Português: Um Ensino Para o Letramento

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Palestra da Profa Liliana Martino

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  • Falar genericamente de competências e Habilidades; Mostrar que o que diferencia uma da outra é apenas o escopo da ação.
  • Explicar o uso de “língua materna” - ensinar português a falantes de português suscita a questão: para quê, o quê, como ensinar uma língua que os alunos já falam e já compreendem. A resposta a essa questão depende da concepção que se tem de língua, no processo de ensino .
  • Comentar a predominância da gramática no ensino da língua, ainda hoje; causas: a pesada tradição de séculos em que o ensino do português era, fundamentalmente, o ensino da gramática; o fato de gramática ser um conteúdo , o que torna mais fácil avaliar a aprendizagem; o fato de a clientela da escola ser constituída pelas camadas privilegiadas, que já sabiam usar a língua, restava-lhes conhecer o funcionamento dela – uma operação cognitiva em geral fora do alcance de crianças e jovens, tanto assim que, mal aprendiam/aprendem, logo esquecem.
  • Explicar as causas: desenvolvimento das ciências linguísticas e cognitivas evidenciaram que ensinar sobre a língua não conduz a habilidades e competências de uso da língua; compreensão de que no ensino básico, sobretudo no ensino fundamental, o que a sociedade e o mundo do trabalho demandam são indivíduos capazes de ler e escrever de forma adequada e pertinente e capazes de falar e ouvir de forma apropriada em situações formais de comunicação oral (em situações informais, aprendem de forma natural, dispensando ensino)
  • Esclarecer que, em princípio, cabe às primeiras séries do ensino fundamental desenvolver a alfabetização – o aprender a ler e a escrever, e às séries finais – 6ª a 9ª - desenvolver o letramento: as habilidades e competências de uso da língua escrita nas práticas sociais. No entanto, os dois processos são simultâneos (slides seguintes)
  • Lembrar que os alunos que recebem na 6ª série devem ter sido alfabetizados em contexto de letramento – por meio de textos reais, de diversos gêneros (os volumes anteriores da coleção desenvolvem a alfabetização em contexto de letramento). Alunos que chegam à 6ª série com o processo de alfabetização incompleto, como tem ocorrido entre nós, devem receber apoio para completar esse processo.
  • Mesmo nas séries finais – 6ª a 9ª - os professores ainda se ocupam da alfabetização, nas atividades de ortografia, que exigem a retomadas das relações fonema-grafema.
  • Esclarecer um ensino que tem como proposta o letramento: desenvolver as habilidades e competências para os usos da leitura e da escrita nas práticas sociais, que são situações de interação em que a língua escrita está envolvida.
  • Este slide é detalhados nos slides seguintes.
  • Explicar que o leitor interage (inter-age) com o autor por meio do texto, o autor interage com o leitor por meio do texto, o texto atua sobre leitor e autor. Discutir diferenças entre os alunos: de interesses, de conhecimentos prévios, de proveniência sociocultural; diversidade de textos: em diferentes suportes, com diferentes temáticas; diversidade de autores: quanto à época, aos pontos de vista, à visão de mundo...
  • O slide dá continuidade à explicação do objetivo da leitura (slide 11): são destacados duas estratégias para motivação para ler e atribuição de objetivo à leitura, a primeira neste slide, a segunda no slide seguinte – discutir a relação dessas unidades mostradas neste slide com os interesses de alunos de 6º ano (entre 10 e 12 anos)
  • Informar que todos os textos são precedidos de atividades de “preparação para a leitura”; mostrar e ler, nesta pág. do livro, as questões propostas aos alunos como preparação à leitura. Mais informações sobre “preparação para a leitura” na p. 13 de “Sobre esta coleção”, no Livro do Professor.
  • Explicar que a coleção se organiza por unidades – 4 em cada volume – cada unidade é desenvolvida em torno de um tema – o objetivo é levar o aluno a perceber que um mesmo tema pode ser expresso em diferentes gêneros (narrativa, poesia, texto informativo... talvez valha a pena ler, no sumário de um dos volumes, os gêneros em torno de uma unidade) e com diferentes funções (informar, divertir, emocionar, convencer, seduzir....)
  • Cabe discutir aqui a estratégia utilizada na coleção para preservar tanto quanto possível o portador original do texto – neste caso, o jornal, pela reprodução da página de onde foi tirado o texto. Sobre esta questão – escolarização do texto no livro didático – ver a p. 11 de “Sobre esta coleção”, no Livro do Professor.
  • Explicar que todos os textos são acompanhados de atividades de interpretação – ora escrita, ora oral, ora ambas, dependendo do gênero, do tema, da natureza do texto.
  • Falar genericamente de competências e Habilidades; Mostrar que o que diferencia uma da outra é apenas o escopo da ação.
  • Falar genericamente de competências e Habilidades; Mostrar que o que diferencia uma da outra é apenas o escopo da ação.
  • Chamar a atenção para as respostas em azul e indicar os textos em azul na margem direita das páginas ao longo do livro, como uma “conversa” da autora com os professores, apresentando justificativas e fundamentos das atividades, sugestões de enriquecimento, etc.
  • Discutir a importância de o professor criar situações para a produção de texto que identifiquem, para o aluno, para quem ele escreve (quem será o leitor de seu texto); na coleção, todas as atividades de produção de texto conduzem a uma atividade que cria leitores para o texto do aluno. Discutir também a importância de o aluno aprender a escrever textos de diferentes gêneros.
  • Explicar língua em uso : a língua dos textos, em lugar das frases criadas artificialmente do ensino tradicional da gramática. Explicar: variedades de língua e combate ao preconceito linguístico, habilidades de uso de registro formal ou informal, conforme a situação, elementos que dão coesão ao texto. Esclarecer que a gramática está presente na coleção sob a designação de Reflexão sobre a língua e é desenvolvida com base nos textos, de acordo com os que estes sugerem e possibilitam.
  • Contextualizar a atividade nos textos em que se baseia: publicidade das pp, 49 e 52 do volume do 6º ano; completar o exemplo com as questões propostas ao aluno, p. 55.
  • Destacar a crítica do poeta ao ensino da língua como ensino da gramática, o abismo entre a língua em uso e a língua estudada na escola. Nota: Carlos Góis, autor de vários livros na área da gramática, foi professor de Carlos Drummond de Andrade quando ele era interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte.
  • Destacar o último verso: um português é o que é usado, a língua de interação com os outros; o outro, o que se ensina na escola, quando se ensina gramática, é um mistério, uma outra língua.
  • Esclarecer que o poema mostra o letramento como a língua que se usa, a língua que não é mistério, como a de que Carlos Drummond se queixa.
  • Os primeiros versos remetem à língua-mistério de que fala Drummond; em seguida, a língua que se usa, nas práticas sociais em que a língua escrita está envolvida
  • Português: Um Ensino Para o Letramento

    1. 1. Português: Um Ensino Para o Letramento
    2. 2. Professora titular emérita e pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita - CEALE da Faculdade de Educação da UFMG. Autora de artigos, capítulos e livros sobre ensino da língua escrita, tais como: Letramento: um tema em três gêneros (Autêntica, 1996) e Alfabetização e letramento (Contexto, 2003). Organizou o Dossiê sobre Letramento, publicado no periódico Educação e Sociedade, n° 81, dezembro de 2002.
    3. 3. ENSINO DE PORTUGUÊS E CONCEPÇÃO DE LÍNGUA Subjacente ao ensino de português há sempre uma concepção de língua que explica: para que ensinar a língua materna; o que ensinar quando se ensina a língua materna; como ensinar a língua materna.
    4. 4. ENSINO DE PORTUGUÊS E CONCEPÇÕES DE LÍNGUA <ul><li>Até os anos 1970 : </li></ul><ul><li>concepção de língua como SISTEMA </li></ul><ul><ul><li>para que ensinar : para saber a respeito da língua </li></ul></ul><ul><ul><li>o que ensinar : a gramática da língua </li></ul></ul><ul><ul><li>como ensinar : analisando a sintaxe e a morfologia </li></ul></ul>
    5. 5. ENSINO DE PORTUGUÊS E CONCEPÇÕES DE LÍNGUA <ul><li>A partir dos anos 1980 : </li></ul><ul><li>concepção de língua como COMUNICAÇÃO, ATIVIDADE INTERATIVA </li></ul><ul><ul><li>para que ensinar : para saber usar a língua </li></ul></ul><ul><ul><li>o que ensinar : competências e habilidades de ler e escrever, de falar e ouvir em situações formais </li></ul></ul><ul><ul><li>como ensinar : por meio de atividades com a língua em uso em práticas sociais </li></ul></ul>
    6. 6. ENSINO DE PORTUGUÊS NA ESCOLA = ATIVIDADES INTERATIVAS ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO aquisição de uma tecnologia : o sistema alfabético e ortográfico Desenvolvimento de habilidades de uso da tecnologia da escrita
    7. 7. Alfabetização e letramento são conceitos independentes?
    8. 8. Pelo contrário,segundo Magda Soares, são interdependentes e indissociáveis : a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e escrita, isto é, através de atividades de letramento.
    9. 9. <ul><li>E o letramento se desenvolve com base em e em dependência da alfabetização </li></ul><ul><li>– do domínio da tecnologia da escrita. </li></ul>
    10. 10. ENSINO DE PORTUGUÊS: UMA PROPOSTA PARA O LETRAMENTO LETRAMENTO PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA ATIVIDADES DE INTERAÇÃO
    11. 11. OBJETIVO DO ENSINO DA LEITURA: <ul><li>Desenvolver as habilidades de leitura em situações de interação diversificadas </li></ul><ul><li>em que haja motivação e objetivo para ler </li></ul><ul><li>textos de diferentes gêneros e com diferentes funções . </li></ul>
    12. 12. OBJETIVO DO ENSINO DA LEITURA: <ul><li>Desenvolver as habilidades de leitura em situações de interação diversificadas: </li></ul>LEITOR TEXTO AUTOR Diferenças entre os alunos Diversidade de textos Diversidade de autores
    13. 13. OBJETIVO DO ENSINO DA LEITURA: ... em que haja motivação e objetivo para ler 1. temas do interesse do aluno:
    14. 14. Anúncio Publicitário 6º ano – p. 48 2. Preparação para a leitura : ativação de conhecimentos prévios e atitudes em relação ao tema, previsões e hipóteses sobre o texto...
    15. 15. OBJETIVO DO ENSINO DA LEITURA: <ul><li>...motivação e objetivo para ler </li></ul><ul><li>textos de diferentes gêneros e com diferentes funções . </li></ul><ul><li>Exemplos: </li></ul>
    16. 16. Quadrinhos
    17. 17. Jornal
    18. 18. Poema
    19. 19. DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS LEITORAS <ul><li>ATIVIDADES DE INTERPRETAÇÃO </li></ul><ul><li>ORAL ESCRITA </li></ul><ul><li>Um exemplo: </li></ul>
    20. 23. OBJETIVO DO ENSINO DE PRODUÇÃO DE TEXTO <ul><li>Desenvolver as habilidades de uso da escrita em situações de interação diversificadas </li></ul><ul><li>em que haja motivação e objetivo para produzir textos </li></ul><ul><li>de diferentes gêneros, </li></ul><ul><li>para diferentes interlocutores, </li></ul><ul><li>em diferentes situações. </li></ul>
    21. 24. OBJETIVO DO ENSINO DE PRODUÇÃO DE TEXTO ALUNO-AUTOR TEXTO LEITOR SITUAÇÃO DE INTERAÇÃO
    22. 25. OBJETIVO DO ENSINO DE GRAMÁTICA <ul><li>Desenvolver habilidades de observação e análise da língua em uso , visando a: </li></ul><ul><li>construção de conhecimentos sobre variedades de língua, diferentes registros, determinantes da textualidade; </li></ul><ul><li>enriquecimento das possibilidades de uso da língua. </li></ul>
    23. 26. Um exemplo de gramática contextualizada:
    24. 27. AULA DE PORTUGUÊS Carlos Drummond de Andrade <ul><li>A linguagem </li></ul><ul><li>na ponta da língua </li></ul><ul><li>tão fácil de falar </li></ul><ul><li>e de entender. </li></ul><ul><li>A linguagem </li></ul><ul><li>na superfície estrelada de letras </li></ul><ul><li>sabe lá o que ela quer dizer? </li></ul><ul><li>Professor Carlos Góis, </li></ul><ul><li>ele é quem sabe, </li></ul><ul><li>e vai desmatando </li></ul><ul><li>o amazonas de minha ignorância. </li></ul><ul><li>Figuras de gramática, </li></ul><ul><li>esquipáticas, </li></ul><ul><li>atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. </li></ul>
    25. 28. <ul><li>Já esqueci a língua em que comia, </li></ul><ul><li>em que pedia para ir lá fora, </li></ul><ul><li>em que levava e dava pontapé, </li></ul><ul><li>a língua, breve língua entrecortada </li></ul><ul><li>do namoro com a prima. </li></ul><ul><li>O português são dois: o outro, mistério. </li></ul><ul><li>(Em Esquecer para lembrar) </li></ul>
    26. 29. Letramento definido num poema Uma estudante norte-americana, de origem asiática, Kate M. Chong, ao escrever sua história pessoal de letramento, define-o em um poema: O que É um ensino para o LETRAMENTO
    27. 30. O QUE É LETRAMENTO? Letramento não é um gancho em que se pendura cada som enunciado, não é treinamento repetitivo de uma habilidade, nem um martelo quebrando blocos de gramática. Letramento é diversão é leitura à luz de vela ou lá fora, à luz do sol. São notícias sobre o presidente O tempo, os artistas da TV e mesmo Mônica e Cebolinha nos jornais de domingo. É uma receita de biscoito, uma lista de compras, recados colados na geladeira, um bilhete de amor, telegramas de parabéns e cartas de velhos amigos.
    28. 31. O QUE É LETRAMENTO? É viajar para países desconhecidos, sem deixar sua cama, é rir e chorar com personagens, heróis e grandes amigos. É um atlas do mundo, sinais de trânsito, caças ao tesouro, manuais, instruções, guias, e orientações em bulas de remédios, para que você não fique perdido. Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é, e de tudo que você pode ser.

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