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A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
COGNITIVO DA CRIANÇA
Elaine Matos Silva1
Mirianne Santos de Almeida2
GT1 – Educação de Crianças, Jovens e Adultos.
RESUMO
O presente artigo propõe uma reflexão acerca do lúdico como ferramenta didático-pedagógica no
processo de ensino-aprendizagem. No tocante a metodologia, para a elaboração deste artigo científico,
optamos pela pesquisa bibliográfica, a partir do levantamento das fontes em artigos e livros sobre o
tema. Para fundamentar a pesquisa utilizamos autores como Piaget (1975), Vigotsky (1989), Almeida
(2013) e Duarte (1996, p. 35). Ao longo da análise, destacamos a importância do lúdico para o
desenvolvimento cognitivo da criança, sobretudo, apontamos a necessidade de compreender e
problematizar o significado e a pertinência das atividades lúdicas na infância escolarizada.
PALAVRAS-CHAVE: Educação; Lúdico; Ensino-aprendizagem; Infância.
ABSTRACT
This article proposes a reflection about the playful as a pedagogical didactic tool for the teaching-
learning process. Regarding the methodology for the preparation of this scientific article, we opted out
using the bibliographic research, from the survey of sources in articles and books which deals with this
subject. In order to support this research we used ideas from authors as Piaget (1975), Vygotsky
(1989), Almeida (2013) and Duarte (1996, p. 35). Throughout this analysis, we highlight the
importance of the playful to the cognitive development of children, especially, we pointed out the need
to understand and discuss the meaning and relevance of play activities in childhood schooling.
KEYWORDS: Education; Playful; teaching-learning; Childhood.
1
Acadêmica do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas de Sergipe. E-mail: enialeaju@hotmail.com
2
Pedagoga e Mestre em Educação pela Universidade Tiradentes. Doutoranda em Educação pela mesma
Universidade, com bolsa auxílio (FAPITEC/SE). Membro do Grupo de Pesquisa História das Práticas
Educacionais (GPHPE/Unit/ CNPq). E-mail.: mirianne_almeida@hotmail.com
2
1 - INTRODUÇÃO
Sabe-se que a infância é a idade das brincadeiras. Acreditamos que a criança realiza
suas atividades por meio de jogos educativos, dinâmicas e brincadeira. Destacamos o lúdico
como uma forma mais eficaz de envolver o aluno nas atividades educativas, pois o brincar é
algo que está ligado à criança.
Para fundamentar nossa pesquisa utilizamos como referência, dentre outros autores,
Almeida (1995, p.11). De acordo com ele, “é de primordial importância à utilização das
brincadeiras e dos jogos no processo pedagógico, pois os conteúdos podem ser ensinados por
intermédio de atividades predominantemente lúdicas”.
Sabemos que através das aulas com recursos lúdicos, os educandos conseguem captar
o máximo de informações fornecidas pelo educador, fazendo com que o conhecimento sobre
determinado não seja temporário.
É muito importante aprender com alegria, com vontade. Comenta Sneyders (1996,
p.36) que “Educar é ir em direção à alegria”. A utilização dos recursos e técnicas lúdicas
fazem com que a criança aprenda com alegria e motivação, sendo relevante salientar que a
educação lúdica deve se fazer presente desde as séries inicias até o ensino fundamental.
Para que a educação lúdica conduza de fato na educação é preciso refletir e fazer
questionamentos sobre a sua importância no processo de ensinar e aprender. Consciente da
necessidade do uso de técnicas lúdicas na formação integral da criança, apontamos a
necessidade de estudos que revelem concepções e práticas lúdicas na atualidade, que podem
ser problematizadas a partir dos seguintes questionamentos: Qual é a importância do lúdico
para a educação na infância? Como o lúdico se faz presente em sala de aula na atualidade?
Como a ludicidade tem auxiliado na construção do conhecimento? Vale ressaltar que as
questões apresentadas são frutos de inquietações atuais e foco de pesquisas futuras, portanto,
não serão respondidas neste texto.
Para a elaboração deste artigo científico foi utilizada uma pesquisa bibliográfica em
textos, artigos e livros, para fundamentar o problema. O presente texto encontra-se estruturado
da seguinte forma: a primeira sessão trata da apresentação do tema, a segunda sessão é
dedicada à problematização do lúdico, desde o conceito até a importância como ferramenta
didático-pedagógica, a terceira sessão apresenta os procedimentos metodológicos e a quarta
sessão ressalta algumas considerações.
3
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. A construção do conceito de criança e a importância do brincar
Segundo o historiador Philippe Ariés (1981) o conceito de criança sofreu alterações ao
longo do tempo e podem ser explicadas pelo contexto histórico, cultural, político e social.
Um sentimento superficial pela criança – a que chamei de “paparicação” –
era reservado á criancinha em seus primeiros anos de vida, enquanto ela
ainda era uma coisinha engraçadinha. As pessoas se divertiam com a criança
pequena como um animalzinho, um macaquinho impudico. Se ela morresse
então, como muitas vezes acontecia, alguns podiam ficar desolados, mas a
regra geral era não fazer muito caso, pois outra criança logo a substituiria
(ARIÉS, 1981, p. 10).
De acordo com o autor, até meados do século XII, não se reconhecia especificidades
na criança, nenhuma preocupação quanto ao seu crescimento ou aprendizado. Ariés (1981,
17), “a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. É difícil crer que
essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade”. Destarte, o referido autor
acredita na hipótese de que “não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. (ARIÉS, 1981,
p. 17).
Dentre outros autores que são considerados clássicos da teoria educacional, Comenius,
Rousseau, Erasmo de Rotterdam, Pestalozzi, entre outros, apontavam, cada um a seu tempo, a
necessidade de educar a criança conforme seu desenvolvimento físico e mental. Em
contraposição aos castigos físicos e as práticas que desconsideravam as especificidades da
infância. Tais autores apontavam a importância do brincar e gosto pelo aprender, destacaram,
em diferentes contextos históricos, a importância da experiência para o aprendizado ao longo
da vida e, sobretudo, da utilidade do que deve ser aprendido para a vida prática, já que eram
defensores da formação integral do ser humano.
Nesse sentido, nos reportamos a infância e sua estreita relação com o lúdico no
processo educativo, com um arcabouço teórico de tempos hodiernos que guia o nosso
entendimento acerca da educação como um processo gradativo e reflexivo, que deve começar
na infância e ser marcado, sobretudo, pela ludicidade. Apresentamos, neste texto, uma
reflexão acerca do lúdico enquanto ferramenta didática e pedagógica que acrescenta solidez
ao trabalho docente e prazer pelo aprender ao educando.
Em âmbito legal, é pertinente ressaltar as orientações oficiais que vigoram atualmente.
Destacamos as orientações que integram os Referenciais Curriculares Nacionais para
Educação Infantil.
4
Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da
identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado
papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas
brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades
importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação.
Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da
interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais
(BRASIL, 1998, p. 22)
Entendemos a escola como espaço privilegiado de descoberta, de interação e
socialização, de ensinar e aprender mutuamente. Portanto, a compreendemos como instituição
social e como ambiente de ludicidade, ferramenta importante para o desenvolvimento
cognitivo dos alunos.
2.2. O Lúdico: do conceito e da importância da prática no cotidiano escolar
O termo lúdico tem suas raízes etimológicas na palavra latina ludos, que pode
significar: jogo, brinquedo. Para Almeida (2008, p. 1), ludicidade é a qualidade daquilo que é
lúdico.
Se o termo tivesse ligado à sua origem, o lúdico estaria se referindo apenas
ao jogo, ao brincar, ao movimento espontâneo, mas passou a ser conhecido
como traço essencialmente psicofisiológico, ou seja, uma necessidade básica
da personalidade do corpo, da mente, no comportamento humano. As
implicações das necessidades lúdicas extrapolaram as demarcações do
brincar espontâneo de modo que a definição deixou de ser o simples
sinônimo do jogo. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica
humana, trabalhando com a cultura corporal, movimento e expressão.
Diante dessa perspectiva podemos caracterizar o lúdico como tudo aquilo que traz motivação,
inquietação, alegria, prazer e participação. Ou seja, o lúdico tem um conceito bastante amplo. Pode-se
falar que a ludicidade está interligada com os jogos, as brincadeiras, as crianças, o espaço e o
mediador da atividade a ser desenvolvida, permitindo as crianças desenvolverem conhecimentos,
sentimentos de autonomia, liberdade e estímulo.
De acordo com Santos (1999, p. 57), o lúdico pode ser interpretado como um momento em
que a criança tem os sentimentos de liberdade e de descontração. O momento em que ela busca
estabelecer contato com o mundo que está a sua volta, estimulando a autonomia dentro de um contexto
integral. Neste contexto, Santos (1999, p. 57) ressalta que “A palavra lúdica significa brincar. Nesse
brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e brincadeiras, e é relativo também à conduta daquele que
joga, que brinca e que se diverte”. Nesse sentido, o lúdico deve-se fazer presente no ambiente escolar
auxiliando o educador na transmissão de conhecimentos dos educandos diariamente proporcionando
um ambiente totalmente motivador, criativo e prazeroso.
5
Atualmente, as críticas direcionadas às escolas apontam a necessidade de repensar a
quem se está educando, considerando a vivência, o repertório e a individualidade do aluno,
caso contrário, dificilmente estará contribuindo para mudança e produtividade de seus
educandos.
Segundo Duarte (1996, p. 35),
Quando se adota o significado de cotidiano enquanto dia-a-dia, pode-se
responder que a educação escolar é parte da vida cotidiana, do dia-a-dia dos
indivíduos que freqüentam a escola como alunos e também daqueles que
nela trabalham, como professores ou funcionários. Além disso, a escola,
enquanto instituição, tem seu dia-a-dia, com suas rotinas próprias, com
formas de relacionamento entre as pessoas, que vão se tornando habituais
etc. Pode-se falar, então, na existência de um cotidiano escolar.
Diante dessas perspectivas percebemos que o espaço escolar contribui de maneira
positivamente na vida dos educandos, pois o aluno consegue avançar em desenvolvimento
social, mental e físico. Em tempos atuais percebemos que na sala de aula encontram-se muitos
problemas de evasão escolar, dificuldade de aprendizagem e deficiência no desenvolvimento
cognitivo dos alunos.
Adotamos como embasamento as afirmações de Chateau (1987, p. 30), quando ele
afirma que “a escola deve-se apoiar no jogo e tornar o comportamento lúdico modelo no
comportamento escolar”. Partindo desse ponto de vista, compreender as atividades lúdicas no
âmbito escolar faz com que a criança desperte o encanto pela aprendizagem, permitindo a
formação psicossocial do individuo.
Segundo Almeida (1998, p. 23) “as atividades lúdicas como pintura, desenhos, além
de estimular as múltiplas capacidades, funcionam como exercícios preparatórios para o
aprendizado de conhecimento superior, como a leitura e a escrita”. Diante de jogos
pedagógicos e brincadeiras, o educador contribui para que os educandos alcancem melhor
desempenho e estímulo, proporcionando maior desenvolvimento psicossocial. Por essa razão,
podemos afirmar que as brincadeiras, jogos, atividades lúdicas que desafiam o aluno a um
comportamento além de seu conhecimento básico, provocam mudanças, pois, diante de
situações ou problemas, o aluno é motivado, através da interação, a atingir o objetivo
proposto, ocorrendo um desenvolvimento que vai além do seu comportamento habitual. Além
disso, o lúdico propicia momentos de distração, descontração, fantasia e contribui para o
aprendizado.
Considerando a importância do lúdico para educação da criança, é pertinente repensar
a necessidade do lúdico no ensino fundamental, posto que a ruptura da educação infantil para
6
os anos iniciais do ensino fundamental muitas vezes é marcada por um currículo conteudista
que sufoca alunos e professores. Portanto, apontamos a necessidade de problematizar a
passagem da educação infantil para os anos iniciais do ensino fundamental, atrelada as
tensões, possibilidades e desafios quanto ao uso do lúdico no processo de ensino e
aprendizagem. A título de problematização, destacamos algumas questões, a saber: quais
experiências alunos e professores tem vivenciado quanto ao uso lúdico no processo de
escolarização da infância? Quais possibilidades e desafios permeiam o ambiente escolar
quanto ao uso do lúdico na infância escolarizada? O que professores e alunos dizem e
vivenciam na escola? Como o lúdico é compreendido e trabalhado?
Sabemos da exigência feita aos professores, quanto as suas práticas, posto que
precisam usar a imaginação, a criatividade para criar ou confeccionar diferentes materiais que
despertem a atenção e incentivem os alunos na aprendizagem; e às escolas, quanto a sua
estrutura física e pedagógica, desde o Projeto Político-Pedagógico até a organização das salas
de aula, que também a caracterizam como ambiente lúdico, espaço privilegiado para despertar
o interesse e o gosto pelo aprendizado. Destarte, a ludicidade conduz a criança buscar o
domínio do conhecimento, usando a imaginação de forma prazerosa e dinâmica, mediada pelo
educador.
A utilização de jogos auxilia ao educando durante a construção de novas estruturas
mentais, pois estes recursos permitem que a criança experimente novos conhecimentos nas
áreas cognitivas, afetivas e psicomotora. Segundo Piaget (1976, p.48),
O jogo é uma atividade influente para o exercício da vida social e da
atividade construtiva da criança. É possível observar que todo jogo, mesmo
os que envolvem regras ou uma atividade corporal, abre espaço para a
imaginação, a fantasia e a projeção de conteúdos afetivos, além de toda a
organização lógica implícita. Por isso “deve-se compreender as
manifestações simbólicas dessas atividades lúdicas e procurar-se adequá-las
às necessidades das crianças.
Podemos dizer que a atividade lúdica, o jogo, permite liberdade de expressão,
criatividade e interação com os colegas. O lúdico é essencial para uma escola que se proponha
não somente o sucesso pedagógico, como também à formação do cidadão. A convivência de
forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança, estabelecer relações
cognitivas às experiências vivenciadas.
Vygotsky (1984) atribui ao lúdico um papel de grande importância no
desenvolvimento cognitivo dos alunos, em sua forma de se relacionar com o mundo, com as
pessoas e com tudo que está a sua volta.
7
A criança, por intermédio das brincadeiras, constrói sua própria autonomia, seu
próprio discurso, o seu próprio pensamento, sistematizando e organizando suas resoluções de
problemas que poderão existir e até mesmo suas experiências do dia a dia.
Segundo Vygotsky (1984, p. 97),
A brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento
proximal” que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de
desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver
independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento
potencial, determinado através da resolução de um problema sob a
orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais
capaz.
Tanto para Vygotsky (1984) como para Piaget (1975), o desenvolvimento não é linear,
mas evolutivo e, nesse trajeto, a imaginação se desenvolve. Uma vez que a criança brinca e
desenvolve a capacidade para determinado tipo de conhecimento, ela dificilmente perde esta
capacidade. Basta um mediador para orientar e conduzi-los, um ambiente motivador que traga
motivação para que o aluno permaneça naquele espaço, trocando informações e
conhecimentos com os outros alunos. É necessário que o educador selecione o material e os
recursos pedagógicos a serem utilizados em suas aulas. Pois segundo Almeida (1995, p.89),
A educação lúdica não se omite a pensar nesse aspecto e propõe uma
alternativa diferente: que a escola, como ambiente profícuo á aprendizagem
e ao prazer, deve preparar-se para receber o aluno e fazer que ele se sinta
bem. Por isso, tanto o prédio físico como a sala de aula devem ser alegres,
vivos, repletos de recursos e atrações que deslumbrem e reativem os
encantamentos e os interesses dos alunos e lhes proporcionem, no mínimo,
uma sensação de aconchego.
O material que o professor pode utilizar para ministrar uma aula precisa chamar a
atenção dos alunos, dependendo da criatividade de cada professor pode ser coisas bem
simples como plantas, cartas de baralho, um educador que saiba utilizar esses recursos
desenvolverá um excelente trabalho pedagógico.
A educação lúdica contribui no desenvolvimento da criança, quando “o brincar” é
inserido no contexto escolar, no conteúdo, no desenvolvimento de cada atividade, ou
planejamento de projetos é possível, dentre outras coisas, analisar os conhecimentos prévios
sobre o tema abordado de cada aluno ou grupo.
8
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A elaboração deste artigo tem enfoque metodológico bibliográfico pois de acordo com
Lakatos e Marconi (1990, p.66) a pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e
documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisados,
em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações, material cartográfico,
com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre
o mesmo. Com uma abordagem qualitativa, pois segundo Costa (2006, p.65), “a pesquisa
qualitativa é associada a dados qualitativos, abordagem interpretativa, [...], análise de caso ou
conteúdo, [...]”.
Atualmente, podemos perceber que professores utilizam alguns recursos como
ferramenta na Educação lúdica dos alunos. Dentre esses recursos, os mais utilizados são:
Jogos, Músicas e Livros infantis, sendo que poderia ser trabalhado com mais recursos como:
dinâmicas, vídeos e outros.
Como comenta Almeida (2013, p. 89-90),
Quanto aos recursos necessários para uma educação lúdica, o suporte básico
é o próprio aluno [...], e o objetos físicos da realidade ambiental como salas
de aulas decoradas com visuais pedagógicos, a lousa, as carteiras, os moveis,
o pátio e as decorações dos ambientes.
Em relação a importância dos jogos e brincadeiras na educação escolar das crianças,
alguns pesquisadores afirmam que o lúdico é muito importante para os pequenos, todavia,
alguns educadores não utilizam desses jogos e brincadeiras diariamente. Como afirma
Almeida (2013, p. 27), “o lúdico, o jogo e a brincadeira assumem funções de avaliar as
tenções e remediar o tédio”. Sendo assim os jogos e as brincadeiras tornam-se importantes
para o desenvolvimento cognitivo das crianças.
Na questão que trata da visão dos educadores com relação a ludicidade, contribuinte
no desenvolvimento dos alunos, podemos perceber, como comenta Almeida (2013, p. 27),
que “a escola deve conduzir a criança a buscar, ao domínio de um conhecimento mais
abstrato, conjugando habilmente uma parcela de trabalho e esforço com uma boa dose de
brincadeira”.
9
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por meio deste artigo procuramos refletir de fato sobre o conceito do lúdico, a
importância da ludicidade no desenvolvimento cognitivo da criança desde cedo. Com
embasamento teórico, tentamos trazer a contribuição da ludicidade para o desenvolvimento
cognitivo dos alunos desde cedo. Pois, de certa forma, estamos colaborando para o avanço dos
educandos, dando continuidade com as brincadeiras e os jogos inseridos desde a educação
infantil até o ensino fundamental.
Através de estudos podemos auxiliar os educadores, fazendo com que eles percebam
o quanto é importante introduzir atividades lúdicas, espaços motivadores e recursos didáticos
nas suas práticas pedagógicas diariamente, de maneira interdisciplinar e prazerosa. Tornando
a aprendizagem mais significativa, podendo avaliar o desempenho dos alunos através de
recursos pedagógicos desenvolvidos com metodologia lúdica.
A educação lúdica, é um grande suporte para o aprendizado das crianças, pois é no
lúdico que podemos observar o desenvolvimento de cada uma, ajuda na coordenação motora,
dando um certo prazer ao realizar as atividades. Pois elas além de se expressar de maneira
corporal, assimila os conhecimentos transmitidos pelo educador.
Acreditamos que o jogo auxilia positivamente no aprendizado das crianças, pois
juntamente com as brincadeiras as crianças desenvolvem também a coordenação motora, cabe
o professor selecionar os jogos que possuam algum significado positivo na aprendizagem para
com os seus alunos, passando a ser uma ótima influência para os pequenos. Ao realizar
atividades o professor pode avaliar o comportamento, pois o lúdico tem uma contribuição
psicossocial
O estudo permitiu compreender que o lúdico é fundamental na aprendizagem da
criança, posto que auxilia em seu conhecimento e contribui na formação cidadã e autônoma,
bem como no desenvolvimento da sua própria criatividade, competências, compreensão de
mundo, habilidades emocionais e físicas.
Em suma, nós, educadores e futuros educadores, precisamos fazer bons usos do
lúdico enquanto ferramenta didático-pedagógica, superando os desafios da rotina e
proporcionando aos nossos alunos uma aprendizagem significativa, o prazer da descoberta e o
gosto pelo estudo.
10
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: Teorias e práticas: São Paulo, SP: Loyola,
2013.
ALMEIDA, Anne. Ludicidade. Como instrumento pedagógico. Disponível em
<http://www.cdof.com.br/recrea22.htm>, acesso em 28 de março de 2016.
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo,
SP: Loyola, 1995.
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC,
1981.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de A. Técnicas de Pesquisa/São Paulo: Atlas
Ed., 2002. 282p.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
PIAGET, Jean. Psicologia e pedagogia. Tradução Editora Forense Universitária - Dirceu
Accioly Lindos o e Rosa Maria Ribeiro da Silva. Rio de Janeira: Forense Universitária, 1976.
SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.). O lúdico na formação do educador. Petrópolis, RJ:
Vozes, 1997.
SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e infância: um guia para pais e educadores. Rio
de Janeiro: Vozes, 1999.
SNEYDERS, Georges. Alunos Felizes. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL/
Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília:
MEC/SEF, 1998.
VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes,
1989.

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  • 1. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA Elaine Matos Silva1 Mirianne Santos de Almeida2 GT1 – Educação de Crianças, Jovens e Adultos. RESUMO O presente artigo propõe uma reflexão acerca do lúdico como ferramenta didático-pedagógica no processo de ensino-aprendizagem. No tocante a metodologia, para a elaboração deste artigo científico, optamos pela pesquisa bibliográfica, a partir do levantamento das fontes em artigos e livros sobre o tema. Para fundamentar a pesquisa utilizamos autores como Piaget (1975), Vigotsky (1989), Almeida (2013) e Duarte (1996, p. 35). Ao longo da análise, destacamos a importância do lúdico para o desenvolvimento cognitivo da criança, sobretudo, apontamos a necessidade de compreender e problematizar o significado e a pertinência das atividades lúdicas na infância escolarizada. PALAVRAS-CHAVE: Educação; Lúdico; Ensino-aprendizagem; Infância. ABSTRACT This article proposes a reflection about the playful as a pedagogical didactic tool for the teaching- learning process. Regarding the methodology for the preparation of this scientific article, we opted out using the bibliographic research, from the survey of sources in articles and books which deals with this subject. In order to support this research we used ideas from authors as Piaget (1975), Vygotsky (1989), Almeida (2013) and Duarte (1996, p. 35). Throughout this analysis, we highlight the importance of the playful to the cognitive development of children, especially, we pointed out the need to understand and discuss the meaning and relevance of play activities in childhood schooling. KEYWORDS: Education; Playful; teaching-learning; Childhood. 1 Acadêmica do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas de Sergipe. E-mail: enialeaju@hotmail.com 2 Pedagoga e Mestre em Educação pela Universidade Tiradentes. Doutoranda em Educação pela mesma Universidade, com bolsa auxílio (FAPITEC/SE). Membro do Grupo de Pesquisa História das Práticas Educacionais (GPHPE/Unit/ CNPq). E-mail.: mirianne_almeida@hotmail.com
  • 2. 2 1 - INTRODUÇÃO Sabe-se que a infância é a idade das brincadeiras. Acreditamos que a criança realiza suas atividades por meio de jogos educativos, dinâmicas e brincadeira. Destacamos o lúdico como uma forma mais eficaz de envolver o aluno nas atividades educativas, pois o brincar é algo que está ligado à criança. Para fundamentar nossa pesquisa utilizamos como referência, dentre outros autores, Almeida (1995, p.11). De acordo com ele, “é de primordial importância à utilização das brincadeiras e dos jogos no processo pedagógico, pois os conteúdos podem ser ensinados por intermédio de atividades predominantemente lúdicas”. Sabemos que através das aulas com recursos lúdicos, os educandos conseguem captar o máximo de informações fornecidas pelo educador, fazendo com que o conhecimento sobre determinado não seja temporário. É muito importante aprender com alegria, com vontade. Comenta Sneyders (1996, p.36) que “Educar é ir em direção à alegria”. A utilização dos recursos e técnicas lúdicas fazem com que a criança aprenda com alegria e motivação, sendo relevante salientar que a educação lúdica deve se fazer presente desde as séries inicias até o ensino fundamental. Para que a educação lúdica conduza de fato na educação é preciso refletir e fazer questionamentos sobre a sua importância no processo de ensinar e aprender. Consciente da necessidade do uso de técnicas lúdicas na formação integral da criança, apontamos a necessidade de estudos que revelem concepções e práticas lúdicas na atualidade, que podem ser problematizadas a partir dos seguintes questionamentos: Qual é a importância do lúdico para a educação na infância? Como o lúdico se faz presente em sala de aula na atualidade? Como a ludicidade tem auxiliado na construção do conhecimento? Vale ressaltar que as questões apresentadas são frutos de inquietações atuais e foco de pesquisas futuras, portanto, não serão respondidas neste texto. Para a elaboração deste artigo científico foi utilizada uma pesquisa bibliográfica em textos, artigos e livros, para fundamentar o problema. O presente texto encontra-se estruturado da seguinte forma: a primeira sessão trata da apresentação do tema, a segunda sessão é dedicada à problematização do lúdico, desde o conceito até a importância como ferramenta didático-pedagógica, a terceira sessão apresenta os procedimentos metodológicos e a quarta sessão ressalta algumas considerações.
  • 3. 3 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. A construção do conceito de criança e a importância do brincar Segundo o historiador Philippe Ariés (1981) o conceito de criança sofreu alterações ao longo do tempo e podem ser explicadas pelo contexto histórico, cultural, político e social. Um sentimento superficial pela criança – a que chamei de “paparicação” – era reservado á criancinha em seus primeiros anos de vida, enquanto ela ainda era uma coisinha engraçadinha. As pessoas se divertiam com a criança pequena como um animalzinho, um macaquinho impudico. Se ela morresse então, como muitas vezes acontecia, alguns podiam ficar desolados, mas a regra geral era não fazer muito caso, pois outra criança logo a substituiria (ARIÉS, 1981, p. 10). De acordo com o autor, até meados do século XII, não se reconhecia especificidades na criança, nenhuma preocupação quanto ao seu crescimento ou aprendizado. Ariés (1981, 17), “a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade”. Destarte, o referido autor acredita na hipótese de que “não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. (ARIÉS, 1981, p. 17). Dentre outros autores que são considerados clássicos da teoria educacional, Comenius, Rousseau, Erasmo de Rotterdam, Pestalozzi, entre outros, apontavam, cada um a seu tempo, a necessidade de educar a criança conforme seu desenvolvimento físico e mental. Em contraposição aos castigos físicos e as práticas que desconsideravam as especificidades da infância. Tais autores apontavam a importância do brincar e gosto pelo aprender, destacaram, em diferentes contextos históricos, a importância da experiência para o aprendizado ao longo da vida e, sobretudo, da utilidade do que deve ser aprendido para a vida prática, já que eram defensores da formação integral do ser humano. Nesse sentido, nos reportamos a infância e sua estreita relação com o lúdico no processo educativo, com um arcabouço teórico de tempos hodiernos que guia o nosso entendimento acerca da educação como um processo gradativo e reflexivo, que deve começar na infância e ser marcado, sobretudo, pela ludicidade. Apresentamos, neste texto, uma reflexão acerca do lúdico enquanto ferramenta didática e pedagógica que acrescenta solidez ao trabalho docente e prazer pelo aprender ao educando. Em âmbito legal, é pertinente ressaltar as orientações oficiais que vigoram atualmente. Destacamos as orientações que integram os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil.
  • 4. 4 Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais (BRASIL, 1998, p. 22) Entendemos a escola como espaço privilegiado de descoberta, de interação e socialização, de ensinar e aprender mutuamente. Portanto, a compreendemos como instituição social e como ambiente de ludicidade, ferramenta importante para o desenvolvimento cognitivo dos alunos. 2.2. O Lúdico: do conceito e da importância da prática no cotidiano escolar O termo lúdico tem suas raízes etimológicas na palavra latina ludos, que pode significar: jogo, brinquedo. Para Almeida (2008, p. 1), ludicidade é a qualidade daquilo que é lúdico. Se o termo tivesse ligado à sua origem, o lúdico estaria se referindo apenas ao jogo, ao brincar, ao movimento espontâneo, mas passou a ser conhecido como traço essencialmente psicofisiológico, ou seja, uma necessidade básica da personalidade do corpo, da mente, no comportamento humano. As implicações das necessidades lúdicas extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo de modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo do jogo. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana, trabalhando com a cultura corporal, movimento e expressão. Diante dessa perspectiva podemos caracterizar o lúdico como tudo aquilo que traz motivação, inquietação, alegria, prazer e participação. Ou seja, o lúdico tem um conceito bastante amplo. Pode-se falar que a ludicidade está interligada com os jogos, as brincadeiras, as crianças, o espaço e o mediador da atividade a ser desenvolvida, permitindo as crianças desenvolverem conhecimentos, sentimentos de autonomia, liberdade e estímulo. De acordo com Santos (1999, p. 57), o lúdico pode ser interpretado como um momento em que a criança tem os sentimentos de liberdade e de descontração. O momento em que ela busca estabelecer contato com o mundo que está a sua volta, estimulando a autonomia dentro de um contexto integral. Neste contexto, Santos (1999, p. 57) ressalta que “A palavra lúdica significa brincar. Nesse brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e brincadeiras, e é relativo também à conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte”. Nesse sentido, o lúdico deve-se fazer presente no ambiente escolar auxiliando o educador na transmissão de conhecimentos dos educandos diariamente proporcionando um ambiente totalmente motivador, criativo e prazeroso.
  • 5. 5 Atualmente, as críticas direcionadas às escolas apontam a necessidade de repensar a quem se está educando, considerando a vivência, o repertório e a individualidade do aluno, caso contrário, dificilmente estará contribuindo para mudança e produtividade de seus educandos. Segundo Duarte (1996, p. 35), Quando se adota o significado de cotidiano enquanto dia-a-dia, pode-se responder que a educação escolar é parte da vida cotidiana, do dia-a-dia dos indivíduos que freqüentam a escola como alunos e também daqueles que nela trabalham, como professores ou funcionários. Além disso, a escola, enquanto instituição, tem seu dia-a-dia, com suas rotinas próprias, com formas de relacionamento entre as pessoas, que vão se tornando habituais etc. Pode-se falar, então, na existência de um cotidiano escolar. Diante dessas perspectivas percebemos que o espaço escolar contribui de maneira positivamente na vida dos educandos, pois o aluno consegue avançar em desenvolvimento social, mental e físico. Em tempos atuais percebemos que na sala de aula encontram-se muitos problemas de evasão escolar, dificuldade de aprendizagem e deficiência no desenvolvimento cognitivo dos alunos. Adotamos como embasamento as afirmações de Chateau (1987, p. 30), quando ele afirma que “a escola deve-se apoiar no jogo e tornar o comportamento lúdico modelo no comportamento escolar”. Partindo desse ponto de vista, compreender as atividades lúdicas no âmbito escolar faz com que a criança desperte o encanto pela aprendizagem, permitindo a formação psicossocial do individuo. Segundo Almeida (1998, p. 23) “as atividades lúdicas como pintura, desenhos, além de estimular as múltiplas capacidades, funcionam como exercícios preparatórios para o aprendizado de conhecimento superior, como a leitura e a escrita”. Diante de jogos pedagógicos e brincadeiras, o educador contribui para que os educandos alcancem melhor desempenho e estímulo, proporcionando maior desenvolvimento psicossocial. Por essa razão, podemos afirmar que as brincadeiras, jogos, atividades lúdicas que desafiam o aluno a um comportamento além de seu conhecimento básico, provocam mudanças, pois, diante de situações ou problemas, o aluno é motivado, através da interação, a atingir o objetivo proposto, ocorrendo um desenvolvimento que vai além do seu comportamento habitual. Além disso, o lúdico propicia momentos de distração, descontração, fantasia e contribui para o aprendizado. Considerando a importância do lúdico para educação da criança, é pertinente repensar a necessidade do lúdico no ensino fundamental, posto que a ruptura da educação infantil para
  • 6. 6 os anos iniciais do ensino fundamental muitas vezes é marcada por um currículo conteudista que sufoca alunos e professores. Portanto, apontamos a necessidade de problematizar a passagem da educação infantil para os anos iniciais do ensino fundamental, atrelada as tensões, possibilidades e desafios quanto ao uso do lúdico no processo de ensino e aprendizagem. A título de problematização, destacamos algumas questões, a saber: quais experiências alunos e professores tem vivenciado quanto ao uso lúdico no processo de escolarização da infância? Quais possibilidades e desafios permeiam o ambiente escolar quanto ao uso do lúdico na infância escolarizada? O que professores e alunos dizem e vivenciam na escola? Como o lúdico é compreendido e trabalhado? Sabemos da exigência feita aos professores, quanto as suas práticas, posto que precisam usar a imaginação, a criatividade para criar ou confeccionar diferentes materiais que despertem a atenção e incentivem os alunos na aprendizagem; e às escolas, quanto a sua estrutura física e pedagógica, desde o Projeto Político-Pedagógico até a organização das salas de aula, que também a caracterizam como ambiente lúdico, espaço privilegiado para despertar o interesse e o gosto pelo aprendizado. Destarte, a ludicidade conduz a criança buscar o domínio do conhecimento, usando a imaginação de forma prazerosa e dinâmica, mediada pelo educador. A utilização de jogos auxilia ao educando durante a construção de novas estruturas mentais, pois estes recursos permitem que a criança experimente novos conhecimentos nas áreas cognitivas, afetivas e psicomotora. Segundo Piaget (1976, p.48), O jogo é uma atividade influente para o exercício da vida social e da atividade construtiva da criança. É possível observar que todo jogo, mesmo os que envolvem regras ou uma atividade corporal, abre espaço para a imaginação, a fantasia e a projeção de conteúdos afetivos, além de toda a organização lógica implícita. Por isso “deve-se compreender as manifestações simbólicas dessas atividades lúdicas e procurar-se adequá-las às necessidades das crianças. Podemos dizer que a atividade lúdica, o jogo, permite liberdade de expressão, criatividade e interação com os colegas. O lúdico é essencial para uma escola que se proponha não somente o sucesso pedagógico, como também à formação do cidadão. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança, estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. Vygotsky (1984) atribui ao lúdico um papel de grande importância no desenvolvimento cognitivo dos alunos, em sua forma de se relacionar com o mundo, com as pessoas e com tudo que está a sua volta.
  • 7. 7 A criança, por intermédio das brincadeiras, constrói sua própria autonomia, seu próprio discurso, o seu próprio pensamento, sistematizando e organizando suas resoluções de problemas que poderão existir e até mesmo suas experiências do dia a dia. Segundo Vygotsky (1984, p. 97), A brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento proximal” que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz. Tanto para Vygotsky (1984) como para Piaget (1975), o desenvolvimento não é linear, mas evolutivo e, nesse trajeto, a imaginação se desenvolve. Uma vez que a criança brinca e desenvolve a capacidade para determinado tipo de conhecimento, ela dificilmente perde esta capacidade. Basta um mediador para orientar e conduzi-los, um ambiente motivador que traga motivação para que o aluno permaneça naquele espaço, trocando informações e conhecimentos com os outros alunos. É necessário que o educador selecione o material e os recursos pedagógicos a serem utilizados em suas aulas. Pois segundo Almeida (1995, p.89), A educação lúdica não se omite a pensar nesse aspecto e propõe uma alternativa diferente: que a escola, como ambiente profícuo á aprendizagem e ao prazer, deve preparar-se para receber o aluno e fazer que ele se sinta bem. Por isso, tanto o prédio físico como a sala de aula devem ser alegres, vivos, repletos de recursos e atrações que deslumbrem e reativem os encantamentos e os interesses dos alunos e lhes proporcionem, no mínimo, uma sensação de aconchego. O material que o professor pode utilizar para ministrar uma aula precisa chamar a atenção dos alunos, dependendo da criatividade de cada professor pode ser coisas bem simples como plantas, cartas de baralho, um educador que saiba utilizar esses recursos desenvolverá um excelente trabalho pedagógico. A educação lúdica contribui no desenvolvimento da criança, quando “o brincar” é inserido no contexto escolar, no conteúdo, no desenvolvimento de cada atividade, ou planejamento de projetos é possível, dentre outras coisas, analisar os conhecimentos prévios sobre o tema abordado de cada aluno ou grupo.
  • 8. 8 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A elaboração deste artigo tem enfoque metodológico bibliográfico pois de acordo com Lakatos e Marconi (1990, p.66) a pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisados, em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações, material cartográfico, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o mesmo. Com uma abordagem qualitativa, pois segundo Costa (2006, p.65), “a pesquisa qualitativa é associada a dados qualitativos, abordagem interpretativa, [...], análise de caso ou conteúdo, [...]”. Atualmente, podemos perceber que professores utilizam alguns recursos como ferramenta na Educação lúdica dos alunos. Dentre esses recursos, os mais utilizados são: Jogos, Músicas e Livros infantis, sendo que poderia ser trabalhado com mais recursos como: dinâmicas, vídeos e outros. Como comenta Almeida (2013, p. 89-90), Quanto aos recursos necessários para uma educação lúdica, o suporte básico é o próprio aluno [...], e o objetos físicos da realidade ambiental como salas de aulas decoradas com visuais pedagógicos, a lousa, as carteiras, os moveis, o pátio e as decorações dos ambientes. Em relação a importância dos jogos e brincadeiras na educação escolar das crianças, alguns pesquisadores afirmam que o lúdico é muito importante para os pequenos, todavia, alguns educadores não utilizam desses jogos e brincadeiras diariamente. Como afirma Almeida (2013, p. 27), “o lúdico, o jogo e a brincadeira assumem funções de avaliar as tenções e remediar o tédio”. Sendo assim os jogos e as brincadeiras tornam-se importantes para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Na questão que trata da visão dos educadores com relação a ludicidade, contribuinte no desenvolvimento dos alunos, podemos perceber, como comenta Almeida (2013, p. 27), que “a escola deve conduzir a criança a buscar, ao domínio de um conhecimento mais abstrato, conjugando habilmente uma parcela de trabalho e esforço com uma boa dose de brincadeira”.
  • 9. 9 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio deste artigo procuramos refletir de fato sobre o conceito do lúdico, a importância da ludicidade no desenvolvimento cognitivo da criança desde cedo. Com embasamento teórico, tentamos trazer a contribuição da ludicidade para o desenvolvimento cognitivo dos alunos desde cedo. Pois, de certa forma, estamos colaborando para o avanço dos educandos, dando continuidade com as brincadeiras e os jogos inseridos desde a educação infantil até o ensino fundamental. Através de estudos podemos auxiliar os educadores, fazendo com que eles percebam o quanto é importante introduzir atividades lúdicas, espaços motivadores e recursos didáticos nas suas práticas pedagógicas diariamente, de maneira interdisciplinar e prazerosa. Tornando a aprendizagem mais significativa, podendo avaliar o desempenho dos alunos através de recursos pedagógicos desenvolvidos com metodologia lúdica. A educação lúdica, é um grande suporte para o aprendizado das crianças, pois é no lúdico que podemos observar o desenvolvimento de cada uma, ajuda na coordenação motora, dando um certo prazer ao realizar as atividades. Pois elas além de se expressar de maneira corporal, assimila os conhecimentos transmitidos pelo educador. Acreditamos que o jogo auxilia positivamente no aprendizado das crianças, pois juntamente com as brincadeiras as crianças desenvolvem também a coordenação motora, cabe o professor selecionar os jogos que possuam algum significado positivo na aprendizagem para com os seus alunos, passando a ser uma ótima influência para os pequenos. Ao realizar atividades o professor pode avaliar o comportamento, pois o lúdico tem uma contribuição psicossocial O estudo permitiu compreender que o lúdico é fundamental na aprendizagem da criança, posto que auxilia em seu conhecimento e contribui na formação cidadã e autônoma, bem como no desenvolvimento da sua própria criatividade, competências, compreensão de mundo, habilidades emocionais e físicas. Em suma, nós, educadores e futuros educadores, precisamos fazer bons usos do lúdico enquanto ferramenta didático-pedagógica, superando os desafios da rotina e proporcionando aos nossos alunos uma aprendizagem significativa, o prazer da descoberta e o gosto pelo estudo.
  • 10. 10 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: Teorias e práticas: São Paulo, SP: Loyola, 2013. ALMEIDA, Anne. Ludicidade. Como instrumento pedagógico. Disponível em <http://www.cdof.com.br/recrea22.htm>, acesso em 28 de março de 2016. ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo, SP: Loyola, 1995. ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de A. Técnicas de Pesquisa/São Paulo: Atlas Ed., 2002. 282p. PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. PIAGET, Jean. Psicologia e pedagogia. Tradução Editora Forense Universitária - Dirceu Accioly Lindos o e Rosa Maria Ribeiro da Silva. Rio de Janeira: Forense Universitária, 1976. SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.). O lúdico na formação do educador. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e infância: um guia para pais e educadores. Rio de Janeiro: Vozes, 1999. SNEYDERS, Georges. Alunos Felizes. São Paulo: Paz e Terra, 1996. REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998. VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.