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INTRODUÇÃO
A sociologia de Weber, como vimos, nasceu em um contexto bem diferente daquele vivenciado por
Comte e Durkheim. Ela foi muito influenciada pelo idealismo alemão, corrente filosófica da qual se
destacam nomes como Emmanuel Kant e Friedrich Hegel.
Um dos pontos essenciais de discordância entre os positivistas e os idealistas, mais
especificamente entre a sociologia de Durkheim e a de Weber, refere-se ao modo de conceber a história e
sua importância para os estudos sociológicos.
Os positivistas concebiam a história enquanto um processo evolutivo da humanidade. Esse processo
seria repleto de fases distintas e sucessivas pelas quais devem passar todas as sociedades. Assim, o que
diferenciava uma sociedade da outra era o estágio em que ela se encontrava dentro desse processo.Para
conhecer esse estágio, os positivistas destacavam o método comparativo.
O pressuposto do qual eles partiam era o seguinte: sociedades de diferentes períodos e lugares
poderiam ser postas em comparação. Assim, saberíamos, por exemplo, se a sociedade “a” encontra-se no
mesmo estágio evolutivo que a sociedade “b”.
Como, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades acabariam por passar pelos mesmos estágios
evolutivos, o positivismo concebia a história como um processo universal, e não como algo único e próprio
de cada grupo social.
DESENVOVIMENTO
Essa lei evolutiva era generalizante e anulava as particularidades históricas das diferentes
sociedades. Mais uma vez, a corrente positivista mostrava que para ela o importante era o que se
apresentava como geral a todas as sociedades, e não aquilo que cada uma tem de particular.
PENSAMENTO DE WEBER
Weber, influenciado pelo idealismo alemão, discordava da concepção de história do positivismo.
Tendo iniciado como historiador, ele estava acostumado com a pesquisa de documentos e arquivos. Sua
experiência permitiu que ele enxergasse a história do passado como elemento fundamental para
entendermos o presente.
Entretanto, acreditava que a pesquisa histórica não resultava no estabelecimento de leis evolutivas
universais e de generalizações. Pelo contrário, Weber acreditava que ela apontava para algo bem
diferente: as infindas diferenças existentes entre as diversas sociedades.
Essas diferenças não estavam baseadas nos supostos estágios evolutivos preconizados pelos
positivistas. Segundo Weber, estavam no fato de que cada sociedade apresenta origem e formação
diferentes das demais. Por isso, cada grupo social é único e deve ser respeitado em suas especificidades.
Para Weber, o conhecimento produzido pela pesquisa histórica era imprescindível na formulação de
evidências fundamentais para os estudos sociológicos. Por isso, sua sociologia compreensiva consistia em
um esforço para interpretar como elementos do passado repercutiam nas particularidades das diferentes
sociedades. Acontecimentos que a princípio não apresentariam importância, poderiam ter sentidos
históricos e sociais inimagináveis.
Weber também apresenta uma concepção de história bem diferente daquela defendida pelo
materialismo histórico de Karl Marx, segundo o qual todas as transformações históricas de uma dada
sociedade podem ser explicadas pelas relações econômicas.
A perspectiva weberiana é de que a história é resultado de uma série de fatores e acontecimentos
que podem ser também de natureza política, cultural, religiosa etc. O percurso histórico de uma sociedade
não estaria, segundo ele, submetido apenas a questões econômicas, como dizia Marx, mas é resultado da
combinação de diferentes fatores.
MAX WEBER: SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO
A sociologia de Max Weber: a sociedade não é vista como um todo superior ao individuo e que
determina o comportamento como uma força externa impositiva.
Objeto da sociologia: a ação social e seus desdobramentos, Marx desloca a enfase das totalidades
superindividuais para o individuo e para as redes de interações em que este se envolve.
O conceito de ação social: define como uma conduta humana (omissão, permissão) dotada de um
significado subjetivo dado por quem o executa, pode ser individualizados e conhecidos ou uma pluralidade
de individuos indeterminados e completamente desconhecidos.
Weber considera que ação mais compreensivel é aquela que apresenta maior racionalidade.
Ir a escola é uma ação social porque agindo assm você terá, indo ou, no caso inverso, deixando de
ir.Esse tipo de ação que Weber classificaria como racional com relação aos fins, que estabelece os fins e
procura os meios mais adequados para a concretização dos seus objetivos conscientemente visados.
Weber vai definir o capitalismo como uma ação racional com vista a garantir o lucro de forma
duradoura. Quando a ação do individuo é guiada por valores éticos e morais temos um outro tipo de ação
social.
Quintaneiro: para estarem seguros quanto a sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem
descanso, trabalhar o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus e por meio de
suas atividades produtivas.
As ações sociais mais afastadas da racionalidade são as que Weber classificou como ação
tradicional e ação afetiva. O primeiro tipo de ação consiste no hábito e costumes arraigados na cultura.
Weber definiu que uma das caracteristicas básicas da sociedade moderna é a tendência
crescente a racionalização de todas as esferas da vida social, politica e cultural. A ação corrosiva da razão
produz o desencantamento do mundo, que passa a ser organizado de acordo com regras instituidas por
meio de uma ação rigorosamente racional.
O sitema economico capitalista levou o controle burocrático ao seu mais extremo
desenvolvimento. Marx Weber observou que quanto mais desumanizada se torna a burocracia, melhor ela
desenvolve as caracteristicas valorizadas pelo capitalismo.
O poder burocratico é um poder de cima para baixo, mesmo que baseado em regras bem definidas
que definem as competencias e brigações de cada menro da cadeia de comando numa organização
burocrática.
Atualmente a burocracia como forma de organização das atividades numa empresa ou qualquer
outro tipo de instituição tende a ser maid questionadas em sua eficácia.
Entendimento de Rodrigues: a educação para Weber é o modo pelo qual os homens são
preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes
colocou a disposição.
A educação enquanto processo formal de aprendizagem social está envolvida, numa pedagogia de
treinamento com vista a formar o especialista, que possui uma competência técnica especifica destinada a
ocupar um lugar na vasta organização de uma grande empresa . Esse tipo de educação, tem sido cada
vez mais questionada por educadores, pois desvincula o aprendizado dos valores humanistas e longe de
uma perspectiva criticamente orientada para transformação da realidade social.
A educação em Max Weber
(1864-1920) é a sociologia da acção social dotada de sentido e de significado subjectivo: o sentido é
interactivo porque tem significado social; é subjectivo porque individual. A sociologia de Weber é a “ciência
O pensamento de Max Weber sobre educação
consta em textos como Ensaios de Sociologia, A Ciência como Vocação, Os Letrados Chineses,
Burocracia ou Sobre a Universidade ou em discursos(Universidade de Munique, 1918). que se propõe
compreender interpretativamente a acção social [a acção é o comportamento humano dotado de sentido
subjectivo; a acção social é a acção onde o sentido se refere ao comportamento, à conduta, de outras
pessoas. Há quatro tipos de acção – a acção racional relativamente a um fim, a acção racional
relativamente a um valor, a acção afectiva, a acção tradicional – a que correspondem três tipos de
dominação – racional, carismática, tradicional]
Em poucas palavras, digamos que a sociologia weberiana é a uma teoria (racionalista) da acção
social dotada de intencionalidade significativa (Cruz, 1989: XII).Ao contrário de Durkheim, que pretendia
explicar „factos sociais‟, Weber procura captar, para depois compreender e interpretar, conexões de
sentido (o conteúdo simbólico) nas acções dos indivíduos.
O entendimento dos fenómenos sociais é possível pelo método compreensivo: compreender
significa, sempre, apreensão interpretativa do sentido. Weber defende a utilização do “tipo ideal”, o centro
da sua doutrina racionalista. O conceito de “tipo ideal”liga-se à noção de compreensão, ao processo de
racionalização e à concepção analítica e parcial da causalidade (Aron, 1991: 495). São exemplo de tipos
ideais o capitalismo, a democracia, a sociedade, a burocracia e lei.Ao contrário de Marx, para Weber a
característica mais evidente da sociedade capitalista é a racionalização burocrática.
A estrutura social de poder assenta em três tipos de ordem: a económica (que se exprime nas
classes), a social (que se exprime no status)e a da luta pelo poder (que se exprime nos partidos).Tal como
em Karl Marx, a educação nãoé temática dominante na obra de Max Weber. Na verdade, a sua influência
nesta área data de finais dos anos 60, início dos anos 70 do século XX e pode sistematizar-se da seguinte
forma: Weber trabalha um modelo implícito de reprodução no âmbito da teoria da burocracia, atribuindo ao
Estado um papel de agente de uma racionalização social global e de mediador de conflitos entre grupos
sociais (Morrow e Torres, 1997: 27).
A proposta weberiana possibilita a compreensão da dinâmica (micro e macro) do fenómeno
educativo, nomeadamente as suas relações/conexões com outras esferas do social (instituições e grupos,
por exemplo). A educação, relação associativa (como qualquer relação social), modo de preparação dos
homens para a vida social, é para Weber (tal como para Karl Marx) um mecanismo que contribui para a
manutenção de uma situação de dominação de um grupo em relação a outro (na perspectiva weberiana,
seja a dominação racional, carismática ou tradicional).
Os exames nas universidades são exemplo dessa dominação (“obediência”). Mas vai mais longe:
segundo Weber, a ambivalência dos exames traduz-se, por um lado, na selecção de indivíduos de classes
sociais privilegiadas que vêm a ocupar posições privilegiadas na sociedade: por outro, esse sistema pode
resultar na constituição (e reprodução) de uma „casta‟ privilegiada. O diploma, símbolo de prestígio social,
ao mesmo tempo que certifica a especialização dos indivíduos (“peritos”), abre portas à obtenção de
vantagens (económicas e sociais, por exemplo) pelo ingresso nas instituições públicas e privadas e pela
ocupação de cargos nessas estruturas (burocráticas).
A selecção social é um elemento permanente na sociedade e a educação contribui para essa
selecção social, favorecendo o êxito individual. O diploma é um critério de selecção social. A educação é,
portanto, factor de estratificação social.
A escola é palco de relações de poder, logo de dominação (combina a dominação tradicional com a
burocrática). No centro da proposta weberiana está a identificação de três tipos de educação: a
carismática; a humanista (“de cultivo”); a racional-burocrática (especializada)
Historicamente, os dois pólos opostos no campo das finalidades educacionais são: despertar o
carisma, isto é, qualidades heróicas ou dons mágicos; e transmitir o conhecimento especializado.
O primeiro tipo corresponde à estrutura carismática do domínio; o segundo corresponde à estrutura
(moderna) de domínio, racional e burocrático. Os dois tipos não se opõem, sem ter conexões ou transições
entcionário especializado em geral não é preparado exclusivamente Entre eles estão aqueles tipos que
pretendem preparar o aluno para a conduta da vida, seja de carácter mundano ou religioso. (Weber, 1971:
482)
Os três tipos de dominação correspondem aos três tipos de educação, sendo que cada um deles é
mais ou menos valorizado pelas instituições burocráticas políticas-económicas-sociais em determinada
época: a dominação carismática corresponde à educação de carisma, sendo identificada com a
antiguidade; a dominação tradicional prende-se com a educação humanista (do “homem culto”), sendo
característica do patriarcalismo; a dominação racional relaciona-se com uma educação racional burocrática
(“do especialista”) e encontrase subjacente ao capitalismo. As instâncias dominantes em cada período
histórico participam na definição das finalidades da educação
.Como sabemos, o capitalismo é, para Weber, a forma mais elevada de racionalização. Numa
sociedade capitalista-racionalburocrática, os indivíduos distinguem-se pelas suas qualificações (havendo
necessidade de “funcionários especializados”, “profissionalmente mais informados”): a educação é o
elemento que contribui para a selecção social, é um dos recursos possíveis para se manter – ou melhorar
– o status (e quanto mais reduzido for o grupo, maior oprestígio social dos seus membros). Também para
Weber, tal como para Durkheim, a educação é um processo de socialização permanente.
No pensamento marxista, a educação é um espaço de reprodução ideológica dos interesses da
classe dominante (a burguesia);em Durkheim, a educação é vista como instituição integradora essencial à
ordem social; na perspectiva weberiana, a educação é fonte de um novo princípio de controlo, enquanto
racionalidade instrumental de dominação burocrática (Morrow e Torres, 1997:24). Se em Marx a educação
pode oprimir ou emancipar o indivíduo (no sentido de “libertação”); em Durkheim, a educação é o
mecanismo pelo qual ele se torna membro de uma sociedade (se torna “um ser novo”).Weber vai mais
longe: a educação é factor de selecção e de estratificação sociais. Marx e Durkheim centraram-se no poder
das forças externas ao indivíduo; Weber centrou-se nacapacidade de acção do indivíduo sobre o exterior.O
herói guerreiro ou o mágico também necessita de treino especial.
Max Weber (1864 – 1920) Sociologia Compreensiva
Sociólogo e economista político alemão, um dos fundadores da sociologia moderna, acadêmico
cujos estudos do capitalismo, de religiões comparadas, de sistemas de classes e sistemas sociais,
juntamente com as suas contribuições a metodologia das ciências sociais, ainda são de grande
importância. Na opinião de Weber, a tendência da civilização do ocidente tem sido rumo a racionalização,
conduzida pela crença no progresso por intermédio da razão, que abriu caminho para o desenvolvimento
das organizações sociais, políticas e econômicas que diverge da maioria das outras culturas.
Essa opinião esta expressa de maneira marcante na obra mais famosa e controversa de Weber, A
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905). Nela, Weber atribuía a ascensão e o
crescimento do capitalismo - fenômeno claramente ocidental que só há pouco tempo foi exportado para o
resto do mundo – em parte, à ética prática contida na teologia protestante, em especial na teologia
calvinista.
Weber procurou criar uma metodologia válida para a sociologia fundamentada em valor-liberdade, a
fuga dos juízos de valor que compromete a pesquisa; a construção de tipos ideia, ou conceitos
generalizados, em comparação aos que se possam analisar os sistemas e os fenômenos; e o que ele
chamava de Verstehen – “entendimento” em alemão, mas que também implica a interpretação das
atividades sociais segundo seu significado subjetivo tanto para os “agentes” quanto para o pesquisador.
O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido que as ações de um
indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. Se, por exemplo, uma pessoa
dá a outra um pedaço de papel, esse fato, em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente
quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma dívida (o
pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato propriamente humano, ou seja, de uma
ação carregada de sentido. O fato em questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um
complexo de significações sociais, na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao pedaço de
papel a função do servir como meio de troca ou pagamento; além disso, essa função é reconhecida por
uma comunidade maior de pessoas.
O objeto da Sociologia é a ação social. Ação social é a conduta humana dotada de sentido
(justificativa subjetivamente elaborada). É importante diferenciar ação social de relação social. No primeiro
caso, a ação é orientada pela conduta do outro.Na Segunda a ação é orientada pelo sentido compartilhado
reciprocamente por um grupo de agentes.Tipos de ação social:
Ação racional com relação a um objetivo (tem um fim previamente determinado). Ex: a ação política.
Ação racional com relação a valor (relacionado à moral). Ex: condutas ligadas às manifestações
religiosas.
Ação afetiva (ditado pelo estado de consciência ou humor do sujeito). Ex: o ciúme entre os casais.
Ação tradicional (ditado por valores culturais absorvidos pelo sujeito como naturais, obedecendo a
reflexos).
É para orientar o cientista na compreensão da ação social e, conseqüentemente dos fenômenos sociais
que faz-se necessário a construção do tipo ideal.
Para ele a sociedade não “paira” sobre os indivíduos e nem lhes é superior. As regras e normas
sociais são resultados de um conjunto complexo de ações individuais, nas quais os indivíduos escolheriam
diferentes formas de conduta. Há portando um privilégio da parte (indivíduo) sobre o todo (sociedade)
A sociologia weberiana concebe a sociedade como um eterno fluir, um conjunto inesgotável de
acontecimentos que aparecem e desaparecem, estando sempre em movimento devido a um elemento
básico: a ação social que implica uma concepção do homem como indivíduo ativo a partir de um processo
de conexão valorativa do homem visando o real.
A CONTRIBUIÇÃO DE WEBER PARA A SOCIOLOGIA:
A busca da análise histórica e da compreensão qualitativa para a compreensão dos
processos históricos e sociais.
Descoberta da subjetividade na ação e pesquisa social
Desenvolveu uma forma de análise específica para as ciências sociais, diferenciando-a das
ciências exatas e da natureza.
Desenvolveu trabalhos na área de história econômica, buscando as leis de desenvolvimento
das sociedades.
Estudou as relações entre o meio urbano e o agrário.Sociologia Econômica
Durante a maior parte de sua vida acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área
econômica. Aliás, seu último livro, um conjunto de notas de aula publicada por seus alunos, chama-se
justamente História Geral da Economia. Desta forma, não é surpresa que Weber elabore uma sofisticada
abordagem sociológica da vida econômica. Por esta razão, há até teóricos
[7]
que defendem que, em última
instância, toda obra de Weber não passa de uma teoria econômica, qual seja, uma visão sócio-histórica da
vida aquisitiva.
Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Weber tendia a ver o capitalismo como um
fenômeno específicamente moderno. Já em sua " Ética Protestante" (de 1904), apesar de colocar em
relevo os fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão que predominava. Mas, nas
décadas seguintes, ele romperá com estas noções.
Em primeiro lugar, ele insere o capitalismo (na sua fase "moderna"). Ou seja, enquanto fênômeno
social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da modernidade Ocidental e é similar,
em sua forma racional, ao campo da política, do direito, da ciência, etc. Outra mudança importante é que
Weber rompe com a definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna:
daí a expressão capitalismo "moderno". Para Weber, o capitalismo é um fenômeno que atravessa a
história, pois a busca do lucro já pode ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes
civilizações e mesmo nas sociedades não-ocidentais. O núcleo estruturante da atividade capitalista é
a''empresa''.
Com base nestas premissas, Weber construiu diferentes tipos ideais de capitalismo, como a
capitalismo aventureiro, o capitalismo de Estado, o capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc.
As principais análises de Weber sobre o campo econômico podem ser encontradas no segundo
capítulo de Economia e Sociedade, tópico em que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca
que o processo de racionalização da atividade econômica também envolve a passagem de uma
racionalidade material - na qual a vida econômica está submetida a valores de ordem ética ou política .
Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um dos precursores da sociologia
econômica.
Sociologia Política
Max Weber desenvolveu um importante trabalho de sociologia política através da sua teoria
dos tipos de dominação
Dominação é a possibilidade de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato.
Isso pode acontecer por motivos diversos, como costumes e tradição. Weber define três tipos de
dominação que se distinguem pelo caráter da dominação (pessoal ou impessoal) e, principalmente, pela
diferença nos fundamentos da legitimidade. São elas: legal, tradicional e carismática.
Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência e aceitação da validade
intrínseca das normas e seu quadro administrativo é mais bem representado pela burocracia. A ideia
principal da dominação legal é que deve existir um estatuto.Nessa forma de dominação, o dominado
obedece à regra, e não à pessoa em si, independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui
tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, Assim o poder é
totalmente impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à administração pessoal. A forma mais
pura de dominação legal é a burocracia.
Dominação tradicional: Se dá pela crença na santidade de quem dá a ordem e de suas
ordenações, sua ordem mais pura se dá pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os súditos
obedecem e na forma administrativa isso se dá pela forma dos servidores.
Dominação carismática: nesta forma de dominação os dominados obedecem a um senhor em
virtude do seu carisma ou seja, das qualidades execpcionais que lhe conferem especial poder de mando. A
palavra carisma é de inspiração religiosa e, no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo Espírito
Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido sociológico como dons e carismas do próprio
indivíduo e, foi nesta forma que Weber a adotou. Weber considerou o carisma uma força revolucionária na
história.
A tipologia weberiana das formas de poder político diferente claramente da tradição clássica,
orientada pela discussão da teoria das formas de governo, oriunda do mundo antigo (Platão e Aristóteles).
Filiado à tradição realista de pensamento, Weber também rejeita os pressupostos normativos e éticos da
teoria do poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de exercício. Ao demonstrar que o exercício
do poder envolve a necessidade de legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua
institucionalização por meio de um quadro administrativo, Weber apresentou os fundamentos básicos da
sociologia política da era contemporânea.
Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política - alicerçada em seus tipos de dominação -
Max Weber foi um dos mais argutos analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império
Alemão e durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico da política de Bismarck, líder que, ao
monopolizar o poder, deixou a nação sem qualquer nível de sofisticação política, Weber sempre apontou a
necessidade de reconstrução da liderança política. No escrito O Estado Nacional e a Política Econômica,
de 1895, já mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam aptar a dirigir a nação, seja
pela sua decadência social (caso dos Junkers), seja pela sua imaturidade política (caso da burguesia e do
proletariado)
[10]
.
3. Sociologia da estratificação social Estratificação social é a área da sociologia que se ocupa da
pesquisa sobre a posição dos indivíduos na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram as
distinções sociais entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que explicava estas diferenças apenas com
base em fatores econômicos, Weber mostrou que as hierarquias e distinções sociais obedecem à lógicas
diferentes na esfera econômica, social e política. Sob o aspecto econômico as classes sociais são
diferenciadas conforme as chances de oportunidades de vida, escalonando os indivíduos em grupos
positiva ou negativamente privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e agrupamentos sociais são
valorizados conforme atributos de valor, dando origens a diversos tipos de grupos de status.
4. Sociologia do Direito Jurista de formação, a análise da esfera jurídica não ficou de fora das
preocupações de Max Weber. Ao compreender historicamente a evolução do direito, Weber destaca o
crescente processo de racionalização que lhe é inerente.
.A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não se dedica apenas a entender esta
esfera de forma isolada. O direito possui uma ligação direta tanto com a ordem política quanto com a
ordem econômica.
Como teórico da evolução sócio-histórica do direito, Weber é um dos precursores do chamado
direito positivista, pois ele concebia o direito formal como a forma mais avançada historicamente do
sistema jurídico. Desta forma, Max Weber está na raiz de importantes teóricos.

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A sociologia de weber.sónia

  • 1. INTRODUÇÃO A sociologia de Weber, como vimos, nasceu em um contexto bem diferente daquele vivenciado por Comte e Durkheim. Ela foi muito influenciada pelo idealismo alemão, corrente filosófica da qual se destacam nomes como Emmanuel Kant e Friedrich Hegel. Um dos pontos essenciais de discordância entre os positivistas e os idealistas, mais especificamente entre a sociologia de Durkheim e a de Weber, refere-se ao modo de conceber a história e sua importância para os estudos sociológicos. Os positivistas concebiam a história enquanto um processo evolutivo da humanidade. Esse processo seria repleto de fases distintas e sucessivas pelas quais devem passar todas as sociedades. Assim, o que diferenciava uma sociedade da outra era o estágio em que ela se encontrava dentro desse processo.Para conhecer esse estágio, os positivistas destacavam o método comparativo. O pressuposto do qual eles partiam era o seguinte: sociedades de diferentes períodos e lugares poderiam ser postas em comparação. Assim, saberíamos, por exemplo, se a sociedade “a” encontra-se no mesmo estágio evolutivo que a sociedade “b”. Como, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades acabariam por passar pelos mesmos estágios evolutivos, o positivismo concebia a história como um processo universal, e não como algo único e próprio de cada grupo social.
  • 2. DESENVOVIMENTO Essa lei evolutiva era generalizante e anulava as particularidades históricas das diferentes sociedades. Mais uma vez, a corrente positivista mostrava que para ela o importante era o que se apresentava como geral a todas as sociedades, e não aquilo que cada uma tem de particular. PENSAMENTO DE WEBER Weber, influenciado pelo idealismo alemão, discordava da concepção de história do positivismo. Tendo iniciado como historiador, ele estava acostumado com a pesquisa de documentos e arquivos. Sua experiência permitiu que ele enxergasse a história do passado como elemento fundamental para entendermos o presente. Entretanto, acreditava que a pesquisa histórica não resultava no estabelecimento de leis evolutivas universais e de generalizações. Pelo contrário, Weber acreditava que ela apontava para algo bem diferente: as infindas diferenças existentes entre as diversas sociedades. Essas diferenças não estavam baseadas nos supostos estágios evolutivos preconizados pelos positivistas. Segundo Weber, estavam no fato de que cada sociedade apresenta origem e formação diferentes das demais. Por isso, cada grupo social é único e deve ser respeitado em suas especificidades. Para Weber, o conhecimento produzido pela pesquisa histórica era imprescindível na formulação de evidências fundamentais para os estudos sociológicos. Por isso, sua sociologia compreensiva consistia em um esforço para interpretar como elementos do passado repercutiam nas particularidades das diferentes sociedades. Acontecimentos que a princípio não apresentariam importância, poderiam ter sentidos históricos e sociais inimagináveis. Weber também apresenta uma concepção de história bem diferente daquela defendida pelo materialismo histórico de Karl Marx, segundo o qual todas as transformações históricas de uma dada sociedade podem ser explicadas pelas relações econômicas. A perspectiva weberiana é de que a história é resultado de uma série de fatores e acontecimentos que podem ser também de natureza política, cultural, religiosa etc. O percurso histórico de uma sociedade não estaria, segundo ele, submetido apenas a questões econômicas, como dizia Marx, mas é resultado da combinação de diferentes fatores.
  • 3. MAX WEBER: SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO A sociologia de Max Weber: a sociedade não é vista como um todo superior ao individuo e que determina o comportamento como uma força externa impositiva. Objeto da sociologia: a ação social e seus desdobramentos, Marx desloca a enfase das totalidades superindividuais para o individuo e para as redes de interações em que este se envolve. O conceito de ação social: define como uma conduta humana (omissão, permissão) dotada de um significado subjetivo dado por quem o executa, pode ser individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de individuos indeterminados e completamente desconhecidos. Weber considera que ação mais compreensivel é aquela que apresenta maior racionalidade. Ir a escola é uma ação social porque agindo assm você terá, indo ou, no caso inverso, deixando de ir.Esse tipo de ação que Weber classificaria como racional com relação aos fins, que estabelece os fins e procura os meios mais adequados para a concretização dos seus objetivos conscientemente visados. Weber vai definir o capitalismo como uma ação racional com vista a garantir o lucro de forma duradoura. Quando a ação do individuo é guiada por valores éticos e morais temos um outro tipo de ação social. Quintaneiro: para estarem seguros quanto a sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem descanso, trabalhar o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus e por meio de suas atividades produtivas. As ações sociais mais afastadas da racionalidade são as que Weber classificou como ação tradicional e ação afetiva. O primeiro tipo de ação consiste no hábito e costumes arraigados na cultura. Weber definiu que uma das caracteristicas básicas da sociedade moderna é a tendência crescente a racionalização de todas as esferas da vida social, politica e cultural. A ação corrosiva da razão produz o desencantamento do mundo, que passa a ser organizado de acordo com regras instituidas por meio de uma ação rigorosamente racional.
  • 4. O sitema economico capitalista levou o controle burocrático ao seu mais extremo desenvolvimento. Marx Weber observou que quanto mais desumanizada se torna a burocracia, melhor ela desenvolve as caracteristicas valorizadas pelo capitalismo. O poder burocratico é um poder de cima para baixo, mesmo que baseado em regras bem definidas que definem as competencias e brigações de cada menro da cadeia de comando numa organização burocrática. Atualmente a burocracia como forma de organização das atividades numa empresa ou qualquer outro tipo de instituição tende a ser maid questionadas em sua eficácia. Entendimento de Rodrigues: a educação para Weber é o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes colocou a disposição. A educação enquanto processo formal de aprendizagem social está envolvida, numa pedagogia de treinamento com vista a formar o especialista, que possui uma competência técnica especifica destinada a ocupar um lugar na vasta organização de uma grande empresa . Esse tipo de educação, tem sido cada vez mais questionada por educadores, pois desvincula o aprendizado dos valores humanistas e longe de uma perspectiva criticamente orientada para transformação da realidade social. A educação em Max Weber (1864-1920) é a sociologia da acção social dotada de sentido e de significado subjectivo: o sentido é interactivo porque tem significado social; é subjectivo porque individual. A sociologia de Weber é a “ciência O pensamento de Max Weber sobre educação consta em textos como Ensaios de Sociologia, A Ciência como Vocação, Os Letrados Chineses, Burocracia ou Sobre a Universidade ou em discursos(Universidade de Munique, 1918). que se propõe compreender interpretativamente a acção social [a acção é o comportamento humano dotado de sentido subjectivo; a acção social é a acção onde o sentido se refere ao comportamento, à conduta, de outras pessoas. Há quatro tipos de acção – a acção racional relativamente a um fim, a acção racional relativamente a um valor, a acção afectiva, a acção tradicional – a que correspondem três tipos de dominação – racional, carismática, tradicional]
  • 5. Em poucas palavras, digamos que a sociologia weberiana é a uma teoria (racionalista) da acção social dotada de intencionalidade significativa (Cruz, 1989: XII).Ao contrário de Durkheim, que pretendia explicar „factos sociais‟, Weber procura captar, para depois compreender e interpretar, conexões de sentido (o conteúdo simbólico) nas acções dos indivíduos. O entendimento dos fenómenos sociais é possível pelo método compreensivo: compreender significa, sempre, apreensão interpretativa do sentido. Weber defende a utilização do “tipo ideal”, o centro da sua doutrina racionalista. O conceito de “tipo ideal”liga-se à noção de compreensão, ao processo de racionalização e à concepção analítica e parcial da causalidade (Aron, 1991: 495). São exemplo de tipos ideais o capitalismo, a democracia, a sociedade, a burocracia e lei.Ao contrário de Marx, para Weber a característica mais evidente da sociedade capitalista é a racionalização burocrática. A estrutura social de poder assenta em três tipos de ordem: a económica (que se exprime nas classes), a social (que se exprime no status)e a da luta pelo poder (que se exprime nos partidos).Tal como em Karl Marx, a educação nãoé temática dominante na obra de Max Weber. Na verdade, a sua influência nesta área data de finais dos anos 60, início dos anos 70 do século XX e pode sistematizar-se da seguinte forma: Weber trabalha um modelo implícito de reprodução no âmbito da teoria da burocracia, atribuindo ao Estado um papel de agente de uma racionalização social global e de mediador de conflitos entre grupos sociais (Morrow e Torres, 1997: 27). A proposta weberiana possibilita a compreensão da dinâmica (micro e macro) do fenómeno educativo, nomeadamente as suas relações/conexões com outras esferas do social (instituições e grupos, por exemplo). A educação, relação associativa (como qualquer relação social), modo de preparação dos homens para a vida social, é para Weber (tal como para Karl Marx) um mecanismo que contribui para a manutenção de uma situação de dominação de um grupo em relação a outro (na perspectiva weberiana, seja a dominação racional, carismática ou tradicional). Os exames nas universidades são exemplo dessa dominação (“obediência”). Mas vai mais longe: segundo Weber, a ambivalência dos exames traduz-se, por um lado, na selecção de indivíduos de classes sociais privilegiadas que vêm a ocupar posições privilegiadas na sociedade: por outro, esse sistema pode resultar na constituição (e reprodução) de uma „casta‟ privilegiada. O diploma, símbolo de prestígio social, ao mesmo tempo que certifica a especialização dos indivíduos (“peritos”), abre portas à obtenção de vantagens (económicas e sociais, por exemplo) pelo ingresso nas instituições públicas e privadas e pela ocupação de cargos nessas estruturas (burocráticas). A selecção social é um elemento permanente na sociedade e a educação contribui para essa selecção social, favorecendo o êxito individual. O diploma é um critério de selecção social. A educação é, portanto, factor de estratificação social.
  • 6. A escola é palco de relações de poder, logo de dominação (combina a dominação tradicional com a burocrática). No centro da proposta weberiana está a identificação de três tipos de educação: a carismática; a humanista (“de cultivo”); a racional-burocrática (especializada) Historicamente, os dois pólos opostos no campo das finalidades educacionais são: despertar o carisma, isto é, qualidades heróicas ou dons mágicos; e transmitir o conhecimento especializado. O primeiro tipo corresponde à estrutura carismática do domínio; o segundo corresponde à estrutura (moderna) de domínio, racional e burocrático. Os dois tipos não se opõem, sem ter conexões ou transições entcionário especializado em geral não é preparado exclusivamente Entre eles estão aqueles tipos que pretendem preparar o aluno para a conduta da vida, seja de carácter mundano ou religioso. (Weber, 1971: 482) Os três tipos de dominação correspondem aos três tipos de educação, sendo que cada um deles é mais ou menos valorizado pelas instituições burocráticas políticas-económicas-sociais em determinada época: a dominação carismática corresponde à educação de carisma, sendo identificada com a antiguidade; a dominação tradicional prende-se com a educação humanista (do “homem culto”), sendo característica do patriarcalismo; a dominação racional relaciona-se com uma educação racional burocrática (“do especialista”) e encontrase subjacente ao capitalismo. As instâncias dominantes em cada período histórico participam na definição das finalidades da educação .Como sabemos, o capitalismo é, para Weber, a forma mais elevada de racionalização. Numa sociedade capitalista-racionalburocrática, os indivíduos distinguem-se pelas suas qualificações (havendo necessidade de “funcionários especializados”, “profissionalmente mais informados”): a educação é o elemento que contribui para a selecção social, é um dos recursos possíveis para se manter – ou melhorar – o status (e quanto mais reduzido for o grupo, maior oprestígio social dos seus membros). Também para Weber, tal como para Durkheim, a educação é um processo de socialização permanente. No pensamento marxista, a educação é um espaço de reprodução ideológica dos interesses da classe dominante (a burguesia);em Durkheim, a educação é vista como instituição integradora essencial à ordem social; na perspectiva weberiana, a educação é fonte de um novo princípio de controlo, enquanto racionalidade instrumental de dominação burocrática (Morrow e Torres, 1997:24). Se em Marx a educação pode oprimir ou emancipar o indivíduo (no sentido de “libertação”); em Durkheim, a educação é o mecanismo pelo qual ele se torna membro de uma sociedade (se torna “um ser novo”).Weber vai mais longe: a educação é factor de selecção e de estratificação sociais. Marx e Durkheim centraram-se no poder das forças externas ao indivíduo; Weber centrou-se nacapacidade de acção do indivíduo sobre o exterior.O herói guerreiro ou o mágico também necessita de treino especial.
  • 7. Max Weber (1864 – 1920) Sociologia Compreensiva Sociólogo e economista político alemão, um dos fundadores da sociologia moderna, acadêmico cujos estudos do capitalismo, de religiões comparadas, de sistemas de classes e sistemas sociais, juntamente com as suas contribuições a metodologia das ciências sociais, ainda são de grande importância. Na opinião de Weber, a tendência da civilização do ocidente tem sido rumo a racionalização, conduzida pela crença no progresso por intermédio da razão, que abriu caminho para o desenvolvimento das organizações sociais, políticas e econômicas que diverge da maioria das outras culturas. Essa opinião esta expressa de maneira marcante na obra mais famosa e controversa de Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905). Nela, Weber atribuía a ascensão e o crescimento do capitalismo - fenômeno claramente ocidental que só há pouco tempo foi exportado para o resto do mundo – em parte, à ética prática contida na teologia protestante, em especial na teologia calvinista. Weber procurou criar uma metodologia válida para a sociologia fundamentada em valor-liberdade, a fuga dos juízos de valor que compromete a pesquisa; a construção de tipos ideia, ou conceitos generalizados, em comparação aos que se possam analisar os sistemas e os fenômenos; e o que ele chamava de Verstehen – “entendimento” em alemão, mas que também implica a interpretação das atividades sociais segundo seu significado subjetivo tanto para os “agentes” quanto para o pesquisador. O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. Se, por exemplo, uma pessoa dá a outra um pedaço de papel, esse fato, em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma dívida (o pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato propriamente humano, ou seja, de uma ação carregada de sentido. O fato em questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de significações sociais, na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao pedaço de papel a função do servir como meio de troca ou pagamento; além disso, essa função é reconhecida por uma comunidade maior de pessoas. O objeto da Sociologia é a ação social. Ação social é a conduta humana dotada de sentido (justificativa subjetivamente elaborada). É importante diferenciar ação social de relação social. No primeiro caso, a ação é orientada pela conduta do outro.Na Segunda a ação é orientada pelo sentido compartilhado reciprocamente por um grupo de agentes.Tipos de ação social: Ação racional com relação a um objetivo (tem um fim previamente determinado). Ex: a ação política. Ação racional com relação a valor (relacionado à moral). Ex: condutas ligadas às manifestações religiosas.
  • 8. Ação afetiva (ditado pelo estado de consciência ou humor do sujeito). Ex: o ciúme entre os casais. Ação tradicional (ditado por valores culturais absorvidos pelo sujeito como naturais, obedecendo a reflexos). É para orientar o cientista na compreensão da ação social e, conseqüentemente dos fenômenos sociais que faz-se necessário a construção do tipo ideal. Para ele a sociedade não “paira” sobre os indivíduos e nem lhes é superior. As regras e normas sociais são resultados de um conjunto complexo de ações individuais, nas quais os indivíduos escolheriam diferentes formas de conduta. Há portando um privilégio da parte (indivíduo) sobre o todo (sociedade) A sociologia weberiana concebe a sociedade como um eterno fluir, um conjunto inesgotável de acontecimentos que aparecem e desaparecem, estando sempre em movimento devido a um elemento básico: a ação social que implica uma concepção do homem como indivíduo ativo a partir de um processo de conexão valorativa do homem visando o real. A CONTRIBUIÇÃO DE WEBER PARA A SOCIOLOGIA: A busca da análise histórica e da compreensão qualitativa para a compreensão dos processos históricos e sociais. Descoberta da subjetividade na ação e pesquisa social Desenvolveu uma forma de análise específica para as ciências sociais, diferenciando-a das ciências exatas e da natureza. Desenvolveu trabalhos na área de história econômica, buscando as leis de desenvolvimento das sociedades. Estudou as relações entre o meio urbano e o agrário.Sociologia Econômica Durante a maior parte de sua vida acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área econômica. Aliás, seu último livro, um conjunto de notas de aula publicada por seus alunos, chama-se justamente História Geral da Economia. Desta forma, não é surpresa que Weber elabore uma sofisticada abordagem sociológica da vida econômica. Por esta razão, há até teóricos [7] que defendem que, em última instância, toda obra de Weber não passa de uma teoria econômica, qual seja, uma visão sócio-histórica da vida aquisitiva. Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Weber tendia a ver o capitalismo como um fenômeno específicamente moderno. Já em sua " Ética Protestante" (de 1904), apesar de colocar em relevo os fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão que predominava. Mas, nas décadas seguintes, ele romperá com estas noções.
  • 9. Em primeiro lugar, ele insere o capitalismo (na sua fase "moderna"). Ou seja, enquanto fênômeno social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da modernidade Ocidental e é similar, em sua forma racional, ao campo da política, do direito, da ciência, etc. Outra mudança importante é que Weber rompe com a definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna: daí a expressão capitalismo "moderno". Para Weber, o capitalismo é um fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes civilizações e mesmo nas sociedades não-ocidentais. O núcleo estruturante da atividade capitalista é a''empresa''. Com base nestas premissas, Weber construiu diferentes tipos ideais de capitalismo, como a capitalismo aventureiro, o capitalismo de Estado, o capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc. As principais análises de Weber sobre o campo econômico podem ser encontradas no segundo capítulo de Economia e Sociedade, tópico em que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca que o processo de racionalização da atividade econômica também envolve a passagem de uma racionalidade material - na qual a vida econômica está submetida a valores de ordem ética ou política . Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um dos precursores da sociologia econômica. Sociologia Política Max Weber desenvolveu um importante trabalho de sociologia política através da sua teoria dos tipos de dominação Dominação é a possibilidade de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato. Isso pode acontecer por motivos diversos, como costumes e tradição. Weber define três tipos de dominação que se distinguem pelo caráter da dominação (pessoal ou impessoal) e, principalmente, pela diferença nos fundamentos da legitimidade. São elas: legal, tradicional e carismática. Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência e aceitação da validade intrínseca das normas e seu quadro administrativo é mais bem representado pela burocracia. A ideia principal da dominação legal é que deve existir um estatuto.Nessa forma de dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si, independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, Assim o poder é totalmente impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à administração pessoal. A forma mais pura de dominação legal é a burocracia. Dominação tradicional: Se dá pela crença na santidade de quem dá a ordem e de suas ordenações, sua ordem mais pura se dá pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os súditos obedecem e na forma administrativa isso se dá pela forma dos servidores.
  • 10. Dominação carismática: nesta forma de dominação os dominados obedecem a um senhor em virtude do seu carisma ou seja, das qualidades execpcionais que lhe conferem especial poder de mando. A palavra carisma é de inspiração religiosa e, no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo Espírito Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido sociológico como dons e carismas do próprio indivíduo e, foi nesta forma que Weber a adotou. Weber considerou o carisma uma força revolucionária na história. A tipologia weberiana das formas de poder político diferente claramente da tradição clássica, orientada pela discussão da teoria das formas de governo, oriunda do mundo antigo (Platão e Aristóteles). Filiado à tradição realista de pensamento, Weber também rejeita os pressupostos normativos e éticos da teoria do poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de exercício. Ao demonstrar que o exercício do poder envolve a necessidade de legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua institucionalização por meio de um quadro administrativo, Weber apresentou os fundamentos básicos da sociologia política da era contemporânea. Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política - alicerçada em seus tipos de dominação - Max Weber foi um dos mais argutos analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império Alemão e durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico da política de Bismarck, líder que, ao monopolizar o poder, deixou a nação sem qualquer nível de sofisticação política, Weber sempre apontou a necessidade de reconstrução da liderança política. No escrito O Estado Nacional e a Política Econômica, de 1895, já mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam aptar a dirigir a nação, seja pela sua decadência social (caso dos Junkers), seja pela sua imaturidade política (caso da burguesia e do proletariado) [10] . 3. Sociologia da estratificação social Estratificação social é a área da sociologia que se ocupa da pesquisa sobre a posição dos indivíduos na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram as distinções sociais entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que explicava estas diferenças apenas com base em fatores econômicos, Weber mostrou que as hierarquias e distinções sociais obedecem à lógicas diferentes na esfera econômica, social e política. Sob o aspecto econômico as classes sociais são diferenciadas conforme as chances de oportunidades de vida, escalonando os indivíduos em grupos positiva ou negativamente privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e agrupamentos sociais são valorizados conforme atributos de valor, dando origens a diversos tipos de grupos de status. 4. Sociologia do Direito Jurista de formação, a análise da esfera jurídica não ficou de fora das preocupações de Max Weber. Ao compreender historicamente a evolução do direito, Weber destaca o crescente processo de racionalização que lhe é inerente.
  • 11. .A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não se dedica apenas a entender esta esfera de forma isolada. O direito possui uma ligação direta tanto com a ordem política quanto com a ordem econômica. Como teórico da evolução sócio-histórica do direito, Weber é um dos precursores do chamado direito positivista, pois ele concebia o direito formal como a forma mais avançada historicamente do sistema jurídico. Desta forma, Max Weber está na raiz de importantes teóricos.