A família do surdo

5.566 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
  • Seja o primeiro a comentar

A família do surdo

  1. 1. A FAMÍLIA DO SURDO (depoimento de uma mãe ouvinte) Clélia Regina Ramos Editora Arara Azul Campo Grande, outono de 2011
  2. 2. NASCE O ESPERADO BEBÊ! <ul><li>Menino ou menina? </li></ul><ul><li>Tem 5 dedinhos nas mãos e pés? </li></ul><ul><li>Não tem nada fora do lugar? </li></ul><ul><li>VIDA QUE SEGUE, ESTÁ TUDO PERFEITO! </li></ul>
  3. 3. DEPOIS DE UM ANO ... <ul><li>Come de tudo. </li></ul><ul><li>Dorme bem (até quando tem festa em casa...) </li></ul><ul><li>Esperto, alegre. </li></ul><ul><li>Mas chora quando a mãe some do seu campo de visão...hum, estranho. </li></ul>
  4. 4. COMEÇAM OS PALPITES. E A DESINFORMAÇÃO. <ul><li>Será que esse menino tem probleminha no ouvido? </li></ul><ul><li>Quando ele estiver dormindo bata palmas e veja se ele acorda. </li></ul><ul><li>Leva na pediatra (e ela diz que tem criança que amadurece a audição mais tarde...juro que ela disse isso!) </li></ul><ul><li>Alguém fala para levar na fonoaudióloga (que não era muito comum em 1986). Ela faz uns testes no consultório e já diagnostica surdez profunda. Nos próximos dois meses, consultas médicas, exames, a confirmação. </li></ul>
  5. 5. 90% a 95% das crianças surdas são filhas de pais ouvintes... <ul><li>MODELO MÉDICO DE SURDEZ </li></ul><ul><li>- uma “doença” que pode ser curada </li></ul><ul><li>MODELO CULTURAL DE SURDEZ (após 1960, com a comprovação científica que as línguas de sinais são línguas naturais) </li></ul>
  6. 6. ADIVINHEM COMO A FAMÍLIA REAGIU? <ul><li>“ Por que isso aconteceu com nossa família? Nunca tivemos esse tipo de coisa em nossa família antes.” </li></ul><ul><li>“ Vamos lutar e vamos superar.” (Eu escolhi esse time...achava que se eu me esforçasse bastante...) </li></ul>
  7. 7. ROTINA DA CRIANÇA SURDA <ul><li>Em centro urbano, com apoio do estado, condições financeiras razoáveis, família estruturada, etc. </li></ul><ul><li>Exames </li></ul><ul><li>Adaptação de próteses (incluindo dores de ouvido por ferimento, tampão de cera...) </li></ul><ul><li>Fonoaudióloga </li></ul><ul><li>Natação para respirar melhor, judô para controlar agressividade, psicopedagoga e por aí vai... </li></ul>
  8. 8. ISSO SEM FALAR NA ESCOLA.. <ul><li>Profissionais bem intencionados querendo “resolver o problema”. </li></ul><ul><li>Metodologias, experiências, reuniões. </li></ul><ul><li>O surdo sempre está em evidência. No caso do meu filho estava sempre mesmo... </li></ul><ul><li>“ Foi ele!!!” </li></ul>
  9. 9. MUDANÇA DE ROTA: LIBRAS EM NOSSAS VIDAS <ul><li>Por volta dos cinco, seis anos. </li></ul><ul><li>Minimamente oralizado. </li></ul><ul><li>Estrutura de linguagem pronta. </li></ul><ul><li>Contato com a Libras: suporte profissional e envolvendo a família. (PRIMEIRO PONTO A DESTACAR) </li></ul>
  10. 10. “ O SURDO É UM ESTRANGEIRO EM SUA PRÓPRIA CASA.” Carlos Sanchez <ul><li>SEGUNDO PONTO A DESTACAR: Não basta a língua...tem a cultura.... </li></ul><ul><li>Esforços familiares para se inserir e inserir o filho na Comunidade Surda. Como? </li></ul><ul><li>Espaços de convivência por faixa etária, social, econômica. Como? </li></ul>
  11. 11. ESCOLA: A LIBRAS É MAIS E NÃO MENOS! <ul><li>Escola de ouvintes: a “inclusão”NUNCA estará pronta e à espera do surdo. Cada surdo é diferente, cada grupo é diferente, a sociedade muda. </li></ul><ul><li>TERCEIRO PONTO A DESTACAR: construindo os espaços inclusivos. </li></ul>
  12. 12. FAMÍLIA OUVINTE x AMIGOS SURDOS <ul><li>90% a 95% dos surdos têm pais ouvintes... </li></ul><ul><li>Quantos destes já sabiam Língua de Sinais antes de seu filhos nascer? </li></ul><ul><li>Então sempre seremos “estrangeiros” para a comunidade surda, mesmo com muita vontade de aprender e de conviver com os surdos. </li></ul><ul><li>QUARTO PONTO A DESTACAR: É possível a convivência? </li></ul>
  13. 13. CLARO! BILINGUISMO PARA SURDOS E OUVINTES! <ul><li>Cursos de Libras desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, para surdos e ouvintes. </li></ul><ul><li>Associações de Surdos promovendo atividades em Libras. </li></ul><ul><li>Estado oferecendo suporte financeiro para projetos na área. </li></ul><ul><li>ETC, ETC.... </li></ul>
  14. 14. PROBLEMAS? <ul><li>Claro! Se a Libras passa a ser “falada” por muitos, e na sua maioria,“falantes” novatos, ela se fragiliza. </li></ul><ul><li>Portanto..a Gramaticalização da Libras precisa ser acelerada (pesquisas, formação de professores, dicionários, materiais traduzidos para a Libras, etc, etc, etc). </li></ul><ul><li>A luta pelo poder no seio da comunidade surda pode se acirrar. </li></ul>
  15. 15. COMO PODEMOS AJUDAR? <ul><li>Estar aqui hoje é um dos caminhos. Fortalecimento das ações “em favor da Libras”. </li></ul><ul><li>Troca de experiência, debates. </li></ul><ul><li>Diálogo constante com os profissionais que atuam junto aos nossos filhos. </li></ul><ul><li>Luta política em todos os espaços abertos (ACESSIBILIDADE ESTÁ NA MODA!) </li></ul>
  16. 16. FINALIZANDO: minhas frentes de batalha <ul><li>CAT/ Conselho Nacional de Tecnologia Assistiva ( www.direitoshumanos.gov.br/pessoas-com-deficiencia-1/conheca-seus-direitos ) </li></ul><ul><li>Editora Arara Azul ( www.editora-arara-azul.com.br ) </li></ul><ul><li>E ver o meu filho Toríbio se formar em Engenharia Automotiva pela ULBRA... </li></ul>
  17. 17. VALE A PENA, NÃO É?
  18. 18. CONTATOS <ul><li>Clélia Regina Ramos </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>24-2232-0016 </li></ul>

×