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A sociologia de Weber, como vimos, nasceu em um contexto bem diferente daquele vivenciado
por Comte e Durkheim. Ela foi muito influenciada pelo idealismo alemão, corrente filosófica da
qual se destacam nomes como Emmanuel Kant e Friedrich Hegel.
Um dos pontos essenciais de discordância entre os positivistas e os idealistas, mais
especificamente entre a sociologia de Durkheim e a de Weber, refere-se ao modo de conceber a
história e sua importância para os estudos sociológicos.
Como pensavam os positivistas
Os positivistas concebiam a história enquanto um processo evolutivo da humanidade. Esse
processo seria repleto de fases distintas e sucessivas pelas quais devem passar todas as
sociedades. Assim, o que diferenciava uma sociedade da outra era o estágio em que ela se
encontrava dentro desse processo.
Para conhecer esse estágio, os positivistas destacavam o método comparativo. O pressuposto do
qual eles partiam era o seguinte: sociedades de diferentes períodos e lugares poderiam ser
postas em comparação. Assim, saberíamos, por exemplo, se a sociedade “a” encontra-se no
mesmo estágio evolutivo que a sociedade “b”.
Como, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades acabariam por passar pelos mesmos
estágios evolutivos, o positivismo concebia a história como um processo universal, e não como
algo único e próprio de cada grupo social.
Essa lei evolutiva era generalizante e anulava as particularidades históricas das diferentes
sociedades. Mais uma vez, a corrente positivista mostrava que para ela o importante era o que
se apresentava como geral a todas as sociedades, e não aquilo que cada uma tem de particular.
Com pensava Weber
Weber, influenciado pelo idealismo alemão, discordava da concepção de história do positivismo.
Tendo iniciado como historiador, ele estava acostumado com a pesquisa de documentos e
arquivos. Sua experiência permitiu que ele enxergasse a história do passado como elemento
fundamental para entendermos o presente.
Entretanto, acreditava que a pesquisa histórica não resultava no estabelecimento de leis
evolutivas universais e de generalizações. Pelo contrário, Weber acreditava que ela apontava
para algo bem diferente: as infindas diferenças existentes entre as diversas sociedades.
Essas diferenças não estavam baseadas nos supostos estágios evolutivos preconizados pelos
positivistas. Segundo Weber, estavam no fato de que cada sociedade apresenta origem e
formação diferentes das demais. Por isso, cada grupo social é único e deve ser respeitado em
suas especificidades.
Para Weber, o conhecimento produzido pela pesquisa histórica era imprescindível na formulação
de evidências fundamentais para os estudos sociológicos. Por isso, sua sociologia compreensiva
consistia em um esforço para interpretar como elementos do passado repercutiam nas
particularidades das diferentes sociedades. Acontecimentos que a princípio não apresentariam
importância, poderiam ter sentidos históricos e sociais inimagináveis.
Weber também apresenta uma concepção de história bem diferente daquela defendida pelo
materialismo histórico de Karl Marx, segundo o qual todas as transformações históricas de uma
dada sociedade podem ser explicadas pelas relações econômicas.
A perspectiva weberiana é de que a história é resultado de uma série de fatores e
acontecimentos que podem ser também de natureza política, cultural, religiosa etc. O percurso
histórico de uma sociedade não estaria, segundo ele, submetido apenas a questões econômicas,
como dizia Marx, mas é resultado da combinação de diferentes fatores.
6. MAX WEBER: SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO
A sociologia de Max Weber: a sociedade não é vista como um todo superior ao individuo e que
determina o comportamento como uma força externa impositiva.
Objeto da sociologia: a ação social e seus desdobramentos, Marx desloca a enfase das
totalidades superindividuais para o individuo e para as redes de interações em que este se
envolve.
O conceito de ação social: define como uma conduta humana (omissão, permissão) dotada de
um significado subjetivo dado por quem o executa, pode ser individualizados e conhecidos ou uma
pluralidade de individuos indeterminados e completamente desconhecidos.
Weber considera que ação mais compreensivel é aquela que apresenta maior racionalidade.
Ir a escola é uma ação social porque agindo assm você terá, indo ou, no caso inverso, deixando
de ir.
Esse tipo de ação que Weber classificaria como racional com relação aos fins, que estabelece os
fins e procura os meios mais adequados para a concretização dos seus objetivos conscientemente
visados.
O objetivo da ação é basicamente egoísta, no sentido de realização de metas do individuo como
tal.
Weber vai definir o capitalismo como uma ação racional com vista a garantir o lucro de forma
duradoura. Quando a ação do individuo é guiada por valores éticos e morais temos um outro tipo
de ação social.
Quintaneiro: para estarem seguros quanto a sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem
descanso, trabalhar o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus e por meio
de suas atividades produtivas.
As ações sociais mais afastadas da racionalidade são as que Weber classificou como ação
tradicional e ação afetiva. O primeiro tipo de ação consiste no hábito e costumes arraigados na
cultura.
Weber definiu que uma das caracteristicas básicas da sociedade moderna é a tendência
crescente a racionalização de todas as esferas da vida social, politica e cultural. A ação corrosiva
da razão produz o desencantamento do mundo, que passa a ser organizado de acordo com regras
instituidas por meio de uma ação rigorosamente racional.
Octavio Ianni: o principio de desenvolvimento do capitalismo é um processo de racionalização,
que ocorre o desenvolvimento de formas racionais de organização das atividades sociais geral,
compreendendo as politicas, as economicas, as juridicas, as religiosas. A rigor, o desenvolvimento
das ciências ditas naturais e sociais, traduzido em tecnologias de todos os tipos, revelam-se
simultaneamente condições e produtos de um vasto complex processo de racionalização do
mundo.
O sitema economico capitalista levou o controle burocrático ao seu mais extremo
desenvolvimento. Marx Weber observou que quanto mais desumanizada se torna a burocracia,
melhor ela desenvolve as caracteristicas valorizadas pelo capitalismo.
O poder burocratico é um poder de cima para baixo, mesmo que baseado em regras bem
definidas que definem as competencias e brigações de cada menro da cadeia de comando numa
organização burocrática.
Atualmente a burocracia como forma de organização das atividades numa empresa ou qualquer
outro tipo de instituição tende a ser maid questionadas em sua eficácia.
Entendimento de Rodrigues: a educação para Weber é o modo pelo qual os homens são
preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes
colocou a disposição.
A educação enquanto processo formal de aprendizagem social está envolvida, numa pedagogia de
treinamento com vista a formar o especialista, que possui uma competência técnica especifica
destinada a ocupar um lugar na vasta organização de uma grande empresa ou orgão publico
burocratizado. Esse tipo de educação, tem sido cada vez mais questionada por educadores, pois
desvincula o aprendizado dos valores humanistas e lnge de uma perspectiva criticamente
orientada para transformação da realidade social.
3 A educação em Max Weber
7
A sociologia accionalista – compreensiva –
interpretativa – explicativa de Max Weber
(1864-1920) é a sociologia da acção social
dotada de sentido e de significado subjectivo: o sentido é interactivo porque tem significado
social; é subjectivo porque individual. A sociologia de Weber é a “ciência
7
O pensamento de Max Weber sobre educação
consta em textos como Ensaios de Sociologia, A
Ciência como Vocação, Os Letrados Chineses, Burocracia ou Sobre a Universidade ou em discursos
académicos como A Profissão e a Vocação de Cientista; A Profissão e a Vocação do Homem
Político
(Universidade de Munique, 1918).
que se propõe compreender interpretativamente a acção social, para deste modo a explicar
causalmente no seu desenrolar e nos
seus efeitos” (Cruz, 1989: 584) *a acção é
o comportamento humano dotado de sentido
subjectivo; a acção social é a acção onde o
sentido se refere ao comportamento, à conduta, de outras pessoas. Há quatro tipos
de acção – a acção racional relativamente a
um fim, a acção racional relativamente a um
valor, a acção afectiva, a acção tradicional
– a que correspondem três tipos de dominação – racional, carismática, tradicional].
Em poucas palavras, digamos que a sociologia weberiana é a uma teoria (racionalista) da
acção social dotada de intencionalidade significativa (Cruz, 1989: XII).
Ao contrário de Durkheim, que pretendia
explicar ‘factos sociais’, Weber procura captar, para depois compreender e interpretar, conexões
de sentido (o conteúdo simbólico) nas acções dos indivíduos. O entendimento dos fenómenos
sociais é possível pelo método compreensivo: compreender significa, sempre, apreensão
interpretativa do sentido. Weber defende a utiliza-
ção do “tipo ideal”, o centro da sua doutrina racionalista. O conceito de “tipo ideal”
liga-se à noção de compreensão, ao processo
de racionalização e à concepção analítica e
parcial da causalidade (Aron, 1991: 495).
São exemplo de tipos ideais o capitalismo, a
democracia, a sociedade, a burocracia, a lei.
Olhemos mais de perto o tipo ideal “burocracia”:
é a organização permanente da cooperação entre numerosos indiví-
duos, exercendo cada um deles
uma função especializada. O burocrata exerce uma profissão sepawww.bocc.ubi.ptEducação,
SociolEducação, Sociologia da Educação e Teorias Sociológicas Clássicas 9
rada da vida familiar, desligada,
como poderíamos dizer, da personalidade que lhe é própria. (Aron,
1991: 507)
Ao contrário de Marx, para Weber a característica mais evidente da sociedade capitalista é a
racionalização burocrática. A estrutura social de poder assenta em três tipos
de ordem: a económica (que se exprime nas
classes), a social (que se exprime no status)
e a da luta pelo poder (que se exprime nos
partidos).
Tal como em Karl Marx, a educação não
é temática dominante na obra de Max Weber. Na verdade, a sua influência nesta área
data de finais dos anos 60, início dos anos
70 do século XX e pode sistematizar-se da
seguinte forma: Weber trabalha um modelo
implícito de reprodução no âmbito da teoria
da burocracia, atribuindo ao Estado um papel de agente de uma racionalização societal
global e de mediador de conflitos entre grupos sociais (Morrow e Torres, 1997: 27). A
proposta weberiana possibilita a compreensão da dinâmica (micro e macro) do fenó-
meno educativo, nomeadamente as suas relações/conexões com outras esferas do social
(instituições e grupos, por exemplo). A
educação, relação associativa (como qualquer relação social), modo de preparação
dos homens para a vida social, é para Weber (tal como para Karl Marx) um mecanismo que
contribui para a manutenção de
uma situação de dominação de um grupo
em relação a outro (na perspectiva weberiana, seja a dominação racional, carismática
ou tradicional). Os exames nas universidades são exemplo dessa dominação (“obediência”). Mas
vai mais longe: segundo Weber, a ambivalência dos exames traduz-se,
por um lado, na selecção de indivíduos de
classes sociais privilegiadas que vêm a ocupar posições privilegiadas na sociedade: por
outro, esse sistema pode resultar na constituição (e reprodução) de uma ‘casta’ privilegiada. O
diploma, símbolo de prestígio
social, ao mesmo tempo que certifica a especialização dos indivíduos (“peritos”), abre
portas à obtenção de vantagens (económicas e sociais, por exemplo) pelo ingresso nas
instituições públicas e privadas e pela ocupação de cargos nessas estruturas (burocráticas). A
selecção social é um elemento permanente na sociedade e a educação contribui
para essa selecção social, favorecendo o ê-
xito individual. O diploma é um critério de
selecção social. A educação é, portanto, factor de estratificação social.
A escola é palco de relações de poder, logo
de dominação (combina a dominação tradicional com a burocrática). No centro da proposta
weberiana está a identificação de três
tipos de educação: a carismática; a humanista (“de cultivo”); a racional-burocrática
(especializada)
Historicamente, os dois pólos
opostos no campo das finalidades
educacionais são: despertar o
carisma, isto é, qualidades heróicas ou dons mágicos; e transmitir o conhecimento especializado.
O primeiro tipo corresponde à estrutura carismática do domínio; o
segundo corresponde à estrutura
(moderna) de domínio, racional e
burocrático. Os dois tipos não
se opõem, sem ter conexões ou
transições entcionário especializado em geral
não é preparado exclusivamente
para o conhecimento. São porém
pólos opostos dos tipos de educação e formam contrastes mais
radicais. Entre eles estão aqueles tipos que pretendem preparar o
aluno para a conduta da vida, seja
de carácter mundano ou religioso.
(Weber, 1971: 482)
Os três tipos de dominação correspondem aos três tipos de educação, sendo
que cada um deles é mais ou menos
valorizado pelas instituições burocráticas
políticas-económicas-sociais em determinada época: a dominação carismática corresponde à
educação de carisma, sendo identifi-
cada com a antiguidade; a dominação tradicional prende-se com a educação humanista (do
“homem culto”), sendo característica do patriarcalismo; a dominação racional
relaciona-se com uma educação racionalburocrática (“do especialista”) e encontrase subjacente
ao capitalismo. As instâncias
dominantes em cada período histórico participam na definição das finalidades da educação.
Como sabemos, o capitalismo é, para Weber, a forma mais elevada de racionaliza-
ção. Numa sociedade capitalista-racionalburocrática, os indivíduos distinguem-se
pelas suas qualificações (havendo necessidade de “funcionários especializados”,
“profissionalmente mais informados”): a educação é o elemento que contribui para a
selecção social, é um dos recursos possíveis
para se manter – ou melhorar – o status (e
quanto mais reduzido for o grupo, maior o
prestígio social dos seus membros). Também
para Weber, tal como para Durkheim, a educação é um processo de socialização permanente,
constante (que, para além da escola,
se consubstancia igualmente na família), de
reprodução e manutenção social.
A actualidade do pensamento weberiano
é por demais evidente: está presente no
crescente processo de burocratização das sociedades (e das instituições, dos processos
e dos sistemas educativos), está presente
na necessidade de especialização (nomeadamente tecnológica, tendo no horizonte a sociedade
‘da informação’ ou ‘do conhecimento’), está presente na diversificação de
formas de educação (traduzida em currículos e políticas educativas renovadas a grande
rotação).
Notas finais
No pensamento marxista, a educação é um
espaço de reprodução ideológica dos interesses da classe dominante (a burguesia);
em Durkheim, a educação é vista como instituição integradora essencial à ordem social; na
perspectiva weberiana, a educação é
fonte de um novo princípio de controlo, enquanto racionalidade instrumental de dominação
burocrática (Morrow e Torres, 1997:
24). Se em Marx a educação pode oprimir
ou emancipar o indivíduo (no sentido de “libertação”); em Durkheim, a educação é o
mecanismo pelo qual ele se torna membro
de uma sociedade (se torna “um ser novo”).
Weber vai mais longe: a educação é factor de
selecção e de estratificação sociais. Marx e
Durkheim centraram-se no poder das forças
externas ao indivíduo; Weber centrou-se na
capacidade de acção do indivíduo sobre o exterior.
Margaret Archer, no texto The sociology
of educational systems, sintetiza, numa ló-
www.bocc.ubi.ptre si. O herói guerreiro ou o mágico também necessita de treino especial, e o fun
– Max Weber (1864 – 1920) Sociologia Compreensiva
Sociólogo e economista político alemão, um dos fundadores da sociologia
moderna, acadêmico cujos estudos do capitalismo, de religiões comparadas, de
sistemas de classes e sistemas sociais, juntamente com as suas contribuições a
metodologia das ciências sociais, ainda são de grande importância. Na opinião de
Weber, a tendência da civilização do ocidente tem sido rumo a racionalização,
conduzida pela crença no progresso por intermédio da razão, que abriu caminho
para o desenvolvimento das organizações sociais, políticas e econômicas que
diverge da maioria das outras culturas.
Essa opinião esta expressa de maneira marcante na obra mais famosa e
controversa de Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-
1905). Nela, Weber atribuía a ascensão e o crescimento do capitalismo -
fenômeno claramente ocidental que só há pouco tempo foi exportado para o resto
do mundo – em parte, à ética prática contida na teologia protestante, em especial
na teologia calvinista.
Weber procurou criar uma metodologia válida para a sociologia fundamentada em
valor-liberdade, a fuga dos juízos de valor que compromete a pesquisa; a
construção de tipos ideais, ou conceitos generalizados, em comparação aos que
se possam analisar os sistemas e os fenômenos; e o que ele chamava de
Verstehen – “entendimento” em alemão, mas que também implica a interpretação
das atividades sociais segundo seu significado subjetivo tanto para os “agentes”
quanto para o pesquisador.
O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido
que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas
mesmas ações. Se, por exemplo, uma pessoa dá a outra um pedaço de papel,
esse fato, em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente quando se
sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma
dívida (o pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato
propriamente humano, ou seja, de uma ação carregada de sentido. O fato em
questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de
significações sociais, na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao
pedaço de papel a função do servir como meio de troca ou pagamento; além
disso, essa função é reconhecida por uma comunidade maior de pessoas.
O objeto da Sociologia é a ação social. Ação social é a conduta humana dotada de
sentido (justificativa subjetivamente elaborada).
É importante diferenciar ação social de relação social. No primeiro caso, a ação é
orientada pela conduta do outro. Na Segunda a ação é orientada pelo sentido
compartilhado reciprocamente por um grupo de agentes.
Tipos de ação social:
Ação racional com relação a um objetivo (tem um fim previamente determinado).
Ex: a ação política.
Ação racional com relação a valor (relacionado à moral). Ex: condutas ligadas às
manifestações religiosas.
Ação afetiva ( ditado pelo estado de consciência ou humor do sujeito). Ex: o ciúme
entre os casais.
Ação tradicional (ditado por valores culturais absorvidos pelo sujeito como
naturais, obedecendo a reflexos).
É para orientar o cientista na compreensão da ação social e, conseqüentemente
dos fenômenos sociais que faz-se necessário a construção do tipo ideal.
Para ele a sociedade não “paira” sobre os indivíduos e nem lhes é superior. As
regras e normas sociais são resultados de um conjunto complexo de ações
individuais, nas quais os indivíduos escolheriam diferentes formas de conduta. Há
portando um privilégio da parte (indivíduo) sobre o todo (sociedade)
A sociologia weberiana concebe a sociedade como um eterno fluir, um conjunto
inesgotável de acontecimentos que aparecem e desaparecem, estando sempre
em movimento devido a um elemento básico: a ação social que implica uma
concepção do homem como indivíduo ativo a partir de um processo de conexão
valorativa do homem visando o real.
A contribuição de Weber para a Sociologia:
• A busca da análise histórica e da compreensão qualitativa para a compreensão
dos processos históricos e sociais.
• Descoberta da subjetividade na ação e pesquisa social.
• Desenvolveu uma forma de análise específica para as ciências sociais,
diferenciando-a das ciências exatas e da natureza.
• Desenvolveu trabalhos na área de história econômica, buscando as leis de
desenvolvimento das sociedades.
• Estudou as relações entre o meio urbano e o agrário.
Sociologia Econômica Durante a maior parte de sua vida
acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área
econômica. Aliás, seu último livro, um conjunto de notas de aula
publicados por seus alunos, chama-se justamente História Geral da
Economia. Desta forma, não é surpresa que Weber elabore uma
sofisticada abordagem sociológica da vida econômica. Por esta
razão, há até teóricos[7]
que defendem que, em última instância,
toda obra de Weber não passa de uma teoria econômica, qual seja,
uma visão sócio-histórica da vida aquisitiva.
Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Weber tendia a
ver o capitalismo como um fenômeno específicamente moderno. Já
em sua " Ética Protestante" (de 1904), apesar de colocar em relevo
os fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão
que predominava. Mas, nas décadas seguintes, ele romperá com
estas noções. Em primeiro lugar, ele insere o capitalismo (na sua
fase "moderna") em um amplo processo de racionalização da
cultura e da sociedade. Ou seja, enquanto fênômeno social, o
capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da
modernidade Ocidental e é similar, em sua forma racional, ao
campo da política, do direito, da ciência, etc. Outra mudança
importante é que Weber rompe com a definição marxista de que o
capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna: daí a
expressão capitalismo "moderno". Para Weber, o capitalismo é um
fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode
ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes
civilizações e mesmo nas sociedade não-ocidentais. O núcleo
estruturante da atividade capitalista é a''empresa'', pois a separação
da esfera individual da esfera impessoal da produção permite a
racionalização da organização do trabalho e mesmo das atividades
de gestão destas organizãções.
Com base nestas premissas, Weber construiu diferentes tipos ideais
de capitalismo, como a capitalismo aventureiro, o capitalismo de
Estado, o capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc.
As principais análises de Weber sobre o campo econômico podem
ser encontradas no segundo capítulo de Economia e Sociedade,
tópico em que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca
que o processo de racionalização da atividade econômica também
envolve a passagem de uma racionalidade material - na qual a vida
econômica está submetida a valores de ordem ética ou política -
para uma racionalidade formal, ou seja, na qual a lógica impessoal
das atividades econômicase e lucrativas se torna predominante.
Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um dos
precursores da sociologia econômica, conjunto de autores que se
recusa a entender a vida econômica como relacionada apenas com
o mercado, concebido de forma abstrata, separado de suas
condições históricas, culturais e sociais.
2. Sociologia Política Max Weber desenvolveu um importante
trabalho de sociologia política através da sua teoria dos tipos de
dominação[8]
. Dominação é a possibilidade de um determinado
grupo se submeter a um determinado mandato. Isso pode acontecer
por motivos diversos, como costumes e tradição. Weber define três
tipos de dominação que se distinguem pelo caráter da dominação
(pessoal ou impessoal) e, principalmente, pela diferença nos
fundamentos da legitimidade. São elas: legal, tradicional e
carismática.
Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência e
aceitação da validade intrínseca das normas e seu quadro
administrativo é mais bem representado pela burocracia. A ideia
principal da dominação legal é que deve existir um estatuto que
pode ou criar ou modificar normas, desde que esse processo
seja legal e de forma previamente estabelecido. Nessa forma de
dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si,
independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui
tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para
ocupar este posto, ou seja, ele só pode exercer a dominação
dentro dos limites pré-estabelecidos. Assim o poder é totalmente
impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à
administração pessoal. Como exemplo do uso da dominação
legal podemos citar o Estado Moderno, o município, uma
empresa capitalista privada e qualquer outra organização em que
haja uma hierarquia organizada e regulamentada. A forma mais
pura de dominação legal é a burocracia[9]
.
Dominação tradicional: Se dá pela crença na santidade de quem
dá a ordem e de suas ordenações, sua ordem mais pura se dá
pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os súditos
obedecem e na forma administrativa isso se dá pela forma dos
servidores. O ordenamento é fixado pela tradição e sua violação
seria um afronto à legitimidade da autoridade. Os servidores são
totalmente dependentes do senhor e ganham seus cargos seja
por privilégios ou concessões feitas pelo senhor, não há um
estatuto e o senhor pode agir com livre arbítrio.
Dominação carismática: nesta forma de dominação os
dominados obedecem a um senhor em virtude do seu carisma ou
seja, das qualidades execpcionais que lhe conferem especial
poder de mando. A palavra carisma é de inspiração religiosa e,
no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo Espírito
Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido
sociológico como dons e carismas do próprio indivíduo e, foi
nesta forma que Weber a adotou. Weber considerou o carisma
uma força revolucionária na história, pois ele tinha o poder de
romper as formas normais de exercício do poder. Por outro lado,
a confiança dos dominados no carisma do líder é volúvel e esta
forma de dominação tende para a via tradicional ou legal.
A tipologia weberiana das formas de poder político diferente
claramente da tradição clássica, orientada pela discussão da teoria
das formas de governo, oriunda do mundo antigo (Platão e
Aristóteles). Filiado à tradição realista de pensamento, Weber
também rejeita os pressupostos normativos e éticos da teoria do
poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de exercício.
Ao demonstrar que o exercício do poder envolve a necessidade de
legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua
institucionalização por meio de um quadro administrativo, Weber
apresentou os fundamentos básicos da sociologia política da era
contemporânea.
Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política - alicerçada
em seus tipos de dominação - Max Weber foi um dos mais argutos
analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império
Alemão e durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico
da política de Bismarck, líder que, ao monopolizar o poder, deixou a
nação sem qualquer nível de sofisticação política, Weber sempre
apontou a necessidade de reconstrução da liderança política. No
escrito O Estado Nacional e a Política Econômica, de 1895, já
mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam
aptar a dirigir a nação, seja pela sua decadência social (caso dos
Junkers), seja pela sua imaturidade política (caso da burguesia e do
proletariado)[10]
.
3. Sociologia da estratificação social Estratificação social é a
área da sociologia que se ocupa da pesquisa sobre a posição dos
indivíduos na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram
as distinções sociais entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que
explicava estas diferenças apenas com base em fatores
econômicos, Weber mostrou que as hierarquias e distinções sociais
obedecem à lógicas diferentes na esfera econômica, social e
política. Sob o aspecto econômico as classes sociais são
diferenciadas conforme as chances de oportunidades de vida,
escalonando os indivíduos em grupos positiva ou negativamente
privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e agrupamentos
sociais são valorizados conforme atributos de valor, dando origens a
diversos tipos de grupos de status. Diferente também é a lógica do
poder, em que os indivíduos agregam-se em diferentes partidos
políticos. A análise weberiana demonstra que existem diferentes
mecanismos sociais de distribuição dos bens sociais, como a
riqueza (classe), a honra ou prestígio social (grupos de status) e o
poder (partidos) e que cada um deles cria diferentes tipos de
ordenamento, hierarquização e diferenciação social.
4. Sociologia do Direito Jurista de formação, a análise da esfera
jurídica não ficou de fora das preocupações de Max Weber[11]
. Ele
dedicou um amplo capítulo de Economia e Sociedade a este tema.
O pano de fundo de toda sua reflexão sobre a esfera das normas
jurídicas é a tese da racionalização da vida social, da qual o próprio
direito é uma das expressões. Ao compreender historicamente a
evolução do direito, Weber destaca o crescente processo de
racionalização que lhe é inerente.
A racionalização do direito pode ser compreendida a partir de duas
variáveis: seu caráter material ou formal ou seu caráter racional e
irracional. São racionais todas as formas de legislação que seguem
padrões fixos, ao contrário do caráter aleatório dos métodos
irracionais. Por outro lado, o conteúdo do direito pode ser
determinado por valores concretos, especialmente de caráter ético,
ou obedecer a critérios de ordem interna, ligados a sistemática e ao
processo jurídico em si mesmo, ou seja, a sua forma.
A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não se
dedica apenas a entender esta esfera de forma isolada. O direito
possui uma ligação direta tanto com a ordem política quanto com a
ordem econômica. A evolução do direito formal é um aspecto
essencial do progressivo processo de burocratização do Estado,
bem como a estabilidade das normas jurídicas foi fundamental para
a consolidação de uma economia de mercado, pois esta requer uma
ordem de obrigações previsível. Direito, economia e política são
ordens sociais de vida que estão conectados e entrelaçados de
forma direta[12]
.
Como teórico da evolução sócio-histórica do direito, Weber é um
dos precursores do chamado direito positivista, pois ele concebia o
direito formal como a forma mais avançada historicamente do
sistema jurídico. Desta forma, Max Weber está na raiz de
importantes teóricos como o próprio Hans Kelsen, por exemplo,
condiderado o maior teórico do positivismo jurídico.
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A sociologia de weber

  • 1. A sociologia de Weber, como vimos, nasceu em um contexto bem diferente daquele vivenciado por Comte e Durkheim. Ela foi muito influenciada pelo idealismo alemão, corrente filosófica da qual se destacam nomes como Emmanuel Kant e Friedrich Hegel. Um dos pontos essenciais de discordância entre os positivistas e os idealistas, mais especificamente entre a sociologia de Durkheim e a de Weber, refere-se ao modo de conceber a história e sua importância para os estudos sociológicos. Como pensavam os positivistas Os positivistas concebiam a história enquanto um processo evolutivo da humanidade. Esse processo seria repleto de fases distintas e sucessivas pelas quais devem passar todas as sociedades. Assim, o que diferenciava uma sociedade da outra era o estágio em que ela se encontrava dentro desse processo. Para conhecer esse estágio, os positivistas destacavam o método comparativo. O pressuposto do qual eles partiam era o seguinte: sociedades de diferentes períodos e lugares poderiam ser postas em comparação. Assim, saberíamos, por exemplo, se a sociedade “a” encontra-se no mesmo estágio evolutivo que a sociedade “b”. Como, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades acabariam por passar pelos mesmos estágios evolutivos, o positivismo concebia a história como um processo universal, e não como algo único e próprio de cada grupo social. Essa lei evolutiva era generalizante e anulava as particularidades históricas das diferentes sociedades. Mais uma vez, a corrente positivista mostrava que para ela o importante era o que se apresentava como geral a todas as sociedades, e não aquilo que cada uma tem de particular. Com pensava Weber Weber, influenciado pelo idealismo alemão, discordava da concepção de história do positivismo. Tendo iniciado como historiador, ele estava acostumado com a pesquisa de documentos e arquivos. Sua experiência permitiu que ele enxergasse a história do passado como elemento fundamental para entendermos o presente. Entretanto, acreditava que a pesquisa histórica não resultava no estabelecimento de leis evolutivas universais e de generalizações. Pelo contrário, Weber acreditava que ela apontava para algo bem diferente: as infindas diferenças existentes entre as diversas sociedades. Essas diferenças não estavam baseadas nos supostos estágios evolutivos preconizados pelos positivistas. Segundo Weber, estavam no fato de que cada sociedade apresenta origem e formação diferentes das demais. Por isso, cada grupo social é único e deve ser respeitado em suas especificidades. Para Weber, o conhecimento produzido pela pesquisa histórica era imprescindível na formulação de evidências fundamentais para os estudos sociológicos. Por isso, sua sociologia compreensiva
  • 2. consistia em um esforço para interpretar como elementos do passado repercutiam nas particularidades das diferentes sociedades. Acontecimentos que a princípio não apresentariam importância, poderiam ter sentidos históricos e sociais inimagináveis. Weber também apresenta uma concepção de história bem diferente daquela defendida pelo materialismo histórico de Karl Marx, segundo o qual todas as transformações históricas de uma dada sociedade podem ser explicadas pelas relações econômicas. A perspectiva weberiana é de que a história é resultado de uma série de fatores e acontecimentos que podem ser também de natureza política, cultural, religiosa etc. O percurso histórico de uma sociedade não estaria, segundo ele, submetido apenas a questões econômicas, como dizia Marx, mas é resultado da combinação de diferentes fatores. 6. MAX WEBER: SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO A sociologia de Max Weber: a sociedade não é vista como um todo superior ao individuo e que determina o comportamento como uma força externa impositiva. Objeto da sociologia: a ação social e seus desdobramentos, Marx desloca a enfase das totalidades superindividuais para o individuo e para as redes de interações em que este se envolve. O conceito de ação social: define como uma conduta humana (omissão, permissão) dotada de um significado subjetivo dado por quem o executa, pode ser individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de individuos indeterminados e completamente desconhecidos. Weber considera que ação mais compreensivel é aquela que apresenta maior racionalidade. Ir a escola é uma ação social porque agindo assm você terá, indo ou, no caso inverso, deixando de ir. Esse tipo de ação que Weber classificaria como racional com relação aos fins, que estabelece os fins e procura os meios mais adequados para a concretização dos seus objetivos conscientemente visados. O objetivo da ação é basicamente egoísta, no sentido de realização de metas do individuo como tal. Weber vai definir o capitalismo como uma ação racional com vista a garantir o lucro de forma duradoura. Quando a ação do individuo é guiada por valores éticos e morais temos um outro tipo de ação social.
  • 3. Quintaneiro: para estarem seguros quanto a sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem descanso, trabalhar o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus e por meio de suas atividades produtivas. As ações sociais mais afastadas da racionalidade são as que Weber classificou como ação tradicional e ação afetiva. O primeiro tipo de ação consiste no hábito e costumes arraigados na cultura. Weber definiu que uma das caracteristicas básicas da sociedade moderna é a tendência crescente a racionalização de todas as esferas da vida social, politica e cultural. A ação corrosiva da razão produz o desencantamento do mundo, que passa a ser organizado de acordo com regras instituidas por meio de uma ação rigorosamente racional. Octavio Ianni: o principio de desenvolvimento do capitalismo é um processo de racionalização, que ocorre o desenvolvimento de formas racionais de organização das atividades sociais geral, compreendendo as politicas, as economicas, as juridicas, as religiosas. A rigor, o desenvolvimento das ciências ditas naturais e sociais, traduzido em tecnologias de todos os tipos, revelam-se simultaneamente condições e produtos de um vasto complex processo de racionalização do mundo. O sitema economico capitalista levou o controle burocrático ao seu mais extremo desenvolvimento. Marx Weber observou que quanto mais desumanizada se torna a burocracia, melhor ela desenvolve as caracteristicas valorizadas pelo capitalismo. O poder burocratico é um poder de cima para baixo, mesmo que baseado em regras bem definidas que definem as competencias e brigações de cada menro da cadeia de comando numa organização burocrática. Atualmente a burocracia como forma de organização das atividades numa empresa ou qualquer outro tipo de instituição tende a ser maid questionadas em sua eficácia. Entendimento de Rodrigues: a educação para Weber é o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes colocou a disposição. A educação enquanto processo formal de aprendizagem social está envolvida, numa pedagogia de treinamento com vista a formar o especialista, que possui uma competência técnica especifica destinada a ocupar um lugar na vasta organização de uma grande empresa ou orgão publico burocratizado. Esse tipo de educação, tem sido cada vez mais questionada por educadores, pois desvincula o aprendizado dos valores humanistas e lnge de uma perspectiva criticamente orientada para transformação da realidade social.
  • 4. 3 A educação em Max Weber 7 A sociologia accionalista – compreensiva – interpretativa – explicativa de Max Weber (1864-1920) é a sociologia da acção social dotada de sentido e de significado subjectivo: o sentido é interactivo porque tem significado social; é subjectivo porque individual. A sociologia de Weber é a “ciência 7 O pensamento de Max Weber sobre educação consta em textos como Ensaios de Sociologia, A Ciência como Vocação, Os Letrados Chineses, Burocracia ou Sobre a Universidade ou em discursos académicos como A Profissão e a Vocação de Cientista; A Profissão e a Vocação do Homem Político (Universidade de Munique, 1918). que se propõe compreender interpretativamente a acção social, para deste modo a explicar causalmente no seu desenrolar e nos seus efeitos” (Cruz, 1989: 584) *a acção é o comportamento humano dotado de sentido subjectivo; a acção social é a acção onde o sentido se refere ao comportamento, à conduta, de outras pessoas. Há quatro tipos de acção – a acção racional relativamente a um fim, a acção racional relativamente a um valor, a acção afectiva, a acção tradicional – a que correspondem três tipos de dominação – racional, carismática, tradicional]. Em poucas palavras, digamos que a sociologia weberiana é a uma teoria (racionalista) da acção social dotada de intencionalidade significativa (Cruz, 1989: XII). Ao contrário de Durkheim, que pretendia
  • 5. explicar ‘factos sociais’, Weber procura captar, para depois compreender e interpretar, conexões de sentido (o conteúdo simbólico) nas acções dos indivíduos. O entendimento dos fenómenos sociais é possível pelo método compreensivo: compreender significa, sempre, apreensão interpretativa do sentido. Weber defende a utiliza- ção do “tipo ideal”, o centro da sua doutrina racionalista. O conceito de “tipo ideal” liga-se à noção de compreensão, ao processo de racionalização e à concepção analítica e parcial da causalidade (Aron, 1991: 495). São exemplo de tipos ideais o capitalismo, a democracia, a sociedade, a burocracia, a lei. Olhemos mais de perto o tipo ideal “burocracia”: é a organização permanente da cooperação entre numerosos indiví- duos, exercendo cada um deles uma função especializada. O burocrata exerce uma profissão sepawww.bocc.ubi.ptEducação, SociolEducação, Sociologia da Educação e Teorias Sociológicas Clássicas 9 rada da vida familiar, desligada, como poderíamos dizer, da personalidade que lhe é própria. (Aron, 1991: 507) Ao contrário de Marx, para Weber a característica mais evidente da sociedade capitalista é a racionalização burocrática. A estrutura social de poder assenta em três tipos de ordem: a económica (que se exprime nas classes), a social (que se exprime no status) e a da luta pelo poder (que se exprime nos partidos). Tal como em Karl Marx, a educação não é temática dominante na obra de Max Weber. Na verdade, a sua influência nesta área data de finais dos anos 60, início dos anos
  • 6. 70 do século XX e pode sistematizar-se da seguinte forma: Weber trabalha um modelo implícito de reprodução no âmbito da teoria da burocracia, atribuindo ao Estado um papel de agente de uma racionalização societal global e de mediador de conflitos entre grupos sociais (Morrow e Torres, 1997: 27). A proposta weberiana possibilita a compreensão da dinâmica (micro e macro) do fenó- meno educativo, nomeadamente as suas relações/conexões com outras esferas do social (instituições e grupos, por exemplo). A educação, relação associativa (como qualquer relação social), modo de preparação dos homens para a vida social, é para Weber (tal como para Karl Marx) um mecanismo que contribui para a manutenção de uma situação de dominação de um grupo em relação a outro (na perspectiva weberiana, seja a dominação racional, carismática ou tradicional). Os exames nas universidades são exemplo dessa dominação (“obediência”). Mas vai mais longe: segundo Weber, a ambivalência dos exames traduz-se, por um lado, na selecção de indivíduos de classes sociais privilegiadas que vêm a ocupar posições privilegiadas na sociedade: por outro, esse sistema pode resultar na constituição (e reprodução) de uma ‘casta’ privilegiada. O diploma, símbolo de prestígio social, ao mesmo tempo que certifica a especialização dos indivíduos (“peritos”), abre portas à obtenção de vantagens (económicas e sociais, por exemplo) pelo ingresso nas instituições públicas e privadas e pela ocupação de cargos nessas estruturas (burocráticas). A selecção social é um elemento permanente na sociedade e a educação contribui para essa selecção social, favorecendo o ê- xito individual. O diploma é um critério de selecção social. A educação é, portanto, factor de estratificação social. A escola é palco de relações de poder, logo
  • 7. de dominação (combina a dominação tradicional com a burocrática). No centro da proposta weberiana está a identificação de três tipos de educação: a carismática; a humanista (“de cultivo”); a racional-burocrática (especializada) Historicamente, os dois pólos opostos no campo das finalidades educacionais são: despertar o carisma, isto é, qualidades heróicas ou dons mágicos; e transmitir o conhecimento especializado. O primeiro tipo corresponde à estrutura carismática do domínio; o segundo corresponde à estrutura (moderna) de domínio, racional e burocrático. Os dois tipos não se opõem, sem ter conexões ou transições entcionário especializado em geral não é preparado exclusivamente para o conhecimento. São porém pólos opostos dos tipos de educação e formam contrastes mais radicais. Entre eles estão aqueles tipos que pretendem preparar o aluno para a conduta da vida, seja de carácter mundano ou religioso. (Weber, 1971: 482) Os três tipos de dominação correspondem aos três tipos de educação, sendo que cada um deles é mais ou menos valorizado pelas instituições burocráticas políticas-económicas-sociais em determinada época: a dominação carismática corresponde à educação de carisma, sendo identifi-
  • 8. cada com a antiguidade; a dominação tradicional prende-se com a educação humanista (do “homem culto”), sendo característica do patriarcalismo; a dominação racional relaciona-se com uma educação racionalburocrática (“do especialista”) e encontrase subjacente ao capitalismo. As instâncias dominantes em cada período histórico participam na definição das finalidades da educação. Como sabemos, o capitalismo é, para Weber, a forma mais elevada de racionaliza- ção. Numa sociedade capitalista-racionalburocrática, os indivíduos distinguem-se pelas suas qualificações (havendo necessidade de “funcionários especializados”, “profissionalmente mais informados”): a educação é o elemento que contribui para a selecção social, é um dos recursos possíveis para se manter – ou melhorar – o status (e quanto mais reduzido for o grupo, maior o prestígio social dos seus membros). Também para Weber, tal como para Durkheim, a educação é um processo de socialização permanente, constante (que, para além da escola, se consubstancia igualmente na família), de reprodução e manutenção social. A actualidade do pensamento weberiano é por demais evidente: está presente no crescente processo de burocratização das sociedades (e das instituições, dos processos e dos sistemas educativos), está presente na necessidade de especialização (nomeadamente tecnológica, tendo no horizonte a sociedade ‘da informação’ ou ‘do conhecimento’), está presente na diversificação de formas de educação (traduzida em currículos e políticas educativas renovadas a grande rotação). Notas finais No pensamento marxista, a educação é um
  • 9. espaço de reprodução ideológica dos interesses da classe dominante (a burguesia); em Durkheim, a educação é vista como instituição integradora essencial à ordem social; na perspectiva weberiana, a educação é fonte de um novo princípio de controlo, enquanto racionalidade instrumental de dominação burocrática (Morrow e Torres, 1997: 24). Se em Marx a educação pode oprimir ou emancipar o indivíduo (no sentido de “libertação”); em Durkheim, a educação é o mecanismo pelo qual ele se torna membro de uma sociedade (se torna “um ser novo”). Weber vai mais longe: a educação é factor de selecção e de estratificação sociais. Marx e Durkheim centraram-se no poder das forças externas ao indivíduo; Weber centrou-se na capacidade de acção do indivíduo sobre o exterior. Margaret Archer, no texto The sociology of educational systems, sintetiza, numa ló- www.bocc.ubi.ptre si. O herói guerreiro ou o mágico também necessita de treino especial, e o fun – Max Weber (1864 – 1920) Sociologia Compreensiva Sociólogo e economista político alemão, um dos fundadores da sociologia moderna, acadêmico cujos estudos do capitalismo, de religiões comparadas, de sistemas de classes e sistemas sociais, juntamente com as suas contribuições a metodologia das ciências sociais, ainda são de grande importância. Na opinião de Weber, a tendência da civilização do ocidente tem sido rumo a racionalização, conduzida pela crença no progresso por intermédio da razão, que abriu caminho para o desenvolvimento das organizações sociais, políticas e econômicas que diverge da maioria das outras culturas.
  • 10. Essa opinião esta expressa de maneira marcante na obra mais famosa e controversa de Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904- 1905). Nela, Weber atribuía a ascensão e o crescimento do capitalismo - fenômeno claramente ocidental que só há pouco tempo foi exportado para o resto do mundo – em parte, à ética prática contida na teologia protestante, em especial na teologia calvinista. Weber procurou criar uma metodologia válida para a sociologia fundamentada em valor-liberdade, a fuga dos juízos de valor que compromete a pesquisa; a construção de tipos ideais, ou conceitos generalizados, em comparação aos que se possam analisar os sistemas e os fenômenos; e o que ele chamava de Verstehen – “entendimento” em alemão, mas que também implica a interpretação das atividades sociais segundo seu significado subjetivo tanto para os “agentes” quanto para o pesquisador. O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. Se, por exemplo, uma pessoa dá a outra um pedaço de papel, esse fato, em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma dívida (o pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato propriamente humano, ou seja, de uma ação carregada de sentido. O fato em questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de significações sociais, na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao pedaço de papel a função do servir como meio de troca ou pagamento; além disso, essa função é reconhecida por uma comunidade maior de pessoas. O objeto da Sociologia é a ação social. Ação social é a conduta humana dotada de sentido (justificativa subjetivamente elaborada). É importante diferenciar ação social de relação social. No primeiro caso, a ação é orientada pela conduta do outro. Na Segunda a ação é orientada pelo sentido compartilhado reciprocamente por um grupo de agentes. Tipos de ação social: Ação racional com relação a um objetivo (tem um fim previamente determinado).
  • 11. Ex: a ação política. Ação racional com relação a valor (relacionado à moral). Ex: condutas ligadas às manifestações religiosas. Ação afetiva ( ditado pelo estado de consciência ou humor do sujeito). Ex: o ciúme entre os casais. Ação tradicional (ditado por valores culturais absorvidos pelo sujeito como naturais, obedecendo a reflexos). É para orientar o cientista na compreensão da ação social e, conseqüentemente dos fenômenos sociais que faz-se necessário a construção do tipo ideal. Para ele a sociedade não “paira” sobre os indivíduos e nem lhes é superior. As regras e normas sociais são resultados de um conjunto complexo de ações individuais, nas quais os indivíduos escolheriam diferentes formas de conduta. Há portando um privilégio da parte (indivíduo) sobre o todo (sociedade) A sociologia weberiana concebe a sociedade como um eterno fluir, um conjunto inesgotável de acontecimentos que aparecem e desaparecem, estando sempre em movimento devido a um elemento básico: a ação social que implica uma concepção do homem como indivíduo ativo a partir de um processo de conexão valorativa do homem visando o real. A contribuição de Weber para a Sociologia: • A busca da análise histórica e da compreensão qualitativa para a compreensão dos processos históricos e sociais. • Descoberta da subjetividade na ação e pesquisa social. • Desenvolveu uma forma de análise específica para as ciências sociais, diferenciando-a das ciências exatas e da natureza. • Desenvolveu trabalhos na área de história econômica, buscando as leis de desenvolvimento das sociedades. • Estudou as relações entre o meio urbano e o agrário. Sociologia Econômica Durante a maior parte de sua vida acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área econômica. Aliás, seu último livro, um conjunto de notas de aula
  • 12. publicados por seus alunos, chama-se justamente História Geral da Economia. Desta forma, não é surpresa que Weber elabore uma sofisticada abordagem sociológica da vida econômica. Por esta razão, há até teóricos[7] que defendem que, em última instância, toda obra de Weber não passa de uma teoria econômica, qual seja, uma visão sócio-histórica da vida aquisitiva. Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Weber tendia a ver o capitalismo como um fenômeno específicamente moderno. Já em sua " Ética Protestante" (de 1904), apesar de colocar em relevo os fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão que predominava. Mas, nas décadas seguintes, ele romperá com estas noções. Em primeiro lugar, ele insere o capitalismo (na sua fase "moderna") em um amplo processo de racionalização da cultura e da sociedade. Ou seja, enquanto fênômeno social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da modernidade Ocidental e é similar, em sua forma racional, ao campo da política, do direito, da ciência, etc. Outra mudança importante é que Weber rompe com a definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna: daí a expressão capitalismo "moderno". Para Weber, o capitalismo é um fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes civilizações e mesmo nas sociedade não-ocidentais. O núcleo estruturante da atividade capitalista é a''empresa'', pois a separação da esfera individual da esfera impessoal da produção permite a
  • 13. racionalização da organização do trabalho e mesmo das atividades de gestão destas organizãções. Com base nestas premissas, Weber construiu diferentes tipos ideais de capitalismo, como a capitalismo aventureiro, o capitalismo de Estado, o capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc. As principais análises de Weber sobre o campo econômico podem ser encontradas no segundo capítulo de Economia e Sociedade, tópico em que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca que o processo de racionalização da atividade econômica também envolve a passagem de uma racionalidade material - na qual a vida econômica está submetida a valores de ordem ética ou política - para uma racionalidade formal, ou seja, na qual a lógica impessoal das atividades econômicase e lucrativas se torna predominante. Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um dos precursores da sociologia econômica, conjunto de autores que se recusa a entender a vida econômica como relacionada apenas com o mercado, concebido de forma abstrata, separado de suas condições históricas, culturais e sociais. 2. Sociologia Política Max Weber desenvolveu um importante trabalho de sociologia política através da sua teoria dos tipos de dominação[8] . Dominação é a possibilidade de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato. Isso pode acontecer por motivos diversos, como costumes e tradição. Weber define três tipos de dominação que se distinguem pelo caráter da dominação (pessoal ou impessoal) e, principalmente, pela diferença nos
  • 14. fundamentos da legitimidade. São elas: legal, tradicional e carismática. Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência e aceitação da validade intrínseca das normas e seu quadro administrativo é mais bem representado pela burocracia. A ideia principal da dominação legal é que deve existir um estatuto que pode ou criar ou modificar normas, desde que esse processo seja legal e de forma previamente estabelecido. Nessa forma de dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si, independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, ou seja, ele só pode exercer a dominação dentro dos limites pré-estabelecidos. Assim o poder é totalmente impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à administração pessoal. Como exemplo do uso da dominação legal podemos citar o Estado Moderno, o município, uma empresa capitalista privada e qualquer outra organização em que haja uma hierarquia organizada e regulamentada. A forma mais pura de dominação legal é a burocracia[9] . Dominação tradicional: Se dá pela crença na santidade de quem dá a ordem e de suas ordenações, sua ordem mais pura se dá pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os súditos obedecem e na forma administrativa isso se dá pela forma dos servidores. O ordenamento é fixado pela tradição e sua violação seria um afronto à legitimidade da autoridade. Os servidores são
  • 15. totalmente dependentes do senhor e ganham seus cargos seja por privilégios ou concessões feitas pelo senhor, não há um estatuto e o senhor pode agir com livre arbítrio. Dominação carismática: nesta forma de dominação os dominados obedecem a um senhor em virtude do seu carisma ou seja, das qualidades execpcionais que lhe conferem especial poder de mando. A palavra carisma é de inspiração religiosa e, no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo Espírito Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido sociológico como dons e carismas do próprio indivíduo e, foi nesta forma que Weber a adotou. Weber considerou o carisma uma força revolucionária na história, pois ele tinha o poder de romper as formas normais de exercício do poder. Por outro lado, a confiança dos dominados no carisma do líder é volúvel e esta forma de dominação tende para a via tradicional ou legal. A tipologia weberiana das formas de poder político diferente claramente da tradição clássica, orientada pela discussão da teoria das formas de governo, oriunda do mundo antigo (Platão e Aristóteles). Filiado à tradição realista de pensamento, Weber também rejeita os pressupostos normativos e éticos da teoria do poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de exercício. Ao demonstrar que o exercício do poder envolve a necessidade de legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua institucionalização por meio de um quadro administrativo, Weber
  • 16. apresentou os fundamentos básicos da sociologia política da era contemporânea. Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política - alicerçada em seus tipos de dominação - Max Weber foi um dos mais argutos analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império Alemão e durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico da política de Bismarck, líder que, ao monopolizar o poder, deixou a nação sem qualquer nível de sofisticação política, Weber sempre apontou a necessidade de reconstrução da liderança política. No escrito O Estado Nacional e a Política Econômica, de 1895, já mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam aptar a dirigir a nação, seja pela sua decadência social (caso dos Junkers), seja pela sua imaturidade política (caso da burguesia e do proletariado)[10] . 3. Sociologia da estratificação social Estratificação social é a área da sociologia que se ocupa da pesquisa sobre a posição dos indivíduos na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram as distinções sociais entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que explicava estas diferenças apenas com base em fatores econômicos, Weber mostrou que as hierarquias e distinções sociais obedecem à lógicas diferentes na esfera econômica, social e política. Sob o aspecto econômico as classes sociais são diferenciadas conforme as chances de oportunidades de vida, escalonando os indivíduos em grupos positiva ou negativamente privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e agrupamentos
  • 17. sociais são valorizados conforme atributos de valor, dando origens a diversos tipos de grupos de status. Diferente também é a lógica do poder, em que os indivíduos agregam-se em diferentes partidos políticos. A análise weberiana demonstra que existem diferentes mecanismos sociais de distribuição dos bens sociais, como a riqueza (classe), a honra ou prestígio social (grupos de status) e o poder (partidos) e que cada um deles cria diferentes tipos de ordenamento, hierarquização e diferenciação social. 4. Sociologia do Direito Jurista de formação, a análise da esfera jurídica não ficou de fora das preocupações de Max Weber[11] . Ele dedicou um amplo capítulo de Economia e Sociedade a este tema. O pano de fundo de toda sua reflexão sobre a esfera das normas jurídicas é a tese da racionalização da vida social, da qual o próprio direito é uma das expressões. Ao compreender historicamente a evolução do direito, Weber destaca o crescente processo de racionalização que lhe é inerente. A racionalização do direito pode ser compreendida a partir de duas variáveis: seu caráter material ou formal ou seu caráter racional e irracional. São racionais todas as formas de legislação que seguem padrões fixos, ao contrário do caráter aleatório dos métodos irracionais. Por outro lado, o conteúdo do direito pode ser determinado por valores concretos, especialmente de caráter ético, ou obedecer a critérios de ordem interna, ligados a sistemática e ao processo jurídico em si mesmo, ou seja, a sua forma.
  • 18. A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não se dedica apenas a entender esta esfera de forma isolada. O direito possui uma ligação direta tanto com a ordem política quanto com a ordem econômica. A evolução do direito formal é um aspecto essencial do progressivo processo de burocratização do Estado, bem como a estabilidade das normas jurídicas foi fundamental para a consolidação de uma economia de mercado, pois esta requer uma ordem de obrigações previsível. Direito, economia e política são ordens sociais de vida que estão conectados e entrelaçados de forma direta[12] . Como teórico da evolução sócio-histórica do direito, Weber é um dos precursores do chamado direito positivista, pois ele concebia o direito formal como a forma mais avançada historicamente do sistema jurídico. Desta forma, Max Weber está na raiz de importantes teóricos como o próprio Hans Kelsen, por exemplo, condiderado o maior teórico do positivismo jurídico. [editar]