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ÁREAS
CONTAMINADAS
Por Marcos
Tanaka Riyis

Investigação geoambiental de alta resolução
para áreas contaminadas
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Investigação Geoambiental de Áreas Contaminadas - Reduzindo as Incertezas

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Coluna para a Revista Pollution Engeneering Brazil de Junho de 2013

Publicada em: Educação
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Investigação Geoambiental de Áreas Contaminadas - Reduzindo as Incertezas

  1. 1. ÁREAS CONTAMINADAS Por Marcos Tanaka Riyis Investigação geoambiental de alta resolução para áreas contaminadas Você se sente confortável em tomar decisões baseadas em dados pouco representativos? Reduza as incertezas na elaboração do diagnóstico ambiental da área N essa edição, detalharemos alguns princípios para que essa investigação tenha a qualidade adequada. Inicialmente, é preciso que todos os envolvidos no gerenciamento (responsável legal, responsável técnico, poder público) estejam cientes que é preciso priorizar as etapas de investigação, ao invés de concentrar os recursos na etapa de remediação. O responsável legal deve entender e exigir o mesmo de seu responsável técnico que, por sua vez, deve direcionar seus melhores técnicos, equipamentos, ferramentas e recursos para o diagnóstico adequado da área de estudo. Havendo esse “amadurecimento” do mercado, certamente o órgão ambiental olhará com outros olhos um trabalho que avance além do que é solicitado pelas leis, normas e procedimentos. Isso ainda não ocorre devido à concorrência entre as consultorias - estimulada pelos responsáveis legais - que priorizam o menor custo na investigação para “ganharem” a remediação. Porém, se todos os envolvidos derem a ênfase necessária às etapas de diagnóstico, o principal objetivo será alcançado: reabilitar a área rapidamente e reduzir o risco à saúde humana. É fundamental que sejam utilizadas ferramentas de investigação de alta resolução, ou HRSC (High Resolution Site Characterization), que podem ser vistas em detalhe no site da EPA (Environmental Protection Agency Agência de Proteção Ambiental dos EUA) [1]. Essas ferramentas são necessárias porque os métodos tradicionais de coleta de dados (amostragem de solo e instalação de poços de monitoramento), embora estejam totalmente dentro das normas, possuem incertezas, que muitas vezes inviabilizam uma tomada de decisão adequada [2]. Para ilustrar podemos citar dois exemplos: A metodologia Direct Push (DP) com liner é a modalidade de amostragem de solo mais utilizada e recomendada no Brasil [3] e no exterior, e considerada a mais representativa, tanto na realização de análises químicas quanto na caracterização do meio físico (geológico e hidrogeológico). Para essa segunda finalidade, a amostragem DP é extremamente dependente do profissional que está descrevendo as amostras em campo. As diferenças de interpretação tátil-visual levam a diferenças de até três ordens de magnitude [4]. Além disso, frequentemente há variações em escala de centímetros nas camadas hidroestratigráficas que não são possíveis de detectar no liner. Existe uma limitação da ferramenta: é muito difícil recuperar amostras de solo na zona saturada, e essa amostragem abaixo do nível de água é fundamental para determinar zonas de fluxo e armazenamento, dimensionar projetos de remediação ou posicionar a seção filtrante dos poços de monitoramento. É adequado tomar uma decisão baseada somente em dados com tantas incertezas? Um segundo exemplo são os poços de monitoramento. Imagine um poço adequadamente instalado, sem problemas de projeto ou de execução, que tem, no mínimo, 1m de seção filtrante. Uma amostra de água coletada (excluindo os erros nessa etapa) é uma média ponderada da concentração de todas as camadas hidrogeológicas que estão nesse 1,60m (1,0m da seção filtrante e 0,60m de pré-filtro acima do topo do tubo-filtro). É frequente a variação de condutividade hidráulica de até 4 ordens de grandeza nesse fragmento do aquífero [5], o que nos leva a outra pergunta: a concentração mensurada pelo laboratório é representativa? É possível tomar uma decisão baseada nesses dados? Para minimizar essas incertezas, podem ser utilizadas as HRSC, que coletam grande densidade de dados, propiciando a elaboração de um modelo conceitual mais sólido e uma tomada de decisão mais confortável. Algumas ferramentas têm como função principal realizar um diagnóstico muito detalhado do meio físico (perfil hidroestratigráfico, mapas de condutividade hidráulica, entre outros), outras priorizam o mapeamento das concentrações de compostos químicos de interesse. No primeiro grupo, que fornece um entendimento excelente do meio físico, mas não fornece informações sobre as concentrações, estão as ferramentas derivadas do Cone Penetration Test (CPT) [6] como o piezocone (CPTu), o piezocone de resistividade (RCPTu), o sensor de condutividade elétrica (EC), o HPT, o Slug Test Pneumático, entre outros. No segundo, que mapeiam espacialmente as concentrações, mas não fornecem informação sobre o meio físico, estão os equipamentos que funcionam pelo método LIF (Laser-Induced Fluorescence), como o UVOST, o famoso MIP e os cromatógrafos de campo. Muitos estão disponíveis no Brasil (RCPTu, UVOST e MIP, pelo menos). Sobre o custo: é superior ao das ferramentas tradicionais, porém, se for calculado o custo por dado coletado, as ferramentas de alta resolução se tornam muito mais baratas. Além disso, qual é o custo de tomar uma decisão baseada em dados não confiáveis? Então, para que a investigação tenha a qualidade necessária, é preciso que ela seja priorizada dentro do gerenciamento, que ela vá além do que é obrigatório, que a coleta de dados seja realizada pelo profissional mais qualificado da consultoria e que sejam utilizadas as ferramentas adequadas, de preferência de alta resolução. Só assim as decisões poderão ser tomadas baseadas em informações confiáveis e o processo de gerenciamento de uma área contaminada terá menor duração e menor custo econômico, social e ambiental. Referências As referências estão online no endereço: xxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Marcos Tanaka Riyis é Diretor Técnico da ECD Sondagens Ambientais Ltda, empresa especializada em Investigação Geoambiental de Áreas Contaminadas; Mestre em Engenharia Civil e Ambiental - Área de Geotecnia Ambiental pela FEB/UNESP; Pós-Graduado em Gerenciamento de Áreas Contaminadas pelo SENAC-SP; Pós-Graduado em Educação Ambiental pelo SENAC-RJ; Engenheiro Ambiental pela UNESP/Sorocaba; autor de diversos trabalhos publicados no Brasil e no Exterior sobre Investigação Geoambiental de Áreas Contaminadas. Abr a Jun 2013 - www.revistaPE.com.br 21

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