÃO HORIZONTAL CIRCULAÇÃO ACESSO PRIMEIRO PAV ACESSO SEGUNDO PAV CIRCULAÇÃO VERTICAL SALAS DE OFICINAS SALAS DE COMPUTAÇÃO ADMINISTRATIVO/APOIO SANITÁRIOS SALAS DE DANÇA E P H ESCOLA PARQUE HOSPITAL CENTRO COMERCIAL FLUXO PRINCIPAL VEÍCULOS FLUXO SECUNDÁRIO VEÍCULOS ROTAÇÃO SOLAR VERÃO ROTAÇÃO SOLAR INVERNO x4x 3x3x 3x 4x 5x2x 4x 5x9xx x x x x x x x x x x 39
  • 40. A materialidade em pedra natural preta predomina no interior e exterior na edificação, criando uma unidade visual. A modulação vista em planta baixa se repete na fachada sul, criando e jogo de cheios e vazios. A concepção volumétrica parte do princípio de fazer uma releitura da textura urbana, que apresenta edificações marcadas pelos vazios das janelas, traduzidas pelo arquiteto como perfurações na cidade. A fachada norte retem a mesma modulação no revestimento, porém predomina as áreas fechas por conta da insolação. Apesar do ritmo aparente na modulação dos revestimentos, os vazios não se configuram com a mesma Christiane. Em função do clima tropical da cidade, são criados microclimas com jardins internos nas perfurações. A edificação que lembra quase um volume maciço em escala muito superior das edificações do entorno, possui uma boa relação a vizinhança e paisagem. Além de atender com êxito à proposta de promover a cultura em uma comunidade de baixa renda. Figura32. Cheios e Vazios Fonte:Archdaily/adaptado pela autora Figura33. Modulação fachada Fonte:Archdaily/adaptado pela autora Figura34. Interior do edifício Fonte:Archdaily Figura35. Perfurações /Conceito arquiteto Fonte:Archdaily 40
  • 41. Imagem 15: Biblioteca Parque Fernando Botero Fonte: IIT Architecture
  • 42. ROBERTO GRITTI Imagem 16: Centro Cultural Roberto Gritti Fonte: The Plan
  • 43. Figura36. Localização Geográfica Fonte:Google/adptado pela autora Figura40. Fachada noroeste Fonte: The Plan Europa/Itália Itália / Ranica Ranica / Roberto Gritti Figura37. Implantação Fonte:The Plan/adaptado pela autora 3.3 CENTRO CULTURAL ROBERTO GRITTI O centro cultural Roberto Gritti foi projetado pelo escritório de arquitetura DAP estúdio em Parceria com a arquitetra Paola Giaconia, em 2010. Localizado na comuna de Ranica, em Bérgamo na Itália, o edifício de 2.300m² atende a uma demanda que existia na comunidade de aproximadamente 5.800 habitantes. O custo total da obra foi estimado em R$ 16,5 milhões (conversão na cotação atual do euro). A intenção de referenciar as praças italianas e o valor cívico dos edifícios públicos, é expressada na criação de mini praças dentro dos ambientes, criando relação entre interior e exterior. O projeto compõe espaços funcionais e versáteis, criando caminhos e ambientes que só podem ser compreendidos adentrando a edificação. O lote em L dispoõe a edificação no eixo nordeste - sudoeste, criando à sudeste uma praça pública. O programa é composto pela biblioteca com 850m², jardim de infância com 370m², auditório de 230m²m escola de dança e teatro de 310m², bar de 50m² e o estacionamento de 450m² A definição desse referencial se deu em função do conceito de espaços empíricos trazido pelos arquitetos. Os espaços funcionais e ao mesmo tempo com valor arquitetônico, esclarecem que um centro cultural deve ter um programa que promova a vitalidade da edificação e atenda às necessidades da comunidade, bem como provocar sensações e experiências únicas aos usuários. Figura39. Praça em frente ao edifício Fonte:The Plan Figura38. Acessos Fonte:Google/adaptado pela autora ACESSO PEDESTRES ACESSO VEÍCULOSROTAÇÃO SOLAR INVERNO 43
  • 44. Com topografia de pequenos desníveis, o edifício está implantado acima do nível da rua, criando se acessos rampeados para pedestres e veículos e um jogo de níveis entre pisos no interior do edifício. Os arquitetos defendem que diferentes elevações provocam impressões visuais diversas. Os acesso acontecem em diversos pontos e de formar indivíduais, permitindo a autonomia dos setores. Um eixo central de circulação subdivide os setores e conceta os ambientes, distribui os flucos verticais e horizontais. A disposição dos ambientes destoa do costumeiro. As salas de ensino são posicionadas ao norte, onde não possui incidência solar, no entanto apresentam poucas aberturas de janelas, recebendo iluminação natural pelo vazio gerado pelo jardim interno. Ao sul, a biblioteca (Figura 43) que se dá nos dois pavimento, as aberturas envidraças são protegidas pela faixa de policarbonato (Figura 44) que engloba o pavimento superior. Figura41. Planta baixa térreo Fonte:The Plan Figura42. Planta Baixa segundo pavimento Fonte:The Plan Figura43. Vista da escada e jardim da biblioteca Fonte:The Plan 44
  • 45. Figura45. Corte Fonte:The Plan/Adaptado pela autora A organização espacial é regida por alguns alinhamentos criados a partir dos jardins internos que ora se perdem em função do programa. Nota-se uma repetição de alinhamentos a cada 1 metro aproximadamente, porém os ambientes são dispostos de forma que se adeque ao que rege o programa. Essa caracteristica é percebida em conceitos da arquitetura contemporânea, onde o que define a organização e concepção do projeto, não são preceitos ou relações formaos, mas o programa em si e as sensações que irá gerar ao para o usuário. AUDITÓRIO BIBLIOTECA CAFÉ ESTACIONAMENTO CIRCULAÇÃO HORIZONTAL CIRCULAÇÃO VERTICAL JARDIM DE INFÂNCIA SALAS DE DANÇA E TEATRO Figura44. Vista externa da biblioteca Fonte:The Plan 45
  • 46. Figura47. Ritmo / Cheios e Vazios Fonte:The Plan/adptado pela autora Figura48. Materialidade Fonte:The Plan/adptado pela autora Figura46. Vazios Fonte:The Plan/adptado pela autora A representação gráfica e a composição de materialidades do edifício deixam a entender o uso misto de estrutura convencional de concreto no corpo do edifício, escadaria e rampa, e estrutura metálica na sustentação do elemento arquitetônico do pavimento superior. O edifício é um composto de cheios e vazios, tanto em volumetria quanto em materialidade. O térreo apresenta fachada menos densa, com muitas aberturas em vidro, de forma a se abrir para a comunidade como um convite para entrar. Opavimentosuperiorétodoencobertopelofechamentomulticolor e semi opaco, demarcando a importância do programa e criando provocações através das silhuetas dos usuários que transparecem na fachada. As intenções do projeto são evidenciadas ao esmiuçar sua composição e funcionalidade, tornando essa construção um modelo de Centro Cultural atendendo a eficiência e civismos pretendidos. 46
  • 47. Imagem 17: Centro Cultural Roberto Gritti Fonte: The Plan
  • 48. O projeto surge do princípio de aumentar o interesse à cultura pela população e tornar a cidade e um ponto turístico em função da cultura e histório local. ZINDER FERNANDO BOTERO ROBERTO GRITTI O edifício buscou se destacar em volumetria e m a t e r i a l i d a d e , tornando um ícone da cidade, mas cria algumas releitura de aberturas das residencias históricas A organização espacial se dá atraves de um eixo de circulação que distribui os fluxos internos, mas permite autonomia dos setores com acessos individuais. CONCLUSÃO Apesar da área total da terceira edificação ser inferior aos dois primeiros, se assemelham muito em pré dimensionamento dos ambientes, o que se torno fundamental para a concepção do partido arquitetônico. Os três referenciais possuem a mesma estratégia de criar um eixo central de circulação que separa setores e funções do edifício. O que se difere é que nos dois primeiros o acesso se dá centralmente e individualmente, enqunanto o terceiro pontualemente nos ambientes e se conceta no centro. Isso demonstra estratégias distintas quando a experiências que o usuário tera no decorrer dos espaços. Os projetos contribuiram ainda para compreensão de organização estrutural e relações de fachada conforme as atividades exercidas, em destaque aos dois últimos projetos que influenciaram em decisões de alternativas de captação de luz natural. O objetivo desse projeto era inserir uma comunidade de baixa renda no contexto cultural, nunca antes acessado pela maior parte da população. São criadas relações com o entorno, através da releitura dos vazios existentes nas fachadas das residências. O acesso central bem demarcado tem a função de separar os setores e criar espaço de inteiração, não tirando a autonomia dos setores Atender a demanda da comunidade que necessitava de espaços culturais e educacionais, foi o ponto de partida para a concepção do edifício O edifício tira partido da altura das edificações se fundindo do entorno, mas possui conceito forte em criar experiências únicas aos usuários Os diversos acessos se dão diretamente nos ambientes de interesse e se convergem em um eixo central que distribui esses fluxos QUADRO COMPARATIVO 48
  • 49. 4. ETAPA DE PLANEJAMENTO
  • 50. Figura49. Localização Geográfica Fonte:Autora LOCALIZAÇÃO O local definido para implantação do Centro de Cultural localiza-se no centro da cidade de Farroupilha, na região do Largo Carlos Fetter. Esse local deu inicio ao núcleo urbano da cidade, está localizado em frente aos trilhos e há poucos metros da Estação Férrea. A cidade possui seus principais polos turísticos e culturais vinculados à cultura italiana, tanto em arquitetura, religião e produção agrícola. O terreno já é consolidado em eventos e atividades culturais da cidade, sendo que os lotes são de posse do município. BRASIL RS FARROUPILHA CAXIAS DO SUL BENTO GONÇALVES GARIBALDI PORTO ALEGRE RUABARÃODO RIOBRANCO RUAMAL.DEODORO DAFONSECA RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO AV JÚLIO DECASTILHOS AV.PEDROGRENDENE RUA CEL. PENA DE MORAES RUA NATALY VALENTINI RUA NATALY VALENTINI 50
  • 51. Figura50. Vista 1 - Estação Férrea Fonte:Autora Figura51. Vista 2 - Tipologia edificações Fonte:Autora USO DO SOLO O entorno da edificação apresenta grande diversidade de usos, mas identifica-se a predominância de atividades comerciais e prestação de serviço. A região não apresenta regramento nas tipologias construtivas, ao que se refere a materialidade, altura, volumetria ou caracteristicas arquitetônicas. O lote situa-se entre pavilhos, edificios em altura, residências e elementos urbanisticos que remetem a história da cidade. Figura52. Mapa Uso do solo Fonte: Autora 1 2 RUABARÃODO RIOBRANCO RUAMAL.DEODORO DAFONSECA RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO AV JÚLIO DECASTILHOS AV.PEDROGRENDENE RUA CEL. PENA DE MORAES RUA NATALY VALENTINI BAIRRO IMIGRANTE BAIRRO CENTRO BAIRRO PLANALTO BAIRRO DO PARQUE BAIRRO VOLTA GRANDE BAIRRO 1º DE MAIO RUA NATALY VALENTINI 51
  • 52. Figura54. Nó viário Fonte:Autora Figura55. Vista 1 - pavimentação da Rua Nataly Valentini Fonte:Autora Figura53. Mapa Hierarquia Viária Fonte:Autora HIERARQUIA VIÁRIA O lote de esquina está situdo entre duas vias arteriais. A Rua Barão do Rio Branco é a via de acesso principal à cidade pela RS 453, sendo que ao lado do lote, esta se junta à Av. Pedro Grendene, a qual também é via de acesso importante através da RS 122. Um nó viário distribui esse fluxo para outra via arterial, que passa paralelamente a linha ferroviária desativada. Ao contrário das vias do entorno que possuem asfaltamentto, essas são pavimentadas com paralelepípedo e não possui área demarcada para passeio público, por isso tem menos fluxo de veiculos e pedestres. Atualmente tem sido utilizada principalmente para estacionamento de trabalhadores do entorno. 2 RUABARÃODO RIOBRANCO RUAMAL.DEODORO DAFONSECA RUAMAL.FLORIANOPEIXOTO AV JÚLIO DECASTILHOS AV.PEDROGRENDENE RUA CEL. PENA DE MORAES RUA NATALY VALENTINI BAIRRO IMIGRANTE BAIRRO CENTRO BAIRRO PLANALTO BAIRRO DO PARQUE BAIRRO VOLTA GRANDE BAIRRO 1º DE MAIO RUA NATALY VALENTINI 1 52
  • 53. CHEIOS E VAZIOS A análise de cheios e vazios demonstra a existência lotes disponíveis para edificar no entorno. Conforme se aproxima da núcelo comercial no centro da cidade ao norte, percebe- se maior densidade construtiva, onde o IA é 5. Nas demais situações onde o se aproxima dosbairrosresidenciasadensidadeéinferior,com mais áreas permeáveis. Além do lote de estudo, existem mais duas área de domínio público na área analisada. As edificaçõs predominam com alturas de 1 a 3 pavimentos, exceto pelos edificios de uso misto que possuem torres mais elevadas. LOTE DE ESTUDO LOTES PÚBLICOS Figura56. Lote público em frente ao sítio Fonte:Autora Figura57. Densidade do entorno Fonte:Autora Figura58. Mapa Fundo Figura Fonte:Autora AV JÚLIO DECASTILHOS BAIRRO IMIGRANTE BAIRRO CENTRO BAIRRO PLANALTO BAIRRO DO PARQUE BAIRRO VOLTA GRANDE BAIRRO 1º DE MAIO 2 1 53
  • 54. Figura59. Vista da esquina do lote Fonte:Autora Figura60. Vista da frente do lote Fote:Autora Figura61. Mapa Condicionante Ambientais Fonte:Autora CONDICIONANTES FÍSICOS Como a grande parte da cidade de Farroupilha, o entorno do lote possui topografia com declives acentuados. A área utilizado pelo sítio no entando possui desnível de apenas 1 metro de um eixo a outro e está posicionado no ponto mais alto comprado as quadras adjacentes. As testadas do lote estão voltadas para as posições sudeste e sudoeste. Pelo fato de estar no nível superior às edificações construídas, é possível tirar partido da insolação em todas as posições, conforme a necessidade do programa. A predominância do ventos no período do inverso inverno vem do noroeste,e no verão do sudeste. 2 1 54
  • 55. CONDICIONANTES LEGAIS X – Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental: Zona Ambiental K – ZAK: caracteriza-se por ser área de interesse especial, onde poderão ser aprovados projetos de edificações com base nas normas urbanísticas do entorno, mediante apresentação de estudos aprovados pela CTPM e pelo CONCIDADE. ZAK Caracteriza-se por ser área de interesse especial. 360,00 m² 12,00 m 200,00 m V – Em ZAK deverá existir análise do CONCIDADE, com exceção das seguintes situações já definidas f) Na quadra 33 aplicar-se-á o regime urbanístico de ZAD também devendo ser respeitado 18,00m (dezoito metros) do eixo da Rede Ferroviária; Atividades permitidas: RURAL: residência unifamiliar isolada, condomínio residencial/ URB: Residência temporária/ CS: estabelecimento de recreação e lazer; restaurante, lancheira e similares; padaria e confeitaria; EUPP: equipamentos publico e privado/ EU: Análise especial (exceto para circos, parques itinerantes, exposição, feiras e eventos temporários Zona Ambiental A Zona Ambiental BC Zona Ambiental D Zona Ambiental E Zona Ambiental F Zona Ambiental G Zona Ambiental H Zona Ambiental I Zona Ambiental K Área Especial de Interesse Social - ZEIS Zona de Proteção Ambiental - ZPAN Zona Ambiental ZAD ZAK Uso Predominante Mista 1 Especial RA - Recuo Ajardinamento 4,00m Análise Análise Análise IA 1,5 TO 65% 55
  • 56. CORTES DO TERRENO Figura62. CORTE AA Fonte:Autora Figura63. CORTE BB Fonte:Autora Figura64. CORTE CC Fonte:Autora Figura65. CORTE DD Fonte:Autora A B A B D D C C Figura66. Marcação de cortes Fonte:Autora 56
  • 58. DIRETRIZES Os estudos e definições de partido foram embasados no entendimento da nova pragmática da arquitetura contemporânea, onde se tem criado espaços empíricos como locais de experimentação e versatilidade. A concepção pragmática não procura preceitos como a arquitetura modernista ou as relações formais com o entorno pós modernista. Trata-se de compreender a concepção dos espaços como resultado do programa, das forças e energias que provocarão experiências aos usuários. O hedonismo se torna o componente substancial para a realização arquitetura em seu êxito. A tecnologia de softwares que permitem ler e entender a cidade com um elemento tridimensional abre campo para o desenvolvimento da arquitetura diagramática, o que coloca em voga a aplicação de objetos arquitetônicos icônicos, com planos oblíquos e fragmentados. A proposta defende a identidade singular de cada indivíduo, uníssona ao programa distinto desenvolvido na edificação, sendo assim, forçar relações formais com as contruções do exterior se torna incoerente. 58
  • 60. PROGRAMA DE NECESSIDADES SETOR AMBIENTE ÁREA Recepção 10 Sala De Espera 10 Deposito De Instrumentos 20 Sala De Professores 20 Aula De Musica 30 Aula De Instrumentos 30 Aula De Canto E Coral 30 S.M. De Ensaio Em Grupo 60 S.M. Ensaio Individual 30 Sala De Dança 1 60 Sala De Dança 2 60 Sala De Oficina 1 60 Sala De Oficina 2 60 Vestiário+Lavabo Feminino 15 Vestiário+Lavabo Masculino 15 510 Áreas Exposição 1500 1500 Auditorio Plateia 12x9 + Palco 7x8 300 Anticamara 50 Sonoplastia 10 Chapelaria 15 Foyer 100 Camarim C/ Banheiro 40 Bilheteria 5 Deposito 10 530 EDUCACIONAL ARTES AUDITÓRIO SETOR AMBIENTE ÁREA Espaço De Leitura Adulto 150 Espaço Leitura Infantil 100 Sala De Estudo Individual 50 Salas De Estudo Em Grupo 150 Sala De Informatica 70 520 Café 15 Deposito 5 Papelaria 50 Copiadora 50 Area De Estar 100 220 Sala Diretoria 15 Sala De Reuniao 15 Salas De Atendimento 15 Almoxarifado 15 60 Sala De Geradores 30 Reservatorios 50 Depositos 50 Elétrica 20 Gás 20 Central Ar Condicionado 60 230 Estacionamento 1500 1500 5070 AREA TECNICA SUBSOLO TOTAL BIBLIOTECA APOIO ADMINISTRATIVO Tabela 1 - Programa de necessidades 60
  • 61. EDUCACIONAL ARTES AUDITÓRIO BIBLIOTECA APOIO ADMINISTRATIVO ÁREA TÉCNICA ESTACIONAMENTO AMBIENTES DE INTERESSE CULTURAL PRÉ DIMENSIONAMENTO CONFORME PROGRAMA E CONDICIONANTES. CENTRO DE ARTES COMO ESPAÇO DE CONEXÃO ENTRE SETORES A partir disso, foi desenvolvido um programa de necessidades com base nas referências analisadas anteriormente, onde foi possível compreender a área ocupada para os ambientes de cunho cultural. Foram organizados em volumes conforme pré-dimensionamento e limitantes construtivos. O que corresponde ao setor de artes, foi entendido como um elemento que fará a conexão entre os outros três setores, tendo também a função de circulação, o que tornará os espaços versáteis e dinâmicos. O setor educacional foi elevado, liberando a parte central do térreo afim de criar um espaço coberto onde acontecerão atividades com maior interação social. A biblioteca foi disposta no limite sul, sendo que o programa necessita de iluminação natural, mas não comporta insolação direta e ao norte, o volume do auditório. 61
  • 62. DIAGRAMA DE VOLUMETRIA Os dois principais acessos a cidade se dão através da via situada a direita do lote, onde se convergem em um nó viário gerando grandes fluxos de energia na edificação. A fachada norte da edificação recebe influências visuais vinda da linha ferréa desativa, onde será proposta a revitalização. A rotação dos volumes acompanha o fluido urbano, por questões topográficas o volume inferior recepciona os usuários vindos do sul e o volume superior aos do leste. De forma a marcar o acesso principal à edificação, é aplicada uma força horizontal criando um balanço no eixo central. O volume que abriga o auditório tira partido da inclinação gerada pelo programa, a qual reflete na sua volumetria. Figura67. Diagramas de Volumetria Fonte:Autora 62
  • 63. Figura68. Vista da rua e área que receberá revitalização Fonte:Autora Figura69. Vista Estação férrea desativada na situação atual Fonte:Autora Figura70. Vista da via de acesso sul à cidade - Avenida Pedro Grendene Fonte:Autora Figura71. Vista da via de acesso nordeste’ à cidade - Rua Barão do Rio Branco Fonte:Autora 63
  • 64. Figura72. Implantação geral Fonte:Autora implantação O edifício foi implantado de forma centralizado ao terreno, respeitando os afastamentos previsto na legislação. Criou-se uma rua aos fundos, liberando o lote do restante da quadra afim de reforçar o tratamento de edifício ícone proposto. Nesse local acontecerá o acesso de veículo ao estacionamento e para descarga de equipamentos e utensílios. 64
  • 65. planta baixa Figura73. Plantas Baixas Fonte:Autora A PAVIMENTO TÉRREO PRIMEIRO PAVIMENTO A A’ B C D E F G H I J K 1 2 A A’ A B C D E F G H I J K 1 2 A A’ A B C D E F G H I J K 1 2 O acesso principal ao edifício se dá através de uma abertura no eixo central, que adentra o primeiro nível do espaço cultural. Nessa praça central se propõe atividades cívicas com objetivo de tornar um ponto de encontro social. Essa grande circulação possui caráter versátil, onde se funde com as áreas de exposição e pode servir de plateia para apresentações no auditório que possui palco reversível. Esse pavimento é composto ainda por um núcleo de apoio e serviços e o setor administrativo e um jardim interno que captam iluminação natural. A biblioteca que ocupa dois pavimentos do edifício, pode ser acessada externamente ou pela circulação interna, em ambos pavimentos. No segundo pavimento acontecesse o acesso ao auditório e a circulação central se funde ao foyer e permite que se torne outro espaço voltado para a arte. A antecamara do auditório possui vista privelegiada para a praça que se cria revitalizando a antiga linha férrea O último pavimento situa o setor educacional, local onde se distribui cultura e produz identidades culturais. Nesse também é criado uma área de contemplação com vista privelegiada para ambos acessos da cidade. Foi adotado a estrutura metálica como sistema estrutural, com fechamentos em steel frame, garantindo o máximo conforto térmico e acústico e caracteristicas mais sustentáveis ao projeto. A disposição da estrutura se dará através de eixos gerados pelas rotações dos volumes, atendendo a especificações da técnica construtiva. SEGUNDO PAVIMENTO 65
  • 68. No decorrer desse trabalho, foi observado a relevância de abordar o tema cultura, pois é reforçado o entendimento de que divulgar e inserir as comunidade em atividades culturais tem efeitos satisfatórios quanto a inclusão social e ao respeito pelas diversidades. A criação de espaços que permitam a permeabilidade da sociedade a esse meio deve ser levado como prioridade e com seriedade. Conceber edifícios de cunho cultural envolve muito mais do que apenas atividades voltadas para esse objetivo. A vitalidade desses espaços dependem do envolvimento da comunidade, para isso é necessário a criação de um programa amplo, que atenda as necessidades e realidade locais, afim de atrair os indivíuos e fazer com que estes sintam-se pertencentes e envolvidos ao meio. O projeto arquitetônico tem grande influência na satisfação dos resultados, sendo esta responsável por promover espaços úteis e versáteis que poderão provocar sensações e experiências distintas a cada indivíduo. Essa pesquisa buscou embasar conhecimentos culturais e arquitetônicos que pudessem ser aplicados em um projeto de Centro Cultural, afim de atender a eficiência e a multifuncionalidade que se necessita e julga adequada para esses locais, assim como criar relações entre interior e exterior com objetivo de vincular o pertencimento da população quanto a sua cidade, história e cultura. 68
  • 70. 7.1 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ARCHDAILY. Biblioteca parque Fernando Botero. Disponível em: <https://www. archdaily.com/278998/fernando-botero-park-library-g-ateliers-architecture>. Acesso em: 10 maio 2018 ARCHDAILY. Centro Cultural Zinder / De Zwarte Hond. Disponível em: <https:// www.archdaily.com/882886/zinder-cultural-center-de-zwarte-hond>. Acesso em 09 maio 2018 ATLAS Brasil. Dísponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/>. Acesso em: 19 fev. 2018 ATLAS Socioeconômico. Dísponível em: < http://www.atlassocioeconomico. rs.gov.br/inicial >. Acesso em: 19 fev. 2018 AVAX NEWS. Disponível em: <http://avax.news/>. Acesso em: 08 maio 2018 COELHO, Teixeira. Usos da cultura: políticas de ação cultural. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. 124p. DE ZWARTE HOND. Zinder. Disponivel em: <https://www.dezwartehond.nl/ projecten/zinder>. Acesso em: 08 maio 2018 ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL. Disponível em: <http://www. estacoesferroviarias.com.br/rs_linhaspoa/farroupilha.htm>. Acesso em 02 mai 2018 FLICKR. Disponível em <https://www.flickr.com/photos/farroupilha/albums>. Acesso em: 19 fev. 2018 GOOGLE. Disponível em: < https://www.google.com.br/>. Acesso em: 19 fev. 2018 IIT Architecture Chicago. Fernando Botero Library Park. Disponível em: <https:// arch.iit.edu/prize/mchap/selected-works/project/fernando-botero-library- park> Acesso em: 18 maio 2018 KUPER, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Barueri: EDUCS, 2002. 319 p. ISBN 8574601462. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Zahar, 2001. MILANESI, Luís. A casa da invenção: biblioteca centro de cultura. Ateliê Editorial, 1997. NEVES, Renata Ribeiro. “Centro Cultural: a Cultura à promoção da Arquitetura.” Centro Cultural a Cultura à promoção da Arquitetura, Goiânia 1.5 (2013). ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. In: Cultura brasileira e identidade nacional. Brasiliense, 1985. PNDU Brasil. Dísponível em: < http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/ home.html >. Acesso em: 19 fev. 2018 PREFEITURA MUNICIPAL DE FARROUPILHA. Dísponível em: <http://farroupilha. rs.gov.br/>. Acesso em: 19 fev. 2018 PROGRAMA NACIONAL DA CULTURA. Dísponível em: <http://pnc.cultura. gov.br/>. Acesso em: 19 fev. 2018 RAMOS, Luciene Borges. Centro Cultural: Território privilegiado da ação cultural e informacional na sociedade contemporânea. ENCONTRO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA, v. 3, 2007. SERRANO. Daniel Portillo. Teoria de Maslow- A Pirâmide de Maslow.2011. Disponível em:< http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/maslow.htm>. Acesso em 19 fev. 2018 THE PLAN. Dísponível em: < https://www.theplan.it/eng/webzine/italian- architecture/roberto-gritti-cultural-center-ranica-bergamo >. Acesso em: 19 fev. 2018 70